domingo, 30 de julho de 2017

1576: Morre Hans Staden, autor de relato de viagem sobre Brasil

Em 30 de julho de 1576, o alemão Hans Staden, autor de um importante relato de viagem sobre o Brasil pós-descobrimento, morria em seu país natal.
Korruption in Brasilien (Gemeinfrei)
Em Wahrhaftige Historia, o alemão Hans Staden relata duas viagens que realizou ao Brasil entre os anos de 1548 e 1555. Quatrocentos e cinquenta anos depois de sua primeira edição, o livro permanece um dos mais curiosos documentos sobre a cultura dos índios brasileiros, especialmente os tupinambás, que aprisionaram o navegante e mercenário alemão e, segundo ele próprio, quase o devoraram em seus rituais canibalescos.
Os homens do outro lado do Atlântico
O relato de Hans Staden (1525–1579) está para os alemães assim como a carta de Pero Vaz de Caminha para os reis de Portugal. Em Verdadeira História dos SelvagensNus e Devoradores de Homens, Encontrados no NovoMundo, A América, a reportagem feita por Staden é a descrição de um homem simples, de forte fervor religioso, sobre a natureza e a paisagem do Brasil e os costumes de seus habitantes.
Uma aventura onde se revelam também as questionáveis formas de colonização empregadas pelos europeus na conquista de outros continentes e o inevitável choque cultural entre os chamados "selvagens" e "civilizados".
Segundo a Brasiliana da BibliotecaNacional, de 2001, o livro de Staden foi determinante para os europeus: "A sua influência no meio culto da época ajudou a criar, no imaginário europeu quinhentista, a ideia da terra brasílica como o país dos canibais, devido às ilustrações com cenas de antropofagia".
Buchcover Hans Staden A verdadeira historia dos selvagens, nus e ferozes devoradores de homens
Capa de uma edição do famoso relato
Monteiro Lobato foi taxativo ao estimar o valor dos escritos do autor alemão: "É obra que devia entrar nas escolas, pois nenhuma dará melhor aos meninos a sensação da terra que foi o Brasil em seus primórdios."
Em suas próprias palavras, Staden não pretendia se vangloriar de suas experiências junto a um povo tão exótico para ele. "O porquê de ter escrito este livrinho foi enfatizado por mim em diversos trechos. Todos nós devemos louvar e agradecer a Deus por ter-nos protegido desde o nascimento até os dias de hoje, ao longo de uma vida inteira."
"Assim como os portugueses, franceses, espanhóis e holandeses, os alemães também participaram da exploração do Brasil no início do século 16. Minha primeira viagem para a América foi em uma nau portuguesa. Éramos três alemães a bordo, Heinrich Brant von Bremen, Hans von Bruchhausen e eu. A segunda viagem ia de Sevilha, na Espanha, para o Rio de La Plata", conta o autor, que na segunda expedição era o único alemão presente. "Acabamos sofrendo um naufrágio em São Vicente. Trata-se de uma ilha que fica bem próxima à terra firme brasileira e é habitada por portugueses."
livro revisitado
Os nove meses em que Hans Staden ficou em poder dos tupinambás renderam um relato impressionante em nível antropológico, sociológico, linguístico e cultural que é constantemente revisitado.
O livro, considerado um sucesso editorial, já inspirou montagens teatrais pelo mundo afora, semeando a imaginação dos modernistas Raul Bopp e Oswald de Andrade na criação da Revista de Antropofagia, de 1928, onde foi publicado o substancial Manifesto Antropofágico, de Oswald: "Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comi-o".
Filmplakat Film Hans Staden
Cartaz do filme 'Hans Staden'
A aventura de Hans Staden acabou sendo levada às telas pelas mãos do cineasta brasileiro Luiz Alberto Pereira em Hans Staden, um dos poucos filmes na história do cinema em que a língua falada pelos atores é, predominantemente, a tupi, e que conquistou diversos prêmios no Brasil e nos Estados Unidos.
O livro ganhou em 1998 uma primorosa edição da Dantes Editora e Livraria, do Rio de Janeiro, em tradução de Pedro Süssekind, que traz, além das ilustrações originais, desenhos e gravuras de Theodoro de Bry, Roque Gameiro, Van Stolk, entre outros.
  • Data 30.07.2017
  • Autoria Felipe Tadeu
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quinta-feira, 27 de julho de 2017

1945: Zona de Ocupação Soviética é dividida

No dia 27 de julho de 1945, dois meses após o fim da Segunda Guerra, a Administração Militar Soviética emitiu a ordem que dividiu o território alemão sob sua ocupação em estados da Alemanha Oriental, de regime comunista.
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Sessão de constituição da Câmara Popular da Alemanha Oriental em 1949
Tudo o que aconteceu na Alemanha após 1945 teve origem na Segunda Guerra Mundial e na forma como o conflito foi conduzido. O procedimento bárbaro de Adolf Hitler e seus seguidores provocou reações dos adversários que, inicialmente, eram caracterizadas pela vingança, exigência de reparação e a destituição dos alemães do poder.
Sobretudo as potências ocidentais viam na história alemã, desde Frederico, o Grande, até Hitler, uma linha contínua, marcada pelo imperialismo violento. Com o objetivo de eliminar definitivamente essa forma de domínio, elas planejaram tutelar os alemães e transformar o país num vácuo econômico e político.
É o que provam leis e decretos dessa época, publicados no diário oficial do governo militar dos Aliados. Eram proibidas, por exemplo, reuniões públicas e particulares de cinco ou mais pessoas. Podiam-se realizar cultos religiosos, mas era vedado tocar ou cantar o hino nacional ou outras canções patrióticas. Todos os cidadãos maiores de 12 anos de idade eram obrigados a portar sempre a carteira de identidade.
Aliados partilham território
Apesar de todas as restrições, o cotidiano e a vida política entraram numa certa rotina a partir de 1945. Pela chamada Declaração das Quatro Potências, de 5 de junho de 1945, o Conselho de Controle dos Aliados (formado pelos Estados Unidos, França, Inglaterra e União Soviética) decidiu criar zonas de ocupação na Alemanha e Áustria, ignorando as divisões político-administrativas internas anteriores.
DDR Grenzdörfer
Casa evacuada à força na década de 1970 em Mecklemburgo, junto à fronteira entre as duas Alemanhas
Em princípio, as novas fronteiras foram fixadas de acordo com as posições ocupadas pelos respectivos exércitos no fim da guerra. Na Alemanha, os Estados Unidos fizeram uma exceção: em julho de 1945, cederam a Turíngia aos soviéticos, o que significou um deslocamento da fronteira alemã.
A Conferência de Potsdam (17 de julho a 2 de agosto de 1945) confirmou a redução de quase 25% do território do antigo Império Alemão. Nesse encontro, em que os líderes Churchill, Truman e Stalin discutiram o futuro da Alemanha ocupada, foi decidido que o território alemão a leste dos rios Oder e Neisse passaria à administração da Polônia, e uma parte da Prússia Oriental, ao controle da União Soviética. Consequentemente, o destino da Alemanha do pós-guerra passou a depender das relações entre as potências vencedoras.
A Alemanha foi dividida em quatro zonas de ocupação: os russos, no leste; os ingleses, no noroeste; os franceses, no sudoeste; os norte-americanos, no sul. Berlim, a ex-capital do Terceiro Reich, foi partilhada entre as quatro potências.
Soviéticos organizam antifascismo
Mas nenhum dos países aliados iniciou a ocupação de forma tão bem elaborada quanto a União Soviética. Seu primeiro objetivo era fundar o Partido Comunista da Alemanha (KPD), registrado a 10 de junho de 1945.
DDR Flagge mit Logo
Bandeira e brasão da extinta República Democrática Alemã (RDA)
"Na zona de ocupação soviética na Alemanha, é permitida a formação e atividade de todos os partidos antifascistas que tenham como objetivo a eliminação definitiva dos remanescentes do fascismo e o estabelecimento dos princípios da democracia, da liberdade e da participação política e o desenvolvimento da iniciativa própria da população nesse sentido", dizia um decreto da Administração Militar Soviética.
Embora nas outras três zonas de ocupação os partidos políticos só fossem autorizados meses mais tarde, uma reorganização política da Alemanha parecia mais do que necessária. A estrutura administrativa estadual e municipal precisava ser urgentemente reformulada.
Nova Alemanha Oriental
Nesse campo, as forças de ocupação tinham objetivos distintos. Os soviéticos apostavam numa enxuta organização antifascista de poder. Os ingleses e norte-americanos depositavam suas esperanças num amplo processo de democratização, enquanto os franceses queriam transformar sua zona numa extensão do território da França, dependente de seus próprios interesses nacionais. À semelhança dos soviéticos, tinham por meta incorporar sua zona de ocupação.
Para isso, no entanto, era preciso definir claramente as fronteiras estaduais. A zona soviética instituiu uma nova divisão político-administrativa. Poucas semanas após o fim da guerra, a União Soviética criou cinco novos estados alemães: Mecklemburgo, Saxônia, Turíngia, Saxônia-Anhalt e Brandemburgo.
Por meio da chamada Ordem 17 da Administração Militar Soviética, de 27 de julho de 1945, foram instituídas administrações centrais que serviram de base para um novo regime estatal antifascista. Quatro anos depois, no dia 7 de outubro de 1949, foi fundada a República Democrática Alemã, de regime comunista.
  • Autoria Doris Bulau / gh
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quarta-feira, 26 de julho de 2017

1961, o ano que atocharam o parlamentarismo no Brasil

Regime imposto por militares para limitar os poderes do presidente João Goulart durou apenas 17 meses e já foi rejeitado em dois plebiscitos
 A manchete sobre o sistema de governo implantado a toque de caixa – Foto: Reprodução

A manchete sobre o sistema de governo implantado a toque de caixa – Foto: Reprodução
Na falta de termo melhor, chamaram de “solução de compromisso”. Da noite para o dia, o sistema de governo parlamentarista foi adotado para permitir o desembarque de João Goulart, o Jango, no Brasil, e sua posse na presidência da República. Vice de Jânio Quadros, Jango fazia escala em Singapura, voltando de viagem à China, quando o presidente renunciou.
Se as regras do jogo democrático estivessem valendo, Jango assumiria o governo e ponto final. Os ministros militares, no entanto, viram em sua ausência momentânea a brecha para impedir a posse de um político nacionalista, de esquerda, próximo dos sindicatos. Com o apoio de setores conservadores da sociedade, anunciaram sua posição e tentaram o golpe.
A resistência foi liderada pelo governador gaúcho Leonel Brizola, que deflagrou uma bem-sucedida campanha pela legalidade, escudado pelo III Exército, do Rio Grande do Sul. Temendo que o conflito se degenerasse em guerra civil, Jango aceitou assumir só como chefe de Estado, impedido de elaborar leis e orientar a política externa, entre outras restrições.
Jango tomou posse no Palácio do Planalto em 7 de setembro de 1961, 13 dias depois da renúncia de Jânio Quadros. Naquela altura, havia sido aprovada a emenda constitucional que instalava o sistema parlamentarista no Brasil. Nos 17 meses de duração do regime, o Brasil teve três primeiros-ministros: Tancredo Neves, Brochado da Rocha e Hermes Lima.
Só que a emenda à Constituição que implantou o parlamentarismo também previa a realização de um plebiscito em 1965 para decidir pela manutenção ou não do sistema político imposto pelo conservadorismo. Jango, que desde o primeiro dia como presidente trabalhou pela volta do presidencialismo, conseguiu que o Congresso antecipasse o plebiscito para janeiro de 1963.
“Libertado o presidente, as reformas vão pra frente”, foi um dos lemas da campanha pelo “Não” ao parlamentarismo. Com 82% dos votos válidos, a consulta popular restaurou o presidencialismo. Trinta anos depois, em abril de 1993, a pergunta sobre o regime político que deveria reger o País foi repetida aos brasileiros. De novo, deu presidencialismo, com 55% dos votos, contra 25% para o parlamentarismo e 10% para a monarquia.
Cartaz da campanha pelo fim do parlamentarismo – Foto: Reprodução
Cartaz da campanha pelo fim do parlamentarismo – Foto: Reprodução
Fonte: http://brasileiros.com.br/RoxXL

1882: Estreia de "Parsifal", última ópera de Wagner

No dia 26 de julho de 1882 estreava "Parsifal", última ópera de Richard Wagner. O herói, o "tolo puro", é um dos cavaleiros da Távola Redonda, coroado rei do Santo Graal após encontrar a maturidade no contato com o mal.
Richard Wagner Holographie (picture-alliance/dpa)
Diz a Bíblia que, antes de ser crucificado, Cristo se reuniu com seus discípulos para a Última Ceia. O Graal, o copo de que ele bebeu o vinho, foi o mesmo que recolheu suas últimas gotas de sangue. Ao ser crucificado, Cristo foi ferido no flanco pela lança de um centurião. Nesse momento, uma mulher riu.
O centurião e a mulher foram amaldiçoados por Deus. Com os nomes Klingsor e Kundry, eles percorreram os séculos em diferentes reencarnações, da mesma forma que a lança e o Graal, as mais sagradas relíquias do cristianismo.
O Graal e o "tolo puro"
Os dois objetos encontravam-se sob a guarda da misteriosa cavalaria do rei Amfortas. Klingsor roubou a lança e com ela feriu o rei, provocando uma chaga que não cicatrizava.
Somente alguém despojado de toda maldade, um "tolo puro", poderia salvar Amfortas. O jovem Parsifal havia crescido longe do contato com a civilização, era inocente, livre de culpas e de maldade.
Mas ainda não estava apto a salvar o rei: antes, precisava conhecer todas as facetas da alma humana e aprender a viver. Só após adquirir a maturidade, ele pôde salvar Amfortas e tornar-se seu sucessor como rei do Santo Graal.
Richard Wagner (1883-1813) descobriu o mito de Parsifal através do autor Wolfram von Eschenbach. Ele preparou então um rascunho de libreto e enviou-o a seu grande amigo, o rei Ludwig 2º, da Baviera. Este ficou fascinado e escreveu de volta: "Oh Parsifal, quando você irá nascer?".
Salvação através do amor
O rei da Baviera precisou esperar 25 anos até que Wagner concluísse a ópera. Durante esse longo período, o compositor conseguiu produzir uma obra que integra mitos cristãos, filosofia ocidental e doutrinas de reencarnação budista. E seu leitmotiv favorito: a redenção através do amor.
Wagner criou sozinho esse Gesamtkunstwerk – a obra de arte total. De sua autoria é não apenas a música como também o libreto dessa obra singular.
A estreia de Parsifal aconteceu no dia 26 de julho de 1882, no Festival de Bayreuth. A ópera foi regida pelo próprio criador, levando o público ao delírio.
Parsifal foi a última ópera de Richard Wagner. Os anos de dedicação consumiram toda sua energia. O compositor morreu do coração poucos meses após a gloriosa estreia.
  • Autoria Catrin Möderler
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terça-feira, 25 de julho de 2017

1139 - Milagre de Ourique dá origem a Portugal independente


Como recompensa, Alfonso Enriques recebeu territórios de Alfonso IV, rei de Leão e Castela
Em 25 de julho de 1139, Alfonso Enriques, conde de Portugal, derrota uma coalizão de soberanos muçulmanos em Ourique, atual Alentejo, ao sul do rio Tejo. Era o “Milagre de Ourique”, origem de Portugal independente.
Os cinco escudos azuis no centro da bandeira nacional lembram os 5 reis mouros vencidos em Ourique. Portugal do tempo dos romanos correspondia mais ou menos à província de Lusitânia e cultiva hoje em dia a saudade de uma história militar que em seu tempo constituiu a vanguarda da aventura europeia.

Por volta do ano 1000, enquanto a maior parte da Península Ibérica estava sob o domínio árabo-berbere, os reis cristãos das Astúrias arrebataram aos chefes muçulmanos a região do rio Douro e a cidade do Porto em sua embocadura. Esta pequena região, ao norte de Portugal atual, tomava o nome de Terra portucallis, segundo Portus Calle, nome romano do Porto.
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Batalha de Dom Afonso Henriques repreresentando a indepêndencia de Portugal 

Em 1095, no auge da Reconquista, o rei de Leão e Castela, Alfonso IV, doa o condado de Portugal a seu genro, Henri de Borgonha, vencedor do “Milagre de Ourique”.

O feliz vencedor se proclama rei sob o nome de Alfonso I – Alfonso Henriques – e, para assegurar sua independência face ao sogro, se coloca sob a proteção da Santa Sé.

Em 25 de outubro de 1147, com a ajuda de 13 mil cruzados em partida para a Terra Santa, Alfonso I o Conquistador toma Lisboa dos muçulmanos que a ocupavam havia 4 séculos.

Lisboa, na foz do Tejo, tornou-se a nova capital do reino. Seu nome remontava ao herói grego Ulisses, porém supunha-se, mais seriamente, que os fenícios a haviam fundado sob o nome de Olisipo.
 
Em 1383, o rei de Castela, Juan o Bastardo, assume o reinado da região. A nobreza portuguesa resiste e o chefe da rebelião, um soldado de 25 anos, Nuno Alvares Pereira, é eleito rei de Portugal pelas Cortes de Coimbra sob o nome de João I.

Desafiado, o soberano de Castela atravessa a fronteira com seu Exército. As tropas portuguesas, reforçadas por um contingente de arqueiros ingleses, o derrotam em Aljubarrota, a meio-caminho de Lisboa, em 14 de agosto de 1385, restaurando a independência de Portugal. Nuno Pereira, após servir o rei como condestável, funda um mosteiro carmelita em Lisboa e se afasta em 1423. É canonizado 5 séculos mais tarde.

João I, em maio de 1386, firma com os aliados ingleses o Tratado de Windsor, estabelecendo uma “liga de amizade inviolável, eterna, sólida, perpétua e verdadeira” entre os dois reinos, aliança que jamais foi posta em causa e que permanece como a mais antiga ainda em vigor.

Portugal toma Ceuta, ao norte de Marrocos, em 1415. Era a primeira intervenção dos europeus fora de seu continente depois das Cruzadas. Todavia, logo abandonam as conquistas terrestres e se orientam para a navegação de longo curso.

Encorajados pelo infante d. Henrique, o Navegador, marinheiros e príncipes portugueses passam a desempenhar papel pioneiro e protagonista nas Grandes Descobertas. A bordo de naus bastante manejáveis, as caravelas descobrem o arquipélago de Açores e a Ilha da Madeira e exploram metodicamente a costa africana, com vistas a contornar o continente e atingis as Índias.

Em 1433, Henrique o Navegador dá ordem a Gil Eanes de fazer o reconhecimento da costa para além do cabo Bojador, ao sul do atual Marrocos. Num primeiro momento, o marinheiro prefere rumar para as Canárias, visto que lendas tenebrosas corriam sobre as paragens ao sul desse cabo. No entanto, voltou atrás e, no ano seguinte, foi o primeiro ocidental a ultrapassar esse cabo.

Em 1488, por fim, Bartolomeu Dias contorna o Cabo das Tormentas, também conhecido como Cabo da Boa Esperança. Poucos anos foram necessários para que Vasco da Gama lançasse âncoras em porto das Índias. O triunfo dos portugueses foi momentaneamente empanado pelo sucesso concomitante de Cristóvão Colombo que, partindo para o Ocidente em busca da Ásia, oferece um Novo Mundo aos soberanos espanhóis.

Prevendo eventual conflito territorial, o papa Alexandre VI, de origem espanhola, intervém como árbitro e divide as terras a descobrir entre espanhóis e portugueses, no Tratado de Tordesilhas de 7 de junho de 1494.

Um erro de navegação mais ou menos voluntário levou um navegador português a infringir a regra. Em 22 de abril de 1500, Pedro Álvares Cabral descobre o que viria a ser o Brasil, principal país desse novo continente.
Fonte: Opera Mundi

Equipe do Laboratório de Estudos das Crenças (LEC-PPGH/UPF) divulga cronograma de debates




A equipe LEC divulga seu cronograma de encontros para discussão de textos. Todos os interessados estão convidados a participar. Os encontros sempre serão realizados nas sextas-feiras a tarde, a partir das 16:30 horas, no IFCH.


CRONOGRAMA DE ENCONTROS
Projeto: Religiões e religiosidades: possibilidades de pesquisa
Coordenadora: Gizele Zanotto
Local: Campus I da UPF -  IFCH (sala de reuniões) – 16:30 as 18:30 hs


  • 04/08 - SANCHIS, Pierre. Religiões, religião... Alguns problemas do sincretismo no campo religioso brasileiro. In: SANCHIS, Pierre (Org.). Fiéis & cidadãos: percursos de sincretismo no Brasil. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2001. P. 09-57.
  • 18/08 - ISAIA, Artur Cesar. Catolicismo e religiões mediúnicas no Rio Grande do Sul. In: RECKZIEGEL, Ana Luiza Setti. FÉLIX, Loiva Otero (Orgs.). RS: 200 anos definindo espaços na história nacional. Passo Fundo: Ed. UPF, 2002.  p. 219-236.
  • 01/09 - TRAMONTE, Cristiana. Ciência ou fé? Religiões afro-brasileiras e práticas de saúde popular. In: ISAIA, Artur Cesar. MANOEL, Ivan Aparecido (Orgs.). Espiritismo & Religiões afro-brasileiras. História e Ciências Sociais. São Paulo: Ed. UNESP, 2012. P. 271-290.
  • 15/09 - CASSOL, Franciele Moreira. As santinhas de cemitério que fazem milagres: um estudo comparado das devoções de “Mariazinha” Penna e Maria Elizabeth de Oliveira. História Unicap, v. 3 , n. 6, p. - 375-382, jul./dez. de 2016. 
  • 29/09 - ZANOTTO, Gizele. "Paz de Cristo, no reino de Cristo": ideal teológico-político da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP). Revista Brasileira de História das Religiões, v. 16, p. 113-125, 2013. 
  • 20/10 - SANTOS, Frederico Santos dos. O exercício etnográfico no estudo das religiões: um olhar de dentro. In: MARANHÃO FILHO, Eduardo Meinberg de Albuquerque (Org.). (Re)conhecendo o sagrado. Reflexões teórico-metodológicas dos estudos de religiões e religiosidades. São Paulo: Fonte Editorial, 2013. P. 285-293.
  • 06 a 10/11 Semana do Conhecimento – apresentação e/ou acompanhamento dos trabalhos LEC
  • 24/11 - GUEDES, Augusto Diehl. "A porta que abriu e nunca mais fechou, Deus multiplicou o seu rebanho": a Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Passo Fundo (1936-1963). In: BORIN, Marta Rosa. (Org.). Religiões e Religiosidade no Rio Grande do Sul (Volume 5) - AS religiões protestantes: história, fontes e metodologia de pesquisa. 1ed.São Paulo: ANPUH, 2017, v. 5, p. 35-58. 
  • 11 a 15/12 Defesas de TCC dos colegas do LEC (Jeferson, Jonas e Lucas)





sexta-feira, 21 de julho de 2017

1954: Cessar-fogo na Indochina

Em 21 de julho de 1954, a França e a então República Democrática do Vietnã assinam um acordo de cessar-fogo, dividindo o país asiático em dois: o norte comunista e um frágil Estado pró-ocidente ao sul.
Vietnam Frankreich Schlacht von Dien Bien Phu (AFP/AFP/Getty Images)
"O bom senso e a paz venceram." Com essas palavras, o então primeiro-ministro da França, Pierre Mendès-France, anunciou, em 21 de julho de 1954, o cessar-fogo na Guerra da Indochina. A derrota da "Grande Nação" na batalha de Dien Bien Phu, em maio do mesmo ano, fora o começo do fim do domínio colonial francês no Vietnã.
As negociações de paz em Genebra duraram quase dois meses. Além de representantes da União Soviética, da França, do Reino Unido e dos Estados Unidos, pela primeira vez desde a vitória do comunismo na China em 1949 diplomatas daquele país subiram ao palco da política internacional.
O Vietnã foi representado por duas delegações: uma defendendo os interesses da monarquia Bao Dai (sul) e outra com representantes da Liga pela Independência (Vietminh), liderados pelo primeiro-ministro Pham Van Dong, da República Democrática do Vietnã (norte).
Para ressaltar sua rejeição ao comunismo, o secretário de Estado norte-americano, John Foster Dulles, negou-se a estender a mão para seu colega chinês. "Somente um acidente de automóvel poderia me colocar em contato com Chou-En-lai", declarou à imprensa.
Garantia de soberania e unidade
Dulles permaneceu apenas quatro dias na conferência, da qual os norte-americanos participaram meramente como observadores. "Apenas tivemos a possibilidade de presenciar a tomada de decisões com as quais não concordávamos", disse mais tarde o diplomata Alexis Johnson, um dos observadores dos EUA.
Na declaração final do encontro, foram garantidas independência, soberania e unidade ao Camboja, ao Laos e ao Vietnã. A fronteira provisória entre o Vietnã do Norte (sob o regime comunista de Ho Chi Minh) e o Vietnã do Sul (monarquia independente encabeçada por Bao Dai) foi fixada aos 17 graus de latitude. Além disso, os signatários do documento comprometeram-se a realizar eleições gerais no Vietnã.
Numa declaração complementar, os EUA prometeram renunciar a qualquer intervenção militar no Vietnã. Era evidente, porém, que o Vietnã do Sul e os Estados Unidos jamais cumpririam os acordos, como explicou Johnson:
"A delegação sul-vietnamita deixou claro que não aceitaria a realização de eleições em dois anos. Exatamente essa era também a nossa posição. Todas as acusações de que transgredimos os tratados negociados em Genebra são falsas. Nós não os assinamos; portanto, não tínhamos como transgredi-los."
Decisão só no campo político
A recusa dos EUA em assinar o cessar-fogo e a divisão do Vietnã foram para o então primeiro-ministro norte-vietnamita, Pham Van Dong, a prova de que os norte-americanos, desde o início, eram contra a conferência e sempre tentaram impedir que ela chegasse a uma conclusão positiva.
Mas também o Vietminh só aprovou os resultados da Conferência de Genebra devido à forte pressão da União Soviética e da China. A Liga pela Independência obteve unicamente a garantia de que a luta pelo poder no Vietnã não mais seria decidida pela via militar e, sim, no campo político. O Vietminh estava confiante de que venceria as eleições previstas para todo o país.
Todos os participantes da conferência para a paz na Indochina sabiam que as decisões de Genebra apenas representavam um armistício e não o fim do conflito. O presidente Dwight Eisenhower e seu secretário de Estado, John Foster Dulles, ligaram os Estados Unidos, em 1954, indissociavelmente ao destino do Vietnã do Sul.
Depois da derrota francesa em Dien Bien Phu, os EUA passaram a ocupar o lugar da França, no afã de garantir a segurança do Vietnã do Sul, do Laos e do Camboja. Com isso, os norte-americanos estabeleceram as bases para a intervenção posterior no mais longo confronto militar do século 20: a Guerra do Vietnã (1959-1975).
  • Autoria Michael Kleff (gh)
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quinta-feira, 20 de julho de 2017

1979 - Sandinistas derrotam ditadura de Somoza na Nicarágua


Nicarágua sofreu influência do Reino Unido e dos EUA, que interviu diretamente no país forçando criação da Guarda Nacional, cujo comandante se tornou ditador
A FSLN (Frente Sandinista de Libertação Nacional da Nicarágua) entra em Manágua, capital do país, vence a Guarda Nacional e assume o comando em 19 de julho de 1979, derrotando 45 anos de ditadura somozista. A Junta de Reconstrução Nacional tomou o poder e Tomás Borge, único fundador vivo da FSLN, dirigiu-se ao povo: “Começa agora uma guerra mais difícil. Contra a pobreza, a ignorância, a imoralidade e a destruição do país”.
Desde o começo do século XX, a economia nicaraguense baseava-se na exportação de produtos primários, em especial o café. Uma oligarquia rural ligada aos partidos Liberal e Conservador dominava o país. Devido a sua posição estratégica e possibilidades econômicas, o país era há muito objeto do interesse dos Estados Unidos.

A primeira intervenção direta norte-americana data de 1855 e a ocupação militar se deu de 1912 a 1925, quando o país passou da esfera de influência do Reino Unido para os EUA e de 1926 a 1933, a pretexto de restaurar a convulsionada ordem interna. Em 1927, pressionada por Washington, a Nicarágua firmou o Pacto del Espino Negro, que condicionava a desocupação à criação de uma Guarda Nacional.

Wikicommons

Celebração do décimo aniversário do triunfo da Revolução Sandinista, em 1989 
O comando da Guarda foi assumido por Anastácio Somoza García. Três anos depois, em 1936, Somoza deu um golpe de Estado. A fim de consolidar seu poder, buscou sustentação no apoio da Casa Branca, na aliança com a oligarquia local e no controle absoluto da Guarda Nacional e do aparelho estatal.

A Nicarágua passa a viver um relativo crescimento econômico e diversifica a agricultura tradicional com a intensificação da cultura do algodão. Surgem novos setores burgueses nas cidades e no campo, consolida-se o modelo agrário-exportador e intensifica-se a concentração fundiária, com a expulsão dos camponeses de suas terras.

O desenvolvimento capitalista não foi acompanhado pela evolução das instituições do Estado, mantendo-se a ditadura nos moldes oligárquicos tradicionais, com todo um sistema de violências e arbitrariedades. Em 1956, Somoza é assassinado. A presidência passa a ser ocupada pelo filho mais velho, Luis Somoza Debayle, e a Guarda Nacional pelo filho caçula, Anastácio Somoza Debayle.

Em 1972, um terremoto atingiu o país, destruindo quase todo o setor industrial de Manágua, deixando milhares de mortos e feridos. A família Somoza aumenta rapidamente seu patrimônio, lançando mão dos recursos que vinham do exterior para a reconstrução. Aproveitando-se da miséria e do caos econômico, os Somoza adquiriram grande quantidade de propriedades da periferia de Manágua e organizaram empresas imobiliárias e de engenharia, praticamente monopolizando a compra, venda e construção de imóveis.
Surgimento da FSLN

Diante do absoluto predomínio econômico dos Somoza, a oposição burguesa a eles se divide em dois blocos: um, liberal, em torno do diretor do tradicional jornal La Prensa, Chamorro Cardenal, formando a União Democrática de Libertação; o outro, conservador, cria o Movimento Democrático Nicaraguense. Em 1978, Chamorro é assassinado, episódio que teve grande repercussão. As facções resolvem se unir na Frente Ampla de Oposição, para a qual convidaram ainda uma representação da FSLN.

A FSLN tinha sido criada em 1961 por Carlos Fonseca Amador, Carlos Borge e Silvio Mayorga. Com origem em movimentos estudantis dos anos 1940 e 1950 e inspiração na grande resistência popular das décadas de 1920 e 1930 contra a aliança entre a oligarquia nacional e os interesses imperialistas, a FSLN, sob o comando de Augusto César Sandino, travou uma luta de 18 anos contra os Somoza e sua Guarda Nacional.

Após sofrer várias derrotas, garantiram apoio rural e urbano. Nas ações de 1966-67, expropriaram bancos e justiçaram um torturador da Guarda Nacional. Em 1974, invadiram uma festa em homenagem ao embaixador norte-americano e tomaram importantes convidados como reféns, que foram trocados por presos políticos e dinheiro. Em 1978, a FSLN tomou o Palácio Nacional, fazendo cerca de 2 mil reféns, ação que desmoralizou a Guarda Nacional.

No começo de 1979, após seguidas vitórias, deu-se a ofensiva final e Anastácio Somoza teve que fugir do país. Em 19 de julho, as tropas da FSLN ocuparam Manágua, derrocando o Estado oligárquico.
Fonte: Opera Mundi

1944: Atentado de Stauffenberg contra Hitler

Em 20 de julho de 1944, militar liderou um atentado em nome do movimento de resistência ao nazismo, do qual faziam parte vários oficiais. Hitler ficou apenas ferido na explosão da bomba em seu quartel-general.
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O conde Claus Philip Maria Schenk von Stauffenberg é um dos principais personagens da conspiração que culminou no fracassado atentado contra Adolf Hitler em 20 de julho de 1944. Nascido na Suábia em 15 de novembro de 1907, Stauffenberg foi um patriota alemão conservador, que a princípio simpatizou com os aspectos nacionalistas e militaristas do regime nazista.
Mas, desde cedo, começou a questionar não só o genocídio de judeus, poloneses, russos e outros grupos da população estigmatizados pelo regime de Hitler, como também a forma, em sua opinião "inadequada", de comando militar alemão. Mesmo assim, como muitos outros militares, preferiu no começo manter-se fiel ao regime.
Em 1942, junto com seu irmão Berthold e outros membros da resistência, ele ajudou a elaborar uma declaração de governo pós-queda de Hitler. Os conspiradores defendiam a volta das liberdades e direitos previstos na Constituição de 1933, mas rejeitavam o restabelecimento da democracia parlamentar.
Claus Graf Schenk von Stauffenberg mit seinen Kindern
Stauffenberg ao lado de seus filhos
Ferimentos na África
Em março de 1942, Stauffenberg havia sido promovido a oficial do Estado Maior da 10ª Divisão de Tanques, com a incumbência de proteger as tropas do general Erwin Rommel, após o desembarque dos Aliados no norte da África. Num ataque aéreo em 7 de abril de 1943, Stauffenberg perdeu um olho, a mão direita e dois dedos da mão esquerda.
Após recuperar-se dos ferimentos, aliou-se ao general Friedrich Olbricht, Alfred Mertz von Quinheim e Henning von Treskow na conspiração, que passaram a chamar de Operação Valquíria. Oficialmente, a operação pretendia combater inquietações internas, mas, na realidade, preparava tudo para o período posterior ao planejado golpe de Estado.
Os planos do atentado que mataria Hitler foram elaborados com a participação de Carl-Friedrich Goerdeler e de Ludwig Beck. Os conspiradores mantinham, além disso, contatos com a resistência civil. Os planos visavam a eliminação de Hitler e seus sucessores potenciais – Hermann Göring e Heinrich Himmler. A primeira tentativa de atentado em Rastenburg (hoje Polônia), no dia 15 de julho, fracassou.
Explosão causou quatro mortes
Na manhã de 20 de julho de 1944, Stauffenberg voou até o quartel-general do Führer "Wolfsschanze", na Prússia Oriental. Com seu ajudante Werner von Haeften, ele conseguiu ativar apenas um dos dois explosivos previstos para detonar. Mais tarde, usou uma desculpa para entrar na sala de conferências, onde depositou a bolsa com explosivos ao lado do ditador. Incomodado pela bolsa, Hitler a colocou mais longe de si. A explosão, às 12h42, matou quatro das 24 pessoas na sala. Hitler sobreviveu.
Na capital alemã, os conspiradores comunicaram, por telefone, por volta das 15 horas, convencidos do êxito da missão: "Hitler morreu!" Duas horas mais tarde, a notícia foi desmentida. Na mesma noite, Stauffenberg, Haeften, Quirnheim e Friedrich Olbricht foram executados. No dia 21 de julho, os mortos foram enterrados em seus uniformes e condecorações militares. Mais tarde, Himmler mandou desenterrá-los e ordenou sua cremação. As cinzas foram espalhadas pelos campos.  
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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Sou UPF: vida acadêmica mais fácil

Aplicativo permite que alunos tenham acesso a várias funcionalidades que facilitam a vida acadêmica
Com o objetivo de trazer inovação e de se aproximar ainda mais dos seus alunos, a Universidade de Passo Fundo (UPF), por meio da Divisão de Tecnologia da Informação (DTI), lançou, no início deste ano, o aplicativo Sou UPF. O aplicativo permite que o aluno de graduação da UPF tenha acesso a várias funcionalidades que facilitam sua vida acadêmica, entre elas, o acesso ao sistema acadêmico, à rematrícula e ao calendário acadêmico. 
O sucesso dessa primeira versão – foram mais de três mil downloads no lançamento – motivou a equipe para o desenvolvimento de novas funcionalidades. Com a atualização, o Sou UPF passou a oferecer acesso também à consulta de avaliações e notas. 
A principal novidade dessa nova versão, no entanto, está no sistema de notificações. “A partir de agora, o aluno recebe notificações de toda a interação que é feita pelo professor. Por exemplo, se o professor libera o plano de ensino, o aluno recebe uma notificação e acessa o plano através do aplicativo”, explica o coordenador da DTI, Gilberto Gampert. De acordo com a analista de negócios da UPF e responsável pelo desenvolvimento do APP, Lisiani Correa, a ideia é justamente facilitar o dia a dia do aluno. “Hoje, o acadêmico acessa via e-mail a informação. Com a notificação, o aluno não precisa ir atrás da informação, ela chega até ele. Isso também foi algo que trouxe bastante facilidade para os alunos”, comenta. 
Além dessas, em breve, o aplicativo ganhará novas funcionalidades, já que a equipe vem trabalhando desde sua criação na melhoria do APP. “A gente quer ver o que o aluno espera do aplicativo e pretendemos construí-lo conforme essa necessidade. Priorizar aquilo que vai fazer com que o aluno use o aplicativo e tenha os recursos de que ele necessita”, comenta. “Tem uma leva de funcionalidades que a gente pretende incluir, mas achamos importante priorizar, neste momento, a comunicação entre professor e aluno”, completou Lisiani. 
O aplicativo Sou UPF está disponível no Google Play e na App Store. Para baixar, basta acessar um dos links abaixo:
Google Play - App Store

terça-feira, 18 de julho de 2017

Bens culturais: da pesquisa à educação patrimonial

Organizadoras:
Ironita A. Policarpo Machado 
Gizele Zanotto








Edição: 1
Ano: 2017
Páginas: 170
ISBN (PDF): 978-857515-986-6
Palavras-Chave: Rio Grande do Sul - História, Patrimônio histórico, Patrimônio cultural, Memória
Áreas do conhecimento: História
Os bens culturais, de uma forma ou de outra, trazem sentimentos, vida e morte, experiências reveladas e soterradas, particularidades e singularidades que podem dizer muito de um contexto histórico específico. Nesse sentido, nas últimas décadas do século XX e início do XXI, os bens culturais passaram a ser estudados com maior amplitude, porque “a consciência da ruptura com o passado se confunde com o sentimento de uma memória esfacelada. O sentimento de continuidade torna-
-se residual aos locais”. É sob esses sentidos, experiências, fragmentos e fiapos de pretérito, ameaçados pela aceleração do contexto social contemporâneo, que pesquisadores se debruçam de memórias-patrimônios à constituição de representações de bens culturais capazes de democratizar, reconhecer e valorizar os diversos grupos humanos e sociais, pretéritos e atuais artesões de identidades.
Ainda, é necessário destacar que essas perspectivas de pesquisa são fruto da ampliação de objetos, problemas e fontes. Os textos que compõem esta coletânea são prova disso, pois apresentam um diverso e consistente corpus documental.
Esta obra está estruturada em cinco capítulos. Os quatro primeiros são temáticas diversas, fruto de pesquisas acadêmicas, mas articuladas entre si pelos campos teórico e empírico dos bens culturais, e o último capítulo traz um panorama de experiências extensionistas acerca do patrimônio.
Os textos possibilitam uma pluralidade de leituras, entre elas, destacamos: os bens culturais como potencializadores de uma diversidade de pesquisas, portanto, de conteúdos carregados de elementos identitários; a ampliação de objetos, problemas e fontes de pesquisa na perspectiva patrimonial, permitindo, assim, a constituição de metodologias próprias, dialogando com as diversas áreas das ciências humanas e sociais; e a prática dialógica do professor-pesquisador com a comunidade em geral por meio de reflexões acerca da pluralidade cultural e subjetiva de seus protagonistas, diante do desafio de problematizar o uso da memória e da história como possibilidade para diversos elementos e acep- ções, como demonstram as reflexões que compõem esta obra.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

1841: Segunda Convenção Londrina sobre Império Otomano

No dia 13 de julho de 1841, as potências europeias assinaram um acordo que proibia navios não turcos de navegar pelos estreitos de Dardanelos e de Bósforo.
Türkei Istanbul (DW/S. Huseinovic)
O vice-rei do Egito, Mohammed Ali, levou em duas ocasiões o Império Otomano à beira da dissolução e as grandes potências europeias a uma grave crise internacional. Em 1832, ele anexou a Síria que, como o Egito, era uma província do Império Otomano, e logo avançou com as suas tropas até as portas de Istambul.
Somente uma intervenção da Rússia salvou o governo otomano de uma derrota completa. Em consequência, a Turquia tornou-se praticamente um protetorado da Rússia, que assegurou então aos seus navios de guerra o direito de atravessar os estreitos de Bósforo e de Dardanelos, o que era tradicionalmente proibido aos outros países.
Em 1839, voltou a ocorrer um confronto militar entre o sultão e seu vassalo infiel. E, mais uma vez, Mohammed Ali conseguiu impor-se militarmente. O diplomata prussiano Helmuth von Moltke, atuante na Turquia há vários anos, constatou na época:
"Quem acompanha atentamente o desenrolar dos acontecimentos no Oriente não pode negar que o império turco se precipita no despenhadeiro da ruína com uma velocidade cada vez maior. Considerando as consequências imprevisíveis que um desaparecimento repentino do Império Otomano na comunidade internacional geraria, não se pode censurar a política europeia, que procura adiar o máximo possível tal catástrofe."
Faltou consenso na Europa
Enquanto Prússia, Áustria, Rússia e Inglaterra concordavam que o Império Otomano deveria ser apoiado, a França tomou o partido dos rebeldes egípcios. No segundo trimestre de 1840, as cinco potências tentaram em vão encontrar uma solução, numa conferência em Londres.
Sem apoio da França, as demais quatro potências aprovaram, em julho de 1840, a primeira Convenção Londrina, dando um ultimato para o restabelecimento do poder do sultão na Ásia Menor. Mas somente a intervenção da frota inglesa é que obrigou o vice-rei egípcio à capitulação definitiva e à retirada da Síria.
O chefe do governo francês, muito indignado com essa afronta, viu-se obrigado a ameaçar as outras potências com guerra, por pressão da opinião pública. Contudo, a ameaça era militarmente pouco realista. A França não teria condições de enfrentar sozinha as quatro outras potências no campo de batalha. O rei francês Luís Felipe 1º demitiu seu chefe de governo pouco depois e cedeu na questão.
Sem a participação da Turquia
Em julho de 1841, chegou-se então a um consenso entre todas as potências europeias na Segunda Convenção Londrina, que regulava também a questão dos estreitos marítimos:
Artigo 1º: Sua Alteza o Sultão declara de sua parte que está firmemente decidido a manter no futuro o princípio básico fixo e imutável como velha regra do seu império, por força do qual é proibida em qualquer época aos navios de guerra das potências estrangeiras o cruzamento dos estreitos marítimos de Dardanelos e do Bósforo, e enquanto o governo turco encontrar-se em paz, Sua Alteza não permitirá a entrada de nenhum navio de guerra estrangeiro nos citados estreitos marítimos. E Suas Majestades o imperador da Áustria, o imperador da Rússia, o rei dos franceses, a rainha da Grã-Bretanha e o rei da Prússia unem-se para observar esta resolução do Sultão e para preservar a conformidade com o princípio básico acima mencionado…
Com isso, foi atribuído oficialmente à Turquia o papel de guardiã dos estreitos marítimos. Porém, as duas convenções londrinas, ambas aprovadas sem a participação do governo turco, deixaram uma coisa clara: o antes poderoso Império Otomano tornara-se um fantoche nas mãos das potências europeias.
Mas também as relações de força entre as grandes potências haviam se alterado. A influência russa em Istambul foi enfraquecida pelo documento; a Turquia passou a buscar cada vez mais o apoio da Inglaterra. O bom entendimento entre britânicos e franceses ficou prejudicado, e a reputação da França sofreu arranhões, por seu comportamento durante a crise.
  • Autoria Rachel Gessat (am)
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sábado, 8 de julho de 2017

Unesco declara Hebron Patrimônio Mundial e território palestino

Na área antiga da cidade localizada na Cisjordânia ocupada se encontra o que seria o túmulo de Abraão, figura bíblica importante para judeus e muçulmanos. Decisão é saudada por palestinos e criticada por Israel e EUA.
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No centro antigo de Hebron está localizado o Túmulo dos Patriarcas,
para judeus, ou Mesquita de Ibrahim, para muçulmanos
A Unesco incluiu a área antiga da cidade de Hebron, na Cisjordânia ocupada, na lista de Patrimônios Mundiais. O comitê responsável classificou Hebron como um "local de valor universal excepcional"e território palestino. Além disso, a área foi inscrita na relação de lugares em perigo.
A decisão – saudada por palestinos, mas duramente criticada por Israel e EUA – foi adotada após acalorado debate na cidade polonesa de Cracóvia, onde a Comissão de Patrimônio Mundial da Unesco realiza sua 40ª reunião.
A inclusão de Hebron na lista teve 12 votos favoráveis, seis abstenções e três votos contra. Para ser incluído na lista, um local precisa ter votos favoráveis de pelo menos dez membros da Comissão. A classificação de Patrimônio Mundial é atribuída a locais considerados de importância única ao mundo e à humanidade e determina o estabelecimento de medidas que garantem sua preservação.
Na área antiga de Hebron, se encontra o Túmulo dos Patriarcas. Segundo a tradição judaica, neste túmulo estariam enterrados Abraão – considerado antecessor comum das principais religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo – ao lado de sua esposa Sara. Além disso, também estariam enterrados outros casais bíblicos importantes: Adão e Eva, Isaac e Rebeca e Jacó e Lea.
Durante os tempos do rei Herodes, foi construído um monumento quadrangular ao redor do túmulo e posteriormente os muçulmanos edificaram o que é conhecida como a Mesquita de Ibrahim, o nome árabe para Abraão.
Netanyahu: "Decisão delirante"
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, criticou a votação da Unesco e anunciou um corte de 1 milhão de dólares em financiamento para a ONU.
"É outra decisão delirante da Unesco", disse. "Desta vez, eles determinaram que o Túmulo dos Patriarcas é um local palestino, o que significa que não é judeu, e que está em perigo."
"Que não é judeu? Quem está enterrado ali? Abraão, Isaac, Jacó. Sara, Rebeca e Lea. Nossos patriarcas e matriarcas. E que o lugar está em perigo? Só onde Israel governa, como em Hebron, há liberdade religiosa garantida para todos", afirmou Netanyahu.
Em um ano, Tel Aviv reduziu pela quarta vez seu financiamento às Nações Unidas, diminuindo sua contribuição ao organismo internacional de 11 milhões para 2,7 milhões de dólares.
A embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, afirmou que a decisão da Unesco foi uma "afronta à história" e que "desacredita ainda mais uma agência já altamente questionável da ONU". "O voto de hoje não faz nenhum bem", resumiu, num comunicado.
Washington deixou de financiar o organismo internacional em 2011, depois que a ONU admitiu os palestinos como Estado-membro. Os EUA, no entanto, continuam sendo membro do conselho executivo de 58 membros da Unesco.
Haley disse que, depois da decisão de listar Hebron como Patrimônio Mundial, "os Estados Unidos estão avaliando o nível adequado de seu contínuo compromisso na Unesco".
"Hebron pertence ao povo palestino"
Por outro lado, a Autoridade Palestina, que propôs a classificação de Hebron como Patrimônio Mundial, saudou a decisão da Unesco como "uma vitória da batalha diplomática travada em todas as frentes, face às pressões israelenses e americanas".
O ministro do Turismo da Autoridade Palestina, Rula Maayah, afirmou que a decisão é "histórica porque sublinha que Hebron" e a sua mesquita "pertencem historicamente ao povo palestino".
  • Data 07.07.2017
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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Base Nacional Comum Curricular: muitas perguntas, poucas respostas

Documento começa a ser discutido na sexta 7 em audiências públicas pelo país; especialistas ainda falam em assegurar pautas importantes