segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A convenção de Genebra sobre refugiados

Aprovada em 1951 devido ao grande número de refugiados europeus no pós-Guerra, convenção é principal base jurídica internacional sobre a proteção a pessoas em fuga por perseguição racial, religiosa ou política.
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Refugiados alemães da Silésia e Prússia Oriental em abrigo na Dinamarca, em 1948
Em 28 de julho de 1951, as Nações Unidas encerraram um longo debate sobre proteção de refugiados com a aprovação da Convenção das Nações Unidas relativa ao Estatuto dos Refugiados, informalmente conhecida como Convenção de Genebra. Ela define as bases da proteção internacional aos refugiados.
A convenção de 1951 define quem é um refugiado, a qual proteção legal ele tem direito, que auxílios ele deve receber e quais os seus direitos e deveres em relação ao país que o acolhe. Determinados grupos – notadamente os criminosos de guerra, mas também pessoas que cometeram crimes graves – são explicitamente excluídos da definição de refugiado.
A necessidade de um base jurídica internacional para a questão dos refugiados ficou clara já durante a Primeira Guerra Mundial, mas foi principalmente a ascensão dos nazistas ao poder na Alemanha, em 1933, e o crescente número de judeus em fuga do país que evidenciaram a importância da questão.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a necessidade de proteger os refugiados europeus motivou a adoção da convenção. Inicialmente, a formulação do documento restringia sua abrangência a apenas esse grupo, ao adotar a formulação "em consequência dos acontecimentos ocorridos antes de 1º de janeiro de 1951" na definição de refugiado. Para corrigir essa distorção, em 1967 foi adotado um protocolo que amplia, tanto geográfica como temporalmente, a definição de refugiado. Convenção e protocolo foram adotados por 147 países, incluindo o Brasil.
Segundo a convenção, um refugiado é uma pessoa que se encontra fora do país de sua nacionalidade por temer ser perseguida por motivos de raça, religião ou nacionalidade, por pertencer a um determinado grupo social ou por suas opiniões políticas.
A convenção define uma série de direitos dos refugiados, por exemplo à proteção e também à educação, ao trabalho e ao atendimento pelos serviços de saúde bem como às liberdades de opinião e de ir e vir. A liberdade religiosa também é assegurada e deve ser igual à dos cidadãos do país acolhedor. Um refugiado também tem direito à proteção contra a discriminação por causa de sua religião, raça ou origem.
O país que acolher um refugiado não pode enviá-lo para um território onde o refugiado corra perigo (por exemplo o país de origem, mas também um terceiro país) e também não pode diferenciar grupos de refugiados por religião, raça ou país de origem. Já os refugiados devem respeitar as leis e os regulamentos do país que os acolhe.
Muitos intelectuais, cientistas e artistas foram refugiados, como o físico Albert Einstein e os escritores Stefan Zweig, Bertolt Brecht e Thomas Mann, que fugiram da perseguição racial, religiosa e política pelo regime nazista. Zweig foi acolhido pelo Brasil.
A coluna Zeitgeist oferece informações de fundo com o objetivo de contextualizar temas da atualidade, permitindo ao leitor uma compreensão mais aprofundada das notícias que ele recebe no dia a dia.
  • Data 30.01.2017
  • Autoria Alexandre Schossler
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sábado, 28 de janeiro de 2017

1945: Libertação de Auschwitz-Birkenau

Há 72 anos, em 27 de janeiro de 1945, o Exército Vermelho libertou Auschwitz, o maior e mais terrível campo de extermínio dos nazistas. Em suas câmaras de gás e crematórios foram mortas pelo menos um milhão de pessoas.
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Auschwitz foi o maior e mais terrível campo de extermínio do regime de Hitler. Em suas câmaras de gás e crematórios foram mortas pelo menos um milhão de pessoas. No auge do Holocausto, em 1944, eram assassinadas seis mil pessoas por dia. Auschwitz tornou-se sinônimo do genocídio de judeus, sintos e roma e tantos outros grupos perseguidos pelos nazistas.
As tropas soviéticas chegaram a Auschwitz, hoje Polônia, na tarde de 27 de janeiro de 1945, um sábado. A forte resistência dos soldados alemães causou um saldo de 231 mortos entre os soviéticos. Oito mil prisioneiros foram libertados, a maioria em situação deplorável devido ao martírio que enfrentaram.
"Na chegada ao campo de concentração, um médico e um comandante questionavam a idade e o estado de saúde dos prisioneiros que chegavam", contou Anita Lasker, uma das sobreviventes. Depois disso, as pessoas eram encaminhadas para a esquerda ou para a direita, ou seja, para os aposentos ou direto para o crematório. Quem alegasse qualquer problema estava, na realidade, assinando sua sentença de morte.
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Prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau
Câmaras de gás e crematórios
Auschwitz-Birkenau foi criado em 1940, a cerca de 60 quilômetros da cidade polonesa de Cracóvia. Concebido inicialmente como centro para prisioneiros políticos, o complexo foi ampliado em 1941. Um ano mais tarde, a SS (Schutzstaffel) instituiu as câmaras de gás com o altamente tóxico Zyklon B. Usada em princípio para combater ratos e desinfetar navios, quando em contato com o ar a substância desenvolve gases que matam em questão de minutos. Os corpos eram incinerados em enormes crematórios.
Um dos médicos que decidiam quem iria para a câmara de gás era Josef Mengele. Segundo Lasker, ele se ocupava com pesquisas: "Levavam mulheres para o Bloco 10 em Auschwitz. Lá, elas eram esterilizadas, isto é, se faziam com elas experiências como se costuma fazer com porquinhos da Índia. Além disso, faziam experiências com gêmeos: quase lhes arrancavam a língua, abriam o nariz, coisas deste tipo..."
Trabalhar até cair
Os que sobrevivessem eram obrigados a trabalhos forçados. O conglomerado IG Farben, por exemplo, abriu um centro de produção em Auschwitz-Monowitz. Em sua volta, instalaram-se outras firmas, como a Krupp. Ali, expectativa de vida dos trabalhadores era de três meses, explica a sobrevivente.
"A cada semana era feita uma triagem", relata a sobrevivente Charlotte Grunow. "As pessoas tinham de ficar paradas durante várias horas diante de seus blocos. Aí chegava Mengele, o médico da SS. Com um simples gesto, ele determinava o fim de uma vida com que não simpatizasse."
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Grupo de prisioneiros se dirige ao crematório de Auschwitz, onde eles seriam assassinados
Marcha da morte
Para apagar os vestígios do Holocausto antes da chegada do Exército Vermelho, a SS implodiu as câmaras de gás em 1944 e evacuou a maioria dos prisioneiros. Charlotte Grunow e Anita Lasker foram levadas para o campo de concentração de Bergen-Belsen, onde os britânicos as libertaram em abril de 1945. Outros 65 mil que haviam ficado em Auschwitz já podiam ouvir os tiros dos soldados soviéticos quando, a 18 de janeiro, receberam da SS a ordem para a retirada.
"Fomos literalmente escorraçados", lembra Pavel Kohn, de Praga. "Sob os olhos da SS e dos soldados alemães, tivemos de deixar o campo de concentração para marchar dia e noite numa direção desconhecida. Quem não estivesse em condições de continuar caminhando, era executado a tiros", conta. Milhares de corpos ficaram ao longo da rota da morte. Para eles, a libertação chegou muito tarde.
  • Autoria Birgit Görtz (rw)
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Ex-presidente e governador Jânio Quadros nascia há 100 anos

Há cem anos nascia em Campo Grande, atual estado de Mato Grosso do Sul, Jânio da Silva Quadros. Advogado e político, foi vereador, prefeito, deputado estadual, governador e o vigésimo quinto presidente do Brasil.

Jânio Quadros que era filho de paranaenses, ainda menino foi morar com a família na cidade de Curitiba, capital do estado do Paraná, onde permaneceu até 1930.

De lá foi para São Paulo, fixando residência em bairros da zona norte, como Santana e Vila Maria. Na capital paulista, Jânio Quadros estudou no Colégio Marista e depois foi para a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, onde formou em 1939. Trabalhou como advogado até 1947, ano em que foi eleito vereador.

Dono de grande carisma fez sucesso entre os eleitores com sua pregação sobre a moralidade administrativa.

Em sua campanha para a prefeitura, em 1953, conquistou o eleitor ao usar uma vassoura como símbolo da limpeza que prometia fazer nos órgãos públicos, afastando de lá, todos os corruptos.

Em 1954, foi eleito governador do estado de São Paulo. Populista, nas campanhas eleitorais foi visto várias vezes comendo sanduíches em botequins.

Seguindo o lema de varrer a corrupção, foi eleito presidente da República, tomando posse em janeiro de 1961.

Jânio Quadros conseguiu 48% dos votos dos brasileiros, índice considerado recorde na época. Entretanto, renunciou ao cargo sete meses depois.

Em seu governo colocou em prática uma política interna conservadora de combate a inflação. Enquanto que as ações externas foram progressistas como, por exemplo, a aproximação com países socialistas.

Em 1964, Jânio foi cassado pelo regime militar, só retornando a vida pública no fim dos anos setenta. Em 1985, foi eleito prefeito de São Paulo.

Jânio Quadros morreu em 16 de fevereiro de 1992, na capital paulista.

Produção: Renato Lima
Sonoplastia: Messias Melo
Fonte: EBC

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

B-52 e X-15: o bombardeiro e o avião-foguete que abriram caminho para as missões à Lua

NASADireito de imagemNASA
Image captionSem os X-15 não existiram os ônibus espaciais
Joe Walker poderia ter sido um dos astronautas mais importantes da história aeroespacial. Mas ninguém o conhece.
No dia 22 de agosto de 1963, Walker entrou na cabine de um avião-foguete experimental, o X-15, para seu último voo naquela aeronave.
Preso à parte de baixo da asa esquerda de um bombardeiro B-52, o avião em forma de agulha foi lançado nos céus sobre a base aérea de Edwards, no sul da Califórnia.
Quando estava a cerca de 50 mil pés de altitude (cerca de 15,2 mil metros), o X-15 se soltou do B-52, Walker ligou o motor e disparou pelo céu.
Dois minutos mais tarde o combustível do avião acabou. Ele se deslocava a 5,6 mil pés por segundo (mais de 1,7 mil metros) e a cor do céu já tinha mudado do azul para o negro.
Em outros dois minutos, Walker chegou aos 354 mil pés (quase 108 mil metros ou 108 quilômetros) acima da Terra.
Neste momento, Walker já não estava mais pilotando um avião e sim uma nave espacial.
Onze minutos e oito segundos depois de se soltar do B-52, o piloto estava de volta à Terra depois de ter planado a velocidades supersônicas e feito uma aterrissagem perfeita no leito seco de um lago.
Apesar de ter superado a barreira dos 100 quilômetros de altitude, que marca o começo do espaço exterior, não houve nenhuma festa ou desfile de herói para Walker.
Para Walker, aquele foi apenas mais um dia de trabalho como piloto de provas, apesar de, com o X-15, ter desafiado os limites do que era possível na época.
"O X-15 foi extremamente importante", disse Michelle Evans, autora do livro X-15 Rocket Plane ("O Avião-Foguete X-15", em tradução livre).
"Sem o X-15 não teríamos tido o ônibus espacial e a ideia de soltar um avião espacial a partir da asa de outro avião acabou sendo aproveitada pelo projeto da nave espacial da Virgin."
Domínio PúblicoDireito de imagem
Image captionUm B-52 adaptado transporta um X-15; dois destes aviões hoje estão expostos em um museu
O X-15 também foi o pioneiro do sistema criado para trazer naves espaciais de volta à Terra. E os foguetes Saturno 5, que levaram astronautas à Lua, usaram os sistema de orientação desenvolvido no X-15.

199 voos

Apenas três X-15 foram construídos e os dois aviões espaciais que sobreviveram a todos os testes estão em museus.
A aeronave encerrou sua carreira em 1968, depois de 199 voos.
Um dos B-52 especialmente adaptados para levar o X-15 o mais alto possível está em exibição em Edwards. Outro está passando por uma restauração.
"O que estamos fazendo neste momento é tirar a pintura velha para que possamos examinar a estrutura da aeronave e procurar por corrosão", disse James Stemm, diretor de coleções e restauração de aeronaves no Museu Aéreo e Espacial Pima, em Tucson, no Estado americano do Arizona.
No hangar de restauração, são usados fortes jatos de água para retirar a tinta e expor a fuselagem de metal do velho B-52.
O terceiro B-52 Stratorfortress é o mais antigo. Um bombardeiro de oito motores e grande alcance, ele está em exposição sem alterações desde seu último voo, em 1969.
"Os B-52 foram projetados para levar mísseis ou bombas embaixo das asas. A Nasa modificou o sistema para que ele pudesse levar um X-15, muito maior (que uma bomba)", explicou Stemm.
NASA
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Image captionMuitos dos pilotos do X-15 morreram cedo

Adaptabilidade

Na adaptação do B-52 para levar o X-15 foi cortada uma parte da asa de estibordo e colocada uma espécie de pilar embaixo da asa.
"É incrível que a aeronave tivesse elevação e superfície suficientes nas asas para fazer um corte substancial sem afetar o rendimento do avião", contou Stemm.
Além do corte na asa e a adapção para levar o X-15, este B-52 especial (conhecido como o NB-52A) também tem marcas diferentes pintadas em sua fuselagem.
Alguns destes aviões tinham representações de outros aviões derrubados ou das bombas lançadas. Mas este tem imagens do X-15 e cada uma delas representa uma das 80 missões concluídas pelo B-52.
Algumas destas imagens do X-15 estão voltadas para cima e simbolizam os voos de grande altitude. Outras, com o avião colocado na horizontal, representam as provas de velocidade.
Algumas delas estão voltadas para baixo, mostrando os voos que não deram certo.
Entre estes voos está o realizado por Mike Adams, em 1967. O avião caiu em um giro supersônico e se desintegrou ao reentrar na atmosfera terrestre. Outro voo que não deu certo foi o de Jack McKay, de 1962, que teve a coluna vertebral esmagada no acidente.
"McKay desceu muito rápido. Teve problemas com o sistema hidráulico e não tinha mais os flaps (partes das asas). Então, quando tocou no leito do lago, o X-15 capotou", explicou a escritora Michelle Evans.
Getty ImagesDireito de imagem
Image captionJoe Walker (segundo, da dir. para a esq.) recebe troféu do presidente J. F. Kennedy em 1961; ele só foi reconhecido como astronauta em 2005
O piloto sobreviveu ao acidente, mas passou o resto da vida com dores terríveis. McKay morreu em 1975.
Entre os que se formaram no programa de provas com o X-15 está o primeiro homem na Lua, Neil Armstrong, e o comandante de um ônibus espacial, Joe Engle.
Em 1981, Engle se tornou a única pessoa na história a aterrissar de forma manual uma nave espacial usando técnicas que ajudou a desenvolver nos voos com o X-15.
Ele também é o único piloto vivo que já voou em um X-15. E isso pode dar algumas pistas sobre o que sofre um piloto de provas.

História

Os B-52 que lançaram estes 12 homens em suas missões arriscadas nunca voaram de novo. Mas Stemm quer garantir que o avião que está passando pela restauração dure muito tempo.
Domínio PúblicoDireito de imagemDOMÍNIO PÚBLICO
Image captionO astronauta Neil Armstrong foi um dos que se formaram no programa com os X-15
"Vamos pintá-lo de novo com suas marcas históricas exatas para que ele brilhe exatamente como brilhava quando levava o X-15."
"Nosso objetivo é ajudar a preservá-lo nos próximos cem anos", acrescentou.
Quanto ao X-15, quase 50 anos depois de seu último voo, o avião-foguete é mais apreciado do que nunca.
Em um momento em que a Virgin Galactic e a companhia concorrente Xcor trabalham em uma nova geração de aviões espaciais, e a Stratolaunch prepara o lançamento de foguetes a partir de um avião gigante, o futuro da tecnologia baseada no X-15 parece promissor.
Já o piloto Joe Walker, um dos pioneiros dos voos com o X-15, morreu em um acidente aéreo em 1966.
Em 2005, a Nasa finalmente o reconheceu como astronauta.
Fonte: BBC

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

1865 - Morre Pierre-Joseph Proudhon, principal teórico do anarquismo


Rompimento do filósofo com Marx marcaria uma das grandes divisões da Associação Internacional dos Trabalhadores
Em 19 de janeiro de 1865, morre em Passy, na França, Pierre-Joseph Proudhon, filósofo e economista político que seria considerado um dos mais influentes teóricos do anarquismo.

Nasceu em 15 de janeiro de 1809. De origem humilde, começou a trabalhar cedo numa tipografia, aonde entrou em contato com liberais e socialistas experimentais, que representavam as mais importantes correntes políticas da época.

Em 1838, já graduado pela faculdade de Besançon, foi para Paris e em 1840 publica seu primeiro e maior trabalho: O que é a propriedade? – um estudo sobre o princípio do direito e do governo. Nessa obra afirma-se socialista, criticando a propriedade privada e sustentando que a exploração da força de trabalho alheia era um roubo. Cada pessoa deveria comandar os meios de produção de que se valesse.
O livro atraiu o interesse de Karl Marx que classificou-o como socialista utópico, condição que jamais reconheceu. Os dois corresponderam-se, chegando a se encontrar em Paris. A amizade chegou ao fim quando Marx respondeu ao Sistema das Contradições Econômicas ou a Fiolosofia da Miséria de Proudhon com seu irônico A miséria da filosofia, de 1847. A disputa tornou-se uma das origens da divisão entre as alas marxistas e anarquistas nas reuniões da Associação Internacional dos Trabalhadores.
Proudhon era favorável às cooperativas, bem como à propriedade coletiva dos meios de produção. Opunha-se à nacionalização da terra e das empresas. Considerava que a revolução social poderia ser alcançada por meios pacíficos.
Participou da Revolução de 1848 e entre 1849 e 1852 ficou preso por conta de suas críticas a Napoleão III. Em 1851 escreve Ideia geral de revolução no século XIX, obra em que expõe a visão de uma sociedade federalista de âmbito mundial, sem um governo central, baseada em comunas autogeridas. Os comunistas acabaram por rotulá-lo de reacionário quando defendeu a união entre proletários e burgueses.
Numa sequência de argumentos entre O que é propriedade, de 1840, e Teoria da Propriedade, de 1963, fez declarações contraditórias ao considerar a propriedade privada um “roubo”, algo “impossível”, uma forma de “despotismo”, mas, ao mesmo tempo, sinônimo de “liberdade”.
Quando afirmava que propriedade era roubo e despotismo, referia-se ao proprietário de terras, ao capitalista que roubava a mais valia dos trabalhadores. Ao afirmar que propriedade era liberdade, focava-se não só no produto individual do trabalho, mas também no que era produzido em coletividades, no que era capaz de possibilitar pertences pessoais, habitação e ferramentas. Para Proudhon, a única fonte legítima de propriedade era o trabalho e a venda de produtos por um valor justo. Dizia-se socialista, mas opunha-se à propriedade estatal dos bens capitais.
Em Teoria da Propriedade, reforça: "em 1840 rejeitei  categoricamente a noção de propriedade, a grupal e a individual", mas agora reconheço que "propriedade é a maior força revolucionária que existe, com uma capacidade inigualável de se lançar ela própria contra a autoridade. A principal função da propriedade privada dentro de um sistema político deve ser atuar como um contrapeso ao poder do estado, para, desta forma, assegurar a liberdade do indivíduo." Também apoiou o direito de herança, salvo dos instrumentos de trabalho, que eram “uma das fundações da família e sociedade".
Como consequência de sua oposição ao lucro, ao trabalho assalariado, à exploração dos trabalhadores, à propriedade da terra e do capital, bem como à propriedade estatal, Proudhon rejeitou tanto o capitalismo quanto o comunismo, adotando o “mutualismo”, que implicava no controle dos meios de produção pelos trabalhadores.
As ideias de Proudhon rapidamente espalharam-se por toda a Europa, influenciando organizações de trabalhadores e os fortes movimentos sindicais da Rússia, Itália, Espanha e França.
O legado teórico de Proudhon é retomado por outros importantes autores como Mikhail Bakunin, Piotr Kropotkin, Enrico Malatesta, Emma Goldman. Em Confissões de um Revolucionário, Proudhon afirmou que anarquia é ordem, expressão que durante a Guerra Civil Espanhola inspiraria o símbolo A de anarquia dentro de um círculo que simboliza o O de ordem.
Fonte: Opera Mundi

domingo, 22 de janeiro de 2017

1954: Lançado o primeiro submarino nuclear

No dia 21 de janeiro de 1954 foi lançado pela primeira vez ao mar o submarino Nautilus, nos Estados Unidos.
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O Nautilus em foto de 1958
A necessidade de uma fonte de energia adequada a longas missões navais foi um dos impulsos iniciais à pesquisa nuclear. Sob a direção de Hyman Rickover, os Estados Unidos implementaram o programa de desenvolvimento de um reator naval no fim dos anos 1940.
O submarino USS Nautilus, desenvolvido pela Electric Boat Division e lançado em 1954, provou as vantagens da propulsão nuclear principalmente para embarcações militares, sendo o primeiro a cruzar por baixo a placa de gelo do Polo Norte.
Hoje, o Nautilus é uma das principais atrações do Historic Ship Nautilus & Submarine Force Museum, na base naval de Groton (Connecticut). Seus sucessores provam o avanço tecnológico ocorrido nesse campo na segunda metade do século 20.
Os modernos submarinos atômicos são gigantes de até 150 metros de comprimento e 18 mil toneladas de peso, que se movimentam silenciosamente a 35 nós (cerca de 65 km/h). Mergulham até 450 metros de profundidade e podem permanecer durante meses no fundo do mar.
Ameaça e chantagem
Embora o então presidente norte-americano Dwigth Eisenhower tivesse feito uma apologia dos "átomos para a paz" diante da Assembleia Geral das Nações Unidas em 1953, os submarinos atômicos transformaram-se nos principais instrumentos de ameaça e chantagem durante a Guerra Fria.
"Difíceis de serem localizados e destruídos, eram esconderijos ideais para armas nucleares distribuídas pelos oceanos", explica Gerhard Schmidt, engenheiro nuclear do Instituto Ecológico de Darmstadt.
Segundo a organização ambientalista Greenpeace, de 1955 a 1995, as potências atômicas (Estados Unidos, União Soviética, França, Reino Unido e China) construíram 465 submarinos a propulsão nuclear. Mais da metade desse total é de fabricação soviética.
Lixo atômico
Nas últimas três décadas da Guerra Fria, ocorreram vários acidentes (em parte, nunca esclarecidos), principalmente envolvendo as frotas norte-americana e soviética. Pelo menos quatro submarinos soviéticos e dois norte-americanos, danificados ou afundados de propósito, permanecem no fundo do mar, supostamente impossíveis de serem resgatados.
Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), até 1988 as potências atômicas simplesmente abandonavam no fundo do mar o lixo nuclear (reatores e submarinos sucateados).
A AIEA calcula que, entre 1964 e 1986, a Marinha da União Soviética haja lançado 16 mil toneladas de lixo radioativo líquido e 11 mil metros cúbicos de lixo sólido nos mares de Barents e Kara. Em março de 1993, uma comissão do governo russo revelou que, desde 1959, cerca de 80 mil toneladas de lixo atômico, incluindo dois submarinos nucleares da frota do Pacífico, foram afundados no Mar do Japão.
A Rússia, principalmente, não tem recursos financeiros para manter a frota de submarinos atômicos, como ficou evidente no acidente do Kursk em agosto de 2000.
A Marinha norte-americana, pioneira no desenvolvimento da tecnologia de propulsão nuclear, também já teve diversos acidentes. Segundo um relatório sobre a Submarine Force elaborado por William Arkin e Joshua Handler entre 1983 e 1987, ocorreram 12 encalhes, 50 colisões, 113 incêndios e 48 inundações em submarinos norte-americanos. Não há, porém, informações confiáveis sobre danos ocorridos nos reatores a bordo.
  • Autoria Geraldo Hoffmann
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Surto de febre amarela é tragédia anunciada, diz historiador

Na virada do século 19 para o 20, as cidades do Brasil sofriam com problemas de saneamento básico e recorrentes epidemias. Na época, o sanitarista Oswaldo Cruz conseguiu erradicar a doença, que volta a assombrar o país.
Ampola de vacina contra febre amarela
Há mais de cem anos, o sanitarista Oswaldo Cruz conseguiu, numa campanha até então inédita, acabar com focos do mosquito Aedes aegypti e erradicar as recorrentes epidemias de febre amarela nas grandes cidades do país – isso numa época em que não havia vacina contra a doença.
Agora, no entanto, a enfermidade ameaça voltar aos centros urbanos, com a confirmação de 47 casos entre os 272 suspeitos, e 25 mortes em Minas Gerais; e a luta contra o mosquito – que também transmite os vírus da dengue, da chicungunya e do zika – parece perdida.
Por que um problema resolvido há mais de um século volta a assombrar a população? Para o historiador Marcos Cueto, da Casa de Oswaldo Cruz, trata-se de um retrocesso e também de uma tragédia anunciada. "Na história das epidemias do século 21, muitas vezes a dengue antecede a febre amarela. Mas aqui as lições da História não são levadas em conta", afirma o especialista, que é também editor científico da revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos.
Na virada do século 19 para o 20, as condições de saneamento nos principais centros urbanos do país eram insalubres. Mesmo na antiga capital, o Rio de Janeiro, o problema era grave e responsável, diretamente, pelas recorrentes epidemias de febre amarela. A situação era tão séria que muitos navios estrangeiros evitavam aportar por aqui em determinadas épocas do ano – o que trazia consequências econômicas.
Rodrigues Alves assumiu a Presidência da República em 1902 disposto a dar um basta àquela situação. Logo no ano seguinte, Oswaldo Cruz foi chamado a assumir a diretoria-geral de Saúde Pública – um cargo similar ao de ministro da Saúde – com a espinhosa missão de acabar com a febre amarela.
O médico criou o Serviço de Profilaxia da Febre Amarela, que logo colocou nas ruas as chamadas brigadas de mata-mosquitos – grupos de agentes sanitários cujo objetivo era eliminar os focos de mosquito a qualquer custo. O modelo de ação era truculento, com os agentes de saúde percorrendo todas as casas e destruindo todos os locais de desova do mosquito transmissor. Mas surtiu efeito: em 1907, a epidemia foi considerada erradicada. E desde 1942 não há registros de transmissão de febre amarela nos centros urbanos.
"No Brasil e em muitos países da América do Sul este era um problema considerado controlado; restrito a regiões amazônicas", afirma Cueto. "Desde o fim dos anos 20, praticamente não houve nenhum surto epidêmico nas cidades. E desde 1937 existe uma vacina".
Para Cueto, no entanto, de lá para cá, predominou no país uma atitude passiva e tolerante com o mosquito transmissor da febre. "Os controles foram ficando cada vez mais relaxados [e por essa mesma razão houve um aumento da dengue e do zika]. Não houve uma política de vacinação entre a população urbana e o número de moradores das cidades só aumentou", explica o especialista.
As cidades cresceram de forma desordenada, e as áreas mais pobres e sem saneamento são os maiores focos de proliferação do mosquito. No caso de novos surtos da doença, são justamente as parcelas menos favorecidas da população que mais sofrerão com o problema.
Para Cueto, medidas individuais para controle de larvas – como apregoa hoje o governo – não são suficientes. "Temos que resolver os problemas de água, moradia e pobreza que fazem com que existam muitos reservatórios nas favelas", diz o especialista. "E além disso, temos que resolver o problema da criminalidade nas favelas, que impede o trabalho de sanitaristas no controle dos reservatórios e na educação higiênica."
Para o historiador, Oswaldo Cruz é um exemplo de liderança a ser seguido, embora não represente mais um modelo. "Agora existem novos desafios, temos problemas novos, precisamos de respostas mais complexas", afirma. "Precisamos resolver a questão da pobreza urbana e fazer com que a vacina seja acessível para todos."
  • Data 21.01.2017
  • Autoria Roberta Jansen
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

1871: Fundação do Império Alemão

Com a guerra contra a França vencida, o rei Guilherme 1º da Prússia foi proclamado imperador alemão em Paris em 18 de janeiro de 1871. Bismarck convencera os principados e reinos alemães a se unificarem num só Estado.
Otto von Bismarck (picture-alliance/dpa)
Sala dos Espelhos do Palácio de Versalhes, em Paris. A luz de 32 lustres de prata se multiplica pelo reflexo das paredes ao longo do salão de 73 metros. Flores, laranjeiras e móveis barrocos luxuosos compõem o cenário ao redor de centenas de pessoas em trajes de gala. Lá estão o rei prussiano e sua corte, muitos príncipes alemães e numerosos militares de alto escalão exibindo suas medalhas.
O coral encerra a cerimônia religiosa encomendada pelos soberanos alemães no palácio real do inimigo já praticamente derrotado. Mas não é a missa em ação de graças que eles celebram. Eles vieram para concretizar um velho sonho alemão: o sonho do Império Alemão, o sonho de ter novamente um imperador. Aos 71 anos, Guilherme 1º, rei da Prússia, é proclamado imperador alemão pelos príncipes presentes.
Na cerimônia cheia de ostentação, o escolhido não se sentia muito confortável. Na véspera, havia escrito:
"Assumo um império apenas nas aparências. Não serei mais do que um 'presidente'. Mas se já chegamos até aqui, tenho de carregar esta cruz. Amanhã me despedirei da velha Prússia, à qual sempre estive ligado e sempre estarei. Nem consigo expressar como me sinto desesperado."
Papel de Bismarck
Uma pessoa, ao menos, estava mais do que satisfeita. Afinal o restabelecimento do Império era basicamente obra sua, cujos frutos ele finalmente podia colher após longos anos de trabalho: Otto von Bismarck, primeiro-ministro prussiano e primeiro chanceler (chefe de governo) do Império recém-fundado.
Demorou longos anos até que a colcha de retalhos Alemanha, com seus pequenos principados e reinos, formasse um Estado nacional único, sob liderança da Prússia. O reino de Guilherme 1º e Bismarck travou duas guerras para atingir seu objetivo: em 1866, contra a Áustria, e em 1870/71, contra a França.
Através da guerra contra a França, Bismarck conseguiu despertar o entusiasmado espírito nacional que lhe permitiu conquistar a adesão dos principados que ainda resistiam à unificação nacional. No fim de 1870, chegara a hora. A Liga Setentrional Alemã rebatizou-se como Império e, em vez de uma presidência, passaria a ter um imperador. Apenas o rei Ludwig da Baviera hesitava ainda em declarar sua adesão.
Data histórica para a Prússia
Na última noite de 1870, o príncipe herdeiro da Prússia e futuro rei Frederico 3º anotou em seu diário:
"O imperador declarou não desejar fazer qualquer manifestação amanhã, porque a Baviera ainda não aderiu. Por outro lado, Delbrück comunicou que, hoje à noite, já estará impressa em Berlim a nova Constituição Imperial, que entrará em vigor amanhã, proclamando o imperador e o Império. Bismarck, que eu encontrei na cama e cujo quarto mais parece um verdadeiro depósito de tralha, desaconselhou uma proclamação sem a adesão da Baviera. Então, o remeti à histórica data de 18 de janeiro, com o que ele pareceu concordar."
De fato, não teria havido dia melhor para encenar o novo capítulo da história nacional, pois o 18 de janeiro é dia santo para os prussianos. Neste dia, 170 anos antes, em 1701, o príncipe eleitor de Brandemburgo fora coroado como o primeiro rei da Prússia. Desde então, a data era lembrada todos os anos.
E a encenação foi bem-sucedida. Embora o Império já existisse formal e juridicamente há algumas semanas, a proclamação festiva de Guilherme 1º em Paris como imperador entrou para os livros de história como a data de fundação do Império Alemão.
  • Autoria Rachel Gessa (mw)
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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Em maio dois eventos sobre Religiões e Religiosidades mobilizarão a UPF

Entre os dias 23 e 27 de maio as religiões e as religiosidades estarão em debate na UPF. Dois eventos correlacionados dedicar-se-ão a debater as crenças, a diversidade cultural e religiosa, a cultura, a cidadania e o respeito.

No dia 23 acontecerá o II Colóquio do Grupo de Trabalho de História das Religiões e das Religiosidades (GTHRR) / Núcleo Rio Grande do Sul, cuja programação está disponível em https://gthistoriareligioes.wixsite.com/gthrr e inclui debate de filme, socialização de trabalhos, lançamento de livro e aula aberta.

Já entre 24 e 27 de maio acontecerá o V Simpósio do GTHRR/Regional Sul (SC, PR, RS), evento que terá entre suas atividades conferências, mesas redondas, mesa de debates, simpósios temáticos, oficinas, conferências e atividades culturais.Informações em http://vsimposiogtsul.wixsite.com/vsimposiogtsul/






1899: Nascia Al Capone

Filho de imigrantes italianos, ele foi um dos maiores gângsteres norte-americanos no começo do século 20. Nascido em 17 de janeiro de 1899, Al Capone acabou sendo preso por sonegação de impostos.
USA Al Capone bei einem American Football Spiel (picture-alliance/AP Photo)
"Tem gente que quer me ver na cadeia e pergunta: 'quem esse cara imagina que é?'. Eu espero que não seja apenas a minha imaginação – e pode escrever no seu jornal – que eu simplesmente esteja dando o que as pessoas querem. E elas querem é beber. Elas sabem disso, eu sei, todos sabem e eu me atenho a isso, nada mais. Para que essa falação de contrabando de álcool? Uns dizem que é contrabando, outros que é satisfação de necessidades. Mas eu sou é um homem de negócios."
As palavras são do personagem Al Capone no filme Os Intocáveis, mas expressam como o gângster de carne e osso via suas atividades, em plena era da Lei Seca, a proibição de álcool nos Estados Unidos: ele se considerava um mero homem de negócios. "Al Capone – negociante de antiguidades" – era o que constava de seu cartão de visitas. E, no entanto, Capone era o rei de Chicago, o chefão do crime organizado que regia um império de boates e clubes noturnos, bordéis, cassinos e casas de jogos, cervejarias e bares ilegais.
Tudo começou no Brooklyn, onde ele nasceu em 17 de janeiro de 1899. Al era o quarto filho do cabeleireiro Gabriele Capone, que imigrara da Itália ao Novo Mundo com sua esposa, Teresa, em 1894. Gente honesta, seus pais conseguiram juntar um bom dinheiro com o seu pequeno salão. Nada parecia indicar que dessa família sairia um dos maiores gângsteres norte-americanos.
Johnny Torrio: padrinho e parceiro de Capone
Quando jovem, Al Capone foi office boy de Johnny Torrio, homem reservado e de aparência elegante, mas que, por trás da fachada respeitável, administrava inúmeros cassinos, bordéis e bares.
Essa foi a primeira lição que Al Capone aprendeu: criar uma imagem e manter as aparências. Em 1917, aprendeu mais uma. Ao brigar com o irmão de uma moça, Al Capone levou três facadas no rosto. Dessa experiência ficaram as cicatrizes e seu apelido: Scarface.
Depois disso, houve uma fase tranquila na vida de quem seria, no futuro, o "inimigo público número um" nos EUA. Em 1919, já pai de família, trabalhava em Baltimore como contador. Um ano depois, retomou o contato com Johnny Torrio, que se mudara para Chicago, a cidade que atraía quem queria ganhar muito dinheiro com negócios ilegais.
A sociedade com Torrio foi muito rentável para Capone. Logo lhe pertenciam vários bordéis e bares e, em 1925, ele tornou-se o herdeiro do gigantesco império ilegal que Torrio montara em Chicago. A partir de então, residia numa suíte de cinco quartos do Hotel Metropole, que custava 1,5 mil dólares por dia, circulando entre os vips da cidade.
A artimanha que acabou com o gângster
Atrás dos bastidores, porém, as gangues travavam uma guerra sem trégua, que culminou no tiroteio de 14 de fevereiro de 1929. As vítimas foram sete cabeças da banda de Bugs Moran, o principal inimigo de Al Capone. Este, como sempre, tinha preparado um bom álibi. Nesse dia, estava em Palm Island, na Flórida.
O massacre mobilizou o presidente Herbert Hoover. Em 29 de março, ele escreveu a seu secretário do Tesouro, Andrew Mellon: "O sr. já conseguiu pegar finalmente esse Capone? Eu quero esse fulano na cadeia!".
Apesar disso, a brutal eliminação dos concorrentes ficou impune. No entanto, uma nova lei determinava a cobrança de impostos até sobre rendimentos ilegais, e Al Capone teria muito o que declarar ao fisco. Com base em velhos livros de contabilidade, os fiscais da Fazenda calcularam, em 1931, que o gângster devia ao "leão" mais de 200 mil dólares. No processo, o promotor exigiu uma pena de 34 anos de prisão. A sentença foi promulgada no dia 24 de outubro do mesmo ano.
Al Capone pegou 11 anos por sonegação de impostos. A condenação foi o fim de sua carreira no mundo do crime. Nos dois primeiros anos, o gângster ainda conseguiu viver de forma relativamente confortável na penitenciária de Atlanta. Mas depois, no rígido presídio de Alcatraz, acabaram-se as mordomias e subornos. Como se não bastasse, os médicos diagnosticaram sífilis em estágio avançado.
Em 1939, Al Capone foi libertado sem haver cumprido toda a pena. Doente, o ex-rei dos gângsteres era uma pálida sombra do que fora e acabou morrendo em 1947, aos 48 anos de idade.