quinta-feira, 30 de junho de 2016

1934: Hitler manda executar Ernst Röhm

No dia 30 de junho de 1934 foi preso Ernst Röhm, um ex-aliado de Hitler. Röhm queria transformar a SA num exército sob seu poder. Ele foi executado dois dias depois.
Ernst Röhm (ao centro)
O capitão Ernst Röhm, organizador da tropa de assalto SA (Sturmabteilung) do partido nazista, não imaginava qual seria seu destino após cair em desgraça com Hitler. O Führer havia decidido matá-lo.
Faltando apenas um dia para o fim das férias coletivas dos integrantes da SA, o próprio chanceler alemão deu início ao massacre de seus ex-aliados, num episódio de incrível brutalidade e traição que ficou conhecido como a Noite dos Longos Punhais.
Röhm, um típico representante da chamada "geração perdida" da Primeira Guerra Mundial, acreditava no ideário nazista quando aderiu ao partido em 1918. Logo no ano seguinte, passou a integrar o privilegiado grupo de amigos pessoais de Hitler.
Ferido três vezes na Primeira Guerra Mundial, lembrava com nostalgia da camaradagem dos soldados nas frentes de batalha. A isso, adicionava-se uma porção de energia criminosa, disfarçada sob a máscara de um nacionalista revolucionário.
Treinos na Bolívia
Ele demonstrava um desprezo profundo pelo que chamava de "farisaísmo e hipocrisia burguesa". Nos primórdios do movimento nazista, revelara-se um organizador talentoso, atraindo um grande número de adeptos para o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores da Alemanha (NSDAP).
Em 1924, elegeu-se para o Reichstag (Parlamento) pelo Partido Liberal Popular Alemão e foi encarregado de organizar o batalhão nazista Frontbann. A partir de 1928 passou dois anos treinando soldados na Bolívia e, em 1930, foi nomeado para o posto de comandante da SA.
Röhm transformou a SA – inicialmente uma espécie de força paramilitar privada de Hitler – numa milícia popular formada por combatentes de rua, capangas e arruaceiros. Do seu ponto de vista, foi "bem-sucedido": o número de integrantes da SA subiu de 70 mil para 170 mil em apenas 18 meses.
As fileiras da milícia eram engrossadas, principalmente, por desempregados, mas eram recrutados também ladrões e assassinos. Para Ernst Röhm, esse "exército plebeu" era o núcleo do movimento nazista, "a encarnação e garantia da revolução permanente", baseada no "socialismo de caserna" que ele experimentara durante a Primeira Guerra Mundial.
De fato, a SA desempenhou um papel decisivo na ascensão de Hitler entre 1930 e 1933, através da intimidação de adversários políticos.
Mas em 1933, quando já contava com milhões de integrantes, a organização passou por uma pequena decepção. Seus líderes, que aspiravam à supremacia dos quartéis sobre a classe política, irritavam-se com a crescente burocratização do movimento nazista.
O sonho de Ernst Röhm era ser o comandante supremo de uma enorme força armada, resultante da fusão da SA com o exército regular. Hitler seria então "apenas" o chefe político.
Como comandante da SA, ministro sem pasta e secretário estadual na Baviera, Röhm ocupava cargos de destaque no final de 1933, mas desperdiçou todos os seus trunfos.
Impecilho aos planos de Hitler
Ele se opunha ao plano de Hitler de realizar uma revolução sob o manto da legalidade e passou a falar publicamente de um iminente golpe de Estado. Sua demagogia populista era rejeitada pela classe média e preocupava os militares e industriais, que formavam a base do regime nazista. A reivindicação de Röhm de transformar a SA numa milícia autônoma alarmou os generais, indispensáveis para os planos de longo prazo de Hitler.
Como o chanceler demorasse a agir, o Exército lhe deu um ultimato, dizendo que, se uma medida enérgica não fosse tomada, um golpe de Estado militar tiraria os nazistas do poder. Foi aí que Hitler decidiu liquidar "Röhm e seus rebeldes".
Sem a menor suspeita da chacina que estava sendo tramada, Röhm foi preso na noite de 30 de junho de 1934, no Hotel Hanselbauer, em Bad Wiessee, junto ao lago Tegernsee (Baviera), onde festejava com outros líderes da SA.
Levado para a prisão de Stadelheim, negou-se a cometer suicídio e foi fuzilado dois dias depois. Na chamada Noite dos Longos Punhais, os nazistas executaram sumariamente 85 pessoas, muitas delas sem qualquer ligação com Röhm.
Oficialmente, o governo alemão alegou que a SA estava preparando um golpe contra o Reich. Na prática porém, Hitler concretizava apenas mais uma de suas estratégias de poder: após o massacre, ele não tinha mais rivais e podia celebrar o domínio absoluto sobre o partido nazista.
  • Data 30.06.2016
  • Autoria Doris Bulau (gh)
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Acadêmicas produzem textos sobre história do Brasil

TEXTO 1:
O ouro do Brasil e a Economia Mundial
Emanuela Dalmolin
Graziele Brancher
Quando falamos da extração do Ouro na América Portuguesa nos séculos XVII e XVIII, muitas vezes esquecemos de relacionar Economia mundial com a Mineração da colônia. Nossa referência para abordar uma temática significativa e produtiva é um livro erudito, ambicioso e ousado, ganhador do prêmio Distinguished Scholarship da American Sociological Association, Longo século XX: O dinheiro, poder e as origens do nosso tempo de Giovanni Arrighi parte da configuração atual do sistema internacional de poder, faz uma profunda incursão histórica discutindo os modelos propostos por Marx, Weber, Schumpeter, Braudel e outros autores e volta para os dias de hoje, imaginando um leque de alternativas.
            O estudo das estruturas e agentes que moldaram o curso da história moderna lhe permite identificar quatro "séculos longos", ou seja, períodos de mais de cem anos, parcialmente superpostos, que Arrighi, continuando Braudel, propõe como unidades temporais básicas para a análise dos processos mundiais de acumulação de capital. Centralizando redes de produção, comércio e poder, Gênova (do século XV ao início do XVII), Holanda (do fim do século XVI até a maior parte do XVIII), Inglaterra (da segunda metade do século XVIII ao início do XX) e, finalmente, Estados Unidos (de 1870 até hoje) asseguraram para si, em cada momento, o comando da economia mundial. Em cada um desses casos, diz Arrighi, fases de expansão material precederam fases de expansão financeira, ambas formando, em conjunto, um "ciclo sistêmico de acumulação". Nas primeiras fases de cada ciclo, o capital coloca em movimento uma massa crescente produtos inclusive força de trabalho e bens naturais, transformados em mercadorias, enquanto nas fases seguintes esse mesmo capital busca libertar-se de sua forma-mercadoria, prosseguindo a acumulação, cada vez mais, através de mecanismos financeiros. É o "sinal do outono" de um ciclo sistêmico, que vem associado ao deslocamento do comando da    mundial em direção a um novo centro hegemônico. Esses ciclos descrevem, assim, a criação, consolidação e desintegração dos sucessivos regimes através dos quais a economia capitalista mundial se expandiu, até ganhar uma dimensão global. Então o que justifica nos retratarmos da Mineração na colônia portuguesa como um período da história da economia mundial. Ou seja, afirmamos que as monarquias europeias dos séculos XV ao XVIII se valorizavam nas suas formas econômicas e políticas juntamente em busca do controle dos metais preciosos extraídos das suas colônias. O ouro é um metal muito precioso, pois demora pra se formar e é difícil extrair atribuindo alto valor a partir desta Europa que vai se estendendo para o resto do mundo na chamada Idade Moderna numa competição internacional na liderança da hegemonia econômica. O ouro tornou uma moeda, não apenas um metal, a moeda sendo metal, mas sendo moeda não é simplesmente um metal e pôde ser um padrão de comercialização de um economia, que é algo a mais que uma simples moeda e um metal precioso. Foi possível cunhar moedas com o metal, e a quantidade de metal naquela moeda determina o valor desta moeda, a princípio uma moeda de ouro vale mais de uma moeda de prata que vale mais de uma moeda de bronze. Tornando se um valor direto.
         Foi a partir do século XIX que se inicia a preponderância do ouro, chamado Padrão Ouro como uma forma de regulamentação de valores na escala mundial, até a Primeira Guerra Mundial, estabelecido as notas e moedas de valor simbólico, são as que utilizamos até hoje. E depois 1944, simplesmente muda de convenção nas famosa Conferência de Bretton Woods na qual ficou estabelecido que o padrão ouro seria articulado ao padrão dólar. Aí pegamos uma ressalga disso numa economia muito mais complexa que a economia do nosso tempo. Essa regulamentações internacionais são muito mais sofisticadas, sabemos que hoje o dólar não é padrão universal de regulação universal, isso foi abandonado em 1971, mas ainda temos resquícios disso.
         Vejamos com isso então como o ouro possui uma longa e importante história na história da humanidade, é possível fazer uma história da formação do sistema capitalista, seja a partir do século XVIII, seja essa uma posição controversa, temos que acreditar que a história do ouro e outros metais preciosos está interligada na nossa economia mundial atual. Como pretexto usamos principalmente no século XIX quando o ouro se torna padrão, coisa que a prata não é capaz de fazer. Porque a quantidade de prata seria muito maior que a quantidade de ouro, alguns cálculos preliminares neste século indicam que entre 1492 a 1800, o último ano do século XVIII, entre esses anos certa de 90% de toda prata e ouro que chegaram no continente europeu veio da América. Sim teve metais preciosos da África, da Ásia, na própria Europa mas a maioria dinamizada foi tirada da América. Bem, temos tudo isso como uma introdução, estamos dando um contraste deste metal precioso como um objeto histórico chegando a América Portuguesa que desde o início queremos que os alunos observem e percebam os portugueses e o ouro, num fragmento da história em movimento. Com questões que nortearam as aulas no sentido de qual o ponto de partida deste ciclo diferenciado, vicioso a alçar uma potência na condição de hegemonia e a sua capacidade de acúmulo de capitais.
        O acúmulo de capitais, acúmulo de riquezas em escalas diferenciadas. A história do capitalismo é a história da busca pelo acúmulo da riqueza, um sistema estatal muito marcado pela existência de estados territoriais que andou se pulverizando e complexando. Ou seja, todo esse período que reportamos é o início do acúmulo de riquezas da extração de metais preciosos nas colônias. É neste aspecto os empréstimos surgem tento mais um viés lucrativo correspondente a essa formação deste sistema num modo orgânico, em que os metais preciosos desempenham o papel fundamental desse sistema surgir efeito.
        Em momentos devemos adotar essa periodização proposta por Arrighi do advento da colonização da América Portuguesa, que aconteceu em constante e volumosa extração de ouro na hegemonia econômica da Holanda, na qual começa a desenvolver alguns elementos no século que seria de hegemonia britânica. Porque afinal de contas essa sucessão cronológica não é perfeita, uma fase se mistura à outra. Holanda em crise, entra com vitalidade a Britânica. Nesta historicidade podemos explicar o surgimento das potências econômicas mundiais, gerando o entendimento da atual, Estados Unidos da América.
         Se analisarmos os gráficos de Giovani Arruighi disponibiliza a extração de ouro entre os séculos XVI e XVIII extraiu-se uma média de 283 a 791 movimentos do ouro na produção anual expressada em onças. O período extraordinário 1851 de crescimento que tem tudo haver não só com o aumento da demanda proporcionada pelo industrialismo, pela complexidade da economia mundial, mas também pelo advento da tecnologia capaz de esgotar de modo muito mais bruto as minas de ouro. Essas minerações de profundidade, essas coisas que assistimos ainda hoje, antes do século a Mineração está vinculada a uma extração muito rustica, mesmo assim há um crescimento substantivo desde início de mineração lá no final do século XV, que é o tal ouro da América, que é o ouro mais importante da economia mundial. No caso da prata, a cifra está expressa em milhões de onças. Há um salto 1495, descoberta as minas de Potosi, o coração da América do Sul parte do Império espanhol, a época vice reino do Peru, atualmente a República da Bolívia. Cidade de Potosi. É a prata de Potosi que turbina esse sistema mundial.
        Um afirmação importante, quando no advento da mineração na América Portuguesa, no final do século XVII e começo do XVIII, o peso dos metais preciosos é muito grande nessa economia mundial, é isso em última estância o papel histórico dessa mineração, porque se nós queremos entender Minas Gerais pela Mineração entenderemos uma série de coisas, se quisermos entender a América Portuguesa pela Mineração entenderemos uma série de coisas, se quisermos entender e explicar o Império Português entenderemos e explicaremos um série de coisas, No entanto devemos estudar muito mais do que essas coisas. Observando este fenômeno em si, em termos mais precisos algumas informações: devemos saber que desde o início os portugueses empenham ativamente na descoberta de metais preciosos. Os espanhóis se depararam com esse tipo de riqueza desde o início, desde das primeiras presenças espanholas, logo explorado pela Espanha, para a Europa em ascensão. Dali Portugal vislumbra a possibilidade de obtenção deste mesmo tipo de riqueza nas imensas posições territoriais que estão sob sua régia, desconhecidas, difíceis de colonizar, ou seja, aquela realidade dos primeiros ensaios da colonização portuguesa na América que remonta então as primeiras décadas do século XVII, por vezes algo era encontrado Prata Ouro, mas nada que indique a possibilidade de uma exploração duradoura , é fundamental saber até aqui é que a descoberta da prata da cidade de Potosi acirra essa expectativa da parte portuguesa.
         Em 1549 a regulamentação do governo geral da Colônia de Portugal um sistema de colonização duradouro coisas que as capitanias hereditárias da década de 30 não tinhas nogado ser. Não é a toa que então este esforço da parte da coroa de Portugal realmente estabelecer um sistema de colonização de presença de exploração da terra, de presença territorial, coincida mais ou menos com esse desenvolvimento da Espanha propiciado pelo início da exploração de prata d e Potosi.
Nada de muito significativo é encontrado até os anos de 1693 e 1695. Aí são descobertas as primeiras jazidas de Minas Gerais, uma região que não existia enquanto tal, não era uma região organicamente inserida nos padrões do sistema colonial, não fazia parte desse Império Português. Passam a existir no final do século XVII, e pra valer no século XVIII com o rápido crescimento de sua exploração aurífera.
       Outro questionamento que deve ser levantado em sala de aula será porque então no século XVII? Obviamente poder se ia ter encontrado antes, no entanto há um conjunto de fatores presentes nesta história do século XVII português, sobre tudo da segunda metade deste século que estimula o investimento mais intenso nessas expedições, nessas tentativas de descoberta de ouro, em termos técnicos e práticos os portugueses poderiam perfeitamente ter chegado naquela região e ter descoberto o ouro já no século XVII, não havia impedimento nenhum. Se olharmos apenas no Império Português não entenderemos essa descoberta de ouro no Brasil, em termos da economia europeia embasando na economia mundial esse período foi referido por vários autores como o século da grande crise, outra questão controversa, porque essas crises por mais estruturais e por mais transcendentes que sejam nunca se manifestam de modo absoluto, de modo idêntico ou se quer semelhante em todas as partes que presencialmente fazem parte deste sistema atingido por essa crise. Significa que o sistema capitalista que se forma ao longo da história com base em desenvolvimentos assimétricos, pressuposto não apenas no desenvolvimento histórico deste sistema como característica essencial a flexibilidade de modo que alguns pais atravessam crises e continuam de pé.  Porque o sistema garante amparo. Constatamos então que este sistema se vale de desenvolvimentos desiguais, que é cheio de pluralidades, não relativizando dominadores comuns que são estruturais.
         Desaceleração, dificuldades, entraves comercias, declínio. A que mais reage fortemente a essa diminuição do ritmo do comércio no mundo ocidental foi a Inglaterra. Justamente neste século XVII, de maneira muito eficiente via comércio, tratados. Adentrando com muita força na disputa pela hegemonia econômica via comércio. Poderia ser detalhada mas fugiríamos do assunto proposto. Falemos dos fatores que renovam a demanda por metais preciosos, porque o declínio do comércio ocidental diminuiu a importância por um lado. Sendo trocados por moedas como já vimos, em economias muitos ativas no ponto de vista comercial, as moedas são imprescindíveis no desenvolvimento comercial demanda uma utilização crescente desses elementos de mediação rápida e versátil, dinâmica das trocas que são as moedas. Ao mesmo tempo que a disponibilidade de moedas facilita essa disseminação, a contração do comércio europeu no século XVII diminuiu o afã pela busca de metais preciosos na América Portuguesa, esse afã é renovado a partir do momento que o crescimento do comércio inglês aumenta o valor dos metais preciosos porque esse desenvolvimento precisa estar assentado na disponibilidade aos meios de troca. Uma economia sem metálico, sem moedas é uma economia engessada, lenta, básica e trocas. O que as moedas permitem? A atribuição de valor ás mercadorias, um valor correspondido pelo usufruto do   instrumento dinâmico e versátil que são as moedas.
         A expansão comercial inglesa aumenta a necessidade de metais preciosos nessa economia europeia, que já é de dimensões mundiais. E seu competidor é a França porque ela também reage a esse declínio do comércio. A França já era um potência no entanto a reconfiguração dos meios tradicionais nesse cenário, deste modo turbinando essa economia em recuperação sobre tudo a Inglaterra com sua expansão comercial mais aceita cria novas expectativas de descoberta de metais preciosos na América Portuguesa. Porque na América Portuguesa? Portugal se torna independente de Habsburgo da Espanha em 1640. Retorna a essa competição internacional numa situação subordinada. Depois disso o Império Português jamais mostrou-se capaz de qualquer pretensão de hegemonia. Quando se liberta da Espanha, volta nesse cenário de subordinação.
        Essa situação não significa necessariamente uma subordinação política direta exercida por outra potência mas seria a incapacidade de usufruir plenamente de todo seu potencial, inclusive economicamente. Porque o ouro do Brasil, (parte dele) vai para a Inglaterra? Porque as relações internacionais são pautadas por hierarquias, por desigualdades. As relações internacionais desde que existem como um resultado de um sistema interestatal que está se formando nessa passagem da Idade Média para Idade Moderna formaram-se sempre desiguais e equânime, como uma regra, uma norma desse sistema internacional. Portugal passou a conviver com isso e procurou se beneficiar como bom súdito.
         No século XVII há um conjunto de empreendimentos, então a América Portuguesa é alvo de patrocínios por poderes políticos oficiais da América Portuguesa que configuram um contexto de aumento das tentativas de descoberta da Mineração. Não são agentes diretos da colônia, aliás devemos saber que os principais vetores da constituição histórica dessa colonização não são os mercados pelo exercício do poder direto e indireto do rei, mas são súditos ao rei de modo que a descoberta desses metais preciosos na escala que ocorre no século XVI renderá bons frutos ao conjunto da sociedade organizada a partir da preponderância da ideia de bem comum, que é organizada por seu turno dessa ideia pela presença do rei. Não vai lá e descobre e fica com a riqueza, uma parte fica obviamente, são formados mecanismos de concentração de renda na mineração aos quais destacamos no texto 2. O bem comum ganha com isso. O bem comum porque trata-se da recuperação do Império tipicamente Colonial.
         As primeiras jazidas foram encontradas na atual Minas Gerais em 1693 a 1695, não temos uma data exata, qual e por quem. Provavelmente na atual região de Sabará, que não existia como centro urbano Essas cidades, essas vilas de Minas Gerais se formam muito rapidamente no século XVIII em função da rapidez do atendimento as expectativas em torno da Mineração. Tudo se passa muito rápido nos primeiros anos do século XVIII. Em 1719 são descobertas as primeiras jazidas de ouro no Mato Grosso em torno de Cuiabá. Em 1722, em Goiás, região atual de Goiânia, conhecida como Goiás Velho. Em 1729 o início da exploração sistemática dos diamantes no Cerro Frio que faz parte também da capitania de Minas Gerais. Vejamos que nesses primeiras décadas do século XVIII, há uma concentração de descobertas significativas de ouro. O Império Português se modifica, diminuindo sua fraqueza política e econômica. O Império Português sobre tudo o Reinado de Dom João V. 1706-1750, melhora a situação sobre o ouro, no entanto não é o suficiente para ousar a uma condição que não conseguiria atingir, neste século XVIII e nunca. Aí temos que entender finalmente a política na posição da Inglaterra. O tratado de Methuen de 1703 é um marco na consolidação de relações desiguais entre Portugal e Inglaterra, nesse sistema internacional, não é um único acordo, mas é o mais famoso. Os mais desavisados podem interpretar como a Inglaterra passou a perna em Portugal que não faz nenhum sentido, quando observamos essas lógicas que expomos.
        O que estabeleceu o tratado de Methuen em 1703 foi a propriedade dos vinhos portugueses no mercado inglês como contrapartida da prioridade dos tecidos ingleses nos mercados ingleses. Uma simples troca? Não obviamente porque o peso da produção têxtil é muito maior em termos absolutos, comparativos do que o peso da produção de vinho em Portugal, porque acordo?
       Porque quem manda mais pode mais, quem pode mais é reconhecido então dessa reconfiguração parcial de Portugal nesse sistema internacional. A introdução da Inglaterra como uma grande potência não é ainda uma posição consolidada no final do século XVIII, ou melhor no fim das guerras Napoleônicas em 1815. Quando finalmente a Inglaterra se livra da França. Quando a Inglaterra é uma potência industrial e nenhuma outra potência possui a mesma pungência política, econômica e militar que a Inglaterra. Então já se trata da Grã-Bretanha. Quando a união da Escócia e da Inglaterra se uniram no começo do século XVIII.
Falamos pouco do Brasil, da América Portuguesa, justamente a intensão.
         A intensão é que tudo que seja dito em torno dessas minas gerais, tudo que se tenha dito em torno do ouro da América Portuguesa dessas outras regiões seja observado não em caráter definitivo, mas é uma ênfase das aulas por meio de uma racionalidade de política e economicamente e militar que nos coloca num contexto geral, num contexto mais amplo.
        Aqui não falaremos mais do que a consolidação da expansão europeia por meio de agente, falamos da reconfiguração de um sistema geral, mundial que deve-se ter então como uma espécie de moldura para a observação de um fenômeno especifico. Temos que mostrar dados deste ouro da ascensão ao declínio. Enfim abordar uma certa mitologia historiográfica em torno desses números do ouro e só na segunda Unidade é que tipicamente de preliminar como fizemos aqui as formas sociais decorrentes dessa Mineração.


     
TEXTO 2:
A sociedade das Minas Gerais

Emanuela Dalmolin
Graziele Brancher
Os impactos desta descoberta são profundos, de início nos propusemos aproximação com esse problema em termos demográficos. Então em mente números aproximados da população da América Portuguesa no século XVIII. Em 1700 a população estaria em torno de 300 mil. Portugal na mesma época tem cerca de 2 milhões de habitantes. A escala nos ajudará a pensar o movimento desses números a partir de dois coordenados, o que nos interessa aqui não é um número exato, não é um número preciso, inclusive por que não temos esse número. Esta estatística não é precisa nesta época. Mas a exemplo do que já fizemos no texto 1. Quando brincamos um pouco com a escala independentemente da precisão ou dá imprecisão daqueles números, tendo dois marcos conseguimos tirar conclusões significativas comparando um com o outro. Nos 20 primeiros anos de Mineração nas Minas Gerais Portugal perde por ano entre 5 a 6 mil pessoas que se dirigem para América Portuguesa em função das Minas Gerais, esse número aumenta entre 1720 a 1760, 8 a 10 mil habitantes de Portugal deixam o reino em direção as Minas Gerais. O que isso quer dizer? A população da América Portuguesa em função desses fluxos migratórios de Portugal e também de outras partes é o grande responsável por essa movimentação geral de outras capitanias da América Portuguesa. Implica então num crescimento populacional. Entre esses anos seguintes das Minas Gerais convertem em 1milhão 500 mil, um crescimento substantivo num espaço de tempo curto para a escala da época.
           O século XVIII implica numa grande modificação na história do mundo em termos de população, porque é a partir daí a população começa a crescer sem conhecer uma queda se quer significativa nos seus indicativos globais. Esse crescimento populacional que tem início de um modo seguro, firme, sem decréscimo, sem instabilidade. O século XVIII é responsável pela catástrofe que é o mundo atual em termos de quantidade de pessoas. Mas o que queremos mostrar aqui é o deslocamento de pessoas, esse deslocamento de Portugal, dentro da própria América Portuguesa que vinha de Pernambuco, o recôncavo Baiano e do Rio de Janeiro que são os centros urbanos dessa América Portuguesa até o advento das Minas Gerais. Isso pra começo de conversa, a partir desses números populacionais, nos que fizemos história estamos sempre falando de pessoas. A quantidade desse número de gente tem que ser sempre o pressuposto para nossas análises históricas, nos referimos então aos processos, aos acontecimentos esta é a questão inescapável. Então começaremos indicando uns impactos mais práticos, de ordem material na vida desses habitantes da América Portuguesa. A descoberta de ouro implica de imediato crescimento populacional, ocupação territorial em regiões até então não habitadas de modo extensivo por europeus e seus descendentes, implica a abertura de um mercado consumidor para gêneros de subsistência, o grosso do que as pessoas das Minas Gerais vem de fora, gabo e alimentos foram transportados da Bahia para Minas. Do sul, vieram não apenas o gado mas as mulas, tão necessárias ao carregamento de mercadorias. Sorocaba com sua famosa feira. Transformou-se no interior de São Paulo na passagem obrigatória dos comboios de animais, distribuídos principalmente em Minas.
         Existe uma roça, criação de mantimentos para subsistência, que muito pouco. Há também a abertura do mercado por escravos africanos. As Minas Gerais dinamiza o tráfico de escravos, seja aquele originário de Angola, seja o da Guiné. As Minas Gerais implicam também muito rapidamente no esvaziamento parcial de outros setores produtivos da colônia nos referimos no setor açucareiro, sobre impacto negativo desse adentro rápido da Mineração nas Minas Gerais. O deslocamento de pessoas a transferência de recursos e a também uma concentração do abastecimento de escravos em detrimento dessas outras regiões, também consequência disso tudo: inflação. Os produtos tem seu preço aumentados, esses produtos então ocorrem para Minas Gerais esses gêneros de consumo inclusive os escravos, tende a aumentar pelo aumento de procura na América Portuguesa, em decorrência das Minas Gerais outra situação completa esse cenário, é o advento de crises de subsistência: fome, isto é numerosas bocas de Minas Gerais, comem tudo o que ela produz de início e tudo aquilo que chega como gênero de subsistência. Veremos que não se trata apenas da abertura de uma região não sistematicamente incorporada nos padrões da colonização Portuguesa na América. Mas sim de uma aceleração, uma dinamização que implica alta dose de conflitualidade nessa região, não há como evitar isso no seus primeiros anos de existência. Tomamos esses indicativos econômicos do Livro Segredos Internos - Engenhos e escravos na sociedade colonial, 1550-1835 de Stuart B. Schwartz.
         No contexto histórico deve ser construído a partir da informação especifica, ou a partir do fator especifico. O início das Minas Gerais é muito mais conflituoso no seu início do que na sua consolidação, mas isso funciona na medida que periodizamos a história das Minas Gerais em termos dessa conflitualidade. Os primeiros vinte anos da sociedade de Minas Gerais são de profunda estabilidade política e econômica e portanto social. Então por acaso o que temos nesses vinte anos? Um grande fluxo de pessoas que muito rapidamente se dirigem para essa região, são criados aglomerados humanos e as autoridades formais, imperiais demoram a se instalar, não que elas se estabeleceram de modo definitivo e absoluto passando pela concessão de poderes autônomos, sem essa concessão deliberada não haveria como funcionar um governo a distância, não há nenhuma pretensão da parte da coroa se tornar um governo absoluto e direto.  
            A coroa sempre soube que essas concessões são fundamentais para o bom funcionamento. Mas é necessário constituir essa autoridade colonial nessas minas gerais que trata-se de um espaço novo. Temos a Guerra dos Emboabas 1707 a 1709, um conflito importante mas com uma certa mitologia criada pelos paulistas que deliberadamente associou a história da sua região com a história de uma nação que ainda não existia, que estaria supostamente sendo criada pela ação desses paulistas Bandeirantes que ocupavam uma posição central. Como quer que seja essa Guerra dos Emboabas é um típico conflito caracterizado pela dificuldade inicial de implantação de um poder metropolitano nas Minas Gerais. Uma espécie de vazio no poder. Quem são os emboabas? São portugueses forasteiros que são estigmatizados pelos paulistas querem controlar a região dos rios auríferos e os estabelecimentos, as rotas, as estradas. É uma disputa pelo controle dos recursos e das possibilidades lucrativas dessa região. A formação dessas Minas Gerais com base nesses conflitos, se processa em ritmo acelerado, é uma grande característica das Minas Gerais nos termos econômicos, sociais, políticos e culturais.
         Em 1717 temos início a implementação do poder do Conde Assomar, da capitania de São Paulo e Minas do Ouro, a grosso modo estão na mesma capitania e a governa-la o Conde de Assomar que se estende até 1721, a administração de Assomar e a consolidação da presença da instituição metropolitana nesse espaço colonial. Embora nas palavras de Charles Boxer A idade de ouro do Brasil: dores de crescimento de uma sociedade colonial são da presença do poder metropolitano. Um trabalho duríssimo para lograr os objetivos de seus governo inclusive enfrentar em 1720 uma conspiração liderada por Felipe dos Santos que terminou mal pro próprio conde, que viva assustado, parecendo sempre odiar Minas Gerais. Felipe dos Santos era Regresso de um extrato da alta sociedade colonial, que por sinal não deveria pagar seus crimes com pena capital, dificilmente isso aconteceria, porque afinal de contas, nesse mundo intencionalmente chamado de Antigo Regime, que se desdobra no ambiente colonial corresponde então a essas monarquias europeias fundada da desigualdade entre seus grupos sociais, e um dos critérios de penas diferentes ao depender da posição social do criminoso.
         Voltemos a Assomar. Segue um trecho de um discurso do Conde de Assomar. 1720. Cit. Em Laura de Melo e Souza, Os desclassificados do ouro p.106
Nas Minas “os dias nunca amanhecem seremos, o ar é um nublado perpétuo; tudo é frio naquele país, menos o vício, que está ardendo sempre [...] A terra parece que evapora tumultos; a água escala motins; o ouro toca desaforos; desfilam liberdade os ares; vomitam insolência as nuvens; influem desordem os astros; o clima é tumba da paz e berço da rebelião.”
Palavras eloquentes, descrição pessoal, impressionista, subjetiva diríamos, nem todo mundo acha que as Minas eram essa desgraça citada. O administrador justamente encarregado de instituir a ordem especifica de regra.
         A nossa existência como parte do conhecimento da história pressupões sensibilidades e fundamentalmente essencial pra tocarmos, pra nós aproximar daquilo que é inatingível na sua plenitude, o que não existe mais, mas para aproximar a gente precisa sentir isso, tocar aquilo que sobrou, precisamos nos familiarizar, precisamos ver, imaginar, pôr a cabeça para funcionar. Tudo isso não é apenas legitimo. O conhecimento da história também passa por essência sensitivas. É levar os alunos em algum lugar e pensar como era no início, como funcionava, como será que se trabalhava num lugar desse? Como não poderemos levar os alunos até Ouro Preto ou umas das cidades mineradoras. Mas pretendemos usar das imagens para invocar o que queremos que os alunos aprendam.
        Pretendemos que percebam além de ser um lugar antigo, as imagens revelaram entre outras coisas, um assentamento humano muito rápido, uma concentração da realidades social, aparentemente uma confusão urbanística tem a haver características inerentes da expansão territorial portuguesa aos moldes seguidos pelos portugueses de fundação de povoados, não tão dirigidos como os espanhóis Aquelas coisas de o Sérgio Buarque de Holanda instituiu e tratou muito bem no Raízes do Brasil em 1930.
        Temos aqui uma rapidez, uma coflituozidade, um caos que será então minimizado, ordenado a partir dos 20 anos dos séculos XVIII. Nós podemos sentir esse cenário com base nas dificuldades inerentes ao que o processo traz de características básicas. No século XVIII um dia interessa claro, noite e dia, mas interessam os ciclos da colheita, se tratando de uma sociedade basicamente agrária interessa o calendário litúrgico, as badaladas dos sinos da igreja, interessam os fins de semana com os dias de missa, com as festas, procissões. São ritmos de vida que tendem a intervalos de tempos matematicamente maiores do que nós vivemos. Mas ao mesmo tempo, um ano pode ser valorizado como uma eternidade de tempo, inclusive porque as expectativas de vida das pessoas eram menor.
        A partir de 1720 essa autoridade colonial já está melhor implantada, tem início então uma nova fase. A extração do ouro continua a crescer, mas essa vida social está mais regrada, não absolutamente regrada, porque jamais na vida colonial é regrada. Mas queremos dizer que é a autoridade colonial está bem implementada. Nessa região crescem os povoados e formas de controlar esses povoados e não atribuindo o estatuto formal de vilas. Por que isso acontece? Porque manter povoados sem estatuto de vila significa atribuir um documento, uma floral de vila. Uma vila deve ter necessariamente uma casa de cama de cadeia, deve ter um pelorinho, deve ter certas autoridades oficiais, ou seja quanto mais a coroa é obrigada a delegar poderes autônomos, acontece então uma diminuição desses espaços formalmente delegados de poderes autônomos em prol de um melhor controle da coroa. Em 1750, 1760 tem-se o auge da Mineração aurífera esse auge encontra Minas Gerais com suas formas de reprodução social muito bem consolidadas. A partir daí a decadência da Mineração não corresponderá a uma decadência em absoluto, mas vai implicando em modificações na forma de viver em Minas Gerais, no entanto na economia é capaz de diversificar a um crescimento agrícola nas Minas Gerais no final do século XVIII é uma complexibilidade dessa economia aurífera corresponde a uma complexibilidade geral da economia colonial se observa em toda parte na final do século XVIII. Temos uma possibilidade de dividir essa história da Minas Gerais nessas fases de advento, aceleração do assentamento humano, a conflitualidade, o estabelecimento do poder metropolitano até o bom funcionamento da minas no período de apogeu da Mineração, a decadência do ouro, a diversidade econômica e a complicação dessas Minas Gerais na cenário colonial e imperial.
         Observemos Minas Gerais num mundo mais amplo, tratamos de modo indicativo da riqueza das Minas Gerais, pra tratar das pobrezas das Minas Gerais com caracterização das estruturas sociais das Minas Gerais com formas um pouco especifica em relação a outros espaços da colônia. Temos que afirmar de que o ouro das Minas Gerais foi drenado para Inglaterra, exercem um indicativo positivo para Portugal que corresponde a uma aproximação duradoura de Portugal e Inglaterra. A Inglaterra se beneficia sem dúvida da sua posição hierárquica superior em comparação a Portugal no contexto das ações internacionais. E se Portugal está aumentando sua capacidade de fortalecimento econômico em função do ouro e em parte também do fortalecimento da Inglaterra. Mas isso não se faz de forma total absoluta. Memorial do Convento de Saramago tem como plano de fundo o reinado de Don João V e a construção do convento que teve início em 1717. Mesmo ano que teve início o governo do infeliz Conde Assomar na capitania de São Paulo e Minas do Ouro. Uma história com toda inteligência, com toda erudição da cultura histórica do Saramago é a história de gente comum que se entrelaça com a história do rei, da sua esposa com a história do Padre Bartolomeu de Gusmão. Com tudo isso nos oferecendo uma peça de imaginação incomparável para praticar esse exercício de sensibilização em relação a história, é pra tocar realmente tocar a história usamos como recurso subjetivos também, sabemos que não é uma obra documental do século XVIII, mas o nosso conhecimento de história está sempre no nosso presente.
        Tomando as características desse ritmo acelerado de acontecimentos populacional nas Minas nas primeiras décadas do século XVIII, já podemos pensar que tem mais gente que ganha com as Minas. Tem mais gente que enriquece com as Minas. Deixamos os donos das jazidas de lado. 
          Falamos dos fornecedores de manufaturados de fora das Minas, falamos dos comerciantes de subsistência conforme estudamos, também são proeminentes em larga escala os comerciantes de escravos que vendem uma mercadoria cara e que tradicionalmente exercem um comércio altamente lucrativo, em consideravelmente sabemos ficam na colônia e podem ser reinvestidos na colônia. Não são lucro exclusivos da metrópole ou de comerciantes metropolitanos, são inclusive lucros preponderantes de comerciantes radicados na colônia que praticam esse comércio entre o Brasil e a África muitas vezes sem interferência geral direta da coroa, isso está desenvolvido pelo Luiz Felipe de Alencastro no livro O trato dos viventes.
         A ideia de colonização que drena os recursos da colônia na sua totalidade para a metrópole se as minas estão precisando de escravos que exercem esse mercado no Sergipe, na Bahia, no Rio de Janeiro obviamente essa gente tem nas emergências das Minas Gerais, mais uma situação para lhes favorecer. A coisa é muito complicada em termos de pensar na extração direta desse ouro. Isso por um lado. Por outro é o que reportamos ao trabalho da Laura de Melo e Souza para se basear nas características das Minas Gerais levantamos três pontos básicos que relatam, isto é não golpearem em definitivo a ideia de possibilidade de enriquecimento com as Minas, do que outras regiões da colônia.
         Mão de obra nas Minas Gerais? Escrava. Quais são os valores sociais preponderantes na sociedade das Minas Gerais? Aqueles marcados pela escravidão, aqueles marcados e embasados no caldo cultural do catolicismo como religião oficial, a da sociedade estratificada, isto é, dividida em extratos que se organizam numa arquitetura de desigualdade naturalizada. Com pequena mobilidade entre esses pequenos extratos. Que podemos chamar de estamentos.  As Minas não criam uma estrutura social nova. O típico de sociedade é o mesmo. Uma sociedade escravista, colonial, estamental como em outras regiões, só que ali as ênfases são maiores em virtude do ouro.
         O Barroco famoso nessas Minas Gerais artístico e arquitetônico numa definição de um campo formal que pode ser considerado uma forma de sociedade diferente, uma definição de um estilo formal, mas também com definição mais ampla de uma sociedade. O que seria uma sociedade barroca? Seria uma sociedade que se comporta de um modo especifico. Que modo é esse? É uma sociedade que exterioriza as suas diferenças para reproduzi-las nas cenas públicas e ao mesmo tempo que essa sociedade eterniza as suas diferenças para reproduzi-las ela sublima essas diferenças. Está no livro de Affonso Ávila que é um grande estudioso da matéria, O lúdico e as projeções do mundo Barroco I. Umas das obras mais importantes a esse respeito, especificamente para as Minas Gerais. O Barroco como uma forma social mais ampla pode ser bem entendido na leitura da obra A cultura do Barroco de José Antônio Maraval, um autor espanhol.
           O que temos nas Minas Gerais pode ser chamado de Barroco do ponto de vista da estética, como vemos no detalhe da Fachada da Igreja de São Francisco de Assis. Isso pode ser Barroco no ponto de vista formal, ou pode ser uma manifestação de uma sociedade que precisa se fazer eloquente na cena pública, que precisa internalizar o funcionamento das desigualdades para que bem funcione.
           Dizemos aqui que há duas formas bem diferentes embora relacionadas de se entender o termo Barroco. É fato que sobretudo do século XX há uma invenção do Barroco Mineiro, como supostamente um signo da nacionalidade brasileira por meio de manifestações culturais que só seriam encontradas aqui. Se formos a Portugal, Espanha se vê manifestações muito parecidas em termos estéticos formais, concluímos que são sociedades que também funcionavam de modo muito semelhante do modo colonial, a invenção do Barroco parte de alguns elementos verossímeis, algumas coisas são marcadas nessas Minas Gerais em termos estéticos formais, seja em termos de organização da sociedade mas pressupor então uma originalidade, desemboca numa absurda diferença, porque então Aleijadinho e a sua escola tem de próprio se converte em absoluta originalidade. Esse é o problema da invenção do Barroco com distintivo de nacionalidade brasileira. Em última estância nós poderemos dizer, que a sociedade barroca o tempo todo prática regras de conduta pública, ela precisa colocar suas características para fora, ela se arruma para o público, ela é gestual, como uma recordação do comportamento da sociedade.

ALENCASTRO, Luiz Felipe. O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
AVILA, Affonso. O lúdico e as projeções do mundo Barroco I. Uma linguagem a dos cortes uma consciência a dos luces. 30 edição. Perspectiva, 1994
ARRIGHI. Giovanni. Longo século XX: O dinheiro, poder e as origens do nosso tempo. São Paulo. Unesp. 1995
BOXER, Charles Ralph. A idade de ouro do Brasil: dores de crescimento de uma sociedade colonial. 1962. 30 edição, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2000.
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: EDUSP,2004.
 FERRARI, Gilda N. Relações De Poder Em Minas No Século XVIII: Tributação e fiscalidade. Pedro Leopoldo, 2012. Disponível em:http://blog.newtonpaiva.br/direito/wp-content/uploads/2012/08/PDF-D6-14.pdf. Acesso dia 9 de outubro de 2015.
 SOUSA, Laura de Melo e. Desclassificados do Ouro: a pobreza mineira do século XVIII. Rio de Janeiro. Edição Geral. 1982.
 SARAMAGO, José. Memorial do Convento. São Paulo. Companhia das Letra, 2013.
 SCHWARTZ, Stuart B. Segredos Internos: Engenhos r Escravos na Sociedade Colonial, São Paulo, Companhia das Letras, 1995.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

1510 - Carlos V é proclamado rei do Sacro Império Romano Germânico


Príncipe da Casa de Habsburgo recebeu o título após decisão unânime de príncipes eleitores
Em 28 de junho de 1519, em Frankfurt, os príncipes eleitores elegem, por unanimidade, o príncipe da Casa de Habsburgo como novo rei do Sacro Império Romano Germânico com o título de Carlos V.
Carlos I da Espanha e V da Alemanha, nascido em Gante, Flandres, em 1500, era filho de Joana a Louca e de Felipe o Belo de Castela. Foi educado nos Países Baixos por Adriano de Utrecht e Guilherme de Croy, recebendo a influência dos humanistas do Renascimento, como Erasmo de Roterdã.
Em 1515 assumiu a governação dos Estados da Casa de Borgonha – os Países Baixos, o Franco Condado, Borgonha e Charolais – que lhe correspondiam por herança de sua avó paterna. Ao morrer seu avô materno, Fernando o Católico, em 1516, herdou as coroas unificadas de Castela, à qual se havia anexado no ano anterior a de Navarra - e dia após dia, iam sendo anexados os novos descobrimentos nas Índias – e de Aragão com seus domínios mediterrâneos de Nápoles, Sicília, Cerdaña e Rosellón.
Reprodução

Carlos V foi eleito de forma unanime pelos príncipes eleitores

Dono de tão extensos territórios, Carlos adotou em seguida o projeto de Mercúrio Gattinara, seu chanceler, de restaurar um império cristão universal, para o que deveria conseguir uma efetiva hegemonia sobre os restantes monarcas da Cristandade. Isto o enredou em guerras contínuas contra os opositores a tal hegemonia. Como rei da Espanha, Carlos suscitou importantes resistências desde a sua chegada ao país em 1517, devido a sua condição de estrangeiro, rodeado por uma corte de estrangeiros e com os olhos postos em objetivos políticos que excediam em muito os limites da Península Ibérica.
Sua política pouco respeitosa com a autonomia municipal somada à perspectiva de um rei ausente durante largos períodos e esfolando o reino com impostos para financiar suas aventuras europeias, determinaram as insurreições urbanas das comunidade de Castela (1520-21) e das Irmandades de Valencia e Mallorca (1519-24), que teve de esmagar militarmente.
A fim de aplacar os ânimos permaneceu uns anos na Península, onde contraiu matrimônio com sua prima Isabel de Portugal em 1526, como lhe haviam pedido as cortes de Castela.
Quanto a sua luta pela hegemonia na Europa, Carlos teve de se confrontar, na condição de líder da Cristandade contra o avanço dos turcos, que sob o reinado de Soliman o Magnífico, avançaram pelos Bálcãs até o coração da Áustria – primeiro assédio de Viena em 1529 e anexação da Hungria em 1541-, ao mesmo tempo que Barbarrúiva hostilizava a navegação no Mediterrâneo.
Carlos teve de travar também 4 guerras contra o rei “cristianíssimo” da França, Francisco I em 1521-26; 1526-29; 1536-38 e 1542-44, motivadas por diversos contenciosos territoriais na Itália e nos Países Baixos. Henrique VIII da Inglaterra e outros Estados europeus como Veneza, Florença, Suíça, Dinamarca e Suécia, se alinharam ocasionalmente à França, temerosos da hegemonia austríaca. Igualmente, a Santa Sé, sob o pontificado de Leão X e Clemente VII, lutou contra o imperador, quem não duvidou em autorizar seus exércitos que saqueassem Roma em represália em 1527.
Fonte: Opera Mundi

terça-feira, 28 de junho de 2016

Produções de História Moderna II mobilizam estudantes de História

Desafios para a construção dos novos educadores reflexivos e multiplicadores de autonomia
Profª Drª Ironita Policarpo Machado

Atualmente o desafio das licenciaturas é conceber e orientar os acadêmicos ao protagonismo formativo. Dito de outra forma, os nossos alunos farão em suas salas de aula o que fazemos com eles nas nossas. Da mesma forma que os alunos de nossos alunos orientarão suas práticas com base nas práticas de seus professores, nossos atuais alunos.
Portanto, as inspirações dos professores estão em grande medida pautados por “reflexos” ou exemplos de professores do passado (tanto teórico como prático). Nesse sentido, é inegável o papel das influências na formação profissional, assim, no semestre 2016/1, na disciplina de História Moderna II, desenvolvemos uma metodologia que proporcionasse aos acadêmicos do Curso de História um espaço de construção de autonomia, com o objetivo de valorizar a pesquisa e a criatividade pedagógica.
Mesmo diante de resistências, queixas e medos dos acadêmicos, insistimos na metodologia, que tem como pressuposto o aluno-educador e o professor-pesquisador. Os mesmos foram desafiados a resolver questões historiográficas referentes as temáticas da disciplina, a elaborar sínteses históricas e a elaborar propostas de recursos didáticos sobre as temáticas, focando em um ponto do conteúdo. A experiência teve como metodologia as orientações dos Grupos áulicos e a Metodologia da Problematização, adaptadas a realidade do ensino superior. Assim, aprendendo com os pares e construindo em aula uma experiência formativa – educativa, os alunos foram avaliados por sua capacidade de resolver problemas e por sua criatividade didática, e acompanhados em segurança teórico-metodológica e historiográfica.


Aqui estão alguns frutos destes graduandos que deram mais alguns passos a sua formação como educadores reflexivos e multiplicadores de autonomia:



As cabeças da Revolução Francesa - para visualizar clique aqui


Histórias e Memórias: Diários de uma Revolução - para visualizar clique aqui


Jogo da Vida Moderna - para visualizar clique aqui


Révolution FranceZine - para visualizar clique aqui

1914: Atentado em Sarajevo

No dia 28 de junho de 1914, um atentado na capital da província austríaca da Bósnia-Herzegovina matou o arquiduque Francisco Ferdinando e sua esposa, Sofia Chotek.
O arquiduque e a esposa, minutos antes do atentado
O estudante sérvio chamado Gavrilo Princip, de 19 anos, pertencente a uma associação secreta conhecida como Mão Negra, assassinou o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono da Áustria, e sua esposa. O atentado acabou deflagrando a Primeira Guerra Mundial.
Ocorrido na cidade de Sarajevo, na Bósnia, o ataque culminou com a declaração de guerra contra a Sérvia por parte do Império Austro-Húngaro. Os países europeus foram, um a um, arrastados para o conflito, que durou quatro anos, de 1914 a 1918.
Francisco Ferdinando foi morto a tiros, a curta distância, enquanto passeava por Sarajevo. A visita era uma tentativa do império, com sede em Viena, de demonstrar força na capital bósnia.
Princip era um dos sete conspiradores espalhados em pontos nevrálgicos da cidade de Sarajevo. Eram todos jovens, entre 17 e 20 anos, membros do movimento nacionalista que pretendia uma Grande Sérvia e inimigos da monarquia dos Habsburg.
Articulador foi outro
O articulador do atentado, entretanto, havia sido outro: o chefe do Departamento Sérvio de Informações, brigadeiro Dragutin Dimitrijevic. Seu objetivo foi evitar que se concretizasse a ideia de Francisco Ferdinando, que queria aumentar a influência dos eslavos em detrimento dos húngaros.
Hoje em dia, não restam dúvidas entre os historiadores de que os responsáveis pela morte do arquiduque – o núcleo do generalato sérvio, apoiado pelo emissário imperial russo em Belgrado – queriam eliminar o sucessor ao trono, cujo objetivo era integrar na sociedade imperial os insatisfeitos grupos étnicos eslavos da monarquia. Desta forma, seria evitado o perigo de uma ruptura dos territórios sulinos, ou seja, a Eslovênia, Croácia, Dalmácia e Bósnia.
A declaração de guerra que deflagraria o primeiro grande conflito mundial foi feito pelo Império Austro-Húngaro à Sérvia a 28 de julho. Foi a primeira de uma série, que acabaria envolvendo toda a Europa.
Em outubro de 1914, o autor e coautores do atentado foram julgados. Entre eles, um colegial de 18 anos, chamado Vaso Djobrilovic, condenado a 16 anos de prisão. Mais tarde, acabou sendo ministro durante cinco anos sob o governo de Tito.
  • Autoria Gerhard Appeltauer (rw)
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Memórias do AHR discute o impeachment de 1992!

A midiatização do Impeachment – Parte 1


Murilo Fernandes, 
acadêmico do curso de História 
III nível/UPF

Apesar da poeira já ter baixado um pouco, o processo de impeachment da presidente Dilma ainda está em andamento. Caso alguém não lembre, não tenha ouvido falar, ou não conheça (o que particularmente acho difícil), um caso um tanto semelhante já ocorreu em terras brasileiras, mais precisamente no ano de 1992, com o excelentíssimo, ilustríssimo, senhor Fernando Collor de Melo. Lembraram?  Pois bem, o intuito aqui não é lhes contar como foi o processo do impeachment de Fernando Collor - até porque ficaria extremamente resumido para caber neste pequeno artigo. O intuito é fazer um comparativo do processo de 1992 com o processo de 2016, através da mídia. A mídia, de modo geral, tem bastante influência nesses processos, pois muitas vezes (quase sempre) é usada de maneira política, para mobilizar, incentivar, incriminar, e por aí vai. Hoje, com a internet, e por sua vez, redes sociais e smartphones, a propagação de acontecimentos políticos chega a grande parte da população, e muito mais rápido que no longínquo ano de 1992. No ano citado, uma mídia bastante usada era a das revistas. Resolvi buscar reportagens de capa das duas mais “famosas” do período que ainda estão em circulação, e fazem parte do acervo de pesquisa do Arquivo Histórico Regional (vulgo AHR). Istoé e Veja. Como o afastamento da presidente Dilma já ocorreu, vamos partir do mesmo ponto em 1992, quando o então presidente Fernando Collor foi afastado. 29 de setembro foi dia. A Istoé publicou em 30 de setembro de 1992 a seguinte manchete – nada tendenciosa - de capa: “Fim do pesadelo, nessa semana começa a reconstrução do Brasil”. Na matéria fica bem claro o posicionamento da revista, pois há uma enxurrada de críticas e coisas do tipo “removido o problema Collor, virá o principal: reerguer o pais sobre terra arrasada”. A Veja, mais “contida” pelo que parece, tinha na capa uma foto do presidente de costas, indo “embora”, e a simples frase: “chegou a hora”. Na matéria aparecem coisas do tipo “Collor tenta controlar a debandada”, falando a respeito dos amigos (aliados políticos) que o abandonaram quando foi afastado. Apesar de não ter uma capa tão polêmica, também foi um tanto tendenciosa. Conseguem perceber a diferença de abordagem do mesmo acontecimento em ambas as revistas?

Vamos adiante. No dia 7 de outubro, outras duas capas, a da Istoé com a seguinte manchete: “Gustavo Krause. O ministro da fazenda de Itamar?”. Na matéria, questionam e criticam Itamar Franco (vice de Collor, que assumiu a presidência), sobre a nomeação de Gustavo Krause - cuja idoneidade é questionada - para o ministério da fazenda. A Veja traz a manchete “Início pífio. Itamar monta um ministério de compadres”. Na matéria surgem críticas sobre as “escolhas atrapalhadas” do presidente, e sobre os nomeados para seu governo. Em 4 de novembro, mais uma capa da Veja, dizendo: “Exclusivo! O que há no computador do esquema de Collor-PC (PC Farias): o manual para assaltar o estado”.

Agora vamos ao início do ano de 1993, analisando brevemente as manchetes de capa da Istoé. “Feliz ano-novo Brasil” (4 de janeiro). “Preços. Desafio de Itamar” (12 de janeiro). “As mulheres do presidente. Itamar escolhe Yeda Crussius (lembram dela?) para o planejamento e Luiza Erundina para Administração” (27 de janeiro). “Mestres da memória de Collor” – delatores que o incriminaram (3 de março). “E nós aqui, sofrendo. Itamar troca de ministros e reafirma sua autoridade, sem tirar o país da incerteza” (10 de março). “É o fim” - sobre a possível prisão de Collor (7 de abril). “Contra a inflação, orações” – crítica ao governo Itamar (24 de abril). “E agora, vai? Itamar tenta FHC na Fazenda” (26 de maio). Nesta última matéria, a Istoé enaltece muito a figura de Fernando Henrique Cardoso, que nas eleições posteriores foi eleito presidente (coincidência?).

Passamos agora para a Veja. “O que é preciso para dar certo. Itamar concerta o governo” (6 de janeiro). “O que há na cabeça de Itamar” – sobre suas intenções no governo (10 de março). “Sexo, drogas, e brigas na Casa da Dinda” – Casa da Dinda era uma mansão de Collor, e as acusações partem de seu irmão Pedro Collor (17 de março). “A crise e o homem. O papel de um presidente num país sem rumo” (19 de maio). “A grande tacada! Desafio de FHC é a última chance de Itamar” (26 de maio). Nesta matéria, a Veja também, de certa forma, enaltece Fernando Henrique Cardoso. Após esse período, manchetes de capas sobre o assunto ficam escassas, tanto em uma revista quanto na outra. Mas a questão é: conseguem perceber as diferentes abordagens para os mesmos temas, e o quanto isso pode vir a influenciar a população? Vale a tentativa de reflexão sobre o assunto.


*O AHR informa que o artigo publicado nesta seção destaca opinião de seu escritor.

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segunda-feira, 27 de junho de 2016

1933: DVP e DNVP se dissolvem

Com a dissolução dos dois partidos a 27 de junho, o gabinete de governo da coalizão, formado pelo NSDAP, o Partido Popular Nacional Alemão (DNVP) e o Stahlhelm, estava reduzido a Hitler, Wilhelm Frick e Hermann Göring.
Os líderes políticos da República de Weimar acreditavam que "esses oportunistas" se desgastariam rapidamente na rotina da agenda política, dominada pela crise econômica e o problema de seis milhões de desempregados. Preconizavam-lhes o mesmo destino dos demais 14 governos da República de Weimar, que tiveram de capitular.
Previam que o Partido Nazista perderia o brilho inovador, que procurava irradiar desde 14 de setembro de 1930. Nas eleições daquele dia, 6,5 milhões de alemães votaram na legenda de Hitler e a transformaram na segunda principal força do Reichstag (Parlamento), superada apenas pelo Partido Social-Democrata (SPD).
Ao mesmo tempo, o Partido Popular Alemão, do Prêmio Nobel da Paz Gustav Stresemann, perdeu um milhão votos. Pior ainda foi o resultado do DNVP, do barão da mídia Alfred Hugenberg, castigado pela perda de dois milhões de votos. O então chanceler imperial Heinrich Brüning tinha "um medo terrível" dos comunistas, mas não contava com o crescimento assustador do Partido Nazista.
A 27 de julho de 1932, a poucos dias das novas eleições de 31 julho para o Reichstag, Adolf Hitler anunciou em Berlim o que faria com as demais agremiações partidárias, caso conquistasse o poder. "Eles nos acusam de não tolerarmos outros partidos além do movimento nazista. Eu declaro aqui, diante de vocês e de toda a nação alemã, que realmente é nosso objetivo eliminar esses 30 partidos da Alemanha", disse.
Nas eleições de julho, os nazistas elevaram seu número de mandatos no parlamento de 107 para 230. Parecia ser impossível conter Hitler na marcha para o poder. O presidente do Reichstag não gostava dele e tentou impedir sua candidatura à chancelaria. Seu candidato preferido, Franz von Papen, um dos antecessores de Hitler no cargo de chanceler, sabia que era inviável formar um novo governo sem a participação dos nazistas.
Por isso, propôs que se desse a Hitler o cargo por ele ambicionado, cercando-o, ao mesmo tempo, de lideranças capazes de limitar seu poder. Von Papen, um aristocrata oportunista de reduzida habilidade intelectual, acreditava que ele próprio e Hugenberg, líder do DNVP e dono de um império das comunicações, eram os homens certos para controlar Hitler.
A comunidade internacional tanto confiou nesse plano de von Papen que aceitou sem maiores protestos a nomeação de Hitler ao cargo de chanceler alemão. Já no dia 11 de fevereiro de 1933, Alfred Hugenberg não estava mais absolutamente seguro da possibilidade de controlar o ditador e começou a temer um esfacelamento do movimento nazista. O DNVP do empresário das comunicações servira de refúgio para a fragmentada direita alemã, após a derrocada do império, a 24 de novembro de 1918.
O partido apoiava os interesses políticos e econômicos das velhas elites imperiais e o restabelecimento da monarquia, negava a culpa exclusiva da Alemanha pela Primeira Guerra Mundial e pedia a revogação do Tratado de Versalhes, bem como a devolução dos antigos territórios alemães (inclusive as ex-colônias). Os jornais do conglomerado Hugenberg inundaram a Alemanha com a propaganda antisemita, antidemocrática e antirrepublicana do DNVP.
O DNVP, que rejeitou a constituição da República de Weimar, tornou-se o principal coveiro do regime democrático e preparou o terreno para a ascensão dos nazistas ao poder. Mas isso não impediu que, apesar dos três milhões de votos obtidos nas últimas eleições democráticas da Alemanha antes do nazismo, a 5 de março de 1933, Hitler decidisse acabar com o partido. Munido de poderes imperiais, o ditador proibiu o Partido Comunista Alemão e classificou o Partido Social-Democrata como "organização inimiga do estado e do povo".
O DNVP de Hugenberg foi obrigado a se dissolver a 27 de junho de 1933. O mesmo destino teve, dois dias depois, o esfacelado Partido Popular Alemão (DVP), pró-republicano, que havia proporcionado um período de relativa tranquilidade e reconhecimento internacional para a Alemanha. Depois disso, Hitler pôde governar como ditador absoluto do Terceiro Reich.
  • Autoria Frank Gerstenberg (gh)
  • Link permanente http://dw.com/p/1FUu