domingo, 29 de maio de 2016

Segundo programa da 5ª Temporada do Programa Momento Patrimônio

Foto: Reprodução
O tema da segunda edição do Programa Momento Patrimônio será “Contestado: patrimônio histórico e cultural”. Esse episódio faz parte da 5ª Temporada, que mostra o patrimônio em diferentes partes da região sul do Brasil. A UPFTV exibe o programa nesta sexta-feira (27/05), a partir das 21h.

O programa vai apresentar a região denominada "Contestado", que abrangia cerca de 40 mil quilômetros quadrados entre os atuais estados de Santa Catarina e Paraná, disputada por ambos, uma vez que até o início deste século a fronteira não havia sido definitivamente demarcada. Fazem parte dessa região as cidades de Caçador e Irani, que junto com outras cidades da região foram palco de um dos mais importantes movimentos sociais do país, ocorrido no início do século XX e com repercussões ainda hoje.

Este segundo programa conta com a participação dos professores Dr. Adelar Heinsfeld e Dr. Henrique Kujawa e a mediação será feita pela coordenadora do projeto Momento Patrimônio e professora do Programa de Pós-Graduação em História (PPGH), Ironita Policarpo Machado.

O Momento Patrimônio é vinculado ao Centro de Cultura Memória e Patrimônio da UPF e é coordenado pelo PPGH. Um dos principais objetivos do programa é conscientizar a população sobre a importância do patrimônio histórico, cultural e natural de Passo Fundo e região.

UPFTV
O programa será reprisado no sábado (28/05), às 20h30min, e no domingo (29/05), às 18h30min. A UPFTV pode ser sintonizada pelos canais 4 da TV aberta ou 14 da Net.

Fazendo História na escola Prestes Guimarães!

Notícia publicada no Caderno DM na Sala de Aula, 26 e 27/05/2015, pg. 7


sexta-feira, 27 de maio de 2016

1959: Expira ultimato soviético para Berlim

No dia 27 de maio de 1959 terminava o prazo de seis meses concedido pela União Soviética para que os Aliados se retirassem de Berlim.
Kruchev ao anunciaro ultimato em Moscou em novembro de 1958
Em 1958, o vice-primeiro-ministro da Alemanha Oriental, Walter Ulbricht, deu os primeiros sinais inconfundíveis do início de uma prova de força. Ele disse que Berlim inteira situava-se em território da República Democrática Alemã (RDA) e, portanto, pertencia à área de soberania da Alemanha comunista.
Um discurso no mesmo tom foi feito pelo chefe de partido e de governo da União Soviética, Nikita Kruchev, no dia 10 de novembro de 1958, em Moscou. Ele afirmou que as potências ocidentais não tinham bases legais para continuar ocupando Berlim.
O que mais irritou no discurso de Kruchev não foi o anúncio de que os órgãos soviéticos entregariam à RDA tudo o que ainda controlavam em Berlim e, sim, a prepotência da declaração. O social-democrata Willy Brandt, então prefeito de Berlim Ocidental, percebeu exatamente as intenções dos soviéticos: "A meta é submeter Berlim inteira à influência soviética, como já foi tentado com a introdução do marco oriental", disse Brandt.
Ultimato e reveses
A situação, porém, complicou quando Nikita Kruchev apresentou um ultimato às três potências aliadas (Estados Unidos, Reino Unido e França), no dia 27 de novembro de 1958. Ele exigia a transformação de Berlim numa "unidade política autônoma" com o status de "cidade livre desmilitarizada".
No prazo de meio ano, as negociações sobre Berlim deveriam resultar numa solução. Do contrário, a União Soviética entraria em acordo com a RDA para que esta tomasse toda Berlim, cujo território estava encravado dentro da Alemanha comunista.
A Alemanha Ocidental reagiu preocupada, mas sem entrar em pânico. Os participantes da reunião do Conselho da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) rejeitaram, decididamente, a reivindicação soviética. Kruchev foi adiante e apresentou, em janeiro de 1959, uma proposta de acordo de paz, evidenciando seu plano de enxotar da Alemanha as potências ocidentais.
A partir daquele momento, tanto o governo e a oposição na Alemanha Ocidental quanto os Aliados tentaram forçar a União Soviética a negociar, através de várias iniciativas e conferências. No começo de maio de 1959, o ministro das Relações Exteriores da URSS, Andrei Gromyko, finalmente concordou em participar de uma conferência com seus colegas ocidentais de pasta.
O encontro em Genebra, entretanto, não trouxe resultados, porque o assunto principal das negociações, a questão de Berlim,continuou sem solução. Mas o êxito desses esforços foi que, em 27 de maio de 1959 — dia em que expirou o ultimato soviético — as potências mundiais estavam sentadas à mesa de negociações e o conflito militar foi evitado. A visita de Kruchev aos Estados Unidos, no mesmo ano, melhorou as relações entre os dois blocos.
  • Autoria Otto Busch (gh)
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quarta-feira, 25 de maio de 2016

Vestibular de Inverno UPF oferece Plano de Apoio Estudantil pré-aprovado

Com o objetivo de facilitar o acesso ao ensino superior, a Universidade de Passo Fundo (UPF) oferece aos alunos ingressantes no Vestibular de Inverno o Plano de Apoio Estudantil (PAE) pré-aprovado. O benefício também é concedido aos estudantes matriculados por ingresso especial nas modalidades de transferência, reingresso ou reabertura no semestre 2016/2.

O PAE UPF é um programa de crédito que garante aos matriculados das graduações da Instituição a oportunidade de cursar a faculdade pagando somente 50% do valor das mensalidades. Os 50% restantes deverão ser restituídos à UPF pelo aluno após a conclusão do curso, com um ano de carência. Com a pré-aprovação, o desconto já incide sobre a parcela da matrícula.

Quem pode participar?
Aprovados no processo seletivo do vestibular ou matriculados por ingresso especial nas modalidades de transferência, reingresso ou reabertura no semestre 2016/2, quando a renda familiar bruta for igual ou inferior a 15 salários mínimos e a renda per capita do grupo familiar for de até 3,5 salários mínimos, patrimônio compatível com esta renda.

Inscrições
As inscrições poderão ser feitas no ato da matrícula do acadêmico ingressante por meio de vestibular, com o preenchimento de ficha de inscrição disponível no edital do Plano. Já os alunos que ingressarem nas modalidades de regime especial – por reingresso, transferência ou reabertura – farão sua inscrição por meio do preenchimento de ficha de inscrição, junto à Central de Atendimento ao Aluno (CAA) ou nas secretarias dos campi. Também é necessário apresentar a documentação exigida, que pode ser conferida no edital. A entrega deverá ser feita no período de 14 de junho a 30 de julho.

Mais detalhes sobre o PAE UPF podem ser encontrados no edital do programa, disponível no site www.upf.br/editais, ou consultados em contato pelo telefone (54) 3316-7000.

Sexta-feira tem estréia do Momento Patrimônio na UPFTV!


sábado, 21 de maio de 2016

1975: Começa julgamento de líderes da RAF

Marcado por um forte esquema de segurança, começou no dia 21 de maio de 1975, próximo a Stuttgart, o julgamento dos líderes da Facão do Exército Vermelho (RAF), responsável por atentados, sequestros e mortes.
O julgamento foi um dos principais da história do pós-Guerra na Alemanha. Como Stammheim, onde foi instalado o tribunal provisório, não dispusesse de uma corte, foram gastos 12 milhões de marcos para a construção de um salão ao lado das prisões onde estavam os terroristas. As autoridades responsáveis pela segurança e a maioria da opinião pública consideravam os réus as quatro pessoas mais perigosas do país na época.
Gudrun Ensslin, Andreas Baader, Ulrike Meinhof e Jan-Carl Raspe, os líderes do grupo terrorista de esquerda Facção do Exército Vermelho (RAF, na sigla em alemão), eram acusados de fazer parte de uma organização criminosa e foram responsabilizados por seis atentados a bomba, além da resistência à prisão. Os assaltos a bancos, falsificação de documentos e a tentativa de homicídio contra um policial foram excluídos pela promotoria pública.
O escritor alemão Heinrich Böll chegou a comparar os atos dos terroristas de esquerda a "uma luta de seis contra 60 milhões", numa alusão a população alemã na época. No total, cerca de 30 pessoas morreram vítimas de ações da RAF. Depois que os líderes foram presos, em 1972, os demais integrantes do grupo concentraram-se em realizar sequestros para negociar a libertação dos detidos em troca de reféns.
Adaptação da lei
A legislação alemã chegou a ser alterada em vários aspectos especialmente para o julgamento dos quatro líderes da RAF. Entre estas mudanças, dois pontos polêmicos: as audiências podiam ser realizadas na ausência dos réus e suas conversas com os advogados não eram sempre privadas.
O ministro alemão do Interior no governo Schröder, Otto Schily, na época advogado de Gudrun Ensslin, criticou o que chamou de intervenção do Estado num direito fundamental de privacidade entre o advogado e seu cliente.
Enquanto a promotoria pública fazia de tudo para garantir o fim do julgamento sem incidentes, com a condenação dos réus, estes queriam uma discussão aberta contra o odiado sistema político. Neste sentido, a defesa insistia no aspecto político do julgamento.
Condenação à prisão perpétua
A sentença foi proclamada depois de 192 sessões, em 28 de abril de 1997. Baader, Raspe e Ensslin foram condenados à prisão perpétua. Ulrike Meinhof já não estava mais presente. Ela havia se suicidado em sua cela, um ano antes.
O grande confronto entre a RAF e o governo, mais tarde conhecido como Deutscher Herbst (Outono Alemão), ainda estava por vir. O rapto e morte do presidente da Confederação da Indústria Alemã, Hanns Martin Schleyer, e o sequestro de um avião com turistas alemães por terroristas palestinos.
Baader, Ensslin e Raspe cometeram suicídio em suas celas na noite após a condenação. Atos isolados de terror ainda preocuparam a Alemanha até abril de 1998, quando a Facção do Exército Vermelho anunciou oficialmente o fim da luta armada.
  • Autoria Jens Thurau (rw)
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sexta-feira, 20 de maio de 2016

Fazendo História na Espanha, por Joana Fonseca de Almeida

          



  Sou estudante de História Licenciatura na Universidade de Passo Fundo, e em 2016 foi possível realizar um intercâmbio acadêmico institucional com o apoio do programa PIAC - um convênio entre a Universidade de Passo Fundo e algumas universidades conveniadas de outros países. A minha escolha foi a Universidade de Málaga, no sul Espanha, com intuito de ampliar meus conhecimentos na área de História, praticar e aperfeiçoar o idioma espanhol. Sobretudo, a seleção da Espanha como país de destino deve-se por ser um dos países que foi o berço da civilização ocidental, o que permite expandir conhecimento históricos e estar inserida em um contexto e cultura diferentes. De verdade, a oportunidade de um intercambio interinstitucional é simplesmente rica e fantástica!
            Antes de ingressar nesta experiência estudantil eu resumia intercâmbio acadêmico a experiência pessoal e profissional, mas, francamente, não posso restringir somente a isso. O impacto de estar imerso em um outro país, em uma sociedade com uma cultura distinta, repleta de bagagens sociais e culturais, vai para além de uma mera experiência prática. No decorrer do intercâmbio, no que diz respeito ao âmbito pessoal, posso dizer que é uma “caixa de surpresas”, que complementa minha formação pessoal, pela possibilidade de não somente conhecer outra cultura, mas se adaptar e participar dela, adquirindo um novo estilo de vida e uma nova forma de fazer o cotidiano, descobrindo costumes, hábitos, tradições, formas de pensar, diferentes perspectivas, histórias e interagir com pessoas de todos os lados do mundo. Desse modo, por meio do cotidiano do país, foi importante descobrir também um pouco mais de mim, dos meus méritos, conquistas e conhecimentos que também valem para o mundo e me fazem melhorar como pessoa.
            Além disso, um dos benefícios de ter optado pela Europa é a existência de plano de voos “low cost”, em que as companhias aéreas vendem passagens a baixos preços, oportunizando a realização de viagens no decorrer do período de intercambio – assim, estou tendo a chance de conhecer diferentes cidades e países da Europa, interagindo com pessoas de todos os lugares do mundo, trocando experiências, compartindo história e momentos, e claro, conhecendo a realidade social e cultural de diferentes lugares.
            Já a experiência como estudante internacional, visto que a metodologia didática é consideravelmente diferente do Brasil, posso pontuar que permitiu aprender e expandir conhecimentos, ampliando minha visão de mundo com novas concepções de leitura, de estudos e de investigação histórica. Eu optei por me matricular em quatro disciplinas distintas que proporcionam multiplicar meu potencial e minha formação acadêmica. Sobretudo quem estuda História sabe que o universo historiográfico é fascinante e amplo, e ter a oportunidade de uma educação continuada que alimenta essa diversidade histórica é muito apaixonante. Em geral, as disciplinas de História que curso aqui – “Politica, Cultura e Gênero no Mundo Atual”, “Tendências Historiográficas II: Do período entre guerras até a atualidade”, “História Universal Contemporânea II” e “Filosofia e Investigação Historiografia” – me oportunizaram a pensar historicamente o mundo e as sociedades por uma nova perspectiva, mudando e desenvolvendo minha capacidade de compreensão e de análise história, além de um maior contato com novas fontes bibliográficas.

            De verdade, esta experiência está sendo de muita importância para minha vida, para meu crescimento pessoal, acadêmico e profissional, superando todas as expectativas que eu tinha antes de chegar aqui.   

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Vestibular UPF: conheça as respostas para as dúvidas mais frequentes dos candidatos


1929: Primeiro Oscar

No dia 16 de maio de 1929, a Academia de Arte Cinematográfica e Ciências, criada dois anos antes, concede num hotel em Hollywood, pela primeira vez, prêmios aos melhores filmes.
Oscar Statue Roter Teppich
O Prêmio da Academia foi criado a 11 de maio de 1927, num banquete da recém-criada Academy of Motion Pictures Arts and Sciences. A ideia de agraciar os destaques do cinema com um prêmio foi de Louis Mayer, então presidente dos estúdios Metro-Goldwyn-Mayer (MGM).
A estatueta, mais tarde batizada de Oscar, foi criada por Cedric Gibbons, diretor de arte da MGM. Ela representa um cavaleiro com uma espada, de pé sobre um rolo de filme. As cinco divisões do rolo simbolizavam as cinco categorias em que o prêmio era distribuído: atores, diretores, produtores, técnicos e roteiristas.
Em 1928, a estatueta foi fundida em bronze pelo escultor George Stanley e revestida com uma fina camada de ouro. Desde 1930, no entanto, sua produção ficou um pouco mais elaborada, sendo inicialmente fundida em metal bretanha, depois cobre, seguido de níquel e prata. Cada etapa é seguida de um polimento especial, até finalmente o revestimento com a fina camada de ouro.
Prêmios incomuns
Ao longo da história, entretanto, também foram distribuídos alguns prêmios incomuns. Como os de Edgar Bergen, em 1937, que recebeu uma estatueta de madeira com queixo móvel, e Walt Disney, que em 1938 levou um Oscar com sete miniaturas, para Branca de neve e os Sete Anões. Durante a Segunda Guerra Mundial, o cobiçado prêmio foi entregue em gesso aos agraciados, que puderam trocá-lo pelo original em metal depois do final do conflito.
Oficialmente, o Oscar chama-se The Academy Award of Merit. Seu apelido surgiu em meados da década de 30. A versão mais divulgada é que a então secretária da Academia, Margaret Herrick, teria dito ao ver a estatueta pela primeira vez: "Mas parece com meu tio Oscar".
A primeira cerimônia de entrega do prêmio aconteceu durante um banquete no Hollywood Roosevelt Hotel, dia 16 de maio de 1929, quando o filme sonoro ainda engatinhava. 250 membros da academia pagaram 10 dólares para participar da festa. O júri de cinco pessoas decidiu sobre os 15 Oscars: o melhor ator foi o alemão Emil Jannings, pela sua participação em The Way of All Flesh.
Nos primórdios do Oscar, a lista dos vencedores era dada à imprensa de antemão, que só podia publicar a lista às 23 horas. Quando, em 1940, um jornal de Los Angeles furou a divulgação, foi introduzido o sistema dos envelopes lacrados.
No começo, eram concedidos dois prêmios aos melhores atores e atrizes, e um Oscar para o melhor filme, melhor diretor, melhor roteirista, câmera e direção de arte. Além disso, já na primeira edição, em 1929, foram concedidos prêmios especiais à Warner Brothers pela produção do primeiro filme sonoro e para Charlie Chaplin pelo Circo.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

1959: Aberta conferência de Genebra sobre a Alemanha

No dia 11 de maio de 1959, os ministros do Exterior dos Estados Unidos, da Inglaterra, da França e da Rússia reuniram-se em Genebra para uma conferência que duraria três meses.
Mesas separadas para representantes das duas Alemanhas
O contraste não poderia ser maior quando os ministros do Exterior das quatro potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial encontraram-se em Genebra para uma conferência que duraria quase três meses.
Num dos lugares mais bonitos da Europa, a idílica e tranquila cidade às margens do Lago de Genebra, seria negociada a solução de uma das maiores crises da Guerra Fria. O tema da conferência iniciada no dia 11 de maio de 1959 era a situação de Berlim e o futuro da Alemanha.
Pressão russa
Não fazia mais que dez anos desde que o prefeito de Berlim na época, Ernst Reuter, lançara um desesperado apelo mundial: "Povos do mundo, observem esta cidade!". Pouco tempo antes, a primeira crise berlinense tinha sido encerrada sem maiores consequências, graças à intervenção das potências ocidentais. Os russos desistiram do bloqueio feito a Berlim Ocidental.
Porém, em 10 de novembro de 1958, o secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, Nikita Krutchev, pronunciou um importante discurso no Palácio dos Esportes em Moscou, no qual ele voltava a ameaçar Berlim.
A cidade deveria ser unificada, desmilitarizada e declarada autônoma. Isso deveria ocorrer dentro do prazo de seis meses. Caso contrário, seria concedida completa soberania à Alemanha Oriental. Krutchev descreveu as consequências eventuais de tal medida: "… isso significa que ela terá de exercer a sua soberania em terra, nas águas territoriais e no espaço aéreo! Ao mesmo tempo, serão suspensos todos os contatos com os representantes das Forças Armadas e outras autoridades dos EUA, do Reino Unido e da França, em questões relacionadas com Berlim!".
Superar a divisão da Alemanha
Dez anos após Ernst Reuter, o prefeito de Berlim chamava-se Willy Brandt. Sua reação ao ultimato de Krutchev: "Não existe uma solução isolada para a questão de Berlim. Se há que contribuir para a distensão e a reunificação da Alemanha, conforme afirma entre outras coisas a nota soviética, então não se trata neste momento da questão de Berlim, mas sim de superar a divisão da Alemanha. É sobre isso que se tem de negociar e não sobre uma mudança da situação de Berlim".
As potências vencedoras acertaram a realização de uma conferência para tratar da questão alemã, antes que vencesse o ultimato. Pela primeira vez, foi aceita a participação dos alemães ocidentais e orientais como observadores – uma concessão feita por Moscou. No dia 11 de maio de 1959, os ministros de Relações Exteriores Gromyko, Lloyd, de Murville e Herter reuniram-se no Palácio das Nações, em Genebra.
Plano Herter
O secretário de Estado norte-americano Christian Herter apresentou um plano que ficou conhecido pelo seu nome, a primeira resposta construtiva do Ocidente ao ultimato de Krutchev. Ele previa um processo de quatro fases para a reunificação alemã: a reunificação de Berlim sob a égide das quatro potências, a criação de uma comissão para toda a Alemanha, eleições livres para uma assembleia constituinte de toda a Alemanha e, finalmente, um acordo de paz, mas somente com uma Alemanha reunificada.
Da sua parte, Andrei Gromyko criticou inicialmente que as negociações de paz tivessem sido postas no final do processo. Porém, o que mais incomodou Moscou foi o primeiro ponto do plano. O objetivo do ultimato de novembro e o interesse russo eram uma eliminação da tutela das quatro potências sobre Berlim. O plano sugeria o contrário, a extensão do controle conjunto a toda a cidade – uma proposta inaceitável para Moscou.
Exigências de Krutchev
No dia 20 de junho, a conferência decidiu suspender os trabalhos por três semanas, para buscar um consenso através de contatos bilaterais. Tês dias depois, Krutchev demonstrou que não estava muito disposto a um consenso, afirmando ao emissário ocidental Averell Harriman: "Esteja certo de que não aprovarei a reunificação alemã, se não estiver previsto um sistema socialista para a Alemanha".
Depois disso, Herter rechaçou todas as ofertas russas anteriores e propôs que uma minuta alemã fosse aceita como resolução final da conferência. Essa proposta sugeria que a conferência de Genebra fosse transformada num grêmio permanente, a fim de que se chegasse a uma solução da questão alemã, através de negociações contínuas.
Quando Gromyko rejeitou também essa última proposta, a conferência foi dada como fracassada. No dia 5 de agosto, as quatro potências deixaram Genebra sem qualquer resultado concreto.
Promessa vã
A União Soviética deixou esgotar o prazo do ultimato de novembro, mas Moscou ainda não havia desistido do seu intento, conforme se pôde constatar apenas três anos depois.
"Ninguém tem a intenção de construir um muro!", afirmou o presidente do Conselho de Estado da RDA, Walter Ulbricht. Mas isso foi feito, cimentando a divisão alemã. A fracassada conferência dos ministros de Relações Exteriores de 11 de maio de 1959, em Genebra, foi a última tentativa das antigas potências aliadas, vencedoras da Segunda Guerra Mundial, de terminar desta maneira com a Guerra Fria.
Somente depois da derrocada do Pacto de Varsóvia e da queda do Muro de Berlim, 30 anos mais tarde, é que os Estados Unidos, o Reino Unido, a França e a União Soviética voltaram a negociar sobre o futuro da Alemanha. Nas chamadas "Conversações 4 + 2", ou seja, com a inclusão de representantes da Alemanha Federal e da RDA, foi suspensa a divisão alemã e encerrado definitivamente o pós-guerra na Europa.
  • Autoria Dirk Kaufmann (am)
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segunda-feira, 9 de maio de 2016

1976: Ulrike Meinhof é encontrada morta na prisão

Em 9 de maio de 1976, a terrorista alemã Ulrike Meinhof é encontrada morta na cela de número 719 na prisão de Stuttgart-Stammheim. Ela havia sido condenada como uma das líderes da Fração do Exército Vermelho.
Ulrike Meinhof após prisão em Hannover, em 16 de junho de 1972
Era Dia das Mães e 31º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial quando Ulrike Meinhof foi encontrada morta na cela 719 da prisão de Stuttgart-Stammheim, na manhã de 9 de maio de 1976. A jornalista que se tornara a inimiga número um do Estado alemão enforcara-se na grade da janela com tiras feitas de uma toalha.
Mãe de duas adolescentes, ela parecia ter optado pelo suicídio nesse dia, com a intenção de chamar a atenção, pela última vez, para sua luta contra a guerra, o fascismo, os velhos nazistas, o sistema político da República Federal da Alemanha, e em defesa dos direitos humanos.
Meinhof não deixou nenhuma carta de despedida a suas filhas ou a seus companheiros de prisão, os militantes da Facção do Exército Vermelho (RAF) Andreas Baader, Gudrun Ensslin, Jan-Carl Raspe e Irmgard Möller.
O fato foi interpretado por uma comissão internacional de inquérito como um indício de que a morte não teria sido suicídio. No enterro, em 16 de maio de 1976 no bairro de Mariendorf (então Berlim Ocidental), o editor Klaus Wagenbach disse que ela "sucumbiu às circunstâncias alemãs".
Vida entre dois mundos
Ulrike Maria Meinhof ganhara fama nacional em 1961, durante um processo contra o então ministro da Defesa, Franz-Josef Strauss. Ela era porta-voz da ala antinuclear do movimento socialista estudantil, filiada ao clandestino Partido Comunista Alemão (KPD), e redatora-chefe da revistaKonkret, financiada pelo partido. "Assim como os nossos pais são questionados a respeito de Hitler, um dia nós seremos questionados a respeito de Strauss", escreveu num editorial.
Nazismo, rearmamento, perigo nuclear e pacifismo foram palavras-chave na vida e obra de Meinhof. Órfã desde 1948, casou-se com o editor de Konkret, Klaus Rainer Röhl, em 1962. Em meados da década de 60, ambos viviam entre dois mundos: circulavam na alta sociedade de Hamburgo e, ao mesmo tempo, apoiavam grupos socialmente marginalizados.
De início jornalista burguesa-esquerdista, o caminho de Meinhof para tornar-se cofundadora e ideóloga radical da Facção do Exército Vermelho começou com a morte do estudante Benno Ohnesorg, baleado por um policial durante uma manifestação, em 2 de junho de 1967. E reforçou-se com o atentado contra o líder estudantil Rudi Dutschke, em 11 de abril de 1968.
A chamada Oposição Extraparlamentar (APO) e os grupos de esquerda viam a Alemanha Ocidental a caminho de se tornar um Estado policial. Eles responsabilizavam o governo do chanceler federal Kurt Kiesinger e os jornais do grupo editorial Springer pelos atos de truculência da polícia e da direita.
A partir daí, a professora universitária cristã Ulrike Meinhof mudou radicalmente de opinião a respeito do uso da violência como instrumento da política. A pretexto de escrever um livro sobre jovens marginalizados em coautoria com Andreas Baader (condenado por haver incendiado um estabelecimento comercial), ela organizou a visita do preso ao Instituto de Questões Sociais de Berlim, em 14 de maio de 1970.
Salto para a clandestinidade
Andreas Baader (e) e Gudrun Ensslin recebem sentença no processo por atos incendiários, em 31 de outrubro de 1968
Gudrun Ensslin e outros deveriam invadir o instituto e libertar Baader. Ulrike Meinhof se mostraria surpreendida. O plano falhou: um funcionário do instituto foi gravemente ferido; Meinhof e Baader pularam a janela, entrando na clandestinidade. No dia seguinte, ela passaria a ser procurada como criminosa por "tentativa de assassinato – recompensa: 10 mil marcos".
Sob a liderança de Meinhof, Baader e Ensslin, a RAF sacudiu a Alemanha Ocidental com sequestros e atentados a bomba. Para Meinhof, a luta armada terminou no dia 9 de maio de 1976, depois de três anos de prisão, isolamento e greves de fome. O poeta Erich Fried declarou: morreu "a mulher mais importante na história da Alemanha desde Rosa Luxemburgo".
Também Baader, Ensslin e Raspe suicidaram-se na prisão, em 19 de outubro de 1977, depois de fracassados os sequestros do presidente da Confederação Alemã dos Empregadores, Hans-Martin Schleyer, e de um avião da Lufthansa. Os dois sequestros tinham por objetivo libertar os terroristas.
Mais tarde, descobriu-se que a Justiça alemã usara métodos questionáveis para combater o terrorismo. Conversas entre os terroristas e seus advogados foram gravadas secretamente, e os terroristas presos teriam recebido pacotes com cordas, numa sugestão para que se enforcassem. O ex-ministro do Interior da Alemanha, Otto Schily, na época advogado de defesa dos terroristas da RAF, declarou em 1995, que "nunca teria imaginado que algo assim fosse possível na Alemanha".
  • Autoria Frank Gerstenberg (gh)
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sábado, 7 de maio de 2016

Memórias do AHR discute a Boca Maldita


"A Boca falou, seu doutor, está falado, sim senhor"

Sábado, 07/05/2016 às 10:25, por Arquivo Histórico Regional

Profa. Gizele Zanotto (PPGH/UPF)
O processo de redemocratização no Brasil foi vivenciado em anos de abertura controlada pelo governo militar. A partir de 1979, mais efetivamente, esta proposta será implementada progressivamente dando ensejo para que grupos, movimentos, sociedades, categorias profissionais e estudantis, etc., paulatinamente retomassem os espaços públicos em manifestações pró-democracia e pró-liberdade.
Em Passo Fundo, por iniciativa do Dr. Irineu Gehlen e apoio de amigos e colegas, foi implementada a Sociedade Civil Boca Maldita, de caráter filantrópico-cultural, em 05 de abril de 1982. A motivação para sua fundação deriva do conhecimento da primeira Boca Maldita brasileira, fundada em Curitiba, que inspirou a criação também na cidade. Segundo o Estatuto da Sociedade, seu principal objetivo é dar oportunidade de fala aos interessados em defender a liberdade de pensamento. Pouco depois da fundação oficial da Sociedade um monumento foi inaugurado na atual República dos Coqueiros, na Rua General Neto (canteiro central defronte à Catedral Arquidiocesana de Passo Fundo). Nesse monumento/tribuna garante-se o exercício da livre expressão que, a partir de 1995, foi legitimado também por lei municipal com a consideração da tribuna como palco de manifestações populares.
A gestão inicial da Sociedade teve como diretor presidente Irineu Gehlen; Vice-Presidentes Firmino da Silva Duro e Darcio Vieira Marques; Secretários Welci Nascimento e Celso Antonio Busatto; Tesoureiros Romeu Gehlen e Ubirajara Vasconcellos Morsch; e Orador Benedito Hespanha. Apesar desta nominata limitada, a Boca Maldita visava congregar intelectuais, empresários, esportistas, homens de imprensa, rádio e televisão, estudantes, profissionais liberais e população, conforme descrito no Artigo 2º. dos Estatutos Sociais. Do mesmo modo, a previsão de admissão de novos associados estabelecia sua aprovação prévia pelos membros diretores e a inclusão de membros que “tenham prestado relevantes serviços à coletividade”.
A Boca Maldita propicia aos interessados – membros ou não – o direito à voz, a expressão de angústias, desejos e também de críticas. Considerando que a situação de instalação da Sociedade ainda se insere no governo militar, e que os anos 1980 foram de forte crise econômica, a existência de um local público de livre exercício da oratória ganha ainda mais sentido e força. Seu lema reafirma essas considerações: “Pode ser gente, bem, pode ser, pode ser gente boa, na Boca não tem, pode ser, não pois a Boca não perdoa. A Boca falou, seu doutor, tá falado, sim senhor. A Boca pichou, seu doutor, tá pichado.”
O acervo desta expressiva entidade que marcou a história citadina está em vias de ser incorporado oficialmente aos fundos documentais do Arquivo Histórico Regional, pela doação generosa do Dr. Irineu Gehlen. Preservar esta memória documental, histórica, social e cultural é valorizar a complexidade da vida citadina. Disponibilizar este material à pesquisa, tal como o faz Dr. Gehlen, é tornar possível que a riqueza da vivência passofundense possa ser preservada, analisada e conhecida, pois se “a Boca falou, seu doutor, tá falado”!

Vestibular UPF oferece Plano de Apoio Estudantil pré-aprovado


O programa de crédito garante aos matriculados das graduações da Instituição a oportunidade de cursar a faculdade pagando somente 50% do valor das mensalidades

Com o objetivo de facilitar o acesso ao ensino superior, a Universidade de Passo Fundo (UPF) oferece aos alunos ingressantes no Vestibular de Inverno o Plano de Apoio Estudantil (PAE) pré-aprovado. O benefício também é concedido aos estudantes matriculados por ingresso especial nas modalidades de transferência, reingresso ou reabertura no semestre 2016/2. 

O PAE UPF é um programa de crédito que garante aos matriculados das graduações da Instituição a oportunidade de cursar a faculdade pagando somente 50% do valor das mensalidades. Os 50% restantes deverão ser restituídos à UPF pelo aluno após a conclusão do curso, com um ano de carência.
Com a pré-aprovação, o desconto já incide sobre a parcela da matrícula. 

Inscrições
As inscrições poderão ser feitas no ato da matrícula do acadêmico ingressante por meio de vestibular, com o preenchimento de ficha de inscrição disponível no edital do Plano. Já os alunos que ingressarem nas modalidades de regime especial – por reingresso, transferência ou reabertura – farão sua inscrição por meio do preenchimento de ficha de inscrição, junto à Central de Atendimento ao Aluno (CAA) ou nas secretarias dos campi. Também é necessário apresentar a documentação exigida, que pode ser conferida no edital. A entrega deverá ser feita no período de 14 de junho a 30 de julho. 

Para a definição de concessão de benefício por meio do PAE UPF, serão consideradas as exigências expressas no edital, levando em conta o limite de renda mensal familiar bruta e a renda per capita do grupo familiar, devendo o patrimônio declarado ser compatível com a renda familiar apresentada. Entre os critérios que serão observados, além da renda familiar, estão os seguintes fatores: vagas ocupadas por curso, nota no vestibular para os ingressantes por esse concurso e média aritmética das notas das disciplinas cursadas a serem analisadas no histórico escolar para o caso de ingresso especial.

A confirmação da concessão do benefício fica condicionada ao atendimento do disposto no edital.

Vestibular de Inverno 
As inscrições para o processo seletivo da UPF seguem até o dia 6 de junho, no portal www.vestibular.upf.br. A prova acontece no dia 11 de junho, às 14h, no Campus I da UPF. 

Informações
Mais detalhes sobre o PAE UPF podem ser encontrados no edital do programa, disponível  no site www.upf.br/editais, ou consultados em contato pelo telefone (54) 3316-7000.

Resultado da seleção de estagiário - AHR


Informamos que o candidato selecionado ao cargo de estagiário do AHR é Leonardo R. Jost.

Os demais candidatos foram classificados. Em caso de necessidade serão chamados para suprir eventuais vagas. Agradecemos a todos pela participação.

Att. Equipe AHR-PPGH/UPF

1936: Tropas italianas ocupam Adis Abeba

No dia 6 de maio de 1936, a Itália realizava o sonho de transformar o país em império. Da sacada do Palazzo Venezia, Mussolini anunciou que tropas italianas haviam ocupado Adis Abeba e dominado a Abissínia.
Selassié e a esposa se exilaram em Londres
No delírio da vitória, ninguém podia imaginar que a empreitada colonialista italiana na África Oriental seria de pouca duração. Em Roma, só se pensava em comemorar a revanche por uma derrota sofrida há 40 anos. Em 1896, a Itália fora humilhada na fronteira entre a Eritreia e a Etiópia, no maior conflito militar ocorrido até então em solo africano. Oito mil soldados italianos morreram na batalha de Adua.
Arrogantes, os italianos haviam subestimado a força e o engenho tático das tropas do imperador Menelik. Com a derrota, a Itália teve de enterrar as suas ambições de se tornar uma das grandes potências coloniais.
O país foi obrigado a pagar reparações; milhares de prisioneiros de guerra foram submetidos a trabalhos forçados, na construção da capital, Adis Abeba. Quarenta anos depois, essa humilhação continuava doendo aos italianos, como prova uma carta do escritor direitista Gabriele d’Annunzio a Mussolini: "Ainda sinto a cicatriz de Adua no meu ombro", escreveu.
Mais de dez anos de preparo
Pouco depois da subida de Mussolini ao poder, em 1922, haviam sido armados os primeiros planos para um ataque à Etiópia. Mas somente em 1935 a Inglaterra e a França consentiram silenciosamente a invasão. Supostamente, Paris e Londres teriam cedido para impedir que Mussolini fizesse uma aliança com Hitler. De março a setembro de 1935, 177 mil soldados italianos desembarcaram com armas e equipamentos de transporte na cidade portuária de Massaua (Eritreia).
As advertências do imperador Haile Selassié de que a Etiópia não ficaria de braços cruzados no caso de uma invasão foram ignoradas em Roma. Na madrugada de 3 de outubro, o exército italiano cruzou o rio fronteiriço Mareb, abrindo uma frente de combate de 70 quilômetros.
Segundo a emissora BBC, poucos minutos após a invasão, o governo da Abissínia enviou um telegrama à Liga das Nações, em Genebra, informando que aviões italianos atacavam Adua e os combates já se estendiam em direção a Agamee.
Crueldade e transgressão à Convenção de Genebra
A campanha militar avançou lentamente. Sobretudo as longas distâncias dificultavam o abastecimento dos 500 mil soldados italianos. A Liga das Nações condenou a agressão, impôs um embargo de armamentos e um boicote econômico à Itália. As sanções, porém, não tiveram efeito e o embargo foi suspenso poucos meses depois.
A guerra na Abissínia foi conduzida com toda a crueldade imaginável, incluindo o uso do gás mostarda, numa evidente transgressão à Convenção de Genebra, assinada pela Itália em 1925. Os italianos levaram mais de meio ano e perderam 4 mil soldados até entrarem vitoriosos em Adis Abeba, obrigando Selassié a fugir para o exílio em Londres.
Nos anos seguintes, a resistência etíope foi duramente reprimida, principalmente depois de um atentado ao vice-rei Rodolfo Graziani – nomeado por Mussolini. Num dos incontáveis massacres, 400 monges foram executados num mosteiro copta.
O domínio do império italiano criado por Mussolini sobre a Etiópia só durou cinco anos. Fustigada pela guerrilha, a Itália praticamente não conseguiu ocupar o território e explorar as ambicionadas matérias-primas.
Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, tropas do Reino Unido expulsaram os italianos e recolocaram Selassié no trono. Um ano antes, Mussolini havia declarado guerra à França e ao Reino Unido. As relações entre a Itália e a Etiópia somente se normalizaram em 1997, quando o presidente italiano Oscar Luigi Scalfaro foi a Adis Abeba, "para encerrar definitivamente um vergonhoso capítulo da história".
  • Autoria Oliver Ramme (gh)
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quinta-feira, 5 de maio de 2016

Propet/UPF e Ciee apresentam oportunidades de estágio para acadêmicos

Esclarecimentos sobre as vagas serão prestados de 10 a 12 de maio, no Centro de Convivência da UPF

Pensando em aproximar os acadêmicos do mercado de trabalho, a Universidade de Passo Fundo abre as portas para mais uma ação que proporciona encaminhamento para vagas de trabalho. De 10 a 12 de maio, o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) estará presente na UPF para esclarecimentos de dúvidas, realização de cadastros, divulgação e encaminhamentos para vagas de estágio remunerado disponíveis nas empresas de Passo Fundo e Região.

A ação se dá em conjunto com o Projeto Parceria: Educação e Trabalho (Propet) e será realizada das 11h às 13h e das 17h às 21h, no Centro de Convivência da UPF.

Assessoria de Imprensa

Vestibular de Inverno oferece vagas para História



Vem aí mais uma oportunidade de Fazer História - Vestibular de Inverno UPF!
Informações - www.vestibular.upf.br

Conheça mais do curso em www.historiaupf.blogspot.com e no nosso FB https://www.facebook.com/historiaupf




Titulação: licenciado em História
Duração: 8 semestres
Turno: noite
Corpo docente: professores do curso, contatos, titulação, qualificação e área de conhecimento
Estrutura curricular: conheça o currículo do curso
Coordenação: Dra. Gizele Zanotto 
E-mail: chistoria@upf.br
Telefone: (54) 3316-8330
Perfil profissional
O acadêmico compreende as diversas concepções metodológicas que referenciam a construção de categorias à docência. A investigação e a análise das relações sócio-históricas, diferentes temáticas e abordagens. Ao final do curso, o profissional está capacitado ao exercício do trabalho de professor e de historiador em todas as suas dimensões, além de estar habilitado para atuar na educação básica.
Mercado de trabalho
O licenciado em História está habilitado ao magistério nas escolas de ensino fundamental e médio. Pode atuar em arquivos, museus e centros culturais; prestar assessoria e consultoria a instituições públicas e privadas na organização de eventos histórico-culturais; atuar na coleta e revisão de informações para publicações, exposições e meios de comunicação social; fomentar projetos e práticas ligadas à gestão e preservação do patrimônio histórico.
O curso na UPF
Fundado em 1970, o curso constituiu um quadro docente qualificado, composto integralmente por mestres e doutores. O ensino e as atividades de pesquisa agregam alunos na condição de bolsistas de iniciação científica e iniciação à docência. O currículo caracteriza-se pela articulação entre teoria e prática, contemplando o campo de atuação do profissional desde os primeiros níveis. A graduação conta com os Núcleos de Pesquisa, o Arquivo Histórico Regional e o Museu Histórico Regional. O graduado também tem a oportunidade de dar sequência aos estudos, ingressando no Programa de Pós-Graduação em História.

1926 – Greve geral dos mineiros é instalada na Grã Bretanha


Trabalhadores voltaram ao trabalho apenas em setembro, mas sem vitória significativa e com salários mais baixos
A Grã Bretanha conhece em 4 de maio de 1926 uma greve geral de amplitude jamais vista.

Os trabalhadores cruzaram os braços em solidariedade aos mineiros, aos quais o governo impôs autoritariamente uma redução salarial a fim de “restaurar a competitividade do carvão nacional”. Era a consequência de uma desastrosa revalorização da libra esterlina, no ano precedente, feita pelo então Ministro das Finanças, Winston Churchill.

Wikicommons
Greve foi considerada ilegal pelo primeiro-ministro britânico
Greve foi considerada ilegal pelo primeiro-ministro britânico
Diante da intransigência do governo conservador do primeiro-ministro Stanley Baldwin, os mineiros e seus sindicatos, o Trades Union Congress, acabaram por arriar armas. Somente recobrariam semelhante combatividade meio século mais tarde.

A Grã Bretanha passava nos anos 1920 por uma situação social e econômica extremamente difícil, em consequência da Primeira Guerra Mundial. Nos meses que se seguiram ao final do conflito, uma série de greves operárias acompanhou o retorno à paz e uma complicada transição, marcada por uma forte alta do desemprego e da inflação.

Os sindicatos estavam em seu auge e exigiam que os poderes públicos continuassem a intervir na economia como haviam feito durante a guerra. Os conservadores, em contrapartida, se recusavam a fazê-lo pois viam nisso o primeiro passo em direção ao comunismo, sua obsessão.

Em 1924, o “espectro vermelho” se torna ainda mais ameaçador quando os trabalhistas do Partido Labour chegam ao poder, ainda que seu governo, dirigido por Ramsay MacDonald, nada tivesse de revolucionário. Alvo de uma moção de desconfiança, não tardou a cair, o que provocou novas eleições, em 29 de outubro de 1924, e o retorno dos conservadores ao poder.

Alguns dias antes das eleições de outubro de 1924, o Daily Mail, jornal conservador, publica uma carta do líder soviético Zinoviev em que se destacava que a reaproximação diplomática entre a Grã Bretanha e a União Soviética, desejada por MacDonald, seria uma tática para favorecer a revolução no país.

Essa carta, reflexo do temor experimentado pelo establishment, iria tornar mais difícil ainda a campanha trabalhista e facilitar a vitória dos ‘tories’ e de seu líder, Stanley Baldwin. Seria descoberto mais tarde que se tratava de uma fraude : a carta era falsa, redigida, sem dúvida, conjuntamente, pelos serviços secretos e o Partido Conservador.

Churchill, que se havia afastado dos tories, seu partido de origem, faz um retorno marcante ingressando como ministro das Finanças no governo Baldwin. Nesse cargo, tomaria em 21 de setembro de 1925 a medida que ele mesmo viria a julgar como “o maior disparate de minha vida”: o retorno da libra esterlina à paridade de antes da guerra. Era a vitória dos rentistas da Bolsa londrina, a City, em detrimento dos industriais, com o encarecimento do preço das exportações britânicas.
Durante a Primeira Guerra Mundial, o governo assumiu o controle do carvão, e o Partido Trabalhista exigiu em 1919 sua nacionalização. Os mineiros obtiveram algumas conquistas como a jornada de 7 horas, jogando, porém, para depois a questão da propriedade das minas e, sobretudo, a reestruturação do setor. Muitas empresas mineiras, no entanto, mostraram-se demasiado frágeis para resistir aos sucessivos choques, como a retomada das exportações alemãs em 1924.

Os donos das minas, confrontados com déficits cada vez mais vultosos devido à valorização da libra, exigiram um retorno à jornada de 8 horas e uma importante redução salarial. Diversos acordos permitiam ao governo manter os salários no mesmo nível por meio de subvenções, contudo, em 1926, a situação passou a ser insustentável.

Em 3 de maio, as negociações entre os proprietários e os mineiros são interrompidas. O governo se dispõe a diminuir o salário dos trabalhadores. O Trades Union Congress, que representava o conjunto dos sindicatos dos assalariados, decide, em histórica assembleia, lançar, a partir do dia seguinte, a palavra de ordem de greve geral em todo o país em solidariedade aos mineiros.

As classes média e alta se dispõem em massa a conduzir as locomotivas, o que só contribui para aumentar o caos. A greve logo se estende à venda dos jornais, acusados pelos operários de dar uma visão bastante hostil à greve.

Esse endurecimento de posições aniquilou qualquer esperança de uma solução negociada. Finalmente foram os grevistas que primeiro cederam: surgem tensões entre os mineiros e outras categorias de trabalhadores. Numa mensagem radiodifundida, o primeiro-ministro Baldwin, diante de tal situação, aprofunda o fosso ao denunciar a greve geral como ilegal, apesar de reconhecer a legitimidade do movimento dos mineiros.

Por fim, o Trades Union Congress aceita encerrar a greve geral a partir de 8 de maio, na prática abandonando os mineiros à própria sorte.

Os mineiros prosseguiriam em seu movimento, mas retornariam ao trabalho no outono, a partir de setembro, com os salários bastante reduzidos e as jornadas de trabalho alongadas. Esse fracasso iria debilitar os sindicatos por gerações.
Fonte: Opera Mundi

quarta-feira, 4 de maio de 2016

1919: Protesto estudantil em Pequim

No dia 4 de maio de 1919, universitários chineses protestaram contra o Tratado de Versalhes, que concedia antigos territórios alemães na região aos japoneses. Manifestação desembocou na renovação cultural chinesa.
Um dos estudantes da época era Chou En-Lai, mais tarde primeiro-ministro da China
"Esta é a última chance para a China, na sua luta de vida e morte. Juramos hoje solenemente, junto com todos os nossos compatriotas: o território da China pode ser ocupado, mas não pode ser entregue! O povo chinês pode ser massacrado, mas não se renderá! Nossa pátria está diante da destruição. Levantem-se, irmãos!"
Rebelião no centro de Pequim: 3 mil estudantes distribuem panfletos na praça da Paz Celestial, um lugar que ainda viria a ser palco de outras manifestações estudantis, muitos anos depois.
Jovens querem sacudir o país
Os estudantes estavam decididos a despertar a resistência no país: resistência contra o Tratado de Versalhes, que concedera ao Japão o antigo território colonial alemão. E resistência contra o próprio governo, que pretendia assinar o tratado. Eles marchavam pela cidade e muitos choravam à beira da calçada. Atravessaram o bairro dos diplomatas e invadiram a casa do ministro dos Transportes e chefe do banco estatal, um simpatizante dos japoneses. E gritavam: "Abaixo os traidores!".
O Japão aproveitou a confusão da Primeira Guerra Mundial na Europa para assumir o controle sobre uma grande parte da província oriental chinesa Xantung. Tratava-se da cidade portuária de Tsingtao e suas redondezas, um território que a Alemanha ocupara em 1898 e arrendara posteriormente por 99 anos.
Depois que a Alemanha foi vencida na Primeira Guerra Mundial e o presidente norte-americano Woodrow Wilson enunciou os seus 14 pontos do direito de autodeterminação dos povos, os chineses estavam otimistas de que o Japão devolveria esse território. A delegação chinesa na conferência de paz de Versalhes teve um grande apoio popular, em especial dos estudantes, mas, em vão.
A China não era uma colônia, como a Índia, a Indonésia ou o Vietnã; mas, desde meados do século 19, as potências estrangeiras ocuparam, passo a passo, partes atraentes do seu território, como Hong Kong e Xangai. Muitos chineses sentiam-se humilhados, como uma "meia colônia". A abolição do império milenar, em 1911, não contribuiu para a situação.
Tudo ficou diferente
As manifestações de 4 de maio e das semanas seguintes não obtiveram grande êxito político. Apesar disso, o 4 de maio de 1919 está entre as datas mais conhecidas da história chinesa do século 20: nada ficou como era antes.
O dia é um símbolo da arrancada da China rumo aos tempos modernos. E esse entusiasmo das manifestações estudantis foi preservado durante toda a década de 20. O Movimento de Quatro de Maio, como seria denominado posteriormente, era sedento de toda novidade proveniente do Ocidente.
Surgiram na época tanto o Partido Comunista da China quanto os anarquistas chineses. Também a moderna literatura chinesa teve sua origem com o Quatro de Maio. Ela foi chamada de "nova literatura" – e o que era novo, era considerado bom. Uma das revistas mais importantes da época denominava-se "Nova Juventude".
Os jovens intelectuais do Quatro de Maio fizeram um acerto de contas radical com o tradicional e com os velhos, como nunca ocorrera antes, nem viria a ocorrer depois. Eles viam nesse mofo milenar a verdadeira causa da fraqueza e do atraso da China. Em 1919, a Nova Juventude escrevia:
"Acreditamos que as ciências naturais e a filosofia pragmática sejam condições indispensáveis para o progresso da nossa sociedade atual, e que a superstição e a especulação devam ser abolidas. Acreditamos que o respeito à personalidade e aos direitos da mulher sejam absolutamente imprescindíveis para a evolução progressista da nossa sociedade atual."
Até mesmo novos nomes
Mulheres subservientes, respeito pelos pais: súbito, os valores de Confúcio não prevaleciam mais. A família ficou fora de moda, não se desejava manter nem mesmo os sobrenomes, como recorda o escritor Chang Yiping:
"Conheci um jovem que substituiu os três ideogramas do seu nome por 'Ele-Você-Eu'. E na Universidade de Pequim, na entrada da Faculdade de Filosofia, encontrei certa vez um amigo que estava acompanhado por uma moça de cabelos curtos. Eu lhe perguntei: 'Qual é o seu sobrenome?' Ela me olhou espantada e gritou: 'Eu não tenho sobrenome!' Havia também quem escrevesse a seu pai uma carta com o teor: 'A partir do dia tal, eu não o considerarei mais como meu pai. Somos todos amigos com direitos iguais'."
Posteriormente, a maioria dos chineses considerou tudo isso ridículo. Poucos anos depois, Mao Tsé-tung idealizava o caminho próprio da China para o comunismo. Não era mais possível, simplesmente, copiar o estrangeiro. A China fechava-se cada vez mais em relação ao exterior.
Também Mao Tsé-tung estava na Universidade de Pequim em 1918 e 1919. Como bibliotecário.
  • Autoria Thomas Bärthlein (am)
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