sábado, 30 de abril de 2016

“Poder e mídia: usos da democracia e impeachment” foi tema de aula pública na UPF

Foto: Natália Fávero
Professor da UPF, o historiador Tau Golin, coordenou o debate que contou com a participação do jornalista Juremir Machado e do juiz de Direito Luiz Christiano Aires
O Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) e o curso de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Passo Fundo (IFCH/UPF) promoveram uma aula pública com o tema: “Poder e mídia: usos da democracia e impeachment”. O evento foi realizado na quinta-feira, 28 de abril, e lotou o auditório da Faculdade de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis (Feac). A iniciativa contou com três diferentes abordagens: histórica, midiática e jurídica, com a presença do jornalista Juremir Machado, do juiz de Direito Luiz Christiano Aires e do historiador, professor da UPF e coordenador do debate Tau Golin.

A preocupação em fazer com que a população reflita sobre a situação política vivida no país foi um dos principais objetivos do evento. Tau Golin explica que depois da década de 1980, com a redemocratização no Brasil e de outros países, surgiu um novo processo de centro-direita, que começou a usar recursos ditos “constitucionais”, adequando leis que permitissem – pela via constitucional – manter uma política de não inclusão da maioria das populações e da manutenção dos privilégios.

O tema é uma novidade, especialmente na geopolítica americana, principalmente depois das experiências da ditadura militar, dos golpes de estado ou da manutenção de privilégios por meio da coerção. “Aqueles que mantêm o status quo, que resistem às mudanças inclusivas, de populações que estão na marginalidade, se alojaram em uma combinação do uso do estado, em especial, do parlamento para manter esse status quo. Isso acontece pela elaboração de uma série de leis, regimentos e procedimentos que possibilitem que a vontade popular, depois do âmbito do parlamento, seja subvertida. E é isso que tem acontecido”, destacou o coordenador do debate.

No âmbito do Direito, o juiz Luiz Christiano Aires, abordou como o direito funciona ideologicamente ou como ele pode mostrar uma realidade que não existe, e, a partir disso, legitimar determinado discurso. “Este discurso está indo na perspectiva do impeachment, na ideia de que o impeachment é constitucional, porque está na Constituição. No entanto, o impeachment corresponde ao uso artificial do instrumento, que na república presidencialista é usado para, eventualmente, destituir o presidente, e, no momento, está sendo usado de maneira deformada, sem os pressupostos próprios. A contextualização disso torna importante a atenção para não incidir em equívocos que levem a destituição de um presidente sem o crime de responsabilidade”, pontuou o juiz.

“Se realmente a questão é fazer uma limpeza, deveriam ser convocadas eleições gerais”
Na opinião do jornalista Juremir Machado este processo de impeachment envolve muitos interesses. “Isso é um pretexto ideológico, de guerra de poder, para tomar o poder, na medida que aqueles que estão insatisfeitos não conseguem ganhar as eleições. Se realmente a questão fosse o combate à corrupção não seriam estes os atuais combatentes, porque estes políticos teriam que ser combatidos ao mesmo tempo. Se realmente a questão é fazer uma limpeza, deveriam ser convocadas eleições gerais. Elegemos novamente um presidente da república e seu vice, os senadores, os deputados, começamos tudo de novo”, observou o jornalista.


A forma com que a mídia está tratando esse processo também foi questionada pelo jornalista. “Vivemos um momento grave e a mídia tem um papel forte nisso tudo. A forma correta da mídia se posicionar é realmente dar espaço para o contraditório, mostrar todos os pontos de vista, trazer à tona todas as contradições e criticar todos os envolvidos. Não vejo a maioria dos jornais fazer esse trabalho completo. Vejo uma cobertura muito seletiva. A própria imprensa internacional percebe isso nas coberturas e tem denunciado a seletividade da imprensa brasileira”, observou Juremir.


1991: O último Trabant deixa a fábrica

No dia 30 de abril de 1991 saía da linha de produção de Zwickau o último de um total de 3 milhões de carros Trabant, ou "Trabi", símbolo automobilístico da Alemanha Oriental.
O derradeiro Trabi deixa a linha de montagem em Zwickau
Ele era o símbolo do atraso tecnológico da República Democrática da Alemanha (RDA). Pequeno, barulhento, desconfortável, feio e antiecológico, o Trabant era a Alemanha comunista sobre rodas. Exatamente 3.069.099 unidades foram fabricadas até as 14h51 do dia 30 de abril de 1991, quando a montadora Sachsenring encerrou a produção do lendário veículo.
O primeiro Trabant, batizado de P50, começou a ser fabricado em 1957 na cidade de Zwickau. Era um microcarro com carroceria de plástico não-reciclável e motor de dois tempos, que recebeu apelidos como "Porsche de plástico", "vela de ignição encoberta" e "caixa de corrida". O segundo e último modelo, não muito diferente, surgiu no início dos anos 60: o Trabant P601.
Carreata de Trabant em outubro de 1999 em Berlim
Era um carro pouco menor que o Twingo francês e um dos mais simples já produzidos. Com motor de dois tempos, refrigerado a ar, ele não precisava de bomba de óleo, comando de válvulas, radiador ou bomba d'água. Não havia bomba ou marcador de gasolina: o combustível chegava ao carburador pela força da gravidade e havia um tanque reserva.
Consumo e desempenho
O Trabant fazia cerca de 14 quilômetros por litro na cidade e até 22 quilômetros por litro na estrada. O desempenho era seu ponto fraco (aceleração de 0 a 80 km/h em 20 segundos). A velocidade máxima era de 100 km/h, o que era suficiente para as esburacadas estradas da Alemanha Oriental.
Os engenheiros da Sachsenring até tinham boas idéias para desenvolver carros melhores em Zwickau, um dos berços da indústria automobilística alemã. Segundo o professor Hans Künscher, da Escola Técnica Superior da cidade, havia protótipos que não foram liberados para o mercado. A liderança política da RDA freava a indústria automobilística, com o argumento de que o socialismo só necessitava do transporte coletivo: "o carro particular era símbolo do capitalismo".
Com a queda do Muro de Berlim, em 1989, a Sachsenring tentou modificar o Trabant. Equipou-o com o motor de quatro cilindros e quatro tempos do VW Polo, mas o carro não resistiu à concorrência com os modelos ocidentais, bem mais confortáveis e velozes. Os "Trabis", como são carinhosamente chamados na Alemanha, tornaram-se alvo de protestos de ecologistas, já que a carroceria não podia ser reciclada e os velhos motores de dois tempos eram muito poluentes.
O encerramento da produção do Trabant marcou a falência da indústria automobilística alemã-oriental e o início de uma nova era na região. Volkswagen, Opel, BMW e Porsche instalaram modernas unidades no antigo lado comunista.
A Sachsenring foi privatizada em 1994 e transformada numa respeitada indústria de autopeças, cotada na bolsa de valores.
  • Autoria Henrik Böhme (gh)
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sexta-feira, 29 de abril de 2016

5ª Temporada do Momento Patrimônio é lançada

Primeiro programa vai ao ar nesta sexta-feira (27/04) na UPFTV

Foto: Natália Fávero
Nova temporada do Programa foi lançada na noite de quarta-feira (27/04), na UPF TV

A Universidade de Passo Fundo (UPF), por meio da UPFTV e Programa de Pós-Graduação em História (PPGH), lançou na quarta-feira, 27 de abril, a 5º Temporada do Programa Momento Patrimônio. Os mais de 2,4 mil quilômetros percorridos no ano passado pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná resultaram em uma nova série com oito episódios, que mostram o patrimônio em diferentes partes da região sul do Brasil. O primeiro programa vai ao ar nesta sexta-feira, 29 de abril, na UPF TV.

O Momento Patrimônio é vinculado ao Centro de Cultura Memória e Patrimônio da UPF e é coordenado pelo PPGH. Um dos principais objetivos do programa é conscientizar a população sobre a importância do patrimônio histórico, cultural e natural de Passo Fundo e região.

Nesta 5ª temporada, a comunidade poderá conhecer os espaços de memória e de patrimônio da região sul brasileira buscando a intervenção escolar por meio da educação patrimonial. “Nesta edição, o programa ousou mais ainda e ultrapassou os muros de Passo Fundo. Percorremos várias cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Um dos historiadores que participam desta temporada disse que o patrimônio está no conhecer, no pertencer e no externar e é desta forma que também pensamos e tentamos fazer da melhor forma possível o Momento Patrimônio”, declarou a diretora do Programa Momento Patrimônio, em nome da equipe da UPFTV, a jornalista Deisi Fanfa.

A coordenadora do Projeto Momento Patrimônio, professora Dra. Ironita Policarpo Machado, destacou a importância deste projeto. “O capital que o projeto tem constituído ao longo desses anos é de ordem simbólica. Esse capital simbólico é de um valor incalculável, porque se constitui de reconhecimento e respeito à memória, à história e ao patrimônio de comunidades locais e sociedades regionais e, acima de tudo, no processo de formação dos envolvidos, na democratização do conhecimento e do respeito a pluralidade cultural”, enfatizou Ironita.

Representando a Vice-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários da UPF, o coordenador da Divisão de Extensão, Márcio Tascheto, ressaltou que o projeto é uma experiência modelo. “O Momento Patrimônio é um programa de extensão que foi além daquilo que desenhamos. É uma experiência modelo de como queremos construir as ações extensionistas nesta Universidade. O projeto foi construindo formas de se vincular a pesquisa e ao ensino também. Ele está se tornando um verdadeiro patrimônio da cidade, da Universidade e da região sul”, assegurou Tascheto.

Primeiro programa será exibido nesta sexta-feira
O primeiro episódio do programa terá como tema “A trajetória do patrimônio”, com a participação da arquiteta e secretária municipal de Planejamento, Ana Paula Wickert e da professora do PPGH, Dra. Jacqueline Ahlert, com mediação da coordenadora do projeto Momento Patrimônio e professora do PPGH, Ironita Policarpo Machado.

O programa será exibido nesta sexta-feira (29/04), às 21h, com reprise no sábado (30/04), às 20h30, e no domingo (1º/05), às 18h30min.

Convênio entre FUPF e Instituto Histórico
A FUPF e o Instituto Histórico de Passo Fundo assinaram, durante o evento, o protocolo de intenções de um convênio, que deve ser firmado nos próximos dias. O Instituto Histórico concede direito de acesso ao acervo documental, que objetiva exclusivamente a pesquisa, a produção de conhecimento e sua divulgação para a comunidade acadêmica e a sociedade. Em contrapartida, a FUPF vai colaborar no processo de gestão do acervo documental.


1980: Morre Alfred Hitchcock

No dia 29 de abril de 1980, morria Alfred Hitchcock, o famoso diretor de cinema inglês, gordo, simpático e careca. Mesmo várias décadas depois de seu falecimento, seus filmes ainda fazem sucesso.
Alfred Hitchcock (foto de 1972)
Filho de um quitandeiro, Alfred Hitchcock (Londres 1899 - Los Angeles 1980) começou a se interessar pelo então novo meio de comunicação, o cinema, em 1915, quando trabalhava na Henley Telegraph & Cable Company.
Conseguiu emprego num estúdio de Londres depois de concluir o filme Always tell your wife, cujo diretor adoecera durante as filmagens. O segundo filme, Os jardins dos prazeres, marcou o início de sua carreira como cineasta, aos 26 anos de idade.
Desde The lodger (1926), começou a praticar o gênero que o tornaria mundialmente conhecido, o suspense. O cinema sonorizado abriu-lhe novas possibilidades de magnetizar o público. O homem que sabia demais (1934), Os 39 degraus (1935) e Sabotagem (1936) são clássicos até hoje.
Suspense calculado
Hitchcock transformou os espectadores em cúmplices: eles sabem de onde parte a ameaça ao protagonista, mas não podem impedir que este caia ingenuamente na armadilha. Já famoso pelos trabalhos de juventude, o cineasta recebeu em 1939 um contrato do produtor de E o vento levou...,David Selznick, para trabalhar em Hollywood.
Hitchcock lá estreou em 1940 com Rebeca, a mulher inesquecível. Três anos depois, realizou A sombra de uma dúvida. Na maquinaria hollywoodiana, viu a possibilidade de pôr em imagens todas as suas fantasias. Os atores e atrizes de Hollywood também o fascinaram: eram capazes de interpretar personagens de carne e osso, sem afetação.
Num tempo em que os diretores de cinema eram apenas empregados de estúdio, Alfred Hitchcock conseguiu a proeza de ser a principal estrela de seus próprios filmes e de trabalhar com ampla autonomia. Isso se deveu tanto a seu senso publicitário aguçado, quanto à sua identificação com o gênero de suspense.
Artista ou artesão?
Comercialmente, suas obras eram um sucesso, mas ninguém ousaria chamá-lo de artista do século. Considerado nos EUA apenas um cineasta técnico por muitos anos, teve sua importância reconhecida pela crítica francesa nos anos 50. Em 1954, a revista Cahiers du Cinema dedicou-lhe toda a edição de número 39, concedendo-lhe, pela primeira vez, o status de artista.
O período mais frutífero de Hitchcock foram os anos de 1954 a 1963. É dessa época uma série de obras-primas que o fixaram como um dos principais cineastas de todos os tempos: Janela indiscreta(1954), Um corpo que cai (1956), Psicose (1960), Os pássaros (1963), entre outros.
Décadas após sua morte, em 29 de abril de 1980, essas obras continuam recebendo remakes e influenciando gerações de roteiristas e diretores.
Cinema da culpa e repressão
De formação católica jesuítica, Hitchcock levou para o cinema preocupações trazidas da infância: culpa, pecado, medo, assim como atração e repulsa pela sexualidade. Dizia que a técnica nunca deveria se impor ao enredo, mas, sim, colocá-lo em evidência.
Em conversa com o então jovem diretor François Truffaut, observou que "o cineasta mais acessível a todos os públicos pela simplicidade e clareza é também o que se supera ao filmar as relações mais íntimas entre os seres". Ainda hoje, muitos consideram os filmes de Hitchcock imbatíveis, em termos de suspense.
  • Autoria Jens Teschke (gh)
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quinta-feira, 28 de abril de 2016

1987: Alemão ocidental aterrissa na Praça Vermelha

No dia 28 de maio de 1987, o piloto amador alemão Mathias Rust, de 19 anos, driblou os esquemas de segurança dos países da Cortina de Ferro e aterrissou em plena Praça Vermelha, na capital soviética.
O Cessna estacionou a poucos passos do Kremlin
Após atravessar a Escócia, as ilhas Shetland, as ilhas Faroe, Reiquiavique (Islândia), Bergen (Noruega), Helsinque (Finlândia) e sobrevoar três vezes a Praça Vermelha, em Moscou, um pequeno avião aterrissou a 30 metros da Muralha do Kremlin. Do seu interior, desceu um rapaz de 1,86m de altura, usando um blusão vermelho e óculos escuros.
O avião era um pequeno Cessna 172 e o piloto chamava-se Mathias Rust, programador de computadores de 19 anos de idade, natural da cidade de Wesel, perto de Hamburgo. A julgar pelos 900 quilômetros percorridos em território soviético, sem ser contido, e descendo a poucos passos do gabinete de Gorbatchov, ninguém teve dúvidas de que a ousada façanha foi muito bem planejada. Detido imediatamente, foi mais tarde julgado e condenado a quatro anos de prisão.
Mais de 300 pessoas estavam na Praça Vermelha quando o avião desceu, às 19h30min (horário local). Ninguém podia acreditar no que estava vendo. Mathias desceu, disse ser alemão, mas que vinha de Helsinque, e começou a assinar autógrafos. Os guardas do Kremlin só intervieram mais tarde.
Os oficiais chegaram em limusines pretas. Vários caminhões cercaram o local, a identificação da aeronave foi apagada com tinta e o piloto, preso. Ao mesmo tempo, a opinião pública mundial se surpreendia com a ousadia do jovem, que em plena Guerra Fria havia desafiado o poderio soviético. Mais ainda, questionava-se por que seu voo não havia sido interceptado.
Graves falhas na segurança
Como motivo, em princípio, Rust alegou querer impressionar uma garota. Mais tarde, ao prestar depoimento, alegou que "veio à União Soviética numa missão de paz, para conversar com Mikhail Gorbatchov".
O presidente soviético aproveitou o pretexto das falhas na segurança e afastou seu ministro da Defesa e alguns generais do alto comando militar. No dia 3 de setembro de 1987, Mathias Rust foi julgado por um tribunal soviético e condenado a quatro anos de trabalhos forçados.
Após grandes esforços diplomáticos, o rapaz acabou sendo libertado 14 meses mais tarde e deportado para a Alemanha. De volta ao seu país, não passaram de ameaças as intenções das autoridades locais de julgá-lo por ter ameaçado o espaço aéreo. A família, por seu lado, enriqueceu com a venda da história a uma revista alemã.
Dois anos mais tarde, Mathias Rust voltou às manchetes. Em novembro de 1989, ele atacou com uma faca uma estudante de enfermagem, porque ela não queria beijá-lo. Durante o julgamento, os psicólogos concluíram que Rust possuía uma personalidade complexa, incapaz de aceitar uma rejeição. Para ele, a aterrissagem em Moscou teria sido o maior êxito de sua vida. Rust acabou condenado a dois anos e meio de prisão.
Libertado em 1994, retornou no ano seguinte a Moscou para visitar um centro de crianças. Depois de trabalhar dois anos na capital russa como vendedor de sapatos, voltou à Alemanha, enfrentando graves problemas financeiros. Em 2001, esteve mais uma vez no banco dos réus. Aos 33 anos de idade, Mathias foi condenado em Hamburgo a pagar multa de 10 mil marcos por ter roubado um blusão de caxemira numa loja de departamentos. Ele recorreu da sentença, e no final teve de pagar 600 marcos de multa.
  • Autoria Doris Bulau (rw)
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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Atenção - seleção de estagiário para atuar no Arquivo Histórico Regional

Seleção para estágio
para atuar no Arquivo Histórico Regional - IFCH

Cargo: Estagiário Remunerado

Requisitos Mínimos:
- ser acadêmico do curso de História;
- ter domínio de Informática;
- ter habilidade no atendimento ao público;
- ter disponibilidade para estagiar 20 horas semanais, tarde;
- favor citar no assunto do e-mail para qual das vagas esta se candidatando;

Resumo das atividades:
Auxiliar na organização e conservação do acervo documental; auxiliar no suporte a pesquisa documental e auxiliar na realização de oficinas para alunos do ensino fundamental e médio.

* Candidatos deverão enviar currículo para o e-mail selecaorh@upf.br até o dia 01/05/2016.

– Mais informações: (54) 3316-8139


Sábado de debate no projeto Ensino e Inovação

No último sábado, 23 de abril, os cursistas do projeto Ensino e Inovação - Grupo de Estudos de História, se reuniram para mais um dia de atividades. Desta vez o tema foi a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que está em reformulação e deve nortear o ensino no país quando finalizado e aprovado.
A condução do trabalho ficou a cargo da profa. Rosane Neumann (PPGH/UPF) que tem acompanhado a produção da Base em encontros promovidos pela Associação Nacional de História (ANPUH) e outras instituições.
O próximo encontro do projeto será dedicado a História regional e seu uso em sala de aula, com presença da profa. Ironita Machado (PPGH/UPF).





1916 - Insurreição nacionalista na Irlanda lança as bases do IRA


Com 160 mortos e mais de três mil presos, conflito arrasaria o centro de Dublin
No dia 24 de abril de 1916, uma segunda-feira após a Semana Santa, um grupo de irlandeses se revolta e inicia um levante contra o Reino Unido. Irlandeses e britânicos leais à coroa veem essa tentativa como uma punhalada pelas costas contra os soldados que combatem nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial.
Em agosto de 1914 eclodia a Grande Guerra. O primeiro-ministro britânico Lord Asquith convence os irlandeses nacionalistas a abrandar suas críticas até o fim do conflito. Era preciso, por outro lado, avalizar o texto de Autonomia da Ilha pelo rei George V com a promessa de uma emenda sobre o Ulster, alcunha atribuída à Irlanda do Norte.  Desde o começo do conflito europeu, os irlandeses se alistaram voluntariamente no exército britânico para combater o inimigo comum, a Alemanha.
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Centro de Dublin após os bombardeios britânicos
Entretanto, setores do movimento político nacionalista Sinn Fein (Nós Mesmos, em gaélico) e o IRB (Irmandade Republicana Irlandesa, na sigla em inglês) preferiam aplicar o adágio England's difficulty is Ireland's opportunity (A dificuldade da Inglaterra é a oportunidade da Irlanda).
Um deles, o diplomata Roger Casement, viaja à Alemanha para pedir armas para uma insurreição prevista para o domingo de Páscoa, 23 de abril. Os insurgentes do Sinn Fein e do IRB dispõem de mil voluntários irlandeses e de uma centena de milicianos do Exército Cidadão de James Connolly.
Esses homens viriam a formar o IRA (Exército Republicano Irlandês). Entre eles, Sean Mac Bride, que se tornaria primeiro-ministro da República da Irlanda antes de fundar a Anistia Internacional e receber, por isto, o Prêmio Nobel da Paz.
Dois dias antes da Páscoa, a traineira holandesa que deveria entregar a munição é inspecionada e, antes que fosse capturada, naufragou propositadamente. Casement, capturado pelos ingleses, seria enforcado por alta traição. Informado dos contratempos, Thomas Clark, presidente do governo provisório irlandês, mantém, em princípio, a insurreição, mas a posterga para o dia seguinte, dia de São Jorge, patrono da Inglaterra.
À hora marcada, os revoltosos ocupam diversos edifícios estratégicos no centro de Dublin, dentre eles os Correios, a Prefeitura, o Palácio da Justiça e as estações de trem. Esperavam que os curiosos aderissem à insurreição. Contudo, são vaiados pela multidão que começa a se aglomerar diante dos edifícios. Diante da situação, evitam ocupar o Castelo, residência do vice-rei e sede do governo geral.
O exército britânico traz artilharia pesada e bombardeia conscientemente o centro de  Dublin. Após cinco dias de resistência, os insurgentes capitulam. O resultado seria a morte de 60 revoltosos, cem oficiais e mais de duzentos civis. Foram, ao total, cerca de três mil prisões.
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Homens do exército britânico buscam por armas no Rio Tolka, em Dublin
Um conselho de guerra condena à morte todos os chefes. Connolly, ferido, teve de ser atado a uma cadeira para ser fuzilado. Eamon de Valera, que escapou da execução devido a sua cidadania norte-americana, viria a ser o primeiro presidente da República da Irlanda.
Contra toda expectativa, a ferocidade da repressão iria fazer a opinião pública se dirigir em favor dos revoltosos e transformar os condenados em mártires da causa irlandesa.
David Lloyd George, primeiro ministro britânico, liberta em dezembro de 1916 diversos chefes da insurreição, como de Valera, Griffith e Collins. No mês seguinte, as eleições testemunham na Irlanda uma corrente de simpatia inesperada em favor do Sinn Fein, organização há muito tempo marginal.
Com a volta da paz na Europa, as eleições gerais constituem um triunfo para o Sinn Fein que totaliza 73 deputados de um total de 105. Pregando a independência, recusam-se a ocupar seus lugares no Parlamento de Londres.
Em 21 de janeiro de 1919, em Dublin, constituem um parlamento nacional, o Dail Eireann. Lançam em vão um Apelo às Nações em prol da independência da ilha.
Fonte: Opera Mundi

sábado, 23 de abril de 2016

1915 - Alemães introduzem o gás venenoso na Primeira Guerra


Gás clorídrico foi usado apenas uma vez, em seguida foi introduzido gás mostarda que cobria a pele de bolhas e afetava olhos e pulmões
Em 22 de abril de 1915, as tropas germânicas horrorizaram os soldados aliados ao longo do front ocidental ao lançar mais de 150 toneladas de gás clorídrico contra duas divisões francesas em Ypres, Bélgica. Foi o primeiro grande ataque a gás que devastou as linhas aliadas.

Fumaças tóxicas haviam sido ocasionalmente utilizadas desde tempos remotos. Em 1912, os franceses usaram pequenas quantidades de gás lacrimogêneo em operações policiais. Com a deflagração de Primeira Guerra Mundial, os alemães começaram a desenvolver ativamente armas químicas. Em outubro de 1914, os germânicos colocaram algumas pequenas caixas de gás lacrimogêneo em alguns obuses disparados contra Neuve Chapelle, França, porém as tropas aliadas não foram expostas a ele. Em janeiro de 1915, os alemães lançaram obuses carregados com brometo de xileno, um gás mais letal, sobre as tropas russas em Bolimov no front oriental. Devido ao frio hibernal, a maior parte do gás congelou, mas, apesar disso, os russos relataram mais de mil baixas fatais como resultado dessa nova arma química.

WikiCommons

Infantaria com máscara de gás, pouco após a introdução do gás venenoso


Em 22 de abril, os alemães lançaram sua primeira e única ofensiva do ano. Conhecida como a Segunda Batalha de Ypres, começou com o habitual bombardeio de artilharia contra as linhas inimigas. Quando o canhoneio amainou, os defensores aliados aguardavam pela primeira onda de ataque das tropas germânicas, mas ao invés foram levados ao pânico quando o gás clorídrico flutuou pela terra de ninguém e penetrou em suas trincheiras. Os alemães direcionaram o gás venenoso distantes seis quilômetros do front com a ajuda do vento e dizimaram duas divisões de soldados franceses e argelinos. As linhas aliadas ficaram rompidas, mas os germânicos, talvez tão chocados quanto os aliados pelos efeitos devastadores do gás venenoso, deixaram de tomar plena vantagem e os aliados puderam manter a maioria de suas posições.
Imediatamente após o ataque alemão a Ypres, a França e o Reino Unido começaram a desenvolver suas próprias armas químicas e máscaras de gás. Com os alemães tomando a dianteira, um extenso número de projéteis preenchidos com substâncias letais poluíram as trincheiras da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). O gás mostarda, introduzido pelos germânicos em 1917, cobriam de bolhas a pele e afetavam olhos e pulmões, matando milhares.

Estrategistas militares defendiam o uso de gás venenoso afirmando que reduzia a capacidade do inimigo de responder e em consequência salvavam vidas nas ofensivas. Na verdade, defesas contra o gás venenoso caminhavam pari passu com o desenvolvimento das ofensivas e ambos os lados empregavam sofisticadas máscaras e roupas de proteção que negavam na essência a importância estratégica das armas químicas.

Os Estados Unidos, que entraram na Primeira Guerra Mundial em 1917, também desenvolveram e utilizaram armamento químico. O futuro presidente Harry Truman (1945-1953) era capitão de uma unidade de artilharia de campo que disparou gás venenoso contra os alemães em 1918. No total, mais de cem mil toneladas de agentes químicos foram despejadas na guerra, cerca de 500 mil soldados foram feridos e cerca de 30 mil mortos.

Nos anos que se seguiram a Primeira Guerra Mundial, Reino Unidos, França e Espanha usaram armas químicas em vários conflitos coloniais, apesar da crescente crítica internacional à guerra química.

Em 1925, o Protocolo de Genebra baniu o emprego das armas químicas na guerra mas não proibiu seu desenvolvimento ou armazenagem. A maioria das grandes potências formou importantes reservas de armas químicas. Nos anos 1930, a Itália empregou armas químicas contra a Etiópia e o Japão as usou contra a China. Na Segunda Guerra Mundial não ocorreu guerra química, principalmente porque os beligerantes possuíam tanto as armas quanto as suas defesas que faziam delas ineficazes. Além do mais, num conflito caracterizado por blitzkrieg (guerra relâmpago) e movimentos rápidos, os estrategistas opunham-se a tudo o que pudesse retardar as operações. A Alemanha, no entanto, usou gás venenoso para exterminar milhões em seus campos de concentração.

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), armas químicas foram empregadas apenas em um punhado de ocasiões: no Iêmen (1966-67), na Guerra Irã-Iraque (1980-88). Em 1990, os Estados Unidos e a União Soviética assinaram um acordo para cortar em 80% seus arsenais químicos, com o objetivo de desestimular nações menores a armazenar tais tipos de armas. Em 1993, um tratado internacional foi assinado banindo a produção, a estocagem e o uso de armas químicas, ratificado por 128 nações.
Fonte: Opera Mundi

quarta-feira, 20 de abril de 2016

PPGH e curso de História convidam para debate


Momento Patrimônio lança nova temporada


1943 - Tropas nazistas sufocam o levante do gueto de Varsóvia

Os 60 mil judeus que ainda sobreviviam no gueto de Varsóvia, Polônia, se levantam em 19 de abril de 1943 contra as tropas SS nazistas, que haviam recebido ordens de Hitler para exterminá-los. O combate, desesperado e desproporcional, duraria até 16 de maio. Sete mil judeus morreram com as armas em punho. Os demais foram conduzidos a campos de extermínio.

As forças nazistas tentavam eliminar o gueto judaico da cidade quando se depararam com o fogo de resistentes judeus, liderados por Mordechai Anielewicz, Iosef Levartowski, Andrej Schmit e Michal Klepisz, de diferentes orientações políticas, que se uniram para enfrentar o inimigo. “Estamos limitados, mas não caídos. Dos nossos esconderijos, ataquemos o inimigo. Se for para morrer, morramos como heróis, para permanecermos vivos à posteridade.”, dizia o manifesto que dava vida ao Levante do Gueto de Varsóvia.

Ana Paula Hirama/FlickrCC

Edifícios que restaram do gueto de Varsóvia


Pouco depois da invasão da Polônia pela Wehrmacht em setembro de 1939, perto de 500 mil judeus poloneses foram confinados em deploráveis condições em uma área de cinco quilômetros quadrados, onde normalmente poderiam viver 200 mil. O gueto foi cercado por um muro de três metros de altura e arame farpado vigiado por soldados das SS. Quem quer que fosse apanhado tentando fugir era fuzilado no ato. Os nazistas controlavam também a quantidade de alimentos trazida ao gueto, obrigando os judeus a viveram basicamente de um prato de sopa por dia. Doenças e inanição mataram milhares todos os dias.

A partir de julho de 1942, cerca de seis mil judeus eram transferidos a cada dia para o campo de concentração de Treblinka. Diziam os nazistas que eles estavam sendo transferidos para campos de trabalho, mas logo se soube que na verdade trasladá-los para campo de trabalho significava a morte.

Ante este quadro, uma resistência subterrânea se formou: a OJC (Organização Judaica de Combate). Armas de porte reduzido eram adquiridas a alto custo de organizações polonesas antinazistas. A resistência, armada com armas ligeiras, foi capaz de resistir à continuidade da deportação, atacando os nazistas do alto dos telhados, dos sótãos e dos desvãos. Um severo inverno e a falta de trens também contribuíram para a redução das deportações.
Ordem macabra

Quando chegou a primavera, em 19 de abril, o líder nazista Heinrich Himmler anunciou que o gueto deveria ser esvaziado à força em homenagem ao aniversário de Hitler, que seria no dia seguinte. Cerca de dois mil soldados SS atravessaram as barreiras com tanques, obuses, lança-chamas e metralhadoras, contrapondo-se aos cerca de mil judeus que portavam pistolas, fuzis, granadas caseiras e coquetéis Molotov.

A resistência judaica mostrou-se capaz de rechaçar os ataques durante 28 dias. Milhares foram massacrados à medida em que as tropas alemãs avançavam, explodindo os edifícios um a um. Os combatentes da OJC foram aos esgotos para continuar a luta. Em 8 de maio o bunker de comando caiu diante dos nazistas não antes de alguns dos resistentes terem tirado sua própria vida.

Wikicommons

Gueto de Varsóvia foi separado do resto da cidade por um muro


Finalmente, em 16 de maio, o general SS Jurgen Stroop assume o controle total do gueto. Teve então início uma maciça deportação para Treblinka. Durante o levante cerca de 300 soldados alemães foram mortos e cerca de mil feridos. Mais de 56 mil judeus foram massacrados. Virtualmente todos os sobreviventes do levante levados a Treblinka foram exterminados até o fim da guerra.
Fonte: Opera Mundi

1998: Grupo terrorista alemão RAF anuncia dissolução

Em 20 de abril de 1998, o grupo terrorista alemão Fração do Exército Vermelho (RAF) anunciou sua dissolução. As raízes da organização estavam no movimento estudantil de 1968 e nos protestos contra a Guerra do Vietnã.
Última página do comunicado da RAF
"No dia 14 de maio de 1970, havia surgido a partir de uma ação libertária a Fração do Exército Vermelho (RAF). Hoje pusemos um ponto final no nosso projeto. A guerrilha urbana na forma da RAF, agora, é história. 'Nós' – que estivemos organizados na RAF até o fim – tomamos essa decisão conjuntamente. A partir de agora, somos ex-militantes da RAF. O fim desse projeto mostra que não conseguimos nos impor por esse caminho. Mas nada se opõe à necessidade e legitimação da revolta."
Gudrun Ensslin e Andreas Baader, em maio de 1977
Com esta carta enviada à agência de notícias Reuters, o grupo guerrilheiro urbano Fração do Exército Vermelho (RAF, sigla para Rote Armee Fraktion), responsável por sangrentas ações terroristas na Alemanha entre os anos 1970 e 1980, anunciou sua dissolução no dia 20 de abril de 1998. A organização de extrema esquerda, fundada por Andreas Baader e Ulrike Meinhof, gerou desconfiança até mesmo ao encerrar, oficialmente, suas atividades. Numa mensagem semelhante, a RAF já havia anunciado a suspensão dos atentados em 1992.
A RAF foi, ao longo de quase três décadas, o movimento terrorista mais temido na Alemanha. Pelos menos 50 pessoas – entre militares americanos, políticos e empresários – foram mortas pela organização. O grupo originou-se do movimento estudantil de 1968. Naquele ano, Andreas Baader e Gudrun Ensslin incendiaram dois estabelecimentos comerciais em Frankfurt, em protesto à guerra no Vietnã. Condenados a dois anos de prisão, foram soltos em 1969. No ano seguinte, Baader – novamente preso – foi libertado por um comando liderado pela jornalista Ulrike Meinhof. Aí nasceu a RAF.
Nos meses seguintes, seus militantes foram treinados por terroristas palestinos na Jordânia. Ideologicamente, baseavam-se na guerrilha urbana da América do Sul, inspirada em Che Guevara. Os primeiros alvos de seus atentados à bomba foram o conservador grupo editorial Springer, de Hamburgo, e a sede das Forças Armadas norte-americanas na Europa, em Heidelberg. Com isso, a RAF queria torpedear o sistema de economia de mercado e democracia liberal da Alemanha Ocidental.
Sequestro de avião
Em junho de 1972, o grupo sofreu o primeiro revés: todos os seus líderes foram presos. No entanto, a RAF sobreviveu. No auge de suas atividades, em 1977, assassinou o procurador-geral da República, Siegfried Buback, o diretor-presidente do Dresdner Bank, Jürgen Ponto, e o presidente da Confederação das Associações de Empregadores Alemães (BDA), Hanns-Martin Schleyer. Além disso, sequestrou um avião de passageiros da Lufthansa para a Somália, para forçar a libertação de seus militantes. Fracassado o sequestro, Baader, Ensslin e Jan Carl Raspe se suicidaram em suas celas. Ulrike Meinhof já havia se enforcado um ano antes.
Remoção do corpo de Detlev Rohwedder
O poder público reagiu ao terrorismo com métodos de investigação mais rigorosos. Em todos os postos de correios da Alemanha foram afixadas ordens de captura de terroristas. O Parlamento alemão aprovou várias leis controvertidas, como o perdão a terroristas arrependidos que denunciassem membros da RAF e o isolamento completo dos guerrilheiros presos. Além disso, foram ampliados os mandados de busca e apreensão e a obrigatoriedade do registro domiciliar, e foram introduzidas carteiras de identidade não falsificáveis.
Nos anos 80, a RAF entrou em declínio. Vários terroristas "arrependidos" sumiram na clandestinidade, na Alemanha Oriental. Protegidos pela Stasi, o serviço secreto do país sob regime comunista, mantiveram-se escondidos até a reunificação alemã, executando atentados isolados. Em 1989, a RAF assassinou o diretor-presidente do Deutsche Bank, Alfred Herrhausen, e, dois anos mais tarde, Detlef Rohwedder, presidente da holding estatal Treuhandanstalt, encarregada de privatizar a economia da Alemanha Oriental.
Não se sabe ao certo se esses dois atentados foram de autoria da RAF. Em março de 1993, o grupo ainda explodiu uma penitenciária, às vésperas da inauguração em Weiterstadt (Hessen).
  • Autoria Johannes Beck
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terça-feira, 19 de abril de 2016

1945: Leipzig libertada por soldados norte-americanos

Em 19 de abril de 1945, soldados dos EUA conquistaram a cidade no leste alemão. Segundo o relato de um veterano, a população recebeu com bandeiras brancas os soldados cansados, mas seguros da vitória.
Monumento à Batalha dos Povos, em Leipzig
Na manhã de 19 de abril de 1945, o ministro da Propaganda, Joseph Goebbels, ainda dirigira um apelo patético à população alemã. "Enfrentar uma batalha inevitável, manter a cabeça erguida, consciência e mãos limpas diante do destino, suportar tudo quanto é sofrimento e provação sem jamais pensar em suicídio, nem mesmo na hora da dor mais cruel – isso não só é ser homem, como também é ser alemão, no melhor sentido do termo", disse o ministro.
O coronel Von Poncet ainda resistia e um contingente de 150 homens da "Volkssturm" (tropa de voluntários recrutados nos últimos dias da guerra) controlava a prefeitura. Mas não por muito tempo. Um bombeiro alemão, interlocutor dos americanos, moveu os últimos combatentes a se entregarem. Eles finalmente desistiram de desafiar o poderio americano, depois que os líderes nazistas locais se enforcaram coletivamente na torre da prefeitura.
O restante da luta pela libertação de Leipzig foi quase um passeio pela cidade para as tropas dos Estados Unidos. Segundo o relato de um veterano, a população recebeu com bandeiras brancas os soldados norte-americanos, cansados, mas seguros da vitória. "Não houve forte resistência, apenas alguns adversários isolados, nas redondezas da estação ferroviária", lembra.
Tentativas de negociação
Com apenas 21 soldados, dois oficiais norte-americanos tomaram os quartéis do norte da cidade; os do sul também foram ocupados sem grandes problemas. "Ocorreram algumas perdas em Leipzig. Foram, na maioria, casos acidentais. Alguns soldados, porém, morreram em combates isolados de rua", conta o veterano.
Depois de rebater os primeiros ataques, o coronel Von Poncet se dispôs a negociar, quando o Monumento à Batalha dos Povos foi atingido por uma bomba. A primeira tentativa de negociação, feita por uma delegação de mulheres de Leipzig, não teve êxito. A segunda partiu de Hans Trefousse, um alemão de Frankfurt radicado nos Estados Unidos. Fiel seguidor das absurdas ordens de Hitler, Von Poncet, porém, insistia em não se entregar.
Onze dias depois, Hitler se suicidou. Embora o Terceiro Reich somente reinasse mais sobre gigantescas montanhas de escombros e um abrigo antiaéreo no subsolo de Berlim, a verdade continuou encoberta. Segundo um comunicado do quartel general, "Adolf Hitler morreu em combate, tendo lutado até o último momento contra o bolchevismo e pela Alemanha". No dia 30 de abril, Hitler ainda nomeou o almirante Karl Dönitz (1891-1980) como seu sucessor.
Em Leipzig, as negociações de 19 de abril de 1945 foram dramáticas. Tarde da noite, Poncet finalmente se entregou. Na base da "palavra de honra", ele e seus oficiais ganharam 48 horas para visitar suas famílias. Passado o prazo, todos – exceto um – se apresentaram na cadeia pública. Já os soldados comuns, integrantes da Volkssturm e da juventude hitlerista, foram transportados imediatamente para os campos de prisioneiros de guerra.
  • Autoria Gerda Gericke/gh
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segunda-feira, 18 de abril de 2016

1946: Fim da Liga das Nações

No dia 18 de abril de 1946, foi dissolvida formalmente a Liga (ou Sociedade) das Nações. Surgida em consequência dos horrores da Primeira Guerra Mundial, na prática ela deixara de existir alguns anos antes.
Palácio das Nações, em Genebra
A dissolução da Liga das Nações, no dia 18 de abril de 1946, não passou de uma formalidade. Na prática, ela deixara de existir alguns anos antes. Além disso, a Organização das Nações Unidas (ONU) já havia iniciado suas atividades a 24 de outubro de 1945, como organismo sucessor da Liga.
A Liga (ou Sociedade) das Nações surgiu em consequência dos horrores da Primeira Guerra Mundial e foi a primeira tentativa de consolidar uma organização universal para a paz. Acreditava-se que futuros conflitos só poderiam ser impedidos se fosse criada uma instituição internacional permanente, encarregada de negociar e garantir a paz. O principal precursor da ideia fora o presidente norte-americano Woodrow Wilson (1856–1924).
Proposta do presidente dos EUA
Em janeiro de 1918, Wilson apresentou uma proposta de paz revolucionária, contida em 14 pontos: exigência da eliminação da diplomacia secreta em favor de acordos públicos; liberdade nos mares; abolição das barreiras econômicas entre os países; redução dos armamentos nacionais; redefinição da política colonialista, levando em consideração o interesse dos povos colonizados; e retirada dos exércitos de ocupação da Rússia.
Pretendia também a restauração da independência da Bélgica; restituição da Alsácia e Lorena à França; reformulação das fronteiras italianas; reconhecimento do direito ao desenvolvimento autônomo dos povos da Áustria-Hungria; restauração da Romênia, da Sérvia e de Montenegro, assim como o direito de acesso ao mar para a Sérvia; reconhecimento da autonomia da Turquia a abertura permanente dos estreitos entre o Mar Negro e Mediterrâneo; independência da Polônia; e criação da Liga das Nações (League of Nations).
Após complicadas negociações, sobretudo com a França, que exigia da Alemanha reparações de guerra, foi aprovada em Paris uma versão reformulada do programa de 14 pontos, em 28 de abril de 1919. O estatuto da Liga das Nações foi assinado a 28 de junho do mesmo ano, como parte do Tratado de Versalhes, firmado com a Alemanha. A primeira conferência da nova organização, fundada pelos 32 países vencedores da Primeira Guerra Mundial, foi realizada em 1920, em Genebra.
Razões do fracasso
A Liga das Nações, porém, fracassou por defeitos de origem. Não dispunha de um poder executivo forte, nem contava com representantes da União Soviética e dos Estados Unidos – a nação de seu idealizador. O governo de Moscou não era aceito, e Washington não ingressou na organização por rejeitar o Tratado de Versalhes. Mesmo nos melhores tempos, o número de membros não passou de 50. Já em 1923, tornou-se evidente a fraqueza da Liga, quando os franceses invadiram a região alemã da Renânia, para cobrar reparações de guerra.
Um dos poucos êxitos da organização foi o pacto de segurança firmado entre Alemanha, França, Grã-Bretanha e Bélgica, além da resolução diplomática de alguns conflitos internacionais. Genebra, porém, nada pôde fazer para impedir a crise econômica mundial, no final da década de 20. A miséria geral impulsionou as forças nacionalistas que se opunham ao Tratado de Versalhes.
A invasão da Manchúria pelo Japão, em 1931, foi uma prova do fracasso da Liga das Nações. Condenado um ano e meio depois pelo ato de agressão, o Japão abandonou a organização. A Alemanha seguiu o mesmo caminho a 14 de outubro de 1933. Adolf Hitler, interessado apenas em armar seu país, usou uma série de pretextos para abandonar a conferência de desarmamento e ridicularizar a Liga das Nações.
As invasões da Abissínia pela Itália, em 1935, e da Finlândia, pela União Soviética, em 1939, revelaram que a Liga das Nações não passava de uma organização de fachada. Seu último ato foi expulsar a URSS, que havia sido admitida como membro em 1934. A esta altura, porém, a Segunda Guerra Mundial já estava a pleno caminho, o que frustrou de vez as intenções pacifistas dos idealizadores da Liga das Nações.
  • Autoria Oliver Ramme (gh)
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quinta-feira, 14 de abril de 2016

1912: Naufrágio do Titanic

O mito do "navio inafundável" começou a ir por água abaixo a 14 de abril de 1912, quando o Titanic chocou-se com um iceberg. Apenas 706 das 2.207 pessoas a bordo na viagem inaugural do navio de luxo sobreviveram.
A viagem do colosso de 50 mil toneladas havia se iniciado no dia 10 de abril em Southhampton, na Inglaterra, com destino a Nova York. O maior navio já construído media cerca de 270 metros de comprimento por 28 de largura e tinha oito fileiras de convés. Era quase tão grande quanto um quarteirão de prédios de 11 andares.
Era movido a vapor, gerado pela combustão de carvão em 159 enormes fornalhas. Tinha 90 caldeiras e quatro motores. A construção foi feita pelos estaleiros mais famosos de seu tempo, Harland e Wolff, de Belfast, e entregue à White Star Line a 2 de abril de 1912.
Já na manhã de domingo, dia 14 de abril, o Titanic recebeu a primeira das seis mensagens de advertência que chegariam ao longo do dia, sobre um campo de gelo à frente, perto de ilha de Terra Nova, no Canadá.
Noite estava clara
Logo depois do jantar, enquanto os passageiros da primeira classe comiam a sobremesa, o capitão, Edward J. Smith, ainda subiu até a ponte e conversou com o oficial de guarda sobre o tempo calmo e a dificuldade de visualizar icebergs naquela noite clara, mas sem luar.
Embora não dispusessem de binóculos, os vigias da noite, Frederick Fleet e Reginald Lee, assumiram seus postos e, pouco antes da meia-noite, Fleet reconheceu a ponta de um iceberg 460 metros à frente e avisou a ponte. Simultaneamente à manobra de desvio, começaram a ser fechadas as portas dos compartimentos abaixo do nível da água, selando o destino de muitos trabalhadores.
Pouco menos de hora e meia
Cerca de 30 segundos após ser avistado, o bloco de gelo atingiu o navio a estibordo. O impacto foi sentido por vários passageiros como um tremor seguido de um rangido metálico. Dez minutos após a colisão, a água já atingia quatro metros acima da quilha e inundava completamente todos os compartimentos danificados.
Thomas Andrews, assistente dos construtores, calculou que ainda havia de uma hora a uma hora e meia até que a embarcação afundasse completamente, ao que foram iniciados os pedidos de socorro e dadas as ordens aos passageiros para que vestissem os coletes salva-vidas, ao mesmo tempo em que os botes eram lançados ao mar.
O navio salva-vidas Carpathia, que ia de Nova York a Liverpool, estava a 94 quilômetros dali e tomou curso em direção ao Titanic, mas só chegaria quatro horas mais tarde. Houve tumulto e desorganização enquanto os botes salva-vidas eram baixados e ocupados. Temendo-se que eles virassem no mar, os tripulantes inicialmente não permitiram que fossem lotados com a capacidade máxima, 60 pessoas.
100 Jahre Untergang der Titanic
Capitão Edward John Smith (1850-1912)
Ao descer o bote de número 14, um oficial disparou três tiros para o ar, a fim de evitar que outros passageiros pulassem no bote já cheio. Começou a haver pânico entre os passageiros. A esta altura, já estavam sendo disparados os sinais luminosos e o navio afundava, inclinado.
Banda tocou o hino do próprio funeral
Enquanto isso, a banda continuava tocando no salão de jantar. O maestro Wallace Henry Hartley ordenou tocar Mais perto de ti, Senhor, o qual ele dizia que seria o hino de seu funeral. Às 2h10min foi enviado o último pedido de socorro. Cinco minutos depois, a ponte de comando era invadida pela água. Oito minutos mais tarde, já com popa e proa perpendiculares, o casco partiu-se ao meio e afundou.
Os 705 sobreviventes (há também uma versão de que teriam sido 706) foram resgatados pelo navio Carpathia, que chegou ao local às 3h30min. Eles chegaram a Nova York quatro dias mais tarde.
O inquérito iniciado a 2 de maio na Câmara do Comércio da Inglaterra recomenda, em seu término, que existam mais compartimentos à prova d'água em navios transatlânticos, botes salva-vidas para todos a bordo e melhores vigias (aberturas).
Os destroços do Titanic foram encontrados em setembro de 1985 pela expedição franco-americana chefiada por Robert Ballard, a 3797 metros de profundidade.
  • Autoria Peter Koppen (rw)
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1986 - Os Estados Unidos bombardeiam a Líbia

Max Altman | São Paulo
Os Estados Unidos lançam em 14 de abril de 1986, por ordem de seu presidente Ronald Reagan (1981-1989), ataques aéreos contra a Líbia em retaliação ao patrocínio do país árabe de atos terroristas contra tropas e cidadãos norte-americanos. O raid, que começou pouco antes das duas da madrugada na Líbia, envolveu mais de 100 aviões da Força Aérea e da Marinha e demorou cerca de uma hora. Cinco alvos militares e "centros de terrorismo" foram atingidos, inclusive o quartel-general do líder líbio Muamar Kadafi.

Ronald Reagan consulta congressistas norte-americanos sobre o ataque


Durante os anos 1970 e 1980, o governo de Kadafi financiou uma ampla variedade de grupos muçulmanos anti-Estados Unidos e anti-Reino Unido, desde as guerrilhas palestinas e os rebeldes muçulmanos das Filipinas até o Exército Republicano Irlandês (IRA) e os Panteras Negras. Em resposta, Washington impôs sanções contra a Líbia e as relações entre os dois países continuaram a se deteriorar.

Em 1981, a Líbia alvejou um avião norte-americano que passava pelo Golfo de Sidra, que Kadafi proclamou em 1973 serem águas territoriais líbias. Naquele ano, o serviço de inteligência da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) teria descoberto evidências de conspirações terroristas patrocinadas pela Líbia contra os Estados Unidos, inclusive planos de atentados contra funcionários norte-americanos.

Em dezembro de 1985, cinco cidadãos norte-americanos foram mortos em ataques terroristas simultâneos nos aeroportos de Roma e de Viena. A Líbia foi acusada como responsável pelos atentados e o presidente Reagan ordenou endurecer as sanções, congelando os ativos líbios nos Estados Unidos.

Em 24 de março, confrontos aéreos entre Estados Unidos e Líbia ocorreram sobre o Golfo de Sidra e quatro barcos de guerra líbios foram afundados. Em represália, em 5 de abril, grupos terroristas explodiram a danceteria LaBelle, em Berlim Ocidental, local que todos sabiam ser frequentada por soldados norte-americanos. Um militar e uma senhora turca foram mortos e mais de 200 pessoas ficaram feridas. O serviço de inteligência dos EUA interceptou mensagens de rádio enviadas de Trípoli aos diplomatas em Berlim Oriental ordenando o ataque de 5 de abril contra a LaBelle.

Em 14 de abril, os Estados Unidos voltaram a atacar com dramáticas investidas aéreas contra ca capital, Trípoli, e Benghazi. Três quarteis militares foram atingidos além do principal aeroporto de Trípoli e a base aérea de Benina a sudeste de Benghazi.

Ainda antes que a operação bélica tivesse terminado, o presidente Reagan foi à televisão falar sobre os ataques aéreos: “Quando os nossos cidadãos são maltratados ou atacados em qualquer lugar do mundo", disse, responderemos em autodefesa. Hoje fizemos o que tínhamos de fazer. Se necessário, o faremos novamente."

Chamada de Operação El Dorado Canyon, a ofensiva foi considerada um sucesso pelos oficiais norte-americanos. Uma filha adotiva de 15 meses de Kadafi foi morta e dois de seus filhos, feridos, no ataque a sua residência. Embora nunca o tenha admitido publicamente, houve especulações de que o próprio Kadafi saiu ferido no bombardeio.

Disparos pesados de mísseis terra-ar e de artilharia antiaérea convencional derrubaram um caça F-111 e seus dois tripulantes desapareceram em circunstâncias desconhecidas. Diversos prédios residenciais foram “inadvertidamente” alvo durante os raids e 15 civis resultaram mortos dos por conta dos 'efeitos colaterais'.

Em 15 de abril, navios patrulheiros líbios dispararam mísseis contra uma estação de comunicação da Marinha dos Estados Unidos na ilha italiana de Lampedusa, que não foi atingida. Não houve nenhum grande ataque terrorista ligado à Líbia até a explosão em 1988 de um avião comercial da Pan Am 747 sobre Lockerbie, Escócia. Todos os 259 passageiros e a tripulação foram mortos, além de 11 pessoas atingidas em solo.

No começo dos anos 1990, investigadores identificaram os agentes líbios Abdel Basset Ali al-Megrahi e Lamen Khalifa Fhimah como suspeitos do atentado, mas a Líbia se recusou a enviá-los aos Estados Unidos para lá serem julgados. Contudo, em 1999, num esforço para aliviar as sanções das Nações Unidas contra a Líbia, o coronel Kadafi concordou em enviar os suspeitos à Holanda para serem julgados pela lei e procuradores da Escócia. No começo de 2001, al-Megrahi foi condenado à prisão perpétua, embora continue a alegar inocência e lute para revogar sua condenação. Fhimah foi absolvido.

Por exigência das Nações Unidas e dos Estados Unidos, a Líbia admitiu responsabilidade pelo atentado apesar de não expressar remorso. Foram levantadas as sanções e a Líbia concordou em pagar a cada uma das famílias um valor de cerca de oito milhões de dólares. O primeiro-ministro da Líbia disse que aquele era o "preço da paz", irritando os familiares. Por sua vez a Pan Am, que foi à falência em boa parte, segundo a empresa, como resultado da explosão, segue exigindo o pagamento de 4,5 bilhões de dólares a título de compensação.

Kadafi surpreendeu o mundo quando se tornou um dos primeiros chefes muçulmanos a denunciar a rede Al Qaeda pelos ataques às Torres Gêmeas. Em 2003, ganhou os favores de George W. Bush (2001-2009) quando anunciou a existência de um programa de fabricação de armas de destruição em massa e que iria permitir que uma agência internacional fizesse a inspeção e as desmantelasse. Muitos ressaltaram que Kadafi vinha fazendo essa oferta desde 1999, mas foi ignorado.

Em 2004, o então premiê britânico Tony Blair visitou a Líbia, tendo elogiado Kadafi como um forte aliado na guerra internacional contra o terror. Posteriormente Bush, Sarkozy e o premiê italiano Silvio Berlusconi foram à Líbia e receberam a visita de Kadafi, fechando bilionários negócios que envolveram principalmente petróleo e armas modernas de guerra.
Fonte: Opera Mundi