quinta-feira, 31 de março de 2016

1991: Fim do Pacto de Varsóvia

Em 31 de março de 1991, foi extinto o Pacto de Varsóvia, fundado em 1955 pela União Soviética e seus satélites, em contraposição à Otan e em resposta à inserção da Alemanha em alianças militares ocidentais.
Cartaz de propaganda da aliança militar
As estruturas militares da aliança militar do Leste Europeu deixaram de existir no dia 31 de março de 1991. Sua dissolução foi decretada numa conferência dos ministros do Exterior e da Defesa dos países-membros, realizada em fins de fevereiro daquele ano em Budapeste. Justamente os representantes da União Soviética estavam ausentes.
Ou será que eles simplesmente quiseram evitar uma situação desagradável? Afinal, 35 anos antes, os tanques soviéticos haviam acabado com uma revolução popular ali mesmo em Budapeste, capital da Hungria. Além disso, a cerimônia que punha fim ao Pacto tinha lugar no salão de baile de um luxuoso hotel norte-americano.
Resposta do Leste à Otan
Fazia quase 36 anos que fora criado, a 14 de maio de 1955, na capital que lhe deu o nome, o Pacto de Varsóvia, com o qual os países do bloco comunista se contrapunham à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Mais ainda, reagiam ao fato de a Alemanha ter recuperado, por meio dos Tratados de Paris, a soberania perdida após a derrota na Segunda Guerra e ter sido aceita na Otan e na União da Europa Ocidental.
Haviam participado da fundação, ao lado da União Soviética: Albânia, Bulgária, Hungria, Polônia, Romênia, assim como as antigas República Democrática Alemã e Tchecoslováquia. Formalmente, o Pacto de Varsóvia – que se reportava aos estatutos das Nações Unidas – era um acordo regional entre parceiros em igualdade de direitos, para a defesa coletiva em caso de agressão externa. Na verdade, tratava-se de um instrumento tanto militar como político da União Soviética, com a meta de disciplinar seus membros.
Um ano após a fundação, os húngaros sentiram na pele o que isso significava, quando seu desejo de liberdade foi massacrado pelos tanques soviéticos. E o mais tardar em agosto de 1968 a organização deixou claro ao mundo o que ela era na realidade: um instrumento de poder em mãos de políticos soviéticos, capazes de tudo para impor a hegemonia de seu conglomerado de países. Desta vez o alvo foi a Tchecoslováquia, em cuja capital tinha lugar o movimento pela democracia que ficou conhecido como a Primavera de Praga.
Começo do fim
Foi justamente com a intervenção em Praga que começou o fim do Pacto de Varsóvia: os albaneses saíram da aliança em sinal de protesto e os romenos não participaram da invasão. Nos anos seguintes, multiplicaram-se as tentativas de reorganização da aliança: no fundo, apenas gestos para dar a impressão de que seus membros tinham o que dizer. Na realidade, o Pacto continuou a ser o que era: na era de distensão dos anos 1970, um instrumento da política externa soviética; no início da década de 1980, um instrumento de propaganda contra as estratégias da Otan.
A política de abertura de Mikhail Gorbatchov acelerou o processo de desintegração, reforçado ainda pelas transformações políticas na RDA, Bulgária e Romênia, e pela retirada das tropas soviéticas da Hungria e Tchecoslováquia. Por fim, com a anuência de Gorbatchov para a reunificação da Alemanha e a permanência desta na Otan, o Pacto de Varsóvia perdeu a razão de existir.
Três meses após a cerimônia em Budapeste, na qual se dissolveu sua estrutura militar, foi assinado em Praga o protocolo do término do "acordo de amizade, cooperação e assistência mútua", como era seu nome oficial.
Oito anos mais tarde, a República Tcheca, Polônia e Hungria passaram a integrar a Otan, à qual pertencem desde março de 2004 também a Bulgária, Romênia, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Letônia e Lituânia – ou seja, quase todos os antigos inimigos, integrantes do extinto Bloco Comunista.
  • Autoria Christa Kokotowski (lk)
  • Link permanente http://dw.com/p/6QMe

quarta-feira, 30 de março de 2016

1867: Estados Unidos compram o Alasca da Rússia

No dia 30 de março de 1867, o então presidente dos Estados Unidos, Andrew Johnson, apresentou ao Senado uma proposta de compra de 1,5 milhão de quilômetros quadrados do Alasca, então pertencente à Rússia.
Não foram poupadas críticas à compra do que alguns chamavam de "geladeira do Tio Sam" ou "jardim dos ursos do presidente". O negócio foi aprovado pelo Senado por apenas um voto.
Para entender o contexto histórico da transação, é preciso retroceder no tempo até 1853. Naquela época, a Rússia e a Turquia estavam em guerra. O Reino Unido e a França apoiavam os turcos no pequeno conflito que ameaçava tornar-se uma grande guerra. O distante território da Rússia além do Estreito de Bering, então chamado América Russa, estava indefeso a um ataque da Marinha britânica.
O grande território gelado possuía apenas alguns centros de revenda de peles e alguns fortes militares. Uma companhia russo-americana que controlava o comércio na região foi encarregada oficialmente, em 1854, de fazer a proposta de venda aos Estados Unidos. Na realidade, a Rússia precisava de dinheiro.
Planos adiados várias vezes
Quando Washington acenou com a disposição de negociar, o Reino Unido se comprometeu a respeitar na guerra o território em questão e o esboço do contrato de venda desapareceu misteriosamente. Mas a miséria russa continuou e as poucas vantagens econômicas do território fizeram a ideia da venda voltar à tona em 1857.
O grão-duque Constantin, irmão do czar Alexandre 2º, queria que a Rússia se concentrasse em sua política interna e achou que a América Russa era um luxo descabido à situação do país. Quando as negociações foram reiniciadas com Washington, começou a Guerra Civil Americana. Nos quatro anos seguintes, os planos foram novamente esquecidos.
Em 1866, as ações da companhia de comércio russo-americana caíram rapidamente e a empresa estava à beira da falência. A venda do território do hoje Alasca voltou a ser assunto, tanto na Rússia como nos Estados Unidos. O enviado do czar à América, Eduard von Stoeckl, encaminhou a transação e estava confiante. Afinal, escreveu, os Estados Unidos compraram Louisiana da França, a Flórida da Espanha, além do Texas e a Califórnia do México.
Grande valor econômico
A decisão da venda foi tomada em São Petersburgo em 16 de dezembro de 1866. O então secretário de Estado William Seward era um expansionista convicto e viu na compra do Alasca a chance de restabelecimento da ordem no continente. As negociações duraram quatro dias. O preço final ficou em 7,2 milhões de dólares, ou seja, a pechincha de 4,74 dólares por metro quadrado.
Desde 3 de janeiro de 1959, o Alasca é oficialmente o 49º Estado norte-americano.
  • Autoria Jens Teschke(rw)
  • Link permanente http://dw.com/p/22WB

terça-feira, 29 de março de 2016

Divulgados os simpósios temáticos do Encontro Estadual de História



Simpósios Temáticos


001. Contribuições teórico-metodológicas da História para a pesquisa em História da Educação

Coordenadores:
LARISSA CAMACHO CARVALHO (Doutor(a) - Universidade de Caxias do Sul), LETÍCIA SCHNEIDER FERREIRA (Doutor(a) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

002. Direitos das Mulheres e Diversidade de Gênero: as lutas históricas pela construção da democracia

Coordenadores:
ALEXANDRE DE OLIVEIRA KARSBURG (Doutor(a) - Universidade Federal de Pelotas), NIKELEN ACOSTA WITTER (Doutor(a) - Centro Universitário Franciscano)

003. Ditaduras de segurança nacional no Cone Sul: história, memória, verdade e justiça

Coordenadores:
ENRIQUE SERRA PADRÓS (Doutor(a) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul), GILBERTO GRASSI CALIL (Pós-doutor(a) - UNIOESTE)

004. E/imigração na América Latina: história comparada

Coordenadores:
MARCOS ANTÔNIO WITT (Doutor(a) - Universidade do Vale do Rio dos Sinos), ROSANE MARCIA NEUMANN (Doutor(a) - Universidade de Passo Fundo)

005. Educação na Antiguidade Oriental, Clássica e Tardia e Ensino de História Antiga

Coordenadores:
RAFAEL DA COSTA CAMPOS (Doutor(a) - UNIPAMPA), SEMÍRAMIS CORSI SILVA (Doutor(a) - Universidade Federal de Santa Maria - UFSM)

006. Ensino de História e Educação: debates e pluralidades

Coordenadores:
CARLA BEATRIZ MEINERZ (Doutor(a) - UFRGS), KATANI MARIA NASCIMENTO MONTEIRO (Doutor(a) - UCS)

007. Entre ‘Esquerdas e Direitas’: convicções e conveniências; razões e obliterações no espectro político

Coordenadores:
CARLA BRANDALISE (Doutor(a) - UFRGS), LEANDRO PEREIRA GONÇALVES (Pós-doutor(a) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul)

008. Gênero, etnia e religião: possibilidades de pesquisa

Coordenadores:
DANIEL LUCIANO GEVEHR (Doutor(a) - FACCAT e ISEI), MARLISE REGINA MEYER (Doutor(a) - UPF - Universidade de passo Fundo)

009. História Ambiental: Diálogos e Perspectivas

Coordenadores:
ELENITA MALTA PEREIRA (Doutor(a) - Universidade Estadual do Centro-Oeste), FABIANO QUADROS RÜCKERT (Doutor(a) - Prefeitura Municipal de São Leopoldo)

010. História Cultural e suas interfaces: pesquisas e reflexões

Coordenadores:
ALICE DUBINA TRUSZ (Pós-doutor(a) - -), CARMEM ADRIANE RIBEIRO (Doutor(a))

011. História da educação latino-americana: culturas escolares, saberes e métodos de ensino em tempos democráticos e antidemocráticos

Coordenadores:
CLÁUDIO DE SÁ MACHADO JÚNIOR (Pós-doutor(a) - Universidade Federal do Paraná), JOSÉ EDIMAR DE SOUZA (Pós-doutor(a) - UFFS, Campus Erechim)

012. História da violência e das práticas de justiça: fontes, métodos e temas

Coordenadores:
LUIZA HORN IOTTI (Doutor(a) - Universidade de Caxias do Sul), MAÍRA INES VENDRAME (Pós-doutor(a) - Universidade do Vale do Rio dos Sinos)

013. História das Sociedades Africanas: fontes, temas e perspectivas de estudo

Coordenadores:
JOSÉ RIVAIR MACEDO (Pós-doutor(a) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul), MARÇAL DE MENEZES PAREDES (Pós-doutor(a) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul)

014. História e Direito: temas, fontes e métodos em abordagens interdisciplinares

Coordenadores:
ALFREDO DE JESUS DAL MOLIN FLORES (Doutor(a) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul), CLARICE GONTARSKI SPERANZA (Doutor(a) - Universidade Federal de Pelotas)

015. História e Marxismo: Estado, Cultura e Sociedade

Coordenadores:
DIORGE ALCENO KONRAD (Doutor(a) - UFSM), FREDERICO DUARTE BARTZ (Doutor(a) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

016. História e os múltiplos olhares para a Imagem

Coordenadores:
ELISABETE DA COSTA LEAL (Pós-doutor(a) - UFPel), LAURA FERRAZA DE LIMA (Doutor(a) - PPGH - UFRGS)

017. História Rural em perspectiva: produção, ambiente, poder, conflitos e direitos

Coordenadores:
GUINTER TLAIJA LEIPNITZ (Doutor(a) - UNIPAMPA), MARCOS GERHARDT (Doutor(a) - Universidade de Passo Fundo)

018. História, Imagem e Cultura Visual

Coordenadores:
CAROLINA MARTINS ETCHEVERRY (Pós-doutor(a) - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), IVO DOS SANTOS CANABARRO (Doutor(a) - UNIJUI)

019. História, Religiões e Religiosidades

Coordenadores:
GIZELE ZANOTTO (Pós-doutor(a) - Universidade de Passo Fundo), MAURO DILLMANN TAVARES (Doutor(a) - Universidade Federal do Rio Grande - FURG)

020. Mundos do Trabalho: novas e velhas perspectivas no estudo do trabalho e dos trabalhadores

Coordenadores:
BEATRIZ ANA LONER (Doutor(a) - UFPel), NAUBER GAVSKI DA SILVA (Doutor(a) - UNICAMP)

021. NEGROS NO RIO GRANDE DO SUL: ORGANIZAÇÕES SOCIAIS, DEMANDAS E CONQUISTAS

Coordenadores:
ARILSON DOS SANTOS GOMES (Doutor(a) - FAPA), JOSÉ ANTÔNIO DOS SANTOS (Doutor(a) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

022. O Brasil e os grandes conflitos bélicos: Forças Armadas, cultura e relações internacionais

Coordenadores:
ANDREA HELENA PETRY RAHMEIER (Doutor(a) - FACCAT), IANKO BETT (Doutor(a) - Museu Militar do Comando Militar do Sul - MMCMS)

023. O historiador em seu tempo: questões de teoria da história e de história da historiografia

Coordenadores:
MARINA CORRÊA DA SILVA DE ARAUJO (Doutor(a) - bolsa pós-doutorado doc fix Fapergs/Capes), RENATA DAL SASSO FREITAS (Doutor(a) - Universidade Federal do Pampa)

024. O Rio Grande do Sul no Debate Historiográfico Recente

Coordenadores:
CLÁUDIO PEREIRA ELMIR (Doutor(a) - Universidade do Vale do Rio dos Sinos), MARA CRISTINA DE MATOS RODRIGUES (Pós-doutor(a) - UFRGS)

025. Origens e antecedentes do golpe de 1964: ensino, democracia e direitos em tempos de ameaças

Coordenadores:
CHARLES SIDARTA MACHADO DOMINGOS (Doutor(a) - IFSUL/Câmpus Charqueadas), TATYANA DE AMARAL MAIA (Pós-doutor(a) - PUC-RS)

026. Percursos da Saúde Pública e da Assistência

Coordenadores:
ANA PAULA KORNDORFER (Doutor(a) - Universidade do Vale do Rio dos Sinos), EVERTON REIS QUEVEDO (Doutor(a) - MUHM)

027. Política Externa e Relações Internacionais: história e historiografia.

Coordenadores:
MATEUS DALMÁZ (Doutor(a) - UNIVATES), RODRIGO PERLA MARTINS (Doutor(a) - Universidade Feevale)

028. Protagonismos negros, Emancipações e pós-Abolição

Coordenadores:
PAULO ROBERTO STAUDT MOREIRA (Pós-doutor(a) - Universidade do vale do Rio dos Sinos), RODRIGO DE AZEVEDO WEIMER (Pós-doutor(a) - Fundação de Economia e Estatística)

1912: Expedição de Robert Falcon Scott ao Polo Sul termina em tragédia

Em 29 de março de 1912, o britânico Robert Falcon Scott escrevia as últimas palavras em seu diário: "O fim não deve demorar". Era o final trágico de uma expedição que deveria trazer glórias aos exploradores do Polo Sul.
Robert Falcon Scott em 1912
"Desde o dia 21, há ininterruptamente uma tempestade de oeste-sudoeste e sudoeste. No dia 20 ainda tínhamos combustível para preparar duas xícaras de chá para cada um e alimentos secos para dois dias. Todos os dias estávamos dispostos a marchar os 20 quilômetros até nossa base, mas diante da nossa tenda não se reconhece nada a não ser um turbilhão infernal de neve. Não acredito que possamos aguardar melhoras no tempo. Mas vamos aguentar até o fim. Estamos cada vez mais fracos e a morte não deve demorar. É uma lástima, mas não creio que ainda possa continuar escrevendo."
Uma tragédia humana no continente gelado marcou o dia 29 de março de 1912. O autor desesperado dessas linhas, o britânico Robert Falcon Scott, morreu com dois companheiros de expedição numa pequena barraca, num deserto de gelo. Só uma frase ele ainda conseguiu rascunhar, com os dedos gelados, no diário que testemunhou seu destino:
"Pelo amor de Deus, cuidem de nossas famílias!"
Scott morreu quando retornava à base de sua expedição, dois meses depois de atingir o Polo Sul. Outra pequena tragédia já havia acontecido no dia 16 de janeiro. Ao chegar ao ponto mais meridional do planeta, a equipe – então ainda com cinco homens – tinha perdido a corrida para o norueguês Roald Amundsen (que atingira o Polo Sul em 14 de dezembro de 1911). A decepção ficou registrada no diário de Scott, no dia 18 de janeiro:
"De repente, vimos uma mancha negra! Não podia ser nada natural. Seguimos e vimos tratar-se de uma bandeira preta presa a um esqui. Próximo, um acampamento abandonado, com pegadas de pessoas e cães por todos os lados. Estava claro: os noruegueses chegaram na nossa frente. Amundsen chegou primeiro ao Polo! Depois de tudo que passamos, frio, fome, estamos enfrentando o choque por termos chegado muito tarde. Agora, temos medo de voltar!"
O fato de a equipe não conseguir retornar teve várias causas. A nevasca a poucos quilômetros da base foi apenas uma delas. A psicologia abalada por não terem sido os primeiros foi outro motivo. Mas, apesar do planejamento detalhado da expedição, Scott cometeu um erro logo no começo.
Enquanto Amundsen apostou em cães para puxar os trenós, Scott resolveu levar trenós motorizados e pôneis. Desacostumados ao clima, os cavalos logo tiveram que ser executados. Já os trenós não funcionaram no frio antártico.
Triste consolo para o grupo de Scott seria saber que, por causa da tragédia, entrou para a história. Hoje, pelas circunstâncias da morte, os britânicos têm mais carisma que o próprio pioneiro Amundsen.
  • Autoria Jochen Kürten (rw)
  • Imprimir Imprimir a página
  • Link permanente http://dw.com/p/3HZP

segunda-feira, 28 de março de 2016

1849: Constituição Imperial Alemã

No dia 28 de março de 1849, os deputados da Assembleia Nacional de Frankfurt aprovaram a primeira Constituição da Alemanha. Mas ela duraria pouco.
A Constituinte reunida na Igreja de São Paulo, em litografia de Paul Bürde
Um acontecimento raro na história: um rei recusar um título hereditário de imperador. Foi o que aconteceu em 1849 com Frederico Guilherme 4º. O rei da Prússia não aceitou o novo título, por julgá-lo resultado da Revolução de 1848, indigna para um legítimo "rei pela graça de Deus".
Ele chegou a comparar a coroa com uma "coleira de cachorro, resultado de uma revolução ingênua, a pior do século". O próprio rei havia incentivado a formação da Assembleia Constituinte, temendo os ventos da democracia que poderiam soprar da França.
Para que não se chegasse a tanto na Alemanha, ele resolveu fazer algumas concessões. Os parlamentares, a maioria catedráticos ou juristas, reuniram-se na Igreja de São Paulo em Frankfurt com a incumbência de confeccionar uma Constituição prevendo a unidade nacional e a reforma democrática. Tratava-se de grandes cortes nos poderes da monarquia até aí.
Um catálogo de direitos fundamentais, publicado em dezembro de 1848 pela Assembléia, já previa direitos civis como a liberdade de imprensa e de reunião, além de podar privilégios da nobreza. Com esta base, foram criadas condições para a futura Constituição.
Inspiração para as futuras Constituições alemãs
Por ocasião dos 150 anos da Assembleia Constituinte de Frankfurt, o jurista e então presidente da Alemanha, Roman Herzog, destacou que a Constituição de 1849 foi não só um dos documentos mais progressistas de seu tempo, como também serviu de inspiração para as futuras Constituições alemãs.
No tocante à questão da unidade nacional, a Constituição de 1849 optou pela unidade dos Estados, deixando a Áustria de lado. Na liderança do novo império alemão estaria um imperador, ao lado de um Reichstag (parlamento) eleito democraticamente, mas de competências limitadas.
A Constituição e o sistema democrático fracassaram devido à resistência do rei Frederico Guilherme 4º. Em junho de 1849, o que restou do parlamento foi dissolvido pelos militares e os direitos fundamentais cassados. A consequência foram rebeliões populares nas grandes cidades, reprimidas violentamente.
  • Autoria Rachel Gessat (rw)
  • Link permanente http://dw.com/p/1HbG

domingo, 27 de março de 2016

1811 - Tem início o movimento ludita na Inglaterra


Temendo o desemprego, trabalhadores atacaram e destruíram máquinas que elevariam a produtividade das fábricas
Em 26 de março de 1811, em Nottingham, na Inglaterra, os trabalhadores de uma fábrica têxtil destroçaram as máquinas acusando-as de lhes roubar trabalho e salário.
WikiCommons

Esse movimento de revolta, suscitado pela crença de que a mecanização geraria desemprego, iria se desenvolver até 1816 nas Midlands, região central da Inglaterra. Era chamado de ludismo, nome derivado de um legendário operário que havia destruído dois teares por volta de 1780, John Ludd.
Contava-se então a história de um sábio que apresentara a um imperador romano um copo de vidro inquebrável. Na crença de que esta invenção levaria a maioria dos vidraceiros ao desemprego, provocando sua revolta, o imperador mandou executar o inventor.
Pode-se  seguramente situar no começo do século XVIII as primeiras revoltas operárias, alimentadas pela crença de que a mecanização provocaria desemprego. Seguiram-se à invenção de um dispositivo revolucionário por um jovem mecânico tecelão de Bury, a lançadeira mecânica volante.
Empregado de um cortineiro de Colchester, John Kay tinha menos de 30 anos quando pôs para funcionar essa máquina. Graças a um sistema de reenvio automático, ela permitia entrecruzar os fios de uma tela no curso da produção de um tecido qualquer que fosse a sua largura.
Até então a largura das telas era ajustada à envergadura dos braços dos trabalhadores tecelões, pois eram eles mesmos, para entrecruzar os fios, que deveriam fazer passar a lançadeira de um lado ao outro. Para obter telas mais largas, era necessário acrescentar outro operário ao ofício. A invenção provocou desequilíbrio, pois começa­ram a faltar fios produzidos na roca.
Esta invenção aparentemente simples fez aumentar a produtividade dos oficiais tecelãos. Os trabalhadores viam nela uma ameaça ao seu emprego e expulsam Kay, que tenta, em vão, vender sua invenção aos fabricantes de tecido da cidade vizinha de Leeds.
Apesar de tudo, a lançadeira mecânica volante se impõe. dobrando a produtividade da tecelagem, faz baixar fortemente o custo dos tecidos, acarretando um aumento significativo da demanda. Em lugar de reduzir o número de empregos, contribuiu para aumentá-los em toda a linha da produção têxtil inglesa.
Com a lançadeira mecânica inaugurava-se em 1733 a Primeira Revolução Industrial. Ela se caracterizava por um ritmo sensível de crescimento econômico da Inglaterra e o nascimento das primeiras fábricas, essencialmente do ramo têxtil. Dentro desse processo dinâmico, uma inovação se sucedia a outra rapidamente.
Além da tecelagem, os industriais da fiação tentavam a duras penas atender à demanda de fio. Seu problema foi resolvido por uma nova invenção, a de Richard Arkwright, mecânico de mais sorte que John Kay e que faria fortuna com sua máquina de fiação do algodão, a «Jenny». Permitia ao operário acionar 8,16 e até mesmo 60 rocas de uma só vez utilizando apenas a energia hidráulica.
Para melhorar o desempenho de seu invento, Arkwright lançou mão em 1777 da máquina a vapor projetada por um mecânico escocês igualmente inspirado, James Watt.
Para o branqueamento das telas, não era mais suficiente a técnica tradicional que consistia em untá-las com leite coalhado, deixando-as secar ao sol. Passou-se a utilizar o cloro que um químico francês, Nicolas Leblanc, conseguiu extrair do sal marinho de modo industrial às vésperas da Revolução.
Além do mais, do outro lado do Atlântico, os plantadores da Virgínia, mostravam-se ansiosos e entusiasmados em responder à explosão da demanda europeia por produtos de algodão. Em 1793, Eli Whitney inventa um dispositivo para separar o caroço do algodão de sua fibra. O novo descaroçador permitia mecanizar a fiação do algodão e baixar o preço da preciosa fibra. Isto faria a fortuna dos plantadores e alavancaria financeiramente o vertiginoso progresso dos EUA. Contudo, a colheita, por falta ainda de mecanização, exigia muita mão de obra, daí a intensificação do tráfico de escravos provenientes da África com as consequências dramáticas para a jovem nação.
No começo do século XIX, em um contexto de expansão econômica, o ludismo se mostrava como um movimento de retrocesso. Foi evidentemente condenado pelos patrões e pelos economistas liberais, mas também por Karl Marx que via nele uma prova da insuficiente educação dos operários. Aos seus olhos o problema não era a máquina mas a exploração que o dono dela fazia em detrimento dos trabalhadores.
Fonte: Opera Mundi

1845: Nasce Wilhelm Conrad Röntgen, o "pai" do raio X

No dia 27 de março de 1845 nasce na Alemanha o físico que revolucionaria as ciências naturais ao descobrir que a radiação pode atravessar substâncias opacas à luz comum.
O físico alemão Wilhelm Conrad Röntgen estudou na Holanda e na Suíça, formando-se em Zurique. Pela descoberta dos raios X, em 1901, foi o primeiro a receber o Prêmio Nobel de Física.
Röntgen interessou-se pela Física após haver cursado engenharia mecânica. Em novembro de 1895, já trabalhando como professor da Universidade de Würzburg, na Alemanha, observou um fenômeno surpreendente ao fazer experimentos com um tubo de raios catódicos.
Sabia-se, na época, que certos materiais emitiam luz quando expostos a raios catódicos. O tubo de raios catódicos tinha sido inventado pelo inglês William Crookes (1832-1919) anos antes. Era um tubo de vidro, dentro do qual um condutor metálico aquecido emitia elétrons – os raios catódicos – em direção a outro condutor.
Quando Röntgen ligou o tubo, uma placa de material fluorescente – bário – brilhou. Ele desligou o tubo e o brilho sumiu. O brilho persistiu quando Röntgen colocou um livro e uma folha de alumínio entre o tubo e a placa. Alguma coisa saía do tubo, atravessava barreiras e atingia a placa de bário.
Röntgen concluiu que o tubo emitia, além dos raios catódicos, algum tipo de radiação desconhecida. Por isso lhe deu o nome provisório de raios X. Ele preferiu aperfeiçoar seus experimentos antes de divulgá-los. Em menos de dois meses, havia acumulado conclusões suficientes para publicar seus resultados.
Em dezembro, fez a radiação atravessar a mão de sua esposa, Bertha, durante 15 minutos. Do outro lado, colocou uma chapa fotográfica. Depois de revelá-la, viam-se nela os contornos dos ossos da mão: era a primeira radiografia da história. A imprensa noticiou o fato com destaque em 5 de janeiro de 1896.
Sucesso na medicina
A descoberta de Röntgen fez enorme sucesso na medicina, porque permitia, pela primeira vez, observar o interior do corpo mantendo-o intacto. Nesta época, ainda não se sabia que estes raios, em excesso, podem prejudicar o organismo. Ao usar os raios X em suas pesquisas, o físico francês Becquerel, alguns meses mais tarde, descobriu a radioatividade.
Röntgen recusou um título de nobreza que lhe foi oferecido e preferiu não patentear qualquer aparelho ou processo relacionado com os raios X, pois desejava que a humanidade se beneficiasse da sua descoberta.
Sem ela, não conheceríamos as estruturas das moléculas, não haveria esperanças de curar o câncer, não teríamos informações importantes sobre o interior de uma série de organismos (inclusive das múmias), nem poderíamos ver as explosões do Sol.
Os raios X são ondas eletromagnéticas de comprimento muito curto, cerca de um milhão de vezes menor do que 1 milímetro. As técnicas de detecção de imagem por raios X propiciaram o descobrimento da ressonância magnética, da ultra-sonografia e da medicina nuclear. A tomografia computadorizada, uma superevolução do raio X, equivale a cerca de 130 mil radiografias.

sábado, 26 de março de 2016

1957 - Nasce em Roma a Comunidade Econômica Europeia


Pedra fundamental da contemporânea União Europeia, CEE era vista por dirigentes do pós-guerra como resultado de vontade de paz no continente
Em 25 de março de 1957, os representantes de seis países europeus lançam em Roma as bases da atual União Europeia. Esse acontecimento era, na visão dos dirigentes do pós-guerra, o resultado de uma vontade expressa de paz.
WikiCommons
Em 1949, nascia o Conselho da Europa, conglomerado de dez países europeus que alimentava grandiosas ambições mas que, em seus poderes, acabava irrisório perto do que era a Alemanha.
Jean Monnet, o «Pai da Europa», propõe então alicerçar a integração europeia em realizações concretas. Cria entre 1950 e 1951 a CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço) com o respaldo de três líderes cemocratas-cristãos : Robert Schuman, da França, Konrad Adenauer, da Alemanha, e Alcide de Gasperi, da Itália. Tratava-se da primeira administração supranacional do continente. A Grã Bretanha se recusou a integrá-lo.
O sucesso da CECA suscita o projeto de um exército europeu sob o nome de CED (Comunidade Europeia de Defesa). A CED possuia a dupla vantagem de reaproximar os países europeus e de suspender um eventual rearmamento da Alemanha. O fracasso desse empreendimento, em 1954, esfriou os entusiasmos.
Jean Monnet voltou à cena ao lado do belga Paul-Henri Spaak. Juntos, sugeriram um acercamento dos industriais e propuseram também uma supressão progressiva das barreiras aduaneiras.
A invasão da Hungria pelos tanques soviéticos em 4 de novembro de 1956 e, ao mesmo tempo, o penoso fracasso da expedição franco-britânica em Suez reavivaram a necessidade de os europeus reforçarem sua união a fim de fazer face ao que consideravam um gesto de arrogância das Super-Potências URSS e EUA.
Finalmente, em 25 de março de 1957, Alemanha, França, Itália, Holanda, Bélgica e Luxemburgo assinam em Roma o tratado Euratom e o tratado sobre a criação da CEE (Comunidade Econômica Europeia).
O primeiro tratado abarca todo o interesse do público. É um prolongamento da CECA, acrescentando-lhe um toque de modernidade. O segundo tratado, ao contrário, faz uma entrada discreta. No entanto, iria levar, passo a passo, à integração econômica e política da Europa Ocidental. Todavia, esse tratado era ambíguo e não se pronunciava sobre o debate franco-alemão acerca da instauração de um protecionismo europeu, a «preferência comunitária».
A ratificação do tratado, porém, enfrentaria obstáculos. Eminentes personalidades se opuseram a ele, como o deputado socialista Pierre Mendès France, que acreditava que a indústria nacional francesa não suportaria a abertura das fronteiras e a concorrência alemã. Em posição oposta, mais visionária, o general Charles de Gaulle, pressionado por seus próximos ao veto, se recusa. Escreveu em um dossiê: «nós somos fortes mas eles não percebem».
O Tratado de Roma sobre a CEE entra enfim em vigor em 1º de janeiro de 1958. Instala um Parlamento cuja sede é estabelecida em Bruxelas e uma Corte de Justiça em Luxemburgo.
O poder executivo é confiado aos Conselho de Ministros dos países membros. Mas a efetivação das decisões é delegada a uma Comissão Europeia permanente, com sede em Bruxelas, e cuja influência não cessaria de crescer até os nossos dias.
Fonte: Opera Mundi

1954: Moscou reconhece a soberania da Alemanha Oriental

No dia 25 de março de 1954, a União Soviética reconhece a soberania da República Democrática Alemã (RDA), correspondente à sua zona de ocupação desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Grotewohl, primeiro-ministro da RDA de 1949 a 1964
A ilusão de se estar vivendo uma fase transitória e de  que a divisão da Alemanha no pós-guerra era somente provisória acabou no dia 25 de março de 1954. A declaração de reconhecimento da soberania tornou internacionalmente evidente que a União Soviética não contava mais com uma rápida reunificação da Alemanha.
A história que antecedeu o 25 de março de 1954 começou na Segunda Guerra Mundial. Pelo Protocolo de Londres (de 12 de setembro 1944), os Estados Unidos, a Inglaterra e a URSS decidiram que o Deutsches Reich (Império Alemão) sumiria do mapa.
A intenção era dividir o país em três zonas de ocupação. Na Conferência de Ialta, na região russa da Crimeia, em fevereiro de 1945, a França foi aceita como quarta potência controladora. No dia 5 de junho de 1945, as quatro potências vitoriosas da Segunda Guerra assumiram o controle do território alemão. As opiniões sobre o futuro da Alemanha eram profundamente divergentes, fazendo com que os limites das zonas de ocupação militar se transformassem em fronteiras políticas.
Zonas de ocupação
A divisão da Alemanha em zonas de ocupação deveria impedir para sempre que ela ambicionasse a hegemonia mundial, depois das tentativas de 1918 e 1939. Inicialmente, um conselho controlador dos aliados, sediado em Berlim Ocidental, deveria governar as quatro zonas.
Mas as crescentes tensões entre as potências tornava difícil uma administração efetiva. Este foi, segundo Otto Grotewohl – primeiro-ministro de 1949 a 1964 na República Democrática Alemã, a Alemanha comunista –, o principal obstáculo à unificação das zonas de ocupação. "Na Alemanha, não faltam fronteiras e acordos interzonais, mas sim unidade política e econômica e um governo central", disse.
A manutenção das quatro zonas como unidades econômicas e políticas representava apenas um consenso mínimo. Cada uma das potências ocupantes deveria, primeiro, satisfazer suas reivindicações de reparação de guerra dentro da própria zona de ocupação. O resultado foi que as zonas ocidentais foram integradas ao sistema democrático, capitalista, enquanto a zona oriental foi reestruturada de acordo com o modelo soviético, comunista.
A criação das duas Alemanhas
Em 1949, foram criados os dois estados alemães: em maio, foi aprovada a Constituição da Alemanha Ocidental (República Federal da Alemanha – RFA); e em outubro, foi proclamada a Alemanha Oriental (República Democrática Alemã – RDA).
A Alemanha Ocidental destacava no preâmbulo o caráter provisório da Constituição, que só deveria valer até a reunificação da Alemanha. A reunificação e a pretensão de representar toda a Alemanha foram questões sempre presentes nas políticas ocidental e oriental nos anos seguintes.
Após o levante popular de 17 de junho de 1953 contra a falta de liberdade e o excesso de burocracia na RDA, houve uma nova tentativa internacional para resolver a "questão alemã". As quatro potências reuniram-se em Berlim para negociar a reunificação. A conferência fracassou, principalmente, na questão das eleições livres para toda a Alemanha.
Declaração de soberania da RDA
Depois do fracasso das negociações, em janeiro de 1954, a União Soviética declarou, em março, a RDA como estado soberano. Com isso, selou oficialmente a divisão da Alemanha, mesmo que a RFA tenha se negado, durante 18 anos anos, a reconhecer esse fato.
Somente em 1972, o governo social-liberal de Willy Brandt assinaria um acordo básico com a RDA, reconhecendo o status quo. E foi necessário esperar mais 18 anos, até a reunificação dos dois estados alemães, em 1990.
  • Autoria Rachel Gessat (gh)
  • Link permanente http://dw.com/p/3HYT

quinta-feira, 24 de março de 2016

1969: Lennon e Ono dormem pela paz

Em 24 de março de 1969, os recém-casados John Lennon e Yoko Ono receberam a imprensa no quarto de seu hotel em Amsterdã. Era uma lua de mel pública, pela paz no mundo.
Naquele ano, protestava-se contra outra guerra, a do Vietnã
Durante sete dias, os recém-casados Yoko Ono e John Lennon passaram a lua-de-mel na cama da suíte presidencial do Hotel Hilton em Amsterdã, na Holanda. O peculiar foi que, todos os dias, recebiam jornalistas e fotógrafos do mundo inteiro para divulgarem seu bed-in for peace, uma campanha pela paz, contra a Guerra do Vietnã.
A forma de protesto contra a violência chegou a ser repetida em outras cidades. Esse foi mais um passo de Lennon em busca de independência em relação aos Beatles, banda da qual fizera parte. O processo de dissolução do grupo havia começado em 1966, quando cada um dos músicos começou a desenvolver projetos individuais e Lennon conheceu a vanguardista japonesa Yoko Ono em Londres.
A tentativa de Ono de participar das gravações da banda nos estúdios Twickenham, em 1969, foi rejeitada pelos parceiros George Harrison, Ringo Starr e principalmente por Paul McCartney. Lennon distanciou-se mais ainda do grupo e casou-se em 20 de março em Gibraltar, onde o casal teve a ideia de chamar a atenção para uma campanha pela paz.
"Todos falam de paz, mas ninguém faz nada por ela. A gente pode deixar crescer os cabelos ou renunciar a uma semana de férias pela paz. O importante é que ela só pode ser atingida com métodos pacíficos. Combater um sistema com as armas é errado. Eles são milhares e ganhariam sempre. Se quiserem te apagar, te matam. Mas, contra o humor pacífico, eles não têm estratégia", foi a mensagem de Lennon.
Barrados nos EUA
De volta a Londres, o casal resolveu repetir o bed-in nos Estados Unidos. Eles pretendiam viajar a Nova York no famoso transatlântico de luxo Queen Elizabeth 2º, ao lado de Ringo Starr, Peter Sellers e outros atores do filme Magic Christian. As malas já estavam a bordo quando receberam a notícia de que os Estados Unidos se negavam a conceder o visto de entrada. Alegaram que Lennon era "indesejado" por causa de um delito envolvendo drogas.
Resolveram então ir para Montreal, no Canadá, onde promoveram sua campanha pela paz durante dez dias num quarto do Hotel Rainha Elizabeth. Na ocasião – era junho de 1969 – gravaram a músicaGive Peace a Chance (Dê uma Chance à Paz).
Essa campanha de Lennon durou quase dez meses, entre março e dezembro de 1969. Apoiado por Yoko Ono, ele encontrou várias maneiras para chamar a atenção nesse período.
Uma delas foi devolver a medalha de honra Membro da Ordem do Império Britânico ao Palácio de Buckingham, em protesto à intromissão inglesa na Guerra da Biafra e ao apoio aos Estados Unidos na Guerra do Vietnã.
  • Autoria Michael Kleff (rw)
  • Link permanente http://dw.com/p/20zb

quarta-feira, 23 de março de 2016

1964: Primeira conferência mundial sobre comércio

No dia 23 de março de 1964, 119 países participam em Genebra da primeira conferência mundial sobre comércio, organizada pelas Nações Unidas.
Acesso ao mercado mundial para produtos dos países pobres é objetivo da Unctad
Um dos principais objetivos dos representantes de 75 países em desenvolvimento que participaram da conferência era garantir bons preços às suas matérias-primas no mercado mundial. Essa meta, assim como a tentativa de vender aos países ricos sua produção industrial e garantir empregos, não foi aceita pelo Hemisfério Norte.
Os países desenvolvidos, por sua vez, resolveram "fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para criar melhores condições para uma nova ordem mundial".
O único resultado concreto desta Conferência da ONU de Comércio, Energia e Desenvolvimento, que, aliás, custou 25 milhões de francos suíços, foi a intenção de organizá-la regularmente e a iniciativa de formar a Organização das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad). Esta acabou sendo criada em dezembro do mesmo ano.
Instituição internacional para questões de desenvolvimento
A Unctad foi criada como entidade intergovernamental permanente para tratar das questões do desenvolvimento e outros assuntos sobre comércio, finanças, tecnologia e desenvolvimento sustentável.
Seu objetivo oficial: "Aumentar ao máximo as oportunidades de comércio, investimentos e progresso dos países em desenvolvimento, ajudando-os a fazer frente às consequências da globalização e da integração da economia mundial em condições equitativas. Atuar na expansão e diversificação das exportações, na abertura de mercados e ajuste de estruturas produtivas dos países em desenvolvimento."
Atualmente, a entidade funciona mais como um fórum para debater temas de interesse de seus membros. As negociações mundiais sobre acessos a mercados acontecem na Organização Mundial do Comércio (OMC), criada em 1995 para substituir o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), que vigorava desde 1948.
  • Autoria Gerda Gericke (rw)
  • Imprimir Imprimir a página
  • Link permanente http://dw.com/p/1Hau

terça-feira, 22 de março de 2016

1312: Dissolução da Ordem dos Templários

A 22 de março de 1312, o papa Clemente 5º dissolveu a Ordem dos Templários, alegando degeneração e heresia. A ordem, criada em 1119 para proteger os peregrinos, foi uma das mais poderosas organizações da Idade Média.
Jacques de Molay, gravura de Amedee Felix Barthelemy Geille
Tesouros afundados, atos heroicos, ritos religiosos secretos e uma forte crença comum: este o material de que são feitos os mitos. A Ordem dos Cavaleiros do Templo era uma das mais poderosas e enigmáticas sociedades secretas da Idade Média.
Fundado em torno de 1119, em Jerusalém, por cruzados franceses, o grupo nasceu para proteger peregrinos cristãos que empreendiam a longa e perigosa jornada até a Terra Santa. Séculos mais tarde, o tema dos templários foi enfocado por Umberto Eco em seu livro O pêndulo de Foucault.
Com rituais de iniciação, voto de pobreza e uma dedicação espartana, os templários se tornaram monges-guerreiros, detentores de profundo conhecimento esotérico e donos de enorme fortuna.
No ano 1139, uma bula papal determinou que os cavaleiros não estariam subordinados a nenhum outro poder a não ser o do papa. Jovens nobres de todo o mundo cristão seguiram o ditado e doaram seus bens à organização.
Aumento da influência
Aos poucos, passaram a influenciar os centros do poder político e financeiro em toda a Europa e na Terra Santa. Os cheques, por exemplo, são uma invenção dos templários. Também foram responsáveis por outros importantes inventos e descobertas na medicina, na navegação e na construção de estradas.
Em 1307, às vésperas de a ordem completar 200 anos, o rei da França, Felipe, o Belo – que tinha dívidas com os templários –, começou a perseguir a organização. Os bens foram confiscados e os membros, presos. Sob tortura, foram obrigados a confessar a prática de obscenidades, homossexualismo e a negação de símbolos cristãos.
Pouco tempo depois, o papa Clemente 5º ordenou a todas as dinastias na Europa a prisão de templários e o confisco de seus bens. No dia 22 de março de 1312, o Santo Padre decretou o fim da Ordem dos Cavaleiros do Templo e, dois anos mais tarde, 500 membros foram queimados vivos em Paris, entre eles, seu último grã-mestre, Jacques de Molay.
Pedro Álvares Cabral
Alguns templários sobreviventes foram acolhidos pelo rei de Portugal, dom Dinis. Em 1317, ele obteve permissão de Roma para fundar a Ordem dos Cavaleiros de Cristo, que manteve a estrutura e os símbolos dos templários.
A maioria dos grandes viajantes portugueses, entre eles Pedro Álvares Cabral, pertencia à Ordem de Cristo e suas armadas singravam os mares com a Cruz de Copta, o símbolo dos templários, impressa nas velas.
Ao desembarcar no Brasil, vestindo o manto da Ordem de Cristo, Cabral estava, de certa forma, concretizando uma antiga profecia dos Cavaleiros do Templo. Grande padrinho das navegações lusitanas, infante dom Henrique foi, não por acaso, o administrador da Ordem dos Cavaleiros de Cristo. (bf/rw)