segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

1860: Nasce Herman Hollerith, "pai" do processamento de dados

Em 29 de fevereiro de 1860, nasceu nos Estados Unidos o estatístico Herman Hollerith, inventor de uma máquina de contar considerada precursora do moderno sistema de processamento de dados.
Herman Hollerith
Sete anos foi o período necessário para processar os dados do censo de 1880 nos Estados Unidos. Para não perder tanto tempo, em vista da nova contagem populacional marcada para 1890, era urgente encontrar uma forma que abreviasse a apuração. Justamente nesta época, um jovem descendente de alemães concluía o curso de Engenharia de Minas na Universidade de Columbia, no estado norte-americano de Nova York.
Herman Hollerith era fascinado por estatísticas. Seu objetivo: inventar uma máquina que conseguisse reunir e avaliar um grande número de dados sobre um tema. O matemático inglês Charles Babbage já havia inventado uma engenhoca que conseguia efetuar as quatro principais operações matemáticas. A memória da "calculadora" baseava-se em cartões perfurados. Mas, por falta de interesse, seu invento ficou engavetado durante 70 anos.
Hollerith baseou-se na ideia de Babbage e, em 1889, criou a máquina que conta usando cartões perfurados. Além disso, a posição dos furos no cartões fornecia informações adicionais, como idade ou profissão do entrevistado. A leitura dos dados era feita com agulhas metálicas. Quando elas se encontram num furo do cartão, fecha-se um circuito elétrico, acionando assim o sistema de contagem.
A "Máquina do Censo" foi aprovada com sucesso num teste em Saint Louis. O governo norte-americano ficou tão entusiasmado, que contratou Hollerith para o processamento dos dados do censo geral de 1890. Valeu a pena. Em vez de sete, a apuração levou apenas dois dias. Só uma coisa frustrou os norte-americanos. Em vez dos esperados 75 milhões de habitantes, os Estados Unidos tinham "apenas" 62 milhões.
Chegada à Europa
A Europa conheceu o inventor de origem alemã durante a Exposição Mundial de 1889, em Paris. Depois dos Estados Unidos e do Canadá, também a França e a Noruega encomendaram seus préstimos. Para dar conta da demanda, Hollerith abriu a Tabulating-Machine-Company, sua empresa nos Estados Unidos. Na Alemanha, sua subsidiária chamou-se Deutsche-Hollerith-Maschinen-Gesellschaft (Dehomag). Entre seus clientes, estavam repartições públicas e grandes empresas.
Em 1924, a filial nos Estados Unidos fundiu-se com várias empresas similares, surgindo a International Business Machines (IBM). Com o passar do tempo, as máquinas foram aperfeiçoadas: os cartões não precisam mais ser agrupados à mão e os resultados já saíam impressos. Uma evolução que garantiu novos clientes nos setores da contabilidade e planejamento.
O impulso decisivo para o empreendimento de Hollerith aconteceu no começo da década de 1940, com um invento simultâneo de Konrad Zuse, na Alemanha, e Howard Aiken, nos Estados Unidos: eles criaram uma calculadora com circuito eletrônico. Em 1944, a IBM apresentou a máquina de calcular programável e digital. Foi o primeiro computador, batizado Mark I, com 16 metros de comprimento e 35 toneladas de peso. O "monstro" consumia 100kW de energia.
De Fortran a DOS
O primeiro "cérebro eletrônico" foi usado basicamente pelos militares na Segunda Grande Guerra. A linguagem Fortran, desenvolvida pela IBM na década de 1950, seria o primeiro software concebido especialmente para fins científicos. Nos anos seguintes, a International Businesss Machines continuou ampliando sua liderança no mercado.
Na década de 1970, o desempenho do computador se tornou cada vez mais abrangente, expandindo suas funções para a área da elaboração de textos. O computador não interessava só às empresas e às repartições públicas, ele podia ser usado também pelo cidadão comum. Começava assim a era do computador pessoal.
Em 1981, a IBM deu mais um salto de qualidade ao lançar o sistema MS-DOS, criado pelo então desconhecido William "Bill" Gates.
  • Autoria Catrin Möderler (rw)
  • Imprimir Imprimir a página
  • Link permanente http://dw.com/p/1JEt

domingo, 28 de fevereiro de 2016

A destruição de Palmira como lição para humanidade

No ano passado, o "Estado Islâmico" explodiu a lendária cidade oásis, pondo abaixo construções milenares. Exposição em Colônia mostra a dimensão das perdas por meio de desenhos históricos.
O que restou das avenidas ladeadas de colunas em Palmira?
A organização terrorista "Estado Islâmico" (EI) escolheu um lugar simbólico para uma execução em massa: no dia 27 de maio de 2015, matou 25 sírios uniformizados nas ruínas do antigo anfiteatro de Palmira.
Através de um vídeo divulgado na internet, a opinião pública mundial pôde acompanhar posteriormente a pérfida ação. Horst Bredekamp escreveu, no catálogo da exposição Palmyra – Was bleibt? (Palmira – O que resta?), no Museu Wallraf Richartz em Colônia, que a execução foi o início de uma iconoclastia "encenado como prelúdio da destruição de obras de arte".
Foram destruídos os templos de Bel e Baalshamin, erguidos há 2 mil anos, e um arco do triunfo construído por volta do ano 200. Usando imagens de satélite, as Nações Unidas confirmaram a explosão do Patrimônio Cultural da Humanidade Palmira. Em sua sede de vandalismo, os extremistas mataram também o arqueólogo Khaled al-Assad, que dedicou toda a sua vida à pesquisa da cidade histórica.
Já existem iniciativas lideradas pelo diretor da Fundação do Patrimônio Cultural Prussiano em Berlim, Helmut Parzinger, de reerguer um dia a antiga cidade síria.
Templo de Bel foi destruído pelos jihadistas islâmicos
"Fúria de vandalismo"
Uma lembrança da antiga cidade são os 40 desenhos do historiador da arquitetura francês Louis-François Cassas, que viajou para o Oriente entre 1784 e 1787 com vista a retratar a "rainha do deserto": coluna por coluna, templo por templo. Segundo o curador Thomas ketelsen, com essa homenagem ao passado glorioso da cidade oásis, o Museu Wallraf Richartz quer enviar um "forte sinal cultural" e expressar sua solidariedade.
Os desenhos arquitetônicos vêm do acervo do museu coloniano. Eles foram adquiridos já no início do século 20 e foram restaurados agora – com o apoio de uma fundação particular – especialmente para a exposição.
Jean-François Cassas não foi o primeiro a documentar as antigas edificações de Palmira. Mas ele foi o primeiro a abordar os levantamentos com uma meticulosidade analítica notável. Diferentemente de seus predecessores, ele não destacou excessivamente a estética das ruínas. Em vez disso, ele as pesquisou e as ordenou.
Cassas atuou como um "artista que vê através das lentes da arquitetura", afirma Ketelsen. Ele reconheceu a peculiaridade da coexistência de diferentes épocas culturais, a sua "amalgamação": não somente o legado helênico, mas também estilos romanos e islâmicos se encontram sobrepostos na cidade oásis com suas avenidas ladeadas de colunas, suas termas e detalhes ornamentais. Segundo o curador, foi justamente essa mescla pacífica de estilos que o EI destruiu em sua "fúria de vandalismo".
Templo de Bel desenhado por Cassas em 1785: completado com sua imaginação
"Arquitetura imaginada"
Em 1785, Cassas desenhou todos os monumentos históricos do local em somente 34 dias: primeiro, eles levantou as plantas baixas, para depois se dedicar aos detalhes. O mais notável: o historiador francês apreendia o mundo das ruínas e depois as completava com sua imaginação. Pois ele diferenciava entre o visto e o imaginado. Ele deixou clara essa diferença em seus desenhos por meio de uma marcação de cor.
Imagens de satélite confirmam destruição de Palmira
Com esse método da "arquitetura imaginada", o historiador da arquitetura, cuja missão foi financiada pela embaixada francesa em Constantinopla, anunciou um ponto de virada na pesquisa arquitetônica.
Por trás de sua expedição, estava o projeto de uma publicação de gravuras sobre Palmira, o que ele conseguiu apenas parcialmente. No final, a edição continha somente 180 dos 330 trabalhos.
Já em vida, Cassas recebeu reconhecimento por sua obra: ninguém menos que Johann Wolfgang von Goethe, que visitou o francês em setembro de 1797 durante sua viagem à Itália, ficou fascinado e veio chamá-lo mais tarde de "meu professor". Goethe admirava Cassas por sua reconstrução precisa e rigorosamente estética da Antiguidade Tardia. O autor alemão admirava principalmente a fantasia com a qual Cassas catapultava os edifícios de volta à sua condição original.
Hoje, são esses desenhos cheios de amor ao detalhe os últimos testemunhos do rico passado de Palmira.
  • Data 26.02.2016
  • Autoria Sabine Oelze (ca)
  • Link permanente http://dw.com/p/1I372

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Integração marca Recepção Acalourada da UPF

Calouros foram recepcionados com programação especial, palestra com Marcos Piangers e momento cultural com música e descontração

Foto: Gelsoli Casagrande
Calouros foram recepcionados com programação especial
Como forma de receber os novos acadêmicos, a Universidade de Passo Fundo (UPF) realizou, na manhã desta quarta-feira, 24 de fevereiro, a já tradicional Recepção Acalourada. Calouros de diferentes cursos de graduação, acompanhados de seus professores, estiveram no ginásio da Faculdade de Educação Física e Fisioterapia (Feff) para participar da programação especial, que contou com uma palestra proferida pelo jornalista Marcos Piangers, sobre o tema “Inovação, uma espiada no futuro”.

Inicialmente, os membros da Reitoria da UPF e a presidente do Diretório Central de Estudantes (DCE), Larissa Gehlen Pedro, deram as boas-vindas aos alunos ingressantes. Participaram a vice-reitora de Graduação Rosani Sgari, a vice-reitora de Extensão e Assuntos Comunitários Bernadete Maria Dalmolin e o vice-reitor Administrativo Agenor Dias de Meira Junior. Para a professora Rosani, esses estudantes, a partir de agora, passam a construir a história da Instituição. “Como os acadêmicos convivem uma boa parte da vida dentro da Universidade, ela se torna sua nova casa, seu novo espaço, e, nós, como instituição de ensino superior, contribuímos com a construção das suas carreiras profissionais”, comentou.

Papo com os calouros
Logo em seguida, o convidado Marcos Piangers iniciou a palestra. Questões sobre tecnologia e oportunidades digitais, com assuntos relacionados ao modo como a internet e os smartphones estão mudando empresas, marcas e pessoas, foram abordadas. “Os jovens que estão iniciando uma vida acadêmica veem uma mudança brutal no mercado de trabalho. Atualmente, por exemplo, há uma mudança na forma como um jornalista lida com a informação, bem como no modo como um publicitário lida com a publicidade. Tudo está mudando, se reconstruindo, se redesenhando. Esse público revoluciona grandes mercados e impõe novas formas de fazer negócio”, relatou.


Prestar atenção nas aulas, fazer conexões, aproveitar o ambiente da Universidade, onde há pessoas interessadas e criativas, para compartilhar ideias e colocá-las em prática e não desperdiçar o conhecimento que os professores transmitem, também foram algumas dicas que Piangers deu aos acadêmicos.
Isadora Fappi Scherer, de Lagoa Vermelha, foi uma das alunas que participou da conversa com Piangers. Ingressante no curso de Medicina Veterinária, ela espera, com a graduação, aprender a garantir o bem-estar animal. “Quero também poder desenvolver projetos sociais nessa área, além de ser uma boa médica-veterinária e sempre agir com ética”, contou. 

Ações culturais
A programação da Recepção ainda foi marcada por música e descontração, em uma ação cultural que foi realizada em frente ao Centro de Convivência. Nesse espaço, os calouros prestigiaram uma apresentação acústica de Chico Frandoloso e Jei Silvano, e uma performance da banda Los Marias. Com o propósito de promover a integração dos alunos, a Recepção Acalourada propôs um espaço de descontração, onde os calouros puderam realizar um piquenique.


Integrando a recepção aos calouros, também foi contemplada na programação a realização da Feira Ecológica, com a comercialização de alimentos orgânicos, incentivando a alimentação saudável.

Campi
A fim de contemplar os estudantes de diferentes turnos, a Recepção Acalourada segue na noite desta quarta-feira. No decorrer dos meses de fevereiro e março, a Reitoria deve recepcionar os acadêmicos dos campi com atividades culturais.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

UPF disponibiliza Guia Acadêmico 2016

Para acessar o Guia clique aqui.


1955: Firmado Pacto de Bagdá

No dia 24 de fevereiro de 1955, por iniciativa dos Estados Unidos, foi criada a Organização do Tratado do Oriente Médio, com a participação do Reino Unido.
Tanque iraquiano na Guerra do Golfo – o avesso do Pacto de Bagdá
A 24 de fevereiro de 1955, a Turquia e o Iraque assinaram uma aliança de defesa – o chamado Pacto de Bagdá –, ao qual aderiram, nos meses seguintes, o Irã, o Paquistão e o Reino Unido. Esses acordos de segurança mútua eram criticados pela então União Soviética. Ancara e Islamabad já haviam firmado um acordo parecido em 1954.
Era evidente que esse tratado fora orquestrado pelos EUA e, em menor proporção, pelo Reino Unido. Ambos estavam montando uma frente mundial contra Moscou, formada, no Ocidente, pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), no Extremo Oriente, pelo Pacto do Sudeste Asiático (Seato), e por uma terceira aliança no Oriente Médio.
A partir do ingresso da Turquia na Otan, pretendia-se estimular a cooperação com as nações vizinhas. Mas a maioria dos Estados árabes via o plano com ceticismo. Eles haviam conquistado a independência pouco tempo antes e não queriam arriscar a autonomia com o ingresso nessa aliança. Tanto maior foi a alegria dos norte-americanos e ingleses ao conseguirem convencer o Iraque e a Turquia a assinar o pacto. Não demorou até o xá iraniano Reza Pahlevi (1919-1980) – que se considerava o principal líder regional – aderisse à aliança, em 10 de outubro de 1955.
Oferta atraente ao Irã
Protesto contra o xá da Pérsia, Reza Pahlevi
No Irã, acabara de ser derrubado o governo de Mohamed Mossadegh, num golpe militar desferido com ajuda dos serviços secretos inglês e norte-americano. Os EUA haviam oferecido amplo apoio ao novo governo, liderando um consórcio internacional para a compra de petróleo iraniano. Eram ofertas demasiado atraentes para que o xá rejeitasse o Pacto de Bagdá.
Furioso, o Kremlin lembrou a Teerã do acordo soviético-iraquiano de 1927, no qual ambos haviam se comprometido a não aderir a alianças ou acordos políticos que ameaçassem sua segurança, integridade, independência e soberania. Os protestos da URSS foram infrutíferos. Mas o Pacto de Bagdá também não chegou a corresponder às expectativas dos norte-americanos e ingleses.
Cai monarquia iraquiana
Ocorreram novas adesões, mas as atividades da aliança restringiram-se a conferências periódicas. Somente os líderes políticos aproveitavam o apoio financeiro obtido de Washington e Londres. Em 14 de julho de 1958, a monarquia iraquiana foi derrubada num golpe militar liberado pelo general Abdal Karim Kassem, que instalou um regime nacionalista de esquerda.
Xá Reza Pahlevi (direita) e sua esposa Soraia
O jovem rei Faissal foi morto durante a tomada do palácio real em Bagdá. Kassem anunciou a saída do Iraque do pacto, que então passou a se chamar Cento (Central Treaty Organisation). Com a revolução islâmica no Irã (1978-1979), que forçou a fuga do xá Reza Pahlevi, a Cento também acabou, e o plano de uma cooperação regional foi enterrado de vez com a derrocada da União Soviética.
Foi exatamente nessa época que o pacto funcionou pela primeira vez: na Guerra do Golfo. Em 1990, a maioria dos países da região participou da chamada Operação Tempestade no Deserto, liderada pelos EUA, para forçar o Iraque a se retirar do Kuweit. Era um Pacto de Bagdá ao avesso, contra o regime de Saddam Hussein. Mas também os rastros dessa cooperação se perderam no deserto.
  • Autoria Peter Philipp (gh)
  • Imprimir Imprimir a página
  • Link permanente http://dw.com/p/3GVA

1956 - Khruschov denuncia 'crimes de Stalin'


Durante reunião secreta, primeiro-secretário leu um relatório que acusava o sucessor de Lênin de ter 'violado a legalidade socialista'
Em 24 de fevereiro de 1956, em sessão secreta no 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, o primeiro-secretário Nikita Khruschov pronunciou um discurso que causaria profundo abalo na política soviética e no movimento comunista internacional. Durante sete horas, leu um relatório minucioso sobre os “expurgos stalinistas”, questionando as qualidades militares do “guia genial dos povos”.

Apenas os delegados ao encontro puderam ver e ouvir, ao vivo, o relatório em que o sucessor de Lênin foi acusado de ter "violado a legalidade socialista" e desenvolvido a prática do "culto à personalidade", contrário aos "princípios leninistas". Khruschov citou nominalmente as lideranças do PCUS que foram executadas nos famosos "processos de Moscou", na década de 1930, apontou as violências praticadas pela polícia política, os erros estratégicos de Stalin durante a guerra contra o nazi-fascismo e seu comportamento quase paranóico depois da guerra até a morte, em março de 1953.

WikiCommons

Khruschov e Stálin, em 1926

Três meses depois, o relatório foi divulgado integralmente pelo jornal norte-americano The New York Times.

A repercussão política foi enorme - não apenas na URSS, mas fora dela, principalmente nos partidos comunistas ocidentais que, de uma hora para outra, viram-se na urgência de revisar suas posições. O teor explosivo das denúncias de Khruschov gerou perplexidade nos dirigentes comunistas de todo o mundo, que chegaram a duvidar de sua existência.

No Brasil, o discurso gerou a dissidência de Agildo Barata, que era uma importante liderança, diretamente ligado a Luís Carlos Prestes.

As circunstancias em que Khruschov resolveu denunciar os erros e os "crimes de Stalin" até hoje são obscuras. Aparentemente, suas revelações foram feitas em meio a uma violenta luta interna do partido, onde se confrontavam os apegados ao passado stalinista e os partidários de certa renovação das instituições soviéticas - chamados pelos primeiros de "revisionistas". Constantemente pressionado internamente e ameaçado de ficar em minoria, Khruschov teria jogado todas as suas fichas no congresso de 1956.

As acusações provocaram, entre outras, uma cisão irreparável entre o PC da URSS e o PC chinês de Mao Tsé-tung, que defendia a memória de Stálin.

Derrubado do governo em 1964, Nikita Khruschov morreu sete anos depois, esquecido.
Fonte: Opera Mundi

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

História UPF deseja a todos um excelente ano letivo! Bem vindos!


"O diário de Anne Frank" ganha primeira versão alemã no cinema

Novo filme é o primeiro longa-metragem produzido na Alemanha sobre a famosa história da garota judia vítima do nazismo. Película tem estreia mundial no Festival de Cinema de Berlim.
"Por que os produtores alemães têm sempre que deixar o tema para os americanos?", indagou irritadamente um grande diário alemão em 1959, quando a produção hollywoodiana de O diário de Anne Frank estreou nos cinemas. Para muitos, a versão cinematográfica produzida na época por George Stevens era kitsch demais. Foi preciso mais de meio século para que a filmagem da história da menina judia – nascida em Frankfurt, na Alemanha – chegasse aos cinemas como uma produção alemã.
Na 66ª Berlinale, o Festival de Cinema de Berlim, o filme celebra a sua estreia mundial na Generation, seção do festival dedicada ao público jovem. A película dirigida por Hans Steinbichler chegará aos cinemas no início de março. O filme mostra os acontecimentos de forma convencional, sem grandes ambições artísticas, oferecendo uma obra sólida com boas atuações e certa dose de drama. Um bom filme para ser mostrado em sala de aula.
"O diário de Anne Frank é um dos documentos mais contundentes da história alemã e sempre nos perguntamos por que não havia nenhuma filmagem alemã sobre o tema", afirmaram os produtores M. Walid Nakschbandi e Michael Souvignier antes da première. "Achamos que estava mais que na hora."
No remake da história, Lea van Acken, de 15 anos, assume o papel da garota conhecida mundialmente. Os pais da protagonista, Edith e Otto Frank, são interpretados por Martina Gedeck e Ulrich Noethen. Stella Kunkat faz o papel de Margot, irmã de Anne.
Anne Frank (interpretada por Lea van Acken) de mudança para o esconderijo da família
Anne Frank e família
O filme narra de forma quase cronológica a história da família que emigrou de Frankfurt para Amsterdã em 1934. Pouco depois da ocupação da Holanda pela Alemanha de Hitler, os Frank se esconderam no sótão da parte traseira de um edifício na rua Prinsengracht, número 263. Durante mais de dois anos, a família dividiu um pequeno apartamento com quatro outros judeus. Ao fazer 13 anos, Anne Frank recebeu um diário em que passou a anotar tudo que lhe passava pela cabeça.
No novo filme, o diretor Steinbichler e o roteirista Fred Breinersdorfer se ativeram aos acontecimentos relatados no diário, acrescentando novos registros da família após longa pesquisa. Os dois, no entanto, também deram um toque pessoal ao remake. "Para mim, houve duas abordagens decisivas no projeto", afirma Steinbichler. "Primeiramente, a completa subjetivação e, em segundo lugar, transformar o diário num discurso."
No esconderijo, Anne Frank registrava suas impressões quase diariamente
Medos de uma adolescente
Por trás do diário, estava uma "menina esperta, mas bem normal", afirma o diretor. Steinbichler diz que lhe foi importante "tirar Anne de um possível trono sacrossanto". E isso a película conseguiu. A obra descreve exaustivamente os pensamentos de uma jovem, coloca a adolescência e o comportamento durante a puberdade no centro das atenções. Assim, a vida na clandestinidade não é reduzida ao aspecto de uma situação ameaçadora, devido á perseguição nazista.
O filme consegue aproximar o expectador das ideias da adolescente de 15 anos. "Anne não é sobretudo uma vítima do nazismo, mas em primeira linha uma garota vivaz, com esperanças e sentimentos", completam os produtores. "Roubaram de Anne Frank uma vida completamente normal", diz Steinbichler.
Família Frank dividiu apartamento com outros judeus
E a segunda abordagem bem pessoal do diretor, a transformação da escrita em discurso? A importância disso se vê principalmente no início da película: "Eu sugeri os chamados 'speaches', as falas de Anne diretamente para a câmera", afirma o cineasta. "Com isso, quero perguntar: Quem é ela?" No começo do filme se vê, portanto, a atriz Lea van Acken se dirigindo ao espectador.
Uma Anne Frank para o ano de 2016
Grandes temas do passado, adaptações literárias ou documentos de valor histórico, como o diário da adolescente Anne Frank, são refilmadas de tempos em tempos. A vantagem disso está em poder sempre alcançar um novo público. O jovem espectador de hoje pode se interessar por uma filmagem melodramática hollywoodiana de 1959? Provavelmente não. O filme dirigido por Steinbichler tem melhores chances.
Um segundo argumento para essa nova versão pode ser a referência à atualidade. Ainda que O diário de Anne Frank de 2016 respeite estritamente os acontecimentos históricos, o filme deixa espaço para as elucubrações dos espectadores.
"Meu desejo e vontade são que Anne Frank se transforme em alguém contemporâneo, de forma quase despercebida", diz o diretor, ressaltando que é claro que o material ainda é histórico, mas não é preciso encená-lo como um épico tedioso. Steinbichler afirma estar convencido de que "somente um piscar de olhos nos separa do que aconteceu naquela época".
Assim, a primeira produção cinematográfica alemã sobre o famoso diário se encaixa entre os muitos filmes históricos apresentados na 66ª Berlinale, que muitas vezes fazem referência aos nossos tempos.
  • Autoria Jochen Kürten (ca)
  • Link permanente http://dw.com/p/1HwiI

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Documento da ANPUH-RS sobre o BNCC/MEC.


ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE HISTÓRIA
– Seção Rio Grande do Sul -

Conforme proposta da Associação Nacional de História, a ANPUH/RS promoveu, nos dias 14 e 15 de janeiro de 2016, na Universidade Federal de Santa Maria, um encontro para a discussão e avaliação crítica da Base Nacional Curricular Comum (BNCC). Reuniu-se um grupo de profissionais ligados ao ensino e à pesquisa em História, formado por professores universitários, professores das redes de ensino, estudantes de pós-graduação e de graduação em História de instituições públicas, privadas e comunitárias de diferentes cidades do Rio Grande do Sul (UFSM, UFRGS, UNISINOS, UPF, UNIVATES, IF Farroupilha, Rede Estadual de Ensino, Redes Municipais de Ensino, Escolas particulares) sócios e não associados da ANPUH-RS, resultando, sem dúvida, no fortalecimento da ANPUH-RS e na qualificação da reflexão sobre o ensino de História no Rio Grande do Sul.
No primeiro dia do evento, ocorreu uma mesa de debate, na qual os professores Anderson Zalewski Vargas (Departamento de História/ UFRGS), Caroline Pacievitch (Departamento de Ensino e Currículo/ UFRGS e GT Ensino de História e Educação da ANPUH-RS) e Solange Dias Hundertmarck (Escola Estadual de Ensino Médio Cilon Rosa) apresentaram suas análises sobre a proposta de ensino de História da BNCC. Seguiram-se debates e o público presente fez considerações sobre o documento e discutiu questões apontadas pelos integrantes da mesa. No dia seguinte, os participantes do evento reuniram-se novamente para discutir a proposta e formular este documento, que retrata o posicionamento da ANPUH-RS sobre a proposta de História da BNCC. É importante registrar que, apesar de desejar permanecer discutindo com os colegas, o professor Anderson Vargas não pode continuar participando das atividades.
Antes propriamente das considerações acordadas pelos presentes, é necessário destacar o empenho e a qualidade dos trabalhos realizados nesses dois dias de debate. Apesar de ser um período de férias universitárias e escolares, os participantes demonstraram a capacidade de mobilização dos historiadores do Rio Grande do Sul e a preocupação em participar ativamente da discussão da proposta que orientará o ensino de História nas escolas brasileiras nos próximos anos. O debate foi intenso e extremamente rico, com a defesa de diferentes entendimentos e proposições, mas de extremo respeito à diversidade das posições de matizes historiográficas, pedagógicas e profissionais distintas.
É importante destacar que a ANPUH-RS apoia a construção de uma Base Nacional Curricular Comum – que não é e não pode ser entendida como uma lista de conteúdos ou como um currículo – porque essa sempre foi uma reivindicação dos profissionais do ensino e já havia sido materializada em diversos preceitos legislativos[1].  Entretanto, também é preciso destacar que a existência de uma Base não pode de forma alguma prejudicar a autonomia dos profissionais do ensino e a adaptação de seu trabalho às diferentes realidades locais existentes no Brasil. Por não ser prescrição curricular, a Base deve estimular que as especificidades regionais sejam contempladas em estruturas curriculares a serem elaboradas pelas diferentes comunidades escolares posteriormente, mesmo que deva a apresentar indicações claras para formulação dos currículos das redes dos sistemas de ensino.
Esta análise está organizado em partes. Inicialmente, discute duas questões basilares da proposta de História da BNCC: a ênfase na História do Brasil e as noções de temporalidades que embasam a proposta. Em seguida questiona alguns apontamentos específicos e assinala exemplos de defasagens/ inadequações historiográficas evidentes que devem ser corrigidas. Finalmente, realiza algumas proposições e apresenta os entendimentos consensuais dos presentes no evento a respeito da Base.
A Seção do Rio Grande do Sul da Associação Nacional de História defende enfaticamente as considerações éticas e políticas do documento, que exteriorizam uma intenção de investir em uma escola que forme cidadãos comprometidos com a realidade social e o respeito à diversidade.
Além disso, saúda a valorização da ideia do tempo como construção histórica e social, que permite considerar múltiplas cronologias e dimensões temporais (rupturas, continuidades, durações diversas...), relativizando a centralidade da cronologia linear pautada na história europeia que tem tradicionalmente orientado os currículos. Isso implica a não obrigatoriedade de associar os anos escolares com as “idades” do modelo quadripartite francês, de modo a valorizar a autonomia do professor no trabalho com a temporalidade. Nesse sentido, corrobora a proposta de quebra do eurocentrismo, significando uma reorientação dos eixos de análise e não uma desconsideração da Europa como lócus importante de estudo.
Isso é bastante evidente na escolha da História do Brasil como eixo estruturante da proposta. Entretanto, mesmo reconhecendo a opção e pertinência da história do Brasil como eixo estruturador da BNCC, deve-se considerar o risco dessa opção resultar no fortalecimento de uma visão nacionalista e essencialista dessa História. Que é expressa, por exemplo, em menções anacrônicas como “compreender as relações entre europeus e povos indígenas no Brasil” no momento da conquista (CHHI8FOA108). Por isto, deve-se estar atento para não estimular ideias superestimadas de nação, que podem sugerir a naturalização do processo de construção do país e suas várias representações.
A escolha da história do Brasil como eixo estruturante da disciplina no Ensino Fundamental parece decorrer não do objetivo de excluir o estudo da história europeia, mas de tornar o país o ponto de observação para se conhecer o mundo. A partir de questões pertinentes ao Brasil, o lugar de vivência dos estudantes, pode-se gerar problemas e indagações para conhecer histórias ocorridas na América, África, Europa ou Ásia. Da mesma forma, ao conhecer a especificidade de outras histórias, de outros tempos e lugares, podemos voltar ao Brasil para repensar e problematizar sua história.
Ao elaborar o raciocínio lógico-histórico desta maneira, podemos romper com a concepção de que os acontecimentos, instituições e saberes (como a agricultura ou o Estado) relevantes ao estudo da história surgiram na Europa ou áreas geograficamente próximas e depois se espalharam pelo mundo. No entanto, apontamos a necessidade de não se apresentar o Brasil como um ente trans-histórico, como se existisse desde sempre, mas sim de forma problematizada, abordando-se rupturas, continuidades, conflitos, de modo a evitar uma visão nacionalista ou chauvinista. A história do Brasil não deve ser o limite, mas sim o ponto de partida e alavanca para se conhecer a história do mundo de uma maneira mais complexa e menos preconceituosa.
Neste sentido, pensamos que as articulações podem ser feitas tanto na chave da sincronia, abordando-se processos que ocorreram simultaneamente no interior e no exterior do território que hoje chamamos Brasil (por exemplo: a crise da economia cafeeira e a crise mundial do capitalismo em 1929); na chave da diacronia, com ênfase nas permanências e rupturas de determinados fenômenos “mundiais” e suas manifestações em nosso país ao longo do tempo (por exemplo, os preconceitos de gênero) e, finalmente, na chave dos “usos do passado”, ou seja, como indivíduos e grupos da sociedade brasileira acessam e resignificam fenômenos passados, como a democracia grega, o direito romano, as religiões monoteístas, etc.
É positivamente notável que ao questionar a tradição dos conteúdos e objetivos do ensino de História, a proposta incorpore muitas inovações historiográficas recentes e abordagens resultantes das experiências pedagógicas de ensino de História na escola e inovações bem sucedidas, como também as políticas de ampliação de direitos e reconhecimentos de identidades antes pouco consideradas. Outro aspecto importante é que o documento considera a especificidade do Ensino Médio, que deixa de ser apenas o aprofundamento/ repetição do trabalho desenvolvido no Ensino Fundamental para ser entendido como uma etapa específica da formação.
Tanto o 6º ano do Ensino Fundamental quanto o 1º ano do Ensino Médio foram pensados como momentos de transição, a fim de acolher os saberes dos estudantes, consolidá-los e ampliá-los nos anos seguintes. Tal opção demonstra a escolha do país por uma escolarização que não seja apenas instrumento de preparação para o trabalho e/ou para o Ensino Superior, o que causaria impacto nos sistemas de avaliações externas. A escolha da nomenclatura “objetivos e direitos de aprendizagem”, ao invés de “competências e habilidades” ou “conteúdos mínimos”, é também indício da concepção de educação nacional que orienta a proposta.
Entende-se que a proposta tem o mérito de reforçar o caráter específico do conhecimento histórico e do ensino de História, sem diluí-los em uma área ampla de ‘Humanidades’, como, por vezes, consta em propostas existentes sob a designação discutível de interdisciplinaridade. O diálogo entre as diferentes áreas de saber é muito profícuo é necessário, mas não pode soterrar o caráter particular de uma ou outra área de reflexão. Aliás, é importante que a BNCC discuta e indique caminhos possíveis para práticas de interdisciplinaridade, inclusive favorecendo-as, por exemplo, prevendo que as diferentes áreas de conhecimento tratem de assuntos comuns nos mesmos anos de ensino.
A proposta estimula o estreitamento e o fortalecimento das relações entre as universidades e as escolas devido à necessidade de mudanças na formação inicial e continuada de professores, pois é necessário repensar os cursos de licenciatura no campo das humanidades com o fim de preparar os futuros professores para os novos desafios pedagógicos decorrentes das mudanças propostas. Entretanto, essa relação não pode significar a submissão de um ao outro campo de operação do saber histórico, mas garantir a autonomia dos profissionais que atuam nas formações superior e básica.
Apesar de muitos aspectos considerados como avanços, na proposta de História da BNCC há várias defasagens ou inadequações historiográficas que precisam ser corrigidas. Alguns exemplos disso são alusões aos conceitos de ciclos econômicos usado na economia, mas que há muito não é pertinente porque trabalha com a ideia de que as atividades econômicas começaram e terminaram. O que não ocorre na história do Brasil. Ou o caso dos conceitos de República Velha, sociedades ágrafas, Golpe Militar de 1964. O conceito de “República Velha” (CHHI9FOA135) deve ser substituído por “Primeira República”, já que o termo utilizado tem forte carga pejorativa, resultante da memória histórica consolidada e construída pelos vencedores do movimento (mais do que “golpe de estado”) de 1930;
Na proposta Sociedades ágrafas são qualificadas pelo que não eram, pelo que não tinham: a cultura escrita. Precisamos lembrar que as palavras guardam sua história. Se para os intelectuais europeus do século XIX as sociedades sem escrita eram incivilizadas e sem história, então, encontramo-nos diante de um dilema: como pode um currículo que se pretende problematizador utilizar expressões arraigadas de eurocentrismo?
“Golpe militar de 1964” (CHHI9FOA137): sugere-se utilizar apenas o termo “Golpe de 1964”, pois há uma ampla discussão na historiografia sobre o caráter deste acontecimento, se golpe “militar” ou “civil-militar”. De qualquer forma, o item aqui destacado reduz as causas do golpe a três itens: “condições sociais no campo”, “propostas de reformulação da educação” e “movimentos culturais urbanos”, quando se sabe que muitos outros fatores como a articulação das elites urbanas e rurais, o apoio da Igreja, o anticomunismo e o contexto internacional da Guerra Fria levaram ao seu desencadeamento. Por isso, sugere-se uma ampliação do escopo da discussão sobre este tema. Além disso, há uma lacuna entre o item aqui destacado e o seguinte (CHHI9FOA138), ou seja, se passa do golpe ao processo de abertura, desconsiderando-se a própria ditadura e seus diferentes momentos. Sugere-se que aqui sejam abordados temas como censura, propaganda e as diferentes formas de violência perpetradas pelas forças repressivas como torturas, desaparecimentos e cassações, bem como os variados movimentos de resistência ao status quo, como a luta armada, a resistência democrática e a campanha pela anistia.
Há outras necessidades de ajustes. Pela organização dos conteúdos proposta para o sétimo ano, parece que o Brasil antigo resumia-se a colonizadores brancos escravistas, escravos e índios. Desde os anos 1980, entretanto, a historiografia tem mostrado a diversidade de pessoas e condições de vida existentes, como libertos e brancos pobres, homens e mulheres das mais diferentes condições jurídicas e sociais, crianças e idosos, tropeiros, pequenos proprietários de terras, agregados, dentre outras categorias possíveis.
A historiografia contemporânea demonstrou-se, também, que a vida dos escravos não se resumia ao massacre do trabalho ou à luta física constante contra seus senhores. Em realidade, os escravos, apesar dos horrores da escravidão, em determinadas condições, constituíram famílias e comunidades, organizaram-se em irmandades religiosas, promoviam festas a partir de elementos culturais africanos. Nos embates quotidianos, lutaram pela redefinição das condições de trabalho com seus senhores. Não foram poucos os que juntaram dinheiro e compraram a liberdade. Alguns destes conseguiram constituir patrimônio, inclusive formado de escravos. Os africanos e seus descendentes construíram um mundo rico e complexo que precisa ser alvo do estudo e ensino de história.
Ainda no sétimo ano, o documento faz entender que havia um conflito estrutural entre colonos e Metrópole desde os tempos primeiros da conquista. No entanto, estudos recentes mostram que no período da conquista da América pelos portugueses (séculos XVI e XVII), os colonos que aspiravam tornar-se elite lutavam entre si para granjear favores e títulos conferidos pelo rei de Portugal. Os conflitos entre poderes locais e Metrópole emergiram ao longo do século XVIII, particularmente após o período pombalino em algumas regiões. É necessário, portanto, uma redação que não defina o ensino de uma única teoria ou explicação da história política da América portuguesa.
Mediante a análise do conteúdo da proposta de História da BNCC, os colegas reunidos apresentaram ainda as seguintes sugestões de alterações no que está previsto no documento:
- Maior consideração da história dos diferentes espaços que constituíram o atual território brasileiro, de modo a superar o foco quase exclusivo nas regiões economicamente mais destacadas em distintos contextos históricos, como os atuais Sudeste e Nordeste.
- Supressão de exemplos de fenômenos históricos excessivamente localizados e específicos - como economia Gomífera, pacificação do Rio de Janeiro, escravidão no Grão-Pará, dentre outros – mais adequados para propostas curriculares regionais previstas na parte diversificada.
- Aprimorar a adequação dos objetivos aos eixos aos quais estão relacionados.
- Evitar prescrições de abordagens historiográficas exclusivas, favorecendo a percepção da diversidade das interpretações. Exemplos disso podem ser verificados nos itens CHHI8FOA104, CHHI7FOA082, etc.
- Considerar as desigualdades socioeconômicas e de gênero em articulação com as diferenças culturais e étnicas como abordagens transversais dos processos históricos, de modo a explicitar hierarquias e relações sociais. Neste sentido, chama a atenção o fato de que as experiências das mulheres são indicadas somente nos itens CHHI8FOA119 e CHHI9FOA139, sem que gênero seja pensado como uma dimensão inerente a todos os processos históricos, constitutiva de diferentes feminilidades e masculinidades.
-Ampliar objetivos que contemplem as diversas explicações sobre a origem da humanidade.
- Expandir igualmente os objetivos que considerem a formação das sociedades nos diferentes tempos e espaços históricos, mesmo aquelas que não são explicitamente relacionadas na proposta.
- Incorporar os mundos africanos nos objetivos de aprendizagem do 3º ano do ensino médio.
- Enfatizar as especificidades das narrativas formuladas pelos historiadores em relação a outras formas de representação do passado, como a memória e as linguagens artísticas e midiáticas, evidenciando suas aproximações e afastamentos,
- Articular na BNCC de forma mais sistemática aos temas tratados nos diferentes componentes curriculares, possibilitando sua abordagem em momentos aproximados.
- Incluir no item CHHI3MOA052 (...) nos mundos americanos, europeus, africanos e asiáticos, a partir de processos históricos tais como fascismo, nazismo, stalinismo, apartheid e ditaduras latino-americanas, levando em conta igualmente as violações a esses direitos em sociedades formalmente democráticas.
- Especificar nos anos iniciais situações em que indígenas, africanos e afro-brasileiros sejam contemplados como agentes históricos.
Finalmente, é importante destacar que a ANPUH-RS enaltece o fato de que os debates sobre a BNCC têm sido importante instrumento de aprimoramento do ensino de História no Brasil, assim como reconhece o caráter amplamente democrático do processo instaurado desde a divulgação da primeira versão do documento. Como profissionais da área de História, defendemos o debate e a força do convencimento através de formulações resultantes da pesquisa, da experiência pedagógica e almejamos que esta seja a fórmula para a definição do que será ensinado às futuras gerações de brasileiros.
A ANPUH-RS saúda a coragem e a ousadia dos colegas que integraram a equipe que formulou a proposta de História da BNCC por realizar uma proposta distinta do que está em funcionamento. Também saúda a disposição posterior da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação em ampliar o número de formuladores da proposta, em atendimento às solicitações das entidades representativas, como a ANPUH-Brasil.
Para a nossa associação resta, portanto, o estabelecimento de critérios claros para a definição dos representantes da ANPUH-Brasil na escolha de seus representantes para a comissão responsável pela formulação da proposta de História da BNCC. Critérios que devem contemplar a diversidade das especialidades historiográficas, do campo de ensino de História, das regionalidades, das matrizes teóricas, dos campos de atuação profissional (superior e educação básica), entre outros.

Santa Maria, 15 de janeiro de 2016.


[1] Constituição da República Federativa do Brasil, 1988 – artigo 210; Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9393/1996) Artigos 26 e 26-A; Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica (p.31); Plano Nacional de Educação (2015), metas 2, 3, 7 e 15.

1928: Rei do Afeganistão visita Alemanha

No dia 22 de fevereiro de 1928, o rei do Afeganistão, Amanullah Khan, foi recebido com júbilo em Berlim. Ele queria levar tecnologia e peritos alemães para a modernização do país, mas foi deposto seis meses depois.
Vista histórica do Palácio de Berlim
A queda da monarquia ainda não havia completado dez anos na Alemanha, e a República de Weimar era sacudida por inúmeros problemas quando o país recebeu a primeira visita de um chefe de Estado. E, para maior honraria, de um rei verdadeiro: Amanullah Khan, do Afeganistão. Ele e sua esposa foram saudados com uma salva de 21 tiros ao desembarcarem na estação ferroviária de Berlim, decorada para receber sua majestade.
As pessoas estavam entusiasmadas, e tal entusiasmo continha uma melancolia. A euforia escondia uma tristeza pelo fato de o imperador alemão viver no exílio na Holanda. O presidente do Reich em exercício há três anos era o ex-marechal de campo Paul von Hindenburg, que não era visto como substituto do imperador.
As pessoas aplaudiram Amanullah freneticamente quando ele desfilou em carro aberto com Von Hindenburg pelas ruas da capital alemã. Elas aplaudiam e cantavam a modinha "Amanullah, Amanullah", composta às pressas para festejar o visitante ilustre. Poucos sabiam quem era realmente o rei ou que tipo de país era o Afeganistão, embora as relações entre Berlim e Cabul fossem muito boas.
Admiração pela Alemanha
O rei afegão estava então quebrando a cabeça para modernizar o seu país e os alemães lhe pareciam o aliado adequado para isso. No banquete com fartura de caviar, oferecido pelo presidente do Reich, Amanullah anunciou: "O Afeganistão sempre admirou a energia e as atividades dos alemães... Tivemos sempre confiança total nos colaboradores alemães que dedicaram o seu trabalho ao nosso país".
Por ocasião da independência do Afeganistão, em 1921, mais de 20 peritos alemães trabalhavam no país. Eram sobretudo engenheiros e professores. Enfraquecida e isolada desde o fim da Primeira Guerra Mundial, a Alemanha via nesta cooperação uma possibilidade ideal para entrar em contato com o resto do mundo, ganhar dinheiro e fortalecer suas ligações com a Ásia.
O Afeganistão sempre foi cortejado no passado como parte da ponte da Europa para a o Leste Asiático. O maior exemplo das estreitas relações teuto-afegãs eram as escolas alemãs em Cabul. Elas foram, durante décadas, as escolas das classes dirigentes afegãs, tanto do setor acadêmico quanto político.
Fascinação pela técnica
O rei ainda não se dava por satisfeito. Quando ele visitou Berlim, os peritos alemães em seu país já constituíam o segundo maior grupo de estrangeiros depois dos turcos, mas ele queria mais. Amanullah tinha grande interesse pela tecnologia alemã e visitou a Siemens e outras firmas grandes.
Sentou-se ao volante de um trem do metrô de Berlim, que passou então a ser chamado de "Amanullah", como recordação do maquinista real. O último exemplar do trem deste tipo, o A II, foi restaurado para os festejos dos 100 anos do metrô de Berlim, no início de 2002, e está agora no Museu do Metrô.
A aviação também fascinava o rei. Em Dessau, ele comprou um Junker F13 e mandou levar para o Afeganistão O avião permaneceu em Cabul depois da deposição de Amanullah, foi restaurado por alemães nos anos 30 e encontrado no ferro-velho em 1968. No ano seguinte, sua carcaça foi transportada de avião para a Alemanha e hoje se encontra no Museu Alemão.
A Alemanha foi só uma estação das grandes viagens de Amanullah pela Europa. Mas em lugar algum ele foi tão cortejado como em Berlim, e nenhum outro governo foi tão generoso com ele quanto o alemão: o rei levou 6 milhões de marcos de ajuda ao desenvolvimento. O dinheiro era para ampliar a administração, instituir o ensino obrigatório, criar uma rede de telefone e modernizar o Exército.
Amanullah não teve tempo para concretizar esses planos, pois foi deposto seis meses após sua visita à Alemanha e fugiu para o exílio. Ele era tido como moderno e reformista demais pelos seus adversários. Com a deposição de Amanullah as relações teuto-afegãs enfraqueceram, mas se recuperaram rapidamente. A amizade tradicional entre os dois países de que se fala hoje tem como origem os dias em que o rei Amanullah foi festejado em Berlim.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

UPF terá volta às aulas nesta terça-feira, 23 de fevereiro

Programação especial integrará os novos estudantes à Universidade

Foto: Arquivo UPF
Alunos retornam às atividades na próxima semana
A Universidade de Passo Fundo (UPF) realizará uma programação especial para receber alunos e professores no início do primeiro semestre de 2016, organizada e já anunciada pela Vice-Reitoria de Graduação. A volta às aulas ocorre na terça-feira, 23 de fevereiro, em Passo Fundo e nos campi Casca, Carazinho, Sarandi, Soledade, Lagoa Vermelha e Palmeira das Missões.

Aula Magna para o corpo docente com a pesquisadora Terezinha Rios
Encontro de formação marcará o início das atividades dos professores em 2016


Os professores da Instituição retomam as atividades ainda na segunda-feira, 22 de fevereiro, quando participarão de Aula Magna com a pesquisadora e consultora Terezinha Rios. A atividade é promovida pela Vice-Reitoria de Graduação e acontece a partir das 19h30min, no Centro de Eventos. “A docência universitária como profissão: formação e ética” é o título da conferência que será ministrada pela professora convidada. O encontro integra o Programa de Formação Docente da Universidade e marca o início do ano letivo, sendo forte espaço de integração e reflexão entre os participantes.

O melhor jeito de recomeçar
Para a vice-reitora de Graduação, professora Dra. Rosani Sgari, o “cuidado que os tempos estão a exigir ultrapassam a ciência e a técnica; a qualidade passa pelo cuidar de si, do outro e da instituição. A Aula Magna, preparada com tanto zelo pela equipe da Vice-Reitoria de Graduação, permitirá a reflexão e, quiçá, a boa deliberação. Afinal, o ofício de “ser professor” continuamente nos impulsiona a mudar e a desenvolver. A Aula Magna nos permitirá o abraço; a certeza de que somos super-humanos. Aí está o melhor jeito de recomeçar com nossos alunos,” enfatiza.


Recepção Acalourada
Ainda, segundo a vice-reitora, as reuniões realizadas ao longo do semestre com os alunos/DCE, com os coordenadores de curso, diretores de unidade e colegas da Reitoria e Agecom resultaram na organização de uma Recepção Acalourada, que marca a vida acadêmica de quem está iniciando e projetando o futuro”.

Deste modo, os ingressantes serão recebidos em suas Unidades Acadêmicas, onde conhecerão detalhes sobre seus cursos e a Universidade. Na quarta-feira, 24 de fevereiro, a Reitoria dará boas-vindas aos calouros que, em seguida, participam da palestra “Inovação: uma espiada no futuro”, com o jornalista Marcos Piangers. Essas atividades acontecem no Ginásio da Faculdade de Educação Física e Fisioterapia (Feff).
Após a palestra, os alunos serão convidados para a Ação Cultural, em frente ao Centro de Convivência, que proporcionará a integração entre calouros e veteranos. A Ação contará com a música acústica de Chico Frandoloso e, com apoio do DCE, da banda Los Marias. Integrantes do Pibid contribuirão com a iniciativa.
A Recepção Acalourada ocorre no dia 24 pela manhã e à noite, a fim de contemplar os estudantes dos diferentes turnos. Ainda no dia 24, o Campus I receberá mais uma edição da Feira Ecológica.
A Reitoria recepcionará os estudantes dos Campi no decorrer dos meses de fevereiro e março, quando também serão realizadas atividades culturais.

Veterano Gente Boa
A campanha “Veterano Gente Boa” incentiva os veteranos a auxiliarem os calouros na ambientação acadêmica e esclarece sobre a proibição de qualquer tipo de trote. Para a vice-reitora de Graduação, professora Rosani Sgari, conquistar o status de “veterano gente boa” é fundamental para a qualificação de nossos futuros profissionais, pois saber acolher um colega durante a vida acadêmica significa saber acolher os colegas e clientes do futuro.


Assessoria de Imprensa

1855: Primeira previsão internacional do tempo

No dia 19 de fevereiro de 1855, o engenheiro francês Urbain Leverrier apresenta, na Academia de Ciências de Paris, o primeiro boletim meteorológico telegráfico.
Hoje, meteorologistas dispõem de instrumentos modernos de previsão
Em novembro de 1854, um forte vendaval no Mar Negro destruiu completamente a frota conjunta da Inglaterra, França e Turquia, países que lutavam na Guerra da Crimeia. Eram as forças da natureza guiando os destinos do homem. Para evitar novas surpresas meteorológicas no futuro, Napoleão 3º encarregou Urbain Leverrier, astrônomo e diretor do Observatório de Paris, de estudar o fenômeno.
Ele resolveu analisar o conjunto de informações reunidas por 250 estações meteorológicas europeias ao mesmo tempo. Até então, só se avaliava os dados de cada estação em particular. Com as informações, Leverrier conseguiu provar que o vendaval podia ter sido previsto com antecedência. E mais: com a ajuda de um telégrafo elétrico, que já existia desde 1837, a frota poderia ter sido avisada do perigo iminente.
Mapas para a previsão do tempo
Como ocorre tantas vezes, foram os interesses militares a acelerar o progresso da ciência. Cinco anos mais tarde, o próprio Leverrier passaria a divulgar mapas diários com a previsão do tempo. Hoje, em todo o mundo, milhares de estações meteorológicas reúnem informações sobre temperatura, vento, nebulosidade, umidade do ar, chuva, pressão do ar e muito mais. Dados que são ricamente ilustrados através das observações dos satélites meteorológicos.
Mesmo assim, as previsões ainda não atingiram a precisão desejada, e muitas vezes chegam a falhar por completo. Apesar disso, a maioria dos europeus jamais começa uma viagem de férias sem primeiro saber como está o tempo no local de destino. Na Alemanha, em especial, muitos não saem de casa sem olhar a previsão meteorológica.
Aliás, também os meteorologistas observam a natureza para prever o tempo. Por exemplo: segundo a sabedoria popular, as andorinhas voam baixo quando vai chover. A explicação é que as aves se alimentam de pequenos insetos, e quando o tempo é bom, estes são empurrados para cima pelas massas de ar. Quando vai chover, os insetos permanecem mais perto do chão, obrigando as andorinhas a voar baixo.
  • Autoria Alexandra Harth (rw)
  • Imprimir Imprimir a página
  • Link permanente http://dw.com/p/3GTW