sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

História UPF representada em debate sobre o BNCC

Por Rosane M. Neumann

A Anpuh-RS realizou uma reunião geral nos dias 14 e 15 de janeiro de 2016, nas dependências do Centro de Educação da Universidade Federal de Santa Maria, com o propósito de ampliar a discussão em relação a BNCC e produzir um documento do Núcleo do Rio Grande do Sul sintetizando os entendimentos e proposições sobre a proposta de História da Base, a ser remetido a Anpuh-Brasil. Participaram professores representando as diferentes universidades, – públicas, privadas e comunitárias –, dos Institutos Federais, bem como professores da Educação Básica e alunos dos cursos de Graduação em História e PIBID. O curso de Graduação em História da UPF esteve representado pela professora Dra. Rosane M Neumann.

Em um primeiro momento, a professora Dra. Caroline Pacievitch (Departamento de Ensino e Currículo/ UFRGS) apresentou um panorama da legislação implicada na BNCC e os encaminhamentos dados na elaboração da Base, apontando as questões exigidas nas diferentes regulamentações legais. Posteriormente, o professor Dr. Anderson Zalewski Vargas (Departamento de História/ UFRGS) destacou o papel do ensino de História Antiga e como o mesmo está colocado na Base.

Em um segundo momento, foi realizado um longo e acalorado debate e os encaminhamentos para a elaboração do documento. Um dos pontos assinalados refere-se ao papel dos cursos de licenciatura na formação dos professores, e a postura das universidades junto às escolas na implantação da BNCC e elaboração dos currículos. Destacou-se mais uma vez a ausência do debate nas escolas.

Como síntese, o documento que está em fase final de redação aponta para a concepção da Base e do currículo, questões conceituais, ideológicas, excesso de especificidades, ausências de temas e defasagem historiográfica. Salienta, todavia, os avanços propostos pela Base, como a manutenção da identidade e especificidade da disciplina de História, bem como reconhece o empenho e esforço da equipe responsável pela elaboração da mesma.
Portanto, a reunião foi um momento importante para aprofundar a leitura e discussão em torno da Base, e (re)pensar o ensino de história nas escolas, pautado pela pergunta central: o que queremos/o que é essencial que os nossos jovens do futuro aprendam/saibam no campo da História? Ou, pra que serve a História no currículo escolar?


1887 - Começa a construção da Torre Eiffel


Projetada por Gustave Eiffel e hoje símbolo da França, torre foi apelidada na época de 'esqueleto sem graça' pelo escritor Guy de Maupassant
Em 28 de janeiro de 1887, começa a ser construída em Paris uma torre de ferro que deveria pesar 9 mil toneladas e medir 300 metros de altura, num projeto do engenheiro Gustave Eiffel. Na época, os céticos previam: "Isto vai cair". No entanto, a torre ficou de pé até hoje e é conhecida pelo nome de seu idealizador.
Wikicommons
Gustave Eiffel (1832-1923) era um dos maiores especialistas mundiais em construção metálica. Havia edificado uma série de pontes e viadutos. A ideia de uma torre de ferro bem alta para ser inaugurada na Exposição Internacional de 1889 teve como autores os engenheiros Koechlin e Nouguier, que trabalhavam no escritório de Eiffel. A torre foi erguida entre 1887 e 1889, sob o comando direto de Eiffel, que também financiou o projeto.
A inauguração se estenderia por seis meses. A Exposição Universal e a Torre Eiffel anunciaram o advento do século XX. Tendo o direito de propriedade sobre a torre durante 20 anos, seu construtor fundou em 1888 a Companhia da Torre Eiffel. Em 1909, ela deveria ser desmontada, mas continuou.
A torre foi criticada, apelidada de “candelabro vazio” e de “esqueleto sem graça” por Guy de Maupassant. O escritor Joris-Karl Huysmans foi mais direto: “Não podemos conceber que este monte de ferro, em forma de funil, seja concluído, que este supositório vulgar e crivado de parafusos permaneça como tal”. No entanto, a construção conquistou a simpatia de outros artistas e chegou a ser tema de canções, como de Charles Trenet.
Os quatro pés da torre, correspondendo aos pontos cardeais, estão apoiados em bases de concreto de 26 m2 com 9 a 14 metros de profundidade. Tem três estágios. Seu peso total é de 10 mil toneladas, sendo necessárias 60 toneladas de tinta para pintá-la. É repintada a cada sete anos, com os trabalhos durando de dois a três anos. A pintura é composta por 3 tonalidades gradientes, sendo mais clara no alto e mais escura embaixo, o que permite acentuar a perspectiva e a impressão de vertigem que se tem do solo.
Ao calor do sol, o conjunto metálico se afasta de sua posição inicial até 10 centímetros em relação ao zênite, enquanto as mais pesadas borrascas a fazem balançar não mais que 2 centímetros de seu eixo vertical. 
Em 1986, sua iluminação foi mudada. Os projetores do Campo de Marte foram substituídos por lâmpadas de sódio colocadas em meio à estrutura.
A torre foi salva da demolição graças à telegrafia sem fio, quando descobriram sua utilidade como suporte de antena. Em 1912, passou a fornecer a hora oficial para todo o mundo, participando posteriormente da defesa nacional durante a Primeira Guerra, indicando a força do vento e a pressão atmosférica. Mais tarde, recebeu antenas de televisão. Hoje, emite os sinais de seis canais franceses.
Atualmente, a Torre Eiffel recebe cerca de 5 milhões de visitantes ao ano. Gustave Eiffel, que viveu até os 91 anos, tinha razão ao dizer: “Só posso ficar orgulhoso da torre: ela é muito mais famosa que eu”.
Fonte: Opera Mundi

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

1654 - Últimos colonos holandeses no Brasil são expulsos de Pernambuco


Incursões holandesas na então colônia portuguesa duraram 24 anos, em consequência direta da União Ibérica
Em 26 de janeiro de 1654, após o cerco de Recife, os holandeses residentes em Pernambuco capitulam diante dos portugueses. Era o fim do ‘‘Brasil Holandês’’, uma aventura que durou oficialmente 24 anos.

Em seguida à morte do rei de Portugal, Dom Sebastião, o rei da Espanha, Filipe II, torna-se igualmente rei de Portugal em 1580. O pequeno reino lusitano e suas colônias, entre elas o Brasil, encontraram-se inapelavelmente implicados na Guerra de Oitenta Anos entre as Províncias Unidas, o nome à época do Reino dos Países Baixos, a Holanda, contra a Espanha.

Wikimedia Commons


Num primeiro momento, alguns holandeses colocam o pé no Brasil e lançam escaramuças sem qualquer consequência. A fundação da Companhia Holandesa das Indias Ocidentais em 1621 marca uma guinada: os holandeses organizam expedições cada vez mais importantes e melhor organizadas contra o Brasil, tendo por objetivo a conquista das plantações de cana de açúcar.

Em 10 de maio de 1624, tropas holandesas tomam Salvador, na Bahia, mas de lá são expulsas um ano mais tarde. Cinco anos mais tarde, uma nova expedição dirige-se desta vez contra Pernambuco. A campanha é bem sucedida e, entre 1630 e 1635, os holandeses conquistam toda a região costeira em torno de Recife e Olinda.

Wikimedia Commons

Holandeses desembarcando em Maurícia (Recife)

Para administrar Pernambuco, a Companhia envia uma importante figura, João Maurício de Nassau, com o título de governador. Nassau logo demonstra suas grandes ambições em relação à colônia. Logo de início empreende a conquista de Angola, na África Austral, a fim de controlar o tráfico de escravos. Em seguida, reorganiza a administração e tenta ganhar para si os portugueses, baseado numa política de abertura e de tolerância religiosa. Funda igualmente uma cidade, Maurícia (atual Recife).
João Maurício de Nassau, eminente representante da Idade de Ouro holandesa, convida pintores para tornar conhecida na Europa a nova colônia em terras americanas.

Entretanto, o surgimento de tensões com a Companhia, desejosa de auferir lucros máximos em curto prazo, obrigou o ilustre governador a regressar em 1644 aos Países Baixos.

Wikimedia Reprodução - Franz Post

Holandeses foram uns dos primeiros a ilustrarem o Novo Mundo, como essa pintura do rio São Francisco 

Os holandeses, porém, não conseguem se instalar duradouramente na região: suas plantações mantêm rendimento inferior àquelas dos portugueses e o fluxo de imigrantes mostrava-se insuficiente. Além do mais, os brancos do Brasil, apoiando-se nos indígenas e nos negros, levam a cabo uma guerra de desgaste contra os holandeses, considerando-os heréticos.

Em paralelo, os portugueses, que haviam recuperado sua independência da Espanha, retomam Angola em 1648. A partir de então, o Brasil Holandês derretia como neve ao sol até desapaerecer completamente com a capitulação,  em janeiro de 1654.

Wikimedia Commons - Os Tapuias (1640), por Albert Eckhout 


Ao deixar a colônia, os holandeses, não obstante, levaram consigo as técnicas de fabricação do açúcar, que iriam desenvolver nas Antilhas Holandesas. Uma feroz concorrência iria se estabelecer entre as Antilhas e o Brasil na produção e exportação do produto o que levaou a uma dramática queda de preços.

Os holandeses, por sua vez, deixaram ao sair alguns pôlderes - planície protegida por diques contra inundações e utilizada na agricultura e na habitação – na bacia inferior do rio São Francisco.

1945: Libertação de Auschwitz-Birkenau

Há 71 anos, em 27 de janeiro de 1945, o Exército Vermelho libertou Auschwitz, o maior e mais terrível campo de extermínio dos nazistas. Em suas câmaras de gás e crematórios foram mortas pelo menos um milhão de pessoas.
Auschwitz foi o maior e mais terrível campo de extermínio do regime de Hitler. Em suas câmaras de gás e crematórios foram mortas pelo menos um milhão de pessoas. No auge do Holocausto, em 1944, eram assassinadas seis mil pessoas por dia. Auschwitz tornou-se sinônimo do genocídio de judeus, sintos e roma e tantos outros grupos perseguidos pelos nazistas.
As tropas soviéticas chegaram a Auschwitz, hoje Polônia, na tarde de 27 de janeiro de 1945, um sábado. A forte resistência dos soldados alemães causou um saldo de 231 mortos entre os soviéticos. Oito mil prisioneiros foram libertados, a maioria em situação deplorável devido ao martírio que enfrentaram.
"Na chegada ao campo de concentração, um médico e um comandante questionavam a idade e o estado de saúde dos prisioneiros que chegavam", contou Anita Lasker, uma das sobreviventes. Depois disso, as pessoas eram encaminhadas para a esquerda ou para a direita, ou seja, para os aposentos ou direto para o crematório. Quem alegasse qualquer problema estava, na realidade, assinando sua sentença de morte.
Prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau
Câmaras de gás e crematórios
Auschwitz-Birkenau foi criado em 1940, a cerca de 60 quilômetros da cidade polonesa de Cracóvia. Concebido inicialmente como centro para prisioneiros políticos, o complexo foi ampliado em 1941. Um ano mais tarde, a SS (Schutzstaffel) instituiu as câmaras de gás com o altamente tóxico Zyklon B. Usada em princípio para combater ratos e desinfetar navios, quando em contato com o ar a substância desenvolve gases que matam em questão de minutos. Os corpos eram incinerados em enormes crematórios.
Um dos médicos que decidiam quem iria para a câmara de gás era Josef Mengele. Segundo Lasker, ele se ocupava com pesquisas: "Levavam mulheres para o Bloco 10 em Auschwitz. Lá, elas eram esterilizadas, isto é, se faziam com elas experiências como se costuma fazer com porquinhos da Índia. Além disso, faziam experiências com gêmeos: quase lhes arrancavam a língua, abriam o nariz, coisas deste tipo..."
Trabalhar até cair
Os que sobrevivessem eram obrigados a trabalhos forçados. O conglomerado IG Farben, por exemplo, abriu um centro de produção em Auschwitz-Monowitz. Em sua volta, instalaram-se outras firmas, como a Krupp. Ali, expectativa de vida dos trabalhadores era de três meses, explica a sobrevivente.
"A cada semana era feita uma triagem", relata a sobrevivente Charlotte Grunow. "As pessoas tinham de ficar paradas durante várias horas diante de seus blocos. Aí chegava Mengele, o médico da SS. Com um simples gesto, ele determinava o fim de uma vida com que não simpatizasse."
Grupo de prisioneiros se dirige ao crematório de Auschwitz, onde eles seriam assassinados
Marcha da morte
Para apagar os vestígios do Holocausto antes da chegada do Exército Vermelho, a SS implodiu as câmaras de gás em 1944 e evacuou a maioria dos prisioneiros. Charlotte Grunow e Anita Lasker foram levadas para o campo de concentração de Bergen-Belsen, onde os britânicos as libertaram em abril de 1945. Outros 65 mil que haviam ficado em Auschwitz já podiam ouvir os tiros dos soldados soviéticos quando, a 18 de janeiro, receberam da SS a ordem para a retirada.
"Fomos literalmente escorraçados", lembra Pavel Kohn, de Praga. "Sob os olhos da SS e dos soldados alemães, tivemos de deixar o campo de concentração para marchar dia e noite numa direção desconhecida. Quem não estivesse em condições de continuar caminhando, era executado a tiros", conta. Milhares de corpos ficaram ao longo da rota da morte. Para eles, a libertação chegou muito tarde.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

1788: Austrália torna-se colônia

Em 26 de janeiro de 1788, os britânicos começaram a construir uma colônia penal onde hoje fica a cidade de Sydney. Detentos deportados para lá foram os primeiros colonos do território, até então habitado por aborígines.
Competição de iatismo em Sydney
Cada povo tem seus mitos; cada país, sua história. Quase sempre um acontecimento marcante é coroado com a determinação de um dia nacional. A Austrália tem dois destes feriados: um é o 1º de janeiro, Dia da Unidade, quando se tornou Comunidade da Austrália; o outro marca a chegada não de heróis, mas de criminosos deportados pela Inglaterra.
Em 1770, o explorador inglês James Cook havia desembarcado na ilha habitada por aborígenes. Em janeiro de 1788, aportaram vários navios na costa sudeste da Austrália, comandados pelo inglês Arthur Phillip, levando 759 criminosos ingleses. Antes, os condenados eram levados para as colônias na América, mas os Estados Unidos haviam proclamado sua independência.
Problemas
No dia do desembarque de Phillip, o local da chegada foi batizado de Sydney, em homenagem ao então ministro britânico do Interior.
Desde o começo, a nova colônia enfrentou uma série de problemas. Como um pequeno grupo de fuzileiros navais poderia controlar tantos que cumpriam pena naquela imensidão territorial? Até 1852, seu número deveria atingir mais de 150 mil.
Em segundo lugar, como garantir a soberania e explorar um território do tamanho da Austrália, hoje um dos maiores países do mundo, em extensão?
Quanto aos nativos, durante 200 anos os britânicos ignoraram a existência de aborígenes. Seu grande momento chegou com os Jogos Olímpicos de 2000. Não só pela linda abertura com Cathy Freeman ou sua conquista da medalha de ouro, mas também pelas ameaças dos nativos de prejudicar as competições.
Durante muito tempo, os aborígenes não tinham direitos e estavam sujeitos a discriminação e maus-tratos dos colonizadores. Só em 1967, depois de um plebiscito, eles receberam direitos civis.
  • Autoria Werner Köhne (rw)
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1981 - Viúva de Mao Tsé-tung é sentenciada à morte


Jiang Qing foi sentenciada por 'crimes contra-revolucionários' durante Revolução Cultural
Jiang Qing, a viúva do líder chinês Mao Tsé-tung, é sentenciada à morte em 25 de janeiro de 1981 por seus “crimes contra-revolucionários” durante a Revolução Cultural.

Originalmente uma atriz do teatro e do cinema da China, seu casamento com Mao em 1939 foi amplamente criticado, pois sua segunda mulher, Ho Zizhen, era uma celebrada veterana da Longa Marcha de quem Mao se divorciou enquanto ela permanecia definhando em um hospital de Moscou. Sua primeira mulher, Yang Kaihui, foi assassinada pelos nacionalistas durante a Guerra Civil Chinesa.

Wikicommons

Jiang Qing em fotografia tirada entre 1940 e 1941

Jiang Qing foi obrigada a permanecer afastada da política, mas ela obedeceu a ordem somente até os anos 1960, quando começou a criticar abertamente a tradicional ópera chinesa e a influência burguesa na literatura e nas artes chinesas.

Em 1966, Mao fez dela a principal responsável pela condução da Revolução Cultural, conferindo-lhe poderes extraodinários sobre a vida cultural e intelectual da China. A revolução constitui-se numa tentativa de Mao de revolucionar a sociedade chinesa e Jiang demonstrou sua habilidade em manipular a mídia e os jovens radicais, conhecidos como a Guarda Vermelha. O movimento foi caracterizado pelo terror e expurgos em que dezenas de milhares foram mortos e milhões tiveram a sua vida e profissão violentadas.

No final dos anos 1960, a Revolução Cultural sofre visível declínio e Jiang some aos olhos do público. Contudo, após a morte de seu marido em 1976, ela e três outros radicais que chegaram ao poder com a revolução foram alcunhados como a “Gangue dos Quatro”.
Jiang foi presa e em 1977, expulsa do Partido Comunista. Três anos depois, a “Gangue dos Quatro” foi levada a julgamento. Jiang foi considerada responsável por provocar terrível perturbação e enorme banho de sangue na revolução. Ela negou veementemente as acusações, denunciando os líderes chineses de então. Foi julgada culpada e condenada à pena de morte.

Em 25 de janeiro de 1983, exatamente dois anos após ter sido condenada, o governo chinês comutou sua pena para prisão perpétua. Em 1991, morreu na prisão aparentemente se suicidar.
Fonte: Opera Mundi

sábado, 23 de janeiro de 2016

1918: Desapropriação da Igreja Ortodoxa russa

No dia 23 de janeiro de 1918, Lênin publicou um decreto que encerrava todas as ligações entre a Igreja Ortodoxa e o Estado. Os bens da Igreja foram desapropriados, o ensino de religião foi proibido.
O patriarca Alexis 2º, líder da Igreja Ortodoxa russa
Em 23 de janeiro de 1918, menos de três meses depois da Revolução de Outubro, Lênin publicou o decreto intitulado "Sobre a separação entre a Igreja e o Estado e entre a Escola e a Igreja".
Ele foi divulgado exatamente quando se realizava o concílio nacional da Igreja Ortodoxa, com o qual ela pretendia libertar-se da tutela estatal da época czarista, restabelecendo o Patriarcado. O concílio não desejava, naturalmente, uma libertação leiga, que alijasse a Igreja da sociedade, transformando-a em instituição privada. Por isso, protestou contra o decreto de Lênin, mas sem qualquer resultado.
Assim, a Igreja Ortodoxa teve de resignar-se dali em diante com o fato de que só possuía liberdade de culto, enquanto não perturbasse a ordem pública e enquanto os fiéis não deixassem de cumprir seus deveres cívicos. O ensino de religião foi abolido nas escolas públicas; os bolcheviques queriam erigir um sistema estatal ateísta, de acordo com o materialismo dialético. Mas, sobretudo, foram desapropriados os imóveis e terrenos da Igreja, seus templos e prédios – tudo foi incluído no rol do patrimônio popular. Desta maneira, foi retirada da Igreja a base material da sua existência.
Segundo o decreto de Lênin, todas as comunidades religiosas perderam os direitos de pessoa jurídica, não podendo ter propriedades, nem receber qualquer tipo de ajuda estatal. Embora as demais Igrejas também fossem atingidas pelo decreto, elas consideraram justo o corte de privilégios dos ortodoxos que antes constituíam praticamente uma Igreja estatal. Mas, no fundo, todos os direitos da Igreja foram abolidos.
Consequências da privatização da Igreja
O arcebispo Longin, representante permanente do patriarca de Moscou na Alemanha, descreveu da seguinte maneira as consequências dessa privatização da Igreja: "Durante o domínio comunista, as pessoas não podiam demonstrar abertamente que eram integrantes da Igreja. Elas só podiam exercer a sua religiosidade em casa e iam às igrejas apenas em casos muito especiais. Quando ocupavam algum tipo de cargo público, como professor ou em outra função importante na sociedade, não podiam deixar transparecer a sua fé."
Inicialmente, a Igreja pagou também um elevado tributo de sangue: durante a guerra civil, antes que os bolcheviques pudessem constituir a União Soviética em dezembro de 1922, foram assassinados 25 bispos, quase 3 mil sacerdotes, cerca de 2 mil monges e freiras, assim como 15 mil fiéis, aproximadamente. A fim de evitar tal martírio, o Patriarcado de Moscou declarou-se, muitas vezes, leal ao Estado soviético e conclamou os fiéis a assumirem a mesma posição.
Isso provocou divisões, algumas igrejas ortodoxas russas no exterior distanciaram-se criticamente do Patriarcado de Moscou. Mas, mesmo atitudes de bajulação não livraram a Igreja de uma dura perseguição. Ela só pôde sobreviver graças à fidelidade das camadas mais simples da população russa.
Como explicou o patriarca Alexis 2º de Moscou: "A lealdade à fé ortodoxa é um dos traços mais importantes do caráter nacional do povo russo. Mas a Igreja Ortodoxa jamais teve um caráter nacionalista. A Igreja só pôde respirar aliviada depois que ruiu a hegemonia soviética; desde então, desenvolve-se também um princípio de relação cooperativa entre a Igreja e o Estado na Rússia."
  • Autoria Hajo Goertz (am)
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Transferência e reingresso com inscrições abertas na UPF

A Universidade de Passo Fundo (UPF) está com inscrições abertas para transferência, reingresso, reabertura de matrícula e reabertura com reopção de curso. Os interessados em ingressar na Instituição por uma dessas modalidades devem formalizar a solicitação até 23 de fevereiro. Todos os detalhes sobre documentação e benefícios oferecidos pela UPF estão disponíveis no sitewww.upf.br/formasdeingresso.

Entenda
O reingresso é a solicitação de vaga feita por portador de diploma de curso superior, condicionada à existência de vaga e às adaptações curriculares exigidas, quando for o caso. A solicitação deve ser feita na Central de Atendimento ao Aluno, Campus I, ou nas secretarias dos campi, com a documentação exigida. Quem ingressar na UPF por meio dessa modalidade terá desconto de 30% no valor da matrícula. Alunos graduados na UPF têm desconto de 10% no valor das mensalidades do curso.


A transferência é a solicitação de vaga para curso da UPF idêntico ou afim, feita por aluno de outra instituição de ensino superior autorizada ou reconhecida nos termos da legislação vigente do país, condicionada à existência de vaga, às adaptações curriculares exigidas e ao processo seletivo, quando for o caso. A entrega da documentação também deve ser feita na Central de Atendimento ao Aluno ou nas secretarias dos campi. Quem optar pela transferência terá direito a desconto de 30% na matrícula.

A reabertura de matrícula é o pedido de reativação do vínculo acadêmico que permite o retorno do aluno ao curso de graduação trancado, permanecendo o mesmo curso, turno e campus, condicionada às adaptações curriculares, quando for o caso. A solicitação pode ser feita diretamente pela páginawww.upf.br/reabertura. Entre os incentivos, estão a possibilidade de adesão ao PAE-UPF, conforme critérios do edital do programa. Além disso, há desconto de 30% no valor da matrícula e possibilidade de acesso a outras bolsas e programas de crédito oferecidos pela Instituição.

A reabertura com reopção de curso é o pedido de reativação do vínculo acadêmico, com a possibilidade de trocar de curso, desde que tenham vagas disponíveis. O pedido deve ser encaminhado na Central de Atendimento ao Aluno ou nas secretarias dos campi. Os incentivos são os mesmos aplicados para a reabertura de matrícula.

Facilidades
A UPF oferece ainda uma série de benefícios e facilidades financeiras aos seus acadêmicos. Detalhes sobre eles podem ser obtidos pelo site www.upf.br no banner “Bolsas, Créditos e Descontos”. Outras informações podem ser obtidas pelo sitewww.upf.br/formasdeingresso ou pelo telefone da Central de Atendimento ao Aluno, (54) 3316-7000.

1963: Tratado da amizade franco-alemã

No dia 22 de janeiro de 1963, o chanceler federal alemão Konrad Adenauer e o presidente francês Charles de Gaulle assinaram, em Paris, o tratado da amizade franco-alemã.
As assinaturas de Adenauer (esq.) e De Gaulle no documento
A surpresa foi enorme. Ao retornar a Bonn, o chanceler federal Konrad Adenauer dirigiu-se aos jornalistas alemães: "Tentamos mostrar aos franceses que também poderíamos ser bons vizinhos, e tentamos mostrar aos franceses que o interesse comum está em que seja criada uma permanente boa relação entre a França e a Alemanha."
Não foi à-toa que o chanceler falou inicialmente de uma tentativa. Desde cedo, os dois países buscaram o caminho da reconciliação definitiva. O presidente Charles de Gaulle, chefe de Estado francês desde 1958, foi sem dúvida quem fomentou este processo.
Adenauer tinha uma posição dúbia: ele sabia que estava no final da sua carreira política e desejava deixar aos seus sucessores uma política internacional alemã estável. Mas não se entusiasmava em ter, eventualmente, de afrouxar os laços com os Estados Unidos e a Otan, por causa da França.
Europa forte e independente dos EUA

Contudo, uma visão comum uniu os dois políticos: uma Europa poderosa deveria atuar no palco da política internacional de forma independente, mas não contra os Estados Unidos. A viagem triunfal de Adenauer à França, em junho de 1962, foi seguida da viagem igualmente bem-sucedida de Charles de Gaulle à Alemanha, em setembro do mesmo ano.
Em Ludwigsburg, o presidente francês dirigiu-se à juventude alemã: "Eu os felicito por serem jovens alemães, isto é, filhos de um grande povo. Sim, um grande povo que, no transcurso da sua história, cometeu às vezes grandes erros. Mas um povo que também deu ao mundo valores espirituais, científicos, artísticos, filosóficos".
Uma semana depois que Paris rechaçou o ingresso da Grã-Bretanha na Comunidade Econômica Europeia, eram poucos os que acreditavam num tratado franco-alemão. Mas o chanceler alemão não se deixou convencer do fracasso: "Estamos tratando desta cooperação com a França há anos. E, após a sua visita à Alemanha, o presidente De Gaulle propôs que se aproveitassem estas questões para uma ação conjunta e para uma concepção comum, a fim de criarmos algo permanente e consolidado".
Um preâmbulo antigaullista
O tratado, sem caráter de compromisso, foi aprovado com grande maioria pelo Parlamento Federal alemão, em 16 de maio de 1963. Ele foi complementado, no entanto, com um preâmbulo que poderia ser entendido como uma clara crítica à política gaullista. O chanceler alemão esforçou-se para evitar danos políticos.
Da mesma forma como De Gaulle, um ano antes, se dirigira ao povo vizinho em alemão, também Adenauer fez a sua avaliação pessoal da situação no idioma do país vizinho, o francês, afirmando: "Sou da opinião de que o acontecimento mais importante foi a assinatura deste tratado em 22 de janeiro de 1963. Sem este tratado, não há nenhuma união europeia. Os métodos podem mudar, mas o mais importante é nunca perder a confiança dos amigos".
Os críticos da época afirmaram que os tratados raramente têm duração e alguns compararam os documentos de Paris com um buquê de rosas, que não dura muito. Adenauer, cuja paixão pessoal era o cultivo de roseiras, teve de responder a isso.
Sua resposta foi relembrada pelo seu sucessor Helmut Kohl, na comemoração do 20º aniversário do tratado: "Naturalmente, elas têm a sua época, mas as roseiras são as plantas mais duradouras que possuímos. Elas têm espinhos, aqui e ali, por isso é preciso pegá-las com cuidado, mas resistem a todo o inverno. A amizade entre a França e a Alemanha é como uma roseira, que sempre volta a florescer, que sempre dá botões e resiste inteiramente aos rigores do inverno".

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

1954: Lançado o primeiro submarino nuclear

No dia 21 de janeiro de 1954 foi lançado pela primeira vez ao mar o submarino Nautilus, nos Estados Unidos.
O Nautilus em foto de 1958
A necessidade de uma fonte de energia adequada a longas missões navais foi um dos impulsos iniciais à pesquisa nuclear. Sob a direção de Hyman Rickover, os Estados Unidos implementaram o programa de desenvolvimento de um reator naval no fim dos anos 1940.
O submarino USS Nautilus, desenvolvido pela Electric Boat Division e lançado em 1954, provou as vantagens da propulsão nuclear principalmente para embarcações militares, sendo o primeiro a cruzar por baixo a placa de gelo do Polo Norte.
Hoje, o Nautilus é uma das principais atrações do Historic Ship Nautilus & Submarine Force Museum, na base naval de Groton (Connecticut). Seus sucessores provam o avanço tecnológico ocorrido nesse campo na segunda metade do século 20.
Os modernos submarinos atômicos são gigantes de até 150 metros de comprimento e 18 mil toneladas de peso, que se movimentam silenciosamente a 35 nós (cerca de 65 km/h). Mergulham até 450 metros de profundidade e podem permanecer durante meses no fundo do mar.
Ameaça e chantagem
Embora o então presidente norte-americano Dwigth Eisenhower tivesse feito uma apologia dos "átomos para a paz" diante da Assembleia Geral das Nações Unidas em 1953, os submarinos atômicos transformaram-se nos principais instrumentos de ameaça e chantagem durante a Guerra Fria.
"Difíceis de serem localizados e destruídos, eram esconderijos ideais para armas nucleares distribuídas pelos oceanos", explica Gerhard Schmidt, engenheiro nuclear do Instituto Ecológico de Darmstadt.
Segundo a organização ambientalista Greenpeace, de 1955 a 1995, as potências atômicas (Estados Unidos, União Soviética, França, Reino Unido e China) construíram 465 submarinos a propulsão nuclear. Mais da metade desse total é de fabricação soviética.
Lixo atômico
Nas últimas três décadas da Guerra Fria, ocorreram vários acidentes (em parte, nunca esclarecidos), principalmente envolvendo as frotas norte-americana e soviética. Pelo menos quatro submarinos soviéticos e dois norte-americanos, danificados ou afundados de propósito, permanecem no fundo do mar, supostamente impossíveis de serem resgatados.
Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), até 1988 as potências atômicas simplesmente abandonavam no fundo do mar o lixo nuclear (reatores e submarinos sucateados).
A AIEA calcula que, entre 1964 e 1986, a Marinha da União Soviética haja lançado 16 mil toneladas de lixo radioativo líquido e 11 mil metros cúbicos de lixo sólido nos mares de Barents e Kara. Em março de 1993, uma comissão do governo russo revelou que, desde 1959, cerca de 80 mil toneladas de lixo atômico, incluindo dois submarinos nucleares da frota do Pacífico, foram afundados no Mar do Japão.
A Rússia, principalmente, não tem recursos financeiros para manter a frota de submarinos atômicos, como ficou evidente no acidente do Kursk em agosto de 2000.
A Marinha norte-americana, pioneira no desenvolvimento da tecnologia de propulsão nuclear, também já teve diversos acidentes. Segundo um relatório sobre a Submarine Force elaborado por William Arkin e Joshua Handler entre 1983 e 1987, ocorreram 12 encalhes, 50 colisões, 113 incêndios e 48 inundações em submarinos norte-americanos. Não há, porém, informações confiáveis sobre danos ocorridos nos reatores a bordo.
  • Autoria Geraldo Hoffmann
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

1936: Edward 8º é proclamado rei da Inglaterra

No dia 20 de janeiro de 1936, o príncipe herdeiro da Inglaterra tornou-se o rei Edward 8º, após a morte de seu pai, George 5º.
Eduardo, príncipe do País de Gales, fala no rádio em 1935
O rei George 5º da Inglaterra morreu em 20 de janeiro de 1936, aos 71 anos. Em seguida, sua esposa, a rainha Mary, se ajoelhou na frente do primogênito Edward Albert Christian George Andrew Patrick David, príncipe do País de Gales e conde de Chester, o sucessor natural do trono.
Edward, 42 anos, foi proclamado rei da Inglaterra. Esta, entretanto, era uma responsabilidade que não combinava com seu estilo de vida. Ele apreciava festas e badalação, gostava de sair com os amigos nobres e ricos e de circular pela alta sociedade. Apesar disso, ou talvez justamente por isso, os súditos o amavam.
"Tanto na época em que fui príncipe do País de Gales quanto mais tarde, quando assumi o trono da Inglaterra, sempre recebi manifestações de carinho dos cidadãos, em todos os lugares por onde passei. Eu sou muito grato por isso", afirmou certa vez Edward 8º.
Ao contrário do povo, a família real e o governo inglês não viam com bons olhos o comportamento do filho mais velho de George 5º. Na festa de sua proclamação, Edward estava acompanhado de uma mulher que jamais poderia estar presente a tão especial e pomposo momento, de acordo com o rigoroso cerimonial real. Mas ela estava lá: era uma burguesa norte-americana. Duas vezes divorciada. Seu nome: Wallis Simpson.
Paixão fulminante
Edward conhecera Wallis numa festa promovida pela amiga Lady Furness. O então príncipe ficou fascinado por aquela mulher elegante e dominadora. Ela lhe lembrava uma severa governanta que tivera em sua infância. A paixão foi fulminante.
Wallis agia de forma recatada, embora não fizesse segredo que gostava de usufruir de mordomias e extravagâncias. O ainda marido de Wallis já havia se conformado que sua mulher tinha outro. Seus negócios, aliás, iam de vento em popa com a repercussão do caso.
Tudo haveria continuado assim se Edward não decidisse que Wallis não podia ser apenas sua amante. Ele queria casar com ela, o que era um escândalo. O governo ameaçou depô-lo. Um rei não podia ficar ao lado de uma mulher com tal passado.
No dia 11 de dezembro de 1936, Edward 8º fez o anúncio público de sua abdicação ao trono da Inglaterra, alegando que não poderia ser rei sem a ajuda e o apoio da mulher que amava. Seu irmão, pai da atual rainha Elizabeth, assumiu o trono como George 6º. Edward casou e foi para o exílio em Paris na companhia de Wallis, que em 1937 se tornaria Duquesa de Windsor.
  • Data 20.01.2016
  • Autoria Catrin Möderler (ms)
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1983 - Klaus Barbie, chefe da Gestapo, é preso na Bolívia


Klaus Barbie, chefe da Gestapo na região de Lyon, França, durante a ocupação alemã, é preso na Bolívia em 19 de janeiro de 1983 por crimes contra a humanidade nas quatro décadas passadas.

Como chefe da polícia secreta da Alemanha nazista na França ocupada, Barbie enviou milhares de judeus franceses e militantes maquis da resistência para a morte nos campos de extermínio ao mesmo tempo em que mandou torturar, abusar ou executar muitos outros.
Após a libertação da França pelos Aliados, fugiu para a Alemanha, onde, com identidade falsa juntou-se a outros ex-oficiais nazistas na formação de uma organização clandestina anticomunista. Em 1947, o Corpo de Contra-Inteligência dos Estados Unidos (CIC) desmantelou a organização e prendeu seus dirigentes, embora Barbie tivesse sido poupado até que o CIC lhe oferecesse dinheiro e proteção em troca de sua cooperação nos esforços de contra-espionagem contra a União Soviética que ocupava a zona oriental da Alemanha e de Berlim.
Barbie trabalhou como agente de Washington na Alemanha durante dois anos e em 1949 foi transportado às escondidas par a Bolívia, onde adotou o nome de "Klaus Altmann", prosseguindo em seu trabalho como agente do serviço secreto dos Estados Unidos.
Além de trabalhar para os norte-americanos, prestou serviços para os vários governos militares da Bolívia, em especial àquele de Hugo "El Petiso" Banzer, que chegou ao poder em 1971, tornando-se um dos mais opressores dirigentes do país. Barbie forneceu a Benzer uma expertise similar à que realizava para o regime nazista, interrogando e torturando os opositores políticos, despachando muitos deles para os campos de internamento, onde um grande número era executado ou morria em decorrência dos maus tratos.
Foi nessa época que os caçadores de nazistas Serge Klarsfeld e Beatte Kunzel descobriram o paradeiro de Barbie, porém Banzer recusou-se a extraditá-lo para a França. No começo dos anos 1980, um regime mais liberal chega ao poder na Bolívia e concorda em extraditar Barbie em troca de ajuda francesa à carente nação. Em 19 de janeiro de 1983, Barbie é preso, desembarcando na França em 7 de fevereiro.
Disputas legais, especialmente entre grupos representativos das vítimas da Resistência francesa e da comunidade judaica, retardaram seu julgamento por quarto anos. Finalmente, em 11 de maio de 1987, o “Açougueiro de Lyon”, como era conhecido na França, foi levado às barras do tribunal, acusado de 177 crimes contra a humanidade.
Numa guinada inimaginável quarto décadas atrás em um tribunal, Barbie foi defendido por três advogados de minorias étnicas – um asiático, um africano e um árabe – que levantaram a dramática tese de que os franceses e os judeus eram tão culpados de crimes contra a humanidade quanto Barbie ou qualquer outro nazista.
Os advogados de Barbie estavam mais interessados em colocar França e Israel no banco dos réus do que na verdade provar a inocência de seu cliente. Finalmente, em 4 de julho de 1987 Barbie foi considerado culpado. Por seus crimes, foi sentenciado a passar o resto de seus dias na prisão, a mais grave punição prevista na legislação francesa. Morreu de câncer na prisão em 25 de setembro de 1991, aos 77 anos.
Fonte: Opera Mundi

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

1994 – Berlusconi anuncia a criação do Forza Italia

Em 18 de janeiro de 1994, Silvio Berlusconi, conhecido por ser um riquíssimo empresário de televisão, anuncia a criação de um novo partido político, a Forza Italia.
Contra todas as expectativas, Berlusconi conquista as eleições legislativas de 27 e 28 de março de 1994 e, em 10 de maio de 1994, é chamado a formar um governo de coalizão com seus aliados de direita e de extrema-direita : a Liga do Norte, de Umberto Bossi, e a Aliança Nacional, de Gianfranco Fini.  Estavam encerrados 50 anos de poder da Democracia Cristã.

Flickr/CC

Em 1994, o magnata das teles Berlusconi fundaria a Forza Italia
Nascido em 26 de setembro de 1936 numa família modesta de Milão, tornou-se empreendedor da construção e promotor de vendas imobiliárias, enriquecendo rapidamente. Seus adversários sempre suspeitaram de suas vinculações com os meios mafiosos.
O sucesso nos negócios lhe valeu em 1977 a outorga da comenda Cavaleiro da Ordem do Trabalho, de onde procede o epíteto “Il Cavaliere”,  honraria de que se gabava à falta de um título universitário mais prestigioso.
Ao mesmo tempo, antecipando o formidável desenvolvimento da televisão privada por cabo e o fim do monopólio de Estado na comunicação televisiva, cria a primeira rede a cabo na Lombardia. No ano seguinte, em 1978, funda em Milão um banco de negócios, o Fininvest, que recebeu fundos da Sicília. Adere também à Loja Maçônica Propaganda Due, de má reputação, o que negaria mais tarde.
A fortuna chega com a fundação em 1980 do Canale 5, primeira rede privada de TV com cobertura nacional. Aposta na transmissão de esportes, de programas de auditório populares com jogos e brincadeiras e farta distribuição de prêmios, e leva ao ar apresentações luxuosas. Foi a porta de entrada para o  sucesso.
O grupo Fininvest torna-se uma das principais empresas do país e faz de Berlusconi uma das três maiores fortunas da Itália. Em 2004, seu patrimônio foi avaliado em US$ 12 bilhões.
Chega então o tempo dos escândalos. Seu amigo, o socialista Bettino Craxi, presidente do Conselho de Estado de 1982 a 1987, estava gravemente comprometido com o escândalo do Banco Ambrosiano e teve de fugir para a Tunísia. Berlusconi, igualmente ameaçado pela Justiça, lança-se na política com a única finalidade de escapar da prisão.
Ao termo de uma campanha relâmpago de dois meses, Berlusconi passa a ocupar o Palácio Chigi, sede da presidência do Conselho de Ministros (Primature), em maio de 1994. Contudo, a experiência como primeiro-ministro teve curta duração. Seu desentendimento com Umberto Bossi (fundador e líder do movimento político da Liga Norte) levou a uma ruptura da coalizão e à perda do poder ao cabo de apenas oito meses.
Tornou-se chefe da oposição frente ao líder político Romano Prodi, chefe da coalizão de centro-esquerda A Oliveira. Senhor dos grandes meios populares de comunicação, reúne partidos de direita à frente de uma nova formação política, Il Popolo della Libertà (O Povo da Liberdade).
Assim, Berlusconi ocupou ainda duas vezes a presidência do Conselho de Ministros, de 11 de junho de 2001 até 17 de maio de 2006, e de 8 de maio de 2008 a 16 de novembro de 2011. Manchadas por escândalos de diversas espécies e problemas com a Justiça, as duas presidências não ficaram marcadas por nenhuma grande reforma. Ao contrário, recebeu da União Europeia sediada em Bruxelas, no final de seu mandato, a exigência de um plano rigoroso na economia.
Apesar de tudo, a Itália prosseguiu aos trancos e barrancos em seu caminho. A exemplo de outros países da Europa Mediterrânea, chamados depreciativamente de Club Med pelos alemães, ela se endividou, envelheceu e se despovoou, vendo sua administração se desagregar. Mas não naufragou. Sua malha industrial de pequenas e médias empresas familiares resistiu a todas as borrascas, continuando a alimentar as exportações.
Todavia as bolsas de valores e os mercados internacionais se mostraram desconfiados. Obtiveram de Berlusconi, em 13 de novembro de 2011, o que parlamentares eleitos e cidadãos italianos não puderam obter: que ele encaminhasse sua demissão ao presidente da República, Giorgio Napolitano.
A fim de evitar as vaias que o aguardavam à saída do palácio presidencial do Quirinal, teve de sair pela porta dos fundos. Excelente comunicador, a despeito — ou por causa — de suas derrapagens verbais, o Cavaliere recupera um tanto de popularidade em abril de 2009 quando visita in loco a área afetada pelo terremoto de Aquila. Com um descaramento sem precedentes, enrola em torno de seu pescoço o lenço vermelho dos antigos partiggiani, resistentes comunistas.Porém tudo soçobra alguns dias mais tarde ...  Sua vida íntima é revelada por ocasião do 18º aniversário de Noemi Letizia, em 6 de maio de 2009. Surge como beneficiário dos favores sexuais, retribuídos com vantagens pecuniárias, quando a moça era ainda menor de idade. O escândalo, que ficou conhecido como Caso Ruby, levou Veronica, a segunda esposa do premiê, a pedir o divórcio... e uma bastante confortável pensão alimentar.
A imprensam enfileira revelações, por meio de fotos e vídeos, em que se vê o velho político de traços retocados pela cirurgia estética pavoneando-se em meios a cortesãs de luxo.
Com o agravamento da crise financeira, os italianos mostram-se cada vez menos compreensivos em relação ao seu ‘heroi’ tão viril, empreendedor e enérgico. Berlusconi se vê escanteado pela cena internacional, por ocasião das cúpulas europeias e intercontinentais. Sua capacidade de mobilização das massas e de convencê-las a novos sacrifícios decorrentes dos cortes orçamentários ficou seriamente reduzida.
Nas eleições parlamentares de 2012 sofreu amarga derrota a ameaçar definitivamente seu destino político. A 24 de Junho de 2013 é condenado no caso Ruby a 7 anos de cadeia e proibido de exercer qualquer cargo publico.
Fonte: Opera Mundi

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Dom Pedro I, ruim de mídia

Independência ou morte
País nascido de um desarranjo intestinal. Será este o nosso destino caricato? (Museu Paulista da USP)
A caricatura diz: mulherengo, violento, impulsivo, irresponsável (por melhor amigo tinha um fidalguete de sintomático nome: Chalaça), criado ao pé de uma avó louca e a distância por uma progenitora beata e viperina que iria odiar o próprio filho até a morte; português no Brasil, brasileiro em Portugal, aventureiro sem bandeira, que rompeu os vínculos da pátria-mãe com a colônia tropical num gesto impulsivo e gratuito, quando padecia de uma nada glamourosa diarreia às margens do riacho do Ipiranga, o que talvez tenha o dom de explicar para as gerações de hoje por que a nação então proclamada, o Brasil, ainda apresente tantos momentos que lembrem um desarranjo intestinal.
A verdade histórica corrige: ele era uma força da natureza, bom pianista e inspirado compositor, um sujeito de convicções e ideias, ainda que suficientemente astucioso para pressentir as armadilhas do poder, liberal por  inteiro, inimigo da escravidão, que ele combateu por escrito quando no Brasil (a já musculosa bancada ruralista impediu que o desejo do imperador chegasse à Constituição outorgada de 1824) e que ele proscreveu de fato ao assumir o governo de Portugal no exílio, em 1832; um forasteiro que amou o Brasil mesmo a distância e um português que decidiu voltar à terra de origem ao doloroso custo de enfrentar pelas armas, em trágico desenlace freudiano, o seu irmão déspota e usurpador do trono para empossar a filha, Maria da Glória, de apenas 15 anos.
As reviravoltas que a historiografia dá, acentuada por uma nova biografia assinada por Paulo Rezzutti, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, indicam duas aterrorizantes certezas a respeito de dom Pedro I (D.Pedro: A história não contada. Paulo Rezzutti, Editora Leya) . 
Primeiro, que a incipiente elite nativa, atrasada, reacionária, arraigada aos preconceitos, que só queria saber dos privilégios de casta e dinheiro, e que, por isso mesmo, acabou levando dom Pedro à abdicação, em 7 de abril de 1831, lembra muito o que se assiste hoje nas reuniões da Fiesp, para não falar dos simpósios do Instituto Millenium
Segundo, dom Pedro I, mesmo que ele próprio fosse um infatigável comunicador (assinava manifestos com pseudônimos, tais como Duende, Piolho Viajante, O Espreita ou Derrete-Chumbo-a-Cacete), tinha mídia ruim e, portanto, padeceu dos mal-entendimentos e da má-fé da chamada opinião pública, perseguido que foi pela imprensa de panfletos e pelos jornais conservadores, adeptos da restauração absolutista pós-Congresso de Viena, os quais, aliás, predecessores dos veículos oligárquicos de hoje, não entendiam que o mundo tinha mudado – e, quando entendiam, brigavam ferozmente contra as mudanças. 
Um cenário de turbulência sacudia o Brasil dos Bragança refugiados – e os vizinhos que desafiavam a Coroa espanhola. A volta de dom João VI a Portugal acirrou, na colônia, os rancores entre portugueses imigrados e brasileiros natos. Restauradores e renovadores se engalfinhavam na Europa, após o Congresso de Viena de 1815. A briga chegou aqui. Assim como o pai, dom Pedro I teve de se resignar ao aprendizado da negociação, cercando-se de oligarcas pretensamente esclarecidos, tais como aqueles da família Mesquita, perdão, Andrada, procedente de São Paulo (José Bonifácio, Martim Francisco e Antônio Carlos), a fina flor de um coronelismo travestido em fatiota moderninha que iria desaguar no PSDB.
 Pedro I.jpg
A crítica moralista ao imperador garanhão ocultava o ódio político ao governante liberal. (Museu Imperial)
Santo não foi, o filho dileto de dom João VI (outro que anda merecendo reabilitação das intrigas que fizeram dele um oportunista sinuoso, uma espécie de PMDBavant la lettre). Personalidade para lá de complexa e irrequieta, esse dom Pedro I, mas é curioso observar, num inacreditável contraponto com aquele monocórdico filho que deixou como imperador do Brasil aos 5 anos de idade, como ele veio a perder a batalha da respeitabilidade e do apreço público. Comparado com a figuraça que foi o pai, o segundo dos imperadores de nome Pedro era um boboca. Nunca entendeu o Brasil. Além daquelas barbas que foram embranquecendo, criando a moldura de governante paternal e bonzinho, e além da fama bem industrializada de amante das inovações, dom Pedro II conseguiu a cumplicidade da elite tosca mercê da circunstância de não lhes ameaçar as benesses. Na pior das hipóteses, um e outro cartunista ironizava sua balofa alienação.
Dom Pedro I, ao contrário, foi perseguido pelos porta-vozes do status quo e, onde quer que fosse, não apenas no Brasil e em Portugal, não merecia trégua. Travestida em crítica moralista, era no fundo, no fundo, uma perseguição político-ideológica. Não havia internet ou redes sociais, mas o ódio já fermentava em libelos anônimos, até mesmo em peças devaudeville. Não é de hoje que o Brasil é esse rancor todo. Bem que o próprio dom Pedro facilitou as coisas para as candinhas adversárias. A incontrolável testosterona de garanhão transbordou, é verdade, na escandalosa relação com a concubina paulista Domitila de Castro Canto e Mello, a idolatrada Titília, a quem o primeiro imperador culminou de cartas melosas (assinadas como “Demonão” e “Fogo Foguinho”), poemas obscenos e uma incomum honraria nobiliárquica: nomeou-a viscondessa e, depois, marquesa de Santos. 
Com status de amante oficial, Domitila mudou-se para a Corte, família a reboque (igualmente aquinhoada com vistosos privilégios). Porém, o que atormentou a hipocrisia dos carolas – naquela sociedade na qual, da cavalariça ao trono, dos cortiços aos salons, os homens tratavam as mulheres como um submisso adereço de seu patrimônio – foi o detalhe meio sórdido de o imperador ter feito de sua amante a camareira da imperatriz Lepoldina – de forma a ter sempre por perto, até mesmo em longas viagens, como a que fez à Bahia em 1826, o confortável ménage à trois. À grosseria do marido-garanhão, Leopoldina, née Caroline Josephine Leopoldine von Habsburg-Kothringen, respondia, em público, com aquela superioridade altiva de quem se educou como arquiduquesa e filha de imperador (Francisco I da Áustria), mas, na intimidade, ela sofria (as cartas à irmã desabafavam a humilhação). De mais a mais, a imperatriz amava o marido – e era, ao modo dele, amada pelo marido.  
Leopoldina morreu aos 29 anos, na capital tropical infestada por pestilências e naquele palácio da Quinta da Boa Vista que parecia um cortiço se comparado ao Schönbrunn de Viena, onde ela pela primeira vez viu a luz. Se é que Domitila ainda sonhava em obter ainda mais legitimidade do que aquela que já tinha, ao lado do imperador, a morte da, digamos, rival teve efeito contrário. Premido pela urgência de se casar novamente, no quadro das alianças geopolíticas necessárias ao então regente do reino de Portugal e imperador do Brasil, dom Pedro enviou emissários aos plantéis dinásticos da Europa, mas, antes deles, já haviam chegado as intrigas propagadas pelos diplomatas em função no Rio, dando conta das estripulias extraconjugais do proponente. Foi tal a dificuldade que dom Pedro, para aplacar as futricas, despachou Domitila e prole de volta para São Paulo. Só quem ficou na Corte foi Isabel Maria, filha do imperador com Domitila, a qual, num de seus arrebatamentos típicos, dom Pedro reconheceu como legítima e elevou, ainda criança, à condição de duquesa de Goiás. 
Quase dois anos se passaram até que o marquês de Barbacena conseguisse, enfim, assinar, em Munique, representando o imperador, o tratado de casamento com Amélia de Leuchtenberg, princesa da Baviera e neta de Josephine de Beauharnais, segunda mulher de Napoleão Bonaparte. O “príncipe afogueado” – nas palavras de um de seus inclementes biógrafos, Otávio Tarquínio de Souza – recomendara que, entre três outros atributos apreciáveis (ter berço, ser culta e virtuosa), a candidata apresentasse como requisito sine qua non a beleza. “Ela é bela e esse é o seu menor predicado”, entusiasmou-se o enviado. Dom Pedro aprovou a escolha e se aquietou no novo leito conjugal. Acabaria cabendo a Amélia a dura tarefa de acompanhá-lo de volta a Portugal e na espinhosa missão de arejar o trono português – surrupiado pelo irmão Miguel com apoio dos absolutistas espanhóis e dos saudosos da Santa Aliança – com os ares do liberalismo constitucional. 
O agora duque de Bragança, que havia renunciado ao trono brasileiro, encontrou em Luís Felipe d’Orléans, o rei de uma França enfim liberal, um frère d’intelligence e um parceiro de ideias esclarecidas, tanto que Sua Majestade tratou de alojar dom Pedro e família no suntuoso castelo de Meudon, vizinho a Versalhes. A esfuziante Paris parece ter despertado o mundano adormecido em dom Pedro e logo ele se mudaria para um casarão na cidade, a fim de ter à mão o camarote real da Opéra Comique. Lá conheceu o compositor Gioachino Rossini, que lhe presenteou com partituras autografadas do Barbeiro de Sevilla e, por gentileza protocolar ou por respeito verdadeiro, acabaria por reger uma abertura musical de autoria do brasileiro.  
A imprensa que tanto atormentara dom Pedro no Rio faria o mesmo em Paris. Os jornais que se opunham impiedosamente ao governo de Luís Felipe – num espectro que ia dos restauradores bourbônicos aos republicanos radicais – logo passaram a atacar o protegido dele. Apelidaram-no de Don Perdu (Dom Perdido). Alegavam que a música do ex-imperador fora um dos principais motivos de o povo brasileiro exigir sua abdicação.  E que, para conquistar Portugal, bastava a dom Pedro tocar a sua música, que faria os soldados do irmão Miguel saírem correndo.
Com o apoio mascarado dos ingleses e sem precisar entoar melodia alguma, o duque de Bragança desembarcou com suas tropas no Porto, em 9 de julho de 1932, tomou Lisboa um ano depois e assinou, em 26 de maio, a Convenção de Évora-Monte, que pôs fim à guerra fratricida e selou a vitória dos liberais. Nem teve tempo para festejar. Em setembro, o libertador de dois mundos falecia em Queluz, o palácio onde nascera 35 anos antes. 
A batalha da posteridade continuaria a importuná-lo após a morte, agora com a determinante ajuda dos ideólogos do republicanismo à brasileira. Só para se ter uma ideia, quando os restos mortais de dom Pedro I e dona Leopoldina foram exumados do sarcófago no Museu do Ipiranga, em São Paulo, em 2012, os legistas decidiram checar se estava tudo bem com a ossada da imperatriz. Na crônica peçonhenta dos maledicentes do passado, sussurrava-se que, num dia de destempero, o imperador arremessara a consorte escada abaixo. A tardia autópsia inocentou, porém, o sempre visado vilão. 
*Publicado originalmente na edição 879 de Carta Capital, com o título "Ruim de mídia
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