segunda-feira, 30 de novembro de 2015

1935 - Morre Fernando Pessoa, poeta português e ícone da literatura do século XX


Um de vários, consagrou-se pelo uso de heterônimos; com sua partida, também se foram Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro, entre outros
Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”
“O poeta é um fingidor / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente”

Wikimedia Commons
Fernando Antônio Nogueira Pessoa, poeta e escritor português, morre em Lisboa em 30 de novembro de 1935, aos 47 anos. Foi internado no dia anterior no Hospital de São Luís dos Franceses, vítima de uma crise no fígado. A suposta causa de seu falecimento se deve a uma cirrose hepática provocada pelo excesso de álcool ao longo da sua vida. Nos últimos momentos da sua vida pede os óculos e clama pelos seus heterônimos. Sua última frase é escrita no idioma no qual foi educado, o inglês: “I know not what tomorrow will bring” (“Eu não sei o que o amanhã trará”).

É considerado um dos grandes poetas da língua portuguesa e da literatura universal.O crítico literário Harold Bloom considerou a sua obra um "legado da língua portuguesa ao mundo". Na comemoração do centenário do seu nascimento em 1988, seu corpo foi transladado para o Mosteiro dos Jerônimos, confirmando o reconhecimento que não teve em vida.

Por ter sido educado na África do Sul, para onde foi aos seis anos, Pessoa aprendeu perfeitamente o inglês, idioma em que escreveu poesia e prosa.

Ao longo da vida trabalhou em várias firmas comerciais de Lisboa como correspondente de língua inglesa e francesa. Foi também empresário, editor, crítico literário, jornalista, analista político, tradutor, inventor, astrólogo e publicitário, ao mesmo tempo em que produzia sua obra literária em verso e prosa. Como poeta, desdobrou-se em múltiplas personalidades conhecidas como heterônimos, objeto da maior parte dos estudos sobre sua vida e sua obra.

Trajetória

Nasceu em 13 de junho de 1888 em Lisboa. Após a morte do pai por tuberculose, ocorrida quando ele só tinha cinco anos, a mãe se vê obrigada a leiloar parte da mobília e os dois mudam-se para uma casa mais modesta. É também nesse período que surge seu primeiro pseudônimo, “Chevalier de Pas”, assim como o primeiro poema, curto, com a infantil epígrafe de “À Minha Querida Mamã”. Sua mãe casa-se pela segunda vez em 1895 com o comandante João Miguel Rosa, cônsul de Portugal em Durban, África do Sul.

Muda-se com a mãe para a cidade sul-africana, onde passa a maior parte de sua juventude. Recebe uma educação britânica, o que lhe proporciona um profundo contato com a língua inglesa. Seus primeiros textos e estudos são feitos em inglês. Teve desde cedo contato com autores como William Shakespeare, Edgar Allan Poe, John Milton, Lord Byron, John Keats, entre outros. Utiliza o idioma para traduzir textos de poetas ingleses, como “O Corvo” e “Annabel Lee” de Edgar Allan Poe, chegando a publicar em 1918 e 1921 coletâneas de poemas em inglês de sua autoria.

Percorre com sucesso todos os graus de ensino em Durban e, em 1903, se candidata à Universidade do Cabo da Boa Esperança. Não obtém boa classificação, mas tira a melhor nota entre os 899 candidatos no ensaio de estilo inglês. Recebe por isso o “Queen Victoria Memorial Prize”.
Wikimedia Commons - "Em flagrante delitro"
Deixando a família em Durban, regressa definitivamente à capital portuguesa, sozinho, em 1905. Continua a produção de poemas em inglês e, em 1906, matricula-se no curso superior de Letras da Universidade de Lisboa, curso que abandona sem  completar sequer o primeiro ano.

Entra em contato com importantes escritores portugueses, interessa-se pela obra de Cesário Verde e pelos sermões do Padre Antônio Vieira. Passa a se dedicar à tradução de correspondência comercial. Nessa profissão trabalha a vida toda, tendo uma modesta vida pública.

Heteronímia

Podemos dizer que a vida do poeta foi dedicada a criar. De tanto fazê-lo, criou outras vidas através de seus heterônimos, que se constituíram em sua grande criação estética. Os heterônimos, diferentemente dos pseudônimos, são personalidades poéticas completas: identidades que, em princípio falsas, se tornam verdadeiras através da sua manifestação artística própria e diversa do autor original. Entre os heterónimos, o próprio Fernando Pessoa passou a ser chamado ortônimo, porquanto era a personalidade original.

Os três heterônimos mais conhecidos foram Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. Um quarto heterônimo de grande importância na obra de Pessoa é Bernardo Soares, considerado um semi-heterónimo, autor do Livro do Desassossego, importante obra literária do século XX.

Através dos heterónimos, Pessoa conduziu uma profunda reflexão sobre a relação entre verdade, existência e identidade. Este último fator se destaca no enigmático que perpassa a obra do poeta.

Escreveu desde sempre, com seu primeiro poema aos sete anos e pondo-se a escrever até mesmo no leito de morte. Sua vida foi uma constante divulgação da língua portuguesa. Nas palavras do poeta, expressas pelo heterônimo Bernardo Soares,  “minha pátria é a língua portuguesa”. Ou então, através de um poema: “Tenho o dever de me fechar em casa no meu espírito e trabalhar quanto possa e em tudo quanto possa, para o progresso da civilização e o alargamento da consciência da humanidade.” Analogamente ao general romano Pompeu que disse, por volta de 70 a. C., que “navegar é preciso; viver não é preciso”, Pessoa diz, no poema “Navegar é Preciso”, que “viver não é necessário; o que é necessário é criar”.

O poeta mexicano e Prêmio Nobel de Literatura Octavio Paz disse que “os poetas não têm biografia. Sua obra é sua biografia” e que, no caso de Pessoa “nada em sua vida é surpreendente – nada, exceto seus poemas”. O crítico literário norte-americano Harold Bloom considerou-o como o mais representativo poeta do século XX, ao lado do chileno Pablo Neruda.
Fonte: Opera Mundi

1854: Concessão do Canal de Suez

No dia 30 de novembro de 1854, o engenheiro francês e visconde Ferdinand Marie de Lesseps recebeu a licença para a construção de um canal entre os mares Mediterrâneo e Vermelho.
O canal liga os mares Vermelho e Mediterrâneo
A licença para o Canal de Suez foi assinada a 30 de novembro de 1854 pelo rei egípcio Said Pascha e dava ao engenheiro francês e visconde Ferdinand Marie de Lesseps a permissão de explorá-lo durante 99 anos. As obras foram iniciadas cinco anos mais tarde.
A ideia de ligar o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho é tão antiga que já havia ocupado os faraós no Egito. Também os romanos, quando invadiram a região, construíram vários canais ligando o sul até o delta do Nilo. O próprio Napoleão sonhou com um enorme canal ao marchar sobre o Egito em 1798.
Equipe sugeriu eclusas a Napoleão
Foi justamente um francês que concretizou a ideia: Ferdinand de Lesseps. Antes dele, outros engenheiros e cientistas haviam se ocupado com o planejamento de uma ligação entre os dois mares, mas fracassaram devido a um erro de cálculo de uma equipe encarregada por Napoleão, em 1800, que erroneamente havia sugerido a construção de eclusas. Embora as medições tivessem sido contestadas já em 1830, os engenheiros continuavam inseguros.
Convencido de que os níveis dos mares eram os mesmos, o ex-cônsul francês Lesseps não teve dificuldade em conquistar a simpatia do rei Said Pascha, seu amigo de infância, para o projeto. Lesseps passou um mês na corte do recém-coroado rei egípcio para conseguir a permissão da obra do Canal de Suez, em 30 de novembro de 1854.
Demorou mais cinco anos para que as obras fossem iniciadas. Primeiro, foi criada a Companhia Geral do Canal de Suez, que recebeu a concessão para administrar o canal por 99 anos. A obra foi iniciada dia 25 de abril de 1859. Dez anos depois, a 17 de novembro de 1869, o caminho que aproximava a Europa da Ásia era aberto à navegação.
Más condições de trabalho
Superlativo da técnica, a obra foi o maior projeto da navegação marítima mundial. No total, o canal foi construído com 171 quilômetros de comprimento, larguras que variavam entre 160 e 200 metros e uma profundidade média de 16,2 metros. O preço foi alto, também do ponto de vista da mão-de-obra. As condições dos trabalhadores forçados egípcios eram comparáveis às dos escravos que ajudaram a erguer as pirâmides.
Não demorou para que o canal se tornasse um pomo de discódia. Construído pelo francês Lesseps, os direitos da Companhia Geral passaram para os ingleses em 1875, já que o caminho marítimo diminuía em 10 mil quilômetros a distância até as colônias na Ásia. França, Inglaterra e Egito haviam decidido a neutralidade da área, mas a criação de Israel, em 1948, levou o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser a proibir a passagem de navios israelenses.
Nas guerras que se seguiram na região, o canal por diversas vezes foi bombardeado, bloqueado e inclusive fechado, em 1967. Durante oito anos, os europeus foram obrigados a contornar o Cabo da Boa Esperança para chegarem à Ásia. Só em 1975, o presidente egípcio Anuar el Sadat mandou reabrir o chamado Caminho da Confraternização.
  • Autoria Jens Teschke (rw)
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sábado, 28 de novembro de 2015

Memórias do AHR celebra o Ginásio do Capinguí

A volta do templo do futsal passo-fundense
Por Lucas Scherer, jornalista
Quando a bola rolou na noite daquela quinta-feira, 4 de abril de 1996, o ginásio do Capinguí voltava a ser o templo do futsal de Passo Fundo. Estreando na Série Ouro, a principal divisão do salonismo gaúcho, a UPF/AABB/Semeato, então campeã da Série Prata, vencia a Sercesa de Carazinho por 4 a 2, gols de Gelson, Arno (2) e Xoxo.

A quadra com 34 metros de comprimento por 17 de largura tinha dimensões reduzidas em comparação às oficiais (40x20). Esses 222 metros quadrados a menos, a pequena distância entre as arquibancadas sempre lotadas e a quadra, e jogadores como Matheo, Tete, Gelson, Márcio, Rafael, Arno, Giba, Maurinho, Gil e Luciano transformavam o Capinguí em um pesadelo para os adversários. Como jornalista e pesquisador do esporte na cidade, fui várias vezes ao Arquivo Histórico Regional da UPF para reconstruir essa história. E, antes, de falar sobre essa época, precisamos lembrar que, até hoje, apenas duas seleções brasileiras se apresentaram em Passo Fundo: a do então futebol de salão e a de bocha. A primeira esteve aqui no dia 29 de outubro de 1976. O jogo contra o Capinguí marcou as comemorações do recém-inaugurado ginásio do clube e serviu como preparação do Brasil para o Campeonato Sul-Americano que seria disputado, e vencido, no mês seguinte no Uruguai. A partida terminou 5 a 1 para o Brasil. No primeiro tempo, o Capinguí tentou segurar a Seleção Brasileira, que venceu apenas por 1 a 0, gol de Cocão. Na segunda etapa, os times se abriram e a partida terminou 5 a 1 para o Brasil. Chiquinho fez o gol dos donos da casa.

Voltemos ao moderno futsal. As pesquisas me permitiram montar uma lista de 159 jogos das equipes de Passo Fundo entre 1996 e 2005 no parquet da quadra da rua General Osório. Foram 103 vitórias e apenas 29 derrotas, um aproveitamento de 70%, e 678 gols marcados, 176 deles anotados por Tete (66 gols), Matheo (61) e Gelson (49), os maiores goleadores no Capinguí, pela Série Ouro e Copa Abertura (que, como o nome diz, abria a temporada do futsal no estado). Foi ali que a UPF/AABB/Semeato venceu a poderosa ACBF para depois empatar em Carlos Barbosa e ficar com a Taça Eugênio Portillo, o simbólico título da primeira fase da Série Ouro de 1996. No fim da primeira temporada entre os grandes do futsal, a equipe do técnico Clair Haubert acabou em terceiro lugar, então o melhor resultado de um time da cidade desde o título gaúcho de 1964 do mítico Capinguí de Binho, Cotinha, Delano, Dorley, Getúlio, Joben, Pedrinho, Pirata, Pisca, Walter Hugo e do técnico Abílio Fuão.

Foi ali também que mais dois títulos foram garantidos, as copas Abertura de 2002 e 2003. Mas, por três vezes o Capinguí viu escapar o título da Ouro, ainda que apenas uma vez o jogo decisivo tenha sido em Passo Fundo. Em 1999, a UPF/Prontoclínica do técnico Foca perdeu para a ACBF. Em 2000, a UPF/Grazziotin empatou por 2 a 2 com o Internacional em Porto Alegre mas deixou o título escapar em casa perdendo por 3 a 2. Finalmente, em 2003, a Ulbra Saúde/Carga Pesada foi vencida nas finais pela Ulbra.

Os investimentos no futsal diminuiriam a partir daí. Em 2004 e em 2005, já sem a força de antes, Passo Fundo teve que lutar muito para continuar na Série Ouro. A temporada derradeira, com o nome de Comercial Zaffari/Gaúcho, e mais uma vez com Javali no comando, teve seis jogos como local transferidos para Soledade, Sananduva e Marau por causa das eternas reformas no Teixeirinha. As obras no novo ginásio não terminaram e o Capinguí voltou à cena para as três últimas partidas. Foi apenas uma vitória e duas derrotas, incluindo a do jogo de despedida, no dia 18 de outubro, por 2 a 0 para o Atlântico de Erechim. O 25 de setembro de 2015 marcou o renascimento do maior ícone do futsal passo-fundense. Neste dia, os presidentes do Passo Fundo Futsal, Attílio Gonçalves, e do Capinguí, Djalma Woitchunas, assinaram um contrato para que o time volte a atuar na histórica quadra a partir do ano que vem.
* O AHR destaca que os artigos publicados nessa seção expressam única e exclusivamente a opinião de seus autores

1912 – Albânia proclama independência do Império Otomano


Data marca também período em que país ficou livre durante período do século XV; independência foi proclmada pelo líder Ismael Quemal Bey
Estátua de Skanderbeg em Tirana
Em 28 de novembro de 1912, Ismael Quemal Bey proclama a independência da Albânia no Congresso de Vlore. O aniversário desse dia é festa nacional na Albânia. É também o aniversário de uma primeira libertação do pais por Skanderbeg, em 1443.

Povoada por 3 milhões de habitantes sobre um território de 28 mil quilômetros quadrados, a Albânia ou o “País das Águias” está localizada em meio a um complexo montanhoso que a isola do mundo. É herdeira da Ilíria romana e da Épira bizantina. Seu nome surge por volta do ano 100 da era cristã. Provém de uma tribo local designada pelo geógrafo grego Ptolomeu sob o nome de Albanoi.

Na Idade Média, Veneza ocupou os portos de Durazzo e Scutari enquanto os turcos otomanos, vencedores contra os sérvios em Kossovo Polié, tomam o interior do país. Resultado dessa história tumultuosa, dois terços dos albaneses são hoje em dia muçulmanos, os outros são ortodoxos ou católicos.

A Albânia se emancipa durante alguns anos graças ao heroísmo de um príncipe albanês de nome Jorge Castriota (Gjergj Kastrioti em albanês). Guindado à corte de Murad II, o jovem torna-se favorito do sultão e ganha relevo na guerra sob o nome de Iskander Bey, ou príncipe Alexandre, transformado em “Skanderbeg”.

Após uma derrota dos turcos diante dos húngaros em Nis em 1443, Skanderbeg deserta do exército otomano levando consigo 300 albaneses. Regressa ao cristianismo de sua infância e, em 28 de novembro de 1443, se proclama soberano dos albaneses. Até sua morte em 17 de janeiro de 1.468, aos 65 anos, os albaneses fizeram frente aos otomanos. Com seu falecimento, tiveram de se submeter sem jamais deixar de se rebelar.

Já em 1912, a Sérvia e a Bulgária constituíram uma liga balcânica à qual se associaram a Grécia e Montenegro, tendo em vista arrancar do sultão otomano as derradeiras possessões que lhe restavam na Europa.

Como resultado da primeira guerra balcânica, os sérvios ocuparam uma grande parte dos territórios albaneses, notadamente ao norte, onde viviam as minorias servo-croatas, e sobre os quais tinham reivindicações, e o Kosovo, coração histórico da Sérvia.

Wikicommons - Rei Zog I
Nos anos que se seguiram à proclamação da independência, uma segunda guerra balcânica vê a Turquia, a Grécia, a Sérvia, o Montenegro e a Romênia se unirem contra a Bulgária a fim de conter suas pretensões sobre a Macedônia.

A Sérvia, que queria um acesso ao mar Adriático, se dispõe então a anexar a pequena Albânia, o que foi impedida pelo Império Austro-Húngaro e pela Itália.

A independência da Albânia é confirmada pelas grandes potências da Europa em 1919 ao final da I Guerra Mundial, enquanto o território do Kosovo, embora de maioria albanesa, permanecia sob domínio sérvio.

Em 1º de setembro de 1928, Ahmed Bey Zogulli, conhecido como Zogu, se faz proclamar rei da Albânia sob o nome de Zog I, após ter chefiado o país como primeiro-ministro e depois como presidente da República. Contudo, teve de abdicar após a invasão do país pelas tropas italianas, por ordem de Mussolini, em 7 de abril de 1939.

Após o término da II Guerra Mundial, em 11 de janeiro de 1946, a Albânia torna-se uma República Popular. Passa a viver então sob um regime que se mostra extremamente duro e que se distinguiu num dado momento em tomar partido de Pequim no conflito que opôs a China à União Soviética no final dos anos 1950.

Em seguida à rígida ditadura do líder Enver Hodja, morto em 1985, os albaneses se põe a sonhar com uma vida normal no seio dos países europeus.

Nos anos 1990, adotam, não sem imensas dificuldades, um regime do tipo parlamentarista.
Fonte: Opera Mundi

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Processo de autoavaliação do ensino de graduação segue até dezembro

A Universidade de Passo Fundo (UPF) tem um longo histórico de desenvolvimento de processos de autoavaliação, mecanismo que está integrado ao Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), que regulamenta a avaliação dos alunos, cursos e instituições brasileiras. Nesse sentido, até o dia 04/12 para alunos e professores e até o dia 21/12 para formandos da gradução, a Instituição realiza mais um processo de autoavaliação do ensino de graduação. A avaliação das disciplinas é realizada pela intranet semestralmente, possibilitando ao aluno e ao professor avaliar o seu próprio desempenho, bem como avaliarem-se um em relação ao outro.

A Comissão Própria de Avaliação (CPA) informa que o instrumento conta com questões objetivas, contemplando indicadores sobre a autoavaliação, práticas didático-pedagógicas e infraestrutura de biblioteca e sala de aula. A ferramenta também permite que os alunos realizem comentários abertos em relação ao seu curso, buscando complementar e aperfeiçoar o processo de avaliação.

A Divisão de Avaliação Institucional, que operacionaliza as ações propostas pela CPA, fica à disposição da comunidade acadêmica para outros esclarecimentos, por meio do e-mail avaliacao@upf.br ou pelo telefone (54) 3316-8377.

1942: "Casablanca" é exibido em pré-estreia

Exibido pela primeira vez em 26 de novembro de 1942, em Nova York, o filme em preto e branco "Casablanca", dirigido por Michael Curtiz, é considerado um dos maiores clássicos da história do cinema.
Filme só estrearia na Alemanha 10 anos mais tarde
"Assisti a Casablanca mais uma vez recentemente, após longo tempo. Nos Estados Unidos, ele passa toda semana na televisão. Eu ainda acho o filme incrivelmente ágil; não há monotonia. Ele tem tudo: heroísmo, romantismo e muitos artistas fantásticos em papéis pequenos", comentou certa vez a atriz Ingrid Bergman, falecida em 1982. Mas não foi apenas a comovente história de amor entre a beldade antifascista Ilsa Lund e o honesto dono de bar Rick Blaine, interpretado por Humphrey Bogart, que tornou o filme tão popular até hoje.
No business like war business
Passada a tão festejada noite de gala, no dia 26 de novembro de 1942 em Manhattan, a película dirigida por Michael Curtiz ficou de início relativamente esquecida. Porém um bom motivo a trouxe de volta ao cartaz nos cinemas dos Estados Unidos, dois meses depois.
Com a entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial em dezembro de 1941, do lado dos Aliados, filmes que criticavam a Alemanha nazista ganharam prioridade em Hollywood. Para melhor promover a produção, a Warner Brothers adiou propositalmente seu lançamento em circuito comercial para o dia de encerramento da Conferência de Casablanca, em 26 de janeiro de 1943.
Foi nesta que o primeiro-ministro britânico Winston Churchill e o presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt acertaram que a guerra só poderia terminar com a capitulação incondicional de Alemanha, Itália e Japão.
Prêmios e clichês
A estratégia de marketing deu certo. Casablanca foi um sucesso de público e conquistou três Oscars, entre eles o de Melhor Filme de 1943.
Lauren Bacall ao receber o Oscar em 2009 pela sua contribuição ao cinema
Em 1992, Lauren Bacall, o grande amor e última esposa de Humphrey Bogart, perguntava-se mais uma vez por que a história de 1942 tanto atraía a todos, mesmo com o passar dos anos. Seria o espírito do patriotismo em tempo de guerra, ou as intrigas e perigos num local misterioso do deserto, ou o desespero dos apaixonados presos numa armadilha em Casablanca?
Os diálogos sob medida e várias insinuações sutis certamente impulsionaram a fama de Casablanca. Não há como negar que a película é repleta de clichês e absurdos. Contudo, nada disso conseguiu manchar sua aura, até hoje.
Por exemplo, os vistos no passaporte para a viagem a Lisboa trazem a assinatura de Charles de Gaulle, ou seja, exatamente do homem que liderava o movimento de resistência francesa contra o governo de Vichy, colaboracionista com os nazistas. E Victor Laszlo, que havia acabado de fugir de um campo de concentração, andava para lá e para cá sempre vestido com um bem passado terno tropical da alta costura parisiense.
Adulterado na Alemanha
Por ironia do destino, europeus que fugiram do continente devido à perseguição nazista interpretaram no filme tanto os papéis dos refugiados como também dos homens da SS alemã.
Para Humphrey Bogart, Casablanca foi o ponto máximo de sua carreira: o aventureiro desiludido tornado anti-herói, cinicamente calmo. Um homem de ação, como o comissário Louis Renault, da polícia francesa, atestava no seguinte diálogo na tela:
Rick Blaine:"Louis, por que acha que eu poderia me interessar em ajudar Laszlo a fugir?"
Louis Renault:"Porque eu, meu querido Rick, suspeito que por trás desse ar cínico bate um coração sentimental. Pode rir à vontade, mas estou me orientando exatamente pelo seu passado. Deixe-me só destacar dois momentos: em 1935 você contrabandeava armas para a Etiópia, em 1936 lutou na Espanha contra os fascistas."
Casablanca só foi estrear nos cinemas alemães em 1952. No entanto, numa versão abreviada e adulterada de tal forma através da dublagem, que o filme ficou desfigurado. Todas as referências ao nazismo haviam sido eliminadas. E a figura de Laszlo, membro da resistência, fora transformada em físico nuclear norueguês. A seu jeito, a Guerra Fria dos tempos de Adenauer se apoderara do passado.
Michael Marek (av)

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

1973: Crise do petróleo interrompe o trânsito na Alemanha

Em 25 de novembro de 1973, os carros foram proibidos de circular na Alemanha para poupar gasolina. Os países exportadores de petróleo haviam imposto um embargo contra os aliados de Israel.
Um domingo sem automóveis na auto-estrada Colônia-Bonn
As nações árabes causaram a quarta crise mundial do petróleo em 1973, ao boicotarem as exportações aos países que apoiavam Israel na guerra do Yom Kipur. A represália atingiu severamente os Estados Unidos e a Europa ocidental.
O petróleo sempre foi uma importante arma política, já tendo levado a várias crises mundiais. A primeira foi em 1951, seguida da de 1956 e outra em 1967. Na de 1973, o preço do petróleo subiu de 2,90 dólares o barril (em setembro) para 11,65 dólares (em dezembro).
Quatro domingos sem trânsito
Para poupar energia, o então chefe de governo alemão Willy Brandt instituiu limites de velocidade e a proibição da circulação de veículos durante quatro domingos. Em 25 de novembro de 1973, as autoestradas e ruas das cidades na Alemanha ficaram vazias. Um fato difícil de acreditar em plena época do milagre econômico e num dos países líderes mundiais na produção de automóveis.
Com o fim dos estoques no mundo ocidental, a crise chegou ao auge em 1974. O chamado primeiro grande choque do petróleo levou à desestabilização da economia mundial e provocou uma severa recessão nos Estados Unidos e na Europa. Os países industrializados acabaram o ano de 1974 com um deficit de cerca de 11 bilhões de dólares e os em desenvolvimento, de quase 40 bilhões de dólares.
Em 1979, aconteceu um segundo choque do petróleo, causado pela revolução iraniana que derrubou o xá Reza Pahlevi (1919-1980) e instalou uma república islâmica no país.

1977 - Arqueólogo descobre tumba da família de Alexandre, o Grande


Túmulo surpreendeu pela quantidade de riquezas que guardava e por suas enormes dimensões

No dia 24 de novembro de 1977, a pequena cidade de Vergina, no norte da Grécia, tornou-se internacionalmente famosa graças a uma descoberta arqueológica: o pesquisador Manolis Andronikos afirmou ter encontrado aquilo que seria supostamente o local de enterro dos reis da Macedônia, entre eles Filipe II, pai de Alexandre, o Grande.
Antes, Andronikos já havia sondado Vergina por seis semanas, o que o levou a descobrir quatro câmaras enterradas com túmulos intactos. Em 1978, um outro local do enterro foi descoberto próximo do túmulo de Filipe II. Acredita-se que ele pertença a Alexandre IV da Macedônia, filho de Alexandre Magno.
Mais três túmulos foram encontrados em 1980. A descoberta marcou um momento decisivo na arqueologia, mas os critérios de identificação da ossada de Filipe II foram contestados.
Um estudo de 2010 feito por Musgrave constatou que o crânio do esqueleto masculino  descoberto havia sido deformado por um possível trauma. O achado é consistente com a história de Filipe II, que sofreu uma lesão facial. Alguns dos artefatos descobertos foram datados da época de Alexandre III. É plausível que um dos túmulos contivesse itens pessoais de Filipe II.
Os trabalhos arqueológicos começaram em 1855 pelo arqueólogo francês Leon Heuzey. Depois de muitas interrupções, guerras e outras dificuldades, culminaram com a descoberta da grande tumba.
Certezas não documentadas e há dúvidas se nesta localidade estão os segredos da grande civilização macedônica. A Vergina nada mais era que a antiga capital dos macedônios, Eges, e que manteve essa condição por muito tempo até sua transferência para Pela pelo rei Arquelao (413-399 a. C.). Segundo os costumes, os reis da Macedônia eram enterrados na capital.
Quando foi descoberta a Grande Tumba, os arqueólogos ficaram maravilhados com a grandeza de sua arquitetura. Todo em mármore e com muitos tesouros: coroas, armas, armadura, capacete macedônico, objetos pessoais, centenas de objetos de ouro e marfim e a urna funerária de ouro puro onde repousavam os ossos do rei. À época costumavam lavar o corpo com vinho e o depositavam numa urna chamada “Lárnaca”.
As dimensões da câmara mortuária eram de 10 metros por 6 metros, dividida em dois aposentos, com trono de mármore de 2 metros de altura.
No mesmo terreno ao lado havia outra tumba de uma jovem mulher e outra a de um jovem, classificada como a “Tumba do Príncipe”. Muitas moedas de ouro com a efígie do rei Filipe e moedas com o símbolo e nome da cidade também foram descobertas.
Esses túmulos, depois de construídos e lacrados, eram cobertos de toneladas de terra, formando uma pequena montanha de 13 metros de altura e 110 metros de diâmetro.
A partir da descoberta arqueológica,foi no local inaugurado um museu em 1993. Construiu-se ao redor das tumbas uma enorme câmara de granito preto e cristal onde além das tumbas estão expostos em enormes vitrinas os objetos pessoais, a maior parte em ouro. As luzes que sobre eles incidem criam uma atmosfera fantasmagórica.
Fonte: Opera Mundi

terça-feira, 24 de novembro de 2015

1859: Darwin publica Teoria da Evolução

Com "Sobre a origem das espécies através da seleção natural", publicada em 24 de novembro de 1859, Charles Darwin contrapôs-se à versão cristã da criação do mundo e tornou-se um dos cientistas mais combatidos da época.
Charles Darwin, o autor da Teoria da Evolução
No ano de 1859 foi dado o mais radical dos golpes contra a "ordem mundial divina". O cientista inglês Charles Darwin publicou Sobre a origem das espécies através da seleção natural, obra na qual havia trabalhado por 20 anos. A história da criação do mundo proposta por Darwin tornou-se um best-seller da noite para o dia: os primeiros 1.250 exemplares impressos estavam esgotados já no dia seguinte.
Apesar de todos os protestos, a teoria darwiniana se impôs no meio científico. As provas apresentadas pareciam por demais concludentes para serem contestadas: variação, seleção, estabilização da seleção e, repetidamente, o acaso.
Darwin afirmava que as espécies são criadas e exterminadas a partir do "princípio da tentativa e do erro"; seres vivos superiores desenvolvem-se, assim, a partir de formas menores. A evolução, que tem como base esse princípio, foi também considerada válida para os seres humanos.
Segundo Darwin, não somos nada além de mamíferos que caminham eretos. O choque do século se completava: o homem deixava de ser a imagem e semelhança de Deus para tornar-se um sucessor do macaco. Na época, Darwin não teve a coragem de dizer isso abertamente, embora certamente deva ter especulado a respeito.
Levado pelo espírito pesquisador de seu tempo, o cientista inglês passou cinco anos dando a volta ao mundo a bordo do navio Beagle. Nessa viagem, recolheu toda gama de informações e observações que depois viriam a ser sistematizadas e categorizadas ao longo de sua vida. Para isso, o pai da Teoria da Evolução examinou as mais variadas formações geológicas, bem como a multiplicidade de organismos e fósseis encontrados nos diversos continentes e ilhas que visitou.
Lei do mais forte
Ao passar pelas Ilhas Galápagos, por exemplo, Darwin anotou em seu diário de pesquisas que em cada ilha do arquipélago havia diferentes espécies de tartarugas, tordos e tentilhões. Apesar de parentes próximos, os animais encontrados em cada ilha diferenciavam-se no tamanho e na forma de alimentação.
Baseando-se nessa observação, Darwin concluiu que todas as espécies semelhantes entre si haviam se desenvolvido a partir de uma origem comum. Esse mecanismo, que levaria as espécies a modificarem-se para se adaptar ao meio ambiente, ele denominou "seleção natural", que faz com que apenas os mais fortes sobrevivam.
Em suas viagens pelo mundo, Darwin chegou à conclusão de que o homem não surgira como criação divina. Mais do que isso, o ser humano foi considerado por ele como produto final – mas ainda provisório – de uma linha de evolução biológica.
A teoria darwiniana questionava, assim, as explicações bíblicas de criação do mundo descritas noGênesis. Um deus que faz diversas tentativas, comete erros e, mesmo sem dilúvios punitivos, tem que começar tudo de novo, definitivamente não combinava com a imagem do criador todo-poderoso encontrada na Bíblia.
O ateísmo propagado pelo espírito científico abalou os fiéis, para os quais os "hereges" estavam condenando o mundo à destruição. O clero, no entanto, reagiu com cautela. Afinal, dois séculos antes a Igreja já fora obrigada a reconhecer que o Sol realmente não girava em torno da Terra, indo contra bulas papais e tribunais da Inquisição. E agora mais esta: não fora Deus a criado todos os seres, mas sim, acima de tudo, o acaso!
Darwin privava o ser humano de sua condição especial no universo, colocando-o sob o jugo da biologia. Segundo a teoria darwiniana, também o homem precisa adaptar-se às exigências do habitat natural e, no decorrer dos séculos e milênios, fora se modificara junto com o meio.
Criacionismo
A teoria de Darwin trouxe sérias consequências, acima de tudo para o mundo cristão. No entanto, apesar do progresso científico, não foram derrubadas todas as crenças religiosas que envolvem a criação do mundo. Pelo contrário: nos últimos anos tem crescido o número de fundamentalistas religiosos que creem na veracidade absoluta das palavras bíblicas, em todos os sentidos.
Nos Estados Unidos, os chamados criacionistas declararam – com sucesso – guerra à "teoria do macaco" de Darwin, desde que esta foi publicada. A influência dessa corrente faz com que em alguns estados norte-americanos o criacionismo seja ensinado nas escolas.
Ainda hoje, é terminantemente proibida, nas escolas de alguns estados, a simples menção à existência da Teoria da Evolução de Darwin. Em vez disso, ensina-se dogmaticamente uma interpretação literal da teoria da criação presente na Bíblia.
Entretanto, como a origem do mundo e do ser humano é assunto sério demais para ficar relegado a rivalidades entre cientistas, a controvérsia entre evolucionistas e criacionistas acabou por atingir a esfera política e social. Em 1996, o próprio papa João Paulo 2º anunciou em Roma que a Teoria da Evolução de darwinista seria compatível com a fé cristã.
Enquanto isso, nos EUA, neocriacionismo versus evolucionismo seguiu sendo uma questão de fé. Em sua campanha eleitoral no ano 2000, o presidente George W. Bush defendeu um tratamento igualitário das duas correntes nas escolas norte-americanas, provavelmente pelo fato de, na época, 45% dos cidadãos norte-americanos afirmarem acreditar no criacionismo.
Barbara Fischer (sv/av)
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Passeio histórico-cultural e fotográfico foi realizado no domingo, 21 de novembro

No último domingo, um grupo de estudantes e professores realizou o Passeio histórico-cultural e fotográfico pelo centro de Passo Fundo. A proposta, promovida pelo curso de História, Programa de Pós-Graduação em História e Projeto Momento Patrimônio, visou instigar os participantes a um olhar mais detido sobre a história, memórias e patrimônio da cidade.

Em cada ponto de visita, um guia responsável apresentou dados históricos que situaram as edificações, monumentos, etc., no processo de formação sócio-histórica de Passo Fundo. O final do trajeto deu-se pelos canteiros centrais da Avenida Brasil, com a observação de edificações, mas também com o olhar voltado para os patrimônios e referências da cidade que estão ocultados pela poluição visual, especialmente realizada com o uso de placas, painéis, letreiros, etc.

A atividade deve ser realizada semestralmente e divulgada neste blog do curso.




segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Acadêmicos de História produzem material acerca da presença indígena no norte do estado


Como parte da produção da disciplina "Prática e Estágio de Arquivos e Museus", acadêmicos do IV nível do curso de História lançam página no facebook voltada à questão indígena regional. Em parceria com o Museu Histórico Regional (MHR), o projeto visa apresentar à comunidade parte do material disponível no acervo do Museu e promover a reflexão crítica acerca da presença indígena em nosso cotidiano.

Para conhecer o material clique aqui.

"Esta página é uma criação dos alunos do IV nível do curso de História (UPF) e é um projeto de aula que tem uma parceria com o Museu Histórico Regional (MHR). O objetivo é expor à comunidade o acervo do museu da cidade relacionado com o tema do grupo "presença indígena na região". Escolhemos pesquisar e compartilhar da História e Cultura dos Kaingangs e, assim, proporcionar uma reflexão sobre muitos dos problemas sociais existentes, tanto da cidade quanto do resto do país. Ainda hoje, o indígena sofre com os reflexos de um passado explorado e pesaroso, sendo discriminado e alvo de preconceitos por falta de informação da população. Vamos conhecer um pouco de uma das culturas da nossa região?!" 
Produção de Ana Luísa, Carla, Hérica, Patrícia e Eduardo.

534 a. C. - Téspis torna-se primeiro ator ao protagonizar uma peça de teatro


Outras fontes o colocam como dramaturgo e indutor do papel do protagonista

Téspis de Icária, segundo fontes da Grécia Antiga e, em especial, Aristóteles, foi a primeira pessoa a aparecer em um palco como ator, desempenhando um personagem em peça teatral. Outras fontes o colocam como dramaturgo, introduzindo o conceito de protagonista e da técnica deste contracenar com o coro.

Ele era cantor de ditirambos – composição poética com estrofes irregulares que festejavam o vinho, a alegria, os prazeres da mesa, em tom entusiástico e/ou delirante. Credita-se a ele ter introduzido o estilo no qual um cantor ou ator desempenhava um único personagem em cada história, distinguindo-se os personagens com a ajuda de distintas máscaras.

Esse estilo foi chamado de tragédia e Téspis era o seu mais popular expoente. Em 23 de novembro de 534 a. C. foram criadas competições para eleger-se a melhor tragédia em Atenas. Téspis foi o ganhador da primeira competição documentada. Valendo-se de seu sucesso, percorreu várias cidades em carroça, apresentando-se com suas vestimentas e máscaras.

Foi durante uma Olimpíada que Téspis apresentou sua primeira tragédia: "[...] Um homem, um ‘desconhecido’, ‘alguém’, que se deixa arrastar pelas forças sagradas de Melpomene, alguém que é capaz de representar cinco ou seis personagens ao mesmo tempo, alguém que escreve as obras e as interpreta com um magnífico ‘sentido de imitação".

Foi o primeiro ator e o primeiro autor ocidental conhecido. Assim como escrevia e representava, também defendia seus direitos autorais, criando a primeira altercação entre o teatro e o governo quando discutiu com Sólon (640-558 a.C), legislador ateniense, a razão de seus ataques aos deuses do Olimpo. Representava vários papéis numa mesma apresentação e, mais tarde, acusado de hipócrita por Sólon, reconheceu: “[...] Fui, em verdade, um grande ator, mas também um hipócrita. Meus deuses, meus mercadores e meus pobres não eram mais que pedaços de minha alma endurecida”.

Em suas origens, o ator grego da comédia - possivelmente posterior ao da tragédia – era alguém mais descontraído e brincalhão, portador da vivacidade e da folia que vai caracterizar o cômico em todos os tempos. Os espectadores assumiam uma embriaguez coletiva, e o espetáculo aos poucos ia se tornando uma encenação de grande participação popular.

Os precursores do teatro ocidental se sucedem. Quérilo viveu o bastante para concorrer, quase centenário, com Sófocles (495-405 a. C.). Frínico teria se tornado tão ilustre quanto Ésquilo (525-439 a. C.) se sua obra escrita tivesse sobrevivido. A Téspis é atribuído a invenção da máscara, a Frínico, a introdução de personagens femininas em suas peças. Prátinas é o terceiro nome contemporâneo de Ésqiuilo e reprovava as interferências musicais em detrimento da palavra do poeta.

O protagonista, introduzido por Téspis, permitiu o diálogo entre ator e coro. O segundo ator, introduzido por Ésquilo, o deuterogonista, propiciou a criação do conflito. O coro foi perdendo sua função principal no desenvolvimento da tragédia, crescendo, por outro lado, a importância dos atores. Sófocles deu-nos o terceiro ator, o tritagonista, o que não significava que em suas peças encontrássemos dois ou tres personagens, mas vários personagens para serem interpretados por dois ou três atores no máximo.
 
Esta tendência iria aumentar com seus sucessores, a ponto dos componentes reduzirem-se de 50 para 15 elementos. Sófocles secularizou o espírito e o conteúdo da tragédia, assim como dissociou em suas especificas funções: o ator, como intérprete dos textos do poeta; o músico, com atividade própria e separada; e o coro, agora mais estruturado a ponto de ganhar um diretor próprio.

Encontramos muito pouca documentação sobre a forma de representação do ator grego. Aristóteles teria falado a respeito, mas esses trechos foram perdidos. Entretanto, quanto à interpretação teatral, poderíamos dizer que a pantomima era importante, e o uso de máscaras enormes, de traços acentuados, de roupas gigantescas, sobrecarregadas de bordados, que caíam até os pés, daí seu modo estático de representar, dando-se maior destaque ao texto falado. A cor das vestes anunciava o sexo e o nível social da personagem.

A fim de evitar a desproporção física que a indumentária poderia causar em relação aos grandes teatros gregos, aumentava-se o tamanho dos corpos acolchoando-os com falsos ventres, ombros,... recobrindo tudo isso com um tecido de malha ajustada ao corpo, sobre o qual vestiam as túnicas e os mantos. A máscara e a pesada vestimenta impediram qualquer elaboração mais individualizada. Segundo uma citação tradicional, o ator grego “era uma voz e uma presença”.

Os atores trágicos nunca tomaram parte na comedia, nem os cômicos na tragédia. Apenas os homens podiam subir aos palcos atenienses, e os atores trágicos eram considerados cidadãos muito requisitados e regiamente pagos.

No século IV a.C., o teatro decaiu, enquanto o ator foi ganhando cada vez mais importância. A expressão corporal superou o jogo das palavras, e nasceram então as primeiras cenas improvisadas. Os mímicos começaram a imitar os tipos cômicos da sociedade.

Ainda no século IV a.C., organizaram-se agremiações ou corporações de atores, denominadas Artesãos de Dionísio, que alcançaram muito poder e respeito, perdidos depois quando passaram a aceitar, em suas hostes, músicos, coristas, ajudantes e comparsas, o que provocou paulatina desconsideração social, a ponto de Aristóteles chama-los de “Parasitas de Dionísio”.

Outro depoimento aristotélico diz-nos que, à época, o intérprete despertava mais interesse que a obra poética. No ano de 449 a.C. foram instituídos os concursos para atores; o processo do individualismo começava a se estabelecer. Pólus foi o mais famoso, não só por suas qualidades de intérprete – segundo o filosofo Denis Diderot, ele tinha interpretado uma cena de Electra portando as cinzas do próprio filho -, mas também por ter sido o professor de dicção do grande orador grego Demóstenes (385-322 a.C.), que ganhou notoriedade por sua arte retórica.
Fonte: Opera Mundi

1945: Aliados aprovam três corredores aéreos até Berlim

Em 22 de novembro de 1945, os vencedores da Segunda Guerra Mundial criaram corredores aéreos para ligar a parte ocidental da Alemanha com Berlim Ocidental. Três anos mais tarde, eles se mostrariam vitais para a cidade.
Aviões garantiram suprimento de Berlim Ocidental
Em 1945, ninguém imaginava que, três anos depois, essas ligações garantiriam a sobrevivência de Berlim Ocidental, durante o bloqueio pelos soviéticos do acesso terrestre. Os corredores decidiram a primeira batalha da Guerra Fria em favor dos Aliados.
Imagine a dificuldade de abastecer uma metrópole apenas pelo ar, com a resistência dos soviéticos. E isto no final dos anos 1940. A façanha, entre 1948 e 1949, entrou para a história da aviação e ainda hoje serve como exemplo de solidariedade humana.
O feito só se tornou possível graças a uma decisão das quatro potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial, em novembro de 1945. Os Estados Unidos, a França, a Grã-Bretanha e a União Soviética criaram três corredores aéreos de 32 quilômetros de largura ligando Berlim e Frankfurt, Munique e Hamburgo, sem lhes dar uma função específica.
Em represália à adoção de uma moeda própria no setor ocidental da Alemanha, em junho de 1948, os soviéticos fecharam os caminhos de acesso terrestre, cortando o abastecimento de Berlim Ocidental, que era uma ilha dentro da Alemanha Oriental.
Iniciou-se aí a operação de abastecimento aéreo que durou 462 dias e que reforçou a disposição alemã ocidental de cooperar com as potências capitalistas.
Aviões de todo o mundo para a Alemanha
De todos os cantos do mundo, foram mobilizados aviões norte-americanos em direção à Alemanha. Os dois milhões de berlinenses ocidentais necessitavam de 13 mil toneladas de alimentos e combustível por dia. Os britânicos começaram a participar dessa ponte aérea no terceiro dia. No início da operação, em 26 de junho de 1948, foram transportadas apenas 500 toneladas, o que levou os soviéticos a não a entenderem como ameaça e não a levarem muito a sério.
Ao final da ponte aérea, em 1949, um total de 280 aeronaves chegava a transportar diariamente 15 mil toneladas de produtos. Era avião partindo a cada minuto. Em certos momentos, havia até cinco grupos de 12 a 15 aviões voando uns sobre os outros num dos corredores aéreos. A logística tinha que funcionar perfeitamente. Começaram aí os primeiros controles de tráfego aéreo. Nos quase 300 mil voos da operação, aconteceram relativamente poucos acidentes: 126, com 76 mortos.
Berlim não parou, a cidade não se curvou ao bloqueio. A produção da indústria era levada pelos aviões, que traziam os objetos de consumo de fora. Dois empreendimentos sensacionais da ponte aérea a Berlim Ocidental foram o fornecimento de 1.500 toneladas de material para a construção do aeroporto de Tegel e o envio de milhares de pinheiros para as tradicionais árvores de Natal, naquele dezembro de 1949.
Chocolate em paraquedas feitos de lenços
Ex-piloto da missão Rosinenbomber, Gail Halvorsen, no fechamento da base aérea dos EUA em Frankfurt, em outubro e 2005
Alguns pilotos criaram a Operação Papai Noel, em que os alemães ocidentais enviavam caixas de presentes a amigos e parentes em Berlim Ocidental. Um gesto muito especial foi iniciado pelo piloto norte-americano Gail Halvorsen, que as crianças apelidaram carinhosamente de "Rosinenbomber" (bombardeiro de passas). Ele jogava barras de chocolate em paraquedas em miniatura feitos com lenços. Quando seu superior tomou conhecimento da operação, resolveu ampliá-la.
Toda a Força Aérea e a população norte-americana começaram a juntar chocolates e gomas de mascar em pequenos paraquedas de papel, arremessados às crianças pouco antes da aterrissagem no aeroporto. O alemão Hans-Peter Fahrun lembra da alegria que sentiu quando conseguiu apanhar um dos pacotinhos, em 1949, enquanto brincava com amigos num campo de futebol.
Kenneth Slaker, um dos pilotos que participaram da operação, confessa que, em certos momentos, sentia-se um anjo: "Eu respeitava os alemães por eles terem sobrevivido à guerra. Naquele momento, eram nossos amigos e ajudá-los foi a principal tarefa da minha vida."
Ursula Alker ajudava a abrir e distribuir os pacotes de mantimentos no aeroporto de Berlim-Gatow: "Cerca de seis aviões eram desembarcados ao mesmo tempo. Havia duas pistas em uso e uma terceira estava sendo construída. Nunca esquecerei do cheiro das cenouras e batatas desidratadas."

1969: Primeira intervenção no código genético humano

Em 23 de novembro de 1969, o bioquímico Jonathan Beckwith e sua equipe isolaram um gene humano pela primeira vez. Mas, até a decodificação completa do genoma humano, foram necessárias mais algumas décadas.
Flores, folhas e sementes de ervilhas, ovais e poligonais, vermelhas e brancas. Gregor Mendel, monge augustino austríaco, polinizou-as no jardim do mosteiro de Brno, cruzou-as e observou o resultado. Em 1866, Mendel descobriu assim as bases da hereditariedade, mas ninguém na época quis acreditar. Durante anos, as anotações do monge ficaram esquecidas em gavetas.
No fim do século 20, porém, a decodificação da herança genética provocou uma corrida científica. Em 26 de junho de 2000, o cientista Craig Venter, proprietário da empresa Celera Genomics, e Francis Collins, coordenador do projeto Genoma Humano (HUGO), fomentado com recursos públicos de diversos países, anunciaram conjuntamente, numa entrevista com toda pompa em Washington, terem decifrado a herança genética do ser humano.
"Nós estamos profundamente agradecidos pelo privilégio de sermos a primeira geração a poder folhear as páginas do livro que revela o segredo da vida, escrito na linguagem da idade, alguns diriam na linguagem de Deus", declarou Venter.
Complexidade
Mais de três bilhões de caracteres genéticos estão decodificados, ou seja, de 30 a 40 mil genes. Eles fazem o ser humano. A interação dos genes é complexa demais e determinados fatores ambientais desempenham papel tão fundamental que não se pode afirmar qual ou quais genes poderiam ser responsáveis, por exemplo, pela pressão do sangue, ou se há um gene para alcoolismo, olhos azuis, cabelos loiros, musicalidade, bom ou mau caráter.
"Não estamos num filme de faroeste, no qual se identifica o bom e o mau pela ponta do nariz, mas acho que trata-se de o bem contra o bem. Nós temos de deixar dois princípios bem claros neste difícil debate sobre limites. Nós vamos precisar deles e, à pergunta 'O homem pode tudo? O que pode?', pode-se desde já responder com um não", observou Margot von Renesse, presidente da Comissão de Direito e Ética na Medicina Moderna, do Parlamento alemão.
Até o momento, o medo de criação de seres humanos e as visões de Frankensteins são infundados. Talvez o passo dado em direção à manipulação genética humana seja na verdade bem pequeno. Em janeiro de 2001, cientistas apresentaram Andi, o primeiro macaco transgênico do mundo. Segundo seus criadores, exclusivamente para fins medicinais. Com auxílio de um gene de Alzheimer infiltrado, poderia se testar no animal medicamentos e vacinas para seres humanos.
Passos cruciais
Entre o início, ou seja, quando Gregor Mendel fez suas experiências com ervilhas, e o momento atual, do macaco rhesus geneticamente modificado, da cartilha de Craig Venter e da desconfiança sobre os verdadeiros intuitos dos cientistas, onde deram-se os passos cruciais?
Um deles aconteceu em 23 de novembro de 1969, na Universidade de Harvard, em Boston. Na ocasião, uma equipe de pesquisadores, sob a direção do bioquímico Jonathan Beckwith, conseguiu pela primeira vez isolar um gene.
Beckwith: "Aquele foi realmente um grande dia. Foi a primeira intervenção em nosso patrimônio hereditário. Nós trabalhamos com bactérias muito populares, de formação muito simples. Chamam-seEscherichia coli. São bacilos que vivem no intestino humano e cuidam para que ele funcione. O gene que nós isolamos foi – por assim dizer – a base para tudo o que veio em seguida em termos de engenharia genética."
Aqui alguns dos passos seguintes: Em 1973, pesquisadores americanos conseguiram infiltrar o gene de um sapo na bactéria intestinal. Nos EUA, chega ao mercado em 1982 o primeiro medicamento produzido pela engenharia genética, a insulina. O primeiro mamífero transgênico, o rato oncomouse, é patenteado em 1988 nos Estados Unidos.
Dois anos depois, começou o projeto Genoma Humano, no qual cientistas de todo o mundo se uniram para decifrar o código genético. Em 2000, Craig Venter e os cientistas do Genoma Humano apresentaram a cartilha completa do patrimônio genético humano.
  • Autoria Judith Hartl (mw)
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domingo, 22 de novembro de 2015

1995: Acordo de Dayton encerra Guerra da Bósnia

O mais longo conflito armado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial teve seu fim acertado em 21 de novembro de 1995, após três semanas de duras negociações em Dayton, nos Estados Unidos.
Então secretário norte-americano de Estado, Christopher (c), ao lado do ex-presidente bósnio Izetbegovic (e) e do presidente croata, Tudjman
"O povo da Bósnia tem a chance de agora deixar o horror da guerra para trás e alimentar a esperança de paz." Assim avaliou o então presidente norte-americano Bill Clinton o resultado da conferência de paz na base aérea de Dayton, no estado de Ohio (EUA). Nela, os presidentes da Sérvia, da Bósnia e da Croácia acertaram a continuidade da existência da Bósnia, com uma parte croata-muçulmana e outra sérvia.
A capital Sarajevo permaneceu uma só e sob controle bósnio. Por sua vez, os sérvios mantiveram seu reduto Pale, assim como Srebrenica e Zepa, ex-zonas sob proteção da ONU. Uma tropa internacional de paz, comandada pelos Estados Unidos e sob responsabilidade da Otan, foi estacionada na Bósnia e na Croácia para fiscalizar o cumprimento do acordo.
O papel dominante coube aos Estados Unidos. Foi seu mérito a reunião dos presidentes bósnio, Alia Izetbegovic, sérvio, Slobodan Milosevic, e croata, Franjo Tudjman, para pôr fim à guerra de três anos na Bósnia-Herzegóvina.
Entre Dayton e Champs Elysées
Na fase preparatória para o encontro em Dayton, dois acordos importantes já haviam sido firmados. Em 10 de novembro de 1995, a República Bósnia-Herzegóvina e a Federação Bósnio-Croata acertaram a instituição da Federação Bósnia-Herzegóvina e a definição de um governo de transição para a cidade de Mostar. Dois dias depois, em 12 de novembro, sérvio-bósnios e croatas firmaram um acordo-base sobre a Eslovênia Oriental, Barânia e Sírmio Ocidental, como pré-requisito para o tratado de paz de Dayton.
Três semanas após o êxito das negociações na base aérea norte-americana, o Acordo de Dayton foi assinado oficialmente em Paris. Dez chefes de Estado e de governo compareceram à cerimônia no Palácio Champs Elysées, além de representantes de cerca de 50 países e organizações participantes do processo de paz. Em seu discurso de abertura, o presidente francês Jacques Chirac lembrou as vítimas da guerra:
"A esperança – que surge agora para todos os povos da ex-Iugoslávia – não nos deixa esquecer os 200 mil mortos da guerra. O conflito sangrento tem de ser deixado para trás, mas certamente deixará feridas no coração da Europa. O restabelecimento duradouro da paz será sobretudo tarefa dos países da região. Agora, todos os responsáveis devem partir para o capítulo da reconciliação. E, neste ponto, o exemplo de Adenauer e De Gaulle podem ser um grande modelo."
Motivo de ressentimento para o anfitrião francês foi o Acordo de Paz da Bósnia não ter entrado para a história como "Tratado do Champs Elysées", como ele gostaria. Em vez disso, continuou sendo chamado Acordo de Dayton, em referência ao local do centro-oeste americano onde os termos da paz foram negociados numa batalha de nervos, durante três semanas.
  • Autoria Doris Bulau (mw)
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1942 - Com a Operação Urano, Exército Vermelho dá início à derrocada nazista


Contra-ofensiva soviética na Batalha de Stalingrado foi derrota fatal para a Alemanha na Segunda Guerra
O Exército Vermelho, sob o comando do general Georgi Zhukov, lança em 21 de novembro de 1942 a Operação Urano, a grande contra-ofensiva soviética que mudou a maré na Batalha de Stalingrado.
Wikimedia Commons

Exército Vermelho começa reação contra ofensiva nazista na cidade conhecida atualmente como Volvogrado

Em 22 de junho de 1941, a despeito dos termos do Pacto Molotov-Ribbentrop de 1939, a Alemanha nazista lançou uma maciça invasão contra a União Soviética. Ajudado pela sua força aérea amplamente superior, o exército alemão investiu celeremente através das planícies russas, infligindo terríveis baixas ao Exército Vermelho e à população soviética. Com o auxílio de tropas de seus aliados do Eixo, os germânicos conquistaram vasto território e, em meados de outubro, as grandes cidades russas de Leningrado e Moscou já estavam em estado de sítio. No entanto, os soviéticos resistiram e, com a chegada do inverno, forçaram a ofensiva alemã a uma pausa.

Para a ofensiva do verão de 1942, Adolf Hitler ordenou que o 6º Exército, sob o comando do general Friedrich Von Paulus, tomasse Stalingrado no sul, um centro industrial e obstáculo ao controle nazista das preciosas jazidas de petróleo do Cáucaso. Em agosto, o 6º Exército teutônico logrou avanços através do rio Volga enquanto o 4º Esquadrão aéreo da Luftwaffe reduzia Stalingrado (atual Volvogrado) a um amontoado de escombros fumegantes, matando mais de 40 mil civis.

Wikimedia Commons

Posição defensiva soviética, durante o rigoroso inverno de 1942
 
No começo de setembro o general Von Paulus ordenou as primeiras ofensivas diretamente à cidade, estimando que, no espaço de dez dias, ela estaria capturada. Começaram então as mais terríveis, acirradas e heroicas batalhas da Segunda Guerra Mundial e, certamente a mais importante, porquanto se transformou no ponto de inflexão da guerra entre a Alemanha e a União Soviética.
 
Na tentativa de tomar Stalingrado, o 6º Exército alemão defrontou-se com o general Vasily Zhukov que comandava um implacável e encarniçado Exército Vermelho. Este se valeu das ruínas da cidade como vantagem, transformando os edifícios destruídos e os escombros em fortificações defensivas naturais. Empregando um método de combate que os alemães classificaram de Rattenkrieg ou “Guerra de Ratos”, as tropas soviéticas, divididas em esquadrões de 8 ou 10 homens, lutaram em casa por casa e por cada centímetro de terreno.

Wikimedia Commons

O marechal Von Paulus, ao centro, após a rendição

O líder soviético Joseph Stalin estava determinado a libertar a cidade que carregava seu nome e, em novembro, ordenou o envio de substanciais reforços. Em 19 de novembro, Zhukov lançou uma grande contra-ofensiva por fora do raio de Stalingrado. O comando alemão subestimou a escala do contra-ataque e o 6º Exército foi rapidamente suplantado pela ação, que envolveu 500 mil soldados soviéticos, 900 tanques e 1.400 aviões. Em três dias, toda a força germânica de mais de 200 mil homens estava cercada.
 
As tropas romenas e italianas se renderam, mas as alemãs resistiram, mesmo recebendo suprimentos limitados por ar e aguardando reforços. Hitler ordenou a Von Paulus que não recuasse, promovendo-o a marechal de campo - alegando que um marechal alemão jamais se rendeu.
 
Wikimedia Commons

Infantaria alemã, com o auxílio de um blindado StuG III, ataca perímetro da cidade
 
Mas o implacável Exército Vermelho, além da falta de suprimentos, agravada pelo rigor do inverno, cobraram muitas vidas. De modo que, em 21 de janeiro de 1943, o último dos aeroportos ainda controlado pelos alemães, caísse, cortando completamente a chegada dos suprimentos. Em 31 de janeiro, Von Paulus capitula e, em 2 de fevereiro, o restante das tropas germânicas – apenas 90 mil tinham sobrevivido – se rende.
 
A Batalha de Stalingrado mudou a maré de toda a Segunda Guerra Mundial. O general Zhukov conduziu mais tarde o avanço soviético sobre Berlim. O general Von Paulus, após ter sido libertado pelos soviéticos em 1953, fixou residência na Alemanha Oriental.

Wikimedia Commons

A cidade de Stalingrado em ruínas, após batalha decisiva
Fonte: Opera Mundi