quarta-feira, 30 de setembro de 2015

1941 - Milhares de judeus são executados em Babi Yar, na Ucrânia


Massacre lançaria as bases da solução final nazista; ao todo, número de mortos atingiu 90 mil no ato genocida do governo de Hitler
Nos dias 29 e 30 de setembro de 1941, 33 mil judeus de todas as idades são assassinados num lugar da cidade de Kiev, na Ucrânia, conhecido como Babi Yar. Poucas batalhas na história atingiram tal número de mortos em apenas dois dias, nem mesmo as câmaras de gás de Auschwitz.
O drama ocorre dez dias após a entrada das tropas alemãs na Ucrânia soviética. A cidade contava então com 900 mil habitantes, entre os quais cerca de 120 mil judeus. Em 28 de setembro os judeus são convocados a Babi Yar, na véspera do Yom Kipur judaico, e ameaçados de execução em caso de desobediência.
São imediatamente conduzidos à beira do barranco em grupos de dez, obrigados a se despir e massacrados por metralhadora. Os que escaparam do primeiro massacre seriam, por sua vez, mortos e atirados numa vala comum no curso dos meses seguintes à matança. No total, mais de 90 mil pessoas morreriam em Babi Yar. O lugar, hoje povoado de árvores, tornou-se ponto de memória e recolhimento.
O massacre de Babi Yar é um dos crimes mais repugnantes cometidos pela SS, corpo de elite nazista. Na primavera de 1941, quando Hitler dá início à operação Barbarossa e lança a Wehrmacht rumo ao ataque da União Soviética, quatro destacamentos especiais da SS acompanham o exército alemão. Colocam em prática a “limpeza” da retaguarda para evitar que franco-atiradores abatessem seus soldados. Fuzilam preventivamente os comissários políticos do Partido Comunista e os judeus em idade de combate.
WikiCommons

Julgamento de 15 policiais alemães responsáveis pela região ocupada de Kiev
Esses “agrupamentos móveis de intervenção” ou “Einsatzgruppen” simpatizantes nazistas e nacionalistas locais. Levam suas vítimas para fora dos burgos e das cidades, fezem-nos cavar uma vala, e à beira dela atiram uma bala na nuca.
A partir de agosto de 1941, com o estímulo tácito dos chefes da SS, Himmler e Heydrich, os Einsatzgruppen estendem sua ação contra as mulheres e crianças judias. Segundo os nazistas, tratava-se de nada menos que legítima defesa, pois os judeus seriam irremediavelmente hostis aos alemães. Era necessário exterminar também as crianças em caráter preventivo, para evitar que mais tarde se vingassem em nome de seus pais.
Os massacres, filmados e fotografados pelos próprios carrascos, são de dimensão apocalíptica. Os assassinos acabaram mergulhando no alcoolismo, na depressão e muitas vezes no suicídio.
Consciente deste inconveniente, o comandante de um Einsatzgruppen que havia participado anteriormente na Alemanha da eliminação por gás de deficientes mentais, sugeriu a extensão desse método aos judeus.
Durante o verão de 1941, um primeiro campo de extermínio utilizando gás de escapamento de caminhões é aberto em Chelmno, zona central do Governo Geral da Polônia. Os primeiros ensaios não foram conclusivos: os infelizes tardavam a morrer e a visão de seu sofrimento afetava mais os carrascos do que a bala na nuca. O sistema é modificado e, a partir do outono, vinte caminhões a gás funcionavam nas áreas tomadas dos soviéticos.
O extermínio (a palavra genocídio só seria empregada mais tarde) por esse método prosseguiu com tamanha intensidade ao ponto de um comandante do Einsatzgruppe, em dezembro de 1941, poder anunciar aos seus superiores que em três países bálticos já não havia mais judeus.
No final de 1941, de 300 a 400 mil judeus, homens, mulheres e crianças, já haviam sido eliminados de diversas maneiras. Para os chefes nazis, Himmler e Heydrich, tinha chegado o momento de acabar com o empirismo para passar à última fase, de dimensão industrial dos campos de extermínio. Seria a “solução final da questão judaica”.
As execuções em massa prosseguiram em paralelo na Polônia e na União Soviética. Elas somaram um total aproximado de um milhão e meio de vítimas, mobilizando no máximo três mil carrascos.
Fonte: Opera Mundi

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Carta de Mobilização do PIBID


Prezados colegas,
convidamos a todos a participarem de mais uma mobilização pró-PIBID, desta vez com a leitura e firma ao manifesto abaixo divulgado. A coleta de assinaturas será realizada na coordenação do curso - contamos com todos os docentes e discentes nesta luta!
Att.
Gizele Zanotto

CARTA DE MOBILIZAÇÃO DO PIBID
NOVO RUMO PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES
Brasília, 15 de outubro de 2015
O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) política de formação de professores que teve origem com nova etapa de democratização da sociedade brasileira, há 10 anos trouxe resultados significativos para a educação e para formação docente. Nesse momento de comemoração do “Dia do Professor”, estudantes dos cursos de licenciatura, professores da educação básica e superior se unem para marcar o reconhecimento a esse profissional e defender a continuidade do PIBID, bem como a sua ampliação e qualificação.

O PIBID é uma conquista da sociedade brasileira. Seu êxito vem sendo produzido coletivamente por sujeitos em exercício e em formação no sistema nacional de educação. Envolve crianças, jovens e adultos da escola pública, famílias, comunidades escolares e trabalhadores. 

O PIBID é um Programa do tamanho do país. Está disseminado territorialmente e, mais que isso, em cada local onde foi implantado, deu visibilidade à singulares culturas e à populações historicamente silenciadas. Valorizando a docência, problematizando diferentes realidades, ampliando o acesso aos conhecimentos sistematizados pela humanidade, inovando práticas pedagógicas, o Pibid mostra que outra Educação é possível! Compreendemos que o momento de transição pelo qual passa o Estado brasileiro, produzindo tensões, exige equilíbrio e cautela. Mas também vemos com indignação os silêncios acerca do futuro do PIBID. Apesar de reconhecido o seu caráter estratégico, vimos ignorada a responsabilidade com a sua manutenção e ampliação, instituídas por lei, na LDB e no PNE.

Mais do que nunca, afirmamos a importância da formação docente para tornar a educação um efetivo direito, certos de que não há neutralidade. Estão em jogo decisões sobre quem é o responsável pela formação, que professores queremos formar e para qual sociedade. O PIBID toma uma posição, concretizando, na prática, a aproximação entre universidades e escolas públicas. Se a educação não é uma ação simples, para que seja de fato democrática, precisa contar com professores conscientes do seu papel, comprometidos com a qualidade do ensino, protagonistas que se unem a outros para pensar e produzir, passo a passo, a história desse país. Vale lembrar Anísio Teixeira: ‘Educação não é privilégio’!  

Sabemos que incertezas existem, mas não são maiores que a convicção de que o PIBID deu um novo rumo à formação inicial e continuada dos professores da Educação Básica. E, por isso mesmo, defendemos, em especial, o direito do professor a uma formação democrática, que dê sentido ao seu trabalho. Que a sua formação, junto a outras condições, implique na qualidade do ensino da maioria da população, que tem na educação pública uma oportunidade de desenvolvimento pleno. Por tudo isso reivindicamos junto ao Governo e aos parlamentares a manutenção e ampliação do Pibid como política pública e sua inclusão no orçamento do MEC para 2016!

1964 - É publicada pela primeira vez tira de Mafalda, do argentino Quino


Personagem idealista foi inspirada em parte por Charlie Brown; por ironia, foi criada originalmente para uma campanha publicitária



Mafalda foi uma tira escrita e desenhada pelo cartunista argentino Quino. As histórias, apresentando uma menina (Mafalda) preocupada com a humanidade e a paz mundial que se rebela com o estado atual do mundo, apareceram de 1964 a 1973 (a primeira em 28 de agosto), gozando de alta popularidade na América Latina e Europa. Mafalda foi muitas vezes comparada ao personagem Charlie Brown de Charles Schulz, principalmente pelo escritor italiano Umberto Eco. Segundo ele, as inquietudes manifestadas por Mafalda e seus amigos são de índole universal. Foi traduzida em mais de trinta idiomas.

Mafalda somente se tornou ‘cartoon’ de verdade por sugestão de Juián Delgado, à época editor-chefe do semanário Primera Plana. Publicado em 29 de setembro de 1964 apresentava apenas Mafalda e seus pais.

Em 1962, Quino já trabalhava há uma década com humor gráfico, quando seu amigo Miguel Brascó, humorista e escritor, foi contatado pela “Agens Publicidad” para criar uma tira com historietas a fim de promover a marca de eletrodomésticos “Mansfield”. A tira funcionaria como publicidade encoberta em meios impressos. Brascó recordou que Quino lhe havia comentado “que tinha vontade de desenhar uma tira com crianças” e lhe sugeriu compor uma historieta que combinasse “Peanuts” com “Blodie”. A empresa pôs condição que na história aparecessem eletrodomésticos e os personagens começassem com “M”.

Quino esboçou tiras protagonizadas por uma família típica constituída por um casal de classe média com dois filhos: um menino e uma menina. O nome Mafalda da menina foi tomado do filme Dar la Cara (1962), baseado no romance homónimo de David Viñas, em que há um bebê que tem esse nome, e pareceu muito sugestivo a Quino.

A historieta foi oferecida pela Agens ao jornal Clarín, porém o estratagema publicitário foi descoberto e a companha, deixada de lado. No entanto, Brascó publicou no suplemento humorístico “Gregório” três das tiras desenhadas para a campanha falida.

Em 1964, Delgado, diretor da revista Primera Plana, pede para Quino publicar nesse meio a Mafalda, já desvinculada propósitos publicitários. Quino desenha tiras em que só participam Mafalda e seus país. Com o tempo, foi agregando personagens, amigos de Mafalda - Felipe, Manolito, Susanita, Miguelito e Libertad – e seu irmãozinho Guille.

Mafalda representa a aspiração idealista e utópica de fazer um mundo melhor, malgrado o pessimismo e a preocupação pelas circunstâncias sócio-políticas que afetam permanentemente nosso planeta. Os comentários de Mafalda são espelho das inquietações do mundo dos anos 1960. Ela denuncia a maldade e a incompetência dos homens e a ingenuidade das soluções propostas para os problemas mundiais, como a fome e a guerra.
Entusiasta dos Beatles, do Pássaro Louco e das panquecas, detesta sopa. Incomoda os adultos com seus questionamentos sobre o socialmente estabelecido e suas perguntas à condução política do mundo. Está convencida do progresso social da mulher. Imagina-se estudando idiomas e trabalhando como intérprete nas Nações Unidas para contribuir com a paz no mundo.

Ao começar a tira, Mafalda tinha quatro anos e, no mês de março, ingressa no jardim de infância. Nos dez anos do desenrolar da história, chega ao terceiro ou quarto ano da escola primária.

Wikimedia Commons

Praça Mafalda, em Buenos Aires, com os personagens da tirinha

Quanto aos demais personagens, temos:

- O pai de Mafalda e Guille: a tira não revela seu nome e sobrenome. Empregado típico de escritório, homem probo que trabalha como corretor de seguros. Preocupado em economizar, não compreende os avanços e desafios das novas gerações.
- Raquel, a mãe de Mafalda e Guille: é uma típica dona de casa de classe média dos anos 1960, ocupada unicamente com o seu lar. Não necessita muito para ser feliz e dá lições de humildade e sacrifício aos seus filhos, inquieta com as adversidades do mundo.

- Felipe, amigo de Mafalda: está um ano à sua frente, mas sua personalidade é mais simples e ingênua. Sonhador, tímido, vive agoniado com suas tarefas escolares.

- Manolito, amigo de Mafalda: filho de um comerciante do bairro,  representa as ideias capitalistas e conservadoras, além de construir uma caricatura de imigrante galego espanhol. É tosco, ambicioso e materialista.

- Susanita, amiga de Mafalda: Até a chegada de Libertad, são as únicas mulheres do grupo. Linguaruda, briguenta e fofoqueira, não há nada que se passa na vizinhança que ela não esteja a par. Além do mais, é racista, despreza os pobres, admira a oligarquia e é preocupada com a moda e a imagem.

- Miguelito, amigo de Mafalda: mais sonhador que Felipe, costuma fazer perguntas complexas e absurdas sobre a realidade. É o mais inocente da turma e passa de etéreas reflexões – “como o tempo fará para dobrar as esquinas em relógios quadrados?” – a típicas queixas de crianças. Algo egoísta, é um fervoroso defensor de Benito Mussolini, inculcado por seu avô.

- Guille: irmão menor de Mafalda e o único personagem que cresce fisicamente ao longo das tiras. Apesar de sua inocência, aprecia Brigitte Bardot, é algo irreverente e gosta de sopa. Costuma provocar a ira e o nojo de sua irmã.

- Libertad, amiga de Mafalda e último personagem a se juntar à turma: Baixinha, é motivo de gozação dos demais da turma. Tem personalidade, conversa com Mafalda sobre temas sociais e políticos. Concordam ideologicamente, todavia Mafalda é mais realista.
Fonte: Opera Mundi

Roger Chartier versa sobre história cultural, representação e tradução na Jornada em Ação

Historiador e pensador francês esteve no encontro com mestrandos e doutorandos da UPF no 13º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio Cultural

Foto: Gelsoli Casagrande
“A tradução liga uma cultura a outra cultura, uma parte do mundo com outra parte do mundo”, diz Roger Chartier
Por mais que seja citação comum em falas e canções, a saudade não é reconhecida em outras línguas, isso porque é uma das palavras da língua portuguesa que é intraduzível. Palavras traduzíveis e intraduzíveis e os desafios da tradução mundial é um dos temas que permeiam a abordagem do historiador e pensador francês Roger Chartier no Seminário Especial para mestrandos e doutorandos de Letras, Educação e História da Universidade de Passo Fundo (UPF). O evento, que teve início na tarde desta segunda-feira, dia 28 de setembro, é parte da programação da Jornada em Ação: 13º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio Cultural.

O encontro contou com a presença de Anne-Marie Chartier, que participa da atividade à noite, a partir das 19h. Nesta terça-feira, dia 29 de setembro, o debate segue com os mesmos palestrantes, pela manhã e à tarde. Presente na abertura, a coordenadora do Seminário, professora Tania Rösing, evidenciou a importância da oportunidade dada a mestrandos e doutorandos de buscar conhecimento junto a dois dos maiores pensadores do século XXI.

A coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Educação, Adriana Dickel, enfatizou a alegria em poder compartilhar com os palestrantes o conhecimento acumulado ao longo da sua trajetória e lembrou que leituras compartilhadas prepararam os alunos para o encontro com os pesquisadores. Também presente na oportunidade, a coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Letras, Fabiane Verardi Burlamaque, evidenciou que é a primeira vez que ocorre um seminário especial de forma conjunta, o que mostra que é possível desenvolver a interdisciplinaridade.

História, representação e tradução
Em sua abordagem, Roger Chartier apresentou a história cultural, mostrando como ela foi apropriada no Brasil e apresentou o conceito central de representação, evidenciando especialmente as pesquisas recentes feitas sobre tradução no século XVI e XVII. Para ele, a tradução é um tema importante, principalmente com a globalização. “Muitas vezes a tradução é o reforço das identidades linguísticas e, ao mesmo tempo, dentro história, é uma maneira de conectar. A tradução liga uma cultura a outra cultura, uma parte do mundo com outra parte do mundo, uma língua com outra língua”, define o pensador.


De acordo com Chartier, o livro pode ser conhecido como global. “Se pensa em livro, mas não é somente o que tem no mercado, é também o conteúdo intelectual, estético, político e cultural”, define. Para ele, a redução na compra de livros deixou reticências na tradução. “Isso me parece um perigo, porque a globalização perde uma de suas possibilidade que é de dar a quem não conhece outras línguas, a língua do livro, a obra intelectual e estética”, comenta Chartier, enfatizando que globalização é uma palavra que, algumas vezes, pode equivocar seu sentido, especialmente quando se acha que tudo está compartilhado. “Não é o caso. Música talvez, mas quando se fala de coisas escritas, cada um pode escrever em uma língua e ninguém conhece todas as línguas. Essa é a importância central da tradução”, constata.

Chartier também aponta que há uma dificuldade grande de multiplicar as traduções e exemplifica que a Itália, que concentrava grande índice de traduções, reduziu drasticamente o número de transcritos. “É um dos temas problemáticos da suposta globalização”, esclarece. A problemática da tradução se expressa em palavras e neologismos que são intraduzíveis e alcançam outras significâncias em línguas diferentes. Para ele, o sentido é transformado quando há aplicação a um meio particular a algumas palavras particularmente consideradas como intraduzíveis.


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Interação UPF inscreve até 02/10

Atividade já tradicional na Universidade acontece de 20 a 22 de outubro, no Campus I

Foto: Gelsoli Casagrande
Todos os anos, centenas de alunos participam da atividade
A nona edição do Interação UPF está se aproximando e o prazo para alunos e professores realizarem a inscrição segue aberto até o dia 02 de outubro, às 20h, pelo sitewww.upf.br/interacao. A programação acontece nos dias 20, 21 e 22 de outubro, no Campus I da Universidade de Passo Fundo (UPF).

Voltado exclusivamente para alunos do 3° ano do ensino médio, o Interação UPF realiza diversas atividades que apresentam ao estudante a estrutura física e as ações da Universidade. Recebendo estudantes de diversos municípios do Rio Grande do Sul e de outros estados, a programação oportuniza o contato dos futuros universitários com a realidade da UPF.

Como nas edições anteriores, cada escola poderá, no momento da inscrição, escolher o dia em que prefere participar do evento. A programação conta com visitas guiadas por profissionais treinados e acompanhadas pelos coordenadores dos cursos, professores e funcionários, com o objetivo de responder às dúvidas e também de fornecer informações atualizadas sobre os diferenciais de cada curso. Ao longo do dia, as atividades interativas também movimentam os alunos e os professores serão esperados com uma programação diferenciada.

Com o Interação UPF, além de conhecer os cursos de graduação da UPF, o estudante pode esclarecer dúvidas sobre o ensino superior, decidir com mais segurança sobre qual graduação cursar, pensar sobre o mercado de trabalho e, claro, trocar ideias com outros estudantes e curtir um show com os amigos. Neste ano, a banda General Bonimores estará animando a galera.

Pacotes de interesse
Para este ano, os grupos de cursos foram alterados e divididos em quatro opções, com pacotes identificados por cores. O Verde contempla Ciências Biológicas, Educação Física, Enfermagem, Estética e Cosmética,  Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Nutrição e Odontologia. O pacote Amarelo é composto pelos cursos de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Arquitetura e Urbanismo, Ciência da Computação, Design de Produto, Engenharia Ambiental, Engenharia Civil, Engenharia da Computação, Engenharia de Alimentos, Engenharia de Produção Mecânica, Engenharia de Produção, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica, Engenharia Química, Fabricação Mecânica, Física, Geografia, Matemática, Química e Sistemas para Internet. No pacote Vermelho, estão Artes Visuais, Design de Moda, Design Gráfico, Direito, Filosofia, História, Jornalismo, Letras - Inglês e Letras - Espanhol, Música, Pedagogia, Serviço Social, Psicologia, Publicidade e Propaganda, Secretariado Executivo. Outros cursos estão no pacote Azul: Administração, Agronegócio, Agronomia, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Gestão Comercial, Gestão de Recursos Humanos, Logística, Comércio Exterior e Medicina Veterinária.


Orientações
As inscrições devem ser feitas por um representante da direção ou da coordenação da escola, informando dados como nome completo do aluno, RG, endereço de e-mail e o respectivo pacote de cursos para cada aluno. A garantia da vaga acontece com a confirmação da inscrição pelo aluno, que receberá um e-mail da UPF solicitando a confirmação dos dados. As vagas são limitadas.


Dúvidas podem ser esclarecidas em contato por meio do telefone (54) 3316-8400 ou do e-mail interacao@upf.br.

1969: Eleição de Willy Brandt na Alemanha

No dia 28 de setembro de 1969, Willy Brandt foi eleito o primeiro chanceler federal social-democrata da Alemanha no pós-Guerra.
Willy Brandt em 1988: o chanceler que abriu caminho para a distensão na Europa
O chanceler federal Willy Brandt, em seu primeiro pronunciamento oficial no Parlamento alemão, dia 28 de outubro de 1969: "Tal ordem democrática exige uma paciência extraordinária para se ouvir e um esforço extraordinário de compreensão mútua. Queremos ousar mais democracia!"
Após 20 anos de chefia de governo democrata-cristão, Willy Brandt saiu vencedor de uma das apurações eleitorais mais emocionantes da história alemã. E tornou-se assim o primeiro social-democrata a ser eleito chanceler federal alemão depois da Segunda Guerra Mundial.
A noite que se seguiu à eleição para a 6ª legislatura do Parlamento federal alemão, de 28 para 29 de setembro de 1969, ainda está viva na lembrança de muitos alemães. Hoje, na era do computador, os resultados eleitorais já são divulgados poucas horas após o encerramento da votação.
Mas em 1969 a opinião pública teve de esperar até bem depois da meia-noite para tomar conhecimento da vontade ditada pelo voto popular. Somente na madrugada da segunda-feira, dia 29, é que se abriu o caminho para se formasse a coalizão entre social-democratas e liberais.
Eleição apertada
No dia da sua eleição pelo Parlamento federal, Willy Brandt só recebeu os votos de 251 deputados (de um total de 495): três votos menos que o número de deputados dos partidos da coalizão social-liberal e apenas três votos mais que o mínimo necessário à sua eleição. Depois de duas décadas na oposição, Willy Brandt não anunciou nenhuma reviravolta total: "A política deste governo estará sob o signo da continuidade e sob o signo da renovação."
Ele também citou os nomes daqueles a cuja tradição política ele pretendia dar continuidade: "Cito os nomes de Konrad Adenauer, Theodor Heuss e Kurt Schumacher – representando muitos outros, com quem a República Federal da Alemanha percorreu um caminho do qual pode se orgulhar […]."
O primeiro pronunciamento
Willy Brandt não quis – e nem podia – isolar a oposição. Brandt estendeu a mão, buscando cooperação: "Nas disputas objetivas e no convívio nacional entre o governo e a oposição, é nossa responsabilidade e tarefa conjuntas garantir um bom futuro à Alemanha Federal".
No seu primeiro pronunciamento oficial, o novo chanceler federal Brandt dirigiu-se também à juventude: "Nós nos voltamos também para as gerações que cresceram na época de paz, que não devem arcar com as hipotecas dos mais velhos, aos jovens que querem e devem acreditar nas nossas promessas. Mas esses jovens têm de entender que eles também têm obrigações em relação ao Estado e à sociedade".
As primeiras mudanças
Pouco depois, o governo Brandt começou a introduzir as mudanças anunciadas. A idade mínima para o exercício do direito eleitoral ativo foi reduzida de 21 para 18 anos, e do direito eleitoral passivo, de 25 para 21 anos. O visionário Willy Brandt permaneceu, contudo, realista: "Não podemos criar a democracia perfeita; nós queremos uma sociedade que ofereça mais liberdade e que exija maior corresponsabilidade."
No seu pronunciamento oficial, Willy Brandt não deixou nenhuma dúvida de que era um europeu, mas também – ao mesmo tempo – um patriota alemão: "Minhas senhoras e meus senhores, este governo parte do pressuposto de que as questões que resultaram para o povo alemão da traição nacional pelo regime de Hitler só poderão ser respondidas definitivamente numa ordem europeia de paz. Contudo, ninguém nos poderá dissuadir do princípio de que os alemães têm um direito à autodeterminação – como todos os demais povos!"
  • Autoria Ewald Rose (am)
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domingo, 27 de setembro de 2015

1808 – Napoleão realiza Congresso de Erfurt


No total, 34 governantes participam do encontro; episódio precede guerra entre França e Rússia deflagrada em junho de 1812
De 27 de setembro a 14 de outubro de 1808, por iniciativa de Napoleão I e para a própria glorificação, reúne-se na Turíngia o Congresso de Erfurt. Praticamente todos os soberanos alemães estiveram presentes, bem como o czar da Rússia, Alexandre I.  No total, 34 governantes, juntamente com outras importantes autoridades participaram do congresso. O rei da Prússia Frederico Guilherme III e o imperador da Áustria Francisco I destacaram-se pela ausência. Cerimônias, festas e espetáculos se encadeavam. A Comédie-Française se apresentava diante de uma “plateia de reis”.
Wikicommons

Napoleão recebe Baron Vincent, embaixador austríaco. Por Nicolas Gosse
O ambiente estava um pouco anuviado devido às notícias da “insurreição espanhola”. Todo o edifício Hirschgarten laboriosamente erguido por Napoleão parecia cambalear. O “Bloco Continental” destinado a frear a Inglaterra arriscava tornar-se letra morta. E a Áustria já levantava a cabeça, cabisbaixa que havia estado.
Napoleão quis ir pessoalmente à Espanha combater a insurreição, mas tinha necessidade de garantir a retaguarda com o concurso do czar, de quem se fez aliado em Tilsit, onde foram assinados os Tratados de Tilsit entre França e Rússia, em 7 de julho de 1807.
Relações entre Rússia e França
A partir de 27 de setembro, uma entrevista secreta é realizada entre os dois soberanos. Desemboca numa convenção secreta em 12 de outubro pela qual o imperador pede ao czar engajar-se contra a Áustria no caso desta tentar retomar a guerra.
Contudo, os esforços de Napoleão foram arruinados por Charles-Maurice de Talleyrand-Périgord. Após o encontro de Tilsit, Talleyrand trocou a pasta de ministro das Relações Exteriores por um título grandiloquente, porém vão, de Grão-Fidalgo. Perspicaz, estava consciente do beco sem saída em que Napoleão estava se metendo e preferia, no interesse da França e do equilíbrio europeu, que o imperador se reaproximasse da Áustria.
Sem poder convencer Napoleão, pressiona o czar Alexandre para que resista. Chega a Erfurt um dia antes do imperador dos franceses, acolhendo o czar com essas palavras: “Senhor, o que Vossa Majestade vem fazer aqui? Compete-lhe salvar a Europa e só conseguirá se fizer frente a Napoleão. O povo francês é civilizado, seu soberano, não; o soberano da Rússia é civilizado, seu povo, não. Resta, portanto, ao soberano da Rússia ser aliado do povo francês” (segundo confidências de Talleyrand a Metternich, relatadas a este em suas Memórias).
Napoleão parecia não duvidar de ninguém. Após o congresso, parte para a Espanha. A Áustria, como ele esperava, retoma as armas sem que a Rússia a isso se opusesse. Napoleão cruza rapidamente o rio Reno e vence uma vez mais os austríacos em Wagram, em 6 de julho de 1809.
No que dizia respeito ao Czar, tenta uma vez mais engabelá-lo, pedindo, um mês mais tarde, a mão de uma das irmãs do monarca em casamento. O czar dissimula e Talleyrand aproveita para arranjar o casamento do imperador francês com a arquiduquesa austríaca Maria Luisa.
As relações entre Paris e São Petersburgo começam seriamente a se degradar. O czar passa a defender os protestos dos comerciantes contra o Bloco Continental, que os impede de realizar trocas comerciais com os ingleses ao mesmo tempo que o desagrada o renascimento de uma Polônia independente.
A fim de garantir o fechamento dos portos do continente ao comércio inglês, Napoleão anexa aos poucos todos os Estados vassalos à França. É o caso da Holanda, das cidades da Hansa e depois, em 10 de dezembro de 1810, o ducado de Oldenburgo cujo soberano não é outro que o cunhado do czar.
Diante das circunstâncias, a guerra entre a Rússia e a França parecia inelutável, contudo, Napoleão, lamentando ter o dever de comandá-la, iria esperar ainda 18 meses antes de se decidir a invadir a Rússia.
Fonte: Opera Mundi

1940: Crianças alemãs refugiam-se dos bombardeios

No dia 27 de setembro de 1940, enquanto a Alemanha era bombardeada na Segunda Guerra Mundial, Hitler mandou levar as crianças para o interior do país.
Três milhões de crianças foram evacuadas até o final da guerra
No final do verão europeu de 1940, os britânicos iniciaram a retaliação. Após os ataques de Hitler a Londres, começaram a cair bombas em Berlim. Muitas famílias passavam as noites nos abrigos antiaéreos. No dia 27 de setembro de 1940, Hitler ordenou a maior medida de evacuação da Segunda Guerra Mundial: o envio das crianças para o interior do país.

Meninos e meninas das cidades ameaçadas pelos bombardeios deveriam mudar-se para as regiões do interior. Jürgen Niklaus, então com 10 anos, foi enviado para a cidade de Graudenz, hoje pertencente à Polônia. "Praticamente toda a nossa escola foi evacuada para lá. Não se fizeram muitas perguntas. Naturalmente que os pais podiam dizer que não, mas minha mãe concordou."

A transferência para o interior era gratuita. Quase três milhões de meninos e meninas foram acomodados em alojamentos coletivos ou casas de família até o final da guerra. Algumas crianças puderam levar as mães. Jürgen Niklaus viajou sozinho para o alojamento.

Para ele, a viagem era inicialmente uma grande aventura. Ele praticamente não sentia saudades de casa: "Nós fomos alojados em grandes dormitórios. À noite, nos contavam histórias, naturalmente, sobre atos de heroísmo e sobre os fantásticos homens da SS. E isto nos distraía um pouco. O momento ruim era quando as luzes apagavam e a gente pensava: onde está a minha mãe?"

Centros de doutrinação

Os nazistas usavam os acampamentos para educar as crianças com a sua ideologia. Ao mesmo tempo, muitas mães que ficaram em casa podiam trabalhar na indústria bélica. O responsável pelo envio das crianças para o interior era Baldur von Schirach, que procurou confortar os pais num pronunciamento radiofônico após visitar um dos acampamentos:

"O pão integral voltou à mesa. A carne é servida com abundância. Não foram esquecidos nem mesmo os doces, como eu pude comprovar. O estado de saúde de todas as crianças é, em média, excelente e nos dá uma grande satisfação."

Apesar das tentativas de tranquilização, muitos pais preferiram ficar com os filhos nas grandes cidades. Outros os buscaram de volta, para desagrado do ministro da Propaganda, Joseph Goebbels: "O terrorismo aéreo do inimigo é incalculável. E os pais que se deixam levar pela falta de visão e retiram os filhos dos distritos de evacuação, pensando que isso não será tão mau, já que até agora tudo correu bem, assumem com isto uma grave responsabilidade."

Também Jürgen Niklaus voltou uma vez para casa durante a guerra. Na segunda evacuação, sua mãe pôde acompanhá-lo inicialmente. Mas, em julho de 1944, eles foram separados. A instrução escolar nos acampamentos tornou-se cada vez pior, pois faltavam bons professores: "Eles eram muito velhos ou eram aqueles que já tinham perdido um braço ou uma perna na guerra e voltado, então, a lecionar."

Aliciamento e treino militar

Havia terminado também a época dos devaneios e brincadeiras nos acampamentos. Em vez de aprender matemática e gramática, Jürgen Niklaus teve de preparar-se para o combate final:

"Eles vieram então com a sua milícia popular. Era, naturalmente, uma grande honra, receber uma braçadeira da milícia popular. E nós recebemos verdadeiro treinamento militar. Foi duro. Eu era miudinho na época e desmaiava também com frequência durante a construção de barricadas ou determinados exercícios, quando nos acossavam através de campos úmidos."

Seu acampamento foi transferido para Wörth, às margens do Rio Danúbio. Com um bastão de madeira, Jürgen Niklaus deveria lutar contra os americanos. Quando a guerra terminou, seu acampamento juvenil foi desfeito e ele – aos 15 anos de idade – foi enviado para trabalhar na colheita na Baviera:

"Em setembro, não suportei mais. Eu não sabia sequer se meus pais haviam sobrevivido ou não. Os trens de passageiros ainda não tinham voltado a funcionar. Eu roubei duas galinhas e troquei-as por alguma coisa de comer. Depois, subi em trens cargueiros, amarrando-me do lado de fora com um cinto ou uma corda, e esperando para ver aonde o trem iria."

Três semanas mais tarde, Jürgen Niklaus chegou a Berlim. A casa da sua família estava muito danificada, mas sua mãe e seu pai estavam vivos.
  • Autoria Ralf Geissler (am)
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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

1890 - Em Manifesto, Igreja Mórmon passa a proibir poligamia

Em 25 de setembro de 1890 o Presidente Woodruff, da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias- popularmente conhecida como A Igreja Mórmon -, anunciou renúncia à poligamia defendida historicamente pela instituição.
Segundo Woodruff, “durante semanas busquei humildemente o Senhor pedindo ajuda e orei ardentemente. O Senhor deu-me uma visão mostrando as consequências da prática da poligamia e me instruiu o que fazer”, explicou. Daí, emitiu o que se tornou conhecido como o Manifesto, anunciando o fim da prática do casamento plural.

Para alguns mórmons, poligamia é pré-requisito espiritual obrigatório para a admissão no céu.

A Igreja está sediada em Salt Lake City, Utah. Em 2014, a Igreja relatou um pouco mais de 15 milhões de adeptos em todo o mundo, em 1990 eram 7,7 milhões. Atualmente, é a 10ª maior denominação religiosa do planeta.

Os adeptos são cristãos ultraconservadores que não se encaixam em nenhuma vertente do cristianismo tradicional. À semelhança de outras organizações restauracionistas, ensina que, após os eventos descritos no Novo Testamento, houve uma grande apostasia da verdadeira fé cristã e do sacerdócio, que foram restaurados por Joseph Smith, por meio da profecia e da visitação de Deus, no início de 1820.

Considera-se a única com autoridade para realizar ordenanças válidas como o batismo e o sacramento, assim como o casamento eterno e o batismo vicário.

O Manifesto de 1890 não foi, em si, o suficiente para eliminar a prática de novos casamentos plurais, pois continuaram a ocorrer na clandestinidade. Além disso, a maioria dos polígamos mórmons continuou a coabitar com suas esposas polígamas. Líderes mórmons sustentaram que o Manifesto foi uma oportunidade temporária destinada a permitir a obtenção de menos perseguição. No entanto, o Manifesto de 1890 não foi suficiente para convencer a sociedade norte-americana de que a Igreja havia cessado os casamentos plurais, de sorte que em 1896 a igreja promoveu campanha a fim de convencer a opinião pública de que abandonara a poligamia.

Wikicommons
O Segundo Manifesto não anulou os casamentos plurais existentes dentro da igreja. A Igreja tolerou os poucos casamentos polígamos que se mantiveram até 1930.

[Estátua do profeta Joseph Smith nos Estados Unidos]

Adotou, então, uma política de excomungar os membros encontrados praticando a poligamia e, hoje, procura distanciar-se ativamente de grupos de mórmons fundamentalistas que continuam a praticá-la.

Para os membros dissidentes da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (LDS), que vivem nas cidades de Colorado City e Hildale, Utah, a poligamia não é um estilo de vida. Trata-se, na verdade, de um pré-requisito espiritual obrigatório para a admissão no céu e a mais elevada forma de salvação.

Nesse sentido, uma pesquisa recente revela que há cerca de 37 mil fundamentalistas, dos quais a metade vive em domicílios polígamos no Arizona e em Utah (estados do Oeste dos EUA). Suas crenças, enraizadas nos ensinamentos passados no século 19 por Joseph Smith, fundador da Igreja Mórmon, levaram os habitantes de Colorado City e Hildale a entrar em conflito com as leis norte-americanas.

Os polígamos da Igreja Fundamentalista afirmam que são os legítimos herdeiros da igreja criada por Joseph Smith, e que as pessoas que viraram as costas para a poligamia também viraram as costas para a fé.


Fonte: Opera Mundi

1973 - Guiné-Bissau declara independência de Portugal


Após separar-se dos portugueses, país não conseguiu consolidar sua democracia; país esteve sobre controle de Portugal por 385 anos
Há 40 anos, em 24 de setembro de 1973, a Guiné-Bissau declarava independência de Portugal, tornando-se a primeira colônia lusa no continente africano a separar-se oficialmente da metrópole – esta só a reconheceu em 10 de setembro de 1974. É atualmente um dos oito países a adotarem o português como língua oficial e, décadas depois da fase pós-colonial, ainda não conseguiu se estabilizar democraticamente.

Na primeira fase das expedições exploratórias portuguesas, os rios da Guiné e as ilhas de Cabo Verde estavam entre as regiões da África a serem reclamadas. O navegador Álvaro Fernandes chegou à Guiné em 1446 (outras fontes atribuem o feito a Nuno Tristão), mas poucas feitorias de comércio foram estabelecidas antes do ano 1600.

A ocupação do território pela coroa portuguesa só se deu a partir da União Ibérica, quando o rei espanhol Filipe assumiu os dois países. Na região foi fundada a vila de Cacheu (1588) sujeita administrativamente ao arquipélago de Cabo Verde. No mesmo contexto, foi estabelecida, em 1630, a Capitania-Geral da então Guiné Portuguesa para a administração do território.

A Guiné Portuguesa teve por diversas oportunidades na fase colonial uma união política e administrativa com o arquipélago de Cabo Verde. O mesmo foi cogitado na fase pós-independência, mas nunca chegou a se concretizar.

Wikimedia Commons

Posto de controle do PAIGC pouco após a guerra pela independência

Durante séculos a região constituiu-se em um ponto estratégico para o comércio de escravos. Somente no final do século XVII edificou-se a fortaleza de Bissau, como prevenção contra os franceses, que começavam a afirmar a sua presença no oeste do continente.

Em 1885, o Congresso de Berlim, definiu as fronteiras coloniais da África, e a posse da Guiné Portuguesa é confirmada a Lisboa. Entretanto, as tentativas de ocupação e colonização portuguesas sofreram forte resistência das populações locais durante décadas.

A luta contra o colonialismo e pela independência começou a ser mais organizada em 1956, a partir da fundação do PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde), liderado por Amílcar Cabral, por um grupo de exilados na vizinha Guiné francesa, ou Guiné Conacri.
Reprodução - selo alemão de Amílcar Cabral
Após dez anos de negociação, o movimento decidiu recorrer à luta armada de guerrilha. Foi sucessivamente obtendo vitórias até dominar a maioria do território em 1973. No entanto, Amílcar não chegou a ver seu sonho realizado, tendo sido morto em Conacri – seu assassinato nunca foi oficialmente esclarecido; alguns integrantes atribuem a agentes da inteligência portuguesa, outros a membros por integrantes do próprio PAIGC, que acreditavam que o líder tinha sucumbido às elites colonialistas. Seu irmão, Luís Almeida Cabral, assumiu o controle do grupo e participou da proclamação da independência.
O colapso português na Guiné teve fortes reflexos na metrópole e foi um dos fatores que provocou a Revolução dos Cravos, além da descolonização das demais dependências na África – Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde – e Timor Leste (sendo este invadido pela Indonésia pouco depois), na Ásia, todos em 1975.
Na Guiné-Bissau, Luís Cabral e o PAIGC assumiram o poder em um governo de partido único, de orientação comunista e que apoiava a fusão com Cabo Verde. Mas o tempo mostraria que a democracia demoraria para chegar à jovem nação africana.
Em 1980, ocorre o primeiro de uma série de golpes de Estado no país na fase pós-independência: Luís Cabral é destituído por João Bernardo “Nino” Vieira, cujo autoritarismo dissolveu as alas mais à esquerda do partido e o rompimento com os cabo-verdeanos.
A “transição democrática” se iniciou em 1991, com o PAIGC deixando o status de partido único e o país adotando o multipartidarismo. As primeiras eleições plurais foram em 1994, com o PAIGC obtendo ampla maioria e Vieira sendo eleito presidente da República.
Em 1998, tem início uma guerra civil em que o general Anuname Mané depõe Vieira. Após negociações, Mané cede o pode, novas eleições são realizadas e o PRS (Partido da Renovação Social), de Kumba Yala, é o vencedor, Em 2000, Mané tenta novo golpe e é morto por tropas oficiais. Um terceiro golpe ocorre em 2003. Yala é destituído e nova eleição recoloca Vieira no poder. No entanto, ele é assassinado em 2009, em um ataque contra o palácio presidencial por militares em represália a um comandante morto. Nova tentativa de tomada de poder pelos militares fracassa em 2010. Mas, em 12 de abril de 2012 um autodenominado "Comando Militar" tomou o poder em Bissau. Destituiu o presidente interino, Raimundo Pereira, e o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior.Fonte: Opera Mundi

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Como a ditadura perseguiu militantes negros

Documento inédito mostra como a repressão monitorava integrantes do então embrionário movimento negro brasileiro
Acervo UH/ Folha Press
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Abdias do Nascimento, entre outros integrantes do movimento, foram espionados
Com medo de que a luta pela igualdade racial crescesse à luz de movimentos internacionais como o Panteras Negras e se voltasse contra a polícia, a ditadura passou a seguir os passos de militantes e reuniões do embrionário movimento negro brasileiro.
Documento de 24 de outubro de 1979 mostra como o IV Exército, no Recife, descrevia um foco de “problemas”. “A partir de 1978 apareceu um novo ponto de interesse da subversão no País, particularmente nos estados do Rio de Janeiro e, com mais ênfase, na Bahia: a exploração do tema racismo, procurando demonstrar a sua existência e colocar o negro brasileiro como motivo de discriminação”, diz o texto de sete páginas. 
O relatório nunca antes divulgado revela que o “método” utilizado para a obtenção das informações deu-se pela “infiltração em entidades dedicadas ao estudo da cultura negra, por meio de palestras em reuniões e simpósios”, como a IV Semana de Debate sobre aProblemática do Negro Brasileiro, em abril de 1978 na Bahia. A temática das palestras, segundo os militares, tratava de temas como “a tão falada democracia racial não passa de um mito”, “o racismo no Brasil é pior do que no exterior, porque é sutil e velado”, “a existência da Lei Afonso Arinos, contra o racismo, é prova de que ele existe”, “a Abolição da Escravatura foi imposta pelas necessidades da economia capitalista e não por uma preocupação sincera com a situação do negro”. 
O documento havia sido solicitado em 11 de junho, por meio da Lei de Acesso à Informação, ao Comando do Exército, que oito dias depois respondeu não possuir arquivos sobre o monitoramento de ativistas negros. A Controladoria-Geral da União (CGU) encontrou, no entanto, o relatório no Arquivo Nacional, em Brasília, há duas semanas. Segundo o ouvidor-
adjunto da CGU, Gilberto Waller, esta é a primeira vez que se encontra um documento confidencial elaborado exclusivamente para tratar do tema, quando o que se via até então eram trechos e citações a outros textos. “Vemos que o Estado se preocupou com o movimento negro a ponto de ter classificado as informações”, explica. “Na visão da CGU, em termos de acesso à informação, é um grande ganho conseguir algo de valor histórico tão relevante.” 
 O relatório, cujo rodapé alerta: “Toda e qualquer pessoa que tome conhecimento de assunto sigiloso fica, automaticamente, responsável pela manutenção de seu sigilo. Art. 12 do decreto no 79.099, de 6 de janeiro de 1977”, cita a mobilização nacional em torno da formação do movimento contra a discriminação racial. “Os grupos do Movimento Negro de Salvador são: Ialê, Malê, Zumbi, Ilialê, Cultural Afro-Brasileiro. Esses grupos apresentaram, no dia 8 julho de 1978, ‘moção de solidariedade aos integrantes do movimento paulista contra a discriminação racial, pelo ato público antirracista do Viaduto do Chá’”. 
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O objetivo era evitar que a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos alcançasse o País
O ato, segundo a socióloga Flavia Rios, autora da tese Elite Política Negra no Brasil: Relação entre movimento social, partidos políticos e estado, diz respeito à marcha que saiu naquele dia do Viaduto do Chá em direção ao Teatro Municipal para a criação do Movimento Unificado contra a Discriminação Racial, que mais tarde se tornaria o Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial. “Ele é formado por ativistas de várias regiões do País, tem essa característica nacional”, conta a também coautora da biografia sobre a militante negra Lélia Gonzalez. “Havia uma preocupação da ditadura de que ideais do movimento armado Panteras Negras, por exemplo, e da luta dos direitos civis americanos pudessem chegar aqui. Por isso, o regime acompanhou vigilantemente manifestações políticas e encontros.”
O informe até pouco considerado inexistente fala ainda sobre uma “campanha artificial contra a discriminação no Brasil” e lembra que, “em virtude das restrições políticas”, o Movimento Negro de Salvador passou a realizar reuniões paralelas e a adotar organizações celulares, com base nos “centros de luta”, compostos de três integrantes. A capital baiana teria sete desses centros, cuja função era “mobilizar, organizar e conscientizar a população negra nas favelas, nas invasões (de terras urbanas), nos alagados, nos conjuntos habitacionais, nas escolas, nos bairros e nos locais de trabalho, visando a formar uma consciência dos valores da raça”.
Além do encontro nacional do Movimento Negro de Salvador, entre 9 e 10 de setembro de 1978, no Rio de Janeiro, os arapongas descrevem a Terceira Assembleia Nacional do Movimento Negro Unificado, em 4 de novembro de 1978, na capital baiana, com militantes de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. Citam o Congresso Internacional da Luta contra a Segregação Racial entre 2 e 3 de dezembro de 1978, em São Paulo. E relatam o ciclo de palestras do Núcleo Cultural Afro-Brasileiro, no segundo semestre de 1978 em Salvador, do qual participaram opositores como o deputado federal baiano Marcelo Cordeiro e o paulista Abdias do Nascimento, professor emérito na Universidade de Nova York. Além do acadêmico, são citados militantes monitorados como José Lino Alves de Almeida e Leib Carteado Crescêncio dos Santos, além do senador baiano Rômulo Almeida e “agitadores angolanos no movimento negro, caracterizados como refugiados da guerra civil”.
Em relação ao teor da agenda do Movimento Negro à época, os repressores ressaltam que a pauta era composta de pontos como a necessidade de se contestar o regime, aprofundar o engajamento no movimento pela anistia, projetar no exterior a imagem do “mito da democracia racial brasileira”, escolher o 20 novembro para o Dia Nacional da Consciência Negra, melhorar as condições de emprego da população negra, e buscar dar fim à sua marginalização na sociedade e à maior proporção de negros nas penitenciárias.
Fonte: Carta Capital
Estima-se que 42 dos 434 mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura eram negros.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Memórias do AHR discute a cartografia das Cruzadas



No mapa das Cruzadas

Sábado, 19/09/2015 às 08:14, por Arquivo Histórico Regional


Murilo Fernandes - Acadêmico do Curso de História/UPF

Cenário: Europa, Oriente Médio, e norte da África, século XI. Um dos grandes acontecimentos da Idade Média se inicia: as Cruzadas. De onde surgiu inspiração para escrever um artigo sobre esse tema? De um velho - digo, antigo – mapa. Seria um mapa comum, não fossem alguns detalhes: não é atual, pois retrata o século XI, portanto não havia países mas sim reinos – com destaque para a divisão entre reinos cristãos e muçulmanos. Como pode se observar nesse mapa que está exposto no Arquivo Histórico Regional de Passo Fundo, são mostrados todos os trajetos e batalhas feitos durante as principais Cruzadas – movimentos militares de inspiração cristã. Para compreender melhor o que levou milhares de “fiéis” por esses caminhos, o que fizeram durante as jornadas, e o porquê dos empreendimentos, é recomendável ler o velho livro - desculpe, antigo - História Universal de H.G. Wells do ano de 1942, que quase passa despercebido nas prateleiras do AHR. Livros e mapas, mapas e livros. Uma excelente combinação para compreender e se localizar na História. Pois bem, vamos às Cruzadas.

Segundo Wells, vários motivos resultaram nas Cruzadas. Igreja Latina querendo subjugar a Bizantina (ortodoxa); normandos querendo saquear o rico mundo do Islã; propaganda de ódio aos “infiéis”; monopólio de Constantinopla no comércio oriental; e o estopim: fome, peste, e desordem social no centro e leste europeu nos anos de 1094 e 1095. A 1º Cruzada não foi oficial, foi a chamada “Cruzada do Povo”, em que mendigos, ladrões, monges, e comerciantes estavam atrás de oportunidades de riqueza no Oriente. Seguiram a margem do rio Danúbio e na região da Bulgária, rumaram para o sul até chegarem em Constantinopla. Porém, antes de chegarem lá, tiveram problemas com os húngaros. Isso ocorreu em muito porque não era um exército cristão, e sim uma grande multidão sem líderes e que eram guiadas por um ideal.

A 1º Cruzada oficial, por sua vez, chamada de Cruzada dos Nobres, foi convocada em 1096 para “proteger fiéis que peregrinavam à Terra Santa”. Nobres da Normandia, Inglaterra, e Itália, partiram para o Oriente. No ano de 1099 se encera a 1º Cruzada com uma carnificina cometida pelos cristãos na conquista de Jerusalém. Como escreveu Wells: “O sangue dos vencidos correu pelas ruas a ponto dos cavalos resvalarem em sua marcha... Ao cair da noite, os cruzados foram ao Santo Sepulcro, e juntaram suas mãos manchadas de sangue em oração”. Resultado: surgem diversas colônias cristãs no Oriente Médio, e o clero latino subjuga o ortodoxo.

Em 1147 Saladino, sultão do Egito, inicia a Jihad contra os Cruzados, e então é convocada a 2° Cruzada para defender Jerusalém dos muçulmanos. Em 1187, o mesmo Saladino toma Jerusalém dos cristãos, e então é convocada a 3º Cruzada – A Cruzada dos Reis – pois contou com Filipe da França, Frederico da Germânia e Ricardo Coração de Leão, da Inglaterra. Não retomaram a cidade, mas se firmaram em importantes cidades nos arredores.

A 4º Cruzada, nem chegou a Jerusalém, pois seu interesse comercial “foi saciado” quando conquistaram Constantinopla em 1204. Antes, em 1202, ocorre um fato que poucos livros registram: a “Cruzada das Crianças”. Segundo a Igreja, os cruzados eram impuros e pecaminosos, por isso tantas derrotas. Partiram da França, porém ao chegarem na Península Itálica, foram vendidas como escravas no norte da África.

A 5º Cruzada em 1217, foi uma tentativa de conquistar o Egito, porém depois de inúmeras batalhas perdidas tiveram de se retirar da região em 1212, levando inúmeros “tesouros de consolação”. Em 1228 tem início a 6° Cruzada, que mais uma vez, tem o intuito de tomar Jerusalém. Devido a discórdia entre muçulmanos, os cristãos retomam a cidade, sendo que conseguem assegurá-la até 1244 quando os muçulmanos, agora unidos, a reconquistam.

A 7º Cruzada vai ao Egito, em 1248. É liderada pelo excomungado rei da França, Luís IX, que conquista diversos territórios na região. Entretanto, devido a duras batalhas, seu exército se rende e o próprio rei é capturado e feito prisioneiro pelos egípcios. Os cristãos tiveram de arcar com um pesado tributo para libertá-lo, em 1254.

A 8º Cruzada tem o mesmo intuito, o de conquistar o Egito e todo o norte africano. Luís IX parte em 1270. Não tendo sucesso, firmou um tratado de trégua com o sultão egípcio, e voltou à Europa em 1271. E assim se encerraram as Cruzadas.. Ficou de legado, a “anarquia religiosa” e a luta entre as próprias ordens cristãs, que desde o início as enfraquecia gradualmente. Os cavaleiros cruzados foram de grande influência para as cavalarias que surgiram posteriormente na Idade Média. Além disso, a Europa passou a conhecer e utilizar novos produtos, como a seda, algodão, açúcar, e diversos outros que contribuíram para o Renascimento Comercial. No entanto, isso é outra história. E lembre-se: sempre que tiver oportunidade, tenha em mãos um mapa para estudar História, pois além de compreender o “por quê”, irá compreender o “onde”.

Fonte: o Nacional