segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Há 25 anos era assinado o Tratado de Reunificação da Alemanha

Em 31 de agosto de 1990 foi assinado o documento que serviu de base para o fim da divisão da Alemanha. Reforma agrária e aborto foram os temas mais polêmicos negociados pelas delegações dos dois Estados alemães.
Wolfgang Schäuble Günther Krause Einigungsvertrag DDR BRD
Na assinatura do Tratado de Reunificação, em 31 de agosto de 1990, em Berlim, o então ministro do Interior da República Federal da Alemanha, Wolfgang Schäuble, e Günther Krause, representante da Alemanha Oriental, deixaram transparecer o quanto haviam sido difíceis as negociações para a reunificação do país.
Após meses de trabalho, estava pronto o mais importante documento da Alemanha pós-guerra. O Tratado de Reunificação estabeleceu de que modo os dois Estados passariam a existir como um só país, a partir de 3 de outubro de 1990.
Questão das terras desapropriadas
O principal problema foi a reforma agrária imposta na Alemanha Oriental pelo governo de ocupação soviético no final da década de 1940. Na época, foram desapropriados, sem direito a indenização, todos os "latifundiários" (com mais de 100 hectares de terras), criminosos de guerra ou membros ativos do partido nazista NSDAP. Os desapropriados foram confinados a campos de prisioneiros e seus bens distribuídos entre novos pequenos agricultores.
O governo alemão oriental tratou de forma semelhante as pessoas que haviam fugido para a Alemanha Ocidental. Tudo que deixaram para trás foi confiscado pelo governo e redistribuído entre a população da República Democrática Alemã (RDA).
Após a queda do Muro de Berlim, em novembro de 1989, muitos alemães ocidentais foram à Alemanha Oriental reivindicar seus bens de volta. Temeu-se, na época, um caos generalizado na RDA, caso fosse invalidada a reforma agrária imposta pelos soviéticos.
Ambas as delegações que negociaram a reunificação resolveram deixar intocadas tanto a reforma agrária como as expropriações, preferindo pagar indenização aos antigos proprietários. É possível que se tratasse de uma concessão à então União Soviética, que supostamente teria condicionado a manutenção da reforma agrária ao consentimento de Moscou à reunificação alemã.
Volta dos estados do Leste alemão
A transposição das leis e dos contratos de cada um dos dois Estados alemães à legislação da Alemanha reunificada observou o caráter federativo da Alemanha Ocidental. Muitas disposições do Tratado de Unificação atingiram os direitos dos estados federados alemães ocidentais, por isso, os governadores analisaram minuciosamente o texto do documento.
"Atentamos no Bundesrat [câmara alta do Parlamento alemão], por uma implementação consequente da estrutura constitucional federal mesmo após a reunificação", disse o então governador de Schleswig-Holstein, Bjorn Engholm, em entrevista à Deutsche Welle.
Como a estrutura constitucional federal só poderia ser mantida se houvesse estados federados também no Leste alemão, decidiu-se reativar os estados dissolvidos na Alemanha Oriental em 1952: Saxônia, Saxônia-Anhalt, Brandemburgo, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Turíngia.
Faltou consenso sobre aborto
Em praticamente todas as questões foi atingido consenso, menos sobre a lei relativa ao aborto: não se conseguiu decidir se seria mantida a lei da Alemanha Oriental, mais liberal, ou da Ocidental, mais rígida. A questão acabou sendo adiada por três anos, quando foi então adotada uma lei que era o meio termo entre as duas existentes.
À Alemanha reunificada acabou sobrando pouco das "conquistas socialistas" do "primeiro Estado de agricultores e operários em solo alemão", mesmo no tocante ao avançado sistema alemão oriental de creches e policlínicas.
Para Björn Engholm, isso foi um erro: "Não tivemos acesso à mentalidade dos alemães orientais. Acho que não levamos realmente a sério suas necessidades, seus desejos, suas esperanças, suas preocupações e necessidades. Simplesmente impusemos lá nossas ideias, sem levar em consideração as peculiaridades do Leste alemão".
  • Data 31.08.2015
  • Autoria Matthias von Hellfeld (rw)
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1982 – Líder palestino Arafat é obrigado a deixar sede da OLP no Líbano


Após a invasão israelense no Líbano, a saída de Yasser Arafat foi resultado de um acordo e é reconhecido como uma derrota para os palestinos
O líder da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), Yasser Arafat, é obrigado, em 30 de agosto de 1982, a deixar seu quartel-general localizado em Beirute, capital do Líbano, após mais de 10 anos.
Na verdade, Arafat se viu forçado a deixar o Líbano três meses após a invasão de Israel. As forças israelenses invadiram o país após a tentativa de assassinato do embaixador de Israel em Londres por dissidentes palestinos.


O líder palestino Yasser Arafat morreu em 2004, em Paris, após quatro semanas de uma doença contraída após um jantar
A presumível intenção original do Exército israelense era varrer a guerrilha palestina baseada perto da fronteira norte de Israel, no entanto as tropas acabaram penetrando no país em direção a sua capital, Beirute.
A partida de Arafat foi resultado de um acordo para a evacuação da OLP de Beirute o que foi amplamente reconhecido como uma pesada derrota para os palestinos.
Milhares de palestinos que permaneceram em Beirute saudaram o líder Arafat quando deixava os escritórios da OLP em direção ao porto. Ao mesmo tempo, um contingente de mais de 2 mil soldados sírios também deixavam a capital libanesa. Eles tinham ocupado Beirute desde 1976 quando ali chegaram a fim de proteger os cristãos libaneses na guerra civil contra setores mais radicais dos palestinos e também contra ações de outras facções muçulmanas. A Síria tornou-se desde então a principal aliada da OLP em sua luta contra Israel.
Parecia improvável que Arafat, dirigindo-se de navio para a Grécia assim que deixou o Líbano, pudesse encontrar algum outro governo árabe disposto a acolhê-lo depois da estada dele naqueles pais, de consequências calamitosas.
Ampla área da então bela e próspera cidade de Beirute, segundo o governo libanês, havia sido reduzida a escombros após sete anos de conflitos e guerra civil provocados pela presença de Yasser Arafat.
O poder de Arafat basearia a partir de então seu diminuído poder em seus partidários espalhados por diversos países do mundo árabe. De acordo com o plano de evacuação do Líbano, a maioria dos militantes da OLP partiria para Chipre e de lá se dispersariam para a Jordânia, Síria, Iraque, Sudão, Iêmen do Sul e do Norte, Tunísia e Grécia. O quartel-general, no entanto, se instalaria em Túnis.
Massacre de Sabra e Chatila
Em 16 de setembro de 1982, milícias cristãs apoiadas e estimuladas por Israel entraram em dois campos de refugiados palestinos em Beirute – Sabra e Chatila – e massacraram milhares de palestinos ao longo de três dias. O pretexto foi a vingança pelo assassinato do presidente-eleito Bashir Gemayel, quatro dias antes. O número estimado de vítimas fatais foi de 800 a 3.500 pessoas.
Carlos Latuff/Opera Mundi

Charge de Carlos Latuff lembra responsabilidade do israelense Ariel Sharon, apelidade de "açougueiro de Beirute" sobre o massacre libanês
Anos de violências e retaliações transcorreram antes que acordos de autonomia parcial fossem assinados em 1993 e 1995 fossem assinados entre a OLP e Israel.
A Autoridade Nacional Palestina assumiu o controle das novas áreas autônomas – Gaza e Jericó – tendo Arafat sido eleito em 1996 como seu presidente.
O Exército de Libertação Palestino substituiu as tropas de Israel. Yasser Arafat morreu em novembro de 2004. Nas eleições que se seguiram, Mohamad Abbas foi juramentado como presidente palestino em janeiro de 2005, conclamando por um cessar-fogo entre Israel e os militantes palestinos.
Em 2006, o partido Hamas venceu as eleições parlamentares palestinas. Desde junho de 2007, o partido assumiu efetivamente o controle da Faixa de Gaza, após confronto armado com o Fatah. O espaço aéreo e o acesso marítimo à Faixa de Gaza são atualmente controlados pelo Estado de Israel, que também ocupou militarmente o território entre junho de 1967 e agosto de 2005.
Fonte: Opera Mundi

domingo, 30 de agosto de 2015

Iniciado mais uma edição do curso Inovações Metodológicas na Educação Básica

Neste sábado, 29 de agosto, o IFCH da UPF iniciou mais uma edição do curso de formação de professores intitulado Inovações Metodológicas na Educação Básica. Nesta edição haverá grupos de estudo (GE) de História, Letras e Filosofia e ciências Sociais. O curso foi iniciado com uma apresentação da proposta pela coordenadora do projeto, profa. Luciane Sturm, que também discutiu estratégias de aprendizagem.

Na sequência, os GEs reuniram-se com seus cursistas para trabalhos temáticos. O GE de História, coordenado pelos professores Marcos Gerhardt, Alessandro Batistella e Gizele Zanotto, tratou da questão da Educação e Direitos Humanos nesse primeiro encontro. A partir da leitura e discussão de fontes que evidenciam a trajetória histórica das discussões sobre o tema dos direitos, os participantes instrumentalizaram-se nas propostas que estabeleceram a configuração da Declaração Universal dos Direitos Humanos, ainda em voga, e as percepções da mesma como derivada de um contexto específico, passível, portanto, de novas incorporações e/ou reavaliações futuras.

O próximo encontro será realizado em 17 de setembro, a partir das 14 horas, tendo com tema norteador Pluralidade cultural: História e cultura afro-brasileira e indígena.

O curso seguirá o cronograma abaixo e ainda tem vagas - para inscrever-se basta preencher o formulário e integrar os próximos encontros.

Formulário de inscrições: https://docs.google.com/forms/d/1rwn9pJ2QXChUjzAbUdx7Q-vaZb04zcKGpb12N7hutNY/viewform

CRONOGRAMA - GE de História
17 de setembro - quinta-feira 14h-17h30min - Pluralidade cultural: História e cultura afro-brasileira e indígena (em conjunto com o grupo PIBID)
22 de outubro - quinta-feira 14h-17h30min - Ensino de História e educação ambiental (em conjunto com o grupo PIBID);
19 de novembro -  quinta-feira 14h-17h30min - Ensino de História e relações de gênero (em conjunto com o grupo PIBID).





1945: Estado alemão do Sarre tornou-se francês

No dia 30 de agosto de 1945, o estado alemão do Sarre, no sudoeste do país, foi incorporado pela França. Somente 12 anos depois, um plebiscito decidiu pela reintegração do território à Alemanha.
Curva do Rio Sarre em forma de ferradura é atração turística
Em 10 de fevereiro de 1945, durante a Conferência de Ialta, Stalin, Churchill e Roosevelt concordaram em aceitar a França como a quarta potência de ocupação, abrindo caminho para a criação de quatro – e não mais três – zonas de ocupação no território da Alemanha.
Assim, em julho de 1945, tropas de ocupação francesas tomaram o lugar dos militares americanos na região do Sarre. O governo local foi dissolvido e, em 30 de agosto de 1945, passado a um governo militar francês, sob ordens do general Gilbert Grandval, um ex-comandante da Resistência.
A França pretendia a separação do estado do Sarre do resto da zona de ocupação francesa na Alemanha, mas a intenção foi barrada pela União Soviética. Depois de muita discussão, optou-se finalmente por um modelo de união econômica e pela autonomia restrita.
No dia 26 de dezembro de 1946, a França fechou a fronteira do pequeno estado de 2.570 quilômetros quadrados com a Alemanha. Foi permitida a criação de partidos políticos e incentivado o desenvolvimento da região, levando em conta os interesses de Paris.
Integração econômica e monetária
O então ministro francês do Exterior encarregou o governador militar Grandval de formar uma comissão que elaborasse uma Constituição, baseada nas constituições de outros estados alemães. Não sem antes impor como objetivo de longo prazo a integração à França, através de um memorando no qual constava:
"O Sarre deverá ser anexado à França dos pontos de vista econômico e político-monetário, por isso terá que adaptar sua alfândega e as questões de direito monetário à França, receberá autonomia política, deixará ao encargo da França as relações exteriores e questões de sua defesa, e receberá um comissário francês com jurisprudência para garantir esta aproximação econômica."
Alguns partidos tentaram em vão diminuir a influência francesa. Outros reivindicaram um plebiscito, categoricamente rejeitado pelo administrador Grandval.
Habitantes temeram anexação
Em 1950, formou-se uma resistência às estreitas relações econômicas com a França e contra a desnacionalização dos habitantes. O governo militar tentou acalmar a população: "Queremos que o Sarre se torne um país soberano como Luxemburgo. Graças ao potencial industrial e ao trabalho de seu povo, as condições dos seus habitantes poderiam se igualar às de Luxemburgo. Não há dúvidas quanto às intenções da França. Jamais se pretendeu a anexação. O que a França quer é a prosperidade desta região em vista de uma aproximação com Paris. Queremos um Sarre soberano."
Em outubro de 1955, entretanto, a maioria da população acabou por manifestar em plebiscito o desejo de reintegração à República Federal da Alemanha.
  • Autoria Gérard Foussier (rw)
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1842 – Tratado de Nanquim encerra Guerra do Ópio entre chineses e britânicos

Desfecho do conflito foi considerado humilhação para o imperador chinês, cuja dinastia começou a sofrer pressão dos levantes populares 

Em 29 de agosto de 1842, o Tratado de Nanquim pôs fim à Guerra do Ópio entre a China e a Grã Bretanha.

Algumas décadas antes, em 1793, o grande imperador Qianlong havia zombado dos britânicos, rejeitando suas tentativas de aumentar o comércio com o Império do Meio.
WikiCommons

Pintura de John Platt e John Burnet, de 1846, encena a assinatura do Tratado de Nanquim
Os mercadores da Companhia Inglesa das Índias Orientais e o governo de Londres receberam muito mal a indisposição do imperador em encontrá-los. Não deixaram de difundir fortemente em toda a Europa o desprezo que lhes inspirava essa China, outrora tão elogiada, hoje arcaica, imóvel, voltada para si mesma.
Seu despeito era ainda maior visto que continuavam comprando da China o chá que os britânicos consumiam bastante, bem como muitos outros produtos de luxo – porcelanas, pedrarias e sedas.
Para tentar equilibrar uma balança comercial pesadamente deficitária, a Companhia das Índias pôs em ação um “comércio triangular” tão pouco recomendável quanto era o tráfico de escravos. A companhia desenvolveu nas Índias a cultura do pavot – toda planta papaverácea do gênero Papaver, agrupando diversas espécies que produzem flores indo da papoula (Papaver rhoeas) ao pavot a ópio (Papaver somniferum) — e de modo totalmente ilegal, inicia os chineses no consumo do ópio.
As vendas ilegais de ópio na China passaram de 100 toneladas para 2.000 toneladas em 1838.
Em 1839, o novo governador de Cantão, exasperado, manda apreender e queimar 20 mil caixas da droga. Em resposta, os ingleses bombardeiam Cantão enquanto uma esquadra sobe o rio Yangzi Jiang Nanquim, obrigando o imperador Daoguang a capitular.
Esta “diplomacia de canhoneira” desembocou no Tratado de Nanquim pelo qual os vencedores ganharam o direito de comercializar livremente em cinco portos chineses. Obtém, antes de mais nada, a cessão da ilha de Hong Kong na foz do rio das Pérolas e da riquíssima região de Cantão.
Cúmulo da humilhação, o imperador teve de conceder um privilégio de extra-territorialidade aos britânicos e lhes pagar 21 milhões de libras esterlinas. Os franceses e norte-americanos se apressaram em exigir vantagens equivalentes.
A humilhação sofrida pelos chineses em seguida ao Tratado de Nanquim está na origem dos levantes populares contra a dinastia manchu dos Qing, o mais notável deles a insurreição de Taiping.
Fonte: Opera Mundi

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

1983: Grafiteiro suíço Naegeli é preso na Alemanha

No dia 28 de agosto de 1983, a polícia alemã prendeu Harald Naegeli, de 43 anos, procurado internacionalmente. Seu crime: pichar paredes. De início incompreendida, anos mais tarde sua arte foi valorizada.
Graffiti von Harald Naegeli Undine
A polícia alemã acreditava ter apanhado um "peixe grande" ao prender, no estado de Schleswig-Holstein, um homem que há dois anos tinha um mandado de prisão internacional contra si. O suposto "criminoso" foi levado imediatamente para a cadeia de Lübeck, onde permaneceu 20 dias em prisão preventiva, aguardando a extradição. Até o Tribunal Superior Estadual decidir soltá-lo, mediante pagamento de fiança de 40 mil marcos (cerca de 20 mil euros), na expectativa de que o Tribunal Federal Constitucional aprovasse sua extradição.
Enquanto se esperava tal decisão judicial, desencadeou-se na Alemanha uma discussão sobre a criminalização do grafiteiro. Em sua terra natal, a Suíça, o tribunal do Cantão de Zurique não tinha dúvidas quanto a isso. Harald Naegeli, 43 anos, teria "uma compulsão delinquente" e devia pagar uma multa de 206 mil francos.
A "delinquência" de Naegeli, porém, não se manifestava por meio de arrombamentos ou roubos e, sim, usando seu spray para adornar paredes, pontes, garagens, muros e logradouros públicos. Os meios de comunicação criaram uma aura romântica para o "grafiteiro de Zurique" – como era conhecido o artista anônimo –, proprietários de imóveis, autoridades municipais e polícia seguiam considerando-o um criminoso comum.
Protesto contra a burguesia
Naegeli pichou Zurique com seu spray durante dois anos, perseguido pela polícia e por batalhões de servidores públicos, encarregados de limpar as áreas "ornamentadas" com grafites. Ele sofreu uma série de processos, sob acusação de "vandalismo" e "dilapidação de patrimônio".
Psicólogo diplomado, Naegeli pretendia apenas protestar com sua arte contra a violência e o status quo defendido pela burguesia, como fizera desde a infância. Os desenhos infantis haviam servido de base para seus elegantes grafites da idade adulta.
Ele próprio declarou, em entrevista a um jornal, que nascera durante a Segunda Guerra e sempre abordara esse assunto em seus desenhos. "Dos quatro aos seis anos de idade, não fiz outra coisa a não ser pintar cenas de batalhas e guerras. Eram processos durante os quais eu sentia prazer em representar pessoas decapitadas, sem ter consciência do que isso representava."
Preso pela primeira vez em 1979, foi condenado a seis meses de prisão condicional por dilapidação de partimônio em 179 casos. A pena não desencorajou o grafiteiro, que logo retomou sua atividade.
Harald Naegeli incomodou os suíços ao ponto de ser condenado novamente – dessa vez a nove meses de reclusão. Quando ele deixou o país, foi expedido mandado internacional de prisão. A polícia de Zurique, no entanto, sabia que ele estava morando em Düsseldorf e lecionava em Wiesbaden.
Reconhecimento tardio
Na Alemanha, sua arte era respeitada, se não pelos proprietários de imóveis, pelo menos no meio artístico. O "grafiteiro de Zurique" – que não gostava desse título – foi repatriado pela Justiça alemã e teve que cumprir sua pena. Novamente em liberdade, abandonou a Suíça e passou a viver reservadamente na Alemanha, fazendo desenho para tecidos e toalhas.
Com o avanço da idade, Naegeli afastou-se de sua arte inicial. Ele detesta os "pichadores" de hoje, que sujam trens, estações ferroviárias e pontes, "sem qualquer originalidade ou conteúdo".
A opinião sobre ele em Zurique também mudou. Enquanto nos anos 1980 se desenvolviam detergentes especiais para apagar suas pinturas, hoje os limpadores de fachadas conservam com cuidado os traços que ainda restam de seus grafites. Há muito as imagens do famoso grafiteiro ganharam status de obras de arte.
  • Autoria Peter Philipp
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1883 - Erupção vulcânica explode ilha de Krakatoa


Pequena ilha indonésia foi destruída em dois terços e tornou-se importante fonte de estudos geológicos

Em 27 de agosto de 1883, uma violenta erupção vulcânica destruiu dois terços da pequena ilha de Krakatoa, cujo arquipélago de mesmo nome se situa entre as ilhas de Java e Sumatra, as duas maiores porções de terra que compõem a Indonésia. O fenômeno natural, provocado pelo vulcão na montanha de Perboewatan, provocou diversos tsunamis e matou 36.417 pessoas. É considerada por muitos especialistas como a explosão vulcânica mais violenta da História moderna.

A série de erupções começou um dia antes, em 26 de agosto. A sucessão de erupções durou 22 horas.

A explosão da erupção é considerada o estrondo mais alto já escutado na história moderna, podendo ser ouvida a 4.800 km de seu ponto de origem. Foi escutada nas ilhas Rodrigues , pertencente ao arquipélago de Maurício, na porção africana do Oceano Índico, a ponto de assustar a população local. Também foi escutada em partes da Austrália, Filipinas e Índia. As ondas de choque decorrentes da explosão foram registradas em barógrafos de todo o mundo. Ela também ejetou 21 quilômetros cúbicos de rocha, poeira e pedras pome.

As causas sobre a violência da explosão fazem parte de uma polêmica dividida em quatro teorias divergentes. Os especialistas contemporâneos afirmam que o vulcão afundou no mar na manhã do dia 27, deixando a água inundar a câmara magmática e causou uma série de explosões freato-magmáticas massivas. A segunda afirma que a água do mar, sem necessariamente entrar em contato com o magma, teria esfriado, provocando o efeito de uma panela de pressão, liberando toda a energia acumulada em um só momento. Outra hipótese pressupõe que um enorme colapso submarino ou até mesmo um enfraquecimento parcial de repente abriu a câmara de magma muito pressurizada. E, por fim, uma mistura de magma causada  or uma infusão de súbito o magma quente para dentro da câmara de magma mais frio e mais leve.

Em 1927, a pequena ilha de Anak Krakatau (filha de Krakatoa, equivalente ao noroeste da ilha) emergiu da caldeira vulcânica causada pelo evento daquele dia. As caldeiras são estruturas de colapso sobre uma câmara de magma.

Mesmo após a explosão, o arquipélago continua a apresentar uma flora e fauna diversas, beneficiada por seu clima tropical. Atualmente, o arquipélago faz parte do parque nacional de Ujung Kulon, e pertence ao patrimônio mundial da Unesco (Organização das Nações Unidas pela Educação, Ciência e Cultura). A ilha dista apenas 160 km em raio da capital indonésia Jacarta. Administrativamente, o arquipélago pertence à província de Lampung, de Sumatra.

As consequências da explosão foram terríveis. Além dos mortos, as regiões vizinhas de Banten e Lumpung ficaram devastadas, sofrendo por anos com os dejetos. Documentos de navios testemunham esqueletos flutuando em alto mar em direção à África, colados a pedras, isso um ano após a erupção.

Essa não foi a primeira vez que Krakatoa foi abalada por erupções. O fenômeno, segundo especialistas, já havia se repetido outras duas vezes: uma no século V, em 416, outra no VI, em 535.

O vulcão continua ativo, mas a possibilidade de um novo evento da mesma magnitude é considerado relativamente limitado.
Fonte: Opera Mundi

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Vem aí mais uma Semana do Conhecimento da UPF!


Informamos que as inscrições para II Semana do Conhecimento da UPF estão abertas até dia 18 de setembro.

Este evento agrega a XXV Mostra de Iniciação Científica e a IX Mostra de Extensão e ocorrerá de 03 a 06 de novembro de 2015.

Em 2015, o evento inova recebendo, também, trabalhos de pesquisa e/ou extensão de alunos da pós-graduação (lato e stricto sensu), residências, Pibid, Pró/Pet Saúde, alunos bolsistas Pibic/Paidex Jr. do ensino médio da UPF.

Para realizar a inscrição o bolsista deverá acessar o site www.upf.br/semanadoconhecimento.

O sistema solicitará que seja feito seu cadastro, bem como o pagamento da taxa de inscrição de R$ 30,00 (no caso de submissão de trabalho), para posteriormente liberar a atividade de dowload do arquivo modelo do resumo/relato de caso, o qual deverá ser preenchido e anexado a sua inscrição.

Ressaltamos que não serão aceitos trabalhos em formatos diferentes ao disponibilizado para download.

As informações sobre o evento, modelo do resumo/relato de caso, entre outros, estão disponíveis no site do evento.


Projeto Inovações Metodológicas na Educação Básica retoma as atividades no dia 29 de agosto


O Projeto Inovações Metodológicas na Educação Básica (Imeb), do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Passo Fundo (IFCH), constituiu, no início deste ano, grupos de estudos com o objetivo de promover a inovação metodológica na educação básica, nas áreas das ciências humanas e das linguagens. As atividades serão retomadas a partir do dia 29 de agosto, sábado, das 8h15min às 11h, na Unidade.

Coordenados pela professora Luciane Sturm, os grupos visam à qualificação profissional, com ações interdisciplinares focadas na leitura, na discussão e na reflexão de diferentes temáticas, bem como na socialização e na troca de experiências positivas de ensino.
Podem fazer parte do Projeto Imeb professores da educação básica de Passo Fundo e região, bem como acadêmicos da UPF.

Neste semestre, serão realizados trabalhos em quatro grupos: Filosofia e Ciências Humanas, História, Língua Portuguesa e Língua Inglesa. Os encontros serão mensais, de agosto a dezembro.

Informações e contatos
Os interessados podem realizar a pré-inscrição AQUI.
Os participantes recebem certificado que pode ser aproveitado para comprovação de horas complementares.


Para informações sobre cada grupo, os interessados devem entrar em contato com o respectivo coordenador:
Filosofia e Ciências Sociais – Profa. Me. Carina Tonieto  carina.tonieto@upf.br
História – Profa. Dra. Gizele Zanotto – gizele@upf.br
Letras – Língua Portuguesa – Profa. Dra. Marlete Diedrich – marelete@upf.br
Letras – Língua Inglesa – Profa. Dra. Luciane Sturm – lusturm@upf.br

PPGH divulga banca de defesa


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

1921: Morto pacifista Erzberger, signatário do armistício da Primeira Guerra

No dia 26 de agosto de 1921, foi assassinado em Bad Griesbach, Floresta Negra, o político pacifista alemão Matthias Erzberger. Os criminosos, radicais de direita, seriam mais tarde anistiados pelos nazistas.
Matthias Erzberger pagou com a vida sua contribuição para o fim da Primeira Guerra Mundial
Uma assinatura tornou Matthias Erzberger o homem mais odiado no Reich alemão. No dia 11 de novembro de 1918, como chefe da delegação alemã na França, ele assinou o acordo de paz que encerrou a Primeira Guerra Mundial. Três anos mais tarde, seria morto a tiros por um grupo extremista.
Num atentado anterior, em janeiro de 1920, Erzberger – então ministro das Finanças – ficara apenas ferido. No dia 26 de agosto de 1921, quando fazia uma caminhada durante as férias em Bad Griesbach, na Floresta Negra, foi baleado por dois ex-oficiais da Marinha, integrantes da Organisation Consul, de extrema direita.
Ambos logo fugiram para o exterior, porém retornaram mais tarde, beneficiados por uma anistia concedida pelos nazistas, que perdoava os "crimes cometidos em nome do interesse nacional". Já durante a República de Weimar, muitos consideraram o assassinato um "ato heroico".
O jornal luterano Christliche Welt chegou a observar: "É terrível a satisfação com que pessoas que se dizem cristãs aplaudiram a notícia da morte. Tranquilamente, celebram nas estradas, nos trens e em casa!".
"Traidor do povo"
Matthias Erzberger era deputado no Reichstag pelo Partido de Centro, de orientação católica, e principal inimigo da direita alemã na época. Os atritos se agravaram em 1914, quando ele aceitou participar de uma comissão de negociação de paz. Era o início da Primeira Guerra Mundial, e o jurista ainda acreditava no potencial da Alemanha, mas já em 1917 começou a defender a capitulação.
A gota d'água foi seu discurso de rejeição do pedido de crédito para financiar a máquina de guerra, em julho de 1917. A direita ficou em polvorosa quando ele sugeriu que seria mais barato construir hospícios para os "loucos da direita alemã" do que continuar financiando a guerra.
O vice-chanceler Karl Helfferich jamais o perdoou por isso. Pior ainda: o "traidor do povo" permitira que a dívida nacional aumentasse de 5 bilhões para 153 bilhões de reichsmark. Foi iniciada uma campanha de desmoralização, em que o acusaram de praticar perjúrio e sonegação de impostos quando ocupava a pasta das Finanças. O processo não resultou em nada, mas sua imagem política sofreu um grande desgaste.
Desacreditado diante da opinião pública, o pacifista Erzberger renunciou ao ministério. Em junho de 1920, foi reeleito deputado federal, mas morreu antes de assumir o cargo, no ano seguinte. Só depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, seus assassinos foram condenados a 12 e 15 anos de prisão, respectivamente.
  • Autoria Rachel Gessat (rw)
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domingo, 23 de agosto de 2015

1877: "Made in" como selo de qualidade

No dia 23 de agosto de 1877 foi usada no Reino Unido, pela primeira vez no mundo, a expressão "made in" para designar a procedência, protegendo a produção industrial do país e melhorando chances no mercado internacional.
Aciaria no País de Gales. Expressão 'made in' foi criada para proteger indústria britânica
Com a introdução do Merchandise Mout Act, em 1877, o Reino Unido passou a estampar em seus produtos um selo de procedência, para proteger a indústria nacional. O mercado na época era dominado pela produção nas colônias britânicas e o principal concorrente eram os alemães. Em princípio, a estratégia do descrédito deu certo, pois os produtos do Reich eram considerados baratos, mas de baixa qualidade, e começaram a se acumular nas prateleiras.
O empresário alemão Wernher von Siemens foi o primeiro a reconhecer que era preciso melhorar a qualidade para aumentar as chances dos produtos alemães no mercado internacional. No começo, a nova filosofia até que deu certo, mas as vendas sofreram nova derrocada entre as duas guerras mundiais.
Somente com a recuperação da economia alemã depois da Segunda Guerra é que o "made in Germany" tornou-se selo de qualidade respeitado internacionalmente. Assim como o Fusca em seu tempo, hoje, os carros das marcas Mercedes ou BMW são símbolos de confiança e precisão. Tanto que, mais de 100 anos depois da criação da fórmula para desacreditar os produtos alemães, o feitiço virou contra o feiticeiro e hoje ela serve justamente como referência de qualidade "made in Germany".
"Made in" x "made by"
A globalização, no entanto, espalhou centros de produção e de montagem por várias partes do mundo. A Airbus, por exemplo, recebe componentes fabricados em diferentes países. Ainda faz algum sentido o selo do "made in", não seria melhor "made by"?
Segundo Hans-Peter Stihl, da fabricante alemã de motosserras Stihl, trata-se mais de uma forma para destacar a alta qualidade dos produtos. O selo assegura a confiabilidade de toda a estrutura de produção e a prestação de serviço de garantia por longo tempo. "Além do mais, as empresas estrangeiras se comprometeram a atender o controle de qualidade alemão", garante Stihl.
Há anos, florescem os negócios com produtos falsificados. Além dos perfumes, roupas e discos, a pirataria atingiu também o setor de máquinas. A ousadia é tanta que chegam a ser inventados números de fabricação, ao lado da expressão "made in". "O baixo preço deveria servir de advertência para a má qualidade do produto", adverte Stihl.
Ewald Rose (rw)
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1791 - Eclode a insurreição de escravos de São Domingos, atual Haiti


Guerra levou à independência da ilha dos domínios coloniais franceses; negros, até então escravizados, passaram a receber salários

Na noite de 22 para 23 de agosto de 1791, eclode uma violenta insurreição em São Domingos, colônia francesa das Antilhas. Escravos negros e alforriados exigem liberdade e igualdade de direitos com os cidadãos brancos.
Era o começo de uma longa e sangrenta guerra que levaria à independência da ilha: a maior das revoltas de escravos da história e a única que foi vitoriosa.
[Retrato de François Toussaint, o "libertador de São Domingos"]
Com o nome oficial de “costas e ilhas de São Domingos na América sob o vento”, a colônia era, antes da Revolução Francesa, a mais próspera das possessões francesas de ultramar graças as suas plantações de café e de cana de açúcar, além de seus numerosos escravos.
A colônia contava com cerca de 600 mil habitantes, dos quais 40 mil alforriados e 500 mil escravos negros regidos pelo Código Negro.
Os alforriados não tinham o mesmo direito dos colonos brancos. O título de ‘Monsieur’ lhes era interditado, o mesmo com certas profissões. Mas se beneficiavam de certa facilidade, eram muito dinâmicas e possuíam de um quarto a um terço dos escravos.
Devido à escassez periódica, diversas revoltas sacudiram a ilha no curso do século 18, porém foram uma a uma reprimidas. Na altura, os escravos representavam cerca de nove décimos da população, de longe mais que qualquer outra colônia.
Em 15 de maio de 1791, em Paris, a Assembleia Nacional aprova o direito de voto a certos “livres de cor”. Essa medida inquieta os fazendeiros brancos de São Domingos que passam a proclamar sua independência para preservar a ilha de ‘ideias sediciosas’ vindas da metrópole.
A decisão não satisfaz os interessados que reclamam uma verdadeira igualdade de direitos com os colonos, embora permanecendo fieis ao rei. Os negociantes brancos, que se beneficiavam da proteção aduaneira exclusiva, também se diziam fieis à monarquia, mas se opunham aos fazendeiros.
Alforriados mulatos, negociantes e fazendeiros começam a se confrontar, não hesitando a associar seus escravos à disputa e mesmo a lhes confiar armas.
Os ‘negros marrons’ – escravos que fugiram das plantações e se refugiaram na floresta – exigiam a abolição da escravatura no curso de uma cerimônia vudu no Bosque Caiman, sob a liderança do religioso Bukman, em 14 de agosto de 1791. Esta exigência desemboca numa insurreição na noite de 22 de agosto, com Bukman cercado de seus lugares-tenentes Romaine, o profeta, Hyacinthe, Georges Biassou e Jean-François.
Centenas de canaviais e cafezais são destruídos. Os brancos são massacrados. Os insurgentes negros logo recebem o apoio dos alforriados irritados com a execução de vários deles, entre os quais o célebre Vincent Ogé.
Os primeiros combates revelam o talento militar de um cocheiro de 48 anos, François Toussaint, filho de um africano de Benin e que recebeu uma educação sumária. Alforriado 15 anos antes, em 1776, pôde adquirir uma propriedade de 13 hectares e 20 escravos. Quando irrompe a insurreição, Toussaint não tarda em fazer prova de sua coragem e talentos de estrategista.
Em 28 de março de 1792, Paris estabelece uma igualdade de direitos entre todos os homens livres – salvo os escravos – mas esta nova medida chega tarde demais para conter a revolta.
Em 1793, a Espanha entra em guerra contra a França. Madri, que ocupava a parte oriental da ilha, propõe a Toussaint combater os franceses a seu lado em troca da promessa de liberdade geral. Os revoltosos aceitam e Toussaint recebe o posto de lugar-tenente geral das tropas espanholas. Para fazer frente a ele, a república francesa designa como seus comissários Sonthonax e Polverel, com um corpo expedicionário de 6 mil homens. 
Os comissários decidem em junho de 1793 libertar os escravos fieis a Paris. Mais tarde, Sonthonax se resigna a uma liberdade geral, o que ocorre em 29 de agosto de 1793: “Todos os negros e sangue-mestiços, atualmente na escravidão, são declarados livres para gozar de todos os direitos ligados à qualidade de cidadão francês...”.
Três deputados de São Domingos ganham Paris e convencem a Convenção de generalizar a abolição da escravatura ao conjunto das colônias francesas pelo decreto de 6 pluviôse Ano II (4 de fevereiro de 1794).
Diante disso, fazendeiros não hesitam em apelar aos ingleses por socorro. Três meses depois, em maio de 1794, 7.500 soldados ingleses, vindos da vizinha Jamaica, desembarcam no Haiti e tomam a capital Porto Príncipe.
Em 18 de maio de 1794, o herói negro Toussaint muda de lado e faz frente comum com os revolucionários franceses, agradecido de ter libertado os escravos. A Convenção o nomeia general de divisão em 17 de agosto de 1794.
Os ingleses em São Domingos são finalmente derrotados e dizimados por uma epidemia de febre amarela à qual os negros passam quase incólumes. Toussaint retoma o sul da ilha de seu rival Ribot, e, em outubro de 1798, recebe a rendição definitiva dos ingleses.
Toma em suas mãos, desde então, o governo da ilha e se aplica em garantir os plantadores. Com a prosperidade aflorando, obriga seus irmãos de cor a trabalhar agora como assalariados nas plantações onde outrora eram escravos.
O libertador de São Domingos proclama, em 8 de julho de 1801, a autonomia da ilha e se autonomeia governador-geral vitalício.
Napoleão, irritado, envia a São Domingos uma expedição comandada por seu cunhado, general Leclerc a fim de se livrar dos “negros dourados”. Segue-se uma guerra impiedosa ao cabo da qual São Domingos – atual Haiti – se torna totalmente independente.
Fonte: Opera Mundi

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A história de Passo Fundo contada em quadrinhos

Segunda edição do Concurso de Quadrinhos do Arquivo Histórico Regional da UPF premia vencedores


Foto: Leonardo Andreoli
Premiação integra a programação da I Semana do Patrimônio promovida pelo curso de História da UPF
Transformar a história e o patrimônio de Passo Fundo em quadrinhos foi o desafio de crianças, adolescentes e adultos que participaram da segunda edição do Concurso de Quadrinhos promovido pelo Arquivo Histórico Regional da Universidade de Passo Fundo (AHR/UPF). Os vencedores foram conhecidos na noite de quarta-feira (19/08) em solenidade comemorativa ao Dia do Historiador que integra a programação da I Semana do Patrimônio promovida pelo curso de História da UPF.

Conforme a organizadora, professora Gizele Zanotto, a partir do tema História e Patrimônio os participantes propuseram interlocuções com algumas iniciativas desenvolvidas na cidade. Entre essas iniciativas, um projeto turístico que apresenta os pontos históricos do município e também elementos apresentados pelo programa Momento Patrimônio, desenvolvido pelo curso de História e pela UPFTV. “A qualidade dos trabalhos se mostrou bastante avançada em relação à primeira edição e os temas evidenciam o amadurecimento dos quadrinistas nesse olhar sobre a história da cidade e o pensar sobre ela”, avalia a professora.

Um dos premiados foi o estudante de 13 anos Lucas Mercante. Ele se baseou em personagens próprios para apresentar algumas construções históricas do município. Ele conta que não conseguiu participar da primeira edição, mas se preparou para este Concurso. “Comecei minha história em junho para me organizar. Me baseei na história de Passo Fundo em pesquisa própria com base nos prédios históricos da cidade”, lembra. Entre os prédios apresentados estão hotéis como o Glória e o Avenida e também a ferrovia. Os personagens criados pelo estudante ajudam a fazer a interlocução entre as construções e a história.

Rafael Ramos, 21 anos, desenha desde a infância, mas passou a se dedicar aos quadrinhos apenas a partir do ano passado quando participou da primeira edição do Concurso do AHR. “Na minha primeira participação criei uma história com seis páginas e nessa vez queria contar a história com o menor número de páginas e pensei que três seria um número bom. A partir disso contei a história do Joaquim Fagundes dos Reis”, contou. As pesquisas foram feitas basicamente em sites, inclusive o blog do curso de História da UPF. Entre as inspirações dele para criar as histórias estão os quadrinistas Frank Miller e Alan Moore.

Foram premiados ainda os quadrinistas Ricardo Augusto Germani e Renata Thibes.

Uso pedagógico
A professora Gizele salienta ainda que os quadrinhos inscritos no concurso serão digitalizados e disponibilizados para uso pedagógico. “Neste ano firmamos parceria com o Projeto Passo Fundo que vai digitalizar todos os materiais e divulgar em acesso livre e irrestrito. Isso significa que cada um desses projetos mostrando elementos materiais e imateriais, como crenças e formas de conhecimento, sejam utilizadas como materiais pedagógicos”, pontuou.


Dia do Historiador
No dia 19 de agosto também se celebra o Dia do Historiador. Para marcar a data foi realizada ainda uma palestra proferida pelo professor Adelar Heinsfeld. Durante a explanação o professor contou a história do diplomata e historiador Joaquim Nabuco que inspirou a escolha pela data, tendo em vista ser o dia de seu nascimento. A comemoração do Dia do Historiador também integra a programação da I Semana do Patrimônio, coordenada pela professora Ironita Policarpo Machado.





1977 – Nasa lança foguete com mensagem da Terra para extraterrestres


Espécie de "cápsula do tempo sonora" incluía saudações em 60 idiomas, informações sobre a raça humana, faixas musicais e um recado de Jimmy Carter
Em 20 de agosto de 1977, a Nasa (National Aeronautics and Space Administration) enviou ao espaço sideral um foguete não tripulado carregando uma mensagem, cujo conteúdo era um registro fonográfoco de informações sobre a Terra. O objetivo da empreitada era estabelecer comunicações com extraterrestres.
WikiCommons

Imagem da espaçonave Voyager, que continha na gravação: saudações em 60 idiomas, sons da natureza e faixas musicais
O aeronave de 850 quilos, batizada de Voyager II, foi lançada pela Nasa do Cabo Canaveral, na Flórida. Era a primeira de duas naves espaciais lançadas naquele ano, como, segundo a imprensa reportou à época, um “Grande Tour” a planetas distantes, organizado para coincidir com um raro alinhamento de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.
A bordo do Voyager II seguia um fonógrafo de cobre de 30 centímetros chamado de “Sons da Terra”. Com a intenção de ser uma espécie introdutória de ‘cápsula do tempo’, a gravação incluía saudações em 60 idiomas e informações científicas acerca da Terra e da raça humana, assim como música clássica, jazz e rock and roll, sons da natureza como o trovão e as ondas do mar, além de mensagens gravadas do presidente Jimmy Carter e outros líderes mundiais.
Invenção do astrônomo Carl Sagan, o disco foi enviado com o Voyager II e sua nave gêmea a Voyager I — lançada duas semanas mais tarde — na vaga esperança que pudesse um dia ser descobertas por seres extraterrestres. O disco foi lacrado num estojo de alumínio, que poderia mantê-lo intacto por um bilhão de anos, junto com instruções de como fazê-lo funcionar.
[Lançamento do foguete não tripulado Voyager II, da Flórida em 20 de agosto de 1977]
Mais importante, as duas naves Voyager foram projetadas para explorar o longínquo sistema solar e enviar informações e fotografias dos planetas mais distante da Terra. Nos 12 anos subsequentes, a missão provou ser um fantástico sucesso. Após ambas as espaçonaves terem voado em torno de Júpiter e Saturno, a Voyager I viajou em direção ao limite do sistema solar enquanto o Voyager II visitou Urano, Netuno e finalmente Plutão em 1990 antes de zarpar para juntar-se a sua nave gêmea nos extremos do sistema solar.
Graças ao Programa Voyager, os cientistas da Nasa ganharam uma enormidade de informações acerca dos planetas distantes, inclusive fotografias de curta distância dos sete anéis de Saturno; evidência da existência vulcões em erupção em algumas das 22 luas dos 4 planetas; ventos de mais de 250 quilômetros por hora em Netuno; medições dos campos magnéticos de Urano e Netuno.
Espera-se que os dois veículos espaciais continuem enviando dados até 2020 ou até que suas fontes de plutônio como força de energia deixem de funcionar. Depois disso, continuarão a navegar pela galáxia por milhões de anos a fio a menos que sobrevenha alguma inesperada colisão — ou a tão aguardada interceptação extraterrestre.
Em 1911: o telegrama que rodou a Terra
Exatos 66 anos antes, em 20 de agosto de 1911, um telegrafista dos escritórios do jornal The New York Times despachou o primeiro telegrama em torno do mundo via serviço comercial.
New York Times decidiu enviar seu telegrama de 1911 a fim de determinar quão rápido uma mensagem comercial poderia circular em torno do planeta por meio de cabo telegráfico. A mensagem em que simplesmente se podia ler “Essa mensagem está sendo enviada em torno da Terra” deixou a sala de despachos telegráficos  situada no 17º andar do jornal em Nova York às 07h00 de 20 de agosto de 1911.
Após viajar mais de 45 mil quilômetros, sendo revezada por 16 diferentes operadores, através de São Francisco, Filipinas, Hong Kong, Saigon, Singapura, Bombaim, Malta, Lisboa e Açores, entre outras localidades, a resposta foi recebida pelo mesmo operador 16,5 minutos mais tarde. Foi o tempo mais rápido alcançado por um cabograma comercial desde a abertura do cabo pelo Oceano Pacífico em 1900 pala Commercial Cable Company.
Fonte: Opera Mundi

1968: Tropas soviéticas ocupam Praga

Acompanhado de unidades de outros países do Pacto de Varsóvia, Exército Vermelho entrou, em 20 de agosto, na República Tcheca. Governo tcheco liberalizara o regime comunista de forma sem precedentes no Leste Europeu.
Soldados soviéticos em Praga
Rádio Praga: "Na noite de ontem, por volta das 23h, tropas da União Soviética, da República Popular da Polônia, da República Democrática Alemã, da Hungria e da Bulgária ultrapassaram as fronteiras da Tchecoslováquia."
Em poucas horas, o sonho de um "socialismo com face humana", que ficou conhecido como a "Primavera de Praga", se desmanchava sob as esteiras de 7 mil tanques de guerra do Pacto de Varsóvia.
Sob o comando do reformista Alexander Dubcek, 14 milhões de tchecos e eslovacos vinham gozando de maior democracia, sobretudo através da liberdade de imprensa e de opinião. No entanto, a iniciativa isolada do "irmão socialista" deixara o Kremlin em estado de alerta. "É uma contra-revolução", sentenciou Moscou.
Líderes foram detidos
Naquela noite, o líder do partido comunista Dubcek e seus camaradas foram detidos e o presidente Ludvik Svoboda, colocado sob arresto. Soldados ocuparam pontos estratégicos nas ruas da capital tcheca. As pessoas protegiam-se apenas com as mãos, jogando pedras ou tentando conversar com os militares. Em vão. Tanques já atravessavam a histórica Ponte de Carlos e os soldados davam tiros – a princípio para o alto.
Mas, em pouco tempo, as armas começaram a ser disparadas na direção da multidão. Pessoas caíam vítimas das rajadas de metralhadora. Para muitos, a presença de militares alemães entre os invasores reavivava a memória de 1939, quando as tropas de Hitler marcharam sobre a Tchecoslováquia.
Já nas primeiras horas da manhã, o governo alemão-oriental justificou o episódio através do rádio: "No interesse de sua segurança, no interesse dos povos e da paz mundial, os irmãos socialistas não poderiam permitir que a República Tcheca rompesse com a comunidade dos Estados socialistas. Ao reagir imediatamente ao urgente pedido de ajuda dos patriotas tchecos, os governos de nossos países deram um exemplo claro do internacionalismo socialista".
Memórias traumáticas
Para a artista judia Lisa Scheuer, que em 1939 fugira dos alemães e sobrevivera a Auschwitz, a cena era inacreditável. "Na noite de 20 de agosto, quando ouvi em meu pequeno rádio que as potências do Pacto de Varsóvia haviam atravessado as fronteiras, fui tomada por um pânico tal que eu só queria escapar."
Dois dias depois da ocupação, o presidente Svoboda e o líder Dubcek foram levados a Moscou. Levaria quatro dias até voltarem a Praga, derrotados.
O correspondente em Praga, Christian am Ende, relatou as primeiras frases desesperadas de Dubcek:
"Com lágrimas, voz contida e longas pausas, o secretário-geral do partido, Dubcek, declarou: 'É com muita dificuldade que encontro palavras para agradecer a alta moral que este povo demonstrou. O que acertamos em Moscou não dependeu de nossa vontade.' Dubcek prosseguiu com seu triste comunicado, informando que as tropas agora iriam se concentrar fora da cidade. Moscou teria prometido retirar gradualmente as unidades do Pacto de Varsóvia do território da República Tcheca."
Falsas promessas de Moscou
Balanço da operação militar: 72 mortos, 200 feridos graves. A 28 de agosto, Alexander Dubcek anunciou a capitulação final e tentou, em discurso à população, evitar que as esperanças se esvaíssem:
"Nossa vida política chegou a uma encruzilhada. Estamos numa situação em que temos de escolher um caminho. O movimento comunista na República Tcheca tem sua tradição. Pode ser que estejamos num ponto em que talvez caiamos em uma crise atrás da outra. Podemos decidir seguir adiante e tomar mais uma vez o caminho que o partido definiu, ou deixamos a dianteira para forças diversas, correntes diversas. Em todo caso, temos que ponderar, porém, os diversos problemas da situação atual."
A cínica promessa de Moscou de retirada das tropas e tanques foi cumprida somente 23 anos mais tarde. O último soldado russo deixou o país apenas em 23 de maio de 1991.
  • Autoria Doris Bulau (mw)
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