sexta-feira, 24 de julho de 2015

1923: Turquia assina Tratado de Lausanne, que legitima limpezas étnicas e redefine suas fronteiras

Com tratado, turcos recuperaram plena soberania sobre territórios como estreitos de Bósforo e Dardanelos, Istambul e seu território europeu

Em 24 de julho de 1923, a Turquia e os vencedores da Grande Guerra assinam em Lausanne um tratado que revoga e substitui o precedente tratado de paz, assinado em Sèvres, em 10 de agosto de 1920, pelos representantes do sultão.

Sem esperar o humilhante Tratado de Sèvres, que desmembrou a Turquia otomana em favor de seus vizinhos e das minorias, os gregos invadiram no início de 1921 a Anatólia com a aprovação tácita dos Aliados. No entanto, foram batidos. Não obstante, os gregos conseguiram empurrar as forças nacionais turcas para além do Sakarya, um rio que desemboca no mar de Mármara.

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Líderes mundiais assinam Tratado de Lausanne - tal acordo incentivou o pan-turquismo e o nacionalismo inspirado em limpeza étnica


Com poderes ditatoriais, Mustafah Kemal os detém ao sul do Sakarya em agosto de 1921 após uma longa batalha de três semanas. Completa seu êxito com uma vitória em Dumlupinar em 30 de agosto de 1922. As tropas gregas refluem para o mar Egeu.

Em 11 de setembro de 1922, deixam Smirna desordenadamente, arrastando com elas as populações civis. A famosa metrópole da Grécia asiática foi então incendiada. Por força de sua vitória sobre os gregos, Kemal força os Aliados a concluir um novo tratado com a Turquia, substituindo o infamante Tratado de Sèvres.

Em virtude do Tratado de Lausanne, os turcos recuperaram a plena soberania sobre os estreitos de Bósforo e Dardanelos, sobre Istambul e seu território europeu, bem como a Armênia Ocidental, o Curdistão Ocidental e a costa oriental do mar Egeu (cidades como Smirna e Éfeso). Além disso, a fronteira com o Iraque é traçada de maneira velada para ser confirmada três anos mais tarde pela Sociedade das Nações, que outorgou a título definitivo a região do Mossul ao Iraque.

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As Capitulações - estabelecidas em 1536 entre o sultão Soliman, o Magnífico e o rei da França François I e mais tarde estendidas a outros países europeus - são abolidas. Estas convenções outorgavam aos Ocidentais direitos especiais na Turquia, bem como o direito de velar pela sorte dos cristãos desse país.

A Turquia moderna emerge das negociações de Lausanne sob a forma de um quadrilátero onde somente o canto noroeste, com Istambul e seus arredores, pertenceriam ao continente europeu (3% da superfície do país). Cioso de seu triunfo, Mustafah Kemal iria proclamar a República Turca sobre as ruínas do velho império multicultural otomano.

Expulsos pela ofensiva turca de 1922, 1,3 milhão de gregos ortodoxos estabelecidos na Anatólia desde a Alta Antiguidade atravessariam precipitadamente o mar Egeu para serem recolhidos pela Grécia. Em contrapartida, a Grécia expulsa 300 mil turcos ou gregos islamizados.

A república laica de Kemal contava apenas com um punhado de cristãos que, dez anos antes, representavam de um quinto a um décimo da população turca. Inaugurando a prática de “limpezas étnicas”, a Turquia de Kemal Ataturk abre as portas aos nacionalismos totalitários: um Estado, uma terra, uma religião, uma língua, uma raça. Essas limpezas étnicas foram legitimadas, pela primeira vez na história da diplomacia, pelo Tratado de Lausanne de 23 de julho de 1923.
Fonte: Opera Mundi

1953: Ulbricht na liderança do partido comunista da Alemanha Oriental

Em 24 de julho de 1953, Walter Ulbricht tornava-se primeiro-secretário do SED, partido da Alemanha Oriental. O político ficou conhecido por mandar construir o Muro de Berlim.
O comunista chegou a chefe de Estado da RDA
"Ninguém tem a intenção de erguer um muro." Essa é a frase mais conhecida de Walter Ulbricht, membro fundador do Partido Socialista Unitário da Alemanha (SED) e, durante muito tempo, figura dominante tanto do partido como do próprio sistema político da República Democrática Alemã (RDA, ou Alemanha Oriental).
A construção do Muro de Berlim, em 1961, representou a definitiva consolidação do poder de Ulbricht, tantas vezes ameaçado. Mas, como uma espécie de fênix, ele tinha o dom de sair fortalecido das situações difíceis.
Foi o que aconteceu no verão europeu de 1953. O regime do SED estava desde o final do ano anterior mergulhado numa profunda crise, relacionada com o plano imposto por Ulbricht de "construção planejada do socialismo" na Alemanha Oriental.
Devido à crescente pressão política e econômica, cada vez mais pessoas deixavam a Alemanha Oriental rumo ao Ocidente. Por mês, o número oscilava entre 15 mil e 23 mil.
Quando, no início de junho de 1953, o comando do SED, insuflado pelo Kremlin, implementou mais uma reviravolta política, o descontentamento da população virou protesto. As demonstrações em todo o país no dia 17 de junho de 1953 só foram encerradas com a ajuda do exército soviético.
A conversa de Ulbricht com alguns trabalhadores, no dia 23 de junho, soa como puro sarcasmo: "Todas as ordens foram cumpridas à risca, não é? No Exército Popular, certo? Além disso ainda estão por aqui de prontidão uns tanques soviéticos, não é, para que os... bem... opositores não tenham qualquer sombra de dúvida. Espero que tirem disso uma lição, certo? Então está bem, eu desejo tudo de bom para vocês, certo. Até logo, até logo."
Oposição nas próprias fileiras
Não apenas a população, mas também os próprios companheiros do SED tentaram rebelar-se em junho de 1953. Na reunião do Politburo do dia 6 de junho, os opositores de Ulbricht o instaram a fazer uma revisão geral de sua política para além das imposições da União Soviética. Falava-se numa "ditadura Ulbricht", e foi formada uma comissão para elaborar propostas de reforma.
Erich Honecker, um dos poucos que permaneceram fiéis a Ulbricht, observou: "Todos caem sobre Walter. Ele será derrubado."
No dia 26 de junho, os camaradas foram diretos. Rudolf Herrnstadt, redator-chefe do jornal Neues Deutschland, perguntou: "Desculpe, Walter, ter que dizer isso, mas não seria melhor você entregar imediatamente a direção do partido?"
Nessa reunião foi encaminhada ao Comitê Central uma sugestão para abolir o secretariado e a função de secretário-geral. Se tivessem vingado, ela significaria a destituição de Ulbricht.
Caminho livre para Ulbricht
Mas também essa oposição foi revertida com a ajuda dos camaradas soviéticos. Em 3 de julho, durante nova reunião para decidir sobre a composição da nova estrutura de comando, apareceu inesperadamente uma autoridade soviética dizendo que a URSS apoiava o funcionamento do Comitê Central através de vários secretários, que deveriam ser subordinados ao primeiro-secretário, responsável pela coordenação geral.
Com esse forte apoio, Ulbricht partiu para o contra-ataque: o projeto dos reformadores coloca em questão o caráter do partido, divide o partido e apresenta posições social-democratas, afirmou. Quando ele associou alguns de seus opositores ao chefe do serviço secreto soviético e sucessor de Stalin, Lavrentiy Beria – que havia sido preso por "ações criminosas contra o Estado e o partido" – os camaradas recuaram de vez.
Assim, o caminho ficou livre para Ulbricht: em 24 de julho de 1953, ele foi nomeado primeiro-secretário do Comitê Central do SED e tinha, mais uma vez, a posição-chave dentro do partido. A era Ulbricht somente terminaria em 1971, quando seu herdeiro político, Erich Honecker, o substituiu no cargo.
  • Autoria Rachel Gessat
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quinta-feira, 23 de julho de 2015

Saes: um espaço de acolhimento e mediação de dificuldades

Setor busca construir uma rede de relacionamentos por meio de projetos que possibilitam ao acadêmico encontrar caminhos para superar as dificuldades emocionais e de aprendizagem

Foto: Gelsoli Casagrande
Equipe de trabalho desenvolve atividades com os acadêmicos que garantem inclusão e acessibilidade do aluno ao ensino de qualidade
A acessibilidade ao ensino de qualidade e a permanência do aluno são investimentos da Universidade de Passo Fundo (UPF). Para contribuir com o processo de inclusão, a Vice-Reitoria de Graduação tem como um de seus braços de apoio os serviços oferecidos pelo Setor de Atenção ao Estudante (Saes). As intervenções feitas em auxílio ao aluno que apresenta alguma dificuldade ou que necessita de ajuda ou apoio iniciaram ainda em 1993, com a criação do Setor Psicopedagógico – hoje Saes –, o qual, a partir de 2007, ampliou a oferta dos serviços oferecidos. Conforme a coordenadora do Saes, psicóloga e professora Dra. Silvana Baumkarten, todos os projetos desenvolvidos pelo setor objetivam garantir a inclusão e a acessibilidade do aluno ao ensino de qualidade e a sua permanência na Universidade.

Eixos de atuação
O Saes trabalha com três eixos: psicopedagógico, psicológico e de tecnologia assistiva. Em cada um deles, são desenvolvidos projetos específicos, com atendimento às dificuldades emocionais e de aprendizagem. “Realizamos oficinas em sala de aula que desenvolvem a aprendizagem; temos grupos de apoio a famílias de alunos que têm deficiência; oferecemos recepção e acolhimento ao aluno ingressante, e, no segundo semestre de 2015, iniciaremos oficinas temáticas, com abordagens diversas. A primeira oficina vai auxiliar alunos que têm dificuldade de apresentar trabalhos em público, e, posteriormente, o trabalho será de prevenção à drogadição”, comenta a coordenadora, explicando que as oficinas se dão a partir de demandas que são enviadas pelas coordenações e/ou pelos próprios alunos.


Por meio de seus projetos, o Saes acolhe o conflito como possibilidade potencialmente resolutiva e criativa da problemática apresentada, otimizando os espaços do aprender. Além disso, procura construir uma rede de relacionamentos que possibilitem ao acadêmico encontrar caminhos para superar as dificuldades. Outro suporte oferecido pelo Saes é a mobilidade pelo Campus.  Com esse serviço, os alunos cadeirantes são acompanhados por funcionários que auxiliam na sua locomoção, desde a chegada na Universidade, em seu meio de transporte, até a sala de aula.

O trabalho de inclusão auxilia também os acadêmicos cegos ou com baixa visão, favorecendo sua mobilidade. Esses alunos contam com a disponibilização de material em braile para as aulas e/ou com a impressão de provas em fontes ampliadas. Da mesma forma, os surdos contam com a presença de intérprete de Libras durante as aulas e outras atividades acadêmicas. A ideia é sempre desenvolver a autonomia nos alunos com deficiência, não só dentro do Campus, mas fora dele também, e, nesse contexto, o Saes também trabalha com os professores, ambientando-os quanto à acessibilidade e às deficiências dos acadêmicos, promovendo a inclusão destes. “Primamos pela inclusão do aluno, para que ele possa ter o direito de cursar o ensino superior com qualidade”, finaliza a psicóloga Silvana.

Entre os programas desenvolvidos pelo Saes, destacam-se:
Atendimento e acompanhamento psicopedagógico: 
oferece um serviço especializado, com o objetivo de potencializar o processo de aprendizagem, de construção e reconstrução do conhecimento.

Atendimento e acompanhamento psicológico: oportuniza o contato com um profissional psicólogo especializado, capaz de atender situações de conflitos que refletem no desempenho acadêmico ou em aspectos emocionais, relacionais e/ou socioculturais da vida do aluno.
Projeto roda de conversa vai à sala de aula: oportuniza ao aluno ingressante um espaço para refletir sobre seu ingresso na Universidade, em um momento de conversa/escuta sobre suas expectativas, dificuldades e dúvidas e sobre os sentimentos de ser universitário.
Programa de aulas de apoio: desenvolve atividades de aulas de apoio para alunos com dificuldades de aprendizagem, oferecendo um espaço de ensino e promoção de conhecimento.
Projeto orientação profissional/educacional na trajetória acadêmica: orienta acadêmicos na sua trajetória acadêmica, analisando situações de ingresso, reingresso, transferência e/ou reopção de curso. O foco do trabalho está no autoconhecimento e no conhecimento das profissões, visando à permanência e ao fortalecimento dos círculos de relações com a Universidade.
Projeto aluno apoiador: auxilia o aluno em suas dúvidas, na execução de exercícios, propõe grupos de estudo, estimulando a ajuda entre os colegas. Conta com a participação direta de acadêmicos que auxiliam estudantes com dificuldades de aprendizagem, através de atividades de apoio para pequenos grupos.
Projeto oficina aprender a aprender: possibilita ao acadêmico vivenciar suas ações no ambiente acadêmico, abrindo um espaço para representação de situações que está vivenciando dentro dos processos de ensino e aprendizagem. 
No eixo da tecnologia assistiva, há, atualmente, três projetos em desenvolvimento: o serviço de tradução e interpretação, o auxílio a acadêmico com deficiência e a orientação a professores com alunos surdos.

A Língua Brasileira de Sinais é uma língua natural, plenamente desenvolvida, que assegura uma comunicação completa e integral. Por meio do serviço de tradução e interpretação, o Saes viabiliza a tradução/interpretação em Libras/português, com profissionais especializados na área, os quais atuam em sala de aula junto com acadêmicos surdos, professores e colegas ouvintes, em todas as atividades acadêmicas. A orientação dada aos professores que trabalham com alunos surdos ocorre sob forma de oficina, criada especialmente para atender às necessidades dos docentes e coordenadores de curso.

Os números surpreendentes e o alcance deste trabalho
Os números de atendimentos realizados pelo Saes são surpreendentes: somente em 2014, 133 alunos, de 34 cursos da Instituição, estiveram em atendimentos psicológicos, totalizando 1.055 seções. Além desses, buscaram atendimento psicopedagógico 159 alunos, de 35 cursos da UPF, resultando em 391 seções de atendimento.   Nas aulas de apoio, foi registrada a participação de 1.463 alunos, de 32 cursos, envolvendo 61 disciplinas. O programa Roda de Conversa levou 1.814 alunos a participar de 58 encontros promovidos em parceria com a coordenação da área de Ética e Conhecimento e com os professores das disciplinas de Iniciação ao Conhecimento Acadêmico. 


Além disso, foram atendidos 60 alunos na orientação profissional e 29 famílias de acadêmicos foram acompanhadas, somando 41 atendimentos a familiares. Também, foram desenvolvidas 264 atividades envolvendo tecnologia assistiva, intérpretes e participação nas aulas e disciplinas.

No que se refere à sua função de inclusão e de fortalecimento à permanência dos alunos na Instituição, o trabalho desenvolvido no Setor de Atenção ao Estudante tem caráter extremamente relevante e favorece a qualidade educativa e o espaço do aprender e ensinar como algo lúdico e estimulante. Todo esse trabalho é extensivo aos seis campi da UPF e a Vice-Reitoria de Graduação tem atestado o alcance dos trabalhos e os desafios propostos nesse tipo de serviço. “Há necessidade de debruçarmo-nos sobre a construção de todas as alternativas possíveis que favoreçam a qualidade educativa na UPF”, salienta a vice-reitora de Graduação, professora Dra. Rosani Sgari.

O Saes está localizado junto à Biblioteca Central – Campus I, Passo Fundo. Informações sobre os programas e os atendimentos podem ser obtidas pelo telefone (54) 3316-8256 ou pelo e-mail saes@upf.br.

UPF esteve representada no Encontro de Educação para o Patrimônio em Porto Alegre


Professora da UPF, Dra. Ironita Policarpo Machado e o acadêmico do curso de História, Djiovan Vinícius Carvalho, durante o Encontro de Educação para o Patrimônio em Porto Alegre
O Programa Cultura e Patrimônio desenvolvido pelo curso de História da Universidade de Passo Fundo (UPF) foi apresentado no I Encontro de Educação para o Patrimônio do Centro Histórico-Cultural da Santa Casa, realizado nos dias 17 e 18 de julho, em Porto Alegre. O evento promovido pelo Centro Histórico-Cultural Santa Casa, contou com o apoio do Museu da História da Medicina (MUHM) e teve como objetivo oportunizar a troca de experiências e práticas de Educação Patrimonial desenvolvidas por profissionais que atuam na formação de acadêmicos dos cursos de História, Museologia e Pedagogia em instituições de ensino superior (IES) do Rio Grande do Sul.

A docente do curso de História e do Programa de Pós-Graduação em História (PPGH), Dra. Ironita Policarpo Machado, a convite da direção do Centro Histórico-Cultural da Santa Casa, relatou as experiências de Educação Patrimonial desenvolvidas pelo Programa Cultura e Patrimônio do curso de História da UPF.

No Encontro também foi oportunizado um espaço de trocas e de divulgação dos resultados de ações e práticas educativas patrimoniais desenvolvidas por acadêmicos dos cursos de História, Conservação e Restauração, Pedagogia, Museologia, Arqueologia, Arquitetura e Arquivologia de IES gaúchas. O acadêmico do curso de História, Djiovan Vinícius Carvalho apresentou as experiências do projeto de Extensão Momento Patrimônio e do projeto de pesquisa Rede de Memórias: Patrimônio e História Regional, ambos coordenados pela professora Ironita.

O evento teve como conferencista de abertura a professora Dra. Áurea da Paz Pinheiro, pós-doutora em Ciências da Arte e do Patrimônio pela Universidade de Lisboa. E a conferência de encerramento foi proferida pela professora da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Dra. Janice Gonçalves.

Programa Cultura e Patrimônio: ações educativas no e do curso de História da UPF
A professora Ironita destacou que as experiências com Educação Patrimonial no curso de História da UPF vêm se desenhando desde o ano de 2005, primeiro nas disciplinas de Metodologia do Ensino de História e Fundamentos e Práticas de Arquivo e Museu, e posteriormente, ampliando-se, por meio do ensino, da pesquisa e da extensão, com o Projeto Momento Patrimônio. A fala da professora esteve articulada à do acadêmico Djiovan, cujo envolvimento com práticas educativas em prol do Patrimônio iniciaram no primeiro semestre da sua formação acadêmica, ainda em 2013.

O Projeto Momento Patrimônio, criado em 2010 vinculado a tríade ensino, pesquisa e extensão, passou, a partir de 2011, a produzir e veicular programas televisivos alusivos à questão da história, memória e patrimônio. Nesta trajetória, de forma despretensiosa e espontânea, se constituiu o Programa Cultura e Patrimônio, inserido na área Cultura, Memória e Patrimônio de extensão da UPF, cujos objetivos de valorização da cultura, da memória e do patrimônio são ampliados por meio da interdisciplinaridade entre os cursos da instituição e de instituições parceiras.


Portanto, a partir da produção de documentários, programas televisivos, publicações acadêmicas e de divulgação e cursos de formação continuada busca-se dar conta das políticas de responsabilidade social, do compromisso social da educação formal e de comunicação via mobilização e participação social em prol da formação de consciência histórica, da identidade e da cidadania.

Ingressantes por transferência ou reingresso contam com benefícios financeiros na UPF

Inscrições devem ser feitas até sábado, 25 de julho, na Central de Atendimento ao Aluno ou secretarias dos campi

A Universidade de Passo Fundo (UPF) está com inscrições abertas para transferência, reingresso, reabertura de matrícula e reabertura com reopção de curso. A oportunidade, para quem deseja retomar os estudos, fazer uma nova graduação, ou continuar seu curso na UPF, segue até sábado, dia 25 de julho. Há vagas em cursos em Passo Fundo e nos campi Carazinho, Casca, Lagoa Vermelha, Palmeira das Missões, Sarandi e Soledade. O ingresso para o segundo semestre de 2015 ocorre conforme a disponibilidade de vagas de cada curso.

A inscrição deve ser feita na Central de Atendimento ao Aluno (CAA) ou secretarias dos campi, conforme informações disponíveis no endereço eletrônico www.upf.br, no link Graduação – Formas de Ingresso.

A CAA atende, de segunda à sexta, das 7h45min às 22h, e no sábado das 7h45min às 11h45min. As secretarias dos campi possuem horários próprios, que podem ser consultados por telefone: Carazinho (54 3330-3550), Casca (54 3347-2850), Lagoa Vermelha (54 3358-6950), Palmeira das Missões (55 3742-8550), Sarandi (54 3361-5250) e Soledade (54 3381-9200).

Benefícios financeiros
Os ingressantes na UPF via transferência e reingresso podem ser beneficiados pelo Plano de Apoio Estudantil (PAE), que concede 50% de crédito estudantil para ingresso no segundo semestre de 2015. Além disso, contam com desconto de 30% no valor da matrícula, e os egressos da Instituição que se matricularem em um novo curso de graduação terão desconto de 10% no valor das mensalidades. Ainda, existem outras bolsas e programas de crédito oferecidos pela Instituição.


Reabertura de matrícula segue até 08 de agosto
A UPF também inscreve para reabertura de matrícula, que consiste no pedido de reativação do vínculo acadêmico para o retorno do aluno ao curso de graduação trancado, permanecendo o mesmo curso, turno e campi. O período de solicitação de reabertura de matrícula segue até 08 de agosto. A solicitação pode ser feita diretamente pela página www.upf.br/reabertura. Para essa modalidade, além do PAE, que concede 50% de benefício estudantil para ingresso no segundo semestre de 2015, a UPF oferece desconto de 30% no valor da matrícula.


Informações
Mais informações relativas às modalidades de ingresso podem ser obtidas na Central de Informações, pelo telefone (54) 3316-7000.

1532: Protestantes ganham liberdade de religião

No dia 23 de julho de 1532, foi assinado o acordo conhecido como Nürnberger Anstand (Paz de Nurembergue). Ele garantia liberdade de religião aos evangélicos que colaborassem na guerra contra os turcos.
Ex-mosteiro de Wittenberg, onde Martinho Lutero residiu a partir de 1524
Após a fixação das teses da Reforma Protestante, em 31 de outubro de 1517, por Martinho Lutero, ainda demorou muito para que a nova religião se impusesse na Alemanha e obtivesse o reconhecimento da Igreja Católica. Em 30 de maio de 1518, Lutero enviou suas teses ao papa Leão 10º, pois estava convicto de que o sumo pontífice iria apoiá-lo.
No dia 3 de janeiro de 1521, Lutero foi oficialmente excomungado da Igreja Católica (Édito de Worms). Numa época em que Estado e Igreja eram fortemente aliados, não tardou para que Lutero e seus seguidores tivessem também os direitos civis cassados, o que acabou acontecendo em 26 de maio daquele mesmo ano.
Lutero exilou-se, secretamente, no Castelo de Wartburg, com o apoio de Frederico, o Sábio, príncipe-eleitor da Saxônia. No exílio, Lutero trabalhou no seu maior legado: em dois meses traduziu a Bíblia para o alemão. Em 1518, o reformador havia conhecido aquele que seria seu braço direito no processo da Reforma: o estudioso alemão Philipp Melanchthon.
Carlos 5º, rei da Espanha e imperador do Sacro Império Romano da Nação Germânica a partir de 1530, ordenou aos teólogos católicos a elaboração de uma refutação da confissão dos evangélicos. Esta refutação foi apresentada à Dieta de Augsburg no dia 3 de agosto. Ela exigia apenas a submissão dos evangélicos à autoridade da Igreja Romana. Mais do que nunca, tornou-se evidente que as diferenças entre as duas Igrejas eram profundas e inconciliáveis.
Ainda em Augsburg, Melanchthon redigiu uma apologia à confissão. Carlos 5º não a aceitou, por achar que os protestantes deveriam capitular. A Dieta lhes concedeu o prazo até 15 de abril de 1531 para voltarem ao seio da igreja romana e exigiu rigoroso cumprimento do Édito de Worms.
Necessidade de aliança militar
Embora desaconselhada por Lutero, foi constituída em fevereiro de 1531 uma poderosa agremiação política dos príncipes luteranos, denominada Liga de Esmalcalde (em referência à cidade na Turíngia, leste alemão). Porém, em vista do perigo representado pelo Exército turco às portas do império, em Viena, o imperador dependia da ajuda militar dos príncipes protestantes.
A liberdade religiosa aos protestantes foi tolerada com a assinatura da Paz de Nurembergue, em 23 de julho de 1532. Essa tolerância seria dada até a realização de um concílio da Igreja. O papa Paulo 3º, no entanto, empenhou-se com todos os meios para evitar que este concílio se realizasse em território germânico. O Concílio de Mântua, convocado por Paulo 3º, em 1537, para "exterminar a peste luterana", como ele próprio se expressou, acabou não acontecendo.
Como os nobres protestantes estavam convictos de que o encontro não seria livre, negaram-se a participar do Concílio de Trento (1545 - 1563), que desencadeou a contra-reforma, no pontificado de Paulo 3º.
Somente a Paz de Augsburg, em 1555, atendeu, de certa forma, aos anseios dos protestantes, pois incluiu a tolerância religiosa nos seguintes termos: os príncipes e cidadãos do império respeitariam a filiação religiosa de cada um e o povo teria a opção de adotar a confissão religiosa do respectivo domínio ou de emigrar a território que tivesse a confissão desejada.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

1986: Supressão do castigo físico nas escolas britânicas

Em 22 de julho de 1986, o Reino Unido foi o último país da Europa a abolir as surras como castigo nas escolas. A suspensão vinha sendo exigida há tempos pelos professores, mas era rejeitada pelos políticos conservadores.
A surra fazia parte da educação
"Quem poupa a vara, detesta seu filho, quem o ama, porém, castiga-o com frequência, para que ele se alegre com isso mais tarde". Durante muito tempo, o sistema de ensino se orientou por este conselho do Velho Testamento.
Todos estavam firmemente convencidos de que uma boa surra simplesmente fazia parte da educação. Mais de dois mil anos mais tarde, o Parlamento britânico discutia se não estava na hora de abandonar este recurso pedagógico ancestral.
"Valioso instrumento"
Chris Patten, do Ministério da Educação, era contra a supressão: "Os castigos físicos são considerados um valioso instrumento disciplinar por muitos educadores renomados e responsáveis. Não devemos levianamente privá-los deste instrumento. A abolição das punições representa um enfraquecimento da posição dos professores, e isto é a última coisa que desejamos, nestes tempos em que a falta de disciplina nas escolas torna-se cada vez mais um problema."
O próprio ministro da Educação da época, Kenneth Baker, partilhava desta opinião. Porém, como nem todos os Tories eram a favor de que os professores continuassem espancando os alunos, o partido deixou a decisão a cargo de cada representante.
Castigo desumano
O Labour, por sua vez, sabia que, mesmo fechando-se em bloco, seus 219 votos não bastariam para fazer passar a medida. Por isso se empenhou em convencer ao menos parte dos conservadores.
Os argumentos do Partido Trabalhista tinham cunho tanto moral como prático: por um lado, consideravam as sovas como um castigo desumano, que rebaixava o espancado e o espancador. Por outro, não havia provas para a tese dos conservadores de que seria impossível manter a disciplina nas escolas sem punição física. Nenhuma das instituições que suprimira a vara de espancar fora forçada a reintroduzi-la, por problemas disciplinares.
"Instrumento pedagógico"
Segundo a pedagoga e autora Katharina Rutschsky, deixar de bater nas crianças não é uma questão de progresso moral da Humanidade. Por um lado, as circunstâncias externas mudaram, por outro, simplesmente constatou-se que o amor e a simpatia podem ser muito mais eficientes do que as pancadas, além de serem mais agradáveis de aplicar, como método de disciplina. A mera demonstração de poder físico, ou a coerção por meio dela, são métodos extremamente primitivos de manipulação humana.
O debate no Parlamento durou quatro horas. Por fim, a vara foi banida das escolas por apenas 231 votos contra 230. Assim, o Reino Unido finalmente se alinhou ao resto dos países europeus: todo educador que recorresse à violência como instrumento pedagógico era agora passível de ser processado. No entanto, isso só se aplicou, de ínício, ao ensino público. As escolas particulares se agarraram até o início de 1998 àquela relíquia da "boa" educação tradicional.
  • Autoria Rachel Gessat (av)
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Museu de Artes Visuais Ruth Schneider e o Museu Histórico Regional serão revitalizados

Prefeito já autorizou o processo de contratação da empresa responsável pela obra


Museu de Artes Visuais Ruth Schneider e o Museu Histórico Regional serão revitalizados
A revitalização de espaços públicos é uma das principais frentes de ação do governo municipal. Em busca de cuidar do patrimônio histórico e cultural da cidade, a Prefeitura de Passo Fundo realizará com recursos próprios a restauração parcial do prédio da Antiga Intendência, onde funcionam o Museu de Artes Visuais Ruth Schneider (MAVRS) e o Museu Histórico Regional (MHR). O prefeito Luciano Azevedo autorizou o processo de contratação da empresa responsável da obra.

Após a revitalização do Teatro Municipal Múcio de Castro, a iniciativa voltada aos museus devolverá à comunidade mais um importante ambiente que compõe o Espaço Cultural Roseli Doleski Pretto, que engloba ainda a Academia Passo-Fundense de Letras e a Biblioteca Pública Municipal Arno Viuniski, que também já recebeu intervenções de reforma pela atual administração.

Para Luciano, a revitalização de espaços públicos é uma forma de a população usufruir e fazer parte do que é de Passo Fundo e da memória construída ao longo dos anos. “Nossa primeira ação foi para a biblioteca, recentemente, entregamos as novas instalações do teatro e, agora, será a vez dos museus. Novamente, é mais um momento de comemoração para a comunidade”, ressaltou.

O projeto
Entre os serviços realizados no prédio de 400 metros quadrados dos museus estão: a restauração das fachadas com recuperação de argamassas, infiltrações e esquadrias, correções no telhado, limpeza, pintura, iluminação externa e nova marquise. De acordo com a secretária de Planejamento, Ana Paula Wickert, as cores que serão utilizadas foram definidas a partir do processo de prospecção pictórica, que consiste na raspagem de camadas para encontrar a cor mais antiga.

A memória artística e histórica de Passo Fundo
O prédio do MAVRS e do MHR está localizado na Avenida Brasil, antiga Rua do Comércio. A estrutura, construída entre 1909 e 1911, pelo construtor Luiz Ricci, foi inaugurada em 25 de julho de 1911, durante a administração do Cel. Gervásio Lucas Annes. Até 1930, o espaço serviu de sede da Intendência Municipal, que, posteriormente, mudou a nomenclatura para Executivo Municipal.

Tombado pelo Poder Público pela Lei Municipal n° 2608/90 desde 1990, o espaço também integra o Patrimônio Histórico e Cultural do Estado do Rio Grande do Sul, pela Lei nº 12.993, de 13 de junho de 2008. Ao lado do Teatro Municipal Múcio de Castro, da Academia Passo-Fundense de Letras e da Biblioteca Pública Municipal Arno Viuniski, o Museu de Artes Visuais Ruth Schneider e o Museu Histórico Regional integram o Espaço Cultural Roselli Doleski Pretto.

Fonte: O Nacional

terça-feira, 21 de julho de 2015

1954: Cessar-fogo na Indochina

Em 21 de julho de 1954, a França e a então República Democrática do Vietnã assinam um acordo de cessar-fogo, dividindo o país asiático em dois: o norte comunista e um frágil Estado pró-ocidente ao sul.
Saída dos tanques marcou fim da colonização francesa na Indochina
"O bom senso e a paz venceram." Com essas palavras, o então primeiro-ministro da França, Pierre Mendès-France, anunciou, em 21 de julho de 1954, o cessar-fogo na Guerra da Indochina. A derrota da "Grande Nação" na batalha de Dien Bien Phu, em maio do mesmo ano, fora o começo do fim do domínio colonial francês no Vietnã.
As negociações de paz em Genebra duraram quase dois meses. Além de representantes da União Soviética, da França, do Reino Unido e dos Estados Unidos, pela primeira vez desde a vitória do comunismo na China em 1949 diplomatas daquele país subiram ao palco da política internacional.
O Vietnã foi representado por duas delegações: uma defendendo os interesses da monarquia Bao Dai (sul) e outra com representantes da Liga pela Independência (Vietminh), liderados pelo primeiro-ministro Pham Van Dong, da República Democrática do Vietnã (norte).
Para ressaltar sua rejeição ao comunismo, o secretário de Estado norte-americano, John Foster Dulles, negou-se a estender a mão para seu colega chinês. "Somente um acidente de automóvel poderia me colocar em contato com Chou-En-lai", declarou à imprensa.
Garantia de soberania e unidade
Dulles permaneceu apenas quatro dias na conferência, da qual os norte-americanos participaram meramente como observadores. "Apenas tivemos a possibilidade de presenciar a tomada de decisões com as quais não concordávamos", disse mais tarde o diplomata Alexis Johnson, um dos observadores dos EUA.
Na declaração final do encontro, foram garantidas independência, soberania e unidade ao Camboja, ao Laos e ao Vietnã. A fronteira provisória entre o Vietnã do Norte (sob o regime comunista de Ho Chi Minh) e o Vietnã do Sul (monarquia independente encabeçada por Bao Dai) foi fixada aos 17 graus de latitude. Além disso, os signatários do documento comprometeram-se a realizar eleições gerais no Vietnã.
Numa declaração complementar, os EUA prometeram renunciar a qualquer intervenção militar no Vietnã. Era evidente, porém, que o Vietnã do Sul e os Estados Unidos jamais cumpririam os acordos, como explicou Johnson:
"A delegação sul-vietnamita deixou claro que não aceitaria a realização de eleições em dois anos. Exatamente essa era também a nossa posição. Todas as acusações de que transgredimos os tratados negociados em Genebra são falsas. Nós não os assinamos; portanto, não tínhamos como transgredi-los."
Decisão só no campo político
A recusa dos EUA em assinar o cessar-fogo e a divisão do Vietnã foram para o então primeiro-ministro norte-vietnamita, Pham Van Dong, a prova de que os norte-americanos, desde o início, eram contra a conferência e sempre tentaram impedir que ela chegasse a uma conclusão positiva.
Mas também o Vietminh só aprovou os resultados da Conferência de Genebra devido à forte pressão da União Soviética e da China. A Liga pela Independência obteve unicamente a garantia de que a luta pelo poder no Vietnã não mais seria decidida pela via militar e, sim, no campo político. O Vietminh estava confiante de que venceria as eleições previstas para todo o país.
Todos os participantes da conferência para a paz na Indochina sabiam que as decisões de Genebra apenas representavam um armistício e não o fim do conflito. O presidente Dwight Eisenhower e seu secretário de Estado, John Foster Dulles, ligaram os Estados Unidos, em 1954, indissociavelmente ao destino do Vietnã do Sul.
Depois da derrota francesa em Dien Bien Phu, os EUA passaram a ocupar o lugar da França, no afã de garantir a segurança do Vietnã do Sul, do Laos e do Camboja. Com isso, os norte-americanos estabeleceram as bases para a intervenção posterior no mais longo confronto militar do século 20: a Guerra do Vietnã (1959-1975).
  • Autoria Michael Kleff (gh)
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segunda-feira, 20 de julho de 2015

1954: Primeiro grande caso de espionagem na Alemanha dividida

A 20 de julho de 1954, o presidente do Departamento de Defesa da Constituição da Alemanha Ocidental desapareceu. Dois dias depois, ele declarou que havia passado para a República Democrática Alemã.
Otto John
As suspeitas iniciais foram de sequestro. Dois dias depois, ele declarou, de Berlim Oriental, que havia passado para a República Democrática Alemã, de regime comunista. Mais tarde, John retornou à Alemanha Ocidental.
Este foi o primeiro grande caso de espionagem na Alemanha dividida: em 20 de julho de 1954, celebravam-se os dez anos do atentado frustrado contra Hitler. Na parte ocidental do país, era prestado o culto à memória dos homens e mulheres que morreram apoiando o conde Claus Stauffenberg, acusado da tentativa de assassinato.
Entre os convidados de honra, encontrava-se Otto John, há quatro anos presidente do Departamento Federal de Defesa da Constituição. John e seu irmão Hans faziam parte, em 1944, do grupo de resistência de Stauffenberg. Enquanto Otto conseguiu escapar para o Reino Unido, Hans foi executado pelos nazistas.
Dez anos mais tarde, Otto John fugiu uma segunda vez, desta vez para a República Democrática Alemã. O choque foi tremendo: em meio à Guerra Fria, o vigilante máximo da ordem liberal democrática alemã passara para o campo do inimigo.
Dois dias mais tarde, Otto John revelava num depoimento através da rádio da Alemanha Oriental: "A Alemanha está ameaçada de uma cisão permanente, devido aos conflitos entre o Leste e o Ocidente. É necessária uma ação demonstrativa, para convocar todos os alemães a se empenharem pela reunificação".
Em princípio, as circunstâncias da mudança de lado pareciam obscuras. As primeiras investigações mostraram que John aquartelou-se no setor oriental de Berlim com o médico e amigo Wolfgang Wohlgemuth. O governo da República Democrática Alemã (RDA) temia pela segurança de seus espiões, da mesma forma que os serviços secretos aliados.
O então ministro do Interior, Gerhard Schröder, desmentiu os boatos alimentados pela imprensa: não houvera nenhuma onda de prisões na zona soviética e o ex-chefe da Defesa da Constituição não tinha documentos oficiais em seu poder.
Insatisfação política
Dois dias após esta afirmação de Schröder, Otto John voltou a falar, desta vez num tom mais enérgico, em prol da reunificação do país: "O atrelamento unilateral à política norte-americana pelo chefe de governo Adenauer, a consequente remilitarização e a reanimação do nacional-socialismo levarão forçosamente a uma nova guerra".
Em abril de 1955, John concedeu uma entrevista coletiva em Weimar, sob a égide do Comitê Internacional da Resistência Antifascista. Ele afirmou que, antes de sua fuga, conversara com altos representantes de Washington sobre o suposto perigo que vinha do Leste. Ninguém pudera fornecer argumentos convincentes.
Oito meses mais tarde, correu a notícia sensacionalista de que o ex-chefe do órgão de segurança nacional acabara de deixar a Alemanha comunista. Segundo a rádio estatal da RDA, John já vinha, há algum tempo, anunciando a intenção de combater o neofascismo no Ocidente.
O caso John, já tão cheio de contradições, ganhou uma dimensão surrealista. O dissidente afirmou ter sido sequestrado e pressionado: uma versão que, frente a suas declarações anteriores, só podia soar inverossímil. Em 1956, a Corte Federal de Justiça condenou Otto John a quatro anos de prisão. Entre os que pronunciaram a sentença, estavam juízes ativos durante o regime nazista: o réu os acusou de estarem motivados pelo desejo de vingança.
Em 1958, John foi liberado antes de cumprir toda a pena. Sua luta pela reabilitação pelos tribunais fracassou cinco vezes. Do ponto de vista jurídico, Otto John morreu como traidor da pátria, em 1997.
  • Autoria Marcel Fürstenau (av)
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1969 - Neil Armstrong é o 1º homem a pisar na Lua


'Este é um pequeno passo para o homem, mas um gigantesco salto para a humanidade', disse Armstrong em frase célebre
Em 20 de julho de 1969, exatamente às 22h56 (23h56 em Brasília), o astronauta norte-americano Neil Armstrong, se torna o primeiro homem a pisar na lua. Naquele momento, descendo do modulo lunar Eagle (águia), ele pronuncia essas palavras a mais de 1 bilhão de pessoas em casa grudadas na tela da televisão:

“Este é um pequeno passo para o homem, mas um gigantesco salto para a humanidade".
Wikicommons

Armstrong na Lua
 
O esforço norte-americano de enviar astronautas à Lua teve origem num apelo do presidente John Kennedy feito em uma sessão especial conjunta do congresso, em 25 de maio de 1961. "Acredito que esta nação pode se comprometer em atingir este objetivo antes que esta década termine, em desembarcar um homem na lua e fazê-lo retornar à Terra", disse o presidente na ocasião.
Na época, Os Estados Unidos ainda estavam atrás da União Soviética em conquistas espaciais. A corajosa proposta de Kennedy foi bem recebida pela opinião pública doméstica em meio à intensa disputa na Guerra Fria. Em 1966, após cinco anos de trabalho feito por uma equipe internacional de engenheiros e cientistas, a NASA dirigiu a primeira missão Apolo não tripulada, testando a integridade estrutural do veículo de lançamento proposto combinado com a nave espacial. Em 27 de janeiro de 1967, uma tragédia se abateu no centro espacial de Cabo Canaveral, quando o fogo se instalou na cabine da espaçonave Apolo e no míssil Saturno ainda na plataforma de lançamento. Três astronautas morreram no acidente.

A despeito do contratempo, a NASA prosseguiu e, em outubro de 1968, a missão Apolo 7, a primeira tripulada, orbitou a Terra e testou com sucesso muitos dos sofisticados sistemas necessários para concretizar uma viagem à lua. Em dezembro do mesmo ano, a Apolo 8 levou três astronautas ao lado oculto da lua, trazendo-os de volta. Em março de 1969, a Apolo 9 testou o módulo lunar pela primeira vez em órbita terrestre. Em maio, finalmente, os três astronautas da Apolo 10 fizeram o primeiro voo orbital em torno da lua num ensaio geral para a missão de desembarque lunar programada para julho.
Wikicommons

Armstrong minutos antes de pisar na Lua

Às 09h32 de 16 de julho, com o mundo todo atento, a Apolo 11 parte do Centro Espacial Kennedy com os astronautas Neil Armstrong, Edwin Aldrin Jr.e Michael Collins a bordo. Armstrong, um piloto de provas civil de 38 anos, era o comandante da missão. Depois de percorrer 385 mil quilômetros em 76 horas, a Apolo 11 entrou em órbita lunar em 19 de julho. No dia seguinte, às 13h46, o modulo lunar Eagle, tripulado por Armstrong e Aldrin, separou-se do módulo de comando, onde Collins permaneceu. Duas horas mais tarde, o Eagle começou sua descida à superfície lunar. Às 16h18 o aparelho tocou a margem sudoeste do Mar da Tranquilidade. Armstrong imediatamente transmitiu pelo radio à Missão de Controle em Houston, Texas, a famosa mensagem: "A Eagle acaba de alunissar."
Às 22h39, cinco horas além da programação official, Armstrong abriu a escotilha do módulo lunar. À medida que descia a escada do modulo lunar, uma câmara de televisão acoplada ao aparelho registrava suas ações e transmitia o sinal à Terra, onde centenas de milhões de olhos colados às televisões o acompanhava com enorme excitação. Às 22h56, Armstrong pronuncia sua famosa frase, que mais tarde sustentou ter sido levemente alterada. Pisa então seu pé esquerdo na superfície cinzenta e polvorenta, dá um passo cauteloso à frente. A humanidade estava enfim passeando pela Lua.
"Buzz" Aldrin juntou-se a ele às 23h11, e juntos tiraram fotos do terreno, fincaram uma bandeira dos Estados Unidos, fizeram alguns simples experimentos científicos e falaram com o presidente Nixon via Houston. À 01h11 de 21 de julho, ambos os astronautas regressaram ao módulo lunar e a escotilha foi fechada. Os dois dormiram naquela noite na superfície da Lua, Às 13h54 a Eagle começou a levanter voo lentamente para se acoplar novamente ao módulo de comando. Entre os vários itens deixados na superfície da lua havia uma placa que dizia: "Aqui, homens do planeta Terra pisaram pela primeira vez o solo da lua – julho de 1969 d. C.. Viemos em paz em nome de toda a humanidade."

Às 17h35, Armstrong e Aldrin ajustaram-se ao modulo-mãe, juntando-se a Collins e às 12h56 de 22 de julho, a Apolo 11 começou sua jornada de volta a casa, espatifando-se sãos e salvos no Oceano Pacífico às 12h51 de 24 de julho.
 
Haveria mais cinco missões de desembarque na lua e um rápido pouso não planejado anteriormente da Apolo 13. Os últimos homens a caminhar pela Lua, os astronautas Eugene Cernan e Harrison Schmitt da missão Apolo 17, deixaram a superfície lunar em 14 de dezembro de 1972. O Programa Apolo foi um empreendimento vultoso e de intenso trabalho, envolvendo cerca de 400 mil engenheiros, técnicos e ciantistas ao custo de 24 bilhões de dólares (cerca de 120 bilhões ao custo atual. As despesas foram justificadas pelo desafio feito por Kennedy em 1961 para bater os soviéticos na corrida à Lua. Após ter sido cumprida a façanha, e à vista dos resultados, a continuidade do programa lunar perdeu qualquer interesse científico que possa ter tido.
Fonte: Opera Mundi

Estudo e planejamento marcam reunião dos coordenadores dos cursos de graduação


Foto: Caroline Simor
Reunião com os coordenadores ocorreu em preparação ao semestre letivo 2015/2
Os coordenadores dos cursos de graduação da Universidade de Passo Fundo (UPF) se reuniram, na Sala dos Conselhos, na tarde desta quinta-feira (16/07), com a vice-reitora de Graduação, professora Rosani Sgari, e a equipe da Assessoria de Graduação, em preparação ao semestre letivo que inicia no dia 27/07.

Na oportunidade, o grupo foi informado das melhorias desenvolvidas pela Divisão de Ensino de Graduação e pela Divisão de Tecnologia de Informação quanto ao fluxo de procedimentos acadêmicos disponibilizados no Sistema Orquestra, referentes às atividades complementares, às solicitações de monitorias e à modalidade de regime especial de estudos. Igualmente, foram apresentadas  as ações planejadas para o retorno das atividades com os acadêmicos e, especialmente, para a recepção aos calouros que chegam à Instituição.

Os coordenadores, ainda, tiveram a oportunidade de contribuir na elaboração de dispositivos que visam normatizar os procedimentos de registro das informações acadêmicas no Ambiente de Apoio ao Ensino, estudando as propostas e qualificando-as, com base nas necessidades e demandas pedagógicas vivenciadas no cotidiano dos cursos.

A reunião foi considerada produtiva pelos envolvidos, que puderam compartilhar experiências, trocar informações, esclarecer dúvidas e discutir possibilidades de encaminhamento de diferentes questões relacionadas à gestão, diante dos desafios impostos pelo contexto no qual a Universidade está inserida.

A professora Rosani Sgari ressaltou a importância da presença maciça dos coordenadores no encontro, bem como o grau de comprometimento e a maturidade com que trataram as questões acadêmicas e institucionais em pauta.

domingo, 19 de julho de 2015

A história das reparações alemãs do pós-guerra

Quem perde uma guerra deve sofrer as consequências. No entanto depois de 1945 não houve nenhum acordo estipulando como a Alemanha indenizaria os países agredidos pela ditadura nazista durante a Segunda Guerra.
Em maio de 1945, o regime nazista alemão se rendia incondicionalmente. Tropas americanas, soviéticas e britânicas ocupavam a Alemanha. Milhões de pessoas ficaram desabrigadas, refugiados se deslocavam do leste para o oeste. Os Aliados começaram a organizar politicamente e geograficamente a nova Alemanha.
Na Conferência de Potsdam, entre 17 de julho e 2 de agosto de 1945, no palácio Cecilienhof, as potências debateram os procedimentos seguintes. Os Estados Unidos conseguiram aprovar sua proposta de reparos de baseados em zonas. Cada potência deveria cobrir suas exigências de reparações a partir da própria área que ocupava. O montante dos pagamentos alemães não foi fixado.
Na zona ocupada pelos soviéticos, os proprietários de terras foram expropriados e todas as grandes indústrias, nacionalizadas. O desmantelamento de instalações industriais foi muito mais intenso no leste do que nas zonas ocidentais. Até 1953, a Alemanha Oriental perdeu cerca de 30% da sua capacidade industrial.
"Isso teve a ver com o fato de os alemães terem causado uma destruição imensa na União Soviética, sendo necessária uma compensação mais extensa", explica Manfred Görtemaker, professor de história moderna da Universidade de Potsdam.
Renúncia a reparações
As potências ocidentais, no entanto, precisavam da Alemanha Ocidental como aliada na Guerra Fria, devendo se tornar uma espécie de baluarte econômico e político contra o comunismo. Pois depois da Conferência de Potsdam estava claro: a aliança dos vencedores rapidamente se transformava numa confrontação encarniçada entre o Leste e o Ocidente.
No Tratado de Paz de Paris, de 1947, as potências ocidentais concordavam sobre como distribuir as indenizações de guerra entre si. Além disso, foram estipuladas obrigações de reparação para a Alemanha compensar os refugiados e vítimas da perseguição nazista. Entretanto o tratado não mencionava um montante total a ser pago.
"Os EUA consideravam a problemática das reparações após a Primeira Guerra Mundial", observa Görtemaker. Naquela época, a economia alemã não conseguiu se recuperar durante muito tempo, o que culminou com a ascensão de Hitler. "Por isso os americanos e, até certo ponto, os britânicos defendiam uma renúncia a reparações, a fim de permitir que os alemães se recuperassem economicamente."
Para facilitar essa ascensão econômica, o então secretário de Estado dos EUA, George C. Marshall, encomendou em 1947 a preparação de um plano para reativar a economia europeia. Até 1952, os EUA disponibilizaram aos países europeus ocidentais 12,4 bilhões de dólares. Mais de 10% dessa soma foi para a Alemanha Ocidental.
Gorbatchov e Kohl assinam Tratado Dois-Mais-Quatro em Moscou, 1990
Pagamentos a Israel
No Acordo de Londres de 1953, a Alemanha Ocidental se comprometia a pagar dívidas que não estavam relacionadas a efeitos ou danos da Segunda Guerra Mundial, mas a créditos dos períodos pré e pós-guerra. Berlim conseguiu reduzir à metade sua dívida, originalmente de 29 bilhões de marcos.
A delegação alemã também conseguiu que os antigos adversários reconhecessem reivindicações de seu país em relação ao exterior. Isso garantiu o fluxo de empréstimos para a emergente República Federal da Alemanha (RFA), incentivando sua recuperação econômica. Além disso os credores abriram seus mercados para os produtos alemães. Todas as reclamações do tempo da guerra ficaram adiadas para um tratado de paz posterior.
Apenas alguns dias após o pacto de Londres, o parlamento alemão aprovava o acordo de reparações com Israel, assinado em Luxemburgo, prevendo que a comunidade judaica recebesse da RFA mercadorias no valor de 3 bilhões de marcos alemães – o equivalente a cerca de 1,5 bilhão de euros.
A Jewish Claims Conference recebeu 450 milhões de marcos alemães. Além disso, a Alemanha se comprometia a pagar até o ano 2000 cerca de 83 bilhões de marcos a antigos trabalhadores forçados e prisioneiros dos campos de concentração.
Com o acordo de Londres e o de reparações com Israel, o então chanceler alemão, Konrad Adenauer, visava sobretudo um objetivo político: fazer progredir a integração da Alemanha no Ocidente e apresentar o país como um devedor confiável.
Soldados alemães hasteiam bandeira nazista na Acrópole
Tratado Dois-Mais-Quatro
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, de início não houve um tratado de paz regulamentando as reparações. A Alemanha estava dividida e sob administração aliada. Após a reunificação do país, em 1989, o então chefe de governo Helmut Kohl tentou evitar que a questão das reparações fosse levantada, temendo exigências de todas as 62 nações que haviam estado em guerra com a Alemanha.
A solução foi o chamado Tratado Dois-Mais-Quatro, que estabelece a unidade e a soberania da República Federal, sem mencionar reparações. Para não ter que atender eventuais pedidos de reparações de Estados individuais, é adota-se a terminologia "no lugar de um tratado de paz".
O assunto parecia encerrado, até que o governo grego colocou novamente em jogo a questão das reparações, em 2015. Segundo o vice-ministro das Finanças da Grécia grego, Dimitris Mardas, a Alemanha deveria a seu país quase 280 bilhões de euros. O governo alemão rejeita a as exigências até hoje.
"Se a Grécia está exigindo 300 bilhões, quanto a Rússia poderia exigir? Cem trilhões?", pergunta o historiador Ulrich Herbert. Afinal, a União Soviética foi muito mais atingida pelos saques e crimes do Estado nazista. Pagamentos oficiais a Atenas desencadeariam reivindicações muito mais elevadas de outros grupos de vítimas, que acabaria sendo impossível saldar.
  • Data 17.07.2015
  • Autoria Michael Marek (md)
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1900: Inauguração do metrô de Paris

No dia 19 de julho de 1900, o primeiro trecho do metropolitano de Paris torna-se atração da Exposição Mundial.
A canção parisiense diz: "Metro, boulot, dodo". Ou seja, "metrô, trabalho, dormir". Seria pena se o dia a dia na capital francesa realmente se reduzisse a estes três polos. Mas uma coisa é verdade, o chemin de fer métropolitain, vulgo metro, desempenha um papel central na vida dos habitantes de Paris.
Diariamente, de 5h30 da manhã até pouco antes da meia-noite, ele garante transporte eficiente aos milhões de habitantes da metrópole às margens do Sena. Atualmente, possui 14 linhas com mais de 350 estações, em grande parte subterrâneas. Os túneis do metrô esburacam as entranhas da capital como um queijo suíço, tornando fácil o acesso a praticamente qualquer ponto da cidade.
Mostra mundial impulsionou construção
Mas não foi sempre assim: no dia 19 de julho de 1900, o sistema ferroviário subterrâneo de Paris começou com apenas oito estações da Linha 1, ligando a zona leste à oeste: Porte de Vincennes a Porte Maillot. Os trabalhos de construção duraram quase dois anos. As escavações foram pouco profundas, para reduzir os custos, e algumas ruas, como a Saint Antoine, ficaram semeadas de imensas crateras.
A Linha 1 ficou pronta exatamente a tempo para a Expo de Paris. A ideia de construir um sistema de transportes subterrâneos para a metrópole já datava de meados do século 19, como possível solução para seus crescentes problemas de trânsito.
Porém, o advento da mostra mundial foi o impulso decisivo. Pouco após a inauguração do metrô, 130 mil passageiros já o utilizavam diariamente. Atualmente, há cerca de 6 milhões de usuários, e os veículos partem a cada três ou cinco minutos, para cobrir a demanda.
Os primeiros trens do metrô tinham três vagões de madeira, com dois tipos de instalações: assentos de couro para a primeira classe e bancos de madeira para a segunda. Somente após um trágico incêndio com muitos mortos e feridos, em 1903, é que se passaram a evitar os materiais facilmente inflamáveis. Desde então, os carros são construídos com metal leve e plástico.
Tradição e novas tecnologias
Cada estação do metrô de Paris tem uma "cara" distinta. Algumas, como a Louvre-Rivoli ou a Saint Paul, foram transformadas numa espécie de museu, com grandes vitrines de exposição. Outras são pintadas com cores vivas, como a Cluny la Sorbonne. Ainda outras têm música ambiente ou até mesmo exibem curtas-metragens através de monitores, como a Station Europe.
Nas linhas mais recentes, os trens viajam a cerca de 40 km/h, ou seja, quase o dobro da velocidade média das linhas tradicionais. Sobretudo, o novo metrô dispensa o condutor, trafegando de modo inteiramente automático e quase silencioso. Espessas paredes de vidro protegem ainda os passageiros dos trilhos: apenas com a chegada do trem é que as pesadas portas de vidro abrem-se simultaneamente com as do carro. É o metrô do século 21.
  • Autoria Anja Fähnle
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