terça-feira, 30 de junho de 2015

Quarto programa do Momento Patrimônio será exibido nesta sexta-feira (03/07)

UPF TV exibe programa a partir das 21h

Foto: Divulgação
Programa Momento Patrimônio desta sexta-feira (03/07) mostrará o trabalho realizado na Escola Padre Anchieta, localizada no loteamento Jerônimo Coelho
O próximo programa da quarta temporada do Momento Patrimônio terá como tema “Religiosidade e Tradições”. O programa mostrará o trabalho realizado na Escola Municipal de Ensino Fundamental Padre Anchieta, localizada no loteamento Jerônimo Coelho, durante o desenvolvimento do projeto Rede de Memórias. A UPFTV exibirá o programa no dia 03 de julho, às 21h, com reapresentações no sábado (04/07) e no domingo (05/07), às 20h30min.

A mediação do programa é feita pela coordenadora do projeto e professora da UPF, Dra. Ironita Machado, e, nesta edição, haverá a participação da professora de História e Ensino Religioso da EMEF Padre Anchieta, Neusa Rebecchi, e do professor da UPF, mestre em Ciências Sociais, Frederico Santos dos Santos.

O projeto de educação patrimonial desenvolvido na escola abordou temáticas envolvendo o resgate histórico e de identidade do loteamento Jerônimo Coelho. Os alunos pesquisaram e desenvolveram atividades sobre o Instituto Marcelino Champagnat, o Cemitério dos Ribeiros e a lenda da pedra do Parque dos Viajantes. Os alunos da escola realizaram maquetes, painéis e textos. “Os temas do projeto foram sugeridos pelos próprios alunos. As atividades integraram várias disciplinas, como Língua Portuguesa, História, Ensino Religioso e a própria Geografia. A iniciativa é uma oportunidade para que os alunos conheçam e resgatem aquilo que foi importante no passado e que faz parte da identidade da comunidade”, ressaltou a professora da escola Padre Anchieta.

Religiosidade e tradição também são patrimônios de uma comunidade. “Observamos o quanto a religiosidade se torna importante para uma comunidade. Muito mais do que abstrair o homem da realidade, a religião tem uma dimensão de ajudar a entender uma comunidade e de ajudar a viver essa realidade. Religiosidade é um patrimônio cultural e a tradição é tão importante quanto o patrimônio”, disse o professor da UPF, Frederico dos Santos.

O Programa Momento Patrimônio é vinculado ao Centro de Cultura, Comunicação e Patrimônio da UPF e é coordenado pelo curso de História. Os programas desta temporada apresentam aspectos históricos e patrimoniais de seis comunidades passo-fundenses. A UPFTV pode ser sintonizada pelo canal 4 da TV aberta ou 14 da Net, em Passo Fundo, e nos canais 20 em Carazinho, 54 em Marau, 45 em Palmeira das Missões e Sarandi, e canal 30 em Soledade.

Confira as datas dos próximos programas:
- 03/07: Religiosidade e Tradições - Loteamento Jerônimo Coelho (EMEF Pe. Anchieta).
- 07/08: Construção do lugar de vivência - Bairro São Luiz Gonzaga (EMEF São Luiz Gonzaga).
- 04/09: Lugares de vivência, ensino e sentidos - Loteamento Maggi De Césaro (EMEF Frederico Ferri).
- 02/10: Patrimônio Ambiental - Loteamento Professor Schisler (EMEF Dyógenes Martins Pinto).
- 06/11: Patrimônio, ensino e responsabilidade social - Projeto e Exposição Rede de Memórias (MHR).
 

Lacuma: salvaguarda, pesquisa e produção de conhecimento histórico, cultural e arqueológico

Laboratório de Cultura Material e Arqueologia da UPF atua na preservação e catalogação de acervos, na construção de bancos de dados e no armazenamento de material, contribuindo com a educação patrimonial

Foto: Divulgação/equipe Lacuma/UPF
Escolas participam de atividades de educação patrimonial no Lacuma
Arqueólogos, historiadores, antropólogos e profissionais dedicados aos acervos de cultura material e patrimonial tem à sua disposição o Núcleo de Pré-História e Arqueologia (NuPHA), que se dedica ao ensino, à pesquisa e a trabalhos de extensão em cultura material. O Núcleo constitui um espaço de preservação e construção de conhecimentos histórico-culturais e tem formação em rede e intercâmbio, bem como tem caráter multidisciplinar e articula um fórum de intercâmbio científico. Institucionalmente, está vinculado ao Programa de Pós-Graduação em História e ao curso de História da Universidade de Passo Fundo (UPF). Operacionalmente, as atividades prático-teóricas do NuPHA são realizadas por meio do seu Laboratório de Cultura Material e Arqueologia (Lacuma).

Atualmente, as atividades do NuPHA e do Lacuma estão sob a coordenação dos professores Tau Golin e Jacqueline Ahlert, do Programa de Pós-Graduação em História. Além disso, conta com o apoio acadêmico (ministrando oficinas e palestras) e técnico dos arqueólogos Fabricio Vicroski e Cristine Mallmann; além do aluno bolsista, Djiovan Vinícius Carvalho.

Lacuma
Conforme o professor Tau Golin, o Lacuma mantém contratos com diversas empresas, em que o NuPHA garante apoio institucional, mantendo instalações físicas de laboratório e guarda do acervo arqueológico para projetos de pesquisas junto ao Centro Nacional de Arqueologia (CNA), ao Departamento de Normas e Licenciamento (Depam) e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “O Lacuma atua na preservação de acervos de cultura material, promove cursos de formação profissional sobre conservação, formação de acervos, limpeza de material iconográfico, lítico e cerâmico, elaboração da documentação gráfica e fotográfica, técnicas de descrição de artefatos arqueológicos, construção de bancos de dados e catalogação dos acervos, acondicionamento e armazenamento do material da cultura material e arqueológica, elaboração de laudos em temas de cultura material”, destaca.


A professora Jacqueline Ahlert comenta que inúmeras escolas têm visitado o Lacuma com o objetivo de compreender alguns dos processos vinculados à Arqueologia e a essa profissão.. “Eles buscam conhecer procedimentos de escavação, higienização, catalogação e salvaguarda do material coletado, mas, sobretudo, para, no âmbito de suas realidades e contextos regionais, conhecer aspectos da história da ocupação territorial, da cultura material remanescentes da presença dos diversos grupos humanos que habitaram a região no decorrer de milhares de anos”, comenta ela.

Segundo ela, as atividades de educação patrimonial constituem uma das principais tarefas do Lacuma e essas ações estão inseridas em um projeto amplo, em uma política para a Cultura, Memória e Patrimônio ligada aos objetivos institucionais da UPF, na sua relação com a comunidade. “Esses diálogos, realizados não somente com as escolas, mas também com alunos do ensino superior, visam construir um leitura de sentido vinculada à compreensão da historicidade do espaço em que os indivíduos inserem-se e apropriam-se, direcionando-se ao reconhecimento e à valorização da diversidade cultural, ambiental, étnica”, frisa.

Visitas
Para o segundo semestre de 2015, estão sendo elaboradas atividades que concentrarão as visitas ao Lacuma na “Semana do Patrimônio”, articuladas com palestras, exposições, reuniões de grupos de pesquisa interinstitucional, oficinas e bate-papos. O evento está previsto para acontecer de 17 a 21 de agosto.


Informações
O trabalho desenvolvido pelo NuPHA pode ser conferido no bloghttps://arqueologiaupf.wordpress.com.


1934: Hitler manda executar Ernst Röhm

No dia 30 de junho de 1934 foi preso Ernst Röhm, um ex-aliado de Hitler. Röhm queria transformar a SA num exército sob seu poder. Ele foi executado dois dias depois.
Ernst Röhm (ao centro)
O capitão Ernst Röhm, organizador da tropa de assalto SA (Sturmabteilung) do partido nazista, não imaginava qual seria seu destino após cair em desgraça com Hitler. O Führer havia decidido matá-lo.
Faltando apenas um dia para o fim das férias coletivas dos integrantes da SA, o próprio chanceler alemão deu início ao massacre de seus ex-aliados, num episódio de incrível brutalidade e traição que ficou conhecido como a Noite dos Longos Punhais.
Röhm, um típico representante da chamada "geração perdida" da Primeira Guerra Mundial, acreditava no ideário nazista quando aderiu ao partido em 1918. Logo no ano seguinte, passou a integrar o privilegiado grupo de amigos pessoais de Hitler.
Ferido três vezes na Primeira Guerra Mundial, lembrava com nostalgia da camaradagem dos soldados nas frentes de batalha. A isso, adicionava-se uma porção de energia criminosa, disfarçada sob a máscara de um nacionalista revolucionário.
Treinos na Bolívia
Ele demonstrava um desprezo profundo pelo que chamava de "farisaísmo e hipocrisia burguesa". Nos primórdios do movimento nazista, revelara-se um organizador talentoso, atraindo um grande número de adeptos para o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores da Alemanha (NSDAP).
Em 1924, elegeu-se para o Reichstag (Parlamento) pelo Partido Liberal Popular Alemão e foi encarregado de organizar o batalhão nazista Frontbann. A partir de 1928 passou dois anos treinando soldados na Bolívia e, em 1930, foi nomeado para o posto de comandante da SA.
Röhm transformou a SA – inicialmente uma espécie de força paramilitar privada de Hitler – numa milícia popular formada por combatentes de rua, capangas e arruaceiros. Do seu ponto de vista, foi "bem-sucedido": o número de integrantes da SA subiu de 70 mil para 170 mil em apenas 18 meses.
As fileiras da milícia eram engrossadas, principalmente, por desempregados, mas eram recrutados também ladrões e assassinos. Para Ernst Röhm, esse "exército plebeu" era o núcleo do movimento nazista, "a encarnação e garantia da revolução permanente", baseada no "socialismo de caserna" que ele experimentara durante a Primeira Guerra Mundial.
De fato, a SA desempenhou um papel decisivo na ascensão de Hitler entre 1930 e 1933, através da intimidação de adversários políticos.
Mas em 1933, quando já contava com milhões de integrantes, a organização passou por uma pequena decepção. Seus líderes, que aspiravam à supremacia dos quartéis sobre a classe política, irritavam-se com a crescente burocratização do movimento nazista.
O sonho de Ernst Röhm era ser o comandante supremo de uma enorme força armada, resultante da fusão da SA com o exército regular. Hitler seria então "apenas" o chefe político.
Como comandante da SA, ministro sem pasta e secretário estadual na Baviera, Röhm ocupava cargos de destaque no final de 1933, mas desperdiçou todos os seus trunfos.
Impecilho aos planos de Hitler
Ele se opunha ao plano de Hitler de realizar uma revolução sob o manto da legalidade e passou a falar publicamente de um iminente golpe de Estado. Sua demagogia populista era rejeitada pela classe média e preocupava os militares e industriais, que formavam a base do regime nazista. A reivindicação de Röhm de transformar a SA numa milícia autônoma alarmou os generais, indispensáveis para os planos de longo prazo de Hitler.
Como o chanceler demorasse a agir, o Exército lhe deu um ultimato, dizendo que, se uma medida enérgica não fosse tomada, um golpe de Estado militar tiraria os nazistas do poder. Foi aí que Hitler decidiu liquidar "Röhm e seus rebeldes".
Sem a menor suspeita da chacina que estava sendo tramada, Röhm foi preso na noite de 30 de junho de 1934, no Hotel Hanselbauer, em Bad Wiessee, junto ao lago Tegernsee (Baviera), onde festejava com outros líderes da SA.
Levado para a prisão de Stadelheim, negou-se a cometer suicídio e foi fuzilado dois dias depois. Na chamada Noite dos Longos Punhais, os nazistas executaram sumariamente 85 pessoas, muitas delas sem qualquer ligação com Röhm.
Oficialmente, o governo alemão alegou que a SA estava preparando um golpe contra o Reich. Na prática porém, Hitler concretizava apenas mais uma de suas estratégias de poder: após o massacre, ele não tinha mais rivais e podia celebrar o domínio absoluto sobre o partido nazista.
  • Data 30.06.2015
  • Autoria Doris Bulau (gh)
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segunda-feira, 29 de junho de 2015

UPF inscreve para Vestibular Complementar


Interessados devem realizar inscrição de 30 de junho a 15 de julho, pelo site http://vestibular.upf.br

Iniciam nesta terça-feira, dia 30 de junho, as inscrições para o processo seletivo do Vestibular Complementar de inverno da Universidade de Passo Fundo (UPF). As vagas disponíveis são destinadas para ingresso, no segundo semestre de 2015, em cursos de graduação na modalidade presencial, para os candidatos que tenham concluído o ensino médio e prestado o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) nos anos de 2011 a 2014.

A inscrição é gratuita e deve ser feita via internet, pelo site http://vestibular.upf.br, até o dia 15 de julho. Os candidatos serão classificados, conforme a ordem decrescente, pela nota obtida no Enem nos anos de 2011 a 2014 e, em caso de empate, ocupará a vaga o candidato com melhor desempenho na prova de redação do Enem.

Os cursos com vagas disponíveis são:
Administração (B)- noturno
Agronomia (B) - integral
Arquitetura e Urbanismo (B) – integral
Ciência da Computação (B)- noturno
Ciências Biológicas (L) - noturno
Ciências Contábeis (B) - noturno
Design Gráfico (CST) - noturno
Direito (B) - matutino
Enfermagem (B) - integral
Engenharia Ambiental (B) - noturno
Engenharia Civil (B) - integral (a)
Engenharia de Produção (B) - noturno
Engenharia Elétrica (B) - noturno
Engenharia Mecânica (B) - matutino
Estética e Cosmética (CST) - matutino
História (L) - noturno
Jornalismo (B) - noturno
Letras, Português - Espanhol e Respectivas Literaturas (L) - noturno
Letras, Português - Inglês e Respectivas Literaturas (L) - noturno
Pedagogia (L) - noturno
Psicologia (B)- noturno
Publicidade e Propaganda (B) - noturno


Bolsas e programas de crédito
Facilitando o acesso ao ensino superior para quem realiza o Vestibular Complementar, a UPF possibilita uma série de benefícios financeiros, como o Prouni – dirigido aos estudantes com renda per capita familiar máxima de três salários mínimos (para bolsas de 50%) ou de um salário mínimo e meio (para bolsas de 100%), egressos do ensino médio da rede pública ou da rede particular que estudaram na condição de bolsistas integrais; a Bolsa Auxílio 25% – que prevê gratuidade de 25% para os cursos de Enfermagem (B) e de Ciência da Computação (B); a Bolsa FUPF – que prevê gratuidade de 50% para os cursos de Ciências Biológicas (L); História (L); Letras, Português - Espanhol e Respectivas Literaturas (L); Letras, Português - Inglês e Respectivas Literaturas (L); e Pedagogia (L), todos do Campus Passo Fundo.


Dentre os programas de crédito, a UPF disponibiliza o Promucred, que é oferecido por prefeituras municipais conveniadas com a Instituição; e o Plano de Apoio Estudantil UPF (PAE/UPF), um financiamento regido por edital próprio, disponível no site da Instituição, pelo qual é concedido 50% de benefício estudantil, quando a renda familiar bruta for igual ou inferior a 15 salários mínimos e a renda per capita do grupo familiar for de até 3,5 salários mínimos. Ainda, é conveniada com o Fies, que financia até 100% das mensalidades dos alunos regularmente matriculados nos cursos habilitados pelo Ministério da Educação, segundo seus critérios, e as inscrições são realizadas no site http://www.sisfiesportal.mec.gov.br/

Candidatos selecionados
A lista dos candidatos selecionados será divulgada no dia 17 de julho, a partir das 14h, no site da UPF, em www.upf.br. A matrícula será realizada no dia 20 de julho, na Central de Atendimento do Aluno, Campus I.


Informações
As normas e orientações gerais do processo seletivo complementar estão disponíveis no site de inscrição, em vestibular.upf.br. Outras informações podem ser solicitadas pelo e-mail informacoes@upf.br ou pelo telefone 0800 701 8220.
 


domingo, 28 de junho de 2015

Conflitos contemporâneos entre agricultores e indígenas foi tema de formação continuada de acadêmicos e professores de História

Como atividade vinculada ao projeto de extensão do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, intitulado Inovações Metodológicas na Educação Básica, o grupo de estudos de História, juntamente com os pibidianos do curso de História participaram de formação dedicada à temática "Conflitos contemporâneos entre agricultores e indígenas no Norte do Rio Grande do Sul em perspectiva histórica", contando com a participação do prof. João Carlos Tedesco (PPGH/UPF) e o auxílio de seu bolsista de iniciação científica, Pedro Alcides Trindade de Melo.
A proposta visou instrumentalizar estudantes e professores do ensino básico na compreensão político-social do processo que tem gerado polêmicas no norte do Rio Grande do Sul. Estudioso do tema, o prof. João Carlos abordou a temática de uma perspectiva histórica e crítica.





1919 - Aliados e Alemanha firmam as condições para o fim da Primeira Guerra Mundial


O primeiro e o mais importante dos acordos foi o de Versalhes, assinado com a Alemanha na França
No dia 28 de junho de 1919, um tratado entre os Aliados e a Alemanha soluciona o conflito que começara em Sarajevo cinco anos antes e terminara com o armistício de Rethondes. Oito milhões de mortos haviam testemunhado o horror desta guerra sem precedentes num continente que prometera prosperidade e harmonia para o século XX.
Tratados de paz com cada um dos países vencidos encerravam a Primeira Grande Guerra. O mapa da Europa acaba completamente transformado com o desaparecimento de quatro impérios: o alemão, o austro-húngaro, o russo e o otomano.
O primeiro e o mais importante dos tratados foi assinado com a Alemanha na Galeria dos Espelhos no Palácio de Versalhes, no mesmo lugar onde foi fundado o império alemão, em 18 de janeiro de 1871.
Embora presentes altos representantes dos 27 países aliados, o Tratado de Versalhes foi redigido minuciosamente por um estreito círculo formado por somente quatro negociadores: os primeiros-ministros da Grã Bretanha, David Lloyd George; da França, Georges Clemenceau; da Itália, Vittorio Orlando, e o presidente norte-americano, Thomas Woodrow Wilson.
Mesmo diante do apoio tardio de suas tropas, o presidente Wilson se apresentou como o líder do mundo civilizado. Ao contrário dos países europeus, os EUA, com efeito, só viram crescer seu poderio econômico com a guerra, dado que, dentro desse período, a venda de armamentos aos aliados franco-britânicos cresceu astronomicamente.
Lloyd George punha seus olhos sobre as colônias alemãs e o mercado interno dos vencidos. Clemenceau visava no mínimo à recuperação da Alsácia-Lorena, anexada pela Alemanha em 1871. Queria, de resto, humilhar de todas as formas possíveis a Alemanha e destruir a Áustria-Hungria, culpada, a seu ver, de ser moderada, católica e monarquista. Vittorio Orlando, eloquente e loquaz, só desejava anexações em torno do mar Adriático em detrimento da Austria-Hungria.
Os diplomatas alemães foram mantidos à parte dos debates e da elaboração do tratado. Segundo os termos do documento, sua nação perderia um oitavo de seu território e um décimo de sua população passaria a residir em território estrangeiro. Diante disso, a Alemanha seria submetida a limitações humilhantes de soberania.
Perderia a Alsácia e a Lorena, que seriam restituídas à França, sem qualquer referendo. Diferentemente do resto da República Francesa, esses departamentos permaneceriam vinculados à Concordata de 1801, que regia as relações entre o Estado e a Igreja.
A Alemanha perdia também as cidades de Eupen e Malmédy para a Bélgica e, mais além, uma grande parte de suas províncias a leste para uma Polônia que se ressuscitava.
A Alemanha era despojada de suas colônias africanas em proveito da França, da Bélgica, do Reino Unido e da União Sul-africana. Cedia também a província chinesa de Chan-tong ao Japão, o que provocou protestos veementes de Pequim. Na fronteira oriental da nova Alemanha, o tratado dá origem a uma Polônia heterogênea, com uma forte minoria falante de alemão, ligada ao mar pelo chamado Corredor de Dantzig.
Os reinos e os principados que compunham o Império alemão e que poderiam servir de contrapeso ao autoritarismo prussiano são dissolvidos. No lugar de uma Alemanha imperial se instala um Estado democrático e republicano. Mas a República de Weimar, nome da cidade onde se reuniu a nova assembleia constituinte, teria muitas dificuldades em resistir às pressões populares.
O exército alemão seria reduzido a 100 mil soldados de ofício e a marinha de guerra a 16 mil homens. Às forças armadas seria proibido a posse de artilharia pesada, de encouraçados e de aviões de caça. Não poderiam apelar ao recrutamento.
Os Aliados previam ocupar militarmente durante 15 anos a margem esquerda do rio Reno assim como três cabeças de ponte sobre o Reno – Maiença, Colônia e Coblença. Estava previsto igualmente uma zona desmilitarizada de 50 quilômetros de largura sobre a margem direita do Reno. Nada disso ocorreu.
O governo alemão teve de reconhecer sua responsabilidade no desencadeamento da guerra, interpretação historicamente duvidosa. Exigiu-se que o ex-imperador Guilherme II, então no exílio, fosse entregue para ser julgado como criminoso de guerra, bem como outros altos oficiais.
Por fim, a Alemanha foi obrigada a arcar com pesadas reparações materiais e financeiras. O montante final seria fixado após a assinatura do tratado em 269 bilhões de marcos-ouro. O economista britânico John Keynes, que recomendava não ir além de 80 bilhões para não comprometer a reconstrução da economia alemã e o comércio internacional, se demite de sua função de conselheiro em Versalhes.
“A Alemanha pagará!” responderia mais tarde Clemenceau interpelado sobre as dificuldades de reconstrução da França. Concretamente, a incapacidade – ou a má vontade – da Alemanha de pagar as reparações estaria na origem das graves crises financeiras e políticas do conjunto da Europa. O Tratado de Versalhes seria apenas aplicado em parte, porém suscitaria um ressentimento muito agudo entre os alemães e pavimentaria o caminho para a ascensão do nazismo.
Fonte: Opera Mundi

1846: Concedida a patente do saxofone

No dia 28 de junho de 1846, o belga Adolphe Sax recebeu a patente do saxofone. Na época, o mestre na construção de instrumentos musicais justificou a invenção com a falta de bons instrumentos de sopro de madeira de timbre agudo. O sucesso do "sax", entretanto, viria com o jazz.
Antiga cédula da Bélgica em homenagem ao inventor do saxofone
O sucesso chegou durante a Primeira Guerra Mundial: nos bares de jazz de Chicago, o saxofone começou a superar a clarineta; esteve presente na fase final do jazz de Nova Orleans e na grande era das big bands.
Não se poderia imaginar a música de Glenn Miller, de Benny Goodman ou de Duke Ellington sem o saxofone. E, posteriormente, ele se tornou também o instrumento de improvisação de grandes solistas do jazz, como John Coltrane, entre outros.
O jazz foi assim o grande responsável pelo triunfo do saxofone no século 20. A invenção do instrumento se deu, no entanto, várias décadas antes de ele obter tal êxito.
Curiosidade aguçada
O belga Adolphe Sax aprendeu ainda jovem o ofício de construtor de instrumentos musicais na oficina do seu pai. Posteriormente, estudou música no Conservatório de Bruxelas. Mas logo reconheceu que a sua paixão não era tocar música e, sim, gerar sons. Sax gostava de experimentar e de inventar, utilizando cornetas, tubas, fagotes e clarinetas. Fazia experimentos com quase tudo o que gerava som através de uma coluna de sopro.
Após obter seus primeiros êxitos na terra natal, Adolphe Sax deixou a Bélgica e foi para Paris, com pouco dinheiro, mas grandes ambições. Os compositores e músicos parisienses da época já tinham ouvido falar do talentoso belga e o receberam de braços abertos.
Nessa época, já existia um protótipo de seu novo instrumento, o saxofone, que ele levara consigo para Paris. Pois, em 1842, o compositor Hector Berlioz – na época já um grande amigo de Sax – descrevera a invenção na sua coluna de jornal: "Seu som não se compara ao de nenhum outro instrumento agudo comum. Ele é encorpado, suave, vibrante, de uma força enorme e apropriado para o uso com surdina. Na região superior, gera notas de tal pungência que se torna ideal para expressões melódicas".
Muito reconhecimento e pouca música
Apesar de o elogio entusiástico ter tornado Sax conhecido no cenário musical parisiense, o saxofone não conseguiu se impor inteiramente nas músicas de ópera e de orquestra da época. Compositores conhecidos, como Berlioz, Donizetti e Rossini, logo se tornaram admiradores e amigos do inventor, mas pouco se compôs para saxofone.
No ano de 1845, Sax se apresentou diante da família real, buscando introduzir seus instrumentos nas orquestras militares francesas. Em consequência disso, foi promovido um concurso público, no Champ de Mars em Paris, entre uma banda militar de cunho tradicional e outra com instrumentos de Sax. A banda de Sax venceu claramente o concurso.
Partindo desse êxito, Adolphe Sax também começou a tratar de negócios. Já em 1843, ele havia criado uma sociedade anônima e, em 28 de junho de 1846, recebeu também o certificado francês de patente para toda a família de instrumentos denominados "saxofone".
Sem sucesso nas finanças
Na declaração que acompanhava o seu requerimento de patente nº 3226, ele justificou a invenção com a falta de bons instrumentos de sopro de madeira de timbre agudo. Os instrumentos existentes não tinham volume suficiente para a música ao ar livre e para as bandas militares.
A patente tinha uma duração de 15 anos, como era padrão na França, na época. Com isto, Sax obteve um prazo durante o qual somente ele poderia construir saxofones. Sua fábrica entrou em concordata três vezes, e ele teve de investir muita força e dinheiro em processos judiciais contra outros fabricantes, que contestavam o seu direito à patente.
Após uma única prorrogação possível da patente por cinco anos, a construção de saxofones tornou-se direito geral em 1866, sendo então aproveitada por outros fabricantes. Já na década de 1860, surgiram os primeiros saxofones italianos e, em 1888, a firma Conn iniciou a sua produção nos Estados Unidos. A construção de saxofones alemães teve início no ano 1901, através da firma Oskar Adler.
Adolphe Sax, o inventor do saxofone, morreu em 1894, pobre como muitos dos seus colegas inventores. Ele não pôde mais presenciar o triunfo do seu instrumento, que se consumou somente com a propagação do jazz.
  • Autoria Dirk Stroschein (am)
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quarta-feira, 24 de junho de 2015

1821: Simón Bolívar derrota espanhóis na Venezuela

Em 24 de junho de 1821, Simón Bolívar comandou o exército de rebeldes sul-americanos que derrotou os espanhóis em Carabobo, perto de Caracas, na principal batalha pela independência do país.
A luta pela independência das colônias e vice-reinos espanhóis na América do Sul já durava 12 anos quando o rei da Espanha, Fernando 7º, decidiu enviar reforço europeu para as suas tropas, no início de 1821. O inimigo a ser derrotado chamava-se Simón Bolívar, comandante que superava os espanhóis em determinação e, se necessário, em brutalidade.
Oriundo de família aristocrata criolla, José Antonio de la Santíssima Trindad Simón Bolívar y Palácios (1783-1830) ficou conhecido como El Libertador das colônias espanholas da América do Sul. Educado por um discípulo de Jean-Jacques Rousseau, passou a juventude na Espanha e França, onde acompanhou movimentos revolucionários.
"Guerra até a morte"
Ele retornou à Venezuela em 1807 e iniciou atividades anticoloniais clandestinas. Em 1813, entrou com suas forças em Caracas, onde foi recebido como libertador, mas em seguida enfrentou oposição, sendo levado a refugiar-se na Jamaica. Lá escreveu a célebre Carta da Jamaica, em que expôs as razões da emancipação americana.
De volta ao continente, obteve brilhantes vitórias militares e tornou-se capitão-geral dos revolucionários no norte da América do Sul. Na manhã de 24 de junho de 1821, comandou 5 mil patriotas e um pequeno batalhão de soldados britânicos que enfrentaram cerca de 7 mil espanhóis na planície de Carabobo, cerca de 100 quilômetros a sudoeste de Caracas, na principal batalha pela independência da Venezuela.
Segundo Salvador de Madariaga, historiador espanhol, o exército da Espanha controlava Carabobo e o vale por onde os separatistas queriam chegar à planície. Bolívar foi informado, porém, da existência de uma trilha pouco usada, por onde enviou, sua cavalaria. Comandada pelo major José Antonio Páez, esta surpreendeu os espanhóis pelas costas, exatamente no momento em que Bolívar os atacava pela frente. Os espanhóis entraram em pânico e fugiram para não se tornar prisioneiros de guerra.
Consagração do mito
Cinco dias depois, El Libertador entrou pela segunda vez vitorioso em Caracas. A batalha de Carabobo consolidou o mito de Simón Bolívar, mas ainda seriam necessários mais cinco anos de lutas até a vitória decisiva sobre os espanhóis.
A revolta contra a metrópole fora desencadeada pela Revolução Francesa e foi favorecida pela ocupação da Espanha por Napoleão Bonaparte. "Nesse outono do reinado espanhol, governadores e vice-reis começaram a cair como folhas secas", escreveu Madariaga.
À frente de seu exército, Bolívar atravessou a Cordilheira dos Andes, tomou Bogotá e proclamou a República da Colômbia (união da Venezuela e Nova Granada), da qual foi eleito presidente. Ele comandou também as guerras de independência do Equador, Peru e Bolívia. Em 1826, era o chefe supremo do Peru e acumulava a presidência da Colômbia e da Bolívia.
Embora admirasse pessoalmente os feitos militares de Bolívar, o monarquista Madariaga não perdoou que o "Libertador tenha derrubado o império espanhol".
A máxima de Bolívar — "guerra até a morte" — foi uma realidade constante em sua vida. Em 1830, diante dos conflitos separatistas internos, abandonou o poder e se retirou para Santa Marta, na Colômbia, onde morreu de tuberculose antes de completar 48 anos. Santa Marta havia sido exatamente a cidade que por mais tempo permanecera fiel à coroa espanhola.
Sonho de um bloco hispânico unido
"A América é nossa pátria. Nossos inimigos são os espanhóis. Nossa bandeira é a independência; nosso objetivo, a liberdade." Assim Bolívar sintetizava seu pensamento libertário. Seu grande sonho era criar uma nação latino-americana que integrasse os hispano-americanos com os luso-americanos, como um bloco equivalente à América Saxônica. Mas morreu sem ver realizado esse sonho: a América Hispânica dividiu-se num grande número de pequenas de nações.
Em seus últimos dias de vida, Bolívar só colheu decepções, como descreve Eduardo Galeano, no livroAs caras e as máscaras. "Nas ruas de Lima estão queimando sua Constituição os mesmos que lhe tinham dado de presente uma espada cheia de diamantes. Aqueles que o chamavam ‘Pai da Pátria’ estão queimando sua efígie nas ruas de Bogotá. Em Caracas, o declaram, oficialmente, ‘inimigo da Venezuela’. Lá em Paris publicam artigos que o infamam; e os amigos que sabem elogiá-lo não sabem defendê-lo... Bolívar, pele amarela, olhos sem luz, tiritando, delirando, baixa pelo Rio Magdalena rumo ao mar, rumo à morte."
Norbert Ahrens (gh)

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Lista de aprovados = Especialização em Cultura Material e Arqueologia


Candidatos aprovados na Especialização em Cultura Material e Arqueologia 1ª Edição



CARTA DE PRINCÍPIOS ÉTICOS - ANPUH-BRASIL

Prezados(as) associados(as) e colaboradores,

Em outubro de 2014 realizamos, com muito sucesso, a Jornada História e Ética, no Rio de Janeiro. No fim dos trabalhos do evento solicitamos aos debatedores convidados (Angela de Castro Gomes, Estevão Chaves de Rezende, Verena Alberti, Sérgio da Mata, Carla Rodeghero e Márcia Barros Silva) que fizessem uma proposta de carta de princípios éticos para a ANPUH.


A ideia é oferecer aos historiadores e estudantes de história um conjunto de sugestões para que orientem eticamente o seu trabalho e atuação pública. O documento foi encampado pela Diretoria da ANPUH-BR e segue agora para divulgação.

Gostaríamos que ele circule da maneira mais ampla possível e que seja discutido por todos(as) interessados(as). O documento vai ser um dos pontos de pauta da Assembleia da ANPUH, no dia 30 de julho próximo e, se aprovado pela maioria, será oficializado pela entidade.

Para agilizar os trabalhos da Assembleia pedimos que eventuais sugestões para a Carta de Princípios Éticos sejam preparadas de antemão.

Saudações, a Diretoria da ANPUH-BR
Leia o documento aqui:
Cordialmente,
Diretoria da ANPUH-RS (Gestão 2014-2016).

1941: Alemanha nazista invade a URSS

Planejada desde 1933, a invasão da União Soviética pelas tropas nazistas foi lançada em 22 de junho de 1941, dando início a um dos episódios mais brutais da era moderna.
Ataque alemão a um transporte soviético de armas próximo a Smolensk em 1941
Já desde 1933, a liderança nazista se preparava para a guerra contra a então União Soviética, mas a investida, denominada Operação Barbarossa, ocorreria oito anos mais tarde. Em 22 de junho de 1941, um exército de 3 milhões de soldados marchava rumo ao leste da Europa, dando início a uma das guerras mais brutais já vistas na era moderna, uma campanha militar justificada por uma propaganda enganosa.
Não foi um ataque preventivo do exército alemão, mas um ataque que ia contra o direito internacional e contra nações e pessoas completamente despreparadas. Foi o início de uma guerra de extermínio, com genocídio e uma ocupação brutal.
O pacto de não agressão entre alemães e soviéticos, fechado quase dois anos antes, ainda valia. Mesmo assim, neste 22 de junho de 1941 foram postos em marcha três milhões de soldados alemães com tudo o que a indústria de armamento nazista possuía: tanques, aviões, armas.
Na madrugada, começava para a então União Soviética uma luta pela sobrevivência. A lenda de que Hitler teria se antecipado a uma invasão do Exército Vermelho planejada por Stalin perdurou por muitos anos. Mas não há provas históricas disso, segundo o historiador Wolfram Wette.
Império do Atlântico aos Urais
"O objetivo era conquistar a União Soviética e dizimar a população para explorar o país e, num futuro distante, colonizá-lo com alemães, criando um grande império alemão do Atlântico até os Urais", afirma o especialista.
O genocídio dos judeus do Leste Europeu e a morte em massa de civis e prisioneiros de guerra foram planejados friamente. Da elite militar, não houve resistência. Apesar da onda de propaganda, a população alemã reagiu com consternação, temendo que ocorresse uma escalada desastrosa.
Mas ninguém ainda imaginava que milhões de mortes ocorreriam do lado alemão. Juntamente com o exército alemão marcharam, também, forças dos países aliados Itália, Finlândia e Romênia.
Prisioneiros de guerra russos
Início do fim
Os países bálticos Belarus e Ucrânia foram simplesmente atropelados. Hitler e seus generais contavam com uma marcha rápida até a capital soviética, previam uma "blitzkrieg" de algumas semanas. Mas se enganaram.
Poucos meses após a investida, o inverno pararia as unidades alemãs antes de chegarem a Moscou. Na perspectiva atual, aquele era o prelúdio da derrota de 1945. Três milhões de soldados alemães não retornariam à terra natal.
"Mas a própria Rússia perdeu dez vezes mais pessoas. Delas, cerca de 10 milhões eram soldados do Exército Vermelho. Mais de 3 milhões eram prisioneiros de guerra russos nos campos alemães. Também 3 milhões de judeus russos foram sistematicamente assassinados pelos alemães. Cerca de 6 milhões de civis soviéticos caíram, de alguma forma, vítimas da política alemã de extermínio", ressalta Wette.
Durante décadas, a responsabilidade alemã pela guerra de extermínio no leste não era tido como um tema abordado em debate público. Os alemães se recordavam, sobretudo, do próprio sofrimento.
Além disso, persistiu por muito tempo a lenda de que o exército alemão praticou uma "guerra limpa", e que a responsabilidade pelos crimes de então fora das organizações nazistas, como as SS. Jamais a população alemã manifestou piedade pelos imensos sofrimentos do lado soviético.
Somente pesquisas de historiadores críticos, e mais tarde exposições e debates despertaram um processo de mudança nessa mentalidade. "Apesar de tudo, as relações entre alemães e russos são hoje extremamente positivas", ressalta o historiador Wolfram Wette.
  • Autoria Cornelia Rabitz (md)
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1908 – Manifestação pelo direito ao voto leva 250 mil mulheres ao Hyde Park


Conhecido como "Women's Sunday", protesto foi a primeira reunião em massa das militantes inglesas
Em 21 de junho de 1908, as suffragettes manifestam-se violentamente no Hyde Park, em Londres. Apesar da enorme multidão de cerca de 250 mil pessoas, os manifestantes não conseguiram fazer avançar sua reivindicação: o voto das mulheres. A manifestação ficaria conhecida como "Women's Sunday" — "domingo das mulheres" —, primeira reunião política em massa das militantes do Women's Social and Political Union (WSPU) na Inglaterra.
As militantes, porém, só viriam a obter uma vitória em 28 de dezembro de 1918 com a outorga do direito de voto das mulheres de mais de 30 anos.
Desde os primórdios, o movimento feminista vinha propondo uma renovação dos métodos de ação política que reproduziam pautas patriarcais. Se bem que tenha havido vozes contemporâneas à Revolução Francesa, como as da inglesa Mary Wollstoncraft ou da francesa Olimpe de Gouges, o movimento se articulou ao longo do século 19 em torno do direito de voto da mulher.
Depois da Guerra Civil norte-americanas fundiram-se o que restou do movimento antiescravista com o das mulheres para pedir o voto para negros e mulheres. Em 1868 e 1872 mulheres, como Susan Anthony, foram condenadas por tratar de votar. Susan foi, ademais, uma grande impulsora do internacionalismo nos movimentos de mulheres e conseguiu fundar em 1904 a Aliança Internacional Pelo Sufrágio das Mulheres (IWSA).
No entanto, a principal campanha de ação direta levada a cabo pelo movimento sufragista se realizou no Reino Unido, a partir de 1903 por Emmeline Pankhurst, pertencente à Liga Fabiana e ao Partido Trabalhista, fundadora da Liga em Favor do Direito do Voto da Mulher em 1892 e em 1898, da União Política e Social da Mulher (WSPU). As ativistas que acompanharam sua estratégia ficaram conhecidas como “suffragettes”, foram aos poucos radicalizando e não mantiveram a pauta de ‘não-resistência’. Tanto Emmeline como suas filhas foram presas em várias ocasiões.
Ficaram famosas as palavras de Emmeline dirigidas aos jurados que a julgavam em 1908: “Estamos aqui não para violar as leis e sim pelo esforço de criar novas leis.”
Em 21 de junho de 1908 conseguiram convocar uma manifestação com mais de 250 mil mulheres no Hyde Park, Londres, que acabou com as participantes lançando pedras contra a residência do primeiro-ministro.
A partir de 1909 começaram a usar a greve de fome como estratégia, uma vez que as suffragettes eram presas. A violência policial se manifestou nas ruas. Um célebre incidente às portas do Parlamento em 18 de novembro de 1910, conhecido como Sexta-Feira Negra, 300 mulheres foram maltratadas, vexadas e 100 delas presas quando tratavam de furar o bloqueio policial para se entrevistar com o primeiro ministro Asquith. Entretanto, a consequência da Sexta Feira Negra foi a aprovação das Conciliation Bills, leis que possibilitaram o sufrágio às mulheres ricas.
[A 'suffragette' Emmeline Pankhurst, morta em 1928, pouco tempo após a lei que estendeu a todas as mulheres maiores de idade o direito ao voto]
Em 1912, uma segunda lei eleitoral se estava discutindo quando as suffragettes  faziam uma campanha para a quebra de vidros, o que levou Emmeline à cadeia. Na prisão, iniciou sua primeira greve de fome, negando-se a ser alimentada, procedimento habitual em outras ocasiões.
A polícia a princípio tratou de todo modo forçar a alimentação das presas. Depois cuidaram de colocar as ativistas em liberdade quando estavam muito debilitadas, a fim de evitar danos do governo junto à opinião pública. Uma vez restabelecida a saúde eram novamente presas quando tentavam retomar a atividade política.
Nesse mesmo ano as suffragettes radicalizam e chegam a provocar pequenos incêndios com coquetéis molotov. Chegaram a por cartazes na carruagem do primeiro ministro com a inscrição “voto para a mulher”. Essas táticas foram afastando as suffragettes do apoio da opinião pública, levando até algumas figuras a abandonar o movimento.
Em 1918, justo no final da guerra, uma lei permitiu o voto a mulheres com mais de 30 anos. Um novo cisma surgiu no movimento sufragista ante as divergências de se criar organizações mistas. Emmeline optou por continuar em organizações só de mulheres e fundou o Women Party, ainda ativo nos nossos dias.
Após o fim da guerra, dedicou-se a apoiar o Império Britânico contra o bolchevismo, empreendendo novas viagens pelo mundo. Finalmente, em 1926 ingressou no Partido Conservador, por, segundo seu critério, ser o único partido que lhe permitiria trabalhar o “empoderamento” da mulher, já que o Partido Liberal havia sido alvo de seus ataques antes da guerra e havia deixado o Partido Trabalhista. Morreu em 1928, pouco depois que a lei estendeu a todas as mulheres maiores de idade o direito de voto.
Fonte: Opera Mundi

domingo, 21 de junho de 2015

Memórias do AHR discute a identificação de criminosos



Manual para identificar criminosos
Rafael Bonatto Buffon
Acadêmico do Curso de Jornalismo da UPF

Imagine-se no século XIX. Agora imagine que você e sua família estão deixando o campo onde viviam para tentar a sorte na cidade grande. No meio da multidão, passeiam em liberdade psicopatas, assassinos, pederastas e ladrões, todos acima de qualquer suspeita. À noite as coisas pioram. Nem todas as ruas são iluminadas, não tem policiais suficientes. Suas crianças se escondem na cama e não pregam os olhos. Sua esposa toma remédios para dormir e você se pergunta se não deveria montar guarda ao invés de ir descansar as costas depois de um cansativo dia de trabalho. 

Toda essa insegurança sobre quem seria o próximo criminoso ou como ele seria, motivou pesquisas que pudessem determinar características que os bandidos teriam em comum como forma de identifica-los e detê-los - antes mesmo de puxarem o gatilho. A insegurança fazia sentido, afinal, no século XIX as taxas de criminalidade e principalmente de reincidência aumentaram, relacionado ao processo de urbanização e crescimento demográfico.

Influenciados então por uma visão darwiniana e positivista de sociedade, e aplicando conceitos biológicos na organização social, certos criminologistas italianos do início do século XX, da escola de Criminologia Antropológica - cujo expoente mor foi o famoso psiquiatra de Turim, Cesare Lombroso - tentavam diagnosticar tendências criminosas a partir de características morfológicas, ou seja: a forma física de determinado ser humano poderia resultar em determinado perfil de assassino. O formato do crânio, cérebro, e rosto (como um queixo prógnato) podiam ser determinantes para reconhecer um criminoso ou algum selvagem no meio dos civilizados, pronto para matar sem aviso, defendia Lombroso. 
“Os resultados para tal hipótese são inconclusivos”, como afirmou o médico, antropólogo e historiador Mendes Correa, em sua tese Os Criminosos Portugueses, livro de 1914 agora presente no Arquivo Histórico Regional, mas que antes estava nas prateleiras da biblioteca do Curso de Direito da Universidade de Passo Fundo, 1º curso fundado pela Sociedade Pró-Universidade de Passo Fundo, em 1953. A publicação denunciava a preocupação com o tema, afinal, o Brasil passava pelo seu próprio processo de urbanização e, com ele, pelo seu próprio processo de aumento dos níveis de criminalidade e consequente procura por formas de coibi-lo.

Existiram, no entanto, duas outras escolas com visões diferentes, ambas fundadas por discípulos de Lombroso: a escola de Criminologia Psicológica e a escola de Criminologia Sociológica. Que, justamente, usavam a psicologia e a sociologia como mecanismos para identificar os criminosos. Assim, certo desvio psíquico desembocaria num criminoso e determinada organização social só geraria larápios.

Mesmo com bases teóricas diferentes, o que todas essas “escolas” na verdade acabavam fazendo era marginalizar e culpabilizar determinadas minorias étnicas, sociais ou portadores de deformidades congênitas enquanto procuravam reduzir a criminalidade. Outro efeito colateral era normalizar determinadas condutas, sociedades ou características étnicas consideradas como certas, preferíveis ou até mesmo mais civilizadas que outras quando não passavam simplesmente de opiniões embasadas em preconceitos sociais já estabelecidos, não contribuindo para acabar com os crimes e menos ainda com o preconceito.

1492 – Apelidado de "maçã do mundo", primeiro globo terrestre é construído


Criado pelo cartógrafo e navegador Martin Behaim, exemplar original — o mais antigo do mundo — encontra-se em exibição até hoje em Nuremberg
Em Nuremberg, em 20 de junho de 1492, ou seja, algumas semanas antes da descoberta do "Novo Mundo", o cartógrafo e navegador Martin Behaim conclui a construção do primeiro globo terrestre. Em colaboração com o pintor Georg Glockenthon, Behaim o construiu entre 1491 e 1493 quando da sua permanência em Nuremberg, denominando-o de “Erdapfel”, ou seja, “maçã do mundo”. O original está hoje em exibição no Germanisches Nationalmuseum de Nuremberg e é uma das obras de arte mais descritas da Europa.
O Globo de Behaim, também conhecido como Globo de Nuremberg, seguiu a ideia de um globo construído por volta de 1475 para o papa Sisto IV, porém melhorando a representação e incluindo meridianos e a linha do Equador. Este globo, de cerca de 50 centímetros de diâmetro, encontra-se conservado em sua cidade natal.
A rotundidade da Terra, posta em evidência dois mil anos antes, não era mais dúvida para ninguém. Entretanto, houve necessidade de mais meio século para compreender, a partir de Copérnico, que a Terra é que gira em torno do Sol e é só um planeta em meio a outros.
É certo que os sumerianos, devotados à astronomia e que viviam na Mesopotâmia 3 mil anos antes de Cristo, representavam a Terra como um disco chato pousado sobre um oceano sem limites.
Foi somente no século 5 a.C., ao tempo de Péricles, que filósofos gregos como Pitágoras e Parmênides começaram a representar a Terra sob a forma de uma esfera, cuja representação lhes parecia coerente com a curvatura do horizonte.
Por volta de 230 a.C., o astrônomo e matemático Erastótenes confirma brilhantemente a rotundidade da Terra e, ademais, mede sua circunferência com incrível precisão. Num primeiro momento, atenta no solstício de verão o momento em que o Sol está em seu zênite e se refletia nas águas de um poço muito fundo na cidade de Syene, hoje Assuã, Egito, que ficava exatamente no limite da zona tropical e no mesmo meridiano de Alexandria. Num segundo tempo, no mesmo dia do ano e no mesmo momento mede em Alexandria, a mil quilômetros ao norte, a sombra projetada por uma vara na vertical.
Conhecendo a distância entre as duas cidades e desprezando a diferença de inclinação dos raios solares, deduz que nosso planeta tem uma circunferência de 250 mil estádios, ou seja, praticamente 40 mil quilômetros, medida muito próxima da atualmente admitida.
A geografia de Claudio Ptolomeu, um grego de Alexandria, retoma as conclusões dos sábios que lhe antecederam. Graças a essa obra bem conhecida dos eruditos da Idade Média, a rotundidade da Terra iria ser ensinada nas universidades ocidentais a partir do século 13 e somente religiosos sectários ou ignorantes a negariam ou ignorariam.
Em 1410, o teólogo francês Pierre d'Ailly publica uma obra de cosmografia de grande difusão: Imago Mundi. Continuamente reeditada e enriquecida durante todo o século 15, sintetiza a visão medieval do mundo.
Segundo a Imago Mundi, as terras emergentes, todas reagrupadas na metade norte do globo terrestre, estão cercadas por um imenso rio, o “Mar Oceano”, salpicado de ilhas cada qual com uma singularidade, com habitantes como pigmeus, ciclopes, cinocéfalos — homens com cabeça de cão — antropófagos, etc. O equador marca o limite que é impossível ao homem ultrapassar.
À época de Cristóvão Colombo, os eruditos, navegantes e geógrafos conheciam tão bem o Imago Mundi quanto a geografia de Ptolomeu. Indagavam-se somente sobre a extensão do “Mar Oceano” que supostamente separava a Europa da Ásia.
Ora, Ptolomeu, em sua célebre Geografia, estabeleceu para a circunferência da Terra um valor claramente inferior ao de Eratóstenes, da ordem de 180 mil estádios ou 33 mil quilômetros.
Com base nisso, o astrônomo florentino Paolo Toscanelli produziu em 1468, para atender o rei de Portugal, uma carta que mostrava a Europa separada do Extremo Oriente por um oceano de somente 10 mil quilômetros de extensão, tendo em seu meio uma ilha mítica denominada Antilha.
Esse mapa induziria Colombo a erro, subestimando drasticamente a distância que separava, a oeste, a Europa do Extremo Oriente. De todo modo, o navegador genovês ousaria empreender a viagem que o levaria a descobrir um Novo Mundo.
Fonte: Opera Mundi