quinta-feira, 30 de abril de 2015

1975: Queda de Saigon

No dia 30 de abril de 1975, sob chuvas torrenciais, helicópteros dos EUA viajavam entre um porta-aviões e Saigon, em dramática operação de evacuação. O pânico reinava na embaixada dos EUA.
Estrangeiros sendo retirados de Saigon em 1975
Estrangeiros sendo retirados de Saigon em 1975
Enquanto tropas do Vietnã do Norte invadiam Saigon, o pânico reinava na embaixada dos EUA na cidade. Milhares de pessoas desesperadas forçavam a entrada no edifício, sob a mira das armas de marinheiros norte-americanos. Além dos cidadãos dos Estados Unidos, foram poucos os que tiveram acesso ao heliporto sobre o prédio da embaixada, última chance para fugir de Saigon naquele dia 30 de abril.
Segundo o jornalista Dietrich Mummendey, da TV alemã-ocidental, milhares de franceses e vários correspondentes permaneceram no país, e a Cruz Vermelha declarou vários edifícios como "zonas internacionais".
Nenhum outro acontecimento mobilizou tanto a opinião pública internacional, na década de 70, como a Guerra do Vietnã (1964-1975). O conflito representou a maior derrota militar da história dos EUA.
Pela primeira vez, as crueldades de uma guerra – fuzilamentos ao vivo e cadáveres de crianças nuas, mortas queimadas por bombas de napalm – foram exibidas no horário nobre da programação de TV.
Crônica de uma guerra anunciada
As hostilidades que antecederam o conflito começaram em 1956, quando o Vietnã do Norte decidiu não convocar eleições, em desacordo com o que havia sido decidido pelo Pacto de Genebra, após a derrota militar da França (potência colonial na região na primeira metade do século).
O Vietnã do Norte era dominado pela guerrilha comunista, cuja política pretendia anexar também o Vietnã do Sul. Os EUA passaram a fortificar suas posições no sul, a fim de garantir "a liberdade do país". A política norte-vietnamita tinha o apoio da União Soviética e da China. Já os EUA lutavam contra a expansão do sistema comunista em outros países.
Em 1964, o suposto bombardeio norte-vietnamita a barcos americanos, no golfo de Tonquin, serviu de pretexto ao presidente Lyndon Johnson para iniciar as ações militares contra o Vietnã do Norte.
Descontentamento nos EUA
Em 1969, no auge dos combates, 543 mil soldados dos EUA estavam nas frentes de batalha. Os norte-vietnamitas, vindos de uma guerra com a França, usaram melhor estratégias de guerrilha e aproveitaram a vantagem geográfica (selva fechada e calor de mais de 40ºC) para derrotar os americanos.
O descontentamento da opinião pública dos EUA com a Guerra no Vietnã forçou a abertura de negociações de paz, em 1971. Dois anos antes da tomada de Saigon, em 1973, os ministros do Exterior do Vietnã do Norte e dos EUA haviam assinado um cessar-fogo, em Paris.
O acordo não foi implementado, mas os Estados Unidos começaram a retirar suas tropas. Em 1975, completada a retirada norte-americana (que incluiu também o corte de ajuda financeira), o regime sul-vietnamita entrou em colapso.
Vitória dos pequenos
A ofensiva norte-vietnamita começara um mês antes da capitulação de Saigon. Os militares norte-americanos foram surpreendidos pelo rápido sucesso dos vietcongues e a fraca resistência do exército sul-vietnamita.
Uma nova intervenção dos EUA foi descartada pelo presidente Gerald Ford, por falta de apoio no congresso. Resultado: os norte-vietnamitas conquistaram o sul, a 30 de abril de 1975, no que ficou conhecido como a "queda de Saigon".
A evacuação de nove mil norte-americanos foi feita às pressas, na última hora. Mesmo assim, ainda foram resgatados cerca de 150 mil vietnamitas. A guerra deixou um saldo de 58 mil americanos mortos e 153 mil feridos; do lado vietnamita, um milhão de mortos e 900 mil crianças órfãs.
Milhões de hectares de terra, minados ou envenenados, se tornaram incultiváveis. Os EUA gastaram cerca de US$ 200 bilhões com o movimento bélico e lançaram um milhão de toneladas de bombas por ano. Em agosto de 1995, vinte anos após o fim da guerra, os EUA reataram relações comerciais com o Vietnã, ainda hoje um dos países mais pobres do mundo.
  • Autoria Michael Marek (gh)
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1864 – É aberto o primeiro colégio afro-americano dos EUA, na Pensilvânia


Ashmun Institute foi criado para dar formação teológica, clássica e científica para os filhos das famílias negras dos Estados Unidos
Por meio de um decreto da legislatura do estado da Pensilvânia, datado de 29 de abril de 1864, é constituído o Ashmun Institute, o primeiro colégio criado especialmente para estudantes afro-americanos.
Wikicommons

Criado em 1854, na Pensilvânia, o Ashmun Institute proporcionava estudo de graça para jovens negros norte-americanos 

Estabelecido em meio às ondulantes campinas de Chester, condado do sul da Pensilvânia, o Ashmun Institute teve o seu nome designado em homenagem a Jehudi Ashmun, o agente dos Estados Unidos que ajudou a reorganizar e preservar a combativa colônia afro-americana na África que posteriormente evoluiu para a independente nação da Libéria.

O Ashmun Institute, instituído para fornecer formação teológica, clássica e científica para os filhos das famílias negras norte-americanas, abriu suas portas em 1º de janeiro de 1865. John Pym Carter foi indicado como o primeiro presidente do colégio. Em 1866, o nome da instituição foi mudada para Lincoln University em homenagem ao presidente Abraham Lincoln, que havia liderado a abolição da escravatura e que tinha sido recentemente assassinado.
Antes da Guerra de Secessão, educação formal de nível médio para estudantes afro-americanos era vitualmente inexistente. Os raros que haviam recebido educação escolar, como Fredrick Douglass, com frequência estudaram em estabelecimentos informais e por vezes hostis aos negros. Muitos deles, ansiosos por avançar em seus conhecimentos, tiveram que se contentar com um completo autodidatismo.

Existiam algumas escolas de ensino fundamental, como o Instituto para os Jovens de Cor, estabelecimento de ensino criado por um grupo de quakers da Filadélfia e cujas atividades se iniciaram no começo dos anos 1830. Uma educação colegial também estava disponível à época para um limitado número de estudantes negros em escolas como o Oberlin College em Ohio e o Berea College no Kentucky.
Fonte: Opera Mundi

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Diálogos com Clio - programação


Laboratório de Cultura Material e Arqueologia da UPF recebe alunos da Escola St. Patrick

Foto: Divulgação
Estudantes da Escola St. Patrick de Passo Fundo visitaram o Lacuma e o NuPHA na UPF
As turmas do sexto ao nono ano da Escola St. Patrick de Passo Fundo visitaram, nos dias 22 e 24 de abril, as dependências do Núcleo de Pré-História e Arqueologia (NuPHA) e do Laboratório de Cultura Material e Arqueologia (Lacuma), no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Passo Fundo (IFCH/UPF). O objetivo principal da atividade é promover o diálogo entre a arqueologia e a sociedade, nesse caso o público infantil, devido à grande curiosidade pelo assunto e pela possibilidade de sensibilização, por parte destes alunos, para identificar e reconhecer elementos da cultura material que fazem parte da memória coletiva, do patrimônio e da história.

Em um primeiro momento, a professora da UPF, Dra. Jacqueline Ahlert, uma das coordenadoras do Lacuma, explanou acerca dos mitos que envolvem a arqueologia, o trabalho do arqueólogo e os sítios arqueológicos. Na segunda parte das atividades, os alunos foram encaminhados para o Lacuma, acompanhados pelo estagiário Djiovan Carvalho, a fim de conhecerem o local e o trabalho desenvolvido pela equipe do NuPHA e do Lacuma, bem como a reserva técnica do laboratório.

Lacuma
O Laboratório de Cultura Material e Arqueologia (Lacuma) faz parte de uma rede acadêmica de ensino, pesquisa e extensão e é mantido pelo Núcleo de Pré-História e Arqueologia (NuPHA) do Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da UPF. Com uma formação multidisciplinar, congregando arqueólogos, historiadores, antropólogos e profissionais de áreas afins, tem por objetivo preservar, estudar, expor e promover a cultura material e arqueológica; realizar cursos de formação patrimonial para alunos da graduação e pós-graduação; endossar apoio institucional aos projetos de preservação do patrimônio; assessoria aos governos, empresas públicas e privadas; e projetos de Educação Patrimonial. Sendo um dos núcleos da linha de pesquisa Cultura e Patrimônio do PPGH, envolve alunos dos cursos de graduação, mestrado e doutorado em História.

O Lacuma mantém espaço físico específico no IFCH da UPF para armazenamento e pesquisa de acervos arqueológicos, desenvolvimento de atividades educativas através de cursos, palestras e demais ações de Educação Patrimonial. O NuPHA é coordenado pelos professores Dr. Luiz Carlos Tau Golin e Dra. Jacqueline Ahlert, do PPGH e curso de História da UPF.


Visitas podem ser agendadas pelos telefones (54) 3316-8434, (54) 3316-8339 ou pelo e-mail nupha@upf.br. Mais informações acesse o site do PPGH www.upf.br/ppgh.

Fonte: Imprensa UPF




Mestrandos e doutorandos do PPGH dividem experiências com acadêmicos de graduação

Série de oficinas permite que interessados em ingressar no curso de pós-graduação stricto sensu possam conhecer o funcionamento do programa e metodologias de pesquisa

Foto: Leonardo Andreoli
Primeira oficina teve como tema a História Regional: uma escolha metodológica para (re)construir a história global
O projeto Diálogos com Clio: trajetórias de pesquisa, do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (PPGH/UPF), realizou sua primeira oficina no final da tarde desta segunda-feira (27/04). O objetivo é  de promover a interação entre os acadêmicos de graduação e pós. Encontros mensais acontecem até o mês de novembro. As vagas para as oficinas são limitadas e os interessados podem se inscrever gratuitamente pelo e-mail pghis@upf.br. As atividades se iniciam sempre às 17h, e serão realizadas no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), no Campus I da UPF.

Conforme a professora Ana Luiza Setti Reckziegel a iniciativa busca proporcionar um momento de encontro por meio do qual, uma vez por mês, os graduandos terão a oportunidade de conversar com os doutorandos e mestrandos do PPGH. “Os alunos do PPGH falarão sobre suas trajetórias de pesquisa, como escolheram seus temas, das fontes que usaram para fazer a pesquisa, o estabelecimento da temática, enfim, toda a trajetória de desenvolvimento do trabalho”, salienta. Além dos acadêmicos de graduação da UPF, pessoas que tenham interesse em ingressar no PPGH também podem participar dos encontros para conhecer o funcionamento.

História Regional
O projeto visa ainda possibilitar a discussão sobre o conceito de história regional, que é a área de concentração do PPGH. “Às vezes o conceito é entendido a partir do senso comum de que a história regional seria uma história da região, quando não é isso. A história regional é uma metodologia que se usa para verificar temas que são comuns a história nacional e internacional com ênfase na região”, esclarece. Além de pessoas da área da história, o PPGH está aberto a egressos de outras áreas que tenham interesse em desenvolver suas pesquisas. A professora explica que as oficinas que serão ministradas demonstram isso, por congregar profissionais da área do direito, música, comunicação, entre outras.

A primeira oficina teve como tema a História Regional: uma escolha metodológica para (re)construir a história global. Ela foi ministrada pelos doutorandos do PPGH Túlio Paz e Felipe Abal. Além deste encontro, o PPGH oferecerá, em parceria com a Associação de Pós-graduandos em História, outras oficinas nas quais os mestrandos e doutorandos apresentarão as pesquisas que estão em desenvolvimento e os passos até se chegar ao trabalho final.


Confira o cronograma das próximas oficinas
26 de maio
Política e coronelismo no RS - Palestrante: doutorando Giovani Balbinot
24 de junho
Os arquivos judiciais como fonte de pesquisa: um trabalho interdisciplinar - Palestrante: doutorando Felipe Abal
03 de agosto
A Guerra do Paraguai e as injunções regionais - Palestrante: doutorando Fabiano Teixeira
01 de setembro
Rock e ditadura no Rio Grande do Sul - Palestrante: mestre Alexandre Sagioratto
30 de setembro
Relações EUA x China : uma região internacional - Palestrante: doutorando Emanuel Reichert
29 de outubro
História rural e ocupação territorial no norte do RS - Palestrante : mestre Felipe Berté
16 de novembro
Fotografia como fonte histórica - Palestrante: mestranda Fabiana Beltrami




Fonte: Imprensa UPF

Filhos de soldados aliados na Alemanha buscam identidade

Durante a divisão do país em quatro zonas, centenas de milhares de crianças ilegítimas foram geradas. Após uma vida de discriminação e rejeição, muitas procuram, 70 anos após o fim da guerra, seus verdadeiros pais.
Ute Baur-Timmerbrink, de 68 anos, nunca encontrou o verdadeiro pai. Ele era um oficial do Exército dos Estados Unidos, que teve um caso amoroso com a mãe dela, então casada, durante alguns meses após o fim da Segunda Guerra Mundial.
Sua mãe nunca lhe disse que ela era ilegítima, nem seu padrasto, um soldado alemão que retornou em 1948 de um campo de prisioneiros para encontrar em casa uma criança estranha de quase dois anos. Embora desde cedo suspeitasse de algo, Ute já passava dos 50 anos de idade quando soube da verdade.
"Meu padrasto não gostava que eu chegasse perto demais dele, coisa que eu, como criança, não conseguia entender. E meus pais discutiam muito. Com o tempo, ele acabou me aceitando e se tornou um pai dedicado. Mas eu sentia que, de algum jeito, eu estava fora de lugar, que as coisas eram diferentes de outras famílias."
Sua família se mudou da Alta Áustria para a Renânia do Norte-Vestfália, no oeste da Alemanha.
"Minha mãe devia ser ainda apegada ao antigo amor dela. Muitas vezes, divagava sobre a época maravilhosa que tivera na Áustria, quando trabalhava para os americanos. Durante as discussões, eu escutava frequentemente o meu pai dizer: 'O que é que você fez na Áustria?' Eu nunca entendi do que é que ele estava falando."
Quatro forças ocupadoras
Baur-Timmerbrink é uma entre centenas de milhares de besatzungskinder (crianças da ocupação), geradas pelos soldados das Forças Aliadas que ocuparam a Alemanha depois da guerra. As estimativas mais cautelosas falam de 200 mil crianças, além de dezenas de milhares na Áustria.
Autora Ute Baur-Timmerbrink
Após a derrota na Segunda Guerra Mundial, a Alemanha foi dividida em quatro zonas de ocupação, com os americanos no sul, os ingleses no norte, os franceses no sudoeste e os soviéticos no leste. Berlim foi dividida em quatro setores.
A interdição inicial de confraternização entre militares e civis foi contornada ou, em alguns casos, suspensa. Entre os ocupadores, os americanos eram especialmente populares por estarem abastecidos com os bens de consumo tão necessários naquele empobrecido país do pós-guerra.
Além disso, tendiam a ser liberais, representavam uma cultura que os alemães terminaram por admirar, e não tinham problemas em recrutar as mulheres locais como secretárias, intérpretes, faxineiras ou costureiras.
"Macacos", "russenkinder"
De certo modo, Ute teve sorte, havendo crescido num lar estável e sido registrada pelo padrasto como se fosse seu pai biológico. Desse modo, foi poupada do estigma que sofriam muitos outros, de serem ilegítimos, filhos do inimigo, até mesmo vistos como fruto de estupro ou prostituição.
"É um fato que os filhos dos soldados aliados foram considerados filhos do inimigo mesmo décadas depois da guerra", observa Baur-Timmerbrink. De acordo com a origem paterna, eram apelidados de "bastardo ianque", "macaco" ou "russenkind" (filho de russo).
Especialmente dura era a infância dos descendentes dos soldados afro-americanos ou das tropas coloniais francesas: a cor da pele os denunciava, e racismo agravava a discriminação a que já estavam sujeitos.
Pesado dia a dia feminino na Alemanha do pós-guerra
Carga psicológica herdada
Tais conflitos de identidade causam sofrimento até hoje para muitas das crianças de então. Um projeto de pesquisa de 2013 com 146 filhos adultos de aliados revelou serem atormentados por lembranças traumáticas e depressão em grau bem mais pronunciado do que seus coetâneos.
"Algumas feridas, o tempo não sara", afirma a psicóloga Heide Glaesmer, da Universidade de Leipzig, que codirigiu o projeto. Metade dos entrevistados revelou ter tido experiências traumáticas, enquanto a média na mesma faixa etária é de 20%, aproximadamente. A porcentagem dos que sofriam de depressão e outros distúrbios chegava a quase 14%, contra uma média de pouco menos de 5%.
O fato de serem estigmatizados acompanhava circunstâncias de vida geralmente difíceis. Muitos cresceram em relativa pobreza, em orfanatos, ou mudando frequentemente de tutores, sendo discriminados dentro das próprias famílias.
As besatzungskinder dos soviéticos pagavam adicionalmente pelo ressentimento da população alemã devido aos estupros em massa e saques perpetrados por membros do Exército da URSS. Além disso, a propaganda nazista, que apresentava os russos como sub-humanos, ainda estava impregnada em muitas mentes, explica a psicóloga.
Revelação dramática
Setenta anos após terminada a guerra, os antigos besatzungskinder são senhoras e senhores aposentados. Contudo, apesar da distância temporal, boa parte se sente pressionada pelo desejo de encontrar suas verdadeiras famílias.
"Muitos só começam a procurar depois que suas mães morrem ou estão muito idosas, por não quererem quebrar tabus ou causar conflitos familiares", conta Glaesmer.
Há ainda outras razões: "Seus próprios filhos cresceram, suas carreiras vão chegando ao fim, e eles dispõem de tempo e energia para ir ao encontro da própria biografia."
Foi isso o que fez Ute Baur-Timmerbrink. Seus genitores morreram em 1974 e 1981, levando o segredo para o túmulo, porém as dúvidas a continuavam afligindo. Então, em 1998, no seu 52º aniversário, numa emotiva conversa com uma amiga cuja mãe conhecera a sua, ela ficou sabendo que seu pai biológico era um soldado americano.
Soldados americanos eram os mais populares entre os ocupadores
Contato evasivo
Suas buscas começaram na embaixada dos EUA, passando pelo National Personnel Records Center em Saint Louis, Missouri, e por seu local de nascença. "O momento revelador foi quando procurei na cidade em que meu pai havia estado estacionado. Alguém me mostrou fotos de um homem que se parecia comigo e com um dos meus filhos."
Quando a organização britânica GI Trace comparou a evidência fotográfica, a semelhança se mostrou inegável. Três anos depois, Baur-Timmerbrink havia achado James G., seu verdadeiro pai. Casado quando conhecera sua mãe, ele fora primeiro tenente da administração militar e veterano da campanha Aliada para conquistar a Itália.
"Eu nunca o encontrei, mas lhe escrevi duas cartas. Da primeira vez, ele mandou uma resposta simpática. Ele tinha 86 anos." Na segunda, um ano depois, foi evasivo, negando ter conhecido sua mãe, e a aconselhou a não interferir em questões de família.
"Ele morreu pouco depois. Acho que simplesmente não queria ser confrontado com a questão nessa idade, e estava muito doente. Ele não teve outros filhos, então não havia irmãos para eu contatar."
Nós, filhos da ocupação
Desde então, Ute Baur-Timmerbrink dedica a vida a ajudar outras besatzungskinder a encontrar os pais, em trabalho honorário para a GI Trace na Alemanha. Até o momento, seus contatos já ajudaram a reunir cerca de 200 famílias.
Em março, ela lançou Wir Besatzungskinder – Töchter und Söhne alliierter Soldaten erzählen ("Nós, crianças da ocupação – Filhas e filhos de soldados aliados relatam", em tradução livre), onde narra suas experiências.
O livro vem atraindo grande atenção da mídia alemã, e provavelmente aumentará a carga de trabalho de Baur-Timmerbrink pela reunião de famílias transatlânticas. Embora seja uma função cansativa, ela não tem qualquer intenção de parar. "Não posso. Não há mais ninguém com os meus contatos e a minha experiência."
  • Autoria David Crossland (av)
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1945 - Líder fascista Benito Mussolini é executado em Milão

Benito Mussolini, ditador fascista, companheiro de Hitler e parceiro do nazismo em suas agressões, encontrou seu fim em 28 de abril de 1945. Ele e sua amante Clara Petacci foram capturados pela Partigiana, a Resistência Italiana, um movimento armado de oposição ao fascismo. A prisão aconteceu em 26 de abril, dois dias antes da execução, quando eles tentavam fugir de Como, norte da Itália, para a Suíça.

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Ditador italiano Benito Mussolini: rosto ficou desfigurado em meio a ódio do povo italiano


Os corpos de Mussolini e Clara foram transportados para Milão e jogados na Piazza Loreto. No dia seguinte foram pendurados pelos pés numa viga, sendo retirados horas depois e largados na sarjeta. Ali permaneceram durante o resto da tarde de domingo. Enfurecida, a população pisoteou a face do ex-ditador até que se tornou irreconhecível. Os dentes foram brutalmente arrancados por conta dos pontapés. 

O rosto do italiano ficou desfigurado, como se a população quisesse pisotear também seu último desejo: morrer preservando aquelas feições que, por duas décadas, foram uma referência para a Itália. Antes de ser fuzilado, as últimas palavras de Mussolini foram:" Atirem aqui. Não destruam meu perfil", pediu, apontando para o peito. 

Finalmente, em 1º de maio, Mussolini foi enterrado ao lado de sua amante, em vala comum, no Cimitero Maggiore,de Milão. Foi nesse clímax macabro de degradação que Il Duce e o fascismo passaram para a história.

Mistério

Ricardo Lombardi, novo prefeito da Província de Milão, alegava que o fuzilamento de Mussolini foi perfeitamente legal, visto que o Comitê Nacional de Libertação havia proclamado que todos os fascistas armados se encontravam na ilegalidade. 

As últimas horas de vida de Mussolini foram vasculhadas por um tribunal do júri de Pádua, em maio de 1957. O processo, porém, não esclareceu as circunstâncias da morte. Até hoje não se sabe, de fato, quem disparou os tiros mortais. 

Michele Moretti, último sobrevivente do grupo antifascista que executou o ex-ditador, morreu em 1995, aos 86 anos, em Como. Moretti, que na época da guerrilha usava o codinome Pietro, levou para o túmulo o segredo sobre quem realmente disparou contra Mussolini e sua amante.

Na avaliação de alguns historiadores, foi o próprio Moretti que matou os dois. Para outros, o autor dos disparos, feitos com a arma de Pietro, foi outro partigiano, chamado Walter Audisio. O que se pode assegurar, porém, é que a ação foi ordenada pela Resistência italiana.


Fonte: Opera Mundi

1945: Americanos libertam o campo de concentração de Dachau

No dia 29 de abril de 1945, soldados americanos libertaram os 70 mil prisioneiros que restavam no campo de concentração de Dachau.
Campo de concentração de Dachau
"Eu tinha vontade de pedir desculpas ao nosso cachorro por pertencer à raça humana. Quanto mais adentrávamos o campo de concentração e víamos os esqueletos revestidos de pele e as instalações características do campo de extermínio, tanto mais eu me sentia inferior ao cachorro, porque, como pessoa, eu pertencia à raça responsável por Dachau."
Desta maneira, o rabino militar norte-americano Eli Bohnen descreveu, em suas memórias, a libertação do campo de concentração de Dachau, no dia 29 de abril de 1945. Dachau foi o primeiro campo de concentração construído logo após a tomada do poder por Adolf Hitler, em 1933. Inicialmente, serviu de prisão para os adversários políticos do novo regime. Em Dachau, foi testado e desenvolvido o sistema de terror nazista. Foi o laboratório de experiências da SS, a tropa de elite nazista, chefiada por Heinrich Himmler.
Campo de extermínio
Durante a Segunda Guerra Mundial existiram 22 campos de concentração, fora os outros 165 "campos de trabalho". Em todos eles, os prisioneiros eram submetidos a brutalidades. Devido às torturas, jornadas de trabalhos forçados de 11 horas diárias, má alimentação e doenças, a taxa de mortalidade entre os prisioneiros era altíssima. Calcula-se que 7,2 milhões de pessoas foram confinadas nos campos de concentração, das quais 500 mil sobreviveram.
Com o início da Segunda Guerra Mundial, os campos de concentração foram ampliados para os territórios conquistados, principalmente a Polônia. Por ordem de Himmler, Auschwitz transformou-se no maior campo de concentração do regime da SS. Na esperança de obter mão de obra barata, o grupo industrial I.G. Farben construiu uma fábrica de borracha sintética próxima a Auschwitz.
Paralelamente, a mesma empresa desenvolveu o gás venenoso Zyklon B, testado pela primeira vez em setembro de 1941 no extermínio de cerca de 900 prisioneiros de guerra da União Soviética. Em seguida, a SS passou a usar esse gás no extermínio em massa dos judeus de 23 países europeus, transportados para Auschwitz.
No dia 29 de abril de 1945, soldados norte-americanos libertaram os últimos prisioneiros do "laboratório" em que foi desenvolvida essa máquina do terror nazista: o campo de concentração de Dachau.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

1969: Fim formal da Revolução Cultural na China

No dia 27 de abril de 1969, seguindo ordens de Mao Tse-tung, o Exército chinês dissolveu as Guardas Vermelhas. Para os dissidentes, anos de injustiça, humilhações e sofrimento sem fim.
Mao Tse-tung em 1966, início da Revolução Cultural
A Revolução Cultural da China nasceu de um estrondoso fracasso do líder Mao Tse-tung. Com a campanha do Grande Salto para a Frente (1958-1960), ele pretendia industrializar a China em tempo recorde e, simultaneamente, construir a sociedade igualitária preconizada pelo comunismo.
Ele obrigou os camponeses a se juntarem em gigantescas comunas agrícolas e instalou siderúrgicas de tecnologia rudimentar por todo o país. Mas o único resultado da campanha foi a desorganização total da economia. Milhões de agricultores morreram de fome.
No dia 27 de abril de 1969, seguindo as ordens de Mao, o Exército chinês dissolveu as Guardas Vermelhas, que levaram a China praticamente à anarquia durante a Revolução Cultural. Oficialmente, o número de mortos durante a Revolução Cultural foi de 34 mil, embora muitos acreditem que, na realidade, houve milhões de vítimas.
Ostracismo e contra-ofensiva de Mao
O desastre do "grande salto" condenara Mao ao ostracismo. O Partido Comunista Chinês afastou-o da condução dos assuntos internos do país, mas ele continuou comandando a política externa.
Em 16 de maio de 1966, advertiu num documento interno que o PCC estava repleto de revisionistas capazes de, a qualquer momento, instaurar o capitalismo na China. Começava assim sua audaciosa contraofensiva para recuperar prestígio, mergulhando o país na chamada Grande Revolução Cultural Proletária.
A revolução mobilizou os estudantes de Pequim e, em pouco tempo, alastrou-se por toda a China. Principalmente a juventude era estimulada a se rebelar contra o "elitismo, revisionismo e a mentalidade burguesa". As consequências foram dramáticas: filhos denunciavam os pais, estudantes agrediam seus professores e forçavam à suspensão das aulas, chefes torturavam seus subordinados.
Perseguições políticas
Cerca de 20 milhões de colegiais e universitários, liderados por Jiang Qing, a mulher de Mao, formaram as Guardas Vermelhas e iniciaram uma onda de perseguições políticas. Intelectuais e líderes do PCCh foram espancados, presos e, em muitos casos, mortos.
Um dos ilustres perseguidos, por exemplo, foi Deng Xiaoping, o dirigente que, depois de enfrentar o exílio interno, voltou ao poder nos anos 70 e arquitetou a revolução capitalista responsável pelo crescimento atual da economia chinesa.
Paralelamente à perseguição política, o movimento promoveu uma faxina cultural. Os "guardas vermelhos" destruíam templos e outros vestígios do "passado feudal", queimavam livros que não tivessem conteúdo revolucionário. A peça Romeu e Julieta, de Shakespeare, por exemplo, era considerada incompatível com o sonhado "paraíso proletário". Mao usou a juventude também para levar ao extremo o culto à personalidade, promovendo marchas colossais em sua própria homenagem.
"Dez anos perdidos"
O "Grande Timoneiro", no entanto, logo perdeu o controle do movimento. Seguiram-se dez anos de turbulências que paralisaram o sistema educacional e abateram a economia. "Foram anos de injustiça, humilhações e sofrimento sem fim", resume o escritor Ba Jin. Os excessos dos "guardas vermelhos" levaram o exército a intervir, já em 1969, com o apoio de Mao. Era, na prática, o fim da Revolução Cultural.
Hoje, o governo comunista se refere à Grande Revolução Cultural e Proletária como "dez anos perdidos". A principal preocupação de Mao não era salvar a ideologia do proletariado. Sabe-se que ele arquitetou o movimento para se livrar de rivais políticos e consolidar seu poder. Seus maiores rivais eram dirigentes da ala moderada do PCCh, como Deng Xiaoping, que defendiam a "liberalização da economia".
Obcecado pelo poder, Mao eliminou 12 dos 23 membros incômodos no politburo. A Revolução Cultural pareceu um golpe de Estado. No fim, o próprio Mao viu-se obrigado a acabar com o movimento, ordenando a dissolução das Guardas Vermelhas.
A decisão de extingui-las foi aprovada no nono Congresso do Partido Comunista, a 27 de abril de 1969, marcando formalmente o fim da Revolução Cultural. O país, porém, só voltou à normalidade em 1976, com a morte de Mao. Hoje o governo chinês procura ignorar o aniversário da revolução, para não arranhar a imagem do "Grande Timoneiro" Mao Tse-tung.
  • Autoria Oliver Ramme (gh)
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1960 - Togo obtém independência da França


Sob controle da ONU, o Togo adquire sua independência da França em 27 de abril de 1960 por meio de acordo com a administração colonial.

O Togo sofreu com o tráfico de escravos, com os laços comerciais entre os negociantes de escravos e os reis tribais a partir do século XVI até meados do século XIX. Em 1884, o rei Mlapa III assinou um tratado de protetorado com a Alemanha que perdurou até o final da I Guerra Mundial em 1918.

Em 1914, tropas francesas entram em contato com a força alemã. Uma tropa da força pública do Congo Belga (atual República Democrática do Congo) vem em socorro. Os alemães perdem o Togo que seria dividido entre Reino Unido e França. A parte francesa é colocada sob mandato da Sociedade das Nações. O Reino Unido anexa a parte oeste da região a Gana em 1956.

Pós-independência

Alcançada a independência, Sylvanus Olympio torna-se presidente. Por instigação do comandante francês Georges Maitrier, chefe da polícia e conselheiro presidencial, 626 veteranos togoleses do exército francês exigem ser integrados nas forças de segurança que contavam com 300 membros. Olympio recusa. Eles o destituem num golpe de Estado em 13 de janeiro de 1963, quando Olympio encontra a morte.

Um civil, Nicolas Grunitzky (1963-1967) é alçado à Presidência, porém, quatro anos mais tarde, em seguida a outro golpe de Estado, foge do país. Morre em Paris, em 27 de setembro de 1969, num acidente de carro.

Um dos organizadores do golpe de 1963, Gnassingbé Eyadema é promovido a presidente em 1967. Suprime os partidos e cria a União do Povo Togolês.

Uma nova constituição é aprovada em 1979, o presidente Eyadema é eleito por sufrágio universal e reeleito em 1986.

Em 1990, em seguida a violentas manifestações, um líder da oposição Joseph Koffigoh é nomeado primeiro-ministro. A adoção de uma outra constituição em 1992 não é capaz de conter os ânimos. Em 1993, Eyadema ganha outra eleição boicotada pela oposição. Eyadema quase é derrotado nas eleições de 1998 diante de Gilchrist Olympio, filho de Sylvanus. Conquista a cadeira presidencial em condições muito controvertidas.

Eyadema é novamente reeleito em 2003 após emenda constitucional que lhe permitiu postular-se de novo. Morre em 5 de fevereiro de 2005, pondo fim a 38 anos de presidência consecutivos.
O exército toma o poder, transgredindo a constituição que dispunha que o presidente da Assembleia Nacional Fambaré Natchaba é quem deveria assumir. No entanto, confere o poder a um dos filhos de Eyadema, Faure Gnassingbe, após dupla alteração da Carta Magna. Essas emendas permitem a Faure, ministro por ocasião da morte do pai, retomar sua cadeira no Parlamento, se fazer eleger presidente da Assembleia a fim de ocupar o posto de presidente da República, tudo isto resolvido num fim de semana.

Sob pressão da oposição, da União Africana e da comunidade internacional, esse golpe de Estado fracassa em 25 de fevereiro de 2005 com a demissão de Faure e o restabelecimento da legalidade.

Em 24 de abril de 2005 realiza-se uma eleição presidencial. Ela transcorre em condições bastante controvertidas, com a oposição denunciado fraudes. Emmanuel Akitani, chefe da oposição, se declara vencedor com 70 % dos votos enquanto o governo declara Faure eleito. Manifestações eclodem nas principais cidades e seriam violentamente reprimidas pelo Exército, provocando 500 mortos segundo estimativas de uma comissão especial e mais de 800 segundo a Liga Togolesa de Direitos Humanos. Cerca de 40 mil se refugiam em países vizinhos.

Wikimedia Commons

Monumentop à Independência no centro de Lomé, capital togolesa

Em 3 de maio, Faure presta juramento e declara que se concentrará "na promoção do desenvolvimento, do bem comum, da paz e da unidade nacional".

Na eleição presidencial de fevereiro de 2010, Faure Gnassingbé se reelege com 61% dos votos. Manifestações têm lugar em protesto aos resultados entre militantes da coalizão de oposição e as forças da ordem. As eleições foram denunciadas pela União Europeia, que financiou o pleito, que, por meio de observadores, constatou irregularidades graves.

Curiosidades

Um dos menores países africanos, com apenas 56 785 km², a República Togolesa é um país da África Ocidental cuja população é estimada em cerca de 6,2 milhões de habitantes e uma desidade populacional de 95 hab/km².

Seu território se estende por 700 km de norte a sul com largura não excedendo de 100 km, limitado ao norte por Burkina Faso, ao sul pelo Golfo da Guiné, a leste por Benin e a oeste por Gana.

A pequena superfície não impede que o país disponha de grande diversidade de paisagens: costa de fina areia cercada de coqueiros, colinas, vales verdejantes, pequenas montanhas no centro, planícies áridas e grandes savanas.

O nome Togo advém de Togodo, o que significa ‘‘cidade para além da falésia’’ no idioma ewe. A cidade com esse nome, hoje Togoville, cidade colonial alemã, foi primeira capital do país situada a leste da atual capital, Lomé.
Fonte: Opera Mundi

domingo, 26 de abril de 2015

1945: Soviéticos fecham cerco sobre Berlim

No dia 25 de abril de 1945, o exército russo cercou a capital alemã. Quase 55 milhões de pessoas já haviam perdido a vida na Segunda Guerra Mundial, mas os fanáticos nazistas não queriam ver a realidade e resistiram contra os Aliados.
Reichstag, destruído em Berlim, após o fim da guerra
A Segunda Guerra Mundial partiu de Berlim, no verão europeu de 1939. Cinco anos e meio mais tarde, o conflito atingiu a cidade com todo o furor. Na batalha decisiva pela capital alemã, o Exército Vermelho dispunha de 2,5 milhões de soldados, 41.600 canhões, 6.300 tanques e 7.500 aviões para enfrentar menos de 100 mil soldados nazistas recrutados na última hora. Nessas circunstâncias, a defesa da capital do Terceiro Reich não tinha qualquer perspectiva. Apesar disso, foi dada a ordem estrita de defender Berlim "até o último homem e o último cartucho".
Os fanáticos nazistas ocultavam a verdade. O governo em Berlim ignorava a realidade política e agia de modo irracional e absurdo. A guerra provocada pela Alemanha já custara a vida de quase 55 milhões de pessoas e a Europa estava arrasada. Ainda assim, o ministro alemão da Propaganda, Joseph Goebbels, ousou transformar as vítimas em culpados, pouco antes da última defensiva. "A guerra se aproxima do seu fim. A loucura que as potências inimigas trouxeram para a humanidade ultrapassou o seu cume, provocando em todo o mundo um sentimento de vergonha e nojo."
No dia 21 de abril de 1945, os primeiros batalhões soviéticos chegaram à periferia nordeste de Berlim. Pouco depois, a artilharia abriu fogo contra os prédios do governo. Outras tropas avançavam do sudeste. Em 23 de abril, os bondes pararam de circular. No dia seguinte, a capital recebeu um novo comandante militar, Helmuth Weidling. "Berlim não dispunha sequer de uma unidade regular, à exceção do regimento Grande Alemanha e de uma brigada da SS, que protegia a chancelaria imperial", contou um general em seu livro de memórias.
Problemas no abastecimento
Segundo ele, a capital alemã dispunha de munição e mantimentos para 30 dias. Mas, como os depósitos estavam situados na periferia, o abastecimento tornou-se cada vez mais difícil à medida que as tropas russas fechavam o cerco. "Nos dois últimos dias de combates, não tínhamos mais alimentos nem munição", escreveu o general. No dia 25 de abril de 1945, fechou-se o cerco. A "guerra total", anunciada dois anos antes por Goebbels no Palácio dos Esportes, chegara a Berlim.
Enquanto as tropas soviéticas avançavam rapidamente, os nazistas faziam uma operação pente fino e enforcavam supostos desertores nos postes de luz da cidade. Jovens de dez anos de idade eram obrigados a enfrentar tanques do Exército Vermelho, escondidos atrás de caminhões de mudança transformados em carros de combate. No dia 25 de abril, soldados soviéticos e americanos encontraram-se em Torgau, às margens do Rio Elba, para demonstrar ao mundo que o império de Hitler estava derrotado, e que os Aliados haviam vencido.
Grande devastação
Os russos tomavam Berlim, rua após rua, casa após casa. Somente no lado alemão, essa absurda batalha final causou mais mortes do que todos os bombardeios à cidade. De acordo com o primeiro comandante soviético na cidade, o general Bersarin, "os Aliados despejaram 65 mil toneladas de bombas e nós usamos 40 mil toneladas de granadas em Berlim". Pode haver exagero nos números, mas eles dão uma idéia da devastação.
Cinco dias após ter sido fechado o cerco a Berlim, Hitler se suicidou na chancelaria imperial, no dia 30 de abril de 1945. Mesmo assim, a guerra não havia terminado. O almirante Karl Dönitz (1891-1980) assumira o comando e anunciou através do rádio: "Nosso líder Adolf Hitler morreu na guerra. O povo alemão o reverencia em sinal de profundo respeito e luto".
Menos de 48 horas após o suicídio de Hitler, o comandante Weidling ordenou o fim dos combates na capital. O Exército Vermelho hasteou a bandeira soviética sobre o Reichstag, sede do parlamento alemão. Era o fim da guerra em Berlim e, seis dias depois, em toda a Alemanha. O regime nazista capitulou incondicionalmente diante dos Aliados.
  • Autoria Gerda Gericke/gh
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sábado, 25 de abril de 2015

Cem anos de genocídio armênio: a memória da diáspora e a resistência da infância


Em 24 de abril de 1915, turcos iniciaram um processo de eliminação sistemática que até hoje não reconhecem e que resultou na morte de 1.5 milhão de armênios
Há 100 anos, o elemento “G” tornou-se uma das principais moléculas do DNA armênio. Muito além de ser parte constituinte do sangue, ele atingiu a memória e refletiu na construção da identidade do seu povo. Mas “G” não é apenas um componente organicamente vinculado aos armênios do século 20. É também uma letra de cunho político poderoso – e igualmente perigoso.

Aos três anos de idade, vovô conheceu essa letra em uma das formas mais duras e cruéis que uma criança pode aprender. 

Era abril de 1915 quando bateram na porta de sua casa, na cidade de Marach. O visitante turco cumprimentou a família com um tiro na perna de seu pai. Até hoje não se sabe se o autor do disparo era um soldado ou simplesmente um vizinho. A única certeza é que seu pai era punido por ser um cidadão armênio em terras otomanas.
Leia também, de Patrícia Dichtchekenian:
A história do genocídio armênio e as consequências da negação

Reprodução

Com deportações e assasinatos, armênios tentavam diversos modos de fugir do território turco-otomano


“Eu não vou deixá-lo aqui sozinho. Vão embora e se salvem”, disse a mãe aos quatro filhos, apressando-os para partir. Vovô tinha acabado de sair do berço e começado a dar seus primeiros passos sozinho, enquanto os outros irmãos já estavam no ápice da adolescência. Eles nunca mais veriam seus pais.

O desespero da mãe era justificado: poucos meses antes do que a família futuramente chamaria de “Dia D” com a chegada do misterioso visitante à residência, ela perdera seu primeiro filho. Aram era um jovem professor que disseminava ideias contrárias ao governo turco e incendiava a sala de aula com pensamentos revolucionários.

Os pais estavam cientes de que Aram estava na mira das autoridades e não o impediram de se expressar, pois também faziam parte do partido socialista Tashnagtsutiun (Federação Revolucionária Armênia), que lutava pela liberdade dos armênios na Turquia. A família, inclusive, escondia armas em túmulos no cemitério – uma manobra arriscada, pois os armênios que fossem vistos armados eram condenados à morte na cidade.

Situada na porção central do território turco-otomano, Marach é considerada uma região da “Armênia Ocidental” pela forte presença de uma comunidade armênia que floresceu no local, embora fosse distante de onde se formou propriamente o atual Estado armênio. 

Com o sistemático massacre de armênios e a consequente retomada do território pelos turcos, a cidade teve seu nome alterado para Kahramanmarach que, na língua turca, significa “Marach heróica”, pois a limpeza étnica foi um verdadeiro ato de bravura aos olhos otomanos.

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Divisão após o Tratado de Sèvres (1920): Império Otomano em laranja, Síria em azul e Armênia em amarelo
Em meio a essa troca de nomenclatura e em plena perseguição, vovô fugiu com seus três irmãos em direção a Aleppo, cidade síria situada a mais de 200 quilômetros ao sul de sua cidade natal.

No caminho, todavia, vovô foi resgatado pela Cruz Vermelha. Na ocasião, a ONG humanitária estipulou um padrão de resgate de crianças entre 3 e 7 anos: razoavelmente desenvolvidas para conseguirem caminhar por conta própria, mas vulneráveis o suficiente para morrerem com mais facilidade em virtude das dificuldades do trajeto.

Como de praxe, a Cruz Vermelha encaminhava as crianças armênias para um orfanato na ilha grega de Corfu. Lá, elas aprendiam as disciplinas da escola em francês, mas assistiam a aulas diárias de língua armênia para não perderem vínculo com as suas raízes culturais.
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Campo de refugiados armênios na cidade síria de Aleppo: pobreza e dificuldades

Do outro lado do mundo, em Aleppo, os três irmãos demorariam dez anos para conseguir sair do campo de refugiados e, enfim, se estabelecer na Síria, tendo a prática da alfaiataria como meio de sobrevivência. Com o inferno do passado sendo gradualmente superado e uma perspectiva de futuro à vista, Nazareth, o primogênito, decidiu que era hora de buscar o caçula em terras gregas.

“Aqui não é a sua casa e esses meninos não são sua família. Mas do outro lado desta porta está seu irmão e daqui para frente você vai ficar com ele”, instruiu o diretor da Cruz Vermelha a vovô, que já completava 16 anos.

A maçaneta foi aberta, dando passagem para um homem de quase 30 anos. De imediato, Nazareth, homem feito, reerguido e casado, correu em direção ao adolescente à sua frente e caiu no choro, apertando-o com força. Décadas depois, vovô recordaria que não tinha a menor ideia de como deveria reagir diante daquele desconhecido que o abraçava. 

De Corfu, primogênito e caçula voltaram a Aleppo onde buscaram os outros irmãos e partiram para a cidade francesa de Marselha. O ano era 1926 e apesar de o governo francês permitir refúgio aos armênios em vista do extermínio e das perseguições, a Europa estava destruída no pós-Primeira Guerra Mundial.
Patrícia Dichtchekenian/ OperaMundi

Monte Ararat é um dos principais símbolos armênia, mas hoje está localizado em território anexado por turcos

Vovô garante que seus irmãos lhe disseram que a qualquer momento estouraria outra grande guerra no continente europeu e, por isso, deveriam tentar construir um futuro em outra parte do mundo.Como a vida é constituída da tensão entre acaso e escolha, Brasil surgiu como uma oferta dada à sorte pelo vendedor de bilhetes de navio de Marselha. E eles acataram.

Mais de 80% dos armênios que chegaram ao Brasil eram originários de Marach e de cidades adjacentes, como Zeitun, Sis e Hadjin. Vovô seria um desses 25 mil imigrantes que formariam a comunidade armênia em terras brasileiras na década de 20, consolidando-se como provas vivas do massacre de 1.5 milhão de armênios. Massacre este que vovô conheceria pela letra “G”, de Genocídio, de forma dolorosa como o crescimento de um menino e triste como o início da primavera de abril de 1915.

Dado seu poder semântico, genético e político, certas palavras devem ser ditas, letra por letra, e não meticulosamente evitadas e confundidas. A história de vovô e os testemunhos de outros 800 mil armênios que se espalharam pelo mundo não foram mera coincidência histórica.

Além de possuírem o elemento “G” em seu DNA, todos esses filhos da diáspora são conectados pelo simbólico sufixo “ian” que compõem seus traços identitários comuns. Código de reconhecimento internacional, essas três letrinhas significam “origem”. Com um pé sempre no passado, vovô não se prendia à narrativa da  memória trágica do genocídio armênio: sua história é uma marca de resistência.

A Artin Dichtchekenian.
Fonte: Opera Mundi

1507 - Waldseemüller inventa expressão "América" para o Novo Mundo


Nome é uma homenagem ao navegador florentino Américo Vespúcio, que viajou com Cristóvão Colombo
Em 24 de abril de 1507, pouca gente prestou atenção à impressão em Saint-Dié de um documento de cartografia. Era um comentário anexado a um grande mapa-múndi intitulado Universalis Cosmographiæ e desenhado pelo monge geógrafo Martin Waldseemüller.

Quinze anos depois que Cristóvão Colombo pôs os pés numa ilha das Antilhas, este documento com tiragem de mil exemplares iria revolucionar a percepção que os homens tinham de seu planeta mostrando as terras descobertas pelo navegador genovês e que constituíam um Novo Mundo e não apenas um apêndice da Ásia. Por uma singular injustiça do destino, esse Novo Mundo assumiria o prenome de um garrido florentino sem maiores méritos.
O comentário estava dividido em duas partes. A primeira descrevia o projeto de uma nova geografia. A segunda transcrevia em latim a carta pela qual o navegador florentino Américo Vespúcio narrava suas viagens. No capítulo IX da Introdução à Cosmografia, pode-se ler em latim a ata de batismo de um novo continente: “Hoje essas partes da Terra – Europa, Ásia e África – foram mais completamente exploradas e uma quarta parte foi descoberta por Américo Vespúcio como veremos adiante. E como a Europa e a Ásia receberam nomes de mulheres, não vejo nenhuma razão para não chamar essa outra parte de América, ou seja, terra de Américo, segundo o homem sagaz que a descobriu. Poderemos nos informar exatamente sobre a localização dessa terra e sobre os costumes de seus habitantes pelas quatro viagens de Américo que seguem.”

Numa das margens estava impressa pela primeira vez a palavra América, fadada a um imenso destino.

Em junho de 1498, depois de Colombo e de alguns outros navegadores como o espanhol Alonzo de Ojeda, uma esquadra explora o Oceano Atlântico por conta do rei Ferdinando de Aragão, acostando na Florida, entre a baía de Chesapeake e o atual cabo Canaveral.

A esquadra é comandada por Juan Diaz de Solis e por Vincent Pinzon, quem comandara a Niña quando da primeira viagem de Colombo. A seu lado figurava um homem de 46 anos, filho de uma rica família de Florença, Américo Vespúcio.

A família de Américo era ligada aos Médicis que governavam a República de Florença. O navegador teve o cuidado de enviar cartas e documentos a Lorenzo di Medici a fim de informá-lo de suas viagens e de se dar valor.

Sua carta, judiciosamente intitulada de “Mondus Novus”, é um relato em italiano destinado a leitores cultos mas que não conheciam técnicas de navegação. Granjeou bastante sucesso, especialmente porque contava histórias sobre a vida sexual dos indígenas.

Traduzido em vários idiomas, circulou a partir de 1503 pela Europa. Numa versão latina pôde-se ler: “A fim que as pessoas instruídas possam ver como coisas prodigiosas foram percebidas durante esses dias”.

Martin Waldseemüller, que se fez chamar de “Hylacomylus”, toma conhecimento, no mesmo ano, da carta de Américo. O cartógrafo tratou de atualizar seus mapas e
explicou por quê as novas terras deveriam ser nomeadas segundo os seus descobridores.
Américo Vespúcio nasceu em Florença em 9 de maio de 1452, numa família bastante rica. Terceiro filho de Nastagio e Lisa Vespúcio, estudou Platão, Virgílio, Dante e Petrarca mas se destinou ao comércio. Por volta de 1491, foi enviado a Sevilha como agente dos Medici, o que lhe permitiu entrar em contato com o banqueiro Gianetto Berardi, financiador de diversas expedições marítimas espanholas.

Vespúcio encontra-se com Colombo na casa de Berardi e se interessa pela navegação, a cartografia e a cosmografia. Participa do afretamento das frotas de Colombo e não tarda ele mesmo a buscar o mar. Depois da Flórida, o Brasil. Morreu em 1512.

Em 1513, seis anos após a primeira publicação de um mapa indicando a existência de um Novo Mundo, Martin Waldseemüller publica uma atualização pelo editor Jean Schott, de Estrasburgo.

Curiosamente, sobre esta nova carta conservada pela Biblioteca Nacional e Universitária de Estrasburgo, o nome “América” é substituído por “Terra Incógnita” e somente o nome de Colombo é mencionado. Todavia, já era muito tarde para modificar a prática nascida da publicação de 1507.

Em 1538, o cartógrafo flamengo Mercator retoma o nome “América” em um de seus mapas. O Novo Mundo seria batizado a partir de então e para a eternidade como América.
Fonte: Opera Mundi

PPGH oferece oficina sobre funcionamento do mestrado e doutorado

Acadêmicos dos cursos de graduação e pessoas interessadas podem participar da atividade que é oferecida gratuitamente

Foto: Reprodução
O Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (PPGH/UPF) realiza na próxima segunda-feira (27/04) uma oficina para acadêmicos de graduação e pessoas que tenham curiosidade em conhecer o funcionamento dos cursos de mestrado e doutorado em História. Os interessados podem se inscrever pelo e-mail pghis@upf.br. A atividade se inicia às 17h, na sala 222 do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), no Campus I da UPF.

A oficina História Regional: uma escolha metodológica para (re)construir a história global será ministrada pelos doutorandos do PPGH Túlio Paz e Felipe Abal. Neste encontro serão abordados tópicos relacionados ao funcionamento de um curso de pós-graduação stricto sensu a fim de permitir que os participantes compreendam como é estar inserido em um curso de mestrado e doutorado.

Além deste encontro, o PPGH oferecerá, em parceria com a Associação de Pós-graduandos em História, outras oficinas nas quais os mestrandos e doutorandos apresentarão as pesquisas que estão em desenvolvimento e os passos até se chegar ao trabalho final.

Confira o cronograma abaixo:
26 de maio
Política e coronelismo no RS Palestrante: Doutorando Giovani Balbinot
24 de junho
Os arquivos judiciais como fonte de pesquisa: um trabalho interdisciplinar Palestrante: Doutorando Felipe Abal
03 de agosto
A Guerra do Paraguai e as injunções regionais - Palestrante: Doutorando Fabiano Teixeira
01 de setembro
Rock e ditadura no Rio Grande do Sul - Palestrante: Mestre Alexandre Sagioratto
30 de setembro
Relações EUA x China : uma região internacional - Palestrante: Doutorando Emanuel Reichert
29 de outubro
História rural e ocupação territorial no norte do RS - Palestrante :Mestre Felipe Berté
16 de novembro
Fotografia como fonte histórica - Palestrante: Mestranda Fabiana Beltrami