segunda-feira, 30 de março de 2015

Revista Semina divulga chamada de artigos


A arte do cinema mais próxima da comunidade


Foto: Sammara Garbelotto
Parceiro do projeto, Núcleo de Estudos em Cinema realiza encontros mensalmente
Fomentar a discussão do cinema e ampliar a cultura cinematográfica nos bancos universitários e na comunidade em geral. Esse é o objetivo do projeto de extensão Ponto de Cinema UPF, que em 2015 dá início a realização de uma série de atividades relacionadas ao mundo da linguagem audiovisual e da sétima arte.
Vinculado a Vice-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários e a Faculdade de Artes e Comunicação da Universidade de Passo Fundo (FAC/UPF), o projeto, idealizado pelo professor dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, Fábio Rockenbach, começou a ser pensado ainda em 2013, época em que foi criado o Núcleo de Estudos em Cinema, iniciativa voluntária no qual os estudantes tem a chance de debater e fazer análises sobre os mais variados tipos de filmes.

Foi a partir das conversas e do interesse dos acadêmicos em saber mais sobre cinema que a ideia de expandir o trabalho que já vinha sendo desenvolvido tornou-se mais concreta. “Do papo com os alunos, percebi que poderíamos fazer mais do que só exibir filmes. Podíamos pensar em ciclos temáticos com outros cursos, convidar palestrantes, criar e trazer cursos rápidos, trabalhar com as redes sociais, produzir vídeos, oferecer oficinas ao público interessado e realizar atividades com as escolas”, comenta o docente.

O que antes eram só vontades e pensamentos, em 2015 se tornou realidade. A criação do projeto, que conta com o apoio da Divisão de Extensão da UPF, visa fazer com que os amantes do cinema compreendam os filmes de maneiras diferentes.

Cinema em diversas formas
Várias são as ações e atividades que constituem o projeto. Dentre elas, está sendo organizada a exibição de um filme por semana no Campus I, que acontecerá todas as quartas-feiras, com acesso livre para as pessoas. Além disso, ciclos temáticos também estão sendo pensados, de forma que a produção audiovisual a ser trabalhada englobe diferentes possibilidades, como, por exemplo, a mitologia no cinema e o cinema argentino.

Outra ideia já em construção é o “Diretor do Mês”, no qual será exibida uma obra de determinado diretor, e após acontecerá uma discussão relativa à produção e ao trabalho do profissional escolhido. Já o “Circuito Cultural” deve trazer aos admiradores da sétima arte a exibição de filmes que não chegam à região e acabam indo direto para as locadoras. Debater o racismo no cinema em um ciclo é mais uma das atividades planejadas.

Por meio da parceria com a CineUm, produtora cultural de Porto Alegre, vão ser oferecidos minicursos com palestrantes vindos de fora de Passo Fundo. O próprio projeto prevê a realização de seus cursos de extensão e a produção quinzenal de um videocast para a internet. O Núcleo de Estudos em Cinema deve continuar com os seus encontros mensais.

Um olhar diferenciado sobre os filmes
Além de propor debates sobre a cultura do cinema, o projeto tem a intenção de mostrar aos estudantes, bem como à comunidade, uma nova forma de compreender os produtos audiovisuais dessa área da comunicação, com o intuito de despertar o senso crítico de cada um. Segundo Rockenbach, há muitos elementos envolvidos na criação cinematográfica, e é interessante que o espectador conheça-os. “Cinema é criação. Tudo o que vemos na tela está ali porque alguém planejou para que estivesse daquele jeito. Um filme dialoga conosco de forma que muitas vezes não percebemos, e às vezes nos atinge inconscientemente. Esperamos que com o Ponto de Cinema o público comece a ver um filme, e não só assistir a uma produção do gênero, pois são coisas diferentes”, pensa.

Trabalho e motivação em equipe
Para a execução das ações, o projeto é constituído por uma equipe de docentes engajados em levar os conteúdos do meio audiovisual ao público. Além do professor Fábio, colaboram com o Ponto de Cinema UPF os professores Nadja Hartmann, Cleber Dalbosco, Vinicius Rauber, Valmiria Balbinot e Gizele Zanotto. A vontade de que o projeto tenha vida longa é um dos desejos do idealizador. “Quero que ele perdure. Para isso acontecer, é preciso criar uma cultura, no sentido de todos saberem que, todos os meses, haverá atividades, que estaremos abertos a receber quem goste de cinema e que sempre terá um grupo de pessoas envolvidas em ver e discutir filmes. Quando isso se tornar algo perene, podemos acreditar que os passos mais ambiciosos – as oficinas práticas e a relação com as escolas – podem ser dados. Espero que essa grande quantidade de pessoas que dizem adorar cinema consiga se engajar e, juntos, possamos formar e manter um público, que é um dos grandes desafios envolvidos”.

Parcerias que ampliam as discussões
A interdisciplinaridade também estará presente durante a execução dos trabalhos. O projeto será parceiro de eventos tradicionais da Universidade, como o Fac Cine Fórum e o Ciclo de Cinema e História, e utilizará o espaço do Museu de Artes Visuais Ruth Schneider, um dos importantes parceiros do Ponto de Cinema, assim como a Zilvia Locadora.

Também, as unidades acadêmicas que se interessarem em propor ciclos de cinema para os cursos que abrigam poderão entrar em contato com o projeto. De acordo com Rockenbach, a vontade é que o interesse a respeito da cultura cinematográfica vá além das salas de aula da FAC.

Mais informações sobre o Ponto de Cinema UPF podem ser obtidas no sitewww.upf.br/pontodecinema e na página do projeto no Facebook.

1973 - Estados Unidos se retiram do Vietnã

Dois meses após a assinatura do Acordo de Paz, as últimas tropas combatentes dos Estados Unidos deixam o sul do Vietnã, em 29 de março de 1973, logo após Hanói ter libertado os remanescentes prisioneiros de guerra mantidos no Vietnã do Norte. Os oito anos de intervenção direta de Washington na Guerra do Vietnã estavam encerrados. 

Em Saigon, cerca de sete mil empregados civis do Departamento de Defesa permaneceram no local a fim de ajudar o Vietnã do Sul a dar andamento ao acordo e pôr um fim definitivo a um conflito encarniçado e sem trégua com as tropas do general Nguyen Vo Giap do Vietnã do Norte. 

Em 1961, depois de duas décadas de assistência militar indireta, o presidente dos EUA, John F. Kennedy (1961-1963) enviou o primeiro grande contingente armado ao país para apoiar o ineficaz regime autocrático do Vietnã do Sul. Três anos mais tarde, com o governo sul vietnamita caindo aos pedaços, o presidente Lyndon B. Johnson (1963-1969) ordenou um bombardeio limitado ao Vietnã do Norte, ao mesmo tempo em que o Congresso aprovava a utilização de tropas terrestres. 

Em 1965, as investidas norte-vietnamitas deixaram a Casa Branca com duas escolhas: a escalada do envolvimento dos Estados Unidos ou a retirada. Johnson ordenou a escalada e o montante do contingente saltou logo para mais de 300 mil soldados do exército, marinha e aeronáutica. Nesta fase da guerra, a Força Aérea norte-americana deu início ao maior dos bombardeios da história, com emprego de munição tradicional, mas também com bombas napalm e desfolhantes laranja. 

Wikileaks 


Panfletos de propaganda norte-americana convocando os soldados norte-vietnamitas a desertarem para o sul 

Durante os cinco anos subsequentes, a prolongada duração da Guerra, o alto número das baixas estadunidenses e a exposição do envolvimento das tropas do general Westmoreland em crimes de guerra, como o massacre de My Lai, ajudaram a criar dentro dos EUA um poderoso movimento contra a Guerra do Vietnã. 

A Ofensiva do Tet do Vietnã do Norte e do Vietcong pulverizaram as esperanças de um fim iminente do conflito e galvanizou a oposição à guerra. A reação de Johnson foi anunciar em março de 1968 que não iria concorrer à reeleição, mencionando como motivo sua responsabilidade na criação de uma perigosa divisão nacional a respeito do Vietnã. Autorizou também que se entabulassem negociações de paz. 

Na primavera de 1969, à medida que os protestos contra a guerra ganhavam força os Estados Unidos, a presença de tropas norte-americanas num país distante, destroçado pela guerra, atingia o pico de 550 mil homens. Richard Nixon (1969-1974), o novo presidente, começou a retirada de tropas e exigiu a “vietnamização” do esforço de guerra, porém, ao mesmo tempo, determinou a intensificação do bombardeio aéreo. 

A retirada de grandes contingentes prosseguiu no começo de 1970 enquanto o presidente Nixon expandia operações aéreas e terrestres no Camboja e no Laos na tentativa de cortar as rotas de suprimento do inimigo ao longo das fronteiras do Vietnã. Esta expansão da guerra, que conseguiu alguns resultados positivos isolados, levou a novas ondas de protesto, não apenas nos EUA, mas no mundo todo. 

Finalmente, em janeiro de 1973, foi assinado o Acordo de Paris para o Fim da Guerra e Restauração da Paz no Vietnã pelos governos da República Democrática do Vietnã, República do Vietnã (Vietnã do Sul), Estados Unidos e o governo Revolucionário Provisório, que representou os revolucionários sul-vietnamitas (Vietcong). Os principais negociadores foram Le Duc Tho, pelo Vietnã do Norte e Henri Kissinger, pelos Estados Unidos, que nesse mesmo ano foram agraciados com Prêmio Nobel da Paz. 

As principais cláusulas incluíram um cessar-fogo em todo o Vietnã, a retirada das forças norte-americanas, libertação dos prisioneiros de guerra e a reunificação do Norte e do Sul por meios pacíficos. O governo sul-vietnamita permaneceria no poder até que novas eleições acontecessem. As forças norte-vietnamitas no sul não poderiam se deslocar nem serem reforçadas. 

Na realidade, o acordo foi pouco mais que um gesto para salvar a face de Washington. Ainda antes da partida das tropas norte-americanas em 29 de março, em resposta às provocações militares do governo de Saigon, os norte-vietnamitas se reposicionaram no terreno. No começo de 1974, empreenderam um ataque em larga escala, dominando praticamente todo o território ao sul. 

Em 30 de abril de 1975, os últimos poucos norte-americanos que permaneciam no Vietnã do Sul foram embarcado em aviões de volta ao seu país, enquanto Saigon caia nas mãos de Ho Chi Minh. O coronel norte-vietnamita, Bui Tin, ao aceitar a rendição do Vietnã do Sul, ressaltou: "Vocês não têm nada a temer. Entre os vietnamitas não há vencedores nem vencidos. Apenas os americanos foram derrotados". 

A Guerra do Vietnã foi a mais longa e impopular das guerras em que os Estados Unidos estiveram envolvidos. Custou a vida de 58 mil de seus soldados e centenas de milhares de feridos. Dois milhões de soldados e civis vietnamitas foram mortos. 


Fonte: Opera Mundi

domingo, 29 de março de 2015

Grupo de Estudos - Religiões e Religiosidades: possibilidades de pesquisa



Convidamos a todos os interessados a participarem das discussões de textos acerca das práticas e crenças religiosas, vinculada ao grupo de pesquisa Religiões e Religiosidades: possibilidades de Pesquisa, coordenado pela profa. Gizele Zanotto.


As reuniões são abertas! Participe!


Religiosidade e Cultura: Possibilidades de Pesquisa
Descrição: O projeto pretende analisar as contribuições e limites da articulação interdisciplinar que orienta teórica e metodologicamente os estudos sobre Religiosidade e Cultura no campo historiográfico contemporâneo. A abordagem proposta pretende analisar a mobilização de instrumentais metodológicos para uma compreensão mais aprofundada e valorativa das crenças no cotidiano das sociedades. Partindo da compreensão do Campo Religioso (Pierre Bourdieu) como um espaço de lutas e disputas pela hegemonia da manipulação de bens simbólicos, preconizamos nos ater na análise conceitual que dê conta da pluralidade, plasticidade e porosidade percebida nos grupos, movimentos, igrejas, congregações, etc., que disputam um lugar no amplo ?mercado de bens de salvação? configurado contemporaneamente.


CRONOGRAMA DE ENCONTROS
Projeto: Religiões e religiosidades: possibilidades de pesquisa
Coordenadora: Gizele Zanotto
Local: Campus III da UPF (Centro) – Sala 26 – 09:00 as 11:30 hs

Data
Leitura/atividade
08/04
- BERGER, Peter Ludwig. Religião e construção do mundo/Religião e manutenção do mundo. In: O dossel sagrado: elementos para uma teoria sociológica da religião. São Paulo: Paulinas, 1985. p. 15-41. (há versões online do livro completo)
Augusto Diehl Guedes
22/04
- BELLOTTI, Karina Kosicki. História das religiões: conceitos e debates na era contemporânea. História: Questões & Debates, Curitiba, n. 55, p. 13-42, jul./dez. 2011. Editora UFPR. (online)
Raul Giacomin
06/05
- NUNES, Elton de Oliveira. Teoria e metodologia em História das Religiões no Brasil: o estado da arte. História: Questões & Debates, Curitiba, n. 55, p. 43-58, jul./dez. 2011. Editora UFPR. (online)
Jonas Balzan
20/05

-ORO, Ari Pedro. Atual campo afro-religioso gaúcho. Civitas, Porto Alegre v. 12 n. 3 p. 556-565 set.-dez. 2012. (online)
Jeferson Candaten
03/06
- SILVA, Lêda Cristina Correia da. AGUIAR, Sylvana Maria Brandão de. Devoções: abordagens teóricas e metodológicas. Revista de Teologia e Ciências da Religião. v. 1, n. 1 (2011). (online)
Chaline de Souza
17/06
-PORTELLA, Rodrigo. A religião na sociedade secularizada: urdindo as tramas de um debate. Numen: revista de estudos e pesquisa da religião, Juiz de Fora, v. 11, n. 1 e 2, p.33-53. (online)
a definir
01/07
- ANDRADE, Solange Ramos de. A religiosidade católica e a santidade do mártir. Projeto História, São Paulo, n.37, p. 237-260, dez. 2008. (online)
a definir


IFCH promove o curso Inovações Metodológicas na Educação Básica

Neste sábado, 28 de março de 2015, iniciaram as atividades do curso de extensão Formação continuada de professores: inovações metodológicas na educação básica, promovido pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) com grupos de estudos de Filosofia e Ciências Sociais; História; Letras - Língua Portuguesa; Língua Espanhola e Língua Inglesa. 

Os encontros entre cursistas e docentes serão realizados ao longo do semestre e iniciaram com o I Seminário Interdisciplinar Inovações Metodológicas na Educação Básica, conduzido pela profa. Luciane Sturm, coordenadora geral do Projeto, e prof. Altair Fávero. Após a atividade coletiva com todos os participantes cada grupo de estudos realizou seu primeiro encontro específico, conduzido pelos professores Altair Fávero e Vinícius Rauber (Filosofia e Ciências Sociais), Gizele Zanotto, Marcos Gerhardt e Alessandro Batistella (História), Marlete Dietrich (Língua Portuguesa), Gisele Benck (Língua Espanhola) e Luciane Sturm (Língua Inglesa).

O projeto, de natureza interdisciplinar, visa promover o a qualificação permanente de professores das áreas das ciências humanas e das linguagens, por meio do estudo continuado, no formato de grupos de estudos (GE), focalizados na leitura, discussão e reflexão de diferentes temáticas, bem como na inovação metodológica e na socialização e troca de experiências positivas de ensino.











1939 - Nacionalistas entram triunfantes em Madri ao lado do General Franco


Fraquismo buscava restaurar na sociedade espanhola os tradicionais valores autoritários e católicos
No dia 28 de março de 1939, nacionalistas espanhois entram em Madri e fazem o desfile da vitória diante do caudilho Francisco Franco y Bahamonde, um general de 46 anos.


Era o fim de uma guerra civil de três anos que custou ao país 400 mil vidas e outros tantos exilados. Era também o fim da República Democrática dos Trabalhadores de Todas as Classes, nascida em 1931. Entre 1936 e 1939, socialistas, comunistas, anarquistas e democratas liberais lutaram contra o avanço de fascistas e direitistas que tentavam restabelecer valores tradicionais em um país autoritário e católico.
A Espanha servira de campo de batalha e terreno de manobras a todas as facções políticas da Europa, das hitleristas a anarquistas passando por fascistas, bolcheviques e trotskistas. A participação gloriosa, porém um tanto desordenada, de voluntários e combatentes estrangeiros permitiu apenas retardar por vários meses a vitória dos nacionalistas, sem jamais propiciar uma chance séria de conquista aos republicanos.
Quando a vitória dos nacionalistas se confirmou, longas colunas de refugiados republicanos se apresentaram na fronteira dos Pirineus, buscando asilo na França. Era a Retirada. Outros grupos numerosos prosseguiram em sua viagem, uns rumo ao México, outros, à União Soviética. Menos sorte tiveram os 15 mil refugiados que afluíram ao porto de Alicante na esperança de embarcar nos navios rumo a destinos diversos. Pegos em uma armadilha, são cercados pelas tropas italianas aliadas aos franquistas. Muitos optam por se matar diante da população. Outros são enviados aos campos de concentração ou mesmo massacrados.
Em 1º de abril, Franco publica um conciso comunicado: “Terminou a guerra”. Duas semanas antes, Hitler havia entrado em Praga. Em 7 de abril, Mussolini lança um ataque à Albânia. A Europa e o mundo encontravam-se na iminência de uma grande hecatombe.
Fortalecido pela vitória, Franco instaura na Espanha um regime fascista, brutal e corporativista, semelhante ao regime de Mussolini, porém com presença marcante da hierarquia católica. As instituições tomam forma de uma monarquia sem rei, como na Hungria, alguns anos antes, sob o regente Horthy.
Para alicerçar sua autoridade, Franco se apoia nos militantes da Falange, partido paramilitar fundado por José Antonio Primo de Rivera. A princípio antimonarquista, a Falange vê-se forçada a se alinhar ao poder. Seu presidente é o cunhado do caudillo Serrano Suner. Contaria com 500 mil membros.
Wikicommons

Francisco Franco junto ao presidente dos Estados Unidos, Dwight Eisenhower
Franco aprofundou o ódio no seio do povo espanhol ao agir vingativamente. Multiplicou as prisões e as execuções sumárias nos anos que se seguiram. Essa sangrenta repressão faria tantas vítimas quanto a guerra civil em si.
Alegando que seu país estava exaurido pela guerra civil, o caudilho proclama sua neutralidade desde o início do conflito entre a Alemanha e os países da Europa Ocidental. Mantém-se prudentemente à parte da Segunda Guerra Mundial. Desse modo, não concorda em atender Hitler quando este lhe pede permissão para atravessar a Espanha e tomar Gibraltar dos ingleses

A Espanha, porém, tinha uma dívida com a Alemanha nazista, que forneceu apoio em armas e tropas ao general Franco. Acabou enviando numeroso contingente – a Divisão Azul – para combater as hordas soviéticas.

Este comportamento pendular, mas com um diploma de anticomunismo, permitiu a Franco sobreviver à derrocada do eixo Berlim-Roma. O preço foi um prolongado isolamento diplomático.
Os últimos anos de sua vida foram marcados por uma repressão brutal dos autonomistas bascos e a execução em Burgos de inúmeros dissidentes políticos, boa parte deles executados no aterrador garrote vil.
Em 20 de novembro de 1975, aos 83 anos, Franco morre após um mês de interminável agonia. O  desaparecimento do caudilho após 40 anos de poder absoluto gerou na Espanha e no mundo ocidental sentimentos mesclados de esperança e medo. Muitos temiam o retorno dos fantasmas da guerra civil.
Poucos ousavam apostar no êxito de Juan Carlos de Bourbon, designado pelo velho ditador como sucessor com o título de rei. As pessoas não temiam tratá-lo publicamente como tonto.
Fonte: Opera Mundi

sábado, 28 de março de 2015

MHR convida para exposição "O Sagrado"


A partir de hoje você confere no MHR a exposição "O Sagrado - A arte e o artesanato indígena: Um culto à natureza". O horário de visitação é das 13h30 às 17h30, de terça à sexta, e das 13h30 às 17h30 nos finais de semana.

sexta-feira, 27 de março de 2015

PPGH convida para defesas de dissertação




1983: Reagan anuncia o programa de defesa Guerra nas Estrelas

Em discurso legendário no Congresso, em 27 de março de 1983, o então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, lança o programa de defesa estratégica no espaço (SDI), conhecido como Guerra nas Estrelas.
Reagan (centro) com o físico Edward Teller e o diretor do SDI, James Abrahamson, em 1988
Como o herói do filme Guerra nas Estrelas, Luke Skywaker, o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, resolveu lutar contra o mal, com canhões de laser na mão, e vencer o inimigo soviético no amplo espaço sideral. Em seu histórico discurso no Congresso, em 27 de março de 1983, o líder da superpotência americana lançou o programa de defesa estratégica, com a sigla SDI em inglês e conhecido como Guerra nas Estrelas.
Sua intenção anunciada era assegurar a sobrevivência da humanidade, com liberdade e segurança. O plano do presidente republicano era instalar no espaço um cinturão de armas em volta do globo terrestre que, de forma ideal, interceptaria e destruiria longe de seu alvo todas as armas inimigas, especialmente as da superpotência rival soviética.
O plano original de guerra estratégica se perdeu, todavia, nos tempos de superarmas nucleares. Ataque ou defesa pareciam antiquados numa época em que um só míssil atômico causaria uma destruição avassaladora. A nova palavra mágica era então "intimidação".
Posição alemã
O então embaixador alemão ocidental em Washington, Günther van Well, esclareceu o que a República Federal da Alemanha esperava das promessas na corrida armamentista, depois que assinara o acordo sobre o SDI:
"Eu vejo no pacote de acordos a vantagem de nos mantermos ligados ao desenvolvimento nos Estados Unidos. Trata-se principalmente da disposição do governo alemão ocidental de participar futuramente dos mais novos desenvolvimentos no setor de tecnologia como aliado estreito dos americanos. A economia alemã depende da nossa permanência na vanguarda do desenvolvimento tecnológico."
Esse desenvolvimento tecnológico se chamava mísseis antimíssil e canhões atômicos a laser, que deveriam circundar a Terra num futuro próximo. Militares e políticos também se assustaram. Cientistas americanos com orientação comprovada na selva da corrida armamentista advertiram para que a ficção científica não fosse transformada numa política real fantasmagórica. As pesquisas mostravam que o programa Guerra nas Estrelas não seria fácil como se esperava.
Ficção e realidade
O sistema de armas do futuro baseado em canhões a laser existia só no cinema. A atmosfera seria densa demais e anularia o laser mortal. As possibilidades técnicas, que foram imaginadas para instalar as armas no espaço, estavam muito aquém das concepções dos defensores do SDI.
As consequências políticas, ao contrário, eram bastante reais. Muitas vozes se levantaram contra o plano de defesa estratégica e exigiam negociações com a União Soviética, cujos mísseis armados com ogivas nucleares podiam alcançar alvos nos Estados Unidos e na Europa Ocidental.
O Partido Social Democrata (SPD) da Alemanha era radicalmente contra uma participação do governo nas pesquisas para instalação de armas estratégicas no espaço. Os social-democratas oposicionistas não admitiam uma participação do seu governo numa decisão sobre o programa Guerra nas Estrelas.
Eles faziam pressão sobre governo para que fossem iniciadas negociações com a meta dupla de evitar a instalação de um sistema de armas no espaço e, paralelamente, fomentar uma redução drástica das armas nucleares. Os social-democratas ponderavam, todavia, que não poderiam nem queriam impedir uma cooperação da iniciativa privada alemã com as pesquisas, sem acordos com o governo.
Oposição dividida
A oposição social-democrata no Parlamento em Bonn chamava atenção para a posição especial da Alemanha dividida entre os blocos capitalista e comunista. Em meados dos anos 80, a linha de marcação entre o Ocidente e o Leste Europeu era um arsenal gigantesco. As duas Alemanhas reagiam com muita sensibilidade às mudanças de opinião e aos focos de ameaça.
Depois de encontrar-se em Berlim Oriental com o chefe de Estado e de Partido da República Democrática Alemã, a RDA comunista, Erich Honecker, o líder dos social-democratas na República Federal da Alemanha, a RFA capitalista, Hans Jochen Vogel, comentou:
"No que diz respeito ao desenvolvimento das relações entre os governos da RDA e da RFA, é evidente que os acordos sobre o SDI assinados pela Alemanha Ocidental são levados muito a sério na Alemanha Oriental e afetam as relações entre os dois Estados."
Ainda hoje é difícil visualizar a verdadeira substância que havia atrás do grande clamor dos promotores do SDI. Duas gerações de políticos americanos sonharam com o Guerra nas Estrelas, até que o programa de defesa estratégica foi congelado pelo governo do democrata Bill Clinton.

1811 - Têm início o movimento ludita na Inglaterra


Temendo o desemprego, trabalhadores atacaram máquinas que elevariam a produtividade
Em 26 de março de 1811, em Nottingham, na Inglaterra, os trabalhadores de uma fábrica têxtil destroçaram as máquinas acusando-as de lhes roubar trabalho e salário.

Esse movimento de revolta, suscitado pela crença de que a mecanização geraria desemprego, iria se desenvolver até 1816 nas Midlands, região central da Inglaterra. Era chamado de ludismo, nome derivado de um legendário operário que havia destruído dois teares por volta de 1780, John Ludd.
Contava-se então a história de um sábio que apresentara a um imperador romano um copo de vidro inquebrável. Na crença de que esta invenção levaria a maioria dos vidraceiros ao desemprego, provocando sua revolta, o imperador mandou executar o inventor.
Pode-se  seguramente situar no começo do século XVIII as primeiras revoltas operárias, alimentadas pela crença de que a mecanização provocaria desemprego. Seguiram-se à invenção de um dispositivo revolucionário por um jovem mecânico tecelão de Bury, a lançadeira mecânica volante.
Empregado de um cortineiro de Colchester, John Kay tinha menos de 30 anos quando pôs para funcionar essa máquina. Graças a um sistema de reenvio automático, ela permitia entrecruzar os fios de uma tela no curso da produção de um tecido qualquer que fosse a sua largura.
Até então a largura das telas era ajustada à envergadura dos braços dos trabalhadores tecelões, pois eram eles mesmos, para entrecruzar os fios, que deveriam fazer passar a lançadeira de um lado ao outro. Para obter telas mais largas, era necessário acrescentar outro operário ao ofício. A invenção provocou desequilíbrio, pois começa­ram a faltar fios produzidos na roca.
Esta invenção aparentemente simples fez aumentar a produtividade dos oficiais tecelãos. Os trabalhadores viam nela uma ameaça ao seu emprego e expulsam Kay, que tenta, em vão, vender sua invenção aos fabricantes de tecido da cidade vizinha de Leeds.
Apesar de tudo, a lançadeira mecânica volante se impõe. dobrando a produtividade da tecelagem, faz baixar fortemente o custo dos tecidos, acarretando um aumento significativo da demanda. Em lugar de reduzir o número de empregos, contribuiu para aumentá-los em toda a linha da produção têxtil inglesa.
Desenho de dois ludistas destruindo uma máquina de tear em 1812| WikicommonsCom a lançadeira mecânica inaugurava-se em 1733 a Primeira Revolução Industrial. Ela se caracterizava por um ritmo sensível de crescimento econômico da Inglaterra e o nascimento das primeiras fábricas, essencialmente do ramo têxtil. Dentro desse processo dinâmico, uma inovação se sucedia a outra rapidamente.
Além da tecelagem, os industriais da fiação tentavam a duras penas atender à demanda de fio. Seu problema foi resolvido por uma nova invenção, a de Richard Arkwright, mecânico de mais sorte que John Kay e que faria fortuna com sua máquina de fiação do algodão, a «Jenny». Permitia ao operário acionar 8,16 e até mesmo 60 rocas de uma só vez utilizando apenas a energia hidráulica.
Para melhorar o desempenho de seu invento, Arkwright lançou mão em 1777 da máquina a vapor projetada por um mecânico escocês igualmente inspirado, James Watt.
Para o branqueamento das telas, não era mais suficiente a técnica tradicional que consistia em untá-las com leite coalhado, deixando-as secar ao sol. Passou-se a utilizar o cloro que um químico francês, Nicolas Leblanc, conseguiu extrair do sal marinho de modo industrial às vésperas da Revolução.
Além do mais, do outro lado do Atlântico, os plantadores da Virgínia, mostravam-se ansiosos e entusiasmados em responder à explosão da demanda europeia por produtos de algodão. Em 1793, Eli Whitney inventa um dispositivo para separar o caroço do algodão de sua fibra. O novo descaroçador permitia mecanizar a fiação do algodão e baixar o preço da preciosa fibra. Isto faria a fortuna dos plantadores e alavancaria financeiramente o vertiginoso progresso dos EUA. Contudo, a colheita, por falta ainda de mecanização, exigia muita mão de obra, daí a intensificação do tráfico de escravos provenientes da África com as consequências dramáticas para a jovem nação.
No começo do século XIX, em um contexto de expansão econômica, o ludismo se mostrava como um movimento de retrocesso. Foi evidentemente condenado pelos patrões e pelos economistas liberais, mas também por Karl Marx que via nele uma prova da insuficiente educação dos operários. Aos seus olhos o problema não era a máquina mas a exploração que o dono dela fazia em detrimento dos trabalhadores.
Fonte: Opera Mundi

O genocídio armênio e o silêncio conivente do Brasil


Apesar de reconhecimento de 20 países, o Brasil ainda passa vergonha internacionalmente por não reconhece crime contra humanidade
No dia 24 de abril de 2015, o mundo relembrará 100 anos do primeiro genocídio do século XX, que matou aproximadamente um milhão e meio de armênios. E a pergunta que não cala é “você já ouviu falar sobre o genocídio armênio?”. Muito provavelmente a resposta será negativa, e aí o tranquilizamos, já que infelizmente essa resposta está dentro dos padrões de normalidade de cultura e educação do nosso país.

Na realidade, é muito difícil encontrar alguém no Brasil que já tenha ouvido falar sobre o massacre que vitimou dois em cada três armênios que viviam no Império Turco Otomano. As razões principais são pelo fato de o assunto não ser alvo de estudo nas grades curriculares (tanto do ensino básico como do superior) e de os meios de comunicação, em sua esmagadora maioria, ignorarem rotineiramente o ocorrido. Dito isso, traremos um breve contexto histórico.

Leia também: Genocídio Armênio: as consequências de 99 anos de negação e esquecimento

Reprodução

Genocídio começou em 24 de abril de 1915, quando mais de 800 intelectuais armênios foram presos, deportados e assassinados

O plano de extermínio armênio teve como origem a crise do Império Turco Otomano. A tentativa de reestruturação feita no século XIX, que buscava modernizar o Império, não deu resultados efetivos. Para os armênios, surgiu um código de conduta, com direitos e deveres que foi avalizado pelo Patriarcado da Igreja Apostólica Armênia de Constantinopla (representativa de 80% dos armênios do Império). Esse arranjo jurídico-politico foi sustentado por uma Assembleia Nacional Armênia, que nada mais era que um órgão representativo sem poder algum, instalada em 1863 como interface nos diálogos com o Sultanato.

As pressões sobre os armênios só aumentavam. A sobretaxação da produção agrícola, opressão cultural com a proibição do idioma armênio em muitas regiões e a incitação para que grupos curdos atacassem vilas armênias eram algumas das violências perpetradas contra a maior minoria do Império. O quadro se agravou quando nas regiões orientais do Império Otomano, nas proximidades da área de influência da Rússia czarista, muitas províncias armênias começaram a se rebelar contra os desmandos dos governadores turcos. Pra piorar, disseminava-se entre a população turca e curda que os armênios, cristãos, eram aliados dos russos e que estavam mancomunados com o exército czarista para destruir o Império Otomano.

A escalada da violência culminou com os chamados massacres hamidianos (alusão ao Sultão Abdul Hamid II) que entre 1894 e 1896 ceifaram a vida cerca de trezentos mil armênios em represália aos movimentos rebeldes[1]. As pressões internacionais por reformas profundas abalavam a estrutura do Império Otomano. Internamente a oposição ao sultão crescia, especialmente entre o oficialato e o funcionalismo público que havia perdido privilégios e cargos com o encolhimento gradual do território, fruto de derrotas nos Bálcãs e nas cercanias do mundo árabe. Esses grupos, descontentes e declaradamente contra o sultão, formaram o movimento chamado de Jovens Turcos que agrupava também liberais e militantes nacionalistas.
Cartaz com dizeres: 'O livro como testemunha do genocídio', exposto no museu do Genocídio de Yerevan
Cartaz com dizeres: 'O livro como testemunha do genocídio', exposto no museu do Genocídio de Yerevan
Em 1906 eles se fundiram no Partido de União e Progresso (antes uma sociedade revolucionária secreta) que rapidamente soube capitalizar o descontentamento generalizado. Propondo mudanças culturais e políticas, os Jovens Turcos, maioria dentro do Partido de União e Progresso, conseguiu a convocação de um parlamento para realizar uma reforma constitucional que diminuiria sensivelmente o poder do Sultão. Muitos grupos políticos armênios aceitaram participar dessa tentativa de mudanças, já que há tempos vinham suplicando por melhores condições de vida e eram ignorados por quem estava no poder.

Porém, foi se desenhando um perverso plano. Os líderes dos Jovens Turcos decidiram eliminar a população armênia do território. A lógica genocida iniciava sua ação para acabar de vez com o que eles chamavam de “Questão Armênia”. Por essa lógica criminosa, eles afastariam o risco de um avanço russo pela Anatólia, que supostamente contaria com apoio dos armênios. Ao mesmo tempo saqueariam todas as propriedades armênias e assim solucionariam enormes pendências na economia.

A execução foi meticulosamente planejada. No Domingo de Páscoa de 1915, dia 24 de abril, intelectuais armênios foram presos supostamente para averiguações. Lideranças políticas e religiosas da comunidade foram pouco a pouco sendo encarceradas em Constantinopla e outras cidades. Nas vilas armênias a população masculina foi convocada para cavar trincheiras. Levados para longe eram mortos e soterrados nas valas que eles próprios abriram. Em poucas semanas a imensa maioria da população armênia começava a ser deportada para o Deserto de Der El Zor, inóspita região hoje dentro do território sírio. A estratégia era afastar a população armênia das vistas de observadores internacionais. Mesmo assim, relatos dramáticos de torturas, violência e perversidade chegaram ao ocidente graças a seres humanos comprometidos com a verdade e a justiça[2].

A vida dos poucos sobreviventes é o relato fiel do que realmente aconteceu. Em poucos meses quase a totalidade dos armênios do Império Otomano foi morta de forma criminosa. Pereceram um milhão e quinhentos mil armênios inocentes. Afora o crime humano, famílias foram separadas, orfanatos tentavam organizar a vida de crianças desesperadas e traumatizadas e um milenar patrimônio cultural foi destruído.

Somos descendentes dos poucos sobreviventes que depositaram em nós a gana por justiça. Eles chegaram ao Brasil nos anos de 1920 e 1930 e adotaram essa nacionalidade integralmente. Herdamos deles a obrigação de continuar essa luta pelo reconhecimento internacional do genocídio.

Embora mais de 20 países já o tenham reconhecido, como Alemanha, França, Canadá, Rússia, Holanda, Grécia e inclusive nossos vizinhos Argentina, Chile, Uruguai, Venezuela e Bolívia, o Brasil ainda passa vergonha internacionalmente por não reconhecer um dos maiores crimes já cometidos contra a humanidade[3].

E esse silêncio irritante acaba indiretamente fazendo com que o nosso país se torne (por que não?) cúmplice desse massacre, já que tem o conhecimento de todos os fatos, tem o poder de tomar uma decisão, mas prefere quedar silente e ignorar o ocorrido. Dessa maneira, a interpretação lógica e automática é que há um posicionamento brasileiro sim, mas ao lado do opressor.

O lobby turco é muito forte, assim como os laços da economia e da política entre os dois países. Porém, do outro lado há um povo com uma história de mais de 4 mil anos que não se cansa nunca. Um povo que luta todos os dias para que um dia esse crime saia do vale das sombras e ganhe luz, para que a verdade seja dita e todos saibam o que aconteceu em 1915.

Um milhão e meio de vidas assassinadas não podem ter menos importância do que um receio de estremecimento nas relações diplomáticas[4]. Portanto, nesse aniversário de 100 anos, o povo armênio e principalmente todos aqueles que lutam pelos direitos humanos clamam: “Brasil, reconheça o genocídio armênio!”.

[1] Os estudos do intelectual turco Taner Akçam, uma das maiores autoridades mundiais em genocídio, no seu livro “Do império a república: o nacionalismo turco e o genocídio armênio, fundamentam a comprovação dessa barbárie.

[2] Destacamos notadamente o livro “A história do Embaixador Morgenthau”, da Editora Paz e Terra, que é um documento cabal do hediondo crime contra a humanidade

[3] Há uma lista enorme também de organismos internacionais que já o reconheceram, como o Tribunal Permanente dos Povos, o Parlamento Europeu e a Assembleia Geral da ONU (há uma Resolução). Para acessar a lista completa: http://www.genocide-museum.am/eng/international_organisations.php

[4] Ainda mais porque isso não se comprovou em todos os países que o reconheceram. Ou seja, esse argumento não é válido também.

(*) Artigo originalmente publicado no site Consultor Jurídico

James Onnig Tamdjian é professor de Relações Internacionais da FACAMP, pesquisador do Grupo de análise de Conflitos Contemporâneos, Massacres e Genocídios da UNIFESP

Philipe Arapian é assistente jurídico da Promotoria de Justiça de Direitos Humanos do Ministério Público de São Paulo.
Fonte: Opera Mundi

Suicídios contaminaram Alemanha nos dias finais da Segunda Guerra

Livro revela que exemplos de Hitler e Goebbels não foi fenômeno restrito à cúpula nazista
POR GRAÇA MAGALHÃES-RUETHER

Família unida na morte. Magda e Joseph Goebbels com os filhos: Só Harald (de uniforme), filho do primeiro casamento de Magda com magnata herdeiro da BMW, sobreviveu - Reprodução

BERLIM - O lugar onde o pior ditador do século XX encontrou o seu fim fica no subsolo de um estacionamento de carros, junto a um prédio de apartamentos simples, de arquitetura despojada típica da era comunista, no centro de Berlim. A aparência banal do terreno que fica sobre o bunker do Führer é intencional, projetada pelo regime comunista da extinta República Democrática Alemã, onde ficava essa parte da rua Wilhelm no período de 1949 até 1989. No bunker onde a cúpula do regime nazista procurou proteção quando a derrota já parecia inevitável, ocorreram cenas dramáticas nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial, que terminaram com a morte de todos. Mas o clima de tragédia dos derrotados não ficou limitado à cúpula: contaminou a Alemanha. Num livro sobre como os alemães reagiram à derrota nas semanas e meses de transição, pouco antes da chegada dos vencedores, o historiador Florian Huber revela que o suicídio de Hitler e Goebbels não foi um caso isolado, mas parte de uma histeria nacional que tomou conta da Alemanha.

— O mito do soldado nazista que lutou por sua ideologia racista até a última gota de sangue precisa ser revisto — contou Huber em entrevista ao GLOBO, pouco depois de ler trechos da obra “Kind, versprich mir, dass du dich nicht erschiesst” (“Criança, prometa-me que não vais te suicidar”, em tradução livre), escrita em forma de reportagem, no salão literário da Casa Bertolt Brecht, em Berlim.

SEM VIDA DEPOIS DO FÜHRER

Pouco depois do suicídio de Hitler e Eva Braun, Joseph e Magda Goebbels mataram primeiro as filhas Helga, de 12 anos, Hilde, 11 anos, Holde, 8 anos, Hedda, 6 anos, e Heide, de 4 anos, bem como o único filho, Helmut, de 9 anos (todos os nomes começavam com H em homenagem a Hitler), antes de dar fim às suas próprias vidas. “A vida no mundo que vai chegar depois do Führer e do nacional-socialismo não vale a pena”, escreveu Magda na carta de despedida ao seu filho mais velho, Harald Quandt, o único que sobreviveu. Harald (1921-1967), que por parte de pai pertencia à familia dos magnatas da empresa BMW, era filho do primeiro casamento de Magda com o industrial Günther Quandt, de quem ela se divorciou para casar, mais tarde, com o nazista Joseph Goebbels.
‘Aldeia do suicídio’. Rua Adolf Hitler em Demmin, - Reprodução

Segundo Huber, o suicídio coletivo no centro do poder nazista começou já em janeiro de 1945, quando nem o próprio ditador conseguia acreditar que seria possível uma vitória. No livro, o historiador diz que a “histeria nacional de suicídio” é o capítulo mais obscuro da história do Terceiro Reich. Foram dezenas de milhares de suicídios em toda a Alemanha. Só em Berlim, mais de seis mil pessoas suicidaram-se nos últimos dias da guerra. O clima de medo era não somente em relação aos soviéticos: também as grandes cidades ocidentais, como Munique ou Colônia, que foram libertadas pelos aliados, caíram na febre da maior onda de suicídio do mundo moderno.

Os números, no entanto, são apenas aproximados, porque nunca houve um levantamento exato dos casos, que até agora não tinham despertado atenção. Eram homens e mulheres que entraram em pânico por medo do futuro em um país ocupado, depois de uma ditadura durante a qual haviam esquecido qualquer resquício de humanidade.

— De um lado havia o confronto com um mundo que estava desmoronando. Depois de mais de 12 anos de regime nazista, as pessoas se deparavam com o nada, como se o mundo tivesse acabado. Mas havia também a convicção da culpa que haviam acumulado nesses anos e o medo terrível de que os inimigos vitoriosos na guerra praticassem contra elas as mesmas atrocidades que os nazistas haviam cometido contra os judeus — explica Huber.

No cemitério de Demmin, cidade que tem hoje 12,2 mil habitantes, um monumento lembra a tragédia que tomou conta do lugar no início de 1945. Quando os soviéticos atingiram Demmin, no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, 230 km ao norte de Berlim, um pânico coletivo tomou conta da população. Em apenas três dias, quase mil pessoas se mataram.


— Mães e pais matavam os filhos por afogamento, estrangulamento ou com um tiro na cabeça, para depois fazer o mesmo consigo. A tragédia marcou para sempre a vida de muitas pessoas que conseguiam matar os filhos mas depois não tinham coragem de se matar — revela Huber.

Apenas um homem de Demmin, entre as centenas que sobreviveram depois de matar a família (e não ter tido coragem de tirar a própria vida), foi julgado pelo crime: o assassinato da esposa e dos dois filhos a tiros. O julgamento terminou com absolvição, porque os juízes consideraram o pai vítima de uma situação extrema, sem culpabilidade e isento de pena, do ponto de vista jurídico.

As vítimas da tragédia de Demmin estão sepultadas em uma cova coletiva. Os mortos eram enterrados apenas com a roupa que usavam no momento final ou em caixões de papelão — com tantos cadáveres em tão pouco tempo, não havia mais caixões de madeira disponíveis. As lápides, improvisadas, às vezes nem revelam os nomes, apenas descrições sobre a morte, como “menina enforcada pelo avô”, “menino afogado pela mãe” ou “crianças levadas pela mãe no suicídio”.

Manfred Schuster tinha 10 anos quando foi testemunha da tragédia de Demmin. Ele viu uma mãe pular no rio Peene, tendo os filhos pequenos fixados junto ao próprio corpo com a ajuda de uma corda de varal, usada para pendurar roupas.

— Duas das crianças conseguiram se desamarrar e nadar até a margem, de onde observaram a última luta dos irmãos para não afundar nas águas junto com a mãe — lembra Schuster, hoje com 80 anos, filho de um soldado da Wehrmacht.

SUICÍDIOS ERAM ROTINA NO PÓS-GUERRA


Karl Schlosser, também de 80 anos, é o último sobrevivente das famílias suicidas. Ele lembra como conseguiu escapar da tentativa da mãe de matá-lo com uma navalha de barbear.

— Minha mãe preferiu matar os dois filhos e seu pai, meu avô, para depois se suicidar, em vez de viver em uma cidade dominada pelas tropas do ditador soviético Josef Stalin — recorda Schlosser, que acompanhou a “epidemia de suicídio” em sua cidade natal como a principal rotina do final da guerra.

Todos os dias, ele via corpos sendo levados pela correnteza do rio, adultos e crianças enforcados que ainda estavam pendurados nas árvores ou pessoas mortas com a fisionomia desfigurada por causa do veneno que haviam tomado ou recebido dos parentes próximos. O veneno mais consumido era o cianureto de potássio, e, segundo Schlosser, as pessoas falavam sobre o cianureto na taça de vinho tinto como se fosse um pouco de leite no café.

— Toda a elite do regime nazista tinha doses de cianureto que planejava usar para o caso de cair nas mãos do inimigo. Com esse veneno, alguns condenados no Tribunal de Nuremberg evitaram uma execução, morrendo antes — explica o historiador e autor do livro. — Esse veneno era muito popular porque qualquer farmacêutico conseguia produzi-lo artesanalmente e porque ele oferecia a possibilidade de uma morte rápida.

Huber esteve na região do Palatinado, no Sudoeste da Alemanha, e teve a ideia de escrever o livro ao recordar as narrativas do seu pai, que tinha 11 anos quando a guerra acabou na região. Os soldados alemães tinham ido embora, os americanos eram esperados, mas não haviam ainda chegado, e as pessoas começaram a acabar com suas vidas como se tivessem perdido o equilíbrio mental.

— Meu pai contava que havia um clima de profunda incerteza, talvez porque as pessoas, no fundo, já soubessem que quase tudo que era lei no regime nazista passaria a ser visto como crime contra a Humanidade — conta Huber.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/sociedade/historia/suicidios-contaminaram-alemanha-nos-dias-finais-da-segunda-guerra-15594021#ixzz3Va0vbycB
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quinta-feira, 26 de março de 2015

Comprovação de Competência

A Universidade de Passo Fundo (UPF) oferece semestralmente aos seus acadêmicos a oportunidade de realizar provas de comprovação de competência para as áreas de Informática Básica, Língua Portuguesa e Línguas Estrangeiras. As provas, que podem ser realizadas até o final do terceiro semestre, a contar do ingresso no curso, visam à comprovação da preexistência de habilidades e conhecimentos que possibilitem a realização de tarefas acadêmicas no decorrer da graduação, de forma a integrar os conhecimentos técnicos e práticos associados ao desempenho futuro da profissão.


Conforme a Resolução Consun 10/2010, a comprovação de competência no uso de ferramentas básicas de informática é obrigatória para todos os bacharelados, licenciaturas e cursos superiores de tecnologia. Já a comprovação de competência na leitura de textos em língua estrangeira, inglês ou espanhol, é facultativa se não estiver prevista no projeto pedagógico do curso, ocasião em que se torna obrigatória.  

Para ser considerado aprovado, o acadêmico deve obter nota igual ou superior a 7,0.  Informações sobre reprovação, isenção e alternativas para quem não comprovar a competência no prazo estabelecido podem ser obtidas no endereço eletrônico http://www.upf.br/competencia.   As inscrições devem ser feitas pelo mesmo link.

Datas importantes -  1º semestre letivo
De 10 a 31 de março: período de inscrições.
15 de abril: realização da prova de leitura de textos em língua portuguesa
16 de abril: realização da prova de leitura de textos em língua estrangeira
17 de abril: realização da prova de informática básica
Para acessar modelos de provas, clique aqui

Informações
Mais informações podem ser obtidas junto à Divisão de Ensino de Graduação, pelo e-mail dgrad@upf.br, ou pelo site www.upf.br/competencia. Para dúvidas específicas, é possível entrar em contato com a área de línguas estrangeiras, pelo telefone (54) 3316-8335, e com a área de informática, pelo (54) 3316-8354.

terça-feira, 24 de março de 2015

1882: Descoberto bacilo da tuberculose

No dia 24 de março de 1882, o médico alemão Heinrich Hermann Robert Koch anunciava a identificação do bacilo causador da tuberculose.
Robert Koch em seu laboratório
“Será que as três dúzias de cadeiras na sala de conferência serão suficientes?”, questiona-se preocupado o zelador do Instituto de Fisiologia de Berlim. Afinal, seu chefe, o conselheiro du Bois-Reymond, espera receber esta noite muito mais convidados do que de costume.
Uma palestra está no programa. Seu tema: “Tuberculose”. Será ministrada pelo Dr. Robert Koch, membro do conselho do Departamento Imperial de Saúde Pública. O título da conferência é um tanto quanto genérico, mas muito se espera dela, afinal Robert Koch sempre foi um nome importante do setor bacteriológico.
Robert Koch anuncia sua descoberta
O homem magro e de estatura mediana inicia sua apresentação lentamente, com certa hesitação. Os convidados ouvem com atenção e, talvez, alguns já comecem a suspeitar de que serão testemunhas de um marco na história da ciência. O colega Robert Koch, na época com 38 anos, anuncia a descoberta do causador da tuberculose, batizado por ele como “bacilo da tuberculose”.
“Em função das minhas inúmeras observações, considero provado que em todos os casos de tuberculose, em pessoas e animais, é encontrado o que chamei de bacilo da tuberculose. Um microorganismo que, através de suas características peculiares, diferencia-se de todas as outras bactérias conhecidas.”
Na época, além do fato de que era maligna e infecciosa, não se sabia muito mais sobre a tuberculose. A doença – também conhecida como tísica pulmonar – podia arrebatar um paciente em poucas semanas, outros sofriam durante anos antes de morrer. Dos 50 milhões de alemães, um milhão sofriam de tísica. Oitenta mil morriam todos os anos da doença. E um em cada sete europeus perecia de tuberculose.
Cura era quase impossível
“No final do século 19, a tuberculose era tão temida quanto o câncer e o enfarte de coração atualmente", explica Peter Schneck, do Instituto Histórico de Medicina da Clínica Charité, em Berlim. "Realmente uma doença popular, como se dizia na época, e era também, com certeza, consequência das condições sociais. Estava diretamente ligada ao aparecimento das grandes cidades. Muitas pessoas viviam comprimidas nos centros urbanos de trabalho, onde faltavam moradias, saneamento e condições higiênicas apropriadas.”
Aos pacientes eram recomendados boa alimentação, tranquilidade e ar fresco – moradores dos bairros pobres mal podiam seguir tais advertências médicas. Os ricos iam, às vezes, a clínicas de tratamento. Mas a cura era quase impossível. Já se sabia há muito tempo que a tuberculose era infecciosa. Em 1865, um médico do Exército francês comprovou que a doença era transmitida de pessoas para coelhos.
270 tentativas antes de o bacilo aparecer
Robert Koch queria agora evidenciar o causador da tísica através de testes com animais e análise microscópica. Em agosto de 1881, iniciou suas pesquisas: infectou duas cobaias com material tuberculoso e esperou que estas adoecessem. Paralelamente, preparava amostras, coloria e examinava-as no microscópio.
Sempre trabalhando com técnicas novas de coloração, Robert Koch procurava tornar visível o que ninguém conseguira ver até então. No 271º preparado, o pesquisador encontrou o que tanto procurara: bacilos finos em forma de bastão com sinuosidades e espiralações. Ele conseguiu desenvolver uma cultura desses microorganismos sobre nutrientes. E encontrou, finalmente, a última prova de que precisava: a tal cultura, criada fora dos hospedeiros, era a responsável pela tuberculose.
A boa notícia propagou-se mais rápido que a doença
Robert Koch realizou um trabalho difícil e intenso antes de apresentar seus resultados aos integrantes da Sociedade Berlinense de Fisiologia, em 24 de março de 1882. Sua novidade revolucionária logo ganhou a mídia.
“Com o telégrafo a notícia correu o globo. A imprensa do mundo todo anunciou que a causa da tuberculose fora descoberta por um homem chamado Robert Koch", comenta Peter Schneck. "De repente, o nome do cientista estava em todas as bocas. O que era compreensível, levando em consideração a propagação da doença. Seria como se disséssemos hoje: encontramos a cura do câncer.”
Com a descoberta do bacilo, Robert Koch desmascarou a tísica. Agora, os especialistas não lidavam mais com algo indeterminado, mas sim com um parasita concreto. A tuberculose, até então tão temida, começava a tombar diante do avanço da ciência.
  • Autoria Martina Assunção (mas)
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