sábado, 28 de fevereiro de 2015

História regional em sala de aula será lançado dia 01 de abril


História regional em sala de aula (Ironita P. Machado): este livro resulta de um projeto constituído com base na necessidade de redimensionar a prática pedagógica, tanto de professores de história quanto de pesquisadores e formadores de docentes em nível superior. Nesse sentido, o caminho traçado à elaboração deste livro considera, de forma central, as questões que dizem respeito à história temática – história regional – e ao seu ensino, tendo como objetivo apresentar possibilidades metodológicas que auxiliem os colegas professores na elaboração de seus planejamentos e na definição de suas práticas em sala de aula.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Seleção de voluntários para o LACUMA


1920: Estreia "O Gabinete do Dr. Caligari"

O filme estreado em 27 de fevereiro de 1920 entrou para a história do cinema mundial. Da autoria de Robert Wiene, é um dos primeiros filmes de suspense e uma obra-prima do Expressionismo.
Cena entre Caligari, Cesare e Jane
Das Kabinett des Doktor Caligari, rodado no inverno de 1919-1920 numa pequena casa em Berlim-Weissensee, foi não apenas um dos primeiros filmes produzidos em estúdio como também marcou época na história do cinema mudo alemão e mundial. Não houve nenhuma outra produção comparável a essa obra-prima do Expressionismo, sob a direção de Robert Wiene.
"Tem um ar de poesia nesse filme. É como se o Dr. Caligari concretizasse os sonhos de E.T.A. Hoffmann: a figura misteriosa, sem origem e sem rumo, que oferece às pessoas o 'elixir do diabo'. Um demônio à revelia, com algo ambíguo em cada gesto", opinou certa vez Rudolf Kurtz, que dirigiu o departamento de filmes culturais da produtora UFA nos anos 1920.
Além de ser o filme mudo alemão mais famoso, O Gabinete do Dr. Caligari também entrou para a história do cinema por ser o mais famoso filme sobre psiquiatria, projetando na tela, como num delírio, toda a ambivalência da alma humana.
A combinação da ousadia artística dos seus realizadores e dos poucos recursos do produtor acabou resultando num cult movie indiscutível para os cinéfilos de todo o mundo.
Ambivalência da alma humana
As figuras centrais são o hipnotizador Caligari, que se apresenta num parque de diversões com seu médium Cesare, um sonâmbulo que mata várias pessoas sob hipnose e às ordens de seu mestre. O estudante Francis reconhece Cesare, quando ele arrasta sua amada, Jane.
Francis acaba desmascarando a vida dupla do Dr. Caligari, pois além do seu show como hipnotizador, ele é diretor de um hospital psiquiátrico. Caligari tem um ataque e é levado pela polícia.
Trama genial
Esta história de suspense e de terror, até certo ponto banal, é a trama do filme. Mas o verdadeiramente genial é a existência de uma história dentro da história, isto é, de uma segunda trama ou um segundo nível da trama.
Quando se pensa ver o Dr. Caligari preso ou numa cela do seu próprio manicômio, ei-lo no banco do parque do hospital psiquiátrico como seu diretor, enquanto Francis, Jane e Cesare também estão por lá em outros papéis. Ou seja, o louco é Francis, que estaria contando a história a outro paciente.
Quanto ao Dr. Caligari, ele aparece nessa segunda trama como o bondoso diretor do hospital. E quando Francis, em sua mania, chama Caligari de louco, o doutor considera o fato uma projeção de seu mal, e um bom sinal de que Francis está melhorando!
O filme puxa o tapete de todas as certezas quanto ao que é normal e anormal. A parte final, a segunda trama, abre a possibilidade não apenas de representar o mundo exterior, como também a vida interior de uma personagem, porém de forma que a lógica narrativa corresponda ao estado psíquico do narrador. Uma ligação estilística magistral da arte com as diversas formas da loucura.
Design expressionista
No entanto, não foi a temática nem a trama que ligaram o filme às correntes expressionistas da época. Foi o seu design único e revolucionário no princípio do cinema: os cenários e ângulos de câmara distorcidos, os estranhos efeitos de luz e sombra na composição dos climas psicológicos.
Tendo pouco dinheiro à disposição, os realizadores recorreram à imaginação. Em vez de tentar imitar a natureza em caros cenários realistas, criaram um misterioso mundo de madeira e papelão, em branco e preto, como num pesadelo.
Casas tortas, cubistas, corredores e caminhos kafkianos que parecem intermináveis são complementados por uma maquiagem tétrica, pelos figurinos, bem como uma mímica expressiva e a inigualável presença criada pela linguagem corporal dos atores.
O ator que virava doutor
Lil Dagover, que fez o papel de Jane, conta sobre seu ídolo, o ator Werner Kraus (o Dr. Caligari). Ao chegar no estúdio em Berlim:
"Entrei e vi Werner Kraus passar no meio do cenário, completamente compenetrado no papel de Caligari. Então eu o cumprimentei: 'Bom dia, Sr. Kraus'. Ele me olhou como se nunca tivesse me visto na vida. Aí um dos iluminadores me disse: 'Acontece que a partir das nove horas ele é o Dr. Caligari'. Veja você, aí caiu a ficha, só então percebi que esse grande ator dava tudo de si, se esforçava até a última consequência para mergulhar nesse papel".
O final do filme é uma provocação, deixando em aberto o que é real e o que é alucinação. Ao fazer isso, cria aquela ambiguidade que joga com a realidade aparente e a pura ilusão dos sentidos. O Gabinete do Dr. Caligari, nesse sentido, é o próprio cinema, a sétima arte da ilusão.
"O filme nada perdeu de sua atualidade, pois expõe os efeitos do autoritarismo, despotismo, tirania e da influência das massas através do hipnotismo. Mas também pela ligação estilística da arte moderna com formas da loucura", observa a Enciclopédia Internacional do Filme.
  • Autoria Barbara Fischer (ns)
  • Imprimir Imprimir a página
  • Link permanente http://dw.de/p/1t8J

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

AHR/UPF inscreve para curso de Formação de Guias de Visitação do Cemitério Vera Cruz

Atividade terá 60h de formação em diversos aspectos e inscrições seguem até 07 de março

O Arquivo Histórico Regional da Universidade de Passo Fundo (AHR/UPF) e o Instituto Histórico de Passo Fundo (IHPF) promovem o curso Formação de Guias de Visitação do Cemitério Vera Cruz. A iniciativa visa à formação de acadêmicos para serem guias de visitação aos grupos interessados em conhecer o local, de forma a vetorizar a divulgação da reflexão sobre história e patrimônio citadino e fortalecer a formação dos graduandos que serão os interlocutores extensionistas no atendimento ao público visitante.

O curso será realizado na modalidade semipresencial, com auxílio da Plataforma Moodle, tendo como público-alvo estudantes de História, Artes Visuais, Arquitetura e Pedagogia. Ao todo, são quatro módulos que compõem a formação: História local e Patrimônio Cemiterial; As rotas: personagens de uma história; As rotas: arte e estatuária; e Visitações.

Durante a formação, serão apresentadas informações históricas da região Norte do estado, bem como sobre os personagens históricos de Passo Fundo. Os participantes também poderão realizar visitas ao Cemitério Vera Cruz e desenvolver atividades voltadas à interpretação do patrimônio artístico presente no espaço.
Informações e inscrições

Interessados em participar devem se inscrever até o dia 07 de março, na coordenação do curso de História, Campus I da UPF. São oferecidas 20 vagas e o investimento é de R$ 30,00, pagos no ato da inscrição. A carga horária total do curso é de 60h e as atividades terão início em 07 de março.

Mais informações sobre o curso podem ser obtidas no site www.historiaupf.blogspot.com e pelo e-mail da coordenadora do curso, professora Gizele Zanotto, gizele@upf.br.

Assessoria de Imprensa UPF

Bixos 2015.01!


Clique para ampliar

Seminário e viagem de estudos 2015


Prezados alunos História/UPF,

Gostaríamos de saber sobre seu interesse sobre a viagem de estudos de 2015.
Roteiro: Montevidéu e Colônia do Sacramento: a Banda Oriental e relações de fronteira.
Data: 5 a 7 de setembro.


Valor projetado: R$ 600,00 a 700,00 + despesas pessoais (alimentação). Estamos estudando o parcelamento do valor.


Pedimos que respondam se tem interesse, mas atentando para a possibilidade real de participar enviando nome completo, nível e fone de contato para chistoria@upf.br até 15 de março!

Att.
Prof. Adriano Comissoli 

Responsável pelo Seminário e Viagem de Estudos

Seminário de Estágios 2015.1


O ano inicia com organização de atividades de estágio curricular, realizado pelos alunos dos últimos níveis do curso. O Seminário de Estágios foi pensado para qualificar e instrumentalização essa importante atividade de formação dos futuros professores-pesquisadores de História. "Ser professor de História" em debate com os professores Rosane, Marcos, Flávia e Alessandro - participe!
Na sequência da atividade haverá aula normal com os professores Tau Golin (nível VI) e Flávia Caimi (nível VII).

Olimpíadas de História


Desde o dia 17 de fevereiro estão abertas  as inscrições para a 7º edição da Olimpíada Nacional em História do Brasil
Elaborada pelo Departamento de História da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), a Olimpíada Nacional em História do Brasil traz o desafio de estudar a história do Brasil por meio de textos, documentos, imagens e mapas, ao longo de questões de múltipla escolha e da realização de tarefas muito especiais!
A Olimpíada tem um formato original. É realizada por equipes compostas por 4 pessoas: 3 estudantes (oitavo e nono anos do ensino fundamental e qualquer ano do ensino médio) e o professor de história do colégio. As cinco fases online duram uma semana cada uma, e as respostas são obtidas pelos participantes por meio do debate com os colegas de equipe e a pesquisa em livros, internet e com os professores.
Existe uma fase final para 1200 finalistas, que vão até a Universidade Estadual de Campinas onde realizam uma prova dissertativa, e aguardam o resultado e entrega de medalhas logo no dia seguinte. Nesta oportunidade, conhecem e confraternizam com estudantes e professores de história de todos os estados do Brasil.
Todos os detalhes, prazos e valores podem ser vistos aqui.

1993: Primeiro atentado contra o World Trade Center

Antes de sua destruição em 2001, o WTC de Nova York já fora alvo de um primeiro atentado, em 26 de fevereiro de 1993. Seus autores foram presos e condenados, mas nem tudo foi esclarecido.
Anschlag World Trade Center 1993 USA Autobombe
Era uma sexta-feira como qualquer outra, aparentemente. No World Trade Center, em Nova York, 20 mil pessoas compareceram ao trabalho e mais 80 mil estavam sendo esperadas durante o dia. Situado no sul de Manhattan, o WTC era um símbolo da potência econômica do Ocidente.
Um furgão Ford entrou na garagem do World Trade Center, um dos poucos estacionamentos subterrâneos em Manhattan. Pouco tempo depois, o veículo voava pelos ares. A explosão destruiu a garagem, abrindo uma enorme cratera de 60 por 30 metros, e aproximadamente quatro andares de profundidade.
A fumaça sobiu até o 46º dos 110 andares do edifício. Seis pessoas morreram e mais de mil ficaram feridas. No que antes fora a garagem, acumularam-se 6 mil toneladas de destroços. Os especialistas calculam que foram usados 700 quilos de explosivos.
O atentado foi planejado com a intenção de derrubar o prédio. Como isso não aconteceu, seus construtores vangloriaram-se de que o WTC aguentaria até a colisão com um Boeing 707. Oito anos mais tarde, outros terroristas acabariam com o edifício e sua grandiloquência.
Seis pessoas morreram e mais de mil ficaram feridas no atentado de 1993
"Terrorista profissional"
A polícia, o FBI e a CIA se encontravam diante de um enigma. Quem estaria por trás do atentado? Seria uma represália do Iraque pela Guerra do Golfo? Os fanáticos religiosos do Irã não estariam querendo se vingar pela "arrogância americana"? Ou seria obra dos palestinos, cansados do apoio de Washington a Israel?
O acaso acabou contribuindo para esclarecer os fatos. Embora quase nada tivesse sobrado do furgão em que foram colocados os explosivos, sua placa foi encontrada, bastante amassada.
O veículo pertencia a uma agência de aluguel em Nova Jersey. O homem que alugara o furgão retornou à agência, para exigir de volta o dinheiro do depósito. A polícia prendeu-o, não demorando muito a identificar o grupo que realizara o atentado.
A figura principal era o árabe Ramzi Youssef, imigrado para os EUA em 1992. Ele se considerava palestino, dizia que nascera no Kuwait e depois se naturalizara paquistanês. No entanto, havia entrado nos Estados Unidos com um passaporte do Iraque.
Treinamento no Afeganistão
Youssef estivera num campo de treinamento militar no Afeganistão, destinado a preparar os novos "recrutas" dos grupos terroristas dos países árabes.
Outro integrante do comando responsável pelo atentado contra o World Trade Center, Mahmoud Abuhalima, também tivera treinamento no Afeganistão.
Os demais não tinham ficha policial nem registro nos serviços secretos. Contudo, eram adeptos de um líder religioso egípcio cego, que deixara seu país por agitar contra o governo, refugiando-se em Nova Jersey.
Tratava-se do xeque Omar Abdul Rahman, também detido. O governo do Egito, porém, não se interessou por sua extradição.
Advertências do Egito
As autoridades egípcias tinham indícios de que algo estava em planejamento e advertiram Washington em mais de uma ocasião. "Recebemos muitas informações, que repassamos ao serviço secreto norte-americano. Mas não tínhamos nenhuma indicação concreta de que haveria um atentado contra o World Trade Center", declarou na época o presidente egípcio Hosni Mubarak.
O xeque havia entrado várias vezes nos Estados Unidos com passaporte sudanês falso, mas as autoridades não tomaram providências. Provavelmente porque ele poderia ser condenado à morte, se fosse extraditado.
Parece ainda que Washington conseguiu convencer o presidente egípcio a não solicitar a entrega do líder fundamentalista islâmico. "Não exijo que Abdul Rahman volte para o Egito. Fiquem com ele nos EUA, se quiserem. Talvez seja até melhor assim", disse Mubarak numa entrevista.
Tragédia de 11 de setembro de 2001 acabou por destruir as torres gêmeas
Motivos não ficaram claros
Como a Justiça egípcia tampouco tomou a iniciativa de exigir sua extradição, Abdul Rahman acabou sendo condenado à prisão perpétua nos EUA como mandante do atentado, juntamente com seus autores.
No entanto, não foram apresentadas provas de seu envolvimento direto, e tampouco os motivos dos outros terroristas jamais ficaram esclarecidos. Quem analisa suas declarações perante a Justiça nota que eles são fanáticos religiosos, mas isso não basta como motivo do crime.
Por outro lado, a hipótese de que estariam a serviço de um país inimigo também não convence. Se, por exemplo, o Iraque houvesse financiado o atentado, seus autores estariam mais bem equipados, teriam construído uma bomba mais potente e poderiam ter escapado.
Ao que tudo indica, Ramzi Yousef, o "terrorista profissional" do grupo, convenceu os demais, ao apelar a seus ideais religiosos que, por sua vez, foram insuflados pelo xeique Abdul Rahman.
Enfim, o atentado de 26 de fevereiro de 1993 foi obra de um pequeno grupo de extremistas fanáticos. Na época, pareceram um exagero suas ameaças, de que haveria mais de 150 terroristas nos EUA decididos a tudo.
  • Autoria Peter Philipp (ns)
  • Link permanente http://dw.de/p/1svn

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Começou! Recepção aos calouros no IFCH





1895 – Começa a segunda guerra pela independência de Cuba

Começa no dia 24 de fevereiro de 1895 a segunda guerra de independência de Cuba. Três décadas depois da primeira tentativa de emancipação, os EUA valeram-se do pretexto da repressão desencadeada pelo governo espanhol para entrar em guerra contra Madri e despojá-la de suas últimas colônias na América Latina e na Ásia.

A eclosão deste segundo conflito ocorreu graças ao Partido Revolucionário Cubano, fundado um mês antes nos EUA pelo escritor cubano José Marti, "O Apóstolo". Os comandantes da Primeira Guerra de Independência, Antonio e José Maceo, que estavam refugiados na vizinha ilha de São Domingos, atual República Dominicana, se uniriam à nova rebelião.

Wikicommons
O governador militar espanhol, general Valeriano Weyler, reage com brutalidade e proclama a lei marcial. As hostilidades voltam-se então rapidamente contra os cubanos independentistas.

[José Martí é tido como principal herói nacional de Cuba até hoje]

Em 19 de maio de 1895, José Marti é morto na batalha de Dos Rios, na região oriental da ilha. José Maceo, por sua vez, seria assassinado no ano seguinte na batalha de Loma del Gato. Por fim, meses depois, seria a vez de Antonio Maceo, em Punta Brava.

O general Weyler descobriria uma aplicação inédita para o arame farpado, uma invenção de meados do século XIX utilizada nas grandes planícies norte-americanas para cercar as manadas de gado e proteger os campos. O artefato permitia instalar "campos de concentração" e ali reunir os camponeses das zonas rebeladas sob a vigilância de um número muito pequeno de guardas. Cerca de meio milhão de pessoas morreriam de fome ou de doenças nessas espécies de campo de concentração.

O século XX já havia começado e os horrores se alastravam. Nos EUA, a opinião pública se fortalece e denuncia insistentemente os "campos da morte". Em novembro de 1897, deparando-se com um conflito sem saída, o governo de Madri propõe autonomia a Cuba, mas a oferta é rejeitada pelos rebeldes.

Faltou ao governo espanhol, contudo, uma voz de autoridade. O país era dirigido por uma regente, a rainha-mãe, tutora do rei coroado, Alfonso XIII, de apenas 12 anos.

Em Washington, por sua vez, o presidente William McKinley se recusava a intervir para que a ilha fosse libertada. Envia em janeiro de 1895, para fazer uma visita de amizade a Havana e acalmar a inquietação dos empresários e proprietários de terra norte-americanos em Cuba, o cruzador Maine.

Quem poderia prever que esta “visita de amizade” pudesse se transformar numa guerra entre a Espanha e os EUA?


Fonte: Opera Mundi

Pforzheim, vítima esquecida da Segunda Guerra

Em termos proporcionais, bombardeio aliado sobre a pequena cidade no sudoeste da Alemanha foi pior até que os de Dresden e Hamburgo. Passados 70 anos, moradores se esforçam para que tragédia não seja esquecida.
Durante 22 minutos ininterruptos, os sinos tocam em Pforzheim, no sudoeste alemão. Milhares de moradores se reuniram nesta segunda-feira (23/02) para recordar o bombardeio de 1945. Nesse dia, em apenas 22 minutos a cidade foi praticamente eliminada do mapa pelos projéteis lançados pelos aviões dos Aliados.
Setenta anos depois, o acontecimento ainda emociona profundamente os habitantes da localidade a cerca de 40 minutos de carro de Stuttgart. No centro da Praça 23 de Fevereiro, eles depositam velas, formando uma pomba.
"Para Deus, para o meu povo e a minha cidade", diz a septuagenária Ulla, ao ser indagada para quem é a homenagem. "Eu era pequena demais para lembrar, mas sei, pela minha família e pelo que veio depois, o quanto esse dia nos machucou."
"Estamos aqui para recordar", explica Larissa, que veio com seis amigas. "É isso, não se precisa dizer mais nada", conclui, ainda ao som dos sinos, com seriedade insólita para uma adolescente de 17 anos.
1.500 toneladas de bombas destruíram Pforzheim em apenas 22 minutos
"Apagada do atlas"
Um ano após o fim da Segunda Guerra Mundial, o autor e médico alemão Alfred Döblin escrevia numa carta: "Desaparecida da face da terra, raspada, reduzida a pedacinhos. Nenhuma alma humana mais lá. Pforzheim, você pode apagá-la do atlas."
Entre as 19h50 e as 20h12 do dia 23 de fevereiro de 1945, 379 aviões da Força Aérea britânica lançaram sobre a localidade 1.575 toneladas de bombas altamente explosivas e incendiárias. O mar de chamas resultante é considerado, hoje, um dos mais devastadores da história militar.
Segundo as estatísticas oficiais, 17.600 pessoas morreram, dezenas de milhares ficaram feridas. A praça do mercado e o núcleo histórico foram aniquilados e completamente despovoados. No total, 80% da arquitetura então existente foram reduzidos a escombros.
Em termos proporcionais, esse foi o pior caso de destruição pelos Aliados ao fim da Segunda Guerra. Mas, enquanto os bombardeios de Dresden e Hamburgo foram bem documentados e permanecem na consciência coletiva, a pequena Pforzheim é raramente lembrada, na Alemanha ou no exterior.
Importância estratégica
Publicado em 1943 e 1944 pelo Ministério de Economia de Guerra do Reino Unido, o assim chamadoBomber’s Baedeker era um guia da importância econômica de diversas cidades alemãs, com vista ao bombardeio estratégico. Nele, Pforzheim aparecia na 57ª colocação, entre 101 localidades avaliadas.
A cidade tinha 80 mil habitantes, não produzia munição nem possuía qualquer tipo de indústria pesada, fora uma fábrica de tubos de metal da Metallindustrie Richter.
No entanto, ela abrigava numerosas instalações de manufatura técnica, que produziam, entre outros, lentes para periscópios e componentes para submarinos. Além disso, era um importante nó ferroviário e rodoviário na região de Baden.
Wallberg, o "Monte Entulhino" é lembrança constante dos bombardeios de 1945
Por que Pforzheim?
A pergunta "por que Pforzheim" irrita Anton, um dos participantes da vigília: "Você acha mesmo que alguém se importa com isso? Essa é uma questão para os políticos e estrategistas da época, para historiadores e jornalistas."
"É uma pergunta para gente que faz as perguntas erradas. O entulho do bombardeio ainda está aqui, num monte fora da cidade", complementa, referindo-se ao Wallberg, de 40 metros de altura, apelidado pela população de "Monte Scherbelino" (algo como "Monte Entulhino").
Num outro monte próximo, denominado Wartberg, cerca de cem neonazistas e ativistas de extrema direita se reúnem numa contramanifestação à vigília oficial. Isolados dos demais manifestantes e sob a vigilância de mil policiais, eles evocam as vítimas alemãs dos bombardeios aliados.
Do outro lado, o participante Manfred comenta, visivelmente comovido: "Foi no ódio que tudo isso começou. E ele causou a destruição da nossa cidade, 70 anos atrás. Você acha que eu vou ficar parado, deixar neonazistas marcharem por aqui? Nunca mais vamos deixar o ódio nos destruir."
Fonte: DW

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

UPF recepciona mais de 20 mil acadêmicos no dia 24 de fevereiro

Volta às aulas terá Recepção Acalourada para acadêmicos que ingressam na Instituição. Trote solidário marcará a integração de calouros e veteranos

Foto: Gelsoli Casagrande
Recepção vai contar com programação especial
Depois de um período de descanso, é hora de retomar atividades na Universidade de Passo Fundo (UPF). Na terça-feira, dia 24 de fevereiro, milhares de acadêmicos voltam às aulas na Instituição, no Campus central e nos Campi de Carazinho, Casca, Lagoa Vermelha, Palmeira das Missões, Sarandi e Soledade. Além desses, mais de 3 mil  estudantes ingressam na Instituição para o primeiro passo na construção de sua carreira profissional.

Na terça-feira, dia 24, os novos acadêmicos da UPF serão acolhidos na tradicional “Recepção Acalourada”, pelas unidades acadêmicas e campi, com programação específica. Na quarta-feira, dia 25 de fevereiro, haverá um momento especial, no ginásio da Faculdade de Educação Física e Fisioterapia (FEFF), para os calouros do diurno e do noturno. Com a participação da Reitoria, a Recepção vai contar com um programa diferenciado, conduzido pelo Mágico Renner, que promete surpreender os participantes com o Talk show “A magia do sucesso profissional”, incluindo, ainda, a apresentação da banda General Bonimores.

A Vice-Reitora de Graduação da UPF, Rosani Sgari, afirma que “A nossa Universidade está preparada para recepcionar os estudantes e acredita que a excelência acadêmica passa obrigatoriamente pela formação pedagógica, por um professor diferenciado e pela autonomia do estudante na construção do conhecimento que os tempos atuais estão a exigir. O resultado? Imediata inserção do aluno UPF no mercado de trabalho, com impacto no desenvolvimento econômico, cultural, social, tecnológico e educacional da região, estado e país”.

Trote Solidário
Pensando na integração de calouros e veteranos, a UPF promove a cada ano uma dinâmica diferente de trote. Nesta edição, a Instituição propõe que as turmas reúnam livros para doação, o que estimulará a leitura e a socialização dos saberes. Trata-se do Trote Solidário, que, em uma ação coletiva, valorizará a leitura em todas as áreas do saber, compreendendo o livro como uma ferramenta de aprendizado, tanto para quem dá, como para quem o recebe. Os exemplares arrecadados serão doados a espaços de leituras e bibliotecas comunitárias de bairros de Passo Fundo. A turma vencedora será aquela que arrecadar a maior quantidade de livros no prazo de 25 de fevereiro a 25 de março.


Fonte: Imprensa UPF

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Batalha de Verdun foi a mais longa e uma das mais sangrentas da Primeira Guerra Mundial


Travada entre fevereiro e dezembro de 1916, batalha no nordeste da França envolveu exércitos alemão e francês e terminou com 710 mil baixas, entre as quais 160 mil mortos
A Batalha de Verdun foi a mais longa das batalhas da Primeira Guerra Mundial e a segunda mais sangrenta depois da Batalha de Somme. Nela se enfrentaram os exércitos francês e alemão entre 21 de fevereiro e 19 de dezembro de 1916, nos arredores de Verdun, na região nordeste da França. Os resultados foram 250 mil mortos e cerca de meio milhão de feridos de ambos os lados, mais de 100 mil disparos de obus diários e nove povoados apagados do mapa para sempre. Uma batalha que refletiu como nenhuma outra a falta de sentido da guerra.
O território de Verdun sempre tinha sido um lugar inexpugnável, desde Átila até a Guerra Franco-Prussiana. Em 1914 era um lugar simbólico e estava magnificamente fortificado.
Depois que os alemães fracassaram em conseguir uma rápida vitória sobre a França, a luta no front ocidental se converteu numa guerra de trincheiras.
A esmagadora vitória dos germânicos na guerra franco-prussiana de 1870 levou à construção de uma cadeia de fortificações de peso em Verdun, a fim de resistir a uma eventual nova ofensiva. No entanto, nos meses prévios ao ataque alemão os fortes ficaram praticamente sem guarnição nem artilharia. O comando francês não esperava ação em grande escala e necessitava de artilharia pesada para outros fronts.  
Em 1915 o comandante-em-chefe alemão Erich von Falkenhayn planejou um novo ataque à França, desprezando os conselhos de Hindenburg. O plano consistia numa guerra de desgaste contra as tropas francesas com o fim de provocar o maior número de baixas e de material mediante devastadores ataques de artilharia. A força francesa em Verdun constava de 34 batalhões frente aos 72 batalhões da Alemanha.

A artilharia francesa estava em desvantagem: cerca de 300 armas de fogo, a maioria canhões de 75 milímetros, em comparação com 1.400 armas da Alemanha, a maioria pesadas, entre elas os canhões Skoda, de 305 mm, e os Krupp, de 420 mm.

O ataque começou em 21 de fevereiro de 1916 às 07h15 com uma barragem de artilharia que jamais tinha sido vista: nove horas e um milhão de obuses, num front de apenas 40 quilômetros.  Os franceses foram destroçados pela metralha ou esmagados em seus refúgios. Essa preparação maciça foi seguida por três corpos de Exército, cumprindo o fundamento militar alemão: “A artilharia destrói, a infantaria ocupa”.

Os alemães utilizaram pela primeira vez os lança-chamas e tropas de assalto avançavam com baionetas caladas. Esta combinação de artilharia e táticas de choque era nova para os defensores e os fez perder muito terreno a princípio. Até 22 de fevereiro, as tropas alemãs avançaram cinco quilômetros e capturaram o "Bois des Caures", malgrado dois batalhões franceses terem resistido durante dois dias. 

Em 22 de fevereiro começou outro bombardeio seguido de uma infantaria mais resoluta, porém a progressão continuava lenta. No entanto, a frente norte francesa estava sob risco de cair. Muitas unidades haviam perdido metade de seus homens nos três primeiros dias de batalha. 

Em 24 de fevereiro, três companhias de infantaria alemãs penetraram no ponto central do sistema de fortificação francês. A força alemã estava formada por apenas 19 oficiais e 79 soldados e ainda assim fez render a guarnição francesa. Todavia, tinha dificuldades de posicionar sua artilharia sobre o terreno enlameado. Essa desaceleração deu tempo para a França se reforçar com 90 mil soldados e 23 mil toneladas de munição. Duas divisões trabalharam sem cessar para manter a ferrovia chamada “Voie sacrée” (Via sacra) em condições. Essa linha, que atravessava Verdun, tinha ficado interrompida desde 1915. 

A “Região Fortificada de Verdun”, que estava sob o comando do general Joseph Joffre, foi confiada ao marechal Phillipe Pétain em 26 de fevereiro. Os defensores da linha Douaumont foram divididos em quatro setores, cuja principal tarefa era retardar o avanço alemão com esporádicos contra-ataques.

Cada novo avanço alemão rumo a Verdun se fez mais custoso como o calvário de seu 5º Exército, cujos efetivos foram abatidos pela artilharia de Petain, concentrada na margem ocidental do rio Mosa. Quando Douaumont foi finalmente capturado pela infantaria alemã, em 2 de março, quatro de seus regimentos haviam sido praticamente aniquilados.
Wikimedia Commons

Soldados franceses atravessam rio em direção a Verdun, em 1917


Não podendo seguir em frente a Verdun, os germânicos atacaram na margem esquerda do rio Mosa em 6 de março. Nessa investida da artilharia alemã foram empregadas 800 armas pesadas lançando cerca de 4 milhões de disparos e transformando as colinas em vulcões de lama e pedra. 

Em meio ao forte bombardeio, um grupo de soldados franceses entrincheirados recebeu ordem de atacar, posicionando-se em linha, prontos para sair. Projéteis da artilharia inimiga começaram a cair sobre eles, derrubando as paredes da trincheira e enterrando-os vivos. 
Depois de atacar Corbeaux des Bois e destruir vários batalhões franceses, os alemães lançaram novo assalto a Le Mort Homme em 9 de março. No dia seguinte chegou a Bois Le Bouchet a 4ª Divisão de Infantaria, sob o comando do general Henri Berthelot. Um dos oficiais, ao observar o espetáculo diante de seus olhos, murmurou: “Que nos deem absolvição. Estamos todos fodidos.” 

Em abril os alemães decidiram abandonar a tática de ataques limitados em favor de um ataque ao longo de toda a frente. O primeiro durou de 9 a 12 de abril sem atingir o objetivo e foi suspenso devido às chuvas.

Em maio os alemães sofreram um terrível acidente. Uma ignição numa caixa de granadas acendeu um lança-chamas que provocou uma série de explosões numa galeria onde se encontravam mais de mil soldados. A maioria morreu no local. Mais adiante, os franceses experimentaram um horror similar num túnel de Tavannes, usado para armazenar víveres e munição. Um incêndio se iniciou entre a munição e dezenas de soldados morreram.

Em maio, a França, após preparação de artilharia, quis retomar o Forte Douaumont.  Três dias depois, a tentativa havia fracassado. O general Charles Mangin foi culpado pelo fracasso e se negou a tentar novamente.
Wikimedia Commons

Memorial de Verdun, em honra à batalha
Mais tarde, em maio, os alemães atacaram Mort-Homme, ao sul de Fort Douaumont. Também foi tomado o forte de Thiaumont e o forte Vaux foi bombardeado pelos canhões mais pesados. O assalto final foi iniciado em 1º de junho por cerca de 10 mil soldados que ocuparam a parte superior da fortaleza. Diante da resistência dos franceses nas casamatas subterrâneas, os alemães tentaram avançar, descarregando os lança-chamas em cada abertura.
O tenente-coronel Raynal soltou então seu último pombo-correio pedindo ajuda. O pássaro, intoxicado pelos gases, voltou à gaiola, mas numa segunda tentativa, voou até o comando em Verdun.

O exército francês desencadeou cinco ataques em quatro dias para salvar a assediada guarnição de Fort Vaux. Entretanto, apenas um desses ataques desesperados chegou às cercanias dos muros e foi rechaçado. A guarnição se rendeu em 7 de junho quando os defensores já estavam desesperados de sede. Além disso, milhares de ratos que se alimentavam dos cadáveres infestavam as trincheiras e tornavam ainda mais miserável a vida dos combatentes.

Em 1º de junho, a Alemanha lançou um ataque maciço. Começou com um pesado bombardeio de artilharia. Os franceses logo perceberam que havia algo de diferente: eram projéteis carregados de gás.

O gás “Cruz Verde” era conhecido tecnicamente como fosgênio. Os germânicos resolveram produzir um gás contra o qual as máscaras antigás francesas seriam ineficazes, enquanto as máscaras alemãs o neutralizariam. O gás persistiu durante dois dias devido a falta de vento.

Nesse mês de junho, as forças alemãs alcançaram o ponto máximo em seu avanço sobre Verdun. A partir daí a situação iria se inverter lentamente. Seu movimento tático era continuar pressionando rumo sul, na margem direita do Mosa, rumo Verdun. Em 21 de junho, 60 mil homens tomaram o reduto de Thiaumont e o povoado em ruínas de Fleury, lance importante para estabilizar a frente nessa zona. Trataram, a partir de 10 de julho, de incapacitar a artilharia francesa com mais de 60 mil projéteis de gás fosgênio, em parte ineficazes, uma vez que os franceses acabavam de se equipar com máscaras antigás de último tipo.

No momento do assalto, as tropas alemãs foram dizimadas pela artilharia francesa. A ofensiva rapidamente se deteve. O avanço se dera numa frente estreita, expondo as tropas alemãs mais avançadas aos ataques de flanco.
O início da Batalha de Somme em 1º de julho havia obrigado os alemães a retirar peças de artilharia de Verdun a fim de enfrentar a ofensiva anglo-francesa no norte. 
No fim de 1916, as tropas germânicas estavam esgotadas e Falkenhayn foi substituído como chefe do Estado Maior por Paul von Hindenburg. Adjunto de Hindenburg, o general Erich Ludendorff logo adquiriu um poder quase ditatorial.
Em Verdun, entretanto, a carnificina sem sentido prosseguia, embora os franceses tivessem recuperado poder de fogo em sua artilharia. O exército francês lançou importante contraofensiva para recuperar Douaumont em outubro de 1916. A preparação, que durou seis dias, consumiu 530 mil projéteis de 75 mm, além de 100 mil projéteis de 155 mm. As baterias alemãs responderam, lançando uma tormenta de aço sobre a terra de ninguém, tentando frear um eventual ataque.
Wikimedia Commons

Um dos campos de batalha em Douaumont
 conserva até hoje o impacto dos obus
Designou-se a uma companhia francesa de engenharia e a um batalhão marroquino a tarefa do tomar a fortaleza. O ataque se iniciou rapidamente. Um obus de 400 mm começou a disparar sobre Douaumont. Os primeiros quatro impactos foram certeiros, mas não penetraram no interior. O quinto golpe trincou o teto sobre o túnel. Voltando à carga, o projétil seguinte entrou pelo mesmo ponto que o anterior, penetrou até o túnel principal mais abaixo, incendiando um armazém de munições. Douaumont foi capturado em 24 de outubro pela infantaria da Marinha francesa e em 2 de novembro os alemães evacuaram o forte Vaux.
A Batalha de Verdun prosseguiu em dezembro, algo irônico, pois os combates em Somme para aliviar a pressão e forçar seu término já estavam concluídos.
Em 1918 – e até o armistício –, o setor de Verdun seguiu sendo uma zona de combate ativo onde os adversários nunca deixaram de se enfrentar.
Por outro lado, a saída do general Petain do comando de Verdun em 1º de junho de 1916 e sua substituição pelo general Robert Nivelle havia tido um impacto negativo no moral dos soldados. Certo descontentamento começou a propagar-se entre os combatentes franceses em Verdun no verão de 1916. Houve deserções e os casos de insubordinação se tornaram habituais. Os oficiais por vezes a combatiam com a execução sumária dos que se negavam a avançar.
Na verdade, o objetivo alemão de infligir baixas desproporcionais ao exército francês nunca se alcançou. As perdas francesas em Verdun foram altas, porém só ligeiramente superiores às dos alemães.  
O general Philippe Petain manteve mais de 100 mil homens em ação no campo de batalha de Verdun. Setenta por cento do exército francês passaram pelo “sorvedouro de Verdun” frente a apenas 25% das forças alemãs. Petain sempre foi um firme partidário do poder de fogo da artilharia e este foi o ponto central de sua estratégia.
Petain pôs em prática uma de suas marcas: a de não arriscar à toa a vida de seus soldados. As tropas o admiravam por isto, ainda que recebesse de militares do Alto Comando críticas por sua pusilanimidade. No entanto, as táticas conservadoras de Petain salvaram Verdun ao empregar a artilharia para manter afastadas as tropas inimigas. Os alemães se viram obrigados a retroceder devido ao número retumbante de baixas que sofriam a cada aproximação e acabaram perdendo o controle da batalha.
Depois da guerra, Falkenhayn foi culpado pelo fracasso e a carnificina em que se transformou a batalha.

As baixas militares francesas em Verdun alcançaram 371 mil homens, entre os quais 60 mil mortos, 101 mil desaparecidos e 210 mil feridos. O total das perdas alemãs nessa batalha alcançou 339 mil homens, dos quais 100 mil mortos.
Fonte: Opera Mundi

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

1997 – Morre o líder chinês Deng Xiaoping

Morre em 19 de fevereiro de 1997, aos 92 anos, o célebre líder chinês Deng Xiaoping. Vinha vivendo com uma saúde delicada e tinha sido visto em público pela última vez havia três anos.
WikiCommons
A agência oficial de notícias do país disse que sua morte foi resultado do estágio avançado do mal de Parkinson, doença agravada com complicações pulmonares que impediram um tratamento emergencial.
Embora estivesse oficialmente afastado do poder, nenhuma decisão importante era tomada sem a aprovação de Deng Xiaoping. Era conhecido internacionalmente como o líder que esmagou os protestos da Praça da Paz Celestial em 1989, mas também o homem que comandou a China nas grandes reformas econômicas.
Deng Xiaoping nasceu na província de Sichuan, em 1904, e tornou-se membro do Partido Comunista Chinês enquanto estudava na França, entre 1920 a 1925. Veterano da Longa Marcha, foi eleito para o Comitê Central em 1945. Chamado a Pequim, ascendeu rapidamente aos escalões mais altos, sendo eleito para o Politburo em 1956. Pragmático, trabalhou com Liu Shaoshi após o Grande Salto À Frente, plano de fortalecimento da economia.
Na Revolução Cultural, foi rotulado de “condutor capitalista número dois”. Liu era o primeiro. Expurgado, trabalhou numa fábrica de tratores em 1966. Foi reconduzido no partido por Chu Enlai em 1973. Implementou com entusiasmo as Quatro Modernizações de Enlai – a da agricultura, da indústria, da tecnologia e do setor militar. Com a morte de seu superior em 1976, Deng foi novamente afastado.
Em 1977, voltaria a ser o segundo homem na hierarquia governamental, bem como o segundo secretário do Partido Comunista. Dois anos depois, visitou os EUA em busca de um estreitamento de laços diplomáticos. Em grande parte da década de 1980, foi o líder máximo do Partido e chefe da Comissão Militar, assim como da recém criada Comissão Consultiva Central.
Embora não ostentasse oficialmente qualquer posto nos mais altos escalões, Deng tornou-se o mais poderoso líder chinês desde Mao Tse Tung. Em 1981, fortaleceu sua liderança ao substituir Hua Guofeng como secretário-geral do Partido pelo seu seguidor, Hu Yaobang. Quando Hu foi obrigado a deixar o poder, outro partidário de Deng, Zhao Ziyang, assumiu a chefia do partido. Mais tarde, quando o próprio Zhao foi afastado, um terceiro próximo de Deng, Jiang Zemin, assumiu as rédeas do partido.
Deng buscou afrouxar o controle governamental sobre a economia, mas, ao mesmo tempo, insistiu no controle partidário estrito sobre a política e o governo. Renunciou ao seu último posto no partido em 1989, designando Jiang Zemin como seu sucessor.
O pragmatismo de Deng na economia pode ser resumido em dois slogans célebres da época - "socialismo com características chinesas" e "economia socialista de mercado". Para ilustrar o passado comunista com o futuro e para valorizar os sacrifícios do passado com uma nova China próspera, adotou um outro slogan: "Pobreza não é socialismo. Ser rico é glorioso".
As reformas de Deng tinham o objetivo de acelerar o processo de modernização da economia nem que, para isso, fosse necessário importar capitais, equipamentos e expertise estrangeira.
Deng fechou e consolidou o ciclo das reformas econômicas com a criação de Zonas Econômicas Especiais, espaços territoriais onde eram concedidas condições diferenciadas para a fixação de capitais estrangeiros e onde existia alguma liberalização ocidental no funcionamento do mercado. Isso propiciou a atração dos capitais estrangeiros necessários para a acumulação de capital e conhecimento.
As cinco ZEE’s criadas por Deng foram Shenzhen (ao lado de Hong Kong), Zhuhai (próxima de Macau), Shantou (outra cidade costeira na Província de Cantão), Xiamen (no sul da Província de Fujian) e toda a Província de Hainão (uma ilha no Sul da China).
Fonte: Opera Mundi

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Após 70 anos, ONU torna pública documentação sobre crimes cometidos durante a 2ª Guerra Mundial

Em uma iniciativa pioneira de justiça internacional, a Comissão da ONU de Crimes de Guerra recompilou o material para a preparação dos julgamentos pós-guerra. Um anúncio realizado em julho pelas Nações Unidas ampliou as possibilidades de conhecer mais sobre as evidências de crimes de guerra ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial. Todos os arquivos da Comissão da ONU de Crimes de Guerra passaram a estar disponíveis publicamente pela primeira vez em 70 anos.
Confira a reportagem completa do site Nações Unidas Brasil:
onu2guerra

Fonte: Nações Unidas Brasil.

1943 - Gestapo prende os líderes da organização de resistência alemã Rosa Branca

Por se oporem ao regime nazista, Hans Scholl e sua irmã Sophie, os líderes da organização juvenil alemã Weisse Rose (Rosa Branca), são presos em 18 de fevereiro de 1943 pela Gestapo, a polícia política. 

Reprodução/Wikimedia Commons 
 
Hans e Sophie, uma das poucas mulheres que se opuseram ativamente ao Terceiro Reich 

A Rosa Branca era composta por estudantes universitários, principalmente alunos de medicina que denunciavam Adolf Hitler e seu regime. O fundador, Hans Scholl, era ex-membro da Juventude Hitlerista que cresceu desencantado com a ideologia nazista. Estudante na Universidade de Munique em 1940-41, encontrou-se com duas pessoas cultas que professavam a religião católica romana e que redirecionaram sua vida. Passando da medicina para a religião, filosofia e artes, Scholl reuniu em torno de si amigos com ideias próximas e que também odiavam os nazistas. Assim nasceu a Rosa Branca. 

Durante o verão de 1942, Scholl e um amigo redigiram quatro panfletos que expunham e denunciavam as atrocidades nazistas e da organização paramilitar nazista SS, inclusive o extermínio dos judeus e da nobreza polonesa. Conclamando para a resistência ao regime, o texto era entremeado de citações de grandes escritores e pensadores, de Aristóteles a Goethe, e exigia o renascimento da universidade alemã. Esta era uma meta de uma elite culta dentro da Alemanha. 

Os riscos envolvidos em tal iniciativa eram enormes. As vidas dos cidadãos comuns eram monitoradas e qualquer desvio de uma absoluta lealdade ao Estado, punido duramente. Até mesmo uma observação crítica informal a Hitler ou aos nazistas poderia resultar na prisão pela Gestapo. Já os estudantes da Rosa Branca – a origem do nome do grupo é incerta, possivelmente provem do desenho de uma flor em seus panfletos – arriscavam tudo, simplesmente motivados pelo idealismo, por uma moral elevada e princípios éticos, além de simpatia por seus vizinhos e amigos judeus. A despeito dos riscos, a irmã de Hans, Sophie, uma estudante de biologia da mesma universidade de seu irmão, pediu para participar das atividades da Rosa Branca. Foi então que descobriu a operação secreta de seu irmão. 

Em 18 de fevereiro de 1943, Hans e Sophie deixam uma pasta cheia de cópias de outro panfleto no edifício principal da universidade. O folheto declarava, em parte: "O Dia do Juízo Final chegou, o juízo final da nossa juventude alemã com a mais abominável tirania que o nosso povo jamais suportou. Em nome de todo o povo germânico exigimos do Estado de Adolf Hitler o retorno à liberdade pessoal, o mais precioso tesouro dos alemães que ele astuciosamente nos roubou." 

Os dois foram descobertos por um bedel e denunciados à Gestapo, que os prendeu. Levados à “Corte Popular” de Hitler, estavam condenados de antemão, o julgamento a que foram submetidos não passou de uma farsa e a sentença foi prolatada imediatamente. No interrogatório, Sophie negou tudo, desesperada por proteger o irmão e os demais companheiros. Mas quando descobre que o irmão confessou, deixa de mentir. Os Scholls, ao lado de outro membro da Rosa Branca, também capturado, foram sentenciados à pena de morte. Foram decapitados – uma punição reservada apenas a “traidores políticos” - em 23 de fevereiro, mas não sem antes Hans Scholl bradar “Viva a Liberdade!” 

Wikipedia 
 
Monumento em homenagem à Rosa Branca, em frente 
à Universidade Ludwig Maximilian em Munique
 

A tragédia dos Scholl foi levada às telas com o filme alemão Sophie Scholl – Os Últimos Dias, que conquistou o Urso de Prata do Festival Internacional de Berlim de 2005 além de outras 14 premiações e nove indicações. 

Os membros da Rosa Branca, principalmente Sophie Scholl, são ainda hoje respeitados e todas as cidades têm ruas com os seus nomes, em memória dos estudantes que tentaram de forma heróica pôr fim à crueldade e à enorme indiferença existente na Alemanha nazista. 


Fonte: Opera Mundi