sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

1948: Assassinato de Mahatma Gandhi

Em 30 de janeiro de 1948, Mahatma Gandhi foi assassinado por um hinduísta fanático. Durante anos, o líder se empenhara com meios pacíficos para que a Índia se tornasse independente.
Mahatma Gandhi alguns dias antes de ser morto por um extremista
"A luz se foi de nossas vidas", declarou o então primeiro-ministro da Índia, Jawaharlal Nehru, em 30 de janeiro de 1948, dirigindo-se pelo rádio à nação que se tornara independente apenas alguns meses antes.
O líder Mohandas Karamchand Gandhi, conhecido por Mahatma ("grande alma"), fora assassinado a tiros pelo nacionalista hindu Nathuram Godse. Antigo seguidor de Gandhi, Godse discordava da liberação de recursos financeiros da Índia para o Paquistão, num momento em que os dois jovens países iniciavam sua primeira guerra pela Caxemira.
A morte violenta contribuiu para idealizar ainda mais a figura de Gandhi como "pai na nação". Não há cidade ou povoado na Índia que não tenha um monumento ao homem magro e curvo, portando apenas uma túnica e uma bengala na mão. A questão é se a herança deixada por ele ainda tem algo a ver com a prática política na Índia de hoje.
Na verdade, numa sociedade repleta de conflitos – entre as castas, os grupos religiosos, as etnias, ou simplesmente pobres e ricos –, não há espaço para a ideia da não-violência pregada por Gandhi. Tampouco teve vez a ideia de desenvolvimento que ele defendia, ao estimular o renascimento dos processos artesanais.
Pacifismo x autoritarismo
Gandhi, porém, já era um santo enquanto vivo – e sobre os santos, não se discute. O enorme abismo entre seus ideais e a corrupção dos políticos de hoje leva antes à resignação. O que se esquece facilmente é que o próprio Gandhi era um político com grande senso de poder e muitas vezes até autoritário. Seu engajamento em prol dos párias é reconhecido para além das fronteiras da Índia.
Sendo filho de uma alta casta hindu, Gandhi lutou contra a marginalização dos párias, empenhou-se para que as portas dos templos hinduístas lhes fossem abertas. Chamou a atenção de muitos indianos que gozavam de educação britânica para a vida miserável nos povoados do país e sobretudo das castas mais baixas.
Ao mesmo tempo, porém, ele tendia a idealizar a situação e insistia obstinadamente em sua própria visão. O mais importante político dos párias em sua época, Ambedkar, defendia que os párias tinham outros interesses que os hindus. Eles deveriam, portanto (da mesma forma que os muçulmanos), votar separadamente dos demais eleitores e escolher seus próprios representantes para os parlamentos.
Gandhi, por sua vez, insistia em incluir os párias entre os hindus. Irritou-se de tal forma com as reivindicações de Ambedkar, que ameaçou jejuar até a morte, fazendo com que este cedesse. Era esta a forma pela qual Gandhi se utilizava da "não-violência", e não apenas perante os senhores coloniais.
A herança de Gandhi
Gandhi empenhou-se, como poucos políticos de seu tempo, por uma reconciliação com os muçulmanos. Mas o hinduísmo desempenhou um papel central em sua vida. Suas ideias, seu programa político, tudo é impregnado do vocabulário hinduísta. Grande parte dos muçulmanos não se sentia representado por ele e insistiu na criação de um Estado próprio, o Paquistão.
Mahatma Gandhi não contribuiu apenas para que a Índia se tornasse independente sem muito derramamento de sangue. Muitos de seus pensamentos acerca do abismo entre a cidade e o campo, acerca da solução de conflitos sem o apelo à violência continuam sendo atuais, e não apenas dentro das fronteiras da Índia. Mas, para poder debater a esse respeito, seria preciso poder discutir também a respeito de suas falhas.
  • Autoria Thomas Bärthlein (lk)
  • Imprimir Imprimir a página
  • Link permanente http://dw.de/p/1lk1

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

1964 - Stanley Kubrick estreia Dr. Fantástico nos cinemas


Popularidade do filme foi uma evidência da mudança de atitude diante das armas atômicas e da doutrina da dissuasão nuclear
A obra-prima do humor negro de Stanley Kubrick, Dr. Fantástico (Dr. Strangelove ou Como Aprendi a Deixar de me Preocupar e Passar a Amar a Bomba) estreia nos cinemas debaixo de verdadeira aclamação tanto da crítica, quanto do público no dia 29 de janeiro de 1964. A popularidade do filme era uma evidência da mudança de atitude diante das armas atômicas e da doutrina da dissuasão nuclear.
Wikimedia Commons

Filme do diretor Stanley Kubrick critica Guerra Fria por meio do humor absurdo
O filme começa com um general enlouquecido, Jack D. Ripper (Sterling Hayden), ordenando um ataque nuclear não autorizado à União Soviética. Ele tem certeza de que os comunistas estão envenenando a água potável do mundo inteiro, um boato muito comum nos EUA, durante os anos 1950. Um preocupado ajudante de ordens, o capitão Mandrake (Peter Sellers), tenta impedir o fato, mas não consegue. Quando descobre o problema, o presidente dos EUA, Merkin Mufflin (Peter Sellers de novo, careca e engraçado), já não pode fazer muita coisa. Ele reúne o Conselho de Guerra e ouve, estupefato, um resumo da situação, da boca do alarmado general Buck Turgidson (George C. Scott): o avião com a bomba atômica está no ar, incomunicável, e vai cumprir a missão a qualquer custo. A cena em que Turgidson explica a situação a Mufflin é simplesmente perfeita. Scott, um ator talentoso, consegue ser hilariante sem deixar de se levar a sério.
Peter Sellers, como não poderia deixar de ser, brilha no papel triplo, com diferentes sotaques e caracterizações. Seu melhor momento é o alucinado personagem-título, um antigo oficial nazista promovido a conselheiro do presidente dos EUA. Óculos escuros, sorriso maníaco, o sujeito usa uma luva negra na mão direta, uma mão que tem vida própria e teima em fazer saudações nazistas, à medida que o longa-metragem chega ao clímax e enfileira uma seqüência genial de cenas antológicas.




É um clímax atrás de outro: o embaixador russo tentando fotografar a Sala de Guerra, mesmo sabendo que o mundo vai acabar em questão de minutos; o oficial caubói T.J. King Kong (Slim Pikens) que “monta” a bomba como a um cavalo; as tomadas de bombas explodindo ao som da lírica canção We’ll Meet Again; o presidente norte-americano Merkin Muffley ligando desesperadamente para o seu colega soviético. O líder russo informa a Muffley que um ataque atômico à União Soviética desencadearia automaticamente a terrível “máquina do dia do Juízo Final”, o que faria desaparecer totalmente a vida sobre o planeta; o conselheiro-chefe para a política externa de Muffley, o Dr. Strangelove, assegurando ao presidente e aos altos funcionários de que nem tudo está perdido: sugere que eles podem sobreviver mesmo com a eclosão da “máquina do dia do Juízo Final” refugiando-se nas profundezas dos túneis das minas.


Uma análise minuciosa do personagem Dr. Fantástico indicava que provavelmente era uma composição de três personalidades: Henry Kissinger, um cientista político que havia escrito sobre a estratégia da dissuasão nuclear; Edward Teller, um cientista chave no desenvolvimento da bomba de hidrogênio; Werner von Braun, o cientista alemão, figura de proa na tecnologia de mísseis espaciais. 
 
Uma análise menos profunda, porém, seria necessária para apreender as investidas satíricas de Kubrick sobre a política norte-americana e soviética de armazenamento nuclear e retaliação maciça. As estocadas do filme a algumas das crenças sagradas centrais da "estratégia de defesa da América" tocaram em fibras sensíveis do povo norte-americano. Particularmente após a aterrorizante Crise dos Mísseis de Cuba de 1962 – quando a aniquilação nuclear parecia uma possibilidade bastante real – o público manifestou-se crescentemente disposto a questionar a dependência das nações às armas nucleares.
Fonte: Opera Mundi

1886: Carl Benz obtém patente para veículo automotivo

O engenheiro Carl Friedrich Benz, natural de Karlsruhe, obteve em 29 de janeiro de 1886 a primeira patente para um automóvel movido a gasolina.
Reprodução do veículo patenteado por Benz
O automóvel é um engenho que tem vários pais, seu desenvolvimento não se deu de forma linear. Mas ele tem uma certidão de nascimento: o registro de patente nº 37.435, de 29 de janeiro de 1886, concedido à Fábrica de Motores a Gás Benz & Cia., de Mannheim, por um veículo movido a gasolina. Com isso, Carl Benz, seu inventor, passou a ser considerado construtor do primeiro automóvel.
Claro que a ideia de um veículo que se locomovesse por seus próprios meios é muito mais antiga. As primeiras tentativas datam da Antiguidade, mas na verdade, até o surgimento da máquina a vapor, no século 18, não houve veículo capaz de se mover sem a força muscular.
Primeira locomotiva do mundo, construída por Richard Trevithick, 1804
Foi em 1769 que surgiram as primeiras máquinas que se moviam sobre rodas impulsionadas pelo vapor. No entanto, por serem barulhentas e pesadas, nunca deixaram de ser uma mera curiosidade. Mesmo as locomotivas e locomóveis inventados posteriormente eram tão pesados que não se prestavam ao uso como meio de locomoção.
Uma alternativa para a máquina a vapor apareceu apenas em 1860, quando o francês Étienne Lenoir construiu o primeiro motor de combustão interna à base de gás de iluminação. Em 1863, o inventor afirmou ter adaptado um desses motores a um veículo, porém não existem provas deste experimento.
De três para quatro tempos
O passo mais importante no desenvolvimento da técnica de motores foi dado por Nicolaus Otto. O negociante estabelecido em Colônia conseguiu melhorar o desempenho do motor criado por Lenoir, acrescentando uma etapa aos três ciclos até então costumeiros. Além da injeção, explosão e exaustão, o motor de Otto passou a comprimir o combustível, o que aumentava consideravelmente seu rendimento. O inventor obteve em 1876 uma patente básica para o princípio dos quatro tempos, mas outros fabricantes de motores passaram a contestá-la, para não terem que pagar licenças a Otto.
O motor desenvolvido por ele tinha sido concebido para máquinas estacionárias. Para poder ser adaptado a um veículo, era preciso que fosse consideravelmente reduzido em suas dimensões, sem que isso prejudicasse o desempenho. Tentativas neste sentido foram realizadas por inúmeras pessoas que trabalhavam independentemente, entre as quais Gottlieb Daimler, em Cannstatt, e o engenheiro Carl Benz, em Mannheim.
Gottlieb Daimler
Gottfried Daimler conhecia bem a técnica dos motores de Otto, já que tinha sido diretor técnico da fábrica de motores deste. Em 1885, conseguiu desenvolver um motor compacto de quatro tempos, aplicando-o a uma motocicleta e a um barco a motor. Daimler considerava-se apenas um construtor de motores e foi só a muito custo que seu colega Wilhelm Maybach conseguiu convencê-lo a adaptar o motor compacto a uma carruagem.
Triciclo motorizado
Carl Benz, por sua vez, via motor e chassi como unidade, cujos detalhes ele estipulava minuciosamente em seus projetos. Inicialmente, fez experiências com um motor de dois tempos, para não ter que pagar licença a Otto. Só passou a se dedicar ao motor de quatro tempos em 1884, quando um tribunal suspendeu temporariamente a patente de Otto.
Ao instalar um motor de quatro tempos num triciclo, Benz obteve, em janeiro de 1886, uma patente para o primeiro veículo autopropulsionado, uma verdadeira obra-prima da engenharia da época, que conseguia fazer 15 quilômetros por hora.
Em julho do mesmo ano, o inventor saiu pela primeira vez com seu "automóvel" pelas ruas de Mannheim. Um repórter visionário escreveu com entusiasmo: "Não há dúvida de que este velocípede motorizado logo conquistará muitos amigos, já que será extremamente útil e prático para médicos, viajantes e amantes do esporte."
Palavras proféticas, sem dúvida, pois ainda demoraria décadas até que fossem desenvolvidos automóveis realmente "úteis e práticos".
  • Autoria Carsten Heinisch (lk)
  • Imprimir Imprimir a página
  • Link permanente http://dw.de/p/1lQy

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

FUNCULTURA premia os projetos Momento Patrimônio e Rede de Memórias


1º Prêmio Funcultura: premiação acontece no início de fevereiro



A Prefeitura de Passo Fundo realizou a primeira edição do Prêmio Funcultura, que tem a finalidade de promover o financiamento específico para produções artísticas do município. Após a abertura de edital, inscrição, seleção e resultado com as iniciativas premiadas, será realizado o ato oficial de premiação dos projetos.

O evento está marcado para o dia 10 de fevereiro, na Academia Passo-Fundense de Letras, a partir das 19h. A solenidade contará com a presença do secretário de Estado da Cultura, Victor Hugo.

No total, oito projetos foram selecionados, todos voltados para as áreas de teatro, música, literatura e eventos culturais. Os projetos tem como principal local de produção e execução a cidade de Passo Fundo.

Ainda, a iniciativa tem a intenção de estimular a produção artística cultural. “É um anseio da comunidade artística da cidade ter formas de financiamento do seu trabalho. O Funcultura incentiva e fomenta ainda mais o trabalho dos nossos artistas”, declarou o secretário de Cultura, Pedro Almeida.

Cada projeto premiado receberá R$ 10 mil, totalizando R$ 80 mil para a cultura do município.

Confira os projetos contemplados no 1º Prêmio Funcultura
Área 1
Projeto Noleis das Ruas – Junior Noleis de Carvalho Junior
Projeto Catedral História e Tradição – Mitra Arquidiocesana de Passo Fundo-RS

Área 2
Projeto Rede de Memórias – Ironita Ademir Policarpo Machado
Projeto Momento Patrimônio – Taís Fernanda Rizzotto


Área 3
Projeto Teatro nos Bairros – Grupo Timbre de Galo
Projeto Faixa da Cidadania – Instituto Cultural Ritornelo

Área 4
Projeto Oficinas de Danças e Capoeira – Baillar Centro de Danças
Projeto 2015 Mais Arte e Alegria no lar dos Idosos Nossa Senhora da Luz de Passo Fundo – Francisca Veronese Kuhn

Disponibilizado o formulário de agendamento de visitas ao Cemitério Vera Cruz


Em articulação ao curso de formação de guias de visitação do Cemitério Vera Cruz, derivado do trabalho de produção do guia de visitas realizado pelo Instituto Histórico de Passo Fundo, Arquivo Histórico Regional (AHR/PPGH) e Projeto Passo Fundo, divulgamos o formulário para agendamento de visitas que poderão ser realizadas a partir de 30 de maio.

As visitações guiadas atenderão a todos os interessados e serão conduzidas por acadêmicos cursistas da Formação de Guias, curso realizado entre março e maio de 2015.

Para visualizar o formulário de agendamento clique aqui

Para visualizar o Guia de Visitação do Cemitério Vera Cruz clique aqui

Informações sobre o curso de formação de guias - clique aqui

Opinião: Auschwitz permanece como advertência e responsabilidade

Os dias de hoje têm mostrado como é importante lembrar as atrocidades nazistas. Devemos isso não só às vítimas, mas a uma sociedade que deve permanecer humana, opina o jornalista Christoph Strack.
Este é o lugar do terror: Auschwitz. O nome do maior campo de concentração e extermínio alemão simboliza a loucura nazista. A visita ao local, hoje um memorial, faz silenciar diante da desumanidade de que o ser humano é capaz e do sofrimento que alemães impuseram a pessoas de tantos países.
Não foram poucos os que sobreviveram a Auschwitz e nunca mais voltaram a esse lugar. Jean Amery, Tadeusz Borowski, Primo Levi não conseguiram conviver com a sobrevivência e deram fim a suas próprias vidas anos ou décadas depois de 1945.
E quem acompanhada ou observa ex-prisioneiros durante uma visita a Auschwitz percebe que o horror não acaba nunca, jamais. Ficam imagens, fica a dor. Idosos que, ainda crianças, perderam pais e irmãos e jamais esquecerão o momento em que tiveram que largar a mão amada.
Na grande cerimônia em celebração à libertação de Auschwitz de 2005, de repente um homem velho e curvado atravessou as fileiras de líderes e convidados oficiais, ajoelhou-se na rampa, beijou a pedra e depois desapareceu, chorando. Essa imagem disse mais sobre a incompreensibilidade deste lugar do que todos os discursos do dia.
Nesta terça-feira (27/01), mais uma vez centenas de sobreviventes voltam a Auschwitz-Birkenau, são judeus de vários países, também cerca de cem ex-prisioneiros poloneses. Esta será a última vez que um número tão elevado de testemunhas participará da celebração. Devemos ouvi-las enquanto ainda estão presentes. Suas histórias devem ser uma missão para nós.
Foram necessários mais de 50 anos para que os alemães fizessem do dia da libertação de Auschwitz um dia de lembrança e homenagem às vítimas do nazismo, uma data em que o Bundestag, a câmara baixa do Parlamento, reúne-se em sessão solene. É uma pena que, neste ano, quando as atenções se voltam especialmente para os sobreviventes, não sejam eles a discursar, mas o presidente da República.
Essa lembrança tem surtido efeito? Os alemães assumem sua permanente responsabilidade? Uma recente pesquisa de opinião deixa dúvidas. Segundo ela, 81% dos entrevistados gostariam de "deixar para trás" a história da perseguição contra os judeus. Por outro lado, os campos de concentração na Alemanha, tanto da parte ocidental como na oriental, acusam um sensível aumento no número de visitantes. Também Auschwitz-Birkenau registrou um recorde no ano passado, tendo recebido mais de 1,5 milhão de visitantes. Tudo isso mostra que a memória do Shoá segue viva, mas não é algo evidente e muito menos consensual. E continua não sendo evidente que adolescentes na Alemanha, em algum momento de sua escolarização, visitem um dos campos de concentração do período nazista. Por quê?
O surgimento de movimentos populistas de direita, os novos tipos de manifestação, uma sensível insolência na divulgação de declarações xenófobas e racistas na internet ou pelos microfones – os dias de hoje têm mostrado como é importante lembrar a catástrofe resultante das atrocidades nazistas. É preciso haver vigilância. A lembrança não deve se tornar um ritual, ela deve ter consequências.
O cineasta francês Claude Lanzmann, que repetidamente enfoca o Shoá em suas obras, diz que para ele o importante é a presentificação, estar consciente das coisas sobre as quais o nosso presente repousa. Isso inclui Auschwitz e a responsabilidade em assegurar que seres humanos nunca mais se desumanizem. Nossa responsabilidade não se resume às vítimas, o que seria muito limitado. Temos responsabilidade em relação à sociedade, que deve continuar humana.
Auschwitz: esse é o lugar do terror. O nome permanece. Como advertência, como obrigação.
  • Data 27.01.2015
  • Autoria Christoph Strack (md)
  • Link permanente http://dw.de/p/1EQjj

1945 - Exército Vermelho liberta campo de concentração de Auschwitz


No auge do Holocausto eram assassinadas 6 mil pessoas por dia no local que se tornou sinônimo do genocídio contra judeus, ciganos e outros grupos
Em 27 de janeiro de 1945, o Exército Vermelho liberta o campo de concentração de Auschwitz, o maior do regime nazista. Em suas câmaras de gás e crematórios, foram mprtas pelo menos 1 milhão de pessoas. No auge do Holocausto, em 1944, eram assassinadas 6 mil pessoas por dia. Auschwitz tornou-se sinônimo do genocídio contra os judeus, ciganos, eslavos, homossexuais e outros grupos perseguidos pelo III Reich.
Wikicommons

Portão principal de 
Auschwitz

As tropas soviéticas chegaram a Auschwitz, hoje na Polônia, na tarde daquele dia, um sábado. A forte resistência dos soldados alemães causou um saldo de 231 mortos entre os soviéticos. Ao todo, 8 mil prisioneiros foram libertados, a maioria em situação deplorável devido ao martírio que enfrentaram.

Auschwitz-Birkenau foi criado em 1940, a cerca de 60 quilômetros da cidade polonesa da Cracóvia. Concebido inicialmente como centro para prisioneiros políticos, o complexo foi ampliado em 1941. Um ano mais tarde, a SS instituiu as câmaras de gás com o composto Zyklon B, altamente tóxico. Usada em princípio para combater ratos e desinfetar navios, a substância mata em questão de minutos quando entra em contato com o ar. Os corpos eram incinerados em enormes crematórios.
Wikicommons

Prisioneiros libertados pelo Exército soviético em 27 de janeiro de 1945

Os prisioneiros que sobrevivessem eram obrigados a trabalhos forçados. A empresa IG Farben, por exemplo, abriu um centro de produção em Auschwitz-Monowitz. Em sua volta, instalaram-se outras firmas, como a Krupp. Ali, a expectativa de vida dos trabalhadores era de três meses.
Para apagar os vestígios do Holocausto antes da chegada do Exército Vermelho, a SS implodiu as câmaras de gás em 1944 e evacuou a maioria dos prisioneiros. Outros 65 mil que haviam ficado em Auschwitz já podiam ouvir os tiros dos soldados soviéticos quando, a 18 de janeiro, receberam da SS a ordem para a retirada.

O dia da libertação de Auschwitz foi declarado pela ONU como o Dia Internacional em Memória do Holocausto.
Fonte: Opera Mundi

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Curso: Formação de Guias de Visitação do Cemitério Vera Cruz



Curso:  Formação de Guias de Visitação do Cemitério Vera Cruz
Coordenação: Profa. Gizele Zanotto

Justificativa:  Em 2014 em parceria entre o Arquivo Histórico Regional e o Instituto Histórico de Passo Fundo foi realizado o estudo e produção do Guia de Visitação Cemitério da VeraCruz, atividade vinculada às comemorações dos 30 anos do AHR e 60 do IHPF. Como derivativo desta produção, propõe-se agora a formação de acadêmicos para serem guias de visitação aos grupos interessados, visando vetorizar a divulgação da reflexão sobre história e patrimônio citadino, bem como fortalecer a formação de nossos graduandos que serão os interlocutores extensionistas no atendimento ao público visitante. A proposta coaduna-se a um movimento de valorização, estudo e divulgação da importância da histórica local e regional e à reflexão/ação em prol do patrimônio local, que tem como destaque o projeto Momento Patrimônio, parceiro também nesta proposta de formação de guias.

Objetivos:
GERAL
- Instrumentalizar teórica e metodologicamente acadêmicos da UPF para a realização de visitas guiadas ao Cemitério Vera Cruz considerando a rota de personagens históricos e a rota de arte e estatuária.
ESPECÍFICOS
a) Analisar a história da formação histórica de Passo Fundo e região em articulação aos dados do Guia de Visitação do Cemitério Vera Cruz;
b) Avaliar a importância patrimonial e educativa do Cemitério como vetor de memórias e museu a céu aberto;
c) Instrumentalizar teórica e metodologicamente os cursistas para que possam realizar passeios informativos e investigativos junto ao Cemitério Vera Cruz;
d) Evidenciar a importância da história local e regional como motriz para o conhecimento e a compreensão da atualidade;
e) Propor novos pontos de visita no Cemitério, a partir da consideração de todos os munícipes como agentes da história local e regional;
f) Reforçar o vínculo ensino, pesquisa e extensão como articulador e vetor da produção de conhecimento em ambientes acadêmicos e extra-acadêmicos.

Metodologia: O curso será realizado na modalidade semi-presencial ¿ com auxílio da Plataforma Moodle/UPF - a partir da realização de quadro módulos, a saber:
  • I - História local e Patrimônio Cemiterial: abordará a formação sócio-histórica da região norte do estado com destaque para Passo Fundo, bem como em articulação com o Guia de Visitação do Cemitério Vera Cruz; analisará a importância do Cemitério como vetor da produção de conhecimento e de educação para o público visitante/frequentador em seus aspectos históricos, de memória, arte e patrimônio coletivo.
  • II - As rotas: Personagens de uma história: instrumentalizará os estudantes a perspectiva de estudo de personagens e famílias como mote para a reflexão ampla da formação do município e terá como destaque o estudo dos personagens elencados na rota do Guia de Visitação. Proporá aos estudantes que elenquem e investiguem outros personagens passíveis de inclusão na visitação cemiterial. Após a instrumentalização haverá visita de formação no Cemitério.
  • III - As rotas: Arte e estatuária: visa a formação dos cursistas em fundamentos de arte e estatuária voltados à interpretação do patrimônio artístico presente no Cemitério Vera Cruz. Proporá aos estudantes que elenquem e investiguem outros referenciais passíveis de inclusão na visitação ao Cemitério. Após a instrumentalização haverá visita de formação no Cemitério. obs. Os trabalhos de proposição de outros personagens e/ou expressões artísticas para visitação (Módulos II e III) será avaliada durante a realização do Módulo IV.
  • IV - Visitações - este módulo será de agendamento, distribuição, acompanhamento e avaliação das visitas pré-agendadas de turismo cemiterial. Os agendamentos ficarão a cargo do Arquivo Histórico Regional e a distribuição dos guias será realizado pela coordenação do curso que também se responsabilizará pela organização da visita e atividades de registro e avaliação de cada grupo que solicitar o serviço.
Programação          
As atividades presenciais serão realizadas no Campus III - UPF Idiomas - Sala 27 (entrada pela Avenida Brasil)
  • 07 de março - Encontro inicial com apresentação do programa, atividades e formas de avaliação. Início do Módulo I - História local e Patrimônio cemiterial (Campus III - 09 horas)
  • 14 de março - História Local - Prof. Alessandro Batistella (Campus III - 09 horas)
  • 21 de março - Patrimônio Cemiterial - Profa. Gizele Zanotto (Campus III - 09 horas)
  • 28 de março - Atividades avaliativas do Módulo I (Moodle)
  • 11 de abril - Módulo II - As rotas: Personagens de uma história. Genealogia e Personagens da História de Passo Fundo. Presidente do IHPF, Fernando B. de Miranda (Campus III - 09 horas) e Análise dos personagens do Guia de Visitação do Cemitério Vera Cruz (Moodle)
  • 18 de abril - Visita ao Cemitério Vera Cruz. Presidente do IHPF, Fernando B. de Miranda, Alceu Annes e Gizele Zanotto
  • 25 de abril - Módulo III - As rotas: Arte e estatuária. Profa. Jacqueline Ahlert (Moodle - 09 horas)
  • 09 de maio - Arte e estatuária no Cemitério Vera Cruz. Profa. Mirian Carasek. (Campus III - 09 horas)
  • 16 de maio - Visita ao Cemitério Vera Cruz. Profas. Ana Paula Wickert e Mirian Carasek e Gizele Zanotto
  • 23 de maio - Avaliação dos Módulos II e III ¿ proposição de novos pontos de visitação no cemitério (Moodle).
  • A partir de maio - Módulo IV - Visitações (acompanhamento e organização via Moodle)
  • Dezembro - Avaliação final do curso e proposições para uma nova versão do guia. Profa. Gizele Zanotto (Campus III - 09 horas)


Inscrições:
Inscrições de 23 de fevereiro a 07 de março na Coordenação do Curso de História (R$30,00)
Carga Horária: 60 hs
Forma de Presença SEMIPRESENCIAL
Vagas/Público Estimado   20
Público Alvo - Estudantes de História, Artes Visuais, Arquitetura e Pedagogia
Informações: gizele@upf.br

Agendamento de visitas (para visitas realizadas a partir de 30 de maio) - clique aqui

Férias coletivas iniciam nesta segunda-feira (26/01)


A Fundação Universidade de Passo Fundo (FUPF) inicia na segunda-feira (26/01) o período de férias coletivas, que se estende até o dia 13 de fevereiro. O retorno às atividades ocorre no dia 18 de fevereiro.

Neste período, somente setores essenciais ao funcionamento da Instituição permanecerão com as atividades.

Confira no anexo abaixo os setores que não estarão em férias coletivas.

1 - 23_vradm_ferias_coletivas.pdf

1989 - Salvador Dalí, ícone do surrealismo, morre na Catalunha


Controvérsias e extravagâncias percorreriam toda a vida do pintor espanhol; Muitos consideravam-no um gênio e outros tantos um louco
No dia 23 de janeiro de 1989, Salvador Dalí, considerado o pintor mais importante do movimento surrealista e um dos artistas de maior destaque do século XX, morre na torre de seu próprio museu em Figueres, na Catalunha.

Wikicommons
Rival talentoso e imprevisível de Picasso, arauto extravagante do surrealismo, coautor do curta-metragem delirante O Cão Andaluz ao lado do cineasta Luis Buñuel, Dalí ganhou notoriedade junto ao grande público ao se apresentar na TV como garoto propaganda do chocolate Lanvin.

[Dalí foi obrigado a abandonar arte em 1980 devido a tremores permanentes nas mãos]

Viveu sempre cheio de excentricidades, com sua personalidade gerando inúmeras controvérsias. Muitos consideravam-no um gênio e outros tantos um louco.
Dalí era filho de um prestigioso notário da pequena cidade de Figueres. Aos 10 anos recebeu as primeiras lições de pintura e demonstrou talento artístico.

O pintor impressionista Ramón Pichot foi seu primeiro instrutor. Mais tarde, estudou na Academia Real de Arte em Madri. Foi reprovado duas vezes e nunca conseguiu terminar o curso porque, na sua opinião, não podia ser julgado por pessoas com iguais ou menores dotes que ele.
Viajou para Paris em 1928, quando conheceu outros pintores como Pablo Picasso e Joan Miró. Era a principal figura de um grupo de artistas surrealistas reunidos em torno de André Breton, o principal teórico do surrealismo. Anos mais tarde, Dalí seria afastado do círculo, acusado de seguir o fascismo, de cultuar-se excessivamente e de enriquecer-se por meio da arte.
Em 1929, já tinha encontrado o estilo pessoal que o faria famoso: a representação do inconsciente, a interpretação do universo onírico segundo as teorias psicanalíticas de Sigmund Freud. As imagens que se repetiam nas Girafas Ardentes e de relógios que derretiam converteram-se nas marcas registradas do surrealismo. Sua grande técnica permitiu-lhe produzir quadros num estilo quase fotorrealista.
Conhecer a russa Elena  Diakonova, sua futura Gala Dalí, seria o acontecimento mais importante e decisivo de sua vida. Ela era dez anos mais velha e quando a conheceu estava casada com o famoso poeta francês Paul Eluard. Gala decidiu ficar com Dalí. Converteu-a em sua musa, modelo de numerosas obras e encarregada de seus negócios. Era um fator de estabilidade, garantia do sucesso de Dalí ao promover exposições na Europa e nos EUA.
Foto:
Em 1934, Gala, já divorciada, casou-se com Dalí em uma cerimônia civil em Paris. Apenas a partir de meados de 1965, o casal começou a se afastar, o que não impediu que Gala seguisse cuidando dos negócios.

Faria a sua primeira exposição pessoal em Nova York em 1933. Um ano depois, visitou os EUA com uma ajuda de 500 dólares de seu amigo Pablo Picasso. Para fugir da Segunda Guerra Mundial, fixou-se por lá. Faria uma série de exposições espetaculares, entre elas uma grande retrospectiva no Museu de Arte Moderna de Nova York.

Ávido por dinheiro, sentiu-se confortável entre a alta sociedade norte-americana. Celebridades como Gato Warner e Helena Rubinstein pagaram-lhe importantes somas por seus retratos. Além da pintura, também dedicou-se a outras atividades como o design de jóias e roupas para a estilista Coco Chanel e a produção de filmes ao lado do cineasta Alfred Hitchcock.

Wikicommons

'Persistência da Memória', de 1931, é um dos principais obras do artista


O casal regressaria à Europa em 1948, passando a maior parte do tempo entre Lligat, na Espanha, e Paris. Desenvolveu interesse pela ciência, pela teologia e pela historiografia, integrando aspectos de cada um desses campos em suas obras. Outra fonte de inspiração eram os grandes autores clássicos como Rafael, Velázquez ou mesmo o pintor francês Ingres. Comentando sua mudança de estilo, declarou : "ser um surrealista para sempre é passar a vida pintando nada mais que olhos e narizes".

Em 1958, deu início à série pictórica que chamou de pinturas da história. O mais famoso, O Descobrimento da América de Cristóvão Colombo, está exposto no Museu Dali, em São Petersburgo, Flórida. Os últimos trabalhos demonstram técnica perfeita e meticulosa com uma ilimitada e fantástica imaginação.

Dalí foi obrigado a abandonar seu trabalho em 1980 devido a tremores permanentes e debilidade irreversível nas mãos. Nunca mais pôde empunhar a palheta. Contudo, a pior notícia viria em 1982, com a morte de Gala. O artista cairia em profunda crise da qual nunca se recuperou.
Fonte: Opera Mundi

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

1936: Edward 8º é proclamado rei da Inglaterra

No dia 20 de janeiro de 1936, o príncipe herdeiro da Inglaterra tornou-se o rei Edward 8º, após a morte de seu pai, George 5º.
Eduardo, príncipe do País de Gales, fala no rádio em 1935
O rei George 5º da Inglaterra morreu em 20 de janeiro de 1936, aos 71 anos. Em seguida, sua esposa, a rainha Mary, se ajoelhou na frente do primogênito Edward Albert Christian George Andrew Patrick David, príncipe do País de Gales e conde de Chester, o sucessor natural do trono.
Edward, 42 anos, foi proclamado rei da Inglaterra. Esta, entretanto, era uma responsabilidade que não combinava com seu estilo de vida. Ele apreciava festas e badalação, gostava de sair com os amigos nobres e ricos e de circular pela alta sociedade. Apesar disso, ou talvez justamente por isso, os súditos o amavam.
"Tanto na época em que fui príncipe do País de Gales quanto mais tarde, quando assumi o trono da Inglaterra, sempre recebi manifestações de carinho dos cidadãos, em todos os lugares por onde passei. Eu sou muito grato por isso", afirmou certa vez Edward 8º.
Ao contrário do povo, a família real e o governo inglês não viam com bons olhos o comportamento do filho mais velho de George 5º. Na festa de sua proclamação, Edward estava acompanhado de uma mulher que jamais poderia estar presente a tão especial e pomposo momento, de acordo com o rigoroso cerimonial real. Mas ela estava lá: era uma burguesa norte-americana. Duas vezes divorciada. Seu nome: Wallis Simpson.
Paixão fulminante
Edward conhecera Wallis numa festa promovida pela amiga Lady Furness. O então príncipe ficou fascinado por aquela mulher elegante e dominadora. Ela lhe lembrava uma severa governanta que tivera em sua infância. A paixão foi fulminante.
Wallis agia de forma recatada, embora não fizesse segredo que gostava de usufruir de mordomias e extravagâncias. O ainda marido de Wallis já havia se conformado que sua mulher tinha outro. Seus negócios, aliás, iam de vento em popa com a repercussão do caso.
Tudo haveria continuado assim se Edward não decidisse que Wallis não podia ser apenas sua amante. Ele queria casar com ela, o que era um escândalo. O governo ameaçou depô-lo. Um rei não podia ficar ao lado de uma mulher com tal passado.
No dia 11 de dezembro de 1936, Edward 8º fez o anúncio público de sua abdicação ao trono da Inglaterra, alegando que não poderia ser rei sem a ajuda e o apoio da mulher que amava. Seu irmão, pai da atual rainha Elizabeth, assumiu o trono como George 6º. Edward casou e foi para o exílio em Paris na companhia de Wallis, que em 1937 se tornaria Duquesa de Windsor.
  • Data 20.01.2015
  • Autoria Catrin Möderler (ms)
  • Imprimir Imprimir a página
  • Link permanente http://dw.de/p/1FVK

1983 - Klaus Barbie, chefe da Gestapo, é preso na Bolívia


Ele comandou a polícia secreta da Alemanha nazista na França e, após a guerra, foi recrutado pelo serviço secreto norte-americano

Klaus Barbie, chefe da Gestapo na região de Lyon, França, durante a ocupação alemã, é preso na Bolívia em 19 de janeiro de 1983 por crimes contra a humanidade nas quatro décadas passadas.
Como chefe da polícia secreta da Alemanha nazista na França ocupada, Barbie enviou milhares de judeus franceses e militantes maquis da resistência para a morte nos campos de extermínio ao mesmo tempo em que mandou torturar, abusar ou executar muitos outros.
Após a libertação da França pelos Aliados, fugiu para a Alemanha, onde, com identidade falsa juntou-se a outros ex-oficiais nazistas na formação de uma organização clandestina anticomunista. Em 1947, o Corpo de Contra-Inteligência dos Estados Unidos (CIC) desmantelou a organização e prendeu seus dirigentes, embora Barbie tivesse sido poupado até que o CIC lhe oferecesse dinheiro e proteção em troca de sua cooperação nos esforços de contra-espionagem contra a União Soviética que ocupava a zona oriental da Alemanha e de Berlim.
Barbie trabalhou como agente de Washington na Alemanha durante dois anos e em 1949 foi transportado às escondidas par a Bolívia, onde adotou o nome de "Klaus Altmann", prosseguindo em seu trabalho como agente do serviço secreto dos Estados Unidos.
Além de trabalhar para os norte-americanos, prestou serviços para os vários governos militares da Bolívia, em especial àquele de Hugo "El Petiso" Banzer, que chegou ao poder em 1971, tornando-se um dos mais opressores dirigentes do país. Barbie forneceu a Benzer uma expertise similar à que realizava para o regime nazista, interrogando e torturando os opositores políticos, despachando muitos deles para os campos de internamento, onde um grande número era executado ou morria em decorrência dos maus tratos.
Foi nessa época que os caçadores de nazistas Serge Klarsfeld e Beatte Kunzel descobriram o paradeiro de Barbie, porém Banzer recusou-se a extraditá-lo para a França. No começo dos anos 1980, um regime mais liberal chega ao poder na Bolívia e concorda em extraditar Barbie em troca de ajuda francesa à carente nação. Em 19 de janeiro de 1983, Barbie é preso, desembarcando na França em 7 de fevereiro.
Disputas legais, especialmente entre grupos representativos das vítimas da Resistência francesa e da comunidade judaica, retardaram seu julgamento por quarto anos. Finalmente, em 11 de maio de 1987, o “Açougueiro de Lyon”, como era conhecido na França, foi levado às barras do tribunal, acusado de 177 crimes contra a humanidade.
Numa guinada inimaginável quarto décadas atrás em um tribunal, Barbie foi defendido por três advogados de minorias étnicas – um asiático, um africano e um árabe – que levantaram a dramática tese de que os franceses e os judeus eram tão culpados de crimes contra a humanidade quanto Barbie ou qualquer outro nazista.
Os advogados de Barbie estavam mais interessados em colocar França e Israel no banco dos réus do que na verdade provar a inocência de seu cliente. Finalmente, em 4 de julho de 1987 Barbie foi considerado culpado. Por seus crimes, foi sentenciado a passar o resto de seus dias na prisão, a mais grave punição prevista na legislação francesa. Morreu de câncer na prisão em 25 de setembro de 1991, aos 77 anos.
Fonte: Opera Mundi

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

1994 – Berlusconi anuncia a criação do Forza Italia


O magnata e futuro premiê italiano funda partido político reunindo coligações de centro-direita
Em 18 de janeiro de 1994, Silvio Berlusconi, conhecido por ser um riquíssimo empresário de televisão, anuncia a criação de um novo partido político, a Forza Italia.
Contra todas as expectativas, Berlusconi conquista as eleições legislativas de 27 e 28 de março de 1994 e, em 10 de maio de 1994, é chamado a formar um governo de coalizão com seus aliados de direita e de extrema-direita : a Liga do Norte, de Umberto Bossi, e a Aliança Nacional, de Gianfranco Fini.  Estavam encerrados 50 anos de poder da Democracia Cristã.

Flickr/CC

Em 1994, o magnata das teles Berlusconi fundaria a Forza Italia
Nascido em 26 de setembro de 1936 numa família modesta de Milão, tornou-se empreendedor da construção e promotor de vendas imobiliárias, enriquecendo rapidamente. Seus adversários sempre suspeitaram de suas vinculações com os meios mafiosos.
O sucesso nos negócios lhe valeu em 1977 a outorga da comenda Cavaleiro da Ordem do Trabalho, de onde procede o epíteto “Il Cavaliere”,  honraria de que se gabava à falta de um título universitário mais prestigioso.
Ao mesmo tempo, antecipando o formidável desenvolvimento da televisão privada por cabo e o fim do monopólio de Estado na comunicação televisiva, cria a primeira rede a cabo na Lombardia. No ano seguinte, em 1978, funda em Milão um banco de negócios, o Fininvest, que recebeu fundos da Sicília. Adere também à Loja Maçônica Propaganda Due, de má reputação, o que negaria mais tarde.
A fortuna chega com a fundação em 1980 do Canale 5, primeira rede privada de TV com cobertura nacional. Aposta na transmissão de esportes, de programas de auditório populares com jogos e brincadeiras e farta distribuição de prêmios, e leva ao ar apresentações luxuosas. Foi a porta de entrada para o  sucesso.
O grupo Fininvest torna-se uma das principais empresas do país e faz de Berlusconi uma das três maiores fortunas da Itália. Em 2004, seu patrimônio foi avaliado em US$ 12 bilhões.
Chega então o tempo dos escândalos. Seu amigo, o socialista Bettino Craxi, presidente do Conselho de Estado de 1982 a 1987, estava gravemente comprometido com o escândalo do Banco Ambrosiano e teve de fugir para a Tunísia. Berlusconi, igualmente ameaçado pela Justiça, lança-se na política com a única finalidade de escapar da prisão.
Ao termo de uma campanha relâmpago de dois meses, Berlusconi passa a ocupar o Palácio Chigi, sede da presidência do Conselho de Ministros (Primature), em maio de 1994. Contudo, a experiência como primeiro-ministro teve curta duração. Seu desentendimento com Umberto Bossi (fundador e líder do movimento político da Liga Norte) levou a uma ruptura da coalizão e à perda do poder ao cabo de apenas oito meses.
Tornou-se chefe da oposição frente ao líder político Romano Prodi, chefe da coalizão de centro-esquerda A Oliveira. Senhor dos grandes meios populares de comunicação, reúne partidos de direita à frente de uma nova formação política, Il Popolo della Libertà (O Povo da Liberdade).
Flickr/CC

Morador de rua dorme em frente a cartaz da coligação política "O Povo da Liberdade", encabeçada por Berlusconi
Assim, Berlusconi ocupou ainda duas vezes a presidência do Conselho de Ministros, de 11 de junho de 2001 até 17 de maio de 2006, e de 8 de maio de 2008 a 16 de novembro de 2011. Manchadas por escândalos de diversas espécies e problemas com a Justiça, as duas presidências não ficaram marcadas por nenhuma grande reforma. Ao contrário, recebeu da União Europeia sediada em Bruxelas, no final de seu mandato, a exigência de um plano rigoroso na economia.
Apesar de tudo, a Itália prosseguiu aos trancos e barrancos em seu caminho. A exemplo de outros países da Europa Mediterrânea, chamados depreciativamente de Club Med pelos alemães, ela se endividou, envelheceu e se despovoou, vendo sua administração se desagregar. Mas não naufragou. Sua malha industrial de pequenas e médias empresas familiares resistiu a todas as borrascas, continuando a alimentar as exportações.
Todavia as bolsas de valores e os mercados internacionais se mostraram desconfiados. Obtiveram de Berlusconi, em 13 de novembro de 2011, o que parlamentares eleitos e cidadãos italianos não puderam obter: que ele encaminhasse sua demissão ao presidente da República, Giorgio Napolitano.
A fim de evitar as vaias que o aguardavam à saída do palácio presidencial do Quirinal, teve de sair pela porta dos fundos. Excelente comunicador, a despeito — ou por causa — de suas derrapagens verbais, o Cavaliere recupera um tanto de popularidade em abril de 2009 quando visita in loco a área afetada pelo terremoto de Aquila. Com um descaramento sem precedentes, enrola em torno de seu pescoço o lenço vermelho dos antigos partiggiani, resistentes comunistas.Porém tudo soçobra alguns dias mais tarde ...  Sua vida íntima é revelada por ocasião do 18º aniversário de Noemi Letizia, em 6 de maio de 2009. Surge como beneficiário dos favores sexuais, retribuídos com vantagens pecuniárias, quando a moça era ainda menor de idade. O escândalo, que ficou conhecido como Caso Ruby, levou Veronica, a segunda esposa do premiê, a pedir o divórcio... e uma bastante confortável pensão alimentar.
A imprensam enfileira revelações, por meio de fotos e vídeos, em que se vê o velho político de traços retocados pela cirurgia estética pavoneando-se em meios a cortesãs de luxo.
Com o agravamento da crise financeira, os italianos mostram-se cada vez menos compreensivos em relação ao seu ‘heroi’ tão viril, empreendedor e enérgico. Berlusconi se vê escanteado pela cena internacional, por ocasião das cúpulas europeias e intercontinentais. Sua capacidade de mobilização das massas e de convencê-las a novos sacrifícios decorrentes dos cortes orçamentários ficou seriamente reduzida.
Nas eleições parlamentares de 2012 sofreu amarga derrota a ameaçar definitivamente seu destino político. A 24 de Junho de 2013 é condenado no caso Ruby a 7 anos de cadeia e proibido de exercer qualquer cargo publico.
Fonte: Opera Mundi

domingo, 18 de janeiro de 2015

365 - Império romano é dividido após morte de Teodósio


Arcádio, filho mais velho, obteve o Oriente com sede em Constantinopla; Honório, o Ocidente com sede em Milão

A morte do imperador romano Teodosio I (foto à esquerda) em 17 de janeiro de 395 marca a partilha definitiva do Império Romano. A seu filho Arcadius, de 18 anos, o imperador lega o Oriente, com capital em Constantinopla, e a seu filho Honorius, de 11 anos, o Ocidente, com capital em Ravena. Esta cisão pode ainda hoje ser vista na fronteira que separa a Croácia, ocidental e católica, da Sérvia e da Bósnia, oriental e ortodoxa.

A história do século 5 está marcada pelo fim da unidade imperial do Império Romano. O Império Romano do Ocidente entra em longo período de agonia antes de seu desaparecimento, inevitável depois das invasões bárbaras. O Império Romano do Oriente entra numa fase de mutação que o converteria em Império Bizantino.

A morte de Teodosio deu lugar a uma dessas datas que marcaram a história do Ocidente, inclusive a história de toda a Europa. Não se pode perder de vista que geograficamente o Império Romano ia desde a Península Ibérica até a Armênia. No entanto, essa data, históricamente falando, não tem a carga simbólica que gerações de historiadores quiseram lhe dar.

As diversas lendas sobre a decadência de Roma costumam mascarar a realidade. As invasões bárbaras já haviam começado século e meio antes e a ascensão da Igreja Católica ao poder além da nomeação de bárbaros para a chefia de Estado prenunciavam o fim do império. A guerra de Teodósio contra Arbogastes mostrava à saciedade que o poder imperial já não infundia o mesmo temor de antes.

Teodósio havia previsto que com sua norte o imperio se dividiría em dois. Partia da constatação realista de um fato: diante da aguda crise, uma só entidade seria ingovernável, em especial porque os filhos do imperador eram ainda jovens e sem experiencia. Decide então criar dois impérios de dimensões similares, o Império do Oriente a ser governado por seu filho Arcadius e o do Ocidente por Flavius Honorius, um menino.

Todavia, o que mudava, acima de tudo, era a eleição do regente. Tratava-se do general, Estílicon, marido de Serena, sobrinha de Teodóosio. A escolha é sensata porque Estílicon, embora ambicioso, era um homem competente. Se bem que fosse desde 385 cidadão romano, era de origen vândala. Na corte, isto representava uma afronta a toda uma classe aristócrata e conservadora. No entanto, a evidência mostrava que os mais capazes para administrar o império eram os bárbaros.
Eutrópio

Na corte do Oriente, o império era administrado pelo prefeito do pretório, Rufino. Nascido em Aquitânia de origem obscura, esse sexagenário, católico, inteligente e eloquente, mostrava-se ambicioso. Apreciado por Teodósio e favorito do jovem Arcadius desde 394, chega de uma maneira quase natural aos mais altos cargos. Porém outro personagem, muito mais obscuro, faria estragos na corte. Tratava-se de Eutrópio, um eunuco, ex-escravo, nascido na Armênia e que fora recrutado por Teodósio.
Rufino, por seu lado, torna impossível a vida dos visigodos aos quais havia rechaçado em Tesália na primavera de 395, evitando ao mesmo tempo que Estílicon se apoderasse de Ilírico, zona na costa do Mar Adriático, a norte da Macedónia. Eutrópio não quis ficar para trás e em 27 de abril, aproveitando-se da viagem de Rufino à Síria, casa Arcadius com Eudóxia, filha do notável franco, Flávio Bauto. Esta jovem, apreciada por sua beleza e jovialidade, encanta o imperador, o que tranquiliza Eutrópio.

WikiCommons

Mapa mostra a divisão do Império Romano entre Ocidente (esquerda) e Oriente (direita)

Momentaneamente aliado de Estílicón, Eutrópio prepara a eliminação de Rufino. Em novembro de 395, sugere a Arcadius organizar um desfile das tropas com a finalidade de cumprimentar os homens do general godo Gainas os quais, não obstante, tinham acabado de saquear Olímpia. Rufino é convidado e, colhido numa armadilha, é apunhalado diante do imperador em 27 de novembro de 395.

Uma vez no poder e cada vez mais audacioso e cruel, o  eunuco Eutrópio degrada, humilha e desonra os oficiais e funcionarios a seu bel prazer. Pior ainda, vende os cargos públicos, cria e suprime empregos à discrição e se comporta como um verdadeiro tirano. À sombra dele, Arcadius, homem enfermiço e insignificante, desaparece pouco a pouco. Eutrópio chega inclusive a exilar seu antigo protetor,  Abundâncio, e depois despoja de seus bens a Timas, um general influente e famoso, quem é enviado ao Egito, onde morreria na miséria.

Em 398, Eutrópio é nomeado fidalgo e patrício e no ano seguinte, cónsul. Começa então a inspirar medo em todos os cortesãos. Temido, manda erigir estátuas em sua honra.

Na primavera, Gainas arrasa os arredores de Constantinopla. Em julho de 399, é nomeado Aureliano, um prefeito do pretório hostil a Eutrópio. Uma vez capturado, Eutrópio é desterrado para Chipre, onde volta a ser preso. Levado à Calcedônia, em Bitínia, é julgado e decapitado.
Fonte: Opera Mundi

1899: Nascimento de Al Capone

Filho de imigrantes italianos, ele foi um dos maiores gângsteres norte-americanos no começo do século 20. Nascido em 17 de janeiro de 1899, Al Capone acabou sendo preso por sonegação de impostos.
Al Capone sempre era reconhecido pelas feições e pela forma de se vestir
"Tem gente que quer me ver na cadeia e pergunta: 'quem esse cara imagina que é?'. Eu espero que não seja apenas a minha imaginação – e pode escrever no seu jornal – que eu simplesmente esteja dando o que as pessoas querem. E elas querem é beber. Elas sabem disso, eu sei, todos sabem e eu me atenho a isso, nada mais. Para que essa falação de contrabando de álcool? Uns dizem que é contrabando, outros que é satisfação de necessidades. Mas eu sou é um homem de negócios."
As palavras são do personagem Al Capone no filme Os Intocáveis, mas expressam como o gângster de carne e osso via suas atividades, em plena era da Lei Seca, a proibição de álcool nos Estados Unidos: ele se considerava um mero homem de negócios. "Al Capone – negociante de antiguidades" – era o que constava de seu cartão de visitas. E, no entanto, Capone era o rei de Chicago, o chefão do crime organizado que regia um império de boates e clubes noturnos, bordéis, cassinos e casas de jogos, cervejarias e bares ilegais.
Tudo começou no Brooklyn, onde ele nasceu em 17 de janeiro de 1899. Al era o quarto filho do cabeleireiro Gabriele Capone, que imigrara da Itália ao Novo Mundo com sua esposa, Teresa, em 1894. Gente honesta, seus pais conseguiram juntar um bom dinheiro com o seu pequeno salão. Nada parecia indicar que dessa família sairia um dos maiores gângsteres norte-americanos.
Johnny Torrio: padrinho e parceiro de Capone
Quando jovem, Al Capone foi office boy de Johnny Torrio, homem reservado e de aparência elegante, mas que, por trás da fachada respeitável, administrava inúmeros cassinos, bordéis e bares.
Essa foi a primeira lição que Al Capone aprendeu: criar uma imagem e manter as aparências. Em 1917, aprendeu mais uma. Ao brigar com o irmão de uma moça, Al Capone levou três facadas no rosto. Dessa experiência ficaram as cicatrizes e seu apelido: Scarface.
Depois disso, houve uma fase tranquila na vida de quem seria, no futuro, o "inimigo público número um" nos EUA. Em 1919, já pai de família, trabalhava em Baltimore como contador. Um ano depois, retomou o contato com Johnny Torrio, que se mudara para Chicago, a cidade que atraía quem queria ganhar muito dinheiro com negócios ilegais.
A sociedade com Torrio foi muito rentável para Capone. Logo lhe pertenciam vários bordéis e bares e, em 1925, ele tornou-se o herdeiro do gigantesco império ilegal que Torrio montara em Chicago. A partir de então, residia numa suíte de cinco quartos do Hotel Metropole, que custava 1,5 mil dólares por dia, circulando entre os vips da cidade.
A artimanha que acabou com o gângster
Atrás dos bastidores, porém, as gangues travavam uma guerra sem trégua, que culminou no tiroteio de 14 de fevereiro de 1929. As vítimas foram sete cabeças da banda de Bugs Moran, o principal inimigo de Al Capone. Este, como sempre, tinha preparado um bom álibi. Nesse dia, estava em Palm Island, na Flórida.
O massacre mobilizou o presidente Herbert Hoover. Em 29 de março, ele escreveu a seu secretário do Tesouro, Andrew Mellon: "O sr. já conseguiu pegar finalmente esse Capone? Eu quero esse fulano na cadeia!".
Apesar disso, a brutal eliminação dos concorrentes ficou impune. No entanto, uma nova lei determinava a cobrança de impostos até sobre rendimentos ilegais, e Al Capone teria muito o que declarar ao fisco. Com base em velhos livros de contabilidade, os fiscais da Fazenda calcularam, em 1931, que o gângster devia ao "leão" mais de 200 mil dólares. No processo, o promotor exigiu uma pena de 34 anos de prisão. A sentença foi promulgada no dia 24 de outubro do mesmo ano.
Al Capone pegou 11 anos por sonegação de impostos. A condenação foi o fim de sua carreira no mundo do crime. Nos dois primeiros anos, o gângster ainda conseguiu viver de forma relativamente confortável na penitenciária de Atlanta. Mas depois, no rígido presídio de Alcatraz, acabaram-se as mordomias e subornos. Como se não bastasse, os médicos diagnosticaram sífilis em estágio avançado.
Em 1939, Al Capone foi libertado sem haver cumprido toda a pena. Doente, o ex-rei dos gângsteres era uma pálida sombra do que fora e acabou morrendo em 1947, aos 48 anos de idade.
  • Data 17.01.2015
  • Autoria Neusa Soliz
  • Imprimir Imprimir a página
  • Link permanente http://dw.de/p/1hx8