sábado, 29 de novembro de 2014

Memórias do AHR discute o suicídio

O Suicídio como Depuração

Sábado, 29/11/2014 às 07:11, por Arquivo Histórico Regional


Várias são as razões que levam uma pessoa a cometer o ato do suicídio. A média de suicídios aumentou 60% nos últimos 50 anos. De acordo com os dados atuais (2014) da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 3.000 pessoas cometem suicídio por dia no mundo inteiro, aproximadamente uma pessoa a cada 30 segundos se mata. Ainda segundo a OMS estima-se que para cada pessoa que consegue se suicidar, existem mais de 20 que tentam sem sucesso. O mais preocupante é que a maioria dos casos de suicídio poderia ser previsto e evitado.

Atualmente o suicídio é uma das três principais causas de morte no mundo, porém o suicídio é antigo, mesmo a Bíblia faz referências ao assunto. Na década de 1950, mais precisamente no ano de 1957, no município de Soledade – RS ocorreram diversos suicídios, segundo análises em processos crimes encontrados no Arquivo Histórico Regional (UPF). Para cada dez suicídios cometidos entre 1950-1960, 8 eram de mulheres, e em 80% dos casos os fatos que levavam as mulheres a suicidar-se eram amorosos.

Existem diversas pesquisas realizadas com base em análises de autopsias, processos judiciais, cartas ou diários. É de suma importância conhecer o contexto social e a realidade em que cada ato transcorreu. Os processos que conduziram o artigo são como dito anteriormente da década de 1950, neste período as mulheres já tinham conquistado muito mais liberdade e autonomia se comparado com a década anterior. Porém, muitos autores como Estela Meneghel, Napoleão Teixeira, Charles Fauqué, entre outros, ainda afirmam que neste período as mulheres eram muito frágeis e dependentes do marido ou família. As mulheres solteiras ou noivas dependiam tanto dos pais quanto do futuro marido. Os processos observados são de mulheres solteiras, mas prestes a casar-se. Nos três processos escolhidos as mulheres suicidaram-se por terem sido usadas (manterem relações intimas) e abandonadas pelos noivos antes do casamento. Talvez a vergonha e a humilhação fosse insuperável para tais mulheres, de forma que a única maneira de não sofrer as consequências fosse a própria morte. Em uma das cartas das suicidas encontradas junto ao processo crime há a seguinte frase:

“Ele me fez me perder por três vezes e agora diz que não quer casar comigo... E assim como fui uma pobre desventurada termino com a minha vida para não dar desgosto a meus pais e irmãos.”. Conhecendo o contexto histórico e social de Soledade na década de 1950 e com as análises das cartas deixadas explicando o motivo do suicídio fica claro que uma mulher que mantivesse relações sexuais antes do casamento e fosse descoberta perderia o respeito e causaria desgosto e humilhação à família. De certa forma segundo os casos analisados era melhor morrer do que “manchar” o nome da família.

Embora os suicídios relacionados a fatores amorosos ainda sejam comuns, a maioria não se define pelos mesmos motivos de 60 anos atrás. “Manchar” o nome da família ou ser apontada na rua já não tem a mesma importância. Os motivos atuais são na maioria das vezes mais pessoais e estão relacionados a questões de depressão. Ou seja, hoje as pessoas tendem a se matar para evitarem o seu próprio sofrimento e não o sofrimento alheio. O suicídio passa a ser encarado como a única alternativa para conflitos sociais e interpessoais.

Seja qual for o motivo que leve a pensar na própria morte o fato é que o suicídio seja de homens ou mulheres têm preocupado diversas organizações e órgãos de saúde, como a OMS que criou programas de prevenção ao suicídio. Aparentemente, após milhões de suicídios em todo o mundo, os órgãos de saúde estão tratando o caso como um problema público, uma vez que o ato de um suicida abrange não somente sua vida, mas causa danos aos familiares e amigos. O suicídio como apontou Durkheim (1858 -1917) é antes de tudo, um fato coletivo e social.
Gabriela de Andrade Porto
Acadêmica do Curso de História – UPF
* O AHR destaca que os artigos publicados nessa seção
expressam única e exclusivamente a opinião de seus autores

Arquivo Histórico Regional – UPF
R. Paissandu, 1576 – Centro
Fone: 3316 8516 – e-mail: ahr@upf.br – site: www.upf.br/ahr 
Doações de documentos são recebidas o ano inteiro.

1947 - ONU aprova partilha da Palestina entre árabes e judeus

A despeito da forte oposição dos países árabes, a Assembleia Geral das Nações Unidas, sob a presidência do embaixador brasileiro Oswaldo Aranha, aprova em 29 de novembro de 1947 a partilha da Palestina em dois Estados, um judeu e outro árabe, que deveriam formar uma união econômica e aduaneira. Trinta e três nações votam a favor, entre elas Estados Unidos, a extinta União Soviética e o Brasil. Treze (dez islâmicas, mais Cuba, Grécia e Índia) votam contra e dez se abstêm (entre elas, Inglaterra e Argentina).


Quando a ONU (Organização das Nações Unidas) foi criada, em 1945, a Palestina era um território administrado pela Inglaterra, sob a forma de mandato. Entre as questões a serem tratadas pela nova entidade, estava a de uma nação judaica na Palestina. O crescimento da imigração judaica, principalmente após o Holocausto, encontrava objeção por parte dos habitantes árabes, que em meados da década de 40 compreendiam cerca de dois terços de uma população de dois milhões.

Tendo em vista a escalada da violência, a Inglaterra decide, em fevereiro de 1947, levar a questão à ONU. As Nações Unidas decidem criar um comitê especial para investigar todas as questões importantes e recomendar soluções.

Enquanto as organizações judaicas cooperam com o comitê, a liderança palestina decide não participar, alegando que a ONU tinha se recusado a tratar da questão da independência e não tinha conseguido separar o problema dos refugiados judeus da Europa da questão palestina. Alegam que os direitos naturais dos árabes palestinos eram claros e deveriam ser reconhecidos, não podiam ser objeto de investigação. A liderança judaica sustenta que as questões de um Estado judeu na Palestina e da imigração irrestrita são indissociáveis.

Após dois meses de intensos debates, a Assembleia Geral aprova o plano de partilha, que prevê o fim do mandato, a retirada gradual das forças armadas britânicas e a definição de fronteiras entre os dois Estados e Jerusalém. A Palestina seria dividida em oito partes: três pertenceriam ao Estado judeu, três ao Estado árabe, uma (a cidade de Jaffa) deveria formar um enclave árabe dentro do território judeu e a oitava parte, Jerusalém, teria um regime internacional administrado por um conselho tutelar da ONU.
Agência Efe

Palestinos pedem que o mundo "pague sua dívida histórica" pela Nakba

O plano também determina os passos a serem tomados antes da independência, tratando de cidadania, trânsito, união econômica e da declaração a ser feita pelo governo provisório de cada um dos Estados com relação ao acesso aos locais sagrados e aos direitos das minorias.

A Agência Judaica, fundada em fevereiro de 1947 para incentivar e auxiliar a emigração de judeus do mundo inteiro para Israel, aceita a resolução apesar da insatisfação a respeito de questões como a imigração de judeus europeus e os limites territoriais propostos para o Estado judaico. O plano não é aceito pelos árabes palestinos e pelos Estados árabes sob a alegação de que viola o previsto na Carta da ONU, que garante às populações o direito de decidir sobre seu próprio destino.
Dizem que a Assembleia Geral tinha endossado o plano sob circunstâncias indecorosas e que os árabes da Palestina se oporiam a qualquer esquema que defendesse dissecação, segregação ou partilha de seu país, ou que concedesse direitos preferenciais e especiais a uma minoria.

Independência e guerra

Aos judeus, é entregue mais da metade das terras da Palestina, e as melhores delas, embora sua população fosse menor. Os árabes decidem enfrentar as forças sionistas, porém os judeus conseguem assegurar pleno controle sobre o seu território avançando e ocupando também parte do território palestino. Em 14 de maio de 1948, David Ben Gurion proclama a independência de Israel. No dia seguinte, tropas do Egito, Transjordânia, Síria, Líbano e Iraque invadem o país.

Os israelenses vencem a guerra e tomam territórios-chave como a Galileia, a costa palestina e uma faixa de terra ligando a região costeira à zona ocidental de Jerusalém. O cessar-fogo de 1949 deixa as áreas conquistadas sob permanente controle de Israel. A expulsão de centenas de milhares de palestinos durante a guerra deixa o país com substancial maioria judaica.
Fonte: Opera Mundi

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Seleção de Mestrado PPGH - Inscrições homologadas


O Programa de Pós-Graduação em História (PPGH), da Universidade de Passo Fundo (UPF), torna público as inscrições homologadas, atendendo o Edital do processo seletivo do curso de MESTRADO, turma 2015/01.


1912 – Albânia proclama independência do Império Otomano


Em 28 de novembro de 1912, Ismael Quemal Bey proclama a independência da Albânia no Congresso de Vlore. O aniversário desse dia é festa nacional na Albânia. É também o aniversário de uma primeira libertação do pais por Skanderbeg, em 1443.

Povoada por 3 milhões de habitantes sobre um território de 28 mil quilômetros quadrados, a Albânia ou o “País das Águias” está localizada em meio a um complexo montanhoso que a isola do mundo. É herdeira da Ilíria romana e da Épira bizantina. Seu nome surge por volta do ano 100 da era cristã. Provém de uma tribo local designada pelo geógrafo grego Ptolomeu sob o nome de Albanoi.

Na Idade Média, Veneza ocupou os portos de Durazzo e Scutari enquanto os turcos otomanos, vencedores contra os sérvios em Kossovo Polié, tomam o interior do país. Resultado dessa história tumultuosa, dois terços dos albaneses são hoje em dia muçulmanos, os outros são ortodoxos ou católicos.

A Albânia se emancipa durante alguns anos graças ao heroísmo de um príncipe albanês de nome Jorge Castriota (Gjergj Kastrioti em albanês). Guindado à corte de Murad II, o jovem torna-se favorito do sultão e ganha relevo na guerra sob o nome de Iskander Bey, ou príncipe Alexandre, transformado em “Skanderbeg”.

Após uma derrota dos turcos diante dos húngaros em Nis em 1443, Skanderbeg deserta do exército otomano levando consigo 300 albaneses. Regressa ao cristianismo de sua infância e, em 28 de novembro de 1443, se proclama soberano dos albaneses. Até sua morte em 17 de janeiro de 1.468, aos 65 anos, os albaneses fizeram frente aos otomanos. Com seu falecimento, tiveram de se submeter sem jamais deixar de se rebelar.

Já em 1912, a Sérvia e a Bulgária constituíram uma liga balcânica à qual se associaram a Grécia e Montenegro, tendo em vista arrancar do sultão otomano as derradeiras possessões que lhe restavam na Europa.

Como resultado da primeira guerra balcânica, os sérvios ocuparam uma grande parte dos territórios albaneses, notadamente ao norte, onde viviam as minorias servo-croatas, e sobre os quais tinham reivindicações, e o Kosovo, coração histórico da Sérvia.

As grandes potências ditam as regras da independência da Albânia, reduzida à sua faixa litorânea, enquanto o Kosovo é anexado pela Sérvia e o norte do país continuaria ocupado pelo exército sérvio.

Wikimedia Commons - Rei Zog I
Nos anos que se seguiram à proclamação da independência, uma segunda guerra balcânica vê a Turquia, a Grécia, a Sérvia, o Montenegro e a Romênia se unirem contra a Bulgária a fim de conter suas pretensões sobre a Macedônia.

A Sérvia, que queria um acesso ao mar Adriático, se dispõe então a anexar a pequena Albânia, o que foi impedida pelo Império Austro-Húngaro e pela Itália.

A independência da Albânia é confirmada pelas grandes potências da Europa em 1919 ao final da I Guerra Mundial, enquanto o território do Kosovo, embora de maioria albanesa, permanecia sob domínio sérvio.

Em 1º de setembro de 1928, Ahmed Bey Zogulli, conhecido como Zogu, se faz proclamar rei da Albânia sob o nome de Zog I, após ter chefiado o país como primeiro-ministro e depois como presidente da República. Contudo, teve de abdicar após a invasão do país pelas tropas italianas, por ordem de Mussolini, em 7 de abril de 1939.

Após o término da II Guerra Mundial, em 11 de janeiro de 1946, a Albânia torna-se uma República Popular. Passa a viver então sob um regime que se mostra extremamente duro e que se distinguiu num dado momento em tomar partido de Pequim no conflito que opôs a China à União Soviética no final dos anos 1950.

Em seguida à rígida ditadura do líder Enver Hodja, morto em 1985, os albaneses se põe a sonhar com uma vida normal no seio dos países europeus.

Nos anos 1990, adotam, não sem imensas dificuldades, um regime do tipo parlamentarista.
Fonte: Opera Mundi

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Documentos comprovam cooperação entre ditaduras latinas

Apreendidos na casa de Paulo Malhães, relatórios do Exército sobre a Operação Condor falam em integrantes do grupo argentino Montoneros vivendo no Brasil
por Marsílea Gombata — publicado 26/11/2014 09:09
Pela primeira vez, documentos do Exército brasileiro comprovam a existência da Operação Condor, aliança entre governos do Cone Sul para monitoramento, tortura e desaparecimento forçado de membros de grupos da luta armada contrários aos regimes militares em vigor na região.
De acordo com um documento da chamada Operação Gringo, o Brasil se tornou depois de 1977 a mais importante base do grupo de oposição argentino Montoneros, o que chamava a atenção dos militares responsáveis por monitorar ativistas e guerrilheiros estrangeiros em território brasileiro. Segundo um relatório que data de 31 de dezembro de 1979, desde o sumiço de um dos líderes da organização, São Paulo e Rio de Janeiro vinham sendo locais importantes para a militância argentina.
“Desde 1977 até o desaparecimento do MONTONERO NORBERTO HABBEGER, o BRASIL era a mais importante base na AMÉRICA DO SUL desta ORGANIZAÇÃO subversiva. Estiveram morando no RIO DE JANEIRO –RJ, membros da CONDUCION NACIONAL, como RAUL CLEMENTE YAGER e HORÁCIO MENDIZABAL (falecido), acompanhados por elementos de mais alto nível, como PEREIRA ROSSI – “CARLON” – Secretário de Propaganda, HORÁRIO CAMPIGLIA – “PETRUS” – Secretário Militar e “EDGARDO” – segundo chefe do Estado maior do EXÉRCITO MONTONERO , enquanto que em SÃO PAULO/SP, estava estabelecida a base de falsificação de documentos e o Setor de Desenho e Planejamento Logístico Pesado da Secretaria Militar”, lê-se em um trecho.
Os militares confirmam no relatório “a existência de refugiados legais e clandestinos de origem argentina, muitos deles trabalhando e residindo no BRASIL que, sem exceção, se relacionaram com elementos subversivos brasileiros”.
Os documentos foram obtidos na casa do coronel Paulo Malhães, encontrado morto em abril deste ano após prestar um dos mais polêmicos depoimentos à Comissão Nacional da Verdade, no qual contou como o Exército fez para desaparecer com os restos mortais do deputado federal Rubens Paiva durante a ditadura e como agentes do CIE (Centro de Informações do Exército) mutilavam corpos das vítimas da repressão na Casa das Morte, em Petrópolis (RJ) – arrancando suas arcadas dentárias e as pontas dos dedos para impedir a identificação dos corpos, caso fossem encontrados. As provas foram obtidas pelo grupo Justiça de Transição do Ministério Público Federal através do cumprimento a mandados de busca e apreensão após a morte do ex-coronel do Exército que atuava sob o codinome “Dr. Pablo” à época da repressão.
Em um outro relatório de 1978, a análise dada pelos militares em relação à conjuntura da época era de que o Brasil vinha sendo escolhido pelas organizações de oposição às ditaduras da região, de luta armada ou não, como o próximo país a sediar um regime comunista. “Sua finalidade é atuar em um país que ofereça as condições necessárias para que se desenvolva o processo revolucionário dentro do novo caráter da revolução. Não temos dúvida de que o país escolhido foi o BRASIL e, hoje, somos alvo de uma conspiração internacional”, alertam. Para ilustrar, eles utilizavam ainda um organograma que mostrava organizações da Europa, Ásia, África e América trabalhando para uma “frente internacional dos comunistas e socialistas” a fim de arquitetar a tomada de poder no Brasil para instalar um regime comunista.
Além disso, trazem informações como o monitoramento das atividades de diversas organizações brasileiras e estrangeiras contrárias ao regime militar, como o PCdoB, o MR-8 e a italiana Brigadas Vermelhas. Dentre os nomes a serem destacados estão os de políticos e ativistas como Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, Dante de Oliveira, Francisco Julião, Antonio Carlos Nunes de Carvalho e Chico Buarque de Hollanda.
Em um dos trechos, inclusive, Brizola é citado como uma figura próxima ao movimento argentino: “Tem-se conhecimento, por declarações recebidas, que o ex-governador LEONEL BRIZOLA foi um dos exilados brasileiros contatados, durante sua estadia nos EEUU, pelo MOVIMENTO MONTONERO.”
Outro ponto de destaque é uma rasa análise política da conjuntura e das alianças da época, com menção expressa a figuras políticas como Brizola, Tancredo Neves, Miguel Arraes e Luiz Inácio Lula da Silva, além de organizações sindicais, como da CUT (Central Única dos Trabalhadores), que segundo os militares era considerada um grande “sonho” dos opositores da ditadura civil militar que vigorou no País entre 1964 e 1985.
Os documentos revelam também um informe em língua espanhola, denominado "Operação Congonhas", referente à estrutura e organização de organizações de militância e guerrilha contra a ditadura argentina. Apesar de ser datado e assinado a partir da cidade de São Paulo, procuradores do grupo Justiça de Transição acreditam que o texto tenha sido produzido por militares argentinos e compartilhado com a ditadura brasileira.
A existência da Operação Condor já havia sido feita através de outros documentos, como os do Departamento de Estado dos Estados Unidos, sobre o teor da reunião que selou a aliança entre os governos militares. Os documentos encontrados divulgados recentemente, no entanto, são os primeiros das Forças Armadas brasileiras sobre a operação conjunta.
Formalizada em reunião secreta em Santiago do Chile no final de outubro de 1975, a Operação Condor se tratou de uma aliança entre as ditaduras instaladas nos países do Cone Sul— Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai — para a realização de atividades coordenadas, de forma clandestina e à margem da lei, com o objetivo de vigiar, sequestrar, torturar, assassinar e fazer desaparecer militantes políticos que faziam oposição aos regimes militares da região na década de 1970.
De acordo com o Ministério Público Federal, a documentação apreendida na casa de Malhães e divulgada nesta semana foi compartilhada formalmente com a Argentina e já foi anunciada uma reunião especializada dos Ministérios Públicos do Mercosul, em Buenos Aires.
Fonte: Carta Capital

Mulheres dos escombros são um mito do pós-Guerra, diz historiadora

Imagem das mulheres que ajudaram massivamente a remover destroços depois da Segunda Guerra faz parte da memória coletiva dos alemães. Mas ela não corresponde à realidade, afirma Leonie Treber num livro recém-lançado.
Estátuas de mulheres com um pano na cabeça e uma pá na mão estão espalhadas por inúmeras cidades da Alemanha. São "símbolos do espírito de reconstrução e da ânsia de sobrevivência dos alemães", disse certa vez o ex-chanceler federal Helmut Kohl. As esculturas "lembram o grande número de mulheres que ajudou voluntariamente a remover os destroços", acrescentou.
Entretanto, isso é um equívoco, segundo a historiadora Leonie Treber. Na Alemanha, não houve "um grande número" de mulheres que ajudaram a reconstruir as cidades, e a tarefa também não foi feita voluntariamente.
"As mulheres dos escombros são uma lenda alemã", afirma Treber, que acaba de publicar o resultado de sua pesquisa no livro Mythos Trümmerfrauen (O mito das mulheres dos escombros). A historiadora está envolvida com o tema desde 2005 e fez seu doutorado sobre o assunto na Universidade de Duisburg-Essen.
Depois da Segunda Guerra Mundial, os destroços foram removidos principalmente por empresas especializadas, com equipamento específico. "Se isso tivesse sido feito majoritariamente por mulheres com pás e baldes, elas estariam recolhendo os escombros até hoje", diz Treber. Entretanto, as empresas precisaram de apoio da população, pois cerca de 400 milhões de metros cúbicos de escombros tinham de ser removidos no país.
Em Berlim, aproximadamente 60 mil mulheres tiveram de recolher os destroços, mas ainda assim isso não pode ser considerado um fenômeno de massa, já que elas só representavam 5% da população feminina da cidade. Na zona de ocupação britânica, somente 0,3% das mulheres participaram da remoção de escombros, acrescenta Treber.
"As mulheres dos escombros são uma lenda alemã", afirma Leonie Treber
Não eram só as mulheres que não tinham muita vontade de recolher os destroços. Entre os homens a tarefa também não era muito popular. A maioria dos alemães via esse como um "trabalho forçado" e tinha razão para isso. Durante a guerra, os nazistas forçaram os prisioneiros de guerra, trabalhadores escravos e presos em campos de concentração a remover os escombros causados pelos bombardeios dos Aliados.
Pouco depois do fim do conflito, em 1945, o trabalho novamente foi feito por prisioneiros de guerra e por ex-membros do Partido Nacional-Socialista Alemão dos Trabalhadores (NSDAP), de Hitler. Mas como esses não eram suficientes, muitas vezes a população foi chamada para colaborar: na parte ocidental do país, voluntariamente; e na oriental, geralmente de forma forçada.
Meios de comunicação
Livro "Mythos Trümmerfrauen" ("O mito das mulheres dos escombros") é resultado da pesquisa de Treber
Em Berlim, as mulheres foram atraídas para o trabalho de remoção de entulhos com a oferta da segunda maior categoria de vale-refeição. Para recrutar mais voluntárias para a tarefa, a imagem da mulher que recolhe alegremente os escombros foi espalhada insistentemente para a população através dos meios de comunicação da época, diz a historiadora.
"Justamente essa é a imagem que ficou gravada na consciência coletiva dos alemães e hoje, vez ou outra, é evocada em discursos, filmes e livros", observa Treber.
"Atualmente, ninguém duvida da veracidade da imagem das mulheres altruístas", acrescenta. Por isso, a historiadora se vê confrontada por uma forte resistência da sociedade. "Claro que havia mulheres fortes que ajudaram a remover os escombros depois da guerra", explica. "Mas elas claramente foram uma minoria."
  • Data 26.11.2014
  • Autoria Enrique López Magallón (nm)
  • Link permanente http://dw.de/p/1Du1b

1095- Papa Urbano II incita a Guerra Santa e dá início às Cruzadas

Por ocasião do Concílio de Clermont, o papa Urbano II, que exerceu longo pontificado, entre 1042 a 1099, propõe uma expedição à Terra Santa a fim de libertar o sepulcro de Jesus Cristo das mãos dos muçulmanos. Em famoso discurso pronunciado em 27 de novembro de 1095, em Clermont, França, Urbano II exorta os cavaleiros dos reinos ocidentais e a todos os cristãos para se unirem numa guerra com a intenção de recuperar a Terra Santa para o cristianismo. Dizia que era necessário proteger o Santo Sepulcro dos ataques muçulmanos.
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Gravura da batalha de Ascalão por C.W. Sharpe

Urbano II era um papa esperto. Para convencer os europeus a participar de sua Guerra Santa ele apelou tanto para os motivos religiosos como para os instintos mais ambiciosos. Afirmava que a Terra Santa era mais rica que as terras superpopulosas da Europa. Além disso, para os cristãos mais fervorosos, propagou que quem participasse das Cruzadas seria perdoado de todos os pecados e teria seu lugar no céu assegurado.

Como esses argumentos não foi difícil conseguir um batalhão de adeptos. A idéia foi recebida com entusiasmo. O conceito de “cruzada” ou “guerra santa” foi ali lançada e iria marcar profundamente o ocidente medieval. Em 1099, os primeiros “cruzados” apoderam-se de Jerusalém. Inicia-se uma longa confrontação entre o oriente latino e o ocidente cristão que, à parte a violência, permitiu uma notável transferência de cultura e conhecimentos, em proveito quase exclusivo do ocidente.

Frentes de batalha

Partindo da França em 1096, os cruzados, comandados por Godefroi de Bouillon, fazem sua entrada triunfal em Jerusalém em julho de 1099. Todos os defensores da cidade, muçulmanos ou judeus, são massacrados.

Wikicommons
Durante oito horas, a cidade foi submetida ao um horripilante massacre sem distinção de sexo, idade ou religião. A tomada da cidade santa provocou a morte de cerca de 100 mil pessoas. Nasceu assim o reinado latino de Jerusalém. O sepulcro de Cristo é “libertado” da ocupação muçulmana. Godefroi de Bouillon assume a administração da cidade com o título de Procurador do Santo Sepulcro. A cruzada apregoada por Urbano II foi um “sucesso”.
[Os líderes da Primeira Cruzada (ilustração de Alphonse Marie de Neuville]

Antes da tomada de Jerusalém, mas atendendo à conclamação de Urbano II, uma cruzada popular chegou a Constantinopla em agosto de 1096. Chefiada por Pierre o Ermitão e Gautier Sans Avoir, uma multidão de cruzados vindos das massas populares atinge as portas de Constantinopla. No dia seguinte ao apelo do papa, a população decidiu empreender caminho para uma peregrinação na Terra Santa.

Sem qualquer organização ou armas, os peregrinos marcharam pela Europa, alguns deles pilhando cidades e vilarejos, atacando comunidades não cristãs. Chegando enfim ao oriente, Pierre o Ermitão e sua gente atravessam o canal de Bósforo, ajudados pelos bizantinos. Porém, prosseguindo em sua rota, cerca de 12 mil cruzados que sobreviveram ao rude périplo iriam morrer debaixo das armas turcas alguns meses mais tarde.
Já a Antioquia, então na Síria, é tomada pelos cruzados em junho de 1098. Os exércitos são comandados por Godefroi de Bouillon, o conde de Toulouse, Bohémond 1º e o legado pontifical Adhémar de Monteuil. No ano anterior eles já tinham conseguido reconquistar Niceia, mas tendo concluído um acordo como imperador bizantino Alexis Comnène, viram-se obrigados a lhe restituir a cidade. Pouco tempo depois, alcançam uma grande vitória contra os turcos na Ásia Menor, abrindo caminho para outras conquistas.

Após a primeira Cruzada foi criada a Ordem dos Cavaleiros Templários, que teve importante participação militar nos combates das seguintes Cruzadas. Passados mil anos a palavra de Deus ainda é com freqüência levada pelo homem na ponta das espadas, hoje na ponta dos mísseis.
Fonte: Opera Mundi

terça-feira, 25 de novembro de 2014

1841 - Escravos do navio Amistad são absolvidos nos EUA


O ex-presidente John Quincy Adams tomou a defesa dos acusados

Em caso julgado pela Suprema Corte dos Estados Unidos em 25 de novembro de 1841, escravos que tomaram o navio Amistad em 1839 são postos em liberdade. Eram 53 negros vendidos como escravos na África e levados para Cuba onde, em 1839, foram obrigados a embarcar no navio espanhol Amistad com a finalidade de serem negociados em outros países.
Hale Woodruff

Detalhe do quadro "O julgamento do Amistad", de 1939

Os acusados assumiram o controle da embarcação, ainda nas costas de Cuba, e após assassinar alguns membros da tripulação, ordenaram aos demais que seguissem rumo à África. Porém, o Amistad foi abordado por um navio de guerra norte-americano e os negros, tratados como piratas. O governo dos Estados Unidos queria que fossem devolvidos a Cuba, mas o Supremo Tribunal declarou-os livres, de acordo com o direito internacional que proibia o comércio de escravos.

O processo foi um pouco usual ‘caso de liberdade’, pois envolveu questões e partes internacionais assim como a lei norte-americana.

A rebelião eclodiu quando a escuna, navegando ao longo da costa de Cuba, foi tomada por um grupo de escravos. Os africanos foram mais tarde apreendidos ainda a bordo do navio perto de Long Island, Nova York e mantidos sob custódia. O caso, amplamente divulgado, ajudou o movimento abolicionista.

Em 1840, uma corte federal considerou que o transporte inicial dos escravos através do Atlântico havia sido ilegal uma vez que o comércio de escravos fora abolido. Portanto não eram legalmente escravos, mas homens livres. Visto que estavam ilegalmente confinados, os cativos tinham o direito de tomar qualquer medida necessária para assegurar a sua liberdade, inclusive o uso da força.
Em fevereiro de 1839, comerciantes portugueses de escravos haviam negociado um grande número de africanos da Serra Leoa, embarcando-os em navios negreiros para Cuba, centro de comércio de escravos. O sequestro violava todos os tratados então vigentes.  Cinquenta e três escravos foram adquiridos por dois fazendeiros espanhóis e postos a bordo da escuna Amistad a fim de levá-los a fazendas do Caribe.
Em 27 de junho de 1839, o La Amistad, barco espanhol, partiu de Havana para Porto Príncipe. A viagem estava prevista para quatro dias de modo que a tripulação espanhola carregou-o com rações para esse lapso, mas não previram que fortes ventos iriam retardar o deslocamento. Em 2 de julho, um dos escravos que havia trabalhado com metais tratou de libertar dos grilhões a si a outros cativos.

Os africanos mataram o cozinheiro, que lhes havia dito que seriam mortos e comidos pelos captores. Mataram também o capitão numa luta em que dois escravos também foram mortos. Dois marinheiros escaparam num bote. Os escravos pouparam a vida de dois tripulantes que poderiam conduzir o navio com a condição de levá-lo de volta à África. Pouparam igualmente a vida do escravo pessoal do capitão, usando-o como intérprete.

Esses tripulantes enganaram-nos e rumou o Amistad para o norte ao longo da costa dos Estados Unidos. O navio foi visto repetidas vezes. Lançaram âncora a meia milha de Long Island em 26 de agosto. Alguns escravos desceram para buscar água e provisões. O tenente Thomas Gedney, comandante da Guarda Costeira, viu alguns escravos na praia, ordenando que fossem detidos e o navio, com o pessoal a bordo, apreendido. Gedney supostamente preferiu levá-los a Connecticut por que a escravidão era ali ainda tecnicamente legal, ao contrário de Nova York. Esperava obter lucro com a venda dos escravos.
Os fazendeiros foram libertados e os africanos presos em New Haven, Connecticut, sob acusação de assassinato. Apesar dessas acusações terem sido rejeitadas, foram mantidos em confinamento, pois o caso virou para o direito de propriedade.
Em 1840, uma corte federal considerou que o transporte inicial dos escravos através do Atlântico havia sido ilegal uma vez que o comércio de escravos fora abolido. Portanto não eram legalmente escravos, mas homens livres. Visto que estavam ilegalmente confinados, os cativos tinham o direito de tomar qualquer medida necessária para assegurar a sua liberdade, inclusive o uso da força.

A corte local decidiu que o caso deveria ser levado à jurisdição federal. A alegação de que os africanos eram propriedade privada não foi acatada porque estavam sendo ilegalmente considerados como escravos. O ex-presidente John Quincy Adams tomou a defesa dos acusados, afirmando que tinham o direito de lutar para reconquistar a liberdade. A Suprema Corte decidiu a favor dos africanos. Trinta e cinco deles voltaram à terra natal. Os outros morreram em viagem ou na prisão enquanto aguardavam julgamento.

1965: Mobutu dá golpe e se torna presidente do Congo

Eminência parda do governo, o chefe das Forças Armadas da República Democrática do Congo resolve assumir, ele próprio, em 25 de novembro de 1965, o comando de um dos países mais ricos em recursos naturais da África.
Mobutu Sese Seko em foto de 1997
No bar do Hotel Memling, na então Leopoldville, o ar estava úmido e sufocante, como sempre antes das chuvas. Alguns jornalistas estrangeiros bebiam cerveja gelada. Em 1960, havia muito a noticiar sobre a República Democrática do Congo.
Poucas semanas antes, em 30 de junho, o país conseguira sua independência da Bélgica. Desde então não havia sinais de paz. O governo estava nas mãos do jovem carismático Patrice Lumumba, simpatizante da União Soviética, e, portanto, uma "pedra no sapato" não só dos americanos.
Um oficial entrou e anunciou aos jornalistas: "Meus senhores, nesta tarde vou prender o primeiro-ministro e nomear um novo governo". Os repórteres já conheciam esse homem: tratava-se de um coronel de 29 anos, o comandante da Força Pública. Seu nome: Joseph Désiré Mobutu. A questão era, no entanto, quem estaria por detrás dele.
Carreira militar
Após passar algum tempo numa escola de missionários, o filho de cozinheiro e empregada doméstica, nascido em 1930, exerceu as mais diversas atividades, de contador a jornalista. Aos 19 anos entrou para o Exército, chegando a segundo sargento, a patente mais alta que a metrópole belga concedia a um negro. Além disso, Mobutu ganhou espaço no partido do futuro primeiro-ministro Lumumba.
Em 1960, quando a independência se aproximava, o balanço dos tempos coloniais mostrava resultado devastador. A Bélgica havia sugado o Congo como uma laranja. Milhões de congoleses morreram vítimas do domínio estrangeiro.
Em mais de 70 anos de poder sobre a colônia, os belgas sufocaram o surgimento de uma elite intelectual nacional. Nesse período, apenas dois cidadãos congoleses conseguiram se formar numa universidade europeia. Os negros eram vistos, na melhor das hipóteses, como vigilantes ou capatazes.
Nestas condições, a República Democrática do Congo defrontou-se com a independência sem o menor preparo. Rico em recursos naturais, o país tornou-se palco da Guerra Fria. Na visão das grandes empresas norte-americanas, Lumumba, o primeiro governante eleito diretamente, estava por demais à esquerda. Na pessoa do inescrupuloso Mobutu foi encontrado o defensor ideal dos interesses do Ocidente.
Eminência parda
O anúncio de Mobutu aos jornalistas do hotel, de que Lumumba seria derrubado no mesmo dia, foi concretizado. O primeiro-ministro foi substituído por um novo governante, manipulado como marionete por Mobutu. Ao tentar fugir para o leste do país, Lumumba seria preso e assassinado algumas semanas mais tarde.
O próprio Mobutu assumiu nos anos seguintes o papel de eminência parda do país, ocupando oficialmente a posição de chefe das Forças Armadas.
A situação continuou assim até 1965. Cinco anos após a independência, o país ainda não havia encontrado a paz. Tumultos, motins e movimentos separatistas, principalmente nas províncias Katanga e Kasai, ricas em cobre, enfraqueciam a economia e fragilizavam o país.
Washington, em especial, ansiava por maior estabilidade na região, pois, apesar de tudo, a República Democrática do Congo continuava a deter enormes reservas naturais de cobre e urânio.
Em 25 de novembro de 1965, Mobutu assumiu o poder oficialmente, através de um golpe de Estado, dissolvendo o Parlamento e anulando a Constituição. O novo chefe de governo, que chegava ao poder pela força, justificava sua ação de forma simples: "Uma aldeia não pode ter dois chefes. Duas ou três cabeças em um só corpo, para nós africanos, seria algo monstruoso."
Corrupção
Comunistas e nacionalistas passaram a não exercer nenhum papel a partir de então. A economia levou proveito de início, uma vez que greves indesejadas eram reprimidas de imediato. Mobutu governava como um senhor feudal, com um mínimo de violência e um máximo de corrupção.
Comparado a ditadores como Idi Amin ou Bokassa, Mobutu pode ter provocado menos derramamento de sangue, mas o sistema de roubo e exploração instaurado por ele foi indiretamente responsável por um número de mortos milhares de vezes maior.
Outra característica de sua estratégia foi a conclamação à "africanização" do povo congolês. Tudo o que era ocidental passou a ser proibido. Nomes cristãos foram eliminados. O próprio Mobutu assumiu o novo nome de Sese Seko, que significa "aquele que pula de vitória em vitória". A República Democrática do Congo passou a se chamar Zaire, e a capital do país, Kinshasa, em vez de Leopoldville.
Mobutu Sese Seko revelou-se um camaleão no cenário da política internacional, deixando de cumprir a palavra um sem-número de vezes perante o Banco Mundial e o FMI. Apesar disso, ainda lhe foram concedidos empréstimos em forma de assistência para países em desenvolvimento, inclusive por parte da Alemanha. Mobutu desviava assiduamente parte do dinheiro para seu próprio bolso.
Sua fortuna foi avaliada em cerca de 8 bilhões de dólares, enquanto a população do país empobrecia cada vez mais. Quando, em 1997, Mobutu foi destituído por Laurent Kabila, a economia do país encontrava-se como 40 anos antes. As estradas haviam sido praticamente destruídas e a maioria dos 46 milhões de congoleses não conhecia nem telefone nem água encanada. Mobutu exilou-se no Marrocos, onde morreu alguns meses depois, vítima de câncer.
  • Autoria Oliver Ramme (sv)
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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

ENADE 2014

Neste domingo, 23 de novembro, acadêmicos finalistas do curso de História realizaram a prova do ENADE na UPF. A prova é um dos elementos utilizados na avaliação dos cursos pelo MEC e se constitui de questões de conhecimento geral e conhecimento específico. No curso, mais de 50 estudantes foram mobilizados para a realização dessa atividade que é pré-requisito para a colação de grau dos acadêmicos inscritos. A avaliação anterior foi realizada em 2011 e legou ao curso notas expressivas, destacando-o no cenário nacional como 7o. curso de Licenciatura em História do país. A avaliação realizada neste ano será divulgada em 2015.

Resultados da Avaliação 2011

Registros da realização da prova em 23 de novembro


1859: Darwin publica Teoria da Evolução

Com "Sobre a origem das espécies através da seleção natural", publicada em 24 de novembro de 1859, Charles Darwin contrapôs-se à versão cristã da criação do mundo e tornou-se um dos cientistas mais combatidos da época.
Charles Darwin, o autor da Teoria da Evolução
No ano de 1859 foi dado o mais radical dos golpes contra a "ordem mundial divina". O cientista inglês Charles Darwin publicou Sobre a origem das espécies através da seleção natural, obra na qual havia trabalhado por 20 anos. A história da criação do mundo proposta por Darwin tornou-se um best-seller da noite para o dia: os primeiros 1.250 exemplares impressos estavam esgotados já no dia seguinte.
Apesar de todos os protestos, a teoria darwiniana se impôs no meio científico. As provas apresentadas pareciam por demais concludentes para serem contestadas: variação, seleção, estabilização da seleção e, repetidamente, o acaso.
Darwin afirmava que as espécies são criadas e exterminadas a partir do "princípio da tentativa e do erro"; seres vivos superiores desenvolvem-se, assim, a partir de formas menores. A evolução, que tem como base esse princípio, foi também considerada válida para os seres humanos.
Segundo Darwin, não somos nada além de mamíferos que caminham eretos. O choque do século se completava: o homem deixava de ser a imagem e semelhança de Deus para tornar-se um sucessor do macaco. Na época, Darwin não teve a coragem de dizer isso abertamente, embora certamente deva ter especulado a respeito.
Levado pelo espírito pesquisador de seu tempo, o cientista inglês passou cinco anos dando a volta ao mundo a bordo do navio Beagle. Nessa viagem, recolheu toda gama de informações e observações que depois viriam a ser sistematizadas e categorizadas ao longo de sua vida. Para isso, o pai da Teoria da Evolução examinou as mais variadas formações geológicas, bem como a multiplicidade de organismos e fósseis encontrados nos diversos continentes e ilhas que visitou.
Lei do mais forte
Ao passar pelas Ilhas Galápagos, por exemplo, Darwin anotou em seu diário de pesquisas que em cada ilha do arquipélago havia diferentes espécies de tartarugas, tordos e tentilhões. Apesar de parentes próximos, os animais encontrados em cada ilha diferenciavam-se no tamanho e na forma de alimentação.
Baseando-se nessa observação, Darwin concluiu que todas as espécies semelhantes entre si haviam se desenvolvido a partir de uma origem comum. Esse mecanismo, que levaria as espécies a modificarem-se para se adaptar ao meio ambiente, ele denominou "seleção natural", que faz com que apenas os mais fortes sobrevivam.
Em suas viagens pelo mundo, Darwin chegou à conclusão de que o homem não surgira como criação divina. Mais do que isso, o ser humano foi considerado por ele como produto final – mas ainda provisório – de uma linha de evolução biológica.
A teoria darwiniana questionava, assim, as explicações bíblicas de criação do mundo descritas noGênesis. Um deus que faz diversas tentativas, comete erros e, mesmo sem dilúvios punitivos, tem que começar tudo de novo, definitivamente não combinava com a imagem do criador todo-poderoso encontrada na Bíblia.
O ateísmo propagado pelo espírito científico abalou os fiéis, para os quais os "hereges" estavam condenando o mundo à destruição. O clero, no entanto, reagiu com cautela. Afinal, dois séculos antes a Igreja já fora obrigada a reconhecer que o Sol realmente não girava em torno da Terra, indo contra bulas papais e tribunais da Inquisição. E agora mais esta: não fora Deus a criado todos os seres, mas sim, acima de tudo, o acaso!
Darwin privava o ser humano de sua condição especial no universo, colocando-o sob o jugo da biologia. Segundo a teoria darwiniana, também o homem precisa adaptar-se às exigências do habitat natural e, no decorrer dos séculos e milênios, fora se modificara junto com o meio.
Criacionismo
A teoria de Darwin trouxe sérias consequências, acima de tudo para o mundo cristão. No entanto, apesar do progresso científico, não foram derrubadas todas as crenças religiosas que envolvem a criação do mundo. Pelo contrário: nos últimos anos tem crescido o número de fundamentalistas religiosos que creem na veracidade absoluta das palavras bíblicas, em todos os sentidos.
Nos Estados Unidos, os chamados criacionistas declararam – com sucesso – guerra à "teoria do macaco" de Darwin, desde que esta foi publicada. A influência dessa corrente faz com que em alguns estados norte-americanos o criacionismo seja ensinado nas escolas.
Ainda hoje, é terminantemente proibida, nas escolas de alguns estados, a simples menção à existência da Teoria da Evolução de Darwin. Em vez disso, ensina-se dogmaticamente uma interpretação literal da teoria da criação presente na Bíblia.
Entretanto, como a origem do mundo e do ser humano é assunto sério demais para ficar relegado a rivalidades entre cientistas, a controvérsia entre evolucionistas e criacionistas acabou por atingir a esfera política e social. Em 1996, o próprio papa João Paulo 2º anunciou em Roma que a Teoria da Evolução de darwinista seria compatível com a fé cristã.
Enquanto isso, nos EUA, neocriacionismo versus evolucionismo seguiu sendo uma questão de fé. Em sua campanha eleitoral no ano 2000, o presidente George W. Bush defendeu um tratamento igualitário das duas correntes nas escolas norte-americanas, provavelmente pelo fato de, na época, 45% dos cidadãos norte-americanos afirmarem acreditar no criacionismo.
Barbara Fischer (sv/av)
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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

1995: Acordo de Dayton encerra Guerra da Bósnia

O mais longo conflito armado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial teve seu fim acertado em 21 de novembro de 1995, após três semanas de duras negociações em Dayton, nos Estados Unidos.
Então secretário norte-americano de Estado, Christopher (c), ao lado do ex-presidente bósnio Izetbegovic (e) e do presidente croata, Tudjman
"O povo da Bósnia tem a chance de agora deixar o horror da guerra para trás e alimentar a esperança de paz." Assim avaliou o então presidente norte-americano Bill Clinton o resultado da conferência de paz na base aérea de Dayton, no estado de Ohio (EUA). Nela, os presidentes da Sérvia, da Bósnia e da Croácia acertaram a continuidade da existência da Bósnia, com uma parte croata-muçulmana e outra sérvia.
A capital Sarajevo permaneceu uma só e sob controle bósnio. Por sua vez, os sérvios mantiveram seu reduto Pale, assim como Srebrenica e Zepa, ex-zonas sob proteção da ONU. Uma tropa internacional de paz, comandada pelos Estados Unidos e sob responsabilidade da Otan, foi estacionada na Bósnia e na Croácia para fiscalizar o cumprimento do acordo.
O papel dominante coube aos Estados Unidos. Foi seu mérito a reunião dos presidentes bósnio, Alia Izetbegovic, sérvio, Slobodan Milosevic, e croata, Franjo Tudjman, para pôr fim à guerra de três anos na Bósnia-Herzegóvina.
Entre Dayton e Champs Elysées
Na fase preparatória para o encontro em Dayton, dois acordos importantes já haviam sido firmados. Em 10 de novembro de 1995, a República Bósnia-Herzegóvina e a Federação Bósnio-Croata acertaram a instituição da Federação Bósnia-Herzegóvina e a definição de um governo de transição para a cidade de Mostar. Dois dias depois, em 12 de novembro, sérvio-bósnios e croatas firmaram um acordo-base sobre a Eslovênia Oriental, Barânia e Sírmio Ocidental, como pré-requisito para o tratado de paz de Dayton.
Três semanas após o êxito das negociações na base aérea norte-americana, o Acordo de Dayton foi assinado oficialmente em Paris. Dez chefes de Estado e de governo compareceram à cerimônia no Palácio Champs Elysées, além de representantes de cerca de 50 países e organizações participantes do processo de paz. Em seu discurso de abertura, o presidente francês Jacques Chirac lembrou as vítimas da guerra:
"A esperança – que surge agora para todos os povos da ex-Iugoslávia – não nos deixa esquecer os 200 mil mortos da guerra. O conflito sangrento tem de ser deixado para trás, mas certamente deixará feridas no coração da Europa. O restabelecimento duradouro da paz será sobretudo tarefa dos países da região. Agora, todos os responsáveis devem partir para o capítulo da reconciliação. E, neste ponto, o exemplo de Adenauer e De Gaulle podem ser um grande modelo."
Motivo de ressentimento para o anfitrião francês foi o Acordo de Paz da Bósnia não ter entrado para a história como "Tratado do Champs Elysées", como ele gostaria. Em vez disso, continuou sendo chamado Acordo de Dayton, em referência ao local do centro-oeste americano onde os termos da paz foram negociados numa batalha de nervos, durante três semanas.
  • Autoria Doris Bulau (mw)
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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

História UPF divulga Horários 2015.1


Currículo 4505


Nível I
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
História Antiga Oriental
Introdução aos Estudos Históricos
Iniciação ao conhecimento acadêmico
Eletiva I
História Antiga Ocidental





Marlise
Alessandro
Lutecildo
Adelar
Adriano






Nível III
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Prática Pedagógica de História
História Medieval II
Psicologia da Educação
História da África
Teorias da História





Marcos
Eliane
Jarbas
Adriano
Astor






Nível V
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Métodos e Prática de Pesquisa Histórica I
História do Rio Grande do Sul
História do Brasil II
História da América I
História Moderna II





Gizele
Tau
Adelar
Jacqueline
Marcos






Currículo 3510

Nível VI
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
História do Brasil – Era Vargas e Populismo
Tópicos Especiais II
História do Rio Grande do Sul Republicano
História do Século XX
Estágio Supervisionado II – Ensino Fundamental






Alessandro
Marlise
Tau
Alessandro
Rosane






Nível VII
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
História do Brasil – Ditadura e Redemocratização
Tópicos Especiais III
Estágio Supervisionado III – Ensino Médio
Fundamentos e Práticas de Arquivo e Museu
História – Globalização e Regionalismo





Ana
Astor
Flávia
Rosane
Gizele