sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Riqueza histórica do Cemitério Vera Cruz é evidenciada em Guia de Visitação

Com mais de 100 anos, o Cemitério Vera Cruz reflete história e cultura de Passo Fundo, e agora possui um Guia de Visitação distribuído gratuitamente

Foto: Carla Vailatti
A coordenadora do AHR, Dra. Gizele Zanotto, anunciou a realização de oficinas para a formação de guias de visitação ao Cemitério Vera Cruz
Uma iniciativa do Instituto Histórico de Passo Fundo (IHPF) e do Arquivo Histórico Regional da Universidade de Passo Fundo (AHR/UPF) mostra que os cemitérios podem ter muitos significados além de tristeza e saudade. Na noite de quinta-feira, 30 de outubro, essas instituições lançaram o Guia de Visitação do Cemitério Vera Cruz, de Passo Fundo. O evento ocorreu na Academia Passo-Fundense de Letras e reuniu autoridades, estudantes e representantes da comunidade com interesse na temática. O guia será distribuído gratuitamente e propõe um novo olhar para o local, uma vez que o Cemitério Vera Cruz concentra amplo patrimônio histórico e artístico.

Personagens da história de Passo Fundo, como Coronel Chicuta, Lalau Miranda, Coronel Lolico, Adão e Ana Schel e Wolmar Salton, estão representados no Cemitério Vera Cruz por meio de suas sepulturas. O presidente do IHPF, Fernando Miranda, considera o local um museu a céu aberto. “Por meio das construções e obras de arte, é possível saber como os passo-fundenses lidavam com a morte, sua situação econômica e política, religiosidade e etnias, entre outros aspectos”, explica. Miranda destaca a riqueza das obras de arte encontradas no Cemitério, principalmente as estátuas de mármore, granito e bronze.

A coordenadora do AHR, Dra. Gizele Zanotto, explicou que o Guia de Visitação estimula uma cultura de valorização histórico-cultural no município, e fez um anúncio importante. “No ano que vem, os cursos de História, Arquitetura e Urbanismo e Artes Visuais, projeto Momento Patrimônio, IHPF e AHR irão promover oficinas para a formação de guias de visitação do Cemitério Vera Cruz. Dessa forma, os interessados podem realizar uma  visitação que traz conhecimento sobre a história local”, afirmou.

O prefeito Luciano Azevedo participou do lançamento e ressaltou a importância da iniciativa. “Em um primeiro olhar, o Guia parece simples, mas tenho certeza que ficará na história pela sua proposta inédita. Nossa história merece ser resgatada e revisitada”, considerou.
O presidente da Liga de Defesa Nacional, Gilmar Teixeira Lopes, entregou aos representantes do IHPF e do AHR placas que marcam o reconhecimento a essas instituições pela dedicação na preservação e divulgação da história do município.

Palestra
Após o lançamento, a professora da UPF e secretária de Planejamento de Passo Fundo Me. Ana Paula Wickert proferiu palestra que evidenciou a história da humanidade por meio de lápides, sepulturas e outros monumentos erguidos em homenagem aos mortos. De acordo com a pesquisadora, a arquitetura nasceu da necessidade de um local fixo para enterrar os mortos. “Antes de construírem residências, os homens pré-históricos já construíam túmulos”, afirmou. A professora destacou que hoje as sepulturas são mais impessoais, por isso nosso olhar se volta, cada vez mais, às construções do passado, pela riqueza de informações que trazem. “É nossa obrigação manter e valorizar esse patrimônio”, acredita.


O guia
Em formato de folder, o Guia de Visitação do Cemitério Vera Cruz propõe um trajeto, que leva o visitante às principais sepulturas históricas, além de contemplar um mapa geral e fotos de estátuas e monumentos. Um breve histórico do cemitério também integra o material. O Guia está disponível na Administração do Cemitério, Secretaria de Turismo e AHR, entre outros locais relacionados à cultura e história. O material está disponível online, no site www.upf.br/ahr, e será distribuído aos visitantes do Cemitério Vera Cruz neste domingo, 02 de novembro.



AHR recebe doação de acervo


O Arquivo Histórico Regional (AHR) da Universidade de Passo Fundo (UPF) receberá a doação de um conjunto expressivo de revistas do jornalista Vagner Guarezi. O ato acontece no dia 10 de novembro, às 16h na sede do Arquivo.

Os materiais do Acervo Vagner Guarezi estarão disponíveis para consulta pela comunidade acadêmica e geral.

Lançado o Guia de Visitação do Cemitério Vera Cruz

Para acessar o guia completo em PDF clique na imagem abaixo!

Produção: Instituto Histórico de Passo Fundo (IHPF) em parceria com o Arquivo Histórico Regional (AHR-PPGH/UPF) e Projeto Passo Fundo.


Semana Acadêmica de História da UPF debate sobre conflitos do século XX


O curso de História da Universidade de Passo Fundo (UPF) realiza entre os dias 05 e 07 de novembro a XVII Semana Acadêmica de História, a III Mostra de Pesquisa em História da Graduação e do Programa de Pós-Graduação em História, o V Fórum do Curso de História e o IV Seminário Interno Pibid-História/UPF. A programação tem como tema “A Grande Guerra e a mundialização dos conflitos no século XX”.

Podem participar alunos de graduação e pós-graduação e demais interessados no tema. As inscrições ainda podem ser feitas e são divididas em diferentes modalidades: quem desejar participar como ouvinte pode se inscrever junto à Secretaria do curso de História, no prédio do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campus I, até a data do evento. Já aqueles que querem inscrever livros, devem encaminhar as informações para o e-mail semanahistoriaupf@gmail.com até 31/10.

Programação
A programação inicia no dia 05, com o IV Seminário Interno do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), na Sala de Defesas do IFCH; às 18h ocorre o lançamento de livros e, após, às 19h20min, a abertura oficial e conferência “Primeira Guerra Mundial e o Brasil”, tema a ser abordado pelo professor Paulo Fagundes Visentini (UFRGS), com mediação do professor Adelar Heinsfeld (UPF), no Auditório da Faculdade de Odontologia.

O segundo e o terceiro dia da Semana Acadêmica terão, durante os turnos da manhã, a apresentação de trabalhos de graduandos e pós-graduandos, na III Mostra de Pesquisa em História da Graduação e do PPGH. Nos turnos vespertinos serão ofertadas oficinas temáticas aos inscritos. As noites serão dedicadas a conferências. No dia 06, o tema é “Primeira Guerra Mundial e a América”, com o professor Adelar Heinsfeld e mediação da professora Rosane Neumann, e no dia 07 sobre “A Revolução Russa e suas heranças”, com o professor Doirge Alceno Konrad e mediação da professora Gizele Zanotto.

Informações
Os detalhes da programação, locais e horários das atividades podem ser conferidas no endereço eletrônico http://historiaupf.blogspot.com.br/2014/08/a-grande-guerra-e-mundializacao-dos.html.  Em caso de dúvidas, entrar em contato pelo telefone (54) 3316-8336.

Nazistas que espionaram para os EUA eram maus informantes

Que nazistas trabalharam para a espionagem americana depois da Segunda Guerra é fato notório. Agora, pesquisadores afirmam que eles não foram muito úteis.
Nazista Klaus Barbie, o Carniceiro de Lyon, trabalhou para os americanos depois da Segunda Guerra
Klaus Barbie foi um dos nazistas mais notórios. O membro da Gestapo entrou para a história como o Carniceiro de Lyon. Mesmo assim, décadas se passaram até que ele fosse responsabilizado por seus atos. Embora Barbie tenha sido um criminoso de guerra, inicialmente não foi molestado depois da Segunda Guerra Mundial.
Pois ele tinha um aliado forte: o serviço de contraespionagem do Exército americano. Só após a condenação de Barbie – após ele ter sido desmascarado na Bolívia e ter sido extraditado para a França, na década de 1980 – a opinião pública ficou sabendo que ele e outros nazistas de alto escalão trabalharam para os serviços de inteligência americanos após o fim da Segunda Guerra.
Estimativa conservadora
Agora, historiadores americanos avaliaram cuidadosamente esse capítulo da história, analisando também a qualidade das informações fornecidas pelos "espiões nazistas". Após a avaliação de arquivos liberados pelos serviços secretos americanos, os pesquisadores estimam em mais de mil o número de nazistas que cooperaram com os serviços secretos americanos depois da Guerra.
"Essa é uma estimativa conservadora", diz Norman J. W. Goda, um dos historiadores que participaram da pesquisa. "A estimativa é baseada numa longa análise dos registros. Mas a verdade é que não temos um número exato", afirmou o professor de Estudos do Holocausto na Universidade da Flórida.
Pois nem todos os arquivos foram liberados, possivelmente muitos se perderam. Além disso, o número mil reflete apenas as relações diretas, mas não as indiretas. Se os nazistas que trabalhavam para a CIA ou FBI contavam com a ajuda de outros nazistas, estes não estão incluídos na conta. Também não está incluído o grande número de nazistas não alemães, por exemplo na Hungria, Romênia ou Ucrânia.
Se o número exato de nazistas que se tornaram espiões permanece desconhecido, não existe nenhuma dúvida sobre a baixa qualidade das informações fornecidas por eles aos clientes americanos.
Nenhuma informação decisiva
"Não conhecemos nenhum caso em que se pode dizer que dali saíram informações decisivas, como, por exemplo, sobre o iminente bloqueio de Berlim [bloqueio de Berlim Ocidental pelos soviéticos, de 24 de junho de 1948 a 12 de maio de 1949] ou algo semelhante", disse Goda em entrevista à DW. "Isso simplesmente nunca aconteceu."
Como exemplo, ele menciona Wilhelm Höttl, um funcionário do serviço secreto austríaco (SD, na sigla em alemão) que foi recrutado pelos serviços de inteligência americanos após a Guerra. "Em algum momento, a CIA descobriu que os relatórios escritos por Wilhelm Höttl eram baseados em artigos de jornal."
Os alemães recrutados pelos americanos, afirma Goda, simplesmente não eram bons agentes. Com isso, muitos eram espionados ou foram engajados pelos soviéticos. O que realmente surpreendeu os pesquisadores foi a falta de informações dos serviços americanos sobre o passado de seus recrutas, considerando que os respectivos registros estavam, muitas vezes, à disposição dos americanos ou até mesmo sob controle americano. "Em outras palavras: teria sido muito fácil descobrir tais coisas", resume Goda.
Casos incríveis
Joseph McCarthy iniciou caça aos comunistas nos EUA
Devido à falta ou à má avaliação desses agentes, foram recrutados homens que estavam pessoalmente envolvidos em graves crimes cometidos pelos nazistas. Goda relata um caso, no início da década de 1950, de um homem chamado Hermann Höffle, que foi contratado pela contraespionagem dos EUA. Ele havia sido um importante funcionário de Odilo Globocnik, um nazista austríaco e oficial da SS, responsável pelo assassinato de mais de 1 milhão de judeus na Polônia, no contexto da chamada Operação Reinhardt. "Ou seja, não se tratava de um funcionário qualquer da Gestapo", ressalta Goda. "Höffle foi um colaborador decisivo numa grande campanha de extermínio na Polônia."
Os serviços americanos recrutaram Höffle para observar grupos de direita na região de Munique – sem realmente saber com que estavam lidando, disse o pesquisador. "Só o fato de ter havido alguma espécie de relacionamento com esse homem, que mais tarde foi preso pelos alemães ocidentais, é realmente algo inacreditável."
No entanto, com o conhecimento que se tem hoje, é muito fácil criticar, de forma geral, os serviços de inteligência de então pelo recrutamento de pessoas com o passado mais do que duvidoso. "O clima que reinava nos EUA, naquela época, era que as pessoas se sentiam seriamente ameaçadas", comenta Micha Brumlik, ex-diretor do Instituto Fritz Bauer de Frankfurt, que se destina à pesquisa do Holocausto. Naquela época, questões morais desempenhavam um papel menor em relação ao objetivo principal, que era conter a União Soviética.
"Não se deve esquecer", afirmou Brumlik em entrevista à DW, "que, no início da década de 1950, havia nos EUA o chamado macartismo, um medo paranoico, quase histérico do comunismo. E, nesse contexto, ninguém se intimidava em contratar criminosos para combater esse novo inimigo – que se acreditava ser extremamente perigoso."
Indagados sobre a aprendizagem que se pode tirar desse episódio, os especialistas se mostraram céticos. Tanto Goda quanto Brumlik disseram acreditar que a colaboração com personagens dúbios ou com maus antecedentes pertence, simplesmente, à natureza dos serviços de inteligência. "Se houver alguma lição a ser tirada desse caso é que se deve conhecer exatamente as fontes com as quais se trabalha", diz Goda.
  • Data 29.10.2014
  • Autoria Michael Knigge (ca)
  • Link permanente http://dw.de/p/1De7K

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Divulgada lista de apresentação de trabalhos da XVII SAH!


Ainda dá tempo de enviar os dados para o lançamento de livros!

ATENÇÃO: Para inscrever-se é necessário mandar os dados abaixo para semanahistoriaupf@gmail.com até dia 31 de outubro!!
Nome do autor/es:

Título:
Cidade:
Editora:
Ano (somente lançaremos obras publicadas entre 2013 e 2014):
Capa do livro em formato imagem (jpg, gif, tiff, etc.)



PARA ACESSAR A ORDEM DAS COMUNICAÇÕES CLIQUE AQUI

Uma visita ao passado

Mapa do Cemitério Vera Cruz, que será lançado na noite desta quinta-feira, propõe um novo roteiro turístico para a cidade

Créditos: Leonardo Andreoli/ON
Uma visita ao passado
De túmulos à estátuas, o cemitério carrega parte da história da cidade

Há mais de cem anos, o Cemitério Vera Cruz começou a abrigar as personalidades que passaram pela cidade e que, antes, eram enterrados em um cemitério católico ou não católico. Pelos corredores do Cemitério, parte da história de Passo Fundo pode ser conhecida. São nomes, sobrenomes, famílias e mensagens que representam a história do município e que, agora, farão parte de um circuito sugerido por um Guia de Visitação lançado pelo Instituto Histórico de Passo Fundo e pelo Arquivo Histórico Regional. Lançado nesta quinta-feira, o Guia é o início da consolidação de uma visão diferente sobre o cemitério. 

Por volta de 1835, menos de dez anos depois da chegada do Cabo Neves às terras que seriam o berço de Passo Fundo, surgiu o primeiro cemitério da cidade. No cruzamento das ruas Independência e General Netto, ao lado da primeira Igreja que a cidade acolheu, foram enterrados os primeiros responsáveis pelo nascimento e desenvolvimento do município. A construção deste cemitério, destinado somente a católicos, motivou a construção de um outro onde pudessem ser enterradas pessoas de crenças diferentes. Surgiu, então, em frente ao Quartel o primeiro cemitério para não católicos.

Mais tarde, com a Proclamação da República, em 1889, foi determinado o fim do catolicismo como religião obrigatória no país e, com isso, a necessidade de dois cemitérios também se extinguiu. Ainda, com a chegada do trem e a construção da Gare, em 1898, era impossível que o centro da cidade continuasse a abrigar um cemitério. A partir disso, o Coronel Gervásio Annes, chefe do Partido Republicano Rio-Grandense no município, desapropriou parte das terras do Barão e determinou que fossem transferidos os dois cemitérios para um único que seria considerado laico. Surgiu, então, em janeiro de 1902 o Cemitério Vera Cruz.

A proposta do Instituto Histórico de Passo Fundo, em parceria com o Arquivo Histórico Regional, é propor um novo olhar para o Cemitério Vera Cruz a partir da criação de um Guia de Visitação que apresenta um mapa de um percurso a ser seguido. “A ideia é que o Cemitério seja visto não com aquele olhar tradicional, de quem vai no cemitério para fazer uma visita a alguém que faleceu, mas com um olhar cultural e um olhar voltado para história”, explica Fernando Miranda, presidente o IHPF. Carregado de simbologia, mensagens e estátuas, o Cemitério Vera Cruz carrega, também, a história da cidade. “O cemitério é uma fonte histórica: os personagens que participaram da história da cidade e do estado estão enterrados ali e a própria arquitetura apresenta parte de épocas vivenciadas aqui”, comenta o presidente.

Durante todo o ano de 2014, cerca de quinze pessoas se envolveram na produção do mapa. A partir de visitas, catalogação de túmulos, escolha de personalidades e registros fotográficos, a produção tomou forma: com o objetivo de despertar escolas, cursos de arquitetura e de artes, o mapa se concentra na parte mais antiga do cemitério e apresenta personalidades que ajudaram na formação de Passo Fundo e, ainda, um grande número de estátuas que cortam parte da história da arte. A proposta é que, mais tarde, esse circuito inicial seja ampliado. Por agora, o objetivo é estimular a visita ao cemitério como uma visita cultural, histórica e turística. “A cidade já apresenta um turismo religioso, que é o caso da Maria Elizabeth. E isso já é comum em outras regiões. É um outro olhar que se abre sobre a cidade. Existem obras, no cemitério, que mereceriam, junto à Prefeitura, o tombamento desse trabalho que é artístico e cultural. Merecem um estudo mais aprofundado”, explica Fernando.

Ao todo foram impressos cinco mil exemplares do Guia de Visitação que serão distribuídos no próprio cemitério e, ainda, nas escolas, faculdades e percursos de ônibus. O lançamento oficial da produção acontece na noite desta quinta-feira, 30, na sede da Academia Passo-fundense de Letras, às 19h30, com a palestra da Secretária Municipal de Planejamento Ana Paula Wickert. “Vai dar para retirar muitas informações a partir do mapa e o cemitério é o retrato da própria sociedade. É, na verdade, uma cidade com vários bairros. É um museu a céu aberto”, conclui Fernando. 

Fonte: O Nacional

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Vem fazer História conosco! Interação 2014 - diário de bordo!

Registros do Interação História UPF! 

Vem fazer História conosco!


28 de outubro - 1o. dia 
(álbum do Facebook - clique na imagem para acessar)

29 de outubro - 2o. dia 
(álbum do Facebook - clique na imagem para acessar)

30 de outubro - 3o. dia 
(álbum do Facebook - clique na imagem para acessar)


1922: Fim da Marcha sobre Roma

No dia 28 de outubro de 1922, chegava ao fim a Marcha sobre Roma, liderada por Benito Mussolini, marcando o início do regime fascista na Itália.
Mussolini, primeiro-ministro italiano, em 1932
Tais "marchas sobre Roma" já haviam ocorrido diversas vezes na história da cidade, como por exemplo no ano 43, quando Otávio seguiu em direção à capital do Império Romano com o objetivo de forçar sua nomeação ao posto de cônsul.
A principal marcha da história do país, no entanto, foi conduzida pelo guerrilheiro republicano Giuseppe Garibaldi, tendo levado à unificação italiana no século 19. Foi exatamente essa marcha que serviu de inspiração para Benito Mussolini.
Em 1923, Mussolini foi imitado na Alemanha por Adolf Hitler, que tentou organizar uma marcha de Munique a Berlim, com o intuito de tomar o poder. Sua tentativa terminou, porém, poucas horas depois de ser iniciada, tendo levado o simples nome de Marcha para oFeldherrenhalle (o panteão dos heróis nacionais alemães, em Munique). Apesar do fracasso, Hitler pelo menos participou pessoalmente da marcha, o que Mussolini não podia afirmar de si próprio.
Nos anos que se sucederam à Primeira Guerra Mundial, a Itália era dominada por relações políticas tão caóticas quanto as observadas na Alemanha na mesma época, durante a República de Weimar. Nem a Alemanha nem a Itália tinham tradição democrática e, assim, foi possível que principalmente partidos políticos radicais e agitadores ideológicos de linhas políticas marginais acabassem tirando proveito da confusão geral.
Um desses agitadores da extrema direita foi Benito Mussolini, professor primário e jornalista, oriundo da região da Emilia Romana. Sem qualquer ideologia política consistente, Mussolini e seu movimento fascista logravam despertar os sentimentos de seus compatriotas, ansiosos por uma liderança e pelo ideal de grandeza em tempos de insegurança.
26 mil de prontidão
O fato de o movimento fascista não contar com bons prognósticos nas eleições democráticas não perturbava o antidemocrata Mussolini. Ele se via mais como um "homem de ações" e dava preferência de qualquer maneira a outras formas de chegar ao poder.
No dia 16 de outubro de 1922, Mussolini delegou a seus adeptos de Vecchi, de Bono, Balbo e Bianchi a tarefa de atacar Roma quando ele ordenasse. Para isso, Mussolini colocou à disposição dos quatro comandantes 26 mil combatentes, que ficaram em prontidão diante da cidade.
Mussolini ameaçou então o rei – que governava sob um regime constitucional – de fazer uso de meios militares, caso suas exigências não fossem cumpridas. No dia 24 de outubro de 1922, Mussolini anunciou: "Ou o governo é transferido para nossas mãos, ou nós tomamos o poder através de um ataque a Roma. Isso é agora uma questão de dias, talvez de horas".
De Roma não houve, de início, nenhuma resposta. O governo, que se reuniu pela última vez no dia 28 de outubro, estava ainda decidido a resistir às ameaças. Incumbido de defender Roma, o general Pugliese negou-se, no entanto, a seguir as ordens do rei. No mesmo dia, o rei Vittorio Emanuele dissolveu o governo e delegou ao liberal de direita Salanda a formação de um novo gabinete. As expectativas do rei eram de que Salanda convocasse Mussolini para fazer parte de seu governo e evitasse, com isso, o golpe de Estado.
De Milão, Mussolini comunicou ao rei não estar de forma alguma disposto a participar de um governo liberal. O desprezo do líder fascista pelo liberalismo pode ser constatado em seu texto Poder e Adesão: "Para a destemida, inquieta e crua juventude, há outras palavras que exercem uma fascinação muito maior, e estas são ordem, hierarquia e disciplina. Esse pobre liberalismo italiano, que suspira e luta por uma liberdade maior, é de certa forma tardio. O fascismo não se acanha hoje de autodenominar-se não-liberal e antiliberal".
Mussolini foi de trem
A rejeição de sua proposta por Mussolini e a ameaça que ainda pairava no ar de que tropas fascistas pudessem marchar sobre Roma fizeram com que o rei cedesse. No dia 29 de outubro de 1922, Vittorio Emanuele convocou Benito Mussolini a formar um governo fascista. Nos dois dias que se seguiram, os homens de prontidão foram postos em marcha para Roma, onde chegaram sob chuvas torrenciais. Oduce só tomou um trem em Milão, com destino a Roma, na noite de 29 de outubro. Ele chegou confortavelmente, descansado e seco à capital italiana na manhã do dia 30.
A Marcha sobre Roma e suas circunstâncias foram polêmicas, mas ela pôde ser muito utilizada pelo governo fascista como propaganda. Mussolini ocultou da opinião pública que, para ele, a marcha só começara na noite de 29 de outubro, dentro de um confortável vagão-leito. Ao contrário, Mussolini falou seguidas vezes da sua "revolução italiana", afirmando que três mil "mártires" haviam sido mortos durante um conflito que na verdade nunca aconteceu.
Num aspecto, o departamento de propaganda do governo fascista falhou por completo. A tentativa de implantar um novo calendário na Itália foi fadada ao fracasso. Nesse calendário, estava planejado colocar "o primeiro dia do ano zero" como o dia em que a Marcha sobre Roma teria supostamente ocorrido: 28 de outubro de 1922. 
  • Autoria Dirk Kaufmann (sv)
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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Oportunidade de Estágio Remunerado


1966: África do Sul perde o protetorado da Namíbia

No dia 27 de outubro de 1966, as Nações Unidas cassaram da África do Sul o mandato sobre o atual território da Namíbia.
Windhoek, capital da Namíbia
A resolução nº 2145, aprovada pela Assembleia Geral da ONU no ano de 1966, revogava o mandato de protetorado da África do Sul sobre o Sudoeste Africano (hoje, Namíbia). Em Pretória, o governo sul-africano ignorou, no entanto, esta decisão.
A Namíbia, antiga colônia alemã, era muito cobiçada em função de seu vasto potencial econômico. "O país é o maior produtor de diamantes do mundo, além de possuir cobre, prata, zinco e ainda urânio", explicou o comissário da ONU, Sean McBride.
A riqueza da Namíbia foi provavelmente uma das razões pelas quais a África do Sul não quis abrir mão do seu poder sobre o país, após o fim da Segunda Guerra Mundial.
Depois da dissolução da Liga das Nações, o governo sul-africano deveria passar a tutela da região para as Nações Unidas. Embora isso não fosse obrigatório, a África do Sul foi conclamada explicitamente a transferir para a ONU o mandato de protetorado da Namíbia, que tinha sido conferido ao governo de Pretória, em 1920, pela Liga das Nações. O pedido, no entanto, não foi acatado.
Apartheid estendido à Namíbia
A começar pela resolução nº 65, a Assembleia Geral da ONU renovou o apelo quase todos os anos. Em 1959, foi constatado "que a administração do território tem sido conduzida de forma cada vez mais contrária à Carta da ONU, à Declaração Universal dos Direitos do Homem, aos pareceres dos tribunais internacionais e à resolução da própria Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas".
A África do Sul havia começado a implantar suas leis do apartheid também na Namíbia, o que provocou uma série de violações dos direitos humanos na região. Em 1960, a Etiópia e a Libéria, Estados africanos independentes, entraram com uma ação contra a África do Sul, que foi então obrigada a responder perante o Tribunal Internacional de Haia, na Holanda, pela violação dos estatutos de tutela do Sudoeste Africano.
As tribos da Namíbia depositaram grandes esperanças no processo. David Witbooi apresentou em Haia as principais questões colocadas pelo povo namíbio: "Nós nascemos sob essa prisão infindável. Será que devemos passar nossa vida sob esse domínio e simplesmente fechar nossos olhos? Será que somos uma geração amaldiçoada porque nossos líderes lutam pela liberdade do seu povo, da sua nação?"
Tutela direta da ONU
A sentença do Tribunal foi proferida somente seis anos mais tarde, em 1966. Para as tribos namíbias, o resultado foi uma amarga decepção. Com a maioria de apenas um voto, o Tribunal Internacional indeferiu a ação por razões formais.
Apesar da sentença proferida em Haia, a Assembleia Geral da ONU exigiu ainda no mesmo ano que os sul-africanos deixassem Namíbia, colocando a região sob a tutela direta das Nações Unidas.
A África do Sul, mais uma vez, não acatou a decisão, deixando no país as suas tropas, que passaram a combater a população local. O movimento namíbio de resistência foi liderado por Sam Nujoma.
Em outubro de 1975, a África do Sul iniciou incursões militares também em Angola, contando com que receberia o apoio de tropas norte-americanas. O Congresso dos EUA vetou, no entanto, o apoio do país a qualquer das partes em conflito. Com isso, a África do Sul acabou isolada no cenário político mundial.
A exigência do comissário da ONU, Sean McBride, era clara: "Usar a Namíbia como base militar para ataques a Angola é absolutamente inaceitável. A África do Sul tem que retirar as suas tropas de Angola e da Namíbia". Essa exigência só foi cumprida no início da década de 1980.
  • Autoria Daniela Ziemann (sv)
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Torturados reconhecem prisão da ditadura militar em base naval no RJ


Entre os métodos, torturadores faziam uso de pau-de-arara, choques, telefone e palmatória, além de abusar sexualmente das mulheres
Fabrício Faria / ASCOM - CNV

Segundo ex-presa política Ziléa Reznik, as mulheres eram obrigadas a ficar nuas diante dos torturadores e as sevícias tinham cunho sexual
 
Dez ex-presos políticos e um ex-soldado do corpo de fuzileiros navais da Marinha reconheceram locais de prisão e tortura na Base Naval de Ilha das Flores, no município de São Gonçalo (RJ), durante diligência realizada pela Comissão Nacional da Verdade e pela Comissão da Verdade do Rio. Na base funcionou, entre 1969 e 1971, um presídio mantido pela Marinha.
 
Antes do uso do local como prisão pela ditadura militar, funcionou no mesmo edifício do antigo presídio, entre 1907 e 1966, a Hospedaria dos Imigrantes. O local também abrigou prisioneiros de guerra na I e II Guerra Mundiais.
 
Além das alas feminina e masculina da cadeia, os ex-presos reconheceram uma casa no local da ilha conhecido como Ponta dos Oitis como o principal local de tortura do complexo.
 
Homens e mulheres foram torturados na casa. Os ex-presos relataram o uso de pau-de-arara, choques, telefone e palmatória. As mulheres relataram também o uso de toalhas molhadas e o abuso e ameaça sexuais. "A gente era cercada nua, por homens ameaçando de abuso sexual o tempo todo", contou Iná Meireles.
 
 
Ziléa Reznik, primeira mulher presa na Ilha das Flores, em 1969, também reconheceu a sala em que foi torturada, na casa da Ponta dos Oitis. Segundo ela, as presas eram obrigadas a ficar nuas diante dos torturadores e as sevícias tinham cunho sexual.
 
Também foi reconhecida pelos ex-presos a guarita em frente ao antigo presídio, que além de posto de sentinela era utilizada como local para punição e isolamento de presos. "Ficávamos agachados e o cheiro de fezes era terrível. Além da punição, os algozes queriam que fôssemos vistos ali por nossas companheiras, que de suas celas conseguiam nos ver", contou o ex-preso Umberto Trigueiros Lima.
 
O atual comando da base foi reconhecido como local de triagem, interrogatórios e tortura psicológica. E a atual sala de ginástica da base foi reconhecida como o local em que os presos recebiam visitas aos finais de semana.
 

Fabrício Faria / ASCOM - CNV

Casa no local chamado pelos ex-presos e pelo ex-soldado da marinha como Ponta dos Oitis que foi reconhecida pelos ex-presos e pelo ex-militar como local de tortura
 
A ex-presa política Martha Alvarez disse que, além das torturas físicas, os presos foram submetidos a torturas psicológicas. "Pediam que eu escrevesse numa folha de papel dez nomes de pessoas que eu achava importantes e eu repetia dez vezes o nome de meu avô. Então eles tocavam um mi, bem agudo, com uma corneta quase colada ao meu ouvido. Uma vez a cornetada foi tão alta que lembro de ter acordado já na minha cela", afirmou. Ela e outros presos relataram que a tortura era acompanhada por um oficial médico, o dr. Coutinho, que avaliava se a tortura poderia prosseguir ou não. Ela chorou ao lembrar que um de seus braços foi fraturado em três partes após a tortura com palmatória.
 
O ex-soldado do corpo de fuzileiros navais Heleno Cruz também estava presente. Ele trabalhou na Ilha das Flores de junho de 1970 a junho de 1971, no transporte e na carceragem de presos. Ele afirma que os praças e demais militares que serviam na Ilha das Flores eram apartados e não tinham acesso às ações de tortura, conduzidas por oficiais de inteligência da Marinha, que contavam também com servidores cedidos pela Polícia Federal e pelo DOPS do Rio. "A tropa não se envolvia com a tortura e os torturadores não ficavam aquartelados", contou.
 
 
Cruz, que chegou a atuar no transporte e carceragem dos presos, e mais dois amigos, correndo risco de prisão e de vida, procuravam ajudar os presos como podiam. O ex-militar contou que tentou sabotar as sessões de tortura, jogando no mar equipamentos como terminais elétricos usados para dar choques, palmatórias, marteletes e bastões de madeira. Foi ele que conduziu a CNV e a CEV-Rio até o local reconhecido pelos ex-presos políticos como local de tortura.
 
Fabrício Faria / ASCOM - CNV

Entrada da Base Naval de Ilha das Flores, sede da tropa de reforço dos Fuzileiros Navais, em São Gonçalo, RJ
 
Também participaram da diligência, como testemunhas, os ex-presos políticos Luiz Carlos Souza, Jovanildo Savastano, Lincoln Penna, Tania Marins Roque e Victor Hugo Klagsbrunn. O trabalho foi acompanhado por peritos da CNV e seu resultado integrará o capítulo do relatório da Comissão sobre instalações de tortura.
 
Essa foi a última de uma série de visitas realizadas pela CNV desde novembro de 2013 em sete centros de tortura da ditadura que funcionaram em unidades das Forças Armadas ou em instalações usadas especialmente para esta finalidade. A CNV concentrar-se-á agora na elaboração do relatório final, que será entregue em 10 de dezembro.
 
 
Matéria publicada originalmente no site da Comissão Nacional da Verdade.
Fonte: Opera Mundi

domingo, 26 de outubro de 2014

Brasil entra na Primeira Guerra Mundial

Max Altman | São Paulo - 26/10/2009 - 07h00

No dia 26 de outubro de 1917 o Brasil tornou pública sua decisão de entrar na Primeira Guerra Mundial contra a Alemanha ao lado das potências aliadas, França e Inglaterra. Atuante nas rotas marítimas comerciais no Atlântico Sul, o Brasil vinha sendo crescentemente ameaçado pela política alemã de guerra submarina irrestrita nos dois primeiros anos do conflito.

Antes dos brasileiros, os norte-americanos entraram na guerra em 6 de abril de 1917. Em fevereiro do mesmo ano, quando a Alemanha retoma a política dos submarinos, após tê-la suspendido temporariamente em virtude de pressões de países neutros, como os Estados Unidos, o presidente Woodrow Wilson (1913 – 1921) responde com o rompimento imediato das relações.

Na véspera da declaração de guerra norte-americana, um submarino alemão afundou o navio mercante brasileiro Paraná, que navegava na França. Em 4 de junho, Dominico da Gama, embaixador brasileiro em Washington, escreve ao Secretário de Estado Robert Lansing declarando que o Brasil estava revogando a condição de neutralidade e rompendo os laços diplomáticos com a Alemanha.

“O Brasil nunca teve nem tem ambições bélicas” afirmou da Gama na época “e, apesar de sempre se abster em mostrar qualquer parcialidade com relação ao conflito europeu, não pode mais permanecer despreocupado quando a luta envolveu os Estados Unidos. Não temos qualquer interesse, seja qual for, apenas lutamos em favor da ordem jurídica internacional quando a Alemanha nos incluiu e a outras potências neutras nos mais violentos atos de guerra.”

Ao longo dos meses que se seguiram, o governo do Brasil tratou de emendar sua Constituição para permitir que pudesse declarar guerra. Resolvida a questão, a declaração foi emitida em 26 de outubro de 1917.

Em carta aberta enviada ao Vaticano, mas com a clara intenção de ser lida pelos países ao redor do mundo, o ministro das Relações Exteriores do presidente Venceslau Brás (1914-1918), Nilo Peçanha, justificou a decisão de seu país, condenando os ataques da Alemanha sobre o comércio internacional e invocando seus altos propósitos de criar um mundo pós-guerra mais pacífico e democrático.


Venceslau Brás declara guerra contra a Alemanha ao lado de Nilo Peçanha (em pé) e o presidente de Minas Gerais Delfim Moreira (sentado)

“Através do sofrimento e das desilusões causados pela guerra, um novo e melhor mundo de liberdade por certo, nascerá e desse modo uma paz duradoura poderá ser estabelecida sem restrições políticas ou econômicas, em que todas as nações terão um lugar ao sol, com iguais direitos, dentro de um intercâmbio de idéias e valores em mercadorias sobre uma ampla base de justiça e equidade.”

Convenção de Versalhes

Embora a real contribuição do Brasil aos esforços dos aliados tenha se limitado a uma unidade médica e alguns aviadores, a participação foi retribuída com um assento na mesa de negociações no pós-guerra. O fato de o Brasil – de acordo com o tamanho de sua população – ter direito a três delegados oficiais na Conferência de Paz de Paris de 1919 (Conferência de Versalhes) irritou Portugal, que havia enviado 60 mil soldados ao front ocidental e dispunha de um único delegado. A Grã Bretanha defendeu Portugal, enquanto os Estados Unidos respaldaram o Brasil. Nehuma mudança foi feita.

O conflito ilustrava a importância da representação em Versalhes, pois lá seriam redesenhadas as fronteiras do mundo pós-Primeira Guerra Mundial. Em 28 de junho de 1919, o Brasil era uma das 27 nações a assinar o Tratado de Versalhes, ao lado de outras nações latino-americanas que também declararam apoio aos aliados como Bolívia, Cuba, Equador, Guatemala, Haiti, Honduras, Nicarágua, Panamá, Peru e Uruguai.


Fonte: Opera Mundi

1994: Tratado de paz entre Israel e a Jordânia

Em 26 de outubro de 1994, 15 anos após Camp David, Israel selou segundo acordo de paz com um país árabe. Rei Hussein da Jordânia e premiê israelense Rabin assinaram documento que sobreviveu à morte de ambos.
À mesa: Itzhak Rabin (e), Bill Clinton (c) e premiê Abdul Salam al Madjali, da Jordânia (d)
Discursando diante de políticos de todo o mundo, na fronteira entre Israel e Jordânia, entre o Mar Morto e o Mar Vermelho, o rei Hussein afirmou no dia 26 de outubro de 1994:

"Estes são os momentos em que vivemos o passado e o futuro. O formidável vale em que nos encontramos será o vale da paz. E o fato de nos reunirmos aqui para construí-lo e fazer com que floresça, como nunca ocorreu antes, buscando conviver como nunca antes, israelenses e jordanianos, sem que ninguém tenha de vigiar nossas ações ou observar nossos esforços – tudo isto é então o nosso presente aos nossos povos e às gerações futuras".

O motivo da cerimônia foi a celebração da paz entre os dois países: o segundo tratado de paz entre Tel Aviv e um país árabe, depois do acordo de Camp David de 1979, entre Israel e Egito.

Assim, a Jordânia cumpriu as previsões, feitas durante anos pelos especialistas em política do Oriente Médio, de que seria o segundo país árabe a celebrar a paz com Israel. Nunca faltou vigor e independência à Jordânia, cuja sina sempre esteve estreitamente ligada à de Israel e da Palestina. Sua história foi marcada pelos esforços de entendimento com o Estado judeu.

Contatos precoces

Em 1948, ainda antes da fundação oficial de Israel, a posterior chefe do governo israelense Golda Meir visitara em Amã, capital da Transjordânia, o rei Abdallah, avô do rei Hussein, tentando convencê-lo a não participar da guerra iminente contra o novo Estado judeu. Naquela ocasião, Abdallah dera a entender que não teria nenhum interesse em tal guerra, mas que os compromissos pan-árabes o obrigavam a participar do conflito. A margem ocidental do Rio Jordão ficou sob controle de Amã e o problema palestino passou a ser, assim, um problema direto da Jordânia – nome adotado pelo país desde então.

Uma nova guerra – a Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967 – mudou a situação basicamente: o rei Hussein deixou-se convencer pelo presidente egípcio Gamal Abdel Nasser de que seu país deveria participar do novo conflito, pois estaria próxima a vitória sobre Israel. Em vez disso, veio a grande derrota e, com ela, a perda da margem ocidental do Rio Jordão e de Jerusalém Oriental.

Oficialmente, Hussein não abandonou a frente pan-árabe. Mas era conhecido o fato de que ele mantinha contatos secretos com políticos israelenses, a partir de 1967, tanto no exterior, como na região. Ele chegou mesmo a visitar Tel Aviv, passeando à noite pela metrópole israelense. E em 1971 uma clara advertência israelense à Síria impediu que seu país fosse invadido pelas tropas sírias.

Quando o Egito fechou o acordo de paz de Camp David, em 1979, registraram-se protestos em todo o mundo árabe e o governo do Cairo ficou isolado. O rei jordaniano não ousou acompanhar o presidente egípcio Anuar el Sadat nesse isolamento dentro da comunidade dos países árabes. Também a guerra do Líbano dificultou a decisão de um acordo com Israel, da mesma forma como a primeira Intifada, que teve início em 1987 e levou a Jordânia a abdicar da reivindicação de soberania sobre os territórios ocupados por Israel, em favor da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Nova chance no início dos anos 90

Somente em 1991 é que a situação voltou a evoluir, quando a Jordânia participou da conferência de paz de Madri, representando também os palestinos. A conferência na capital espanhola não deu fim ao conflito, mas foi a base para o acordo de paz de Oslo, dois anos mais tarde, entre Israel e a OLP. Com isto, houve uma completa transformação do panorama: se a OLP negociava diretamente com Tel Aviv, a Jordânia não precisava mais manter uma posição retraída em relação a Israel. Com a mediação dos EUA, também Amã e Jerusalém iniciaram contatos oficiais, negociando em pouco tempo um tratado de paz.

No ato solene da assinatura do tratado, o então primeiro-ministro israelense, Itzhak Rabin, afirmou: "Chega a hora em que é preciso ser forte e tomar decisões corajosas, a fim de superar os campos minados, a seca e o deserto entre os nossos povos. Vivemos muitos dias de preocupação e muitos dias de sofrimento, mas o luto nos une, da mesma maneira como a coragem o faz. E prestamos uma homenagem aos que deram sua vida. Temos, ambos, que buscar a fonte dos nossos grandes tesouros espirituais, a fim de esquecer os sofrimentos que impingimos um ao outro, a fim de desarmar os campos minados que nos separaram por tantos anos e cobri-los com os campos da abundância. Durante quase duas gerações, o desespero predominou no coração dos nossos dois povos. Chegou a hora, não apenas de sonhar com um futuro melhor, mas sim de realizá-lo. As lideranças políticas têm de abrir o caminho e indicar o rumo, mas são os dois povos que terão de trilhá-lo".

As relações bilaterais desenvolveram-se imediatamente de forma positiva: as fronteiras foram abertas passo a passo, surgiu um grande intercâmbio de visitantes e de negócios. No entanto, a esperança de um amplo apoio dos esforços de paz por parte da população jordaniana não foi cumprida. Grupos islâmicos na Jordânia opõem-se à paz e o grau do seu protesto está diretamente ligado ao progresso ou à estagnação do cumprimento do acordo de Oslo entre Israel e a OLP.
O presidente americano Bill Clinton já havia alertado para esse tipo de desenvolvimento. "A paz é mais do que apenas um acordo num papel, ela é sentimento, ação e dedicação. As forças do terrorismo vão tentar deter vocês."

Mas os adversários da paz entre Israel e a Jordânia ainda não conseguiram destruí-la. Ela superou a morte do rei Hussein, mas foi duramente afetada pelo aumento da violência entre israelenses e palestinos, principalmente durante a Segunda Intifada. A relação entre os dois países, antes próxima e intensa, esfriou, e ela só não foi totalmente deixada de lado porque a Jordânia é fraca demais para isso. Assim como, durante décadas, não foi forte o suficiente para a paz.
  • Autoria Peter Philipp (am)
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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Na 'Quinta-Feira Negra', Bolsa de Nova York despenca 43 pontos

Wikimedia Commons
Na bolsa de valores de Wall Street, em Nova York, ninguém se esquece da quinta-feira, 24 de outubro de 1929, que ficou marcada na história como “Quinta-Feira Negra” (Black Thursday).
[Multidão se reúne na Wall Street, em Nova York, após a Bolsa de Valores despencar]
Depois de 18 meses de alta frenética, os especuladores passaram a desconfiar e pararam de acreditar num crescimento indefinido dos valores. Num movimento tão maciço quanto repentino, decidiram vender suas ações a todo vapor e o mais rapidamente possível.
Pânico.
 
crash ficou mais intenso cinco dias depois, com uma queda vertiginosa de 43 pontos percentuais no índice. Esses acontecimentos marcaram a entrada do mundo ocidental na mais grave crise econômica de sua história.
 
Nos anos anteriores à Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos tinham conhecido um formidável crescimento econômico. Ninguém poderia, por conseguinte, imaginar que um simples dia em Wall Street provocaria uma das mais graves crises econômicas da história. Desde a Quinta-Feira Negra até a Segunda Guerra Mundial, a débâcle se propagou pelos quatro quadrantes do globo. No curso de uma recessão de dez longos anos, os países mais afetados viveram importantes comoções políticas e sociais.
 
Ao longo dos anos 1920, os EUA entram numa fase de reconstrução em que a economia conheceu certo impulso. No entanto, o sistema estava salpicado de falhas. A superprodução industrial dependia principalmente do crédito e da especulação. A população tomava dinheiro emprestado a rodo para poder investir na bolsa. Quando os preços começaram a despencar, os portadores de ações se apressaram em vender seus títulos antes que perdessem demasiado valor O pânico tomou rapidamente conta de Wall Street levando-a a um caos total em que cerca de 13 milhões de ações são colocadas simultaneamente à venda.
As cotações desabam e toda a economia estadunidense soçobra a uma velocidade estonteante. As indústrias não encontram mais investidores e o consumo decresce sem cessar. A agricultura, em crise já há alguns anos, mergulha na crise e o valor de seus produtos vem abaixo. Quanto aos bancos, confrontados com a incapacidade dos devedores de honrar seus compromissos, quebram um após o outro.
 
Na década de 1930, a crise se estende progressivamente ao mundo todo, visto que as economias estrangeiras são mais ou menos dependentes do poderio norte-americano. Em virtude de sua política econômica socialista, a URSS é a única a escapar da crise.
 
Por toda parte, os índices de desemprego atingem altas sem precedentes. Na Alemanha, este é um dos principais fatores a levar Hitler ao poder. Ele prometia que, se chegasse à chancelaria, promoveria a recuperação econômica do país. Aqui e ali, os governos tentavam de uma maneira ou outra conter a decadência de seus países, valendo-se de desvalorizações monetárias e de uma política mais protecionista que nunca. Nos EUA, o recém-eleito presidente Franklin Roosevelt pôs em marcha o New Deal. A política capitalista adotada até então cede espaço a novos caminhos. A intervenção estatal toma o lugar do liberalismo.
 
A crise de 1929 eclodiu no âmago de um sistema econômico poderoso na aparência, mas cujos alicerces se mostraram demasiadamente frágeis. Uma única quinta-feira foi suficiente para abalar o mundo inteiro durante dez anos, expondo à luz do dia as fraquezas do capitalismo liberal americano. Enquanto inúmeros países tentavam manter-se à tona, o nazismo ganhava espaço. Não demoraria muito para que o mundo mergulhasse na Segunda Guerra Mundial.

Fonte: Opera Mundi

Fazer História - por Áxsel B. Oliveira





quinta-feira, 23 de outubro de 2014

1956: Rebelião popular na Hungria

Em 23 de outubro de 1956 irrompeu na Hungria a rebelião popular contra o regime stalinista. O reformista Imre Nagy tornou-se primeiro-ministro, iniciou mudanças no país e anunciou a retirada do Pacto de Varsóvia.
A rebelião na Hungria em 1956
No início de 1956, o presidente soviético Nikita Khruchov havia condenado os métodos da era Stalin, reaquecendo as esperanças de mais autonomia nos países-satélites. Em solidariedade aos trabalhadores poloneses que protestavam nas ruas, os universitários húngaros derrubaram uma estátua de Josef Stalin, numa manifestação em 23 de outubro. O protesto estudantil culminou em rebelião popular contra o domínio soviético.
Até partes das Forças Armadas e da polícia húngara participaram dos violentos protestos. Cem mil manifestantes invadiram a central do Partido Comunista, exigindo eleições livres e o fim do stalinismo. Até aí, as tropas soviéticas estacionadas em Budapeste apenas observavam os acontecimentos.
Retorno do reformista Imre Nagy
Por simbolizar "um novo rumo" do socialismo em Budapeste, o reformista Imre Nagy – que já fora primeiro-ministro de 1953 a 1955 – foi pouco a pouco conquistando o controle da população rebelada, assumindo novamente a chefia do governo.
No começo de novembro, Nagy abriu as fronteiras, introduziu o pluripartidarismo, extinguiu a censura e anunciou a retirada da Hungria do Pacto de Varsóvia, a aliança militar dos comunistas durante a Guerra Fria. Nesse momento, as tropas da repressão soviética já estavam a caminho de Budapeste. Moscou de forma nenhuma toleraria a escapada de um de seus satélites.
Resistência dentro do próprio governo
János Kádár, primeiro-secretário do Partido Comunista e membro do gabinete de Nagy, revogou os poderes do primeiro-ministro e começou a negociar com Moscou. A resistência contra o Exército Vermelho durou dois dias e custou a vida de 3 mil pessoas. Em vão, Nagy invocou o apoio das Nações Unidas, mas a comunidade internacional estava então voltada para a crise no Canal de Suez.
No dia 7 de novembro, Kádár retornou a Budapeste como novo chefe de governo. Nagy e alguns assessores e ministros refugiaram-se na embaixada da então Iugoslávia, onde passaram três semanas cercados por tanques soviéticos. Eles só deixaram a embaixada porque Kádár lhes prometeu impunidade. Promessa falsa, porque Nagy foi preso pelo KGB e deportado para a Romênia por negar-se a renunciar ao cargo que ocupava em Budapeste.
Reabilitação tardia de Nagy
Num processo sumário, ele e alguns ministros foram condenados e executados em 16 de junho de 1958. Para que ninguém o venerasse na sepultura, ele e outras 2 mil pessoas foram enterrados em vala comum. Imre Nagy só foi reabilitado e sepultado numa cerimônia oficial em 1989, após o fim do regime Kádár.
O longo governo de Kádár trouxe estabilidade e crescimento à Hungria. A liberalização da economia a tornou precursora da Perestroika, o programa de reformas adotado em meados dos anos 1980 pelo presidente soviético Mikhail Gorbatchov. (rw)
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