segunda-feira, 29 de setembro de 2014

ENADE em pauta no IFCH







No dia 22 de setembro os estudantes finalistas de História e Letras do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UPF realizaram trabalho acerca do ENADE. A atividade foi conduzida pelo prof. Fabiano Chiesa, representando a Divisão de Avaliação Institucional da Universidade e versou sobre a estrutura de avaliação dos cursos e da instituição, realizadas através do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), composto de vários elementos, dos quais o ENADE é um dos componentes.

Complementando o trabalho, durante os dias 22 a 26 de setembro foi realizado pelos professores do curso de História uma Oficina ENADE, que versou sobre a organização, perfil e temáticas previstas para a prova 2014, que será realizada em 23 de novembro. O trabalho foi dividido por temáticas e desenvolvido pelos professores, Adriano Comissoli e Marlise Regina Meyer (História Antiga Ocidental e Oriental), Eliane Colussi (História Medieval), Adelar Heinsfeld (História do Brasil), Marcos Gerhardt (Metodologia do Ensino de História e Historiografia) e Gizele Zanotto (História Contemporânea e Formação Geral). Os acadêmicos também tiveram a oportunidade de dialogar com a atual pós-graduanda e egressa do curso, Helena Teston, que prestou a prova ENADE 2011 e esclareceu algumas questões sobre a prova e sobre a importância da avaliação para todos os envolvidos, curso, universidade e estudantes.


A Oficina segue um calendário amplo de conscientização e preparação para a prova que o curso de História vem realizando desde 2013. Neste ano pretende-se manter os índices significativos obtidos na avaliação 2011, que legou ao curso a nota máxima no Conceito Preliminar de Curso (CPC) e 4 no ENADE, derivando na 7ª. colocação do curso entre as graduações de História Licenciatura do país. 

1990: Realizada em Nova York a primeira Cúpula Mundial pela Criança

Em 29 de setembro de 1990 começou em Nova York a primeira Cúpula Mundial pela Criança, convocada pelo Unicef. Representantes de 157 países concordaram em implementar uma série de medidas para proteção da infância.
O prédio das Nações Unidas em Nova York abrigou a maior mesa redonda já construída para receber as delegações convidadas para a primeira Cúpula da Criança, organizada pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).
Os chefes de Estado e de governo de 71 nações e representantes de outros 86 países reuniram-se nos dias 29 e 30 de setembro de 1990 para lembrar ao mundo que, apesar de todos os progressos científicos e tecnológicos da civilização, ainda havia muitos problemas das novas gerações a resolver.
Entre os objetivos estipulados no documento final do encontro estavam a redução em 30% da taxa de mortalidade de crianças menores de cinco anos até o ano 2000; a proteção contra exploração, abuso e violência; a reiteração dos princípios da Organização Internacional do Trabalho referentes à erradicação do trabalho infantil e, mais especialmente, do trabalho escravo; a diminuição pela metade do número de crianças subnutridas e a garantia do acesso à água potável e à educação a cada criança até o final do século 20.
Também foi aprovada a Convenção dos Direitos da Criança, que se tornou instrumento de direito internacional, ou seja, assumiu primazia sobre as legislações nacionais. No caso do Brasil, a Convenção dos Direitos da Criança e demais recomendações da cúpula convergem com os princípios definidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, aprovado em 1991.
O balanço, dez anos depois
Num balanço feito dez anos depois da Cúpula da ONU para a Criança, verificou-se que alguns objetivos foram cumpridos, embora ainda faltasse muito para que as principais ambições do Unicef em 1990 se tornassem realidade.
A mortalidade infantil continuou diminuindo: se por volta de 1990 morriam 15 milhões de crianças por ano, em 2000 esta cifra girava em torno dos 11 milhões, mas em alguns locais do planeta o objetivo dos 30% ainda não havia sido alcançado.
Em estado de miséria absoluta viviam 600 milhões de crianças no planeta. Mais de 250 milhões eram exploradas como mão-de-obra barata, na prostituição ou como soldados. Distante, também, permanecia a meta de oferecer um mínimo de instrução a todos.
O relatório do Unicef chegou a uma triste conclusão: às portas do século 21, havia mais crianças na pobreza absoluta que em 1991. Mesmo assim não se pode falar em fracasso da cúpula, afirma o alemão Michael Klaus, que participou do encontro em nome do escritório alemão do Unicef.
Segundo ele, em 1991 ainda não se contava com o aumento desenfreado das guerras civis em todo mundo e o alastramento da Aids, para citar apenas alguns problemas que influenciaram o quadro geral das crianças, principalmente na África.
Se todos os países industrializados mantivessem o que foi acertado e investissem 0,7% de seu PIB na ajuda ao desenvolvimento, a cada ano a arrecadação aumentaria em 100 bilhões de dólares. Mais do que o suficiente para garantir o abastecimento básico às crianças do planeta.
  • Autoria Nicole Engelbrecht (rw)
  • Link permanente http://dw.de/p/2hm3

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Rota UPF - Edital de Transferência e Reingresso



Edital de Transferência e Reingresso UPF
Período de inscrição: 25/09/14 a 10/11/14
Edital - http://www.upf.br/site/inc/editais/openFile.php?codFile=30188
O curso de História UPF está com 10 vagas nessas modalidades - aproveite e venha Fazer História conosco!

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A Grande Guerra e os conflitos do século XX em pauta na UPF

O curso de História da Universidade de Passo Fundo (UPF) realiza entre os dias 05 e 07 de novembro a XVII Semana Acadêmica de História, a III Mostra de Pesquisa em História da Graduação e do Programa de Pós-Graduação em História, o V Fórum do Curso de História e o IV Seminário Interno Pibid-História/UPF. A programação tem como tema “A Grande Guerra e a mundialização dos conflitos no século XX”.

Podem participar alunos de graduação e pós-graduação e demais interessados no tema. As inscrições já estão abertas e são divididas em diferentes modalidades: quem desejar participar como ouvinte pode se inscrever junto à Secretaria do curso de História, no prédio do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campus I. Já aqueles que querem inscrever resumos ou livros devem encaminhar as informações para o e-mail semanahistoriaupf@gmail.com, até 15/10 e 31/10, respectivamente.

Programação
A programação inicia no dia 05, com o IV Seminário Interno do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), na Sala de Defesas do IFCH; às 18h ocorre o lançamento de livros e, após, às 19h30min, ocorre a abertura oficial e a conferência “Primeira Guerra Mundial e o Brasil”, tema a ser abordado pelo professor Paulo Fagundes Visentini (UFRGS), com mediação do professor Adelar Heinsfeld (UPF), no Auditório da Faculdade de Odontologia.

O segundo e o terceiro dia da Semana Acadêmica terão, durante os turnos da manhã, a apresentação de trabalhos de graduandos e pós-graduandos, na III Mostra de Pesquisa em História da Graduação e PPGH. Nos turnos vespertinos serão ofertadas oficinas temáticas aos inscritos. As noites serão dedicadas a conferências acerca da Grande Guerra e suas articulações e repercussões no Brasil, na América Latina e também na Revolução Russa.

Informações
Os detalhes da programação, locais e horários das atividades, bem como as normas para envio de trabalhos podem ser conferidas no endereço eletrônicohttp://historiaupf.blogspot.com.br/2014/08/a-grande-guerra-e-mundializacao-dos.html. Em caso de dúvidas, entrar em contato pelo telefone (54) 3316-8336.

História UPF realiza visita técnica ao MHR

Na última quarta-feira, 17 de setembro de 2014, os alunos do 7º nível de História da Universidade de Passo Fundo fizeram uma visita às dependências do Museu Histórico Regional. Esta atividade está relacionada a disciplina curricular que avalia os trabalhos de históriadores em Arquivos e Museus e prevê atividades em espaços de formação.

Acompanhados do professor Felipe Berté Freitas, os acadêmicos conheceram o funcionamento dos setores do museu, como o acervo iconográfico e a reserva técnica, para que ao longo do semestre, possam desenvolver projetos de intervenção nos municípios em que residem. 

Além das exposições “Rede de memórias” e “IHPF & AHR: Espaços de memórias” foi apresentado o processo de montagem das exposições, técnicas de acondicionamento e limpeza de acervo, tanto fotográfico quanto de objetos.







AHR - Espaço de pesquisa, espaço de estágio


O Arquivo Histórico Regional, além de ser o já conhecido local de referência em pesquisa para o PPGH Mestrado e doutorado - UPF, também tem sido utilizado como local de experiência e expansão de conhecimentos da Graduação em História. Nesses anos de atuação foram muitos os estagiários - alunos do Curso de História - que passaram pelo AHR. É, também, Arquivo-Escola para capacitação e especialização profissional.

www.upf.br/ahr


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

1969 - Julgamento condena os "Sete de Chicago" por conspiração

Tem início em 24 de setembro de 1969 o julgamento conhecido como “Chicago Seven" (Os Sete de Chicago), diante do juiz Julius Hoffman. Os defensores, entre eles David Dellinger, do Comitê Nacional de Mobilização pelo Fim da Guerra no Vietnã (MOBE); Rennie Davis e Tom Hayden, do MOBE e Estudantes por uma Sociedade Democrática (SDS); e Jerry Rubin e Abbie Hoffman, do Partido Internacional da Juventude (Yippies), foram acusados de conspiração para incitar um distúrbio na Convenção do Partido Democrata, em 1968.

Wikicommons
No auge dos movimentos pelos direitos civis e contra a Guerra no Vietnã, esses jovens esquerdistas organizaram marchas de protesto e concertos de rock por ocasião da Convenção Nacional Democrata. Durante o evento, houve confronto entre os manifestantes e a polícia. Em alguns casos, alcançou níveis de distúrbios em larga escala, reprimidos com gás lacrimogêneo e cassetete. A imprensa, deslocada para a cobertura da convenção, denunciou os excessos da polícia de Chicago e o tratamento dado ao caso pelo chefe de polícia local, Richard Daley.

[Rennie Davis foi um dos "Sete de Chicago]

Os “Chicago Seven” foram indiciados por violação da lei Rap Brown, aprovada mais cedo naquele ano pelos senadores conservadores, com o sentido de limitar a ação em favor da Lei de Direitos Civis. A lei Rap Brown tornou ilegal cruzar a divisa dos estados com o propósito de incitar a desordem. O Procurador-Geral do presidente Lyndon Johnson, Ramsey Clark, recusou-se a processar o caso.

Embora Bobby Seale, dos Panteras Negras, tivesse sido originalmente um dos acusados, denunciou furiosamente o juiz Hoffman como um racista por ter negado seu pedido de julgamento em separado. Queria ser representado pelo seu próprio advogado, quem estava se recuperando à ocasião de uma cirurgia, protestando outrossim em altas vozes numa tentativa de interrogar suas próprias testemunhas. O juiz Hoffman adotou então uma medida em nada habitual, mantendo Seale algemado e amordaçado no banco dos réus antes de finalmente separar seu processo e condená-lo a 48 meses de prisão.

Contando com o encorajamento do advogado de defesa William Kunstler, os sete outros acusados fizeram o que puderam para interromper e tumultuar o julgamento com atos tais como ler poemas e cantar Hare Krishna. Enquanto o corpo de jurados estava deliberando o veredicto, o juiz Hoffman decretou a detenção de todos eles por desacato ao tribunal em virtude de seu comportamento, sentenciando-os a 29 meses de prisão. 
Por sua vez, o advogado Kunstler recebeu uma sentença de 4 anos de prisão, em parte por ter chamado a corte de Hoffman de “câmara de tortura medieval”.  Ao final, cinco dos “Sete de Chicago” tiveram suas penas reduzidas.

Em 1970, as sentenças e as acusações de desacato contra os “Chicago Seven” foram canceladas após recurso de apelação. Abbie Hoffman permaneceu como um renomado ativista da contracultura até sua morte, em 1989. Tom Hayden casou-se com a consagrada atriz Jane Fonda e ainda hoje é um proeminente político liberal da Califórnia, atualmente casado com a atriz Barbara Williams.
Fonte: Opera Mundi

terça-feira, 23 de setembro de 2014

1980: Começa a Guerra Irã-Iraque

No dia 22 de setembro de 1980, o Iraque invade e passa a controlar uma província do Irã. É o início da primeira Guerra do Golfo, que terminaria oito anos depois com o saldo de mais de 1 milhão de mortos.
Soldados do Iraque diante do Monumento aos Mártires, em Bagdá
Fazia 20 meses que o xá Mohammad Reza Pahlavi havia deixado o Irã. Com a saída do aiatolá Khomeini do exílio em Paris e a proclamação da República Islâmica em Teerã, seguidores do regime anterior foram perseguidos. Mas o novo regime dos mulás ainda não estava completamente estabelecido, quando aviões do Iraque atacaram várias bases aéreas no Irã, danificando apenas as pistas de decolagem.
Os ataques de revanche do Irã não impediram que tropas iraquianas invadissem vários trechos na fronteira entre os dois países. Em pouco tempo, haviam atacado uma região de mil quilômetros quadrados, provocando a fuga em massa de seus habitantes.
Nos meses anteriores, o então presidente do Iraque, Saddam Hussein, havia montado 12 divisões, com um contingente de 190 mil soldados. Eles foram armados com as mais modernas armas soviéticas, mais de dois mil tanques e 450 aviões de combate. Saddam estava convicto da vitória quando ordenou o ataque, ainda mais que os militares iranianos estavam enfraquecidos com a revolução.
Interesse por campos de petróleo
Muitos oficiais haviam fugido, estavam presos ou mortos. Era a revanche de Saddam, que cinco anos antes havia perdido para o Irã a metade da importante região de Shatt-el-Arab, entre os rios Eufrates e Tigre. Além disso, Bagdá queria conquistar uma importante área petrolífera no sudoeste iraniano e Hussein estava convencido de que teria o apoio da população árabe local. Mas o que aconteceu não foi nada disso.
O Iraque conseguiu dominar uma pequena região, que denominou Arabistão, mas não obteve o apoio de seus três milhões de habitantes. Enquanto isso, o Irã surpreendia com sua resistência, que durou oito anos. Mais de um milhão de pessoas morreram, e os dois países tiveram seu desenvolvimento atrasado em várias décadas.
Mobilização de crianças para a tropa
Em poucas semanas, Teerã conseguiu recrutar mais de 200 mil soldados, entre eles muitos jovens e crianças. Em 1985, o Iraque começou a bombardear alvos civis no Irã, principalmente na capital, inicialmente com aviões; depois, com mísseis. O Aiatolá, entretanto, não aceitou a derrota e chegou a mobilizar 500 mil soldados crianças.
EUA apoiaram o Iraque
Não fosse o emprego de armas químicas pelo Iraque (cuja tecnologia obteve dos Estados Unidos), o Irã poderia ter vencido o conflito. Além de Washington, também Moscou, Pequim e Paris apoiaram Saddam Hussein.
Depois de oito anos de conflito e longas negociações mediadas pelo então secretário-geral da ONU, Perez de Cuellar, foi acertado um cessar-fogo no dia 20 de setembro de 1988. Dois anos mais tarde, os dois países reataram relações diplomáticas.
  • Autoria (rw)
  • Link permanente http://dw.de/p/2geP

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Edital de Seleção de Estágio - Acadêmicos de História da UPF


 PROCESSO SELETIVO DE ESTÁGIO - HISTÓRIA – NÍVEL SUPERIOR – 2014
Subseção Judiciária de Passo Fundo 

EDITAL COMPLETO NO LINK ABAIXO
1. Edital de Seleção de Estágio  - Publicado em 15.09.2014

1. DO CRONOGRAMA DE ATIVIDADES PREVISTO
Inscrições: no período de 17/09/2014 a 26/09/2014.
Horário: das 10 às 18 horas, de segunda a sexta-feira.
Local para inscrição: Prédio-Sede da Justiça Federal, situado na Rua Antônio Araújo nº 1110, Passo
Fundo-RS, no Setor de Distribuição.
Publicação da homologação das inscrições: Até as 19h do dia 29/09/2014.
Prazo para recurso da não homologação (se necessário): 02(dois) dias úteis a contar da publicação da
homologação das inscrições.
Publicação do resultado: Até o dia 03/10/2014.


Começa hoje a Oficina ENADE 2014 - História UPF



Todos os alunos inscritos que farão a prova (finalistas) 
DEVEM participar da Oficina em todas as noites!

Em caso de dúvidas entre em contato com a Coordenação do Curso - chistoria@upf.br ou 3316-8336

OFICINA ENADE 2014
22 de setembro - Sala de Defesas IFCH
- Apresentação do Enade aos acadêmicos - atividade com cursos de Letras UPF (Divisão de Avaliação da UPF)
- Divisão de grupos temáticos para análise das questões das duas últimas edições Enade (quanto aos temas abordados, forma de exposição das questões, utilização de recursos - mapas, tabelas, gráficos, trechos de textos, dados estatísticos, etc. - e metodologias de ensino e pesquisa). Coordenação do curso de História

23 de setembro  - Sala de Defesas IFCH
- História Antiga (Oriental e Ocidental) - Profs. Adriano Comissoli e Marlise Meyrer
- História Medieval - Profa. Eliane Colussi

24 de setembro  - Sala de Defesas IFCH
- História do Brasil - Profs. Adelar Heinsfeld e Ana Luiza Reckziegel

25 de setembro  - Sala de Defesas IFCH
- Metodologia do Ensino e da Pesquisa - Prof. Marcos Gerhardt

26 de setembro  - Sala de Defesas IFCH
- História Moderna - Profa. Ironita Machado
- História Contemporânea - Profa. Gizele Zanotto



CRONOGRAMA ENADE


19/09/2014
Divulgação eletrônica da lista de estudantes inscritos e convocados ao Enade 2014.
Inep
 
21/10/2014 a
23/11/2014
Período para resposta eletrônica ao Questionário do Estudante e consulta ao local de prova.
Estudante
 
23/11/2014    
Aplicação das provas do Enade 2014.         
Inep
24/11/2014 a
07/12/2014  
Período para resposta eletrônica ao questionário do Coordenador de Curso.
IES
 
16/12/2014
 
Previsão de divulgação da Relação de  Estudantes  em  Situação Regular junto ao Enade 2014. 
Inep

EDITAL DE SELEÇÃO - CURSO DE MESTRADO - TURMA 2015/01


O Programa de Pós-Graduação em História (PPGH), da Universidade de Passo Fundo (UPF), torna público o Edital do processo seletivo do curso de MESTRADO, turma 2015/01.

Descoberta enorme tumba no norte da Grécia do tempo de Alexandre, o Grande

Arqueológos dizem que é o maior cemitério já encontrado no país
POR O GLOBO COM AGÊNCIAS INTERNANCIONAIS
22/09/2014 7:30 / ATUALIZADO 22/09/2014 10:41



Duas esfinges guardam a entrada do túmulo em Amphipolis - Ministério da Cultura da Grécia

ANFÍPOLIS, GRÉCIA - A descoberta de uma enorme tumba no Norte da Grécia, que data do tempo de Alexandre, o Grande, da Macedônia, entusiasmou os moradores do país no Mediterrâneo, distraindo-os da terrível crise que a economia local enfrenta há anos. Gregos, assim como arqueólogos do mundo todo, agora se perguntam quem estaria enterrado em um túmulo tão imponente.

A descoberta aconteceu no início de agosto. Segundo o site da BBC, uma equipe de arqueólogos gregos liderados por Katerina Peristeri desenterrou o que, dizem as autoridades, seria o maior cemitério já descoberto no país. O achado está num monte na Anfípolis antiga, uma grande cidade do reino da Macedônia, 100km a leste de Thessaloniki, segunda maior cidade da Grécia.

A estrutura remonta ao final do século IV a.C., e o muro ao redor dele é de 500 metros de circunferência, superando as dimensões do local de enterro do pai de Alexandre, Filipe II, em Vergina, a oeste de Thessaloniki.

- Estamos observando com admiração e com profunda emoção a escavação em Amphipolis. Este é um monumento enterro de dimensões únicas e impressionante maestria artística. Os mais belos segredos estão escondidos logo abaixo de nossos pés - disse o ministro da Cultura da Grécia, Konstantinos Tasoulas


Rosto de pedra dentro da tumba recém-descoberta - / Ministério da Cultura da Grécia

Dentro da tumba, foram encontrados dois cariátides(estátuas de mulheres com túnicas) de cerca de 2,7 metros de altura, colocados ali, possivelmente, para afastar instrusos da câmara principal. O novo sítio arqueológico está sob proteção policial 24 horas por dia. A ideia é manter jornalistas e turistas afastados enquanto os cientistas realizam seu trabalho.

Só a equipe de arqueólogos pode dar pistas sobre quem está enterrado ali, mas os envolvidos ainda estão entretidos em medidas para preservar o local (uma das câmaras da tumba corre o risco de desabar). Para a população dos vilarejos ao redor do sítio, entretanto, não há dúvidas de que Alexandre, o Grande, é o dono do túmulo. Mas esta afirmação é tratada como especulação pelo governo grego, já que, até hoje, acredita-se que Alexandre estaria enterrado em algum lugar do Egito.

Read more: http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/descoberta-enorme-tumba-no-norte-da-grecia-do-tempo-de-alexandre-grande-14006683#ixzz3E3cDndcm

Manifesto da ANPUH e do GT Ensino de História e Educação contra o PL 6.840

Atualmente, tramita no Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal do Brasil) o Projeto de Lei – PL nº 6.840/2013, de autoria dos deputadosReginaldo Lopes e Wilson Santiago Filho, para Reformulação do Ensino Médio, que altera a LDBEN – Lei 9394/96, propondo a instituição da jornada em tempo integral para o Ensino Médio e indicando mudanças nos currículos da formação de professores para a modalidade.

De acordo com a proposta os currículos dos cursos de formação de professores para o Ensino Médio passariam a ser organizados a partir de áreas do conhecimento, respectivamente, Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas. Essa alteração deverá ser implantada no prazo de cinco anos a contar da publicação da Lei. Para tanto deve ocorrer uma revisão dos conteúdos curriculares dos cursos de Pedagogia e Licenciaturas, que, segundo a “Justificação” do PL, deve acontecer “de forma que sejam desenvolvidas e priorizadas as habilidades específicas para o exercício da profissão docente, bem como a formação por áreas do conhecimento previstas nos currículos do ensino médio.” Por fim, o PL indica que o Conselho Nacional de Educação deverá promover esta revisão para que, no máximo em três anos, os cursos de formação de professores para o Ensino Médio incorporem a nova organização curricular por áreas do conhecimento.

Sobram dúvidas e inquietações sobre o que significam essas mudanças sugeridas para o currículo do Ensino Médio e para a formação de professores. A indicação de que a formação dos professores deve obedecer às áreas de conhecimento do currículo do Ensino Médio rompe com a atual formação dos docentes organizada por disciplinas acadêmicas específicas. Nesta perspectiva o PL nº 6.840/13 abre a possibilidade para que as licenciaturas sejam reorganizadas por áreas de conhecimento tendo como proposta, por exemplo, Licenciaturas em Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas, esvaziando as formações específicas e criando uma formação genérica de área, que ignora as particularidades epistemológicas de cada uma das disciplinas que compõe essas áreas. Aliás, esta proposta representa um recuo ao passado quando as Licenciaturas em Estudos Sociais foram implantadas no período do Regime Militar, causando prejuízos à formação dos professores das áreas de História e Geografia. Cabe lembrar que a ANPUH no início dos anos 1980, junto com outras entidades e a comunidade científica, empreendeu uma luta decisiva que bloqueou o projeto de extinção da formação de professores em suas disciplinas específicas.

Assim, por meio deste manifesto, a Associação Nacional de História junta-se a outras entidades científicas, ANPEd - Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, e às instituições da Rede federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, expressando seu repúdio ao PL nº 6.840/2013, endossando os argumentos apresentados por essas entidades em seus manifestos e solicitando aos parlamentares sua pronta retirada do processo de tramitação em que ora se encontra no Congresso Nacional.

ANPUH

Regime Militar Brasileiro: uma história de muitas batalhas


Em entrevista exclusiva ao Café História, o historiador Marcos Napolitano, professor da Universidade de São Paulo (USP), fala sobre o seu novo, livro 1964 – História do Regime Militar Brasileiro, dos cinquenta anos do golpe civil-militar, dos trabalhos historiográficos sobre a ditadura que gostou recentemente e muito mais. 

De acordo com Marcos Napolitano, “o golpe militar de 1964 foi uma das batalhas da Guerra Fria na América Latina”. Mas o evento não se resume a isso, alerta o historiador: “o golpe e o regime também geraram um modelo de ação política contra governos reformistas e de um regime que iam além das clássicas ditaduras latino-americanas.” Em entrevista ao Café Historia, o professor da Universidade de São Paulo discute essa e várias outras batalhas que fizeram parte da historia do regime militar brasileiro, das batalhas contra os movimentos artísticos e culturais ao reformismo de Jango. No ano em que o golpe civil-militar de 1964 completa cinquenta anos, tivemos o prazer de conversar sobre o assunto com mais um importante pesquisador da área. Confira como foi esse papo e deixe seus comentários!



Bruno Leal: Professor, o senhor lançou bem recentemente o livro1964 – História do Regime Militar Brasileiro, publicado pela Editora Contexto. Fale um pouquinho mais deste projeto, por favor. Qual a proposta do livro? Como ele é estruturado? Qual o público-leitor do livro?

Marcos Napolitano: Este livro tentou sintetizar a trajetória do regime militar brasileiro e as principais polêmicas historiográficas em torno do período. Em uma linguagem fluida, narrativa e acessível a leitores não-acadêmicos, tento discutir temas polêmicos, tais como o “mito da ditabranda”, as relações entre cultura engajada e mercado, o aparato repressivo, os anos Geisel e a natureza da “abertura”, as batalhas de memória. O livro é estruturado em capítulos que mesclam momentos específicos do regime com recortes temáticos, como as artes, a economia e a repressão. Enfim, é uma tentativa de fazer um livro que possa ser lido por um público relativamente amplo, para além dos estudantes e pesquisadores de história, mas que não deixe de ser um produto de pesquisa. Por exemplo, não há notas de rodapé, nem citações autorais no corpo do texto, mas em compensação, há mais de 500 notas no fim de texto, de caráter historiográfico e teórico. O leitor não acadêmico pode ler apenas o texto principal, sem prejuízo do conteúdo. O leitor acadêmico, por outro lado, tem nas notas um guia dos debates bibliográficos e das últimas pesquisas sobre o tema.

Bruno Leal: Na apresentação do livro, o senhor diz: “a subida dos militares ao poder mudaria para sempre a história brasileira, além de ter fornecido um novo modelo de golpe e de regime político para vários países latino-americanos”. O senhor poderia falar sobre esse modelo? Em quais preceitos políticos e ideológicos ele se estruturava?

Marcos Napolitano: O golpe militar de 1964 foi uma das batalhas da Guerra Fria na América Latina. Como tal, ele foi informado pelo anticomunismo e pela Doutrina de Segurança Nacional que pautou o regime que se seguiu. Mas, por outro lado, o golpe e o regime também geraram um modelo de ação política contra governos reformistas e de um regime que iam além das clássicas ditaduras latino-americanas. No primeiro ponto, a desestabilização do governo João Goulart, envolvendo empresários, governo norte-americano, militares e classe média foi utilizada em outro golpes, como no Chile em 1973. O modelo de ditadura brasileira, impessoal e altamente institucionalizada, também serviu de inspiração, com adaptações locais, para Uruguai e Chile. A repressão também foi outra “tecnologia” exportada.

Bruno Leal: O senhor defende que o Golpe Civil-Militar de 1964 foi resultado de uma série de fatores e eventos para além dos erros e acertos de Jango. Que outros fatores seriam fundamentais para se compreender esse golpe?

Marcos Napolitano: Nos últimos vinte anos tornou-se comum responsabilizar a esquerda pelo golpe, sobretudo o próprio presidente João Goulart, cuja mistura de promessas reformistas e falta de tino político teriam sido fatais para a frágil democracia de 1946. O radicalismo das esquerdas que estavam em torno do governo, de maneira mais ou menos crítica, também tem sido apontado como fator corrosivo da política institucional. Acho que estes fatores são importantes para explicar a crise política do governo Jango, mas não são suficientes para explicar o golpe em si. Este foi produto de uma linhagem conspirativa, interna e externa, que aproximou a direita civil e militar e os liberais conservadores com medo dos avanços sociais e do comunismo.

Bruno Leal: No livro, o senhor identifica vários momentos repressivos durante o regime militar. Um deles, que vai de 1969 a 1978, ficou marcado pela tentativa deste regime em repreender o movimento da cultura como mobilizadora do radicalismo da classe média, principalmente dos estudantes. Nesta época, a cultura e as artes tinham mesmo força para sensibilizar e mobilizar as classes médias contra o autoritarismo do governo? Que artistas e eventos artísticos/culturais mais incomodavam os militares?

Marcos Napolitano: A primeira medida do regime na área cultural foi romper os frágeis laços orgânicos que os artistas engajados de esquerda tentavam estabelecer com as classes populares. Em grande parte, este é o sentido das ações do CPC da UNE e do MCP do Recife. Feito isso, os militares até permitiram certa liberdade de expressão até 1968, até porque essas manifestações estavam restritas a setores intelectualizados da classe média que consumia cultura em circuitos mercantilizados. Com a guerrilha, alimentada sobretudo por jovens radicalizados da classe média, a cultura engajada deixou de ser vista como inócua, ainda que restrita a estes segmentos sociais. Na crise de 1968, o governo fez uma leitura conjuntural que unia a mobilização cultural ao desgaste político crescente do regime. A partir daí, os artistas de esquerda também foram vigiados, cerceados e, em alguns casos, reprimidos diretamente, como indivíduos. As áreas que mais assustavam o regime, obviamente, eram aquelas ligadas às artes de espetáculo – cinema, teatro e música popular. Mas outras áreas, como a literatura, também foram vigiadas e censuradas. Entretanto, o regime evitou uma guerra aberta contra a área cultural, tentando manter uma censura seletiva, aliada a políticas culturais diversas.

Bruno Leal: E qual foi a efetividade das leis e decretos que o governo criou com o fim de censurar e intimidar esses movimentos artísticos e culturais no Brasil?

Marcos Napolitano: A censura foi muito efetiva ao sinalizar o produtor e o criador cultural que sua atividade era vigiada e cerceada “24 horas por dia” pelo regime. O regime conseguiu, através da censura, estabelecer restrições à circulação de imagens que falavam diretamente contra o regime e poderiam ser apropriadas por públicos mais amplos. Por outro lado, a luta contra a censura acabou por construir uma espécie de “educação sentimental e cívica” de amplos setores da classe média, diluindo o tradicional conservadorismo e elitismo deste grupo em percepções de mundo mais progressistas e democráticas. Temo que essa educação não tenha deitado raízes efetivas na classe média, mas foi importante nas lutas por democracia até meados dos anos 1990.

Bruno Leal: Professor, é bastante comum em uma certa literatura a visão de que o suicídio de Vargas adiou por dez anos o golpe de 1964. Ou ainda, que o golpe de 1964 teve como episódios percussores “Jacareacanga (1956) e Aragarças (1959). Alguns historiadores, no entanto, não “compram” essa ideia. Recentemente, o professor João Ferreira (UFF) refutou completamente essa ideia. Para ele, 1954 e 1964 são duas coisas distintas. E o professor Carlos Fico (UFRJ), também recentemente, disse que essa ideia de continuidade deve ser analisada com muito cuidado. “Prefiro ser cauteloso”, ele disse. Como o senhor vê essa forma de interpretar o golpe?

Marcos Napolitano: Concordo que não se pode tecer uma linha contínua entre 1954 e 1964. Mas acho que o golpe também não pode ser explicado pela conjuntura pontual da crise política do final do governo Jango. Há temporalidades diversas na crise de 1964, que envolvem, inclusive, o golpismo da direita udenista presente desde 1950, bem como a desconfiança dos militares da capacidade de mobilização popular de tradição getulista e trabalhista. Acho que 1964, entretanto, traz uma novidade: no bojo do velho golpismo, um grupo civil-militar produziu um novo projeto para o Brasil, calcado numa nova leitura do que deveria ser o Estado diante das pressões sociais por democracia e direitos sociais.

Bruno Leal: Em palestra proferida recentemente no Rio de Janeiro, o historiador James Green comentou sobre uma pesquisa que ele vem desenvolvendo sobre a questão homossexual dentro das esquerdas brasileiras. Embora o tem ainda seja uma espécie de tabu, sabemos que diferentes quadros da esquerda eram bem, digamos, conservadores quanto aos militantes homossexuais. O senhor concorda?

Marcos Napolitano: A agenda da esquerda à época, entre os anos 1960 e 1970, passava pouco pela questão das identidades sexuais e dos direitos de minorias. Havia, em grande parte, uma leitura de que esta agenda era mera importação dos movimentos sociais típicos dos Estados Unidos e sua sociedade guetificada. Em outras palavras, esta e outras questões eram submetidas pela esquerda dita ortodoxa, de tradição pecebista, ao problema nacional e às demandas da luta de classes. Mas não se pode esquecer que as lutas das chamadas “minorias” foi muito importante no Brasil já no começo dos anos 1970, e não desconsiderou a luta por democracia, em termos mais amplos. A esquerda dos anos 1970, pós-guerrilha, logo se abriu para estes novos temas.

Bruno Leal: No Brasil, os militares estiveram sempre muito próximos da politica. Desde a redemocratização, no entanto, as forças armadas parecem ter perdido força nesse âmbito. Não que ela tenha se despolitizado, mas que a sua presença nos rumos políticos do país deixou de ser decisiva. Essa avaliação seria correta? Se sim, como essa “desemponderamento” aconteceu? Isso teria ligação com a forma como as lideranças políticas da redemocratização conduziram o processo?

Marcos Napolitano: Acho que as Forças Armadas, em grande parte, saíram desgastadas, interna e externamente falando, do regime militar. A politização da oficialidade durante o regime foi traumática e em muitos momentos ameaçou a hierarquia e a unidade, tão prezadas pelos militares. Por outro lado, a experiência do regime desgastou o caráter messiânico das intervenções militares no Brasil, tão marcante desde o Tenentismo dos anos 1920. E por fim, como a transição brasileira foi negociada e controlada pelos setores moderados, as Forças Armadas como instituição não se incomodaram muito com o encaminhamento das eventuais demandas por investigações e punições aos agentes da repressão, tema até hoje sensível. Acredito que, ainda na atualidade, as Forças Armadas tem dificuldade em lidar com a sua própria experiência política do regime. Parecem oscilar entre o autoelogio por ter salvado o Brasil do “comunismo”, e a sensação de que alguma coisa não saiu como planejado pelo “movimento de 64”. Além disso, há muito ressentimento dos militares mais antigos pelo não reconhecimento da sua “obra salvadora” pela parte da sociedade mais influente no debate público. A relação dos militares com a política no pós-ditadura é marcada por esta ambiguidade.

Bruno Leal: Como o senhor tem avaliado as efemérides sobre os cinquenta anos do golpe? A natureza e a intensidade do que vimos em 2014 – de seminários a reportagens, de livros a pesquisas - foi muito diferente daquilo que vimos, por exemplo, em 2004?

Marcos Napolitano: Acho que 2014 amadureceu questões para o debate historiográfico que já tinham sido esboçadas em 2004. Alguns exemplos: o protagonismo das esquerdas na crise e no golpe, para além de vítimas passivas da “grande conspiração”; o papel da sociedade civil no apoio ao regime; o caráter da luta armada no campo maior da “resistência”; as relações complexas e ambíguas da arte engajada com o mercado. Acho que a grande novidade em torno dos 50 anos foi uma maior amplitude dos estudos sobre as direitas no contexto do golpe e do regime, além de um exame mais profundo sobre os processos sociais de construção da memória sobre a ditadura.

Bruno Leal: Professor, muto obrigado pela conversa. Para encerrar, queremos falar um pouco sobre as novidades historiográficas sobre o tema. Como pesquisador e, principalmente, como orientador, que dissertações ou teses sobre o tema o senhor que o senhor viu e gostou bastante nos últimos anos?

Marcos Napolitano: Bem, são muitas, e qualquer lista seria injusta e incompleta, mas vamos lá. Algumas delas estão citadas no excelente dossiê da Revista Pesquisa FAPESP sobre os 50 anos do golpe (Edição 218,http://revistapesquisa.fapesp.br/revista/ver-edicao-editorias/?e=218 ). No campo da cultura, destaco as teses de Miliandre Garcia (sobre a censura ao teatro), Artur Freitas (sobre a arte conceitual no contexto da ditadura), Rodrigo Czajka (sobre os intelectuais, o mercado e os IPMs), Miriam Hermeto (sobre a peça “Gota D’Água). A dissertação de Fernando Seliprandy sobre as disputas de memória no cinema sobre a ditadura também é inovadora. Na história política mais clássica, destaco o mestrado que orientei de David Ribeiro, sobre o papel do Congresso Nacional na crise e no golpe de Estado. São trabalhos inovadores e alentados, ancorados em pesquisas de arquivo de muito fôlego. Outras teses e dissertações inovadoras devem aparecer no futuro próximo, algumas orientadas por mim no programa de História Social/USP. Enfim, são muitos jovens historiadores que, faço votos, darão o tom dos debates em torno dos 60 anos do golpe...Entre os pesquisadores já estabelecidos e reconhecidos, acho que o trabalho de Rodrigo Motta (UFMG) sobre as Universidades e o regime militar abriu uma nova perspectiva e um novo objeto de estudo, explorando os jogos de acomodações entre regime e sociedade acadêmica e intelectual, para além da dicotomia “cooptação – resistência”.

Marcos Napolitano: Doutor (1999) e mestre (1994) em História Social pela Universidade de São Paulo, onde também graduou-se em História (1985). Foi professor no Departamento de História da Universidade Federal do Paraná (Curitiba), entre 1994 e 2004 e, desde então, é professor de História do Brasil Independente na USP. Atualmente é docente-orientador no Programa de História Social da USP e professor visitante do Instituto de Altos Estudos da América Latina (IHEAL) da Universidade de Paris III. É assessor ad-hoc da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e do CNPq. Especialista no período do Brasil Republicano, com ênfase no regime militar e na área de história da cultura, com ênfase nas relações entre música popular e política. Também possui experiência na área de história e cinema e no uso do audiovisual no ensino.

sábado, 20 de setembro de 2014

Ex-guarda de Auschwitz é acusado de cumplicidade em pelo menos 300 mil assassinatos


Oskar Groening, de 93 anos, é um dos 30 ex-funcionários do campo de extermínio polonês analisados por promotores na Alemanha
Promotores na Alemanha acusaram Oskar Groening, 93 anos, de ser cúmplice de pelo menos 300 mil assassinatos no período em que atuou como guarda em Auschwitz, reportou a Associated Press nesta terça-feira (16/09).
Groening é acusado de ajudar a operar o campo de extermínio na Polônia ocupada pelos nazistas, entre maio e junho de 1944, quando 425 mil judeus provenientes da Hungria foram levados para lá e ao menos 300 mil foram mortos em câmaras de gás.

Wikicommons

Portão de entrada de Auschwitz traz os dizeres: 'arbeit macht frei' ou 'o trabalho liberta'


Segundo os promotores, o guarda era responsável por administrar os pertences roubados das vítimas nos campos. Entre outras funções, Groening ajudava a coletar e contabilizar o dinheiro que era encontrado entre os prisioneiros.
"Ele ajudou os nazistas a se beneficiarem economicamente da situação, além de apoiar os assassinatos sistemáticos", alegaram os promotores estaduais na cidade de Hannover, em comunicado. 

Morre general Jaruzelski, último presidente da Polônia comunista

Prefeito francês é condenado por dizer que Hitler havia matado poucos ciganos

Hoje na História: 1940 - Filme de propaganda antissemita , "O Judeu Süss" é lançado

Groening falou abertamente sobre o período em que serviu como guarda e argumentou que testemunhou “atrocidades horríveis”, mas que ele próprio não cometeu nenhum crime.

Clique no banner para ler a série completa


O réu é um dos cerca de 30 ex-guardas de Auschwitz analisados pelos promotores na Alemanha. Trata-se do quarto caso investigado em Hannover: dois foram arquivados, porque os suspeitos foram considerados inaptos para o julgamento, e um foi fechado quando o suspeito morreu.

Thomas Walther, representante de 20 vítimas de Auschwitz no processo contra Groening, declarou que esta era sua última chance "de trazer justiça a um dos homens da SS que participou do assassinato de seus parentes mais próximos”. "Muitos dos co-autores estão entre os últimos sobreviventes de Auschwitz", acrescentou. 
Fonte: Opera Mundi

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Inscrição lançamento de livros na SAH


Convite
Prezados pesquisadores,

É com prazer que a Comissão Organizadora da Semana Acadêmica do curso de História (L) da Universidade de Passo Fundo os convida para participarem da sessão de Lançamento de Livros da  XVII Semana Acadêmica de História, que irá acontecer nos dias 05, 06 e 07 de novembro de 2014, com o tema “ A Grande Guerra e a mundialização dos conflitos no século XX ”.

Para realizar a inscrição no Lançamento de Livros é necessário enviar email com os dados abaixo para semanahistoriaupf@gmail.com, bem como entregar um volume da(s) obra(s) a lançar para a Comissão Organizadora que as destinará a sorteio e/ou  Biblioteca do Curso ou da UPF. O lançamento será realizado no dia 05 de novembro, a partir das 18 h.

ATENÇÃO: Para inscrever-se é necessário mandar os dados até dia 31 de outubro!!
Nome do autor/es:
Título:
Cidade:
Editora:
Ano (somente lançaremos obras publicadas entre 2013 e 2014):
Capa do livro em formato imagem (jpg, gif, tiff, etc.)

Augusto Diehl Guedes
Membro da Comissão Organizadora

Adelar Heinslfeld
Coordenadora da Semana Acadêmica de História

“Eu era apenas o diretor de Auschwitz”

Lançado em português, livro de entrevistas com líderes do nazismo alerta: experiência hitlerista não foi anormalidade; só lutas sociais podem garantir que não se repetirá
por Nuno Ramos de Almeida — publicado 18/09/2014 19:07
[Este é o blog do site Outras Palavras em CartaCapitalAquivocê vê o site completo]
Adorno escreveu que a poesia tinha deixado de fazer sentido depois de Auschwitz, como se houvesse um marco com um antes e um depois, em que o encantamento da vida tivesse sido estilhaçado pela erupção de um mal absoluto. Falamos de encantamento e não de falta de racionalidade ou do uso de uma razão prática. Basta ver o modelo organizacional da “solução final” para perceber que ela não é fruto da crueldade primitiva, mas resultado de uma moderna e científica selvageria.
O problema da ideia de uma ruptura absoluta do curso do fio histórico que teria sido criada pelo nazismo é duplo: por um lado, remete para o domínio da anormalidade, como se uma doença mental se tratasse aquilo que aconteceu, e por outro torna-o um momento excepcional, quase a-histórico, que nunca poderá repetir-se. Ora é necessário dizer, retornando às teses de Hannah Arendt, que o mal nazi é uma manifestação de homens banais e comuns, que escolheram uma forma de pensamento que justificava as consequências dos seus atos: o seu alegado não pensar era uma forma de pensamento. Ora, esse mal banal não foi feito por supervilões, com superpoderes; é fruto, como sempre, de homens e mulheres e das suas circunstâncias. E se é fruto delas, nada nos pode garantir que o acontecido não voltará a acontecer. Aqui a História, que aconteceu em tragédia, não é certo que apenas se repetirá em comédia, para fazer uso da categoria de Hegel, usada por Marx na sua análise das revoluções e guerras em França.
O julgamento dos nazis foi feito em Nuremberg, local em que se passou o 6º congresso do Partido Nacional-Socialista Alemão em 1934, que entronizou Hitler, e foi coreografado pelas câmaras de Leni Riefenstahl, na sua obra-prima de propaganda, O Triunfo da Vontade.
O livro de Leon Goldensohn Entrevistas de Nuremberga é um documento precioso. Nas celas da prisão de Nuremberg, local em que iriam decorrer, entre 20 de Novembro de 1945 e 1º de Outubro de 1946, os julgamentos, oficialmente o Tribunal Militar Internacional versus Hermann Goering e outros 23 responsáveis nazis, o psiquiatra norte-americano responsável pelo acompanhamento do estado de saúde mental dos réus e testemunhas fez uma série de entrevistas. Ficam documentadas conversas com 14 testemunhas e 19 réus, entre os quais o número dois do regime, Hermann Goering, o antigo dirigente do partido Rudolf Hess, o ministro de Negócios Estrangeiros Ribbentrop e o arquiteto do regime e ministro do Armamento, Albert Speer, conhecido como “o bom nazista”.
Estas conversas, tidas pelo psiquiatra, dão-se numa ocasião particular, nas vésperas de um julgamento que levará muitos dos réus ao cadafalso, e obviamente que a circunstância da derrota e da iminente condenação altera aquilo que é dito. Escrito de outra forma: um homem livre não fala da mesma maneira que um prisioneiro, e a mediação e voz do psiquiatra americano está sempre entre nós e o pensamento dos entrevistados. Mas tirando estas questões, que não são poucas, é um documento histórico notável, em que é possível ouvir o eco da voz dos nazistas e tentar entender – coisa muito diferente de apoiar ou justificar – o seu ponto de vista e a sua existência.
As conversas têm um óbvio pendor psicoligizante, em que se aborda a infância, as relações familiares e a adolescência e crescimento dos visados, sem nunca perder os acontecimentos e fatos que levaram ao nascimento, crescimento e queda do regime de Hitler. Podemos ler opiniões tão diversas como o ódio de Goering à arte moderna: “Em geral sou muito cético em relação à pintura moderna. O Picasso, por exemplo, dá-me náuseas. O que eu preferia era a arte gótica”, diz o marechal do ar. Ou a sua opinião de que os nazis poderiam ter evitado o racismo e o anti-semitismo, não fossem alguns fatos particulares: “Não era de modo nenhum uma questão fundamental. Era completamente irrelevante ou incidental. Só passou a ser fundamental ou importante porque uma facção de nazistas que eram expoentes fanáticos do racismo adquiriu poder político. Homens como Rosenberg, Streicher, Himmler e Goebbels”, garante.
Rudolf Höss, comandante de Auschwitz, que foi testemunha no julgamento, posteriormente sujeito a condenação, por um tribunal polaco, e executado, tinha uma visão mais prática da solução final: “É verdade que não se pode ser sentimental — quer para fuzilar pessoas, quer para matá-las em câmaras de gás”, disse, sem deixar de acrescentar: “Não entendo o que quer dizer com ficar perturbado com estas coisas, porque eu pessoalmente não assassinei ninguém. Era apenas o diretor do programa de extermínio de Auschwitz”.
É preciso conhecer a história para não repeti-la. Este livro é muito importante.
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Nuno Ramos de Almeida é jornalista português, editor-executivo do Jornal I (www.ionline.pt).