quinta-feira, 31 de julho de 2014

Realizado o Seminário de Estágios História UPF!



Na noite de ontem os professores Marcos Gerhardt, Rosane Neumann, Flávia Caimi, docentes da área de Estágios do Curso de História, coordenaram os trabalhos do Seminário de Estágios do Curso de História da UPF que integrou os estudantes dos últimos níveis do curso que já estão em preparação do projeto e/ou da docência de estágio. A atividade foi pensada para instrumentalizar e informar os acadêmicos acerca da importância e da dinâmica desse importante componente do currículo da formação docente.

O Seminário iniciou com as boas vindas  da coordenadora, profa. Gizele Zanotto, que destacou o compromisso e a seriedade com que os estudantes devem dedicar-se aos estágios, atividade que realizam para além da UPF e que leva o nome do curso - atualmente o 7o. melhor do país - e da UPF, instituição de destaque na formação de docentes na região norte do Rio Grande do Sul.

Na sequência os professores Marcos, Rosane e Flávia, a partir de exemplos práticos, salientaram o significado do estágio na formação do professor e na constituição de sua identidade docente. Outros temas em discussão foram a necessária articulação entre teoria e prática e a importância do planejamento antecipado e acompanhado das atividades juntamente com o supervisor. Os acadêmicos contribuíram com sua experiência e compartilhamento de expectativas acerca do Estágio Supervisionado. 








1968 - Golpe de Estado no Iraque encerra década de agitação política


Ação marca ascensão de Saddam Hussein; democracias ocidentais viam no governo iraquiano, laico e modernizador, uma chance para o mundo árabe

No dia 31 de julho de 1968, um golpe de Estado perpetrado pelo general Ahmed Hassan al-Bakr pôs fim a uma década de agitação política no Iraque. Durante os 10 anos que se seguiram à derrubada da monarquia hachemita pelo general Kassem, o Iraque foi de golpe de Estado em golpe de Estado.
A desordem tinha como protagonistas os curdos ao norte e os xiitas ao sul, assim como as ambições ocidentais e soviéticas sobre os imensos recursos petrolíferos do país.
Wikicommons

Ahmad Hasan al-Bakr (à direita) e Alexej Kossygin (esquerda) assinam tratado de cooperação entre Iraque e URSS
Podia-se pensar que esta anarquia teria fim com a chegada ao poder do general Hassan al-Bakr e do partido Baath, um assim chamado partido socialista, modernista e laico.
O partido Baath – que em árabe significa renascença – havia sido fundado em 1942 em Damasco pelo cristão Michel Aflak e o muçulmano sunita Salahedine Bitar. O partido queria superar as clivagens religiosas e promover o “arabismo”. Para isso, lançou um programa anticolonialista, socialista, laico e pan-arábico, propondo-se nada menos que reunir todos os países árabes numa vasta federação moderna. Sua consigna era: “Unidade, Socialismo, Liberdade”.
O Baath seduziu a burguesia urbana do Iraque e da Síria, instalando-se no poder desses dois países nos anos 1960. Todavia, prontamente o sentimento pan-arábico se esgarça sob pressão das realidades.
Saddam Hussein
Desde o começo dos anos 1970, em Bagdá, o general Hassan al-Bakr transformou o Baath em partido único, organização calcada nos partidos comunistas, embora tenha eliminado os comunistas da vida pública. Apoia-se num jovem primo, Saddam Hussein, originário de Tikrit, cidade de Saladino, situada no Curdistão, 250 km. Ao norte da capital.
[Saddam Hussein durante a guerra do Iraque| Wikicommons]
O novo vice-presidente, Saddam Hussein, nascera em 28 de abril de 1937. Muito cedo órfão de pai, tornou-se vítima de seu padrasto e do bullying das outras crianças de seu bairro. Porém logo iria mostrar o que significava seu nome, Saddam - o briguento, em árabe. Sem formação superior, mostra-se um agitador nato. Em 1959, participa de uma tentativa de golpe de Estado contra o general Kassem. Ferido na perna consegue fugir para o estrangeiro. Regressa para conspirar em 1964 contra o general Aref. Preso, logra evadir-se.
À sombra do general al-Bakr, Saddam reorganiza a toque de caixa os serviços de segurança. Índole cruel e fria, não hesita em ameaçar e massacrar os opositores do governo. Em 1969, catorze pretensos conspiradores sionistas são enforcados numa praça de Bagdá e seus corpos suspensos ficaram balançando dias a fio sob os olhares dos passantes.
Vale-se também de sua posição para eliminar, sem pestanejar, seus potenciais rivais, surgindo aos olhos de todos como o número 2 do governo.
Por outro lado, al-Bakr e Saddam nacionalizam os recursos petrolíferos em 1972. Seu exemplo é prontamente imitado pelos Emirados Árabes do golfo Pérsico e pela Arábia Saudita. De resto, os dirigentes do Baath modernizam audazmente o país e lançam a primeira campanha de alfabetização maciça no mundo árabe.
As democracias ocidentais não se manifestaram porque viam no governo iraquiano, laico e modernizador, uma chance para o mundo árabe.
Em 16 de julho de 1979, al-Bakr cai doente, se retira, e Saddam se arroga a totalidade do poder. Torna-se oficialmente o presidente da república iraquiana.
Novo governo
Dois dias apenas após sua subida ao poder, reúne numa sala de conferências todos os membros do Conselho da Revolução e do partido, ou seja, centenas de pessoas.
Com uma encenação espetacular, deplora com tristeza um pretenso complô inspirado pelos comunistas e pelos sírios. O secretário-geral do Conselho da Revolução, que havia sido torturado, surge à cena, reconhece a existência do complô e denuncia um a um os presuntos traidores. Estes últimos, 60 no total, são retirados da sala pelos guardas para serem executados.
Os iraquianos passaram a saber que doravante não poderiam desobedecer ao novo chefe. Sustentado pela minoria sunita, Saddam desprezava os curdos que aspiravam independência ou autonomia, bem como menosprezava a maioria xiita, próxima do Irã vizinho. Em contrapartida tolerava as antigas comunidades cristãs que não tinham qualquer projeto político.
Apaixonado pela história árabe, Saddam Hussein era guiado pelo desejo exacerbado de se inscrever na longa linhagem de chefes míticos da história iraquiana, de Nabucodonosor a Saladino.
A vitoriosa revolução islâmica no Irã suscitou forte preocupação entre as potências ocidentais assim como entre os soviéticos. Em 1980, ninguém protestou quando Saddam atacou o Irã, levando a guerra ao seu turbulento vizinho. Era o começo de um colossal mal entendido entre o ditador iraquiano e o Ocidente, em especial, os Estados Unidos.
Todos acreditavam poder doravante contar entre si.
Fonte: Opera Mundi

1991: Assinado o primeiro acordo Start

Em 31 de julho de 1991, as superpotências União Soviética e Estados Unidos assinaram um acordo histórico sobre a redução de armas estratégicas, conhecido como Start.
Bush e Gorbatchov assinaram acordo no Kremlin
Era um dia ensolarado de verão em Moscou e o otimismo estava no ar. Milhares de jornalistas procedentes do mundo inteiro encontravam-se na capital russa para fazer a cobertura do encontro de cúpula das duas superpotências. Distensão, democratização, cooperação e desarmamento eram manchetes da imprensa internacional naquele tempo, quando se falava com otimismo sobre uma nova ordem mundial.
No entusiasmo que reinava após a queda da Cortina de Ferro, parecia fazer quase parte do cotidiano a distensão entre as superpotências outrora antagônicas – Estados Unidos e União Soviética. A situação permitia que se festejasse uma abertura histórica.
No dia 31 de julho de 1991, o então chefe de Estado e de Partido da União Soviética, Mikhail Gorbatchov, e o presidente dos Estados Unidos George Bush sênior assinaram, no Kremlin, o acordo de desarmamento que ficou conhecido como Start, abreviatura em inglês de Strategic Arms Reduction Talks. A palavra-chave era redução, porque até então só se falava em limitação da corrida armamentista. O Start era um sucesso diplomático, que parecia prenunciar o fim da confrontação atômica.
Ogivas nucleares
Pela primeira vez, a espiral do armamentismo se inverteria. Pela primeira vez, haveria redução de armas nucleares. EUA e União Soviética reduziriam o número de suas ogivas nucleares em um terço cada um. Holger Mey, do Instituto de Análises sobre Defesa, de Bonn, se lembra:
"Ao contrário dos acordos anteriores, que previam apenas a limitação dos arsenais estratégicos, o novo estabelecia uma redução de fato e por isso era importante. Os dois lados concordaram em eliminar parte de suas armas porque eram de opinião que possuíam mais que o suficiente e aumentariam a sua segurança se concordassem em reduzir o excedente de sua capacidade para um teto comum".
Mas, de uma certa forma, o Start ficou superado antes que o acordo fosse ratificado. Seis meses mais tarde, o Departamento de Defesa norte-americano e seu congênere russo já discutiam sobre um acordo subsequente, o Start 2.
Dividendos da paz
Depois do colapso da União Soviética, em dezembro de 1991, a Rússia restou como a única potência nuclear na área do antigo Pacto de Varsóvia. Nessa condição, russos e norte-americanos tinham pressa em embolsar os chamados "dividendos da paz". Acreditava-se na época que os dois lados iriam poupar somas gigantescas de dinheiro, se encerrassem a corrida armamentista. O perito em desarmamento Mey opina:
"Havia realmente distensão, o relacionamento era de fato muito cooperativo. De forma que se podia, tranquilamente, negociar a redução de armas e também ter esperança de poder poupar custos, porque se partia do pressuposto de que os termos do Start já correspondiam aos fatos, à realidade política".
Quimera geoestratégica
Foi nesse ponto histórico, no mais tardar, que o Start passou da condição de sucesso diplomático para quimera geoestratégica. Na realidade, não se concretizou a boa vontade expressa no texto do acordo. O controle das medidas de desarmamento tornou-se muito difícil e houve retardamentos.
Grandes acordos de desarmamento, a aplicação do Start, a ratificação do Start 2 e a adaptação do Tratado sobre Mísseis Antibalísticos (ABM) foram usados, de forma crescente, como instrumento de barganha nas negociações para fazer prevalecer outras metas.
Ameaça da Duma
No início de 2001, a câmara baixa do Legislativo russo, a Duma, ameaçou não ratificar o Start 2, caso os Estados Unidos se retirassem do ABM. A ameaça foi vista por peritos como uma farsa, uma vez que a Rússia retardou durante anos a implementação do Start, apesar da ajuda financeira maciça de Washington. E, nessa data, muitos peritos em defesa já consideravam o Start um projeto fracassado há muito tempo.
Em meados de dezembro de 2001, o presidente norte-americano George W. Bush informou oficialmente ao governo russo a saída dos EUA do Tratado sobre Mísseis Antibalísticos, que Washington e Moscou haviam assinado em 1972. Os atentados do 11 de Setembro, em Nova York e Washington, teriam tornado mais urgente a meta dos EUA de construir um novo sistema nacional de defesa antimísseis, o que não seria permitido pelo ABM.

  • Autoria Robert Burdy (ef)
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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Configuração de contas dos Alunos - email e perfil AAE


Rede de Memórias: expressões culturais e históricas de Passo Fundo

Alunos da rede municipal de ensino desenvolveram pesquisas acerca da memória cultural e histórica de Passo Fundo. Trabalhos estarão expostos no Museu Histórico Regional de 07 de agosto a 12 de outubro

Um espaço que vai expor as representações de elementos constitutivos da memória das comunidades de Passo Fundo, a partir dos registros de memória orais, escritos e iconográficos. Assim será a Exposição Rede de Memórias, um projeto do curso de História da Universidade de Passo Fundo (UPF), que buscou contextualizar e valorizar o processo de patrimonialização dos elementos culturais das comunidades e escolas passo-fundenses, promovendo um resgate cultural e histórico da cidade.

Durante um ano, a iniciativa foi desenvolvida em escolas do município e envolveu alunos, professores, pais e avós que, juntos, mobilizaram a comunidade acadêmica em torno da busca de informações, visando entender como os objetos e fazeres cotidianos das diferentes comunidades - festas, fotografias, cartas, causos, religiosidade ou música - são apropriados e significados pelos diferentes grupos, ou seja, de que forma esses elementos passam a constituir a memória e representação da cultura local e regional. A exposição dos trabalhos poderá ser visitada de 07 agosto a 12 outubro no Museu Histórico Regional (MHR).

Rede de Memórias
A exposição é resultado do projeto Rede de Memórias, subprojeto do Projeto Momento Patrimônio, que enfoca o patrimônio material e imaterial do município de Passo Fundo, a partir de sua diversidade intra-regional, étnica, social, cultural, educacional e ocupacional. O projeto, desenvolvido pelo curso de História, é coordenado pela professora Dra. Ironita P. Machado e pelo acadêmico Djiovan Vinícius Carvalho, em parceria com os cursos de Jornalismo e Arquitetura e Urbanismo.


A Rede de Memórias se deu a partir de uma ampla pesquisa e coleta de dados, com atividades e ações concretas junto às escolas locais, onde os alunos e professores foram os artífices da identificação e representação do patrimônio das comunidades. O trabalho se iniciou em agosto de 2013, com a instrumentalização dos professores da educação básica do município de Passo Fundo, através de oficinas e palestras.

Escolas participantes
O projeto envolve escolas da rede municipal de ensino. Para realizar o seu trabalho, a EMEF Frederico Ferri buscou valorizar culturas e a história da comunidade através de brinquedos e brincadeiras, além do passado e presente da comunidade por meio de fotografias. A EMEF Wolmar Salton contextualiza o patrimônio da comunidade através de livro de causos e painel fotográfico. Presente na exposição, a EMEF Urbano Ribas valorizou a memória da comunidade e identificou o Campo do Independente como patrimônio local, ponto de referência no bairro.


A EMEF São Luiz Gonzaga buscou representar a história da comunidade escolar através de jornal informativo e linha do tempo, materializando o espaço escolar com maquete. A EMEF Padre Anchieta identificou a memória da comunidade através do Cemitério dos Ribeiros como patrimônio, com linha do tempo, maquete e história em quadrinhos. Por fim, a EMEF Dyógenes Martins Pinto representa a história do bairro através de cartões postais e maquete ilustrativa do espaço escolar.

Informações
A Exposição Rede de Memórias pode ser visitada de 07 agosto a 12 outubro no Museu Histórico Regional (MHR). O Museu está localizado na Av. Brasil Oeste, 758, no Centro de Passo Fundo e está aberto para visitação de terça à sexta-feira, das 8h30min às 17h30min, e sábado e domingo, das 13h30min às 17h30min. Para turmas, pode ser feito agendamento pelo telefone (54) 3316-8585/8586 ou pelo e-mail mhr@upf.br.

1980: Israel anexa Jerusalém Oriental

No dia 30 de julho de 1980, a Knesset aprovava uma lei anexando Jerusalém Oriental ao território israelense. A medida, uma reação nacionalista à devolução do Sinai ao Egito, bloqueou o processo de paz no Oriente Médio.
Protesto palestino no centro histórico de Jerusalém
"Essa é uma questão essencial para a existência e a identidade dos palestinos como um todo. Fisicamente, Jerusalém está situada no coração da Palestina; é um elo geográfico, mas também histórico, entre seu passado e o futuro", diz a líder política Hanan Ashrawi.
Jerusalém é o principal foco do conflito entre israelenses e palestinos, judeus e muçulmanos. A "cidade santa" é um microcosmo da guerra no Oriente Médio. Enquanto não for definido o destino de Jerusalém, provavelmente não haverá solução para o conflito. Não há perspectiva de paz, porque tanto os palestinos quantos os judeus ressaltam o papel central da cidade em sua vida e em seu pensamento.
"Para nós, nunca houve cidade substituta ou alternativa para Jerusalém. Nunca em nossa história. E eu não falo de 1.300 anos; falo de 4 mil anos", diz o rabino Lau. Desses 4 mil anos, as últimas décadas podem ter sido decisivas para a história da cidade, que se confunde com a história de Israel.
Partilha de Jerusalém
Às vésperas do fim do mandato britânico, em maio de 1948, os líderes judeus proclamaram o Estado de Israel. Países árabes (Egito, Iraque, Síria e Jordânia) enviaram tropas para impedir a criação do país. A guerra terminou em janeiro de 1949, com a vitória de Israel, que, no entanto, teve de partilhar Jerusalém com a Jordânia.
Em 5 de junho de 1967, forças israelenses lançaram um ataque preventivo contra o Egito, a Síria e a Jordânia, que preparavam uma nova guerra contra Israel. A Guerra dos Seis Dias terminou em 10 de junho, com a vitória de Israel, que conquistou o Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e as Colinas de Golã, e revogou a partilha de Jerusalém.
Desde então, o governo israelense reivindica todo o território da cidade. Em 1980, deu contornos concretos a essa reivindicação, anexando Jerusalém Oriental. Isso amarrou as mãos até mesmo de israelenses moderados, que estavam dispostos a fazer concessões aos palestinos.
Begin e o acordo de paz
Em 1979, um ano após a assinatura dos tratados de Camp David, Israel firmou um acordo de paz com o Egito – o primeiro com um país árabe. A decisão surpreendeu a comunidade internacional, visto que nessa época o governo israelense era liderado por Menachem Begin. Representante máximo da ala nacionalista, Begin sempre fora contra a devolução dos territórios conquistados na Guerra dos Seis Dias, mas acabou devolvendo toda a península do Sinai ao Egito.
Begin mudou sua posição para não desperdiçar a primeira chance de um acordo de paz. Mas nem todos seus correligionários entenderam esse passo. A direitista Geula Cohen, por exemplo, argumentava que "uma vez aplicado ao Egito o princípio da paz em troca de terra, não seria possível ignorá-lo em relação a Jordânia, Síria e Jerusalém Oriental". Foi dela o projeto de lei aprovado em 30 de julho de 1980 pela Knesset (o Parlamento israelense), oficializando a anexação de Jerusalém Oriental.
Segundo Geula Cohen, somente através da anexação Israel poderia garantir que a parte leste da cidade (habitada por árabes) fosse excluída das futuras negociações de paz. Ela sabia que um voto contra a Lei de Jerusalém teria consequências fatais para a carreira de qualquer parlamentar com aspirações de continuar na política.
Nó da questão
A lei foi rapidamente aprovada, mas ela toca num assunto que causa polêmica há muitos anos. De acordo com uma resolução das Nações Unidas, a cidade deveria ter sido internacionalizada em 1947.
A primeira tentativa realmente séria de negociar um acordo que garantisse direitos semelhantes a israelenses e palestinos fracassou no governo de Ehud Barak. Segundo Kollek, a coexistência de "duas capitais numa cidade é algo impossível. Tem-se duas linhas alfandegárias e duas polícias. Já vivemos numa cidade dividida e isso não foi nada agradável. Não foi bom nem para a cidade nem para os habitantes".
  • Autoria Peter Philipp (gh)
  • Edição Renate Krieger
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1940 - Alemanha dá início a ataque aéreo contra Inglaterra

Em 30 de julho de 1940, Hermann Goering, chefe da Luftwaffe - força aérea de combate alemã - anunciou o começo da “grande batalha aérea” contra a Inglaterra, segundo suas próprias palavras.

Após a rápida invasão e ocupação na França, Hitler contava com a submissão da Inglaterra - última potência europeia ocidental a lhe opor resistência. Contudo, a Bretanha, dirigida com determinação por Winston Churchill rejeitou as ofertas de paz vindas de Berlim.

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Ataques com Heinkel He 111: foi um bombardeiro médio desenvolvido pela Alemanha nazista

Para abater a Inglaterra, o führer alemão deveria em primeiro lugar obter a supremacia aérea no Canal da Mancha. No entanto, sua ofensiva se mostraria bastante breve em virtude da resistência dos pilotos britânicos, que dispunham de um número de aparelhos quase equivalente, em particular, dos caças Spitfire (“Cospe Fogo”).

Em 7 de setembro, Hitler inaugurou uma nova tática consistente em bombardear sistematicamente as cidades britânicas na esperança de pelo menos abater o inimigo. Era a “Blityz” que atingia em primeiro lugar os bairros populares do East End de Londres, mas também o Palácio de Buckingham.
De julho a outubro, 415 pilotos perderam a vida neste confronto dramático e decisivo. O primeiro ministro exprimiria em 20 de agosto de 1940, por meio de uma locução radiofônica, o reconhecimento do povo inglês a esses aviadores: “Jamais na história das guerras, um tão grande número de pessoas deveu tanto a um tão pequeno número”.

Diante da incapacidade de vencer o esquadrão inimigo, Hitler reconheceu seu fracasso e renunciou em 12 de outubro seu projeto de invasão da Inglaterra. Foi um primeiro e imenso sucesso para Churchill e para os britânicos.
Fonte: Opera Mundi

terça-feira, 29 de julho de 2014

MHR, AHR, IHPF e Momento Patrimônio convidam para exposições


1960: Lançamento do programa Apollo

No dia 29 de julho de 1960, a Nasa divulgou o programa espacial Apollo, que em 1969 levaria o primeiro ser humano à Lua.
Nove anos após seu lançamento, programa levou os primeiros astronautas à Lua
A antiga União Soviética foi a primeira nação do mundo a obter sucesso no lançamento de satélites artificiais e sondas espaciais. Em 1957, lançou o Sputnik, o primeiro satélite artificial da Terra.
Os sinais radiofônicos enviados pelo Sputnik podiam ser captados em todo o planeta, mas em uma nação essa recepção causava um certo desconforto: nos Estados Unidos. A nação tão orgulhosa de sua supremacia tecnológica via-se relegada a um mero segundo lugar na corrida espacial.
A resposta dos EUA só foi anunciada três anos depois, em 29 de julho de 1960, em Washington, numa conferência da Nasa. No encontro, a agência espacial norte-americana apresentou o Apollo, um programa de dez anos que tinha por objetivo garantir a liderança dos Estados Unidos na corrida espacial.
Origem mitológica
Segundo a mitologia grega, Apolo, filho de Zeus e de Leto, irmão gêmeo de Artemis, era idolatrado principalmente como deus da luz e do sol. Foi Apolo que, em carruagem de ouro, pôs o disco solar no firmamento. Quem deu o nome Programa Apollo ao ambicioso projeto norte-americano foi o executivo da Nasa T. Keith Glennan.
Mas a denominação, sonora em si, não garantia o sucesso do projeto. A Nasa precisava, sobretudo, de muito dinheiro.
Entusiasmado com a ideia de transformar os EUA na nação líder na corrida espacial, o presidente John F. Kennedy apoiou o programa sem restrições. Em discurso no Congresso, a 25 de julho de 1961, disse: "É chegada a hora de empreender esforços maiores. É tempo de um novo empreendimento americano. Está na hora de esta nação assumir a liderança na pesquisa espacial."
Em princípio, a Nasa havia previsto o envio do primeiro homem à Lua para bem depois de 1970. Mas isso não interessava ao presidente. Ele sabia que era mais fácil convencer o Congresso e a opinião pública se lhes fosse apresentada uma grande e impressionante meta.
Arbitrariamente, ele mudou o cronograma do projeto e exigiu que a Nasa realizasse um pouso na Lua ainda antes de 1970. "Acredito que esta nação deve ser comprometer a mandar um homem à Lua ainda nesta década e trazê-lo de volta com segurança", disse.
Kennedy também apelou ao orgulho patriótico dos congressistas. "Nenhum outro projeto espacial desta época será mais impressionante para a humanidade e mais importante para a pesquisa do universo do que este. E nenhum outro é de realização tão difícil e dispendiosa." O Congresso aprovou a liberação dos recursos necessários e a tarefa nacional foi realizada num esforço extraordinário.
Pequenos grandes passos
O Programa Apollo, no entanto, começou com um fracasso. Em 27 de janeiro 1967, um curto-circuito incendiou o módulo de comando da Apollo 1, durante um teste na plataforma de lançamento do Cabo Canaveral, na Flórida. No acidente, morreram os astronautas Virgil "Gus" Grissom, Ed White e Roger Chaffee.
O desastre foi seguido por uma série de sucessos. A Apollo 7 conseguiu fazer um teste de voo de onze dias, em 1968. Em dezembro do mesmo ano, a primeira missão espacial tripulada dos EUA deu a volta na Lua a bordo da Apollo 8. Na primavera européia de 1969, o módulo de aterrissagem foi testado pelas missões Apollo 9 e 10.
O programa espacial dos EUA chegou ao seu auge a 20 de julho de 1969. A Apollo 11 levou o primeiro homem a pisar na Lua. "É um pequeno passo para um homem, mas um salto para a humanidade", disse o astronauta Neil Armstrong, ao desembarcar do módulo Eagle. Ele e Edwin "Buzz" Aldrin fincaram a bandeira dos EUA e permaneceram na superfície lunar por 21 horas, coletando amostras de rochas e poeira.
Com isso, a Nasa cumpriu a promessa feita nove anos antes pelo presidente Kennedy, de levar os americanos à Lua ainda naquela década. O anúncio do Programa Apollo, a 29 de julho de 1960, foi o primeiro de uma série de passos que representaram um grande salto para a humanidade.
  • Autoria Dirk-Ulrich Kaufmann (gh)
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1900: Vítima de "estranhas coincidências", morre Umberto I de Saboia, rei da Itália

Umberto I de Saboia, rei da Itália desde 9 de janeiro de 1878 morreu na cidade de Monza, na Lombardia, durante um evento esportivo, numa série de eventos capazes de provocar calafrios na espinha. Em 29 de julho de 1900, depois de jantar na Villa Real, Monza, morreu assassinado pelo anarquista Gaetano Bresci, que irrompeu na Villa Real e matou o monarca com cinco disparos de revólver. Depois desta inesperada morte, seu filho Victorio Emmanuelle o sucedeu no trono da Itália. Humberto I foi enterrado no Panteão de Roma.
Em 28 de julho de 1900, o rei Umberto I se encontrava ceando num restaurante de Monza, à qual havia acudido para presidir uma competição de atletismo. Nesse restaurante teve a surpresa de sua vida: o dono que se aproximara para pessoalmente lhe dar as boas-vindas era fisicamente idêntico a ele, a ponto dos presentes acreditarem tratar-se de gêmeos que apenas se distinguiam entre si pelos trajes.
[Cenotáfio de Umberto I de Saboia na catedral de Saint-Jean-de-Maurienne| Wikicommons]
Intrigado com o inusitado encontro, o rei perguntou por detalhes de sua vida. Resultou chamar-se também Umberto, terem nascido na mesma data e cidade, Turim, a velha capital dos duques de Saboia e as respectivas esposas tinham o mesmo nome de batismo, Margherita, com as quais se haviam casado no mesmo dia. Como lance final a tal cúmulo de estranhas coincidências, souberam que Umberto I havia sido proclamado rei no mesmo dia em que seu alter ego inaugurava seu restaurante.
Animado, o monarca saiu do restaurante despedindo-se calorosamente do dono, convidando-o formalmente a que assistisse a seu lado à competição que se iria celebrar no estádio. As curiosas coincidências foram prontamente contadas a todo o séquito do rei.
No dia seguinte, acudiu ao evento pelo qual se encontrava em Monza. Em seu desenrolar, o soberano estranhou ao ver que o assento que havia reservado ao seu sósia continuava vazio. Pouco depois seu ajudante, com ar grave, comunicou-lhe que seu convidado, o dono do restaurante onde tinha ceado na noite anterior, acabava de ser assassinado por um disparo às portas do estádio.
O rei, enquanto deixava o camarote e se dirigia a sua carruagem, assombrado e inquieto com a notícia, apenas pôde aperceber-se como um anarquista ítalo-americano que respondia pelo nome de Gaetano Bresci surgia em meio à multidão para alvejá-lo, quase à queima-roupa, levando-o à morte.
Era a terceira vez que Umberto I sofria um ataque terrorista. Em novembro de 1878, um tal Giovanni Passannante, anarquista também, tentou matá-lo durante um desfile que presidia em Nápoles. Tudo se resumiu a um bom susto para o rei, no entanto, para seu primeiro-ministro Benedetto Cairoli os ferimentos foram graves. O segundo teve lugar em 1897: Pietro Acciarito quis apunhalá-lo durante uma visita nas imediações de Roma e também fracassou.
Como diz o ditado: da terceira não se escapa. Contudo, desde logo, o que espantava era a seguida coincidência que podia gelar o sangue de qualquer um. A todos, veio imediatamente à mente a figura do “doppelgänger”, que  segundo as lendas germânicas e nórdicas é um monstro ou ser fantástico que tem o dom de representar uma cópia idêntica de uma pessoa que ele escolhe ou que passa a acompanhar. Imita em tudo a pessoa copiada, até mesmo as suas características internas mais profundas. O nome Doppelgänger se originou da fusão das palavras alemãs doppel (significa duplo, réplica) e gänger (andante, ambulante ou aquele que vaga).  Não costumava ter sombra própria como tampouco refletir-se nos espelhos ou na superfície da água. Popularmente, acreditava-se ser portador de más notícias para quem com ele se encontrasse. Geralmente era o prenúncio da própria morte ou, em menor medida, uma enfermidade iminente.
Tratava-se no caso do rei Umberto I realmente um ‘doppelgänger’?
As circunstâncias ou erros que cercaram sua morte levaram ao fatal desenlace. Em primeiro lugar, a renúncia de levar por debaixo das vestes um colete salva-vidas que deveria trajar para proteger-se das repetidas tentativas de assassinato que os anarquistas planejavam contra sua pessoa. Depois, por ter pedido que se baixasse a cobertura de sua carruagem devido ao sufocante calor daquele dia.
Acompanhado por dois generais, despediu-se da rainha para dirigir-se a sua carruagem atravessando a multidão que se acotovelava para saudá-lo, gritando vivas, enquanto tocava a marcha real interpretada por uma banda marcial. O regicida Bresci, que já estava havia dois dias em Monza, preparando o atentado, aproveita-se da confusão para disparar contra Umberto I cinco vezes. Com três tiros muito seguidos, Bresci atinge o alvo: o rei recebeu uma bala nas costas, a segunda perfura um pulmão e a terceira, certeira, em pleno coração.
Umberto I sequer se dá conta de que o haviam ferido de morte: “Não é nada, vamos em frente!”. Dois segundos depois desaba: Rápido, creio que estou ferido!” Num átimo, morre.
Fonte: Opera Mundi

segunda-feira, 28 de julho de 2014

1858: Impressões digitais usadas pela primeira vez para identificação

Em 28 de julho de 1858, impressões digitais foram usadas pela primeira vez para fins de identificação por um funcionário da administração britânica. Mas a polícia só incorporaria o método em investigações 31 anos depois.
Desenho na pele de cada polegar é único
Toda semana, sir William Herschel, que trabalhava na administração civil inglesa em Calcutá, fazia o pagamento dos funcionários indianos. E toda vez era a mesma coisa: havia mais gente para receber do que o número real de empregados. William não conseguia diferenciar as pessoas nem pelo nome e muito menos pela aparência: todas lhe pareciam iguais.
Até que, por fim, ele teve uma brilhante ideia: arquivou a impressão digital de cada um dos empregados. A partir daí, quando eles recebiam o salário, tinham que, além de assinar um papel, deixar a marca dos dedos indicador e médio, para serem comparados à impressão arquivada. A identificação era perfeita e ele nunca mais teve problemas. Sua intenção maior era fazer uma pressão moral e não tanto um apurado trabalho de comparação das digitais.
A ideia não era inédita. Já no século 14, na Pérsia, há registros de papéis oficiais que continham, ao lado da assinatura, uma impressão digital como comprovante de autenticidade. No entanto, ninguém sabia ainda que a digital é uma prova absoluta de individualidade.
Quanto mais impressões digitais Herschel colecionava, mais se convencia de que se tratava de uma identificação única, sem margem de erro. E sua suposição estava certa: todos têm o seu modelo digital próprio e exclusivo. Cada particularidade do desenho da pele das mãos é única, e este modelo não sofre modificações com o passar dos anos, nem é transferido geneticamente. Isto significa que todas as pessoas, incluindo as que já morreram e as que nascerão, podem ser diferenciadas uma das outras através da impressão digital.
Sistema de medição cai em desuso
Nem mesmo uma cicatriz no dedo é capaz de alterar a identificação. A polícia só precisa de uma parte da superfície, seja uma curvatura, um nó ou mesmo um redemoinho das finas linhas do dedo, para realizar o trabalho de investigação.
Contudo, desde a iniciativa de Herschel, em 1858, até o uso da técnica para fins policiais, passaram-se décadas. A polícia usava o método de Alphonse Bertillion, que identificava um suspeito através da medição do antebraço, da coxa, da circunferência do crânio, da distância entre os dois olhos. E, se isso não bastasse, o método previa ainda outros 243 critérios.
Porém, um erro da Justiça aboliu este método. Um homem foi executado como assassino de uma prostituta. Após sua morte, seu advogado apresentou restos de uma xícara de café que havia sido destruída na cabeça da vítima.
Embora o homem executado tivesse enorme semelhança física com o verdadeiro assassino, as impressões digitais nos cacos da xícara comprovaram que seu cliente não poderia ser o autor do crime. Este caso teve tamanha repercussão, que a impressão digital acabou sendo definitivamente adotada pela polícia.
A datiloscopia, como é chamado o sistema de identificação por meio de impressões digitais, foi empregada pela primeira vez na Alemanha em 1903, pelo departamento criminal de Dresden. Por volta de 1914, quase todos os países já utilizavam o sistema.
(jt/ms)

domingo, 27 de julho de 2014

1953 – Armistício de Panmunjon põe fim à Guerra da Coreia

Agência Efe

Tanque de guerras em ação na península coreana: trégua entre forças foi hiato da Guerra Fria

Em 27 de julho de 1953, o armistício de Panmunjon encerrou a Guerra da Coreia. Era um hiato de calma em meio à Guerra Fria travada entre as duas superpotências. A assinatura do compromisso – que dura até nossos dias – se traduziu pela divisão da península coreana em dois Estados que em tudo se opõem, salvo o sentimento dos coreanos de pertencerem a uma mesma nação.

A Coreia do Norte era dirigida por Kim Il-Sung e a Coreia do Sul presidida por Syngman Rhee. As forças das Nações Unidas se encontraram com oficiais norte-coreanos e chineses em Panmunjon entre 1951 e 1953, ou seja, durante grande parte da Guerra da Coreia, para realizar conversações que eventualmente pudessem resultar em trégua. As difíceis negociações, porém, duraram vários meses.

O principal ponto de discussão era a questão relativa aos prisioneiros de guerra. Para complicar ainda mais a situação, o governo da Coreia do Sul se mantinha inflexível em sua exigência a favor de um único Estado, unificado. Finalmente, em 8 de junho de 1953, chegou-se a um acordo com respeito ao problema dos prisioneiros de guerra.

Os prisioneiros que se negassem a regressar aos seus respectivos países teriam permissão de viver sob a supervisão de uma comissão neutra durante um prazo de três meses. Ao finalizar este período de tempo, aqueles que ainda se recusassem à repatriação seriam liberados.

Entre aqueles que se negaram a ser repatriados se encontravam 21 prisioneiros de guerra norte-americanos e um britânico, os quais, com exceção de dois, elegeram desertar para a então recentemente fundada República Popular da China. Em 27 de julho de 1953 foi alcançado um acordo final.

O Comando das Nações Unidas, o Exército Popular de Libertação chinês e o Exército Popular da Coreia do Norte concordaram chegar a um armistício que pusesse fim aos combates. O acordo estabeleceu uma zona desmilitarizada de 4 km. De largura, ao longo do paralelo 38, dividindo efetivamente a península da Coreia – e a nação coreana – em dois Estados ideologicamente antagônicos.

Se bem que se tivesse estipulado que a maioria das tropas e todas as armas pesadas deviam ser retiradas dessa área, ambas as regiões – norte e sul – imediatamente adjacentes à Zona Desmilitarizada se mantiveram fortemente armadas durante as mais de 6 décadas transcorridas desde a finalização da Guerra da Coreia.
Por outro lado, já que a Coreia do Sul jamais firmou o armistício, mesmo depois de mais de 60 anos, ambos os Estados continuam tecnicamente em guerra. O edifício onde se assinou o armistício ainda se mantem de pé, embora se encontre no lado norte da linha de demarcação militar, a qual corre pelo meio da Zona Desmilitarizada da Coreia. 

O edifício do armistício foi renomeado pelo regime comunista da Coreia do Norte como “Museu da Paz”. A região, como um todo, é considerada como um dos últimos vestígios da Guerra Fria. Panmunjon não deve ser confundida com a Área de Segurança Conjunta que se encontra nas imediações, onde ainda costumam ter lugar discussões entre representantes dos governos da Coreia do Norte e do Sul. 

Panmunjon se encontrava a 53 km a nor-noroeste da capital sul-coreana de Seul e foi o lugar da reunião da Comissão Militar de Armistício do Comando das Nações Unidas. Os encontros tiveram lugar em várias tendas montadas no lado norte da estrada Kaesong-Seul. As 18 cópias dos volumes I e II do armistício foram assinadas por delegados de alto nível dos dois lados num edifício construído por ambas as partes em 48 horas com o auxílio do Comando das Nações Unidas. 

Uma vez assinado o acordo de cessar-fogo, começou em setembro de 1953 a construção de um novo local a aproximadamente um quilômetro a leste da aldeia de Panmunjon. Todas as reuniões entre os governos da Coreia do Norte e do Sul ou entre esses países e as Nações Unidas passaram a ser efetuadas nesse novo local. 

Depois do encerramento da Guerra da Coreia, quando todos os civis foram evacuados da ‘zona desmilitarizada’, com exceção de duas aldeias que se encontravam próximas mas em lados opostos à linha de demarcação militar, a aldeia vazia de Panmunjon caiu no abandono para finalmente desaparecer da paisagem do lugar. Na verdade não existem indícios dela na atualidade.
Fonte: Opera Mundi

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Horários de atendimento do Coordenador


1139 - Milagre de Ourique dá origem a Portugal independente

Em 25 de julho de 1139, Alfonso Enriques, conde de Portugal, derrota uma coalizão de soberanos muçulmanos em Ourique, atual Alentejo, ao sul do rio Tejo. Era o “Milagre de Ourique”, origem de Portugal independente.

Os cinco escudos azuis no centro da bandeira nacional lembram os 5 reis mouros vencidos em Ourique.

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Portugal do tempo dos romanos correspondia mais ou menos à província de Lusitânia e cultiva hoje em dia a saudade de uma história militar que em seu tempo constituiu a vanguarda da aventura europeia.

Por volta do ano 1000, enquanto a maior parte da Península Ibérica estava sob o domínio árabo-berbere, os reis cristãos das Astúrias arrebataram aos chefes muçulmanos a região do rio Douro e a cidade do Porto em sua embocadura. Esta pequena região, ao norte de Portugal atual, tomava o nome de Terra portucallis, segundo Portus Calle, nome romano do Porto.

Em 1095, no auge da Reconquista, o rei de Leão e Castela, Alfonso IV, doa o condado de Portugal a seu genro, Henri de Borgonha, vencedor do “Milagre de Ourique”.

O feliz vencedor se proclama rei sob o nome de Alfonso I – Alfonso Henriques – e, para assegurar sua independência face ao sogro, se coloca sob a proteção da Santa Sé.

Em 25 de outubro de 1147, com a ajuda de 13 mil cruzados em partida para a Terra Santa, Alfonso I o Conquistador toma Lisboa dos muçulmanos que a ocupavam havia 4 séculos.

Lisboa, na foz do Tejo, tornou-se a nova capital do reino. Seu nome remontava ao herói grego Ulisses, porém supunha-se, mais seriamente, que os fenícios a haviam fundado sob o nome de Olisipo.
Em 1383, o rei de Castela, Juan o Bastardo, assume o reinado da região. A nobreza portuguesa resiste e o chefe da rebelião, um soldado de 25 anos, Nuno Alvares Pereira, é eleito rei de Portugal pelas Cortes de Coimbra sob o nome de João I.

Desafiado, o soberano de Castela atravessa a fronteira com seu Exército. As tropas portuguesas, reforçadas por um contingente de arqueiros ingleses, o derrotam em Aljubarrota, a meio-caminho de Lisboa, em 14 de agosto de 1385, restaurando a independência de Portugal. Nuno Pereira, após servir o rei como condestável, funda um mosteiro carmelita em Lisboa e se afasta em 1423. É canonizado 5 séculos mais tarde.

João I, em maio de 1386, firma com os aliados ingleses o Tratado de Windsor, estabelecendo uma “liga de amizade inviolável, eterna, sólida, perpétua e verdadeira” entre os dois reinos, aliança que jamais foi posta em causa e que permanece como a mais antiga ainda em vigor.

Portugal toma Ceuta, ao norte de Marrocos, em 1415. Era a primeira intervenção dos europeus fora de seu continente depois das Cruzadas. Todavia, logo abandonam as conquistas terrestres e se orientam para a navegação de longo curso.

Encorajados pelo infante d. Henrique, o Navegador, marinheiros e príncipes portugueses passam a desempenhar papel pioneiro e protagonista nas Grandes Descobertas. A bordo de naus bastante manejáveis, as caravelas descobrem o arquipélago de Açores e a Ilha da Madeira e exploram metodicamente a costa africana, com vistas a contornar o continente e atingis as Índias.

Em 1433, Henrique o Navegador dá ordem a Gil Eanes de fazer o reconhecimento da costa para além do cabo Bojador, ao sul do atual Marrocos. Num primeiro momento, o marinheiro prefere rumar para as Canárias, visto que lendas tenebrosas corriam sobre as paragens ao sul desse cabo. No entanto, voltou atrás e, no ano seguinte, foi o primeiro ocidental a ultrapassar esse cabo.

Em 1488, por fim, Bartolomeu Dias contorna o Cabo das Tormentas, também conhecido como Cabo da Boa Esperança. Poucos anos foram necessários para que Vasco da Gama lançasse âncoras em porto das Índias. O triunfo dos portugueses foi momentaneamente empanado pelo sucesso concomitante de Cristóvão Colombo que, partindo para o Ocidente em busca da Ásia, oferece um Novo Mundo aos soberanos espanhóis.

Prevendo eventual conflito territorial, o papa Alexandre VI, de origem espanhola, intervém como árbitro e divide as terras a descobrir entre espanhóis e portugueses, no Tratado de Tordesilhas de 7 de junho de 1494.

Um erro de navegação mais ou menos voluntário levou um navegador português a infringir a regra. Em 22 de abril de 1500, Pedro Álvares Cabral descobre o que viria a ser o Brasil, principal país desse novo continente.
Fonte: Opera Mundi

1923: Turquia assina Tratado de Lausanne, que legitima limpezas étnicas e redefine suas fronteiras

Em 24 de julho de 1923, a Turquia e os vencedores da Grande Guerra assinam em Lausanne um tratado que revoga e substitui o precedente tratado de paz, assinado em Sèvres, em 10 de agosto de 1920, pelos representantes do sultão.

Sem esperar o humilhante Tratado de Sèvres, que desmembrou a Turquia otomana em favor de seus vizinhos e das minorias, os gregos invadiram no início de 1921 a Anatólia com a aprovação tácita dos Aliados. No entanto, foram batidos. Não obstante, os gregos conseguiram empurrar as forças nacionais turcas para além do Sakarya, um rio que desemboca no mar de Mármara.

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Líderes mundiais assinam Tratado de Lausanne - tal acordo incentivou o pan-turquismo e o nacionalismo inspirado em limpeza étnica


Com poderes ditatoriais, Mustafah Kemal os detém ao sul do Sakarya em agosto de 1921 após uma longa batalha de três semanas. Completa seu êxito com uma vitória em Dumlupinar em 30 de agosto de 1922. As tropas gregas refluem para o mar Egeu.

Em 11 de setembro de 1922, deixam Smirna desordenadamente, arrastando com elas as populações civis. A famosa metrópole da Grécia asiática foi então incendiada. Por força de sua vitória sobre os gregos, Kemal força os Aliados a concluir um novo tratado com a Turquia, substituindo o infamante Tratado de Sèvres.

Em virtude do Tratado de Lausanne, os turcos recuperaram a plena soberania sobre os estreitos de Bósforo e Dardanelos, sobre Istambul e seu território europeu, bem como a Armênia Ocidental, o Curdistão Ocidental e a costa oriental do mar Egeu (cidades como Smirna e Éfeso). Além disso, a fronteira com o Iraque é traçada de maneira velada para ser confirmada três anos mais tarde pela Sociedade das Nações, que outorgou a título definitivo a região do Mossul ao Iraque.

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Mapa apresenta a redefinição das fronteiras turcas após a Primeira Guerra Mundial com Tratado de Lausanne
As Capitulações - estabelecidas em 1536 entre o sultão Soliman, o Magnífico e o rei da França François I e mais tarde estendidas a outros países europeus - são abolidas. Estas convenções outorgavam aos Ocidentais direitos especiais na Turquia, bem como o direito de velar pela sorte dos cristãos desse país.

A Turquia moderna emerge das negociações de Lausanne sob a forma de um quadrilátero onde somente o canto noroeste, com Istambul e seus arredores, pertenceriam ao continente europeu (3% da superfície do país). Cioso de seu triunfo, Mustafah Kemal iria proclamar a República Turca sobre as ruínas do velho império multicultural otomano.

Expulsos pela ofensiva turca de 1922, 1,3 milhão de gregos ortodoxos estabelecidos na Anatólia desde a Alta Antiguidade atravessariam precipitadamente o mar Egeu para serem recolhidos pela Grécia. Em contrapartida, a Grécia expulsa 300 mil turcos ou gregos islamizados.

A república laica de Kemal contava apenas com um punhado de cristãos que, dez anos antes, representavam de um quinto a um décimo da população turca. Inaugurando a prática de “limpezas étnicas”, a Turquia de Kemal Ataturk abre as portas aos nacionalismos totalitários: um Estado, uma terra, uma religião, uma língua, uma raça. Essas limpezas étnicas foram legitimadas, pela primeira vez na história da diplomacia, pelo Tratado de Lausanne de 23 de julho de 1923.
Fonte: Opera Mundi

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Bibliografia comentada para compreender melhor oconflito árabe-israelense


O Historiador Leonel Caraciki, especialista em conflito árabe-israelense, a convite do Café História, preparou uma bibliografia comentada para aqueles que desejam compreender melhor os recentes eventos em Gaza/Israel e a história que os cerca.
Confira clicando aqui

1977 – Deng Xiaoping, responsável por importantes reformas na China, volta ao governo

Em 22 de julho de 1977, o ex-primeiro-ministro da República Popular da China, Deng Xiaoping, que havia caído em desgraça, retorna ao governo. A conferência do Partido Comunista chinês reconduziu-o aos cargos de vice-primeiro ministro do Conselho de Estado, vice-secretário geral do Comitê Central do Partido Comunista, vice-presidente da Comissão Militar e Chefe do Estado-Maior do Exército de Libertação Popular.
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Deng Xiaoping (no centro) com o presidente dos EUA Gerald Ford (esquerda), em 1975
Deng havia sido demitido de seus cargos após o radical Grupo dos Quatro, conhecido posteriormente como a Gangue dos Quatro, tê-lo acusado de ser o responsável pelos protestos na Praça Tianamen durante as manifestações de luto pela morte do primeiro-ministro Zhou Enlai, em janeiro deste ano. Deng foi considerado culpado das desordens.
Desde a morte do grande líder chinês Mao Tse Tung em setembro de 1976, a Gangue dos Quatro afastou Deng, dando início à tentativa de implantar um programa de reformas radicais.
Contudo, o designado sucessor de Mao Tse Tung como chefe do Partido Comunista, Hua Guofeng, resolveu expugnar o partido das influências extremistas como as da Gangue dos Quatro.
A gangue acabou sendo expulsa formalmente do partido no Terceiro Plenum do Comitê Central em 1978.
O grupo era composto pela quarta mulher de Mao, Jiang Qing; o ex-vice-primeiro-ministro e membro do Politburo, Zhang Chunqiao; o ex-operário fabril Wang Hongwen e o intelectual de Shangai, Yao Wenyuan.
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Deng Xiaoping, junto com o presidente norte-americano Jimmy Carter, em Washington em 1979
O jornal oficial do partido, Diário do Povo, acusou o grupo de tentar “refundar” o Partido Comunista, excluindo dirigentes e criando uma “organização de massa”.
As autoridades chinesas que de início viam as colocações dos Quatro como “infantilismo ultraesquerdista” passaram a vê-las como “atos contrarrevolucionários”.
A seção da província de Kiangsi do Partido Comunista, que defendia o grupo, foi denunciada por “crime” numa reunião partidária que reuniu 4 mil pessoas.
O primeiro ministro Hua chegou a identificar a tendência ultra-esquerdista em líderes de 13 das 29 regiões administrativas do país, removendo-os incontinente de suas posições de mando.
No final de 1978, Deng Xiaoping arrancou efetivamente Hua Guofeng do poder. Os membros da Gangue dos Quatro foram presos em outubro de 1976 e submetidos a julgamento em 1980 por sua tentativa de golpe.
Modernização da China
Ainda em 1978, Deng idealizou e supervisionou a histórica guinada de direção da China, um programa chamado de “As quatro modernizações”: agricultura, indústria, defesa nacional e ciência e tecnologia.
Durante a longa permanência de Deng no poder, instituiu uma variedade de reformas objetivando a descentralização da economia e abrindo o país ao comércio internacional.
Renunciou ao seu cargo no Partido em 1989, após ele e outros altos dirigentes terem ordenado o uso de força militar para reprimir uma manifestação popular na praça Tiananmen em Pequim.
No entanto, manteve-se extremamente influente até sua morte em 1997. Foi ele quem avalizou a subida de Jiang Zemin à chefia do Partido e quem indicou Hu Jintao à sucessão de Jiang.
Fonte: Opera Mundi

1866: Rifle Winchester começa a ser produzido em série

No dia 23 de julho de 1866, o industrial norte-americano Oliver Fisher Winchester iniciou a produção em série do rifle que leva o seu nome.
"Com o primeiro movimento, elevo o cartucho do carregador para o nível do cano. No segundo movimento, para trás, o cartucho é introduzido no cano. Ao mesmo tempo, o gatilho é armado e a arma está pronta para disparar." É assim que o perito Amin Hahn, de Berlim, explica funcionamento do rifle Winchester. Trata-se da arma que, a partir de 1866, lentamente, "amansou" o oeste selvagem dos Estados Unidos.
Os rifles que antecederam a Winchester 66 eram bem menos potentes, de menor alcance e, por isso, pouco procurados. Para o novo produto, o engenheiro de Tyler Henry substituiu as cargas convencionais por cartuchos de latão e espoleta integrada, o que permitiu dotar a arma com um calibre forte. Além disso, ele melhorou o design da arma, que se tornou popularmente conhecida como "Yellow Boy".
Até 1873, foram vendidas 119 mil unidades do produto e a empresa Winchester virou sinônimo de fabricante de espingardas de faroeste. Oliver F. Winchester, na verdade, não entendia muito de armas. Originariamente era fabricante de camisas e só começou a produzir rifles em 1857. Na época, comprou a empresa Smith & Wesson, falida, cujos proprietários passaram a fabricar revólveres conhecidos até hoje.
Winchester era mais um homem de negócios do que um genial engenheiro de pistolas e rifles. Habilidoso, ele fomentou os talentos de seus funcionários, incentivando o desenvolvimento de novos modelos. Benjamin Tyler Henry e, mais tarde, John Moses Browning foram engenheiros de renome que trabalharam para a Winchester.
A fama mundial da marca ainda se deve a outro fato: a 23 de julho de 1866, muito antes do surgimento das linhas de produção de automóveis, os rifles Winchester começaram a ser produzidos em série, em New Haven, no estado de Connecticut.
Segundo Armin Hahn, a principal inovação da Winchester foi justamente "introduzir a fabricação em série de um produto técnico na era industrial, isto é, fabricar um produto cujos componentes são todos substituíveis. Isso Oliver Winchester fez bem antes de Henry Ford, a quem sempre é atribuído esse pioneirismo".
A Winchester 66 foi apenas o começo. Sucessos ainda maiores viriam poucos anos depois. Legendária foi, por exemplo, a Winchester 73, que se tornou o rifle mais vendido no oeste dos Estados Unidos. A mecânica interna da arma foi reforçada, de modo a poder disparar cartuchos que também podiam ser usados nos revólveres Single Action Army, de Samuel Colt. A vantagem é que os caubóis, xerifes e bandidos passaram a precisar só de um tipo de munição para armas curtas e longas.
Mais cobiçada ainda pelos colecionadores de armas é a Winchester 94. O dono da empresa já havia falecido há tempo, quando a venda de 5 milhões de exemplares desse rifle tornaram seu nome imortal. Junto com o cartucho livre de fumaça (o 30-30), 28 anos após o início de sua produção em série, a Winchester 1894 virou o rifle padrão dos norte-americanos.
Para Armin Hahn, o famoso fabricante de armas foi um visionário quanto ao desenvolvimento do oeste americano. "Winchester percebeu que o povoamento do oeste e a consequente formação de áreas sem lei representavam um enorme potencial para a venda de armas a particulares. E este foi, certamente, o segredo de seu sucesso empresarial."
  • Autoria Jens Teschke (gh)
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