segunda-feira, 30 de junho de 2014

Fazendo História no PIBID!

Registros do grupo atual do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência do curso de História da UPF. O grupo é coordenado pela Profa. Rosane Neumann e conta com quatro grupos que atuam em escolas de Passo Fundo.

O ingresso como bolsista é permanente, havendo vagas. Inscreva-se e participe dessa experiência de formação docente já em sua graduação!

Edital - clique aqui



1934: Hitler manda executar Ernst Röhm

No dia 30 de junho de 1934 foi preso Ernst Röhm, um ex-aliado de Hitler. Röhm queria transformar a SA num exército sob seu poder. Ele foi executado dois dias depois.
Ernst Röhm (ao centro)
O capitão Ernst Röhm, organizador da tropa de assalto SA (Sturmabteilung) do partido nazista, não imaginava qual seria seu destino após cair em desgraça com Hitler. O Führer havia decidido matá-lo.
Faltando apenas um dia para o fim das férias coletivas dos integrantes da SA, o próprio chanceler alemão deu início ao massacre de seus ex-aliados, num episódio de incrível brutalidade e traição que ficou conhecido como a Noite dos Longos Punhais.
Röhm, um típico representante da chamada "geração perdida" da Primeira Guerra Mundial, acreditava no ideário nazista quando aderiu ao partido em 1918. Logo no ano seguinte, passou a integrar o privilegiado grupo de amigos pessoais de Hitler.
Ferido três vezes na Primeira Guerra Mundial, lembrava com nostalgia da camaradagem dos soldados nas frentes de batalha. A isso, adicionava-se uma porção de energia criminosa, disfarçada sob a máscara de um nacionalista revolucionário.
Treinos na Bolívia
Ele demonstrava um desprezo profundo pelo que chamava de "farisaísmo e hipocrisia burguesa". Nos primórdios do movimento nazista, revelara-se um organizador talentoso, atraindo um grande número de adeptos para o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores da Alemanha (NSDAP).
Em 1924, elegeu-se para o Reichstag (Parlamento) pelo Partido Liberal Popular Alemão e foi encarregado de organizar o batalhão nazista Frontbann. A partir de 1928 passou dois anos treinando soldados na Bolívia e, em 1930, foi nomeado para o posto de comandante da SA.
Röhm transformou a SA – inicialmente uma espécie de força paramilitar privada de Hitler – numa milícia popular formada por combatentes de rua, capangas e arruaceiros. Do seu ponto de vista, foi "bem-sucedido": o número de integrantes da SA subiu de 70 mil para 170 mil em apenas 18 meses.
As fileiras da milícia eram engrossadas, principalmente, por desempregados, mas eram recrutados também ladrões e assassinos. Para Ernst Röhm, esse "exército plebeu" era o núcleo do movimento nazista, "a encarnação e garantia da revolução permanente", baseada no "socialismo de caserna" que ele experimentara durante a Primeira Guerra Mundial.
De fato, a SA desempenhou um papel decisivo na ascensão de Hitler entre 1930 e 1933, através da intimidação de adversários políticos.
Mas em 1933, quando já contava com milhões de integrantes, a organização passou por uma pequena decepção. Seus líderes, que aspiravam à supremacia dos quartéis sobre a classe política, irritavam-se com a crescente burocratização do movimento nazista.
O sonho de Ernst Röhm era ser o comandante supremo de uma enorme força armada, resultante da fusão da SA com o exército regular. Hitler seria então "apenas" o chefe político.
Como comandante da SA, ministro sem pasta e secretário estadual na Baviera, Röhm ocupava cargos de destaque no final de 1933, mas desperdiçou todos os seus trunfos.
Impecilho aos planos de Hitler
Ele se opunha ao plano de Hitler de realizar uma revolução sob o manto da legalidade e passou a falar publicamente de um iminente golpe de Estado. Sua demagogia populista era rejeitada pela classe média e preocupava os militares e industriais, que formavam a base do regime nazista. A reivindicação de Röhm de transformar a SA numa milícia autônoma alarmou os generais, indispensáveis para os planos de longo prazo de Hitler.
Como o chanceler demorasse a agir, o Exército lhe deu um ultimato, dizendo que, se uma medida enérgica não fosse tomada, um golpe de Estado militar tiraria os nazistas do poder. Foi aí que Hitler decidiu liquidar "Röhm e seus rebeldes".
Sem a menor suspeita da chacina que estava sendo tramada, Röhm foi preso na noite de 30 de junho de 1934, no Hotel Hanselbauer, em Bad Wiessee, junto ao lago Tegernsee (Baviera), onde festejava com outros líderes da SA.
Levado para a prisão de Stadelheim, negou-se a cometer suicídio e foi fuzilado dois dias depois. Na chamada Noite dos Longos Punhais, os nazistas executaram sumariamente 85 pessoas, muitas delas sem qualquer ligação com Röhm.
Oficialmente, o governo alemão alegou que a SA estava preparando um golpe contra o Reich. Na prática porém, Hitler concretizava apenas mais uma de suas estratégias de poder: após o massacre, ele não tinha mais rivais e podia celebrar o domínio absoluto sobre o partido nazista.
  • Data 30.06.2014
  • Autoria Doris Bulau (gh)
  • Link permanente http://dw.de/p/1FV0

1776 - cidade de São Francisco é fundada por ordem religiosa

Em 29 de junho de 1776, dois padres franciscanos vindos do México celebraram uma missa no fundo de uma magnífica baía da costa californiana. Isto ocorreu 5 dias antes da Declaração de Independência dos futuros Estados Unidos da América. Neste local, ergue-se hoje a cidade de San Francisco. A cidade deve, portanto, o seu nascimento e seu nome à ordem religiosa dos franciscanos, fundada por São Francisco de Assis.

Nascido em 1713 em Majorca, Ilhas Baleares, o padre Junipero Serra fundou uma missão em San Barnabé, perto de Monterey, ao norte da colônia da Nova Espanha (atual México). De lá, enviou expedições para a Califórnia, ainda inexplorada, e afastada da civilização ocidental.

Em 15 de dezembro de 1774, o vice-rei da Nova Espanha, Bucareli, envia ao padre Junipero Serra uma carta em que o convida a juntar-se a uma expedição para uma baía de importância estratégica, na Califórnia Central, sob o comando do capitão de marinha Juan Batista de Anza.

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San Francisco foi fundada por padres da Ordem dos Franciscanos


Um primeiro acampamento militar é estabelecido nesse local e os padres Palou e Cambon ali celebram a missa pela primeira vez diante de uma modesta cabana, a Missão Dolores. A localidade recebe o nome de San Francisco em homenagem ao santo Francisco de Assis, fundador da Ordem dos Franciscanos. Nasce assim a futura metrópole da Califórnia Central.

A descoberta do ouro iria assegurar, a partir de 1848, um rápido desenvolvimento, interrompido apenas pelo terremoto de 1906. Enquanto os franciscanos espanhóis multiplicavam suas missões na Califórnia do Sul, os russos, vindos da quase-ilha de Kamtchatka, na extremidade norte do continente asiático, punham os pés na América, atravessando o estreito de Bering a fim de estender seus territórios de caça à pele de animais.
Os russos praticaram tão ávida caça de visons, castores e lontras que os levavam a seguir sempre adiante, não hesitando sequer em invernar nas condições mais hostis.O vice-rei do México se irrita com esta usurpação em terras espanholas e dá ordem de se mostrarem inflexíveis a esses ‘empreendedores cismáticos russos’.

Nos primeiros anos do século 19, os caçadores russos vindos da Ásia avançaram sobre novos territórios de caça e fundam Fort Ross, ao norte de São Francisco, onde instalam uma pequena colônia habitada por esquimós do Alasca.

Todavia, em dezembro de 1841, sem mais esperanças de apoio do tzar, que tinha outras preocupações em mente, seus súditos não tiveram outra saída que não apelar a John Sutter, um colono de origem russa que havia feito fortuna como negociante em Sacramento e que ganharia celebridade mundial ao descobrir ouro em suas terras.

Em 5 de abril de 1806, o Juno, um pequeno navio russo se apresentou diante do forte de San Francisco, comandado pelo capitão Arguello. A bordo, o grão-fidalgo Nicolas Petrovich Rezanov, ministro plenipotenciário do tzar e responsável pela colonização russa na América.

O russo pediu socorro após uma invernagem desastrosa no posto de Sitka, Alasca, 3 mil quilômetros mais ao norte. O capitão do forte de San Francisco, que não era má pessoa, não deixou de ficar emocionado pelo estado de esgotamento daqueles corajosos homens e lhes oferece uma generosa hospitalidade em seu posto avançado, no aguardo de instruções. A guarnição do forte se aborrece, enquanto os oficiais, como todos os oficiais do mundo, se ocupam em jogar baralho, em beber e fazer a corte às moças. Essas eram particularmente raras, sem contar que pais e maridos mantinham estrita vigilância.

No entanto, seis semanas mais tarde Rezanov retoma coragem, comum aos jovens pretendentes, e se atreve a pedir ao pasmado capitão espanhol a mão de sua filha mais velha, senhorita Concepción. As núpcias são celebradas prontamente debaixo das saudações da tripulação, à espera da autorização do papa e do rei da Espanha – o russo era ortodoxo e a noiva, católica.

O Juno zarpa de novo em 21 de maio, seus porões bem aprovisionados de material e alimentos. De volta a São Petersburgo, Rezanov morre de pneumonia. Não se encontraria mais ninguém disposto a levar adiante o sonho de uma colonização russa na América.
Fonte: Opera Mundi

domingo, 29 de junho de 2014

O tiro que iniciou o conflito

O assassinato do arquiduque austríaco foi o estopim para o confronto que marcou o século XX

POR 
Há exatos cem anos, um assassinato motivado por questões nacionalistas locais acabou por deflagrar uma guerra mundial que derrubaria quatro impérios e redesenharia a geopolítica mundial, abrindo oficialmente o século XX, na análise do historiador britânico Eric Hobsbawm. O assassinato do herdeiro do Império Austro-Húngaro, Francisco Ferdinando, foi o estopim que faltava para o início de um conflito que tinha raízes bem mais profundas e já vinha se desenhando há alguns anos. Um século depois, a morte em Sarajevo ainda é tópico de discussão entre historiadores e o papel do sérvio-bósnio Gavrilo Princip, autor do crime, se divide entre o de assassino de inocentes e herói nacional.

Uma estátua erguida em homenagem a Princip, inaugurada ontem em Sarajevo pelo membro sérvio da Presidência tripartite da Bósnia, dá o tom de como a questão secular permanece atual. O gesto revela as diferentes visões que persistem entre servo-bósnios, bósnio-croatas e bósnio-muçulmanos sobre o crime. Enquanto os sérvios veem o assassino de 19 anos como herói da libertação de todos os eslavos de séculos de ocupação imperial nos Bálcãs; outros o consideram um terrorista nacionalista que acabou por desencadear quatro anos de matança e sofrimento em que mais de 9 milhões de pessoas perderam a vida.

— O atentado só pode ser compreendido se considerarmos que a Europa se apresentava como um verdadeiro barril de pólvora. O assassinato foi a espoleta que fez explodir aquele barril — afirma o historiador da Universidade de Passo Fundo (RS), Adelar Heinsfeld, especialista na questão.

Resistência a reformas
O motivo do crime, ao contrário do seu desencadeamento, era uma questão local. Com o imperador Francisco José doente, Ferdinando estava próximo de assumir o trono e demonstrava que faria reformas políticas dando mais autonomia às nações que compunham o império. Grupos dedicados ao pan-eslavismo e à criação de um estado que unisse as populações eslavas do sul — como o Mão Negra, que tinha Princip como membro — viam no arquiduque uma ameaça ao seu projeto.

— A Bósnia-Herzegovina, cuja capital era Sarajevo, foi anexada pela Áustria em 1908. O reino da Sérvia, que pretendia unificar os povos eslavos dos Balcãs, nunca aceitou isso. Por isso que um sérvio assassinou o herdeiro do trono do império considerado agressor que impedia a formação da Grande Sérvia — afirma Heinsfeld.

O Mão Negra viu na visita de Ferdinando a Sarajevo uma chance de ganhar visibilidade em um período em que a própria organização passava por problemas. O plano inicial de matar o governador da Bósnia, Oskar Potiorek, foi descartado. Todas as atenções foram voltadas para eliminar o arquiduque.

Para isso, vários agentes foram mobilizados ainda em março, quando não se tinha certeza da presença do herdeiro do trono à cidade. Durante os meses seguintes, Princip foi treinado junto com outros e todos foram enviados clandestinamente para Sarajevo. No dia do atentado, cada um tinha uma missão.

— Suponho que, até pela idade, Princip não tenha sido posicionado como o primeiro a tentar matar o arquiduque. Antes dele, dois agentes não conseguiram atirar e um terceiro, Nedeljko Cabrinovic, atirou uma bomba mas acabou atingindo outro carro da comitiva, ferindo mais de 20 pessoas — conta o historiador Miguel Arruda, da UFF, também especialista em Primeira Guerra.

Uma mudança de última hora no trajeto da comitiva do arquiduque não foi avisada ao motorista, que acabou tendo problemas ao tentar retomar ao trajeto correto. Era a chance de Princip. Ele avançou até o carro e deu dois tiros com uma pistola semiautomática. O primeiro acertou a jugular do arquiduque. O segundo atingiu a barriga de sua mulher, Sofia, que estava grávida.

Morte sem comoção popular
Segundo Heinsfeld, algumas versões indicam que o translado dos corpos teria sido propositalmente atrasado para que chegassem a Viena durante a noite de 29 de junho e não fossem vistos pelo público. De fato, quando os caixões chegaram, apenas o novo herdeiro, o arquiduque Carlos, estava na estação de trem. Após um rápido rito fúnebre, os corpos seguiram em carros funerários da prefeitura até embarcarem em um trem comum. O sepultamento ocorreu no dia 4 de julho, sem presença da população.

— Não houve comoção na Áustria pelo assassinato. O episódio, no entanto, foi usado para atingir desígnios políticos. A Áustria exigiu da Sérvia atitudes que feriam as relações diplomáticas entre os países — diz Heinsfeld.

Com a morte de seu herdeiro, o governo austríaco enviou um documento, no dia 23 de julho, contendo uma série de exigências para que os dois países não entrassem em conflito. As condições eram consideradas inaceitáveis, pois violavam a soberania nacional. A Sérvia atendeu à maioria das reivindicações, mas negou algumas das exigências. O Império Russo já havia sinalizado apoio aos sérvios. A guerra entre os dois países foi declarada cinco dias depois e Belgrado foi bombardeada no dia seguinte.

Imediatamente, as tropas russas foram mobilizadas para auxiliar os sérvios. As políticas de alianças de cada país passaram a entrar em cena para defender suas frentes.

— Vemos como a tensão antes de 1914 era muito grande. Houve situações de iminente confronto no Mediterrâneo poucos anos antes da Primeira Guerra Mundial. Só faltava uma oportunidade. Era praticamente inevitável, mas acreditava-se que ela demoraria mais um ou dois meses — afirma o historiador Orlando de Barros. Diante deste cenário as institucionalizadas alianças entraram em cena. Em 31 de julho, a Alemanha, aliada do Império Austro-Húngaro, exigiu que a Rússia desmobilizasse suas tropas e não foi atendida. No dia seguinte, foi declarada guerra à Rússia e a França se mobilizou para ajudar seu aliado czarista.

— A guerra era iminente. O assassinato em Sarajevo transformou-se em uma grande articulação política que gerou uma guerra mundial que abalaria os quatro grandes impérios da época. Já a visão sobre Princip ainda gera polarizações. Uns o julgam como assassino de inocentes, outros o têm como herói nacional — observa Arruda.

O desenrolar dessa guerra e suas consequências serão temas de novas reportagens históricas ao longo dos próximos sábados.


Fonte: O Globo

Homologação das inscrições para o Mestrado PPGH


HOMOLOGAÇÃO INSCRIÇÃO - Seleção Mestrado 2014/02

sábado, 28 de junho de 2014

1914: Atentado em Sarajevo

No dia 28 de junho de 1914, um atentado na capital da província austríaca da Bósnia-Herzegovina matou o arquiduque Francisco Ferdinando e sua esposa, Sofia Chotek.
O arquiduque e a esposa, minutos antes do atentado
O atentado acabou deflagrando a Primeira Guerra Mundial. Foi um estudante sérvio chamado Gavrilo Princip, de 19 anos, pertencente a uma associação secreta conhecida como Mão Negra, quem assassinou o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono da Áustria, e sua esposa.
O atentado, ocorrido na cidade de Sarajevo, na Bósnia, culminou com a declaração de guerra contra a Sérvia por parte do Império Austro-Húngaro. Os países europeus foram, um a um, arrastados para o conflito, que durou quatro anos, de 1914 a 1918.
Francisco Ferdinando foi morto a tiros, a curta distância, enquanto passeava por Sarajevo. A visita era uma tentativa do império, com sede em Viena, de demonstrar força na capital bósnia.
Princip era um dos sete conspiradores espalhados em pontos nevrálgicos da cidade de Sarajevo. Eram todos jovens, entre 17 e 20 anos, membros do movimento nacionalista que pretendia uma Grande Sérvia e inimigos da monarquia dos Habsburg.
Articulador foi outro
O articulador do atentado, entretanto, havia sido outro: o chefe do Departamento Sérvio de Informações, brigadeiro Dragutin Dimitrijevic. Seu objetivo foi evitar que se concretizasse a ideia de Francisco Ferdinando, que queria aumentar a influência dos eslavos em detrimento dos húngaros.
Hoje em dia, não restam dúvidas entre os historiadores de que os responsáveis pela morte do arquiduque – o núcleo do generalato sérvio, apoiado pelo emissário imperial russo em Belgrado – queriam eliminar o sucessor ao trono, cujo objetivo era integrar na sociedade imperial os insatisfeitos grupos étnicos eslavos da monarquia. Desta forma, seria evitado o perigo de uma ruptura dos territórios sulinos, ou seja, a Eslovênia, Croácia, Dalmácia e Bósnia.
A declaração de guerra que deflagraria o primeiro grande conflito mundial foi feito pelo Império Austro-Húngaro à Sérvia a 28 de julho. Foi a primeira de uma série, que acabaria envolvendo toda a Europa.
Em outubro de 1914, o autor e coautores do atentado foram julgados. Entre eles, um colegial de 18 anos, chamado Vaso Djobrilovic, condenado a 16 anos de prisão. Mais tarde, acabou sendo ministro durante cinco anos sob o governo de Tito.

DW.DE

Sarajevo lembra cem anos de atentado que iniciou Primeira Guerra Mundial

A capital da Bósnia-Herzegovina lembra o atentado contra o herdeiro do trono austríaco, há cem anos. E se depara com as lembranças da Guerra da Bósnia. O sinal em prol da paz corre risco de assumir tons nacionalistas.
A tradicional Orquestra Filarmônica de Viena se apresenta na noite deste sábado (28/06), juntamente com o coro do Teatro Nacional da Bósnia, na Vijećnica, a antiga prefeitura e biblioteca de Sarajevo, um imponente edifício neomourisco da época em que a Bósnia pertencia ao Império Austro-Húngaro. Trata-se da cerimônia conjunta para lembrar o centésimo aniversário do atentado de Sarajevo – o acontecimento que não somente tornou inimigas a Sérvia e a Áustria, mas desencadeou a Primeira Guerra Mundial.
Sarajevo em agosto de 1992: uma cidade em guerra
O prédio da Vijećnica também faz lembrar uma outra história: no início da Guerra da Bósnia, em 1992, as forças sérvias que sitiavam Sarajevo bombardearam o edifício a partir da Colina de Trebevic, que fica oposta a ele. Na época, a Vijećnica abrigava a Biblioteca Nacional da Bósnia-Herzegovina, e foram destruídos livros e escritos de todas as religiões e culturas que viveram ao longo dos séculos no Estado multiétnico da Bósnia-Herzegovina: escritos da era otomana, livros em latim e sérvio.
Um tesouro multicultural, que quase foi totalmente destruído em agosto de 1992. A vizinhança e os bibliotecários tentaram salvar o que podiam, arriscando a própria vida e sob constante bombardeio. Foi um ataque a um símbolo da convivência pacífica, multiétnica, no Estado dos bosníacos, croatas e sérvios.
Imagens que deram volta ao mundo
Em meio à guerra na cidade sitiada de Sarajevo, músicos iam sempre tocar no prédio bombardeado. Essas grotescas cenas da guerra, o edifício com os buracos das janelas negros da fuligem dos incêndios, deram volta ao mundo.
O prédio da Vijećnica vai ser reaberto agora, 19 anos após o fim da Guerra da Bósnia, tendo sido reformado com vários milhões de euros doados por diversos países da União Europeia e por Bruxelas, como um símbolo da Europa.
Casal herdeiro do trono austríaco, pouco antes do atentado
Vijećnica significa "prefeitura", a função do prédio ao ser inaugurado pela monarquia austro-húngara em 1896. Uma construção magnífica, que sublinhava a pretensão de poder da monarquia dos Habsburgos na então Bósnia ocupada, e que em 1908 seria inteiramente anexada pelos austro-húngaros.
Seis anos mais tarde, o príncipe-herdeiro Francisco Ferdinando visitava a capital bósnia, Sarajevo. Em 28 de junho de 1914, portanto há exatamente cem anos, os degraus da Vijećnica foram os últimos que o herdeiro do trono austríaco pisou, antes de ser morto poucos metros adiante, com sua esposa Sophie, pelos tiros que anunciaram a Primeira Guerra Mundial.
Terrorista para uns, herói para outros
Nos Bálcãs, a história é por vezes muito intrincada: em Sarajevo o atentado é lembrado como um assassinato brutal pelo jovem nacionalista sérvio Gavrilo Princip. Os políticos na parte sérvia da Bósnia, a "Republika Srpska" (República Sérvia), por sua vez, celebram o autor do atentado como um herói, que lutava contra a opressão austro-húngara.
Por isso, organizaram um evento alternativo para o centenário, em Visegrado, na parte da Bósnia dominada pelos sérvios. Ali está sendo inaugurada a aldeia de Andricgrad, concebida pelo cineasta sérvio Emir Kusturica como seu ideal de uma mini-Sérvia – ou, como dizem seus críticos, uma "Disneylândia sérvia".
Cineasta Emir Kusturica e sua "Disneylândia sérvia"
Na zona leste de Sarajevo, de maioria sérvia, o prefeito Ljubisa Cosic encomendou uma estátua de três metros de altura em homenagem a Gavrilo Princip. "É importante que tenhamos uma ligação com a nossa história aqui", reforça o político do partido governista da República Sérvia, cujo presidente Milorad Dodik rejeita repetidamente o Estado unificado da Bósnia e há pouco voltou a ameaçar com um referendo pela separação, daqui a quatro anos.
Até agora, Dodik não teve sucesso: a União Europeia e os representantes internacionais em Sarajevo rejeitam sistematicamente a proposta. E agora os europeus frustraram o mais recente plano do líder dos sérvios da Bósnia, que queria fazer uma cópia do monumento em homenagem a Princip, como presente à pátria sérvia.
Ele seria colocado no Parque Kalemegdan, na capital Belgrado, em frente ao memorial dos combatentes sérvios que comemora a vitória sobre o Império Austro-Húngaro. Mas, aparentemente, o primeiro-ministro da Sérvia, Aleksandar Vucic, cancelou o projeto de Dodik nos bastidores: nacionalista sérvio convertido em pró-europeu, Vucic deseja a todo custo levar seu país à União Europeia.
Princip, um Nelson Mandela?
Franz Ferdinand e Gavrilo Princip
Na Sérvia, outras figuras impulsionam o nacionalismo: na Academia Nacional de Ciências, o historiador Dusan Batakovic é quem dá as cartas. Para ele, o autor do atentado de Sarajevo também é um símbolo da liberdade: "É terrível caracterizar como terrorista alguém que lutou pela liberdade, contra a dominação colonial. Eu digo: Gavrilo Princip foi um Nelson Mandela, que pode ter usado os meios errados – mas isso foi legítimo no início do século 20."
Mais ainda: com o concerto da Filarmônica de Viena em Sarajevo, a Áustria procura se eximir da culpa na Primeira Guerra Mundial, afirma Batakovic, criticando também o governo em Berlim: "Sabe-se que para a Alemanha, com a sua culpa nas duas guerras mundiais, não seria ruim se livrar de pelo menos uma responsabilidade", declarou em entrevista à Deutsche Welle.
Acima de tudo, o diretor do Instituto Balcânico condena o livro de Christopher Clark Os sonâmbulos – Como eclodiu a Primeira Guerra Mundial, discutido em tom positivo na Alemanha. Essa análise diplomático-histórica critica a Sérvia como fator de instabilidade com pretensões hegemônicas. Mas a elite sérvia não percebe que a discussão de Os sonâmbulosna Alemanha enfoca principalmente a advertência quanto à importância do projeto de unidade europeia.

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sexta-feira, 27 de junho de 2014

1905 – Eclode o motim a bordo do Potemkin, o principal encouraçado russo


Fato passou quase despercebido na Rússia, mas adquiriu patamar de mito ao ser retratado por Serguei Eisenstein

A eclosão de um motim a bordo do Potemkin, o principal encouraçado da frota de guerra russa em 27 de junho de 1905 passou despercebido numa Rússia sacudida por uma primeira revolução e uma guerra desastrosa contra o Japão. Porém, adquiriu notoriedade mundial, ao patamar de mito, em virtude do filme realizado pelo cineasta Serguei Eisenstein.
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Cartaz do filme "Encouraçado Potemkin"
Depois de sua derrota em Tsushima, um mês antes, diante da armada japonesa, a marinha do tzar Nicolau II foi agitada por movimentos diversos e os oficiais tiveram dificuldade em se fazer respeitar pelos marinheiros. Em terra, por todo o país, se multiplicavam greves e rebeliões em seguida ao “Domingo Vermelho” de 22 de janeiro de 1905 em São Petersburgo.
Sobre o encouraçado Potemkin, que levava o nome de um favorito da tzarina Catarina II, o comandante capitão Golikov, conseguia preservar a disciplina por meio de relativa humanidade com seus homens.
Enquanto realizava exercícios no Mar Negro, ao largo de Odessa, o encouraçado era reabastecido como de costume com provisões. No começo da manhã, os marinheiros se aproximaram das carcaças que pendiam sobre a ponte esperando servir-se, quando descobrem a carne em putrefação, fétida e infestada de vermes. O médico de bordo, doutor Smirnov, sentencia que a carne seria comestível depois de lavada com vinagre.
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Imagem do Potemkin no verão de 1905
Chega a hora do almoço. No refeitório, os cozinheiros levam a marmita de bortsch, com a carne cozida. Os marinheiros recusam-se a comer e vaiam os cozinheiros. Alertado, o capitão tem a má ideia de mandar rufar tambores e reunir a tripulação sobre a ponte. Depois de breves palavras, pede àqueles que aceitam comer que avancem dois passos. Por hábito e resignação, somente alguns veteranos obedecem. Sentindo-se afrontado, o capitão anuncia que não teriam outra coisa para comer.
Rebelião
Entre a tripulação figuravam alguns militantes revolucionários do partido socialdemocrata como seu chefe, Afatasy Matiuchenko. Eles haviam recebido de seu partido a consigna de preparar os marinheiros para uma insurreição geral da frota do Mar Negro.
Um marinheiro, de nome Vakulinchuk teria se aproximado do capitão e protestado duramente contra as condições de vida da tripulação. O capitão saca seu revólver e fere mortalmente o marinheiro.
Arrastada por Matiuchenko, a tripulação se amotina. Enquanto oito oficiais se juntam aos amotinados, contudo, o médico e diversos outros oficiais são mortos e atirados ao mar. O comandante não foi deixado de lado. Um oficial, Alexeiev, o prende sob vigilância estreita de Matiuchenko.
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Alguns dos tripulantes do Potemkin
Os amotinados içam a bandeira vermelha da revolução e dirigem o encouraçado ao porto de Odessa. Ao entrar no porto, no final da tarde, os marinheiros do Potemkin não sabiam que a lei marcial havia sido decretada pelo general Kokhanov em seguida às greves operárias.
Massacre
Na véspera, 26 de junho, uma manifestação havia sido selvagemente reprimida pela polícia e a cavalaria cossaca. O confronto sangrento entre os manifestantes e as forças da ordem, com centenas de mortos, prosseguiu no dia seguinte. E eis que surge o Potemkin, arvorando a bandeira vermelha.
A chegada do navio arrebata os líderes da greve que sobem a bordo e se aliam aos chefes dos amotinados. No dia seguinte, o cadáver do marinheiro Vakulinchuk é trazido a terra. Recebe homenagem emocionada de uma imensa multidão de operários e revolucionários.
A multidão excitada sobe a escadaria Richelieu de 240 degraus que liga o porto ao centro da cidade. O general Kokhanov aciona dois destacamentos de cossacos a cavalo. Do alto da escadaria, os cavaleiros massacram a multidão desarmada, fazendo centenas de vítimas, homens, mulheres e crianças. No fim do dia, sobre o cais vermelho de sangue e coberto de cadáveres só se percebe o pobre pálio que encobre o corpo do mártir Vakulinchuk.
Matiuchenko, respondendo a uma proposta de Kokhanov, assegura que os funerais dos mártires transcorreriam em calma se não ocorresse repressão. No dia seguinte, uma imensa multidão acompanhou o marinheiro à sepultura, bandeiras vermelhas à frente.
Todavia, tão logo se encerraram os funerais, soldados investem contra a multidão matando indistintamente homens e mulheres. Três marinheiros estavam entre as vítimas. A bordo do Potemkin, os marujos decidem bombardear o quartel-general instalado no teatro da cidade. Matiuchenko comanda o tiro, que só atinge casas habitadas por inocentes. Em decorrência manda suspender o bombardeio.
Naufrágio
O navio solta as amarras. Barcos de barco de guerra vindos de Sebastopol pedem que os amotinados se tranquilizem. Os oficiais mostravam-se temerosos do risco de contágio revolucionário. Os navios se aproximam do Potemkin e este, sem desferir tiros, passa entre eles. Os amotinados gritam: “Viva a revolução!”. Os marinheiros da frota respondem “Hurra!”.
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Homenagem feita pela União Soviética
Prudentes, os oficiais resolvem recuar, Porém o encouraçado Jorge o Vitorioso encontra um modo de se aproximar do Potemkin. Matiuchenko se vê frente e frente com três navios de guerra. Resolve voltar a Odessa com o objetivo de buscar o apoio da população, mas é impedido por um dos navios. Matiuchenko ordena abrir fogo. Atingido o Jorge, o Vitorioso acaba encalhando num banco de areia antes de voltar ao combate.
Após errar pelas águas do Mar Negro, o Potemkin se dirige ao porto romeno de Constança onde os amotinados obtêm asilo político. Matiuchenko, num último gesto de desafio, envia proclamações surrealistas aos governantes do planeta e afunda propositadamente o mítico navio antes de botar o pé em solo romeno.
Dois anos mais tarde, o tzar Nicolau II promete uma anistia aos revolucionários de 1905. Os amotinados, desconfiados, preferem permanecer na Romênia. Com exceção de cinco deles que preferiram regressar à Rússia, entre eles Matiuchenko. Reconhecido na fronteira, é preso e depois enforcado. Seus quatro companheiros foram enviados à Sibéria.
Fonte: Opera Mundi

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Reitor recebe acadêmicos que participam de intercâmbio no segundo semestre de 2014

Foto: Carla Vailatti
Reitor José Carlos Carles de Souza destacou a importância de complementar a formação com uma temporada de estudos no exterior
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Mais de 40 estudantes dos cursos de graduação da Universidade de Passo Fundo (UPF) participam de intercâmbio acadêmico no segundo semestre de 2014. Na tarde de terça-feira, 24 de junho, o grupo, que se prepara para uma temporada no exterior, se reuniu com o reitor José Carlos Carles de Souza. Entre os destinos dos acadêmicos da UPF estão mais de 10 países de diferentes continentes, conforme a relação abaixo. Os intercâmbios foram articulados por meio do Programa de Intercâmbio Acadêmico UPF (Piac), do Programa Ciência sem Fronteiras (CsF), do Programa de Bolsas Ibero-Americanas Santander Universidades e do Programa de Mobilidade Acadêmica Marca.

O reitor destacou que a UPF vem ampliando as possibilidades de intercâmbio, pois acredita na internacionalização como forma de potencializar a qualidade da Instituição. “Estou diante de um grupo numeroso e qualificado. Essa disposição de vocês, em buscar uma formação diferenciada, indica um futuro promissor”, afirmou. O professor José Carlos desejou uma boa viagem e colocou, mais uma vez, a UPF a disposição para auxiliar no período de intercâmbio.

Gustavo Covatti está entre os estudantes que viajam pelo Programa Ciência sem Fronteiras. Acadêmico de Engenharia Civil, viu na South Bank University, em Londres, no Reino Unido, uma instituição para obter conhecimentos e experiências a partir de pontos de vista e abordagens alternativos. Buscar novas metodologias e teorias também é a intenção da estudante de Jornalismo Marina Giolo, que embarca para Portugal, onde passará um semestre na Universidade do Porto. “Quero ampliar o meu olhar sobre o mundo”, explica a intercambista, que viaja pelo Piac.

Estudante de Letras, Lucas Cyrino escolheu a Universidade de Aguascalientes, no México, por estar situada em um centro multicultural. “Pretendo estudar conteúdos incomuns por aqui, como latim, grego e literatura hispano-americana”, relata o intercambista do Programa Santander Universidades. Às vésperas de embarcar para Santa Fé, na Argentina, a estudante de Arquitetura e Urbanismo Bruna Pettenon está analisando as disciplinas que irá cursar. “Quero aproveitar algumas matérias para minha formação na UPF, e também cursar algumas de forma complementar”, planeja a participante do Programa Marca.

A coordenadora da Assessoria para Assuntos Internacionais e Interinstitucionais da UPF, professora Maria Elisabete Mariano dos Santos, participou da atividade e entregou aos intercambistas materiais sobre a UPF em diferentes idiomas, conforme os países de destino.

Confira a lista de intercambistas que estarão em intercâmbio no segundo semestre de 2014
Álisson Gotardo Serraglio, Universidad Nacional de Rosário, Argentina; Amauri Colet Verdi, Universidad Nacional de Rosário, Argentina; Andréa Catelan Cardoso, Universidade do Porto, Portugal; Andréa Silveira Netto Nunes, University of Salford, Reino Unido; Antônio Augusto Pereira da Silva, Universidad Nacional de Tres de Febrero, Argentina; Betina Knebel Muliterno, Universidad De la Republica, Uruguai; Bruna Pettenon, Universidad De Santa Fé, Argentina; Diógenes Drum Schacht, California State University, Estados Unidos; Eduarda Warlet Grazziotin, Hasselt University, Bélgica; Eduardo Mariotti Lauer, Fleming College, Canadá; Estevan Giacomolli Piva, Universidad Carlos III de Madrid,            Espanha; Giselle Araújo Pimenta dos Reis, University of Connecticut, Estados Unidos; Guilherme Montagner Ifarraguirre, Universitat Autònoma de Barcelona,         Espanha; Gustavo Dias Miguel, Universidade de Coimbra, Portugal; Gustavo Luís Covatti, London South Bank University, Reino Unido; Jean Carlos Brocco, University of Óbuda, Hungria; João Ricardo Fagundes dos Santos, Universidade do Porto, Portugal; Júlia Cartana Fernandes,         London South Bank University, Reino Unido; Juliana Garcez Grazziotin, University of Connecticut, Estados Unidos; Luana Anchieta Rocha, University of South Florida, Estados Unidos; Lucas Antônio de Carvalho Cyrino, Universidad Autónoma de Aguascalientes, México; Maria Eduarda Rossato Facco, Universidade do Algarve, Portugal; Marina Giolo, Universidade do Porto, Portugal; Maurício Rech, Cork Institute of Technology, Reino Unido; Murielli Novelli Rigo, Arquitetura e Urbanismo, Universidad Nacional del Litoral, Argentina; Newton Junior Silva de Souza, Universidad de Córdoba, Argentina; Pamela Nardino, Universidade da Beira Interior, Portugal; Paola Bonadiman, Universidade de Coimbra, Portugal; Rafael Küntzer Barizon, Baruch College, City University of New York, Estados Unidos; Rafael Soccol de Farias, Szent István University, Hungria; Ricardo Comin, University Rotterdam, Holanda; Ronaldo Limberger Tomiozzo, The Catholic University of America, Estados Unidos; Samanta Aimi, Universidad Nacional de Tucuman, Stêfany Károl de Andrade Benites, Purdue University, Estados Unidos; Thais Micheli Francescatto, Universidade de Coimbra, Portugal; Tiago Laurian Cervonski, Universidad Nacional de Tucuman, Argentina; Vinícius Agostini Segatt, Universidad de Salamanca, Espanha; Wagner Mazetto de Oliveira, Universidade de Coimbra, Portugal.

Acadêmicos que já embarcaram para intercâmbio neste mês de junho:
Fernanda Caroline da Rosa, National University of Ireland, Irlanda; Josué Longo Ebone, University of Alabama, Estados Unidos; Marina Dezordi Lopes, Eötvös Loránd University, Hungria; Simone Marini, The Catholic University of America,Estados Unidos, Vinicius Luiz Pacheco, California State University, Estados Unidos. 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

1530: Confissão de Augsburg

Em 25 de junho de 1530, os príncipes que haviam aderido à Reforma foram convidados a explicar-se no Parlamento alemão. Na ocasião, Philipp Melanchton, amigo de Lutero, apresentou a proclamação da fé luterana.
Monumento a Melanchton, em Wittenberg
Monumento a Melanchton, em Wittenberg
Para melhor compreender a importância da Confissão de Augsburg, é necessário apresentar a situação histórica no contexto da Reforma da Igreja, impulsionada pelo estudioso Martinho Lutero, da Ordem dos Monges Agostinianos. Ele se aprofundou na teoria da religião a partir de 1510, quando retornou de uma viagem a Roma, decepcionado com a corrupção que constatara no alto clero.
Aprofundando seus estudos, concluiu que o homem só se pode salvar pela fé incondicional em Deus, não pelas obras praticadas ou pela indulgência comprada. A fim de arrecadar fundos para financiar a reconstrução da Basílica de São Pedro, o papa Leão 10 havia permitido o perdão dos pecados a todos que contribuíssem financeiramente com a Igreja.
Escandalizado com essa salvação comprada a dinheiro, Lutero afixou na porta da igreja de Wittenberg, no leste da Alemanha, um manifesto público (as 95 teses), em que protestou contra a atitude do papa e expôs os elementos de sua doutrina. Iniciava-se, desta maneira, uma longa discussão entre Lutero e as autoridades eclesiásticas, culminando com sua excomunhão pelo papa, em 1520.
No dia 21 de janeiro de 1530, o imperador Carlos 5º convocara uma Dieta imperial a reunir-se em abril seguinte, em Augsburg, no sul da Alemanha. Para dispor de uma frente unida contra os turcos nas suas operações militares, ele exigiu o fim do conflito entre protestantes e católicos.
Melanchton, o autor intelectual
Os príncipes e representantes das cidades livres do Império foram convidados a discutir as diferenças religiosas na futura Dieta, na esperança de superá-las e restaurar a unidade. Atendendo ao convite, o príncipe eleitor da Saxônia pediu aos seus teólogos em Wittenberg que preparassem um relato sobre as crenças e práticas nas igrejas da sua terra, que seria apresentado ao imperador.
Sob a coordenação de Philipp Melachton, foram reunidas as doutrinas compiladas nos documentos conhecidos como Artigos de Schwabach, de 1529, e Artigos de Torgau, de março de 1530.
Lutero, que não estava presente em Augsburg, foi consultado por correspondência, mas as emendas e revisões continuaram sendo feitas até a véspera da apresentação formal ao imperador, em 25 de junho de 1530. Assinada por sete príncipes e pelos representantes de duas cidades livres, a Confissão imediatamente foi reconhecida como uma declaração pública de fé.
De acordo com as instruções do imperador, os textos das confissões foram apresentados em alemão e latim. Diante da Dieta foi lido o texto alemão, que é, por isso, tido como mais oficial.
A Confissão representava um esforço para manter a Igreja unida e continha as principais teses da doutrina de Lutero, entre as quais as que dizem respeito à doutrina da justificação, ou da salvação. Mesmo que a Confissão tivesse sido redigida em estilo conciliador, evitando ataques e reivindicações, não foi aceita pela Igreja Católica e sua divulgação ficou proibida.
A rejeição da Confissão de Augsburg deu força à separação entre luteranos e católicos. Passaram-se quatro séculos de condenações recíprocas e guerras religiosas. O diálogo, suspenso em 1530, só recomeçou em 1967, após o Concílio Ecumênico Vaticano 2º.
Meio religioso para fim militar
Philipp Schwarzerd foi o compilador, não somente da Confissão, como também de outro documento muito importante, conhecido como Apologia da Confissão de Augsburg. Philipp nasceu em Bretten, Baden, em 1497. Seu tio-avô, o famoso humanista Reuchlin, exerceu grande influência sobre ele.
Devido à admiração pelo idioma grego, "helenizou" o sobrenome, adotando o nome de Melanchthon, conforme a tradução de "terra negra" para o grego. Foi grande amigo de Lutero e o seu mais fiel aliado na causa da Reforma. Se, de um lado, Lutero era profundo conhecedor da Palavra de Deus, Melanchthon foi um dos maiores conhecedores das línguas originais nas quais a Palavra de Deus havia sido escrita.
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1975 – Moçambique proclama sua independência de Portugal


Movimento independentista foi visto por moçambicanos como o triunfo da liberdade sobre a opressão colonial portuguesa

Com a onda anticolonial espalhando-se por toda a África, diversos movimentos políticos clandestinos foram criados em favor da independência de Moçambique, o que ocorreu em 25 de junho de 1975. Movimento foi visto pelos moçambicanos como o triunfo da liberdade sobre a opressão colonial portuguesa.
Wikicommons

Tropas portuguesas em Moçambique; algumas carregando a FN FAL e a G3
A mais importante deles, a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) iniciou uma campanha de guerrilha contra o governo português em setembro de 1964. Este conflito, juntamente com os outros dois já iniciados nas outras colónias portuguesas da África Ocidental Portuguesa (Angola) e da Guiné Portuguesa, tornou-se parte da chamada Guerra Colonial Portuguesa (1961-1974). Do ponto de vista militar, o exército português manteve o controle dos centros populacionais, enquanto as forças de guerrilha procuraram espalhar a sua influência em áreas rurais no norte e oeste do país.
Após dez anos de guerra e com o retorno de Portugal à democracia com a Revolução dos Cravos de 25 de abril de 1974 e em seguida aos Acordos de Lusaka, a Frelimo assumiu o controle do território moçambicano. Após a independência, a maioria dos 250 mil portugueses que vivia em Moçambique deixou o país, alguns expulsos pelo governo, outros simplesmente fugindo.
O novo governo, sob a presidência de Samora Machel, estabeleceu um Estado unipartidário baseado em princípios marxistas e recebeu apoio diplomático e militar de Cuba e da União Soviética.
Guerra civil
Logo após a independência, o país foi assolado por uma guerra civil prolongada e violenta entre forças oposicionistas da anticomunista Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) e o regime marxista da Frelimo. Este conflito, combinado com a sabotagem de países vizinhos dominados por elites brancas como a Rodésia e a África do Sul do regime de apartheid, além de políticas ineficazes, falta de planeamento central e o colapso econômico resultante, caracterizaram as primeiras décadas de independência de Moçambique.
[Propaganda lançada de avião pelos portugueses/ Foto: Wikicommons]
Este período também foi marcado pelo êxodo de cidadãos portugueses, pelo colapso da infraestrutura nacional, falta de investimentos em ativos produtivos e pela nacionalização pelo governo de indústrias privadas, além de várias crises de fome generalizadas. Durante a maior parte da guerra civil, o governo central foi incapaz de exercer controle efetivo fora das áreas urbanas do país, muitas das quais eram controladas a partir da capital, Maputo. Estima-se que a Renamo tenha controlado 50% das áreas rurais de várias províncias, levando a que os serviços de assistência médica fossem interrompidos por anos.
A guerra civil foi marcada por violações dos direitos humanos cometidas por ambos os lados do conflito, cenário que se tornou ainda pior quando a Renamo começou a usar táticas terroristas e a atacar civis indiscriminadamente. O governo central executou dezenas de milhares de terroristas ao tentar estender seu controle por todo o país, enviando muita gente para campos de reeducação.
Secessão
Durante a guerra, a Renamo propôs um acordo de paz baseado na secessão dos territórios do norte e oeste do país, que passariam a ser a República Independente da Rombésia, mas a Frelimo recusou-se a negociar e reivindicou a soberania sobre todo o território do país. Estima-se que um milhão de moçambicanos morreram durante a guerra civil, cerca de outros 1,7 milhão se refugiaram em países vizinhos e vários outros milhões tiveram que se deslocar internamente por conta do conflito. O regime da Frelimo também deu abrigo e apoio aos movimentos rebeldes africanos Congresso Nacional Africano da África do Sul e União Nacional Africana do Zimbábue, enquanto os governos da Rodésia e da África do Sul, na época sob o regime do apartheid, subsidiados por Washington, apoiavam as forças da Renamo.
Em 19 de outubro de 1986, Samora Machel voltava de uma reunião internacional na Zâmbia em um Tupolev Tu-134 quando o avião presidencial caiu nos Montes Libombos, perto da localidade sul-africana de Mbuzini. Dez pessoas sobreviveram, mas o presidente Machel e trinta e três outros tripulantes morreram, incluindo ministros e funcionários do governo moçambicano. A delegação soviética das Nações Unidas divulgou um relatório alegando que a sua visita tinha sido prejudicada pelos sul-africanos. Os representantes da União Soviética avançaram com a teoria de que o avião tinha sido desviado intencionalmente por um sinal VOR, usando uma tecnologia fornecida por agentes de inteligência militar do governo sul-africano.
Paz
O sucessor de Machel, Joaquim Chissano, implementou mudanças radicais no país por meio de reformas, como a mudança do sistema socialista para o capitalista, dando início a negociações de paz com a Renamo.
A nova constituição moçambicana, promulgada em 1990, previa um sistema político multipartidário, uma economia baseada no livre mercado e eleições livres. A guerra civil terminou em outubro de 1992 com o Acordo Geral de Paz, que foi mediado primeiramente pelo Conselho Cristão de Moçambique (CCM) e depois assumido pela Comunidade de Santo Egídio. Sob a supervisão das forças de manutenção da paz das Nações Unidas, a paz voltou a Moçambique, mas não os gravíssimos problemas econômicos e sociais.
Até 1993, cerca de 1,5 milhão de refugiados moçambicanos tinham procurado asilo em países vizinhos como Malaui, Zimbábue, Suazilândia, Zâmbia, Tanzânia e África do Sul como resultado da guerra civil e da prolongada estiagem.
Fonte: Opera Mundi

terça-feira, 24 de junho de 2014

1922: Assassinado ministro da República de Weimar

No dia 24 de junho de 1922, foi morto por um grupo de extrema-direita o ministro das Relações Exteriores da República de Weimar, Walter Rathenau, de origem judaica. Seu maior êxito político foi o pacto teuto-russo, em que os dois perdedores da Primeira Guerra desistiram de reparações financeiras mútuas.
Walther Rathenau
"O inimigo é da direita", denunciou Joseph Wirth, chanceler imperial na República de Weimar (1919–1933). Ele pertencia à ala esquerdista do Partido de Centro e acabara de perder o integrante mais qualificado de seu gabinete, o ministro das Relações Exteriores Walther Rathenau.
Hans Mayer, um dos últimos grandes intelectuais judeus de língua alemã, lembra o clima reinante na época. Multiplicavam-se os grupos paramilitares que agiam como esquadrões da morte, cometendo assassinatos políticos. "Meus colegas de escola, que de repente se identificavam com os chamados freikorps, a suástica e o desejo de uma revanche pela derrota alemã na Primeira Guerra Mundial, pareciam aprovar tudo isso." Eles gritavam slogans carregados de xenofobia e poderiam muito bem ter dito: "Matem Walther Rathenau, o porco judeu", conta Mayer.
Habilidade e visão
Rathenau (1867–1922) era um dos políticos alemães mais hábeis e visionários de seu tempo, um judeu prussiano, descendente de uma família de industriais burgueses. Seu pai, Emil Rathenau (1838–1915), foi fundador do conglomerado AEG, até o final do século passado uma das maiores empresas dos setores elétrico e eletrodoméstico da Alemanha.
Ignaz Bubis, falecido presidente do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, disse que "Rathenau sempre esteve dividido entre o amor à pátria e a consciência de que, para muitos, inclusive para o Estado, ser judeu era algo de segunda classe. Isso, porém, não o impediu de ser patriota".
Antes do início da Primeira Guerra Mundial, Rathenau publicou um ideário político que propunha que fossem eliminados ou, pelo menos, amenizados os atritos entre os povos europeus. Mas, quando eclodiu o conflito, ele sucumbiu ao patriotismo da época e passou a chefiar o departamento de matérias-primas para armamentos do Ministério da Guerra da Prússia.
Em 1921, foi nomeado ministro da Reconstrução e, pouco depois, passou a chefiar a pasta das Relações Exteriores. Sua nomeação não foi consequência de uma brilhante carreira política e, sim, deveu-se mais à intenção do chanceler Joseph Wirth de implementar o ideário político de Rathenau, aproveitando seus conhecimentos e sua habilidade.
Pacto com a Rússia
Seu maior êxito como ministro do Exterior foi a assinatura do tratado de Rapallo (Itália), em abril de 1922, o pacto entre os dois grandes perdedores da Primeira Guerra, a Alemanha e a Rússia. Por este tratado, ambos desistiram de reparações financeiras mútuas, resolveram reatar imediatamente as relações diplomáticas e consulares e se aproximaram economicamente.
O acordo teuto-russo irritou os vencedores da guerra e foi rejeitado pelos setores nacionalistas e de extrema-direita da Alemanha. Rathenau tornou-se suspeito de estar cooperando com os comunistas.
Dois meses depois da assinatura do tratado, ele foi baleado por um oficial da Marinha e um técnico (ambos radicais de direita), quando se dirigia em carro oficial aberto para seu ministério. Segundo o historiador Golo Mann, Rathenau foi um político sábio, que soube estabelecer metas políticas para além das necessidades e oportunidades do cotidiano.

DW.DE

segunda-feira, 23 de junho de 2014

PPGH convida para a defesa de Tales Albarello


PPGH convida para defesa de dissertação de Nilton de Oliveira


Estudantes do Curso de História visitam a Floresta Nacional de Passo Fundo






por Marcos Gerhardt (PPGH/UPF)

O Curso de Graduação em História da UPF realizou no último sábado, dia 21 de junho de 2014, uma visita de estudos à Floresta Nacional de Passo Fundo (FLONA), situada no município de Mato Castelhano RS. Os estudantes, acompanhados dos professores Marcos Gerhardt e Gizele Zanotto, puderam conversar com funcionários do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela administração da FLONA e conhecer parte desta unidade de conservação. A visita integra os estudos da disciplina Tópicos Especiais III, que aborda a História Ambiental, um campo da História que pesquisa as relações humanas com o meio ambiente em diversos tempos e procura compreender as mudanças e permanências produzidas pela ação humana nos ecossistemas do passado e do presente. 

A Floresta Nacional de Passo Fundo existe desde a década de 1940, sob a administração do extinto Instituto Nacional do Pinho, mas recebeu a atual denominação em 1968, quando foram criadas as Florestas Nacionais no Brasil. Possui uma área de cerca de 1.300 hectares, ocupada principalmente por floresta nativa (Floresta Ombrófila Mista), cultivos de araucária, de pinus, de eucalyptus e de erva-mate, bem como por um banhado e pela estrutura administrativa. Além da sua relevância ecológica, pois é um espaço de conservação da biodiversidade regional, a FLONA de Passo Fundo é um importante lugar para desenvolver o manejo florestal sustentável e pesquisas científicas.