sábado, 31 de maio de 2014

1902: Fim da Guerra dos Bôeres

No dia 31 de maio de 1902, terminou depois de três anos a Guerra dos Bôeres na África do Sul.
Soldados negros em Mafeking durante a Guerra dos Bôeres
O que em princípio era para ser uma guerra-relâmpago, acabou se tornando o pior conflito colonial dos britânicos. No dia 11 de outubro de 1899, a República Sul-Africana, mais os estados independentes de Orange e Transvaal, declararam guerra ao Reino Unido. Os colonos holandeses (bôeres, de Buren, agricultores) exigiam sua equiparação na comunidade sul-africana. Os britânicos, por seu lado, queriam ampliar o império colonial.
Os bôeres estavam bem armados, eram considerados bons atiradores e conheciam bem a região. Mesmo assim, não conseguiram se impor em cidades importantes controladas pelo britânicos, como Natal e no Cabo. Em março de 1900, as tropas de Londres conquistaram Bloemfontain, capital do Estado Livre de Orange. Os colonos receberam armas e apoio militar da Alemanha, mas seus 25 mil homens não podiam se impor diante do contingente de 250 mil britânicos.
Supremacia britânica e campos de concentração
Os bôeres tentaram, sem êxito, continuar a luta através de guerrilhas. Mas a vingança dos britânicos foi terrível: 30 mil propriedades foram incendiadas, plantações e animais mortos. Mulheres e crianças foram internadas em campos de concentração, onde morreram aos milhares.
A resistência dos colonos fracassou diante da falta de alimentos. A última guerra colonial entre colonos europeus e a metrópole terminou com 22 mil soldados mortos e sete mil vítimas fatais entre os bôeres.
Apesar da derrota, por um certo tempo os colonos conseguiram impor condições aos britânicos, tentando convencê-los de que conheciam melhor o território. Mas, com o passar do tempo, o Reino Unido tentou impor-se diante dos colonos, incentivando a migração de ingleses para a região e proibindo o holandês nas escolas. O nacionalismo bôer, no entanto, ressurgiu no interior. Pouco a pouco, os colonos começaram a deixar os centros dominados pelos britânicos.
Os negros, a grande maioria da população, assistiram ao conflito. Nem britânicos nem colonos buscaram grandes alianças. Paradoxalmente, os bôeres demoraram muito mais para reconhecer os direitos dos negros, apesar de terem lutado tanto pela sua soberania.

DW.DE

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Coluna Prestes mobiliza reflexões










Comunicado sobre atividades em dias de Jogos do Brasil na Copa (UPF)

Senhor(a) Diretor(a), Coordenador(a) de curso, Coordenador(a) de Área e Encarregado/a Administrativo/a:


Considerando a proximidade da realização da Copa do Mundo de Futebol 2014 e a necessidade de adequação das atividades acadêmicas no mês de junho, comunicamos o cronograma de aulas e dispensas para os dias dos jogos com a participação do Brasil, na primeira fase do campeonato:

12 de junho, quinta-feira
  • Solenidade de Abertura – 15h
  • Jogo do Brasil – 17h
- Haverá dispensa das aulas, nos turnos tarde e noite, no campus central e nos campi.

17 de junho, terça-feira
  • Jogo do Brasil – 16h
- As aulas do turno da tarde serão dispensadas às 15h30min.
- No turno da noite, as atividades no campus central e nos campi de Casca, Carazinho, Sarandi, Soledade e Lagoa Vermelha iniciarão às 20h20min.
- No campus Palmeira das Missões, as aulas terão início às 20h30min.
- Os ônibus para os campi terão saída a partir das 18h15min, conforme cronograma do Setor de Transporte da UPF, em anexo. Os horários e locais das saídas serão, excepcionalmente, os propostos no referido cronograma.

23 de junho, segunda-feira
  • Jogo do Brasil – 17h
- As aulas, no turno da tarde, ocorrerão até as 16h30min.
- Haverá dispensa das aulas, no turno da noite, no campus central e nos campi.


            Ressaltamos que a decisão da dispensa das aulas e/ou de adequação dos horários de início/término das atividades acadêmicas nas datas mencionadas se justifica pela singularidade da realização da Copa do Mundo no Brasil e pelo necessário tempo de deslocamento de professores e alunos, uma vez que a maioria dos estudantes da UPF reside/trabalha em municípios distantes da sede onde o curso é oferecido.
 
Desse modo, solicitamos que os professores de sua Unidade/Curso/Área sejam orientados a procederem da seguinte forma:
1.  Comunicar os alunos acerca da liberação mencionada nas datas referidas
2. Solicitar a realização de trabalho(s) discente(s) compensatório(s), que contribua(m) para a revisão/retomada dos conteúdos trabalhados no semestre
3.  Indicar a atividade discente no registro de conteúdos no Ambiente de Apoio ao Ensino
 
          Dada a excepcionalidade deste momento e considerando a proximidade do final do semestre e do período de exames, reafirmamos a indispensável cautela e flexibilidade para que, juntamente com a turma, os docentes possam discutir alternativas que evitem prejuízo acadêmico, propondo adequação das atividades previstas (provas, apresentação de trabalhos e outras programações).
Informamos, por fim, que os procedimentos relativos aos jogos das fases subsequentes serão comunicados posteriormente.

Agradecemos a atenção e enviamos nossas cordiais saudações.


Profª. Neusa Maria Henriques Rocha,

Vice-Reitora de Graduação.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Doutorado e Mestrado em História com inscrições abertas

Inscrições para ambos os cursos podem ser realizadas pelo site www.upf.br/pos


Foto: Fabiana Beltrami/Nexjor FAC
No site oficial do programa www.ppgh.upf.br é possível encontrar os editais com todas as informações referentes à seleção
O Programa de Pós-Graduação em História (PPGH), vinculado ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Passo Fundo (IFCH/UPF), está com inscrições abertas para os cursos de Doutorado e Mestrado. No site oficial do Programa www.ppgh.upf.br é possível encontrar os editais com todas as informações referentes à inscrição e documentação exigida, bem como detalhes sobre as linhas de pesquisa do PPGH.

Para o Doutorado em História estão sendo oferecidas 12 vagas e a seleção dos candidatos terá três etapas: defesa do projeto de pesquisa perante a Comissão de Seleção, análise do currículo Lattes e proficiência em língua estrangeira.  EGRESSOS DO MESTRADO UPF TEM BOLSA 100% NO DOUTORADO. As inscrições podem ser realizadas até 09 de junho pelo site www.upf.br/posConfira o edital.

O Mestrado em História inscreve até o dia 21 de junho pelo site citado acima. O processo de seleção será composto de quatro etapas que se iniciam no dia 1º/07: prova escrita, entrevista com base no pré-projeto de pesquisa, análise do pré-projeto de pesquisa e análise do currículo. O resultado do processo seletivo vai ser divulgado até 15/07 no site www.upf.br/ppgh. Dez vagas são oferecidas. Veja o edital.

Conforme a coordenadora, professora Dra. Ana Luiza Setti Reckziegel, a produção científica dos docentes, publicada em periódicos dos altos extratos do Qualis/Capes, foi classificada em segundo lugar dentre os 63 programas existentes na área no Brasil. “A internacionalização do Programa também é um fator diferencial, visto os convênios internacionais firmados com universidades da Argentina, Uruguai, Cuba, Angola, Itália e Portugal, que resultaram em publicações conjuntas e missões de trabalho dos docentes do PPGH”, pontua.

PPGH
O PPGH iniciou atividades em 1998, tendo sido o primeiro a ser instalado fora do eixo metropolitano gaúcho. É composto por três linhas de pesquisa: Política e Relações de Poder, Economia, Espaço e Sociedade, e Cultura e Patrimônio, que privilegiam o universo regional, sempre integrado ao âmbito mais amplo do Estado, do país e do mundo.  Além disso, possui como área de concentração História Regional, que volta à produção de conhecimentos em um viés específico diverso dos demais programas existentes no Rio Grande do Sul. O curso de Doutorado é pioneiro fora das regiões metropolitanas no Sul do país. Fruto do amadurecimento do PPGH, que já conta com mais de 200 dissertações defendidas, o doutorado em História assegura condições de proporcionar uma formação de alto nível a pós-graduandos.


Informações
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (54) 3316-8339 e pelo e-mail pghis@upf.br.


terça-feira, 27 de maio de 2014

PPGH divulga Seminários Abertos



1952: Tratado da Comunidade Europeia de Defesa

No dia 27 de maio de 1952, Bélgica, Alemanha Ocidental, França, Itália, Luxemburgo e Holanda assinaram um acordo de defesa.
Konrad Adenauer, defensor da CED
A Alemanha poderia voltar a ter um exército? Cinco anos após a Segunda Guerra Mundial, esta pergunta desencadeou uma enorme discussão. Muitas cidades alemãs ainda se encontravam em destroços. Enquanto isso, as forças de ocupação norte-americanas e inglesas pressionavam a República Federal da Alemanha a reorganizar o seu Exército.
Com a eclosão da guerra da Coreia, as duas potências aliadas temiam que a União Soviética quisesse ampliar sua área de influência. A aliança europeia deveria impedir um ataque à Europa Ocidental. O então chanceler federal da Alemanha, Konrad Adenauer, era favorável ao rearmamento do país: "Os alemães precisam entender que é impossível esperar que os Estados Unidos, o Canadá e os países europeus ocidentais se sacrifiquem para implementar essa frente de defesa, sem que a Alemanha preste a sua contribuição", afirmou.
Proposta do presidente francês
Os franceses, porém, mantinham-se cépticos em relação a uma aliança da Europa Ocidental com a participação de soldados alemães. Mesmo assim, foi o então presidente da França, René Pleven, quem apresentou o plano para uma Comunidade Europeia de Defesa (CED), no final de outubro de 1950. Segundo o historiador berlinense Michael Lemke, "a estratégia do presidente francês foi tomar a iniciativa para assumir o controle sobre algo que era inevitável".
Pleven propôs a criação de um exército europeu ocidental com participação de Itália, França, Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Alemanha Ocidental. Mas a sua proposta tinha uma mácula, reconhecida imediatamente por Adenauer: os alemães ocidentais não participariam em condições de igualdade dessa aliança e tanto o comando, quanto o contigente das suas tropas, seriam controlados pelos demais países.
Adenauer queria tratamento igual para a Alemanha
Após longas negociações, Adenauer conseguiu um tratamento igualitário para os alemães. Aderindo ao acordo, a Alemanha Ocidental se tornaria soberana. Mas nem mesmo essa promessa impediu os comunistas, os sindicatos, os social-democratas e as Igrejas de protestarem contra o rearmamento alemão. Diz-se que, se tivessem sido realizadas eleições parlamentares em 1950 ou 1951, Adenauer teria sido derrotado, em decorrência de tal discussão.
Seu principal oponente era o ex-ministro do Interior, Gustav Heinemann, que renunciara ao cargo em protesto contra os planos armamentistas de Adenauer. Os adversários do rearmamento baseavam-se na Constituição, que atribuía a defesa da Alemanha exclusivamente às forças de ocupação. Segundo Lemke, "muitos diziam que o ingresso na Comunidade de Defesa Europeia aprofundaria a divisão alemã e não aumentaria a simpatia dos russos pela reunificação e por eleições livres".
Críticas da Alemanha Oriental
Adenauer, no entanto, acreditava que somente uma aliança forte da Europa Ocidental forçaria a União Soviética a negociar. No dia 27 de maio de 1952, ele assinou o tratado da Comunidade Europeia de Defesa. O então presidente da Alemanha Oriental, Wilhelm Pieck, criticou a aliança: "Enquanto lutamos pela construção da paz em todo o país, uma clique criminosa no Ocidente da nossa pátria, a mando dos armamentistas norte-americanos, conduz o povo alemão à terceira guerra".
Na mesma época, porém, a República Democrática Alemã também se rearmava secretamente. Os parlamentos europeus ocidentais – à exceção do francês – ratificaram o tratado. A 30 de agosto de 1954, a assembleia nacional francesa rejeitou definitivamente o acordo, o que representou o fracasso da CED. "O colapso do projeto enfraqueceu também a ideia da unificação europeia, já que a defesa comum deveria ser um elemento constitutivo da União Europeia", afirma Lemke.
Apesar disso, a Alemanha reorganizou as suas forças armadas e, a 5 de maio de 1955, foi admitida na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). O bloco comunista reagiu com a criação do Pacto de Varsóvia. Era o começo da Guerra Fria, que durou até a queda do Muro de Berlim, em 1989.

DW.DE

1905 – Japão derrota Rússia na Batalha de Tsushima

Em 27 de maio de 1905, a frota de guerra japonesa derrota uma frota de guerra russa vinda do Báltico. A batalha naval se desenrola ao largo das ilhas Tsushima, no braço de mar que separa a Coreia do Japão.
Era a primeira vez que um Estado do porte da Rússia se via derrotado por uma potência asiática. Esse fato sem precedentes iria relançar os movimentos anticolonialistas na Ásia, em particular nas Índias submetida aos britânicos, os quais imprudentemente encorajaram a agressão japonesa.
WikiCommons

Pintura de Tōjō Shōtarō, de 1906, retrata Batalha de Tsushima
O conflito teve sua origem na rivalidade entre a Rússia do czar Nicolau II e o Japão do imperador Mutsuhito. Ambos queriam erguer um império colonial para se equiparar às grandes potências ocidentais. Seu alvo comum era a China.
Por sua vez, o imperador da Alemanha, Guilherme II encoraja o czar russo em sua visão expansionista asiática tendo em vista isolá-la de sua aliança com a França.
A Rússia conquista a primeira vitória ao ocupar a província chinesa da Manchúria e a quase ilha de Liaotung a favor da Revolta dos Boxeurs. Ela ali instala uma sólida guarnição em Port-Arthur, na extremidade da quase-ilha. Contudo, a Inglaterra do rei Eduardo VII irrita-se com este expansionismo. Avisa o Japão que só não interviria na guerra se o Japão atacasse a Rússia. Assim, Port-Arthur é atacado sem prévia declaração de guerra na noite de 7 para 8 de fevereiro de 1904 — os japoneses repetiriam a tática contra os norte-americanos em Pearl Harbor, em dezembro de 1941.
A armada do almirante Heihashiro Togo afunda sete navios russos quando ainda estavam ancorados enquanto 8 mil soldados japoneses desembarcavam na Coreia, marchando em seguida em direção de Seul. Em 2 de janeiro de 1905, a guarnição russa de Port-Arthur capitula. Após a batalha de Mukden, o Exército russo teve de abandonar a Manchúria. O gosto amargo da derrota foi um dos fatores na origem da ‘Revolução Sangrenta’ em São Petersburgo de domingo 22 de janeiro de 1905. O núcleo da autocracia russa foi severamente atingido e balançou.
O Japão, se bem que já no limite de suas forças, praticamente tinha ganho a guerra quando a frota russa do Báltico chega a suas águas. Sob o comando do almirante Rojdestvenski, levou oito meses para contornar a África pelo Cabo da Boa Esperança e subir em direção ao Extremo Oriente.
O almirante Heihashiro Togo corta-lhe a rota e destrói sua armada ao cabo de uma batalha de dois dias.
Dos 45 navios russos, somente dois destróieres e um cruzador conseguem escapar do desastre e ganham o porto russo de Vladivostok. Seis outros pequenos barcos de guerra se refugiam em portos neutros, onde são desarmados. Os demais foram afundados ou capturados pelos japoneses.
Perto de 5 mil russos são mortos e 6 mil feitos prisioneiros, entre os quais dois almirantes. Os japoneses só tiveram de lamentar a perda de 3 destróieres e 700 homens.
O czar não teve outra saída se não aceitar a mediação do presidente norte-americano Theodore Roosevelt. Ele abre em 5 de setembro as negociações que conduziriam a uma paz humilhante para Moscou e que foi assinada em Portsmouth, Estados Unidos.
Fonte: Opera Mundi

FARC completam 50 anos de existência em meio a diálogos de paz

Em 27 de maio de 1964, um ataque do exército colombiano contra a região de Marquetália, onde camponeses armados desenvolviam uma zona independente do Estado, marca a criação das FARC (Forcas Armadas Revolucionárias da Colômbia). Cinquenta anos depois, a guerrilha mais antiga das Américas ainda se encontra ativa, apesar de negociar há pouco mais de um ano um acordo de paz com o governo colombiano em Havana, Cuba.
Efe (16/05/2014)

Representantes das partes envolvidas dos diálogos de paz e dos países mediadores anunciam em Havana assinatura do terceiro ponto
Três dos seis pontos em debate já foram acordados, referentes à questão agrária, à participação política e ao combate ao narcotráfico. “Agora há que discutir a saída deste conflito, o que inclui a reparação das vítimas, o acordo para entrega de armas e o estabelecimento dos mecanismos de referendar os acordos e dar início a uma nova fase de democratização”, afirma Carlos Medina, professor da Universidade Nacional da Colômbia e pesquisador da história das guerrilhas.

Depois de vários fracassos anteriores, analistas afirmam que os diálogos atuais são mais bem estruturados, com uma agenda clara e uma disposição declarada entre ambas partes. Antes, “as FARC reivindicaram a solução política desde que desaparecessem os problemas que originaram o conflito. O fracasso dessas negociações aconteceu pela negativa dos governos de turno, pressionados pela classe dominante colombiana, pelos EUA e pelo militarismo, em aceitar essas mudanças estruturais, como a reforma agrária e a abertura democrática. Se sentavam na mesa buscando que a guerrilha entregasse as armas em troca de nada”, critica Carlos Lozano, membro da direção nacional do PCC (Partido Comunista Colombiano) e diretor do jornal Voz.

A pressão de setores militares e da extrema direita liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe contra os diálogos de paz – especialmente no atual período eleitoral – é outro tema delicado. “Esperamos que o governo siga entendendo a necessidade de uma saída política e não ceda a essas forças”, diz Lozano, que acredita que a política de altos investimentos militares contrainsurgentes implementada nos oito anos de governo de Uribe debilitou, mas não pôde derrotar a guerrilha, o que revela o fracasso da via militar como solução do conflito.
Vitor Taveira/Opera Mundi

Comemoração feita pelo Movimiento Bolivariano, braço político urbano das FARC, na sede da Universidade Nacional em Bogota

Outra fragilidade apontada pelo líder comunista reside na incapacidade dos setores democráticos e progressistas de criarem uma frente ampla para a paz, que pressione por mudanças e exija que governo e guerrilha não se levantem da mesa de negociações até que o acordo pleno seja concluído.

Conquistas e apoio popular

Álvaro Villarraba, pesquisador do Centro Nacional de Memória Histórica, ressalta que, embora tenham o rechaço da maioria da população, as FARC possuem apoio especialmente entre “setores camponeses e sociais de áreas rurais remotas e urbanas deprimidas”, onde fazem parte da “base social”.

A falta de presença do Estado permitiu que guerrilha e paramilitares ocupassem esses espaços e impusessem seu controle militar, jurídico, político e econômico. “Quando o Estado consegue entrar e controlar essas áreas, mudam as relações de poder e o comportamento da população em relação ao ator armado que está lá. É muito difícil para a população se comportar de forma distinta ao ator de forca que atua em seu território”, diz o professor.
Vitor Taveira/Opera MundiCarlos Medina acredita que um efeito positivo do movimento insurgente foi conseguir chamar a atenção do Estado para territórios antes esquecidos.
[Villarraba: FARC fazem parte da “base social”]
A criação das Zonas de Reserva Camponesa foram um avanço importante para o campo, na opinião de Lozano, que “não foram impostas pelas FARC mas se estabeleceram graças à organização e suporte político importante encontrado na guerrilha”.

O efeito da existência da luta armada para a esquerda democrática também gera opiniões distintas. Para Villarraba, os ativistas e movimentos sociais sofrem interferência da guerrilha e também estigmatização por parte dos paramilitares e agentes estatais, constituindo um fator de risco e um obstáculo para o desenvolvimento da esquerda democrática.

No entanto, para Lozano, se não fosse a existência do movimento insurgente, provavelmente o movimento popular e a esquerda democrática já haveria sido aniquilada pela violência política existente no país.

O deputado Iván Cepeda explica o apoio que os insurgentes possuem em certos territórios. “Para algumas populações, a guerrilha representou a resistência a políticas governamentais, como projetos de exploração da riqueza natural. Mas a guerra nunca será fator de desenvolvimento: ela é a destruição do entorno social e natural. Por isso, a Colômbia deve alcançar a paz por meio de um acordo dialogado”.

Causas do conflito

Segundo Cepeda, os dois principais fatores que levaram à criação das FARC e de outras guerrilhas ainda não foram resolvidos: reforma agrária e falta de liberdade política. “A Colômbia é um país com alto índice de desigualdade. Um por cento dos proprietários possuem 50% das terras. No outro extremo, há uma massa camponesa, indígena e de afrodescendentes que vive na miséria e ainda sofre com a expulsão de suas terras por conta da violência”, sublinha.
O outro ponto se relaciona com a biografia de Cepeda. Seu pai, Manuel Cepeda, era senador da República pela União Patriotica (UP), partido criado a partir de uma trégua entre o governo e as FARC, quando foi assassinado por paramilitares em 1994. A corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Estado colombiano como cúmplice do crime. Prestes a assumir o cargo de senador em julho, Iván vive sobre constantes ameaças.
Vitor Taveira/Opera Mundi

Cepeda: fatores que levaram à criação das FARC ainda não foram resolvidos: reforma agrária e falta de liberdade política

Lozano corrobora a análise de Cepeda. “Essas causas não só nunca desapareceram como se aprofundaram ainda ao longo desses 50 anos por conta de uma classe dominante mesquinha que se negou a fazer estas reformas de caráter burguês, como a reforma agrária e abertura política para a participação das agrupações de esquerda”, afirma, relembrando o chamado “genocídio político” da UP, que teve entre 3 mil e 5 mil militantes assassinados nos anos 80 e 90, segundo estimativas.

A questão agrária e a participação política foram justamente os dois primeiros pontos discutidos na atual mesa de diálogo. Também já foi fechado o acordo sobre drogas ilícitas. Ainda estão pendentes outros três temas de ressarcimento das vítimas, da finalização do conflito e entrega de armas e da implementação, verificação e referendação dos acordos. Os pontos parciais já acertados só terão validade caso o acordo completo seja efetivado.

Para o dirigente comunista, o reconhecimento do caráter político dos movimentos insurgentes e sua inserção na política legal, deixando a luta armada, é fundamental. “As guerrilhas colombianas são uma realidade e precisam ser levadas em conta para as mudanças políticas, econômicas e sociais”, diz Lozano. “Uma lição que o país aprendeu em meio à tragédia e o horror da guerra é a necessidade de mudança, de democracia, da construção de um novo momento na vida nacional”, completa.
Fonte: Opera Mundi

sexta-feira, 23 de maio de 2014

1949: Promulgada a Lei Fundamental Alemã

Há 65 anos, em 23 de maio de 1949, a Assembleia Constituinte alemã promulgou a Constituição que mais tarde serviria de modelo para muitos países. Com a lei, a República Federal da Alemanha passou a existir oficialmente.
Adenauer ao assinar a Lei Fundamental
A elaboração da Carta Magna alemã foi autorizada pelos três aliados ocidentais nos chamados Documentos de Frankfurt, em julho de 1948. Esta Assembleia Constituinte, batizada de Conselho Parlamentar, foi formada por 65 representantes de assembleias estaduais da Alemanha Ocidental e cinco observadores enviados por Berlim.
O conselho foi presidido por Konrad Adenauer, da União Democrata Cristã, que ainda em 1949 seria eleito primeiro chefe de governo alemão-ocidental no pós-guerra.
A tarefa da Assembleia Constituinte era redigir uma Lei Fundamental com poderes de Constituição, mas que não tivesse caráter definitivo, para não ameaçar a almejada unificação alemã. Depois da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha havia sido dividida em duas, ocupadas por soviéticos e aliados ocidentais.
Em agosto de 1948, uma conferência havia definido as linhas gerais da Grundgesetz, prevendo os três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário. A tarefa dos parlamentares foi complementá-la com mecanismos que definissem todos os direitos civis e criassem os fundamentos jurídicos do país.
Antes da aprovação da Lei Fundamental, muita polêmica agitou os dois grandes partidos alemães, a União Democrata Cristã (CDU) e o Partido Social Democrata (SPD). Uma questão controvertida foi, por exemplo, a igualdade entre homens e mulheres perante a lei. Somente o engajamento da social-democrata Elisabeth Selbert, apoiada por sindicatos e associações feministas, conseguiu garantir os mesmos direitos para os dois sexos.
Com 53 votos a favor e 12 contra, a Lei Fundamental Alemã foi aprovada pela Constituinte e anunciada por Adenauer a 23 de maio de 1949.
Proteger fundamentos naturais da vida e dos animais
Com a unificação dos dois Estados alemães, em 1990, a Lei Fundamental deixou de ter caráter provisório. Em maio de 2002, o Parlamento aprovou a inclusão da proteção aos animais num parágrafo da Constituição.
Com a emenda, a Alemanha foi o primeiro país da União Europeia a incluir esse preceito entre as tarefas fundamentais do Estado. O parágrafo 20 da Lei Fundamental passou a ter três palavras a mais e o seguinte teor: "O Estado protege os fundamentos naturais da vida e os animais".
O professor Vital Moreira, da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, destaca a importância das cartas magnas alemãs no contexto internacional: "Já a Constituição de Weimar, de 1919, serviu de modelo para as constituições entre as duas guerras. A ela se deve a constitucionalização dos direitos sociais e da economia".
A Constituição de Weimar pela primeira vez ensaiara um compromisso no sistema de governo parlamentar, com um presidente da República eleito diretamente, dotado de importantes poderes institucionais próprios. Mas algumas das suas soluções acabaram por favorecer a instabilidade política da República de Weimar e, mais tarde, a tomada do poder por Hitler.
Weimar serviu de inspiração
Algumas das instituições da Lei Fundamental de 1949 baseiam-se nos preceitos da Constituição de Weimar, explica Vital Moreira: "É o caso da opção por um parlamentarismo racionalizado, com garantia de estabilidade governamental, sobretudo por intermédio da moção construtiva, que só permite o derrube de um governo desde que com a aprovação simultânea de um governo alternativo. É o caso da barreira dos 5%, que veda a eleição de deputados por pequenos partidos extremistas e que impede a pulverização parlamentar".
"É o caso", prossegue o professor português, "da interdição dos partidos anticonstitucionais, que permitiu a proibição do Partido Comunista Alemão. Ou do afastamento da eleição direta do presidente da República, bem como do referendo. É o caso da garantia dos direitos fundamentais, sobretudo por meio de um Tribunal Constitucional, diretamente apelável pelos cidadãos mediante o mecanismo da queixa constitucional, em caso de violação dos seus direitos".
Nos seus 65 anos de existência, a Constituição alemã exerceu grande influência internacional. Não existe Constituição europeia elaborada nas últimas décadas que não tenha colhido soluções na Constituição alemã.
"Isso é evidente desde logo na Constituição portuguesa de 1976 e na espanhola de 1978. Ela foi fonte de inspiração também para as novas Constituições dos países do Leste Europeu, nascidas da transição democrática e da fragmentação da União Soviética", complementa Vital Moreira.
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quinta-feira, 22 de maio de 2014

1972: Nixon em Moscou

No dia 22 de maio de 1972, Richard Nixon inicia a primeira visita de um presidente norte-americano à União Soviética.
Richard Nixon com Nikolai Podgorny, do Soviete Supremo
Os dois global players da época — Estados Unidos e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) — tinham arsenais nucleares de sobra para se destruírem mutuamente. Diante da imensa capacidade de destruição acumulada nos dois lados, não fazia muito sentido continuar a corrida armamentista.
Reunidos em Budapeste, na Hungria, a 17 de março de 1969, os chefes de governo dos países do Pacto de Varsóvia convocaram todas as nações europeias para uma conferência sobre questões de segurança e cooperação na Europa. Começou aí o processo de criação da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).
Em busca do equilíbrio militar
Três anos mais tarde, começaram os contatos pessoais e intergovernamentais. Do dia 22 a 30 de maio de 1972, o presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, viajou a Moscou. Nixon já havia visitado a URSS em 1959, na condição de vice-presidente. Inicialmente, ele depositara grandes esperanças no então chefe de governo da URSS, Nikita Kruchev, cuja política de distensão considerava favorável a um entendimento mundial.
Em Moscou, em 1972, Nixon assinou os tratados que serviriam de base para o equilíbrio militar entre Leste e Ocidente. Seu interlocutor em Moscou foi Leonid Brejnev, cuja rígida política interna foi vista pelos russos como um período de "estagnação".
Na política externa, ao mesmo tempo em que propagava uma abertura e distensão em relação ao Ocidente, causava protestos do bloco capitalista contra a chamada "doutrina Brejnev", que submetia os países socialistas ao comunismo soviético, sob ameaça de intervenção armada.
Um dos principais resultados da viagem de Nixon a Moscou foi a assinatura do acordo de redução dos sistemas antimísseis intercontinentais ABM (Anti-Ballistic-Missile-System). Através do Tratado Salt-I foi estabelecido um teto máximo de armas ofensivas estratégicas. Isso não resultou em desarmamento, mas pelo menos numa coordenação da corrida armamentista.
Intenções submetidas a provas
Além desses tratados, os chefes de governo assinaram, no dia 29 de maio, uma "declaração básica sobre as relações soviético-norte-americanas", na qual as duas potências mundiais se comprometeram a não ambicionar vantagens unilaterais às custas do outro.
Os signatários do documento deveriam evitar situações de conflito que pudessem aumentar as tensões internacionais. A meta final desse esforço era um desarmamento geral e a criação um efetivo sistema de segurança mundial.
Tratava-se de uma ampla carta de intenções, submetida nos anos seguintes a duras provas. Os conflitos no Terceiro Mundo interferiram nas relações soviético-norte-americanas. A guerra entre Egito e Síria, em outubro de 1973, o apoio militar da URSS ao Vietnã do Norte, bem como os movimentos de libertação de Moçambique e Angola, provocaram novas tensões entre as duas potências.

DW.DE

terça-feira, 20 de maio de 2014

1927 - Grã-Bretanha reconhece independência do Reino de Nejd e Hejaz



Pelo Tratado de Jeddah, firmado em 20 de maio de 1927, o Reino Unido reconhecia a independência do então conhecido como Reino de Nejd e Hejaz. Em 1932, as principais regiões de Al-Hasa, Qatif, Nejd e Hejaz se unificaram para formar o reino da Arábia Saudita.

[Rei Abdelaziz bin Saud, fundador do reino da Arábia Saudita]
Arábia Saudita é uma monarquia do Oriente Médio, situada na Península Arábica. Limita-se com a Jordânia e Iraque ao norte; com Iraque ao noroeste; com Kuwait, Emirados Árabes, Catar e o golfo Pérsico ao leste; com o mar Vermelho a oeste; com Omã e Iêmen ao sul, além de estar conectada com Bahrein através da Calçada do Rei Fahd. O país tem 2,2 milhões de quilômetros quadrados e população de 30 milhões de habitantes.
O reino saudita foi fundado por Abdelaziz bin Saud em 1932 e tem sido uma monarquia absoluta desde os primórdios, baseada nos princípios islâmicos. O reino é também denominado como “a terra das mesquitas sagradas”. Meca e Medina são os dois lugares mais sagrados do Islã e o acesso às suas mesquitas é estritamente proibido aos não muçulmanos.
A Arábia Saudita representa hoje uma das últimas quatro monarquias absolutas que restam no mundo. A linhagem oficial está completamente alinhada aos preceitos islâmicos com uma das mais rigorosas interpretações da ‘sharia’, a lei islâmica. A grande maioria das liberdades fundamentais,  se não proibidas, estão seriamente restringidas. Os atos homossexuais são condenados habitualmente à morte, as mulheres não podem conduzir veículos e o direito delas ao voto só foi reconhecido em 2011.  É um dos países que mais aplica a pena de morte, inclusive contra menores de idade, principalmente por estupro, tráfico de drogas e homossexualidade.
História da Arábia Saudita
À parte um pequeno número de assentamentos urbanos como Meca e Medina, a maior parte do que é atualmente a Península Arábica era habitada por tribos nômades ou coberta por desertos inabitáveis. O profeta Maomé nasceu em Meca por volta do ano de 571. No início do século 7, uniu as distintas tribos e criou um único sistema de governo religioso islâmico.

Após sua morte em 632, os seguidores expandiram o território sob domínio muçulmano mais além da Arábia, conquistando uma vastidão de territórios, desde a Península Ibérica até a Índia, em questão de décadas. Desse modo, a Arábia logo se converteu numa região periférica do mundo islâmico à medida que o foco se centrou nas terras conquistadas mais desenvolvidas.
Desde o século 10 até princípios do século 20,  Meca e Medina estiveram sob controle de um xerife de Meca, porém na maior parte do tempo esse xerife devia obediência aos governantes dos maiores impérios islâmicos com sede em Bagdá, Cairo e Istambul.
No século 16, os otomanos anexaram a seu império as costas do Mar Vermelho e o Golfo Pérsico. Em 1744, o emir Muhamad bin Saud juntou suas forças a Muhamad ibs Abd-al-Wahab, criador da seita do wahabismo, a fim de criar uma nova entidade política, o emirado de Diriyah.
Em 1902 Riad, a capital ancestral da dinastia Al-Saud, foi conquistada. Em 8 de janeiro de 1926, Abdelaziz bin Saud se converteu em rei de Hiyaz e no ano seguinte, rei de Nejd. Mediante o Tratado de Jedda de 20 de maio de 1927, o Reino Unido reconheceu a independência do reino.
O descobrimento de petróleo em 1938 transformou economicamente o país. A Arábia Saudita se integrou às Nações Unidas em 1945 e é membro fundador da Liga Árabe e da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Tem importante papel no FMI e no Banco Mundial e em 2005 se uniu à Organização Mundial de Comércio.
O rei na Arábia Saudita concentra toda a autoridade, tendo sob seu controle os poderes legislativo, executivo e judiciário. Seu poder só está limitado, de acordo com a Lei Básica de 1992, aprovada por um Real Decreto, pela Sharia e o Corão, que junto com a Sunnah – os meios pelos quais Maomé aplicou o Islã -, formam a constituição nacional. Não existem eleições nem partidos políticos e o sistema político está submetido ao wahabismo
(movimento ultraconservador).
O sistema legal está dividido entre o Conselho da Shura (Conselho de Consulta) composto de 150 membros estudiosos nomeados pelo rei, e o Conselho de Ministros, todos membros masculinos da família real.
Tanto o governo como a família real têm sido acusados de corrupção, num país em que é tênue a linha que separa os bens do Estado e a fortuna pessoal dos príncipes. De fato, no Índice de Percepção de Corrupção realizado em 2010 pela Transparência Internacional, a Arábia Saudita recebeu uma pontuação de 4,7 numa escala de 0 a 10, em que 0 denota alta corrupção e 10, alto grau de honestidade.
Fonte: Opera Mundi

1990: Primeiras eleições livres na Romênia

No dia 20 de maio de 1990, aconteceram as primeiras eleições livres na Romênia depois de 53 anos. O vitorioso foi o até então presidente interino Ion Illiescu.
Ion Illiescu venceu o primeiro pleito após a queda do ditador Nicolae Ceausescu
A eleição foi realizada num clima extremamente emocional. A campanha eleitoral, que entrou na sua fase decisiva poucos meses após a derrubada e execução do ditador Nicolae Ceausescu, em dezembro de 1989, esquentou não só por causa de insultos verbais, como também por causa de agressões físicas.
Os três partidos que apresentaram candidatos ao pleito – a Frente de Salvação Nacional (FSN), o Partido Nacional Liberal e o Partido Camponês – não tiveram muito tempo para conquistar a simpatia dos eleitores. A FSN, liderada por Ion Illiescu, presidente interino do país desde fins de 1989, teve no mínimo duas vantagens em relação às outras legendas, como explica o escritor e jornalista romeno Keno Verseck.
"A maioria dos observadores – e esta também é a minha impressão – dizem que a data das eleições foi precoce demais. Há que se considerar que, durante a ditadura de Ceausescu, de 1965 a 1989, praticamente não houve espaço para nada, nem para o mínimo de oposição admitida em outros países europeus. Não existia uma oposição organizada. Existiam pequenos partidos oposicionistas, mas para eles o prazo das eleições era demasiado curto. A FSN, por sua vez, se organizara como órgão dirigente provisório do país e, ao mesmo tempo, apresentou candidato próprio às eleições. Por isso, ela desfrutou de duas vantagens: definiu o calendário eleitoral e era o partido que comandava provisoriamente a máquina do Estado."
Já antes do pleito se via que a oposição não tinha qualquer chance. Principalmente o Partido Camponês ignorou em sua campanha anticomunista o fato de que muitos eleitores eram ex-filiados do antigo Partido Comunista e, de alguma forma, se haviam arranjado com o sistema, dependendo ainda materialmente das estruturas econômicas e administrativas criadas pelo regime socialista.
Votação sob observação do exterior
O sistema eleitoral forneceu argumentos para a oposição alimentar um forte temor de manipulação do pleito. Os 16,8 milhões de eleitores tinham de optar entre 82 partidos e organizações, numa cédula eleitoral de 24 páginas. O voto era dado na forma de um carimbo no quadradinho ao lado do partido ou do candidato escolhido. O carimbo fora do quadradinho invalidava o voto.
Diante das denúncias da oposição de amplas fraudes por parte da frente interina de governo, cerca de 600 observadores estrangeiros foram enviados à Romênia. Eles garantiram que as primeiras eleições parlamentares e presidenciais livres, depois de 53 anos de ditadura, transcorreram de forma relativamente legal.
Como era previsível, o presidente interino Ion Illiescu venceu com 86 por cento dos votos válidos. O resultado não surpreendeu. "Era evidente que a FSN obteria a maioria absoluta e Illiescu, mais do que uma maioria de dois terços", diz Verseck.
O jornal oposicionista Romana Libera escreveu, à época, que o resultado eleitoral era a expressão do atual nível político da Romênia, que deveria ser reconhecido e aceitado. Era o resultado de decisões individuais de pessoas cuja mentalidade e comportamento foram profundamente influenciados pela ditadura Ceausescu. A FSN venceu, mas a possibilidade, pela primeira vez depois de muitas décadas, de controlar-se o poder do partido governante através de uma forte oposição no Parlamento não foi aproveitada.
Continuidade moderada
E quais eram as expectativas dos eleitores? Para Verseck, os eleitores esperavam uma continuidade moderada. "É assim que eu caracterizaria o partido de Illiescu, à época chamado Frente de Salvação Nacional. É um partido da continuidade moderada. Não fez grandes mudanças, como criar estruturas democráticas. Era o que muitas pessoas esperavam e é isso que aconteceu."
Em seu primeiro mandato, Ion Illiescu exerceu a presidência da Romênia de 1989 a 1996. Através de uma nova Constituição, referendada em dezembro de 1991, foi instituído o pluripartidarismo no país, garantidos os direitos humanos e estabelecidas as bases para a economia de mercado. Depois de ter sido sucedido em 1996 por Emil Constantinescu, da Convenção Democrática da Romênia, Illiescu foi reeleito para outro mandato de quatro anos nas eleições de dezembro de 2000.
  • Autoria Doris Bulau (gh)
  • Link permanente http://dw.de/p/1MXt

6a. Copa Simón Bolívar - Resultados Finais


Campeão: Clube Sepé Tiarajú de Futebol e Caçada
Vice: Esporte Clube Futebol Bagual
Artilheiro: Cristiano Pessoa (Clube Sepé Tiarajú de Futebol e Caçada)
Melhor Goleiro: Marciano Bonatti (Clube Sepé Tiarajú de Futebol e Caçada)
Medalha Sandro Sottili (craque) Uffs: Cristiano Pessoa (Clube Sepé Tiarajú de Futebol e Caçada)
Medalha Sandro Sottili (craque) UPF: Sidinei Carlos Agatti (Federação Artiguista de Futebol Platino
Mimimimi Uffs: Henrique Trizotto (Visigodos Carne, Álcool e Futebol)
Mimimimi UPF: Jean (Feudal Clube Atlético)
Melhores Torcidas: Clube Sepé Tiarajú de Futebol e Caçada e Estudiantes das Grotas.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Educação patrimonial em questão



Aconteceu no dia 14 de maio no Campus III da Universidade de Passo Fundo o VI Seminário de Atualização Pedagógica para Professores da Educação Básica, na ocasião o Projeto Momento Patrimônio, em parceira com o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência - PIBID/História, ofereceu o minicurso "Educação Patrimonial e Ensino de História", que objetivou discutir a Metodologia da Educação Patrimonial como possibilidade de dar voz a vez às comunidades, possibilitando aos alunos indagar sobre sua identidade, sobre seu espaço de convívio, suas relações socioculturais, ou seja, sobre a sua memória individual, familiar e social. Revisitou-se algumas definições básicas referentes ao patrimônio e a história local como suporte às proposições metodológicas que se seguirão na perspectiva da Educação Patrimonial.

No minicurso, os palestrantes desenvolveram pontos relacionados à conceituação de patrimônio e educação patrimonial, realização da “técnica de memória” e como relacionar o patrimônio com o ensino de História.

Acadêmicos colaboradores: Augusto Diehl Guedes; Djiovan Vinícius Carvalho; Waleska Gaspar.
Professoras responsáveis: Ironita Policarpo Machado; Rosane Marcia Neumann

Ciclo de Cinema VIII – O Cinema Revisto pela História



PROGRAMAÇÃO
11/06 - Pra frente, Brasil (comentário Ana Luiza Reckziegel)
12/06 - Em função das deliberações acerca de dias de jogos do Brasil na Copa esta noite não teremos Ciclo de Cinema - ver o comunicado
13/06 - O segredo de seus olhos (comentário Adelar Heinsfeld)


Inscrições na Coordenação do Curso de História a partir do dia 26 de maio.
Investimento: R$ 8,00

SINOPSES
Dirigido por: Roberto Farias
Com: Reginaldo Faria, Antonio Fagundes, Cláudio Marzo 
Gênero: Drama
Nacionalidade: Brasil
Em 1970 o Brasil inteiro torce e vibra com a seleção de futebol no México, enquanto prisioneiros políticos são torturados nos porões da ditadura militar e inocentes são vítimas desta violência. Todos estes acontecimentos são vistos pela ótica de uma família quando um dos seus integrantes, um pacato trabalhador da classe média, é confundido com um ativista político e "desaparece".









Dirigido por: Cao Hamburger
Com: Michel Joelsas, Germano Haiut, Simone Spoladore 
Gênero: Drama
Nacionalidade: Brasil
1970. Mauro (Michel Joelsas) é um garoto mineiro de 12 anos, que adora futebol e jogo de botão. Um dia sua vida muda completamente, já que seus pais saem de férias de forma inesperada e sem motivo aparente para ele. Na verdade os pais de Mauro foram obrigados a fugir por serem de esquerda e serem perseguidos pela ditadura, tendo que deixá-lo com o avô paterno (Paulo Autran). Porém o avô enfrenta problemas, o que faz com que Mauro tenha que ficar com Shlomo (Germano Haiut), um velho judeu solitário que é seu vizinho. Enquanto aguarda um telefonema dos pais, Mauro precisa lidar com sua nova realidade, que tem momentos de tristeza pela situação em que vive e também de alegria, ao acompanhar o desempenho da seleção brasileira na Copa do Mundo.



Dirigido por:Juan José Campanella
Com: Ricardo Darín, Soledad Villamil, Pablo Rago
Gênero: Drama
Nacionalidade: Espanha , Argentina

Benjamin Esposito (Ricardo Darín) se aposentou recentemente do cargo de oficial de justiça de um tribunal penal. Com bastante tempo livre, ele agora se dedica a escrever um livro. Benjamin usa sua experiência para contar uma história trágica, a qual foi testemunha em 1974. Na época o Departamento de Justiça onde trabalhava foi designado para investigar o estupro e consequente assassinato de uma bela jovem. É desta forma que Benjamin conhece Ricardo Morales (Pablo Rago), marido da falecida, a quem promete ajudar a encontrar o culpado. Para tanto ele conta com a ajuda de Pablo Sandoval (Guillermo Francella), seu grande amigo, e com Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil), sua chefe imediata, por quem nutre uma paixão secreta.