segunda-feira, 31 de março de 2014

Nomes de praças, avenidas e ruas de Passo Fundo são tema de programa da UPFTV

Foto: Divulgação UPF
Professora Ironita Policarpo Machado mediou o debate, do qual participaram o historiador Fernando Miranda e o arquiteto Nino Machado

A UPFTV exibirá nesta sexta-feira (04/04), às 21h, o sétimo programa da série Momento Patrimônio. O programa traz como assunto os topônimos de Passo Fundo, ou seja, os nomes de algumas ruas e locais que contam parte da história do município, sua origem e evolução. Entre os espaços citados estão as praças Almirante Tamandaré, Ernesto Tochetto e Marechal Floriano; avenidas Brasil e Presidente Vargas; e também ruas como a Morom e a XV de Novembro.

A temática é debatida pelo empresário, historiador e presidente do Instituto Histórico de Passo Fundo Fernando Miranda e o professor e arquiteto Nino Machado. A professora do Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) Ironita Policarpo Machado mediou o programa, que contou ainda com a participação dos acadêmicos de História Augusto Diehl Guedes e Djiovan Weller Carvalho no vídeo de abertura.

O Momento Patrimônio é produzido e dirigido pelas jornalistas da UPFTV Afani Baruffi e Deisi Fanfa, e conta com imagens de Claiton Abreu, Gilmar Lima e Moacir Prestes. O programa vai ao ar nas primeiras sextas-feiras de cada mês, às 21h. Este episódio tem reapresentação no sábado (05/04), às 20h30min. Sintonize a UPFTV, em Passo Fundo, no canal 4 da TV aberta e 8 da TV a cabo. Os programas também podem ser assistidos pela internet, no canal do Youtube Momento Patrimônio.

O programa
O programa parte de um projeto de extensão desenvolvido pelos cursos de História e Jornalismo da UPF e conta com o apoio do Arquivo Histórico Regional (AHR) e do Museu Histórico Regional (MHR), com o suporte da Rádio UPF e da UPFTV. Em 2012, o programa recebeu o prêmio Darcy Ribeiro.


O projeto
A iniciativa propõe debates não pensando no congelamento ou na fixação da cidade antiga, mas no desenvolvimento da cidade atual coerente com a sua realidade histórica, de forma a assegurar o dinamismo de todo o urbano, junto do respeito ao patrimônio histórico.

Visita divulga comemorações dos 30 anos do AHR e 60 anos do IHPF

Foto: Cristiane Sossella
Comitiva visitou o reitor da UPF
O Arquivo Histórico Regional da Universidade de Passo Fundo (AHR/UPF) e o Instituto Histórico de Passo Fundo (IHPF) comemoram, respectivamente, 30 e 60 anos de existência e trabalho em 2014. Para celebrar os aniversários, estão sendo realizadas diversas atividades que abordarão temáticas históricas dos locais e do município de Passo Fundo.

Com a intenção de divulgar as ações comemorativas, no último dia 28 de março, uma comitiva foi recebida pelo reitor José Carlos Carles de Souza.  Estavam presentes no encontro o presidente do IHPF, Fernando Miranda; a coordenadora do AHR, Gizele Zanotto; o integrante do IHPF, Alberi Falkembach Ribeiro; o presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, Miguel Frederico do Espírito Santo; o presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Arno Wehling, e a coordenadora do curso de História da UPF, Ironita Machado.


Primeiras atividades
Também na sexta-feira (28/03) dois momentos marcaram as celebrações de 30 anos do AHR e 60 anos do IHPF: o primeiro deles foi o descerramento de uma placa e, no turno da noite, ocorreu uma palestra com o presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) Arno Wheling, foi lançado o Concurso de Quadrinhos do AHR e realizada uma homenagem ao Dr. Pedro Ari Veríssimo da Fonseca, importante colaborador do Arquivo Histórico com acervo e materiais de uso rotineiro.

domingo, 30 de março de 2014

Jango rompe o silêncio

(Jango é fotografado pela mulher Maria Tereza em seu exílio no Uruguai em 1964. Foto: acervo FGV)
Em agosto de 1964, deposto e exilado no Uruguai, João Goulart publicaria um manifesto numa revista de esquerda, a pretexto dos dez anos da morte de Getúlio Vargas. O texto acabou sendo lido na íntegra no plenário da Câmara dos Deputados por Doutel de Andrade, líder do PTB, o partido de Jango, o que foi considerado uma provocação pelo ministro da Guerra e futuro presidente Costa e Silva. Já naquela época, apenas por ler as palavras do ex-presidente, Doutel foi ameaçado de cassação, o que iria ocorrer dois anos depois, em 1966.
Instigado pelos milicos, o governo do Uruguai “advertiu os brasileiros no exílio, especificamente o presidente João Goulart, pela violação do direito de asilo político ao publicar documento considerado subversivo pelo governo brasileiro”, segundo um documento da diplomacia britânica. No texto, Jango destaca seu perfil “liberal” e “cristão” para se distanciar do estigma de comunista que tentaram lhe impingir.
“A subversão, fartamente denunciada e muito bem paga, na profusão de rádios, jornais e televisão, era o preparo da mentira do perigo comunista, que iria constituir o ponto de partida para concretização da quartelada, a fim de que, assim, pudessem esmagar as justas aspirações populares que o meu Governo defendia”, diz Jango, denunciando o papel da imprensa no golpe. É preciso destacar que, apesar do massacre midiático, o presidente contava com apoio popular quando foi derrubado e poderia ser reeleito em cinco capitais –inclusive no Rio de Janeiro do golpista Carlos Lacerda. “Hoje, lançam contra mim toda a sorte de calúnias. Sei que continuarão a injuriar-me. Mas o julgamento que respeito e que alguns temem é o do povo brasileiro”, escreveu Jango.
Este texto de João Goulart é muito pouco divulgado, talvez por ser tão esclarecedor do pensamento do ex-presidente e de suas convicções democráticas. Reproduzo-o aqui, na íntegra, para que a história lhe faça justiça.
***
Por João Goulart, agosto de 1964
Faz hoje dez anos que a Nação, traumatizada, assistiu ao supremo sacrifício de Getúlio Vargas. Nunca deixei de me dirigir a todos vós, neste dia, que está definitivamente incorporado à nossa história, marcando, no Brasil republicano, o instante heróico do saudoso estadista que empenhou a própria vida para conter as terríveis forças do obscurantismo e para que pudéssemos prosseguir na dura caminhada da libertação do nosso povo e da nossa Pátria. É, pois, a luta do povo pela liberdade e pela conquista das reformas estruturais profundas e cristãs da sociedade brasileira que, mais uma vez, conduz ao encontro dos vossos anseios e das vossas mais aflitas esperanças.
Deixo, assim, no exílio em que me acho, o silêncio a que me havia imposto para voltar à intimidade honrada dos vossos lares, muitos já violados, dos vossos sindicatos, oprimidos; das vossas associações, atingidas pelo ódio da reação, com uma palavra de advertência, mas, sobretudo, de fé inquebrantável no destino do nosso país. Esta palavra já não parte do Presidente da República. Não vos posso, também, dirigi-la da praça pública, onde tantas vezes nos encontramos. Dominam a Nação o arbítrio e a opressão.
A reconquista das liberdades democráticas deve constituir o ponto básico e irrenunciável da nossa luta, a luta corajosa do povo brasileiro para a emancipação definitiva do Brasil. Duas vezes preferi o sacrifício pessoal de poderes constitucionais à guerra civil e ao ensangüentamento da Nação. Duas vezes evitei a luta entre irmãos. Só Deus sabe quanto me custou a deliberação a que me impus e pude impor a milhões de patriotas.
Em 1961, tolerei as maquinações da prepotência e consenti na limitação de poderes que a Constituição me conferia, para, depois, restaurá-los democraticamente, pela livre e esmagadora deliberação da vontade popular. Nunca recorri à violência. Os tanques, os fuzis e as espadas jamais, historicamente, conseguiram substituir, por muito tempo, a força do direito e da justiça. A função que a Constituição lhes impõe é a defesa da soberania do país e de suas instituições e nunca a tutela do pensamento do povo, para suprimir e esmagar suas liberdades, como pretendem alguns chefes militares.
Este ano, depois de recusar-me à renúncia que nunca admiti, resolvi, pelo conhecimento real da situação militar, não consentir no massacre do povo. Não só porque contrariava minha formação cristã e liberal, mas porque eu sabia que o povo estava desarmado. Eu sabia que a subversão, fartamente denunciada e muito bem paga, na profusão de rádios, jornais e televisão, era o preparo da mentira do perigo comunista, que iria constituir o ponto de partida para concretização da quartelada, a fim de que, assim, pudessem esmagar as justas aspirações populares que o meu Governo defendia. Baniram, ditatorialmente, o direito de defesa; humilharam a consciência jurídica nacional; suprimiram o poder dos tribunais legítimos. Invadiram universidades, queimaram bibliotecas; não respeitaram sequer as mesmas igrejas onde antes desfilavam as contas de seus rosários. Trabalhadores, estudantes, jornalistas, profissionais liberais, artistas, homens e mulheres são presos pelo único crime da opinião pública, da palavra ou das idéias. Cassam centenas de mandatos populares. Porventura são trapos de papel os compromissos internacionais que assumimos na Declaração Universal dos Direitos do Homem e na Carta organizatória das Nações Unidas?
Pessoalmente, tudo posso suportar, como parcela do meu destino na luta da emancipação do povo brasileiro. O que não posso é calar diante dos sofrimentos impostos a milhares de patrícios inocentes e do esmagamento das nossas mais caras tradições republicanas. Hoje, lançam contra mim toda a sorte de calúnias. Sei que continuarão a injuriar-me. Mas o julgamento que respeito e que alguns temem é o do povo brasileiro. É possível que haja cometido erros no meu Governo. Erros da contingência humana. Mas tudo fiz para identificar-me com os sentimentos do povo e da Nação e posso afirmar que assegurei a todos os brasileiros, inclusive a meus adversários, o exercício mais amplo das liberdades constitucionais. Deus não faltará com seu apoio à energia do povo para a reconquista de suas liberdades. Ninguém impedirá o povo de construir o desenvolvimento nacional e dirigir o seu próprio destino.
Tudo fiz por um Governo democrático e justo, no qual se processassem, pacificamente, com a colaboração dos órgãos legislativos, as transformações essenciais da sociedade brasileira; quis um Governo que incorporasse à família nacional, com acesso aos benefícios da civilização do nosso tempo, os milhões de patrícios humildes do campo e as áreas marginalizadas da população urbana; empenhei-me por um Governo que exprimisse os anseios legítimos dos trabalhadores, dos camponeses, dos estudantes, dos intelectuais, dos empresários, dos agricultores, do homem anônimo da rua para, todos juntos, travarmos a difícil luta contra a miséria, a doença, o analfabetismo, o desemprego e a fome. Sobre mim recaiu, então, todo o ódio dos interesses contrariados.
Promovi o reatamento de relações diplomáticas com as nações do mundo e assumi a responsabilidade de alargar nossos mercados, no interesse único da economia do país e do bem-estar do nosso povo. Executei uma política externa independente. Condenamos o colonialismo, sob qualquer disfarce, defendendo os princípios da não-intervenção e da autodeterminação dos povos. Nunca transigi com a dignidade do meu país e o respeito à sua soberania. Hoje, representantes estrangeiros interferem publicamente nos assuntos internos do país ou conhecidas organizações monetárias internacionais fixam, unilateralmente, condições humilhantes, em cláusulas de negociações, para ajudas ilusórias que, internamente, agravam o sofrimento do nosso povo e, externamente, aviltam os preços dos nossos principais produtos de exportação. E já se fala na execução de acordos que abrirão o caminho legal para a instalação, em nosso território, de importantes bases militares, sob o controle e o comando de outras nações.
Decretei, brasileiros, a regulamentação da lei de disciplina do capital estrangeiro. Decretei o monopólio da importação do petróleo e a encampação das refinarias particulares. Decretei a desapropriação de terras, objeto de especulação do latifúndio improdutivo. Decretei a implantação da empresa brasileira de telecomunicações. Lutei pela Eletrobrás. Decretei a limitação dos aluguéis, dos preços dos remédios, dos calçados, das matrículas escolares, dos livros didáticos. Hoje, os aumentos incontrolados do custo das utilidades indispensáveis à vida do povo atingem limites insuportáveis.
Promovi, por todos os meios, campanha intensiva de educação popular, para suprimir o analfabetismo em nossa Pátria. Estimulei os investimentos que promovessem maiores oportunidades de trabalho. Quis vencimentos dignos para todos os servidores públicos, civis e militares. Assegurei aos trabalhadores do campo o direito legal de organizarem seus sindicatos e defendi o salário real de todos os brasileiros, que deve acompanhar a elevação do custo de vida, respeitando a liberdade constitucional dos seus movimentos reivindicatórios legítimos.
Bati-me pelas reformas de base, para que o Congresso as votasse democrática e pacificamente. Muitas vezes pedi a colaboração de suas lideranças partidárias. Nada foi possível obter. Mas ninguém se engane. As reformas estruturais, que tudo empenhei por alcançar, rigorosamente dentro do processo constitucional, nenhuma força conseguirá detê-las e nada impedirá a sua consecução. Neste dia, brasileiros, longe de todos, o pensamento voltado para a memória de Getúlio Vargas, que tombou sacrificado pelas mesmas forças que hoje investem contra mim, reflito sobre as permanentes verdades que o admirável estadista denunciou em sua Carta-Testamento, e anima-se a confiança que tenho no futuro do meu país. Não posso concebê-lo presa da intolerância, da tirania, da ilegalidade, que são atitudes repudiadas pelos sentimentos generosos de nossa gente.
Sem ressentimentos na alma, sem ódios, sem qualquer ambição pessoal, conclamo todos os meus patrícios, todos os verdadeiros democratas, a família brasileira, enfim, para a tarefa de restauração da legalidade democrática, do poder civil e da dignidade das nossas instituições republicanas. Queremos um Brasil livre, onde não haja lugar para qualquer espécie de regime ditatorial, com uma ordem fundada no respeito à pessoa humana, no culto aos valores morais, espirituais e religiosos do nosso povo. Queremos um Brasil justo, progressista, capaz de assegurar confiança ao trabalho e à ação de todos os brasileiros. Queremos um Brasil fiel às origens de sua formação cristã e de sua cultura, libertado da opressão, da ignorância, da penúria, do atraso, do medo, da insegurança.
Deus guiará o povo brasileiro para os objetivos patrióticos de nossa luta.

1867: Estados Unidos compram o Alasca da Rússia

No dia 30 de março de 1867, o então presidente dos Estados Unidos, Andrew Johnson, apresentou ao Senado uma proposta de compra de 1,5 milhão de quilômetros quadrados do Alasca, então pertencente à Rússia.
Não foram poupadas críticas à compra do que alguns chamavam de "geladeira do Tio Sam" ou "jardim dos ursos do presidente". O negócio foi aprovado pelo Senado por apenas um voto.
Para entender o contexto histórico da transação, é preciso retroceder no tempo até 1853. Naquela época, a Rússia e a Turquia estavam em guerra. O Reino Unido e a França apoiavam os turcos no pequeno conflito que ameaçava tornar-se uma grande guerra. O distante território da Rússia além do Estreito de Bering, então chamado América Russa, estava indefeso a um ataque da Marinha britânica.
O grande território gelado possuía apenas alguns centros de revenda de peles e alguns fortes militares. Uma companhia russo-americana que controlava o comércio na região foi encarregada oficialmente, em 1854, de fazer a proposta de venda aos Estados Unidos. Na realidade, a Rússia precisava de dinheiro.
Planos adiados várias vezes
Quando Washington acenou com a disposição de negociar, o Reino Unido se comprometeu a respeitar na guerra o território em questão e o esboço do contrato de venda desapareceu misteriosamente. Mas a miséria russa continuou e as poucas vantagens econômicas do território fizeram a ideia da venda voltar à tona em 1857.
O grão-duque Constantin, irmão do czar Alexandre 2º, queria que a Rússia se concentrasse em sua política interna e achou que a América Russa era um luxo descabido à situação do país. Quando as negociações foram reiniciadas com Washington, começou a Guerra Civil Americana. Nos quatro anos seguintes, os planos foram novamente esquecidos.
Em 1866, as ações da companhia de comércio russo-americana caíram rapidamente e a empresa estava à beira da falência. A venda do território do hoje Alasca voltou a ser assunto, tanto na Rússia como nos Estados Unidos. O enviado do czar à América, Eduard von Stoeckl, encaminhou a transação e estava confiante. Afinal, escreveu, os Estados Unidos compraram Louisiana da França, a Flórida da Espanha, além do Texas e a Califórnia do México.
Grande valor econômico
A decisão da venda foi tomada em São Petersburgo em 16 de dezembro de 1866. O então secretário de Estado William Seward era um expansionista convicto e viu na compra do Alasca a chance de restabelecimento da ordem no continente. As negociações duraram quatro dias. O preço final ficou em 7,2 milhões de dólares, ou seja, a pechincha de 4,74 dólares por metro quadrado.
Desde 3 de janeiro de 1959, o Alasca é oficialmente o 49º Estado norte-americano.
  • Autoria Jens Teschke(rw)
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1951 - Casal Rosenberg é declarado culpado de espionagem



Casal foi acusado de conspiração para cometer espionagem no "mais alto grau"

Em um dos mais rumorosos e apaixonantes julgamentos da história política em todo o mundo, Julius e Ethel Rosenberg são declarados culpados, em 29 de março de 1951, de espionagem por passar segredos atômicos à União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial. 
O “caso do Casal Rosenberg” acendeu paixões e manifestações foram organizadas em todos os cantos do planeta durante o processo pela sua libertação. Marido e mulher foram mais tarde sentenciados à pena de morte e executados na cadeira elétrica em junho de 1953.
A condenação dos Rosenberg foi o clímax de uma série de sucessivos episódios de suposta espionagem iniciados com a prisão do físico britânico Klaus Fuchs na Inglaterra, em fevereiro de 1950. Autoridades britânicas, com a assistência do FBI, reuniram evidências que Fuchs – atuante no desenvolvimento da bomba atômica tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial – havia repassado informações altamente secretas a funcionários soviéticos. Fuchs quase imediatamente reconheceu a culpa e passou a fazer uma série de acusações. 
O físico disse que o norte-americano Harry Gold servia de pombo-correio aos agentes soviéticos aos quais Fuchs passava as informações. Autoridades norte-americanas capturaram Gold, que em ato contínuo apontou seu dedo em direção a David Greenglass, um jovem cientista que trabalhava no laboratório onde a bomba atômica havia sido desenvolvida. Gold declarou que Greenglass estava ainda mais envolvido na espionagem do que Fuchs. 

Preso, Greenglass prontamente confessou, acusando sua irmã Ethel e seu cunhado Julius de serem os espiões que controlavam toda a operação. O país vivia então o auge do macartismo e o clima era de anticomunismo. Sabia-se que tanto Ethel quanto Julius tinham fortes ligações com a esquerda, tendo participado de inúmeras atividades políticas e sociais nos EUA no final dos anos 1930 e na década de 1940. 
Julius foi preso em julho e Ethel em agosto de 1950. Tinham dois filhos, de cinco e de três anos. Contrariamente a Fuchs, Gold e Greenglass, ele negou qualquer envolvimento em atividades de espionagem. Ethel negou com a mesma obstinação.

Julgamento

Para os padrões atuais, o processo todo correu com uma celeridade espantosa. Começou em 6 de março de 1951 e já em 29 de março o júri os declarou culpados de conspiração para cometer espionagem no mais alto grau. Os Rosenberg não foram auxiliados por uma defesa capaz. Muitos à época e desde então a classificaram como incompetente.

Mais danoso e cruel, porém, foi o testemunho de Greenglass e Gold. Greenglass declarou que Julius Rosenberg montara um encontro secreto quando Greenglass passaria os planos de construção da bomba atômica a Gold. Harry Gold corroborou com a acusação de Greenglass e admitiu que, em seguida, transferiu os planos a um agente soviético. Esse depoimento selou o destino de Julius.

Embora houvesse pouca evidência que ligasse Ethel diretamente à espionagem, os promotores, baseados no depoimento de seu irmão, insistiram que ela era o cérebro por trás de todo o esquema. O júri considerou ambos culpados. Poucos dias depois, os Rosenbergs foram sentenciados à pena capital e executados na cadeira elétrica da prisão de Sin-Sing, em Nova York, em 19 de junho de 1953. Ambos disseram até o fim que eram inocentes.

“Linchamento legal”

O ‘Caso Rosenberg’ atraiu a atenção mundial. Seus defensores proclamavam que eles tinham sido transformados em bodes expiatórios da histeria macartista que varria os EUA e do terror alimentado pelos meios de comunicação na Guerra Fria.

O escritor e filósofo francês Jean-Paul Sartre declarou enfaticamente que sua execução não passara de um “linchamento legal”. Outros ressaltaram que ainda que os Rosenberg tivessem passado segredos aos soviéticos durante a Segunda Guerra Mundial, a União Soviética era aliado e não inimigo dos EUA. 
Fonte: Opera Mundi

Um ano após golpe de Estado, República Centro-Africana apresenta 'raízes de genocídio'

Desde que conquistou a independência da França em 1960, a RCA (República Centro-Africana) manteve um panorama político instável, com sucessivas deposições e tomadas de poder com o passar das décadas. No entanto, há exatamente um ano – no dia 24 de março de 2013 – um golpe de Estado afastou o então presidente François Bozizé e declarou Michel Djotodia o primeiro líder muçulmano em um país de maioria cristã. Djotodia renunciou há dois meses e Bozizé nunca mais voltou desde que se exilou na República Democrática do Congo, mas o derramamento de sangue continua até os dias de hoje e se aproxima cada vez mais da categoria de genocídio – em grande parte, por ser um dos conflitos mais ignorados no mundo contemporâneo.

“A verdade é que a RCA sempre foi um Estado falido e nunca deu muito certo”, relata o brasileiro Hugo Reichenberger, funcionário do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) no país, em entrevista a Opera Mundi. Com 4,5 milhões de habitantes, a República Centro-Africana sempre teve tensões internas inconciliáveis, mas a atual situação tem alarmado as agências da ONU que trabalham para apaziguar o confronto na região. “A diferença entre o que acontecia antes e o que vemos agora é a intensidade: o número de vítimas e deslocados é muito maior e os níveis de brutalidade são incríveis”, explica Reichenberger.

H. Reichenberger/ ACNUR

Hugo Reichenberger (à dir., de azul) com grupo de refugiados em Burkina Faso


Apesar das reservas de ouro, diamante, urânio e ferro, a RCA é um dos países mais pobres do mundo. Para entender a atual dimensão do conflito é preciso compreender as condições a que o país estava submetido em 2013. Na liderança da República Centro-Africana desde 2003, Bozizé também virou presidente após um golpe. Contudo, dez anos depois, o então presidente foi deposto, segundo Djotodia, “por causa da situação miserável” que deixou o país. Líder da milícia muçulmana Seleka, Djotodia também havia dito que ficaria no poder “o tempo que fosse preciso para estabelecer a paz”.

Efe
No entanto, a duração do governo Seleka foi efêmera. Como apenas 15% da população da República Centro-Africana é muçulmana, a entrada da facção no poder foi censurada pela maioria cristã – particularmente pela milícia cristã Antibalaka –, marcando o início da crise no país. O clima de tensão atingiu proporções alarmantes no dia 5 de dezembro. A escalada da violência dos ataques entre as duas milícias rivais fez da capital Bangui um campo de batalha, resultando na morte de mais de 600 civis até o fim de 2013.

[Michel Djotodia deu golpe há exatamente um ano]

Incapaz de pôr fim à violência entre cristãos e muçulmanos que se intensificou no país, Djotodia renunciou no dia 10 de janeiro de 2014 devido às fortes pressões da comunidade internacional. Segundo Reichenberger, o Seleka ‘perdeu a guerra’ e agora se refugia em outras regiões do país, atacando, de tempos em tempos, vilarejos cristãos. “O jogo de poder virou para os Antibalaka. Essa milícia cristã é o principal problema: não entendemos muito bem qual é a sua hierarquia e como funciona, mas ela está caçando e atacando a todo custo a população muçulmana”, conta.

Em meados de janeiro, o chefe de operações do Escritório de Ajuda Humanitária da ONU, John Ging, já havia alertado que existiam todos os elementos para que ocorresse um genocídio na República Centro-Africana.  “Há raízes de um genocídio e potencial para se tornar um. Por enquanto, o que estamos vendo agora é uma verdadeira limpeza étnica e religiosa”, sintetiza Reichenberger.

Para tentar estabilizar a crise, o Conselho de Segurança da ONU autorizou uma intervenção militar francesa com 1.600 soldados que se somou às tropas africanas do Misca (Missão Internacional de apoio à RCA, em francês), já atuantes no país. “É interessante notar que nesta força de paz africana há congolenses, chadianos e até ruandeses – que passaram por genocídio em 1994 e estavam lá para evitar uma situação semelhante em Bangui”, observa.

Mariane Roccelo/ Opera Mundi

Mapa apresenta localização da República Centro-Africana, a capital (Bangui) e  seus limites fronteiriços no continente africano


“Devo admitir que sempre fui contra intervenção armada, mas A presença das tropas foi extremamente positiva: facilitou muitas coisas e acalmou um pouco a situação. Deu para reduzir a matança que estava Bangui no final de dezembro. Tanto que, há três semanas, o próprio Ban Ki-moon (secretário-geral da ONU) pediu um aumento de 3.000 tropas africanas justamente para aumentar a segurança”, acrescenta.

Uma das esperanças de reconciliação entre os muçulmanos e cristãos é a nova presidente interina do país, Catherine Samba-Panza, que entrou no poder no dia 20 de janeiro e deve permanecer até as eleições presidenciais oficiais, previstas para 2015.

Fonte: Opera Mundi

Revista O Malho


A Fundação Casa de Rui Barbosa disponibiliza o acervo digitalizado da importante revista "O Malho". O Malho foi uma revista humorística brasileira, criada em em 1902. Iniciamente um jornal, um dos seus fundadores foi Crispim do Amaral.1 A sua especialidade era satirizar fatos políticos, e entre os seus desenhistas e caricaturistas destacaram-se J.Carlos, Angelo Agostini, Max Yantok, K. Lixto e Theo.Por ocasião da Revolução de 1930, a redação da revista foi "empastelada" e a publicação impedida de circular por um breve período.Confira aqui

sábado, 29 de março de 2014

Identidade, cultura e memória

Fazer aniversário é, quase sempre, motivo de comemoração. Há aqueles que escondem a data e fogem no dia e preferem deixar o parabéns para outro momento. Há, também, os que vestem a melhor roupa e esperam os convidados chegar. Há, por outro lado, aqueles que se tornam tão importantes que é impossível deixar que a data se perca no meio do calendário. Pertencentes ao último caso, Instituto Histórico de Passo Fundo e Arquivo Histórico Regional separaram, durante todo o ano, datas para que a comemoração dos 60 e 30 anos traga para a cidade memórias, lembranças e um pedaço de história.

Desde o seu surgimento, em 1827, Passo Fundo passou por mudanças que resultaram no desenvolvimento atual da cidade. Por detrás das paredes, ainda que velhas, existe muita história, escrita por cimento, concreto e tijolo. História de um povo, história de uma época, história de uma cidade. Histórias e experiências que, ao longo do tempo, moldaram a sociedade passo-fundense e foram guardadas pelo IHPF e pelo AHR. Ambas as entidades trabalham para que o passado de Passo Fundo faça parte do presente e futuro da cidade. E, para dar início ao calendário de comemorações, ontem a noite a comunidade conheceu o presidente do Instituto Geográfico e Histórico Brasileiro, Arno Wehling, em uma palestra que explicitou a função e a importância dos institutos históricos no país.

Uma conversa com o presidente do IHGB
O IHGB tem por objetivo coligir, metodizar, publicar ou arquivar os documentos necessários para a História e a Geografia do Brasil. Em entrevista ao Segundo Caderno, o presidente explica que os institutos - que existem em quase todos os estados do país - contribuem para melhorar a relação do passado com o presente. “Somos o resultado de um processo histórico que chegou até nós”, inicia. Ele comenta, também, que estabelecer a função de um instituto dentro da sociedade brasileira contemporânea exige que se pense, ainda, nos desafios dessa sociedade. “Numa rápida visualização e longe de esgotar o tema: gerar riqueza e fazer recuar a pobreza, produzir conhecimento e aplicá-lo à inovação, incluir excluídos ou com participação marginal, generalizar e qualificar a educação e a cultura”, destaca. Dentro das condições impostas, os institutos colabora, na produção do conhecimento: “Os Institutos responderão a esses desafios produzindo conhecimento, contribuindo para sua disseminação, constituindo acervos, construindo memórias e identidades e assessorando políticas públicas no campo da ciência, cultura e meio ambiente”. Para chegar nesse resultado, Arno destaca que é importante ter claro o perfil do instituto e, também, abrir suas portas a professores, pesquisadores e colecionadores com o objetivo final de inventariar e ampliar os acervos e referências da instituição.

Além de destacar o papel dos institutos históricos como agentes na produção de conhecimento, o presidente do IHGB comenta, também, sobre a função da entidade junto ao ensino da história, especialmente às novas gerações: “Ter uma clara percepção da própria identidade cultural é aspecto importante para que cada um de nós a vivencie e simultaneamente perceba outras identidades, abrindo-se à diferença e percebendo a riqueza de suas manifestações”, ressalta. De fato, uma entidade que atua há 175 anos na reunião e disseminação da história do país é, conquentemente, capaz de auxiliar na construção da identidade e visão do Brasil. O tema, segundo Arno, é recorrente: “Os estudos sobre a memória social, campo desenvolvido nos últimos trinta anos, se revelam um fecundo celeiro de perguntas sobre como nos percebemos e como construímos nossas concepções sobre o passado”.

Dentro da identidade nacional, preservada pelo IHGB, as identidades municipais tem seu abrigo nos institutos históricos. Para Arno, é importante ver o “Instituto Histórico municipal, como mais uma entidade a contribuir para refletir e vivenciar as experiências históricas locais, sua interseção com as estaduais e nacionais e como elemento reforçador da própria identidade cultural da cidade e seu entorno”. O fato é que de memória em memória, as lembranças se recriam e constroem a identidade de uma cidade. “Conhecer essa identidade pode contribuir para encontrar as semelhanças e diferenças entre ela e os demais centros urbanos da região e do estado. Tais conclusões seriam positivas para a formulação de políticas públicas e de processos de tomadas de decisão vitais para o futuro da cidade”, enfatiza Arno.

E se não houvesse uma entidade capaz de resguardar a história, como seria a cidade? O presidente é enfático na resposta: “Seria mais pobre culturalmente, com menor conhecimento sobre si mesmo e menos possibilidades para produzir e disseminar conhecimentos”, conclui. Se andar pelas ruas da cidade já é uma viagem no tempo, capaz de remontar anos anteriores, passear pelos arquivos do AHR e IHPF é o mesmo que caminhar sobre o passado. Vale a viagem.

Fonte: O Nacional

Memórias do AHR discorre sobre o Golpe de 1964 na imprensa local


“Instituições em perigo!”: O golpe militar de 1964 na mídia impressa de Passo Fundo

Sábado, 29/03/2014 às 07:44, por Arquivo Histórico Regional

Era março de 1964. O mundo acompanhava os desdobramentos da Guerra do Vietnã e o impasse diplomático entre os EUA e o Panamá, o Rio Grande do Sul fazia o balanço do primeiro ano de governo do Ildo Meneghetti (PSD) e Passo Fundo comemorava o início dos trabalhos do novo prefeito Mário Menegaz (PTB). Jornais locais anunciavam jantares dançantes no Turis Hotel e propagandeavam o lançamento dos Willis pick-up e sedan Aero, enquanto os três cinemas da cidade exibiam seções de filmes como Hong-Kong, Cleópatra e Ben-Hur.
O início de 1964 marcava também um delicado período político brasileiro. O Presidente João Goulart tentava implementar as reformas de base, que buscava reduzir as desigualdades sociais do Brasil a partir da ação do Estado, tendo como eixo a realização de mudanças estruturais calcadas nos setores educacional, econômico, fiscal, político urbano e agrário. As reformas, porém, alcançavam fortes resistências das elites brasileiras. Em 5 de fevereiro, O Nacional reproduzia em capa um artigo de jornal iugoslavo que tratava a situação brasileira como preocupante, prevendo que se continuasse no mesmo ritmo, resultaria em golpes de estado e assaltos ao poder.

O presidente promove em 13 de março um comício na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, onde assina o decreto que implementava a Superintendência para a Reforma Agrária (Supra) e revela que estavam em preparo a reforma urbana (que garantia a compra de imóveis para inquilinos) e propostas de mudanças nos impostos e concessão de voto aos analfabetos e aos quadros inferiores das Forças Armadas. Planejado desde fevereiro, o comício recebia atenção diária da imprensa. No dia do comício, O Nacional apresenta reportagem de capa retratando que era de calma a situação vivida pela população de Passo Fundo que, apesar de manter-se informada sobre as notícias vindas do centro do país, encontra-se mais preocupada com seus afazeres diários. No entanto, enquanto o centro da cidade amanhecia com pichações a favor das medidas governistas, a Associação Rural aconselhava a formação de grupos de vigilantes do campo para intervirem em quaisquer tentativas de invasões de terras.

Mesmo com o revelado apoio do Congresso Nacional pela aprovação das reformas na data posterior ao comício da Central do Brasil, notícias sobre formação de grupos de agitação e posições subversivas ao governo tomam a pauta das edições seguintes da imprensa local. Sem prever os acontecimentos imediatos vindouros, em 31 de abril, a imprensa nacional divulga pronunciamento oficial do presidente solicitando aos quadros das forças armadas que mantenham à disciplina e o respeito mútuo (em resposta à crise na marinha deflagrada na semana anterior) e que os parlamentares federais fossem sensíveis ao povo brasileiro. Ao mesmo tempo, divulga sua agenda de eventos para a semana em curso. Nota do Ministério da Justiça tratava como calma a situação nacional.
Todavia, a edição de O Nacional do dia 1º de abril destacava em letras de formato incomum os acontecimentos ocorridos na madrugada do dia anterior: “Instituições em perigo!” é o título da matéria que ocupa a capa da edição, discorrendo sobre a situação incerta do país devido à intervenção político-militar desencadeada em diversos Estados e a tentativa do governo de reestabelecer a ordem constitucional. Em Passo Fundo, a situação continuava de calma e ordem, apesar da conclamação dos sindicatos das indústrias locais por greves gerais em favor da presidência, a reunião dos estudantes para tomada de posição pró-janguista e a realização de reunião extraordinária na Câmara de Vereadores para examinar a situação nacional.

No dia seguinte, destacam-se notícias do retorno da normalidade ao país e da confirmação da saída de Jango do país. Em pequena nota é tratada a transferência temporária da sede do governo estadual para Passo Fundo. A contracapa encerra-se com uma carta do Governador Ildo Meneghetti conclamando os cidadãos a organizar a resistência democrática “nesta hora trágica e ao mesmo tempo gloriosa”, apoiando a intervenção necessária no governo para eliminar o perigo da instalação de uma ditadura comunista. Enquanto isso em Passo Fundo continuavam as exibições cinematográficas nos três cinemas locais e os jantares dançantes no Turis Hotel...
Ricardo Telló Dürks

Graduado em História - UPF
Fonte: Acervo AHR
* O AHR destaca que os artigos publicados nessa seção
expressam única e exclusivamente a opinião de seus autores.

Especial Golpe 50 anos



Ciclo Comemorativo marca aniversário dos Institutos Históricos

Dividindo a responsabilidade de preservar a história, e despertar a comunidade para a valorização da memória da cidade, o Arquivo Histórico (AHR) e o Instituto Histórico de Passo Fundo (IHPF) comemoram o aniversário das duas instituições com uma programação que inicia hoje (28), e vai até novembro.
A programação começa às 16h, com o descerramento da placa que marca os 30 anos de aniversário do Arquivo Histórico. Às 19h, na Academia Passo-Fundense de Letras, o presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), Prof. Arno Wehling, fala sobre o papel dos Institutos Históricos no Brasil e no Estado. O espaço que os institutos históricos ocupam no país, também é tema da entrevista coletiva, entre o representante do IHGB, e o presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Estado, o professor Miguel do Espírito Santo.
A cooperação entre as duas instituições tem a ver com a afinidade de preservar a história local. O Arquivo Histórico, tem um vasto acervo de jornais registrando o cotidiano da cidade. Além dos periódicos, outra sala abriga mais de mil livros. Os arquivos de processos da Justiça Federal, que não estão mais tramitando, também fazem parte do acervo. Mapas históricos de Passo Fundo e região, e toda a documentação da antiga Secretaria de Terras, que registrava toda a divisão territorial da região, estão disponíveis para consulta.
O Arquivo mantém uma constante campanha para arrecadar novos documentos para o acervo. “Nós temos uma campanha de doação per manete. Quem tiver interesse deve entrar em contato com o AHR”, explica a coordenadora Gizele Zanotto. Ela salienta que é feita uma avaliação, caso a doação seja de interesse coletividade, é feita uma carta de doação. A avaliação é feita para que não haja duplicidade.

As principais atividades da instituição são a pesquisa e o desenvolvimento de Projetos. Fernando Miranda, explica que um deles, consiste em catalogar os acontecimentos mais relevantes da cidade em cada dia do ano. A próxima atividade do ciclo comemorativo, marcada para o dia 15 de abril, aniversário de 60 anos do Instituto, será o lançamento de livro que resgata a história do IHPF.
Tanto Gizele como o presidente do Instituto Histórico de Passo Fundo, Fernando Miranda, concordam que o principal desafio das instituições é conscientizar a comunidade da importância dos acervos, e do material que está em grande parte espalhado pela cidade, e com a mobilização da comunidade, por ser reunido e disponibilizado para a consulta. “Muita famílias tem acervo importantíssimo, que poderia ser disponibilizado para pesquisa coletiva”, ressalta Gizele

quinta-feira, 27 de março de 2014

Seleção de estagiários para o AHR (2 vagas - turno vespertino)


Mídia e ditadura & Ditadura e mídia - exposição do MHR


MHR realiza exposição Mídia e Ditadura e Ditadura na Mídia

O Museu Histórico Regional da Universidade de Passo Fundo (MHR/UPF) convida para a exposição Mídia e Ditadura e Ditadura na Mídia, que reúne obras do período que marcou a história do Brasil e do seu povo. A mostra estará aberta para visitação de 1º de abril a 25 de maio.

No dia 1º/04, às 9h, no MHR, acontece a cerimônia de abertura da exposição. A programação, entretanto, começa já na segunda-feira, 31 de março, às 20h, quando ocorrerá uma palestra no Teatro do Sesc (Avenida Brasil, 30, Centro) sobre a temática da mostra. Participarão da discussão a psicóloga Dagmar Carvalho, o professor do curso de História da UPF, Luiz Carlos Golin, o escritor Rui Oliveira, e o professor de História José Ernani Almeida.

Interessados em prestigiar a exposição devem ir ao MHR (Avenida Brasil, 758, Centro) de terça a sexta-feira, das 8h30min às 17h30min (sem fechar ao meio-dia), e aos sábados e domingos, das 13h30min às 17h30min. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (54) 3316-8586 e (54) 3316-8587, pelo e-mail mhr@upf.br e na página do museu no Facebook.

quarta-feira, 26 de março de 2014

O golpe contrarrevolucionário de 1964: ontem como hoje

  


Escrito por Mário Maestri   
Segunda, 24 de Março de 2014

 Somos filhos da derrota que teve momento singular em 1964, consolidou-se com a débâcle da esquerda revolucionária, em inícios dos anos 1970, e foi radicalizada com a transição conservadora, em 1985. Movimento histórico perverso que conheceu salto de qualidade quando da rendição geral das organizações populares nascidas nas gloriosas jornadas sociais, com ápice em 1979 – PT e CUT, sobretudo.
 A discussão sobre o sentido profundo do golpe militar de 1964, quando cumpre meio século, constitui indiscutivelmente caminho seguro para o melhor entendimento dos dias atuais.  Desde que compreendamos aqueles sucessos como parte do fluxo geral da história do Brasil, com ênfase no seu período pós-Abolição e, principalmente, pós-1930.

 Tudo isso, sem esquecer as fortes determinações gerais, sobretudo após 1930, da conjuntura internacional sobre o devir da sociedade brasileira. Determinações que superam em muito a ingerência direta do imperialismo estadunidense no golpe.

 Entretanto, apesar dos tempos globalizados em que vivemos, tornaram-se praticamente comuns as interpretações nacionais dos acontecimentos de 1964.

 Teima-se na ignorância das contradições prementes entre um capital monopólico, já então em crescente globalização, que necessitava intrinsecamente expandir seu processo de acumulação. Processo emperrado por nações que, desde 1917, em forma crescente, escapavam ao domínio da sua dialética de acumulação-espoliação – os Estados de economia planejada e nacionalizada, a seguir referidos como socialistas, por simplicidade.

 Maré crescente
 Um contexto internacional que, desde o impulso social conhecido quando e após a II Guerra, colocava em forma crescente, nas Américas, na África e na própria Europa, por linhas diretas e tortas, em sentido consciente e inconsciente, a necessidade e a vigência da revolução das formas de governo e de produção. Processo que embalava igualmente, em forma poderosa, o Brasil.
 Propostas de revolução estrutural, nascidas das entranhas profundas das contradições vividas, nacional e internacionalmente, pela acumulação capitalista, que se contrapunham literalmente às orientações das direções da maior potência socialista, a URSS, que propunham a quimera de pacificação social internacional, para permitir, segundo elas, a concorrência pacífica entre capitalismo e socialismo.

 Nesta disputa mundial, contemporânea ao golpe na Indonésia, a vitória da contrarrevolução no Brasil, nação continental, com enorme peso na América Latina, teve influência talvez até hoje não aquilatada no confronto mundial objetivo e subjetivo entre capital e trabalho, com o terrível desenlace de fins dos anos 1980, com a vitória da contrarrevolução mundial, sob o signo do qual continuamos a viver.

 Em 1964, no Brasil, concretizou-se projeto de conquista golpista do poder dos segmentos conservadores, já tentada em 1954, quando do suicídio de Getúlio Vargas, e em 1961, no contexto da renúncia golpista de Jânio Quadros. O esgotamento do padrão burguês-desenvolvimentista getulista exigia para sua superação a redistribuição das cartas políticas, sociais e econômicas, que com razão as classes proprietárias não aceitavam.

 Muito além das reformas de base
 Para relançar o processo de acumulação industrial no Brasil, nos próprios marcos capitalistas, impunham-se radical reforma agrária, sem indenização; extensão das leis trabalhistas ao campo; forte ampliação do valor dos salários urbanos e rurais; desenvolvimento de tecnologia nacional; estatização do comércio mundial etc. Muito, mas muito mais, do que as anódinas Reformas de Base janguistas, petebista e pecebistas!

 Como aquelas medidas fortaleceriam enormemente o campo do trabalho, a chamada burguesia nacional passou-se de “mala e cuia” ao campo da contrarrevolução. Dirigiu, então, o processo golpista, proposto e exigido, havia muito, pelo capital monopólico estadunidense e mundial. Abraçou-se, portanto, ao latifúndio conservador, ao relativamente frágil capital bancário e financeiro nacional, ao grande comércio, etc. Forças tradicionalmente representadas pela UDN.

 Arrombando portas e janelas abertas, historiadores neoconservadores descobrem, extasiados, componente civil no golpe de Estado de 1964! Como se o último não tivesse sido, sempre, movimento da grande burguesia industrial brasileira, da praticamente totalidade dos grandes proprietários de terra, de capitais e do comércio, que arrastaram segmentos médios e mesmo populares sob suas influências. Ou achavam que o golpe fora invenção e decisão dos altos oficiais das forças armadas brasileiras, realizado inteirinho em cor verde-oliva?!

 Quem manda no Estado?
 O golpe contrarrevolucionário de 1964 deu-se um pouco ao molde da proclamação da República, em 1889, quando os grandes senhores de terra, do comércio e dos bancos, organizados sobretudo no Partido Conservador, serviram-se da alta oficialidade do Exército para formatar a nova forma de dominação que desejavam e necessitavam. Efetivamente, após a Abolição, em 1888, tornava-se desnecessária a centralização imperial, até então impulsionada pelos conservadores em defesa da ordem escravista.

 Nos governos dos marechais Deodoro e Floriano, na ditadura militar de 1964, nas ordens fascista na Itália e nazista na Alemanha etc., o poder de fato e a direção estratégica do Estado estiveram sempre nas mãos dos núcleos centrais das grandes classes proprietárias. Os militares brasileiros, como os dignitários nazi-fascistas, no contexto de autonomia sempre relativa, mediavam as disputas entre as facções proprietárias em competição. Classes então incapazes ou não interessadas em impor suas hegemonias políticas diretamente.

 Além de expressar interesses profundos da burguesia industrial brasileira em crise de acumulação, o golpe contrarrevolucionário buscava igualmente matar na casca do ovo o crescente processo de mobilização e luta social. Este último, avançando através do mundo, expressava-se cada vez mais enfaticamente no Brasil, onde também se começava a questionar as próprias raízes sociais da dominação burguesa.

 Em 1964 e nos anos sucessivos, no Brasil e através do mundo, confrontavam-se a revolução e a contrarrevolução, o capital e o trabalho, em luta surda ou aberta, em geral apenas semi-consciente. Formulação que certamente escandaliza multidões de cientistas sociais atuais. Eles propõem ou sugerem, para o presente, e projetam, para o passado, eternidade à ordem capitalista, apologia consolidada pela hegemonia imposta pela maré conservadora que avassalou o mundo em fins dos anos 1980.

 O Brasil esteve às bordas da revolução?
 No passado recente, analistas propuseram que, nos anos 1960, o Brasil conheceu período revolucionário, tendo alcançado clímax, ou seja, situação revolucionária, em 1963-4. Realidade abortada pela ausência de direção pequeno-burguesa ou proletária capaz de impulsionar inicialmente, no primeiro caso, e dirigir, no segundo, as classes trabalhadoras e populares no assalto ao poder. Esta é questão que merece análise mais cerrada do que as até agora realizadas.

 O certo é que as propostas de reforma da ordem capitalista e do Estado democrático-burguês, elitista e autoritário brasileiro, avançadas pelas direções pecebistas e pequeno-burguesas (brizolistas e outras), fracassaram redonda e inexoravelmente, por não serem minimamente, digamos, na linguagem atual, autossustentáveis. Indiscutivelmente, desarmaram as forças populares no país.

 Elas pecavam por propor, por um lado, bloco político-social fantasioso, ao entregarem à burguesia progressista a direção do processo político e das classes trabalhadoras. E, por outro, agitaram programa irrealizável, ou seja, a domesticação do grande capital para obter, nas palavras também crédulas do historiador Marcelo Ridenti, avanço na “democracia política também num sentido social e econômico, diminuindo as desigualdades”. (Folha de São Paulo, 23/03/2014).

 Socialismo ou barbárie
 Nos últimos anos, mesmo no coração da Europa desenvolvida, sob a crise geral da produção capitalista, radicaliza-se o escorcho crescente das classes trabalhadoras e segmentos médios, a um nível até há pouco inimaginável. Nada disto por maldade ou opção, mas por necessidade intrínseca do capital, no seu esforço permanente de relançar sua taxa de acumulação decrescente.

 Um processo facilitado enormemente pela dissolução dos Estados de economia nacionalizada e planejada, em fins dos anos 1980, até então fortes escolhos objetivos e subjetivos para o avanço desse projeto de literal barbarização social através do mundo, já sem diferenciar centro e periferia.

 Acertam os que dizem que hoje, no Brasil, encontram-se postas as mesmas questões que o mundo do trabalho e as classes populares se defrontaram em 1964, apenas em condições indiscutivelmente muito mais difíceis e complexas do que há meio século, quando o golpe contrarrevolucionário se impôs no Brasil, sem resistência armada das forças populares.

 Como já era imperioso e necessário ontem, há cinquenta anos, ainda mais hoje, as classes trabalhadoras industriais devem construir bloco político com os oprimidos de todas as ordens, e todos os homens de bem, em prol da imprescindível refundação das estruturas profundas da nação brasileira, no relativo à propriedade, à produção, à distribuição das riquezas e  à gestão do Estado. Um movimento de libertação que se consubstanciará através de processo que necessariamente deverá superar as fronteiras nacionais. Não há outro cominho.

 Mário Maestri, 65, é historiador e orientador do Programa de Pós-Graduação em História UPF-RS.
A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania

1957 - Nasce em Roma a Comunidade Econômica Europeia

Em 25 de março de 1957, os representantes de seis países europeus lançam em Roma as bases da atual União Europeia. Esse acontecimento era, na visão dos dirigentes do pós-guerra, o resultado de uma vontade expressa de paz.
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Em 1949, nascia o Conselho da Europa, conglomerado de dez países europeus que alimentava grandiosas ambições mas que, em seus poderes, acabava irrisório perto do que era a Alemanha.
Jean Monnet, o «Pai da Europa», propõe então alicerçar a integração europeia em realizações concretas. Cria entre 1950 e 1951 a CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço) com o respaldo de três líderes cemocratas-cristãos : Robert Schuman, da França, Konrad Adenauer, da Alemanha, e Alcide de Gasperi, da Itália. Tratava-se da primeira administração supranacional do continente. A Grã Bretanha se recusou a integrá-lo.
O sucesso da CECA suscita o projeto de um exército europeu sob o nome de CED (Comunidade Europeia de Defesa). A CED possuia a dupla vantagem de reaproximar os países europeus e de suspender um eventual rearmamento da Alemanha. O fracasso desse empreendimento, em 1954, esfriou os entusiasmos.
Jean Monnet voltou à cena ao lado do belga Paul-Henri Spaak. Juntos, sugeriram um acercamento dos industriais e propuseram também uma supressão progressiva das barreiras aduaneiras.
A invasão da Hungria pelos tanques soviéticos em 4 de novembro de 1956 e, ao mesmo tempo, o penoso fracasso da expedição franco-britânica em Suez reavivaram a necessidade de os europeus reforçarem sua união a fim de fazer face ao que consideravam um gesto de arrogância das Super-Potências URSS e EUA.
Finalmente, em 25 de março de 1957, Alemanha, França, Itália, Holanda, Bélgica e Luxemburgo assinam em Roma o tratado Euratom e o tratado sobre a criação da CEE (Comunidade Econômica Europeia).
O primeiro tratado abarca todo o interesse do público. É um prolongamento da CECA, acrescentando-lhe um toque de modernidade. O segundo tratado, ao contrário, faz uma entrada discreta. No entanto, iria levar, passo a passo, à integração econômica e política da Europa Ocidental.
Todavia, esse tratado era ambiguo e não se pronunciava sobre o debate franco-alemão acerca da instauração de um protecionismo europeu, a «preferência comunitária».
A ratificação do tratado, porém, enfrentaria obstáculos. Eminentes personalidades se opuseram a ele, como o deputado socialista Pierre Mendès France, que acreditava que a indústria nacional francesa não suportaria a abertura das fronteiras e a concorrência alemã. Em posição oposta, mais visionária, o general Charles de Gaulle, pressionado por seus próximos ao veto, se recusa. Escreveu em um dossiê: «nós somos fortes mas eles não percebem».
O Tratado de Roma sobre a CEE entra enfim em vigor em 1º de janeiro de 1958. Instala um Parlamento cuja sede é estabelecida em Bruxelas e uma Corte de Justiça em Luxemburgo.
O poder executivo é confiado aos Conselho de Ministros dos países membros. Mas a efetivação das decisões é delegada a uma Comissão Europeia permanente, com sede em Bruxelas, e cuja influência não cessaria de crescer até os nossos dias.
Fonte: Opera Mundi

Há dez anos, Argentina transformava em memorial maior centro clandestino de tortura da ditadura

Dez anos atrás, em 24 de março de 2004, a Argentina dava um importante passo para preservar o direito à memória e à verdade daqueles que lutaram contra a ditadura militar ao transformar em memorial o maior centro clandestino de detenção e tortura do país. Entre 1976 e 1983, passaram pelasede da ESMA (Escola Superior de Mecânica da Armada) mais de 5.000 dentre os 30 mil desaparecidos pelo terrorismo perpretado pelo Estado argentino, segundo levantamentos de organizações humanitárias.
Na mesma data em que se relembra o golpe militar de 76 — que completa o 38º aniversário nesta segunda — o então presidente Néstor Kirchner assinou um decreto incumbindo o poder público de construir no local um museu da memória, para que jamais seja esquecido que ali operava o mais perverso centro sistemático de extermínio, chamado por muitos de "a Auschwitz argentina".
Reprodução Revista Samuel/Memória en Construción ESMA/Marcelo Brodsky 2004

"A Auschwitz argentina": Transformada em memorial em 2004, ESMA vitimou cerca de 5 mil pessoas entre 76 e 83
Na Argentina, o dia em que foi interrompido o processo democrático com um golpe militar é rememorado com um feriado nacional — coincidentemente, apenas oito dias de distância do 1º de abril brasileiro que depôs o presidente João Goulart em 1964. Como ocorre todos os anos, diversas organizações de direitos humanos preparam atos para celebrar o "Dia Nacional da Memória pela Verdade e Justiça": as Avós e as Mães da Praça de Maio, H.I.J.O.S (Filhos e Filhas pela Identidade e Justiça contra o Esquecimento e o Silêncio) repudiarão a ditadura militar em marcha que percorrerá a Avenida de Maio, via que conecta a Casa Rosada (sede da presidência) e o Congresso.
Télam

Em repúdio a ditadura militar, manifestantes se aglomeram em frente à sede da ESMA
Para além da oficialização do memorial da ex-ESMA (atualmente Espaço Memória e Direitos Humanos), outro gesto do então presidente naquele 24 de março de 2004 traria, entretanto, maior peso simbólico ao processo de transição na Argentina. Néstor Kirchner foi o primeiro mandatário democrático a pedir perdão, em nome do Estado nacional, pelos erros cometidos ao lidar com a memória dos desaparecidos no país.

"As coisas precisam ser chamadas por seus nomes e aqui, se vocês me permitem, já não mais como companheiro e irmão, mas sim como presidente da nação argentina, venho pedir perdão por parte do Estado nacional pela vergonha de haver calado durante 20 anos de democracia tantas atrocidades", disse Kirchner, na ocasião.
E completou: "Não é rancor nem ódio que nos guia. Me guia a justiça e a luta contra a impunidade. Os que perpetraram estes feitos tenebrosos e macabros em tantos campos de concentração, como foi a ESMA, têm apenas um nome: são assassinos repudiados pelo povo argentino". Em 2005, a Suprema Corte da Argentina declararia inconstitucionais as chamadas "leis do perdão", responsáveis por anistiar e proteger os agentes de Estado que cometeram crimes durante a ditadura.
Fonte: Opera Mundi