sexta-feira, 29 de novembro de 2013

CHEGUE CEDO PARA O VESTIBULAR!

As provas do vestibular UPF começam às 14 horas, mas recomenda-se aos inscritos que cheguem com pelo menos uma hora de antecedência ao Campus. Chegando mais cedo você pode evitar transtornos na hora de encontrar o seu local de prova, você terá tempo para se organizar, achar estacionamento e principalmente: evitar engarrafamentos.

No vestibular de Inverno de 2013 eram 8.598 candidatos e na chagada para as provas, em média, 120 carros por minuto passavam pelo pórtico da UPF. No vestibular de verão 2014 são mais de 11 mil inscritos, a movimentação será intensa. Evite transtornos, venha mais cedo para o campus e chegue com tranquilidade ao seu local de prova. Na imagem você pode conferir o Mapa do Trânsito ‪#‎vestibularUPF‬!

Liberdade para novos pontos de vista.

II Seminário Interno do Pibid/História


Participe, conheça o projeto e as atividades desenvolvidas por acadêmicos de História e Supervisores das escolas, sob coordenação da prof. Rosane M. Neumann, Coordenadora de Área do PIBID/História da UPF. 

29 de novembro de 1947: A partilha da Palestina

29/11/2013 - 00:00 | Enviado por: Lucyanne Mano


Com o fim da Segunda Guerra Mundial, milhares de judeus migraram para a chamada Terra Prometida. A Inglaterra, que exercia o controle da região havia 27 anos, confiou à Organização das Nações Unidas (ONU) a tarefa de buscar solução para os problemas surgidos. Foram exaustivas negociações até que prevalecesse o plano russo-americano de partilha da Palestina: aprovado por 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções. Coube ao brasileiro Osvaldo Aranha, presidente da assembléia, arbitrar o debate sobre a solução proposta. Ali foi acertado que uma comissão da ONU, integrada por delegados de cinco países, exerceria o controle sobre a Terra Santa a partir desta data até a independência dos Estados agora criados. Em seu discurso de encerramento, o brasileiro manifestou a esperança de que a sessão resultasse em “contribuições memoráveis para o ajuste pacífico e construtivo dos problemas mundiais”. Disse também confiar nos bons resultados da partilha da Palestina, o que considerava “experiência rigorosamente histórica”.





Para continuar lendo clique aqui.
Fonte: JBlog

1963 – Lyndon Johnson cria comissão para investigar morte de Kennedy

Em 29 de novembro de 1963, o presidente norte-americano Lyndon Johnson nomeia uma comissão especial para investigar o assassinato do presidente John Fritzgerald Kennedy, ocorrido uma semana antes, em 22 de novembro, em Dallas, Texas.

Segundo suas memórias e relatos do biógrafo Doris Kearns Goodwin, Johnson sabia que teria de demonstrar uma forte liderança na esteira da trágica morte. Um de seus primeiros atos oficiais foi dar início a uma investigação. Johnson mais tarde escreveu que, nas semanas que se sucederam ao crime, a opinião pública norte-americana, e o próprio governo que agora chefiava, estava em estado de confusão e desorientação “como uma manada de bois presa num pântano”, conforme suas próprias palavras. Estava perfeitamente consciente de sua nova responsabilidade “num mundo que estava não mais que poucos minutos de uma catástrofe” e sabia que “o planeta inteiro seguia ansiosamente cada decisão que eu tomava”.

Wikimedia Commons

Johson assume a Presidência dos EUA em voo do Airforce 1, ao lado da viúva de Kennedy, Jacqueline, duas horas após o assassinato 

Em 29 de novembro, Johnson emite a Ordem Executiva nº 1.1130, designando o presidente da Comissão de Investigação do Assassinato do Presidente Kennedy – referida comumente como Comissão Warren – o ministro da Justiça Earl Warren. No entanto, uma vez que o homem apontado como assassino do presidente, Lee Harvey Oswald, foi morto por Jack Ruby dois dias depois do assassinato, as supostas motivações que poderiam ter levado o suspeito a cometer o ato permanecerão para sempre nebulosas.

Durante o transcurso da investigação de quase um ano, a Comissão Warren analisou relatórios do FBI (Federal Bureau of Investigation, polícia federal norte-americana), do serviço secreto, do Departamento de Estado e da Procuradoria-Geral do Texas. Pesquisaram também a história pessoal de Oswald, sua afiliação política e registro militar. Além do mais, a Comissão Warren ouviu o depoimento de 552 testemunhas e viajou a Dallas diversas vezes para visitar o local onde Kennedy foi alvejado. A comissão concluiu que Oswald agiu sozinho e que o Serviço Secreto desleixou na preparação da visita de JFK a Dallas, tendo subsequentemente falhado em sua proteção pessoal.
As circunstâncias que cercaram a morte de Kennedy, porém, deram margem a diversas teorias de conspiração envolvendo tão disparatados suspeitos como “a Máfia”, “exilados cubanos”, “líderes militares” e até mesmo o presidente Johnson.

A conclusão da Comissão Warren que Oswald foi um “atirador solitário” não conseguiu satisfazer aqueles que foram testemunhas oculares do atentado e outros cuja pesquisa encontrou detalhes conflitantes no relatório da comissão.

Wikimedia Commons

Comissão Warren entrega seu relatório ao presidente Johnson em 1964

Críticos do relatório da Comissão Warren acreditam que as conclusões de especialistas em balística e um filme privado de uma pessoa presente ao desfile insistem na teoria de que foram disparados três tiros, um dos quais do fuzil com mira telescópica de Oswald que provocou o ferimento fatal bem como ferimentos no governador do Texas, John Connally, que viajava no banco dianteiro, logo à frente de Kennedy, em carro aberto, enquanto passava pela praça Dealey.

Tão persistente foi a controvérsia que outra investigação congressual foi levada a efeito e concluída em 1979. Essa nova comissão concordou com a Comissão Warren, apontando Oswald como o homem que desferiu os tiros e as falhas do Serviço Secreto. Consentiu, porém, com a possibilidade da presença de outro atirador na cena do crime, mas não levou o assunto adiante.
Fonte: Opera Mundi

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Para somar-se às redes da Ciência Livre

Ladislau Dowbor propõe a professores e pesquisadores: crie um blog, compartilhe conhecimentos, ajude a superar a era propriedade intelectual
por Ladislau Dowbor — publicado 27/11/2013 19:44, última modificação 27/11/2013 20:07
Na virada do milênio, decidi repensar os meus arquivos e as minhas publicações. Hoje posso fazer um balanço. Como professor e pesquisador, na área de desenvolvimento econômico, social e ambiental, tenho naturalmente que trabalhar com inúmeras publicações dos mais diversos tipos, textos, estatísticas, relatórios internacionais, artigos pontuais, além da minha própria produção. Fortemente pressionado pelo meu filho Alexandre, que achava pré-históricas (já naquela época) as minhas pilhas de papéis, pastas e clips, dei uma guinada, passei para o digital. Agradeço hoje a ele, que ajudou a montar meu primeiro site. Alguns já chamam este tipo de ajuda de filhoware.
Decidi fazer este pequeno balanço porque pode ser útil a muita gente que se debate com a transição. Deixem-me dizer desde já que o resultado não foi uma migração simples para o digital, e sim uma articulação equilibrada do impresso e do digital, bem como de publicação tradicional com publicação online. Chamemos isto de arquitetura do trabalho intelectual.
O ponto de partida foi o meu blog, http://dowbor.org, hoje de ampla utilização nacional e internacional, se é que esta distinção ainda existe. O sucesso não se deve apenas ao interesse do que eu escrevo e à facilidade de acesso que o blog permite, mas ao fato que do lado do usuário – leitor, aluno ou colega professor – houve uma drástica mudança de comportamento: a cultura digital do livre acesso está se tornando dominante. De certa forma, estamos adequando a oferta à nova demanda e ao novo formato de uso que emerge.
Deixem-me lembrar a força da dinâmica: o MIT, principal centro de pesquisa dos EUA, criou o OpenCourseWare (OCW), gerando em poucos anos mais de 50 milhões de textos científicos baixados gratuitamente pelo mundo afora. Harvard aderiu ao movimento com o EdX, a China trabalha com o CORE (China Open Resources for Education), a Universidade da Califórnia entrou na corrente em 2013, a Inglaterra contratou Jimmy Wales, criador da Wikipedia, para gerar um sistema de acesso gratuito online a toda pesquisa e publicação que tenha participação de dinheiro público. E quando áreas de excelência do mundo científico abrem o caminho, é provável que se trate do futuro mainstream. No Brasil estamos dando os primeiros passos, com Recursos Educacionais Abertos (REA), de maneira ainda muito tímida.
Isto dito, eu que não sou nenhum MIT, constatei nestes anos de experiência prática do meu blog o seguinte, esperando que as informações sejam úteis:
1. A criação de um blog individual de professor representa um investimento extremamente pequeno, comparando com o benefício obtido, sobretudo porque hoje temos estagiários blogueiros da nova geração que tiram isto de letra. Não custará muito mais do que uma bicicleta. A alimentação do blog, por sua vez, é igualmente simples, basta escrever alguns passos no papel e seguir. E se tiver filho é mais simples ainda.
2. Ter um blog não é um ônus em termos de tempo, pelo contrário. As pessoas imaginam ter de “alimentar” um blog, ou seja, comunicar o tempo todo. Um blog científico como o meu é, na realidade, muito mais uma biblioteca de fácil acesso universal, do que uma “newsletter” que eu precise acompanhar e administrar. Não é muito distinto, nesse aspecto, de uma estante em minha biblioteca, com a diferença que é muito mais fácil encontrar meu texto com uma palavra-chave no computador, do que localizá-lo na estante ou nas pilhas. E quem precisa de um texto pode pegá-lo no meu blog, não precisa pedir o livro emprestado, nem perder tempo dele e meu. Pegam o que precisam, e eu não deixo de ter o que pegam.
3. Produção científica e divulgação deixam de constituir processos separados. O artigo ou livro que o professor escreve, ou que recebeu e quer divulgar, é colocado no blog, e está no ar. Quem se interessar pode pegar. Recebi um e-mail de Timor Leste, onde falam português, pedindo para utilizar na formação de professores o meu texto Tecnologias do Conhecimento: os desafios da educação, editado pela Vozes. Autorizei e agradeci. Não precisei ir lá oferecer, nem empacotar livros. E eles encontraram simplesmente porque colocaram palavras-chaves na busca por internet. Cria-se um mundo científico colaborativo. Não me pagam nada, mas é útil, e tenho meu salário na PUC. Ponto importante, o livro vai para a 6ª edição pela editora: uma coisa não atrapalha a outra, a editora encontra o seu interesse também.
4. O essencial não está na gratuidade, mas na facilidade de acesso e na pesquisa inteligente. Procurar um artigo que saiu em alguma revista, e buscá-lo numa biblioteca, nesta era em que o tempo é o recurso escasso, francamente já não funciona. Mais importante ainda é a possibilidade de folhear em pouco tempo dezenas de estudos diferentes sobre um tema, através da pesquisa temática, cruzando enfoques de diversas disciplinas, autores e visões. Conhecer o estado da arte de um problema determinado, de maneira prática, ajuda muito na construção colaborativa do saber e na inovação em geral.
5. O blog torna-se também uma biblioteca de terceiros. Coloco no blog, na seção Artigos Recebidos, textos que me enviam e que me parecem particularmente bons, tanto para o meu uso futuro como para repassar a outras pessoas. Por exemplo, quando me fazem uma pergunta sobre energia, recomendo que leiam, em meu site o artigo de Ignacy Sachs, disponível na íntegra, sobre A Revolução Energética do Século XXI. Forma-se assim uma biblioteca personalizada que irá facilitar imensamente consultas posteriores, ou recomendações de leitura para alunos.
6. Como professor, recebo frequentemente textos excelentes dos meus alunos. Conheço suficientemente minha área para saber que se trata de um ótimo trabalho. Normalmente, ninguém o leria, pois o aluno não é conhecido. Eu coloco no blog, e envio um mailing para colegas e colaboradores, alertando para um bom texto que surgiu. Costumo receber agradecimentos do aluno, que viu o seu estudo solicitado por várias pessoas. Enterrar um bom trabalho numa biblioteca é uma coisa triste. De certa forma, utilizo assim o meu blog para “puxar” para a luz bons trabalhos de pessoas menos conhecidas.
7. Tudo isto está baseado no marco legal chamado Creative Commons, internacionalmente reconhecido, que me assegura proteção: as pessoas podem usar e divulgar, mas não utilizar para fins comerciais. Trata-se da plataforma jurídica da ciência colaborativa, instrumento que me protege ao impedir a apropriação comercial, a deturpação do texto ou o uso sem fonte, ao mesmo tempo que permite que o artigo seja imediatamente acessível para fins didático-científicos ou recreativos. O Google-Scholar me permite inclusive acompanhar as citações que fazem dos meus trabalhos.
8. Um aspecto muito enriquecedor do processo é que me permite utilizar texto, imagens e sons sem nenhum constrangimento em cada produção. Associo ao que escrevo ilustrações artísticas, fragmentos de um discurso ou animações gráfica, livremente – pois do lado de quem lê haverá a mesma facilidade. A experiência criativa fica particularmente valorizada, considerando as dificuldades de tentar se reproduzir determinados gráficos, que podem ser simplesmente copiados para o texto em elaboração, ao mesmo tempo que se inclui o link do texto de origem, ajudando a divulgá-lo e facilitando verificações. A multimídia bem utilizada é muito útil.
9. Trata-se de uma ferramenta em que o universo educacional, em particular, tem muito a ganhar. Em vez de o professor procurar em revistas das bancas de jornais artigos para discussão com alunos, pode pesquisar os textos online, e repassar para os alunos os links. Os alunos inclusive encontrarão diversos textos online sobre o tema, desenvolverão sua capacidade de pesquisar no imenso acervo digital, trarão para a discussão enfoques diversificados. Cabe a nós assegurar que haja um rico acervo de textos científicos disponíveis online, alimentando de certa forma o conjunto do universo educacional. O professor será aqui um pouco menos um transmissor de conhecimento, e bastante mais um organizador que ajuda a entender o que é relevante e ensina a trabalhar com conhecimento organizado.
10. O processo não conflita com o sistema atual de avaliação de professores. Para quem não é da área acadêmica, informo que o fato de milhares de pessoas lerem os meus textos online não me dá créditos acadêmicos. A minha solução é que publico, sim, em periódicos formalmente avaliados como “acadêmicos”, para ter os créditos que a CAPES me pede. Mas para ser lido, publico online. Uma coisa não impede a outra. Aliás, um artigo meu publicado pela universidade da Califórnia, por exemplo, e pelo qual não me pagaram, só pode ser acessado mediante pagamento de 25 dólares a cada 24 horas. Chamam isto de direitos autorais. Esperar ser lido nestas condições, francamente, não é muito realista. A Elsevier cobra entre 35 e 50 dólares por artigo e por acesso. Mais de 15 mil cientistas norte-americanos já boicotam as revistas ditas “indexadas”, e publicam em sites abertos, inclusive com open peer-review. Mas enquanto a CAPES não atualizar seus critérios, precisamos utilizar o papel e o digital – um para pontos, outro para leitores.
11. Com pequenos conselhos de alunos e colegas, fui acrescentando ao blog os instrumentos mais evidentes de comunicação. Abri a possibilidade de qualquer pessoa se inscrever para receber meus e-mails sobre materiais científicos que me parecem relevantes. Tenho atualmente mais de três mil “colegas virtuais”, a quem envio de forma não invasiva uma notinha sobre novos textos que surgem e que estão disponíveis no meu site. Uma aluna me colocou no twitter, são cerca de 3,5 mil seguidores que recebem os textos meus ou os que recomendo. O Facebook é outro instrumento, permite fazer circular o material. Portanto, minha biblioteca virtual não só organiza os textos que utilizo, como se comunica facilmente com todos os interessados, mesmo que não me conheçam.
12. Uma virtude básica do processo, que precisa ser entendida, é que os textos circulam não só porque alguém os coloca online, mas porque são interessantes. Não porque os donos da mídia os divulgam e recomendam, mas porque os usuários os acham bons. Quando me chega um bom texto, a primeira coisa que faço é repassar com comentários. Ou seja, o que passa a circular é o que é realmente bom, o que corresponde ao que as pessoas necessitam como informação científica organizada. Ao olhar as estatísticas de acesso aos meus trabalhos, posso identificar o que realmente está sendo lido, e pelos comentários posso avaliar insuficiências ou correções necessárias. O texto passa a constituir um processo interativo de construção científica.
13. Finalmente acho que, da mesma forma que temos pela frente a democratização da mídia – e surgiram excelentes alternativas de informação inteligente como Carta Maior, Envolverde, Mercado Ético, IHU, Outras Palavras, Monde Diplomatique e tantos outros – precisamos também criar um movimento do tipo “ciência livre”, que tire os nossos textos do esquecimento das bibliotecas. O Instituto Paulo Freire, por exemplo, ao constatar que com a lei atual de copyright só teremos acesso aberto aos textos do pedagogo a partir de 2050, colocou grande parte dos seus escritos online, com exceção de alguns trancados por contratos de direitos muito restritivos. É uma imensa contribuição. Mas acho que temos de fazer isto com todos os nossos grandes gurus, com os transformadores atuais da ciência, e com textos da nova geração que estão inovando. É incrível sermos inundados por bobagens nos meios de comunicação sem que o peçamos, e que dificultemos o acesso aos trabalhos científicos essenciais para o progresso educacional do país. Enterrar dissertações de mestrado e teses de doutorado em bibliotecas, elas que custaram anos de trabalho do professor e do pesquisador, é absurdo.
Permito-me aqui fazer uma recomendação para todos os professores. Organizem o seu blog, hoje um WordPress é gratuito e muito jovem lhe ensinará o caminho. Temos de dar este passo, e criar um ambiente rico e colaborativo no nosso mundo científico-acadêmico. Francamente, acho que faz parte da vocação do professor e do pesquisador não só ensinar e inovar, como organizar de forma moderna a comunicação das ideias que possam enriquecer a nova geração e enriquecer-nos uns aos outros. E se quiserem se inspirar do meu blog como estrutura e divisões (apanhei um pouco no começo até montar um formato adequado para professor), fiquem à vontade; eventualmente, posso até recomendar pessoas capazes de ajudá-los. Vamos encher este país de ciência, de boa ciência, progressista, transformadora.
Quanto ao medo das pessoas de nos vermos invadidos por ciência irresponsável, descontrolada, francamente, são os mesmos medos que surgiram com o open access, com a Wikipédia, e outros. Os textos ruins ou irrelevantes simplesmente não circulam, e não serão lidos. Um professor comentando o sistema de peer-review publicou online a seguinte nota a respeito: “Eu conheço a minha área, não preciso que alguém me diga se um artigo é relevante ou não”.
Fonte: Outras Palavras, via Carta Capital

1912 – Albânia proclama independência do Império Otomano

Estátua de Skanderbeg em Tirana
Em 28 de novembro de 1912, Ismael Quemal Bey proclama a independência da Albânia no Congresso de Vlore. O aniversário desse dia é festa nacional na Albânia. É também o aniversário de uma primeira libertação do pais por Skanderbeg, em 1443.

Povoada por 3 milhões de habitantes sobre um território de 28 mil quilômetros quadrados, a Albânia ou o “País das Águias” está localizada em meio a um complexo montanhoso que a isola do mundo. É herdeira da Ilíria romana e da Épira bizantina. Seu nome surge por volta do ano 100 da era cristã. Provém de uma tribo local designada pelo geógrafo grego Ptolomeu sob o nome de Albanoi.

Na Idade Média, Veneza ocupou os portos de Durazzo e Scutari enquanto os turcos otomanos, vencedores contra os sérvios em Kossovo Polié, tomam o interior do país. Resultado dessa história tumultuosa, dois terços dos albaneses são hoje em dia muçulmanos, os outros são ortodoxos ou católicos.

A Albânia se emancipa durante alguns anos graças ao heroísmo de um príncipe albanês de nome Jorge Castriota (Gjergj Kastrioti em albanês). Guindado à corte de Murad II, o jovem torna-se favorito do sultão e ganha relevo na guerra sob o nome de Iskander Bey, ou príncipe Alexandre, transformado em “Skanderbeg”.

Após uma derrota dos turcos diante dos húngaros em Nis em 1443, Skanderbeg deserta do exército otomano levando consigo 300 albaneses. Regressa ao cristianismo de sua infância e, em 28 de novembro de 1443, se proclama soberano dos albaneses. Até sua morte em 17 de janeiro de 1.468, aos 65 anos, os albaneses fizeram frente aos otomanos. Com seu falecimento, tiveram de se submeter sem jamais deixar de se rebelar.

Já em 1912, a Sérvia e a Bulgária constituíram uma liga balcânica à qual se associaram a Grécia e Montenegro, tendo em vista arrancar do sultão otomano as derradeiras possessões que lhe restavam na Europa.

Como resultado da primeira guerra balcânica, os sérvios ocuparam uma grande parte dos territórios albaneses, notadamente ao norte, onde viviam as minorias servo-croatas, e sobre os quais tinham reivindicações, e o Kosovo, coração histórico da Sérvia.
As grandes potências ditam as regras da independência da Albânia, reduzida à sua faixa litorânea, enquanto o Kosovo é anexado pela Sérvia e o norte do país continuaria ocupado pelo exército sérvio.

Wikimedia Commons - Rei Zog I
Nos anos que se seguiram à proclamação da independência, uma segunda guerra balcânica vê a Turquia, a Grécia, a Sérvia, o Montenegro e a Romênia se unirem contra a Bulgária a fim de conter suas pretensões sobre a Macedônia.

A Sérvia, que queria um acesso ao mar Adriático, se dispõe então a anexar a pequena Albânia, o que foi impedida pelo Império Austro-Húngaro e pela Itália.

A independência da Albânia é confirmada pelas grandes potências da Europa em 1919 ao final da I Guerra Mundial, enquanto o território do Kosovo, embora de maioria albanesa, permanecia sob domínio sérvio.

Em 1º de setembro de 1928, Ahmed Bey Zogulli, conhecido como Zogu, se faz proclamar rei da Albânia sob o nome de Zog I, após ter chefiado o país como primeiro-ministro e depois como presidente da República. Contudo, teve de abdicar após a invasão do país pelas tropas italianas, por ordem de Mussolini, em 7 de abril de 1939.

Após o término da II Guerra Mundial, em 11 de janeiro de 1946, a Albânia torna-se uma República Popular. Passa a viver então sob um regime que se mostra extremamente duro e que se distinguiu num dado momento em tomar partido de Pequim no conflito que opôs a China à União Soviética no final dos anos 1950.

Em seguida à rígida ditadura do líder Enver Hodja, morto em 1985, os albaneses se põe a sonhar com uma vida normal no seio dos países europeus.

Nos anos 1990, adotam, não sem imensas dificuldades, um regime do tipo parlamentarista.
Fonte: Opera Mundi

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

História Digital: Ensino, Pesquisa e Divulgação

Confira, abaixo, a íntegra do debate exclusivo transmitido ao vivo no último dia 26 de novembro. O debate foi promovido pelo Café História e pela ANPUH-RJ. Discutiram o tema da História Digital: Bruno Leal (fundador do Café Historia), Lise Sedrez (Professora de História da UFRJ) e Keila Grinberg (Professora de Historia da Unirio). Produção técnica e artística: Fábio Leal e Felipe Menezes.
Gostou? Inscreva-se no Café História TV clicando aqui.

1978 - Ativista pelos direitos LGBT Harvey Milk é assassinado em San Francisco


Harvey Bernard Milk, político e ativista gay norte-americano, é assassinado em San Francisco em 27 de novembro de 1978 por Dan White, ex-supervisor municipal, que renunciara e desejava voltar ao posto. No atentado também morreu o prefeito da cidade, George Moscone. Milk foi a primeira pessoa abertamente gay a ser eleita para um cargo público na Califórnia, também como supervisor da cidade de San Francisco.

Depois de suas experiências com a contracultura dos anos 1960, Milk mudou-se de Nova York para fixar residência em San Francisco em 1972, em meio a uma migração de homossexuais que se deslocaram para o bairro gay Castro na década de 1970. Tirou vantagem do crescente poder político e econômico do bairro para promover seus interesses, candidatando-se sem sucesso por três vezes para cargos políticos. Suas campanhas teatrais deram-lhe crescente popularidade e Milk conquistou um assento como supervisor da cidade em 1977, em meio a mudanças sociais amplas que a cidade enfrentava.

Milk exerceu o mandato por onze meses e foi responsável pela aprovação de uma rigorosa lei sobre direitos gays para a cidade. Apesar da sua curta carreira política, ele se tornou um ícone em San Francisco e "um mártir dos direitos gays", de acordo com o professor da USF (Universidade de San Francisco), Peter Novak. Em 2002, Milk foi chamado de "o mais famoso e mais influente político abertamente LGTB jamais eleito nos Estados Unidos".

Existem várias obras em homenagem a Milk, dentre as quais um documentário de 1984 premiado com o Oscar. Em 2008 foi lançado o filme “Milk”, contando a trajetória de Harvey, da chegada a San Francisco à sua morte. Dirigido por Gus Van Sant, com Sean Penn no papel principal, recebeu oito indicações para o Oscar, vencendo na categoria de Melhor Ator e Melhor Roteiro Original.



Em 10 de novembro de 1978, dez meses depois de empossado, White renunciou ao mandato no Conselho de Supervisores, alegando que o salário anual de 9.600 dólares não era suficiente para sustentar sua família. Milk também havia sentido o aperto da diminuição de seus rendimentos quando ele e Scott Smith foram forçados a fechar a Castro Camera. Poucos dias depois, White solicitou seu mandato de volta e o prefeito Moscone inicialmente concordou.

No entanto, análise mais aprofundada convenceu o prefeito a nomear alguém mais afeito à crescente diversidade étnica do distrito e às inclinações liberais do Conselho de Supervisores. 
Em 18 de novembro daquele ano, noticiou-se o assassinato do deputado federal pela Califórnia Leo Ryan, que estava em Jonestown, Guiana, no famoso palco do massacre comandado pelo fanático religioso Jim Jones, quando 914 dos fiéis da seita "Templo do Povo" ingeriram veneno ou receberam tiros na cabeça.

O episódio horrorizou a população de San Francisco. Dan White comentou com assessores as notícias dos jornais: "Vejam vocês! Um dia eu estou na capa e no próximo sou imediatamente varrido".

Wikimedia Commons

Objetos pessoais de Milk no Museu de História LGBT em San Francisco

Moscone planejava anunciar a substituição de White dias depois, em 27 de novembro de 1978. Meia hora antes da coletiva de imprensa, White entrou na prefeitura por uma janela do porão a fim de evitar os detectores de metal, dirigindo-se ao gabinete de Moscone. Testemunhas ouviram discussão entre White e Moscone e em seguida, tiros. White disparou no prefeito, uma vez no braço e três vezes na cabeça com Moscone caído ao chão. White encaminhou-se rapidamente para o seu antigo escritório, recarregando seu revólver. Interceptou Milk, pedindo-lhe para entrar por um momento. Dianne Feinstein ouviu tiros e chamou a polícia, que encontrou Milk de bruços no chão, atingido cinco vezes, inclusive duas vezes na cabeça à queima-roupa.

Feinstein anunciou à imprensa, "Hoje San Francisco sofreu uma dupla tragédia de imensas proporções. Como presidente do Conselho de Supervisores, é meu dever informá-los de que tanto o prefeito Moscone como o supervisor Milk foram baleados e mortos", acrescentando em seguida: “O suspeito é o supervisor White”. Milk estava com 48 anos e Moscone, com 49.

Uma hora depois, White telefonou à mulher que com ele se encontrou numa igreja, acompanhando-o à delegacia onde se entregou.

Naquela noite, uma reunião espontânea começou a se formar na Rua Castro movendo-se em direção à prefeitura numa vigília com velas. A multidão foi estimada entre 25 e 40 mil, tomando toda a Rua Market, estendendo-se por quase 3 km. No dia seguinte, os corpos de Moscone e Milk foram levados para a rotunda da prefeitura. Seis mil pessoas consternadas assistiram à cerimônia fúnebre em louvor a Moscone na Catedral St. Mary's. Duas cerimônias foram prestadas a Milk; uma pequena no Templo Emanu-El e outra mais agitada no Teatro Municipal de San Francisco.

White, por sua vez, foi condenado a sete anos de prisão por homicídio voluntário. Voltou à cidade em 1985, onde se suicidou.
Fonte: Opera Mundi

27 de novembro de 1983: Teotônio Vilela morre ouvindo pássaro cantar

27/11/2013 - 00:00 | Enviado por: Lucyanne Mano


As janelas do quarto estavam abertas e o canário que pertenceu à sua mulher, Helena, novamente cantava. Foi neste cenário que morreu no fim da tarde o ex-Senador Teotônio Vilela, 67 anos, de câncer, após três dias de inconsciência. A vontade de morrer em Maceió, pedido feito à família, foi cumprido.

O pregador das liberdades

De vaqueiro a liberal, assim foi a trajetória de Teotônio Vilela. Filho de usineiro, dono de boiada, deputado pela antiga UDN e boêmio até quando a cirrose permitiu, Teotônio, depois de ter apoiado o Golpe de 1964, deu dignidade à dissidência, ao transformar-se na voz solitária que, na extinta Arena, pregava a volta à democracia. A partir daí, abriu caminho para a Oposição, que o recebeu como senador e o fez vice-presidente nacional do PMDB. Por vontade paterna, ele, que era um dois oito filhos do usineiro alagoano Elias Vilela, teria sido militar. Depois de cursar o Colégio Nóbrega, em Recife, foi despachado do engenho da família, em Viçosa, para o Colégio Militar do Rio. Desligado de lá, por responder a um tenente, que o advertia por estar usando um chapéu de jornal na formatura da companhia, Teotônio, que provava o gosto da boemia carioca, voltou para Viçosa. Comprou uma boiada e se descobriu. Acompanhou vaqueiros nas feiras de Sergipe e Bahia, passou noites em conversas ao redor da fogueira e lançou-se com todo vigor na peleja das vaquejadas.


Para continuar lendo clique aqui.
Fonte: JBlog

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Inscrições para seleção PPGH 2014.01 terminam dia 02 de dezembro - Inscreva-se!



I - DA SELEÇÃO

* A seleção constará das seguintes etapas:

1) PROVA ESCRITA: 12/12/2013, às 8h30min

a) A prova escrita constará do desenvolvimento pelo candidato de uma dissertação, redigida sem consulta, sobre um tema relacionado à Área de Concentração do Programa, História Regional. Confira os temas no site http://www.ppgh.upf.br/

2) ENTREVISTA COM BASE NO PRÉ-PROJETO DE PESQUISA: 12/12/2013, a partir das 13h30min e 13/12/2013, a partir das 9h.


3) ANÁLISE DO PRÉ-PROJETO DE PESQUISA


4) ANÁLISE DO CURRÍCULO


RESULTADO DA SELEÇÃO: até 19/12/2013

NÚMERO DE VAGAS: 20 (vinte). O Programa não se compromete a preencher todas as vagas.

II - DA INSCRIÇÃO

DATA: 01/10/2013 a 02/12/2013

A inscrição deverá ser feita exclusivamente no endereço eletrônico:

http://www.upf.br/posgraduacao/inscricoes.php

Confira a documentação necessária em http://www.ppgh.upf.br/



OUTRAS INFORMAÇÕES: (54) 3316-8339, pghis@upf.brhttp://www.ppgh.upf.br/

Doações de civis para a ditadura começaram antes do golpe

Segundo Paulo Egydio Martins, governador de SP entre 1975 e 1979, empresários ajudaram a reequipar frotas do II Exército antes de 1964. Por Marsílea Gombata
por Marsílea Gombata — publicado 26/11/2013 16:54, última modificação 26/11/2013 17:02
Antes mesmo de os militares chegarem ao poder por meio do golpe, em 1º de abril de 1964, civis já os apoiavam com doações financeiras com o intuito de deter o governo do então presidente João Goulart. De acordo com Paulo Egydio Martins, governador do estado de São Paulo entre 1975 a 1979, não houve um grande empresário que não tivesse apoiado o golpe. “Se me perguntarem quem não apoiou, não saberia dizer. Foram muitos, mas duas figuras se destacaram: Quartim Barbosa (presidente do Banco do Commércio e Indústria de São Paulo) e Gastão Vidigal (do Banco Mercantil de São Paulo)”, disse Egydio Martins em depoimento nesta terça-feira 26 à Comissão da Verdade Vladimir Herzog, na Câmara Municipal de São Paulo. “As doações foram fundamentais para os militares chegarem ao poder. O II Exército, aqui em São Paulo, era uma piada e estava, literalmente, no chão”, lembrou sobre a ajuda dada para a compra de pneus, baterias, carburadores e combustível para os veículos militares.
Segundo Martins, hoje com 85 anos de idade, as doações eram feitas em dinheiro, por pessoas físicas, para coronéis do Estado Maior do II Exército e não em nome das empresas. “Esse dinheiro, claro, deveria ser forçosamente caixa 2 das empresas dessas pessoas, mas não era oficialmente o dinheiro desses grupos”, disse. O ex-governador contou ainda que antes mesmo de assumir o Palácio dos Bandeirantes foi diretor da Associação Comercial do estado de São Paulo, cargo no qual ajudou a montar um grupo de coordenação para as doações destinadas à reequipagem do II Exército. “Isso foi feito com a maior boa vontade, quando se aproximava já do fim o governo Jango. Foi feito de forma escancarada e não houve reclamação”, lembrou ao ressaltar a relação de amizade que mantinha com Júlio de Mesquita Filho, da família dona do jornal O Estado de S. Paulo, com quem cuidava do que chamou de “pensamento estratégico” da elite empresarial e dos bastidores do poder.
Apesar de dizer que não tem informações precisas sobre as doações de pessoas físicas para os militares depois de 1969, quando foram montados órgãos de repressão como a Operação Bandeirante e os DOI-CODI, Egydio Martins disse que não crê em alguma razão para as doações terem cessado.
Segundo o ex-governador paulista, a colaboração da elite civil ocorreu para impedir que o Brasil se tornasse um país como Cuba e não para o que viria a ser uma ditadura de mais de 20 anos. “A aliança civil-militar não era para a implantação de uma ditadura. Era para derrubada de um presidente eleito, sim, e sabia-se da gravidade do ato. Era para não haver uma cubanização no Brasil”, afirmou. “Não houve espírito civil ditatorial, mas antiditatorial, antigolpista. Temia-se, pelo pronunciamento do Jango, a constituição de um Estado socialista aos moldes de Cuba. Mas em hipótese alguma esperávamos uma ditadura militar. Nós, civis que participamos do movimento, fomos traídos no fim e nunca nos foi dito que a nossa participação seria usada para a implantação de uma ditadura.”
Para ele, existia um estado de tensão e nervosismo provocado pelos “discursos cada vez mais violentos” do presidente da República, João Goulart, e as pessoas passaram a se mobilizar para “não deixar o Brasil virar um ‘Cubão’. "Eu aprendi a odiar todas as ditaduras, aprendi a odiar o comunismo antes mesmo do fascismo. E uma das razões que me levou à conspiração foi buscar evitar uma ameaça ditatorial como a dos bolcheviques e a de Mao Tsé-Tung, com milhares de pessoas assassinadas, ou a de Fidel Castro. Eu não queria isso para o Brasil.”
Escolhido por voto indireto durante o governo do general Ernesto Geisel (1974-1979), Martins disse no depoimento desta terça-feira ainda que a morte do jornalista Vladimir Herzog no DOI-CODI em São Paulo fazia parte de um complô para derrubar o então ditador. “Eles (os militares) queriam um regime mais forte, muito mais violento. O próprio Sylvio Frota, ex-ministro do Exército do Geisel, era um deles.”

O BRILHO E AS SOMBRAS DE MALCOLM X

Biografia escrita por Manning Marable magnetiza não só por preencher lacunas da trajetória de um dos maiores líderes da História, mas também por mostrar as estruturas de uma nação racista

Uma nova biografia de Malcolm X: “Mano, o que gosto nas biografias são mais o cheiro de peido embaixo das cobertas do que os perfumes das fotografias oficiais!” – Felipe Choco, Sarau do Fórum do Hip-Hop – ABC, SP

A irradiante biografia do grande líder negro Malcolm X, que sai agora no Brasil, mescla o fervo da paixão e as minúcias do raciocínio. O autor, Manning Marable, baila justamente nas lacunas da clássica autobiografia de X, assinada também por Alex Haley, que depois ficaria famoso por sua obra Negras Raízes. Os buracos no clássico livro de Haley foram a motivação para décadas de pesquisas do historiador Marable e seus estudantes, nos vários centros de estudos da diáspora africana que criou ou coordenou. Sua versão biográfica, Malcolm X – Uma vida de reinvenções, mantém o brilho da figura que canalizou o autoreconhecimento e a raiva de milhares de mentes jovens nos EUA, no Brasil e no mundo, rapaziada que viveu o livro de Haley com as veias, arquitetando o futuro, muitos deles banhados também na cultura política hip hop nos últimos 30 ou 40 anos.
O livro magnetiza pelas nuances e estruturas de uma nação racista, pela vida fulgurante de Malcolm e também por encontrarmos uma atmosfera de cumplicidade de luta na escrita, que ao mesmo tempo não o exime de suas posturas infelizes e erros crassos. Ou seja, é reflexão com afeto e senso crítico num livro que tem cara de romance, daqueles que até sabemos o final, mas mergulhamos em sua força e mistério. A profundidade da pesquisa nos detalhes genealógicos e biográficos de Malcolm cruza-se aos contextos de humilhação, de combate e de dignidade conquistada pelos negros dos EUA, enquanto esse país regia conflitos externos e definia destinos no que qualificou como seus quintais pelo mundo.
Com maestria, Marable entrelaça também considerações específicas sobre preceitos muçulmanos, heresias da Nação do Islã e poder religioso. Esmiúça o aparato da mídia oficial e a constituição de práticas policiais e investigativas dos EUA, apresentando também os percalços das independências nacionais e espinhosas questões pós-coloniais no então chamado terceiro mundo, com quem Malcolm X buscou se alinhar nos seus últimos meses de vida após abandonar a nação do islã, num equilibrismo de gênio político, anunciando que a questão negra nos EUA já havia muito superava a alcunha de luta por direitos civis, sendo uma batalha por básicos direitos humanos em tempo de extermínio. Vemos como, reverenciado em vários países africanos, recebido como chefe de Estado em algumas capitais e equilibrando-se entre muitas rivalidades árabes e muçulmanas, Malcolm estabeleceu uma postura que em nada rima com a imagem de demagogo destemperado que vigorou até os anos 1990, orquestrada pela CIA e FBI (que ainda não abrem seus arquivos sobre ele) e também pela mídia oficial, imagem regenerada e consertada com o rapto de sua figura pelo hip-hop, quando ele renasce como líder negro que também atende apelos multiculturais.

Malcolm X em uma conferência nos Estados Unidos, em 1964
Dentre a enorme coerência de seu projeto e trajetória, foram muitas as contradições de Malcolm. As encruzilhadas fulminantes do seu caminho compassado às farpas do povo preto se deram em diferentes contextos de segregação violenta, seja no sul das forcas e linchamentos, no Harlem miserável, organizado e festivo ou em outras capitais, industriais como Detroit ou mais tranquilas como Boston, unificadas num racismo virulento que carimbou marcas na mente e nos corpos de milhões de pessoas. Demonstrando o quanto o conhecimento adquirido nas esquinas, bares e cortiços urbanos o levava a ser reconhecido pela massa pobre e à desconfiança dos moderados, destacando o medo que vogava nos campos do Sul, apresentando os desejos das famílias negras consideradas de classe média e suas pouco melhores condições de estudo, Manning explora melhor a compreensão das diferenças polarizadas entre Martin Luther King e Malcolm X, inclusive trazendo às páginas o único encontro por acaso entre as duas figuras, apesar de um frequentar o discurso e as entrevistas do outro, nem sempre marcados pela cortesia.
No decorrer do livro, sentimos cada pontada dos dilemas de Malcolm, o ministro mais famoso e grande orador da Nação do Islã, em meio à urgência dos debates da questão racial nos EUA, passeatas e ações comunitárias trazidas pelos febris movimentos por direitos civis que cobravam definições e ações que o seu então líder religioso Elijah Muhammad não tomaria, interessado em dólares, poder imobiliário, comercial e em arrebanhar fiéis. Manning Marable, em ritmo de romance, traz as muitas desavenças internas e a fidelidade interessada da alta cúpula da seita que escondia os muitos casos de abuso sexual e filhos ilegítimos de Elijah enquanto apostava em uma suposta imparcialidade política que também evitaria problemas com a Justiça Federal e manteria mornos os escândalos morais que depois teriam seus segredos arriados. As páginas centrais do livro mostram como essas divergências teológicas e programáticas da seita com as diretrizes do Islã ortodoxo pesaram, dilacerando e ao mesmo tempo fortalecendo Malcolm, até que se tornou impossível para ele continuar na casa obedecendo à ordem de manter a “separação entre espiritualidade e política”, já visado e combatido por outros “irmãos”, e ser jurado de morte.
Essas passagens delicadas, que aconteciam no mesmo momento em que ele se encontrava com Alex Haley para tecer a autobiografia, assim como o que vem depois de sua saída da Nação, inclusive com o fracasso de manter novas organizações funcionando, não poderia surgir no livro assinado pelos dois. Mas Manning Marable, auxiliado por cartas, trechos de programas de rádio, arquivos pessoais de fiéis e depoimentos colhidos décadas após a turbulência dos anos 1960, mostra como foram muitas as berlindas que acuaram Malcolm em sua trajetória crescente dentro da Nação do Islã. Encontros dos líderes da seita inclusive com a linha de frente da Ku Klux Klan, na intenção de frisar o separatismo total, foram duros de aceitar, porém, ainda pesou mais a contínua posição fincada pela seita de manter sua versão singular de surgimento do mundo, de seus profetas iluminados, e não tomar partido ou sequer se pronunciar nas marchas e movimentos políticos perante assassinatos coletivos e debates sobre integração racial de forma contundente, como o espírito de Malcolm exigia.
Insustentável para ele, que atravessava o país em vertiginosas viagens para debater com negros sedentos por guias e com brancos desconfiados da perda de seus privilégios e do que chamavam de ódio racial que vinha com as variadas plataformas negras. Desde a propalada “legítima defesa”, sempre presente nos microfones de Malcolm X, até a insipiência das ideias de ação afirmativa e de exigência por empregos, além do direito de votar, tudo latejava no medo branco e escorria em forma de apoios quase sempre tímidos ou de repressão policial ou mesmo paramilitar.
As fases e os diferentes nomes
Marable destaca entre a grandeza excepcional de Malcolm os escorregões e saltos entre uma fase e outra de sua vida, às vezes marcados por nítidas mudanças de hábitos e de posicionamento, mas em outras passagens equilibrados entre a ambiguidade e a dificuldade de manter a coerência consigo mesmo e o rumo da luta negra. A escrita fluente e arrebatadora do biógrafo, envolvendo tantas idades e os seus muitos nomes (Malcolm Little, Detroit Red, Satan, Malcolm X e El-Hajj Malik El-Shabazz ), junto às imagens e feitos públicos enfatizados por Malcolm com cada uma dessa alcunhas, demarcam bem os limites e as quebras das fronteiras dos territórios físicos e mentais do seu passo e também dos EUA e do mundo. A biografia destoa do sensacionalismo e do celebritismo oco, apresentando um Malcolm X que as fotos felizes e as narrativas recorrentes não abordam ou preferem não comentar. Apenas chega a ser cansativo o imenso leque de dados exposto ao final da obra sobre as muitas possibilidades do assassinato de Malcolm. Nesse trecho, o livro parece se voltar aos historiadores, apresentando inúmeros motivos, possibilidades e pessoas envolvidas com a Nação do Islã e, diretamente ou não, com a morte de Malcolm.
O livro reacende polêmicas sobre a homossexualidade do jovem Malcolm, quando ele ainda era o autobatizado Detroit Red. As artimanhas do rapaz em Detroit, para ganhar dinheiro agradando idosos ricos, bate de frente com o silêncio que até então conduziu a questão. Além disso, uma misoginia realçada pelo ascetismo, que propagava num comportamento exemplar como ministro da Nação do Islã, é letra forte no livro e emerge tanto nos encaminhamentos dentro das mesquitas da Nação do Islã como na intimidade de seu casamento. Contrário ao personagem desenhado por Spike Lee e colorido por Denzel Washington no cinema, o Malcolm descrito por Marable se casou praticamente por evidentes necessidades políticas. Nada haveria de harmonia no casamento com Betty Shabazz desde as primeiras noites. O abandono de Betty, enquanto Malcolm traçava seus itinerários constantes e suas viagens diárias por anos atravessando os EUA e o mundo, é realçado na fadiga que derruba os dois em vários momentos. Daí as muitas chacotas orquestradas internamente por seus rivais sobre sua impotência sexual e a incapacidade de controlar um casamento, galhofas crescentes dentro de um universo drasticamente machista como a Nação do Islã, que buscava extrair das fofocas toda sua força moral com intenção de controlar o crescimento de Malcolm perante o país e solapar sua liderança dentro da seita, já que ele se tornava nitidamente o “segundo” da casa, nome mais forte a herdar o poderio de Elijah Muhammed.

Trecho do filme 'Malcolm X' (1992), dirigido por Spike Lee e protagonizado por Denzel Washington
São de espetar as passagens referentes ao nascimento de cada filha e a fuga de Malcolm após cada parto, ainda mais quando hoje se vê circular como imagem de bandeira as fotos dele sorridente com suas crianças. Se essas questões já foram bastante propagadas até em algumas entrevistas de suas filhas, o livro de Marable, ainda destoando da autobiografia famosa, mostra também como as pelejas com racistas brancos, adversários dos movimentos negros e desafetos da Nação do Islã aconteciam enquanto endurecia a sempre delicada condição das finanças do casal. São trechos comoventes os da luta por moradia que acomete a família, após o desligamento de Malcolm da Nação do Islã e o processo de expulsão da residência que ocupavam, propriedade da seita.
O famoso incêndio da sua casa em Nova Iorque, em meio a um processo jurídico sobre os direitos de sua ocupação após anos de devotos ofícios de Malcolm que não abriam espaço para nenhum outro tipo de trabalho e renda, reflete o episódio de sua infância em Michigan que tanto marcaria a sua vida e a degeneração mental de sua mãe, quando brancos queimaram sua casa antecipando o desmoronamento de sua família, marcado ainda pelo provável assassinato do pai, caso não investigado por uma polícia nem um pouco interessada em desvendar o caso da morte suspeita de um negro desobediente e seguidor do pan-africanismo de Marcus Garvey, que ainda era forte referência e rastilho aceso em muitos bairros e associações de cidades distintas. O incêndio, a morte do pai, a debilidade psíquica da mãe, que passaria muitos invernos em sanatórios quase sem ver Malcolm e todas as duras condições de sobrevivência dos irmãos Little, mais as passagens de deslumbramento em Boston abrigado pela meio-irmã Ella, que o influenciaria durante toda sua vida, seja arrumando confusões ou mesmo bancando a última viagem ao continente africano, é detalhada por Manning Marable também com muito mais clareza que no livro assinado com Alex Haley. Aliás, outro mérito saboroso da obra é mostrar a intensa dificuldade de Haley, um integracionista convicto que tentava equacionar as opiniões radicais de Malcolm com as exigências e prazos editoriais. Muitas versões trazidas pelo biografado para sua vivência na cadeia e nos guetos nova-iorquinos não resistem à árdua pesquisa conduzida por Marable e hoje parecem se entrosar perfeitamente à necessidade de Malcolm ocultar certos vexames e passagens nada grandiosas, forjando (ou aumentando) uma imagem de si como grande campeão diante das muitas adversidades, o que não é de todo inverdade.
Mesmo após a volta das peregrinações no Oriente Médio e na África, que causaram tanta transformação em sua noção espiritual e política do mundo, quando mergulhou em prática e estudo de sua fé convivendo com diversos teólogos e com o povo muçulmano, ao rever a fala de que os brancos seriam demônios, Malcolm mantinha e propagava também a convicção que não seriam eles que poderiam conduzir o processo antirracista nos EUA nem em nenhuma outra parte do planeta. Com profunda desconfiança da autopercepção e da pretensão dirigista dos brancos, ao fim de sua vida o Malcolm que declarou ser possível a quebra das hierarquias raciais e o convívio pacífico interrracial não aceitava que o racismo fosse aniquilado a não ser pela primazia negra.
O livro detalha contextos dos discursos célebres de Malcolm X, os “A bala ou o voto” e “Mensagem às bases”. E hoje, 50 anos após o notório discurso “Eu tenho um sonho”, de Martin Luther King, que bradava para 250 mil pessoas na Marcha para Washington a bandeira da integração do povo negro em plena luta por direitos civis, se a questão eleitoral já se parece resolvida, ainda é berrante a disparidade ainda vigente entre a baixa renda dos negros e os ganhos da população branca nos EUA, o que, com o encarceramento em massa e a obstrução de direitos civis básicos aos pretos, apresenta a triste condição humana dos negros dos EUA de Barack Obama. Se Martin Luther King pronunciava a insignificância da raça, Malcolm centrava sua voz no diferencial de ser negro, inclusive frisando o papel de estopim eleitoral que seu povo teria diante das divisões dos votos dos brancos entre republicanos e democratas. Provocava outras bases para a distribuição da moeda e do poder nos EUA. Enfatizava suas críticas e mesmo um desprezo à classe média negra, à qual acusava de não se irmanar com os negros pobres contra o colapso das famílias afro-americanas nos guetos.
Em tempos em que se advoga a tese de uma época “pós-racial” nos EUA, principalmente balizada pelas eleições de Barack Obama, as novas faces e sequelas do escravismo estão aí vívidas na maciça abordagem policial, no acesso precário à educação e à saúde, quando desigualdades seguem intocadas e privilégios ainda são constrangedores em diversas esferas sociais com números trágicos banhados a lagrimas e sangue. Hoje, os EUA veem a sua mortalidade infantil diminuir mas se manter gritante entre as crianças negras. Os estereótipos continuam cavalares nas vitrines, nas listas de procurados e nas telas, marcados pelo hedonismo do sexo e da violência que impera nas imagens massificadas, como ressalta o grande sociólogo Cornell West. Respeitados os contextos e a demografia gelada, sabe-se que os EUA têm hoje mais negros presos do que negros escravos no século XIX. E 80% dos réus não conseguem pagar por sua defesa nos tribunais.
Malcolm sempre se apresentava efusivo, satírico, elegante. Sua potência como orador foi esplendorosa, mesmo num país de memória marcada por grandes advogados e pregadores, locutores e líderes populistas. Ele eletrizava comícios, estralava programas de rádio e abalava plateias, mesmo as discordantes. Discursos preparados com antecedência ou improvisados, com uma gama enorme de temas abordados, somavam-se à sua presença sedutora, carismática e misteriosa. Porém, Manning Marable nos enreda mostrando como o perfil e o histórico de Malcolm encaixava-se também em outro dos tipos lendários, quase estereótipos, da cultura negra popular dos EUA: além de orador, ele traçou para si (e carregou nas tintas, quando conveniente) um passado como cafetão. Assim, lidando com uma autoconstrução e uma exposição de si mesmo como exemplo pelo histórico e pela postura inabalável, quase santificada em vida, suas ações remexiam as feridas mais purulentas do país e conseguiam abalar a estima negra, trazendo motivos para celebrarem a si mesmos e pensarem em autonomia. O livro comove e instiga por mostrar a luta de Malcolm tentando conciliar a sua luta específica e absolutamente sincera pelo povo negro com um humanismo radical. Se ele, desde o princípio, se afirmava primeiro como negro, um africano nascido nos EUA, e apenas depois como um “americano”, essa identidade apresenta suas divergências, buscas e reinvenções. O Malcolm ascético, disciplinado, rígido e até cruel na manutenção do grupo que liderava, que angariava seguidores fiéis e também rancores e desafetos assumidos, foi também capaz de gestos de extrema generosidade com divergentes mais fracos, além da condução de milhões de negros a uma nova visão de si mesmos e da amplitude de seus destinos, influenciando em todos os movimentos negros que se seguiram em qualquer canto do mundo, como embrião dos Panteras Negras ou como referência primeira aos movimentos sociais em qualquer barraco latino-americano.

* Texto publicado originalmente na edição 127 da Revista Fórum

Continuidade política dificultou punição de militares, diz especialista

Segundo analista português, a permanência de parte da elite autoritária na política dificultou a identificação de criminosos
por Marsílea Gombata — publicado 26/11/2013 05:37
Prestes a lembrar 50 anos do golpe de 1964, o Brasil se encontra em meio à busca sobre o papel das comissões da verdade que pipocaram nos últimos meses e debate a necessidade de punição dos agentes torturadores do Estado. Diferentemente da vizinha Argentina, que levou ao banco dos réus seus ditadores, o País provavelmente não conseguirá punir os culpados, uma vez que optou por um processo contínuo de transição. A avaliação é do politólogo da Universidade de Lisboa António Costa Pinto, que juntamente com historiador Francisco Carlos Palomanes Martinho, da Universidade de São Paulo, organizou o livro O Passado Que Não Passa (Civilização Brasileira), lançado na semana passada em São Paulo.
“A transição brasileira teve um grande elemento de continuidade na própria elite política. Depois das eleições diretas, uma parte significativa dos políticos da Arena continuaram no Congresso, o que não aconteceu em Portugal e em outras transições democráticas. Foi um processo muito continuísta, ou seja, uma parte da elite autoritária sobreviveu e integrou-se ao regime democrático”, observou Costa Pinto em entrevista a CartaCapital. “Nesses casos, é sempre mais difícil ter uma justiça de transição punitiva, porque se buscará punir políticos que têm legitimidade democrática, e isso pode soar como contradição dentro da democracia.”
O especialista explica que, de modo distinto de outros países palcos de ditaduras, o Brasil contou com a participação massiva da elite, criando uma ditadura não apenas militar, mas também civil. “Desse modo, fica mais difícil identificar e punir o criminoso. Sabemos, claro, que quem dirigia a ditadura brasileira era a elite militar, mas a colaboração da elite civil foi mais importante no Brasil do que, por exemplo, na Argentina e no Chile”, explicou ao lembrar que transições desse tipo podem levar à punição os instrumentos da repressão, mas não quem a ordenava.
Para o especialista, cujo livro busca fazer uma comparação entre o modo pelo qual democracias da Europa e da América Latina reagiram aos regimes autoritários, o tipo de reparação simbólica é ainda mais efetivo do que o punitivo para a efetividade do processo democrático. “A reparação é, muitas vezes, mais efetiva que a punição. Passados dez, 15 anos da ditadura, esgotam-se as potencialidades de se assegurar uma maior qualidade ao regime democrático”, avaliou. “Quando olhamos para democracias latino-americanas verificamos que a transição, aquela que passou há anos, foi a oportunidade para se punir as autoridades. Depois de um certo tempo, a consolidação democrática e o funcionamento das instituições impedem a justiça retroativa.” Assim, segundo Pinto, cabe ao momento atual do Brasil fazer justiça em um movimento de reparação simbólica, dando voz e dignidade às vítimas.
“O Brasil é um dos casos, ao contrário do Chile e da Argentina, em que a justiça punitiva foi bloqueada, e creio que ficará”, analisou. “A elite democrática brasileira preferiu o compromisso de consolidação democrática ao de abrir feridas do passado em relação à elite autoritária que coabitava e ainda coabita no Congresso e está presente também na hierarquia das Forças Armadas. E essa foi, temos de reconhecer, a decisão da sociedade brasileira.”