domingo, 30 de junho de 2013

Morte do historiador Ciro Flamarion Cardoso

Faleceu no sábado, 29, Ciro Flamarion Cardoso, 70 anos, um dos mais categorizados historiadores brasileiros. Ele nasceu em Goiânia, em 1942, e fez sua carreira acadêmica no Rio de Janeiro (graduação em história), na França (doutorado em História, na Université de Paris X, Nanterre) e nos Estados Unidos (pós-doutorado, na New York University). Ele era professor da Universidade Federal Fluminense.
Ciro era um historiador competente, pesquisador nato no campo da história antiga e medieval, especializado em egiptologia. Mas também era aquele historiador do tipo pensador, ou seja, contribuía com seus livros, como “Os Métodos da História” (em parceria com Hector Perez Brignole), para o estudante e o historiador pensarem sobre o seu trabalho. Noutras palavras, ele ensinava a pesquisar, mas também a pensar. Ele é autor de “Trabalho Compulsório na Antiguidade” e “Sete Olhares sobre a Antiguidade”.
Na década de 1980, polemizou com outros historiadores – como Jacob Gorender, um historiador não-acadêmico – sobre o “modo de produção escravista colonial”. Não fugia aos debates.
No Facebook, Carlos Fico, especializado na história da ditadura civil-militar brasileira (1964-1985), lamenta a morte do “grande historiador”. “Erudito, grande consistência teórica, pesquisador de temas variados e notável professor. Devo a ele ensinamentos que me são úteis diariamente, sem exagero”, frisa Carlos Fico.
Depoimento
Na década de 1980, quando fiz história na então Universidade Católica de Goiás (UCG, hoje PUC), que chamávamos de Católica, Ciro Flamarion Cardoso era uma espécie de nosso “ídolo”, se posso dizer assim (ele não gostaria disso, pois era meio do tipo iconoclastra). Líamos (Sérgio Murilo, Margareth Arbues, Antônio Luiz de Souza) seus livros com fervor, mas não como bíblia. Ele nos ensinava a pensar a história, não apenas a fazer o registro mecânico dos fatos. Olhando do ponto de vista de hoje, pode-se perceber um didatismo excessivo em “Os Métodos da História”, mas o víamos, na época (e por certo ainda há o que aprender lendo-o), como um guia seguro. O livro, de capa marrom, salvo engano editado pela Graal, não saía de nossas mãos e, claro, dos nossos cérebros.
Outro detalhe que nos chamava a atenção era o rigor do historiador Ciro Cardoso. Seus livros eram muito bem escritos – talvez porque tivesse alma de artista (era um artista, músico, e escritor, contista, informa o crítico literário Carlos Augusto Silva) – e, sobretudo, muito bem pesquisados. Sua preocupação metodológica era crucial. Naquele período de distensão, com a abertura em marcha, dizia-se, às vezes, que havia um lado “bom” da história, o “nosso”, contra o lado “ruim”, o da ditadura. Assim, havia uma certa lassidão intelectual. Quem estivesse do “nosso lado”, mesmo se não estudasse e não fosse rigoroso, era “bom”. A leitura das obras de Ciro Flamarion Cardoso nos ensinava que era preciso ir além da questão do lado “bom” e do lado “mau”. Era preciso estudar e interpretar os documentos e os fatos rigorosamente. É o dever do historiador e de qualquer pesquisador.

1974 - Isabelita Perón assume Presidência da Argentina

ikimedia Commons
Com o presidente da Argentina Juan Domingo Perón em seu leito de morte, sua mulher e vice-presidente, María Estela Martínez de Perón, Isabelita, presta juramento em 29 de junho de 1974 e assume a Presidência na Casa Rosada. Ex-dançarina e terceira esposa de Perón, foi a primeira mulher no Hemisfério Ocidental a chefiar um governo. Dois dias mais tarde, Juan Perón morre de colapso cardíaco deixando Isabelita sozinha como líder de uma nação que passava por sérios conflitos políticos e econômicos.

Hector Cámpora, candidato pela Frejuli (Frente Justicialista de Libertação) havia triunfado na eleição presidencial de 1973. No entanto, acordara-se que quem tinha o poder real era Perón.

Essa situação ocorreu no seguinte contexto: em 20 de junho de 1973, Perón regressava definitivamente à Argentina, quando se produz o Massacre de Ezeiza, um enfrentamento violento entre alas da Frente, partidários da esquerda e da direita que disputavam o poder no seio do peronismo.

Pouco depois, Cámpora e o vice-presidente, Solano Lima, renunciavam a pedido de Perón a fim de para permitir novas eleições. Convocado o pleito para 23 de setembro de 1973, vence a chapa encabeçada por Perón tendo sua esposa como vice-presidente, mulher de pouquíssima experiência política, mas escolhida exatamente para evitar uma escalada da confrontação esquerda-direita.

A Presidência de Isabelita transcorreu nos marcos da crise internacional do petróleo e de uma extrema violência política interna.

Evitando acerca-se da oposição, a presidente apoiou-se principalmente em seu ministro do Bem-Estar Social, José López Rega, conhecido como "O Bruxo". López Rega exerceu importante influência sobre Isabelita, fortalecendo e concedendo hegemonía aos setores da direita. Organizou a partir do governo uma força parapolicial conhecida como Aliança Anticomunista Argentina ou ‘Triple A’ que empreendeu ações de violência contra destacadas figuras da esquerda e que culminaram com sequestros, torturas e assassinatos. Estendeu o controle político sobre governadores das províncias, universidades, sindicatos, canais privados de televisão, reforçando a censura de livros, jornais e revistas. E, em meio a tudo isto, uma marcante inoperância administrativa.

A economia sofreu graves danos, com uma inflação galopante, paralização dos investimentos, suspensão das exportações de carne para a Europa e crescimento incontrolável da dívida externa.

Em junho de 1975, o ministro da Economia, Celestino Rodrigo, levou a cabo uma violenta desvalorização da moeda acompanhada de aumento das tarifas, o chamado ‘rodrigazo’. O pacote provocou a primeira greve geral contra um governo peronista.

Em julho de 1975, diante da greve e da pressão de rua da CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores), López Rega se viu obrigado a renunciar e abandonar o país.

Ante a crescente atividade dos grupos armados de esquerda - os Montoneros e o Exército Revolucionário do Povo – e os de extrema-direita, Isabelita decidiu fortalecer os militares, designando Jorge Videla como Chefe do Exército que, em seguida, endureceu os controles sobre a sociedade.

Como as ações dos Montoneros e do ERP iam num crescendo, a presidente aprovou a “Operação Independência’, obrigando as Forças Armadas a intervir e “aniquilar as ações dos elementos subversivos que atuavam na Província de Tucumán”. Assim,  Exército e Aeronáutica se juntaram para aniquilar a “Companhia Ramón Rosa” do ERP e os Montoneros que tentavam estabelecer um “foco revolucionario". Este decreto de aniquilamento dos guerrilheiros deu início ao período chamado de "Terrorismo de Estado".
Ao agravar-se a crise política e econômica, Isabelita pediu em setembro de 1975 licença do cargo por razões de saúde. Assume interinamente o presidente do Senado, Ítalo Luder, quem exerce a Presidência durante 33 dias.

A constante pressão militar, se manifestou num levante encabeçado pelo brigadeiro Orlando Capellini em 18 de dezembro de 1975. Um novo chefe da Força Aérea, brigadeiro Orlando Agosti, veio também a se sublevar, pressionando a presidenta a renunciar. Martínez de Perón se negou reiteradamente a tanto, mas que anunciou a antecipação das eleições presidenciais para final de 1976.

O clima político não melhorou com a saída de López Rega nem com a antecipação das eleições. Em março de 1976, o governo solicitou a dois dirigentes opositores, Ricardo Balbín e Oscar Alende, que se dirigissem ao eleitorado pedindo respeito aos prazos institucionais, já que um golpe militar era percebido como inevitável.

Em 24 de março de 1976 um golpe de Estado encabeçado pelos comandantes do exército, marinha e aeronáutica destituiu o governo constitucional e o substituiu por uma junta militar ao mesmo tempo em que dissolvia o Congresso.

A expresidenta foi processada por malversação de fundos públicos por ter utilizado recursos pertencentes a uma fundação para pagar uma dívida pessoal, que em seguida foram devolvidos.

A ditadura manteve presa Isabelita por mais de cinco anos, primeiro na residência oficial de El Messidor, Neuquén, e depois numa quinta na localidade de San Vicente, situada na Grande Buenos Aires.

Libertada em julho de 1981, fixou residencia em Madri, abandonando quase completamente a atividade política e regressado ocasionalmente à Argentina. Sua prisão foi decretada em 2012 em razão dos assassiantos, torturas, sequestros e desaparecimentos da Operação Independência.
Fonte: Opera Mundi

Herberts Cukurs: De colaborador do nazismo à morte em baú de Montevidéu

Herberts Cukurs não teve uma vida trivial. Herói nacional da Força Aérea da Letônia na juventude, foi ele quem criou, já mais velho, o pedalinho da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. O motivo da vinda do letão para o Brasil, porém, passa pela colaboração com o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial – ele foi acusado de ser responsável por mais de 30 mil mortes.

O letão, que viveu no Brasil por quase 20 anos, nunca assumiu ter ordenado matar nenhum judeu, mas, em depoimentos à polícia brasileira, admitiu ter colaborado com a Alemanha nazista contra a União Soviética. Sua família também nega, até hoje, as acusações referentes às mortes durante a ocupação nazista da Letônia.

Bruno Leal/Opera Mundi

Documento usado pelo aviador letão ao chegar no Brasil


Cukurs chegou ao Brasil em 4 de março de 1946, durante o Carnaval, a bordo do vapor “Cabo da Boa Esperança”. Antes, tinha conseguido visto na França com a justificativa de ser perseguido político. De fato, segundo o historiador Bruno Leal, Cukurs poderia ter problemas na URSS pela participação no período da guerra.

Leia mais sobre Cukurs:
Veja documentos do caso Cukurs
Situação de aviador letão gerou impasse para diplomacia brasileira, revela historiador

Enquanto esteve em território brasileiro, o letão morou em Niterói, Santos, Rio de Janeiro e São Paulo. Nunca ficou totalmente tranquilo, principalmente após a captura de Adolf Eichmann, tenente-coronel da SS, em 11 de maio de 1960, na Argentina. A partir daí, Cukurs renovou anualmente o direito a portar armas no Brasil. Além disso, contou com proteção policial durante sua permanência na capital paulista.

Antes de embarcar para Montevidéu com Anton Kuenzle, identidade falsa do agente do Mossad (serviço secreto israelense) responsável pela armadilha que culminou em sua morte, Cukurs deixou com a esposa uma foto do “amigo” com quem iria fazer negócios no Uruguai. Se algo lhe acontecesse, avisou, seus familiares já saberiam quem procurar. A busca por melhores condições financeiras, porém, falou mais alto que a desconfiança e o medo.

Bruno Leal/Opera Mundi

Imagem do baú em que Herberts Cukurs foi encontrado no Uruguai


O letão morreu no Uruguai em 23 de fevereiro de 1965, assassinado por um grupo do Mossad que deixou o corpo dentro de um baú. O aviso sobre a morte foi passado a jornalistas que não levaram a história a sério, segundo um episódio da série de documentários “Caçadores de Nazistas”, veiculada no Brasil pelo canal National Geographic.




Apenas em um segundo aviso dos agentes do Mossad, 11 dias após a morte de Cukurs, o corpo foi encontrado pela polícia uruguaia em 6 de março de 1965, já cheio de larvas.

Versões desencontradas

A vida e a morte de Cukurs permanecem cercadas de mistério. Entre as décadas de 1950 e 1970, quando o nazismo era um assunto comum na imprensa, informações controversas foram publicadas.  Em dezembro de 1968, o jornal O Globo afirmou que Cukurs “transportava fugitivos nazistas para o interior do Brasil”. Até hoje, no entanto, não há nenhum indício que confirme essa história, até porque ele era um homem de poucos amigos no Brasil.

Outro boato relacionado ao letão diz respeito ao momento da morte. De acordo com a mesma reportagem do jornal do Rio de Janeiro, ele teria sido morto por nazistas que o consideravam um traidor. Segundo o autor do texto, Jack Anderson, ao saber que tentavam matá-lo, Cukurs negociou sua vida pela localização exata do famoso médico de Auschwitz Joseph Mengele (1911-1979).
Tal informação também é considerada “muito implausível” por Bruno Leal e, antes dele, por Gerald Posner e John Ware, que escreveram o livro Mengele – A História Completa, sobre a vida do médico, que morreu afogado no litoral de São Paulo.

A disseminação de informações equivocadas sobre a caça de nazistas na América do Sul não é exclusividade da imprensa. Um importante personagem do pós-guerra, o sobrevivente de campos de concentração Simon Wiesenthal (1908-2005), também trabalhou com imprecisões. Conhecido por ajudar os aliados após 1945 e criar sua própria agência de busca por criminosos de guerra, Wiesenthal divulgou relatos que, posteriormente, foram checados e negados por jornalistas e pesquisadores.

Bruno Leal/Opera Mundi
No caso de Mengele, Wiesenthal deu entrevistas que continham ao menos dois erros sobre o médico. O primeiro deles dizia que o nazista estava em Porto São Vicente, na região do Alto Paraná. No entanto, autoridades paraguaias responderam que tal localidade sequer existia. Antes disso, em novembro de 1968, Wiesenthal distribuiu à imprensa e aos órgãos policiais supostas fotos de Mengele nas ruas de Assunção. O fotografado, porém, não era o médico de Auschwitz.

[Livro que conta os feitos de Cukurs como aviador foi republicado recentemente na Letônia]

Outro lado

A família de Cukurs mantém a versão de vida pacífica do aviador. Até 2011, um blog em defesa do patriarca destacava seus feitos como herói nacional no país europeu. Recentemente, um livro de 1934 foi republicado sobre sua trajetória na Força Aérea da Letônia.

Opera Mundi tentou contato com dois familiares, sem sucesso. Atualmente, segundo o historiador Bruno Leal, os filhos do letão deixaram de conceder entrevistas por não concordarem com reportagens que já foram publicadas. Um dos seus filhos, Herbert Cukurs Jr., disse ao já citado documentário Caçadores de Nazistas: “Estamos aguardando há 60 e poucos anos uma prova contra o meu pai”. 
Fonte: Opera Mundi

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Encomenda de moletons História/UPF

Prezados (as) Alunos (as):

Seguem desenhos dos moletons para verificação de todos. Se houver alguma sugestão, favor encaminhar diretamente para o e-mail chistoria@upf.br, até o dia 28 de junho. Após esta data, realizaremos a encomenda dos alunos que já tiverem incluído seu nome na lista de interessados. 





Biblioteca e Videoteca História/UPF

Conheça os materiais disponíveis para consulta e empréstimo na Coordenação do Curso de História. Para ver a lista clique na imagem abaixo:



1894 - É fundado em Paris o Comitê Olímpico Internacional

Em 23 de junho de 1894, na Sorbonne, no coração de Paris, delegados de nove países -- Bélgica, França, Reino Unido, Grécia, Itália, Rússia, Espanha, Suécia e Estados Unidos -- fundam o Comitê Olímpico Internacional (COI). Nascia, neste dia, os Jogos Olímpicos da Era Moderna.
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Primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna tiveram lugar em Atenas de 6 a 15 de abril de 1896

Os primeiros Jogos Olímpicos, que na Antiguidade reuniam a cada quatro anos os gregos em torno de grandes competições atléticas pacíficas, tinham desaparecido catorze séculos antes, depois de mais de mil anos de existência. Porém, sua lembrança mantinha-se bem viva na juventude ocidental, moldada pela cultura clássica.

Foi um jovem de família abastada, o barão Pierre de Coubertin, quem teve a ideia de ressuscità-los, conferindo-lhes uma dimensão planetária. Nascido em Paris, em 1º de janeiro de 1863, numa família burguesa, católica e monarquista, Coubertin estava predestinado ao ofício das armas, mas preferiu a pedagogia. Esportista, praticou o boxe, equitação, remo e esgrima.
Ele descobriu na Inglatrerra a prática de esportes em meio aos estudos e à formação das elites, e ficou maravilhado. Logo apresenta um projeto de renovação do sistema francês de ensino : A Reforma Social. A ideia de que o esporte tinha o condão de contribuir para o florescimento da personalidade e a formação do caráter era evidente. No entanto, muitos médicos e educadores a ele se opunham em nome da saúde e da disciplina.

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Numa primeira conferência na Sorbonne, Coubertin adianta a decisão de "internacionalizar o esporte" a partir de 25 de novembrio de 1892. Tinha então somente 29 anos. Promovia seu projeto a ferro e fogo até a criação oficial do CIO. Atribuiu-se a missão de recriar os jogos antigos, evitando os excessos do profissionalismo que acabou por distorcer sua finalidade original.
[Selo comemorativo das Olimpíadas da República Democrática da Alemanha, em 1985]

O comitê elegeu simbolicamente um primeiro presidente grego na pessoa de Demetriou Vikelas e decidiu organizar os primeiros jogos em Atenas. A partir de 1896, Coubertin assumiria a presidência e a conservaria até 1925, antes de se tornar presidente de honra do CIO.
Ele conseguiu ver aceita sua ideia de que os Jogos se deserolassem cada vez numa cidade distinta. Após Atenas deveria vir Paris em 1900. O barão esperava que os Jogos fossem estimulados pela realização concomitante da Exposição Universal, mas suas esperanças foram vãs.
Primeiros jogos

Os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna tiveram lugar em Atenas de 6 a 15 de abril de 1896.  Reuniram 241 atletas representando 14 nações e 43 provas em 9 disciplinas. As delegações mais numerosas foram da Grécia, França, Alemanha e Grã Bretanha. A cerimônia de abertura foi assistida por mais de 50 mil pessoas. Os participantes deveriam ser amadores, salvo os esgrimistas, atraídos pela "beleza do esporte" e de modo algum pelo dinheiro. O barão e seus pares viam com nariz torcido uma volta às tradições antigas. Com efeito, esses jovens, que pertenciam à alta sociedade europeia, não poderiam imaginar entrar em competição nos estádios com proletários.

Para o barão Coubertin, como para a maioria de seus contemporâneos, era evidente também que as mulheres não teriam lugar nas competições : "Uma olimpíada feminina seria impraticável, desinteressante, anti-estética e incorreta (...) , Os Jogos devem estar reservados aos homens, o papel das mulheres é sobretudo o de coroar os vencedores", disse. Todavia, a partir de 1900, em Paris, elas obteriam o direito de participar de algumas provas, como tênis, golf.
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Tom Hicks, campeão da maratona olímpica e apoiadores nos Jogos de St. Louis, em 1904

A interdição de profissionais estava inscrita na Carta Olímpica. Em 1913, o norte-americano Jim Thorpe se veria obrigado a restituir suas medalhas de ouro do pentatlo e do decatlo conquistadas no ano precedente em Estocolmo. Mas a realidade acabou por se impor. O presidente do CIO, Juan Antonio Samaranch, fez votar em 1981 a supressão da referência ao amadorismo na Carta Olímpica.

Coubertin escreveu em 1892 : "A primeira característica essencial do Olimpismo é a de ser uma religião. Ao cinzelar seu corpo pelo exercício, como faz um escultor de uma estátua, o atleta moderno exalta sua pátria, sua raça, sua bandeira». Em 1908, adota como sua a célebre fórmula de um bispo : "O importante não é ganhar e sim competir". Ele próprio concebeu para os Jogos Olímpicos de Antuérpia de 1920 a bandeira oficial do olimpismo dos cinco aneis estrelaçados representando os continentes, cujas cores correspondem a todas as cores que figuram nas bandeiras nacionais. Nos Jogos seguintes, em 1924 em Paris, é introduzida a divisa latina: "Citius, altius, fortius" (Mais rápido, mais alto, mais forte).

Aos poucos, o barão impõe sua concepção de esporte como meio de desenvolvimento individual e instrumento de coesão social. E conseguiu, acima de qualquer expectativa. O esporte e os próprios Jogos Olímpicos viriam a ser estimulados pelos governantes ávidos de preparar a juventude para os seus deveres cívicos e militares, de tal sorte que nos Jogos de Berlim em 1936, sob o patrocínio do Führer, o higienismo olímpico flertou perigosamente com o culto do super-homem tal como praticavam os nazistas.

Os Jogos Olímpicos conheceriam ainda numerosas afrontas ligadas ao contexto político do momento – México, Munique, Moscou, Los Angeles – mas conseguiram superar os obstáculos por força da esperança que persiste em todos os homens de boa vontade, que defendem a paz, a fraternidade e o fairplay.
Fonte: Opera Mundi

sábado, 22 de junho de 2013

NOTA DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE HISTÓRIA


NOTA DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE HISTÓRIA (ANPUH-BRASIL) SOBRE OS MOVIMENTOS REIVINDICATÓRIOS QUE TOMARAM AS RUAS DE DIVERSAS CIDADES BRASILEIRAS NAS ÚLTIMAS SEMANAS

Ao longo da História, movimentos massivos foram, seguidamente, responsáveis por profundas transformações sociais, pela ampliação dos espaços de cidadania, pela emergência ou fortalecimento de direitos sociais e políticos, pela construção de sociedades mais igualitárias, justas e democráticas. Basta lembrarmos-nos das revoluções sociais dos séculos XIX e XX, como a Francesa e a Russa, que não obstante seus descaminhos posteriores, iniciaram com multidões nas ruas exigindo melhores condições de vida e trabalho, e procurando por fim à opressão política e à exploração econômica. Muitos destes movimentos foram violentamente reprimidos, mas deixaram como herança programas, ideais e projetos de emancipação. Para ficarmos no caso da história brasileira recente, citamos os casos dos movimentos de 68 contra a ditadura civil-militar instalada em 1964, e aqueles que clamavam por Diretas Já no início da década de 80, os quais, diga-se de passagem, foram ou criminalizados ou simplesmente ignorados pelos grandes veículos de comunicação.

Não obstante, muitos movimentos de massa seguiram outros caminhos e tiveram outros resultados. Alguns impulsionaram e serviram de base a movimentos totalitários ou autoritários, como o nazismo, o fascismo e as ditaduras de segurança nacional na América Latina, inclusive no Brasil, seguidamente em nome da moralização da vida política, da oposição aos partidos constituídos, da luta contra a corrupção e a inflação. Sabemos que a história não se repete e que cada época, apesar de catalisar antigas tradições e processos de longa duração, tem a sua originalidade. Os movimentos que irromperam nas ruas das grandes cidades brasileiras nas últimas semanas guardam a marca da sua época: 
organizam-se a partir de redes sociais, englobam grupos e projetos muito diversos, conectam-se entre si e com outros congêneres tanto no plano nacional quanto internacional. Suas práticas e reivindicações provocam espanto e não se pode prever o seu desfecho.

A ANPUH-Brasil confia que o efeito destas mobilizações será benéfico para toda a sociedade, em especial para os setores mais despossuídos, possibilitando uma apropriação mais igualitária dos serviços públicos, uma maior politização da juventude, uma gestão menos privatista das cidades e um diálogo mais direto entre sociedade civil e governantes. Por outro lado, repudia a violência contra o patrimônio público e a integridade física e moral de qualquer cidadão; as posturas que atentam contra o Estado democrático de direito e seus instrumentos, como o Parlamento e os partidos políticos; os projetos que, em nome de certo moralismo, põem em xeque o valor da democracia participativa; e a postura dos grandes veículos de comunicação que criminalizam os movimentos sociais ou tentam instrumentalizá-los em prol de projetos conservadores. 

Não menos importante, a ANPUH-BRASIL solidariza-se com estudantes e trabalhadores que em nome do direito de frequentar a praça que é do povo e fazer dela espaço de expressão de seus anseios, foram reprimidos pelas forças públicas que, ao contrário, têm a obrigação de protegê-los. Foi desta forma que se construiu a democracia. Na rua, à moda plebeia. Que esses movimentos possam retomar e radicalizar a antiga, mas não inatual, bandeira dos revolucionários de 1789: “Igualdade, liberdade e fraternidade”!

Fonte: ANPUH

1940 – França assina armistício com Alemanha na floresta de Compiegne

Em 22 de junho de 1940 é concluído o armistício entre o III Reich alemão e os representantes do governo francês de Philippe Petain.

Equivocando-se em relação a Hitler, o marechal Petain acreditava poder tratar com ele como, setenta anos antes, Adolphe Thiers negociara com Bismarck, num ambiente de honra e respeito mútuo.

Ansioso por vingar-se da humilhação de 1918, Hitler exige que a assinatura do armistício seja feita em Rethondes, na floresta de Compiegne, no vagão ferroviário histórico onde o marechal Foch e os plenipotenciários alemães se encontraram para o armistício de 11 de novembro de 1918.

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Hitler compareceu à França para assinar armistício


O führer estava acompanhado pelo marechal Hermann Goering, pelo ministro das Relações Exteriores Joachim von Ribbentrop, pelo marechal Wilhelm Keitel e pelo general Alfred Jodl, quem assinaria cinco anos mais tarde em Reims a capitulação da Alemanha.

Alguns minutos depois chega a delegação francesa, chefiada pelo general Charles Huntziger, quem comandara o II Exército em Sedan, e composta de um almirante, um general da aviação e de um civil, Leon Noel, ex-embaixador na Polônia.

O marechal Keitel apresenta um texto de 24 artigos que exclui qualquer reivindicação sobre as colônias francesas de ultramar e sobre a frota de guerra a fim de evitar que colonos e marinheiros franceses encontrassem motivos para se unir aos britânicos, até então imbatíveis. Hitler e seu séquito abandonam o vagão após a leitura desse preâmbulo, deixando os negociadores discutirem entre eles.

O general Huntziger não via, nas condições do armistício, “nada que fosse diretamente contrário à honra”.

Entretanto, Weygand fica indignado com o artigo 19 que exigia que a França enviasse à Alemanha “a seu pedido todos os residentes alemães designados pelo governo do Reich”. Tratava-se nada menos que trair a palavra dada aos refugiados políticos e aos judeus alemães. Contudo, Keitel bateu o pé e os franceses se curvaram.
Os franceses também aceitaram uma cláusula estipulando que seus nacionais que combatessem ao lado de um terceiro país contra a Alemanha seriam tratados como “franco-atiradores”, ou seja, seriam fuzilados no ato. Acreditando numa rápida conclusão da guerra, os negociadores franceses aceitaram que os prisioneiros não fossem libertados antes da assinatura de um tratado de paz em boa e devida forma.

Resultado: de 1,8 milhão de prisioneiros de guerra, 1,6 foram enviados ao “Grande Reich”. Desses, 250 mil seriam repatriados por motivos diversos e 70 mil se evadiriam. Os outros, ou seja, mais de um milhão, penariam durante quatro anos na Alemanha, geralmente utilizados como mão-de-obra em fábricas ou fazendas, por vezes internados em campos de reeducação como o sinistro Rawa-Ruska.

A convenção do armistício previa a instauração de uma “zona livre” ao sul da França. Era uma astúcia dos alemães para dissuadir os dirigentes franceses de instaurar um governo no exílio e de mantê-los à mão.

Dois dias depois, às 19h35, é assinado em Roma o armistício franco-italiano. Tendo em vista a medíocre performance de suas tropas, Mussolini só pôde conseguir a anexação de uma faixa de algumas centenas de metros na fronteira e a desmilitarização de uma faixa de 80 quilômetros na França e na Tunísia.

A defecção da França, assim como da Bélgica e da Polônia, deixa o Reino Unido sozinho diante da Alemanha nazista. Durante exato um ano, de 22 de junho de 1940 (armistício franco-alemão) a 22 de junho de 1941 (invasão da União Soviética pela Wehrmacht), os britânicos resistiriam sozinhos aos ataques alemães, beneficiando-se apenas da ajuda material dos Estados Unidos e do apoio em homens de seus domínios como o do Canadá. Este período heroico é conhecido como “the lonely year” (o ano solitário).

A maioria dos franceses deixa com Petain os cuidados de protegê-los e se deixam enlevar pelos bons modos do ocupante alemão que se comportou moderadamente até a entrada na guerra da União Soviética, um ano mais tarde.

Ocorreu que entre os colaboradores de primeira hora encontravam-se muitos líderes saídos da esquerda.

Invadida em seis semanas pelos exércitos hitlerianos, a França se resigna à ocupação da maior parte de seu território. Pela convenção do armistício, o governo do marechal Pétain, estabelecido em Vichy, mantém a soberania sobre o restante do território, a chamada “zona livre”. Uma soberania de fachada como se veria.

A “zona livre” seria totalmente invadida pela Wehrmacht em 11 de novembro de 1942, em seguida ao desembarque anglo-saxão na África do Norte, o que reduziu a quase nada as margens de manobra do governo de Vichy.
Fonte: Opera Mundi

Revista Ação Democrática nas Memórias do AHR


O “DEFENSOR DA DEMOCRACIA"

Sábado, 22/06/2013 às 07:00, por Arquivo Histórico Regional


“Como age o comunismo”. Com este título a revista Ação Democrática anuncia aos leitores um artigo ao mesmo tempo pedagógico e operacional, já que preconiza que o “verdadeiro democrata”, conhecendo pelo menos um dos cinco principais pontos da ação comunista, teria aguçado seu senso de ação contra tal perspectiva doutrinária. A publicação foi produzida pelo Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), entidade fundada por Ivan Hasslocher em 1959 para defender a democracia e lutar contra o comunismo em tempos da bipolaridade decorrente da Guerra Fria e da atuação de movimentos revolucionários, como o ocorrido em Cuba, com liderança de Fidel Castro e Che Guevara, que depôs o General Fulgêncio Batista do poder. O AHR dispõe de cinco edições da revista (uma edição de 1960 e quatro de 1962), que podem ser consultadas gratuitamente pelos interessados e que auxiliam na compreensão de um período tão caro à história do país: os antecedentes do golpe que instaurou a ditadura militar em 1964.

O artigo discorre sobre a natureza do comunismo, o Partido Comunista, as ações e fontes de financiamento dos grupos esquerdistas e foi publicado na edição de abril de 1962, durante o governo de João Goulart (1961-1964). O texto (não assinado) assume claramente a postura anticomunista difusa pelo chamado bloco capitalista ao remeter qualquer tentativa de defesa do comunismo à expansão do que denominam expansionismo ou imperialismo soviético, “um lustro da política russa”. Junto a isso há destaque para as formas de atuação não exclusivamente realizadas pelo Partido Comunista. Seus “braços” seriam ampliados pela ação de adeptos não filiados ao partido que “fazem parte de aparatos subterrâneos” e que promovem ações de espionagem e sabotagem, de agitação e propaganda, em prol de sua ideologia, de “interesses alienígenas totalitários”, e não nacionais destaca o texto. 

Segundo o/s articulista/s, “O ingresso de comunistas confessos nos órgãos de serviço público ou autárquico (...) é facilitado pelos membros secretos os aparatos que agora detêm tantos e tantos postos de responsabilidade administrativa”. Ao defender tal perspectiva, Ação Democrática critica a ascensão de funcionários aos postos de governo no contexto presidencial de João Goulart, amplamente criticado por grupos direitistas pela sua pretensa vinculação ao comunismo internacional. 

Esta foi apenas uma amostra do teor vigoroso de repreensão ao governo de Goulart que vemos nas revistas consultadas. Tal posicionamento explicitamente contestatório acabou por auxiliar na configuração de um clima de tensão latente sobre as ações governamentais e que, unido ao discurso contrário ao governo vigente então e difundido por outros órgãos de imprensa, entidades e grupos de oposição, auxiliaram a conformar um ambiente mais afeito a aceitação da tese do avanço comunista no país e, em decorrência, na legitimação do golpe de 1964 como aceitável ou mesmo necessário (mesmo que para isso a democracia tenha sido suspensa e um regime de exceção ditatorial instaurado). 

Folhear as páginas de Ação Democrática é tomar contato com uma miríade de argumentações antigovernistas e, portanto, conhecer com maior profundidade as posições em conflito político no contexto pré-golpe. O IBAD teve suas atividades investigadas por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e foi suspenso em duas ocasiões, no ano de 1963, pouco depois foi dissolvido. Sua obra, no entanto, permaneceu ao articular bandeiras caras a outros grupos de direita e reverberar o anticomunismo professo em suas várias formas e meios de atuação.

Gizele Zanotto
Professora do Curso de História/UPF
Fonte: Acervo do AHR
* O AHR destaca que os artigos publicados nessa seção expressam única e exclusivamente a opinião de seus autores


Fonte: O Nacional

I Seminário PIBID História/UPF

Ontem foi realizado o I Seminário PIBID História/UPF, evento que socializou os trabalhos entres os pibidianos e evidenciou a qualificação formativa de pibidanos, supervisoras e estudantes das escolas envolvidas. Os comentários das apresentações foi realizado pelas professoras Rosane Neumann e Ana Luiza Setti Reckziegel. Abaixo registros do evento.







Para conhecer mais detalhes do Programa clique aqui.

1942: Estreia de "Fausto" com Gustaf Gründgens

Em 22 de junho de 1942 estreou em Berlim o "Fausto 2", de Goethe, na encenação de Gustaf Gründgens. Ele próprio fez o papel de Mefistófeles e atingiu com a peça renome mundial como diretor e ator.
Gründgens como Mefistófeles, em 1959
Gustaf Gründgens revelou em 1959, no livro Meu encontro com Fausto, que, na encenação da segunda parte da tragédia, conseguiu se libertar do estilo adotado em peças anteriores. Indispensável para essa libertação teriam sido os preparativos dramatúrgicos realizados por Louise Dumont e Gustav Lindemann.
Em 1958, Gründgens aprimorou no Teatro Alemão (Deutsches Schauspielhaus), em Hamburgo, a peça que estreara em Berlim a 22 de junho de 1942, dando-lhe um estilo que influenciou por muito tempo o teatro alemão. O mesmo se pode dizer a respeito de Fausto 1, encenado em outubro de 1941, em Berlim, e reencenado em estilo bem mais leve em 1957, também em Hamburgo.
Gründgens ocupou-se a vida inteira com o personagem criado por Goethe, sempre tentando dar clareza ao conteúdo da tragédia. Ele era ainda um jovem colegial quando descobriu o papel de sua vida – o de Mefisto. Após sua formação na Academia de Teatro de Düsseldorf, onde foi aluno de Louise Dumont e Gustav Lindemann, atuou em todo o repertório de peças clássicas e modernas encenadas em Halberstadt, Kiel, Berlim e Hamburgo.
Ilha artística em meio à barbárie nazista
Em 1928, tornou-se ator e diretor do Deutsches Theater de Max Reinhardt, em Berlim. Atuou no papel de Mefisto em Fausto 1, dirigido por Lothar Müthel, em dezembro de 1932, e Fausto 2, sob direção de Gustav Lindemann, em 1933. Durante o período do nazismo (1933-1945), Gründgens foi diretor do Teatro Estatal (Staatliches Schauspielhaus) e integrou o conselho de Estado prussiano.
Protegido pelo poderoso Hermann Göring (comandante da Força Aérea), Gründgens desfrutou de ampla liberdade. Seu teatro era uma "ilha" artística em meio à barbárie nazista, de onde ajudou muitos artistas perseguidos. O auge e, ao mesmo tempo, fim de sua carreira no teatro estatal foi a encenação das duas partes de Fausto, em 1942-1943. O papel principal coube a Paul Hartmann que, na opinião de Gründgens, era "o ator mais másculo do teatro alemão".
Ele próprio caracterizou Mefistófeles como anjo decadente, que fez uma aposta com Deus, mesmo sabendo que a perderia. Os críticos elogiaram a peça como "sensacional". Em 1943, em meio à Segunda Guerra Mundial, o teatro estava sem condições de continuar funcionando, e Gründgens alistou-se como voluntário no Exército alemão. Em 1947, tornou-se diretor do teatro de Düsseldorf, onde, dois anos mais tarde, dirigiu Fausto 1 e atuou no papel de Mefisto.
O período em Düsseldorf foi seguido, em 1955, pela era de Hamburgo, onde suas encenações do Fausto no Deutsches Schauspielhaus foram interpretações geniais de um drama mundial. Suas representações de Mefisto entraram para a história como o desempenho imbatível de um controvertido homem de teatro.
No Brasil, o nome de Gustaf Gründgens não é conhecido fora do meio artístico. Mas, como ele atuou também no cinema, aparece, pelo menos, nas sinopses de filmes antigos. É o caso de M, filme de Fritz Lang, rodado em 1931.

DW.DE

Ao ser capturado, Luis XVI é obrigado a voltar a Paris e é acusado de "sublevação"

Na noite de 20 para 21 de junho de 1791, uma berlinda – pequena carruagem de 4 rodas, vidraças laterais e suspensa por molas – pesadamente carregada se afasta de Paris. A bordo o rei Luis XVI, a rainha Maria Antonieta e seus dois filhos, mais  Madame Elisabeth, irmã do rei, e a governanta das crianças.

Onze meses antes, o rei e seu povo celebravam juntos a Festa da Federação – comemorativa do primeiro aniversário da Queda da Bastilha, episódio considerado como ponto de partida da Revolução Francesa. A Revolução parecia ter se encerrado e a monarquia constitucional bem instalada. No entanto, as relações entre Luis XVI e os deputados da Assembleia Constituinte não tardariam em azedar face à política religiosa.

Wikicommons

Família real francesa chegou de volta a Partis no dia 23 de junho


O tribuno Mirabeau sugere ao rei que, no caso da colaboração com o governo revolucionário se tornar impossível, restaria a possibilidade de deixar Paris e comandar tropas favoráveis a sua causa e invadir a capital afim de dar cabo da Revolução.

O tribuno morre em 2 de abril de 1791. Em 18 de abril, os parisienses impedem Luis XVI de deixar o palácio real das Tulherias. Queria viajar a Saint-Cloud para lá festejar a Páscoa e receber a comunhão de um padre não sagrado.

Encorajado pelo conde sueco Axel de Fersen, decide pôr em prática o conselho de Mirabeau e chegar ao quartel-general do marquês de Bouillé, em Montmedy, perto da fronteira com Luxemburgo. Sabia que essas tropas eram fieis à monarquia.

Na manhã de 21 de junho, quando se constatou o desaparecimento do rei, foi dado o alerta geral e o marquês de La Fayette, comandante da Guarda Nacional, despacha mensagens em todas as direções ordenando a prisão dos fugitivos.

Entrementes, a carruagem real se atrasa demasiadamente em sua viagem. À noite chega a Sainte-Menehould, em Champagne, porém o destacamento de cavaleiros enviados pelo marquês de Bouillé para garantir sua proteção não estavam ensilhados.

Ao mesmo tempo, o filho do chefe dos Correios Drouet, autorizado pela municipalidade, salta sobre um cavalo e, tomando um atalho, adianta-se à carruagem e chega antes à provável parada seguinte, Varennes-en-Argonne. Ele alerta os habitantes e o procurador da comuna, o merceeiro Sauce. Quando a família real chega ao local, lhe é dada a voz de prisão e os membros são convidados a descer da viatura.

É noite. É dado o alarme. Os habitantes, ameaçadores, se reúnem em torno da casa do merceeiro onde estavam detidos os prisioneiros.
Em 23 de junho de manhã, a berlinda retoma o caminho para Paris, escoltada por três deputados. Entra na capital dois dias depois, em meio a um silêncio fúnebre, os curiosos sendo ordenados de não pronunciar uma palavra sequer.

O rei é levado de volta ao palácio real das Tulherias e colocado sob “vigilância do povo”. Tem todos os seus poderes provisoriamente suspensos. Por conveniência, a Assembleia qualifica a peripécia de Varennes como “sublevação” e não “fuga”. A confiança entre a monarquia e a Revolução estava irreversivelmente quebrada, ainda mais que se suspeitava de um pacto do soberano com o estrangeiro, ou seja, crime de traição à pátria.

Os republicanos iriam doravante alçar sua voz em favor da causa da República. A monarquia seria finalmente derrocada pelas manifestações de 10 de agosto de 1792.
Fonte: Opera Mundi

21 de junho de 1968: A sexta-feira sangrenta

21/06/2013 - 11:09 | Enviado por: Lucyanne Mano


O que era uma passeata estudantil, se transformou em uma batalha a bala, cassetetes e pedras, entre estudantes e a Polícia Militar. Com a Avenida Rio Branco interditada, milhares de pessoas foram atraídas às janelas dos edifícios. Esses espectadores, em repúdio à repressão da manifestação, lançaram um mundo de coisas contra os policiais.

O Centro do da Cidade foi paralisado ao meio-dia, permanecendo assim por seis horas. Ao final, um policial foi morto e presumivelmente, dois civis. Cerca de 80 pessoas ficaram feridas e mais de mil prisões foram efetuadas.

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Fonte:JBlog

sexta-feira, 21 de junho de 2013

PPGH divulga banca de Lucas Cabral Ribeiro


I Seminário Pibid História acontece nesta sexta-feira (21/06)

O curso de História da Universidade de Passo Fundo (UPF) realiza nesta sexta-feira (21/06) o I Seminário do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência da (Pibid). A programação contará com a apresentação de trabalhos dos grupos atuantes nas escolas Anna Willig, Protásio Alves e EENAV, além da avaliação da atuação do Pibid nas escolas e o relato das supervisoras Cristina Spentof, Nadir Falcão, Rosilvani Weimer e Gladis Annes. As atividades acontecem a partir das 14h, na sala de defesas do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), no Campus I, e são abertas a todos os interessados.


1791 – Em fuga, família real francesa é presa em Varennes

Na noite de 20 para 21 de junho de 1791, uma berlinda – pequena carruagem de 4 rodas, vidraças laterais e suspensa por molas – pesadamente carregada se afasta de Paris. A bordo o rei Luis XVI, a rainha Maria Antonieta e seus dois filhos, mais  Madame Elisabeth, irmã do rei, e a governanta das crianças.
Onze meses antes, o rei e seu povo celebravam juntos a Festa da Federação – comemorativa do primeiro aniversário da Queda da Bastilha, episódio considerado como ponto de partida da Revolução Francesa. A Revolução parecia ter se encerrado e a monarquia constitucional bem instalada. No entanto, as relações entre Luis XVI e os deputados da Assembleia Constituinte não tardariam em azedar face à política religiosa.

Wikicommons

Família real francesa chegou de volta a Partis no dia 23 de junho

O tribuno Mirabeau sugere ao rei que, no caso da colaboração com o governo revolucionário se tornar impossível, restaria a possibilidade de deixar Paris e comandar tropas favoráveis a sua causa e invadir a capital afim de dar cabo da Revolução.

O tribuno morre em 2 de abril de 1791. Em 18 de abril, os parisienses impedem Luis XVI de deixar o palácio real das Tulherias. Queria viajar a Saint-Cloud para lá festejar a Páscoa e receber a comunhão de um padre não sagrado.

Encorajado pelo conde sueco Axel de Fersen, decide pôr em prática o conselho de Mirabeau e chegar ao quartel-general do marquês de Bouillé, em Montmedy, perto da fronteira com Luxemburgo. Sabia que essas tropas eram fieis à monarquia.

Na manhã de 21 de junho, quando se constatou o desaparecimento do rei, foi dado o alerta geral e o marquês de La Fayette, comandante da Guarda Nacional, despacha mensagens em todas as direções ordenando a prisão dos fugitivos.

Entrementes, a carruagem real se atrasa demasiadamente em sua viagem. À noite chega a Sainte-Menehould, em Champagne, porém o destacamento de cavaleiros enviados pelo marquês de Bouillé para garantir sua proteção não estavam ensilhados.

Ao mesmo tempo, o filho do chefe dos Correios Drouet, autorizado pela municipalidade, salta sobre um cavalo e, tomando um atalho, adianta-se à carruagem e chega antes à provável parada seguinte, Varennes-en-Argonne. Ele alerta os habitantes e o procurador da comuna, o merceeiro Sauce. Quando a família real chega ao local, lhe é dada a voz de prisão e os membros são convidados a descer da viatura.

É noite. É dado o alarme. Os habitantes, ameaçadores, se reúnem em torno da casa do merceeiro onde estavam detidos os prisioneiros.


Em 23 de junho de manhã, a berlinda retoma o caminho para Paris, escoltada por três deputados. Entra na capital dois dias depois, em meio a um silêncio fúnebre, os curiosos sendo ordenados de não pronunciar uma palavra sequer.

O rei é levado de volta ao palácio real das Tulherias e colocado sob “vigilância do povo”. Tem todos os seus poderes provisoriamente suspensos. Por conveniência, a Assembleia qualifica a peripécia de Varennes como “sublevação” e não “fuga”. A confiança entre a monarquia e a Revolução estava irreversivelmente quebrada, ainda mais que se suspeitava de um pacto do soberano com o estrangeiro, ou seja, crime de traição à pátria.

Os republicanos iriam doravante alçar sua voz em favor da causa da República. A monarquia seria finalmente derrocada pelas manifestações de 10 de agosto de 1792.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

1963: Linha direta entre Washington e Moscou

No dia 20 de junho de 1963, os Estados Unidos e a União Soviética acertaram uma "linha direta" entre a Casa Branca e o Kremlin para evitar a guerra em caso de crise.
Nikita Kruchev e John F. Kennedy
Durante toda a Guerra Fria, o perigo de um conflito nuclear nunca esteve tão iminente como em outubro de 1962. A União Soviética havia enviado 24 foguetes para Cuba, secretamente. O presidente norte-americano John Kennedy declarou tratar-se de uma ameaça inaceitável à segurança dos Estados Unidos e anunciou, como represália, o bloqueio de Cuba. O apoio unânime veio da América Latina e dos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Por seu lado, o governo soviético alegava que a presença de mísseis nucleares norte-americanos na Turquia ameaçava o Kremlin. Nestes dramáticos momentos de tensão entre as duas superpotências, demorou 18 horas para que as notícias oficiais entre Washington e Moscou cruzassem o oceano, sempre indiretamente, através de suas embaixadas.
Mensagem direta por telégrafo
O conflito armado foi impedido pela União Soviética, que retrocedeu na instalação dos mísseis, depois da promessa norte-americana de não invadir Cuba. Os graves problemas de comunicação foram solucionados com uma "linha direta" entre o chefe de Estado e de Partido soviético Nikita Kruchev e o presidente norte-americano John Kennedy, em 20 de junho de 1963, durante a Conferência pelo Desarmamento.
Através de dois cabos exclusivos de telégrafo, o chefe de Estado e de partido da União Soviética e o presidente dos Estados Unidos poderiam trocar mensagens diretas. Os líderes dos governos determinaram que a decisão política teria que prevalecer sobre a militar.
O processo de distensão iniciado em fins de 1962 durou aproximadamente dez anos, em benefício não só dos Estados Unidos e da União Soviética, como também da Europa e dos países em desenvolvimento. (rw)

DW.DE

Número de refugiados e deslocados no mundo supera 45 milhões, diz ONU

O número de refugiados e deslocados no mundo bate recorde em quase vinte anos e alcança uma cifra de 45,2 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas, que alerta para a crise na Síria como um dos principais fatores de deslocamento global.

Segundo o Relatório Tendências Globais 2012, divulgado nesta quarta-feira, (19/06), de 2011 para 2012, 2,6 milhões de novos refugiados e deslocados se somaram aos já existentes 42,5 milhões (2011). Dos quais, 28,8 milhões de pessoas foram forçadas a fugir dentro das fronteiras de seus próprios países e 15,4 milhões obtiveram o status de refugiado em outros países.

O Afeganistão lidera o país como o principal de origem de refugiados – posição que ocupa há mais de três décadas – tendo registrado, em 2012, 2,5 milhões de refugiados. Um em cada quatro refugiados no mundo é afegão e a sua grande maioria reside em países como Paquistão e Irã.

A Somália aparece em segundo lugar no ranking de países emissores com 1,1 milhão de refugiados e o Iraque segue na terceira posição, com 746 mil. Os sírios somam 471 mil refugiados e são a quarta nacionalidade que mais contabiliza o número de refugiados.
Segundo a ONU, existem no mundo quase um milhão de pessoas deslocadas que esperam na fila para obter asilo em outros países.

Guerras e conflitos armados

As guerras e conflitos armados continuam sendo a principal causa de deslocamento forçado. De acordo com o ACNUR, mais da metade dos refugiados são oriundos de cinco países: além do Afeganistão, Síria e Iraque, a Somália e o Sudão também integram a lista.

“Existem, em média, 3 mil refugiados por dia, uma pessoa se torna refugiada a cada quatro segundos. Este é o maior número em 18 anos, que foi o período da guerra da Bósnia ou de Ruanda”, analisa o representante do ACNUR no Brasil, Andrés Ramirez.

Para ele, o incremento de pessoas afetadas evidencia que “não se tem tido vontade política” a nível mundial para prevenir os conflitos. “O tema dos refugiados é um drama, uma grande tragédia humana de grandes dimensões. É um número gigantesco que mostra que os principais deslocamentos forçados no mundo hoje são devidos a guerras, conflitos e violações generalizadas aos direitos humanos. São vítimas de grandes desastres políticos e sociais”, salientou Ramirez durante o lançamento do relatório global.

A população sob o mandato do ACNUR  tem crescido ano após ano. Em 2012, a agência das Nações Unidas registrou 35,8 milhões de pessoas sob os seus cuidados, a maior cifra desde 1993. Deste montante, 10,5 milhões são de refugiados.

O relatório da ONU aponta ainda que mais de 80% dos refugiados vivem em países em desenvolvimento, como Paquistão – que acolhe 1,638 milhão de refugiados afegãos e ainda registra deslocados internos por conflitos dentro do próprio país.

A Alemanha e o único país desenvolvido que figura na lista das dez nações que mais acolhem refugiados no mundo. No ranking de acolhedores estão países como Irã, Quênia, Síria, Etiópia, Chade, Jordânia, China e Turquia.

Refugiados no Brasil

O Brasil contabiliza 4.715 refugiados, dos quais 2.012 são assistidos pelo ACNUR. Ainda existem 1.441 pessoas na fila de espera para receber o status de refugiado. No entanto, para Ramirez, este número é “ínfimo” se comparado a outros países acolhedores como o Paquistão.

Segundo o Comitê Nacional para Refugiados (CONARE) do Ministério da Justiça, existem 76 nacionalidades de refugiados no Brasil. “São pessoas pertencentes a grupos étnicos e que fogem por motivos de pensamento e conflito. Situações que se dão em nosso continente quanto em outros. Temos o desafio de oferecer melhores condições de adaptação para integração do refugiado”, comentou João Guilherme Granja, representante do CONARE.

O desafio, neste momento, admite, é acelerar o processo de concessão de refúgio do governo brasileiro. “Diminuir os prazos e avaliar os gargalos, algumas regiões do país são mais demandadas”, afirmou Granja.

Em outubro de 2012, o governo brasileiro emitiu um decreto para conceder a residência permanente para quase 2.000 ex-refugiados angolanos y liberianos. Esta medida foi adotada pelas autoridades brasileiras de imigração após uma recomendação do ACNUR para que os Estados aplicassem “cláusulas de cessação” a estas duas situações de refugiados. Esta decisão afetou 40% da população de refugiados no país, 1.681 angolanos e 271 liberianos.

O Brasil é o primeiro país da América Latina e fora da África que adotou as recomendações do ACNUR. Segundo disse à imprensa Ramirez, enquanto este número de refugiados irá diminuir no país, os pedidos de refúgio têm aumentado. Em 2012, foram mais de 1.200 solicitações e, este ano, será ainda maior, admitiu o representante do ACNUR, ao defender que o Brasil tem condições de receber um contingente ainda maior.

“Teremos mais solicitações por causa das crises que estão acontecendo no mundo. O Brasil é um país continental e poderia receber mais refugiados. Mas a questão se deveria receber mais refugiados é um tema moral, o Brasil tem uma boa lei, uma boa política e está de portas abertas. Recebem menos (refugiados) porque o país está muito afastado das crises humanitárias”, comentou Ramirez. 
Fonte: Opera Mundi

Povo pacífico?

Não é de hoje que o brasileiro toma as ruas para reivindicar direitos. Manifestações contrárias ao aumento de tarifas nos transportes acontecem desde o século XIX

Janine Justen
18/6/2013
Policiais e manifestantes no Rio de Janeiro / Foto: Bernardo Santos
Policiais e manifestantes no Rio de Janeiro / Foto: Bernardo Santos

“O que é ser pacífico?”, indaga o economista e sociólogo Carlos Vainer da UFRJ. Para o especialista em planejamento e políticas urbanas, essa é apenas uma das muitas e controversas questões que compõem o pano de fundo das recentes manifestações contra o aumento das passagens de ônibus no Brasil. Os protestos, que começaram no início do mês e têm levado milhares de pessoas às ruas em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Goiânia, Brasília, só para citar algumas cidades, ganham adeptos, inclusive, no exterior.
“As elites nacionais são violentas. Historicamente, a violência dos dominantes foi a única forma de reprimir ou controlar movimentos de resistência das classes oprimidas. E não foram poucos”, contextualiza Vainer. “Essa ideia de que o povo brasileiro é pacífico, receptivo e festeiro por natureza me parece muito simplista. É uma forma suave de racismo, pois se baseia na lógica de que atributos pré-definidos determinam a personalidade e o caráter de um povo”, critica Vainer. “É como se um fator externo a nós construísse nossos sentimentos, vontades, desejos, anseios e frustrações. Como se tudo isso já viesse inscrito em nosso DNA.”
Com valores patriarcais, escravocratas e moralistas arraigados na sociedade brasileira por sua própria formação, fica difícil fugir de estereótipos extremistas e, por que não, pejorativos, quando o assunto é reivindicação popular. Classificados como “baderneiros” ou “vândalos” pelo discurso tradicional, os manifestantes têm sua atuação diminuída e descontextualizada por aqueles que deveriam abraçar a causa.
“Quando a população protesta, dizem que não há motivo. Principalmente quando os protagonistas são jovens. Isso, para mim, é uma violência. Esta arrogância de apresentar ao mundo a ideia de uma sociedade que resolveu seus problemas gloriosamente é um modelo de apagamento, de invisibilidade das profundas desigualdades sociais que aqui persistem. Mas funciona para os turistas e para a Fifa”, ironiza.
Foto: Movimento Passe Livre - SP
Foto: Movimento Passe Livre - SP
Para o professor da UFRJ, é inconcebível vender para a comunidade internacional a imagem de um país economicamente estável e promissor, quando as necessidades básicas da população não são atendidas. “Como pensar um ‘oba-oba’ de investimentos em megaeventos em contraponto às milhares de residências sem saneamento básico, aos insatisfatórios índices educacionais e a uma saúde pública sucateada? Isso sem falar do transporte ineficiente”, provoca. “A rebelião não é apenas necessária, é justa. Tampouco é um ato violento, mas de defesa. E, por isso, bastante legítimo.”
Historiador da PUC-Rio, Rafael Lima é outro a destacar que as recentes manifestações ajudam a desconstruir a imagem de que a sociedade brasileira é passiva e sem voz.  “A questão da mobilização popular nas ruas é antiga e acompanha, de alguma maneira, toda a trajetória da nossa efetiva urbanização, a partir do início do século XX”, defende o pesquisador. Para ele, “todas essas manifestações passam pela problemática da cidade, espaço por excelência da diversidade de interesses, da alteridade cultural e do confronto social, sobretudo em um país ex
Revolta do Vintém. Rio de Janeiro, 1879
Revolta do Vintém. Rio de Janeiro, 1879
cludente como o nosso”.
Para Lima, os protestos em relação ao preço das tarifas dos transportes públicos não são novidade na história do país. O historiador Paulo Terra, especialista em história urbana e movimentos de trabalhadores, concorda. Ele aponta paraRevolta do Vintém como um das mais emblemáticas. Em 1879, manifestantes contestaram a tarifa outorgada pelo governo imperial acerca das passagens de bonde no Rio de Janeiro. O resultado, após muito tumulto? A revogação do imposto.
“No dia 28 de dezembro de 1879, foi promovida uma primeira manifestação que contou com 6 mil pessoas. No dia primeiro de janeiro de 1880, data em que a taxa entrava em vigor, novo protesto reuniu aproximadamente 4 mil pessoas e foi combatido não só pela polícia, como também por soldados de infantaria e cavalaria do Exército. Mas a movimentação social conseguiu contornar a lei”, explica Terra.
Ele destaca, ainda, o aumento da passagem na Companhia São Christovão, em 1901. “Os protestos, que incluíam diversos bondes virados e queimados pelos manifestantes, foram também duramente reprimidos pela polícia e só terminaram três dias depois”, afirma. Mais uma vez, o resultado foi positivo. “A causa do fim das ações dos usuários foi a decisão da Companhia São Christovão de suspender a execução do novo contrato, retornando os preços às passagens anteriores”.
Outra insurreição popular em meio urbano conhecida foi a Revolta da Vacina. “Com direito a barricadas e quebra de bondes", lembra Rafael Lima, "Ela não está diretamente relacionada ao aumento de tarifas. Porém, é impossível compreendê-la sem pensar nas reformas urbanas de 1904 que, sob a batuta do prefeito Pereira Passos e do presidente Rodrigues Alves, alijaram a população mais pobre do Centro da cidade.”
Para ele, “as manifestações atuais ganhariam bastante, do ponto de vista simbólico, se ativassem a memória dessa revolta e de seu principal líder, Horácio José da Silva. Mais conhecido como Prata Preta, que já virou até nome de bloco de carnaval dos bairros do porto”.

A doença do prazer

No início do século XX, a medicina queria imprimir uma conduta que impedisse tanto o excesso quanto a continência sexual

Cristiana Facchinetti
1/6/2013
Remédio da década de 1920 promete a cura para a esterelidade e fraqueza senil: era por uma sexualidade cotidiana e disciplinada no seio da família
Remédio da década de 1920 promete a cura para a esterelidade e fraqueza senil: era por uma sexualidade cotidiana e disciplinada no seio da família
As demarcações de diferença anatômica e do comportamento sexual, bem como de suas “patologias” eram um desafio para a ciência da segunda metade do século XIX. O surgimento das teorias da hereditariedade aumentava o temor sobre consequências funestas dos desvios nessa área: além de prejudicar física e moralmente o indivíduo, tais anomalias afetariam seus descendentes diretos e, por extensão, ameaçariam o organismo de toda a nação pelo risco de degeneração social.
No Brasil, como na Europa, políticas estatais e científicas se articulavam para estabelecer o controle e a regulação moral dos indivíduos, especialmente no que se refere à saúde e à reprodução da população. Entre nós, porém, havia um obstáculo em especial: a questão racial. Especialmente após a Abolição (1888), a miscigenação tornou-se um tema crucial nos debates científicos. Mais do que a raça negra – considerada primitiva, mas pura – era a mistura racial que, pensava-se, produzia a degeneração. A medicina do período definia a população brasileira como um coletivo de indivíduos mestiços e desequilibrados, de agir impulsivo, instintivo e irracional, incapazes de se submeterem a uma organização política mais evoluída.
Novas especialidades médicas ganharam impulso. Entre elas, a medicina mental, que também sublinhava as “mazelas de nosso laboratórioétnico”, como escreveu o médico Renato Kehl. Esse clima de pessimismo científico era embalado, ainda, pelo crescimento desordenado das cidades, pelas greves e os movimentos urbanos.
No início do século XX, as descobertas da microbiologia adicionaram uma perspectiva social ao “diagnóstico” do brasileiro. Ele se definia, agora, pela falta de saúde e de educação. Além das teorias da hereditariedade, passaram a ser consideradas as influências do meio para as degenerações psicológicas e físicas.

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