quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Programa Momento Patrimônio da UPFTV discute ensino da história missioneira

Foto: Divulgação/UPF
Pela segunda vez, o Sítio Arqueológico de São Miguel é cenário da gravação do programa
O programa especial Momento Patrimônio, que irá ao ar nesta sexta-feira (1º/03), às 21h, pela UPFTV, tem como assunto o ensino das Missões em sala de aula.  Este será o segundo programa gravado no Sítio Arqueológico de São Miguel, declarado em 1983 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), como Patrimônio Cultural da Humanidade, atraindo até hoje, público escolar e turistas de diversos países do mundo.

O penúltimo programa da segunda temporada do projeto Momento Patrimônio vai reunir as professoras do Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da UPF Gizele Zanotto e Ironita Policarpo Machado, e a arte-historiadora e professora da Faculdade de Artes e Comunicação (FAC) da UPF Jacqueline Ahlert, que irão discutir a relação entre o patrimônio histórico e artístico missioneiro, bem como a educação patrimonial como processo contínuo de aprendizagem e a história missioneira como elemento de constituição de identidade dos rio-grandenses. Também vão abordar questões referentes ao patrimônio material e imaterial das Missões, que constituem a história e a memória do Rio Grande do Sul.

Gravado nas Ruínas de São Miguel, localizadas no município de São Miguel, o Momento Patrimônio será exibido nesta sexta-feira pelo canal 4 da TV aberta ou canal 8 da NET. A reapresentação acontece no domingo (03/03), às 22h.

Projeto premiado
O projeto Momento Patrimônio, realizado pelo curso de História da Universidade de Passo Fundo, com o apoio do Museu Histórico Regional, do Arquivo Histórico, da Rádio 99UPF e produzido e exibido pela UPFTV, recebeu o prêmio Darcy Ribeiro, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), autarquia federal, vinculada ao Ministério da Cultura, edição 2012.

O prêmio foi publicado no Diário Oficial da União do dia 19 de novembro de 2012. O Prêmio Darcy Ribeiro apoia práticas e ações de educação museal que, por meio das diversas relações de mediação com o público, levam à apropriação, em sentido amplo, do patrimônio cultural, valorizando-o e promovendo sua preservação.



1987 – Gorbachev anuncia que URSS está pronta para banir armas atômicas


Reagan e Gorbachev durante o primeiro encontro sobre misseís nucleares, em 1985

Em um surpreendente anúncio que deixou a opinião pública mundial um tanto cética, porém esperançosa, o líder soviético Mikhail Gorbachev informa, em 28 de fevereiro de 1987, que sua nação está pronta para assinar “sem maiores delongas” um tratado destinado a eliminar todos os mísseis nucleares de médio alcance da Europa.

A oferta de Gorbachev introduziu um avanço significativo nas negociações que, finalmente, resultaram na assinatura do Tratado das Forças Nucleares de Alcance Intermediário em dezembro de 1987.

Gorbachev e o presidente norte-americano, Ronald Reagan, se digladiavam a respeito da questão da redução das armas nucleares na Europa desde 1985, quando se encontraram pela primeira vez pessoalmente para discutir a matéria.

O encontro subsequente, em 1986, começou com elevadas esperanças de um acordo, mas as discussões se encaminharam para um beco sem saída quando Gorbachev trouxe à baila, além da questão da eliminação simultânea dos mísseis de médio alcance na Europa, o término do desenvolvimento pelos Estados Unidos da Iniciativa de Defesa Estratégica, conhecida internacionalmente como “Guerra nas Estrelas”, um sistema de defesa antimíssil.

Porém, tanto Reagan como Gorbachev viram-se diante de pressões para alcançar um entendimento. Reagan estava sob forte pressão das forças políticas “no-nuke” (não-nuclear) tanto nos Estados Unidos quanto na Europa Ocidental. 

Gorbachev queria estabelecer um corte substancial nos armamentos nucleares, tanto para estimular seu prestígio no cenário internacional quanto proporcionar um alívio bastante necessário para a economia soviética, sufocada pelo peso de maciças despesas militares.

Em fevereiro de 1987, Gorbachev anunciou que a União Soviética estava disposta a entabular negociações a respeito da eliminação dos mísseis nucleares de médio alcance. Desta vez sugeriu que o “problema dos mísseis de médio alcance na Europa deve ser tratado isoladamente das demais questões do conjunto de questões, e quanto a ele concluir um acordo em separado, sem mais delongas.” Em outras palavras, havia desistido da insistência de incluir a Iniciativa de Defesa Estratégica nas negociações.

Gorbachev e Reagan encontraram-se em dezembro de 1987 e, finalmente, assinaram o tratado, em decorrência do qual s soviéticos desmontaram cerca de 1.500 mísseis de médio alcance da Europa enquanto os Estados Unidos fizeram o mesmo com aproximadamente 750 mísseis.

1933: Brecht foge da Alemanha


Bertolt Brecht fugiu da Alemanha nazista em 28 de fevereiro de 1933, um dia após o incêndio do Reichstag. O escritor sabia que logo começaria a caça à esquerda e aos opositores do regime de Hitler.
Bertholt Brecht
No dia em que o escritor Bertolt Brecht deixou a Alemanha, em 28 de fevereiro de 1933, a notícia nem sequer saiu no jornal. Ele não anunciara que iria deixar o país, e o tema das manchetes do dia era outro: o incêndio do Reichstag, na véspera.
A polícia responsabilizou a esquerda e logo apresentou o suposto autor do incêndio. Os nazistas aproveitaram para prender um grande número de sindicalistas, socialistas e comunistas, que foram enviados aos primeiros campos de concentração, improvisados para esse fim.
O visionário que conhecia o perigo
Como nenhum outro intelectual, Brecht previra a catástrofe iminente, o que aconteceria se os nazistas assumissem o poder na Alemanha. Sua Lied vom SA-Mann (Canção do homem da SA) deixa transparecer toda a sua clarividência.
Nela, ele descreve como a depressão no final da década de 1920, as batalhas de rua e as eternas crises de governo culminariam nas barbáries do Terceiro Reich. "Dormi de fome, com o estômago roncando. Pegando no sono ouvi gritarem: 'Acorda Alemanha'. E vi muitos marcharem gritando 'Vamos ao Terceiro Reich!' Eu não tinha nada a perder e fui com eles, sem me importar para onde."
Em 1933, aconteceu o que se temia e Adolf Hitler tornou-se chanceler do Reich. No mais tardar, após a tenebrosa marcha com tochas pelo Portão de Brandemburgo, em Berlim, em honra ao novo detentor do poder, ficou claro que a sombria intuição de Brecht logo se transformaria em realidade.
O êxodo dos intelectuais
Não demorou muito e começou o êxodo dos intelectuais alemães. Nem todos, porém, quiseram ou puderam fugir a tempo, como o detentor do Prêmio Nobel da Paz Carl von Ossietzky, que foi levado a um campo de concentração e morreu em consequência das torturas.
Outros, como o escritor Erich Kästner, se retiraram da vida pública e assim sobreviveram ao "reino de mil anos" que Hitler pretendia instituir. A história, contudo, se lembra mais dos que quiseram conseguiram escapar: Albert Einstein, os escritores Lion Feuchtwanger, Thomas Mann, Erich Maria Remarque, os músicos Kleiber, Busch, Klemperer e muitos outros.
Brecht foi um dos primeiros a deixar o país, por saber o que o aguardava quando o partido de Hitler começasse a colocar em prática suas ameaças. Num poema em prosa, ele expôs as razões de sua perseguição: "Quando me forçaram ao exílio, os jornais publicaram que foi por uma poesia minha, ridicularizando o soldado da Primeira Guerra Mundial. Agora, quando eles preparam uma nova guerra mundial, decididos a superar as monstruosidades da última, é quando se persegue ou se mata gente como eu, por delatar os seus atentados".
A lenda do soldado morto
A poesia a que Brecht se refere, que teria inspirado o ódio dos nazistas, é Legende vom toten Soldaten(Lenda do soldado morto), um poema pacifista que se refere à Primeira Guerra Mundial.
Como faltassem soldados ao exército do Império Alemão, decidiu-se desenterrar um soldado que morrera, vesti-lo com um novo uniforme e arranjá-lo para que passasse pelo exame médico e fosse mandado de volta ao front. Sob os aplausos do clero e dos representantes do grande capital, o defunto foi enviado ao campo de batalha para morrer como herói.
Os nazistas não odiavam apenas o poeta Bertolt Brecht, odiavam também o seu pacifismo e o fato de ele ser comunista. Na sua Balada da árvore e dos galhos, de 1931, Brecht antecipou o comportamento assassino das hordas nazistas, no dia em que pudessem agir livremente.
Fuga para a Dinamarca
Com sua visão, Brecht decidiu fugir assim que soube do incêndio do prédio do Reichstag. Um dia depois, na manhã de 28 de fevereiro de 1933, deixava Berlim em direção a Praga. Da capital da então Tchecoslováquia foi a Viena, de lá até a Suíça e a seguir para a Dinamarca, onde se radicou por alguns anos.
O exílio o levaria ainda à Finlândia e aos Estados Unidos. O autor de A Ópera dos três vinténs e de outras obras inesquecíveis conseguiu escapar de Berlim antes de começar a primeira onda de prisões do novo regime, que afundaria a Alemanha e o mundo numa guerra sem precedentes.

DW.DE

27 de fevereiro de 1970: Médici afirma que é cedo e preserva AI-5

27/02/2013 - 09:01 | Enviado por: Lucyanne Mano


Durante a primeira entrevista coletiva como Presidente da República, quando apresentou seu projeto político à nação brasileira, Emílio Garrastazú Médici afirmou que era cedo para revogar o AI-5, assim como considerou tardia sua edição, pelo Presidente Costa e Silva, em 13 de dezembro de 1968.

O descontentamento da opinião pública foi imediato. Comprometeu a atmosfera de otimismo e esvaziou a esperança brasileira de exercer, num futuro próximo, a democracia no país.

Depois de dizer que nunca afirmou que ao fim do seu Governo entregaria o país em pleno regime democrático, como alguns entenderam na primeira manifestação pública ao tempo em que foi indicado à presidência, Médici lembrou suas palavras àquela ocasião, ratificando que afirmou apenas sua intenção: "A plena democracia é ideal que, se em algum lugar já se realizou, não foi certamente no Brasil. Tomei parte na primeira Revolução, a de 1930, à procura desse ideal, e ainda não o vi".
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Fonte: JBlog

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Grafismo Kaingáng será tema de próxima exposição no MHR

Foto: Divulgação UPF
Representantes do Ponto de Cultura – Centro Cultural Kanhgág Jãre e integrantes da equipe dos museus
A equipe dos Museus Histórico Regional (MHR) e de Artes Visuais Ruth Schneider (MAVRS), participou, nesta segunda-feira, 25 de fevereiro, de um diálogo acerca da cultura Kaingáng. A conversa foi realizada na sede dos museus e contou com a presença de representantes do Ponto de Cultura – Centro Cultural Kanhgág Jãre(Raízes Kaingáng) Andila Inácio, Susana Sakój, Josiléia Daniza Jagso Inácio Jacodsen e Luciana Vãngnri, que explanaram sobre a significação dos grafismos Kaingáng, representados em diversos suportes, tais como, tela e cerâmica, que irão compor a referida mostra, além da pintura corporal.

Para os Kaingáng, tudo pertence a uma das metades, Kamé ou Kanhrú- kré, que são opostas e complementares, as quais são evidenciadas por grafismos distintos: riscos ou pinturas abertas para os Kamé, e ponto, círculos, pinturas fechadas para os Kanhrú- kré. Além disso, a questão do indígena Kaingáng no contexto atual, bem como a mulher Kaingáng, também foram debatidas. O encontro faz parte da preparação da próxima exposição do MHR: “Eg Rá: Nossas Marcas”, que será aberta para visitação no próximo dia 8 de março.

Projeto Eg Rá: Nossas Marcas
O Projeto Eg Rá – Nossas Marcas, realizado pelo Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual (INBRAPI), patrocinado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Ministério da Cultura (MinC) e apoiado pelo Instituto Kaingáng, Ponto de Cultura Kanhgág Jãre e Embaixada da Noruega, busca valorizar as diversas práticas culturais ligadas ao grafismo tradicional do Povo Indígena Kaingáng e têm contribuído para melhores condições de trabalho e desenvolvimento sustentável dos conhecimentos e inovações ligadas à arte Kaingáng. Divulga a beleza e diversidade da Cultura imaterial Kaingáng e disponibiliza os produtos culturais elaborados em suas oficinas junto às escolas indígenas e sociedade em geral.


Animação, expectativas e sonhos marcam ingresso de 3 mil novos acadêmicos



Todos os semestres, a Universidade de Passo Fundo (UPF) festeja a chegada dos novos acadêmicos com a Recepção Acalourada, realizada em todos os campi da instituição. Nesta terça-feira (26/02), no Campus Passo Fundo, os calouros foram recebidos pela Reitoria, professores e coordenadores de curso, no Ginásio da Faculdade de Educação Física e Fisioterapia (FEFF). Os participantes foram convidados a interagir, confraternizar o início de uma caminhada de sonhos e expectativas e puderam prestigiar a performance da banda Megaloucos.

Mais de 3 mil novos acadêmicos ingressaram nos 59 cursos de graduação da instituição, e somam-se aos que já estão nos bancos universitários, totalizando mais de 20 mil, que voltaram às aulas nesta semana. Para o reitor José Carlos Carles de Souza, a UPF oferece uma estrutura completa e recebe os estudantes de braços abertos. “Iniciando mais um semestre na instituição, queremos mostrar tudo o que os ingressantes poderão encontrar aqui na UPF, desde a infraestrutura até o contato com professores qualificados e a participação em programas de pesquisa e intercâmbio, proporcionando uma completa formação”, destacou.

Na opinião da vice-reitora de Graduação Neusa Maria Henriques Rocha, a Recepção Acalourada é uma oportunidade de interação, de troca e de conhecimento dos alunos. “Este é um momento importante, uma vez que estamos recebendo mais de 3 mil novos alunos. Recepcionando esses acadêmicos, temos a oportunidade de acolhê-los e de propiciar que eles se sintam inseridos no ambiente universitário, estabeleçam novos vínculos e reconheçam que estão fazendo parte de uma instituição que lhes garantirá não só sua formação profissional, mas sua formação como pessoas”, ressaltou.

Os vice-reitores de Pesquisa e Pós-Graduação Leonardo José Gil Barcellos, e de Extensão e Assuntos Comunitários Bernadete Maria Dalmolin, também participaram da atividade.

Conquistas e sonhos
O ingresso no ensino superior sempre gera uma grande expectativa. Investir em uma profissão e construir uma carreira são alguns dos sonhos buscados pelos novos alunos. Fabíola Gobbo vai cursar Odontologia. Para ela, o desafio é construir uma boa carreira. “Recebi muitas indicações de que a UPF era qualificada e, por isso, decidi cursar Odontologia aqui. Sei que os desafios serão muitos, mas quero construir uma carreira sólida e de sucesso”, frisou a acadêmica.

A busca pelo conhecimento é o foco do acadêmico de Psicologia José Augusto Camargo. Ele observou que nos primeiros dias de aulas pretende conhecer o curso e a turma. “Quero buscar o conhecimento para ser um bom profissional”, ressaltou. A qualificação também é o objetivo do acadêmico de Engenharia Mecânica Tarso Alexius Vecchi. De acordo com ele, a dedicação será uma importante ferramenta. “Eu gostaria muito de ir para o exterior e para isso sei que preciso me dedicar e estudar. Quero sair daqui o mais qualificado possível”, argumentou.

A banda
A banda Megaloucos fez a festa com os alunos. Com uma proposta diferenciada, eles apresentam uma releitura musical com estilo próprio, interagindo com o público. A agenda de apresentações, histórico do grupo e outras informações pode ser conferida no site www.megaloucos.com.br. As fotos da recepção estão disponíveis no Facebook - https://www.facebook.com/universidadedepassofundo - e Instagram da UPF.

26 de fevereiro de 1937: Prestes depõe em julgamento por crime de deserção

26/02/2013 - 10:39 | Enviado por: Lucyanne Mano


O Conselho Especial de Justiça, da Auditoria do Departamento do Pessoal do Exército, presidido pelo Coronel Francisco de Paula Faria Junior, reuniu-se no quartel da Polícia Especial para ouvir Luis Carlos Prestes, acusado de crime de deserção.
Em suas primeiras palavras, Prestes declarou que, preso há mais de um ano, não sabia o motivo de seu julgamento. A resposta veio do auditor que recapitulou todos os antecedentes do processo, entre eles a acusação de planejar e deflagar a Revolta Vermelha, conduzida pelo Partido Comunista.

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Fonte: JBlog

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Das profundezas do Império


Exumação dos corpos de D. Pedro I e D. Leopoldina revelam detalhes relevantes para a História do Brasil. Especialistas comentam pesquisa realizada em São Paulo e discutem também o mito do fêmur quebrado da jovem imperatriz

Alice Melo
25/2/2013
D. Pedro I era um homem baixo para os padrões de sua época
D. Pedro I era um homem baixo para os padrões de sua época
Uma preocupação com a umidade no subsolo do Monumento do Ipiranga, em São Paulo, motivou a arqueóloga Valdirene do Carmo Ambiel a escavar seu próprio caminho e realizar uma pesquisa que revelou detalhes desconhecidos sobre alguns personagens da família imperial brasileira. Os despojos de D. Pedro I e suas duas esposas, D. Leopoldina e D. Amélia, foram exumados de suas criptas e submetidos a baterias de exames em laboratório da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, como revelou a reportagem especial do jornal O Estado de S. Paulo.
A iniciativa partiu da própria pesquisadora e enfrentou muitos obstáculos para ser colocada em prática, já que a arqueologia funerária no Brasil é um campo pouco explorado. Durante a pesquisa de mestrado no programa do Museu de Arqueologia da USP, Ambiel conseguiu uma série de autorizações e financiamentos capazes de permitir a retirada cuidadosa dos corpos do monumento onde estavam enterrados desde os anos 1980, o traslado dos despojos durante as madrugadas de 2012 para o hospital na USP; e uma série de radiografias feitas sem que as ossadas saíssem prejudicadas. Um processo inédito no país. “Aqui, a arqueologia ainda ‘anda mal das pernas’ e o que se vê é um interesse maior pela pré-história”, revela Ambiel.
Além de relevante para a arqueologia funerária no Brasil, a dissertação se mostrou interessante também à historiografia, já que indicou detalhes ainda desconhecidos aos especialistas. A historiadora Mary Del Priori, autora de A carne e o sangue (2012)por exemplo, ficou surpresa ao saber que D. Pedro I possuía altura mediana - entre 1,67m e 1,73m – como indicado na perícia. Um tamanho considerado baixo para os padrões da época. Para Del Priori, o trabalho realizado pela arqueóloga é ‘fantástico’. “Ela lutou por isso sozinha. Não temos o hábito no Brasil de se mexer em corpos de mortos com interesse de pesquisa, por conta de toda a tradição católica”. E acrescenta que a pesquisa “cumpriu os espaços com pertinência e competência. Em um país onde só se fazia arqueologia de sambaqui, isso é realmente louvável”.
A historiadora Isabel Lustosa, pesquisadora da Fundação Casa de Rui Barbosa e autora de D. Pedro I (2006), chama atenção para o fato de ter se encontrado bijuterias no caixão da jovem imperatriz Leopoldina. “D. Pedro era um notório pão-duro, nada impede que tenha substituído as joias por bijuterias”, brinca. Lustosa acrescenta que as demais informações apresentadas por Ambiel são “aspectos biográficos importantes, que exaltam características fortes de personagens fundamentais para a História do Brasil”, detalhes que ultrapassam o âmbito da curiosidade e que ajudam a compor ainda mais um quadro fundamental do passado.
Causas da morte da imperatriz Leopoldina permanecem desconhecidas
Causas da morte da imperatriz Leopoldina permanecem desconhecidas
O mito do fêmur fraturado
Descobriu-se, por exemplo, que D. Pedro I foi enterrado com insígnias militares referentes apenas ao Estado Português e comprovou-se que o imperador fraturou duas costelas, em decorrência de quedas de cavalo. Os exames mostraram também que D. Amélia foi embalsamada com os órgãos vitais, de forma que muito de seu corpo tenha sido preservado (como unhas e cabelos); e que a jovem imperatriz Leopoldina não teria fraturado o fêmur pouco antes da morte, como parece indicar uma lenda que corria pelos corredores do Museu Nacional, erroneamente atribuída, hoje, pela mídia que repercute a pesquisa de Ambiel, à historiografia.
“É a primeira vez em que ouço essa história de fêmur quebrado”, confessa Isabel Lustosa. “O que se conhece na historiografia de Otávio Tarquino [grande estudioso do Império Brasileiro] são relatos da imperatriz no dia seguinte ao possível episódio da briga entre ela e D. Pedro por conta do relacionamento com a Marquesa de Santos. Parece que ele era violento”.
A historiadora conta que os jornais populares da época noticiaram a briga e um possível pontapé que o imperador haveria dado na esposa. A agressão teria causado posterior queda e perda do bebê que Leopoldina esperava. Isso, portanto, poderia ter causado sua morte, além do fato da jovem imperatriz ser uma pessoa deprimida e de saúde frágil.  A descoberta do fêmur intacto, portanto, não comprova nada - já que poderia ter havido queda e agressão, sem que ela tivesse sofrido alguma fratura. Em outras palavras: não há documentação da época que indique que houve de fato a agressão, tampouco que um osso teria sido quebrado. Portanto, as causas sobre a morte de D. Leopoldina continuam desconhecidas.

As insígnias de D. Pedro
No que diz respeito às insígnias encontradas junto às ossadas de D. Pedro, Isabel Lustosa diz que não surpreende tanto que não haja nenhuma referência ao Brasil. “Quando abdicou da coroa, uma das coisas que tinha dito foi que não ligava para condecorações e quando ele morreu, já estava muito afastado do Brasil. As condecorações encontradas com ele foram conquistadas no campo de batalha, quando partiu para lutar pela coroa em nome da filha, Maria da Glória”, explica a professora, sobre a rebenta que Pedro tinha deixado em seu lugar no trono de Portugal, mas que fora destituída por seu tio - irmão de Pedro I - Miguel. De acordo com a historiadora, o fato de Pedro I não ter qualquer condecoração apareceu bastante na imprensa francesa do período e, para ela, provavelmente o primeiro imperador do Brasil tenha querido ser enterrado daquela forma.

Confira aqui a entrevista completa com a arqueóloga Valdirene Ambiel.

Leia também:
Uma cabeça, muitas coroas: Jovem e corajoso, D. Pedro serviu de esperança para homens que lutavam por independência ou fugiam do absolutismo na Europa
Paixão pelo poder: A figura de D. Pedro, sempre polêmica, gerou tensões políticas, polarizando defensores e desafetos
Fruta fina em casca grossa: Correspondência do imperador confirma seus defeitos e também traz à tona um homem doce, dedicado aos filhos e amante incorrígivel

"A lista da morte" de Karl Jäger


Um burocrata como assassino de milhares de pessoas. O homem que saiu da Alemanha para cumprir uma missão: exterminar os judeus lituanos. Na cidade onde passou a morar no pós-guerra, ninguém queria saber de seu passado.
A lista não passa despercebida: ela está pendurada bem na entrada do pequeno Museu Judaico de Vilnius, um modesto prédio em madeira, que abriga documentos do horror e do desespero, mas também de atos heroicos e de solidariedade.
Durante a ocupação alemã, entre 1941 e 1944, houve muitos algozes nazistas em ação na Lituânia: Helmut Rauca, Bruno Kittel, Franz Stahlecker. E ainda Karl Jäger, comandante da SS, diretor da polícia de segurança e arquivista da morte.
Detalhadamente, ele listava quem, onde e quando ia sendo assassinado depois que os alemães invadiram a Lituânia. "Sob as minhas ordens e sob meu comando", escreveu Jäger num papel hoje amarelado, mas ainda legível. Nascido em 1888, na pequena cidade de Waldkirch, na Floresta Negra, filho de um professor de música, ele acabou se tornando conhecido na Lituânia pelas atrocidades que cometeu.

Carteira de identidade de Karl Jäger
"Biografia exemplar"
Jäger tocava piano e violino. Mais tarde, viria a construir instrumentos musicais mecânicos, tendo se casado com a herdeira da fábrica de órgãos da cidadezinha onde vivia. Participou da Primeira Guerra Mundial e entrou para o partido nazista, o NSDAP, já em 1923. E se transformou de amante da música em assassino de milhares de judeus.
O historiador Wolfram Wette, autor de um livro sobre Jäger, explica: "Ele era um cidadão comum, uma personalidade agradável de Waldkirch, tido como exemplar, brilhante, correto e culto, e muito admirado pelas mulheres. Aos domingos, marchava orgulhoso com 100 companheiros  da SS pelas ruas da cidade".
Contabilidade detalhada de assassinatos
Pouco depois da invasão alemã à União Soviética, no dia 22 de junho de 1941, Jäger seguiu para a Lituânia como membro da Wehrmacht, o exército alemão, na função de comandante e com a clara incumbência de exterminar a população de judeus do país. Meio ano depois, ele já havia executado a missão.
Em fins de novembro, segundo a lista que deixou, já haviam sido mortas 133.346 pessoas. Orgulhoso, ele registrava: "Toda a Lituânia está limpa de judeus". Colaboradores locais contribuíram para o extermínio, tendo atacado os conterrâneos judeus com extrema brutalidade: um capítulo horrível e ainda tabu na história da Lituânia.
Memorial às vítimas mortas
O inferno na terra
Somente em Paneriai, nas proximidades de Vilnius, foram mortos 70 mil judeus pelos chamados grupos de ação nazista. Há relatos de testemunhas sobre os tiros, a fumaça, os gritos das vítimas, os latidos dos cachorros e o último caminho trilhado pelas mulheres, homens e crianças rumo aos campos de extermínio nos bosques de Paneriai.
Para os poucos sobreviventes, restou uma certeza: o inferno era ali. Hoje, o bosque é um lugar de silêncio em memória dos mortos. À sombra das árvores estão memoriais. Os lugares onde ocorreram os assassinatos em massa estão marcados.

Local dos assassinatos em massa
Depois da Guerra: assunto reprimido
Jäger voltou em 1945 para sua cidade natal. Ali, ninguém o bombardeou com perguntas desconfortáveis. No entanto, para maior segurança, ele se mudou para as proximidades de Heidelberg, onde jurou sua filiação a organizações nazistas e viveu 15 anos com seu nome verdadeiro como se fosse um cidadão comum e homem íntegro.
"Isso implica obviamente um questionamento a respeito do estado da sociedade alemã naquela época", diz o historiador Wolfram Wette. Somente em fins dos anos 1950 é que o nome de Jäger apareceu nas investigações sobre crimes nazistas. Ele foi então detido e inquirido durante semanas, mas não compareceu mais ao grande julgamento marcado na época, tendo se suicidado em sua cela na prisão.
O último capítulo: defesa e silêncio
O historiador Wolfram Wette
Em Waldkirch, o comportamento das pessoas não era diferente daquele de outras regiões da Alemanha: ninguém queria saber do passado. "Nas cidadezinhas do país, preferia-se, depois de 1945, ignorar que Jäger tivesse até mesmo existido", analisa Wette. Ninguém queria se lembrar do assassino de milhares de pessoas: nem os descendentes dele, nem os políticos locais , nem os cidadãos comuns e nem a Igreja.
Quando Wolfram Wette publicou suas pesquisas, no ano de 1989, aconteceram protestos na cidade. O historiador passou 20 anos coletando informações disponíveis sobre o caso. Em 2011, publicou seu livro sobre Karl Jäger. E as reações foram devastadoras: "Eu recebia telefonemas e cartas anônimas", conta Wette.
A ética do historiador
A geração mais jovem, contudo, rompeu com o silêncio. Na escola de ensino médio da cidade, há projetos históricos voltados para o tema. Testemunhas foram convidadas para fazer palestras e exposições foram planejadas. E os sobreviventes lituanos viajaram até a cidade. A discussão se tornou mais objetiva.
E Wolfram Wette, que tanto incomodou Waldkirch com suas pesquisas, diz: "Acho que há uma ética do historiador, uma obrigação frente ao esclarecimento histórico. Para mim, essa obrigação é ainda maior quando sei que outros estão ignorando o assunto".
No pequeno Museu Judaico de Vilnius, o número de visitantes é grande. Eles vêm dos EUA, da Alemanha, da Itália. E observam com atenção as fotos, além de lerem os textos que acompanham a mostra. A frieza da lista de Jäger e de tantos outros documentos ainda hoje deixa os visitantes atônitos.
Autora: Cornelia Rabitz (sv)
Revisão: Roselaine Wandscheer

DW.DE

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Inscrições para disciplinas isoladas no PPGH




A DISCIPLINA ISOLADA  tem objetivo de contemplar os alunos especiais  que não ingressaram no Programa através de processo seletivo. A possibilidade de matrícula em alguma disciplina, como aluno especial, depende da existência de vaga.

Os créditos cursados em DISCIPLINA ISOLADA  poderão ser aproveitados após o ingresso regular no Programa.

Para ver as disciplinas ofertadas clique aqui

Para inscrição o aluno deverá protocolar solicitação junto à secretaria do PPGH ou na Central de Atendimento Aluno  (CAA), anexando os seguintes documentos:
  • Formulário de inscrição para aluno especial; Clique aqui
  • Cópia da Carteira de identidade
  • Cópia do CPF;
  • Cópia do Diploma de graduação.

Seleção bolsistas PIBID






EDITAL PIBID/CAPES/UPF nº 04/2013
BOLSAS PARA LICENCIATURA
A coordenação institucional do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID/CAPES/UPF) comunica aos acadêmicos do curso de História da Universidade de Passo Fundo que estão abertas inscrições para candidatura à bolsa de iniciação à docência no período 25 de fevereiro a 06 de março, conforme as informações que seguem:
02 vagas para preenchimento imediato;
Vagas para suplência.
2 Poderão candidatar-se os acadêmicos regularmente matriculados/as nas licenciaturas anteriormente nomeadas, que estejam cursando qualquer um dos níveis, desde que declarem que não colarão grau nos próximos 12 meses.
3 Os acadêmicos selecionados  receberão uma bolsa mensal no valor de R$ 400,00 (quatrocentos reais), devendo disponibilizar, em contrapartida, 20 (vinte) horas semanais de trabalho para o Programa, em horários diferentes do turno regular do curso.
4 As atividades envolvem estudos, investigações e intervenções pedagógicas na área de atuação do licenciando, a serem desenvolvidas tanto no espaço universitário quanto no espaço escolar.
5 O processo de seleção dos licenciandos bolsistas será realizado com base em entrevista e análise dos seguintes documentos fornecidos pelos acadêmicos candidatos à bolsa:
5.1 Ficha de Inscrição, a ser acessada pelo seguinte endereço: (http://www.upf.br/sap/download/Ficha_de_inscricao_licenciandos.doc)
5.2  Termo de compromisso do/a acadêmico/a, conforme modelo institucional, a ser acessado pelo seguinte endereço:
5.3  Declaração de que não colará grau nos próximos 12 (doze) meses.
5.4 Declaração de motivos e disponibilidade para participar do programa, com justificativa de interesse em atuar futuramente em escolas públicas.
5.5 Rascunho do Boletim de Desempenho Acadêmico.
5.6 Currículo demonstrando participação em eventos, congressos e simpósios; atividades de monitoria e/ou tutoria na universidade; participação em projetos de extensão, de ensino e/ou pesquisa, dentre outros.
6 A documentação deverá ser protocolada na Central de Atendimento ao Aluno e endereçada para a coordenação de área do PIBID do curso de História, Profª Gizele Zanotto.
7 A seleção será realizada por uma comissão composta pela coordenação da área do PIBID/CAPES/UPF e por um professor integrante do colegiado do curso.
8 Todas as informações relativas ao Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência PIBID/CAPES/UPF estão disponíveis no sítio da CAPES http://www.capes.gov.br/educacao-basica/capespibid e portal do PIBID-UPF www.upf.br/pibid.

10 A divulgação dos acadêmicos selecionados será publicada no Portal do PIBID-UPF e Blog História UPF no dia 08 de março de 2013.

Passo Fundo, 25 de fevereiro de 2013.


                      
Profª Marlete Sandra Diedrich
Coordenadora Institucional do PIBID/CAPES/UPF

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Atente a todos os itens do Edital, a situação de documentos faltantes invalida a inscrição. Os documentos devem ser encaminhados via Central de Atendimento ao Estudante. ATENÇÃO - enviar o número do protocolo da inscrição via email para gizele@upf.br!

Inscrições de 25 de fevereiro a 06 de março.
Entrevistas dia 07 de março, turno vespertino, a partir das 14 horas.

UPF recebe mais de 20 mil alunos nesta segunda-feira (25/02)

Foto: Arquivo UPF
Volta às aulas ocorre em toda a estrutura multicampi
A comunidade acadêmica da Universidade de Passo Fundo (UPF) inicia o ano letivo de 2013 nesta segunda-feira, dia 25 de fevereiro. Neste semestre, a instituição está recebendo mais de 3 mil novos acadêmicos em seus cursos de graduação. Ao todo, mais de 20 mil alunos retomam as atividades na estrutura multicampi, que funciona em Passo Fundo, Casca, Carazinho, Lagoa Vermelha, Soledade, Sarandi e Palmeira das Missões.

No retorno às aulas, os atuais acadêmicos devem se dirigir diretamente às salas de aula indicadas em seus comprovantes de matrículas, no turno normal de aula, às 8h pela manhã, às 14h à tarde e 19h20min à noite. Já os novos alunos serão recepcionados nas suas respectivas unidades acadêmicas e, igualmente encaminhados às salas de aula para o início das atividades. No dia 26, terça-feira, a instituição realiza uma programação especial com os calouros.

Durante os dias 25, 26 e 27, haverá um espaço institucional da UPF em frente ao Centro de Convivência, no Campus I, distribuindo mapas do campus e sanando possíveis dúvidas dos alunos. Nos mesmos dias, a rádio 99UPF estará em um lounge com programação ao vivo, também em frente ao Centro de Convivência.

Integrado UPF
Os alunos do ensino médio e cursos técnicos do Centro de Ensino Médio Integrado UPF também retornam às aulas na segunda-feira, 25 de fevereiro. Para os alunos ingressantes no ensino médio, seus pais e professores, haverá uma recepção especial às 18h de quarta, dia 27, no auditório da Faculdade de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis.


Especializações com inscrições abertas
Na pós-graduação, a instituição informa que está com inscrições abertas para 23 opções de cursos de especialização. As inscrições devem ser feitas até 11 de março. Os egressos dos cursos de graduação da instituição que aderirem ao programa Elos UPF poderão usufruir de 10% de gratuidade no pagamento dos cursos, válida a partir da primeira mensalidade. Mais informações no site www.upf.br/pos.


UPF Idiomas inscreve para cursos
A UPF Idiomas também está com período de matrículas aberto para os cursos de Inglês, Espanhol, Francês, Alemão, Japonês, Italiano, Libras e Português para Estrangeiros. Para realizar a inscrição é necessário apresentar carteira de identidade e CPF. Alunos de escolas conveniadas precisam ter em mãos uma cópia do atestado de frequência do colégio, carteira de identidade e CPF. As aulas terão início em 04 de março, e as matrículas podem ser feitas na secretaria da UPF Idiomas, localizada no Campus III da UPF (Av. Brasil, 743 – Centro). Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (54) 3316-8510 ou pelo e-mail upfidiomas@upf.br.


Hoje na História: 25 de fevereiro

MORRE MÁRIO DE ANDRADE, ESCRITOR E MODERNISTA BRASILEIRO
25 de fevereiro de 1945

No dia 25 de fevereiro de 1945 morria, em São Paulo, Mário Raul de Moraes Andrade, poeta, historiador, escritor, crítico de arte, fotógrafo, além de ser um dos fundadores do modernismo no Brasil. Com sua obra Paulicéia Desvairada (1922), ele exerceu grande influência na literatura do país, tornando-se figura importante no movimento de vanguarda de São Paulo por aproximadamente 20 anos.

Nascido em São Paulo no dia 9 de outubro de 1893, ele esteve fortemente envolvido na organização e realização da Semana da Arte Moderna, na capital paulista, compondo o “Grupo dos Cinco”, formado também por Oswald de Andrade – com quem não possui parentesco, apesar do sobrenome similar -, Menotti del Picchia, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti.

Alguns anos após a Semana de Arte Moderna, ele lançou o célebre romance Macunaíma, em 1928. Depois, seguiu publicando obras sobre música popular brasileira, poesia e outros temas. Morreu em sua casa, em São Paulo, aos 52 anos, vítima de um ataque cardíaco. Na época de sua morte, não houve muitas reações por conta das suas divergências com o regime do presidente Getúlio Vargas. Seu valor cultural só começou a ser redescoberto alguns anos após a sua morte.


COMUNISTAS TOMAM O PODER NA CHECOSLOVÁQUIA

25 de fevereiro de 1948

Nas eleições parlamentares de 1946, na Checoslováquia, o Partido Comunista desse país se converteu em ganhador no território checo (o Partido Democrata ganhou na República Checa). Em 25 de fevereiro de 1948 os comunistas tomaram o poder. Apesar de que seria mantida a ficção de pluralismo político, através da existência da Frente Nacional, com exceção de um breve período na década de 60 (a Primavera de Praga) o país se caracterizava pela ausência da democracia liberal. Enquanto sua economia se mantinha mais avançada que a de seus vizinhos da Europa Oriental, a Checoslováquia cresceu economicamente mais fraca em relação à Europa Ocidental. No âmbito religioso, o ateísmo foi oficialmente promovido e ensinado.

Ingo Schulze e o conflito Leste-Oeste


Nascido em 1962 na parte comunista da Alemanha, Schulze só começou a escrever após a queda do Muro de Berlim. Se criticava o antigo regime da RDA, ele hoje considera a Reunificação como uma anexação de fato.
Uma das estrelas da cena literária alemã hoje, Ingo Schulze é um dos autores mais traduzidos e comentados no mercado internacional, e convidado frequente em palestras e festivais ao redor do mundo. Nascido em Dresden em 1962, na então República Democrática Alemã (RDA), ele chegou tarde à cena, começando a escrever e publicar apenas após a Reunificação Alemã, em 1990.
Schulze foi inspirado a se voltar para a literatura pelo impacto social de autores como Sarah Kirsch e Wolf Biermann – poeta-compositor de grande repercussão cultural e política, expulso da Alemanha Oriental em 1976. O livro de estreia de Ingo Schulze, a coletânea de contos intitulada 33 Augenblicke des Glücks (33 momentos de felicidade), foi lançado em 1995. As histórias são ambientadas em São Petersburgo, Rússia, onde o autor viveu por alguns anos.
Em 1998, publicou o romance Simple Storys, que receberia elogios do futuro Prêmio Nobel Günter Grass, seguido de publicações menores, até o lançamento do épico epistolar Neue Leben (2005), publicado no Brasil como Vidas novaspela editora Cosac Naify, em 2009, vigésimo aniversário da Queda do Muro.
Livros de Schulze foram publicados ao redor do mundo
O livro teve grande repercussão na imprensa brasileira, sendo lançados no país também a coletânea de contos Celular – 13 histórias à maneira antiga– pelo qual o autor recebeu o Prêmio da Feira do Livro de Leipzig em 2007 –, e o infantil Senhor Augustin.
Brasil e Alemanha: paralelos políticos e literários
Há paralelos curiosos entre a produção literária atual na Alemanha e no Brasil. O ano de 1989 teve acontecimentos políticos importantes para ambos os países em termos de redemocratização. Enquanto na Alemanha caía o Muro de Berlim, o Brasil voltava às urnas pela primeira vez desde o golpe de 1964 (ou seja, três anos após a construção do Muro de Berlim), o início da ditadura militar.
Estudos mostram que nos últimos anos a literatura brasileira viu o crescimento marcante de narrativas em torno desse período de repressão, cujo fim só se anunciaria em 1985. Porém poucos países confrontam e são tão confrontados por seu passado quanto a Alemanha, e esses embates deixam marcas profundas na literatura do país. O século 20 e agora o 21 têm visto ondas recorrentes de reavaliação e leitura dos acontecimentos traumáticos num país onde foram regra.
Capa de "Was wollen wir?" (O que queremos?")
Seja Alfred Döblin narrando as consequências da Primeira Guerra Mundial sobre a República de Weimar em seu épico Berlin Alexanderplatz(1931), que se encerra com a ascensão nazista; sejam os mais diversos autores, como Bertolt Brecht, Heiner Müller ou Günter Grass descrevendo o período da ditadura nazista, desde a queda do Muro – a Alemanha viu surgir a Wendeliteratur, a "Literatura da Virada". Esta trata do período em que as duas Alemanhas permaneceram divididas, por vezes cara a cara, por vezes tentando dar-se as costas. As transformações aceleradas dos primeiros anos da Reunificação são outra constante da produção recente.
Anexação em vez de reunificação
Na última década, essa releitura e reescrita do passado tanto na literatura como no cinema alemães tiveram uma polaridade que vai da nostalgia do filme Adeus, Lênin! (Wolfgang Becker, 2003), à descrição da vida sem liberdades sob o controle totalitário do governo, em A vida dos outros (Florian Henckel von Donnersmarck, 2006).
Sem querer celebrar o passado dual comunista/capitalista do país, nem o presente uniformemente capitalista, a escrita de Ingo Schulze integra-se à forte tradição realista da literatura alemã, recorrendo por vezes a técnicas clássicas dos grandes romances do século 19, como se vê no uso do epistolar emVidas novas.
Crítico da vida sob o regime comunista, no entanto Ingo Schulze insiste em entrevistas que não houve uma reunificação mas sim uma anexação da Alemanha Oriental por parte da Ocidental, negando a ambas a oportunidade de uma transformação interna que apontasse para novos caminhos.
Interesse pelos índios brasileiros
Romance "Adam und Evelyn" foi finalista do Prêmio do Livro Alemão em 2008
A recepção de seu trabalho não é unânime no elogio. Vertido para o inglês pelo importante tradutor John E. Woods – responsável pela tradução de gigantes da literatura alemã como Thomas Mann, Alfred Döblin e Arno Schmidt, todos autores de obras épicas –, Ingo Schulze recebeu nos últimos anos alguns elogios sóbrios e algumas expressões de desapontamento na imprensa internacional. Sua prosa clara e seu domínio narrativo são louvados, e não se nega sua capacidade de criar alegorias convincentes sobre a dissolução de um mundo político.
Entende-se, neste aspecto, que Günter Grass o aprecie, ou que um resenhista do New York Times tenha pensado em Milan Kundera ao ler seu trabalho. Para outros, sua escrita parece plana demais, as narrativas esquemáticas em suas alegorias. Ou, como apontou um crítico da revista norte-americana The Quarterly Conversation,a atenção dada a Schulze estaria melhor aplicada a autores mais experimentais, como Thomas Stangl ou Reinhard Jirgl.
Ingo Schulze vive hoje em Berlim. Seus lançamentos mais recentes foram o romance Adam und Evelyn, finalista do Prêmio do Livro Alemão em 2008, e os contos/crônicas Orange und Engel (2009) – além de artigos políticos publicados em antologias e jornais como o Süddeutsche Zeitung. Interessado pela sociedade indígena brasileira e suas inovações agrícolas, como a "terra preta", ele produziu em 2011, para os canais ZDF-3sat, o documentário Rettung aus dem Regenwald? (Salvação vinda da floresta tropical?).
Autor: Ricardo Domeneck
Revisão: Augusto Valente

DW.DE

domingo, 24 de fevereiro de 2013

1582 - Papa Gregório XIII estipula novo calendário


Em 24 de fevereiro de 1582, o Papa Gregório XIII publica a bula “Inter gravissimas”, que reformou o calendário juliano. Hoje, o calendário gregoriano é seguido pela maioria dos países, incluindo a China, desde 1949.

Naquela data, ficou definido que quinta-feira, 4 de outubro de 1582, seria imediatamente seguido de sexta-feira 15 de outubro para compensar a diferença acumulada ao longo de séculos entre o calendário juliano e as efemérides astronômicas.

O calendário foi imediatamente adotado por Espanha, Itália, Portugal e Polônia. Na França, Henrique III decreta o ajuste dos dias em dezembro. O Reino Unido e os países protestantes apenas adotaram o novo calendário no século XVIII, preferindo, segundo o astrónomo Johannes Kepler, "estar em desacordo com o Sol a estar de acordo com o Papa".

A mudança começou quando o papa reuniu um grupo de especialistas para corrigir o calendário juliano, com o objetivo de regressar o equinócio da primavera para o dia 21 de março e desfazer o erro de 10 dias existente na época. Após cinco anos de estudos, foi promulgada a bula papal "Inter Gravissimas".

Os anos bissextos são a diferença principal entre os dois calendários. No juliano, há anos bissextos de quatro em quatro anos. No segundo, segue-se essa regra, mas acrescenta-se mais duas: 1) os anos divisíveis por 100 e cujo resto é zero – 1700, 1800, 1900 – não são bissextos; 2) mas os anos divisíveis por 400 já são, como foram os de 1600 e 2000. Com isto aproximou-se o ano do calendário ao ano solar.

Calendário juliano

O calendário juliano continua sendo adotado em países cristãos ortodoxos, como a Rússia. Adotado em 46 a.C. pelo imperador Júlio César, ele modificava o calendário romano, que tinha dez meses.  Dois meses, Unodecembris e Duocembris foram adicionados ao final do ano de 46 a.C., deslocando assim Januarius e Februarius para o início do ano de 45 a.C..
Os dias dos meses foram fixados numa sequência de 31, 30, 31, 30... de Januarius a Decembris, à exceção de Februarius, que ficou com 29 dias e que, a cada três anos, teria 30 dias. Com estas mudanças, o calendário anual passou a ter 12 meses, que somavam 365 dias. O mês de Martius, que era o primeiro mês do ano, continuou sendo a marcação do equinócio.

Curiosidade: em 44 a.C., o líder Júlio César foi homenageado pelo Senado, que mudou o nome do mês Quintilis para Julius, um mês de 31 dias.
Fonte: Opera Mundi

1920: Lançado programa do partido de Hitler


Em 24 de fevereiro de 1920, o Partido Alemão dos Trabalhadores apresenta um programa nacionalista, antissemita e anticapitalista. No mesmo dia, torna-se Partido Nacional-Socialista Alemão dos Trabalhadores (NSDAP).
Hitler discursa em Reichenberg
"Essa risível pequena criação, com seus poucos filiados, me pareceu ter a vantagem de ainda não ter se solidificado numa 'organização'. Aqui ainda se podia trabalhar, e, quanto menor o movimento fosse, tanto mais ele estaria apto para ser conduzido à forma certa. Aqui o conteúdo, o objetivo e o meio ainda podiam ser determinados." Palavras de Adolf Hitler em seu livro Mein Kampf (Minha luta).
A "risível pequena criação" mencionada era o Partido Alemão dos Trabalhadores (DAP), um partido de direita, no qual Hitler ingressou em setembro de 1919. Como narra o historiador Eberhard Jäckel, de Stuttgart: "Era realmente um grupo muito pequeno e insignificante de Munique, de fundo bávaro. Chamava-se então Partido Alemão dos Trabalhadores. Hitler entrou em contato com ele apenas alguns meses depois da fundação".
Adolf Hitler fazia parte de um comando militar que passou a controlar Munique após o breve período de regime socialista ali instaurado por Kurt Eisner, assassinado em fevereiro de 1919. Nesse mesmo ano, Hitler filiou-se ao pequeno partido, fundado pelo ferroviário Anton Drexler e o jornalista Karl Harrer. Não demorou para que assumisse a chefia do departamento de propaganda da agremiação. Sua influência sobre o partido foi tão grande, que escreveu de próprio punho o programa de 25 pontos, apresentado em 1920.
Reivindicações populistas
O programa exigia, em primeiro lugar, a unificação de todos os alemães numa Grande Alemanha. Exigia a aquisição de colônias e o cancelamento do Tratado de Versalhes, que selou a derrota alemã na Primeira Guerra Mundial. Além disso, só teria o direito de ser cidadão alemão quem tivesse "sangue alemão". Os não alemães não teriam acesso aos órgãos públicos e estariam sujeitos a leis especiais.
As diretrizes socialistas do programa concentravam-se na estatização das empresas e na exigência de participação nos lucros de grandes firmas. No aspecto da política interna, citava apenas palavras de ordem, sem oferecer estratégias definidas. Pregava, por exemplo, o combate "à mentira política" ou "melhorias na saúde da população".
Em suma, um apanhado de reivindicações populistas, apresentadas na época diante de 2 mil pessoas, na famosa cervejaria Hofbräuhaus de Munique. Hitler aproveitou para mudar o nome da facção para Partido Nacional-Socialista Alemão dos Trabalhadores (Nazionalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei – NSDAP). Da abreviatura "Nazi", pela qual passou a ser identificado, vem o termo "nazista".
O pequeno grupo nazista começou a arregimentar elementos das mais variadas tendências e classes sociais. O próprio partido se via como "movimento", que representava os anseios da população. Um movimento em que Hitler foi tomando as rédeas, até assumir a presidência, em 1921.
Dois anos depois, fracassou na tentativa de golpe que ficou conhecida como "o putsch da cervejaria de Munique", para derrubar a República de Weimar. Hitler foi condenado a cinco anos de prisão, mas só cumpriu nove meses.
Resolveu então chegar ao poder através de eleições, e começou a reorganizar seu pequeno partido. Na grave crise econômica de 1929, a classe média e os industriais, temerosos do avanço do comunismo, viram a salvação nos nazistas. Em 1930, o partido foi o segundo mais votado no país, com 6 milhões de eleitores.
Heinz Dylong (rw)
Fonte: DW

Acervo da Academia de Polícia


O Arquivo Público do Estado de São Paulo acaba de receber 116 metros lineares de documentação acumulada e produzida pela Academia de Polícia “Dr. Coriolano Nogueira”, que fica em São Paulo. O novo acervo surpreende por sua riqueza e variedade. São 830 caixas, contendo laudos periciais, registros de inquéritos, livros de ocorrências, registros de queixas, livros de avisos e portarias, registros de capturas, álbuns de cadáveres desconhecidos e álbuns de identificação, entre outros tipos de documentos. Este material foi produzido entre 1845 e 1966.
Nos próximos meses, o acervo da ACADEPOL deve ser monitorado pelo Núcleo de Conservação, para verificar com mais detalhes o estado dos documentos, e se preciso, tratar qualquer eventual infestação. Além disso, será feito um estudo aprofundado do seu conteúdo, com descrição cuidadosa, dentro de padrões arquivísticos internacionais. Assim, o consulente poderá ter uma visão mais completa deste importante acervo, que será aberto ao público assim que o tratamento técnico da massa documental terminar.