quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Sobre perder tempo


A explosão da comunicação digital afetou a percepção de tempo da chamada ‘geração Z’. Álbum do Arcade Fire reproduz as angústias narrativas dos jovens pré-1990, incompreendidas pelos nascidos após o divisor de águas

Rodrigo Elias


Moi, j’attends; toi, tu pars.
Arcade Fire, “Empty Room”.

Experimente desenhar no papel um número 2. Não como ele aparece neste texto digitado, mas daquele jeito que você provavelmente aprendeu a manuscrever durante a sua alfabetização. Se você conseguiu fazer isso sem se esforçar muito e sem gastar tempo pensando no formato do número, talvez o trabalho da banda Arcade Fire em torno do álbum The Suburbs te cause algum incômodo.
Pessoas que vivem em uma mesma sociedade e em uma mesma época partilham, entre outras coisas, um sistema narrativo. Mais do que isto, estão inseridas em um regime narrativo. Não se trata exatamente de uma “mentalidade”, tal como propôs Jacques Le Goff no início da década de 1970. Sua premissa, largamente apoiada em Lucien Febvre, depois duramente criticada, era a de que pessoas que viviam em uma mesma época tendiam a compartilhar uma visão do mundo, o que desconsiderava as diferenças culturais engendradas, por exemplo, pelas diferenças sociais – lembre-se da famosa afirmação de que César e o último soldado das suas legiões compartilhavam algo.
Se, por um lado, as visões de mundo ou culturas podem variar profundamente de um grupo para o outro dentro de uma mesma sociedade (o que inclui valores, experiências e expectativas de futuro) e, de outro, seja difícil aceitar a operacionalidade da ideia de um “espírito do tempo” exterior às pessoas e às condições concretas de existência, é difícil negar completamente que os indivíduos que existem e se relacionam em um determinado tempo têm entre si algo que as conecta no plano da linguagem. Trata-se, mais do que da língua em si (os signos e os seus campos semânticos), do complexo sistema através do qual ela organiza a experiência do tempo, ou seja, a narrativa.
O filósofo Paul Ricoeur, um dos grandes pensadores que se dedicaram aos problemas da linguagem no século XX, chamou atenção para a identidade narrativa a unir homens de um dado contexto. Lançando mão da noção de imaginário, refletiu sobre as ferramentas que faziam a ligação entre o “tempo vivido” e o “tempo do mundo”. Esta sensibilidade dentro da qual um determinado grupo em uma determinada época se forma é fundamental para a conexão entre a experiência individual e o pertencimento ao mundo.  A percepção da passagem do tempo e a representação do indivíduo ou do seu grupo no mundo só podem ocorrer através da narrativa – e esta é, obviamente, criação humana, estando sujeita, portanto, a variações no tempo e no espaço.
Nos grupos humanos, quem fala algo depende, para a sua aceitação ou compreensão, do que Ricoeur chamou de “pacto de leitura”, um acordo tácito (não dito) entre o narrador e o leitor (ou receptor), o que implica a aceitação, por parte da comunidade, de certos elementos como marcos do discurso no tempo – daí o reconhecimento de que todo discurso histórico (um relato “objetivo” que encadeia fatos em sequência cronológica) tem em si um elemento ficcional. Assim, a sucessão de gerações ao longo do tempo, cada qual com a sua identidade narrativa, seria o que o autor chama de “cadeias de memória”, isto é, de reelaboração narrativa da sua experiência no tempo.
Outro pensador francês, o sociólogo Pierre Bourdieu, chegou a tratar do que qualificou de “contrato de leitura”. Esta ideia reforça a noção de que uma determinada geração partilha necessariamente elementos no plano da linguagem que tornam os seus indivíduos compreensíveis entre si, estabelecendo, através desta identidade narrativa, uma relação peculiar com o tempo. Para Bourdieu, ao se relacionar através do discurso, os participantes de uma cultura lançam mão de “todos os pressupostos do senso comum”.


Há 80 anos Hitler assumia o poder na Alemanha


Em 30 de janeiro de 1933, o então presidente Hindenburg nomeou Adolf Hitler como chanceler da Alemanha. Poucos tinham ideia da dimensão desse fato. Propaganda nazista encenou o acontecimento como uma "tomada de poder".
Cenas sombrias ocorreram no Portão de Brandemburgo em 30 de janeiro de 1933, em Berlim. Já há horas, o chefe da Propaganda nazista, Joseph Goebbels, vinha posicionando homens da tropa de assalto de Hitler próximo ao local. Mais de 20 mil membros da chamada SA (Sturmabteilung), a tropa de choque do Partido Nazista, haviam chegado durante a noite.
O início estava marcado para as 19h. Tochas foram acesas, batalhões da SA desfilavam pelo Portão de Brandemburgo. Poucas horas antes, Adolf Hitler havia alcançado seu grande objetivo: ser nomeado chanceler pelo então presidente alemão Paul von Hindenburg.

Adolf Hitler saúda espectadores da janela da Chancelaria em Berlim
Um grande baile a fantasia
O recém-empossado chanceler alemão foi festejado por seus seguidores. De uma janela da então Chancelaria, Hilter cumprimentou os espectadores presentes. Goebbels havia planejado um gigantesco espetáculo. Ele pretendia encenar de forma dramática esse novo capítulo da Alemanha: aquela deveria ser "a noite do grande milagre". Ele havia planejado algo especial. Uma espécie de fita de fogo formada por portadores de tochas devia atravessar a cidade.
Goebbels queria criar imagens monumentais, ideais para impressionar os espectadores no cinema, já que era ali que os noticiários eram transmitidos na época. Mas os transeuntes passeavam distraídos para lá e para cá entre as formações da SA e impediram as gravações desejadas.
Goebbels ficou desapontado e reencenou as imagens mais tarde. O famoso pintor alemão de origem judaica, Max Liebermann, já tinha visto o bastante. Para o desfile de tochas dos homens da SA na frente de sua casa, o pintor escolheu palavras dramáticas: "Eu nunca conseguiria comer tanto para tudo o que gostaria de vomitar."
Como Hitler foi possível
Todo o poder era pouco para o ditador nazista
A história da ascensão de Adolf Hitler está intimamente ligada ao declínio da República de Weimar. Desde o surgimento em 1918, ela sofria de defeitos congênitos irreparáveis – era uma democracia sem democratas. Boa parte da população rejeitava a jovem República, sobretudo a elite econômica, funcionários públicos e até mesmo políticos.
Tentativas de golpe pela direita e pela esquerda sacudiram o país. Nos primeiros cinco anos da República de Weimar, assassinatos espetaculares chocaram o país. Entre outros, as mortes dos comunistas Rosa Luxemburg e Karl Liebknecht, bem como o assassinato do ministro do Exterior Walther Rathenau, de origem judaica. Os criminosos provinham da ala de extrema direita.
A política da República de Weimar foi marcada pela total instabilidade. Nos 14 anos de sua existência, ela presenciou 21 diferentes governos. Entre os 17 partidos do Parlamento, encontrava-se uma série de inimigos declarados da Constituição. Com cada nova crise política e econômica, os eleitores perdiam mais e mais a confiança nos partidos democráticos.
Enquanto isso, o extremismo político vivenciava um grande crescimento. Os nazistas, pelo lado da direita, e os comunistas, pela esquerda, ganhavam cada vez mais adeptos. Por volta de 1930, a Alemanha estava à beira de uma guerra civil. Nazistas e comunistas travavam batalhas de rua. A crise econômica de 1929 piorou ainda mais a situação. Em junho de 1932, o número oficial de desempregados no país somava 5,6 milhões de pessoas.
O desejo por um líder forte
Hindenburg: militar condecorado, político de pouca visão
Em tal situação, muitos alemães ansiavam por um nome forte à frente do governo, alguém que pudesse tirar o país da crise. O presidente Paul von Hindenburg era uma dessas pessoas, para muitos, ele era uma espécie de substituto do imperador. De fato, segundo a Constituição de Weimar, o presidente do país era a instância política central. O cargo detinha uma imensa esfera de poder.
O presidente podia dissolver o Parlamento e outorgar leis por decretos emergenciais, algo que cabe normalmente a qualquer Parlamento. Hindenburg fez uso, diversas vezes, da possibilidade de governar contornando o Legislativo. No entanto, Hindenburg não tinha como cumprir o papel de salvar a Alemanha da miséria, pois já estava com 85 anos no início de 1933.
Após diversas trocas de governo, Hindenburg pretendia, na ocasião, instalar um governo estável chefiado pelos conservadores nacionalistas de direita. A princípio, ele era cético quanto à nomeação de Adolf Hitler para chefe de governo. Durante muito tempo, Hindenburg ironizou Hitler, chamando-o de "soldado raso da Boêmia" – uma alusão ao fato de que ele, Hindenburg, era um condecorado marechal de campo da Primeira Guerra Mundial, e Hitler, apenas um soldado comum.
Mas Hindenburg mudou de opinião. Pessoas próximas a ele lhe asseguraram que manteriam Hitler sob controle. Alfred Hugenberg, líder do Partido Popular Nacional Alemão, declarou: "Nós iremos enquadrar Hitler." Tinha-se um grande senso de segurança, também porque somente dois ministérios foram oferecidos aos nazistas no novo gabinete de governo. Por outro lado, Hitler e seus seguidores passaram a se apresentar propositalmente de forma moderada e a evitar alaridos.
Princípio do fim
Hitler após assumir o poder
De fato, no dia 30 de janeiro de 1933, um sonho se tornou realidade para Hitler e sua comitiva. Com alegria, Goebbels confidenciou ao seu diário: "Hitler é chanceler. Como um conto de fadas!" Na mais completa ignorância sobre Hitler e suas intenções, nomeou-se o "coveiro" da República para chanceler. Mas Hitler já havia apresentado seus planos no livro Mein Kampf. Ele escreveu que os judeus seriam "removidos" e um novo "habitat" seria conquistado "pela espada".
O dia 30 de janeiro de 1933 entrou para a história como o dia da "tomada de poder", conceito na verdade inventado pela propaganda nazista, pois a nomeação de Hitler – e essa é a verdadeira ironia da história – aconteceu de forma constitucional. Após a tomada de posse, Hindenburg falou as seguintes palavras: "E agora, meus senhores, para frente com a ajuda de Deus!"
Hindenburg não teve de presenciar que o caminho de Hitler levaria na verdade ao Holocausto e à Segunda Guerra Mundial. Ele morreu em 1934. E logo Hitler mostrava quão ingênua foi a crença de que ele poderia ser controlado e neutralizado. Pouco depois de ser empossado como chefe de governo, começou em todo o país o terror das tropas de assalto da SA.
Comunistas, social-democratas e sindicalistas foram perseguidos. Em pouco tempo os primeiros campos de concentração foram instalados. Ali, os membros da SA torturavam suas vítimas, que iriam incluir, pouco tempo depois, judeus e outras pessoas consideradas indesejáveis pelos nazistas. Hitler precisou somente de poucos meses para embaralhar a República de Weimar e instalar sua ditadura.
Autor: Marc von Lübke (ca)
Revisão: Francis França

DW.DE

Há 80 anos Hitler assumia o poder na Alemanha


Em 30 de janeiro de 1933, o então presidente Hindenburg nomeou Adolf Hitler como chanceler da Alemanha. Poucos tinham ideia da dimensão desse fato. Propaganda nazista encenou o acontecimento como uma "tomada de poder".
Cenas sombrias ocorreram no Portão de Brandemburgo em 30 de janeiro de 1933, em Berlim. Já há horas, o chefe da Propaganda nazista, Joseph Goebbels, vinha posicionando homens da tropa de assalto de Hitler próximo ao local. Mais de 20 mil membros da chamada SA (Sturmabteilung), a tropa de choque do Partido Nazista, haviam chegado durante a noite.
O início estava marcado para as 19h. Tochas foram acesas, batalhões da SA desfilavam pelo Portão de Brandemburgo. Poucas horas antes, Adolf Hitler havia alcançado seu grande objetivo: ser nomeado chanceler pelo então presidente alemão Paul von Hindenburg.

Adolf Hitler saúda espectadores da janela da Chancelaria em Berlim
Um grande baile a fantasia
O recém-empossado chanceler alemão foi festejado por seus seguidores. De uma janela da então Chancelaria, Hilter cumprimentou os espectadores presentes. Goebbels havia planejado um gigantesco espetáculo. Ele pretendia encenar de forma dramática esse novo capítulo da Alemanha: aquela deveria ser "a noite do grande milagre". Ele havia planejado algo especial. Uma espécie de fita de fogo formada por portadores de tochas devia atravessar a cidade.
Goebbels queria criar imagens monumentais, ideais para impressionar os espectadores no cinema, já que era ali que os noticiários eram transmitidos na época. Mas os transeuntes passeavam distraídos para lá e para cá entre as formações da SA e impediram as gravações desejadas.
Goebbels ficou desapontado e reencenou as imagens mais tarde. O famoso pintor alemão de origem judaica, Max Liebermann, já tinha visto o bastante. Para o desfile de tochas dos homens da SA na frente de sua casa, o pintor escolheu palavras dramáticas: "Eu nunca conseguiria comer tanto para tudo o que gostaria de vomitar."
Como Hitler foi possível
Todo o poder era pouco para o ditador nazista
A história da ascensão de Adolf Hitler está intimamente ligada ao declínio da República de Weimar. Desde o surgimento em 1918, ela sofria de defeitos congênitos irreparáveis – era uma democracia sem democratas. Boa parte da população rejeitava a jovem República, sobretudo a elite econômica, funcionários públicos e até mesmo políticos.
Tentativas de golpe pela direita e pela esquerda sacudiram o país. Nos primeiros cinco anos da República de Weimar, assassinatos espetaculares chocaram o país. Entre outros, as mortes dos comunistas Rosa Luxemburg e Karl Liebknecht, bem como o assassinato do ministro do Exterior Walther Rathenau, de origem judaica. Os criminosos provinham da ala de extrema direita.
A política da República de Weimar foi marcada pela total instabilidade. Nos 14 anos de sua existência, ela presenciou 21 diferentes governos. Entre os 17 partidos do Parlamento, encontrava-se uma série de inimigos declarados da Constituição. Com cada nova crise política e econômica, os eleitores perdiam mais e mais a confiança nos partidos democráticos.
Enquanto isso, o extremismo político vivenciava um grande crescimento. Os nazistas, pelo lado da direita, e os comunistas, pela esquerda, ganhavam cada vez mais adeptos. Por volta de 1930, a Alemanha estava à beira de uma guerra civil. Nazistas e comunistas travavam batalhas de rua. A crise econômica de 1929 piorou ainda mais a situação. Em junho de 1932, o número oficial de desempregados no país somava 5,6 milhões de pessoas.
O desejo por um líder forte
Hindenburg: militar condecorado, político de pouca visão
Em tal situação, muitos alemães ansiavam por um nome forte à frente do governo, alguém que pudesse tirar o país da crise. O presidente Paul von Hindenburg era uma dessas pessoas, para muitos, ele era uma espécie de substituto do imperador. De fato, segundo a Constituição de Weimar, o presidente do país era a instância política central. O cargo detinha uma imensa esfera de poder.
O presidente podia dissolver o Parlamento e outorgar leis por decretos emergenciais, algo que cabe normalmente a qualquer Parlamento. Hindenburg fez uso, diversas vezes, da possibilidade de governar contornando o Legislativo. No entanto, Hindenburg não tinha como cumprir o papel de salvar a Alemanha da miséria, pois já estava com 85 anos no início de 1933.
Após diversas trocas de governo, Hindenburg pretendia, na ocasião, instalar um governo estável chefiado pelos conservadores nacionalistas de direita. A princípio, ele era cético quanto à nomeação de Adolf Hitler para chefe de governo. Durante muito tempo, Hindenburg ironizou Hitler, chamando-o de "soldado raso da Boêmia" – uma alusão ao fato de que ele, Hindenburg, era um condecorado marechal de campo da Primeira Guerra Mundial, e Hitler, apenas um soldado comum.
Mas Hindenburg mudou de opinião. Pessoas próximas a ele lhe asseguraram que manteriam Hitler sob controle. Alfred Hugenberg, líder do Partido Popular Nacional Alemão, declarou: "Nós iremos enquadrar Hitler." Tinha-se um grande senso de segurança, também porque somente dois ministérios foram oferecidos aos nazistas no novo gabinete de governo. Por outro lado, Hitler e seus seguidores passaram a se apresentar propositalmente de forma moderada e a evitar alaridos.
Princípio do fim
Hitler após assumir o poder
De fato, no dia 30 de janeiro de 1933, um sonho se tornou realidade para Hitler e sua comitiva. Com alegria, Goebbels confidenciou ao seu diário: "Hitler é chanceler. Como um conto de fadas!" Na mais completa ignorância sobre Hitler e suas intenções, nomeou-se o "coveiro" da República para chanceler. Mas Hitler já havia apresentado seus planos no livro Mein Kampf. Ele escreveu que os judeus seriam "removidos" e um novo "habitat" seria conquistado "pela espada".
O dia 30 de janeiro de 1933 entrou para a história como o dia da "tomada de poder", conceito na verdade inventado pela propaganda nazista, pois a nomeação de Hitler – e essa é a verdadeira ironia da história – aconteceu de forma constitucional. Após a tomada de posse, Hindenburg falou as seguintes palavras: "E agora, meus senhores, para frente com a ajuda de Deus!"
Hindenburg não teve de presenciar que o caminho de Hitler levaria na verdade ao Holocausto e à Segunda Guerra Mundial. Ele morreu em 1934. E logo Hitler mostrava quão ingênua foi a crença de que ele poderia ser controlado e neutralizado. Pouco depois de ser empossado como chefe de governo, começou em todo o país o terror das tropas de assalto da SA.
Comunistas, social-democratas e sindicalistas foram perseguidos. Em pouco tempo os primeiros campos de concentração foram instalados. Ali, os membros da SA torturavam suas vítimas, que iriam incluir, pouco tempo depois, judeus e outras pessoas consideradas indesejáveis pelos nazistas. Hitler precisou somente de poucos meses para embaralhar a República de Weimar e instalar sua ditadura.
Autor: Marc von Lübke (ca)
Revisão: Francis França

DW.DE

Há 80 anos Hitler assumia o poder na Alemanha


Em 30 de janeiro de 1933, o então presidente Hindenburg nomeou Adolf Hitler como chanceler da Alemanha. Poucos tinham ideia da dimensão desse fato. Propaganda nazista encenou o acontecimento como uma "tomada de poder".
Cenas sombrias ocorreram no Portão de Brandemburgo em 30 de janeiro de 1933, em Berlim. Já há horas, o chefe da Propaganda nazista, Joseph Goebbels, vinha posicionando homens da tropa de assalto de Hitler próximo ao local. Mais de 20 mil membros da chamada SA (Sturmabteilung), a tropa de choque do Partido Nazista, haviam chegado durante a noite.
O início estava marcado para as 19h. Tochas foram acesas, batalhões da SA desfilavam pelo Portão de Brandemburgo. Poucas horas antes, Adolf Hitler havia alcançado seu grande objetivo: ser nomeado chanceler pelo então presidente alemão Paul von Hindenburg.

Adolf Hitler saúda espectadores da janela da Chancelaria em Berlim
Um grande baile a fantasia
O recém-empossado chanceler alemão foi festejado por seus seguidores. De uma janela da então Chancelaria, Hilter cumprimentou os espectadores presentes. Goebbels havia planejado um gigantesco espetáculo. Ele pretendia encenar de forma dramática esse novo capítulo da Alemanha: aquela deveria ser "a noite do grande milagre". Ele havia planejado algo especial. Uma espécie de fita de fogo formada por portadores de tochas devia atravessar a cidade.
Goebbels queria criar imagens monumentais, ideais para impressionar os espectadores no cinema, já que era ali que os noticiários eram transmitidos na época. Mas os transeuntes passeavam distraídos para lá e para cá entre as formações da SA e impediram as gravações desejadas.
Goebbels ficou desapontado e reencenou as imagens mais tarde. O famoso pintor alemão de origem judaica, Max Liebermann, já tinha visto o bastante. Para o desfile de tochas dos homens da SA na frente de sua casa, o pintor escolheu palavras dramáticas: "Eu nunca conseguiria comer tanto para tudo o que gostaria de vomitar."
Como Hitler foi possível
Todo o poder era pouco para o ditador nazista
A história da ascensão de Adolf Hitler está intimamente ligada ao declínio da República de Weimar. Desde o surgimento em 1918, ela sofria de defeitos congênitos irreparáveis – era uma democracia sem democratas. Boa parte da população rejeitava a jovem República, sobretudo a elite econômica, funcionários públicos e até mesmo políticos.
Tentativas de golpe pela direita e pela esquerda sacudiram o país. Nos primeiros cinco anos da República de Weimar, assassinatos espetaculares chocaram o país. Entre outros, as mortes dos comunistas Rosa Luxemburg e Karl Liebknecht, bem como o assassinato do ministro do Exterior Walther Rathenau, de origem judaica. Os criminosos provinham da ala de extrema direita.
A política da República de Weimar foi marcada pela total instabilidade. Nos 14 anos de sua existência, ela presenciou 21 diferentes governos. Entre os 17 partidos do Parlamento, encontrava-se uma série de inimigos declarados da Constituição. Com cada nova crise política e econômica, os eleitores perdiam mais e mais a confiança nos partidos democráticos.
Enquanto isso, o extremismo político vivenciava um grande crescimento. Os nazistas, pelo lado da direita, e os comunistas, pela esquerda, ganhavam cada vez mais adeptos. Por volta de 1930, a Alemanha estava à beira de uma guerra civil. Nazistas e comunistas travavam batalhas de rua. A crise econômica de 1929 piorou ainda mais a situação. Em junho de 1932, o número oficial de desempregados no país somava 5,6 milhões de pessoas.
O desejo por um líder forte
Hindenburg: militar condecorado, político de pouca visão
Em tal situação, muitos alemães ansiavam por um nome forte à frente do governo, alguém que pudesse tirar o país da crise. O presidente Paul von Hindenburg era uma dessas pessoas, para muitos, ele era uma espécie de substituto do imperador. De fato, segundo a Constituição de Weimar, o presidente do país era a instância política central. O cargo detinha uma imensa esfera de poder.
O presidente podia dissolver o Parlamento e outorgar leis por decretos emergenciais, algo que cabe normalmente a qualquer Parlamento. Hindenburg fez uso, diversas vezes, da possibilidade de governar contornando o Legislativo. No entanto, Hindenburg não tinha como cumprir o papel de salvar a Alemanha da miséria, pois já estava com 85 anos no início de 1933.
Após diversas trocas de governo, Hindenburg pretendia, na ocasião, instalar um governo estável chefiado pelos conservadores nacionalistas de direita. A princípio, ele era cético quanto à nomeação de Adolf Hitler para chefe de governo. Durante muito tempo, Hindenburg ironizou Hitler, chamando-o de "soldado raso da Boêmia" – uma alusão ao fato de que ele, Hindenburg, era um condecorado marechal de campo da Primeira Guerra Mundial, e Hitler, apenas um soldado comum.
Mas Hindenburg mudou de opinião. Pessoas próximas a ele lhe asseguraram que manteriam Hitler sob controle. Alfred Hugenberg, líder do Partido Popular Nacional Alemão, declarou: "Nós iremos enquadrar Hitler." Tinha-se um grande senso de segurança, também porque somente dois ministérios foram oferecidos aos nazistas no novo gabinete de governo. Por outro lado, Hitler e seus seguidores passaram a se apresentar propositalmente de forma moderada e a evitar alaridos.
Princípio do fim
Hitler após assumir o poder
De fato, no dia 30 de janeiro de 1933, um sonho se tornou realidade para Hitler e sua comitiva. Com alegria, Goebbels confidenciou ao seu diário: "Hitler é chanceler. Como um conto de fadas!" Na mais completa ignorância sobre Hitler e suas intenções, nomeou-se o "coveiro" da República para chanceler. Mas Hitler já havia apresentado seus planos no livro Mein Kampf. Ele escreveu que os judeus seriam "removidos" e um novo "habitat" seria conquistado "pela espada".
O dia 30 de janeiro de 1933 entrou para a história como o dia da "tomada de poder", conceito na verdade inventado pela propaganda nazista, pois a nomeação de Hitler – e essa é a verdadeira ironia da história – aconteceu de forma constitucional. Após a tomada de posse, Hindenburg falou as seguintes palavras: "E agora, meus senhores, para frente com a ajuda de Deus!"
Hindenburg não teve de presenciar que o caminho de Hitler levaria na verdade ao Holocausto e à Segunda Guerra Mundial. Ele morreu em 1934. E logo Hitler mostrava quão ingênua foi a crença de que ele poderia ser controlado e neutralizado. Pouco depois de ser empossado como chefe de governo, começou em todo o país o terror das tropas de assalto da SA.
Comunistas, social-democratas e sindicalistas foram perseguidos. Em pouco tempo os primeiros campos de concentração foram instalados. Ali, os membros da SA torturavam suas vítimas, que iriam incluir, pouco tempo depois, judeus e outras pessoas consideradas indesejáveis pelos nazistas. Hitler precisou somente de poucos meses para embaralhar a República de Weimar e instalar sua ditadura.
Autor: Marc von Lübke (ca)
Revisão: Francis França

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

APESP disponibiliza coleção "Como fazer" para download

Projeto "Como Fazer" (em parceria com a Associação de Arquivistas de São Paulo, no período de 1997 a 2006)
COMO AVALIAR DOCUMENTOS DE ARQUIVO v.1
Ieda Pimenta Bernardes
É resultado de oficina realizada em outubro de 1997, promovida em conjunto pelo Arquivo Público do Estado e a Associação dos Arquivistas Brasileiros.
1998. 90 páginas
  
COMO CLASSIFICAR E ORDENAR DOCUMENTOS DE ARQUIVO v.2
Janice Gonçalves
É resultado de oficina realizada em novembro de 1997, promovida pelo Arquivo Público do Estado e a Associação dos Arquivistas Brasileiros.
1998 38 páginas
  
COMO IMPLANTAR ARQUIVOS PÚBLICOS MUNICIPAIS v.3
Helena Corrêa Machado e Ana Maria de Almeida Camargo
Menos da metade dos arquivos municipais instalados no Brasil possuem instalações próprias. Assim, embora todos estejam abertos à visitação pública, poucos garantem o efetivo acesso aos documentos sob sua guarda. Esse livro compreende uma série de oficinas de trabalho destinadas a preparar pessoas para essa atividade arquivística.
1999. 90 páginas
  
COMO TRATAR COLEÇÕES DE FOTOGRAFIAS v.4
Patrícia de Fillipi, Solange Ferraz de Lima e Vânia Carneiro de Carvalho
Orientado para a prática do dia-a-dia dos profissionais encarregados da preservação de fotos. Compreende uma série de oficinas, que abordam temas específicos.
2000. 82 páginas ISBN 85-86726-20-6       85-7060-024-0
  
COMO FAZER CONSERVAÇÃO PREVENTIVA EM ARQUIVOS E BIBLIOTECAS v.5
Norma Cianflone Cassares
O objetivo deste manual é oferecer informações básicas e práticas sobre conservação preventiva a profissionais que atuam direta ou indiretamente em acervos de bibliotecas e arquivos.
2001. 80 páginas 85-86726-21-4
  
COMO DESCREVER DOCUMENTOS DE ARQUIVO: ELABORAÇÃO DE INSTRUMENTOS DE PESQUISA v.6
André Porto Ancona Lopez
Neste volume, o autor descreve a importância dos instrumentos de pesquisa, apresenta diretrizes de como elaborá-los e os formatos de divulgação disponíveis. Aborda também a Norma Internacional de Descrição Arquivística - ISAD (G), ressaltando a importância e os problemas de uma normalização, além dos cuidados na sua aplicação.
2002. 60 páginas ISBN 85-86726-39-7       85-7060-113-1
  
COMO FAZER PROGRAMAS DE REPRODUÇÃO DE DOCUMENTOS DE ARQUIVO v.7
Baseada em sua experiência de mais de vinte anos na área de programas de reprodução de documentos, a autora Esther Caldas Bertoletti aborda as etapas e os fatores fundamentais na execução dessa atividade, que tem como objetivos principais a preservação e o acesso aos documentos.
2002.48 páginas ISBN 85-86726-40-0       85-7060-114-X
  
COMO FAZER ANÁLISE DIPLOMÁTICA E ANÁLISE TIPOLÓGICA DE DOCUMENTO DE ARQUIVO v.8
Heloísa Liberalli Belloto
Este volume aborda as modernas metodologias da Diplomática e da Tipologia Documental, que, para além do tradicional estudo formal e estrutural do documento, podem, hoje, até serem aplicadas nos procedimentos arquivísticos de avaliação, classificação e descrição, auferindo-lhes maior exatidão de resultados. Inclui um glossário de espécies documentais.
2002. 120 páginas 85-86726-46-X       85-7060-133-6
  
COMO IMPLANTAR CENTROS DE DOCUMENTAÇÃO v.9
Viviane Tessitore
Neste volume da coleção Como Fazer, a autora descreve passo a passo o processo de implantação de centros de documentação, desde a definição da área de especialização do centro até a infra-estrutura e o quadro técnico envolvidos nessa implantação.
2003. 56 páginas ISBN 85-86726-53-2       85-7060-215-4
  
COMO ELABORAR VOCABULÁRIO v.10
Neste volume da coleção Como Fazer, as Professoras Johanna Wilhelmina Smit e Nair Yumiko Kobashi explicam o que é e como fazer o controle de vocabulário de documentos. Para tanto, descrevem minuciosamente os mecanismos de controle existentes, indicando os mais adequados para a obtenção de um arquivamento de documentos organizado. No final da obra, as autoras relacionam para aqueles que quiserem se aprofundar no assunto, uma bibliografia para consulta.
2003. 56 páginas

Fonte: Arquivo Público do Estado de São Paulo

1948: Assassinato de Mahatma Gandhi


Em 30 de janeiro de 1948, Mahatma Gandhi foi assassinado por um hinduísta fanático. Durante anos, o líder se empenhara com meios pacíficos para que a Índia se tornasse independente.
Mahatma Gandhi alguns dias antes de ser morto por um extremista
"A luz se foi de nossas vidas", declarou o então primeiro-ministro da Índia, Jawaharlal Nehru, em 30 de janeiro de 1948, dirigindo-se pelo rádio à nação que se tornara independente apenas alguns meses antes.
O líder Mohandas Karamchand Gandhi, conhecido por Mahatma ("grande alma"), fora assassinado a tiros pelo nacionalista hindu Nathuram Godse. Antigo seguidor de Gandhi, Godse discordava da liberação de recursos financeiros da Índia para o Paquistão, num momento em que os dois jovens países iniciavam sua primeira guerra pela Caxemira.
A morte violenta contribuiu para idealizar ainda mais a figura de Gandhi como "pai na nação". Não há cidade ou povoado na Índia que não tenha um monumento ao homem magro e curvo, portando apenas uma túnica e uma bengala na mão. A questão é se a herança deixada por ele ainda tem algo a ver com a prática política na Índia de hoje.
Na verdade, numa sociedade repleta de conflitos – entre as castas, os grupos religiosos, as etnias, ou simplesmente pobres e ricos –, não há espaço para a ideia da não-violência pregada por Gandhi. Tampouco teve vez a ideia de desenvolvimento que ele defendia, ao estimular o renascimento dos processos artesanais.
Pacifismo x autoritarismo
Gandhi, porém, já era um santo enquanto vivo – e sobre os santos, não se discute. O enorme abismo entre seus ideais e a corrupção dos políticos de hoje leva antes à resignação. O que se esquece facilmente é que o próprio Gandhi era um político com grande senso de poder e muitas vezes até autoritário. Seu engajamento em prol dos párias é reconhecido para além das fronteiras da Índia.
Sendo filho de uma alta casta hindu, Gandhi lutou contra a marginalização dos párias, empenhou-se para que as portas dos templos hinduístas lhes fossem abertas. Chamou a atenção de muitos indianos que gozavam de educação britânica para a vida miserável nos povoados do país e sobretudo das castas mais baixas.
Ao mesmo tempo, porém, ele tendia a idealizar a situação e insistia obstinadamente em sua própria visão. O mais importante político dos párias em sua época, Ambedkar, defendia que os párias tinham outros interesses que os hindus. Eles deveriam, portanto (da mesma forma que os muçulmanos), votar separadamente dos demais eleitores e escolher seus próprios representantes para os parlamentos.
Gandhi, por sua vez, insistia em incluir os párias entre os hindus. Irritou-se de tal forma com as reivindicações de Ambedkar, que ameaçou jejuar até a morte, fazendo com que este cedesse. Era esta a forma pela qual Gandhi se utilizava da "não-violência", e não apenas perante os senhores coloniais.
A herança de Gandhi
Gandhi empenhou-se, como poucos políticos de seu tempo, por uma reconciliação com os muçulmanos. Mas o hinduísmo desempenhou um papel central em sua vida. Suas ideias, seu programa político, tudo é impregnado do vocabulário hinduísta. Grande parte dos muçulmanos não se sentia representado por ele e insistiu na criação de um Estado próprio, o Paquistão.
Mahatma Gandhi não contribuiu apenas para que a Índia se tornasse independente sem muito derramamento de sangue. Muitos de seus pensamentos acerca do abismo entre a cidade e o campo, acerca da solução de conflitos sem o apelo à violência continuam sendo atuais, e não apenas dentro das fronteiras da Índia. Mas, para poder debater a esse respeito, seria preciso poder discutir também a respeito de suas falhas.
  • Autoria Thomas Bärthlein (lk)
  • Fonte: DW

1735 - Córsega declara independência de Gênova


Em 30 de janeiro de 1735, na Córsega, uma assembleia, conhecida como Consulta d'Orezza, rejeita a dominação de Gênova e confere à ilha uma constituição escrita, assim como um hino nacional.

Era o começo de uma "Guerra de Quarenta Anos". Os insurgentes lutavam em favor da França que almejava pôr os pés na ilha e de expulsar a República de Gênova, no controle da Córsega desde 1284, após vencer a Batalha de La Meloria.

Wikimedia Commons
Torre della Meloria, símbolo da conquista genovesa sobre a Córsega

No limiar do "Século das Luzes", a República de Gênova não era mais do que a sombra de si mesma e os corsos não suportavam mais a condição de vassalagem.

Uma primeira revolta eclode em 27 de dezembro de 1729, quando um magistrado pretendeu subtrair um bem de um pastor da aldeia de Borziu a pretexto de pagamento de imposto. Um ano mais tarde, a revolta camponesa é apoiada e substituída pelos notáveis locais. Uma assembleia, a consulta, designa três dentre eles para comandar a insurreição. Tratava-se de Luigi Giafferi, Andrea Ceccaldi e o abade Marc-Aurèle Raffaelli.

Gênova pede ajuda ao imperador alemão Carlos VI de Habsburgo, que envia 8 mil homens sob o comando do barão de Wachtendonck. Graças e esse reforço, a República derrota os notáveis corsos e os envolve com belas promessas. Todavia, o fôlego é de curta duração. A partir de 1734, por iniciativa do general Giacinto Paoli, pai de Pasquale, o futuro "Pai da Pátria", a guerra é retomada.

Foi então que se reuniram em Orezza os delegados de toda a ilha. Rejeitam oficialmente a soberania genovesa e se outorgam uma constituição.

Esta Constituição do Reino da Córsega introduz a soberania do povo e a separação dos poderes. Prevê um executivo de três Primados e uma Assembleia Popular – a Consulta – formada pelos eleitos de 90 cantões.

Redigida pelo advogado de Ajaccio, Sebastianu Costa, jamais entraria de fato em vigência, porém inspiraria algumas décadas depois os Insurgentes da América e os revolucionários de Paris.

Wikimedia Commons - Pasquale PaoliNa mesma ocasião, os insurgentes corsos se atribuem um hino nacional. É o "Dio vi Salvi Regina" (Que Deus vos proteja, ó Rainha). A assembleia sai em busca de um monarca e oferece a coroa da Córsega ao rei da Espanha, mas este a recusa.

Em 20 de março de 1736, um curioso personagem desembarca em Aléria de um navio inglês. O barão Theodore von Neuhoff traz consigo uma boa quantidade de armas e de munição. Põe sua fortuna a serviço dos insurgentes e recebe deles, em recompensa, a coroa desdenhada pelo rei da Espanha.

Alguns meses depois, desencorajado pelas disputas intestinas e pela contra-ofensiva diplomática de Gênova, o rei Theodore sobe novamente ao navio em direção ao continente, em busca de apoios diplomáticos.

Somente os ingleses se mostravam interessados em ajudar os revoltosos. Queriam tirar partido da insurreição para poder pôr os pés na Córsega. O primeiro ministro francês, cardeal Fleury, responde aportando sua ajuda aos genoveses em 1737.

A tropas francesas entram na batalha no ano seguinte, sob o comando do conde de Boissieux e posteriormente do marechal Maillebois. Batidos, os insurgentes retomam as armas pouco tempo depois, em 1743. O marquês de Cursay pacifica a ilha e os franceses se retiram, por fim, dois anos mais tarde.

No entanto, na Córsega, debaixo das cinzas, o fogo estava vivo. Pasquale Paoli, 30 anos, assume o bastão de seu pai e subleva o povo. Cria um "Reinado da Córsega" independente e ... sem rei. Ele mesmo é proclamado general-em-chefe da Consulta em 1755.

Corte, no centro da ilha, foi designada como capital do novo reino, longe das litorâneas Ajaccio e Bastiá.

Uma nova constituição é votada no mesmo ano. Inspirada Na obra "O Espírito das Leis", de Montesquieu, estabeleceu a separação dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.

Outorgou também o direito de voto aos cidadãos e cidadãs de mais de 25 anos. Pode ser considerada como a primeira Constituição escrita da História que recebeu um início de aplicação. A precedente, aquela de 1735, não tivera esta chance.

Pasquale Paoli empurra os genoveses para a costa, manda dessecar os pântanos, funda uma cidade nova sobre a costa, a Ilha Rousse, abre uma universidade, moderniza as instituições e chega mesmo a pedir ao filósofo Jean-Jacques Rousseau, que tinha acabado de publicar o Contrato Social, um novo projeto de constituição para a Córsega em 1765.

Cansada de guerras, Gênova cede "provisoriamente" seus direitos sobre a Córsega à França pelo Tratado de Versalhes de 1768.

Um ano depois, Napoleão Bonaparte nascia em Ajaccio.
Fonte: Opera Mundi

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Fica de pé


Em nota emitida na manhã desta segunda-feira (28) pela assessoria de imprensa, o governador do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, afirma que o prédio que abrigou no passado o Museu do Índio permanece de pé. A polêmica em torno da demolição do patrimônio histórico para a construção de um estacionamento e um possível shopping no entorno do Maracanã não garantiu, no entanto, a permanência das famílias que moram no local.
O texto oficial indica que “o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes vão agora tomar a iniciativa de fazer o tombamento do imóvel. O Governo está tomando as devidas providências para que o local seja desocupado dos seus invasores. O Governo do Estado comprou em 2012 da Conab o imóvel, composto por esse e outros prédios, pelo preço de RS 60 milhões. O Ministério da Agricultura já está desocupando os demais prédios existentes no local, que serão demolidos para garantir o fluxo de pessoas no entorno do estádio”.
Também foi decidido que a empresa que vencer a licitação para a concessão, prevista para fevereiro, do estádio do Maracanã, que passa por reformas visando a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, será a responsável pela revitalização da área. O complexo de atletismo Célio de Barros, o parque aquático Júlio De Lamare e escola municipal Friedenreich, continuam na mira da demolição – pelo menos por hora.
Em novembro passado, centenas de manifestantes se uniram aos indígenas que residem no local em protesto contra a demolição e expulsão dos moradores. A Revista de História esteve no local e conversou com manifestantes, especialistas e a parte diretamente afetada, que ainda permanece no local sem saber o que o futuro lhes reserva.
Leia também:
Para gringo não ver -- Após duas liminares cassadas pela Justiça Federal, situação da Aldeia Maracanã, no Rio de Janeiro, é crítica. Líderes indígenas falam sobre a ordem de despejo que paira sob suas cabeças desde outubro

28 de janeiro de 1986: Mundo assiste ao vivo a explosão da Challenger

28/01/2013 - 11:30 | Enviado por: Lucyanne Mano

Era o 25º vôo do programa e o décimo com a nave espacial Challenger - um sofisticado veículo espacial com 100 t e avaliado em 1,1 bilhão de dólares - quando uma explosão, 72 segundos após o lançamento de Cabo Canaveral interrompeu o tão almejado sonho americano na conquista do espaço. À bordo estavam sete tripulantes, entre eles a professora secundária Christa McAuliffe, 37 anos, escolhida entre 11 mil candidatos para ser a primeira cidadã comum a fazer uma viagem espacial. Os demais eram: o piloto Michael J. Smith, 39 anos; o comandante da missão, Dick Scobee, 46 anos; Ronald McNair, 36 anos, técnico especializado em física do espaço; Ellison Onizuka, 40 anos, coronel de aviação; o técnico especialista em satélite de comunicação, Gregory Jarvis, 42 anos; e Judith Resnik, 37 anos, engenheira de eletricidade.


Não houve sobreviventes. Destroços da nave ainda caiam no oceano Atlântico cerca de 15km do local do lançamento, 40 minutos após a explosão, ocorrida a uma altitude de 16,67 m.

Para continuar lendo clique aqui.
Fonte: JBlog

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

UPF presta solidariedade a familiares e amigos das vítimas da tragédia em Santa Maria

A Universidade de Passo Fundo (UPF) presta sua solidariedade aos familiares e amigos das vítimas e de todos os envolvidos no incêndio ocorrido na casa noturna Kiss, na madrugada de domingo, 27 de janeiro, em Santa Maria. A tragédia, que vitimou 236 jovens e deixou outras dezenas de feridos, entristeceu não somente o Rio Grande do Sul, mas o Brasil e o mundo. A instituição está em oração pelas famílias e pela pronta recuperação dos feridos.
José Carlos Carles de Souza – Reitor da UPF

Fazendo História no PIBID, por Jéssica Prates da Silva


"Quando entrei no grupo PIBID apenas pensei em minha vida acadêmica, que estava complicada com falta de tempo para estudar (...), mas depois que comecei a ir nas reuniões percebi que o grupo PIBID é uma grande oportunidade de ir me aperfeiçoando para meu futuro profissional.

As reuniões são feitas de forma democrática, e em cada reunião vamos aprendendo com as experiências do outro, de nossos colegas, em cada ambiente escolar e assim vamos vivendo as diversidades da vida".

Jéssica Prates da Silva
Pibidana na Escola Anna Willig
Profa. supervisora: Nadir Falcão


1918 - Trabalhadores alemães organizam greve geral em plena Grande Guerra


Acossados pela fome e crescentemente angustiados com a continuidade da Grande Guerra, centenas de milhares de trabalhadores alemães, oprimidos e submetidos por longa data a enormes sofrimentos, organizam em 27 de janeiro de 1918 uma greve geral em Berlim.

Wikimedia Commons - Rosa Luxemburgo


Embora o ano de 1917 tivesse trazido uma série de vitórias militares das Potências Centrais – o Kaiser Guilherme, numa visita ao Front Ocidental em dezembro, disse que os acontecimentos daquele ano provaram que Deus estava do lado dos alemães –, assistiu-se também que a fome e o descontentamento se alastravam no front doméstico a níveis sem precedentes. Houve um total de 561 greves em 1917, contra 240 no ano anterior e 137 paralisações em 1915. Os salários reais – ou a relação dos salários com o custo de vida – caíam drasticamente com efeitos desastrosos para os empregados executivos também e para a economia como um todo.

A guerra, tendo por inimigo a Rússia, cortou a Alemanha e o império Austro-Húngaro do crucial suprimento de alimentos e o bloqueio naval aliado no Mar do Norte exacerbou a escassez resultante.

No começo de 1918, as espinhosas negociações com os líderes bolcheviques da Rússia em Brest-Litovsk apontavam para um atraso ainda maior do influxo de comida e outros recursos. O descontentamento estalou primeiramente na Áustria, onde as rações de farinha de trigo foram cortadas em meados de janeiro. Greves estouraram quase imediatamente em Viena e, em 19 de janeiro, a paralisação se estendia praticamente a todo o país.

A escassez de alimentos foi ainda pior na Alemanha onde cerca de 250 mil pessoas morreram de fome em 1917. A greve começou em Berlim em 27 de janeiro de 1918, quando 100 mil trabalhadores tomaram as ruas, exigindo o fim da guerra em todas as frentes de batalha. Em poucos dias a massa operária em greve atingia 400 mil, a maioria das fábricas de munição. Os grevistas de Berlim receberam a solidariedade de seus companheiros numa série de outras grandes cidades: Dusseldorf, Kiel, Colônia e Hamburgo. A imprensa estimava que mais de 4 milhões de trabalhadores ocupavam as ruas em toda a Alemanha.
Em assembleia, elegem 414 delegados que, por sua vez, elegem o comitê de greve de 11 membros, todos provenientes do núcleo dos delegados revolucionários. Além dos 11, somam-se ao comitê três membros dos sociais-democratas e três dos sociais-democratas independentes.

Wikimedia Commons - Karl Liebknecht
No dia seguinte, a greve se alastra. As negociações entre as autoridades e o comitê de greve fracassam. O comitê é declarado ilegal. Os sociais-democratas, que tinham entrado no movimento com o intuito de controlá-lo, hesitam e acabam reconhecendo a derrota. O comitê propõe a volta ao trabalho em 3 de fevereiro.

A reação do exército e do governo alemão - alarmados com a antevisão de uma revolução ao estilo bolchevique e preocupados com o retardamento das negociações de paz em Brest-Litovsk – foi rápida e decisiva. A repressão é brutal. Dirigentes da Liga Spartaquista, com Rosa de Luxemburgo e Karl Liebknecht à frente, são presos. Em 31 de janeiro, é decretado o estado de sítio e os líderes dos trabalhadores são submetidos à corte marcial. Cento e cinquenta foram encarcerados e perto de 50 mil foram compulsoriamente alistados no exército e enviados para o front.

A derrota violenta da greve de janeiro de 1918 ficou na memória dos trabalhadores alemães. O movimento revolucionário de então não pode ser entendido sem esse acúmulo de desilusão e cólera contra os chefes militares e seus porta-vozes políticos e contra os líderes partidários que a eles cederam.

Após as greves e o Tratado de Paz de Brest-Litovsk firmado em março de 1918, os generais Paul von Hindenburg e Erich Ludendorff passam a agir como ditadores, apoiados por boa parte da população.
Fonte: Opera Mundi

ONU lembra coragem dos que ajudaram vítimas do regime nazista


Todos os anos, no aniversário da libertação de Auschwitz, é celebrado o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Em mensagem, Merkel diz que alemães têm "responsabilidade permanente" por crimes do nazismo.
Em 2005, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução que dedica o dia 27 de janeiro à memória dos mortos do regime nazista. Nesse dia, em 1945, o Exército Vermelho da União Soviética libertou os prisioneiros do campo concentração nazista de Auschwitz, que se tornou símbolo do assassinato de milhões de pessoas.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou que "o tema [da celebração] deste ano – Resgate durante o Holocausto: a coragem de se importar – presta homenagem àqueles que arriscaram suas vidas e de suas famílias para salvar judeus e outros da morte quase certa sob o regime nazista".
As histórias dos salvadores são diversas, afirmou Ban em nota oficial. "Alguns abrigaram as possíveis vítimas em suas casas, outros levaram famílias para a segurança ou ajudaram a obter os documentos necessários para escapar. No entanto, entre todos existe uma linha comum: coragem, compaixão e liderança moral", explicou o secretário-geral das Nações Unidas.

Memorial do Holocausto Auschwitz-Birkenau recebeu recorde de visitantes
"Para nos tornar imunes"
Na Alemanha, a data é lembrada desde 1996 em cerimônia anual realizada pelo Bundestag, câmara baixa do Parlamento alemão. Neste ano, o discurso em memória das vítimas será realizado na próxima quarta-feira pela jornalista e autora alemã-israelense Inge Deutschkron, de 90 anos. Ela sobreviveu ao Holocausto na clandestinidade em Berlim e tem se engajado para que os chamados "heróis silenciosos", aqueles que salvaram pessoas da violência nazista, sejam homenageados pelo Estado alemão.
Em mensagem de vídeo por ocasião do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, a chanceler federal alemã, Angela Merkel, declarou neste sábado que "é claro que temos uma responsabilidade permanente pelos crimes do nazismo, pelas vítimas da Segunda Guerra Mundial e, acima de tudo, pelo Holocausto".
A mensagem de Merkel também se referiu aos 80 anos do aniversário da subida ao poder de Adolf Hitler. Em 30 de janeiro de 1933, o ditador nazista foi apontado chanceler alemão pelo então presidente Paul von Hindenburg. Para chegar ao topo, Hitler empreendeu uma política de violência e supressão de opositores políticos.
"Houve muita gente decente que não participou", disse Merkel. "Mas infelizmente existiram muitas, muitas pessoas que se deixaram cegar", acrescentou a chanceler federal alemã, concluindo que "é por isso que é ainda mais importante que não esqueçamos este capítulo sombrio [...] que nós sempre nos lembremos disso, para nos tornar imunes, de forma que isso nunca, nunca venha a se repetir."

Crianças no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau,
em janeiro de 1945
Memória do Holocausto
No antigo campo de concentração nazista, encontra-se atualmente o Memorial Auschwitz-Birkenau. Nos últimos anos, o memorial no ex-campo de extermínio vem registrando recordes de visitantes. No ano passado, esse número chegou a 1,43 milhão de pessoas, um recorde nos 65 anos de história do lugar dedicado à memória das vítimas do Holocausto.
O turismo crescente é considerado importante na educação sobre o Holocausto, mas vem afetando as estruturas do local. Muitas delas foram feitas de madeira e não foram planejadas para durar tanto. No momento, estão em andamento esforços de preservação.
Em Auschwitz-Birkenau, a Alemanha nazista provocou a morte de 1,1 milhão de pessoas, em sua maioria judeus, mas também prisioneiros políticos poloneses, membros da etnia sinti e roma, homossexuais e outros.
CA/ap/afp/kna/dpa/epd
Revisão: Mariana Santos

DW.DE

domingo, 27 de janeiro de 2013

654 - Últimos colonos holandeses no Brasil são expulsos de Pernambuco


Em 26 de janeiro de 1654, após o cerco de Recife, os holandeses residentes em Pernambuco capitulam diante dos portugueses. Era o fim do ‘‘Brasil Holandês’’, uma aventura que durou oficialmente 24 anos.

Em seguida à morte do rei de Portugal, Dom Sebastião, o rei da Espanha, Filipe II, torna-se igualmente rei de Portugal em 1580. O pequeno reino lusitano e suas colônias, entre elas o Brasil, encontraram-se inapelavelmente implicados na Guerra de Oitenta Anos entre as Províncias Unidas, o nome à época do Reino dos Países Baixos, a Holanda, contra a Espanha.

Wikimedia Commons

Num primeiro momento, alguns holandeses colocam o pé no Brasil e lançam escaramuças sem qualquer consequência. A fundação da Companhia Holandesa das Indias Ocidentais em 1621 marca uma guinada: os holandeses organizam expedições cada vez mais importantes e melhor organizadas contra o Brasil, tendo por objetivo a conquista das plantações de cana de açúcar.

Em 10 de maio de 1624, tropas holandesas tomam Salvador, na Bahia, mas de lá são expulsas um ano mais tarde. Cinco anos mais tarde, uma nova expedição dirige-se desta vez contra Pernambuco. A campanha é bem sucedida e, entre 1630 e 1635, os holandeses conquistam toda a região costeira em torno de Recife e Olinda.

Wikimedia Commons
Holandeses desembarcando em Maurícia  (Recife)

Para administrar Pernambuco, a Companhia envia uma importante figura, João Maurício de Nassau, com o título de governador. Nassau logo demonstra suas grandes ambições em relação à colônia. Logo de início empreende a conquista de Angola, na África Austral, a fim de controlar o tráfico de escravos. Em seguida, reorganiza a administração e tenta ganhar para si os portugueses, baseado numa política de abertura e de tolerância religiosa. Funda igualmente uma cidade, Maurícia (atual Recife).

João Maurício de Nassau, eminente representante da Idade de Ouro holandesa, convida pintores para tornar conhecida na Europa a nova colônia em terras americanas.

Entretanto, o surgimento de tensões com a Companhia, desejosa de auferir lucros máximos em curto prazo, obrigou o ilustre governador a regressar em 1644 aos Países Baixos.

Wikimedia Reprodução - Franz Post
Holandeses foram uns dos primeiros a ilustrarem o Novo Mundo, como essa pintura do rio São Francisco 

Os holandeses, porém, não conseguem se instalar duradouramente na região: suas plantações mantêm rendimento inferior àquelas dos portugueses e o fluxo de imigrantes mostrava-se insuficiente. Além do mais, os brancos do Brasil, apoiando-se nos indígenas e nos negros, levam a cabo uma guerra de desgaste contra os holandeses, considerando-os heréticos.

Em paralelo, os portugueses, que haviam recuperado sua independência da Espanha, retomam Angola em 1648. A partir de então, o Brasil Holandês derretia como neve ao sol até desapaerecer completamente com a capitulação,  em janeiro de 1654.

Wikimedia Commons - Os Tapuias (1640), por Albert Eckhout 

Ao deixar a colônia, os holandeses, não obstante, levaram consigo as técnicas de fabricação do açúcar, que iriam desenvolver nas Antilhas Holandesas. Uma feroz concorrência iria se estabelecer entre as Antilhas e o Brasil na produção e exportação do produto o que levaou a uma dramática queda de preços.

Os holandeses, por sua vez, deixaram ao sair alguns pôlderes - planície protegida por diques contra inundações e utilizada na agricultura e na habitação – na bacia inferior do rio São Francisco.

Fonte: Opera Mundi

1973: Termina a guerra do Vietnã


Em 27 de janeiro de 1973, representantes do Vietnã do Norte e do Sul, bem como dos Estados Unidos, assinaram em Paris um difícil acordo que pôs fim à guerra do Vietnã.

Um dos bombadeiros B-52 americanos, lançando bombas sobre o Vietnã na Campanha de Natal em 1972
Nenhum outro acontecimento mobilizou tanto a opinião pública internacional nos anos 1960 e 1970 quanto a Guerra do Vietnã. Pela primeira vez na história, as atrocidades dos campos de batalha foram exibidas no "horário nobre" das tevês: vietnamitas queimados por bombas de napalm, o fuzilamento de um rebelde pelo chefe da polícia de Saigon com um tiro na cabeça, o massacre de My Lai por soldados norte-americanos.
Mais de um milhão de vietnamitas e 55 mil combatentes dos EUA morreram no conflito. A assinatura do acordo de paz, em 27 de janeiro de 1973, alimentou grandes esperanças. O cessar-fogo firmado em Paris deveria significar o fim da Guerra do Vietnã.
Com isso, o presidente norte-americano Richard Nixon queria terminar a intervenção militar dos EUA na Indochina: "Falo hoje à noite no rádio e na televisão para anunciar que fechamos um acordo que põe fim à guerra e deve trazer a paz para o Vietnã e o Sudeste Asiático.
Durante os próximos 60 dias, as tropas norte-americanas serão retiradas do Vietnã do Sul. Temos de reconhecer que o fim da guerra só pode ser um passo em direção à paz. Todas as partes envolvidas no conflito precisam compreender agora que esta é uma paz duradoura e benéfica".
Acordo previa um fim ordenado do conflito
O acordo de paz previa a retirada completa das tropas dos Estados Unidos. Em contrapartida, o Vietnã do Norte se comprometeu a soltar todos os prisioneiros de guerra norte-americanos. Além disso, Hanói reconheceu o direito à autodeterminação do Vietnã do Sul.
Foi criado também um conselho de reconciliação nacional, presidido pelo chefe de Estado Nguyen Van Thieu, encarregado de convocar eleições livres no Vietnã do Sul, com a participação dos comunistas do Vietcong e outros grupos de oposição.
Os principais arquitetos do acordo de Paris foram os chefes das delegações do Vietnã do Norte e dos EUA, respectivamente Le Duc Tho e Henry Kissinger, encarregado especial de Nixon. Pelos seus esforços, os dois diplomatas foram agraciados com o Prêmio Nobel da Paz de 1973.
Foi principalmente Kissinger quem forçou uma mudança de rumo na política externa dos Estados Unidos, depois que os protestos dos pacifistas criaram uma situação insustentável para Washington. "Não é o Vietnã comunista que põe em risco os interesses norte-americanos e, sim, o envolvimento dos EUA num conflito insolúvel", argumentava.
O então chanceler federal alemão Willy Brandt elogiou o acordo de Paris num pronunciamento oficial: "As condições para a paz mundial melhoraram. Sentimos o efeito libertador do acordo para milhões de atingidos. Infelizmente, as pessoas no Vietnã tiveram de sofrer duramente sob a guerra civil ao longo de uma geração".
A última ofensiva americana
Pouco antes do fim das negociações, Nixon ainda mandou bombardear o Vietnã do Norte. A chamada Campanha de Natal, iniciada no final de dezembro de 1972, foi um dos ataques aéreos mais pesados de toda a guerra. Com indiferença, o piloto de um dos bombardeiros B-52 descreveu assim a sua missão: "É apenas uma tarefa. Outras pessoas entregam leite, eu entrego bombas".
O acordo de cessar-fogo, no entanto, não foi implementado. Após a retirada das tropas dos EUA, as partes conflitantes tentaram ampliar pelas armas os territórios sob seu controle. O Exército do Vietnã do Sul desintegrou-se rapidamente, depois que os EUA suspenderam a sua ajuda financeira.
Em 21 de abril de 1975, o presidente Nguyen Van Thieu renunciou. Nove dias depois, Saigon foi tomada pelas tropas do Vietnã do Norte e do Vietcong. A pseudotrégua de janeiro de 1973 era letra morta.
O papel dos meios de comunicação
Existe a lenda de que os meios de comunicação decidiram a Guerra do Vietnã. Na prática, porém, não existiam imagens dos crimes cometidos pelas tropas norte-americanas nem das ondas de execuções dos comunistas nos territórios por eles conquistados.
Diversos estudos científicos demonstraram que as imagens das batalhas militares, dos feridos e dos mortos mutilados representaram apenas 5 a 7% do noticiário de TV sobre o Vietnã. Além disso, a maioria das cenas de guerra foram fictícias, porque as equipes de TV não chegavam com seus equipamentos até os últimos rincões das florestas vietnamitas.
É certo que os correspondentes tiveram mais liberdade do que em outras guerras para escrever críticas ao governo. Mas, nas tevês, a maioria das reportagens de três a quatro minutos mostravam um conflito sem nexo, de forma distanciada.
  • Autoria Michael Marek (gh)
  • Fonte: DW