quarta-feira, 31 de outubro de 2012

E a Copa começa a ganhar corpo


Nesta manhã recebemos a primeira ficha de inscrição de time para a Copa, e veio de Erechim, da UFFS! Nossos colegas historiadores virão participar do evento futebolístico do século!!! Informações e ficha de inscrição aqui.

Não esqueçam, inscrições de times e torcida até 14 de novembro, na coordenação do Curso de História. O pagamento deve ser realizado no ato da inscrição.




TIMES INSCRITOS

Clube Sepé Tiarajú de Futebol e Caçada 
(UFFS - Erechim)
Gerson Fraga - o Gersito
Ademar Rohde
Cristiano Barbosa
Dioni Marchetti
Felipe Matté
Guilherme Adamczyk
Igor Todescatt
Marciano Bonatti
Ricardo Conceição
Vinícius Fruscalso
Wagner Pereira

Fiado é mais caro

Em lei de 1539, o rei de Portugal tenta controlar a ganância na venda a prazo do simples pãozinho

Bruno Garcia


O pão nosso de cada dia sempre pode ser pago amanhã. E isso não é de hoje. O hábito de comprar fiado, tão adaptado aos nossos costumes, é bem antigo. A primeira lei de que se tem notícia sobre essa prática data de 1750 a.C.. O Código de Hamurabi, da Mesopotâmia, já instituía formas de controlar as complexas relações econômicas, que incluíam empréstimos a juros.
No Ocidente, o cristianismo associou a cobrança de juros à usura, um pecado capital. O grande problema estava na tentativa de ganhar dinheiro sem trabalhar. Como diz o livro do Êxodo, “o usurário não vende ao devedor nada que lhe pertença, somente o tempo, que pertence a Deus”. Que crime é maior do que roubar o próprio Senhor?
A partir do século XIII, a difusão da economia monetária e suas novas técnicas obrigaram a Igreja e as Coroas europeias a rever alguns de seus dogmas originais nessa matéria. ALei sobre o pão que se vende fiado e sobre o que se empresta a pagar em pão, guardada na Divisão de Obras Raras da Biblioteca Nacional, apresenta justamente a tentativa de adaptação de Portugal às transformações que exigiam maior flexibilidade do hábito religioso lusitano. A lei, assinada pelo rei D. João III (1521-1557), procura impor regras e controlar a ganância dos comerciantes portugueses que andavam exagerando nos juros. Datada de 1539, ela relata a preocupação do monarca com os preços que pagavam os desavisados que compravam a prazo o seu humilde pãozinho. “E porque fui ora informado”, diz o rei, “que muitas pessoas vendem para que lhe paguem maior valia no lugar (...) é proibido vendam pão fiado por qualquer preço”. 
A lei também reafirma o papel do contratador, responsável pelo monopólio e comércio do produto em Portugal. Curiosamente, o designado por D. João III para o papel é ninguém menos que Alfonso Lourenço, “livreiro da Rainha minha sobre todas muito amada, preferida mulher”.
Legislando no século XVI, o monarca português não apela para o simples e antigo dogma da condenação dos juros e do lucro. Sua intenção não é outra senão a de impor regras claras sobre a justeza das taxas e o cumprimento a prazo dos valores estabelecidos em contrato, cerceando a venda a “qualquer preço”. A lei cria duas formas para se efetuar o pagamento. Em dinheiro, “no valor desde o tempo que o recebera até o dito dia de nossa senhora” (Nossa Senhora Rainha, 22 de agosto), ou pela simples reposição do pão.
A linguagem é secular e pragmática. Em nenhum momento os juros aparecem condenados. Alguns séculos antes, a medida seria desnecessária, pois bastaria a condenação à usura feita pela Igreja Católica. Mas os tempos de D. João III eram outros.  A espantosa expansão promovida pelos descobrimentos, o contínuo progresso das atividades produtivas e as novas técnicas monetárias obrigavam reis e Igreja a uma ginástica legal cotidiana, marcada por proibições repetidas, adaptações, e o avanço contínuo de novas mentalidades que procuravam justificar a necessidade do progresso e do lucro.
Tudo isso aconteceu entre os séculos XII e XVI. As cidades cresceram e se desenvolveram, novas ferramentas e técnicas revolucionaram a agricultura, dando impulso a uma economia monetária inédita. Sob o risco de se tornarem um obstáculo ideológico ao desenvolvimento, as novas fórmulas de juros até então condenadas pelo catolicismo foram pouco a pouco aceitas. Com moderação, é claro.
A mesma moderação com que o rei assina a lei de 1539. Os juros podem não ser mais sinônimo de usura, mas o rei exige pelo menos respeito aos valores do contrato. Em tempos de centralização do Estado, a medida mostra a monarquia portuguesa cada vez mais organizada e presente. Ao taxar o pão, estabelecer o preço máximo e fortalecer o contrato, o rei se beneficia de duas formas. A primeira, porque reforça sua função como símbolo da Justiça – dele emanam todas as leis dos homens –, e a segunda, porque os impostos sobre o pão seriam pagos corretamente à monarquia, evitando desvios.
Os séculos seguintes assistiriam ao crescimento e à expansão do capitalismo e suas práticas mais agressivas e sofisticadas de juros. Aos poucos, as leis que limitavam a prática se tornariam cada vez menos frequentes. O progresso passou a ser o código moral de uma nova economia, consagrando o lucro como fundamento de um novo mundo.

Nota dez


Em um bairro da cidade de Iperó, interior de São Paulo, a turma de oitavo ano da Escola Municipal Professora Zilma Thibes Mello passou a entender melhor o cenário da vizinhança a partir das aulas de História. No início de 2012, o professor Ailton Luiz Camargo decidiu ensinar economia colonial de uma maneira diferente, trazendo à tona a relação entre homem e animal naquele período. Baseado na edição ‘Civilização dos Bichos’, da Revista de História, Ailton preparou uma série de atividades para estimular os alunos: levou à sala imagens, textos extraclasses e documentos da época. No final do semestre, os jovens escreveram cartas que foram enviadas à Secretaria de Vigilância Sanitária; e ele recebeu o prêmio Professor Nota 10, da Fundação Victor Civita.
“Achei o dossiê da revista de número 60 muito legal. Porque normalmente não se relaciona os animais à história econômica. Fiz uma síntese de uma página do texto da professora Mary Del Priore e passei pros alunos. Fiz uma sondagem com eles, quis saber se reconheciam a relação entre homens e animais como relação histórica. E comecei para introduzi-los nessas fontes antigas e atuais, como a Declaração de Direito dos Animais”, conta o professor. Ele afirma que conversou muito com a turma sobre pecuária e tropeirismo, utilizou imagens do pintor Debret para ilustrar o período e ajudou os alunos a fazerem uma tabela no caderno. “De um lado, tinha o nome dos animais e, do outro, a visão do colonizador sobre eles, se era boa ou ruim. E, depois, fizeram o mesmo com os animais do bairro”.
No artigo Mil e uma utilidadesescrito pela historiadora Mary Del Priore e publicado na Revista de História, os valores dados aos bichos pelos homens em diferentes épocas são bem trabalhados. Ela observa que, no Brasil, “desde o início da colonização, a percepção sobre a ‘bondade’ ou a ‘maldade’ de determinados animais vem sendo forjada com base na sua utilidade para o homem”.  E que, por exemplo, “os habitantes do Brasil antigo aceitavam os papagaios em casa, mas os periquitos precisavam ser espantados a toda hora”. Ou mesmo que “os urubus, apesar de feiosos, eram bem-vindos porque limpavam o lixo, enquanto os morcegos maltratavam os cavalos dos senhores deengenho”. Em entrevista à Revista de História, Del Priore parabeniza a iniciativa de Ailton e diz que "O importante de estudarmos os animais, sua história e as transformações que sofreram ao longo do tempo é a possibilidade de nos aproximarmos da natureza e a compreendermos. Muitas vezes, a simples observação do comportamento dos animais, ensina mais e melhor do que muitos tratados e ensaios críticos". A historiadora acrescenta ainda que "se não entendermos que o milagre da vida é a somatória de percepções sobre as diferentes espécies e a natureza, estaremos condenados. Assim, como a terra que já assassinamos".

Interpretação de texto
O professor Ailton, com base nessa visão histórica sobre os animais, ajudou os alunos a fazer a mesma coisa com os bichos de seu bairro. Ensinou o passado a partir do presente.E não só isso. Ele quis avaliar a escrita dos alunos, pedindo para que eles fizessem redações sobre a Colônia e sobre a região atual, que foram corrigidas e melhoradas ao longo das aulas. “Depois disso tudo, partimos para o estudo de uma lei municipal de 2005 sobre a questão dos animais. Queríamos saber quais artigos estavam sendo implantados no bairro, quais não.  Fizemos uma discussão, e, depois cada um produziu uma carta para a prefeitura, embasando seus argumentos com o conhecimento da História”.
Procurada pela redação da Revista de História, a Secretaria de Vigilância Sanitária do município afirmou que todas as cartas foram lidas e armazenadas no arquivo. Segundo a diretora da pasta, as portas estão abertas para o contato com os alunos, futuras palestras e conversas para auxiliar na construção de uma consciência ambiental no local.

O prêmio
Regina Scarpa, coordenadora pedagógica da Fundação Victor Civita, relata que o plano de aula de Ailton encantou os avaliadores do prêmio Professor Nota 10, da área de História. Segundo ela, o mais interessante do projeto foi justamente a relação entre o passado e presente, realizado pelo educador. “Ele mostrou ahistória como uma disciplina que não estuda um passado que não existe mais, desconectado do presente. O passado nos ajuda a compreender o presente. Seus alunos informaram a situação atual, fizeram uma análise crítica dos maus tratos ali na comunidade quase rural se baseando no que sabiam também da História. Isso é uma atitude bacana para jovens do Ensino Fundamental”. Ao todo, a Fundação recebeu cerca de 3 mil projetos, para dez prêmios finais das mais diversas áreas de ensino.
Esta não foi a primeira vez que Ailton colocou em prática formas diferentes de aula. No ano passado, quando precisou ensinar epidemias que ocorreram no país no início do século XX, mapeou com os alunos quais eram as principais doenças agravadas por falta de higiene na região. Após o trabalho com os alunos, convidou funcionários da prefeitura para serem entrevistados pelos alunos, para que aprendessem mais sobre a profilaxia das doenças. Ao fim do projeto, realizaram uma campanha de conscientização que se estendeu por toda a região.

Civilização dos bichos
Ao reforçar a importância de se estudar os animais na nossa história, Mary Del Priore faz um retrospecto sobre como os bichos estão presentes na nossa vida de hoje - e de ontem. "Os animais passaram séculos sem aproximar-se dos homens. Mas, estes, desde que estão sobre a face da terra, não vivem sem os animais. Inimigos ou aliados, a dupla prosperou, as relações foram se modificando e encheram tratados de caça, manuais de agricultura, textos sagrados, livros de cozinha, história da arte, publicidade e até nossa linguagem cotidiana, encontra-se cheia de referencias aos animais: 'Fulano é burro', 'bonzinho como um carneirinho', 'ruim como uma cobra'..."
E acrescenta ainda que "sua presença nas mentalidades, no folclores e na mitologia descreve sua domesticação ou o cotidiano em liberdade e encheram de sonhos e terrores as noites de nosso antepassados. Quem não temia o 'lobo mau'? A zoologia é uma das mais antigas ciências e remonta ao tempo de Aristóteles ou de Heródoto, quando o homem já era um observador competente e perspicaz da vida animal. Chineses e indianos também deixaram sumas sobre o tema. Todos sempre preocupados em separar selvagens e domésticos, contando suas histórias respectivas. Rompendo com o método tradicional de descrição dos animais e suas vidas, bem como da preocupação de classificá-los por sua utilidade e função, a zoologia recente se constituiu em algo mais complexo. Trata-se de uma ciência da vida. Fundamentada em amplos conhecimentos de física, química e até matemática e associada a observações e experiências provocadas, os zoólogos passaram a se interessar menos pela história dos animais e mais pelos resultados da convivência entre homens e bichos".


Para inglês pesquisar


Vasto material sobre o Brasil na British Library inclui documentos inéditos e mostra que o interesse britânico pela nossa História vem de longa data

Ronaldo Pelli

Na gravura inglesa de 1849, navio negreiro brasileiro é interceptado por embarcação inglesa no Atlântico
Na gravura inglesa de 1849, navio negreiro brasileiro é interceptado por embarcação inglesa no Atlântico >>>>

Dois Pedros I. O primeiro está sentido, machucado, confuso. O pedaço de papel ordinário data de 22 de maio de 1828, pouco depois da morte da sua primeira esposa, a imperatriz Leopoldina. A letra é trêmula, nervosa, quase indecifrável – mesmo para paleógrafos. Pede à marquesa de Santos que saia da cidade. Explica que é pelo “bem do meu negócio do casamento”, do novo, em vista. Seu raciocínio, assim como a caligrafia, não é claro. Roga que ela “não ouça conselhos” de quem quer “a perdição”, que “faça o que lhe digo pois lhe falo sério e como quem lhe [tem] amizade e lhe tem [indecifrável] afeição”.
O outro, de cerca de um ano mais tarde, é um Pedro seguro, diplomata, estadista. Mas ainda assim emotivo, destilando uma raiva latente a cada parágrafo. Tenta convencer seu interlocutor por meio de argumentos cordiais, em vez de usar a razão, cartesiana. A letra é claríssima, calma. O tom, quase fraterno. Uma conversa entre amigos – entre “irmão e primo”, como nota o cabeçalho. Desta vez, o papel é oficial, a carta ainda conserva a cera do selo real. É dirigida a “sua magestade el rey da Gram-Bretanha e Irlanda do Norte”. Pedro quer a ajuda de George IV para resolver o imbróglio em Portugal. Ele abdicara do trono em favor de sua filha Maria II, mas, como se sabe, Miguel, irmão de Pedro, achou melhor continuar no poder, recusando-se a “publicar e cumprir o meu real decreto de 3 de março de 1828, pelo qual ordenei que aquele reino fosse governado em nome de minha muito amada e querida filha”.
Ambas as cartas se encontram no arquivo da British Library, a biblioteca nacional britânica, que guarda inúmeros documentos sobre o Brasil. Há papéis e mais papéis sobre diversos momentos de nossa História em que os ingleses tiveram participação direta ou indireta. A vinda da família real portuguesa para o Brasil. A Independência. O tráfico negreiro. A Lei Aberdeen. A questão Christie. E outros menos óbvios, como uma série de documentos chamados de British Guiana Papers, que abordam a Amazônia no início do século XVII.
“Em geral, está havendo um aumento do interesse sobre o Brasil ao redor do mundo recentemente”, explica a curadora da British Library para a América Latina, Elizabeth Cooper, opinião compartilhada pelo professor Mark Sabine, do Departamento de Estudos Portugueses, Espanhóis e América Latina da Universidade de Nottingham. “A coleção brasileira na BL está entre as melhores disponíveis para os pesquisadores na Europa, e é uma fonte de importância global”, opina.
Voltando às duas missivas do nosso primeiro imperador, a BL guarda também uma resposta da marquesa, sem data nem assinatura, escrita numa letra menos bonita, mas bem mais fácil de se entender, talvez demonstrando que a pessoa que a escreveu, apesar de menos educada, estava mais calma no momento de sua elaboração. Ela diz que recebeu “a carta de S. V. M. e não respondi logo como devia por conta de uma grande dor de cabeça que me acompanhava”. Em seguida, aceita se mudar, com uma única condição: que “V. M. que me dê outra propriedade igual em tudo a que deixo”. Logo após essa troca de correspondência, Domitila de Castro iria embora da corte e Pedro I se casaria pela segunda vez.
segunda carta – desconhecida da maioria dos pesquisadores do período – teve destino ainda mais curioso: jamais foi entregue a George IV. Seu portador, D. Thomas Mascarenhas, era camareiro-mor de D. Maria da Glória, filha de Pedro I, aquela que deveria, segundo o pai, estar no trono de Portugal. Mascarenhas é chamado no texto de apresentação do documento de “ministro plenipotenciário não-oficial”, fato que motivou o embarreiramento da correspondência.
Lord Aberdeen, político inglês que deu nome ao ato que proibiu o comércio de escravos na região em 1845
Lord Aberdeen, político inglês que deu nome ao ato que proibiu o comércio de escravos na região em 1845
“Qualquer que sejam meus sentimentos de efeito pessoal, eu acredito, senhor, que você admitirá que seria contrário a toda a questão […] diplomática se eu fosse submetê-la à sua Majestade o conteúdo de tal carta. Considerando ainda que ela foi apresentada por um cavalheiro, a quem em resposta à minha questão, já me informou que ele não foi designado por sua Majestade para este ou outro qualquer propósito”, escreve George Hamilton-Gordon, o quarto conde de Aberdeen, em uma carta para o senhor Mascarenhas, datada de 19 de março de 1830.
Hoje, a carta e sua resposta negativa constam de um arquivo imenso chamado de Aberdeen Papers, que reúne grande material de Lord Aberdeen, duas vezes secretário do Exterior [Foreign Secretary], um dos postos mais importantes no sistema parlamentar britânico. A primeira foi no governo do duque de Wellington, entre 1828 e 1830, e por isso foi o caminho escolhido para a carta chegar ao rei inglês.
A coleção Aberdeen papers inclui também um grande volume dedicado exclusivamente à questão do tráfico de escravos. Entre os numerosos papéis reunidos, há um memorando do gabinete do Parlamento, de 3 de julho de 1845, referente ao projeto de lei sobre o tráfico de escravos no Brasil que ficou conhecida entre nós como Aberdeen Act. No alto, está escrito “Confidential”.
O projeto de lei começa contextualizando historicamente a questão. Diz que, desde 1810, a Grã-Bretanha tenta, na época com Portugal, abolir o tráfico de seres humanos pelo Atlântico. Mostra que, em 1817, um tratado permitia que navios de uma nação abordassem os da outra e os conduzisse a tribunais mistos, formados por portugueses e britânicos, estabelecidos na colônia inglesa de Serra Leoa, na África, ou no Rio de Janeiro. Também ficou acordado que, após o fim oficial do tráfico, essa legislação valeria por 15 anos. O texto do memorando deixa bem claro que, ao se separar de Portugal, o Brasil continuou seguindo os tratados firmados anteriormente sobre essa questão.
O documento demonstra as jogadas armadas pela nossa diplomacia para evitar que os navios brasileiros que transportavam africanos destinados a se tornarem escravos fossem abordados pelos britânicos e levados ao tal tribunal. São manobras que conseguem postergar a decisão final da abolição, causando crescente insatisfação entre os ingleses.
Em 1830, quando chega a data marcada para o fim do tráfico, o memorando afirma que o Brasil pediu à Grã-Bretanha que acabasse com as comissões de Serra Leoa e do Rio. Como oficialmente o tráfico não existia mais, e como o comércio de escravos no Brasil tinha se tornado ilegal, não havia necessidade daquele tribunal para julgar os eventuais navios negreiros. Os tribunais comuns poderiam tomar conta do caso. A Grã-Bretanha recusou, claro.
A questão explodiu 15 anos mais tarde, quando os britânicos descobriram que, bem, o tráfico de escravos para o Brasil não tinha acabado. Havia variações de ano para ano, mas, segundo os cálculos de um ministro dos Estados Unidos no Rio, citado no memorando, cerca de 30.000 escravos foram importados no ano de 1844.
No último parágrafo, eles informam que era com pesar que notificavam os brasileiros, mas que a convenção assinada quase duas décadas antes deveria vigorar. Caso contrário, que o governo brasileiro sinalizasse com uma convenção calculando quando poderia acabar realmente com a questão. Assim, Sua Majestade britânica poderia reverter o ato em favor do Brasil, em vez de tomar uma decisão unilateral, como ela então se via “forçada”a fazer. Um final totalmente inglês para uma questão que vinha sendo levada de modo bem brasileiro.
Em seguida, na coleção de papéis, vem o famoso “Ato que leva para a execução a convenção entre sua majestade e o imperador do Brasil [D. Pedro II], para a regulação e a abolição final do tráfico de escravos africanos”, de 8 de agosto de 1845, em dois formatos. Ficou mais conhecido como Bill Aberdeen.
Ao vasculhar os documentos, é curioso perceber que nem sempre a diplomacia britânica agiu com “pesar” em prol dos seus interesses. Nos Dropmore Papers, datados de 1805 até antes de 25 de junho de 1806 – que estão entre os preferidos da curadora Elizabeth Cooper – temos contato com o esquema do transporte da família real portuguesa para o Brasil, e o envio de força militar para assistir à emancipação da América do Sul, abrindo a região para o comércio britânico – como explica, sem meias palavras, o resumo da própria biblioteca. Uma das condições para a ajuda no transporte da família real? A abertura dos portos às nações amigas, providência que o príncipe D. João toma antes mesmo de chegar ao Rio de Janeiro, em sua primeira parada brasileira, na Bahia.
Está claro que o interesse dos ingleses pelo Brasil não é fenômeno recente.
Ronaldo Pelli é jornalista e editor do blog Conto no Canto.

Historiadora holandesa sobrepõe imagens da Segunda Guerra a fotos atuais


Flickr/Jo Teeuwisse
Historiadora holandesa Jo Teeuwisse quer que o projeto vire um livro ou uma exposição

Visitar um local histórico e tentar imaginar o cenário da época é um exercício de criatividade. Às vezes é difícil crer que aquela rua limpa e arborizada já foi um enorme campo de batalha. Foi pensando nisso que a historiadora holandesa Jo Teeuwisse montou o projeto “Ghosts of History” (Fantasmas da História), mostrando que o passado pode estar mais perto do que muita gente imagina.

Teeuwisse fez montagens de fotos antigas tiradas na Europa, geralmente durante a Segunda Guerra Mundial, sobrepondo os personagens em fotos atuais nos mesmo locais em que eles apareciam. O efeito transparente dá a impressão de que fantasmas do passado continuam nas ruas.

Flickr/Jo Teeuwisse
Objetivo do projeto é fazer com que as pessoas conheçam a história do local onde vivem e pensem sobre as guerras

“Fiz as fotos por curiosidade e por causa da minha paixão por história, mas também para fazer as pessoas perceberem o contexto histórico de onde vivem. É importante pensarmos sobre a guerra”, explicou Teeuwisse em entrevista ao Opera Mundi

Tudo começou quando a historiadora encontrou cerca de 300 fotografias antigas de Amsterdã em um mercado de pulgas da capital holandesa. Ela decidiu fazer montagens só para ver como ficava, já que conhecia bem a cidade e podia reconhecer as ruas. Satisfeira com o resultado, procurou fotos de outros países para continuar o trabalho. Ela pediu ajuda na internet para reconhecer cada local e algumas pessoas mandaram fotos atuais das localizações. Aos poucos Teeuwisse foi montando um grande portifólio que pode ser visto em sua página do Flickr.

A historiadora ficou surpresa com a repercussão de seu trabalho: “Estou sobrecarregada com toda essa atenção - ando muito, muito, muito ocupada!”, disse Teeuwise. “Fico bastante feliz com isso, claro, pois significa que muitas pessoas tiraram um momento de seu dia para pensar na guerra e em toda a história que os cerca”, concluiu.

Teeuwise tem planos de continuar com as montagens para um dia publicá-las em um livro ou fazer uma exposição.

Flickr/Jo Teeuwisse
Projeto começou com imagens de Amsterdã, mas já tem fotos de outras cidades e países, como a França.

Fonte: Opera Mundi

terça-feira, 30 de outubro de 2012

CICLO DE EVENTOS: HISTORIADOR – PERFIS PROFISSIONAIS


A ANPUH-Brasil vem propor, como parte da agenda de discussões sobre a profissionalização do Historiador, o "Ciclo de Eventos: Historiador - Perfis Profissionais", o qual busca instigar o debate e desenhar um perfil do profissonal de História que atua fora do âmbito do ensino.  O primeiro evento tratará dos historiadores que atuam em arquivos, o que lhes compete, quais são suas funções, a formação de que necessitam, a importância de sua presença, enfim, qual é o seu espaço neste terreno profissional.
"O perfil profissional dos historiadores atuantes em Arquivos" ocorrerá nos dias 6 e 7 de dezembro, no Arquivo Público do Estado de São Paulo. Contará, no primeiro dia, com uma mesa de abertura seguida de debate sobre o tema geral do evento. No dia seguinte, cinco grupos de trabalho discutirão aspectos específicos da questão:
  • A formação do historiador para atuar em arquivos
  • Os historiadores e a difusão cultural em arquivos
  • Os historiadores e a gestão documental
  • A pesquisa feita por historiadores que trabalham em arquivos
  • Os historiadores e o atendimento aos consulentes
A ANPUH-Brasil partirá dessa discussão para elaborar um documento sobre o perfil profissional dos historiadores atuantes em arquivos que servirá de base à política da entidade nesta área.
Programação aqui.
Incrições gratuitas aqui: http://www.anpuh.org/perfisprofissionais/

domingo, 28 de outubro de 2012

Jango foi envenenado pela Operação Condor, revela ex-agente secreto uruguaio

Em entrevista à EBC, Mario Neira Barreto dá detalhes de como remédios do presidente deposto foram adulterados

O ex-presidente brasileiro João Goulart (1961-1964) morreu, segundo a versão oficial, de um ataque cardíaco em 6 de dezembro de 1976 no município de Corrientes, na Argentina. No entanto, as suspeitas de que Jango, como era popularmente conhecido, tivesse sido morto por agentes da Operação Condor sempre foram levantadas por amigos, familiares e especialistas.

Em recente entrevista à EBC (Empresa Brasil de Comunicação), o ex-agente do serviço secreto uruguaio Mario Neira Barreto forneceu detalhes da operação que teria resultado na morte de Goulart. Segundo sua versão, o ex-presidente brasileiro deposto pelo regime militar teria sido morto por envenenamento. Segundo Neira, Jango era considerado uma ameaça pelos militares brasileiros, já que organizava planos para a democratização brasileira.



Em 2008, ele já havia revelado ao jornal Folha de S. Paulo que Jango havia sido morto a pedido de Sérgio Paranhos Fleury, na época delegado do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) de São Paulo, com a autorização do então presidente Ernesto Geisel (1974-1979).

A Operação Condor foi uma aliança política entre os regimes ditatoriais da América do Sul durante os anos 1960  para reprimir opositores e eliminar seus líderes. Segundo a EBC, mesmo destituído, Jango era monitorado por agentes no Uruguai, onde se encontrava exilado.

Wikimedia Commons
A família de Goulart nunca autorizou uma autópsia. Com base no depoimento de Neira, a família de João Goulart pediu uma investigação ao MPF (Ministério Público Federal). Mas o processo foi arquivado pela Justiça por ter prescrito.

Leia abaixo a transcrição da entrevista de Neira, que está preso desde 2003 na Penintenciária de Charqueada,  no Rio Grande do Sul, por contrabando de armas:

“Passei três anos gravando coisas do Jango, pensando em roubar a fazenda dele,o ouro que ele guardava. Mas então eu sou um ladrão fracassado. Por quê? Eu não roubei nada dele, como ladrão ou bandido eu não me dei bem. Foi uma operação muito prolongada que, no princípio, a gente não sabia que tinha como objetivo a morte do presidente Goulart”.

“Por que o Jango foi o perigo de toda essa história e foi decidida sua morte? Porque o Jango era perigoso por aquele jogo de cintura. Era um político que se aliava a qualquer um para conseguir o objetivo de levar o Brasil novamente a uma democracia”.

“Jango era o pivô porque forneceria as passagens, iria aos Estados Unidos e voltaria com toda aquela imprensa a Brasília, [passando] primeiro em Assunção, onde seria o conclave, a reunião de todas  as facções políticas do Brasil que se encontravam dispersos e exilados, e ele faria possível essa reunião”.

“Não era bom para o Brasil...não era bom para os militares, para a ditadura. Daí que fpi decidido que o Jango deveria morrer”.
“Primeiro se pensou em um veneno. Os remédios [que Goulart tomava por sofrer do coração] viriam da França, foram recebidos na recepção do hotel Liberty. Foi uma araponga que foi colocada nesse hotel, porque os remédios ficavam numa caixa forte verde. Então o empregado (infiltrado) começou a trabalhar e forneceu um lote com várias caixas de comprimido, ele não comprava uma, comprava um lote. Em cada caixa foi colocado um, apenas um comprimido com um composto. Não era um veneno, mas causaria uma parada cardíaca. Eu acho que o veneno coincidentemente, ele tomou aquela noite. Tanto o relato de Dona Maria Teresa (Fontela Goulart, viúva) quanto do capataz da fazenda é que os sintomas que eles relatam encaixam o que acontece. A pressão sobe, baixa constrição dos capilares, ele tem uma morte rápida., tomou o comprimido e já começou a se debater e, em dois minutos, morreu”.

Fonte: Opera Mundi

Memórias do AHR: 10 anos da derrubada do Muro de Berlin



Algum momento, julgamento?

Sábado, 27/10/2012 às 05:43, por Arquivo Histórico Regional

Com a manchete de “10 anos da queda do muro de Berlim: Hoje, outros muros se levantam”, o jornal mensal Folha da História de Porto Alegre rememora com pesares este acontecimento histórico marcante, não só para a Alemanha, mas para o mundo. O jornal possui a intenção de informar e formar o leitor num âmbito sociocultural. Seus artigos e reportagens têm como autores professores e acadêmicos do curso de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e iniciou sua circulação em 1996. No Arquivo Histórico Regional encontra-se um pequeno número de exemplares deste, englobando os anos de 1996 a 2000.

O periódico mensal apresentava uma leitura marxista de Historia. Abordando principalmente fatos históricos, cada edição com temática especifica, baseando-se na história comparada. Em novembro de 1999 a Folha da História destacou a queda do muro de Berlim para analisar as rupturas e os desdobramentos ocorridos desde aquela época, sobretudo a partir do fim da experiência do “socialismo real” da União Soviética.

Extremamente crítico à implantação do capitalismo, seus artigos atacam o profundo quadro de desestabilização e fragilidade da população da Europa Central. Trazendo dados da UNICEF (publicados na obra Geração perigo) que afirmava que “o desaparecimento da URSS foi o declive econômico mais drástico da história recente, o apoio do estado que proporcionava condições básicas ao cidadão simplesmente desapareceu”. Além disso, o texto aponta problemas infraestruturais de saúde e educação naquela região, com a implantação de um novo regime. Apesar de contundente e bem referenciado, a discussão apresentada não deixa muito claro se realmente o antigo sistema era mais estável.

No segmento cultural, reservado ao cinema, é caracterizada a guerra ideológica travada nos longas feitos no lado ocidental em plena guerra fria. Sem nenhum interesse em sutilezas os filmes eram feitos como veículos de convencimento político descarado, sendo caricaturas, construíram os estereótipos do herói americano e do vilão russo. Atualmente, pela opinião do autor Nilo André Piana de Castro (então licenciado em história pela UFRGS), estes são os muros invisíveis feitos pela cultura de massa do capitalismo que impede uma melhor observação dos fatos.
Em 1999, vários discursos oficiais e noticias celebraram os 10 anos da destruição do muro de Berlim como um momento de alegria para a Alemanha, como uma celebração da unidade do país. Todavia, analisar e refletir sobre as datas comemorativas pode também significar um momento de redefinição ou afirmação de conceitos, ideias e avaliações sobre o passado e o presente e da própria construção de sentidos e de identidades. E hoje, o que pode representar para nos, o fato ocorrido há 177 anos, naquele 20 de setembro tão importante para nossa cultura?
      
Pedro Alcides Trindade de Mello
Graduando em História pela UPF
Fonte: Acervo AHR

Arquivo Histórico Regional – UPF
R. Paissandu, 1576 – Centro
Fone: 3316 8516   –   e-mail: ahr@upf.br   –   site: www.upf.br/ahr      
Doações de documentos são recebidas o ano inteiro.

1922: Chega ao fim a Marcha sobre Roma


A 28 de outubro de 1922, a Marcha sobre Roma, liderada por Benito Mussolini, chegou ao fim, marcando o início do regime fascista na Itália.
Mussolini, primeiro-ministro italiano, em 1932
Tais "marchas sobre Roma" já haviam ocorrido diversas vezes na história da cidade, como por exemplo no ano 43, quando Otávio seguiu em direção à capital do Império Romano com o objetivo de forçar sua nomeação ao posto de cônsul.
A principal marcha da história do país, no entanto, foi conduzida pelo guerrilheiro republicano Giuseppe Garibaldi, tendo levado à unificação italiana no século 19. Foi exatamente essa marcha que serviu de inspiração para Benito Mussolini.
Em 1923, Mussolini foi imitado na Alemanha por Adolf Hitler, que tentou organizar uma marcha de Munique a Berlim, com o intuito de tomar o poder. Sua tentativa terminou, porém, poucas horas depois de ser iniciada, tendo levado o simples nome de Marcha para oFeldherrenhalle (o panteão dos heróis nacionais alemães, em Munique). Apesar do fracasso, Hitler pelo menos participou pessoalmente da marcha, o que Mussolini não podia afirmar de si próprio.
Nos anos que sucederam à Primeira Guerra Mundial, a Itália era dominada por relações políticas tão caóticas quanto as observadas na Alemanha na mesma época, durante a República de Weimar. Nem a Alemanha nem a Itália tinham tradição democrática e, assim, foi possível que principalmente partidos políticos radicais e agitadores ideológicos de linhas políticas marginais acabassem tirando proveito da confusão geral.
Um desses agitadores da extrema direita foi Benito Mussolini, professor primário e jornalista, oriundo da região da Emilia Romana. Sem qualquer ideologia política consistente, Mussolini e seu movimento fascista logravam despertar os sentimentos de seus compatriotas, ansiosos por uma liderança e pelo ideal de grandeza em tempos de insegurança.
26 mil de prontidão
O fato de o movimento fascista não contar com bons prognósticos nas eleições democráticas não perturbava o antidemocrata Mussolini. Ele se via mais como um "homem de ações" e dava preferência de qualquer maneira a outras formas de chegar ao poder.
No dia 16 de outubro de 1922, Mussolini delegou aos seus adeptos de Vecchi, de Bono, Balbo e Bianchi a tarefa de atacar Roma quando ele ordenasse. Para isso, Mussolini colocou à disposição dos quatro comandantes 26 mil combatentes, que ficaram em prontidão diante da cidade.
Mussolini ameaçou então o rei – que governava sob um regime constitucional – de fazer uso de meios militares, caso suas exigências não fossem cumpridas. No dia 24 de outubro de 1922, Mussolini anunciou: "Ou o governo é transferido para nossas mãos, ou nós tomamos o poder através de um ataque a Roma. Isso é agora uma questão de dias, talvez de horas".
De Roma não houve, de início, nenhuma resposta. O governo, que se reuniu pela última vez no dia 28 de outubro, estava ainda decidido a resistir às ameaças. Incumbido de defender Roma, o general Pugliese negou-se, no entanto, a seguir as ordens do rei. No mesmo dia, o rei Vittorio Emanuele dissolveu o governo e delegou ao liberal de direita Salanda a formação de um novo gabinete. As expectativas do rei eram de que Salanda convocasse Mussolini para fazer parte de seu governo e evitasse, com isso, o golpe de Estado.
De Milão, Mussolini comunicou ao rei não estar de forma alguma disposto a participar de um governo liberal. O desprezo do líder fascista pelo liberalismo pode ser constatado em seu texto Poder e Adesão: "Para a destemida, inquieta e crua juventude, há outras palavras que exercem uma fascinação muito maior, e estas são ordem, hierarquia e disciplina. Esse pobre liberalismo italiano, que suspira e luta por uma liberdade maior, é de certa forma tardio. O fascismo não se acanha hoje de autodenominar-se de não-liberal e antiliberal".
Mussolini foi de trem
A rejeição de sua proposta por Mussolini e a ameaça que ainda pairava no ar de que tropas fascistas pudessem marchar sobre Roma fizeram com que o rei cedesse. No dia 29 de outubro de 1922, Vittorio Emanuele convocou Benito Mussolini a formar um governo fascista. Nos dois dias que se seguiram, os homens de prontidão foram postos em marcha para Roma, onde chegaram sob chuvas torrenciais. Oduce só tomou um trem em Milão, com destino a Roma, na noite de 29 de outubro. Ele chegou confortavelmente, descansado e seco à capital italiana na manhã do dia 30.
A Marcha sobre Roma e suas circunstâncias foram polêmicas, mas ela pôde ser muito utilizada pelo governo fascista como propaganda. Mussolini ocultou da opinião pública que, para ele, a marcha só começara na noite de 29 de outubro, dentro de um confortável vagão-leito. Ao contrário, Mussolini falou seguidas vezes da sua "revolução italiana", afirmando que três mil "mártires" haviam sido mortos durante um conflito que na verdade nunca aconteceu.
Num aspecto, o departamento de propaganda do governo fascista falhou por completo. A tentativa de implantar um novo calendário na Itália foi fadada ao fracasso. Nesse calendário, estava planejado colocar "o primeiro dia do ano zero" como o dia em que a Marcha sobre Roma teria supostamente ocorrido: 28 de outubro de 1922.
Fonte: DW-World

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Último dia para inscrição PIBID - Edital 11/2012



EDITAL DE AMPLIAÇÃO 
PIBID/CAPES/UPF nº 11/2012
BOLSAS PARA LICENCIATURA
coordenação institucional do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID/CAPES/UPF) comunica aos acadêmicos do curso de História da Universidade de Passo Fundo que estão abertas inscrições para candidatura à bolsa de iniciação à docência no período de 22 a 29 de outubro, referentes ao edital de ampliação do PIBID nº 11/2012, conforme as informações que seguem:
2 vagas para preenchimento imediato;
Vagas para suplência, com possibilidade de homologação no prazo de um ano.
2 Poderão candidatar-se os acadêmicos regularmente matriculados/as nas licenciaturas anteriormente nomeadas, que estejam cursando qualquer um dos níveis, desde que declarem que não colarão grau nos próximos 12 meses.
3 Os acadêmicos selecionados  receberão uma bolsa mensal no valor de R$ 400,00 (quatrocentos reais), devendo disponibilizar, em contrapartida, 20 (vinte) horas semanais de trabalho para o Programa, em horários diferentes do turno regular do curso.
4 As atividades envolvem estudos, investigações e intervenções pedagógicas na área de atuação do licenciando, a serem desenvolvidas tanto no espaço universitário quanto no espaço escolar.
5 O processo de seleção dos licenciandos bolsistas será realizado com base em entrevista e análise dos seguintes documentos fornecidos pelos acadêmicos candidatos à bolsa:
5.1 Ficha de Inscrição, a ser acessada pelo seguinte endereço: (http://www.upf.br/sap/download/Ficha_de_inscricao_licenciandos.doc)
5.2  Termo de compromisso do/a acadêmico/a, conforme modelo institucional, a ser acessado pelo seguinte endereço:
5.3  Declaração de que não colará grau nos próximos 12 (doze) meses.
5.4 Declaração de motivos e disponibilidade para participar do programa, com justificativa de interesse em atuar futuramente em escolas públicas.
5.5 Rascunho do Boletim de Desempenho Acadêmico.
5.6 Currículo demonstrando participação em eventos, congressos e simpósios; atividades de monitoria e/ou tutoria na universidade; participação em projetos de extensão, de ensino e/ou pesquisa, dentre outros.
6 A documentação deverá ser protocolada na Central de Atendimento ao Aluno e endereçada para a coordenação de área do PIBID do curso de História, Profª Gizele Zanotto (ATENÇÃO: favor enviar email a professora informando a data de encaminhamento da documentação e o número do processo aberto na Central de Atendimento – gizele@upf.br).
7 A seleção será realizada por uma comissão composta pela coordenação da área do PIBID/CAPES/UPF e um professor integrante do colegiado do curso. As entrevistas com os candidatos inscritos serão realizadas no dia 30 de outubro (a partir das 18 horas).
8 Todas as informações relativas ao Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência PIBID/CAPES/UPF estão disponíveis no sítio da CAPEShttp://www.capes.gov.br/educacao-basica/capespibid e portal do PIBID-UPFwww.upf.br/pibid.

10 A divulgação dos acadêmicos selecionados será publicada no blog do curso de História (www.historiaupf.blogspot.com) e no Portal do PIBID-UPF no dia 01 de novembro.

Passo Fundo, 17 de outubro de 2012.

                    
Profª Marlete Sandra Diedrich
Coordenadora Institucional do PIBID/CAPES/UPF

Brasil ajudou a negociar crise dos mísseis em 1962, mostram documentos secretos dos EUA


Reprodução/ National Security Archive
Documento secreto do Departamento de Estado dos EUA mostra estratégia de pedir ajuda ao governo brasileiro na negociação com Cuba

Organizações norte-americanas divulgaram documentos, até então secretos, relacionados à atuação da Casa Branca e de outros governos, incluindo o brasileiro, durante a Crise dos Mísseis em 1962 em plena Guerra Fria.

A crise política entre Estados Unidos, União Soviética e Cuba teve início no dia 14 de outubro quando uma aeronave espiã norte-americana descobriu a presença de mísseis atômicos soviéticos na ilha, a quase 300 quilômetros de Miami. A Casa Branca queria evitar a todo custo esta situação e por alguns dias, as superpotências ficaram na iminência da guerra nuclear.

WikiCommons
Entre as 3 mil páginas publicadas pelo Arquivo de Segurança Nacional nesta sexta-feira (13/10), constam informações sobre a participação do Brasil em um esforço diplomático secreto para intermediar a solução do impasse. O governo de João Goulart, próximo e solidário a Cuba, enviou uma mensagem do então presidente dos EUA, John F. Kennedy, para Fidel Castro.

Segundo o documento do dia 25 de outubro, os EUA davam duas opções ao revolucionário cubano: “a queda de seu governo e no pior dos casos, a destruição física de Cuba” ou “garantias de que não vamos tentar derrubar o seu regime”.

(Fotografias tiradas de aeronave norte-americana mostram os projéteis nucleares soviéticos em Cuba)

Para essa segunda opção, Kennedy exigia que Castro expulsasse tanto os mísseis quanto os soviéticos de seu país. De acordo com o texto, “muitas mudanças nas relações entre Cuba e a OEA (Organização dos Estados Americanos), incluindo os Estados Unidos, iriam acontecer”.

O Departamento de Estado dos EUA ainda instruía os brasileiros para levar o recado de forma secreta, sem mencionar que vinha diretamente das autoridades norte-americanas. A opção de recorrer ao Brasil aparece como uma das tentativas de negociação antes da possível (e iminente) guerra nuclear.

Os documentos revelados reiteram a versão dos arquivos brasileiros sobre a participação do governo de Jango na Crise dos Mísseis, que foram divulgados pelo governo em 2004 e se encontram em acervo em Brasília. Os textos foram utilizados na pesquisa do historiador James Hershberg, da Universidade George Washington.  

Segundo apuração de reportagem especial do Estado de São Paulo dos 50 anos do episódio, o portador da mensagem não foi o embaixador brasileiro em Cuba (como previa o documento), mas o chefe da Casa Militar de Jango, o general Albino.

O militar brasileiro – conhecido pela sua simpatia ao governo socialista cubano – tentou negociar com Castro, mas o revolucionário colocou como condição para um acordo com os EUA a devolução da base de Guantánamo. Enquanto isso, a Casa Branca e a União Soviética, liderada por Nikita Khruchev, entraram em acordo “à revelia de Fidel”, informou o Estado de São Paulo.

A União Soviética concordou em retirar os mísseis de Cuba em troca de garantias de que os EUA não invadiriam a ilha e também moveriam os seus projeteis nucleares da Turquia e do sul da Itália.

"Uma palavra explica a decisão de Kennedy de recorrer ao Brasil: desespero. Os EUA discutiam várias opções e uma delas era essa mensagem via governo brasileiro", explicou Hershberg ao Estado de São Paulo.

Para mais informações, clique aqui.
Fonte: Opera Mundi

Ciganos mortos no Holocausto recebem homenagem na Alemanha


Agência Efe (24/10)
Autoridades alemãs e sobreviventes do Holocausto participam de cerimônia de inauguração de memorial em homenagem aos ciganos mortos pelo regime nazista

As autoridades alemãs inauguraram nesta quarta-feira (24/10) o primeiro memorial em homenagem aos milhares de ciganos perseguidos e mortos pelo regime nazista de Adolf Hitler na capital alemã. Estima-se que de 220 a 500 mil membros da comunidade cigana foram executados no Holocausto.

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente do país, Joachim Gauck, se uniram a cem ciganos sobreviventes do massacre na cerimonia de abertura. Uma flor foi erguida em um pedestal triangular no meio da piscina circular e os presentes fizeram dois minutos de silêncio em memória das vítimas.

“Para mim, é muito importante que nós tenhamos uma cultura da lembrança”, afirmou Merkel segundo a rede britânica BBC. “Todas as gerações devem confrontar a sua própria história. E, para isso, nós devemos ter espaços adequados para as pessoas irem, no futuro, quando as testemunhas daquele tempo não estiverem mais vivas”.

O poema "Auschwitz" escrito pelo poeta italiano Santino Spinelli está cravado em torno da borda da piscina e a cronologia do regime nazista exposta em suas cercanias. O memorial, localizado no parque Tiergarten próximo ao parlamento alemão, foi construído depois de anos de discussão sobre seu custo e projeto arquitetônico.

Merkel recordou que a homenagem aos judeus assassinados por Hitler também levou anos para sair do papel e justificou a demora do governo alemão.

A inauguração vem no mesmo dia em que jornais alemães acusam o ministro do Interior, Hans-Peter Friedrich, de discriminar os ciganos e dificultar a entrada de imigrantes, mesmo como refugiados, no país.  Organizações de direitos humanos, jornalistas e ciganos aproveitaram a oportunidade para denunciar o preconceito que os ciganos ainda enfrentam no país.

“A abertura do memorial manda uma importante mensagem para a sociedade de que sentimento contra ciganos é tão inaceitável quanto o antissemitismo”, afirmou Romani Rose, líder da comunidade na Alemanha.

“Apesar de o memorial reconhecer finalmente o genocídio nazista dos ciganos na Europa, ele não mostra uma solução para o dilema da exclusão e segregação que as gerações futuras dos ciganos enfrenta”, analisa o jornal alemão Der Tagesspiegel.

Fonte: Opera Mundi

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Vem aí: Momento Patrimônio - Conflitos


Um instituto voltado para a reflexão, a pesquisa e a formação



O Instituto de Estudos Políticos, Econômicos e Sociais Caio Prado Jr. (ICP) é um centro de estudos, pesquisas, reflexão e ação educacional. Entidade civil sem fins lucrativos, reúne professores universitários, intelectuais e pesquisadores de diferentes vertentes e posições teórico-políticas, além de dirigentes sindicais e militantes políticos, todos ligados ao pensamento progressista e emancipador. O ICP, com sede em São Paulo, dedica-se ao estudo de problemas sócio-econômicos gerais, problemas do mundo do trabalho e da cultura, além de questões relacionadas à realidade brasileira nas suas dimensões locais, estaduais e internacionais, mantendo sua vocação de espaço plural de debates e formação.

Entre seus objetivos estratégicos mais específicos, pode-se destacar: 1) realizar, patrocinar ou promover pesquisas e estudos relativos a problemas que constituem objeto do conhecimento das Ciências Sociais, Históricas, Políticas e Econômicas, em suas diferentes ramificações; 2) organizar cursos de extensão, graduação e pós-graduação, bem como realizar, patrocinar ou promover conferências, seminários e encontros em geral para a consecução dos seus objetivos; 3) publicar revistas, livros e trabalhos de divulgação científica na área de atuação do Instituto, bem como os resultados das pesquisas e estudos desenvolvidos na entidade; 4) assistir tecnicamente, nas áreas das Ciências Sociais, História, Política e Econômicas e, mediante convênio, a instituições públicas e privadas por meio da realização de pesquisas, consultorias e da elaboração de projetos de interesse das organizações contratantes, desde que tal assistência esteja, por sua natureza, em conformidade com os fins, objetivos e atividades do instituto. Continuar lendo

Interação é conosco!


Venha fazer História na UPF!