sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Momento de lançamentos





Créditos :: Divulgação
Marina de Campos

A história de um povo e de um lugar pode estar aonde menos se espera: em uma grande construção ou em uma escritura, em um antigo processo judicial ou numa pilha de tijolos há muito esquecida. É o que revela, na noite desta sexta-feira, o lançamento dos livros Momento Patrimônio e Entre Justiça e Lucro no Museu Histórico Regional. A cerimônia de apresentação das duas obras à comunidade é uma oportunidade concreta de visualizar a importância da produção histórica e a sua influência nos processos de compreensão da realidade atual. Em Entre Justiça e Lucro - Rio Grande do Sul 1890-1930, a coordenadora do curso de História da UPF Ironita Machado traz uma profunda pesquisa  com base em mais de 6 mil documentos do poder judiciário relacionados à questão agrária no norte do estado. “Essa análise proporcionou uma interpretação dos conflitos de terra ocorridos neste período, o que nos dá um panorama geral daquela época. Além disso, se revela muito útil e atual, já que explica as origens de  várias consequências que vivemos ainda hoje, como esse problema não resolvido da reivindicação sobre a terra”, explica Ironita. Estão presentes na obra temas como propriedade, desapropriação, esbulho, usucapião, despejo, dívida, restituição, entre outras. “Esta obra é uma original associação entre história e direito, constituindo-se num bom exemplo de inovação”, acrescenta o professor de História da UPF Paulo Zarth na apresentação do livro.

Da TV para o papel

A noite também contará com o lançamento do livro Momento Patrimônio, resultado da primeira temporada do programa televisivo de mesmo nome. “Esta obra é fruto de um projeto de pesquisa e extensão em História iniciado pela Universidade de Passo Fundo no ano passado”, esclarece a professora. Criado com o objetivo de discutir e divulgar temas de Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental, e também propor políticas de reconhecimento, restauração e tombamento, o projeto consistiu na realização de programas mensais de rádio e televisão. A solidez e importância do material reunido teve como resultado a decisão de transformar este conhecimento em livro, numa obra estruturada em oito capítulos entrelaçados pelas temática do patrimônio, memória e histórica, educação e metodologia de ensino. “Idealizamos uma obra voltada à comunidade escolar, com caráter didático. Ao fim de cada capítulo há uma sugestão de atividade pedagógica para professores e alunos”, observa. O objetivo do livro é conscientizar desde a formação escolar a comunidade de Passo Fundo e região sobre a importância do patrimônio. Com uma abordagem multimídia e interativa, a obra vem acompanhada por um DVD contendo o material radiofônico e televisivo produzido em 2011. E a ideia é dar sequência ao projeto. “Pretendemos dar continuidade ao Momento Patrimônio em 2013. Já estamos na segunda temporada do programa de televisão, e no ano que vem a ideia é a publicação de mais um livro, desta vez seguindo um outro caminho”, conta Ironita. A proposta é trabalhar diretamente com patrimônio e focar ainda mais em uma abordagem didática. O coquetel de lançamento das obras Entre Justiça e Lucro - Rio Grande do Sul 1890-1930 e Momento Patrimônio acontece nesta sexta-feira, 31, às 19h30, no Museu Histórico Regional. Na ocasião o livro Momento Patrimônio pode ser adquirido pelo valor promocional de R$ 10, e após a data pelo valor normal de R$ 25 no curso de História ou PPGH da Universidade de Passo Fundo.




Fonte: O Nacional

Professor da Argentina ministra aula no PPGH


Durante os dias 27 à 29/08/2012 esteve ministrando Seminário Especial no PPGH, o Prof. Dr. Diego Buffa, da Universidade Nacional de Córdoba/ARG, parceiro do Programa em organização de eventos e publicações, o historiador argentino ministrou nesta ocasião o seminário Centralismo x Federalismo : um estudo sobre  a formação do Estado Nacional Argentino ( 1810-1880), que abordou a  dicotomia " civilização x barbárie " que se traduziu por muito tempo como a disputa entre dois modelos antangônicos, tanto política quanto economicamente.  A compreensão do processo de  formação  do estado nacional argentino passa pelo enfrentamento destes projetos, ao longo do século XIX. Entender este processo pelo qual os grupos dominantes se vão articulando e vão evoluindo em projetos que refletem interesses econômicos sobre os projetos políticos, permite compreender porque o processo de formação do Estado foi tão lento e traumático.

No dia 29 de agosto o doutor Diego Buffa realizou a conferência "MALVINAS : o Atlântico Sul no cenário contemporâneo"

O Historiador está organizando juntamente com o Prof. Mário Maestri,  o Dossiê da Revista História, Debates e Tendências, com o tema "Nação, nacionalismo e nacionalidades nos séculos 19, 20 e 21”

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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

INSCRIÇÕES PIBID 2012/2013



ATENÇÃO:

última chance para inscrição PIBID 2012/2013 - são 5 vagas imediatas e lista de suplência para possíveis substituições de estagiários


INSCRIÇÕES VIA PROTOCOLO NA CENTRAL DE ATENDIMENTO, até amanhã, dia 31  de agosto, com a seguinte documentação:

5.1 Ficha de Inscrição, a ser acessada pelo seguinte endereço: (http://www.upf.br/sap/download/Ficha_de_inscricao_licenciandos.doc)
5.2 Termo de compromisso do/a acadêmico/a, conforme modelo institucional, a ser acessado pelo seguinte endereço:
(http://www.upf.br/sap/download/Termo_de_compromisso_licenciandos.doc)
5.3 Declaração de que não colará grau nos próximos 12 (doze) meses.
5.4 Declaração de motivos e disponibilidade para participar do programa, com justificativa de interesse em atuar futuramente em escolas públicas.
5.5 Rascunho do Boletim de Desempenho Acadêmico.
5.6 Currículo demonstrando participação em eventos, congressos e simpósios; atividades de monitoria e/ou tutoria na universidade; participação em projetos de extensão, de ensino e/ou pesquisa, dentre outros.

LEIA O EDITAL COMPLETO

VENHA FAZER PARTE DO GRUPO PIBID
HISTÓRIA/UPF!



Mostra João Simões Lopes Neto no Museu Olívio Otto




Meio caminho andado


Hemeroteca digital da BN já está funcionando. Até agora, mais de 600 títulos de periódicos raros ou extintos estão disponíveis para consulta online


Já estão disponíveis para consulta no site “Hemeroteca Digital Brasileira”, da Fundação Biblioteca Nacional, 652 títulos de periódicos extintos ou raros da imprensa brasileira. O projeto visa colocar no ar, até o fim do ano, 10 milhões de páginas de jornais e revistas produzidos nos séculos XIX e XX.  Coleções como as do Correio da Manhã (1900-1974), A Noite (1911-1957), Gazeta de Notícias (1875-1879) estão acessíveis no portal para busca por “ordem cronológica” e “palavra-chave”, com possibilidade de impressão pelo leitor. 

A coleção centenária do Jornal do Brasil é a próxima a entrar no ar.
A ideia foi aprovada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e bancada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Os R$ 6 milhões liberados foram aplicados na compra de equipamentos de última geração para digitalização de microfilmes e de periódicos em papel e também de um servidor de 150 terabytes para o armazenamento de toda essa informação. Esse orçamento inclui ainda custos da mão de obra que irá pôr isso tudo em prática – são digitalizadas cerca de 20.000 páginas por dia – e restaurar documentos desgastados pelo tempo [saiba mais na reportagem “Para pesquisar em casa”].
Quando a primeira fase do projeto estiver concluída, a equipe vai trabalhar numa segunda etapa, que consiste na digitalização de mais títulos e na correção de eventuais problemas. Um dos contratempos é, por exemplo, a busca cronológica, que não pode ser feita tendo como ponto de partida a data de publicação do periódico. O índice inserido no banco de dados norteia a pesquisa por número de edição do impresso, dentro do ano desejado. Para encontrar a data, só abrindo o PDF. Vinícius Martins, um dos coordenadores do siteBN Digital, explica que o sistema será “refinado”. “Dado o volume de páginas do projeto no curto espaço de dois anos, cadastrar a informação da data tornaria o processo bem mais lento, mas estamos estudando uma forma de reverter isso”.
 Leia mais sobre digitalização de periódicos:

1918: Atentado contra Lenin


No dia 30 de agosto de 1918, Vladimir Lenin, líder do Partido Comunista da Rússia, foi gravemente ferido por duas balas, mas sobreviveu.
Monumento em homenagem a Lenin
Desde 7 de novembro de 1917, a Rússia era um país agitado, onde reinava o caos da guerra civil. Após o bem-sucedido golpe de Estado, Vladimir Ilitch Ulianov, apelidado Lenin, estava construindo um sistema ditatorial de governo, sob a liderança dos quadros do partido bolchevista. A oposição era reprimida de maneira radical.
Mas o entusiasmo estava arrefecendo. Além disso, reinava a guerra na Europa e parecia que os alemães iriam vencê-la também no Leste. Em 9 de fevereiro de 1918, foi assinado um tratado de paz entre a Ucrânia e a Alemanha. Aumentou a pressão sobre os bolchevistas, fazendo com que Lev Trotski, como chefe da delegação russa, anunciasse oficialmente a retirada do país da guerra, e interrompesse as negociações de paz, sem fechar um acordo.
Resistência no partido a acordo com a Alemanha
O Alto Comando do Exército alemão ordenou o prosseguimento da marcha militar em direção ao Leste. O novo governo russo, ainda instável, teve que capitular e aceitar as exigências alemãs. O tratado de paz de 3 de março, entre a Rússia e o Império Alemão, foi assinado por Lenin contra uma enorme resistência dentro do partido.
Os comunistas necessitavam de paz externa, a fim de poder impor internamente a sua sangrenta revolução. No dia 17 de julho, então, a família do czar foi eliminada, com a execução, em Iecaterinburgo, de todos os membros da casa real.
Mas apenas seis semanas mais tarde veio o grande choque para a revolução. Lenin, o líder do Partido Comunista da Rússia, tinha acabado de entrar no seu carro, após uma assembleia com os operários de uma fábrica de armamentos. Antes que o motorista pudesse dar a partida, foram disparados três tiros.
Dois deles acertaram o alvo: uma bala atingiu a omoplata esquerda, a segunda alojou-se diretamente no ombro esquerdo do líder. Lenin desmaiou e a polícia revolucionária prendeu imediatamente a suposta autora do atentado: Fanya Kaplan.
Dúvidas quanto à autoria do atentado
A anarquista ucraniana, de 30 anos de idade, havia sido condenada à pena perpétua de trabalhos forçados, em 1906, pelo atentado fracassado contra o governador da província. Ela fora anistiada após a Revolução de 1917. E acusada, pouco depois, dos disparos contra Lenin.
Trecho do protocolo do interrogatório pela polícia secreta, no dia 30 de agosto de 1918, às 23h30: "Eu me chamo Fanya Efimovna Kaplan, este é o nome sob o qual fui registrada como prisioneira do campo de trabalhos forçados de Acatua. Eu disparei hoje contra Lenin. Disparei contra ele por convicção própria. Disparei várias vezes, mas não sei quantas. Não contarei nenhum pormenor em relação à arma. Disparei contra Lenin porque o considero um traidor da Revolução e a sua existência irá destruir a crença no socialismo."
Foi uma declaração misteriosa, que ainda desperta dúvidas quanto ao papel de Kaplan no atentado contra Lenin. Pois ela parece ser apenas uma vítima voluntária. São muito estranhos os indícios que procuravam transformar a revolucionária numa assassina.
Não houve nenhuma testemunha que a tivesse visto realmente fazer os disparos. No ano de 1906, ela havia perdido inteiramente a visão, recuperando-a parcialmente seis anos depois. Mas era extremamente míope e, por isto, pouco adequada como assassina.
Dossiê médico trouxe a prova
Nas investigações feitas por Yurovski – o assassino do czar – no local do atentado contra Lenin, foram encontradas quatro cápsulas de bala, apesar de todas as testemunhas terem ouvido apenas três disparos. Também suscita desconfiança o fato de que Fanya Kaplan tenha confessado tão prontamente sua suposta culpa.
Prova cabal da sua inocência parece ser um dossiê médico do ano de 1922, quando foi retirada finalmente a bala do ombro de Lênin. Com toda certeza, o projétil não foi disparado de um revólver Browning, como o que a polícia secreta teria encontrado na bolsa de Fanya Kaplan e afirmava ser a arma do crime.
Assim, um outro boato foi espalhado desde então. O verdadeiro autor do atentado de 30 de agosto de 1918 contra Lenin teria sido um homem chamado Protopopov, chefe de uma unidade da Tcheka – a organização predecessora do serviço secreto KGB – e que estaria decepcionado com a revolução. Também ele teria sido preso no local do crime e executado no mesmo dia. Kaplan deveria acobertá-lo e, não sabendo da sua prisão, teria "confessado" o crime.
Foto de Lenin em 1918
A Tcheka também fez processo sumário contra Kaplan. No dia 4 de setembro, ela foi executada por Pavel Malkov numa garagem. Cumprindo ordens superiores, seus restos mortais foram eliminados sem deixar vestígios.
Posteriormente, no terror da era de Stalin, bastava alguém ter o sobrenome Kaplan para que vivesse sob constante ameaça de morte. E ouvia sempre a mesma pergunta: "É parente da Kaplan?"
De qualquer forma, o dia 30 de agosto de 1918 ofereceu ao líder dos bolchevistas um pretexto bem-vindo para radicalizar ainda mais a caça a todos os seus adversários. Começou então o "terror vermelho". As vítimas foram principalmente os integrantes do Partido Social Revolucionário, que tinha obtido nas eleições um resultado muito melhor do que o Partido Comunista.
Lev Trotski descreveu assim a situação daquele momento: "Curiosamente, a revolução não foi estabilizada através de uma curta fase de tranqüilidade, mas sim através da ameaça do atentado".
  • Autor Jens Teschke (am)
  • Fonte: DW-World

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Programa Mais Educação oferece oportunidade para atuação profissional

Escolas públicas de Passo Fundo e região estão participando do Programa Mais Educação, que integra as ações do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), como uma estratégia do Governo Federal para induzir a ampliação da jornada escolar e a organização curricular, na perspectiva da educação integral. Desse modo, os acadêmicos, tanto de licenciaturas quanto de bacharelados e cursos superiores de tecnologia da Universidade de Passo Fundo (UPF) podem se candidatar para ministrar as oficinas que integram a iniciativa.

As atividades, que se caracterizam como trabalho voluntário, são ressarcidas com o valor de R$ 60,00 por turma atendida, podendo chegar a R$ 300,00 mensais caso o monitor/oficineiro atenda cinco turmas, o máximo permitido por escola. Além disso, o acadêmico recebe atestado da escola, que serve para completar as 200 horas de atividades complementares necessárias para a formação. Pessoas com graduação completa também podem participar.

Da 7ª Coordenadoria Estadual de Educação (7ªCRE) são 41 escolas participantes em 2012, com atividades de diferentes campos do conhecimento. As vagas dependem de cada escola, que optou por seis atividades, no máximo. Para verificar a possibilidade de atuação, os interessados devem contatar diretamente com as escolas.

O quadro de atividades por escola pode ser conferido no anexo abaixo. Informações na Divisão de Graduação pelo telefone (54) 3316-8365.


1 - 28_vrppg_mais_educacao.pdf

1991: Proibido Partido Comunista da URSS


No dia 29 de agosto de 1991, o Soviete Supremo proibiu as atividades do Partido Comunista em toda a União Soviética. Iniciou-se uma luta pelo poder, trazendo mudanças de lideranças através de eleições livres.
Boris Ieltsin em agosto de 1991
"O que é o poder soviético? Pela primeira vez no mundo, o poder soviético está organizado entre nós, na Rússia, de tal forma que somente os operários, somente os camponeses trabalhadores – com a exclusão dos exploradores – podem formar organizações de massa: os sovietes. E a esses sovietes é dado todo o poder soviético. Esta é a razão pela qual a palavra 'soviete' é agora não apenas entendida, mas também popular e prezada em todo o mundo pelos operários, por todos os trabalhadores. E é a razão que torna o poder soviético inevitável, inexorável e que fará com que ele vença em todo o mundo, num futuro não muito longínquo…"

Foi assim que o líder e primeiro chefe do PCUS (Partido Comunista da União Soviética), Vladimir Ilitch Ulianov – apelidado Lenin –, descreveu na primavera de 1921 o sistema social da União Soviética, fundada três anos antes. No entender de Lenin, os sovietes – ou seja, conselhos – eram idênticos ao Partido Comunista da União Soviética.

O PCUS surgiu em 1903, a partir da ala majoritária bolchevique do Partido Operário Social Democrata Russo, que era liderada por Lenin. Quando os bolcheviques se impuseram, no ano revolucionário de 1917, eles deram à sua organização bem estruturada e disciplinada o nome de Partido Comunista Geral Russo.

"Acerto de contas" de Stalin

Depois da Segunda Guerra Mundial e um ano antes da morte de Stalin, ele se tornou definitivamente o Partido Comunista da União Soviética. Após a morte de Lenin em 1924, seu sucessor Stalin, obcecado pela mania de perseguição, fez um acerto de contas com os companheiros mais próximos do primeiro líder soviético, como Trotski e Sinoviev.

Stalin fez um grande expurgo no próprio partido, que custou dezenas de milhares de vidas e significou o banimento e pena de trabalhos forçados para centenas de milhares. Mas a vitória na Segunda Guerra Mundial trouxe ao partido de Stalin um aumento maciço no número de filiados.

Os sucessores de Stalin foram Nikita Krutchov e, a partir de 1964, Leonid Brejnev. Após a morte do secretário-geral Brejnev, em novembro de 1982, o comando do PCUS foi assumido inicialmente por Yuri Andropov, então chefe do serviço secreto soviético, que faleceu depois de 15 meses no poder.

Como novo chefe do Kremlin foi escolhido então o ex-chefe de gabinete de Brejnev, Konstantin Tchernenko, mas também essa era durou pouco, terminando com sua morte em março de 1985. O sucessor escolhido foi, desta vez, o membro mais jovem do politburo do PCUS, Mikhail Gorbatchov.

Temor por privilégios ameaçados

Na época da fundação por Lenin, o PCUS contava com cerca de 470 mil integrantes. Durante a era de Gorbatchov, o número total de filiados aumentou para cerca de 20 milhões. Mas também o iniciador da perestroika e da glasnost tinha a ilusão de que seria possível criar um Estado democrático com o Partido Comunista. E assim ocorreu o inevitável: os beneficiários do antigo sistema stalinista rebelaram-se ao ver ameaçados os seus privilégios.

Gorbatchov entendeu tarde demais o que o seu sucessor Boris Ieltsin já havia compreendido há muito: que a revolução sem êxito dos altos escalões tinha sido seguida por uma revolução bem sucedida nas bases. Esta manifestava-se pela ira em relação ao partido, cujo domínio durante sete décadas fora marcado por opressão, embuste, falsidade democrática e incompetência econômica. Foi o presidente russo Boris Ieltsin quem dissolveu e proibiu o PCUS, no dia 29 de agosto de 1991, poucos dias depois do fracassado golpe de Estado contra Gorbatchov.

Os cerca de 75 anos de existência do PCUS podem ser resumidos em cinco personalidades históricas: Lenin, Stalin, Krutchov, Brejnev e Gorbatchov. E foi o próprio Krutchov a constatar – durante o legendário 20º Congresso do PCUS, em 1956, quando se fez a desmitificação de Stalin – serem o comunismo e a democracia sistemas políticos que se excluem reciprocamente.
  • Autor Ewald Rose (am)
  • Fonte: DW-World

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Como entrar no mestrado em História


Carlos Fico

Volto ao tema da carreira do pesquisador (veja links para outros posts relacionados mais abaixo) atendendo a pedidos de leitores que querem dicas sobre como ser aprovado em uma seleção para um curso de mestrado em História.

Antes de mais nada, vale a pena lembrar a importância do mestrado em História. Em outras áreas do conhecimento, existe a suposição de que o mestrado perde importância, porque seria melhor preparar logo os alunos para o doutorado, até mesmo em função da carência de doutores. No caso da História, isso não faz sentido.

O historiador precisa de maturidade intelectual, de erudição, e isso demanda algum tempo. No mestrado, o graduado poderá cursar disciplinas de pós-graduação, ampliar sua carga de leituras, receber orientação individualizada, frequentar eventos acadêmicos e, sobretudo, conduzir uma pesquisa profissional. Essas atividades lhe darão experiência e o prepararão para o doutorado.

O objetivo principal do mestrado é ensinar como se faz, autonomamente, uma pesquisa histórica. Não há exigência de grande originalidade, mas é essencial que o candidato ao grau de mestre comprove sua capacidade de propor um problema criativo, de lidar com as fontes e sistematizá-las e de redigir uma dissertação. Seu trabalho, finalmente, será arguido por uma banca em geral composta pelo orientador e mais dois examinadores, sendo comumente um de fora do próprio curso. Isso tudo deverá ser feito em dois anos.

Existem hoje no Brasil 62 cursos de mestrado recomendados pela Capes. Eles recebem notas entre 3 e 7, sendo 7 a melhor. Portanto, vale a pena dar uma olhada na nota do curso pretendido, embora todos esses cursos, inclusive os que contam com a nota menor, sejam chancelados por uma rigorosa avaliação governamental. Verifique, também, se o curso costuma oferecer bolsas para os selecionados.

A seleção, regra geral, consiste em algumas etapas: prova escrita baseada em uma bibliografia divulgada previamente no edital de seleção; análise do projeto ou pré-projeto de pesquisa apresentado pelo candidato; prova de língua estrangeira (normalmente, é possível escolher entre inglês e francês) e entrevista. Há variações, mas essas costumam ser as provas mais frequentes.

Leia com atenção o edital. Por exemplo, no programa de pós-graduação em que trabalho, até algum tempo atrás, era exigido que, na prova escrita, o candidato considerasse o seu projeto de pesquisa diante da bibliografia exigida. Em outros casos, a prova escrita tem um formato tradicional, quer dizer, você deverá responder a perguntas formuladas a partir da bibliografia. Verifique o que será solicitado e prepare-se nesse sentido. Evite resumir o que está dito nos livros, tentando, na medida do possível, levantar questões criativas, conduzindo sua prova para algum ponto que pareça significativo diante das questões formuladas. Aposte na densidade do texto e não em sua extensão, evitando provas enormes, até mesmo para dar tempo de lê-la e relê-la, evitando erros graves de português - o que é em geral mal visto pelos avaliadores.

O projeto de pesquisa é muito importante. Certifique-se, pelo menos, de três coisas: um problema claramente definido, um acervo de fontes que permita enfrentar a questão e um bom levantamento bibliográfico que indique que você está familiarizado com o que já foi publicado sobre seu tema. Hoje é relativamente fácil fazer um bom levantamento bibliográfico usando as bibliotecas, bancos de teses e portais de periódicos disponíveis na internet (procure, por exemplo, o Portal de Periódicos da Capes e o JSTOR). Você não precisa ter lido toda a bibliografia que listar, mas o básico, sim. Indique, no projeto, o que já leu. É essencial definir as fontes que usará: se você tem um problema claramente definido e fontes que permitam trabalhá-lo, está no caminho certo. Evite digressões teóricas muito genéricas e prefira discussões conceituais que sejam pertinentes ao seu projeto.

A prova de língua estrangeira pretende verificar se você é capaz de ler um texto de História naquele idioma. Um bom treinamento consiste em ler textos na língua em pauta que tenham a ver com o tema do seu projeto: assim, você poderá incorporar bibliografia internacional ao seu projeto e estudar para a prova de língua estrangeira ao mesmo tempo.

Quando houver uma entrevista ou algo assemelhado (arguição do projeto, por exemplo), procure manter a tranquilidade. Se isso for muito difícil, comece dizendo aos examinadores que está nervoso: isso ajuda a relaxar. Ouça com atenção as perguntas e responda objetivamente, sem monopolizar a palavra. Se não souber responder, diga que ainda não havia pensado nesse aspecto e agradeça a sugestão. 

Os alunos que se graduam em um departamento de História que conte com curso de mestrado têm maior familiaridade com os possíveis orientadores e com as linhas de pesquisa do curso. Para um aluno que venha de fora, convém buscar, previamente, o máximo de conhecimento sobre o curso e suas linhas de pesquisa. Também é uma boa ideia verificar o currículo Lattes do orientador pretendido e dos membros da banca.

Boa sorte!

Carreira do pesquisador: marca profissional (doutorado)
http://www.brasilrecente.com/2011/11/carreira-do-pesquisador-marca.html

Carreira do pesquisador: marca profissional (mestrado)
http://www.brasilrecente.com/2011/10/carreira-do-pesquisador-experiencia.html

Carreira do pesquisador: a difícil escolha do tema
http://www.brasilrecente.com/2011/10/carreira-do-pesquisador-dificil-escolha.html

A carreira do professor de história
http://www.brasilrecente.com/2011/07/carreira-do-professor-de-historia.html

28 de agosto de 1992: ABI e OAB recebem pedido de Impeachment de Collor



O jornalista Barbosa Lima Sobrinho, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e o advogado Marcello Lavenère, presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) receberam a minuta do texto de petição de impeachment do Presidente da República Fernando Collor de Mello. A denúncia era de crime de responsabilidade, baseada na Lei 1079, de 10 de abril de 1950, que legisla sobre o decoro do cargo. O pedido oficial foi redigido por um grupo de juristas reivindicando a responsabilidade da Câmara de Deputados pelo interrogatório do presidente durante o processo.  
O texto sugeriu também as testemunhas que deveriam ser intimadas: Paulo César Farias, Pedro Collor, Cláudio Vieira, Ana Maria Acioli, José Goldemberg, Zélia Cardoso de Mello, Eriberto França, Sandra de Oliveira e Motta Veiga.

Além de declarar sobre a falta de decoro, a ligação com pessoas desonestas, o recebimento de vantagens indevidas, traição e abuso de confiança, a minuta chega em um dos seus pontos mais fortes na seguinte parte:

"O clamor público, a passeata dos jovens de nosso País, as praças públicas tomadas de cidadãos indignados são a demonstração da perda de dignidade de Fernando Affonso Collor de Mello para o exercício do cargo de primeiro mandatário da Nação".

Para continuar lendo clique aqui.
Fonte: JBlog

A Turma do Dionísio em Passo Fundo

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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Cultura indígena guarani é tema de peça apresentada à comunidade

Foto: Leonardo Andreoli
Peça de teatro culminou atividades do grupo A Turma de Dionísio em Passo Fundo
Taré é um menino indígena que não compreende e tem vergonha da sua origem guarani. Na escola, é alvo frequente de piadas dos colegas e sente-se mal por isso. Esse é o enredo central da peça teatral A Máscara de Taré, apresentada aos acadêmicos do curso de História da Universidade de Passo Fundo (UPF) no último dia 24 de agosto. As atividades realizadas pelo grupo de teatro A Turma de Dionísio contaram ainda com oficinas e palestras que apresentaram o resultado de dois anos de pesquisas bibliográficas, entrevistas com especialistas e visitas a sítios arqueológicos para dar base ao enredo que retrata as reduções Jesuíticas e também a cultura guarani.

O estudante Luiz Miguel Vieira é do primeiro nível do curso de História da UPF. Além de assistir à peça, ele participou das oficinas e palestras. “Na parte da manhã conhecemos as peças de teatro do grupo e como eles foram trabalhando isso. Também destacaram sobre as reduções jesuíticas e a cultura guarani. À tarde tivemos mais atividades voltadas à parte histórica”, conta. Ele é participante do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) e já pensa em como utilizar as atividades realizadas nas oficinas com os alunos das escolas nas quais trabalha. “As oficinas nos despertaram muitas ideias para utilizar no Pibid, principalmente sobre a concentração e os exercícios que tivemos na parte da manhã. Isso dá para aplicar muito bem com os estudantes”, acrescentou.

Enredo
Taré é um menino que vive nos dias atuais e vê, através de uma máscara, os principais acontecimentos da história de seu povo: a vida dos índios, a chegada dos padres jesuítas, a fundação das Reduções, o Tratado de Madri e a Guerra Guaranítica. Na peça, atores, bonecos e máscaras interagem para contar a história. A peça já foi apresentada na França, Suíça, Itália, Polônia, França e Argentina, além de vários estados brasileiros.


As atividades realizadas em Passo Fundo contaram com o apoio fundamental do curso de História da UPF. O grupo também foi contemplado pela Funarte no edital Prêmio Procultura de Estímulo ao Circo, Dança e Teatro 2010.
 


MAVRS apresenta a 5ª edição do projeto Música no Museu

Foto: Divulgação UPF
Evento contará com a participação do Grupo de Música Brasileira da UPF

A comunidade terá mais uma oportunidade de entrar com contato com a música, em um ambiente cultural. O Museu de Artes Visuais Ruth Schneider (MAVRS), mantido pela Universidade de Passo Fundo (UPF), promove mais uma edição do projeto Música no Museu. O evento, na próxima quarta-feira, dia 29/08, contará com a participação do Grupo de Música Brasileira da UPF, a partir das 18h. 

O MAVRS fica na Avenida Brasil, Oeste, 758. Informações pelo telefone (54) 3316-8587.

1953: Concordata entre Franco e Santa Sé


Assinada concordata entre Santa Sé e Madri, permitindo ao regime do ditador espanhol Franco romper seu isolamento internacional. Além de militares e latifundiários, a Igreja foi um dos baluartes da ditadura franquista.
Franco durante parada em celebração ao fim da Guerra Civil na Espanha, em maio de 1939
Em 1939, o ditador espanhol Francisco Franco proclamou o fim da guerra civil, que durara três anos. E classificou sua vitória sobre as tropas republicanas como um triunfo do cristianismo.
Numa missa de ação de graças na Igreja de Santa Bárbara, em Madri, Franco depositou simbolicamente sua espada diante do altar: "Senhor, aceite de bom grado os esforços deste povo, que sempre lhe pertenceu e que, comigo e em vosso nome, venceu com grande heroísmo o inimigo da verdade neste século. Dai-me a vossa ajuda para conduzir este povo à completa liberdade do vosso reino, para a vossa glória e a glória da vossa Igreja".
E, de fato: à parte de raras exceções, a Igreja Católica da Espanha estava em peso do lado dos golpistas de Franco. Portanto, houve enorme satisfação, quando o "generalíssimo" assumiu o poder no país, em 1939.
Também o recém-eleito papa Pio 12 congratulou o ditador vitorioso de maneira efusiva: “Elevando o nosso coração a Deus, juntamente com Vossa Excelência, expressamos nossa profunda gratidão pela vitória que ansiávamos, da Espanha católica. Desejamos que, depois de lograr a paz, esse país – que nos é tão caro – dê nova força à sua velha tradição católica, que o fez tão grande. Concedemos Vossa Excelência e a todo o nobre povo espanhol nossa bênção apostólica”.
Baluartes do franquismo
Ao lado dos militares e dos latifundiários, a Igreja continuou sendo um dos principais baluartes da ditadura franquista – mesmo quando o país foi internacionalmente boicotado, após o término da Segunda Guerra Mundial. A maioria das nações retirou seus embaixadores da Espanha e a ONU recusou a filiação espanhola.
Mas, no início da década de 1950, em face da Guerra Fria, o boicote começou a se desfazer paulatinamente. Os Estados Unidos iniciaram negociações para uma cooperação econômica e militar com a Espanha.
Esta era a situação internacional, quando a Santa Sé assinou uma concordata com o Estado espanhol em 1953. A concordata – uma espécie de tratado entre a Santa Sé e o governo do país signatário – regula as questões de política eclesiástica, por exemplo, os limites das dioceses, a ocupação das cátedras episcopais, mas também assuntos relacionados às leis matrimoniais, à educação ou às ajudas financeiras do Estado para o trabalho da Igreja.
Prerrogativas da Igreja Católica
Na concordata de 1953, a Igreja e o Estado espanhol fizeram amplas concessões mútuas. A Igreja recebeu privilégios extraordinários de Franco. O catolicismo foi designado como única religião da Espanha. Foi concedida à Igreja Católica uma enorme influência na área educacional, nas escolas e nos currículos escolares. Dificultou-se muito a realização de casamentos exclusivamente civis. Eventuais julgamentos de padres, monges e freiras deixaram de ser da alçada da Justiça comum.
Em contrapartida, foi dada ao ditador a prerrogativa da indicação dos bispos, um direito concedido tradicionalmente à monarquia espanhola. Através da nomeação de adeptos da sua linha política para as cátedras pontifícias, Franco esperava obter uma ligação mais estreita dos bispos com o Estado e impedir qualquer oposição ou simpatia com a oposição – por exemplo, com os movimentos de autonomia no País Basco ou na Catalunha.
Passo para reconhecimento internacional
Roma aprovou tal acordo, que na verdade contrariava a sua política, porque Pio 12 tinha grande conformidade com a política eclesiástica de Franco. Para o ditador, a concordata significou uma espécie de justificativa tanto para a política interna como para a política exterior.
Ela atuou como um aval da Igreja Católica para o Estado espanhol e foi um passo decisivo para romper o isolamento internacional do regime de Franco. Depois disto, os EUA assinaram uma aliança econômica e de defesa com a Espanha no outono setentrional de 1953. Dois anos depois, a Espanha foi aceita na ONU.
Rachel Gessat (am)
Fonte: DW-World

domingo, 26 de agosto de 2012

Atividades do curso

AGOSTO


29 - Palestra "MALVINAS: o Atlântico Sul no cenário contemporâneo - discursos, instituições e conflitos ". Palestrante: Prof. Dr. Diego Buffa - clique aqui
31 - Lançamento de livros: Entre justiça e lucro e Momento Patrimônio - clique aqui

SETEMBRO

02 a 14 - Período para encaminhamento de propostas de projetos de extensão, com previsão de carga horária, para o ano de 2013
03 - Palestra com o Embaixador da Palestina Ibrahim M. Alzeben. A atividade encerra a exposição "Raízes Palestinas" do Museu Histórico Regional (MHR). O evento será realizado as 19h30min no Auditório da Biblioteca - clique aqui
06 - Abertura de Exposição – Acervo História de Passo Fundo
07 - Independência do Brasil - feriado nacional
08 - Recesso escolar
17 a 19 - Realização das provas de comprovação de competências em Língua Portuguesa, Língua Estrangeira e Informática Básica
20 - Revolução Farroupilha – feriado estadual
24 - 2ª Reunião de avaliação e planejamento de atividades – professores e representantes de turmas; 21h – Auditório IFCH
27 - Reunião NDE – 14h Sala da Coordenação
30 - Último prazo para postulação de formatura de 2012/2

Teatro e história!

A Turma do Dionísio esteve em Passo Fundo para realizar oficinas e apresentação da peça A Máscara de Taréespetáculo que narra a história de Taré, um menino índio que vive nos dias atuais e vê, por meio de uma máscara, os principais acontecimentos da história de seu povo: a vida dos índios; a chegada dos padres jesuítas; a fundação das Reduções, o Tratado de Madri (1750) e a Guerra Guaranítica.

O projeto foi contemplado com o Prêmio Pró-cultura de Estímulo ao Circo, Dança e Teatro de 2010, promovido pela Funarte. A proposta tem texto e direção de Jerson Fontana e agrega, para além da peça, atividades pedagógicas englobadas no Projeto A Máscara de Taré, como teatro, oficinas e palestras.







sábado, 25 de agosto de 2012

No improviso, País se une aos Aliados



O Brasil em Armas

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Documentos inéditos obtidos pelo ‘Estado’ mostram como, despreparado para entrar no conflito, o Brasil precisou recorrer aos EUA

25 de agosto de 2012 | 15h 45
Marcelo de Moraes / BRASÍLIA
Documentos inéditos e classificados do Conselho de Segurança Nacional mostram como o Brasil estava despreparado para enfrentar a 2.ª Guerra Mundial e precisou recorrer aos Estados Unidos para conseguir enviar suas tropas para o combate na Europa. A decisão de participar da guerra fez com que o governo brasileiro se deparasse com a incrível falta de infraestrutura de suas tropas, deficientes em efetivos, armas, equipamentos e treinamentos. Os documentos, aos quais o Estado teve acesso, estão guardados no Arquivo Nacional, em Brasília, e foram liberados na íntegra graças à Lei de Acesso à Informação.
O presidente Getúlio Vargas conversa com soldados - DIRETORIA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO DA MARINHA
DIRETORIA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO DA MARINHA
O presidente Getúlio Vargas conversa com soldados
O Brasil declarou guerra à Alemanha em 1942, mas decidiu mandar tropas para o conflito apenas no ano seguinte. Documento de 2 de junho de 1943, classificado como secreto e enviado pelo Conselho de Segurança Nacional para o então presidente Getúlio Vargas, trata do acordo político-militar firmado com os Estados Unidos para o envio de tropas. No documento, o Brasil chega ao inusitado ponto de tentar escolher o local onde as tropas brasileiras iriam combater para evitar que os soldados nacionais sofressem com o frio europeu.
Segundo o documento, o Ministério da Guerra salientava "ser absolutamente imprescindível assentar, por uma questão de clima e condições mesológicas, que, em princípio, o emprego de nossa força expedicionária se restrinja à região sul mediterrânea da Europa".
Nesse documento, o Ministério da Guerra também deixa clara a precariedade dos armamentos nacionais e pede que o governo avise os americanos sobre a questão. O texto diz que o Brasil deve "estipular, de modo explícito, o problema do armamento do Corpo Expedicionário, como dos demais elementos guarnecedores do território nacional".
Outro documento reservado, enviado em 8 de novembro de 1943 pelo Conselho de Segurança Nacional para Getúlio Vargas, trata justamente da criação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) e narra a preocupação que o Ministério da Guerra tinha com as medidas que deveriam ser adotadas para evitar "os inconvenientes de uma improvisação".
As deficiências brasileiras eram totais. Arquivo secreto de 5 de janeiro de 1944 mostra a solicitação do Ministério da Guerra para enviar à América do Norte um oficial para "estudar a organização da Infantaria do Ar - tropa especialmente adestrada para o transporte aéreo". A exposição de motivos não poderia ser mais direta: os militares brasileiros simplesmente não tinham nenhum conhecimento sobre o uso militar de tropas de paraquedistas.
"Alega o senhor ministro que nada possuímos a respeito, não passando os exercícios de paraquedismo entre nós de meras demonstrações de eficiência dos aparelhos na salvação das equipagens de aviões no caso de acidente", cita o texto do documento secreto.
A improvisação do governo brasileiro alcançava todas as suas áreas. Excertos tirados da Ata da Comissão de Estudos de Segurança Nacional mostravam a preocupação com abastecimento de alimentos para regiões do Brasil mais diretamente envolvidas com o conflito, como o Nordeste. A região era considerada um ponto estratégico nas operações militares e a comissão chegou a ter dúvida entre a fomentação de frigoríficos para estocar carne no Nordeste ou o incentivo a uma prosaica "indústria do charque", carne menos perecível.
Rapadura. Se equipamentos e armas faltavam para as tropas, integrantes da comissão avaliaram que não poderia faltar também rapadura. Nessa reunião, os estudiosos consultados pelo governo defenderam a estocagem de gêneros e lembraram "ser a rapadura produto primordial na alimentação do nordestino"
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Fonte: Estadão

1944: Paris é libertada da ocupação alemã


Em 25 de agosto de 1944, tropas francesas e americanas libertaram Paris da ocupação alemã. Pelo rádio, da Inglaterra, o general Charles de Gaulle conclamou seus compatriotas a apoiarem os Aliados.
Estátua de Charles de Gaulle: o general comandou a luta contra a ocupação alemã
Desde 1940, a capital francesa estava ocupada pelos alemães. Tardaria até meados de agosto de 1944 para que as tropas aliadas conseguissem avançar em direção a Paris.
Já nos dias que antecederam à libertação da cidade ocorreram greves da polícia, dos correios e do metrô parisiense, o rádio suspendeu suas transmissões e, no dia 19 de agosto de 1944, o Comitê da Libertação de Paris conclamou a população a rebelar-se.
Ministérios, redações de jornais e partes da administração municipal foram ocupados. Os grupos da Resistência parisiense passaram a lutar em combates de rua, atrás de barricadas construídas às pressas.
Seu líder era o comunista convicto Henri Tanguy, conhecido como coronel Rol. Ele e seus correligionários queriam aproveitar uma rebelião geral em Paris, a fim de assumir o poder político antes que as forças francesas de Charles de Gaulle e as tropas aliadas chegassem para libertar a cidade.
Desobediência a Hitler
O comandante alemão da região metropolitana de Paris era o general Von Choltitz, desde 7 de agosto de 1944. Do ditador alemão Adolf Hitler, Von Choltitz recebera carta branca para defender a cidade com todos os recursos e para destruí-la inteiramente antes de uma retirada. O general, no entanto, contrariou as ordens cada vez mais insistentes de Hitler para a destruição de Paris.
Ele solicitou ao cônsul-geral da Suécia em Paris, Raoul Nordling, que cruzasse o front e entrasse em contato com os Aliados, a fim de apressá-los e acelerar assim a capitulação nazista.
Atendendo a uma sugestão de Raoul Nordling, o general Von Choltitz buscou contato com a Resistência em 19 de agosto. Porém, Raoul Nordling sofreu um ataque cardíaco pouco antes da sua partida. A carta de livre trânsito tinha sido emitida com o nome abreviado de R. Nordling. O irmão do cônsul-geral sueco, Rolf Nordling, assumiu assim a missão de alto risco.
O general Leclerc juntara-se a Charles de Gaulle e comandava então a 2ª divisão blindada francesa, que avançou rapidamente para Paris, a partir de 23 de agosto de 1944. Já no dia seguinte, companhias aliadas estavam nos subúrbios ocidentais da capital. Na tarde de 25 de agosto, o general Leclerc e o coronel Rol receberam a capitulação do general Von Choltitz, na chefatura de polícia da capital francesa.
De Gaulle também chegou a Paris em 25 de agosto de 1944 e discursou à noite diante da prefeitura. Ele lembrou o sofrimento de uma Paris martirizada pela ocupação e preconizou, ao mesmo tempo, o futuro de liberdade e de autodeterminação da cidade.
Restauração da República
No dia seguinte, 26 de agosto de 1944, De Gaulle participou da parada triunfal da 2ª divisão blindada francesa, sob o comando do general Leclerc. Partindo do Arco do Triunfo, ele desceu a Avenida Champs Elysées, prosseguindo até a Catedral de Notre Dame. Os parisienses saudaram o libertador com grande entusiasmo.
O passeio pela cidade encerrava grande risco para o general, pois muitos franco-atiradores ainda disparavam dos seus esconderijos. Mas De Gaulle recusou-se a interromper a sua caminhada e marchou orgulhosamente pelas ruas parisienses.
Na catedral, continuou a ser celebrado o Te Deum, apesar de tiros disparados até mesmo dentro do templo gótico. Nunca se soube quem ordenou os disparos. Dois franco-atiradores foram presos em outras partes da cidade, mas não puderam ser interrogados, pois foram linchados imediatamente pela população furiosa.
Há quem atribua os tiros aos comunistas. Eles procurariam, desta forma, impedir que De Gaulle subisse ao poder. Essa hipótese, no entanto, jamais pôde ser provada. A parada da 2ª divisão blindada na cidade recém-liberada tinha como objetivo ressaltar o papel do movimento França Livre e reforçar a posição do general De Gaulle como líder do novo governo francês.
Com isso, ele queria rechaçar as ambições comunistas de poder na França. Especialmente o fato de que o líder comunista da Resistência, coronel Rol, tenha sido um dos signatários da capitulação alemã, ao lado do general Leclerc, deixou o general tremendamente indignado.
De Gaulle forçou resolutamente a constituição de um governo francês, impedindo assim que a França se tornasse uma zona de ocupação das potências aliadas. No dia 9 de setembro, tomou posse um governo de unidade nacional, sob a presidência de Charles de Gaulle. Com isso, ele cumpriu a missão a que se propusera: libertar o país, restabelecer a República e organizar eleições livres e democráticas na França.
Em Berlim, Hitler procurava saber, em vão, do seu general Jodl: "Paris está em chamas?"
  • Autor Michael Stegemann (am)
  • Fonte: DW-World