quinta-feira, 31 de maio de 2012

Fazendo História no Museu Olívio Otto!


O papel do monitor no museu e a 
educação não-formal 
por Bruna Anacleto


As monitorias realizadas pela equipe do Museu Olívio Otto, exercidas por graduandos dos cursos de História e Biologia da Universidade de Passo Fundo, devem ser entendidas além do sentido de visita guiada, pois tratam de ampliar a relação entre o museu e o público, ou melhor, os estudantes envolvidos são mediadores entre o acervo e os visitantes. 


Neste sentido, assumem a responsabilidade de educadores no museu. Ora confundidos com guias, detêm o conhecimento partindo do micro para o macro, ou seja, do objeto para a História e/ou Biologia. Os monitores são professores atuando fora do ambiente escolar, que ensinam, instigam, dialogam e compartilham de seus conhecimentos para com a comunidade. Desta forma, o museu está inserido na sociedade como um espaço de educação não- formal, pois apesar de diferir dos ambientes escolares, possuí o mesmo objetivo principal: o de ensinar.


Os espaços das atividades de educação não-formal distribuem-se em inúmeros campos, incluindo desde as ações das comunidades, dos movimentos e organizações sociais e políticas até as organizações não-governamentais e esferas da educação e da cultura. No Museu Olívio Otto podemos identificar duas esferas principais de desenvolvimento dessas atividades: a transmissão e construção do conhecimento, através do acervo das Exposições de Longa Duração, e o processo de participação em ações coletivas, tendo em vista as diversas parcerias que o museu mantêm para que os espaços, principalmente de Exposição Temporária, sejam ocupados por temáticas capazes de interagir com os visitantes mesmo quando os monitores não estão acompanhando as visitas.


O trabalho desenvolvido pelos monitores é fundamental para os visitantes, tendo em vista que explanação do monitor propicia melhor entendimento sobre as peças do Museu, e possibilita o levantamento de questões que em sua maioria são respondidas pelos monitores. A visita ao museu se estrutura em forma de diálogo, partindo da realidade do aluno e do que ele já sabe, para o mais específico, ou seja, o acervo. 


Cabe por fim assinalar um conjunto de princípios que orientam as linhas de ação pedagógica e didática, as estratégias e metodologias são trabalhadas em uma perspectiva interdisciplinar e no confronto com a realidade, propiciando mudanças nas atitudes, valores e práticas dos visitantes, de modo com que as escolas dêem continuidade em sala de aula a trabalhos relacionados à cidade, patrimônio, preservação e memória.

Políticas de Colonização no Brasil Contemporâneo são tema de seminário no PPGH




O Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (PPGH/UPF) realizou um Seminário Especial, de 28 a 30 de maio. Na oportunidade, o professor Dr. Edison Antônio de Souza, da UFMT, desenvolveu a temática Políticas de Colonização no Brasil Contemporâneo.

Aos participantes, o convidado destacou que a colonização, historicamente, foi utilizada no Brasil como estratégia oficial de povoação de novas terras, de responsabilidade oficial ou privada, com a venda ou a doação de terrenos nos núcleos coloniais, com a pretensão de povoar de modo organizado os vazios demográficos existentes. “A colonização sempre foi uma questão de Estado e, portanto, uma relação de poder”, explicou.

De acordo com ele, a partir da década de 1970, as frentes pioneiras do Brasil se deslocaram do Sul em direção ao Centro-Oeste e Amazônia Mato-Grossense, atraídas pela existência de terras novas, estimuladas pela propaganda oficial que incentivava a expansão da fronteira agrícola. Souza enfatizou novamente o papel do Estado nesse contexto, por meio de suas políticas públicas gestadas pelos governos posteriores a 1964. “Dentro destas políticas, destaca-se a construção das grandes estradas que objetivavam facilitar a integração dessas regiões em processo de ocupação às demais regiões do território nacional”, lembrou.

Para o palestrante, o Estatuto da Terra, considerado uma legislação agrária avançada para o contexto político em que foi engendrado, não foi aplicado. “No âmbito da política fundiária nacional, podemos afirmar que nunca houve interesse político para se promover uma reforma agrária com a participação da população, o que era aceito pelo governo da época. Por esta razão, o que ocorreu foi uma “contrarreforma agrária” no Brasil", sintetizou.

O Seminário com docente externo ocorre a cada semestre, proporcionando aos discentes o contato com pesquisadores de outros Programas, o que vem reforçar os vínculos interinstitucionais do PPGH e qualificar o currículo dos alunos.

Vestibular de Inverno UPF



Venha fazer História!

Informe-se sobre as bolsas FIES e PIBID. O acesso aos cursos de licenciatura está sendo destaque nas políticas nacionais para a formação de professores!


Para mais informações clique aqui.



BOLSAS DE ESTUDO


Prouni
A UPF adere ao Programa Universidade Para Todos (Prouni), na forma da lei nº 11.096/05. O Prouni é dirigido aos estudantes egressos do ensino médio da rede pública ou da rede particular que estudaram na condição de bolsistas integrais, com renda per capita familiar máxima de três salários mínimos para 50% e um salário mínimo e meio para 100%. 


Bolsa Auxílio 25%
A UPF por meio do Processo Seletivo de Inverno 2012 oferece o Programa de Bolsa Auxílio 25%, regido por edital próprio disponível no site da Instituição, o qual prevê gratuidade de 25% para o curso de Enfermagem (B) e Ciência da Computação (B). 


Bolsa FUPF (Lei 12.101/09)
A UPF por meio do Processo Seletivo de Inverno 2012 oferece o Programa de Bolsa FUPF (Lei 12.101/09), regido por edital próprio disponível no site da Instituição, o qual prevê gratuidade de 50% para os seguintes cursos: Campus Passo Fundo: Administração (B) (Matutino), Ciências Biológicas (L), Educação Física (L), História (L), Letras, Português – Inglês e Respectivas Literaturas (L), Matemática (L), Pedagogia (L), Química (B).Campus Carazinho: Pedagogia (L) Programas de Crédito


Fies
É um programa de crédito promovido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE, que financia até 100% das mensalidades dos alunos regularmente matriculados nos cursos habilitados junto ao Ministério da Educação. As inscrições são realizadas em calendário específico junto ao site: http://sisfiesportal.mec.gov.br 


Promucred
O Programa Municipal de Crédito é oferecido por prefeituras municipais conveniadas com a UPF. Tem legislação específica e normas próprias, sendo administrado pelas próprias prefeituras.


 Pravaler
Com o Crédito Universitário Pravaler o aluno paga 50% da mensalidade, mais um encargo fixo mensal, e tem o dobro do tempo de seu curso para o pagamento das parcelas. Podem solicitar o financiamento os acadêmicos, tanto calouros quanto veteranos, que estejam devidamente matriculados em cursos de graduação presenciais. 
O crédito Pravaler também oferece a possibilidade aos interessados de preencherem uma proposta on-line pelo endereço: http://www.creditopravaler.com.br/. Tendo preenchido a proposta, o estudante poderá saber antecipadamente se terá o crédito aprovado. 

A capa que não perece


Vinte e cinco anos após a morte de Tenório Cavalcanti, sua figura continua presente no imaginário dos moradores de Duque de Caxias. O homem da capa preta oscila entre o líder caridoso e o político matador nas lembranças da população da região

Mauro de Bias
Ela estava sempre com ele, fosse em casa, fosse no trabalho, fosse na rua ou em qualquer lugar. Lurdinha era amiga inseparável de Tenório Cavalcanti [retratado no artigo "O homem da capa preta", publicado na edição da maio da RHBN]. Nada de muito surpreendente, não fosse ‘Lurdinha’ sua amada submetralhadora MP40, de fabricação alemã e de uso exclusivo do Exército. O político, eleito deputado estadual e depois federal pelo estado do Rio de Janeiro nos anos 1950, ganhou a arma de presente do general Góis Monteiro. E até hoje cidadãos de Duque de Caxias lembram bem da companheira do chamado "Homem da capa preta", assim como conservam diferentes imagens dessa figura polêmica que mandou e desmandou na região até meados da década de 1960.
“Ele foi um mito em Caxias”, diz Inácio Ramos, de 68 anos, morador do município da Baixada Fluminense há 65. Seu Inácio conheceu Tenório Cavalcanti “quando tinha uns 13 ou 15 anos”, indo à casa do político para ganhar brinquedos que o temido deputado distribuía eventualmente para as crianças. “Ele fazia muita coisa boa pelos pobres”, afirma.
Mas seu Inácio lembra que Tenório também tinha inimigos e não agradava a todos em Caxias. “Ele era muito bom, mas tinha seu lado mau. Muita gente não gostava dele. Andava sempre com a Lurdinha”, conta o idoso, sorrindo pela memória do carinho que o deputado devotava à submetralhadora. “E com a capa preta”, completa. O aposentado lembra ainda que a presença constante da arma não era só para intimidar. “Caxias era um faroeste. As pessoas diziam que ele mandava matar... Mas eu nunca vi nada!”.

A fortaleza
Famoso pelo jeito violento como tratava os inimigos, Tenório era um alvo ambulante e, para se proteger, fez de sua casa uma verdadeira fortaleza - esse era, aliás, o nome pelo qual a residência do figurão era chamada pelos moradores da região. Dizem que, certo dia, Tenório chegou a empurrar um repórter dentro da piscina. O episódio foi retratado no filme ‘O Homem da Capa Preta’ (1986), de Sérgio Rezende, que conta a história da carreira política do ex-deputado. Localizada no Centro de Caxias, a Fortaleza foi símbolo da resistência de Tenório contra seus adversários e até mesmo contra a ditadura militar, da qual ele foi opositor por ter tido seus direitos políticos cassados, em 1964.
“Aqui não tinha nada antes dele. Era um pântano. Naquela época ele fazia muito bem para o povo. Ele era muito amado. E respeitado”, relata ainda Seu Inácio. Com um eleitorado forte na Baixada, o “homem da capa preta” chegou a concorrer para governador do Estado da Guanabara em 1960, tendo perdido a eleição para Carlos Lacerda; depois, tentou o cargo de governador do Estado do Rio de Janeiro, em 1962, mas acabou sendo derrotado por Badger da Silveira.
O aposentado José Teotônio dos Santos, de 82 anos, nunca morou em Caxias e só foi viver na Baixada Fluminense quando Tenório já estava no fim de sua vida. Mesmo assim, isso não impediu que a fama do deputado chegasse até ele, que, assim como o político, nasceu no estado de Alagoas. “Ele andava sempre com a Lurdinha. Uns gostavam dele, outros não. Diziam que era valente. Ele era respeitado”.

Explosivo, mas boa pessoa
Mas quem se lembra muito bem dos tempos em que Tenório Cavalcanti tinha vida política ativa em Caxias são as amigas Maria Aparecida Pereira, de 75 anos, e Célia da Silva 72. “Eu vim de São Paulo para o Rio. Eu morava em Teresópolis, e lá as pessoas já falavam nele”, relembra Maria Aparecida. “Era uma boa pessoa. Eu gostava dele. Ele era muito bom, muito amado pelos pobres. Boa criatura, bom coração. Um homem digno. Explosivo, mas boa pessoa”.
Defensora ferrenha do ex-deputado, dona Maria não admite que falem mal dele ou que o comparem com políticos atuais de dentro ou de fora da Baixada. “Quem dera que Caxias tivesse um prefeito igual a Tenório. Eu ia bater palmas. A cidade hoje estaria muito melhor se aparecesse alguém igual a ele”, garante. Ela diz ainda guardar somente boas memórias daquela época e destaca que a ousadia do político em esconder opositores da ditadura em sua casa durante o regime militar foi um indicativo claro de que ele tinha um bom caráter. Eleitora de Tenório no pleito para governador do Estado da Guanabara, dona Maria ficou triste quando seu candidato perdeu a eleição.
Já dona Célia lembra do ex-deputado com gratidão. Nascida e criada em Caxias, a aposentada conseguiu um emprego onde trabalhou por dez anos graças a uma carta de recomendação escrita por Tenório. Outra boa memória era a festa de distribuição de doces para as crianças na fortaleza em dia de São Cosme e São Damião. O carinho do político pelas crianças era notável, segundo ela. “Ele estava sempre aberto a conversar. Se alguém fosse na casa dele e estivesse com uma criança, ele atendia ainda mais rápido”.

Não gostava de coisa errada
Quanto à fama de que o político eliminava seus inimigos sem piedade, dona Célia fala sem medo. “Ele não gostava de coisa errada. Ele só matava quem estava no erro. Ninguém morre à toa”, conta a idosa, que revela ainda ter frequentado festas na casa do ex-deputado. Outra grande qualidade do homem da capa preta, de acordo com ela ela, era sua generosidade e receptividade com os visitantes. “Quem ia na casa de Tenório comia e bebia bem”, encerra, mostrando que mesmo depois de 25 anos da morte de Tenório Cavalcanti, sua memória permanece viva em Duque de Caxias e sua imagem se mantém impassível.
Hoje, a Fortaleza abriga aulas da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), instituição de ensino do Estado do Rio. Em 2010, no entanto, o prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito, sancionou uma lei que declara o imóvel como de interesse público para fins de desapropriação. Na casa de Tenório, a prefeitura pretende instalar o Museu da Memória Política da cidade, que tem previsão de ser inaugurado em fevereiro de 2013. As medidas são superlativas. São 3.200 metros quadrados, distribuídos em quatro andares, 14 cômodos (entre salas e quartos), nove banheiros e dois esconderijos ocultados por armários e cofres falsos. O maior desafio atualmente é encontrar uma nova destinação para a Faetec. O acervo já conta com peças doadas pela família do político, como mobília e objetos de uso pessoal.


1902: Fim da Guerra dos Bôeres


No dia 31 de maio de 1902, terminou depois de três anos a Guerra dos Bôeres na África do Sul.
Soldados negros em Mafeking durante a Guerra dos Bôeres
O que em princípio era para ser uma guerra-relâmpago, acabou se tornando o pior conflito colonial dos britânicos. No dia 11 de outubro de 1899, a República Sul-Africana, mais os estados independentes de Orange e Transvaal, declararam guerra ao Reino Unido. Os colonos holandeses (bôeres, de Buren, agricultores) exigiam sua equiparação na comunidade sul-africana. Os britânicos, por seu lado, queriam ampliar o império colonial.
Os bôeres estavam bem armados, eram considerados bons atiradores e conheciam bem a região. Mesmo assim, não conseguiram se impor em cidades importantes controladas pelo britânicos, como Natal e no Cabo. Em março de 1900, as tropas de Londres conquistaram Bloemfontain, capital do Estado Livre de Orange. Os colonos receberam armas e apoio militar da Alemanha, mas seus 25 mil homens não podiam se impor diante do contingente de 250 mil britânicos.
Supremacia britânica e campos de concentração
Os bôeres tentaram, sem êxito, continuar a luta através de guerrilhas. Mas a vingança dos britânicos foi terrível: 30 mil propriedades foram incendiadas, plantações e animais mortos. Mulheres e crianças foram internadas em campos de concentração, onde morreram aos milhares.
A resistência dos colonos fracassou diante da falta de alimentos. A última guerra colonial entre colonos europeus e a metrópole terminou com 22 mil soldados mortos e sete mil vítimas fatais entre os bôeres.
Apesar da derrota, por um certo tempo os colonos conseguiram impor condições aos britânicos, tentando convencê-los de que conheciam melhor o território. Mas, com o passar do tempo, o Reino Unido tentou impor-se diante dos colonos, incentivando a migração de ingleses para a região e proibindo o holandês nas escolas. O nacionalismo bôer, no entanto, ressurgiu no interior. Pouco a pouco, os colonos começaram a deixar os centros dominados pelos britânicos.
Os negros, a grande maioria da população, assistiram ao conflito. Nem britânicos nem colonos buscaram grandes alianças. Paradoxalmente, os bôeres demoraram muito mais para reconhecer os direitos dos negros, apesar de terem lutado tanto pela sua soberania.
  • Autor Volker Wagener (rw)
  • Fonte: DW-World

1957 - Dramaturgo norte-americano Arthur Miller é acusado de desacato ao congresso


No dia 31 de maio de 1957, o consagrado dramaturgo norte-americano Arthur Miller é acusado de desacato ao Congresso. A denúncia partiu de uma investigação conduzida no ano anterior pelo Comitê de Atividades Anti-Americanas sobre uma conspiração comunista que pretendia utilizar passaportes norte-americanos.
WikiCommons
Durante a investigação, Miller, então com 41 anos, recusou-se a revelar os nomes de supostos escritores comunistas junto dos quais estivera em cinco ou seis reuniões em Nova York, em 1947.
Ele respondeu a todas as questões levantadas nas audiências do Comitê, porém declarou que sua consciência não permitiria que entregasse os nomes de seus colegas. Também não estava disposto a criar possíveis problemas para eles. A condenação surgiria numa sentença de 15 páginas redigida após um julgamento de seis dias.
No curso do julgamento, o advogado de Miller, Joseph Rauh, reclamou que as questões que seu cliente se recusara a responder não tinham qualquer conexão razoável com o inquérito dos passaportes. Argumentou que o Comitê queria simplesmente expor o dramaturgo e que a “exposição pela exposição” era totalmente ilegal.
O juiz, contudo, considerou que o Comitê tinha um objetivo válido em examinar o regulamento de emissão de passaportes, visto que o próprio réu tinha experimentado dificuldades para a obtenção do documento. O tribunal foi informado pelo governo que Arthur Miller havia ingressado no Partido Comunista em 1943, mas isto foi negado veementemente por ele.
Afirmou, no entanto, que houve dois curtos períodos – um em 1940 e outro em 1947 – nos quais esteve bastante próximo das atividades patrocinadas pelo Partido Comunista, o que deve ter levado autoridades a pensar que ele tinha se tornado seu membro.
Miller não estava presente quando o veredicto foi anunciado. A punição máxima por desacato ao Congresso era de um ano de prisão e multa de 200 dólares. Nenhuma data foi fixada para a publicação da sentença, no entanto, era previsível que o advogado de Miller entraria com recurso.
Após o julgamento, Miller, que permanecia livre aguardando os desdobramentos do processo, declarou seguidamente, através de um porta-voz, que nem ele nem sua mulher tinham comentários a fazer. O caso pôs em questão todo o sistema das investigações do legislativo e suas implicações sobre os direitos individuais.
O Comitê da Atividades Anti-Americanas havia sido criado em 1938 para investigar fascistas e comunistas supostamente vinculados ao governo. Em 1947 voltou sua atenção para as artes. Um grupo de escritores, roteiristas, diretores e atores conhecidos como os Dez de Hollywood foram considerados culpados por desacato ao Congresso. Eles se negaram a responder questões acerca de suas crenças políticas.
Foram colocados em uma lista negra por dez anos, o que fez com que fossem banidos dos estúdios de Hollywood por conta de suas supostas ligações com o Partido Comunista. Algumas semanas após o caso Miller, John Watkins ganhou uma apelação e conseguiu que a Suprema Corte anulasse uma condenação semelhante. No dia 7 de agosto de 1958, após uma batalha legal de quase dois anos, a Corte de Apelações de Washington anularia a condenação de desacato de Arthur Miller.
Fonte: Opera Mundi

quarta-feira, 30 de maio de 2012

História UPF na ANPUH 2012


Acadêmicos do curso de História da UPF participarão do XI Encontro Estadual de História que será realizado em julho, na Universidade de Rio Grande (FURG). Os graduandos participarão com banners, já os professores, egressos e mestrando apresentarão comunicações em Simpósios Temáticos. Confira os participantes da UPF na lista abaixo.


Para informações sobre a excursão UPF 
que irá ao evento clique aqui.




PÔSTERES



Projeto Momento Patrimônio: os meios de comunicação como espaço educativo
Álisson Cardozo Farias (UPF), Bruna Nitiele da Silva Anacleto (UPF)
Orientador: Ironita Adenir Policarpo Machado


A Questão Florestal na Legislação Agrária Brasileira
Caroline Lisboa dos Santos (UPF)
Orientador: Ironita Adenir Policarpo Machado


O Rio Grande do Sul na sala de aula: uma proposta metodológica para o ensino de história regional
Mayara Hemann Lamberti (UPF)
Orientador: Flávia Caimi


Narradores de Passo Fundo/RS -Filme e Memória nas aulas de História
Francielle Moreira Cassol (UPF)
Orientador: Flávia Eloisa Caimi


COMUNICAÇÕES



O Império Brasileiro e os aforamentos como incentivo ao povoamento: o caso da fronteira oeste do Rio Grande do Sul no século XIX
Luiz Francisco Matias Soares (UPF)


A celebração da Paixão de Cristo nas Missões Jesuíticas da Provincia Paracuaria
Jacqueline Ahlert (UPF)


Revista Ilustrada Pindorama, uma revista da Brigada Militar em defesa do ideário republicano Castilhista
Amanda Siqueira da Silva (UPF)


O centenário de Passo Fundo em 1957 e a construção visual da Capital do Planalto
Eduardo Roberto Jordão Knack (UPF)


O projeto de imigração e colonização da Colonizadora Meyer em imagens fotográficas
Rosane Marcia Neumann (UPF)


A memória de três militantes da Ação Popular (AP) sobre a repressão: a violência aplicada pelos órgãos de segurança ditatoriais contra os seus opositores políticos (1972-1974)
Cristiane Medianeira Ávila Dias (UPF)


Guarda Nacional na Guerra dos Farrapos: A Formação das Tropas Farroupilhas (1835-1845)
Ânderson Marcelo Schmitt (UPF)


Rio Grande de São Pedro, 1830-1845: “Internacionalização” das disputas políticas locais
Álvaro Antônio Klafke (UPF)


O jornalismo político e cultural de O Pasquim
Thiago Araujo Vaucher (UPF)


Cartografia da geopolítica e das guerras no século XVIII: Brasil meridional
Luiz Carlos Tau Golin (UPF)


As transformações das práticas romeiras marianas em Passo Fundo/RS
Gizele Zanotto (UPF)


Algumas considerações sobre a pesquisa histórica com fontes judiciais
Ironita Adenir Policarpo Machado (UPF)


Promover casamentos e reparar o mal: uma interpretação do crime de sedução
Emannuel Henrich Reichert (UPF)


MINICURSOS


008. História, ensino e pesquisa em museus: experiência do Museu Histórico Regional (MHR)
Coordenador(es): EDUARDO ROBERTO JORDÃO KNACK (Mestre(a) - UPF)


009. História, patrimônio e comunicação como processo educativo
Coordenador(es): IRONITA ADENIR POLICARPO MACHADO (Doutor(a) - UPF)


010. Memórias das águas: história, patrimônio e acervos do Rio Grande
Coordenador(es): LUIZ CARLOS TAU GOLIN (Pós-doutor(a) - UPF)



Raízes Palestinas no MHR


Fazendo História no MHR!


Museu Histórico Regional: 
A importância do estágio não-curricular na formação acadêmica

Priscila C. Batistel Pulga 


Ela sempre estava lá, porém sempre na segunda opção. Falo da História, matéria escolar pela qual sempre tive prazer em aprender - me refiro ao aprender para além do que o professor exigia em sala de aula. Foi após cursar um ano de jornalismo, a primeira opção, que percebi que não adiantava relutar, o que queria era definitivamente, fazer História. 


A graduação iniciou em 2010/1, mas foi somente no segundo semestre daquele ano que comecei a estagiar no Museu Histórico Regional de Passo Fundo (MHR). O trabalho que me foi designado - na verdade o desafio -, foi de organizar, enfim, cuidar do acervo iconografico do MHR, que possui aproximadamente quatro mil imagens. Devido à falta de condições financeiras e a escassez de funcionários aquele acervo até então, não possuía o acondicionamento adequado às fotografias, a pesquisa de cada imagem, entre outras coisas questões que acabavam dificultando até mesmo o acesso da comunidade a essas fontes de pesquisa.


Meu trabalho inicial foi  conhecer a história de Passo Fundo, pois como fazia pouco tempo que morava na cidade (sou natural de Guaporé-RS) era imprecindivel tal conhecimento para, entre outros aspectos, conseguir identificar as fotografias com que estava trabalhando. O passo seguinte foi a visita ao Museu Antropologico Diretor Pestana de Ijuí (MADP), onde me foi informado como estava organizado e como foram realizados os processos de higienização e digitalização do acervo fotográfico naquele espaço. A partir deste conhecimento adquirido no MADP e de leituras dos materiais indicados pelos responsáveis pelo Museu de Ijuí, além de materiais disponiveis na internet, adequamos o trabalho às possibilidades e necessidades de nosso acervo. Em fins 2011 a equipe do MHR elaborou um Projeto de Organização e Acondicionamento do Acervo Iconografico para o edital de Modernização de Museus do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) e fomos contemplados com R$ 50.000,00 para realizar essa importante adequação de nosso acervo, trabalho que iniciará no segundo semestre deste ano (Leia mais).


 A oportunidade do estágio não-curricular no MHR proporcionou a obtenção e consolidação de muitos conhecimentos. Trabalhar nesse espaço, com questões mais técnicas de preservação, conservação das fontes, ao mesmo tempo em que abre um leque de oportunidades profissionais, nos aprimora no campo da pesquisa por compreender quais foram às técnicas utilizadas em determinada fonte ou contexto, que nos dizem muito. Como professora tal conhecimento possibilita a mudança, nos provoca a oferecer uma aula mais qualificativa e significativa, para além de perguntas e respostas; nos chama a construir o nosso aluno como um “historiador”. O trabalho no MHR proporciona a pesquisa e montagem de exposições, atendimento ao público em geral e a escolas bem como diversas atividades relacionadas a exposições, fotografias, entre outras.


Minha passagem pelo curso de História não seria tão profícua sem essa possibilidade de colocar em prática o aprendizado obtido em sala de aula e principalmente de aprender além. Agradeço a todos que me apoiaram na escolha pela História porque ela me faz feliz, e peço que oportunidades como as que tive permaneçam na Instituição, pois fazem a diferença para o aluno - mas para isso é necessário que os próprios acadêmicos atentem para os locais em que elas se desenvolvem e as frequentes oportunidades de estágios remunerados e voluntários. 

Confraternização de final de Ano - equipe MHR


FIQUE ATENTO!

O curso de História da UPF oferece estágios remunerados e voluntários com frequência. Fique atento as vagas do Museu Histórico Regional e Arquivo Histórico Regional. Além dessas, há oportunidades de participação em grupos de pesquisa e discussão, bolsistas de Iniciação Científica e, possivelmente, 20 vagas para bolsistas no Programa Institucional de Iniciação à Docência (PIBID) - teremos o resultado do PIBID em algumas semanas.

1635: A Paz de Praga na Guerra dos Trinta Anos


No dia 30 de maio de 1635, foi assinado o Acordo de Paz de Praga, que deveria encerrar a terceira fase da Guerra dos Trinta Anos. O acordo, entretanto, não vingou.
'Soldados saqueiam camponeses', de Sebastian Vrancx (1573–1647)
Por volta de 1630, circulou em Nurembergue um panfleto em forma de cantiga medieval que dizia mais ou menos o seguinte: "Assustou-nos que chegue a guerra em nossa cama. Façam com que, de imediato, nos acorde o galo e não o trompete assassino. Em vez de batalhas, queremos a dança da alegria; em vez de louros, uma coroa de folhas de oliveira. E que todos possam dormir seguros".
Início: conflito religioso na Boêmia
A Europa Central já não suportava mais sua primeira grande guerra. Os confrontos acirravam-se há 12 anos, com períodos de lutas ferozes, seguidos por fases de relativo apaziguamento.
A chamada Guerra dos Trinta Anos começara em 1618 como conflito religioso envolvendo católicos e protestantes na Boêmia, e adquirira caráter político em torno das contradições entre Estados territoriais e principados. Envolveu a Alemanha, Áustria, Hungria, Espanha, Holanda, Dinamarca, França e Suécia.
O conflito eclodiu quando grupos protestantes boêmios rebelaram-se contra o imperador e, de modo ostensivo, construíram uma igreja evangélica num reduto católico. Eles invadiram a fortaleza Hradschin, em Praga, e assassinaram dois altos funcionários da corte que os haviam preterido.
Na época, Fernando 2º, imperador do Sacro Império Romano de Nação Germânica, era também rei da Boêmia. Os rebeldes negaram-lhe esse título e entronizaram o príncipe eleitor calvinista Frederico do Palatinado.
O recém-coroado Fernando 2º – monarca católico da casa dos Habsburgo, que permaneceu no poder de 1619 a 1637 – reagiu energicamente. Mandou à Boêmia as tropas de seu aliado, o duque Maximiliano da Baviera. Na primeira batalha da Guerra dos Trinta Anos, Maximiliano conseguiu controlar rapidamente os revoltosos boêmios. Ferdinando do Palatinado teve de fugir, depois de uma breve regência que lhe rendeu o apelido de "Rei do Inverno".
Em Praga, o imperador vingou-se dos revoltosos com a execução pública de 27 nobres, líderes do levante. Para reprimir a insatisfação popular, enviou para a Boêmia tropas comandadas por Albrecht von Wallenstein, um comandante sedento de guerra.
Outros países entram no conflito
Na década de 1620, Wallenstein parecia estar a caminho de impor a paz na Boêmia. Foi aí que outros países europeus entraram no conflito. Os holandeses invadiram a Renânia para enfrentar os exércitos da Espanha e dos Habsburgo, comandados pelo poderoso general Spinosa. Em 1626, uma força dinamarquesa comandada pelo monarca Cristiano 4º invadiu a Alemanha pelo norte, para apoiar os protestantes germânicos.
Albrecht von Wallenstein ofereceu-se a Fernando 2º para expulsar os dinamarqueses com um exército organizado por conta própria – e teve sucesso. Como compensação, tornou-se príncipe imperial. Durante um breve período, Wallenstein foi o homem mais poderoso da Alemanha.
Mas essa rápida acumulação de poder em suas mãos apenas provocou os muitos inimigos da casa de Habsburgo, levando-os a lutar com mais empenho. Os príncipes germânicos logo depuseram Wallenstein do trono.
Assassinato de Wallenstein
Em 1630, o exército do influente rei sueco Gustavo Adolfo 2º (1611–1632), protestante, invadiu o norte da Alemanha e avançou para a Renânia e a Baviera no ano seguinte. Wallenstein foi novamente chamado para defender o território alemão, mas não conseguiu vencer as tropas de Gustavo Adolfo.
Acabou fechando um acordo de paz duvidoso, o que lhe rendeu a suspeita de alta traição à pátria. Por ordem do imperador Fernando 2º, foi assassinado por oficiais que ele próprio comandava.
Com a morte de Wallenstein, Fernando 2º reconquistou o controle sobre o exército e conseguiu expulsar os suecos da Alemanha. Em conseqüência, os protestantes alemães passaram a procurar soluções pacíficas para o conflito, o que culminou no chamado Acordo de Paz de Praga, de 30 de maio de 1635.
Esse acordo, porém, foi de pouca duração. A França e a Espanha intervieram no conflito, desencadeando mais uma série de lutas, que só terminou em 1648, com a Paz de Vestfália, na qual foi reconhecida a liberdade religiosa dos calvinistas e dos demais protestantes.
A Guerra dos Trinta Anos reforçou o processo de fracionamento do território alemão. Em 1648, a Alemanha compunha-se de 300 principados soberanos, sem qualquer sentimento nacional comum. A Paz de Vestfália finalmente trouxe tranquilidade para a Alemanha.
Segundo Paul Kennedy, autor de Ascensão e Queda das Grandes Potências, a essência da solução de Vestfália foi o reconhecimento do equilíbrio religioso e político dentro do Sacro Império Romano de Nação Germânica, confirmando dessa forma as limitações da autoridade imperial.
  • Autor Catrin Möderler (gh)
  • Fonte: DW-World

terça-feira, 29 de maio de 2012

1993: Atentado incendiário xenófobo em Solingen


Cinco turcas morreram no incêndio criminoso de 29 de maio de 1993 no oeste alemão. Responsáveis pelo atentado que causou indignação em todo o mundo foram condenados a longas penas de prisão.
Nos primeiros anos da década de 1990, verificou-se na Alemanha reunificada uma escalada da violência racista. Estrangeiros eram agredidos e mortos em plena rua, casas e abrigos para refugiados, incendiados. Em alguns casos, os atos contaram não só com a conivência como também com o aplauso do público.
Em 1992, o número oficial de vítimas da violência de extrema direita foi 17. No ano seguinte, foram nove. Os responsáveis pelas agressões eram, em geral, rapazes com menos de 20 anos de idade. As vítimas, sempre estrangeiros.
No caso de Solingen, tradicional centro da cutelaria, quatro alemães, de 16, 17, 20 e 23 anos, naturais daquela cidade, atearam fogo à casa da família turca Genc, causando a morte de cinco mulheres: Gürsün Ince (27 anos), Hatice Genc (18), Gülüstan Öztürk (12), Hülya Genc (9) e Saime Genc (4). No dia 13 de outubro de 1995, os réus foram condenados a penas entre 10 e 15 anos de prisão.
Grande número de estrangeiros
Já o grande número de minimercados, agências de viagem e bares turcos da pacata cidade de Solingen dá uma noção do contingente de estrangeiros entre a população. Dos 164 mil habitantes da cidade em 2003, 13,8% não eram alemães. Como no resto do país, o maior grupo de estrangeiros é composto por turcos. Muitos já na terceira geração, netos dos primeiros gastarbeiter, os trabalhadores convidados no exterior para ajudar a reerguer a Alemanha Ocidental no pós-guerra.
A catástrofe na casa da família Genc, na noite de 29 para 30 de maio de 1993, marcou a cidade. O incêndio consumiu o prédio rapidamente, não dando chances às cinco vítimas. Desde cedo, já se presumia que o fogo não podia ter começado sob circunstâncias normais. As investigações logo identificaram os autores, condenados pelo Tribunal Estadual Superior em Düsseldorf.
A pedido dos membros da família que sobreviveram ao atentado, as ruínas da casa foram completamente removidas. No local, resta apenas uma placa com os nomes das vítimas e a promessa de que jamais serão esquecidas. Esse crime covarde abriu os olhos das autoridades para a urgente necessidade de combater a ideologia racista da extrema direita e realizar campanhas contra a xenofobia na Alemanha.
Peter Philipp (rw)
Fonte: DW-World

segunda-feira, 28 de maio de 2012

1871 - Após milhares de execuções, Comuna de Paris é encerrada pelo Exército francês


No dia 28 de maio de 1871, ao longo da chamada “Semana Sangrenta”, a Comuna de Paris deixava de existir. Ao preço de várias dezenas de milhares de execuções e prisões, Adolphe Thiers podia se vangloriar de ter libertado o país da “questão social”, tema que permaneceria ausente da cena política francesa até 1936.

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Dez semanas antes, em 18 de março, os parisienses viviam subjugados às tropas do governo, humilhados pela derrota de seu país diante dos prussianos e irritados por estarem subordinados a um estado de sítio. O chefe do Executivo, Adolphe Thiers, havia deixado Paris e se instalado em Versalhes. Um movimento improvisado se insurge e assume o poder na capital, dando origem à Comuna de Paris.

No entanto, desde a assinatura em 10 de maio do Tratado de Paz com a Alemanha, Thiers obtém da Prússia a libertação antecipada de 60 mil soldados. Com o contingente recuperado, lança imediatamente contra a capital cinco batalhões do Exército. Eram 130 mil homens, entre presidiários e camponeses, recrutados e treinados às pressas para enfrentar a “canalha vermelha”.

As tropas eram comandadas pelo marechal Mac-Mahon, o mesmo que havia sido derrotado em Sedan pelos prussianos. Diante delas, os Communards só puderam alinhar cerca de 20 mil combatentes. Os primeiros confrontos ocorreram em 2 e 3 de abril. Em 10 de maio, na capital, Charles Delescluze assume o comando das operações militares.

Após ter conquistado os fortes de Vanves e de Issy, Mac-Mahon lança um assalto decisivo em 21 de maio, no bairro do Point du Jour, em Boulogne. Thiers determina um avanço lento e prudente nas ruas de Paris. Após violentas explosões, o bairro de Belleville, a leste, foi o último a cair. Os combates de rua deixam quatro mil mortos. Apenas 877 membros das tropas governistas seriam mortos.

Mais além, houve ainda as vítimas da repressão: aqueles considerados suspeitos eram mortos metodicamente. Vinte comitivas militares ligadas às grandes unidades julgavam rapidamente homens e mulheres apanhados com armas nas mãos. Os réus eram fuzilados no próprio lugar.

O Muro dos Federados, no cemitério Père Lachaise, conserva a lembrança de 147 combatentes que foram fuzilados nas cercanias e dos milhares de cadáveres que foram sepultados em uma vala vizinha. Das longas filas de prisioneiros que eram conduzidos às detenções de Versalhes, o general Marquês de Gallifet destacava os homens de cabelos grisalhos e mandava fuzilá-los. Isso pela simples suspeita de que já haviam participado da revolução de junho de 1848.

Os Communards, inexperientes e apavorados com as masmorras de Versalhes, sequestram e liquidam cerca de 80 reféns. Também criariam focos de incêndio que, ao lado dos bombardeios, destruiriam importantes monumentos históricos, como o Palácio das Tuileries, o Palácio de Justiça gótico, o Hôtel de Ville, o Palais-Royal e o Palácio d'Orsay. Das ruínas deste último foi construída a estação de trens que abrigou a Exposição Universal de 1900. Preciosas coleções de arte e arquivos de valor incalculável desapareceriam durante a Semana Sangrenta.

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Essas destruições iriam privar Paris de alguns florões de seu patrimônio arquitetônico. Essa cidade, que se orgulha tanto de seu passado histórico, não dispõe de monumentos que remontem além do século XVII. A única exceção é o palácio do Louvre, a igreja de Notre Dame e algumas outras do centro.

O balanço final da Semana Sangrenta foi de cerca de 20 mil vítimas e 38 mil prisões. Isso tudo sem contar as penalidades jurídicas: tribunais pronunciariam até 1877 um total de cerca de 50 mil julgamentos. Houve algumas condenações à morte e cerca de 10 mil deportações. As leis de anistia só viriam dez anos mais tarde, em 1879 e 1880. Apenas a partir desse marco prisioneiros seriam libertados e deportados, enquanto exilados poderiam retornar ao país.
Fonte: Opera Mundi

domingo, 27 de maio de 2012

1942 - Paraquedistas da resistência tcheca atacam chefe de segurança nazista


No dia 27 de maio de 1942, Reinhard Heydrich, um dos homens de confiança de Hitler, é mortalmente ferido num atentado de paraquedistas da resistência tcheca contra a cidade de Praga.
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Ele era tido como o “protetor do Reich” na Boêmia-Morávia. Chefe dos serviços de segurança nazistas e grande idealizador da Solução Final, tornou-se o homem mais poderoso da Europa depois do führer. Seu assassinato foi o primeiro golpe contra a potência nazista.
Filho do diretor de um conservatório musical, Heydrich se alistou em 1931 à Schutzstaffel, a famosa SS, corpo de elite do partido nazista. Torna-se logo o braço direito do chefe da corporação, Heinrich Himmler, que se seduziu por seu físico ariano, expressão diabólica e inteligência sintética. Depois, seria promovido a chefe do Escritório Central de Segurança do Reich, um organismo poderoso que incluía o controle da polícia criminal e da Gestapo, a polícia política.
Em meio à organização do programa de extermínio dos judeus, Heydrich é indicado por Hitler para submeter a Boêmia-Morávia a um estado de exceção. Faria correr sangue: massacres, deportações e germanização forçada. Por seus métodos, ganha a alcunha de “açougueiro de Praga”.
A resistência tcheca, com o apoio de seu governo exilado em Londres, decide agir e liquidar Heydrich. Um comando é formado na Escócia e lançado de paraquedas sobre o território tcheco em dezembro de 1941.
Na manhã de 27 de maio, Heydrich viajava em sua Mercedes de sua vila campestre para o castelo de Hradschin, em Praga. À passagem da viatura, o chefe do comando, Josef Gabcik, salta para o meio da rua e mira na direção de Heydrich com sua submetralhadora. A arma, contudo, falha. Vendo a cena, outro paraquedista, Jan Kubis, lança uma bomba sobre o automóvel. Os estilhaços dilacerariam as costas de Heydrich, que é transportado para o hospital local.
Furioso com os fatos, Hitler ordena um controle rígido sobre Praga. Enquanto isso, sete membros do comando encontram refúgio na cripta da igreja ortodoxa São Carlos Barromeu, sob a proteção condescendente e discreta dos sacerdotes. Eles tentam tirar os homens da cidade, mas ela está cercada.
Enquanto Heydrich lutava entre a vida e a morte, Hitler confia o posto interinamente a um funcionário nazista de Karlsbad, Karl Frank. Empossado, tentaria agradar o führer com um vasto plano de represálias.
Seguiu-se uma verdadeira hecatombe. Os alemães vingaram-se de forma selvagem, à moda dos antigos ritos teutônicos. Os “suspeitos” são fuzilados e artistas, escritores e funcionários públicos tem seus nomes afixados em sinistras placas vermelhas. Segundo um dos relatórios da Gestapo, 1.331 tchecos foram imediatamente executados. Kurt Daluege, oficial superior das SS, prometeu entregar 10 milhões de coroas a quem denunciasse os autores do atentado. Contudo, nenhum indício ou informação chega aos nazistas.
Em 4 de junho, Heydrich sucumbe aos ferimentos. Seu caixão atravessa Praga em meio a um grande, seguido pela luz de tochas. O corpo é transportado até Berlim, onde é recebido com grandiosas cerimônias fúnebres no dia 9 de junho.
Entre os Aliados e europeus submetidos ao jugo nazista, a operação foi recebida com satisfação. Fora o primeiro golpe substantivo contra o Estado nazista ao mesmo tempo que também foi o sinal de uma terrível vingança.
Lídice
De todas as consequências da morte de Heydrich, a que perduraria por mais tempo na lembrança do mundo ocidental foi o do cerco à aldeia de Lídice. Na manhã de 10 de junho, dez caminhões lotados de oficiais da Gestapo, sob o comando do capitão Max Rostock, chegaram à região. Ninguém estava autorizado a sair de lá. Um menino de 12 anos, assustado, tentou fugir. Abateram-no a tiros. Toda a população masculina foi trancada a chave nos celeiros, estábulos e adegas de um fazendeiro chamado Horak.
Mais tarde, foram levados para o pomar, atrás dos celeiros, e fuzilados. Um total de 172 foram executados. Dezenove homens que residiam na cidade e que, durante o massacre, estavam trabalhando nas minas de Kladno, foram depois capturados e liquidados em Praga. Sete mulheres que haviam sido arrebanhadas em Lídice foram também conduzidas à capital e fuziladas. As restantes 195 foram transportadas para o campo de extermínio de Ravensbrueck, na Alemanha, onde morreram em câmaras de gás. Quatro mulheres, no final de suas gestações, foram removidas para uma maternidade na capital. Os filhos recém-nascidos foram exterminados e as mães despachadas para Ravesbrueck.
Permaneceram em Lídice as crianças de pais assassinados e mães aprisionadas. Os nazistas não as fuzilaram, despacharam-nas para um campo de concentração em Gneisenau. Ao todo eram 90. Destas, sete com menos de um ano foram selecionadas de acordo com o meticuloso exame de peritos raciais para serem enviadas à Alemanha e, ali, educadas como arianas, rebatizadas com nomes nacionais.
Lídice foi varrida da face da terra. Assim que os homens terminaram de ser massacrados e as mulheres e crianças, removidas, a Polícia de Segurança incendiou a aldeia e dinamitou as ruínas, não deixando pedra sobre pedra.
A repressão, os fuzilamentos e as ameaças prosseguiram por todo o país. Um dos membros do comando, refugiado na casa de sua mãe, de origem alemã, é tomado pelo pânico e se rende ao comando da Gestapo em Praga. Entrega o nome das diferentes famílias que ocultavam os membros do comando.
A caça começou. Em algumas horas, as famílias são presas e torturadas. Os nazistas rapidamente percorrem as pistas e chegam à igreja ortodoxa. Em 18 de junho, 800 homens dão início ao assalto contra a cripta. Os paraquedistas resistem heroicamente, reservando a última bala para pôr fim à própria vida.
Fonte: Opera Mundi

1525: Fim da Guerra dos Camponeses


Com a decapitação do teólogo Thomas Müntzer, a 27 de maio de 1525, terminou a Guerra dos Camponeses, responsável pela morte de pelo menos cinco mil pessoas na Alemanha.
Pintura de Neuhaus sobre a Guerra dos Camponeses (1524/25)
Em 1524, os camponeses alemães se revoltaram contra os senhores feudais, para os quais eram obrigados a trabalhar. A crise do sistema feudal havia modificado a situação da população rural. Liderada por Thomas Müntzer, um pastor da Saxônia, a revolta camponesa alastrou-se pelos campos e cidades da Alemanha.
Os revoltosos baseavam-se na Bíblia para afirmar que os camponeses nasceram livres e reivindicavam a livre escolha dos líderes espirituais, a abolição da servidão, a diminuição dos impostos sobre a terra e a liberdade para caçar nas florestas pertencentes à nobreza. Lutero condenou o movimento dos camponeses, apoiando os príncipes e nobres.
Nascido em 1489, Müntzer estudou pelo menos três idiomas na Universidade de Leipzig e, mais tarde, Teologia em Frankfurt do Oder (no leste da Alemanha). A partir de 1514, passou a ter contato com as ideias do reformador Martinho Lutero.
Conflito com Lutero
Como pregador na paróquia de Zwickau, no leste do país, passou a divulgar as teorias da Reforma. Ao contrário de Lutero, Müntzer acreditava que as pessoas simples entendiam muito melhor sua pregação que os nobres e ricos. Sua conclusão de que a Igreja sempre estava ao lado dos ricos e poderosos levou ao conflito com Lutero e seus seguidores, sendo afastado da paróquia em 1521.
Ao lado do estudante Markus Stübner, o pastor Müntzer começou a seguir os passos do "pregador rebelde" Jan Hus, de Praga. Era a época do florescimento da Reforma pregada por Lutero. Usando seu talento de orador, Müntzer tornou-se figura carismática na pregação dessas idéias. Depois que se estabeleceu no pequeno povoado de Allstedt, Müntzer começou a atrair inclusive pessoas de outras localidades.
Sua intenção de falar uma linguagem acessível aos servos representava uma ameaça aos senhores feudais. Seis meses depois da chegada de Müntzer à pequena Allstedt, o conde Ernst von Mansfeld proibiu seus trabalhadores de frequentarem os ofícios religiosos do pastor.
Mas o teólogo e suas ideias ganhavam força. Em 1524, seu movimento secreto Aliança de Allstedt contava 30 membros. Poucos meses depois, já eram 500. As ideias eram divulgadas em publicações feitas na gráfica de Müntzer.
A batalha final
O movimento das camadas plebeias da população ganhava força também em outras regiões. Os levantes e as inquietações, entretanto, ainda eram localizados, em geral organizados por agricultores e servos dos centros urbanos.
Ainda em 1524, os camponeses do sul da Alemanha se aliaram pelo levante. Müntzer começou a migrar por todo o país, apoiando a rebelião. Em fevereiro de 1525, a revolta armada havia se espalhado por todo o sul do país e começava a se alastrar para o norte e leste.
Os lavradores, porém, não tiveram chances contra os soldados, armados e experientes. Na batalha de Frankenhausen, em maio de 1525, os camponeses foram cercados e mortos aos milhares. O teólogo acabou preso e, sob tortura, foi obrigado a negar suas teorias. Por fim, o decapitaram e sua cabeça foi pendurada como troféu nos portões de entrada de Frankenhausen.
Os vencidos permaneceram sob o jugo dos senhores feudais e mantidos na condição de servos, reforçada pelo princípio luterano da passiva submissão à autoridade. Os seguidores de Müntzer passaram a ser conhecidos como "anabatistas", por rejeitarem o batismo.(rw)

Exposição mostra a moda europeia do Iluminismo à Primeira Guerra Mundial


Com a exposição "Fashioning Fashion – Roupas europeias de 1700-1915", o Museu Histórico Alemão mostra como a moda refletiu as mudanças sociais, culturais e estéticas do período.
A exposição Fashioning Fashion, no Museu Histórico Alemão (Deutsches Historisches Museum) em Berlim, acompanha as transformações pelas quais a moda passou na Europa ao longo de mais de dois séculos.
Por trás de luxuosas peças e acessórios originais, é possível perceber como o modo de vestir dos europeus foi influenciado por acontecimentos políticos, inovações tecnológicas e tendências do comércio global.
Do Iluminismo até a Primeira Guerra Mundial, as mudanças estéticas e técnicas foram enormes.
Espartilho inglês de algodão, cetim e tafetá de 1830
A exibição examina essas mudanças e oferece uma visão detalhada de tecidos luxuosos, de complexas técnicas de alfaiataria e de exuberantes enfeites.
Além de ser uma viagem cronológica, a exposição é um mergulho profundo e detalhado em todos os elementos que formam um traje. A criação de uma peça de vestuário começa com a escolha do tecido.
Peso, cores, formas e estampas são levadas em consideração. A alfaiataria transforma, através do corte e da costura, tecidos em roupas. Artisticamente, a peça ganha força e personalidade no acabamento através de detalhes e enfeites.
Linha do tempo revela as transformações na silhueta
Contornos aerodinâmicos
Com grande influência das modas inglesa e francesa, países referência no continente, a exposição começa com uma viagem através de uma linha do tempo que revela as notáveis transformações na silhueta. No caso das mulheres, cada época enfatizava uma parte diferente da anatomia. Já os homens burgueses do século 19 se distinguiam pelo contorno aerodinâmico de seus ternos, feitos com esmero por alfaiates.
Inglaterra e França ditavam a moda na Europa
Mudanças na estrutura formal nas roupas femininas, como a forma da manga, as proporções entre busto, cintura e quadris, e a altura da bainha se combinam e lançam as peças em um determinado momento e local na história. Para chamar a atenção na variação das silhuetas, a exposição apresenta diversos vestidos da cor branca.
A moda masculina se tornou mais funcional e aerodinâmica
Diferentemente da moda feminina, as mudanças na silhueta masculina não eram tão frequentes. No entanto no século 18, os homens se vestiam com cores e ornamentos, assim com as mulheres.
Após a revolução francesa, cores chamativas e enfeites passaram a ser usados apenas nos momentos de lazer. Os homens ostentavam através de uma alfaiataria sofisticada e inovadora.
Técnicas como renda e bordados ornam algumas das peças
Tecidos e ornamentos
Os tecidos têm uma seção especial na mostra. No século 18, eles eram extremamente caros. A produção têxtil era artesanal e demandava tempo, dinheiro e muita habilidade. Na segunda metade do século 19, isso começou a mudar com a produção e distribuição em massa, consequência da mecanização.
Vestido com cauda da rainha Maria 2ª de Portugal feito em 1845
Devido ao alto custo, tecidos eram frequentemente reutilizados nos séculos 18 e 19. O trabalho manual com agulha e linha era a base para as técnicas de ornamentação, como bordados, rendas e acolchoamento. Os luxuosos enfeites representavam, muitas vezes, grande parte do investimento financeiro das roupas.
A expansão do comércio internacional nos séculos 18 e 19 foi responsável pela importação de grande quantidade de ornamentos elaborados, vindos principalmente da China, do Japão e da Índia. As novas técnicas e os novos produtos exerceram uma forte influencia na moda feita na Europa.
Detalhe em lantejoulas e fios metálicos de traje masculino francês de 1760
Realçar e modelar o corpo
Alfaiataria é a arte de transformar um tecido plano em uma peça de roupa tridimensional. No final do século 18, a revolução francesa e a influência da roupa casual inglesa mudaram a ênfase das cores, texturas e adereços.
Trabalho manual com agulha e linha era a base para as técnicas de ornamentação
As roupas não deveriam apenas servir, mas também modelar e realçar o corpo, escondendo imperfeições. A evolução em técnica e maquinário permitiu ajustes mais perfeitos e a criação de volumes e proporções mais elaborados.
Em meados do século 19, aconteceu a popularização das máquinas de costura, moldes de papel e revistas de moda que revolucionaram a maneira como os vestidos eram feitos.
A produção de roupas em massa só começou a se popularizar no final daquele século. Com poucas exceções, todos os objetos da exposição são peças únicas feitas para clientes privilegiadas.
Turbante do estilista francês Paul Poiret de 1911
A exposição termina na década de 1910, uma época de transição onde tanto homens quanto mulheres começaram usar pesadas e incômodas roupas de baixo. À medida que o século avançou, a androginia no modo de vestir foi se tornando uma marca da modernidade.
A exposição Fashioning Fashion – Roupas europeias de 1700-1915no Museu Histórico Alemão em Berlim pode ser visitada até 29 de julho de 2012.
Autor: Marco Sanchez
Revisão: Roselaine Wandscheer