segunda-feira, 30 de abril de 2012

PPGH informa - defesa de dissertação




Data: 10 de maio de 2012 às 14h
 
Local: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, prédio B4
Mestrando: FABIANO BARCELLOS TEIXEIRA
Título do Trabalho: “A PRIMEIRA GUERRA DO PARAGUAI: A EXPEDIÇÃO NAVAL IMPERIAL AO PARAGUAI DE 1854-5””
Banca: Prof. Dr. Mário Maestri (orientador - PPGH/UPF), Prof. Dr. Ana Luíza Setti Reckziegel  (PPGH/UPF) e Prof. Dr. Alejandro Miguel Schneider (UNB)

A realidade da escola pública em debate

O Coletivo Nada Será Como Antes convida @s estudantes dos cursos de licenciaturas da Universidade de Passo Fundo (UPF) a participar do debate sobre “A realidade da escola pública” no próximo dia 10 de maio de 2012, a partir das 19 horas e 30 minutos, junto ao Auditório da FEAC no Campus Central. As inscrições são limitadas e devem ser feitas antecipadamente em www.nadaseracomoantesupf.blogspot.com
O convidado para essa atividade é o professor Orlando Marcelino da Escola Estadual de Ensino Profissional João de Cesaro de Passo Fundo/RS. Licenciado em Ciências Agrícolas pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), o professor Orlando é pós-graduado em Metodologia do Ensino de Segundo Grau pela UPF e trabalha a mais de 20 anos na rede pública estadual, aonde já exerceu os cargos de diretor de escola e também de dirigente no CPERS/Sindicato. Além disso, milita pela CSP-Conlutas e participou da organização de várias edições do Colóquio de Educação Popular realizado de Passo Fundo.
Pretendemos com essa iniciativa abordar com seriedade as atuais condições das escolas públicas e debater as perspectivas de atuação dos trabalhadores em educação independentemente da sua formação específica. Convide seus colegas e participe!

1968: "Hair" estreia na Broadway


No dia 29 de abril de 1968, "Hair" estreou em Nova York. Pela sua exaltação à cultura hippie, acabou se tornando símbolo de uma geração e modelo para o movimento de protesto contra o racismo e a Guerra no Vietnã.
Montagem da peça em Viena, em 2001
O primeiro grande musical de rock e a música Aquarius correram o mundo no final da década de 60, depois da estreia de Hair no Biltmore Theater, da Broadway, em Nova York. A obra agradou especialmente à nova geração norte-americana, engajada em protestos contra a Guerra no Vietnã, pelo Black Power e o amor livre.
Pela primeira vez na história do teatro, os atores se atreveram a representar completamente nus no palco. A peça conclamava a orgias de sexo e drogas, temas chocantes para a Igreja e os políticos da época.
Mesmo assim, a ousadia da peça fez com que rapidamente fosse elogiada como brilhante pelos críticos. Clive Barnes, do New York Times, escreveu tratar-se "da primeira peça na Broadway que fala a linguagem contemporânea e não de antigamente".
Tom O'Horgan, diretor da peça, admitiu que "uma ideia destas só se tem uma vez na vida. Trata-se de uma obra cujos diálogos, a música, a dança, inclusive o título, tudo representa com detalhes um fenômeno social real."
Um musical sem enredo fixo
Hair foi concebida por dois atores desempregados: Gerome Ragni e James Rado queriam levar ao palco uma peça contemporânea que tratasse de experiências da vida real. Depois de muita procura, conseguiram engajar o compositor Galt MacDermott, que com quase 40 anos já era "velho" para a proposta do musical.
O enredo trata dos jovens George Bergere, Claude Berkowsky e seu grupo de amigos. George acaba de ser expulso da escola e Claude está prestes a iniciar o serviço militar. O peculiar da peça é que seu ator abdicou de um roteiro fixo. A cada apresentação, os diálogos entre os personagens eram livres e, consequentemente, diferentes.
Apesar de muitas censuras e proibições (principalmente no exterior), Hair foi um enorme sucesso de público, sendo apresentado 1.750 vezes no Biltmore Theatre, até 1º de julho de 1972. Em 1970, a banda Fifth Dimension ganhou o Grammy da melhor canção do ano com Aquarius (Let the Sunshine In), que compôs a trilha sonora do musical.
Peça mudou modo de pensar e moral
Em países como Alemanha, Israel, Suécia, França, Inglaterra, Austrália e Japão, foram levadas iniciativas próprias aos palcos. Anos mais tarde, alguns dos intérpretes se tornaram grandes estrelas, como Diane Keaton, nos Estados Unidos, e Donna Summer, na Alemanha. Depois, o musical ganhou as telas dos cinemas através de Milos Forman.
O musical deixou rastros em todo o mundo, conforme escreveu David Richards no New York Times,por ocasião dos 25 anos de estreia da peça: "Hair mudou o pensamento político e os valores morais. Mesmo assim, a Broadway nunca mais aceitou um musical de rock semelhante, até certo ponto devido à pressão dos conservadores. Hoje em dia, a expressão flower power é muito mais usada pelos floristas que por uma geração de protesto."
Os anos 60 marcaram a rebelião da juventude em vários aspectos. Era a vez dos jovens que, influenciados pelas ideias de liberdade, começavam a se opor à sociedade de consumo vigente. O movimento, que nos anos 50 vivia recluso em bares nos EUA, passou para as ruas nos anos 60 e influenciou novas mudanças de comportamento jovem, como a contracultura e o pacifismo do final da década.

1848 - Rei Luis XIII se alia ao duque de Richelieu e transforma a França

No dia 29 de abril de 1624, o rei Luis XIII, à época com 23 anos, traz para perto de si o cardeal duque de Richelieu, Armand Jean du Plessis. Os dois iriam fazer da França, ainda feudal e desorganizada, um Estado centralizado e forte.


Nascido em 5 de setembro de 1585, Armand du Plessis torna-se bispo da modesta localidade de Luçon apenas depois de ordenado. Se bem que tivesse preferido seguir a carreira militar, mostrou-se, ao longo da vida, um homem sinceramente piedoso.

Foi descoberto nos Estados Gerais de 1614 pela regente Maria de Médicis, mãe de Luis XIII. É indicado secretário de Estado para o Interior e a Guerra. Porém, o assassinato do marquês d’Ancre, favorito da regente, o leva a se retirar temporariamente do poder.

Hábil, retoma as simpatias da rainha-mãe e a faz se reconciliar com o filho. Esta proeza é recompensada pelo solideu cardinalício. Mais tarde, Maria de Médicis cai em desgraça. Seu filho a proibe de assistir às sessões do Conselho. No entanto, pela força da persuasão, consegue que o cardeal participe delas, imaginando que ele serviria aos seus interesses. Cálculo equivocado.

O rei logo percebeu no cardeal talento e devoção. Quatro meses depois, lhe oferece a direção do Conselho. No posto de "principal ministro", o cardeal revelaria um extraordinário gênio político. É recompensado com os títulos de duque e de par em 1629.

Trabalhador incansável, não dormindo mais que quatro horas, iria se dedicar até a morte ao serviço do Estado.

Num primeiro momento, contém a nobreza, reprime duelos e complôs e reforça a autoridade do rei – regime que seria chamado de absolutista durante a Revolução. Foi hábil também em se cercar de homens de talento.

Visionário, estimulou expedições marítimas de longo curso. Apaixonado pelo mar, outorgou-se em 1626 o título de grande mestre e superintendente geral da Navegação e do Comércio. Criou companhias monopolistas para facilitar as ações de colonização, lançando as bases do primeiro império colonial francês – Martinica, Canadá, Madagascar. O objetivo dessas companhias era sobretudo prover a metrópole de açúcar, produto de luxo tradicionalmente adquirido nos países muçulmanos, o que provocava importantes saídas de metais preciosos.

Consciente da importância do comércio marítimo e preocupado com a concorrência dos holandeses, precursores nesse domínio, o cardeal Richelieu adquire em 1626 um navio mercante holandês. Rebatizado de Fleur de Lys, foi colocado à disposição dos armadores franceses para que nele se inspirassem na construção de seus próprios barcos.

Determinado e um pouco cínico e maquiavélico, Richelieu combate com eficácia os protestantes domésticos e seus aliados ingleses, não que quisesse pôr em causa o Édito de tolerância de Nantes, mas não aceita as veleidades emancipatórias dos protestantes e os complôs da alta nobreza. Após o cerco de La Rochelle e o Édito de Alès não restou grande coisa do antigo poderio dos protestantes franceses.

Reprime com dureza as revoltas camponesas, como a Revolta dos Croquants, que se multiplicavam no final do reinado devido à miséria e a guerra. Garante a tranquilidade sobre as fronteiras do país, não hesitando em se aliar aos protestantes alemães para dividir a Alemanha, com o fim de debilitar a casa católica dos Habsburgos que, de um lado, governava a Espanha, e de outro, os Estados austríacos.

Vitorioso em todas as intrigas e conspirações graças ao apoio constante do rei Luis XIII, Richelieu é tido como o primeiro estadista moderno, preocupado com o interesse nacional, contra ventos e marés.

Fonte: Opera Mundi

domingo, 29 de abril de 2012

Para inglês ver


Documentos liberados pelo Itamaraty apimentam discussão sobre apoio do Brasil à Argentina na Guerra das Malvinas, em 1982. Postura oficial de neutralidade já era contestada naquele tempo

Alice Melo
Na última semana, uma reportagem do jornal “O Globo” gerou um grande debate ao expor a participação do Brasil num tráfico internacional de armas, durante a Guerra das Malvinas, que ocorreu há exatos 30 anos. Os repórteres se basearam em documentos confidenciais, recentemente liberados pelos arquivos do Conselho de Segurança Nacional e do Itamaraty. O material sugere que o governo brasileiro sabia do uso de territórios nacionais como posto de pouso de aviões carregados de armamentos, oriundos da Líbia e de Israel, com destino à Argentina. Os documentos revelados no periódico reiteram o que a historiografia vem discutindo há tempos: o Brasil não foi neutro durante o conflito.
 “Era muito interessante para o Brasil, em questões diplomáticas, mostrar-se oficialmente neutro – principalmente para a Inglaterra e para os Estados Unidos”, conta Adler Homero Fonseca, pesquisador do Iphan e especialista em armamento militar. “Mas, ao mesmo tempo, era positivo para o governo dizer à sociedade que estava apoiando secretamente a Argentina. Isso poderia ser visto como uma independência na política internacional”, destaca o historiador. Ele comenta que, já na época da guerra, a imprensa divulgou fotografias de aviões vindos da Líbia, estacionados em aeroportos nacionais, mas não se tinha certeza do que exatamente eles transportavam.
Apesar do histórico de rivalidade política com os vizinhos, o Brasil tentou se aproximar da Argentina durante os anos 1980, pensando em sua projeção no cenário internacional – na época, as relações internacionais brasileiras ainda eram muito presas aos interesses norte-americanos, coisa que só começou a mudar nos últimos dez anos.
Empréstimos aos hermanos
Ainda assim, o apoio à Argentina na Guerra das Malvinas não podia ser explícito: o governo do general argentino Leopoldo Galtiere chegou a pedir mísseis brasileiros para utilizar em ataques, mas teve a solicitação negada. Apesar do "não", o país comandado por João Batista Figueiredo à época disse "sim" a outros empréstimos e participou nesta aliança de outras formas, como cedendo aviões de patrulhamento marítimo, foguetes, caças e, em dado momento, até reteve uma aeronave inglesa em solo brasileiro.
A reportagem “Disputa reacesa”, publicada no site da RHBN em 2010, traz um trecho de um documento liberado em 2006 pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) – no qual a embaixada britânica condena a postura das autoridades brasileiras frente ao conflito: “À luz das antigas e amistosas relações entre a Grã-Bretanha e o Brasil, o governo de Sua Majestade Britânica acredita ter o direito de esperar tratamento equilibrado na atual situação de crise. Nesse contexto, tem conhecimento de que aviões militares argentinos e outras aeronaves utilizaram e continuam utilizando aeroportos brasileiros ao transportarem equipamento militar para uso pela Argentina”. A postura era tão dúbia que não ficou camuflada nem aos olhos dos ingleses.

A guerra
Em 1982, a ditadura militar argentina não ia bem das pernas: a crise econômica era grave e a população estava cada vez mais insatisfeita. Apelando para o sentimento nacionalista, o governo Galtiere invadiu as Ilhas Malvinas – chamadas pelos britânicos de
Guerra das Malvinas deixou mais de 400 mortos no lado argentino
Guerra das Malvinas deixou mais de 400 mortos no lado argentino
Falklands – e desafiou a Inglaterra pela soberania do território. O conflito durou poucos meses (até junho do mesmo ano) e gerou consequências amargas à parte sul-americana envolvida: além dos mais de 400 mortos, a guerra produziu centenas de veteranos traumatizados e pôs um ponto final na administração autoritária do país sul-americano.
Hoje, as ilhas continuam sob poder da Inglaterra, mas a Argentina ainda tenta trazer à tona o debate internacional sobre a soberania para tentar reavivar o nacionalismo da população num momento de crise política. “As Malvinas são um tema nacional, algo que toca o sentimento de todos os argentinos, independente da filiação politica. A presidente Cristina Kirchner aproveitou a efeméride dos 30 anos para reacender o nacionalismo, mas o exército argentino não tem condições psicológicas, financeiras e tecnológicas para enfrentar uma guerra contra a Grã-Bretanha”, conta Tomaz Espósito Neto, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal da Grande Dourados.
Para ele, a situação política deve permanecer a mesma porque a Inglaterra não deve ceder.  Principalmente porque o território envolveu um conflito armado há pouco tempo e, recentemente, foi apontado como uma possível grande reserva de petróleo. O conflito de interesses está longe de acabar.

Sigilo de documentos
Os documentos que suscitaram o debate foram liberados pelo Itamaraty já obedecendo a nova "lei de arquivos", em vigor desde o ano passado, que colocou fim ao sigilo eterno de documentos oficiais. Agora, textos rotulados como "ultrasecretos", por exemplo, têm prazo máximo de 50 anos para permanecer longe do acesso da sociedade. A medida vai facilitar a pesquisa sobre as decisões políticas do passado do país, por anos mantidas sob segredo absoluto.

1945: Americanos libertam o campo de concentração de Dachau

No dia 29 de abril de 1945, soldados americanos libertaram os 70 mil prisioneiros que restavam no campo de concentração de Dachau.

Campo de concentração de Dachau

"Eu tinha a sensação de ter que pedir desculpas ao nosso cachorro pelo fato de pertencermos à raça humana. Quanto mais adentrávamos o campo de concentração e víamos os esqueletos revestidos de pele e as instalações características do campo de extermínio, tanto mais eu me sentia inferior ao cachorro, porque, como pessoa, eu pertencia à raça responsável por Dachau."

Desta maneira, o rabino militar norte-americano Eli Bohnen descreveu, em suas memórias, a libertação do campo de concentração de Dachau, no dia 29 de abril de 1945. Dachau foi o primeiro campo de concentração construído logo após a tomada do poder por Adolf Hitler, em 1933. Inicialmente, serviu de prisão para os adversários políticos do novo regime. Em Dachau, foi testado e desenvolvido o sistema de terror nazista. Foi o laboratório de experiências da SS, a tropa de elite nazista, chefiada por Heinrich Himmler.

Campo de extermínio

Durante a Segunda Guerra Mundial existiram 22 campos de concentração, fora os outros 165 "campos de trabalho". Em todos eles, os prisioneiros eram submetidos a brutalidades. Devido às torturas, jornadas de trabalhos forçados de 11 horas diárias, má alimentação e doenças, a taxa de mortalidade entre os prisioneiros era altíssima. Calcula-se 7,2 milhões de pessoas foram confinadas nos campos de concentração, das quais 500 mil sobreviveram.

Com o início da Segunda Guerra Mundial, os campos de concentração foram ampliados para os territórios conquistados, principalmente a Polônia. Por ordem de Himmler, Auschwitz transformou-se no maior campo de concentração do regime da SS. Na esperança de obter mão de obra barata, o grupo industrial I.G. Farben construiu uma fábrica de borracha sintética próxima a Auschwitz.

Paralelamente, a mesma empresa desenvolveu o gás venenoso Zyklon B, testado pela primeira vez em setembro de 1941 no extermínio de cerca de 900 prisioneiros de guerra da União Soviética. Em seguida, a SS passou a usar esse gás no extermínio em massa dos judeus de 23 países europeus, transportados para Auschwitz. No dia 29 de abril de 1945, soldados norte-americanos libertaram os últimos prisioneiros do "laboratório" em que foi desenvolvida essa máquina do terror nazista: o campo de concentração de Dachau.


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Autor Otto Busch (gh)
Fonte: DW-World

Reencontro com o passado


Em entrevista à RHBN, Esther Bertoletti, ex-coordenadora do Projeto Resgate, conta um pouco da trajetória da iniciativa que deve recuperar até o fim do ano mais de 5 milhões de páginas documentos históricos

Cristina Romanelli
O mapa 'Americae Pars meridionalis', pintado à mão em 1630, faz parte do acervo copiado por participantes do projeto em Portugal
O mapa 'Americae Pars meridionalis', pintado à mão em 1630, faz parte do acervo copiado por participantes do projeto em Portugal
O Projeto Resgate Barão do Rio Branco, coordenado pelo Ministério da Cultura (MinC), tem até o fim de 2012 para bater a meta de cinco milhões de páginas de manuscritos copiadas. A iniciativa é tema da reportagem "Um resgate e tanto", publicada na RH 79, e está percorrendo arquivos de nove países em busca de documentos importantes para a história do Brasil. Mas não se pode falar em Projeto Resgate sem mencionar um de seus principais personagens: a pesquisadora Esther Bertoletti. Funcionária aposentada da Biblioteca Nacional, Esther coordenou o projeto dos anos 1990 até 2011, vivendo sempre com um pé em Portugal – transportou, de um país a outro, malas de microfilmes e CDs com registros sobre o passado luso-brasileiro. Em entrevista à Revista de História, Esther conta um pouco da trajetória do Resgate nestes mais de vinte anos de existência.

RHBN: Como começaram as iniciativas de cópia de documentos históricos?
Esther Bertoletti:Foi a criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), em 1838, que deu início à pesquisa histórica e à coleta de documentos. Várias pessoas fizeram esse trabalho ainda no século XIX e no início do século XX. Dizem que o próprio Barão do Rio Branco (1845-1912), ex-ministro das Relações Exteriores que empresta o nome ao Projeto Resgate, pagava um cartógrafo para copiar mapas antigos. Era com esse material que ele questionava as fronteiras do Brasil com outros países. O Itamaraty mandou várias pessoas que estavam em postos lá fora copiarem documentos nas décadas seguintes. João Cabral de Melo Neto, por exemplo, ficou em Sevilha por quatro ou cinco anos para fazer um catálogo de documentos da cidade. A partir dos anos 1970, quando começou a pós-graduação em História, vários pesquisadores também foram em busca de material. Todos me repassaram os resumos que haviam feito assim que começamos o projeto.

Funcionária aposentada da FBN, Esther Bertoletti coordenou o Projeto Resgate por mais de vinte anos
Funcionária aposentada da FBN, Esther Bertoletti coordenou o Projeto Resgate por mais de vinte anos
RHBN: Como surgiu o Projeto Resgate?
EB:Em 1983, o embaixador Wladimir Murtinho era presidente da Fundação Alexandre Gusmão, uma fundação cultural do Itamaraty. Ele convocou uma reunião com várias pessoas que pesquisavam o período colonial para pensar em como fazer cópias desses documentos, já com microfilme. Eu participei dessa reunião como especialista em administração de projetos culturais ligados à documentação histórica. Em função dessa reunião, foi assinado também em 1983 o primeiro acordo entre Brasil e Portugal. Baseado na resolução 4212 da Unesco, de 1974, ele determinava que os documentos do período colonial eram patrimônio comum da ex-colônia e da ex-metrópole. Foi a partir daí que surgiu o Projeto Resgate, em 1990. Lá em Portugal também foi criado o Projeto Reencontro, que copiou cerca de 700 mil páginas de documentos aqui do Brasil.

RHBN: Como era seu trabalho?
EB:Meu trabalho era muito prazeroso, mas a cada dia surgia um “pepino”. Às vezes faltava verba, aparecia um problema nos governos dos estados, ou uma universidade não queria liberar um professor. Parentes de pesquisadores ficaram doentes e eles não puderam mais viajar... Eu cheguei a conversar com maridos para que eles deixassem as mulheres irem a Portugal. Tinha que ter jogo de cintura. Consegui passagens aéreas para pesquisadores e nunca paguei multa por excesso de bagagem. Eu conseguia trazer 50 quilos de microfilmes, estraguei várias malas minhas. Meu marido fala que tenho “cara de jacarandá”, não tenho só cara de pau não. (risos)

RHBN: Como era o trabalho dos pesquisadores?
EB:Nós levamos cerca de 120 pesquisadores, tinha gente do país inteiro. Alguns ficaram cinco ou seis anos, outros foram durante as férias. Teve quem se casasse e ficasse por lá, mas também teve casamento desfeito. Muitas dessas pessoas foram liberadas de universidades ou arquivos, muitas foram com bolsas que conseguimos no CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Lá no Arquivo Histórico Ultramarino (AHU), em Lisboa, que foi o principal arquivo a ser trabalhado, tinha muito trabalho a ser feito, pois era preciso ver documento por documento. E tinha muita coisa fora do lugar, porque o AHU só foi criado nos anos 1930. Tudo que está lá foi tirado de outros centros de documentação, e o pessoal que organizou isso nem sempre conhecia a história do Brasil.  

Catálogo com manuscritos digitalizados da capitania da Bahia
Catálogo com manuscritos digitalizados da capitania da Bahia
RHBN: Qual a importância do Projeto Resgate?
EB:O projeto conseguiu democratizar o acesso a todo esse material. Se pesquisadores de alguns estados como Acre e Amazonas muitas vezes não conseguem vir ao Rio de Janeiro pesquisar, imagina ir a Portugal? Agora as pessoas nem precisam mais ir lá. Fizemos uma caixa com 300 CDs com o material de Portugal digitalizado. É praticamente a história do Brasil numa caixa de sapatos. Universidades do país inteiro receberam os CDs das capitanias relativas a seus estados e algumas instituições principais receberam o pacote inteiro. Qualquer pesquisador ou aluno pode copiar o material para trabalhar em casa. Também existe o site do Centro de Memória Digital da Universidade de Brasília (www.cmd.unb.br), que está no ar, mas é muito difícil ter essa quantidade toda de material ali. Cada estado tem o direito de colocar material de suas capitanias. Não há nenhum controle de direitos autorais, porque essa é uma documentação livre, é nosso patrimônio.

RHBN: Quando o projeto será finalizado?
EB:As pessoas não acreditavam que a gente faria esse projeto, porque é muito grande. Os próprios pesquisadores dos outros países não imaginavam que havia tantos documentos relacionados ao Brasil. A previsão, quando começamos, em 1990, era de 25 anos. Nos últimos dois anos houve contenção de verbas do MinC, aí passamos um pouco do tempo previsto, mas o trabalho principal já está feito. Falta lançar alguns poucos guias. Fizemos um trabalho enorme, mas ainda há muitos documentos pelo mundo... Nós esperamos que algum dia alguém consiga ampliar este trabalho.

28 de abril de 1945: A execução de Mussolini

28/04/2012 - 11:30 | Enviado por: Lucyanne Mano


Ao final de uma noite em que morreram de 150 a 200 guerrilheiros numa ação do comitê nacional de libertação, Benito Mussolini, 61 anos, foi preso ao ser identificado numa barreira dos guerrilheiros antifacistas, numa tentaiva de fuga para Suíça com a amante e sumariamente executado por guerrilheiros italianos no norte do país. A essa altura, a Itália se achava quase completamente ocupada pelos aliados, e poucos dias depois terminaria a Segunda Guerra Mundial.

Para continuar lendo clique aqui.
Fonte: JBlog

sábado, 28 de abril de 2012

27 de abril de 1937: A morte do filósofo Antonio Gramsci


27/04/2012 - 12:30 | Enviado por: Lucyanne Mano

"O desafio da modernidade é viver sem ilusões,
sem se tornar desiludido".
Antonio Gramsci

Tuberculoso, o filósofo italiano Antonio Gramsci, 46 anos, morreu numa clínica em Roma, quatro dias depois de alcançar a liberdade. Antifascista, foi preso em 1926, condenado a mais de vinte anos de prisão, onde permaneceu até receber a liberdade condicional, motivada por sua saúde debilitada, as vésperas de sua morte.


Deixou viúva a russa Giulia Schucht, violinista com quem teve dois filhos.

Para continuar lendo  clique aqui.
Fonte: JBlog

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Livros a preços especiais na XI Feira da UPF Editora




A UPF Editora realiza entre os dias 08 e 11 de maio a XI Feira Interna do Livro, em frente ao Centro de Convivência, no Campus I da Universidade de Passo Fundo (UPF). Esta é mais uma oportunidade para que acadêmicos, professores, funcionários da instituição e comunidade em geral possam adquirir diversas obras da editora com descontos especiais. 

A feira oferece variadas opções de livros sobre educação, história, comunicação, economia, biologia, administração, letras, psicologia e agronomia, entre outras áreas do conhecimento. Para melhor atender ao público, a feira estará aberta nesse período das 9h às 21h30min, sem fechar ao meio-dia.

Veja AQUI títulos que podem ser adquiridos com desconto especial.

Outras informações podem ser obtidas pelos telefones (54)3316-8373 e (54)3316-8374 ou pelo e-mail editora@upf.br.


Assessoria de Imprensa UPF

1972: Proibição de armas químicas e biológicas

A 27 de abril de 1972, foi assinado em Washington, Londres e Moscou um tratado contra as armas biológicas e químicas. Ele proíbe a pesquisa, produção e armazenamento deste tipo de armas no mundo inteiro.

Armas químicas e biológicas, muitas vezes um perigo invisível

O uso de armas biológicas é "inconciliável com a consciência humana", diz o preâmbulo do tratado que proíbe sua utilização. Todo o esforço é necessário para minimizar o risco.

O tratado assinado em 1972 por Washington, Londres e Moscou proibiu a pesquisa, a produção e o armazenamento deste tipo de armas no mundo inteiro. Os acordos posteriores possibilitam um controle mais efetivo dos programas armamentistas, antes que eles se tornassem um perigo maior.

O acordo reduziu o número de nações em poder de armas químicas e implantou barreiras para o comércio de produtos químicos destinados à fabricação de armas.

Enquanto os políticos negociavam a assinatura do acordo, houve uma verdadeira corrida armamentista. As armas químicas e biológicas tornaram-se, para certos países, uma alternativa para fazer frente à superioridade militar do Ocidente. Como disse o ex-ministro do Exterior do Iraque na época, Tarik Asis, "são a bomba atômica dos pobres".

O Iraque teria tido um arsenal de armas biológicas e químicas pronto para ser utilizado durante a Guerra do Golfo, segundo revelaram os serviços secretos. A ameaça dos Estados Unidos de responder com um ataque nuclear teria feito os iraquianos recuarem.

Promessas foram quebradas

Um cientista da ex-União Soviética afirmou ter participado do desenvolvimento de cinco novos tipos de armas químicas, que são de oito a dez vezes mais mortais que o antraz.

Este bacilo é o mais usado nas armas biológicas. Um só grama contém milhões de doses mortais. Normalmente, produz uma grave infecção em animais, que ocasionalmente pode transmitir-se ao homem. Pode ser encontrado, praticamente, em qualquer pasto.

As armas biológicas e químicas têm a vantagem de serem baratas, em comparação com as armas nucleares. Sua vantagem é que podem ser fabricadas secretamente e facilmente empregadas.


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Autor Robert Burdy
Fonte: DW-World

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Campanha de arrecadação de material escolar recebe doações




A segunda campanha de arrecadação de material escolar promovida pela UPF Solidária recebe doações até o dia 19 de maio. A meta é arrecadar material escolar para 40 crianças da Escola Municipal de Ensino Fundamental Escola do Hoje, localizada no bairro São José, e Escola Municipal de Ensino Fundamental Etelvina Rocha Duro, do Parque Farroupilha.


A ação é denominada “Campanha de apoio escolar – Acenda esta ideia e mude essa escrita” e integra, independentemente da quantidade de materiais doados, os alunos, os professores e os funcionários da UPF. Podem ser doados materiais escolares novos de todos os tipos, tais como cadernos, lápis, borrachas, canetas, réguas, folhas de papel, lápis de cor, canetinhas coloridas, estojos, cadernos de desenho, cadernos para caligrafia e giz de cera, entre outros.

Onde doar?
Os pontos de arrecadação são identificados com o material da campanha e estão instalados em diferentes espaços da instituição: no campus I (nas 12 unidades acadêmicas, no Centro de Convivência, no DCE, na Biblioteca Central, no Centro Administrativo, na Central de Atendimento ao Aluno e na Divisão de Extensão); no campus II há ponto de coleta no Ceusc e no campus III no Creati.

UPF Solidária
A UPF Solidária é um setor da Vice-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários, comprometido com a ação formadora de cidadãos conscientes e ativos socialmente, com ênfase nas atividades de solidariedade e voluntariado.

Outras informações podem ser obtidas no endereço eletrônico www.upf.br/upfsolidaria.

Seminário - DITADURAS DO CONE SUL: REPRESSÃO E RESISTÊNCIA

 
 
SEMINÁRIO INTERNACIONAL
CARLOS ALBERTO MINHOCA TEJERA DE RÉ
DITADURAS DO CONE SUL: REPRESSÃO RESISTÊNCIA
10, 11 e 12 DE MAIO DE 2012  |  SALÃO DE ATOS II  |  REITORIA DA UFRGS 
 
QUINTA-FEIRA - 10 de maio
18h30: CARLOS ALBERTO MINHOCA TEJERA DE RÉ: TRAJETÓRIA DE UM LUTADOR SOCIAL
Coordenação: Enrique Serra Padrós (UFRGS)
Depoimentos: Carlos Araújo, Carlos Alberto Kfourí, Cézar Augusto Tejera de Ré, Cláudio Gutierrez, José Angeli Sobrinho (Mires), Nei Lisboa, Raul Ellwanger e Suzana Lisboa                                                        
Vídeo-depoimento: Carlos Alberto Minhoca Tejera de Ré (Edição de Arquivos da Cidade, 2009) 

SEXTA-FEIRA - 11 de maio

14h: DITADURA BRASILEIRA: REPRESSÃO E RESISTÊNCIA
Coordenação: Francisco Carvalho Jr. (NPH/UFRGS)
Painelistas: Carlos Gallo (UFRGS), Diorge Konrad (UFSM) e Renato Della Vecchia (UCPEL)

16h30: A DIMENSÃO INTERNACIONAL DAS DITADURAS  E A CONEXÃO REPRESSIVA                      
Coordenação: Marla Barbosa Assumpção (UFRGS)
PainelistasAnanda Simões Fernandes (AHRS), Jorge Fernández (UFMS) e Melisa Slatman (UBA/Buenos Aires)

19h: A ILHA DO PRESÍDIO: RELATO DE SOBREVIVENTES
Depoimentos: Calino Ferreira Pacheco Filho, Índio Vargas, João Carlos Bona Garcia, Paulo de Tarso Carneiro, Raul Pont, Valdir Izidoro Silveira e Wladimir Ungaretti
                                                                                  
SÁBADO - 12 de maio                                                                           

9h: O CONE SUL EM PERSPECTIVA DE MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA
Coordenação : Jorge E. E. Vivar (UFRGS)
Painelistas: Álvaro Rico (UDELAR/Uruguay) e Fernando Blanco (UNC/Córdoba)

10h30: MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA: A AGENDA BRASILEIRA
Coordenação: Clarissa  Sommer Alves (APERS)                                            
Painelistas: Alessandra Gasparotto (UFPEL), Enrique Serra Padrós (UFRGS) e Luiz Dario Teixeira Ribeiro (UFRGS)

Informações e inscrições: (51)3288-9117 / projetocultural@sarh.rs.gov.br
Valor: R$ 10,00
Será fornecido certificado de participação de 20h.

Curso de Filosofia realiza debate sobre reality shows


Foto: Reprodução
Debate sobre Filosofia e Reality Shows acontece no dia 30 de abril na UPF
O curso de Filosofia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Passo Fundo (IFCH/UPF) está desenvolvendo um projeto de debates sobre diversos temas da atualidade. A primeira edição acontece no próximo dia 30 de abril, no Auditório do IFCH - prédio B4, Campus I. O tema do primeiro encontro será “Filosofia e Reality Shows”.

O objetivo do projeto é discutir do ponto de vista filosófico os vários temas correntes na atualidade, como reality shows, lei da palmada, futebol, entre outros. O slogan do projeto faz um chamado: “É hora de discutir a filosofia na praça, trazendo para o meio do público em geral um pouco do saber crítico e filosófico”.

O evento acontece a partir das 19h30min com a participação dos professores Ângelo Censi e Gerson Trombetta.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

1974: Revolução dos Cravos em Portugal

Pouco após a meia-noite de 25 de abril de 1974 começou a soar na emissora católica de Lisboa a música até então proibida "Grândola Vila Morena". Era o sinal combinado para o início do levante militar em Portugal.

Portugueses festejam em Lisboa em 25 de abril de 1975

Antes da revolução, era rara em Portugal a família que não tivesse alguém combatendo nas guerras das colônias na África, o serviço militar durava quatro anos, opiniões contra o regime e contra a guerra eram severamente reprimidas pela censura e pela polícia.

Antes de abril de 1974, os partidos e movimentos políticos estavam proibidos, as prisões políticas estavam cheias, os líderes oposicionistas estavam exilados, os sindicatos eram fortemente controlados, a greve era proibida, as demissões fáceis e a vida cultural estritamente vigiada.

A liberdade em Portugal começou com a transmissão, pelo rádio, de uma música até então proibida. Os cravos enfiados pela população nas espingardas dos soldados acabaram virando o símbolo da revolução, que encerrou, ao mesmo tempo, 48 anos de ditadura fascista e 13 anos de guerra nas colônias africanas.

Em apenas algumas horas, as Forças Armadas ocuparam locais estratégicos em todo o país. Ao clarear, multidões já cercavam as emissoras de rádio à espera de notícias. A operação, calculada minuciosamente, havia pego o regime de surpresa. Acuado pelo povo e pelos militares, o sucessor de Salazar, Caetano Marcelo, transmitiu sua renúncia por telefone ao líder dos golpistas, general António de Spínola.

Transportado de tanque ao aeroporto de Lisboa, Marcelo embarcou para o exílio no Brasil. Em quase 18 horas, havia sido derrubada a mais antiga ditadura fascista no mundo.

Não houve acerto de contas


Artistas, políticos e desertores começaram a retornar do exílio. As colônias receberam a independência. A caça às bruxas aos responsáveis pela ditadura acabou não acontecendo e as dívidas do governo anterior foram todas pagas. Os únicos a oferecer resistência foram os agentes da polícia política. Três pessoas morreram no conflito pela tomada de seu quartel-general.

Ao voltar do exílio em Paris, Mário Soares, o dissidente mais popular do governo Salazar, foi recebido por milhares de pessoas na estação ferroviária de Lisboa. Cravos vermelhos foram jogados de helicóptero sobre a cidade e só se ouvia a famosa canção Grândola, vila morena, que já havia se tornado o hino da revolução.

Em 1974, Portugal era um país atrasado, isolado na comunidade internacional, embora fizesse parte da ONU e da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Era o último país europeu a manter colônias e vinha travando uma longa guerra contra a libertação de Angola, Moçambique e Guiné. O regime de Salazar, iniciado em 1926, havia conseguido manter-se através da repressão e fora tolerado pelos países vencedores da Segunda Guerra Mundial.

Golpe militar vira festa revolucionária

Em 1º de maio, a esquerda, fortemente engajada, mostrou sua força em Lisboa, enquanto trabalhadores rurais do Alentejo expulsavam latifundiários e banqueiros eram desapropriados.

A esquerda europeia viu em Lisboa um palco ideal para os movimentos frustrados de 68. A pacata e católica população portuguesa, por seu lado, sentiu-se ignorada e, a partir do norte conservador, iniciou um movimento contra os extremistas.

Em 1975, aconteceu a dupla tentativa de golpe, da esquerda e da direita, contra o governo socialista, levando Portugal à beira da guerra civil. A ala militar extremista de esquerda obteve o domínio da situação em novembro de 1975. Após as eleições do ano seguinte, o general António Ramalho Eanes foi eleito presidente.

O Partido Socialista, com Mário Soares, assumiu um governo minoritário. A crise econômica o levou à renúncia em 1978. Entre 1979 e 1980, o país teve cinco primeiros-ministros. Em 1985, o governo foi assumido por Aníbal Cavaco Silva e Mário Soares tornou-se presidente no ano seguinte. Em 1986, Portugal ingressou na então Comunidade Econômica Europeia, hoje União Europeia.

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Autor Barbara Fischer (rw)
Fonte: DW-World

terça-feira, 24 de abril de 2012

1854: Imperatriz Sissi da Áustria se casa

No dia 24 de abril de 1854, ao toque dos sinos da Igreja de Santo Agostinho, em Viena, Elisabeth Amalia Eugenia von Wittelsbach, duquesa da Baviera, tornou-se Elisabeth von Habsburg, imperatriz da Áustria.

Imperatriz Elisabeth da Áustria

Segundo um cronista da época, a cerimônia dirigida pelo arcebispo de Viena foi de luxo insuperável, unido à riqueza e à pompa imperial. Os convidados pareciam nadar num mar de pedras preciosas. Iniciada no dia 24 de abril de 1854, a festa no palácio imperial de Viena durou uma semana, contando com a presença de quase toda a realeza europeia. Mas a jovem imperatriz – apelidada Sissi – não estava preparada para um posto tão elevado, e a mãe do imperador até mesmo preferira outra candidata.

Nascida a 24 de dezembro de 1837, Elisabeth era filha do duque Maximiliano e da duquesa Ludovika, filha do imperador Maximiliano da Baviera. A mãe de Francisco José 1º queria que ele se casasse com a irmã de Sissi, Helene, de 18 anos. Mas, durante a apresentação formal de Helene, o imperador apaixonou-se por Sissi (então com 15 anos) e, imediatamente, anunciou que se casaria com a mais nova das Wittensbach.

A tímida princesa bávara custou a se acostumar à vida no palácio imperial austríaco. Segundo a biógrafa Brigitte Hamann, Sissi detestava tanto as obrigações como rainha da Hungria e imperatriz da Áustria quanto as familiares: "Ela dedicou-se aos três filhos de modo muito diverso: Marie-Valerie era a preferida, Gisela foi completamente relegada, e a preocupação com Rudolph, que se suicidou em 1889, foi mínima".

Preocupação com a beleza

Sempre insatisfeita, Sissi se descontraía com atividades esportivas e o estudo de idiomas. Sua ocupação preferida era cuidar da própria beleza. Com o tempo, transformou-se numa princesa de conto de fadas, com o rosto, a silhueta e os cabelos mais belos da Europa. A beleza era arma para arrancar tudo o que queria do imperador.

Segundo um parente distante da imperatriz, Ulrich Otto Kreckwitz, inicialmente o casamento correspondeu às expectativas. Quando passou a se desentender com o marido, Sissi tratou de transformar a atriz Katharina Schratt em rival. Francisco José, porém, teria amado sua esposa até o fim da vida. Por sua beleza, a imperatriz tinha muitos admiradores e – segundo as más línguas – vários amantes. O mais famoso teria sido Julius Andrássy, mais tarde ministro das Relações Exteriores do Império Austro-Húngaro.

Francisco José 1º não só foi infeliz no amor como também na política externa. Sob seu reinado (1848-1916), a Áustria – isolada internacionalmente – perdeu o território da Lombardia para a França em 1859, e foi expulsa da Confederação Germânica depois da derrota pela Prússia em 1866. O imperador morreu a 21 de novembro de 1916, em meio à Primeira Guerra Mundial.

Sissi – retratada em filme por Romy Schneider – só queria ser admirada de longe. Com o passar dos anos, afundou na solidão, confiando apenas ao seu diário o que sempre escondeu do marido: "Perambulo solitária sobre a Terra há tempos, alienada da vida e do prazer; não tenho e nunca tive alma que me entendesse", escreveu pouco antes de morrer assassinada por um anarquista, a 10 de setembro de 1898.

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Autor Catrin Möderler (gh)
Fonte: DW-World

segunda-feira, 23 de abril de 2012

1635 - É inaugurada a primeira escola pública dos EUA

23/04/2012 - 08h00 | Fillipe Mauro | Redação

No dia 23 de abril de 1635, é fundada no estado de Massachusetts a Boston Latin School, primeira escola pública dos EUA. Inicialmente destinada aos filhos da elite norte-americana, a instituição se tornaria célebre por sua dedicação às ciências humanas e, quase quatro séculos após sua inauguração, seria eleita uma das vinte instituições de ensino básico mais renomadas do país.


No início, a Boston Latin School aceitava apenas alunos do sexo masculino. Foi apenas em 1877 que Helen Magill White tornaria-se não apenas a primeira aluna a se formar pela instituição, mas também a primeira-norte americana a defender uma tese e conquistar o título de doutorado.

A diretoria do colégio também demoraria muito até estar sob a liderança de uma mulher: Cornelia Kelley assumiria o cargo em 1998 e lá permaneceria até 2007, ano de sua aposentadoria.

Quatro reitores de Harvard, quarto governadores do estado de Massachusetts e cinco signatários da Declaração de Independência dos EUA estão entre seus alunos mais ilustres. Benjamin Franklin, um dos fundadores do país, o compositor e maestro Leonard Bernstein, o ativista e historiador Nat Hentoff e Wade McCree, Jr., primeiro afro-americano a ser nomeado juiz da corte de apelo do país também estudaram lá.

A Boston Latin School preserva desde o século XVII a relevância que confere ao ensino de disciplinas ligadas ao campo das humanas. Com especial enfoque sobre idiomas como o inglês, promove anualmente um concurso de oratória e retórica, no qual alunos podem escolher declamar discursos até mesmo em grego ou latim.

Essas duas línguas representam também outro aspecto peculiar do colégio quando comparado a outras instituições públicas de ensino dos EUA. Antes de 2001, os 2,4 mil alunos deveriam cumprir, pelo menos, cinco anos de ensino de latim. Contudo, a partir desse ano, uma resolução da diretoria decidiu rebaixar esse período mínimo para quatro anos. A medida gerou protestos e grande polêmica entre os alunos.

Ironicamente, o sistema educacional da cidade de Boston é considerado pelo Departamento de Educação dos EUA como um dos piores do país. Em 1997, a diretoria determinou que 35% das vagas do colégio seriam destinadas a alunos pertencentes a grupos sociais marginalizados e negligenciados pelo Estado. Contudo, a resolução foi logo vetada pelo Governo de Massachusetts.

A repercussão do fim dessa medida tornou-se extremamente negativa, pois apenas 20% dos que se candidatam às vagas extremamente concorridas do colégio são admitidos. Cada vez mais elitista, em 2005 apenas 19% dos alunos da Boston Latin School pertenciam a camadas socialmente desfavorecidas.

Fonte: Opera Mundi

Brasil ajudou secretamente Argentina na Guerra das Malvinas

O governo brasileiro prestou apoio logístico à Argentina para o abastecimento de armas soviéticas na Guerra das Malvinas, em 1982. A revelação foi divulgada pelo jornal brasileiro O Globo, que, em sua edição de domingo (2204) reuniu documentos oficiais secretos.

Apesar de se manter oficialmente neutro no conflito entre Argentina e o Reino Unido, o Brasil cedeu o aeroporto de Recife para as escalas dos aviões que transportavam mísseis e minas desde a Líbia.

A iniciativa começou com o apoio da União Soviética e de Cuba ao regime militar argentino na Guerra das Malvinas em meio à Guerra Fria, pelo fato de o Reino Unido ser um dos principais aliados dos Estados Unidos.

Dessa forma, segundo um documento secreto da Marinha brasileira, um avião cubano, com aporte da URSS, seguia para Buenos Aires com armas, quando foi interceptado por autoridades brasileiras. A aeronave voava clandestinamente e os países não mantinham relações diplomáticas.

No entanto, o regime militar permitiu a continuação da viagem após uma negociação de seis horas com o país vizinho. Daí em diante, os voos da companhia Aerolíneas Argentinas com armas entre Líbia e Buenos Aires, com escala em Recife, chegaram a alcançar uma frequência de dois por dia.

Nesse período, um documento do Conselho de Segurança Nacional do Brasil registrou que a Argentina estreitou "gradualmente" seus contatos com Brasília, com pedidos de ajuda na compra de aviões, bombas incendiárias, munição para fuzis, sistemas de radar e querosene de aviação. As repostas brasileiras eram quase sempre favoráveis. Mas, quando era negativa, os argentinos recorriam ao apoio do Peru, que teria fornecido caças e mísseis comprados ao mercado negro, segundo O Globo.

O fornecimento de armas também partia de Israel e seguia duas rotas, uma com escalas nas Ilhas Canárias (Espanha) e Rio de Janeiro, e a outra, através de Caracas e Lima.

O jornal ainda publicou um documento da embaixada britânica criticando o Brasil por ceder seus aeroportos aos voos da Argentina com carregamento de armas. Brasília respondeu a Londres que em suas revisões dos voos da Aerolíneas Argentinas "não encontrou nada de natureza militar".


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Fonte: Opera Mundi

domingo, 22 de abril de 2012

Inscrições para apresentar trabalhos no Encontro Estadual de História encerram dia 08




Prezado(a) colega:
Lembramos que 08 de maio de 2012 é o último dia para inscrições de comunicações nos simpósios temáticos e para exposição de pôsteres de iniciação científica no XI Encontro Estadual de História - História, memória e patrimônio. Esta também é a data limite para pagamento da anuidade 2012 (e 2011, caso esteja em aberto) para inscritos na modalidade de sócio. Maiores informações estão disponíveis no site do evento.


XI Encontro Estadual de História – ANPUH-RS


Comissão Organizadora
XI Encontro Estadual de História – ANPUH-RS

Informações sobre o transporte UPF-FURG - clique aqui!

1724: Nasce o filósofo Immanuel Kant

O filósofo alemão Immanuel Kant, nascido a 22 de abril de 1724, questionou o que conhecemos através dos sentidos, colocou a razão no centro de sua filosofia crítica e apontou os limites do conhecimento.

Kant foi um dos principais filósofos do mundo ocidental

Filho de um artesão que trabalhava couro, Immanuel Kant foi o quarto dos 11 filhos de uma pacata família na antiga Prússia Oriental. Tanto o pai como a mãe pertenciam ao ramo pietista da Igreja Luterana, que exigia dos fiéis vida simples e obediência total à lei moral.

Kant frequentou uma escola pietista em Königsberg, hoje Kaliningrado, onde aprendeu latim e línguas clássicas. Posteriormente, criticou as longas preces e a forma de religiosidade ali praticada como "escravidão juvenil".

Na Universidade de Königsberg estudou Filosofia, Matemática e Física. Influenciado por Isaac Newton, em 1744 começou a escrever seu primeiro livro, sobre forças cinéticas – Pensamentos sobre o Verdadeiro Valor das Forças Vivas.

Após a morte do pai, trabalhou como professor particular para garantir o sustento da família. Em 1754, voltou à universidade e concluiu o doutorado, tornando-se livre docente. Passou a lecionar Lógica, Metafísica, Filosofia Moral, Matemática, Física e Geografia (que ele introduziu na universidade).

Convites de outras universidades

Sua difícil situação financeira começou a melhorar apenas em 1770, quando se tornou catedrático ordinário de Lógica e Metafísica na Universidade de Königsberg. Convites para lecionar em outras cidades alemãs, como Erlangen, Jena e Halle, não foram aceitos por Kant, que nunca se casou nem teve filhos. "Quando eu precisei de uma esposa, não tinha como sustentá-la", teria dito certa vez.

Seu livro A Religião nos Limites da Simples Razão colocou-o em conflito com o governo da Prússia. Em 1792, foi proibido pelo rei Frederico Guilherme 2° de ensinar ou escrever sobre temas religiosos. Kant seguiu a determinação durante cinco anos, até a morte do rei.

Durante 40 anos de docência, que só abandonou em 1796, aos 73 anos, conquistou não só a admiração dos alunos pela forma de ser, como também de colegas do mundo científico. Os estudantes afluíam à Universidade de Königsberg como se fosse a meca da filosofia. Kant teve suas teorias ensinadas em todas as universidades importantes da Alemanha.

Iluminismo: a coragem de usar a própria razão


Seu trabalho concentrou-se na resposta a três questões: O que eu sei? O que devo fazer? O que devo esperar? Entretanto, as respostas para as duas últimas dependem da resposta à primeira: nosso dever e nosso destino podem ser determinados somente depois de um profundo estudo do conhecimento humano.

Kant morreu em Königsberg, aos 79 anos de idade, a 12 de fevereiro de 1804. Entre suas principais obras estão Crítica da Razão Pura, Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Crítica da Razão Prática e Crítica da Faculdade de Julgar. A primeira delas criou as bases para a "teoria do conhecimento" como disciplina filosófica.

Immanuel Kant é considerado o grande filósofo do Iluminismo. Ele próprio assim respondeu à questão "o que é o Iluminismo?":

"O Iluminismo é a saída do ser humano do estado de não emancipação em que ele próprio se colocou. Não emancipação é a incapacidade de fazer uso de sua razão sem recorrer a outros. Tem-se culpa própria na não emancipação quando ela não advém de falta da razão, mas da falta de decisão e coragem de usar a razão sem as instruções de outrem. Sapere aude!" Tenha a coragem de fazer uso da sua razão, é, portanto, o lema do Iluminismo. (rw)


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Fonte: DW-World