terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Estátuas que andam


por Tau Golin[1]

São anos de andanças pelo Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai. Juntamente com a professora-pesquisadora Jacqueline Ahlert seguimos as mais imprevisíveis ramificações do espalhado acervo documental das estatuetas missioneiras, criadas durante o período jesuítico e na expansão das remanescências. São documentos materiais aparentemente singelos, curiosos, devocionais; grotescos para o eurocentrismo. Não possuem o impacto estético do barroco celebracional. Frontalistas, esquemáticas, totêmicas, animistas, as imagens são da intimidade doméstica e pessoal.

Estas milhares de estatuetas valem pela historicidade incorporada. São testemunhas aparentemente singelas dos seus criadores, difusores e vivenciadores. Documentam a circularidade das etnias indígenas nos espaços das reduções, das expansões para os demais territórios, ligam passados e heranças. Certamente expressam o conceito de Gaston Bachelard: “a miniatura é uma das moradas da grandeza”. Seus atributos “abrem um mundo”. Contingencialmente, “a miniatura faz sonhar”. Elas contêm o imaginário de capítulos dramáticos e sutis das relações americanas.

De certa forma, as miniaturas tecem os fios da meada da rede fundante do processo missioneiro, entendido como herança autóctone sincrética ao mundo reducional, mas especialmente como remanescência. Talvez em uma expressão reducionista, a miniatura se fez “como valor de uso”, modo de vida, nas dimensões pragmáticas, simbólicas e sagradas. Expandiu-se além da ritualidade litúrgica do poder colonial. Atou-se e dimensionou o sentido de cotidianos anímicos.

Talhadas em madeiras sul-americanas, a exemplo do cedro, a miniatura popularizou em cifras incontáveis como algo adstrito a demografia. Povoaram os altares domésticos e vestiram as proteções e devoções pessoais. Desde os ambientes familiares aos campos de batalhas estiveram presentes. Cada campeiro, agricultor, marinheiro, ou soldado carregavam suas estatuetas nos corpos temerosos de morte. Uma mente museológica, caso se livrasse do pastiche, compreenderia a pujança histórica daquilo que visualiza apenas como toscos pedaços de madeiras. E poderia sonhar com os movimentos reais das miniaturas, andejar com as gentes e seus esforços humanos de povoadores, de orgulho de nossos troncos gentílicos.

Levadas pelos contingentes humanos permanecem como seus registros.

Nelas, cristos melenudos podem usar vinchas; santos, botas de garrão de potro; nossas senhoras, cabelos longos, negros e ondulados, como chinas; anjos, feições de piás da terra; roupas de tecelagem nativa e grafia de cerâmica milenar. Complementaridades, inversões, inclusões, mudanças de arquétipos... 

Há algum tempo, sob a coordenação da professora e historiadora da Arte Jacqueline Ahlert, o Núcleo de Documentação Histórica, do mestrado em História da Universidade de Passo Fundo, instituiu o projeto Inventário da Estatuária Missioneira. Entre outros propósitos, procura estabelecer a gênese particularíssima de nossa arte sacra, indígena, mestiça e popular. A ideia é formar também um abrangente banco de dados com os remanescentes que se encontram em museus, residências particulares e colecionadores. Procura-se incorporar outras pesquisas, a exemplo dos inventários do IPHAN, no Brasil, e da professora-arqueóloga Carmen Curbelo, no Uruguai.

Ainda não se consegue estimar as estatuetas em “uso” doméstico e comunitário, ou que simplesmente se encontram nos relicários pessoais, nas coleções particulares. As pessoas sofrem o trauma da origem da política patrimonial brasileira, desde quando os prepostos do governo requisitavam à força policial as imagens dos altares das casas de família, lugares de rezas e benzimentos, capelas ou igrejas comunitárias. O Museu de São Miguel, por exemplo, foi um salvamento, mas também um trauma. Como defesa, incontáveis estátuas foram escondidas. De certa forma, ao não se denotar o barroco litúrgico nas miniaturas, elas também continuaram compartilhando os lares, especialmente os rancherios, e vivendo suas funções protetoras dos corpos animistas.

As ações de Estado encerraram as miniaturas ainda mais na esfera doméstica, revestidas de sigilos de proteção simbólica. O mesmo ocorreu com os demais artefatos, passíveis de expropriação. Como consequência, desde pequenas peças domésticas até sítios arqueológicos comprovou-se trágico processo de “escondimento” ou destruição, pois, geralmente, os ruralistas ainda temem, equivocadamente, intervenções em suas propriedades privadas. Todavia, na questão do patrimônio, as estatuetas missioneiras e remanescentes continuam com seus mistérios.

Mesmo com a destruição programática de ordens religiosas nos séculos XIX e XX, os vassalos dogmáticos não conseguiram exterminá-las. Párocos dedicaram-se a erradicação, fazendo das igrejas católicas fornalhas de imagens, espécie de castigo àqueles que as preferiam, muitas vezes, às imagens de fenótipos europeus sacramentados. Mais recentemente, pastores evangélicos culpam as miniaturas pelas doenças de suas guardiãs idosas. E prometem expurgar todos os males e salvá-las em rituais histriônicos de imolação das estatuetas centenárias no fogo de seus templos de fanáticos. Em São Borja, pela ação emergencial da Polícia, duas foram salvas ainda chamuscadas pelo delírio da pregação intolerante. Outras circulam com as benzedeiras e não são bem vistas por devotas da cristandade. Em um sincretismo fenomenal, também estão em terreiros.

Em janeiro seguimos a trilha de Fructuoso Rivera de 1828, que após as suas manobras para reconquistar as Missões do Rio Grande do Sul, na Guerra da Cisplatina, retirou-se com grande parte da população missioneira para Uruguai, fundando povoações. Com os índios seguiram as inseparáveis estátuas de uso litúrgico oficial, e também centenas de miniaturas de uso doméstico e pessoal. Parte sobrevivente desse acervo foi inventariado pela equipe da arqueóloga Carmen Curbelo. Na região de fronteira, na costa do rio Uruguai, em praticamente todos os departamentos dos hermanos, encontram-se peças do êxodo, e talvez muitas talhadas posteriormente. Tais miniaturas são o movimento e formação das comunidades, a exemplo de São Borja de Yy, em Durazno, pois sempre se inseriram nas suas dinâmicas, festas, devoções, conflitos bélicos.

No conjunto, os museus ainda contam com pessoal desilustrado, sem aproximação com a História e a Antropologia, reproduzindo lendas e registros de memorialistas, invariavelmente preconceituosos, ao reproduzirem o imaginário da intrusão colonial. De nossa expedição recente, pudemos contar com auxílios prestigiosos, como de Antonio Maria Boero, do Museo Sin Fronteras, em Rivera; do bispado e do pároco da catedral, Edgar Arambilhete, do Museo del Indio y del Gaucho, em Tacuarembó; da catedral, do Museo Histórico, e de seu diretor, o historiador Oscar Padrón Favre, em Durazno; da catedral de Florida; da catedral, do Colegio y Liceo Sagrado Corazón, do Museo de Historia del Arte, dos funcionários das casas Fructuoso Rivera e Juan Antonio Lavalleja (pertencentes ao Museo Histórico Nacional), do Museo de Arte Precolombino Indigena – MAPI, do Museo San Bernardino, do Museo Histórico Monseñor Lasagna (Colegio Pío, de Villa Colón), da equipe do Programa Recuperación del Patrimonio Indigena Misionero, coordenado por Carmem Curbelo, do historiador Walter Rela, da Rádio Rural, em Montevidéu; da catedral, do bispado, do Departamento Municipal de Cultura, do Museu Historico, e da Azotea de Haedo, em Maldonado; da catedral, em Rocha; do Archivo y Museo del Carmen, em Carmelo, da Basílica Menor Santísimo Sacramento, do Consejo Ejecutivo Honorário de Colonia del Sacramento, em Colônia. Com essas referências nominamos uma relação extensa de pessoas, cuja contribuição é imensurável. Os fatos de Oscar Padrón Favre e Carmen Curbelo interromperam as férias para ajudar-nos já diz muito desta solidariedade em rede, amalgamada no esforço de um conhecimento aberto e irmanado.

Entretanto, em todos os lugares do mundo, o maior problema do pesquisador é certa malta de funcionários públicos. Contraditam com os abnegados, aqueles que compreendem o patrimônio com esfera pública, carregado dos sentidos da historicidade. Não existe nada pior ao conhecimento do que museus que proíbem fotografias e filmagens para investigadores, mas também não publicam catálogos impressos ou, preferivelmente, digitais. Consomem o tempo no ócio do expediente ao invés de produzir informações sobre as vivências humanas que estão intrinsecamente nas peças.

Mas, no fundo, as proibições sempre são relativas. Dependem de autorização superior. E, no geral, o diretor é tão alado que invariavelmente quase nunca se encontra no trabalho. Esta é uma das maldições da Argentina. Como todo vagabundo é quase sempre mentiroso, promete mandar imagens digitalizadas para as instituições de pesquisa, desde que cumprida a burocracia. Então, formalizam-se pedidos, preenchem-se formulários. Depois, retorna-se e fica-se no “ora vamos ver...” Este é o caso, por exemplo, do Museo de Arte Hispanoamericano Isaac Fernández Blanco, de Buenos Aires. Apropriou-se de fabuloso acervo, mas dificilmente se consegue estudar as peças. O seu sentido patrimonial esgotou-se na cobrança de ingresso e no propósito de servir de cabide de emprego.

No Uruguai encontramos apenas um caso que feriu a amabilidade geral. A diretora da Casa de Fructuoso Rivera, na rua Rincón, 437, de Montevidéu, é uma verdadeira matrona. Parece uma feitora de charqueada. Desde o seu gabinete, no andar superior daquela instituição, contempla o público como uma manada de seu hipotético latifúndio mental. Não distingue investigador de gado para o charque. Alguns funcionários são amabilíssimos, mas nada podem fazer sem a sua autorização. Talvez, por isso, tudo vai ficando impossível, dificultoso. Gastam mais tempo explicando o que está vedado quando poderiam proporcionar espaços produtivos.

Quem leu meu livro A fronteira percebe a existência de algumas figuras emblemáticas na relação geopolítica entre o Uruguai e o Brasil. Uma é Andrés Lamas, chancelar que articulou o Tratado de Limites de 1851, até hoje foco de polêmicas. No segundo pavimento existe um retrato de Lamas, que eu desejava fotografá-lo com resolução de qualidade para o acervo do NDH-PPGH-UPF. Funcionários prontificaram-se em me acompanhar, já que se tratava de tarefa rapidíssima. Todavia, como o andar estava sem acesso ao público, antes, dependiam da autorização da dita senhora. Esperou-se até que falassem com ela. Resposta: Não! Envolveram-se três funcionários para conferenciar com ela com o propósito de simplesmente desapresilhar uma fita da escada que conduzia a Lamas. Este é um dos tantos fatos ridículos da falta de bom senso, de desrespeito com investigadores que viajam (sem subsídios) milhares de quilômetros. É uma situação que implica diretamente no conhecimento e no intercâmbio para um saber mútuo no Mercosul. 

Não bastasse isso, o desfecho foi ainda mais arrogante. Tínhamos informações abalizadas de que a Casa Rivera possui em seu complexo miniaturas missioneiras. O possível lugar, conforme um funcionário, está fechado há 20 anos. Como poderíamos ter acesso a ele? Impossível! Em nenhum momento fomos recebidos. Quando a diretora começou a descer as escadas ainda presenciamos o esporo que deu na funcionária que a consultou sobre a fotografia do quadro de Andrés Lamas. E, depois, passou por nós sem desempinar a cabeça, ou dirigirmos o olhar para um simples aceno. E se foi batendo as patas, escramuçando como crioulo de estancieiro no meio do pobrerio.

Já dediquei parte da minha vida a história latino-americana. Sou uma espécie moderna de fronteiriço, universalizado no processo civilizatório, sem desconsiderar como parte de seu engendramento o fenômeno mestiço. Meu bisavô, Antônio Torres, era de Tacuarembó. As decisões de porta fechada sempre foram a maldição uruguaia, como de qualquer lugar. Na política, os privilégios de uma elite excludente; no serviço público, a causa da dilapidação e venda do patrimônio de seu povo. Manuscritos preciosos da história da República Oriental foram vergonhosamente surrupiados. Talvez, a minha principal retribuição ao tanto que recebi em suas bibliotecas e arquivos tenha sido a identificação e publicação, com comentários, do manuscrito de José Custódio de Sá e Faria, no meu livro A guerra guaranítica. Com o sumiço do original, ao menos salvou-se o conteúdo.

Pessoa errada em lugar importante, a primeira coisa que faz é cerrar ou manter portas fechadas. O abandono de acervos, fora dos olhos do público e dos pesquisadores, tem sido a vereda de saída do patrimônio uruguaio, roubado e vendido para colecionadores, principalmente do exterior. Nessa esfera, não se deve admitir nenhuma exceção. Seus danos são irrecuperáveis.

Esse episódio ilustrativo de alguma dificuldade, não interrompe a colaboração em rede dos pesquisadores. Pretendemos continuar contribuindo modestamente para o conhecimento de nossas histórias particulares e involucradas. Pois, como lembrou o mestre da fenomenologia, a incultura não vai sustar a sinergia das estatuetas missioneiras: “as imagens precipitam-se, vão longe demais.” Sem elas não se compreende parte significativa de nossa historicidade.


[1] Jornalista e historiador, professor do Mestrado em História da Universidade de Passo Fundo, Brasil. Autor, entre outros, dos livros A guerra guaranítica e A fronteira.  




Legendas das fotos:
Pesquisadora Jacqueline Ahlert. Miniaturas do Museo Histórico de Durazno, Uruguai.
Tau Golin. Museo Histórico de Maldonado, Uruguai.


Membros do NDH se encontram no Uruguai

Encontro com o historiador Walter Rela, em Montevidéu. Rela é membro do Núcleo de Documentação Histórica (NDH/PPGH), responsável por grande parte de seu acervo, abrangendo a história da bacia do Prata.




Núcleo de Documentação Histórica (NDH)
Dedica-se a constituição, em especial, de acervo documental sobre a história do Brasil e da Bacia do Prata, incluindo, também, as fontes de Comunicação Social. O acervo reunido e ampliado sucessivamente pelo Núcleo é concebido como um banco de dados. A formação desse acervo obedece a critérios temáticos e cronológicos. Por essa razão, os alunos bolsistas, em particular, recebem ensinamento de estruturação de acervo, partindo da captação digital da documentação, preservando-o através de reprodução fotográfica, da sua organização e da sua digitalização. Sistematizado dessa maneira, seu conteúdo pode ser disponibilizado rapidamente aos pesquisadores em formatos de imagens e textos, contribuindo para a historiografia e para as demandas sociais, a exemplo das demarcações das terras indígenas. Adstrito ao processo de sistematização, os bolsistas elaboram súmulas sobre os documentos para indicar seus conteúdos e orientar as pesquisas. Através de programas de buscas, os temas são identificados e indexados com agilidade, possibilitando, assim, enorme ganho de tempo aos pesquisadores. O Núcleo também mantém "linkados" em sua plataforma de dados sistemas de catálogos de pesquisadores e instituições.
E-mail: golin@upf.br 
Página da Internet: Grupo CNPq

Programa Voluntariado AHR



PROGRAMA DE VOLUNTARIADO 2012.01
ARQUIVO HISTÓRICO REGIONAL (AHR)

A coordenação do Arquivo Histórico Regional comunica aos interessados a abertura de vagas para o Programa de Voluntariado 2012. As inscrições estão abertas no mês de março do corrente ano.

Objetivos:
·         Proporcionar a estudantes da Universidade de Passo Fundo (UPF) a experiência de trabalho dentro das atividades desenvolvidas pelo Arquivo Histórico Regional (AHR). Os estudantes estarão envolvidos em processos de classificação e organização de acervos, conservação documental e auxílio à pesquisa.

Público alvo:
·         Poderão concorrer às vagas estudantes do curso de História e áreas afins, assim como os demais interessados.

Inscrição:
·         Para a inscrição é necessário o preenchimento da ficha de inscrição que será entregue no AHR juntamente com o Currículo e/ou Boletim Acadêmico – os documentos também podem ser solicitados e encaminhados digitalmente para o endereço ahr@upf.br.

Seleção:
·         Análise da documentação e entrevista com os candidatos (marcar a entrevista diretamente com a profa. Gizele Zanotto).

 Frequência da atividade:
·         As atividades serão realizadas no AHR em dois ou três turnos semanais de 3 horas cada e terão 3 meses de duração. Esse período poderá ser entendido por mais 3 meses, de acordo com os interesses do AHR e do voluntário.

Atestado:
·         O voluntário receberá atestado emitido pela Coordenação do Arquivo Histórico Regional, detalhando as atividades desenvolvidas, a carga horária e o período de trabalho. O Atestado será entregue ao final e após a realização das atividades no período preestabelecido.

Disposições finais:
·         Os casos omissos e as dúvidas que surgirem serão resolvidas, em qualquer caso, pela Coordenação do AHR. 

Gizele Zanotto
Coordenadora do AHR

31 de janeiro de 1961: A posse de Jânio Quadros

31/01/2012 - 09:15 | Enviado por: Lucyanne Mano



"O Sr. Jânio Quadros toma posse hoje na Presidência da República, no cumprimento do mais expressivo mandato popular jamais recebido por um político brasileiro. Do Sr. Jânio Quadros ninguém espera que faça apenas um Governo bom, mas excelente. Trata-se do primeiro candidato oposicionista a subir ao Poder, em toda a história da República, depois de enfrentar uma coalizão de forças governistas.Veio tirar do Poder grupos políticos que o dominavam desde 1930. E venceu com uma vantagem de quase dois milhões de votos sobre o seu principal adversário...

O que se quer e se deseja do Sr. Jânio Quadros é que, no Governo, continue a alimentar concretamente a esperança daqueles que nele vislumbram os caminhos da justiça, do progresso, da paz política e social, do direito que tem a Nação Brasileira de ser conduzida para a grandeza de um destino que nunca se cumpre integralmente e que vem sendo ofertado pela metade, com avareza e temor". Jornal do Brasil
 
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Fonte: JBlog

Hoje na História: 1968 - Frente à Ofensiva Tet, Nguyen Van Thieu declara a lei marcial


Em 31 de janeiro de 1968, diante da Ofensiva Tet lançada pelas forças do Vietnã do Norte e do Vietcong, o presidente Nguyen Van Thieu, do Vietnã do Sul, vê-se forçado a declarar a lei marcial. Sua decisão surge conforme as tropas sob comando do general Vo Nguyen Giap passam a realizar nutridos assaltos em diversos fronts – de Saigon, no Sul, a Hue, no Norte.
WikiCommons
Após dois dias de intensos combates, o comando norte-americano no Vietnã relatou mais de cinco mil baixas fatais entre militares e civis.
Autoridades em Hanói, capital do Vietnã do Norte, descreveram o Tet como “a ofensiva mais poderosa e contínua” já registrada. Os serviços de inteligência de Washington haviam detectado a possibilidade de ataques no feriado Tet, que celebra o ano novo lunar, mas se surpreenderam com sua intensidade.
Combates esporádicos haviam sido relatados em Saigon, capital do Vietnã do Sul, mas, após dois dias, foram difundidos relatos de que elas haviam cessado. De acordo com os números publicados pelos Estados Unidos, 4.959 vietcongs foram mortos e 1.862 capturados. Por sua vez, 532 norte-americanos e sul-vietnamitas foram abatidos e outros 1676 feridos.
Na noite anterior, 19 homens de um esquadrão vietcong abriram uma cratera de um metro de diâmetro no muro da embaixada norte-americana em Saigon. A embaixada britânica, situada nas proximidades, sofreu danos menores.
As tropas do Vietcong atacaram também o quartel-general do Estado Maior do Vietnã do Sul, os quartéis-generais da Marinha, dois postos policiais, a residência do embaixador das Filipinas e a estação de rádio de Saigon.
As comunicações estavam em caos total e os voos comerciais do aeroporto local foram cancelados.
Tropas norte-vietnamitas reforçavam o sítio de Khe Sanh, próximo à zona desmilitarizada. Alguns comentaristas esperavam que a assim chamada “Ofensiva Tet” faria cair por terra a determinação de Washington e traria para os EUA consequências similares àquelas que puderam ser percebidas na França derrotada por Ho Chi Minh, em Dien Bien Phu – fracasso que levaria aos Acordos de Genebra do ano de 1954.
O governo de Hanói propôs negociações e ofereceu uma trégua de sete dias se os EUA cessassem seus bombardeios. Documentos capturados pelo exército norte-americano mostravam que o comando norte-vietnamita previa às suas tropas o fim da guerra em fevereiro.
Embora tecnicamente os norte-vietnamitas e a guerrilha vietcong tenham sido derrotados pelos norte-americanos, o impacto da “Ofensiva Tet” tornou-se um duro golpe à moral dos EUA.
No total, as forças comunistas atacaram cerca de 90 cidades e centenas de vilarejos aparentemente imperturbáveis diante da presença de 500 mil soldados norte-americanos.
Pressionado pelas crescentes manifestações anti-guerra em próprio solo, o presidente Johnson concordou em sentar-se à mesa para as negociações de paz, em Paris, naquele mesmo ano.
Os Acordos de Paz foram finalmente assinados em janeiro de 1973, mas o conflito continuou até que o governo de Saigon capitulasse ante o Vietcong em abril de 1975.

1884: Nasce Theodor Heuss



 

No dia 31 de janeiro de 1884, nasceu em Brackenheim o homem que viria a ser o primeiro presidente da Alemanha Ocidental, Theodor Heuss. Defensor do liberalismo, ele foi um dos idealizadores da Lei Fundamental alemã.

 
O primeiro presidente da República Federal da Alemanha (a Alemanha Ocidental depois da Segunda Guerra) nasceu no dia 31 de janeiro de 1884, na cidade suábia de Brackenheim, nos arredores de Stuttgart, no sul da Alemanha. Sua pequena cidade, onde trabalhou como jornalista a partir dos 21 anos, o marcou muito.

Ele havia sido contratado pelo teólogo luterano Friedrich Naumann, que em 1918 fundou o Partido Democrata da Alemanha (Deutsche Demokratische Partei – DDP). Em 1924, Heuss ingressou no Reichstag, o Parlamento alemão, onde começou a se destacar principalmente pelos seus pronunciamentos.

Talento como orador

Em 1932, combatia em plenário os nacional-socialistas Göring e Goebbels. O presidente do Reichstag na época, Paul Löbe, lembrou certa vez que, graças a seu talento como orador, Heuss conquistava imediatamente a atenção dos parlamentares, assim que começava a falar.

Em 1933, Heuss ajudou a aprovar a lei ampliando os poderes do partido de Hitler. Poucos meses depois, perdeu o mandato. Voltou a escrever para jornais, como Die Hilfe eFrankfurter Zeitung. Mas o ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, esteve sempre no seu encalço e proibiu os periódicos de imprimirem textos redigidos por Heuss, que continuou escrevendo, mas com um pseudônimo.

Depois da guerra, Theodor Heuss retornou à política. Ele liderou a bancada liberal no Conselho Parlamentar e tornou-se o primeiro presidente do Partido Liberal Democrático. Mais tarde, participou ativamente na elaboração da Lei Fundamental da República Federal da Alemanha. Não demorou para que, em 1949, fosse escolhido para a chefia do Estado. Ao ser empossado, contava 65 anos. Incansável, fez diversas viagens pelo país e ao exterior.

No cargo por dez anos

Em 1953, Theodor Heuss inaugurou em Colônia a Deutsche Welle, emissora internacional da Alemanha. Ele permaneceu no cargo de presidente alemão por dez anos, tempo em que conseguiu eliminar no exterior vários preconceitos contra o novo país, recém-erguido depois da guerra.

Os alemães estavam tão satisfeitos com seu presidente que diversos políticos pensaram em mudar a lei para permitir sua eleição pela terceira vez. Heuss recusou, preferindo morar em Stuttgart, longe da vida política (de Bonn), e morreu pouco antes de completar 80 anos, em 1963.
 
Gábor Halász (rw)
Fonte: DW-World

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Livros Gratuitos PUCRS




A Editora da PUCRS (EdiPUCRS) disponibiliza livros gratuitos em sua página na internet. São mais de cinqüenta obras em formato digital disponíveis para download, de forma rápida, simples e totalmente legal. Os livros são divididos em quatro áreas: Ciências Humanas e Sociais, Ciências Exatas, Ciências Biológicas e Institucionais. Entre os títulos de história, destaque para "A Fundação da Norma: para além da racionalidade histórica", de Ruth M. Chittó Gauere "Discursos da nação: historicidade e identidade nacional no Brasil de fins do século XIX", de Carlos Henrique Armani. Para acessar, clique aqui.  

Museu da Imigração


Museu da Imigração de São Paulo disponibiliza um dos mais ricos acervos históricos online do país, com milhares de imagens e documentos disponíveis para consulta e download




O Museu da Imigração do Estado de São Paulo reformulou recentemente o seu site para melhor atender os seus usuários na internet. O projeto "Memória da Imigração" - carro chefe do museu - conta um banco de dados on-line com mais de 87 mil imagens disponíveis para consulta e download gratuito, em uma ferramenta que ajuda a contar parte importante da história paulista e brasileira.



O trabalho teve início em janeiro de 2011, coordenado pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo, e envolveu etapas de organização documental, intervenções de conservação e preservação, digitalização e tratamento das imagens digitais. Como resultado, o banco de dados desenvolvido oferece acesso amplo, público, democrático e organizado a um acervo de inestimável valor material e imaterial relacionado à memória da imigração no Brasil, garantindo ainda a preservação dos documentos originais.


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Fonte: Café História

domingo, 29 de janeiro de 2012

Hoje na História: 1889 - Arquiduque Rodolfo da Áustria é encontrado morto em Mayerling


Em 29 de janeiro de 1889, a imperatriz Elisabeth, mais conhecida como Sissi, recebe a notícia de que seu filho, Rodolfo, havia morrido naquela mesma noite no pavilhão de caça da floresta vienense, em Mayerling.
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Ela é que seria encarregada de anunciar a trágica notícia a seu marido, Francisco José I, o imperador da Áustria e rei da Hungria. O arquiduque Rodolfo, de apenas 31 anos, era o único filho homem do casal e herdeiro da coroa dos Habsburgos.
Casado sem laços amorosos quaisquer com uma princesa monótona e muito jovem, Stephanie da Bélgica, colecionava amantes e frequentava bordéis, o que lhe rendeu doenças venéreas graves.
Afastado dos negócios de Estado pelo seu pai, Rodolfo alardeava e se vangloriava de assumir uma postura política liberal. Suas tomadas de posição valeram-lhe violentas disputas com o pai. O imperador gostava de seu filho, mas, no entanto, desejava manter seu país dentro da aliança com a Alemanha de Gulherme II.
Envelheceu prematuramente devido à saúde debilitada. Angustiado por não poder se divorciar e temeroso de não poder ter filhos, Rodolfo cogitava até mesmo o suicídio.
Com medo de morrer só, convenceu uma jovem amante de 17 anos, Mary Vetsera, a acompanhá-lo na morte. Ele matou-a com um tiro antes de balear a própria cabeça.
Francisco José obtém do papa Leão XIII a permissão para que seu filho seja inumado pelas leis da religião católica na cripta imperial dos Capuchinhos e não em local reservado, como determina a Igreja a todos os suicidas.
Para preservar sua reputação, o imperador fez o impossível para ocultar a presença de Mary Vetsera na vida de seu filho. Essa dissimulação iria alimentar por muito tempo os rumores fantásticos sobre a hipótese de um duplo homicídio em decorrência de razões políticas.
A morte de Rodolfo agrava o estado psíquico de sua mãe, Sissi. A imperatriz é levada a acreditar que sua instabilidade emocional e o suicídio de seu filho são o resultado de um mal próprio de sua família, os Wittelsbach da Bavária.
Como consequência da morte de Rodolfo, caberia ao arquiduque Francisco Ferdinando, sobrinho do imperador, assumir a herança dos Habsburgos. Jamais ascenderia ao trono do império. Um terrorista destroçaria sua vida e de sua esposa em Sarajevo em 1914, episódio que seria o estopim da Primeira Guerra Mundial.
A tragédia de Mayerling, assunto privado de uma família duramente posta à prova pelo destino, se inscreve na marcha histórica da Europa em direção aos horrores de 1914 a 1945.

Fonte: Opera Mundi

sábado, 28 de janeiro de 2012

28 de janeiro de 1908: O Centenário da Abertura dos Portos

28/01/2012 - 00:00 | Enviado por: Lucyanne Mano

"As nações que querem ser verdadeiramente livres devem manter o culto das datas gloriosas de sua história, como um ensino que as gerações transmitem umas às outras, e forma, pela lei da hereditariedade, a consciência coletiva, que é a mais poderosa força de patriotismo e de coesão nacional". Jornal do Brasil



Cem anos depois do então Príncipe Regente, D. João VI, assinar a Carta Régia firmando a Abertura dos Portos brasileiros às Nações amigas de Portugal, o Brasil vivia em pleno progresso e reformulação. O Rio de Janeiro assumia dignamente a sua condição de capital da República, exibindo sua modernização urbana de feições européias, inspiradas na Belle Époquefrancesa. A política de saneamento básico, o serviço de transporte, o fornecimento de energia elétrica, a diversificação do comércio e as atividades sócio-culturais enriqueciam este cenário.

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Fonte: JBlog

1900: Fundação da Federação Alemã de Futebol (DFB)



 

No dia 28 de janeiro de 1900, representantes de 86 clubes alemães de futebol reuniram-se em Leipzig, fundando a Federação Alemã de Futebol (em alemão: DFB – Deutscher Fussball-Bund).

 
O futebol exerce uma fascinação sobre os alemães como nenhum outro tipo de esporte. Em sua existência centenária, ele se transformou no esporte popular número um e em um negócio que envolve somas bilionárias. Sua organização no país começou, porém, de forma bastante modesta em Leipzig, naquele frio 28 de janeiro de 1900, quando foi decidida a criação da DFB, a Federação Alemã de Futebol.
O ex-presidente da DFB Egidius Braun disse sobre a evolução do futebol: "Quando se imagina que 85 pessoas se reuniram lá em busca de camaradagem e também de um pouco de exercício físico, num movimento de trabalhadores… E, hoje, uma DFB com milhões de filiados, então pode-se constatar que houve um enorme progresso." De fato, iniciando com 86 clubes, a DFB é hoje a maior federação esportiva do mundo, em número de associados.
Contudo, o que se pretendia com a sua criação era apenas organizar um novo fenômeno social, segundo Franz-Josef Brüggemeier, professor de Sociologia da Universidade de Freiburg. "A fundação da DFB foi uma tentativa de criar uma sistemática nesse novo fenômeno do futebol, uma vez que o esporte se tornava cada vez mais popular e as equipes tinham de jogar umas contra as outras."
"Antes não se conhecia algo como um campeonato, em que equipes de lugares distantes disputavam jogos. Quando isto começou a ocorrer, surgiu a necessidade de que todos os clubes jogassem de acordo com as mesmas regras, que os juízes apitassem as partidas de acordo com regras aceitas por todos. E isto tinha de ser organizado. Assim, surgiu a DFB. Em 1900, ainda existiam poucos clubes, mas já eram quase cem. E pouco depois, foram disputados os primeiros campeonatos."
Leipzig, primeiro campeão da Alemanha
Já em 1903, o VfB Leipzig sagrava-se o primeiro campeão alemão de futebol. Mas antes que o futebol se transformasse realmente no maior movimento de massa da Alemanha, a febre futebolística – importada da Inglaterra – teve primeiro de vencer a enorme popularidade da ginástica no país.
Franz-Josef Brüggemeier: "Havia, de certa forma, um precedente esportivo, que era o dos ginastas. Eles já tinham conseguido organizar um movimento esportivo bastante amplo. Eram realizadas festas da ginástica. Os ginastas tinham, no entanto, um sentimento ambíguo em relação ao futebol: como atletas, tinham de ser favoráveis a ele, mas viam também o futebol como um concorrente."
Hoje em dia, o futebol está inteiramente comercializado. O ex-presidente Braun lembra com saudosismo das épocas anteriores. "Para mim, foi fascinante a época imediatamente posterior à Segunda Guerra Mundial, quando nos reuníamos em nosso clube. Ainda não havia eletricidade. Fazíamos nossas reuniões à luz de velas, para combinar as táticas de jogo. Nossas chuteiras eram improvisadas a partir de sapatos ganhos dos soldados americanos."
DFB zela pelos pequenos clubes
A DFB é uma instituição de valores predominantemente conservadores. Para o jornalista esportivo Norbert Seitz, isto tem o seu lado positivo. "A globalização se disseminou de tal forma, que de repente se tornou algo de positivo a suspeita posição retrógrada da DFB, pois ela protege os pequenos clubes e cuida – não apenas na distribuição dos direitos de transmissão de jogos pela televisão – de que os clubes ricos não fiquem cada vez mais ricos, em detrimento dos demais."
A DFB continuará cumprindo o seu papel, na opinião do ex-presidente Egidius Braun. "Há muita discussão sobre uma eventual cisão no campeonato alemão de futebol etc. Não se pode pensar nisso. A federação vai continuar sendo a organização principal. E a motivação de todos os atuantes na DFB tem de ser os jovens e as crianças."
 
Arnulf Boettcher (am)
Fonte: DW-World

Hoje na História: 814 - Morre Carlos Magno, o imperador dos francos


Morre na cidade de Aix-la-Chapelle, em 28 de janeiro de 814, o imperador franco Carlos Magno. Ele deixa o poder a seu único filho, Luis o Pio.
Wikicommons
Em 751, Pepino III, o Breve, chefe de uma poderosa família franca, havia derrubado a dinastia merovíngia.  Antes de morrer, ainda fiel ao costume da casa que o precede, divide o reino entre seus dois filhos: Carlos e Carloman. Os dois irmãos, ao tornarem-se reis, passaram a residir um perto do outro, mas sem jamais acalmarem seus ânimos.
A morte de Carloman em 771 salva os francos de uma guerra aberta entre irmãos. Carlos toma posse de sua herança e une toda a França sob seu comando. O aspecto mais visível do novo reinado é a expansão do território. A nova dinastia assume o nome de Carolíngea.

Carlos Magno não possuía um plano pré-concebido e valia-se das circunstâncias que se apresentavam. Seus meios militares, embora apreciáveis, eram limitados. Avançava passo a passo. Na Itália esmaga os lombardos que ameaçavam o papa Adriano e toma seus territórios. Na Espanha, ataca o emir de Córdoba e, sem sucesso, tem seu exército em parte destruído. Na Alemanha, consegue tomar a Saxônia e a Bavária.

Dominando grande parte da Europa Ocidental, Carlos Magno surgia como o defensor do cristianismo e do papado. No curso de uma viagem a Roma, no natal do ano 800, o papa Leão III coroa-o imperador romano do ocidente.

A preocupação de Carlos Magno estava em ser obedecido, por isso dividiu seu império em 300 condados, dando início à instituição da vassalagem. À frente de cada um deles, nomeou condes, que, por sua vez, representavam-no, faziam aplicar suas leis, recrutavam homens para seu exército, arrecadavam impostos e distribuíam justiça. Os condes juravam fidelidade ao imperador e eles mesmos, a partir daí, cercavam-se de outros vassalos. O controle dos condes ficava por conta das viagens de inspeção dos missi dominici.
O império vivia essencialmente da agricultura. Cada propriedade era dividida em duas partes, uma explorada diretamente pelo senhor e seus servos e a outra repartida em lotes e arrendada aos camponeses. O comércio foi facilitado em seu governo por uma nova moeda de prata, o denário.

Consciente das lacunas do aparelho administrativo e da estrutura política, Carlos Magno apóia-se na Igreja e a coloca a serviço do Estado. Organiza a evangelização das regiões conquistadas e intervém autoritariamente nas controvérsias teológicas da época. Dedica-se também à elevação espiritual e moral do clero e dos fieis, recomenda educação cristã para as crianças, cuida para que o culto seja celebrado com piedade e correção. Porém se esforça-se sobretudo no desenvolvimento da instrução dos clérigos. Amplia-se inclusive a construção de igrejas que são decoradas com afrescos e mosaicos.

A tradição fez de Carlos Magno o pai do ensino primário. O dia 28 de janeiro, do beato Carlos Magno, é dedicado a esses estudantes. A 3ª República francesa viu nele um ancestral da escola gratuita e obrigatória.

Carlos Magno tinha dois objetivos, reforçar a administração real, difundir a fé cristã para a manutenção da paz e distribuir melhor a justiça. A formação dos funcionários do império consistia em rezar, cantar, pregar e evangelizar, o que exigia montar estruturas educativas. Uma Epístola é endereçada aos bispos e abades, indicando que o ensino elementar deveria ser laico, com preocupação pedagógica e acessível às crianças.
Por outro lado, se ficou comprovado que a nobreza e os monges foram beneficiados pela educação de alto nível da escola palacial de Aix-la-Chapelle, é difícil mensurar a eficácia das medidas postas em prática para desenvolver a escola entre os mais pobres. O povo certamente foi excluído deste renascimento cultural. 
WikiCommons
Cena de Carlos Magno dirigindo-se ao Papa Adriano I

Fonte: Opera Mundi

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Portal del Bicentenario de las Independencias Iberoamericanas

Se ha publicado el Portal del Bicentenario de las Independencias Iberoamericanas:

http://pares.mcu.es/Bicentenarios/portal/index.html

Se trata de un sitio web del Portal PARES, desarrollado por el Centro de Información Documental de Archivos (CIDA), con el propósito de conmemorar los 200 años de los procesos emancipadores de los países americanos que formaron parte de la Corona Española. También se cuentan cómo fueron los procesos de los territorios no españoles: Haití y Brasil.

Con la difusión y puesta a disposición de los ciudadanos del citado Portal, la Subdirección General de los Archivos Estatales, del Ministerio de Educación, Cultura y Deporte, cumple con uno de sus pilares básicos de fomentar, a través de Internet, el Patrimonio Documental Español e Iberoamericano.

El CIDA, miembro de REDIAL (Red Europea de Información y Documentación sobre América Latina), a través de este Portal, facilita un mejor conocimiento de las raíces comunes, sociales y culturales de España con los países de Iberoamérica.

Esperamos que esta información sea de vuestro interés, recibid un cordial saludo.


Información del Portal de Archivos Españoles (PARES)
http://pares.mcu.es/

Fonte: Café História

1945: Libertação de Auschwitz



 

Em 27 de janeiro de 1945, o Exército Vermelho libertou Auschwitz, o maior e mais terrível campo de extermínio dos nazistas. Em suas câmaras de gás e crematórios foram mortas pelo menos um milhão de pessoas.

 
Auschwitz foi o maior e mais terrível campo de extermínio do regime de Hitler. Em suas câmaras de gás e crematórios foram mortas pelo menos um milhão de pessoas. No auge do Holocausto, em 1944, eram assassinadas seis mil pessoas por dia. Auschwitz tornou-se sinônimo do genocídio de judeus, sintos e roma e tantos outros grupos perseguidos pelos nazistas.

As tropas soviéticas chegaram a Auschwitz, hoje Polônia, na tarde de 27 de janeiro de 1945, um sábado. A forte resistência dos soldados alemães causou um saldo de 231 mortos entre os soviéticos. Oito mil prisioneiros foram libertados, a maioria em situação deplorável devido ao martírio que enfrentaram.

"Na chegada ao campo de concentração, um médico e um comandante questionavam a idade e o estado de saúde dos prisioneiros que chegavam", contou Anita Lasker, uma das sobreviventes. Depois disso, as pessoas eram encaminhadas para a esquerda ou para a direita, ou seja, para os aposentos ou direto para o crematório. Quem alegasse qualquer problema estava, na realidade, assinando sua sentença de morte.

Câmaras de gás e crematórios

Prisioneiros no campo de concentração de Buchenwald, no Leste da AlemanhaPrisioneiros no campo de concentração de Buchenwald, no Leste da AlemanhaAuschwitz-Birkenau foi criado em 1940, a cerca de 60 quilômetros da cidade polonesa de Cracóvia. Concebido inicialmente como centro para prisioneiros políticos, o complexo foi ampliado em 1941. Um ano mais tarde, a SS (Schutzstaffel) instituiu as câmaras de gás com o altamente tóxico Zyklon B. Usada em princípio para combater ratos e desinfetar navios, quando em contato com o ar a substância desenvolve gases que matam em questão de minutos. Os corpos eram incinerados em enormes crematórios.

Um dos médicos que decidiam quem iria para a câmara de gás era Josef Mengele. Segundo Lasker, ele se ocupava com pesquisas: "Levavam mulheres para o Bloco 10 em Auschwitz. Lá, elas eram esterilizadas, isto é, se faziam com elas experiências como se costuma fazer com porquinhos da Índia. Além disso, faziam experiências com gêmeos: quase lhes arrancavam a língua, abriam o nariz, coisas deste tipo..."

Trabalhar até cair

Os que sobrevivessem eram obrigados a trabalhos forçados. O conglomerado IG Farben, por exemplo, abriu um centro de produção em Auschwitz-Monowitz. Em sua volta, instalaram-se outras firmas, como a Krupp. Ali, expectativa de vida dos trabalhadores era de três meses, explica a sobrevivente.

"A cada semana era feita uma triagem", relata a sobrevivente Charlotte Grunow. "As pessoas tinham de ficar paradas durante várias horas diante de seus blocos. Aí chegava Mengele, o médico da SS. Com um simples gesto, ele determinava o fim de uma vida com que não simpatizasse."

Marcha da morte

Grupo de crianças presas em AuschwitzGrupo de crianças presas em AuschwitzPara apagar os vestígios do Holocausto antes da chegada do Exército Vermelho, a SS implodiu as câmaras de gás em 1944 e evacuou a maioria dos prisioneiros. Charlotte Grunow e Anita Lasker foram levadas para o campo de concentração de Bergen-Belsen, onde os britânicos as libertaram em abril de 1945. Outros 65 mil que haviam ficado em Auschwitz já podiam ouvir os tiros dos soldados soviéticos quando, a 18 de janeiro, receberam da SS a ordem para a retirada.

"Fomos literalmente escorraçados", lembra Pavel Kohn, de Praga. "Sob os olhos da SS e dos soldados alemães, tivemos de deixar o campo de concentração para marchar dia e noite numa direção desconhecida. Quem não estivesse em condições de continuar caminhando, era executado a tiros", conta. Milhares de corpos ficaram ao longo da rota da morte. Para eles, a libertação chegou muito tarde.
 
Birgit Görtz (rw)
Fonte: DW-World