segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Que 2013 seja pleno de Histórias!


Hoje na História: 31 de dezembro

NASCE A RAINHA DO ROCK BRASILEIRO RITA LEE
31 de dezembro de 1947

No dia 31 de dezembro de 1947 nascia, em São Paulo, Rita Lee Jones Carvalho, cantora, compositora e atriz conhecida como a “Rainha do Rock Brasileiro”. Com mais de 30 discos, ela já vendeu 60 milhões de cópias de seus discos, tornando-se a cantora brasileira que mais vendeu na história da música brasileira. Rita Lee foi também integrante de um dos importantes grupos do rock nacional, os Mutantes, entre 1966 e 1972, juntamente com Arnaldo Baptista e Sérgio Dias. De estilo psicodélico, Rita gravou seis discos com a banda e foi casada com o também integrante Arnaldo, entre 1968 e 1972.

Depois disso, Rita formou a banda Tutti-Frutti, mas a gravadora Phillips exigiu que o grupo assinasse como Rita Lee & Tutti-frutti, entre os anos de 1974 e 1978. Em 1975, a banda lançou com sucesso o disco “Fruto Proibido”, pela Som Livre, e Rita conquistou a consagração nacional. No ano seguinte, ela conheceu o músico carioca Roberto de Carvalho, com quem começou uma parceria musical e amorosa de sucesso que segue até os dias atuais. Com Roberto, Rita Lee teve três filhos: Beto (1977), João (1979) e Antônio (1981). Em 1991, Rita separou-se profissionalmente de Roberto para fazer um trabalho mais “Bossa 'n' Roll” e um rock mais purista. O casal só voltaria a se apresentar no mesmo palco em 1995. Além de sua carreira de sucesso como cantora e compositora, Rita Lee também já participou de novelas, comandou programas na TV e trabalhou em projetos de rádio. Ela também admitiu problemas com álcool e drogas durante vários anos de sua vida, mas fez tratamento e disse estar livre dos vícios desde 2006.



MORRE PÉRICLES DE ANDRADE MARANHÃO, CRIADOR DO PERSONAGEM AMIGO DA ONÇA
31 de dezembro de 1961

No dia 31 de dezembro de 1961 morria, no Rio de Janeiro, o cartunista Péricles de Andrade Maranhão. Ele fez bastante sucesso nos anos 40 e 50 e foi o criador do personagem “Amigo da Onça”. Nascido no dia 14 de agosto de 1924, no Rio de Janeiro, ele começou a carreira em publicações dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, com “As aventuras de Oliveira Trapalhão”, publicadas na revista “A Cigarra”. Em 1943, Péricles passou a trabalhar na revista “Cruzeiro”, onde publicou as histórias do “Amigo da Onça”, personagem que ganhou grande popularidade no Brasil. Satírico, irônico e crítico de costumes, o “Amigo da Onça” aparece em diversas situações, desmascarando seus interlocutores ou deixando-os em situações embaraçosas.

O sucesso do personagem, contudo, atormentava Péricles, que mesmo assim desenhou o “Amigo da Onça” durante 17 anos. Com uma personalidade atormentada, o cartunista se matou na noite de 31 de dezembro de 1961 em seu apartamento no Rio de Janeiro, abrindo o gás. Antes, fixou na porta um cartaz com o seguinte aviso: "não risquem fósforos".

Fonte: THC

domingo, 30 de dezembro de 2012

Acabou 2012…


Em série de artigos, equipe da RHBN comenta fatos marcantes do ano. Das mudanças na política brasileira, passando pela restauração do Jesus de Borja e chegando à descoberta da ‘partícula de Deus’, 2012 deu no que falar

30/12/2012
Restauração de Jesus, feita por Cecília Giménez
Restauração de Jesus, feita por Cecília Giménez
O primeiro artigo que abre as portas do passado é escrito pelo pesquisador Rodrigo Elias. Ao recapitular alguns fatos ocorridos no Brasil, lamenta a morte de Wando, que teria selado o fim do amor em um ano que terminou apesar do mundo continuar girando...
Em Elas no comando, mas de quê?a historiadora Nashla Dahás parte da cena política atual da América do Sul para refletir sobre as representações sociais da mulher ao longo do século XX. De 1968 à Marcha das Vadias, o que está em jogo?
Já A arte e o legado de Cecília de Borja, escrito por Gabriela Nogueira Cunha, o fenômeno da internet, ‘Trol de Borja’ganha destaque. Para a autora, a lambança feita por Cecília Giménez em uma pintura sacra do século XIX, na Espanha, abre portas para que se fale mais sobre os processos de restauração de obra de arte em museus do Brasil e do mundo.
A Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável,Rio+20, também deu no que falar. O Rio de Janeiro ficou cheio de ativistas e defensores do meio ambiente e direitos humanos durante julho, mas o documento redigido pelas autoridades mundiais ao fim do encontro só postergou decisões importantes. Isso é o que lembra o jornalista Lorenzo Aldé, em Muito barulho por (quase) nada.
Falando em grandes eventos, as Olimpíadas de Londres, ao contrário da Rio+20, foram um sucesso. Diante de todo o pessimismo inglês para possíveis problemas, como caos nos transportes e ataques terroristas, os Jogos ocorreram às mil maravilhas. É o que conta o jornalista Ronaldo Pelli – que, aliás, estava em Londres durante a competição - em A nação unida pelas Olimpíadas.
Voltando à política e à Justiça, a pesquisadora Carolina Ferro comenta a posse de Joaquim Barbosa na presidência do Supremo Tribunal Federal, em Black Power.
O historiador Marcello Scarrone preferiu relembrar uma descoberta fundamental para a ciência, em 2012. A Partícula de Deus. Em junho, um experimento realizado na Suíça comprovou a existência do bóson de Higgs, o componente que teria dado origem a todos os outros da natureza. 
O artigo Duas últimas jornadas, de Angélica Barros, fala sobre perdas que o mundo sofreu em 2012. Neil Armstrong, o viajante do espaço, se foi junto com o historiador Eric Hobsbawm, por sua vez, um viajante do tempo.

Professora do PPGH publica em Tempo e Argumento


Editorial

EditorialPDF
Tempo e Argumento01 - 03

Dossiê

A CAMPANHA PRESIDENCIAL TELEVISIVA DE LULA EM 2006 REVISTA DESDE A DIDÁTICA DA HISTÓRIALULA’S 2006 PRESIDENTIAL CAMPAIGN IN TELEVISION SAW FROM THE HISTORY DIDACTICSPDF
Luis Fernando Cerri04 - 23
LIVROS DIDÁTICOS DE HISTÓRIA: entrecruzando leituras de imagens e orientações editoriais nas décadas de 1970 e 1980DIDACTIC BOOKS OF HISTORYPDF
Arnaldo Pinto Junior, João Batista Gonçalves Bueno, Maria de Fátima Guimarães24 - 45
LIVROS DIDÁTICOS DE HISTÓRIA DA REDE SALESIANA DE ESCOLAS: prescrições e usosHISTORY TEXT-BOOKS OF THE SALESIAN SCHOOLS NETWORK: requirements and usesPDF
Clarícia Otto, Geane Kantovitz46 - 62
O MUSEU NA SALA DE AULA: propostas para o planejamento de visitas aos museusTHE MUSEUM IN THE CLASSROOM: educational planning with museumsPDF
Ricardo de Aguiar Pacheco63 - 81
ENSINO DE HISTÓRIA: políticas curriculares, cultura escolar, Saberes e práticas docentesHISTORY TEACHING: curricular policies, school culture, knowledge and teaching practicesPDF
Roper Pires de Carvalho Filho82 - 101
DE ANÔNIMO A BEST-SELLER: digressões sobre o sucesso do Projeto Araribá - História no PNLD de 2008FROM ANONYMOUS TO BEST-SELLER: digressions on the success of Project Araribá - História in the PNLD of 2008PDF
Jeferson Rodrigo da Silva102 - 127
TENSÕES CURRICULARES E NARRATIVAS: o ensino de História da América LatinaHISTORY TEACHING: curricular policies, school culture, knowledge and teaching practicesPDF
Raquel ALS Venera, Juliana Pirola da Conceição128 - 151

Artigos

VISÕES SOBRE A CONQUISTA DA AMÉRICA HISPÂNICA PELA MÚSICA POPULARVIEWS ABOUT THE HISPANIC AMERICA CONQUEST FROM THE POPULAR MUSICPDF
Geni Rosa Duarte, Emilio Gonzalez152 - 173
A VASSOURA, A SIMPATIA E A ESPADA: Imagens da democracia brasileira nos anos 50THE BROOM, THE SIMPATHY AND THE SWORD: images of brazilian democracy in the fiftiesPDF
Marlise Regina Meyrer174 - 204

Resenhas

Entender História: Os Filmes e o EnsinoPDF
Lara Rodrigues Pereira, Caroline Antunes Martins Alamino205 - 208
Treblinka (1942-1943) – a vida e a fuga de um campo de concentraçãoPDF
Júlio César Virgínio Costa209 - 211
O mundo do cordel a partir de uma tipografiaPDF
Geraldo Magella de Menezes Neto212 - 215

Entrevista

O ENSINO DE HISTÓRIA - ALGUMAS REFLEXÕES DO REINO UNIDO: entrevista com Peter J. LeePDF
Cristiani Bereta da Silva216 - 250

1916 - Protegido da família real, Rasputin é assassinado na Rússia


Em algum momento no curso da noite e na madrugada de 29 para 30 de dezembro de 1916, Grigory Efimovich Rasputin, que se auto-proclamava homem santo, é assassinado por nobres russos ansiosos por acabar com sua influência sobre a família real.

Wikicommons
Rasputin, camponês nascido na Sibéria, passou por uma conversão religiosa na adolescência e proclamou a si mesmo como um curandeiro com a habilidade de predizer o futuro.

Conquistou os favores do czar Nicolau II e da czarina Alexandra por deter, em 1908, a hemorragia do príncipe Alexei, que sofria de hemofilia. A partir de então, era duramente criticado pelos corredores do palácio pela sua lascívia e inclinação para a bebida.

Rasputin exerceu poderosa influência sobre a família real governante da Rússia, enfurecendo os nobres, a ortodoxia religiosa e os camponeses. Influenciou em especial a czarina, a ponto de alimentar rumores de que eram amantes.

Quando Nicolau partiu para comandar as forças armadas russas por ocasião de Primeira Guerra Mundial, Rasputin passou, na prática, a governar o país por intermédio de Alexandra, contribuindo com o aprofundamento da corrupção e a agitação social na Rússia.
Temerosos do crescente poder de Rasputin, um grupo de nobres, liderado pelo príncipe Felix Yossupov, marido da sobrinha do czar, e pelo Grão-Duque Dmitri Pavlovich, primo em primeiro grau do czar Nicolau, atraiu o camponês ao palácio de Yossupov na noite de 29 de dezembro de 1916.

Primeiramente, os assassinos de Rasputin ofereceram-lhe comida de monge acompanhada de vinho, com algumas gotas de cianido. Quando deixou de reagir ao veneno, atiraram nele à queima-roupa, imaginando que já estivesse morto.

Poucos minutos mais tarde, no entanto, Rasputin recobra a consciência, levanta-se e tenta escapar do palácio, momento em que os agressores alvejaram-no novamente e bateram nele com violência. Por fim, amarraram-no ainda milagrosamente vivo, pelos pés e mãos, atirando-o no rio gelado. Seu corpo foi descoberto vários dias depois e os dois principais conspiradores, Yossupov e Pavlovich, exilados.

Poucos meses mais tarde, a Revolução Bolchevique derrubou o regime imperial. Nicolau e Alexandra foram mortos e o longo e tenebroso reinado dos Romanovs teve fim.

Fonte: Opera Mundi

sábado, 29 de dezembro de 2012

Inglaterra libera documentos secretos sobre Guerra das Malvinas



Documentos desclassificados pelo Arquivo Nacional britânico mostram que a ex-primeira ministra Margaret Thatcher estava disposta a chegar a um acordo com a Argentina sobre o status e a soberania das Malvinas que evitasse o enfrentamento militar entre as duas nações. Em contraposição à imagem intransigente de Thatcher, as minutas sobre as reuniões do gabinete de guerra indicam que a primeira ministra considerou como um “prêmio considerável” uma solução diplomática´. O artigo é de Marcelo Justo.

Fazendo História no PIBID, por Emanuel Machado da Silva


"O Programa Institucional de bolsa de Iniciação à Docência surgiu como uma oportunidade de aprimoramento de noções didáticas e a adaptação dentro do ambiente escolar. Veio com a ideia de relacionar o universo acadêmico com a escola, no intuito de estreitar laço com jovens alunos, que por muitas vezes, além de estarem em dúvida sobre determinado conteúdo, possuem visões rasas acerca do conhecimento histórico.

O convívio diário com colegas do primeiro ao sexto nível possibilitou debates, encontros e outras interações que antes eu não realizava com tanta frequência. Considero este processo de socialização entre formandos de extrema importância, não apenas para minha formação profissional, como para a formação pessoal.

(...) Nossa temática [da oficina aplicada no EENAV] propôs tornar o aluno  um investigador, num estudo de caso onde a problematização investigativa é o ponto para o conhecimento histórico. Os alunos debateram e defenderam seus pontos de vista e construíram notáveis respostas no exercício da produção em grupo, num nível acentuado de interesse.

A importância da interação do grupo para compor a nossa temática, mesmo com pequenos deslizes, foi fundamental para chegarmos ao resultado final de nosso processo.  Agradeço a confiança que me foi dada e me orgulho de fazer parte desta nova etapa do curso de História da UPF. O PIBID é mais que uma bolsa de iniciação a docência, tornou-se uma rotina estimulante de desafios, comprometimento e principalmente de aprendizado entre alunos, colegas e professores".


Emanuel Augusto Machado da Silva
Pibidiano na EENAV - EnsinoFundamental
Professora Supervisora: Gladis Teresinha da Silva Annes



Nova edição de Topoi traz textos de docentes UPF


É com satisfação que anunciamos o novo número de Topoi. Revista de História. celebrando os 30 anos do Programa de Pós-Graduação em História Social da UFRJ. Veja abaixo os artigos e resenhas para esta edição.

Topoi. Revista de História
Volume 13, Número 25 | Julho - Dezembro 2012
Documento
Reflexões sobre o Programa de Pós-Graduação em História Social — trinta anos
Considerations about the Graduate Program on Social History – 30th Anniversary
Francisco José Calazans Falcon, José Murilo de Carvalho e Marieta de Moraes Ferreira
Artigos 

Reparação e desamparo: o exercício da justiça através das notificações (Mariana, Minas Gerais, 1711-1888)
Reparation and Helplessness: the Exercise of Justice through Notifications (Mariana, Minas Gerais, 1711-1888)

Álvaro de Araujo Antunes e Marco Antonio Silveira

“Eliminar os indesejáveis”: uma lógica de ação para o policiamento dos argelinos em Paris (1944-1962)
“Eliminating the Undesirable”: A Rational for Action on Policing Algerians in Paris (1944-1962)
Emmanuel Blanchard

Aspectos econômicos em uma sociedade agrária (Rio Pardo, século XIX): evidências na composição da riqueza local
Economic Relations within an Agrarian Society in the Province of Minas Gerais (Rio Pardo, 19th Century)

Edneila Rodrigues Chaves

Tem servido na governança, e tem todas as qualidades para continuar”: perfil social de oficiais da Câmara de Porto Alegre (1767-1828)
“Has been serving in governance, and has all the qualities to continue”: Social Profile of Officers in the Municipal Council of Porto Alegre (1767-1828)
Adriano Comissoli


Brasil anos 1990: teleficção e ditadura — entre memórias e história
Brazil in the 1990s: television fiction and dictatorship between memories and history
Roberto Abdala Junior

Governo colonial, distância e espera nas minas e capitania de Goiás
Colonial Government, Distance and Waiting Time in the Mines and Captaincy of Goiás
Fernando Lobo Lemes

A narrativa histórica entre a vida e o texto: apontamentos sobre um amplo debate
The Historical Narrative between Life and Text: Notes on a Wide Debate
Douglas Attila Marcelino

De corpo e alma na margem: Catolicismo, santidade e medicina no Norte de Portugal (c. 1900 — c. 1950)
Body and Soul on the Edge: Catholicism, Sainthood, and Medicine in Northern Portugal (c. 1900 – c.1950)
Tiago Pires Marques

A carreira transimperial de don Manuel Cipriano de Melo no rio da Prata do século XVIII
The Trans-Imperial Career of Don Manuel Cipriano de Melo (Rio de la Plata c. 1760-c. 1813)
Fabrício Prado

Entrevista
História, crime e cultura de massa
History, Crime and Mass Culture
Entrevista com Dominique Kalifa

Tradução
Quentin Skinner: a história da política e a política da história
Quentin Skinner: The History of Politics and the Politics of History
J. G. A. Pocock

Resenhas
As capitais no palco: teatro e sociedade na Europa oitocentista
Capitals on Stage: European Theater and Society in the 1800’s
Fernando Santos Berçot

Os difíceis caminhos percorridos pela Lei de Anistia no Brasil, do estudo de caso ao contexto nacional
The Difficult Trajectory of the Amnesty Law in Brazil, from a Case Study to the National Context
Isabel Bilhão


Costurar o passado
Stitching the Past
Carlos Ziller Camenietzki

Trajetória individual, imaginação e narrativa — três questões provocadoras e sugestivas em Como Shakespeare se tornou Shakespeare
Individual Trajectory, Imagination, and Narrative — Three Provocative and Suggestive Issues in How Shakespeare Became Shakespeare
Henrique Buarque de Gusmão

Uma sombra sobre o discurso ocidental

A Shadow over the Western Discourse
Jean Hébrard

O uso político dos cadáveres na França da primeira metade do século XIXPolitical Use of Corpses in 1800-1850’s France
Isabel Lustosa
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Topoi. Revista de História, publicada desde  2001 e apresentando-se  como revista eletrônica baseada nos princípios do livre acesso a partir de 2008, alia os avançados recursos da tecnologia editorial com a continuidade renovada de sua sólida e bem sucedida tradição e permanece vocacionada a ser um pólo divulgador da produção historiográfica brasileira contemporânea. De periodicidade semestral, Topoi publica artigos, ensaios, entrevistas, debates, traduções e resenhas críticas, inéditos, na área de história, e recebe colaborações em fluxo contínuo através do endereço eletrônico topoi@revistatopoi.org.

1937: Entra em vigor a Constituição da Irlanda


Em 29 de dezembro de 1937 entrou em vigor a Constituição que consolidaria a divisão da 'ilha verde' em duas partes: a República da Irlanda e os seis condados da província do Ulster que formariam a Irlanda do Norte.
A cidade de Limerick (República da Irlanda), no ano de 1937
A Constituição de 29 de dezembro de 1937 foi criada para acabar com a violência entre irlandeses e ingleses e entre protestantes e católicos. Na prática, ela significou uma divisão da ilha em duas partes: a Irlanda e a Irlanda do Norte.
A carta magna, que de tempos em tempos ainda passa por leves alterações, teve diversas influências. Um dos seus mentores foi Eamon de Valera, primeiro-ministro e ex-combatente do movimento de libertação da Irlanda.
Os constituintes criaram instituições públicas segundo o modelo inglês, mas com denominações irlandesas. A Irlanda passou a chamar-se oficialmente Eire. O papel do Tribunal Constitucional foi copiado do seu similar nos Estados Unidos.
Além disso, os irlandeses adotaram alguns princípios constitucionais da Itália e da República de Weimar (Alemanha). A influência dominante, porém, veio do Vaticano. De Valera queria uma Constituição católica, para ressaltar a separação da coroa inglesa.
Conflito religioso secular
O sangrento conflito religioso entre o governo de Londres e a Irlanda já durava séculos. A cristianização da ilha começara no século 5º, nos tempos do atual patrono e herói nacional São Patrício. Nos anos seguintes, foram construídos inúmeros mosteiros na Irlanda, iniciando-se um movimento missionário que se expandiu até o continente europeu.
O rei inglês Henrique 2º apoderou-se do país no século 12. Através do Tratado de Windsor, de 1175, passaram a valer as leis inglesas na Irlanda. Nos séculos seguintes, a ilha não teve mais paz. Repetidamente os irlandeses travaram batalhas sangrentas com os ingleses.
Por meio de uma bem tramada política de emigração, os protestantes tornaram-se predominantes em vários condados, principalmente na província do Ulster, no norte da ilha. Em 1801, a Irlanda foi oficialmente incorporada ao império inglês.
Radicalização do movimento separatista
No século 19, surgiu um movimento pela autonomia política da ilha, o chamado Home Rule. A esta altura, a Irlanda era a mais antiga colônia britânica. Como Londres hesitasse em atender às reivindicações, o movimento se radicalizou. Fundaram-se vários partidos políticos, entre eles o Sinn Fein, organização que liderou o Levante da Páscoa de 1916, violentamente sufocado pelos ingleses.
Vários líderes da revolução de cinco dias foram executados. Um dos cabeças do movimento, que conseguiu escapar vivo, foi Eamon de Valera. Em 1919, ele criou um parlamento independente e fundou o Exército Republicano Irlandês, o IRA, que desencadeou a luta pela independência do país. A consequência foi mais radicalização e anos de luta na clandestinidade, apoiada principalmente pela população católica.
Divisão do país
Para acabar com o conflito, em 1921 Londres e Dublin firmaram um acordo de independência que provocou uma profunda divisão da sociedade irlandesa. Foi constituído o Estado Livre Irlandês, que aglutinou os 26 condados do sul, de maioria católica, enquanto o norte da ilha – especificamente os seis condados do Ulster de maioria protestante – permaneceu ligado ao Reino Unido.
Eamon de Valera abandonou a luta clandestina para tornar-se líder parlamentar em Dublin. Sonhava com um país predominantemente agrícola, cujos habitantes vivessem de acordo com os preceitos da Bíblia. Na função de primeiro-ministro, ele e seus correligionários gravaram esse sonho na Constituição de 1937, que selou definitivamente a divisão do país.
De Valera deixou a sua marca republicana e católica na Constituição que entrou em vigor em 29 de dezembro de 1937, após ser aprovada num plebiscito. Entre outras coisas, ela proibiu o divórcio e condenou a mulher à atividade doméstica.
Segundo o artigo 41, parágrafo 2º, "o Estado reconhece especialmente que, através do trabalho doméstico, a mulher dá ao Estado um apoio sem o qual o bem comum não pode ser atingido. Por isso, o Estado deve garantir que as mães não precisem trabalhar por motivos econômicos, em prejuízo de suas obrigações domésticas".
Como líder do partido republicano, Fianna Fail, primeiro-ministro e presidente da Irlanda entre as décadas de 30 e de 70, De Valera cortou aos poucos os laços do país com a Inglaterra e recusou-se a aceitar a inclusão da Irlanda do Norte no Reino Unido. Em 1949, foi proclamada a República da Irlanda que, na década de 60, intensificou as suas relações econômicas com o Reino Unido e faz parte da União Europeia desde 1973.

DW.DE

Hoje na História: 29 de dezembro

NASCEU O ARTISTA PLÁSTICO BRASILEIRO CÂNDIDO PORTINARI29 de dezembro de 1903
Um dos artistas plásticos brasileiros de maior destaque internacional, Cândido Portinari nasceu no dia 29 de dezembro de 1903, na cidade de Brodowski, no interior de São Paulo. Com aproximadamente cinco mil obras na sua carreira, ele também pintou gigantescos murais como os painéis “Guerra e Paz”, doados à sede da ONU, em Nova York em 1956, assim como a obra “A descoberta da terra” (1941), no edifício da Biblioteca do Congresso, em Washington.
Filho de imigrantes italianos, Portinari teve uma infância de poucos estudos, e já mostrava que tinha talento artístico desde criança. Seu primeiro passo importante na carreira aconteceu aos 14 anos de idade, quando virou ajudante de um grupo de pintores e escultores italianos que atuava na restauração de igrejas na região de Brodowski. No ano seguinte, Portinari se mudou para o Rio de Janeiro para estudar na Escola Nacional de Belas Artes.
Aluno destacado, aos 20 anos já havia participado de exposições e também começou a se interessar pelo Modernismo, movimento até então considerado marginal. Em 1928, ele ganhou a medalha de ouro da Escola de Belas Artes e também uma viagem à Europa. Ficou dois anos em Paris, onde consagrou seu estilo e também conheceu a uruguaia Maria Martinelli, sua futura esposa e com quem viveria por toda sua vida.
O retorno ao Brasil aconteceu apenas em 1946. Nesta época, começou a se dedicar mais aos murais e afrescos. Seus quadros chamaram a atenção de Alfred Barr, diretor geral do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA). Algum tempo depois, o brasileiro ganhou uma exposição individual no museu e, nessa época, ele fez os dois murais para a Biblioteca do Congresso em Washington. Ao visitar o MoMA, Portinari ficou impressionado com a obra "Guernica" de Pablo Picasso e decidiu mudar o seu estilo. Em 1951, Portinari expôs na Primeira Bienal de São Paulo.
Pouco depois, porém, começou a ter problemas de saúde por conta da intoxicação pelo chumbo de suas tintas. Sem obedecer as ordens médicas, ele continuou pintando e viajando para exposições. No começo de 1962, Portinari participou de uma exposição com 200 telas organizada pela prefeitura de Milão. Neste ano, porém, seu envenenamento pelas próprias tintas foi fatal e o artista morreu no dia 6 de fevereiro de 1962, no Rio de Janeiro.



FERNANDO COLLOR DE MELLO RENUNCIOU A PRESIDÊNCIA DO BRASIL
29 de dezembro de 1992

Fernando Affonso Collor de Mello é um político brasileiro, e foi Presidente Constitucional da República do Brasil entre 1990 e 1992, o primeiro depois da restauração da democracia brasileira; também foi o presidente mais jovem a assumir, na história de Brasil. Em 1991, seu irmão, Pedro Collor, deu uma entrevista na qual confessou que Fernando Collor teria um grande esquema de corrupção na Presidência, o que levou o Congresso a iniciar investigações posteriores. O mesmo povo que havia escolhido a Collor alguns anos antes voltou às ruas para pedir sua renúncia. Em setembro de 1992 foi eleito para a Presidência devido ao aprofundamento das investigações, e poucos meses depois renunciou definitivamente, deixando seu vice-presidente, Itamar Franco, como novo chefe de Estado.

Fonte: THC

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Estados Unidos y el crack fiscal


por Leandro Morgenfeld // DiarioRegistrado

Estados Unidos sigue siendo la principal economía mundial. Su PBI anual supera los 15 billones de dólares y duplica al de China, la segunda. Sin embargo, el creciente y persistente déficit gemelo (fiscal y comercial) abre un gran signo de interrogación en el futuro inmediato. Hace años que Estados Unidos financia su sobre-consumo empapelando al mundo con dólares y bonos del Tesoro. Sostiene altísimos niveles de consumo porque traslada al resto del mundo sus desequilibrios. Buena parte de las exportaciones chinas y europeas se dirigen hacia Estados Unidos, lo cual muestra el nivel de interrelación de las principales potencias. China es el principal acreedor de Estados Unidos. Y Europa y Japón delegan en Estados Unidos el rol de gendarme planetario, lo que explica, en parte, que el presupuesto militar estadounidense sea similar al de todos los demás países del mundo sumados. Pero la gran pregunta es si los desequilibrios económicos estadounidense van a poder seguir trasladándose al resto del mundo. Por primera vez en la historia, la deuda pública de Estados Unidos es superior a su PBI. Cada familia "tipo" debe 200.000 dólares.

En pocos días, como en agosto de 2011, la Casa Blanca y el Capitolio deberán pasar una prueba de fuego: o se ponen de acuerdo en cómo disminuir el déficit público, o se dispara lo que se conoce como el "abismo fiscal", una serie de aumentos de impuestos y reducción de gastos públicos que se aplicarán automáticamente desde el 1 de enero. De ocurrir esto, podría contraerse el PBI en más de 3 puntos, lo que implicaría que Estados Unidos volvería a caer en recesión, arrastrando a una Europa que no logra recuperarse de la crisis mundial iniciada en 2008. Y estas previsiones no provienen de análisis catastrofistas, sino del propio FMI y la Oficina del Presupuesto del Capitolio. Por estas horas, se suceden en Washington febriles reuniones para alcanzar un acuerdo entre el Partido Demócrata (controla el Senado) y el Republicano (tiene mayoría en la Cámara de Representantes).

La principal puja entre demócratas y republicanos es quién debe pagar más impuestos. Obama sostenía que todo aquel con ingresos anuales superiores a 200.000 (o 250.000 para el caso de las familias). Los republicanos, en cambio, pretendían que las exenciones impositivas impuestas por Bush se mantuvieran, y que sólo los que ganan más de un millón de dólares anuales pagaran más. Las negociaciones a contrarreloj buscan algún intermedio. La mayoría de los analistas sostiene que se llegará a un acuerdo horas antes del deadline. Otros, en cambio, pronostican que el acuerdo bipartidista recién se alcanzará en enero o febrero, con lo cual los recortes y aumentos de impuestos automáticos se aplicarán durante algunas semanas. Los más optimistas, quienes relativizan la supuesta catástrofe que implicaría el "precipicio fiscal", sostienen que los ajustes pueden anularse retroactivamente, con lo cual no tendrían mayor efecto. Lo difícil es prever el alcance real que tendrían estos recortes, en una economía que no logra despegar, y con un altísimo desempleo, que según las cifras oficiales afecta a más de 13 millones de personas.

Se llegue o no a un acuerdo que evite el "abismo fiscal", los desequilibrios persistirán, lo cual es una manifestación de las limitaciones de la economía estadounidense, en declive relativo. Ya en el verano boreal de 2011, el mundo contuvo el aliento esperando un acuerdo entre demócratas y republicanos que evitara el default estadounidense. Finalmente, se llegó a una solución provisoria, que permitió incrementar el nivel de endeudamiento y déficit hasta diciembre de 2012, fecha en la que debe establecerse un plan para reducir el déficit. Como no se está logrando este acuerdo, lo más probable es que se llegue a nuevas soluciones temporales, para evitar una brusca recesión. Se estará lejos del gran acuerdo que deseaba Obama. Será sólo un parche más y en pocos meses volverá la incertidumbre. El gran interrogantes es hasta cuándo los demás países sostendrán el señoreaje del dólar. Hasta cuándo seguirán comprando bonos del Tesoro de Estados Unidos y manteniendo sus reservas en dólares. Esto es: hasta cuándo seguirá el resto del mundo financiando el sobreconsumo estadounidense. Parte de esta respuesta dependerá de cómo se enfrente el abismo fiscal en estos días.

1895: Primeira sessão pública de cinema


O dia 28 de dezembro de 1895 é tido como o nascimento do cinema comercial. Com um programa fílmico de 40 minutos, os irmãos franceses Lumière perseguiam a meta que norteia a 7ª arte até nossos dias: maravilhar o público.
Auguste e Louis Lumière
A entrada do salão indiano do Grand Café de Paris não estava exatamente apinhada naquele 28 de dezembro de 1895. Não mais de três dúzias de visitantes vieram presenciar o momento histórico da primeira sessão cinematográfica comercial do mundo.
O ingresso custava um franco, o programa previa dez filmes de três a quatro minutos de duração. Os organizadores da apresentação eram os irmãos Auguste e Louis Jean Lumière, filhos do famoso fotógrafo Antoine Lumière, de Lyon.
Hoje, eles são considerados os inventores do cinema, embora antes deles os alemães irmãos Skladanovski, por exemplo, tivessem apresentado um programa no Varieté Wintergarten de Berlim em novembro do mesmo ano.
"Venha ver algo que o deixará maravilhado"
Ao lado dos Lumière, o igualmente francês Georges Méliès conta entre os pioneiros da sétima arte. Mas, enquanto os irmãos rodavam o que hoje se chamaria de documentários, Méliès trouxe a fantasia ao meio. Não é de espantar: ele ganhava a vida como mágico.
Também ele esteve presente àquela legendária projeção em dezembro de 1895. Anos mais tarde, relataria assim seu encontro com Antoine Lumière:
"'Monsieur Méliès, o senhor tem o hábito de maravilhar seu público. Gostaria de vê-lo esta noite no Grand Café.' Por quê?, perguntei. 'O senhor verá algo que o deixará maravilhado.' Primeiro, ele projetou imagens imóveis com seu aparelho, como também fazíamos em nossos números. Eu disse: Nós fazemos isso há 20 anos! Ele deixara as imagens paradas durante um tempo, de propósito. Subitamente, notei que as pessoas se moviam na tela em nossa direção. Ficamos todos completamente perplexos!"
De volta às origens
'Como um cruzeiro em rota de colisão'
O novo salto quântico da história do filme ocorreria 30 anos mais tarde, com a introdução da película sonora. A voz do cantor norte-americano Al Jolson foi a primeira a se fazer ouvir no cinema.
Em nossos dias, o cinema atravessou um desenvolvimento meteórico, ultrapassando, em seu efeito sobre o público, o teatro, as artes plásticas e a literatura. Em termos de sugestão de massas e popularidade, apenas os heróis da música popular podem competir com ele.
O que compõe o núcleo aglutinador do cinema, de onde vem o fascínio da sétima arte? O diretor norte-americano Sam Fuller deu uma das mais belas definições do filme em 1965, na película O demônio das 11 horas (Pierrot le fou), de Jean Luc Godard.

DW.DE

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Diário de Atenas: nove dias no epicentro da crise europeia


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Opera Mundi passou nove dias em Atenas, capital grega, para verificar os efeitos da crise sem precedentes que assola o país. De acordo com números oficiais, um quarto da população do país está desempregada. Entre os jovens, o número supera os 50%. Nas ruas, são claros os indícios de que uma convulsão social está prestes a acontecer.

Sábado, 3 de Novembro
Chegada, pessimismo e neonazismo

O voo de Londres a Atenas pela Aegean Airlines, companhia grega, vai com menos de um terço da ocupação, apesar das promoções e do tempo bom na Grécia. Atenas seria um destino comum para aposentados europeus nessa época do ano, em busca de praia e calor. Ao que tudo indica, o noticiário da crise espantou os turistas.

Depois de três horas desembarco no elegante Aeroporto Eleftherios Venizelos, construído para a Olimpíada de 2004. Ele, resplandecente, está às moscas. Vou comprar o bilhete para o metrô e apenas um caixa está funcionando - atrás de um aviso de greve.
Roberto Almeida/Opera Mundi

O transporte em Atenas vai parar dias 6 e 7 de novembro, quando o Parlamento vota mais um pacote de austeridade proposto pela Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional). Ao lado da parada do trem vejo um anúncio (irônico?) do uísque Johnnie Walker: “Keep Walking Greece.”

São oito euros (cerca de R$ 20) pelo bilhete até o centro. Desço na estação Syntagma, no centro, e troco para Metaxourgio, no noroeste da cidade. As estações são bastante amplas e lembram muito as de São Paulo. A cidade, não demoro a perceber, também lembra São Paulo no jeito despachado das pessoas em meio ao caos.

Já é noite, deixo minha mochila no quarto que aluguei, na casa de uma romena e um grego. Ele trabalha na Força Aérea da Grécia. Sorridente mas desgostoso, resumiu a crise assim, com um ditado grego: Κάθε πέρσυ και καλύτερα. (Algo como: “Cada ano que passou foi melhor que o seguinte”. Para simplificar, seria a versão grega para “Nada está tão ruim que não possa piorar”.)

Saio para caminhar pelas ruas escuras. Pichos, muitos pichos nas paredes e trânsito pesado. Atenas grita nos olhos. Em redutos de relativo silêncio com cheiro de kebab, aposentados assistem ao futebol na TV, jogo do Olimpiacos.

A Acrópole que brilha no alto, imponente, indica o caminho para Plaka, centro turístico abarrotado de vida pulsante. Ao pé do Partenon, imigrantes africanos vendem bolsas, cigarros e helicópteros fluorescentes. Os gregos dizem não enquanto desfilam em família, driblando o cachorro de rua, branco e gordo, que espera um resto de comida. Mais embaixo, o trem suburbano rasga a paisagem todo colorido, grafitado.

Em 10 minutos de passos lentos chego à Praça Syntagma, estranhamente calma para quem já assistiu aos confrontos entre manifestantes e polícia. E em outros cinco estou na Estação Panepistimiou (Universidade) do metrô, que desemboca na Academia de Atenas, bastante pichada com dizeres antifascistas.

Em uma barraquinha fumegante de comida árabe, Nermeen, uma garota síria que escapou da guerra civil, e que agora teme os neonazistas gregos do partido Aurora Dourada, doava falafels para dizer que os imigrantes são, sim, pessoas de bom coração. Seu amigo, Ahmed, com filho no carrinho de bebê, é só sorrisos. Eles me oferecem, empolgados, mostrar Atenas pelo ponto de vista de um imigrante.

Na volta para casa vejo, pela primeira vez, um grande picho do meandros, o símbolo do partido neonazista Aurora Dourada.

Domingo, 4 de novembro
Discriminação e barbárie

Nermeen já me esperava, animada, na porta da Estação Kato Patissia, no norte de Atenas. A área é de imigrantes e de forte presença do Aurora Dourada. Ahmed deixara a porta do carro aberta para entrarmos. Sol forte no pára-brisas, ele nos levou em 40 minutos a Piraeus, sul de Atenas, na beira do mar. Um pouco de calmaria para rebater a cidade caótica.
Roberto Almeida/Opera Mundi

Entre frapês, os cafés gregos batidos e gelados, Nermeen e Ahmed desabafam. Ela não entende por que a olham atravessado na rua, não entende por que o preconceito com muçulmanos. Ele lamenta que os negócios estejam tão ruins, que existam neonazistas (“são uns bárbaros!”) e que a vida não vá melhorar.

O objetivo é um só: escapar da Grécia a qualquer custo. Ambos se movimentam para fazer isso acontecer o quanto antes.

Decidimos passar pela feira livre de Piraeus, sob um calor de 30 graus, coberta por um tapete de produtos de segunda mão. Os gregos estão vendendo seus bens pessoais a preço de banana para ter alguma renda. Ahmed checa os bolsos por sua carteira de dinheiro e brinca que eu deveria fazer o mesmo. A rua está lotada e, depois de meia hora, insuportável no empurra-empurra sem fim.

Depois de outros 30 minutos de carro, Ahmed nos deixa na Estação Monastiraki, no centro de Atenas. Nermeen, antes muito falante, agora está mais calada. Recebeu uma mensagem do noivo avisando que um amigo sírio havia sido espancado por não ter documentos - sintoma dos tempos de intolerância na Grécia. Desanimada, ela prefere se despedir.

Leia mais sobre Nermeen e Ahmed aqui.

Segunda-feira, 5 de novembro
Estudantes e a greve

Na véspera da greve geral visito a Politécnica de Atenas, epicentro da revolta estudantil no país na década de 1970 e agora. O prédio simboliza a resistência à ditadura militar do coronel Georgios Papadopoulos, que durou sete anos (1967-1974), e hoje abriga movimentos da esquerda antiausteridade. A área é considerada “livre de polícia”, uma bolha anárquica no meio da cidade caótica, mas ainda assim bastante vigiada.

Na entrada, pela Avenida Patission, o queixo cai. Basta olhar para as paredes. A Politécnica também grita. Não há um canto dos prédios que não esteja pichado, com mensagens exaltando a anarquia, o antifascismo e, as mais recentes, detonando a Troika. O descuido fica por conta do mato crescido, do portão quebrado.

Três vendedores de plano de celular, com camisas laranjas, tentam parar os poucos estudantes que passam de lá para cá. Um deles, feliz da vida de encontrar um brasileiro, mostra orgulhoso no celular a foto que tirou com o meio-campista Giovanni, ex-Santos e ex-Olimpiacos, seu time do coração. “É meu ídolo”, diz.

Os prédios da Politécnica abrigam hoje apenas o celebrado curso de arquitetura. Quatro pessoas fazem um cartaz da PAME (Frente Militante de Todos os Trabalhadores), sindicato ligado ao Partido Comunista Grego (KKE). A desconfiança não deixa nem que eu me apresente. Só dizem que a greve começa amanhã e dão de ombros.

Sem que eu veja, Giorgos, um estudante de arquitetura, é parado pelos vendedores de celular, que me chamam. “Esse aqui fala com você”, dizem, sorridentes.
Roberto Almeida/Opera Mundi

Em uma hora, Giorgos declama seu carinho pela Grécia, conta o que acha, o que pensa, a história de seus pais e seu plano para o futuro. “Ir embora do país”. Mais um que não quer ficar. O mercado está péssimo, para arquitetos, então, nem se fala.


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Fonte: Opera Mundi

1923 - Morre o engenheiro francês Gustave Eiffel


Wikimedia Commons
O engenheiro francês Gustave Eiffel falece em 27 de dezembro de 1923, aos 91 anos. Especializou-se na construção de pontes de aço, porém sua notoriedade se deve à construção da torre que leva seu nome, erigida sobre o Campo de Marte, Paris, inaugurada em 31 de março de 1889, por ocasião do primeiro centenário da Revolução, como parte integrante da Exposição Internacional visitada por mais de 33 milhões de pessoas.

Além do maior símbolo da capital francesa, Eiffel tem em seu currículo a participação na elaboração da Estátua da Liberdade, em Nova York. A obra, de 46 metros de altura e 63 mil toneladas de aço forjado, foi projetada por Fréderic August Bartholdi e contou com a assistência de Eiffel.

Entre algumas de suas obras mais famosas, estão também a Catedral metálica de Arica, no Chile, o observatório de Nice, a Ponte de Dona Maria Pia, no Porto, em Portugal, a ponte do rochedo La Vierge, em Biarritz, entre muitas outras.

Escândalo

Em seguida à construção da torre parisiense, comprometeu-se imprudentemente no escândalo financeiro do Canal do Panamá.

O escândalo do Panamá resultou em 20 de março de 1893 com a condenação a cinco anos de prisão de um ex-ministro de Obras Públicas, Charles Baïhaut, que confessou sozinho e ingenuamente sua implicação nesta gigantesca corrupção. Entre outros inculpados, os engenheiros Ferdinand de Lesseps e Gustave Eiffel escaparam por pouco da prisão graças à prescrição.

Consagrado pelo êxito na construção do Canal de Suez, de Lesseps se mostrou disposto a repetir a façanha dez anos depois em 1879, com a perfuração do istmo do Panamá, entre os Oceanos Atlântico e Pacífico. O istmo fazia então parte da Colômbia.

Em 15 de maio de 1879, um congresso internacional de estudos do túnel transoceânico se reuniu em Paris sob a presidência de Lesseps, já com 73 anos. E o vencedor é o próprio Lesseps com o projeto de um canal de 75 quilômetros de comprimento, sem eclusas como o de Suez. A construção estava prevista para durar 12 anos e custar 600 milhões de francos.

Lesseps cria em 20 de outubro de 1880 uma sociedade anônima com vistas a angariar fundos e tocar o projeto, a Companhia Universal do Canal Interoceânico do Panamá. Os trabalhos começaram no ano seguinte.

O istmo era atravessado por uma cordilheira bastante elevada e as primeiras obras foram cercadas de tremendas dificuldades. Fizeram vir operários chineses, depois da Jamaica. Forma-se uma hecatombe: epidemia de febre amarela e acidentes de trabalho fizeram mais de 20 mil vítimas entre os trabalhadores. O absurdo do projeto fez os banqueiros recuarem.

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A Ponte de Dona Maria Pia, no Porto, em Portugal, a primeira ponte ferroviária a unir as duas margens do rio Douro

Lesseps lança então diversas subscrições entre o público francês. Utiliza os primeiros fundos para ‘‘amaciar’’ a imprensa a fim de esconder a realidade. Em 1887, já tinha dilapidado 1,4 bilhão de francos tendo nivelado somente a metade do terreno. Tinha previsto de início gastar 600 milhões em toda a fase de nivelamento.

Diante do impasse, apela ao engenheiro Gustave Eiffel, célebre em razão da torre, que não hesita em vincular seu prestígio a serviço do velho empreendedor. Reexamina o projeto, prevendo em especial as eclusas. Para tanto, era preciso encontrar mais dinheiro. Contudo a França passava por longo período de depressão e os poupadores mostraram-se pouco inclinados a se deixarem seduzir pela aventura.


Lesseps novamente ‘‘molha’’ a imprensa, prática corrente à época, segundo testemunhou Émile Zola em seu romance "O Dinheiro". Émile de Girardin, deputado e jornalista renomado, fundador do La Presse, que de início atacou violentamente o projeto para depois a ele se aliar, entrou para o conselho de administração da Companhia.

O engenheiro corrompe também uma centena de ministros e parlamentares, os ‘‘chéquards’’ (os homens do cheque), para ver aprovadas leis sob medida e, notadamente, ter o direito de emitir empréstimo sem as devidas garantias.

Wikimedia Commons/reprodução
Quadro mostra com detalhes as fases de construção da Torre Eiffel

Serve-se para tanto de um negociador de ascendência judaica, Cornelius Herz, e de um intermediário também judeu, Jacques Reinach, que portava o título de barão atribuído a sua família no século precedente pelo rei da Prússia.

Malgrado a autorização oficial da emissão de um empréstimo, em 9 de junho de 1888, a dissolução da Companhia se revelava-se inelutável. O tribunal de la Seine proclama sua liquidação judicial em 4 de fevereiro de 4 février 1889, o que iria levar à ruína cerca de 85 mil subscritores.

Lesseps mergulha na senilidade e falece tristemente em 1895.

Em 1892, Edouard Drumont, autor do panfleto antissemita La France juive, denuncia o escândalo do Panamá nas páginas de seu jornal, La Libre Parole (A Palavra Livre). Ressalta a implicação de vários financistas judeus, contribuindo para um clima de antissemitismo na França. O Caso Dreifus eclodiria três anos depois.

Desiludidos, os poupadores iriam renunciar aos investimentos industriais e se recolher aos investimentos tipo ‘‘pai de família’’.

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O canal do Panamá ndos dias de hoje; foram ncessários 34 anos de obras para sua inauguração em 1914

Caberia finalmente aos norte-americanos de abrir o istmo. O Canal do Panamá, com suas enormes eclusas, como previsto por Eiffel, seria inaugurado em 3 de agosto de 1914, no mesmo dia da declaração de guerra da Alemanha à França.

O chefe do grupo radical, Georges Clemenceau, foi beneficiado por uma ajuda financeira de Cornelius Herz para seu jornal , ‘‘La Justice’’, sem todavia suspeitar dos compromissos de seu comanditário no Caso Panamá.

Cornelius Herz valeu-se da influência de seu amigo para se introduzir no meio político francês e ganhar a confiança de parlamentaqres e ministros. Estes jamais perdoaram a Clemenceau sua relações duvidosas e perigosas.