quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Para Hobsbawm, protagonismo da classe média marca revoltas de 2011


Andrew Whitehead
Do Serviço Mundial da BBC

O historiador britânico Eric J Hobsbawm (Rex Features)
Para historiador, classe operária perdeu seu papel histórico


A classe média foi a grande protagonista e força motriz das revoltas populares e ocupações que marcaram o ano de 2011. Esta é a opinião de Eric Hobsbawm, um dos mais importantes historiadores em atividade.
Em entrevista à BBC, o historiador marxista nascido no Egito, mas radicado na Grã-Bretanha, afirma ainda que a classe operária e a esquerda tradicional - da qual ele ainda é um dos principais expoentes - estiveram à margem das grandes mobilizações populares que ocorreram ao longo deste ano.

''Foi uma alegria imensa descobrir que, mais uma vez, é possível que pessoas possam ir às ruas e protestar, derrubar governos'', afirma Hobsbawm, cujo título do mais recente livro,
 Como Mudar o Mundo, reflete sua contínua paixão pela política e pelos ideais de transformação social que defendeu ao longo de toda a vida e que segue abraçando aos 94 anos de idade.''As mais eficazes mobilizações populares são aquelas que começam a partir da nova classe média modernizada e, particularmente, a partir de um enorme corpo estudantil. Elas são mais eficazes em países em que, demograficamente, jovens homens e mulheres constituem uma parcela da população maior do que a que constituem na Europa'', diz, em referência especial à Primavera Árabe, um movimento que despertou seu fascínio.
As ausências da esquerda tradicional e da classe operária nesses movimentos, segundo ele, se devem a fatores históricos inevitáveis.
''A esquerda tradicional foi moldada para uma sociedade que não existe mais ou que está saindo do mercado. Ela acreditava fortemente no trabalho operário em massa como o sendo o veículo do futuro. Mas nós fomos desindustrializados, portanto, isso não é mais possível'', diz Hobsbawm.
Hobsbawm comenta que as diversas ocupações realizadas em diferentes cidades do mundo ao longo de 2011 não são movimentos de massa no sentido clássico.
''As ocupações na maior parte dos casos não foram protestos de massa, não foram os 99% (como os líderes dos movimentos de ocupação se autodenominam), mas foram os famosos 'exércitos postiços', formados por estudantes e integrantes da contracultura. Por vezes, eles encontraram ecos na opinião pública. Em se tratando das ocupações anti-Wall Street e anticapitalistas foi claramente esse o caso.''

À sombra das revoluções

Hobsbawm passou sua vida à sombra - ou ao brilho - das revoluções.
Ele nasceu apenas meses após a revolução de 1917 e foi comunista por quase toda a sua vida adulta, bem como um autor e pensador influente e inovador.
Ele tem sido um historiador de revoluções e, por vezes, um entusiasta de mudanças revolucionárias.
O historiador enxerga semelhanças entre 2011 e 1848, o chamado ''ano das revoluções'', na Europa, quando ocorreram uma série de insurreições na França, Alemanha, Itália e Áustria e quando foi publicado um livro crucial na formação de Hobsbawm, O Manifesto Comunista, de Marx e Engels.
Hobsbawm afirma que as insurreições que sacudiram o mundo árabe e que promoveram a derrubada dos regimes da Tunísia, Egito, Líbia e Iêmen, ''me lembram 1848, uma outra revolução que foi tida como sendo auto-impulsionada, que começou em um país (a França) e depois se espalhou pelo continente em um curto espaço de tempo''.



Para aqueles que um dia saudaram a insurreição egípcia, mas que se preocupam com os rumos tomados pela revolução no país, Hobsbawm oferece algumas palavras de consolo.
''Dois anos depois de 1848, pareceu que alguma coisa havia falhado. No longo prazo, não falhou. Foi feito um número considerável de avanços progressistas. Por isso, foi um fracasso momentâneo, mas sucesso parcial de longo prazo - mas não mais em forma de revolução''.
Mas, com a possível exceção da Tunísia, o historiador não vê perspectivas de que os países árabes adotem democracias liberais ao estilo das europeias.
''Estamos em meio a uma revolução, mas não se trata da mesma revolução. O que as une é um sentimento comum de descontentamento e a existência de forças comuns mobilizáveis - uma classe média modernizadora, particularmente, uma classe média jovem e estudantil e, é claro, a tecnologia, que hoje em dia torna muito mais fácil organizar protestos.''

Fonte: BBC Brasil

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Hoje na História: 1927 - Leon Trotsky é expulso do Partido Comunista soviético


O 15º Congresso do Partido Comunista da União Soviética referendou em 27 de dezembro de 1927 a resolução de expulsão do Partido de Trotsky e Zinoviev tomada na reunião conjunta do Comitê Central e da Comissão de Controle. Ficou definida a saída também de todos os elementos ativos do chamado ‘bloco trotskista-zinovievista’, tais como Radek, Preobrazhenski, Rakovski, Piatakov, Serebriakov, I. Smirnov, Kamenev, Sarkis, Safarov, Lifshitz, Mdivani, Smilga e de todo o grupo dos “centralistas democráticos”, Sapronov, V. Smirnov, Boguslavski, Drokhnis e outros.
O 15º Congresso foi aberto em 2 de dezembro de 1927. Tomaram parte nele 898 delegados com palavra e voto e 771 com palavra somente, representando 887.233 filiados e 348.957 aspirantes. 
Wikicommons 
 
Leon Trotsky ao lado de Harry De Boer e James H. Bartlett e suas esposas, no México em 1940 
Assinalando no seu informe os êxitos da industrialização e o rápido desenvolvimento da indústria socialista, Stalin apresentava ao Partido a tarefa de desenvolver e fortalecer os postos de comando socialistas em todos os ramos da economia, tanto na cidade como no campo, com o fim de liquidar os elementos capitalistas na economia nacional.
Fazendo um paralelo entre a agricultura e a indústria e assinalando o atraso daquela, principalmente no cultivo de cereais, atraso que se explicava pelo desmembramento da agricultura, incompatível com a aplicação da técnica moderna, Stalin destacava que este estado pouco satisfatório da agricultura representava um perigo para toda a economia nacional.
“Onde está a solução?” .“A solução está na passagem das pequenas explorações camponesas espalhadas para as grandes explorações unificadas na base do cultivo em comum da terra, na passagem ao cultivo coletivo da terra na base de uma nova e mais elevada técnica. A solução está em que as pequenas e diminutas explorações camponesas se agrupem paulatina, porém infalivelmente, não por meio da coação, mas por meio do exemplo e da persuasão, em grandes explorações, sobre a base do cultivo em comum, do cultivo cooperativo, coletivo da terra, mediante o emprego de maquinaria agrícola e de tratores e a aplicação de métodos científicos destinados a intensificar a agricultura.”
O 15º Congresso tomou a resolução de desenvolver por todos os meios a obra de coletivização da agricultura. Traçou um plano para desenvolver e consolidar uma rede de kolkhoses e sovkhoses e deu instruções claras e precisas sobre os métodos de luta em prol da coletivização da agricultura.
Finalmente, partindo do fortalecimento do princípio da planificação na economia nacional e visando a organização, segundo um plano, da ofensiva do socialismo contra os elementos capitalistas em toda a frente da economia nacional, o Congresso deu aos organismos competentes a norma de estabelecer o primeiro Plano qüinqüenal da economia nacional soviética.
Rompimento
Depois de examinar os problemas da edificação do socialismo, o 15º Congresso passou ao problema da liquidação do ‘bloco trotskista-zinovievista’.
O Congresso avaliou que “a oposição rompeu ideologicamente com o leninismo, degenerou em um grupo menchevique, abraçou o caminho da capitulação ante as forças da burguesia internacional e interior e se converteu, objetivamente, numa arma da terceira força contra o regime da ditadura proletária”
O Congresso observou que as discrepâncias existentes entre o Partido e a oposição tinham-se agravado e que havia se O Congresso observou que as discrepâncias existentes entre o Partido e a oposição tinham-se agravado, convertendo as divergências em questões programáticas. Por fim, o 15º Congresso declarou que pertencer à oposição trotskista e propagar suas ideias era incompatível com a permanência dentro das fileiras do Partido bolchevique.

Fonte: Opera Mundi

1945: Fundação do FMI e do Banco Mundial



 

Em 27 de dezembro de 1945, foi assinada em Bretton Woods a ata de criação do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional.

 
As tropas aliadas mal haviam desembarcado na Normandia quando, a 30 de junho de 1944, dois trens especiais dirigiram-se para Bretton Woods. Vindos, um de Washington, outro de Atlantic City, eles traziam a bordo 730 renomados cientistas políticos, economistas, líderes políticos e altos funcionários governamentais de 45 países. Entre eles, também o famoso economista britânico John Maynard Keynes.
O presidente norte-americano Franklin Roosevelt reservou o grande hotel e entregou aos participantes do encontro a tarefa de elaborar uma nova ordem econômica mundial para o período do pós-guerra.
Keynes, porém, não conseguiu impor a sua proposta de criação de uma união monetária dos países industrializados da época. O resultado foi a fundação do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, conforme fora sugerido pelo subsecretário de Finanças dos Estados Unidos, Harry Dexter White.
A 27 de dezembro de 1945, foram assinadas as atas de criação dos dois organismos. Juntamente com suas instituições afiliadas, o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), pertencente ao Banco Mundial, tornou-se o principal órgão de financiamento dos chamados países em desenvolvimento.
Já o FMI ficou responsável pela estabilidade do câmbio e manutenção dos acordos monetários. Mais tarde viria a receber também a incumbência de combater a pobreza no Terceiro Mundo, o que marcaria uma mudança na política do Fundo Monetário Internacional e também na relação entre este e o Banco Mundial.
Ajuda desenvolvimentista é tarefa central
Na verdade, o combate à pobreza no Terceiro Mundo, ou seja, a ajuda ao desenvolvimento, é a tarefa central do Banco Mundial, através da Associação Internacional de Desenvolvimento (AID). Os países mais pobres recebem dela até empréstimos de longo prazo sem juros. Nesses casos, o Banco Mundial não só financia como também avalia a orientação desenvolvimentista das medidas planejadas.
Com seu fundo fiduciário, o Bird também é a instituição-chave, em se tratando do perdão das dívidas para os países mais pobres. Enquanto o Banco Mundial capta a maior parte dos seus recursos no mercado financeiro internacional, o FMI vive das contribuições de seus países membros, calculadas com base no poder econômico e na intensidade das relações de comércio exterior dos respectivos países.
A cooperação no âmbito do FMI objetiva criar condições para um crescimento equilibrado do comércio e da economia mundiais. Focaliza especialmente a superação e, se necessário, o financiamento de déficits na balança comercial, a garantia de relações cambiais ordenadas e a harmonização da política econômica entre os países membros.
Em situações de crise, o FMI tem a função de um corpo de bombeiros. Foi esse o caso na crise da dívida externa da América Latina, no início da década de 1980, ou da crise asiática do final dos anos 1990.
 
Karl Zawadzky (gh)
Fonte: DW-World

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Transferência e reingresso com inscrições abertas



A Universidade de Passo Fundo (UPF) informa que está aberto o período para protocolar pedidos de transferência e reingresso na instituição. O prazo se estende até 24 de fevereiro de 2012 e envolve ainda transferência com ProUni, reabertura de matrícula, reabertura com reopção de curso e matrícula em disciplina isolada. Os pedidos devem ser encaminhados à Central de Atendimento ao Aluno, Campus I, ou às secretarias dos campi Carazinho, Casca, Lagoa Vermelha, Palmeira das Missões, Soledade e Sarandi.

As informações referentes a cada uma das modalidades podem ser consultadas no site da UPF (www.upf.br), link Graduação – Formas de Ingresso. Detalhes pelo e-mail informações@upf.br ou 0800 701 8220.

Transferência
A transferência é a solicitação de vaga para curso da UPF idêntico ou afim, feita por aluno de outra instituição de ensino superior do país, condicionada à existência de vaga, às adaptações curriculares exigidas e ao processo seletivo, quando for o caso. Havendo o deferimento da transferência, a Secretaria Geral dos Cursos expede atestado de vaga e o envia para a IES de origem do aluno para que a mesma forneça a documentação necessária, para a posterior realização da matrícula na UPF, que também acontece eletronicamente pela intranet do aluno. A concessão de vaga por transferência fica condicionada à existência de vaga e os pedidos devem ser para cursos idênticos ou áreas afins.

Reingresso 
O reingresso é a solicitação de vaga feita por portador de diploma de curso superior, condicionada à existência das mesmas, às adaptações curriculares exigidas e ao processo seletivo, quando for o caso. A solicitação de reingresso deve ser feita mediante a entrega do histórico de graduação, dos programas das disciplinas e dos seguintes documentos: cópia do registro geral - RG; cópia da certidão de nascimento ou casamento; cópia do título de eleitor; cópia do documento militar (candidatos do sexo masculino); cópia do cadastro de pessoa física - CPF; cópia do diploma de curso superior; programas das disciplinas cursadas (para profissionais não graduados na UPF); cópia do histórico escolar.

Transferência com ProUni
A UPF também oferece a opção de transferência pelo Programa Universidade para Todos, o Prouni. Confira no site www.upf.br, link Editais, o documento que regulamenta o processo ou acesse AQUI.

Reabertura de matrícula 
É o pedido de retorno ao curso após um período de trancamento. Estará sujeito à existência de vaga nas disciplinas a serem cursadas, adaptações curriculares e cumprimentos dos prazos previstos para a integralização do referido currículo. Na reabertura de matrícula o aluno fica sujeito às alterações da grade curricular que tenham ocorrido no curso, conforme determinação da legislação federal e da instituição.

Reabertura com reopção de curso
É o pedido de reativação do vínculo acadêmico, mediante vaga em outro curso solicitado.

Matrícula em disciplina isolada 
É o pedido de matrícula em disciplina, na condição de aluno especial, por aluno que está frequentando curso na UPF, por aluno de outra Instituição de Ensino Superior, aluno graduado, aluno pós-graduando, aluno pós-graduado com o objetivo de aprimoramento pessoal ou, ainda, alunos com Ensino Médio concluído. As disciplinas isoladas podem ser cursadas em duas modalidades: só com frequência ou com frequência, carga horária e nota de avaliação.

Hoje na História: 1946 - É inaugurado o Flamingo Hotel & Casino em Las Vegas


Administração do gângster Benjamin "Bugsy" Siegel seria um fracasso e o levaria à morte

Em 26 de dezembro de 1946, em Las Vegas, o gângster Benjamin "Bugsy" Siegel inaugura o The Pink Flamingo Hotel & Casino a um custo elevadíssimo para a época: seis milhões de dólares. “Flamingo” era o apelido de sua namorada, que possuía cabelos ruivos e longas pernas.
WikiCommons
O vasto edifício de 160 mil metros quadrados não estava totalmente concluído, mas Siegel esperava amealhar uma boa receita com a inauguração.
O conhecido cantor e comediante Jimmy Durante comandou o evento e foi acompanhado pela música do band leader cubano Xavier Cugat. Alguns dos amigos hollywoodianos de Siegel, como George Raft, George Sanders e Sonny Tufts, estavam presentes.
O mau tempo impediu que muitos outros convidados de Hollywood comparecessem e como os jogadores ainda não dispunham de habitações no hotel para se hospedar, levaram os ganhos do jogo e se hospedaram em outro lugar. O cassino perdeu 300 mildólares na primeira semana de operação, concretizando um grande fracasso.
Siegel e seus “sócios” de Nova York como Meyer Lansky, Gus Greenbaum e Moe Sedway, haviam investido um milhão de dólares numa propriedade ainda em construção de Billy Wilkerson, o dono do jornal Hollywood Reporter e de populares night clubs na Sunset Strip.
Wilkerson desejara recriar a Sunset Strip em Las Vegas, com um hotel em estilo europeu. A economia pós-guerra, contudo, encareceu seus projetos, que incluíam quartos luxuosos, um spa, uma academia de ginástica,  show room, campo de golfe, clube noturno e um restaurante de alto padrão.
Siegel, que mantinha maior interesse na publicação de corridas de cavalo Trans America Wire, foi atraído a Las Vegas em 1945 pelo seu interesse em legalizar o jogo de azar e as apostas ilegais do turfe. Adquiriu o hotel El Cortez por 600 mil dólares, vendendo-o, mais tarde, com 166 mil dólares de lucro. Com seus comparsas do crime organizado, usou a diferença para pressionar Wilkerson a aceitar novos sócios. 
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Duas semanas após a grande abertura, o Flamingo fechou. Veio a reabrir somente em 1º de março de 1947 como The Fabulous Flamingo. Siegel forçou a saída de Wilkerson em abril, e, em maio, o resort apontava lucro, ainda que não o suficiente para lhe salvar.
Ele foi morto enquanto lia o relatório de seus lucros em uma mansão de Beverly Hills. O crime permanece sem solução até os dias de hoje.
Sobrevivendo a uma série de mudanças de nome e de donos, o hotel é hoje conhecido como The Flamingo Las Vegas, de propriedade e operado pela Harrah's Entertainment.

Fonte: Opera Mundi

800: Coroação de Carlos Magno



 

A 25 de dezembro de 800, o rei franco Carlos Magno foi coroado imperador romano pelo papa Leão 3º.

 
No Natal do ano 800, Roma viveu uma invasão pacífica de nobres e guerreiros francos. Na antiga Basílica de São Pedro, onde o papa Leão 3º celebrou a missa de Natal, se reuniram autoridades eclesiásticas e líderes políticos, entre eles, Carlos – rei dos francos e lombardos.
Antes do início da missa, Carlos Magno dirigiu-se à tumba de São Pedro para venerar o príncipe dos apóstolos. Ajoelhou-se e começou a rezar. O Sumo Pontífice aproximou-se dele, trazendo nas mãos um diadema de ouro. E então, para surpresa de muitos, Leão 3º coroou o rei franco como imperador do Sacro Império Romano, investindo-o da suprema autoridade temporal sobre os povos cristãos do Ocidente.
Em clima de festa, tanto romanos quanto francos aclamaram o "grande Carlos, augusto e sereníssimo, pacífico imperador dos romanos, pela misericórdia de Deus rei dos francos e dos lombardos".
Coroa formalizou o status quo
A coroa selou formalmente o que Carlos já incorporava na prática, há muito tempo: ele imperava sobre grande parte da Europa. Era o único líder com poder suficiente para derrubar o papado. A partir da coroação de Carlos, o papado e o império tornaram-se os principais centros de poder espiritual e temporal da Idade Média.
Segundo o historiador Matthias Becher, no Natal de 800 começou a história do Império Romano do Ocidente. O reinado de Carlos Magno deu origem ao Sacro Império Romano de Nação Germânica, que durou mil anos até declinar em 1806.
Carlos era grande não apenas em sentido figurado: sua estatura de 1,82m nada tinha de normal naquela época. Seu biógrafo Einhard o descreveu da seguinte forma: "Sua cabeça era redonda, seus olhos grandes e vivazes, o nariz um tanto comprido. Tinha belos cabelos grisalhos e uma fisionomia alegre e prazenteira.
Seu porte era sempre imponente e digno, estivesse ele sentado ou de pé. Seu andar era decidido, seus gestos varonis e sua voz clara, embora não fosse tão forte quanto era de se esperar por sua estatura. Sua saúde foi sempre excelente; apenas nos últimos quatro anos de vida sofria frequentes ataques de febre".
Até hoje não se sabe se ele sabia ler e escrever. Embora desnecessário, ele pelo menos tentou aprendê-lo aos 32 anos de idade. Apesar de ser um admirador e mecenas das ciências modernas, Carlos era antes de mais nada um imperador brutal, capaz de pisar no pescoço até de parentes, caso isso lhe trouxesse vantagens.
Ampliação do império
Uma vez coroado, não se satisfez com o domínio sobre seu povo, incluindo aí os povos conquistados, como os bávaros e saxões. Queria dominar toda a Terra, desafiando assim o Império Bizantino, que se considerava legítimo sucessor do Império Romano, dividido em 394. Foi por isso que Bizâncio só o reconheceu como imperador 12 anos após a coroação.
Quando morreu, em 814, Carlos Magno reinava sobre um território que se estendia do Mar do Norte à região dos Abruzos (Itália), do Rio Elba até o Ebro, do Lago Balaton (Hungria) até a Bretanha. Tão importante quanto a unidade territorial lhe era a união política interna.
Catedral de Aachen guarda os restos mortais de Carlos MagnoCatedral de Aachen guarda os restos mortais de Carlos MagnoApós a queda do Império Romano, as cidades ocidentais estavam em ruínas. Na época de Carlos Magno, Roma contava apenas 20 mil habitantes, enquanto Constantinopla tinha centenas de milhares. As metrópoles ocidentais tinham no máximo dez mil habitantes, enquanto em Bagdá viviam um milhão de pessoas. Carlos Magno reinava, portanto, sobre as regiões destruídas do continente europeu. Para restaurar o império, precisava do apoio da Igreja, com sua unidade doutrinária e litúrgica. A consequência cultural e civilizatória da união entre a Igreja e o Estado foi o renascimento carolíngio.
Reino de fé e língua únicas
A meta de Carlos Magno era criar um reino de fé e língua únicas. Para tanto, ele tentou simplificar o idioma latino, eliminando dialetos que haviam se tornado autônomos no princípio da Idade Média. Também a escrita latina tinha mudado, a ponto de os lombardos da Itália terem grandes dificuldades de ler um livro anglo-saxão.
A renascença carolíngia estabeleceu a base cultural para o continente europeu. No Leste Europeu, o nome "Carlos" tornou-se designação comum aos monarcas. Mistificado como nenhum outro, ele marcou o início da história ocidental cristã. Alguns políticos modernos chegam a considerá-lo fundador da Europa.
Carlos Magno tornou-se rei dos francos aos 26 anos de idade. Reinou durante 46 anos e morreu de pleurite aguda com 72 anos, no dia 28 de janeiro de 814. Seus restos mortais encontram-se na catedral da cidade alemã Aachen, que fora a capital do seu império.
 
Ramón García-Ziemsen (gh)
fonte: DW-World

25 de dezembro de 1977: O mundo órfão da genialidade de Charles Chaplin

25/12/2011 - 11:45 | Enviado por: Lucyanne Mano

"A vida me deu o que há de melhor e um pouco do pior" Charles Chaplin



Charles Chaplin. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 26 de dezembro de 1977.

O pensamento de Charles Spencer Chaplin foi o sentimento compartilhado entre seus fãs e admiradores ao tomarem conhecimento de seu falecimento, na noite de Natal, aos 88 anos. Morreu enquanto dormia, em sua casa na Suiça, onde estava reunido com esposa e filhos, para as celebrações natalinas. Embora confinado em uma cadeira de rodas nos últimos anos, gozava de plena atividade profissional e acabara de concluir dois roteiros para filmes.

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Fonte: JBlog

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Deputados franceses aprovam punição a quem negar genocídio armênio



 

Texto prevê prisão e multa para quem negar o genocídio de 1,5 milhão de armênios, durante a Primeira Guerra. Turquia chama de volta seu embaixador em Paris e promete represálias e turcos protestam na França.

 
A Assembleia Nacional da França – câmara baixa do Parlamento – aprovou nesta quinta-feira (22/12), por ampla maioria, um polêmico projeto de lei que condena a negação do genocídio dos armênios, incluindo o massacre em 1915 pelos turcos otomanos. A proposta agora segue para o Senado, onde será discutida em 2012.
A aprovação deu início a uma crise diplomática com a Turquia, que convocou seu embaixador em Paris para consultas. Ele embarca para Ancara nesta sexta-feira e ficará por lá por "tempo indeterminado", de acordo com o porta-voz da embaixada. O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan já teria alertado a França que a aprovação da proposta poderia incorrer em conseqüências políticas e econômicas graves. "A lei é um caso de política de racismo, discriminação e xenofobia", reclamou Erdogan.
Segundo diferentes levantamentos, entre 200 mil e 1,5 milhão de armênios morreram no Império Otomano, durante a Primeira Guerra Mundial. As atrocidades contra os armênios foram classificadas como genocídio por dezenas de países, entre eles a França e a Suíça.
O texto do projeto de lei prevê um ano de prisão e 45 mil euros de multa pela negação do genocídio dos armênios. Em 2001, a França passou a lei segundo a qual o assassinato em massa dos povos oriundos da Armênia foi genocídio. Em 2006, a Câmara Baixa chegou a aprovar uma lei que criminalizava esse genocídio, mas ela foi rejeitada pelo Senado.
Armênios comemoram, turcos criticam
As autoridades de Erevan comemoraram a aprovação. Por meio de comunicado, o ministro armênio das Relações Exteriores, Edward Nalbandián, afirmou que "ao adotar esta lei, a França reafirma que crimes contra a humanidade não têm prazo de prescrição, e que sua negação precisa ser absolutamente condenada". Além disso, a medida provaria que os direitos humanos seriam o valor mais alto que existe.
Antes da votação, 3 mil cidadãos franceses de origem turca fizeram um protesto pacífico contra o projeto de lei, diante do Parlamento. Para o primeiro-ministro da Turquia, os deputados que votaram "sim" querem promover a inimizade entre turcos e muçulmanos. Ancara considera que a lei, originariamente proposta pelos 40 deputados do partido do presidente Nicolas Sarkozy, visa angariar os votos dos 500 mil franceses de origem armênia nas eleições presidenciais do ano que vem.
Para observadores, a Turquia tem pouco a perder em comprar uma briga com a França, dada a hostilidade francesa com relação ao pedido turco para entrar na União Europeia e o crescimento econômico e político da Turquia, cuja influência no mundo árabe – especialmente na Síria, Líbia e no Irã – vem crescendo bastante. Empresas francesas, por sua vez, poderão sofrer com a perda de contratos lucrativos com turcos.
A deputada Valérie Boyer, da União por um Movimento Popular (UMP), partido de Sarkozy, defende que a proposta aprovada, de sua autoria, não mira os cidadãos turcos atuais, nem o governo. "É um paradoxo que um país que ameaça com represálias queira entrar na EU", alfineta.
Como sucessores dos otomanos, porém, os turcos lutam contra a caracterização das mortes como genocídio. O governo e grande parte da população da Turquia consideram essa classificação um insulto ao país. Ancara argumenta que houve grandes perdas dos dois lados durante as lutas.
MSB/dpa/rtr/afp/lusa
Revisão: Augusto Valente
Fonte: DW-World

1924: Friedrich Ebert perde processo por calúnia



 

Em 23 de dezembro de 1924, Friedrich Ebert, que assumira o cargo de presidente após a renúncia do imperador Guilherme 2º, perde um processo contra um jornalista que o acusara de traidor da pátria.

 
Alemanha, 1919. O imperador Guilherme 2º acabara de abdicar. Pela primeira vez, um homem do povo assumiu o cargo de chefe de Estado. Era o social-democrata Friedrich Ebert, filho de um humilde mestre de alfaiataria de Heidelberg. Em agosto de 1919, Ebert foi oficialmente empossado como primeiro presidente do Império Alemão, jurando cumprir a nova Constituição.
"A essência da nossa Constituição deve ser, sobretudo, a liberdade. Mas toda liberdade, da qual muitos participam, precisa ter suas regras", disse em seu discurso de posse. Nem todos os alemães, porém, estavam satisfeitos com esse regulamento representado pela Constituição da República de Weimar. Extremistas de direita e esquerda criavam um clima de revolta contra a república e seu presidente.
Friedrich Ebert era constantemente motivo de zombaria e de calúnias do mais baixo nível. Chamavam-no de "filho da prostituição, beberrão, rato de esgoto, corrupto", acusando-o de usar o cargo para enriquecer.
"Certamente, essas acusações o irritavam", diz o historiador Werner Bramke, de Leipzig. "Acredito, porém, que ele era suficientemente realista para saber que um presidente social-democrata numa ex-monarquia teria de aturar duras críticas e injúrias. Também não acredito que fosse extremamente sensível. Ele era capaz de engolir muito", diz Bramke.
Oposição acirrada
Os adversários, porém, tornaram-se cada vez mais radicais. A partir de 1922, Ebert passou a mover processos contra seus difamadores, sobretudo contra jornalistas e funcionários públicos. Uma em cada três calúnias de que tomava conhecimento era investigada pela Justiça. O processo mais conhecido foi contra o redator Erwin Rothart, que acusara Ebert de traição à pátria.
Segundo Bramke, essa acusação irritou profundamente Ebert, que se considerava sobretudo um patriota, mais ainda do que um socialista. O palco do processo foi o Tribunal de Magdeburg. O acontecimento em questão sucedera-se em janeiro de 1918, quando os operários da indústria bélica se encontravam em greve. Ebert aderira à paralisação no final de janeiro de 1918, com a intenção de encerrar o movimento.
Segundo Rothart, na condição de líder grevista, Ebert enfraquecera a posição da Alemanha na guerra e traíra a pátria. Pelo fato de os operários não haverem produzido munição durante a greve, Ebert seria parcialmente culpado da clamorosa derrota alemã no conflito.
"Ebert desejava a paz, mas era um patriota. Ele temia que a greve fosse mais ameaça do que contribuição para a paz. Advertia para o risco de surgir na Alemanha um clima revolucionário semelhante ao que ocorrera na Rússia em 1917", lembra Bramke.
Esmorecimento
Embora Ebert tenha recebido o apoio de várias testemunhas, a corte judicial pronunciou uma sentença completamente obscura a 23 de dezembro de 1924. Rothart foi condenado a três meses de prisão por calúnia formal, mas a acusação de traição à pátria foi mantida. A Justiça considerou até como comprovado que Ebert traíra a pátria, em janeiro de 1918. A sentença foi festejada por extremistas de direita.
Mais forte, porém, foi a solidariedade demonstrada pelas forças convictamente republicanas. Todos os membros do governo assinaram uma declaração em defesa da honra de Friedrich Ebert. "Esse nobre gesto, porém, veio tarde demais. Eles deveriam ter se manifestado antes ou durante o processo", diz Bramke. Ebert recorreu da sentença de Magdeburg, mas morreu de apendicite não tratada aos 54 anos, no final de 1925, antes de ser marcado um novo julgamento.
"Ele estava profundamente abalado. Acredito que morreu não só em consequência da apendicite, mas também por enfraquecimento psíquico, abatido por essa profunda agressão. Ele queria cooperar com os patriotas, mas estes só o insultavam", diz Bramke. Após a morte de Ebert, o processo foi arquivado sem sentença. O crime de injúria de Rothart ficou impune.
 
Ralf Geissler (gh)
Fonte: DW_World

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

UPF divulga cinco novos editais de pré-seleção ao Programa Ciência sem Fronteiras



Foto: Reprodução
Programa prevê a realização de graduação sanduíche em diversos países com bolsa de estudos
A Universidade de Passo Fundo (UPF) lançou cinco editais de pré-seleção ao Programa Ciência Sem Fronteiras na modalidade de graduação sanduíche para diversos países. Os acadêmicos interessados em estudar por um ano no exterior podem buscar informações referentes ao programa e a forma de seleção na Assessoria para Assuntos Internacionais e Interinstitucionais (AAII) da UPF e ainda no edital disponível no site da instituição – www.upf.br, link Intercâmbio Acadêmico – Programa Ciência Sem Fronteiras. O período de pré-inscrições se estende até 17 de fevereiro de 2012. As inscrições devem ser feitas na Central de Atendimento ao Aluno, Campus I da UPF.

O Ciência sem Fronteiras é um programa que busca promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. A iniciativa é fruto de esforço conjunto dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC), por meio de suas respectivas instituições de fomento – CNPq e Capes –, e Secretarias de Ensino Superior e de Ensino Tecnológico do MEC. A UPF é uma das parceiras do programa.

Nesta chamada, os editais destinam vagas para universidades da Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Estados Unidos para a realização de estudos com bolsa da Capes. Podem se inscrever acadêmicos que tiverem integralizado no mínimo 40% e, no máximo, 80% do currículo previsto para o curso, no momento do início da viagem de estudos, além de outras exigências previstas no edital.

Todas as informações referentes à pré-seleção para cada país, dados do programa e a documentação necessária podem ser consultadas no site da UPF (www.upf,br), link Intercâmbio Acadêmico – Programa Ciência sem Fronteiras. Mais informações pelo telefone (54) 3316-8117 ou e-mail aai@upf.br.

Confira os documentos nos anexos abaixo:

1 - edital_02_2011_1_alemanha.pdf

2 - anexo_edital_2___alemanha.docx

3 - edital_03_2011_1_reino_unido.pdf

4 - anexo_edital_3___reino_unido.docx

5 - edital_04_2011_franca.pdf

6 - anexo_edital_4___franca.docx

7 - edital_05_2011_italia.pdf

8 - anexo_edital_5___italia.docx

9 - edital_06_2011_eua.pdf

10 - anexo_edital_6___eua.docx