quarta-feira, 31 de agosto de 2011

VIAGEM DE ESTUDOS – SETE POVOS DAS MISSÕES

VIAGEM DE ESTUDOS – SETE POVOS DAS MISSÕES

Promoção: História – V Nível
Coordenação: Prof. Tau Golin

Datas:
13/outubro (quinta-feira): 19h30 – estudo dirigido de textos sobre as missões jesuíticas
14/outubro (sexta-feira): 19h30 – filme/documentário sobre as missões
15 e 16/outubro (sábado e domingo): viagem de estudo

Roteiro:
15/outubro
saída da UPF (horário a confirmar)
visita a Santo Ângelo
visita ao sítio arqueológico de São João Batista
visita ao sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo
espetáculo Som e Luz em São Miguel
pernoite (hotel com café da manhã)

16/outubro
visita ao sítio arqueológico de São Lourenço Mártir
visita a São Luiz Gonzaga
visita ao sítio arqueológico de São Nicolau
retorno a Passo Fundo

Investimento: R$175,00
Parcelamento: R$100,00 até dia 12/setembro
R$75,00 até dia 10/outubro
Inclui: ônibus, hotel, guia e ingresso ao sítio de São Miguel Arcanjo
Vagas: 40 pessoas

Emissão de certificado de extensão para quem participar dos encontros e da viagem

Contatos/pagamento: Ricardo (Perito) – (54) 9151-0435
Marciano – (54) 9909-8724

1943: Nazistas fecham o jornal "Frankfurter Zeitung"


Em 31 de agosto de 1943, o jornal "Frankfurter Zeitung", cuja relativa independência era tolerada para dar um tom liberal ao regime de Hitler, foi fechado pelos nazistas.

A última edição do jornal Frankfurter Zeitung foi publicada em 31 de agosto de 1943, quando o órgão que dava um tom liberal ao regime nazista foi proibido de circular por ordem pessoal do ministro da Propaganda, Joseph Goebbels. O jornal econômico republicano-liberal da era Bismark teve de parar as rotativas depois de dez anos de atividade sob o emblema oficial do partido nazista e do Terceiro Reich.

O Frankfurter, como era carinhosamente chamado pelos leitores, fora o diário de maior destaque da República de Weimar e era um incômodo constante para os nazistas. Tanto mais surpreendeu o fato de que ele continuara circulando depois de 1933.

Fritz Sänger, à época correspondente em Berlim e depois de 1945 diretor da agência de notícias DPA, lembra que durante o nazismo toda a imprensa alemã foi amordaçada. Uma exceção era o Frankfurter Zeitung que, ao lado de alguns outros jornais, tentou combater o regime. Hitler acreditava que esses jornais serviriam de cartão de visita do nazismo no plano internacional.

Independência tolerada

O alinhamento da imprensa alemã com o nazismo, portanto, não era total, como frequentemente se afirma. Goebbels tolerava uma certa independência do Frankfurter Zeitung para tornar o nazismo socialmente aceitável nos meios burgueses. O ministro da propaganda esperava que a circulação do jornal servisse de prova da liberalidade do regime no exterior.

O alto nível dos artigos publicados pelo jornal era garantido por autores como o futuro presidente da Alemanha, Theodor Heuss, e os publicistas Walter Dirks, Karl Korn e Dolf Sternberger. No caderno de cultura escreviam esquerdistas-liberais como Ernst Bloch, Hermann Hesse ou Siegfried Kracauer.

Segundo Fritz Sänger, praticamente não ocorreram mudanças na equipe de redatores após a tomada do poder pelos nazistas. "Alguns, porém, foram demitidos, porque eram judeus. Outros foram embora. Vieram alguns novos, mas em apenas um caso foi desmascarado um membro do partido nazista, que logo sumiu. A redação, portanto, era um círculo fechado em que não ocorriam traições."

Os redatores do Frankfurter, no entanto, aceitaram passivamente a demissão dos colegas judeus e a faxina étnica na empresa. Como órgão de oposição, o jornal oscilava entre o oportunismo e uma certa autonomia. Com o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, a redação começou a silenciar.

Refúgio intelectual

Conteúdos subversivos somente eram publicados pelo folhetim num estilo de linguagem bem diferente do antissemitismo vulgar de um observador popular e serviam de refúgio intelectual para os leitores não nazistas. Segundo Dolf Sternberger, à época redator doFrankfurter Zeitung, apesar de usar uma série de malabarismos para escapar da censura, a direção do jornal foi obrigada a fazer concessões humilhantes ao nazismo.

Alguns jornalistas do Frankfurter até mesmo fortaleceram o regime com seu trabalho. Uma das versões correntes sobre a causa do fechamento do jornal foi a publicação de um artigo criticando as obras de Paul Ludwig Troost, um dos arquitetos preferidos de Hitler.

Outra versão é um artigo publicado em 23 de março de 1943 e que apresentou o cofundador do movimento nazista, Dietrich Eckart, mentor de Hitler e criador do slogan "Acorda Alemanha!", como indivíduo sem caráter e classificou sua obra literária como um amontoado de frases. Mencionou também que Eckart era um dependente de morfina.

Algumas semanas depois, o jornal foi proibido de circular, mas não em função da publicação do perfil de Eckart e, sim, devido aos paralelos que traçou com o morfinismo de Hermann Göring. Oficialmente, o regime alegou que o fechamento do jornal devia-se à medidas de economia de guerra.

Na realidade, o papel representativo do Frankfurter Zeitung para o exterior havia se esgotado em 31 de agosto de 1943. O comportamento da Alemanha na Segunda Guerra Mundial e os horrores de Auschwitz dispensavam qualquer tentativa de vender uma imagem liberal do regime nazista.

Michael Marek (gh)
Fonte: DW-World.de

terça-feira, 30 de agosto de 2011

I CIHR - Último dia de inscrição de trabalhos



1945: Estado alemão do Sarre tornou-se francês


No dia 30 de agosto de 1945, o estado alemão do Sarre, no sudoeste do país, foi incorporado pela França. Somente 12 anos depois, um plebiscito decidiu pela reintegração do território à Alemanha.

Em 10 de fevereiro de 1945, durante a Conferência de Ialta, Stalin, Churchill e Roosevelt concordaram em aceitar a França como a quarta potência de ocupação, abrindo caminho para a criação de quatro – e não mais três – zonas de ocupação no território da Alemanha.

Assim, em julho de 1945, tropas de ocupação francesas tomaram o lugar dos militares americanos na região do Sarre. O governo local foi dissolvido e, em 30 de agosto de 1945, passado a um governo militar francês, sob ordens do general Gilbert Grandval, um ex-comandante da Resistência.

A França pretendia a separação do estado do Sarre do resto da zona de ocupação francesa na Alemanha, mas a intenção foi barrada pela União Soviética. Depois de muita discussão, optou-se finalmente por um modelo de união econômica e pela autonomia restrita.

No dia 26 de dezembro de 1946, a França fechou a fronteira do pequeno estado de 2.570 quilômetros quadrados com a Alemanha. Foi permitida a criação de partidos políticos e incentivado o desenvolvimento da região, levando em conta os interesses de Paris.

Integração econômica e monetária

O então ministro francês do Exterior encarregou o governador militar Grandval de formar uma comissão que elaborasse uma Constituição, baseada nas constituições de outros estados alemães. Não sem antes impor como objetivo de longo prazo a integração à França, através de um memorando no qual constava:

"O Sarre deverá ser anexado à França dos pontos de vista econômico e político-monetário, por isso terá que adaptar sua alfândega e as questões de direito monetário à França, receberá autonomia política, deixará ao encargo da França as relações exteriores e questões de sua defesa, e receberá um comissário francês com jurisprudência para garantir esta aproximação econômica."

Alguns partidos tentaram em vão diminuir a influência francesa. Outros reivindicaram um plebiscito, categoricamente rejeitado pelo administrador Grandval.

Habitantes temeram anexação

Em 1950, formou-se uma resistência às estreitas relações econômicas com a França e contra a desnacionalização dos habitantes. O governo militar tentou acalmar a população: "Queremos que o Sarre se torne um país soberano como Luxemburgo. Graças ao potencial industrial e ao trabalho de seu povo, as condições dos seus habitantes poderiam se igualar às de Luxemburgo. Não há dúvidas quanto às intenções da França. Jamais se pretendeu a anexação. O que a França quer é a prosperidade desta região em vista de uma aproximação com Paris. Queremos um Sarre soberano."

Em outubro de 1955, entretanto, a maioria da população acabou por manifestar em plebiscito o desejo de reintegração à República Federal da Alemanha.

Gérard Foussier (rw)
Fonte: DW-World.de

30 de agosto de 1972 - Morre Dalva de Oliveira


A morte de Dalva de Oliveira. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 31 de agosto de 1972.

A morte chegou para Dalva de Oliveira, 55 anos, no final da tarde de uma quarta-feira que estava fria e chuvosa, e após diversas hemorragias provocadas por varizes no esôfago. O velório da cantora aconteceu no Teatro João Caetano. Em fila e sem tumulto, mais de 2 mil pessoas aguardaram sua vez de chegar bem perto ao caixão para despedir-se da cantora. Seu corpo enterrado num jazigo perpétuo do Cemitério Jardim da Saudade, homenagem do Retiro dos Artistas.

Villa-Lobos a considerava a melhor cantora popular brasileira. Juscelino Kubitschek certa vez telefonou de Paris diretamente para o Hospotal Miguel Couto, onde ela estava internada após um acidente de trânsito. Uma espécie de Edith Piaf nacional, Dalva retirava da própria vida - marcada pela tragédia, a frustração amorosa e uma incrível capacidade de estar sempre recomeçando - a força da sua arte. Em nenhuma outra cantora brasileira os dizeres das canções guarda tanta intimidade com a história pessoal de sua intérprete.

Vicentina de Paula Oliveira nasceu no dia 5 de maio de 1917, em Rio Claro, interior paulista. Filha do saxofonista Mário de Oliveira, cresceu acompanhando o grupo musical do pai. Com a morte dele, foi para um orfanato, onde aprendeu piano, órgão e canto.
No final dos anos 20, seguiu para São Paulo com a mãe, e começou a trabalhar como faxineira numa escola de canto. Nas horas vagas, improvisava no piano. Descoberta, foi convidada a participar de uma turnê com o grupo de Antonio Zoveti. Em 1933, fez um teste de cantora na Rádio Mineira e adotou o nome de Dalva de Oliveira. Depois foi a vez de conquistar o Rio de Janeiro. Em 1935 já estava na Rádio Mayrink Veiga, em menos de um ano, já era sucesso estrondoroso nas rádios de todo o Brasil.

Num show de teatro ainda nos anos 30, conheceu o compositor Herivelto Martins, seu primeiro marido. Formaram um trio com Nilo Chagas, originalmente intitulado Dalva de Oliveira e a Dupla Petro e Branco. Mais tarde, ouvindo conselhos de um empresário musical, mudaram para Trio de Ouro. Durante os quase 15 anos que permaneceram juntos, mantiveram-se como um dos mais importantes conjuntos vocais da música popular

Fonte: JBlog

Monitores I CIHR


Monitores selecionados para trabalhar no I Congresso Internacional de História Regional.

1. Anderson da Silva Schmitt
2. Ana Paula Bergamo
3. Helena Teston
4. Paola Schettert
5. Jaqueline Schmitt
6. Camila Guidolin
7. Mayara Lamberti
8. Bruna Anacleto
9. Alini Luza
10. Jonatan Di Domenico
11. Dayane Rodrigues Lima

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Programa de Formação de Docente tem inscrições abertas



A Vice-Reitoria de Graduação, por meio do Setor de Apoio Pedagógico e UPF Virtual, inscreve para oficinas temáticas do Programa de Formação Docente da Universidade de Passo Fundo (UPF). Neste segundo semestre de 2011, serão proporcionadas oficinas temáticas voltadas à qualificação pedagógica dos professores. Segundo os organizadores, os participantes poderão optar pelas temáticas propostas para que, através da formação em serviço, aprimorem sua ação pedagógica.

O objetivo é oportunizar encontros de professores da UPF, atendendo às demandas relativas ao processo ensino-aprendizagem. Os professores deverão realizar a inscrição pelo e-mail sap@upf.br. As oficinas serão realizadas em parceria com os diversos setores da UPF, dependendo das temáticas abordadas e a realização está condicionada a um número mínimo de 10 inscritos. Serão fornecidos certificados de participação, no final do período letivo 2011-2, correspondente ao número de oficinas frequentadas pelo docente.

Programação
Cada participante deverá escolher as oficinas que desejar participar. No dia 02 de setembro, as atividades acontecem na Faculdade de Educação (Faed), sala 205, às 10 horas. A temática abordada será Alunos com necessidades especiais na universidade: apoio técnico-pedagógico ao docente, ministrada pela equipe do SAES. No dia 09, também na Faed, às 10 horas, a professora Adriana Bragagnolo falará sobre as Estratégias de ensino-aprendizagem na aula universitária.

Já no dia 23 de setembro, às 14 horas, os professores serão recebidos no prédio B5, e a equipe da UPF Virtual fará uma oficina de Linguagem para material didático em EaD. Em outubro, os encontros iniciam no dia 06, às 14 horas, no prédio B5, momento em que a UPF Virtual realizará uma oficina de Tutoria. No dia 19 acontece a oficina de Vídeo aula, às 14 horas na UPFTV. No dia 28, às 10 horas, a professora Patrícia da Silva Valério falará sobre As novas regras ortográficas da língua portuguesa, na sala 205 da Faed.

Em novembro, para finalizar as ações, no dia 04 acontecerá uma oficina de Vídeo Conferência, às 14 horas na UPF Virtual. Por último, no dia 21, acontecerá a oficina de Moodle Avançado, no Prédio B5, às 14 horas.

Mais informações pelo telefone (54) 3316-8104 ou pelo e-mail vrgrad@upf.br.

1885: Daimler patenteia motocicleta


A 29 de agosto de 1885, Gottlieb Daimler obtém patente para seu veículo motorizado de duas rodas. O que no início simbolizou progresso tecnológico passou mais tarde a ser identificado com liberdade e homens destemidos.

A criação de Gottlieb Daimler de 1885 era uma construção tosca de madeira, com duas rodinhas laterais de apoio, para evitar que o veículo tombasse. Para o inventor suábio, seu protótipo não passava de apenas um passo na revolução tecnológica e, por isso, jamais utilizou ele próprio o aparelho.

Apesar disso, ao contrário do pesado motor de quatro tempos desenvolvido por Nikolaus Otto, a invenção de Daimler era uma obra-prima: rápida, leve e alimentada a gasolina, em vez do gás, como era comum até então. Seu "cavalo motorizado" atingia velocidade de 8 quilômetros por hora e resistiu bravamente ao teste de três quilômetros entre Cannstatt e Untertürkheim.

O veículo não ganhou adeptos rapidamente. Somente na alta sociedade francesa, via-se como chique possuir tal engenho. Na Alemanha, a produção em massa só começou próximo à virada do século. Em 1897, a empresa Hildebrandt und Wolfmüller, de Munique, tomou a iniciativa de patentear a expressão "motocicleta".

Veículo da Primeira Guerra Mundial

Fábricas para produzir o novo meio de transporte pipocavam por todos os lados, principalmente voltadas à exportação, pois os alemães preferiam fazer piada daquela viatura fedorenta e que dava estalos. Dizia-se nas ruas que o motorista poderia até mesmo cair duro, intoxicado, se abrisse a boca ao andar muito devagar.

Americanos e ingleses pensaram mais longe. Na Primeira Guerra Mundial, as Forças Armadas britânicas chegaram a dispor de 50 mil máquinas das marcas Douglas e Triumph, enquanto os EUA equiparam suas tropas com 10 mil Harley Davidson e Indians. Já na terra do invento, os alemães dispunham de apenas 5 mil motocicletas. Só depois do conflito mundial é que os ventos mudaram na Alemanha. A BMW criou a R32, um modelo com 8,5 cavalos-vapor, capaz de atingir 92 km/h. A R32 era tida como segura e até mesmo algo esportiva.

Os anos seguintes à Segunda Guerra foram de ouro para as motocicletas. Elas tinham preço mais em conta, acessível também para as camadas sociais menos privilegiadas. Em 1956, uma NSU MAX custava quase 2 mil marcos, tinha 17 cv e alcançava 126 km/h. Um Fusca não saía por menos de 4 mil marcos, com 30 cv e velocidade máxima de 120 km/h. Naquela época, um operário podia ficar feliz se ganhasse 105 marcos por semana.

Boom e declínio

O sucesso das motos fez florescer a indústria alemã. DKW, Adler, Tornax, Horex und Zündap, Maiko e Kreidler igualmente lançaram modelos no mercado. A elas somavam-se as importadas: Harley Davidson e Indians, dos Estados Unidos, Norton e Triumph, da Inglaterra, e as esportivas Motor Guzzi, Gilera e Benelli, da Itália.

Com o milagre econômico alemão, no entanto, cada vez mais pessoas foram adquirindo automóveis, bem mais confortáveis, e as vendas de motocicletas caíram. Apenas quando os japoneses entraram no setor é que houve reversão no cenário. Eles mudaram a imagem do produto e a estratégia de vendas. A começar por Soishiro Honda.

Alternativa cara

O empresário japonês apresentava suas motos aos consumidores americanos como as mais bonitas para hobby e aventuras, vendendo a sensação de liberdade sobre duas rodas. "You meet the nicest people on a Honda" (Você encontra as pessoas mais legais numa Honda), dizia o slogan publicitário. O público mordeu a isca e as motocicletas passaram a ser tratadas como uma alternativa de lazer cara e, portanto, elitista. Carro, qualquer um poderia ter.

Nos anos 70, o filme Easy RiderSem destino contribuiu ainda mais para fixar esta imagem. Andar e viajar de motocicleta virara um ato cult, sinônimo de ruptura, rebeldia e prazer. Os Beach Boys cantavam Good vibrations e pelo mundo todo os motoqueiros morriam de rir do chiste: "Não sei para onde vou, mas quero chegar lá bem rápido."

Previsão de Daimler

Hoje, motocicleta é um hobby com muitos adeptos. Os fãs do invento de Daimler têm à disposição os mais variados modelos: desde máquinas de dois tempos dignas de um grand prix às confortáveis soft choppers, apropriadas para estradas asfaltadas; das motos de enduro e cross às lambretas e scooters com motor de quatro tempos, para-brisa e pequenos "bagageiros".

Gottlieb Daimler havia ele próprio previsto: "Será algo indescritível, gostoso, possuir um veículo motorizado, que desenvolva uma velocidade compatível e apta para transportar ao menos uma pessoa, e que possa percorrer livre as estradas."

Tom Buschard (mw)
Fonte: DW-World.de

domingo, 28 de agosto de 2011

Entre os golpes militares dos anos 1970, a democracia radical da Bolívia

Quando o contexto é América Latina dos anos 1960 e 1970, as inevitáveis lembranças são os inúmeros golpes de Estado e as ditaduras militares: Brasil, 1964; Chile e Uruguai 1973; Argentina, 1976. Na Bolívia não foi diferente. Houve um golpe em 1964, outro em 1971, um em 1980 e mais outro em 1981 (além de mais três governos militares até outubro de 1982, quando um civil assume a Presidência).

Divulgação


Mas foi nesta Bolívia, marcada por conflitos sociais e intervenções militares, que surgiu uma das mais radicais experiências democráticas da região.

Em 1° de maio de 1971, foi inaugurada a Assembleia Popular em La Paz, com deputados eleitos em todo o país e diretamente pelos sindicatos, partidos operários, organizações camponesas e da juventude.

Este é o principal tema do livro Bolívia: Democracia e Revolução – a comuna de La Paz de 1971 (Alameda), do historiador Everaldo de Oliveira Andrade, que será lançado nesta quarta-feira (24/08), na biblioteca do Memorial da América Latina, em São Paulo, das 19h às 21h30.

Bolívia: Democracia e Revolução não se limita a fazer uma compilação burocrática de datas, fatos e nomes. Everaldo Andrade faz uma análise de cada aspecto da história boliviana, rememorando a revolução nacionalista de 1952 e indicando os caminhos que permitem entender sua história recente, que levou Evo Morales, líder cocaleiro, e o partido MAS (Movimento ao Socialismo) ao poder.

O autor é mestre e doutor em história econômica pela USP (Universidade de São Paulo) e já publicou os livros Revoluções na América Latina Contemporânea: México, Bolívia e Cuba (Saraiva) e A Revolução Boliviana (Unesp). No Brasil, ele é um dos poucos pesquisadores que se dedicam a estudar a Bolívia e sua história.

Divulgação

Delegações no plenário de debates, em La Paz

Antecedentes da Comuna de La Paz

Não é exagero afirmar que a história da Bolívia é marcada pelas disputas em torno dos recursos naturais e dos conflitos entre indígenas e operários de um lado, oligarquia, multinacionais e setores conservadores do Exército do outro.

Em sua análise, Everaldo pontua o início da década de 1930 como o período em que a disputa pelo direito de exploração surgiu no centro da política boliviana. Um dos principais motivos da Guerra do Chaco (1932-1935), na qual Paraguai e Bolívia se enfrentaram, foi um embate entre a companhia norte-americana Standard Oil (dona da marca Esso), que detinha os direitos sobre jazidas de petróleo em território boliviano, e a inglesa Royal Deutsch.

Terminada a guerra, a derrotada Bolívia estava imersa em uma crise política, econômica e social. Essa circunstância fomentou o surgimento do primeiro partido de esquerda do país, o Partido Obrero Revolucionário, e fortaleceu um movimento político dentro da burguesia, desgastando partidos tradicionais da oligarquia. Ao mesmo tempo, a demanda "terras ao índio e minas ao Estado" se tornava um projeto capaz de mobilizar os bolivianos.

Os governos seguintes davam os primeiros passos rumo à nacionalização dos recursos naturais, conforme reivindicavam os recém-fortalecidos sindicatos. Em 1936, o coronel David Toro, Chefe do Exército, assumiu o poder e deu início a uma política de intervenção estatal na economia, nacionalizando a Standard Oil sem direito a indenizações. Esse foi, segundo Andrade,o "ato político mais importante de seu governo, conseguindo indiscutível apoio popular".

As novas ideologias e o ímpeto nacionalista fomentaram a Revolução de 1952, liderada pelo MNR (Movimento Nacionalista Revolucionário) de Victor Paz Estenssoro. Neste ano, o país enfrentava uma crise econômica e as greves gerais eram frequentes. Os partidos políticos tradicionais estavam desgastados e a classe operária estava cada vez mais mobilizada, apesar da forte repressão. As principais reivindicações eram a nacionalização das minas sem necessidade de pagar indenizações às companhias, reforma agrária, aumento salarial e dissolução do Exército.

Um das primeiras decisões do governo foi lançar um amplo programa de reformas econômicas, determinando a nacionalização das minas e o monopólio da exportação de estanho. Depois, foi elaborado um programa de reforma agrária e o sufrágio universal foi instituído. Até então, mulheres, camponeses e indígenas não podiam votar.

Em 1964, um golpe colocou fim ao governo do MNR e deu início ao governo do general René Barrientos, no qual o guerrilheiro Ernesto Che Guevara foi assassinado. De acordo com Everaldo, foi um governo que "atacou brutalmente" conquistas da revolução nacionalista. O coroamento dessa brutalidade, explica o autor, aconteceu em junho de 1967, no episódio que ficou conhecido como "Massacre de San Juan", em que mais de cem pessoas morreram em um complexo mineiro, quando resistiam a um rebaixamento salarial.

Mais tarde, a operação daria força ao renascimento da proposta de controle operário da mineração. Barrientos morreu e o novo governo, do general Ovando Candia, tentou adquirir legitimidade e fez pequenas concessões às liberdades democráticas, o suficiente para que os partidos e sindicatos se reorganizassem. A experiência anterior ao golpe de 1964 de controle operário renasceria sob outra forma em 1971.

Conforme sintetiza o historiador, a "Comuna foi resultado combinado de dois processos: a história política e social do movimento operário e popular boliviano", uma reação positiva dos movimentos sociais diante de fragilidades do governo para abrir espaço para a democracia no país. Em sua declaração, a Assembleia Popular se definia como um "órgão de poder da classe operária e das massas bolivianas", uma "frente antiimperialista revolucionária dirigida pela classe operária" com o objetivo de garantir "o triunfo da revolução boliviana e seu entroncamento no socialismo e na materialização da liberdade nacional".

A experiência, porém, terminaria em agosto de 1971. Os debates entre diversas correntes políticas radicais, entre as quais grupos trotskistas, guevaristas e stalinistas, e suas consequências práticas terminaram por "acelerar os ritmos do confronto político e do próprio desenlace da Assembleia", já que a Guerra Fria fechavam espaço para movimentos nacionalistas e reformistas na América Latina.

Ao final das 295 páginas, o livro traz um caderno de imagens que mostram sessões de debates da Assembleia Popular, de militantes e de líderes tradicionais, como Paz Estenssoro e o general Barrientos.


(Daniella Cambaúva)
Fonte: Opera Mundi

sábado, 27 de agosto de 2011

Lei da Anistia no Brasil provoca impunidade, adverte Anistia Internacional


Discussão segue polêmica 32 anos após a Lei da Anistia, que também impede a condenação por crimes de tortura e desaparecimento forçado. Lei deveria ser revista, criticam Corte Interamericana e Anistia Internacional.

Em 28 de agosto de 1979, a Lei da Anistia era publicada em Brasília: recebia o perdão todos aqueles acusados de crimes políticos. Exilados e presos pela ditadura militar podiam voltar para casa. "O espírito da lei era o de beneficiar as pessoas que foram perseguidas, mas de beneficiar também os que foram os perseguidores", lembra Fernando Gabeira, que voltou ao Brasil em 1° de setembro daquele ano, depois de dez anos no exílio.

Gabeira participou da luta armada, foi torturado e um dos grandes personagens dessa fase da história brasileira. O ex-deputado e jornalista é reticente quanto à revisão da lei de 1979: "Seria muito estranho que nós, depois de termos festejado o fato tantos anos atrás, que a gente queira punir as pessoas que nos perseguiram, agora que a correlação de forças mudou". "Por que não dissemos isso quando recebemos a anistia?", pergunta Gabeira, acrescendo que "portanto, passados esses anos, nós não podemos aplicar nenhuma sanção contra aqueles que torturaram".

O discurso da Anistia Internacional (AI) é bem mais duro: a decisão que completa 32 anos em 2011 favorece a impunidade no Brasil. "E essa não é somente a visão da Anistia Internacional, mas também da Corte Interamericana de Direitos Humanos que, no ano passado, deu um parecer pelo qual o Brasil está obrigado a dar satisfações sobre o passado e a rever essa lei."

A afirmação é de Hugo Relva, especialista da AI em direito internacional. Ele se refere à sentença de 24 de novembro do caso Gomez Lund, ex-guerrilheiro no Araguaia. Para a Corte, "as disposições da Lei de Anistia brasileira, que impedem a investigação e sanção contra graves violações de direitos humanos, são incompatíveis com a Convenção Americana, carecem de efeitos jurídicos e não podem seguir representando um obstáculo para a investigação dos fatos, nem para a identificação e punição dos responsáveis".

Desta maneira, o que aconteceu entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979 continua relegado aos arquivos secretos da ditadura militar no Brasil: torturas, desaparecimentos forçados, histórias de perseguições e assassinatos contra os que se opuseram ao regime não democrático.

A caminho da verdade

Fernando Gabeira: ex-exilado atua hoje na políticaFernando Gabeira: ex-exilado atua hoje na políticaAs opiniões sobre a revisão da lei de 1979 são contraditórias. "Claro que o grande acordo feito na época também olhou o lado dos militares, houve acordos e entendimento em que eles também foram contemplados. Mas com certeza absoluta, a Lei da Anistia por que nós brigamos, consagramos e aprovamos, como um grande pacto nacional, foi importantíssima. Não dá para negar o papel que ela teve ao longo da nossa história, principalmente para aqueles que lutam para a democracia", opinou o senador Paulo Paim, presidente da Comissão dos Direitos Humanos no Senado.

O ex-líder estudantil na época do regime militar foi interrogado diversas vezes pelo Exército e hoje é um dos negociadores para a criação da Comissão da Verdade. Evolução tardia, opina Relva: "O Brasil sequer tem uma Comissão da Verdade, todos os países que passaram por ditadura na região deram grandes passos para que os responsáveis por atos de tortura comparecessem diante da Justiça. No Brasil, não há sequer um processo judicial nestes 30 anos ou uma comissão que explique aos familiares dos desaparecidos e assassinados o que aconteceu."

Paim diz que as negociações correm a todo vapor, e que o grupo deve entrar em ação em breve. "Eu tenho esperança que seja neste ano ainda! O que nós queremos, com o apoio da presidente Dilma, é uma comissão para esclarecer todos os fatos. Ninguém pode ser contra o fato que a verdade prevaleça."

Medo de represálias

Sobre os empecilhos, o senador esclarece que é natural que haja um período de muita conversa com diversos setores da sociedade, e naturalmente com as Forças Armadas para que a Comissão da Verdade seja formatada "não numa linha de chantagem, de perseguição, de revanchismo."

Fernando Gabeira, autor de livros que narraram histórias da oposição na ditadura militar, apoia o esclarecimento das circunstâncias daquele período. "As negociações principais devem ser feitas com os militares no sentido de garantir que a comissão é para estabelecer a verdade e não para definir represálias", adiciona.

Já para a Anistia Internacional, o Brasil precisa demonstrar claramente que se encontra numa nova era. "A lei de 1979 deve ser deixada de lado, deve ser revogada com prontidão. A impunidade não é aceitável no Brasil moderno e democrático. Há uma grande discordância entre o progresso econômico do Brasil e o cumprimento das obrigações que tem, segundo as leis de Direito Internacional, de investigar, de perseguir as pessoas que foram responsáveis por atos de tortura, de homicídios extrajudiciais, de desaparecimentos forçados cometidos no passado", protesta Hugo Relva.

E, o mais grave, a impunidade do passado pode ser vista como um padrão, mesmo três décadas depois da lei. "Na atualidade, as pessoas pensam, normalmente, que quem comete um crime similar – no Brasil há muitíssimos casos de tortura policial, por exemplo – nunca pagará pela consequência de seus atos", adverte o especialista da Anistia Internacional.

Autora: Nádia Pontes
Revisão: Carlos Albuquerque

Fonte: DW-World.de

27 de agosto de 1965 - Morre Le Corbusier, um expoente da arquitetura moderna


Morre Le Corbusier. Jornal do Brasil: Sábado, 28 de agosto de 1965.

"A arquitetura é o jogo sábio, correto e magnífico dos volumes dispostos sob a luz".
Le Corbusier

O arquiteto urbanista Le Corbusier, 79 anos, um dos expoentes da arquitetura moderna, morreu de um ataque cardíaco, quando nadava numa praia de Roquebrune, Cap Martin, na Riviera Francesa. Também poeta, pintor e escritor, recebeu homenagens póstumas em todo o mundo.

Le Corbusier, que nasceu Charles Edouard Jeanneret em 6 de outubro de 1887 na suiça La Chaux-de-Fonds, alcançou a fama trabalhando com o concreto, que lhe permitiu romper a tradição da pedra e do tijolo.

Antes de 1920, já estava preconizando o seu conceito original da casa aberta com terraço, dominada horizontalmente de lado a lado e montada sobre pilotis. Dentro deste conceito, construiu diversas residências por toda a França, antes de ser chamado para construir grandes conjuntos urbanísticos no exterior, como a Cidade Universitária do Rio de Janeiro e o Plano de Urbanização de Bogotá.

O pequeno livro que publicou em 1923, Em direção a uma Arquitetura, espantou muita gente. Era como se a arquitetura existente até então não merecesse o termo. Neste trabalho, definiu as bases do movimento moderno de características funcionalistas. A pesquisa que realizou envolvendo uma nova forma de enxergar a forma arquitetônica baseado nas necessidades humanas revolucionou a cultura arquitetônica mundial. Sua obra, negando características histórico-nacionalistas, abriu caminho para o que se chamaria de international style ou estilo internacional. A sua influência estendeu-se principalmente ao urbanismo.

Fonte: JBlog

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Informativo PARFOR/UPF - Inscrições até 10 de setembro

Clique na imagem para ampliar

25 de agosto de 1961 - A renúncia de Jânio Quadros


25/08/2011 - 00:00 | Enviado por: Lucyanne Mano

"Nesta hora de grave crise e de perigos incontáveis, cabe a todos os brasileiros a tarefa de se empenharem na preservação da unidade nacional e das instituições democráticas. A renúncia do Presidente Jânio Quadros causou profunda inquietação ao povo inteiro, paralisou a administração, obrigou as Forças Armadas a se colocarem de prontidão, fez com que os governos estaduais adotassem medidas de precaução, pôs o Poder nas mãos do Presidente da Câmara e deixou o Brasil numa situação tal que ninguém pode esconder o temor que todos sentimos de que a própria Nação pode perder-se ou descrer de si mesma". Jornal do Brasil


A efêmera presidência de Jânio Quadros foi marcada por polêmicos mandos e desmandos: a tentativa de reaproximação com a URSS e a China, a nomeação de um embaixador negro para a África, a recusa de apoio aos americanos na expulsão de Cuba da OEA, e ainda a proibição de rinhas de galo e de maiôs cavados, causaram perplexidade entre o povo e as elites.

O desfecho dessa gestão não seria menos surpreendente. Jânio renunciou ao cargo quando o vice, João Goulart, se encontrava em visita oficial à China. A ausência de Jango abriu margem para que o presidente da Câmara, Ranieri Mazzili, assumisse provisoriamente o governo. Até hoje se especula sobre os reais motivos da renúncia. O mais lógico é a de que se tratou de uma manobra estratégica. Sem maioria no Congresso, e ciente do desconforto entre Jango e os militares, renunciara na expectativa que o Parlamento lhe oferecesse liberdade governamental, e de que contaria também com o apoio do exército. O Congresso, contudo, aceitou prontamente sua renúncia eclodindo uma crise política que culminaria, anos mais tarde, no Golpe Militar. Ninguém ofereceu lição maior de esperança e desilusão ao povo brasileiro.

Surpreendente e polêmico do início ao fim

Jânio Quadros assumiu a Presidência da República a 31 de janeiro. Contrariando a expectativa geral, em seu discurso de posse foi discreto e gentil, chegando mesmo a tecer elogios ao governo anterior. Na mesma noite porem, surpreendeu a todos. No seu pronunciamento em rede nacional atacou violentamente o governo JK, acusando o ex-presidente de nepotismo e inoperância administrativa, responsabilizando-o pelo descontrole inflacionário e pela galopante dívida externa. Era o primeiro de tantos episódios histriônicos que ensaiaria na sua turbulenta trajetória de 209 dias à frente do poder máximo do país.

Fonte: JBlog

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Arquivos inéditos do DEOPS são abertos ao público

24/08/2011

Fonte: Agência FAPESP – O Arquivo Público do Estado de São Paulo acaba de colocar à disposição do público documentos do Departamento Estadual de Ordem Política e Social (DEOPS) nunca abertos para pesquisa.

De acordo com o Arquivo Público, após um ano e cinco meses da descoberta dos arquivos em Santos, será possível consultar cerca de 45 mil fichas remissivas — nominais ou temáticas — por meio das quais se tem acesso a 11.600 prontuários produzidos pelo DEOPS na região.

O DEOPS funcionou entre os anos de 1924 e 1983 e tinha como objetivo prevenir e reprimir delitos considerados de ordem política e social contra a segurança do Estado. Os documentos encontrados em Santos revelam a atuação do órgão na Baixada Santista, especialmente durante a ditadura militar.

Entre as pessoas "fichadas" pelo DEOPS na cidade estão Carlos Lamarca, Frei Betto, Carlos Marighella e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de personagens da política local, sindicatos e movimentos estudantis.

Empoeirados, infestados por cupins e outros insetos e com suas páginas desordenadas, os documentos foram descobertos em uma Delegacia de Polícia na cidade de Santos em fevereiro de 2010 e logo foram recolhidos para o Arquivo Público do Estado de São Paulo. Imediatamente teve início o tratamento técnico do acervo, com a desinfecção, higienização, desmetalização, reacondicionamento e organização arquivística do material.

Um convênio entre a Associação de Amigos do Arquivo e a Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania destinou um financiamento de quase R$ 90 mil para o tratamento do acervo, o que permitiu a abertura dos arquivos em tão pouco tempo.

A próxima etapa do trabalho será o diagnóstico de cerca de 150 caixas com documentos diversos que precisam ser identificados pela equipe do Arquivo Público para serem também disponibilizados ao público.

A consulta aos documentos deverá respeitar os mesmos procedimentos já adotados para a pesquisa aos demais documentos do DEOPS, abertos ao público desde 1994. Os pesquisadores têm acesso ao acervo no salão de consultas do Arquivo Público do Estado de São Paulo. Para isso, é preciso assinar um termo próprio, em que o pesquisador assume toda a responsabilidade pelo uso que fará das informações adquiridas nos documentos.

A consulta aos arquivos do DEOPS poderá ser feita de terça à sexta-feira, das 9 às 17 horas, sendo 16h o horário limite para solicitação de material.

Mais informações: www.arquivoestado.sp.gov.br/noticia_ver.php?id=232 e (11) 2089-8100.

1963: Começava a primeira temporada da Bundesliga

Em 24 de agosto de 1963 eram disputadas as primeiras oito partidas da Bundesliga. Com a competição nacional, a história do futebol na Alemanha ganhava um novo capítulo, cujas origens estavam na Copa do Mundo de 1954.

No dia 24 de agosto de 1963 teve início, ainda muito tímida e desajeitadamente, uma importante fase da história do futebol alemão. Naquele dia, um sábado, 16 equipes entraram em campo para as primeiras oito partidas da Bundesliga, o Campeonato Alemão de Futebol.

No rádio, ouvi-se o seguinte: "Aqui é a Westdeutsche Rundfunk e a Norddeutsche Rundfunk. Pela primeira vez nos encontramos neste horário e frequência para transmitir o Campeonato Alemão de Futebol. Hoje começam os jogos da Bundesliga e nossos microfones estão em Gelsenkirchen para o jogo entre Schalke e Stuttgart, e em Bremen para acompanhar o Dortmund contra o Werder Bremen".

Quando tudo realmente começou


O início dessa história remontava há nove anos. Na Copa do Mundo de Futebol de 1954, na Suíça, a seleção alemã chegou como um azarão à final contra a Hungria. A televisão ainda era pouco difundida, ao contrário das rádios, e por isso eram poucas as imagens do evento. O que ajudou a tornar inesquecível para os alemães a narração do locutor Herbert Zimmermann na partida final.

"Ainda restam seis minutos de jogo no estádio Wankdorf, em Berna. Nenhum dos times vacila. A chuva continua caindo ininterruptamente. Bozsik, sempre ele, o lateral direito da Hungria com a bola, acaba de perdê-la para Schäfer, Schäfer cruza para o meio-de-campo, uma cabeçada desvia a bola e agora Rahn pode arriscar o chute, Rahn chuta: Gol, gol, gool!"

Nascia a ideia do campeonato

#b#A Alemanha era campeã mundial e durante muitas semanas o povo se curvou diante dos novos heróis. O triunfo no futebol devolveu um pouco de autoestima aos alemães, nove anos após o fim das barbáries de Hitler. O técnico da seleção, Sepp Herberger, foi um dos primeiros que percebeu o potencial econômico que o futebol poderia ter na economia alemã, que vivia a fase do milagre econômico.

Poderia, uma vez que a esplendorosa vitória em Berna chamou atenção para o quanto o futebol alemão estava atrasado. Na Inglaterra, por exemplo, havia grande quantidade de ligas profissionais que lotavam os estádios, enquanto na Alemanha eram somente cinco ligas amadoras. Os campeões de cada uma delas jogavam entre si para decidir quem era o campeão alemão.

Os jogadores treinavam nas suas poucas horas de folga, pois faltavam recursos para fazer da atividade um empreendimento lucrativo. Herberger, que desde a conquista do título era a autoridade máxima e incontestável do futebol na Alemanha, falava de uma liga nacional. Seu argumento: uma competição nacional de alto nível é necessária para a Alemanha não ficar para trás.

Estava fundada a Bundesliga

Durante alguns anos ainda, os diretores da Federação Alemã de Futebol (DFB) e dos clubes brigaram para definir o número de equipes que participariam da liga. Então, em 24 de outubro de 1963, 16 times entraram em campo. O primeiro gol não tardou: ele foi marcado por Konietzka, do Borussia Dortmund, que acabou perdendo por 3 a 2 para o Werder Bremen, em Bremen.

O Dortmund era o campeão alemão, mas não foi quem levou a melhor no final do campeonato. O primeiro título foi para o Colônia. Alguns anos depois, chegariam à Primeira Divisão o Bayern de Munique e o Borussia Mönchengladbach, que dominariam a competição nos anos 70 e 80.

Fonte: DW-World.de

Jens Thurau (tj)


24 de agosto de 1981 - Assassino de Lennon é condenado a prisão perpétua


Assassino de John Lennon, Mark Chapman é condenado a prisão perpétua. Jornal do Brasil: Terça-feira, 25 de agosto de 1981.

Mark Chapman, 26 anos, que assassnou a tiros o beatle John Lennon em 8 de dezembro de 1980, foi condenado à prisão perpétua. Antes de pronuciar a sentença, o Juiz Dennis Edwards recomendou a submissão do réu a um tratamento psiquiátrico.

As autoridades concluíram que Chapman viajou de sua casa, em Honolulu, no Hawai, com única intenção de matara Lennon. Foram quatro tiros calibre, disparado quando Lennon entrava no prédio em que morava, na companhia de sua mulher, Yoko Ono.

O promotor o definiu como um assassino frio e sem sentimentos, que premeditou matar outros personagens conhecidos antes de se fixar em Lennon. Para o advogado ve defesa descreveu-o como um jovem de fato muito confuso, que não compreendia o que acontecera, desequilibrado, que já havia passado por internação em um hospício após uma tentativa de suicídio.

Com o rosto pálido, as mãos crispadas num exemplar do livro Apanhador em Campo de Centeio, de J.D. Salinger, Chapman ouviu o veredicto, impassível. Chapman se declarou culpado do assassinato em segundo grau, alegando que Deus lhe ordenara fazer essa admissão de culpa. Depois leu trechos do final do romance, que segundo ele, explica os motivos que o levaram a cometer o crime: a história de um rapaz sensível e perturbado com o mundo dos adultos. Um anti-heroi que lida com temas tipicamente adolescentes como confusão, angústia, alienação, linguagem e rebelião.

Houve rumores de que ao longo de seu julgamento, Mark usou colete a prova de balas.

Mesmo confessando-se arrependido, Mark Chapman continua mantido numa cela individual, devido às ameaças de morte que recebeu, num presídio de segurança máxima em Nova Yorque. Sua liberdade condicional, tentada desde 2000, foi negada seis vezes.
Fonte: JBlog

terça-feira, 23 de agosto de 2011

1939: Assinado o Pacto de Não-Agressão


Em 23 de agosto de 1939, Hitler e Stalin assinaram um pacto de não-agressão. Alemanha e União Soviética se comprometeram a não atacar uma à outra e se manter neutras se uma delas fosse atacada por uma terceira potência.

O noticiário nas telas dos cinemas, muito utilizado como meio de propaganda na Alemanha nazista, informava: "As missões militares das potências ocidentais ainda estavam em Moscou quando o ministro do Exterior do Reich, Von Ribbentrop, chegou à capital soviética. Depois de uma recepção cordial, o ministro foi para a embaixada alemã e apresentou-se mais tarde no Kremlin, onde foram assinados, na presença de Stalin, os pactos de não-agressão e de consultações".

O que foi noticiado como óbvio, em 23 de agosto de 1939, era sensacional não só para a maioria dos alemães, mas também para as potências ocidentais Reino Unido e França. Afinal, a União Soviética vinha sendo, há anos, apontada pela propaganda nazista como inimigo político dos alemães. Como poderia ser diferente de uma hora para outra?

Hitler: renunciamos ao uso da violência

Hitler disse no Parlamento em Berlim: "Os senhores sabem que a Rússia e a Alemanha são governadas por duas doutrinas diferentes. Mas, no momento em que a União Soviética não pensa em exportar a sua doutrina, eu não vejo mais motivo que nos impeça de uma tomada de posição. Por isso decidimos firmar um pacto que exclua o uso de todo tipo de violência entre nós por todo o futuro".

No seu discurso no Reichstag, Hitler não disse uma palavra sobre o que a Alemanha e a União Soviética assinaram de fato em 23 de agosto de 1939. Pois o chamado Pacto Hiltler-Stalin não consistia só na parte oficial em que os dois ditadores se comprometiam em não apoiar os inimigos um do outro, mas também num protocolo adicional secreto. Nesta parte ficou combinada uma divisão da Polônia e da Finlândia, e os Estados bálticos e a Bessarábia foram prometidos à União Soviética.

Oito dias antes do ataque alemão contra a Polônia, o protocolo falava, previamente, de uma "reorganização político-territorial" do Estado polonês e de uma invasão pelas tropas da Wehrmacht, como esclarece o historiador alemão Karl-Dietrich Bracher.

"Já em maio de 1939, Hitler disse a comandantes militares que não poderia mais alcançar novos êxitos sem derramamento de sangue. Quer dizer que estava escolhido o caminho para a guerra. Agora então só se poderia falar sobre quais as possibilidades de marchar para a guerra por um caminho plausível e sem grandes riscos."

Guerra contra o Ocidente

Ministro da Propaganda, Joseph Goebbels Ministro da Propaganda, Joseph GoebbelsJoseph Goebbels, ministro da propaganda nazista, já profetizava o fim da guerra contra o Leste Europeu em fevereiro de 1940: "Uma guerra em dois fronts – a nossa grande perdição – é coisa do passado. Agora a nação alemã vai se voltar exclusivamente para o Ocidente. É para lá que dirigimos as nossas metas, todas as nossas esperanças e também todos os nossos desejos", disse o ministro da Propaganda numa manifestação gigantesca do Partido Nazista.

Poucos meses depois, as tropas alemãs invadiram a Bélgica, Holanda, Luxemburgo e, finalmente, também a França. Stalin observava tudo passivamente. França e Inglaterra haviam entabulado negociações secretas com a União Soviética, em 1939, mas, ao contrário de Hitler, não se dispuseram a deixar o Leste da Europa sob o domínio de Moscou.

Relações comerciais com a Alemanha também eram de importância decisiva para a União Soviética e Stalin assegurou a importação de máquinas e tecnologia militar, assinando um acordo econômico com os nazistas.

Hitler ataca URSS de surpresa

Hitler, por sua vez, firmou o pacto de não-agressão principalmente com o propósito de ganhar tempo para os seus planos de guerra. No final de 1940, ele deu instruções concretas, sob o código Barba-Roxa, para sua campanha contra a União Soviética. Em 22 de junho de 1941, as tropas nazistas atacaram, de surpresa, a União Soviética.

O pacto Hitler-Stalin – uma aliança entre dois ditadores e dois Estados com regimes completamente opostos –, que deveria possibilitar aos dois parceiros conquistas territoriais e políticas de grandes proporções e, ao mesmo tempo, mudar o equilíbrio político na Europa, foi uma mácula na história.

Sabine Kinkartz (ef)

Fonte: DW-World.de