quinta-feira, 30 de junho de 2011

Programa de Pós-Graduação em História inscreve para mestrado até 04/07

Graduados em licenciatura ou bacharelado em História ou áreas afins poderão se candidatar às vagas

Foto: Arquivo UPF
Inscrição pode ser realizada pelo endereço eletrônico www.upf.br/posgraduacao/inscricoes.php
O Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da Universidade de Passo Fundo (UPF) está com inscrições abertas ao curso de Mestrado em História. O prazo se estende até a segunda-feira, dia 04 de julho. São oferecidas até 10 vagas nas linhas de pesquisa Política e Cultura e Espaço, Economia e Sociedade. Podem candidatar-se os graduados em licenciatura ou bacharelado em História ou áreas afins.

Confira reportagem da UPFTV sobre o mestrado.

A inscrição pode ser realizada pelo endereço eletrônico www.upf.br/posgraduacao/inscricoes.php e será homologada mediante o envio da documentação completa. O valor é de R$ 70.

Linhas de pesquisa
O Programa de Mestrado em História da UPF possui duas linhas de pesquisa incluídas na área de concentração em História Regional. A primeira delas envolve Política e Cultura e agrega as pesquisas sobre relações políticas e representações culturais, no âmbito regional, nacional e internacional nas dimensões amplas que compreendem o fazer histórico contemporâneo em termos de objetos, referenciais e metodologias.

A segunda linha engloba Espaço, Economia e Sociedade e agrega as pesquisas sobre os processos de ocupação do espaço e formas societárias; relações e conflitos sociais, econômicos e simbólicos, nas dimensões regionais; comunidades nativas, formação da sociedade luso-brasileira e ibero-americanas.

A estrutura curricular do mestrado prevê um mínimo de 30 créditos, sendo 24 créditos de disciplinas e seis créditos de orientação.

Seleção
A seleção será realizada em várias etapas. A primeira é composta de prova dissertativa sobre o tema de pesquisa do candidato, na qual deverá constar, também, referências sobre o entendimento da área de concentração do programa, História Regional. A prova será aplicada no dia 11 de julho. As outras etapas incluem análise do currículo do candidato e do pré-projeto de pesquisa, e entrevista na qual o candidato deverá discorrer sobre o projeto de pesquisa e currículo.

O edital do processo seletivo contendo a lista de documentos necessários para a inscrição está disponível em www.ppgh.upf.br. Mais informações pelo telefone (54) 3316-8339 e no e-mail pghis@upf.br.


A Estranha Derrota - livro inédito de Marc Bloch traduzido para o português

Escrito em apenas três meses, logo após a derrota francesa frente ao Exército alemão, em 1940, esse relato escapou por pouco de se perder. Só foi publicado seis anos mais tarde, depois da libertação da França e do assassinato de seu autor, o historiador Marc Bloch, fuzilado pela Gestapo em 1944. Nesse período, Bloch fez uma análise da história que se desenrolava diante de seus olhos, e da qual era participante ativo. Soldado nas duas guerras mundiais, ingressou na Resistência francesa e passou à clandestinidade após a ocupação nazista.

Inédito no Brasil, A Estranha Derrota é um testemunho essencial para todos os que desejam compreender algumas contradições de um dos momentos mais trágicos da história, a Segunda Guerra. Bem-escrito e envolvente, o livro foi dividido pelo autor em três partes: “Apresentação”, onde explica por que achava necessário dar seu testemunho sobre a derrota; “O depoimento de um vencido”, em que relata o caótico cotidiano da guerra; e “Exame de consciência de um francês”, onde aponta a responsabilidade de cada setor da sociedade para a vitória do nazismo.

Essa edição traz ainda outros documentos que ajudam a compor um painel da sociedade francesa durante a guerra, como o testamento redigido pelo próprio Bloch em 1941, ciente do risco de morte que corria. Nele, pede, entre outras coisas, que sejam lidos em seu funeral os cinco elogios militares que recebeu nas duas guerras, incluídos nesse livro. O volume também ajuda a revelar o perfil do maior historiador francês de sua época, fundador da École des Annales, que contribuiu para mudar o enfoque dos estudos históricos (até então voltados para fatos políticos do passado) ao buscar apreender o homem na sociedade de seu tempo.

MARC BLOCH nasceu em 1886 em Lyon, na França, filho de um eminente professor de história de origem judia. Formou-se em história na Sorbonne e, a partir de 1909, começou a publicar seus primeiros artigos sobre história medieval, área a que se dedicou.

Fonte: Café História

30 de junho de 1934 - A implacável noite dos Longos Punhais


30/06/2011 - 00:00 | Enviado por: Lucyanne Mano
Jornal do Brasil: Domingo, 1º de julho de 1934 - página 9

A Noite dos Longos Punhais foi um episódio de conspiração, traição e morte nas entranhas do poder da Alemanha nazista. Numa mal sucedida resistência à liderança de Adolf Hitler, o capitão Ernst Röhm, seu antigo colaborador e comandante da Seção de Assalto - SA Sturmabteilung, braço militar do Partido Nazista, passou a defender publicamente a transformação da mesma em uma milícia independente, e com poderes para controlar o exército alemão. Seu discurso foi repelido pela classe média e inquietou as bases militares e industriais, indispensáveis para os planos de longo prazo do Führer. A reivindicação de Röhm alarmou os generais, que passaram a cobrar de Hitler uma resposta enérgica. O ex-colaborador não imaginava o seu destino, após cair em desgraça com o Chanceler.

Alegando reação a uma rebelião no seio da SA, então com dois milhões e meio de soldados, Hitler livrou-se de maneira brutal dos seus traidores. Durante a madrugada, elementos da sua guarda pessoal, a SS - Schutzstaffel, invadiram o hotel em que Röhm se encontrava na companhia de outros líderes da SA. Surpreendidos, todos foram detidos e rapidamente fuzilados. A inquietação pública na capital foi evidente e deu margens aos mais aterradores boatos. Para conter a agitação, o governo reforçou a segurança nas ruas com a SS, e deu ordens extremas à imprensa que não noticiasse os fatos, sob risco de severa punição aos desobedientes.

O triunfo e a hegemonia de Hitler

Oficialmente, o governo alegou que a SA preparara um golpe contra o Reich. Na realidade, porém, Hitler concretizava mais uma de suas estratégias de poder. Como um ano antes ele tinha liquidado a esquerda alemã, o massacre significou a eliminação dos seus últimos rivais. Sem contestação, era o líder supremo. A SS, força de elite ideológica e racial, passou a ter grande relevância na estrutura do poder, encarregada da segurança interna da Alemanha e, na guerra, dos países ocupados. O banho de sangue custou dezenas de vidas, muitas sem qualquer ligação com Röhm.

Fonte: JBlog

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Curso de Iniciação a Plataforma Lattes


Hora: sexta, 1 de julho · 19:30 - 22:30
Local: LCI sala 14 - Campus I da UPF
Público alvo: Aberto a todos os interessados
Organização: profa. Gizele Zanotto
Promoção: Curso de História da UPF
Curso gratuito - sem inscrição prévia
Objetivo e justificativa: O curso tem como objetivo básico instrumentalizar os estudantes sobre as noções básicas da Plataforma Lattes, bem como sobre a inserção de informações neste banco de dados. Atualmente a Plataforma é tida como referência em instituições de ensino e pesquisa e exigência para a inscrição em seleções de pós-graduação e docência. Os currículos cadastrados neste banco são facilmente acessados e compõe um dos elementos de avaliação institucional das instituições de ensino e pesquisa, daí sua importância para qualquer profissional da educação e pesquisa do país.
Endereço da Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/

29 de junho de 1958 - Brasil é campeão do mundo!

29/06/2011 - 07:10 | Enviado por: Lucyanne Mano
Brasil é campeão do mundo. Jornal do Brasil: 1º de julho de 1958.

O Brasil não entrou como favorito na Copa da Suécia. O trauma sofrido na final do Mundial de 50 fez com que nossa seleção realizasse uma fraca campanha na Copa da Suíça e estreasse como coadjuvante na competição de 58. O jogo, no entanto, começou a virar para o nosso lado na terceira disputa, contra a União Soviética, quando o técnico Vicente Feola revelou ao mundo a carta que tinha na manga: um rei chamdo Pelé.

Aos 17 anos de idade, Pelé, ao lado de Garrincha, foi essencial para que a equipe batesse a URSS por 2 a 0. Apesar de não ter feito gols, o jovem mineiro mostrou ao mundo o talento que, depois, o faria ser reconhecido como o melhor jogador de futebol de todos os tempos.

O dia do confronto final, contra os donos da casa, viria apenas no dia 29 de junho de 1958, após o grupo memorável emplacar goleadas históricas durante a sua trajetória. O estádio de Estocolmo, lotado com mais de 50 mil pessoas, parecia um caldeirão. A torcida, dividida entre o amor à pátria e a admiração pela brilhante campanha feita pela Seleção Brasileira, aplaudia cada jogada.

Vestindo pela primeira vez o uniforme azul reserva, o time de Zagallo, Vavá, Didi, Pelé e Garrincha sentia-se usando o “manto de Nossa Senhora Aparecida”: nada podia para-los; nem mesmo o gol marcado pela equipe sueca aos 4 minutos do primeiro tempo. Num contra-ataque de Garrincha, aos 9 minutos, Vavá recebeu a bola perto da grande área e marcou para os brasileiros empatando o jogo. Pouco tempo depois, o mesmo Vavá fez seu segundo gol na partida alavancando a máquina canarinha que não podia mais ser freada. Com mais um gol de Vavá, outro de Zagallo dois de Pelé, a seleção abençoada venceu a Suécia por 5 a 2 e pode, enfim, levantar a Taça Jules Rimet, consagrando-se campeã.

Era início de uma nova era. Era de vitórias, a era de ouro da Seleção Brasileira, que só terminaria em 1970, com o tricampeonato e a despedida definitiva do Rei Pelé de mundiais.

Fonte: JBlog

1900: Nasce Saint-Exupéry, autor de "O Pequeno Príncipe"

No dia 29 de junho de 1900 nasce o escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, que se tornaria famoso com o livro "O Pequeno Príncipe".

O escritor, aviador e jornalista Antoine Marie Jean-Baptiste Roger de Saint-Exupéry nasceu em Lyon, na França, no dia 29 de junho de 1900. Filho do conde Jean Saint-Exupéry e da condessa Marie Foscolombe, Antoine nasceu numa família abastada e teve uma infância tranquila. Quando tinha 4 anos, o pai faleceu e a mãe assumiu a educação dos cinco filhos.

Até o início da guerra, em 1914, a família viveu com uma tia, madame de Tricaud, no castelo de Saint-Maurice-de-Rémens, na região de Ain, cheia de bosques, lagos e prados, próximo de um aeroporto. Um dia, um piloto o convidou para um passeio de avião, que ficaria para sempre em sua lembrança.

Saint-Exupéry foi um adolescente sensível e exigente, que começou a imaginar histórias para vencer a solidão. Desde cedo e incentivado pela família, escreveu contos e prosas. Sua mãe ensinou-lhe desenho e música.

Depois de fracassar no teste para a escola naval, Saint-Exupéry conseguiu ingressar na aeronáutica francesa. Pioneiro da aviação comercial, estabeleceu várias rotas entre a Europa, a África e a América do Sul.

Paralelamente aos vários empregos que teve – sempre relacionados com a aviação –, ele se dedicou à literatura. Entre os livros que escreveu estão Correio do Sul (1926), Vôo Noturno (1931), Terra dos Homens (1939), Piloto de Guerra (1942) e O Pequeno Príncipe (1943). Esta é sua obra mais conhecida e a única que escreveu para crianças. O próprio autor é responsável pelas ilustrações.

Obra infantil inesquecível para os adultos

O livro conta a história de um piloto de avião que sofre um acidente e cai no deserto do Saara. O aviador fazia a viagem sozinho e precisava consertar a sua máquina em poucos dias, antes que seu estoque de água acabasse. Perdido na imensidão do deserto, o piloto se surpreende ao encontrar um garoto – o Pequeno Príncipe. Aos poucos, descobre a fabulosa história do menino.

Ele morava em um asteróide chamado B-612. Lá, a maior preocupação do Pequeno Príncipe eram os baobás - grandes árvores que poderiam destruir o asteróide.

O garoto precisava arrancar as mudas dos baobás antes que crescessem. Ele decide então vir para a Terra à procura de um carneiro, que poderia comer as mudas dos baobás, poupando-o desse trabalho. Durante a viagem, encontra várias pessoas e animais.

O Pequeno Príncipe representa a criança que todo adulto já foi um dia. Narrando o encontro do piloto com o garoto no deserto, Saint-Exupéry nos conta a história de alguém que redescobre a sensibilidade artística de quando era criança e que foi reprimida pelos adultos.

Saint-Exupéry morreu num acidente de avião sobre a Córsega, a 31 de julho de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, provavelmente abatido pelos alemães.

"Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos. Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." (Extraído de O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry)

rw
Fonte: DW-World.de


Hoje na História: 2003 - Morre a atriz norte-americana Katharine Hepburn

29/06/2011 - 08:26 | Max Altman | São Paulo

Em 29 de junho de 2003, Katharine Hepburn, ganhadora por quatro vezes do Oscar de Melhor Atriz e uma das maiores lendas das telas durante a "era de ouro" de Hollywood, morre de causas naturais aos 96 anos em sua casa em Old Saybrook, Connecticut.

Hepburn nasceu em uma família abastada de Nova Inglaterra, no extremo nordeste dos Estados Unidos. Ela se graduou no Bryn Mawr College na Pensilvânia em 1928 e tornou-se atriz de teatro. Seu desempenho na montagem da Broadway de 1932, The Warrior’s Husband (O Marido da Guerreira), levou-a a fazer um teste em Hollywood, onde ela firmou um contrato com o estúdio RKO. No filme de estréia de Hepburn, Vítimas do Divórcio (1932), contracenou com John Barrymore, sob direção de George Cukor, de quem se tornou amiga íntima e que dirigiu muitos de seus filmes, inclusive As Quatro Irmãs (1933), Vivendo em Dúvida (1935), Boêmio Encantador (1938) e A Costela da Adão (1949).

Anunciada como uma beleza nova e fora dos padrões convencionais, Hepburn conquistou o primeiro Oscar de Melhor Atriz no terceiro filme, Manhã de Glória (1933). Hepburn se recusou a fazer o papel das típicas starlets da época, aparecendo publicamente de calças compridas, sem maquiagem, evitando dar autógrafos e conceder entrevistas. Após modesto sucesso com No Teatro da Vida (1937) e Levada da Breca (1938), Hepburn decidiu adquirir seu contrato com a RKO, uma jogada que lhe deu controle pouco usual sobre sua carreira.

Cena de Adivinhe quem vem para jantar, de 1967:


Sua imagem oscilante foi reavivada com o sucesso de Núpcias de Escândalo (1939), originalmente escrita para Hepburn representar na Broadway e adaptada para o cinema com Cary Grant e Jimmy Stewart. Alguns anos mais tarde, Hepburn apaixonou-se pelo ator Spencer Tracy enquanto filmavam juntos A Mulher do Dia (1942). Embora Tracy, um católico devoto, permanecesse casado, os dois tiveram um relacionamento romântico que duraria até a morte de Spencer, cerca de três décadas depois.

Hepburn conquistou seu terceiro Oscar pelo desempenho em O Leão no Inverno (1968). Indicada 12 vezes para a estatueta, Hepburn jamais compareceu pessoalmente para receber os prêmios. Em 1986, rompeu o duradouro silêncio sobre seu relacionamento com Tracy, cuja viúva falecera em 1983, num tributo ao ator em um programa de televisão. Ela leu em voz alta uma pungente carta que lhe havia escrito sobre seu vício da bebida e sobre os derradeiros anos juntos. Incluiu mais tarde esta carta na autobiografia de 1991, Histórias de minha vida.

Em seu ultimo filme, Segredos do Coração (1994), uma nova versão do clássico de 1939, Hepburn aparece frágil, mas serena como sempre, na interpretação de uma tia aristocrática do personagem de Warren Beatty. Em 1999, o American Film Institute consagrou Hepburn como a maior atriz feminina na história do cinema norte-americano.

Quando faleceu em 29 de junho de 2003, as feéricas luzes da Broadway foram diminuídas durante uma hora para marcar o passamento de uma das mais brilhantes estrelas do mundo do entretenimento.

Fonte: Opera Mundi

terça-feira, 28 de junho de 2011

Impressões de viagem

Fachada - Pelotas/RS - Foto de Gizele Zanotto

Pautados em proposta de visita histórico-fotográfica, os estudantes de História que visitaram Pelotas e Rio Grande no feriado deixam também suas impressões textuais sobre o passeio.

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"Tempo, tempo pendurado no relógio da parede, a cadeira de balanço, a cristaleira, o castiçal, samanbaias na varanda e um retrato a óleo, Coronéis, belas damas disfarçadas no sarau no casarão antigo." A elite gaucha promovia festas, que aconteciam em seus grandes salões dos casarões de Pelotas e Rio Grande, que fascinam por suas belíssimas paisagens construidas pelos casarões que interagem com o contexto urbano destas cidades. Da charqueada ao porto a história segue viva na memória da região do sul do nosso estado.
João Marcelo Brancalion - VII nível

Posso considerar essa viagem de estudos como uma experiencia edificante, para compreensão da formação social, politica e econômica de alguns dos principais centros do estado e de boa parte da região platina. Em Pelotas se destacaram as visitas ao Museu da Baronesa e à Charqueada Santa Rita, onde foi ilustrado o contexto histórico do século XIX, indo do requinte da casa do charqueador ao cotidiano do trabalhador escravizado na charqueada. Em Rio Grande nota-se que a capacidade portuária e a localização estratégica entre Laguna e Colonia do Sacramento servem de principais motivos para se tornarem a primeira cidade de colonização portuguesa no Rio Grande do Sul.
Renan Mattos dos Santos - VII nível

"Uma viagem incrível! Agreguei conhecimentos sobre a história do Estado, a importância da preservação patrimonial, conheci lugares diferentes, respirei ares diferentes. Mas muito mais que o conhecimento vi a integração entre os professores e futuros professores de História. As conversas nos bares, na frente do hotel com o violão, me pego falando com a Gi e percebo que momentos como esses são muito especiais e que mostram que o meu curso de História- UPF vai além da sala de aula."
Paola Rezende Schettert - VII nível

“Satolep, o calçamento perfeito e o traçado rigoroso das ruas o excitaram pela manhã; à tarde, a delicadeza das fachadas contra o horizonte selvagem da planície o emocionou; quando escureceu, superfícies úmidas espelhadas numa geometria de sombras cambiantes puseram-no a imaginar e conceber tantas coisas que, embora falasse sem parar, não encontrava tempo de descrevê-las para mim.” A Pelotas mostrada por Vitor Ramil em verso e prosa, foi conhecida por todos nós durante a viagem, além das ruas de traçado rigoroso e da Lagoa dos Patos, visitamos prédios históricos, patrimônios em tentativas de preservação, charqueadas, etc. A História do Rio Grande do Sul fora dos livros. Com a visita a Rio Grande e seus arredores, observamos a primeira e uma das maiores cidades do Estado. Em frente ao Hotel, grandes conversas e risadas, uma viagem com várias histórias que aqui também não há tempo para descrevê-las.
Murillo Dias Winter - VII nível

E, tem horas que percebemos que na verdade não conhecemos o nosso Rio Grande do Sul, pois são tantas coisas belas desconhecidas por nós.
Patrícia Pelissoni - V nível

Mestrado em História


Inscrições abertas até 04 de julho!
Inscreva-se - Venha fazer História!!!

28 de junho de 1958 - Rachel de Queiroz é premiada pela ABL

Jornal do Brasil: Domingo, 29 de junho de 1958 - página 9

"Raquel de Queirós (como manda escrever a Academia Brasileira de Letras) é, na verdade Rachel e de Queiroz com z. Começou a contar histórias aos quinze anos e agora, lá na fazenda Não me deixes, recebeu a notícia de que o Prêmio Machado de Assis é seu. De óculos, sem chapéu, entrou na Academia pelo braço do poeta Manuel Bandeira, depois de cumprimentar levemente de cabeça a estátua de seu padroeiro, Machado de Assis. Quando chamaram seu nome para receber o prêmio, todos se levantaram e bateram palmas. Ela então falou. E disse que recebia aquele prêmio só porque passara a vida inteira contando história".
Jornal do Brasil

A cearense Rachel de Queiroz recebeu o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras, em reconhecimento ao conjunto de sua obra, tornando-se assim a segunda mulher a alcançar tal feito. A primeira foi sua prima, a escritora Diná Silveira de Queiroz, o que de certa forma manteve a premiação em família. Num tom lírico e da mais clara humildade diante do sucesso, fazendo profissão de fé na honestidade e carinho com que pela vida inteira escreveu, exaltou os méritos dos vencedores anteriores, oferecendo o prêmio como incentivo aos que fazem o que ela fez: trabalham com dedicação, paciência e todos os dias.

A coroada e intensa vida literária
Jornal do Brasil: Sexta-feira, 5 de agosto de 1977

A conquista do Prêmio Machado de Assis era uma segunda coroação à vida literária de Rachel de Queiroz. A primeira foi nos idos de 1931, quando recebeu o Prêmio Graça Aranha, também da ABL com seu romance O Quinze. A láurea advinha, principalmente por seu mérito revolucionário. A láurea advinha, principalmente, por seu mérito revolucionário. A premiação maior viria em 1977, com sua eleição para a cadeira 5 da ABL, sagrando-se a primeira imortal no universo literário até então restrito aos homens (Saiba mais aqui!). O grande prêmio de Rachel, contudo, foi concedido pela própria escritora: uma intensa carreira literária.

Fonte: JBlog

Proclamada no Twitter a Revolução Farroupilha

Jornal de Santa Catarina leva a Revolução Farroupilha para a rede social Twitter e mostra que a divulgação da história pode ser muito uma aventura muito divertida

O Diário Catarinense encontrou uma forma tão inusitada quanto interessante na maneira de contar a história da Revolução Farroupilha (1835-1845): as mensagens de 140 caracteres da rede social Twitter. Isso mesmo. O jornal de Santa Catarina está contando a história de um dos eventos mais marcantes do século XIX, no Brasil, através dos famosos tuites, como são chamadas as mensagens telegráficas de uma das redes sociais que mais cresce na internet. E o mais interessante: quem conta essa história são os próprios personagens históricos, de Anita Garibaldi a Antônio Netto.

O projeto funciona da seguinte maneira: os principais personagens da Revolução Farroupilha ganharam, cada um, um perfil no Twitter. Por meio de seus perfis, estes personagens “narram”, em ordem cronológica, os principais acontecimentos da Revolução. Mas o projeto não fica apenas na reprodução de falas e diálogos. Em vários tuites, há links que leva o leitor diretamente para fontes primárias. A sensação é de acompanhar um evento que ocorre no mesmo instante.

Além do Twitter, o Diário Catarinense também utiliza outras redes sociais para narrar a Revolução Farroupilha. É possível acompanhar tudo pelo “Facebook” e até mesmo nos telefones celulares, através do “Foursquare” (aplicativo para smartphones que permite ao usuário compartilhar o local que está no momento) e do “Instagram” (aplicativo para Iphone que permite compartilhar instantaneamente fotos com localização geográfica).

Juliana Sakae, jornalista do Diário Catarinense, responsável pelas atualizações das redes sociais, revelou ao Café História a origem do projeto:

- A ideia surgiu da Bárbara Nickel, editora de Mídias Sociais do Grupo RBS. Ela tem o blog Conexão ZH (http://wp.clicrbs.com.br/conexaozh/?topo=13,1,1,,,13) e nos mostrou um vídeo do "Evangelho segundo o Twitter" muito interessante. Depois nos enviou um mesmo projeto no "The Washigton Post" que tuita a Guerra Civil (www.twitter.com/civilwarwp) e nos desafiou a fazer algo criativo. Depois de muita pesquisa, chegamos no tema da "Tomada de Laguna". Chegamos a pensar no "Contestado" e na inauguração da "Ponte Hercílio Luz". O primeiro tema tem seus ápices apenas em dezembro, o que nos impediria de contar por agora. A segunda, não tinha personagens históricos conhecidos (apenas Hercílio Luz, que na época tinha falecido)

Sakae atualiza as redes sociais diariamente e explicou que os tuites foram todos baseados em documentos históricos (buscados na Coleção Wolfgang Rau, Arquivo Histórico do Município de Florianópolis, Arquivo Público do Estado de Santa Catarina e na Biblioteca Pública Municipal Professor Romeu Ulysséa).

- Quem mais se interessa por este projeto são os gaúchos e professores de história. Tanto que o personagem com mais followers é Bento Gonçalves (mais que Anita e Giuseppe). A lista, que inclui todos os personagens, tem 500 seguidores, um número ainda baixo, mas que esperamos aumentar quando se aproximar das grandes ações, como a tomada de Laguna e o dia que Giuseppe conhece Anita. Também precisamos disseminar a ideia de seguir uma lista, que ainda não é comum no Brasil - explica Juliana.

O projeto começou no último dia 2 de junho e se estende até o dia 15 de novembro de 2011. Nos próximos meses, os internautas poderão acompanhar a saga que ocorreu há exatos 172 anos dia a dia. É possível acompanhar tanto perfis individuais, como de Anita Garibaldi e Bento Gonçalves, quanto perfis que representam a imprensa da época. As datas e horários serão respeitados sempre que houver suficiente embasamento histórico, de maneira a montar uma narrativa "em tempo real". Um programa imperdível para quem acha que as novas mídias podem tornar a divulgação da história algo ainda mais prazeroso.

SAIBA COMO ACOMPANHAR A SAGA:


Pelo Facebook -
Você pode curtir a página do projeto (www.facebook.com/diariocatarinense) e receber as atualizações na sua página inicial) e receber as atualizações na sua página inicial.

Pelo Twitter - Você pode seguir a lista (www.twitter.com/dconline/tomadadelaguna) e receber os tuites na sua página principal) e receber os tuites na sua página principal.

Se você não tem contas no Facebook nem no Twitter, pode acessar o site no Twitter diariamente e acompanhar os eventos do dia (www.twitter.com/dconline/tomadadelaguna)

Os personagens republicanos

Giuseppe Garibaldi - Italiano conhecido por herói de dois mundos, Giuseppe Garibaldi (@gpgaribaldi) foi chamado por Bento Gonçalves (@bntgoncalves) para ajudar na Revolução Farroupilha em 1839 - principalmente por mar, especialidade de Garibaldi. É durante a #tomadadelaguna que o italiano conhece Ana Maria de Jesus Ribeiro (@anajesusr) e a transforma na mulher catarinense mais conhecida do mundo: Anita Garibaldi.

Anita Garibaldi - Ana Maria de Jesus Ribeiro (@anajesusr) nasceu em Santa Catarina e aos 14 anos casou, obrigada, com o sapateiro da Vila de Laguna. Em um casamento falido, conheceu Giuseppe Garibaldi (@gpgaribaldi) durante a #tomadadelaguna, aos 18 anos, em julho de 1839. A partir dessa época, Ana se torna Anita e acompanha Giuseppe nas lutas republicanas no sul do Brasil, no Uruguai e posteriormente na Itália.

Bento Gonçalves - Gaúcho líder da Revolução Farroupilha e presidente da República Rio-Grandense (proclamada em 1836), Bento Gonçalves (@bntgoncalves) conheceu Giuseppe Garibaldi (@gpgaribaldi) quando estiveram na prisão, no Rio de Janeiro. Bento organiza a expedição para a #tomadadelaguna e coloca David Canabarro (@dvcanabarro) como comandante das tropas terrestres e Garibaldi das frotas marítimas. Para o líder, a #tomadadelaguna era uma ação estratégica para expandir para o norte a Revolução Farroupilha.

David Canabarro - General responsável pela expedição na #tomadadelaguna, David Canabarro (@dvcanabarro) lutou pela causa republicana e comandou as tropas terrestres. Por ordem de Canabarro, Giuseppe Garibaldi (@gpgaribaldi) colocou fogo no seu próprio barco quando era atacado por barcos imperiais em Laguna e assaltou a Vila de Imaruim, em um episódio que Garibaldi relembra em suas memórias com arrependimento.

Marujo Luigi Carniglia - Italiano amigo de Giuseppe Garibaldi (@gpgaribaldi), Luigi Carniglia (@luigicarniglia) é chamado do Uruguai para reforçar a expedição a Laguna em 1839. Antes da #tomadadelaguna, Carniglia morre em um naufrágio, com outros seis marujos italianos que participam da expedição, deixando Giuseppe abalado.

Antônio Netto - Gaúcho comandante do exército farroupilha, Antônio Netto (@antnionetto) foi o responsável por proclamar a República Rio-Grandense em 1836. Como comandante, emitia ofícios e cartas com declarações de Bento Gonçalves (@bntgoncalves) sobre a proclamação da República Juliana em Santa Catarina.

Os personagens legalistas

Presidente da província de Santa Catarina - João Carlos Pardal (@presidentesc) era o responsável pela província durante o ano de 1839 e tentou coibir o avanço dos republicanos farroupilhas sem sucesso.

Comandante das tropas imperiais em Laguna - Vicente Paulo de Oliveira Villas-Boas (@celvillasboas) era o responsável pelas forças armadas na Vila de Laguna e informava representantes do Império (como o @presidentesc) dos "rebeldes" encontrados e das ideias republicanas que começavam a se espalhar no local. Comandou as tropas contra o ataque de David Canabarro (@dvcanabarro) e Giuseppe Garibaldi (@gpgaribaldi).

A imprensa

Imprensa de 1839 (@imprensa1839) - Durante a #tomadadelaguna, o assunto foi noticiado nos principais jornais da época, principalmente no jornal farroupilha O Povo (1838-1840) - escrito pelo italiano Rossetti, amigo de Giuseppe Garibaldi (@gpgaribaldi). Outros jornais, como o carioca Jornal do Comércio e O Imperialista (1839-1840) publicam notas sobre os "rebeldes" e "assassinos comandantes das tropas de Bento Gonçalves".

A narração

Diário Catharinense (@dcatharinense) - Para narrar a história e tuitar os principais eventos da época, o Diário Catharinense (com "h", como se escrevia no século retrasado) participa da saga como se existisse em 1839. Será possível acompanhar as manchetes do dia, com "fotografias" do evento, produzidas pela equipe de ilustradores do DC.



Fonte: Café História

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Moção de Repúdio - ANPUH/RS

A Associação Nacional de História - Seção Rio Grande do Sul (ANPUH-RS) reunida em Assembléia no dia 11 de junho de 2011, no Memorial do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, tomando conhecimento do descarte de acervo da Biblioteca Pública Pelotense e,


- Considerando que se trata de material relevante por seu valor histórico;

- Considerando que os documentos descartados tratam de parte importante da história de nosso Estado;

- Considerando que inúmeros pesquisadores recorriam a estes documentos para suas pesquisas acadêmicas;

- Considerando que o material descartado não passou por avaliação de especialistas, nem foi devidamente documentada;

- Considerando que não houve por parte da Biblioteca contato com outras instituições culturais para averiguação de possibilidade de recebimento do material;

vem a público manifestar seu veemente repúdio a todos estes atos, ao mesmo tempo que clama por imediatas e urgentes medidas que apurem os fatos e responsabilizem os envolvidos.

No cumprimento de seu papel na luta pela preservação e difusão das questões próprias da História, a ANPUH-RS solicita que sejam tomadas as providências que assegurem a preservação do patrimônio histórico-cultural mantido sob a guarda daquela instituição, que, embora privada, detém material de interesse público.

Diretoria da ANPUH-RS (Gestão 2010-2012)

Presidente: Zita Rosane Possamai
Vice-Presidente: Charles Monteiro
1.º Secretário: Arilson dos Santos Gomes
2.ª Secretária: Evangelia Aravanis
1.º Tesoureiro: Cláudio de Sá Machado Júnior
2.ª Tesoureira: Rejane Barreto Jardim

Conselho:

Diorge Alceno Konrad
Elisabete da Costa Leal
Véra Lúcia Maciel Barroso

Instituto Vladimir Herzog apresenta a história da imprensa que contestou a Ditadura

André Bürger

Com a proposta de resgatar a memória da imprensa alternativa e clandestina que circulou no Brasil entre 1964 e 1979, período entre o golpe militar e a anistia, o Instituto Vladimir Herzog promove o projeto ‘Resistir é Preciso’. Ao longo do ano, serão lançados dois livros, documentários, uma exposição sobre o tema e a coleção de DVDs ‘Os protagonistas dessa história’ com depoimentos de 60 jornalistas que combateram a ditadura no Brasil, produzindo jornais de contestação do regime.

A data de lançamento do projeto, dia 27 de junho, marca os dois anos de criação do instituto, uma organização sem fins lucrativos fundada em 25 de junho de 2009, que se posiciona com neutralidade político-partidária, e o 74º aniversário de Vladimir Herzog. O jornalista foi encontrado morto, em outubro de 1975, nas dependências do 2º Exército, em São Paulo. Três anos depois, em processo movido por sua família, a União foi responsabilizada pelas torturas e morte do então diretor de jornalismo da TV Cultura.

O projeto ‘Resistir é preciso’ revela a importância de 110 jornais clandestinos, 115 periódicos editados no exterior por jornalistas exilados e distribuídos no Brasil e em países de língua portuguesa. Além disso, traz também a história de mais de 400 diários alternativos, todos de grande importância, como explicou o jornalista Ricardo Carvalho, um dos coordenadores de conteúdo e de pesquisa do projeto. “Os profissionais à frente dessas publicações foram fundamentais para o processo de redemocratização do país na luta contra a ditadura militar”, comentou.

Entre os veículos estão os jornais ‘Opinião’, ‘Movimento’, ‘Brasil Socialista’, que era editado na Bélgica, ‘Cartas Chilenas’ e o ‘Voz Operária’. Este último produzido na Itália e na União Soviética pelo Partido Comunista Brasileiro. A maioria das publicações alternativas era de esquerda, normalmente com uma linha editorial mais opinativa. “Esses jornais faziam uma leitura dos grandes veículos brasileiros e das principais revistas que circulavam pelo país”, esclareceu Carvalho.

A coleção de DVDs reúne depoimentos de jornalistas de destaque como Juca Kfouri, preso em 1971 quando era chefe de reportagem da Placar; o dramaturgo e roteirista Aguinaldo Silva; o escritor Fernando Moraes que trabalhou nas redações de Veja e Folha de S. Paulo; Ziraldo Pinto, um dos fundadores do Pasquim; Reynaldo Jardim, que faleceu logo após gravar seu depoimento e Raimundo Pereira, um dos fundadores do ‘Opinião’. Posteriormente, Pereira trabalhou no jornal ‘Movimento’ e hoje edita a revista mensal ‘Retrato do Brasil’.

Para Carvalho, o projeto é uma oportunidade para estudantes de jornalismo aprenderem sobre esse período da história da imprensa no país. “Quando conhecemos a trajetória desses homens e mulheres que lutaram pela liberdade do Brasil, ficamos blindados contra qualquer ameaça futura a essa liberdade. Por isso, é fundamental que as novas gerações conheçam esse tipo de trabalho”, acredita.

Na entrevista ao Nós da Comunicação, Carvalho comentou a Lei de Acesso à Informação, que obriga órgãos públicos a prestarem informações à sociedade. “As pessoas precisam ter acesso às informações. Porque no momento que vira secreto, vira também suspeito. Se tem alguma coisa errada é preciso falar para a sociedade. Concordo que não precisa ser no ano seguinte, porque algumas questões são de segurança nacional, mas é preciso divulgar algum dia. Não existe meia democracia: ou existe ou não existe. Qualquer meio termo é palhaçada”, criticou o jornalista

Fonte: Nós da Comunicação

Fazendo história no sul do sul do Brasil!!!


Saída da turma de Passo Fundo/RS


Praça em Pelotas/RS

Túmulo do General Bento Gonçalves - Rio Grande/RS

Registros da viagem de acadêmicos do curso de História da UPF para Pelotas e Rio Grande. Os passeios guiados foram realizados pelos integrantes do grupo Photographein – Núcleo de Pesquisa em Fotografia e Educação, liderado pela profa. Cláudia Mariza Mattos Brandão (UFPel). A proposta Recantos, fotografias e Histórias do Patrimônio Artístico e Cultural do extremos sul do Brasil, projeto de extensão que contemplou a visita guiada e a produção fotográfica dos visitantes sobre as cidades de Pelotas e Rio Grande, foi extremamente interessante para os estudantes.

Agradecemos imensamente ao trabalho de Cláudia, Xênia, Chanaísa, Sílvia e Daniel pelo trabalho realizado e por instigar em todos os acadêmicos da UPF participantes da viagem um novo olhar sobre as cidades pelo viés da fotografia.

1942: Panfletos da resistência antinazista "Rosa Branca"

Hans e Sophie Scholl, do movimento Rosa Branca, foram condenados à morte pelos nazistas

A partir de 27 de junho de 1942, nas caixas de correio de grandes cidades do sul da Alemanha e da Áustria, começaram a ser distribuídos panfletos contra o regime nazista pelo movimento de resistência "Weisse Rose".

O Rosa Branca (Weisse Rose), atuante em Munique e em Hamburgo, foi o movimento de resistência de jovens alemães mais conhecido durante o Terceiro Reich. Seu núcleo era formado por universitários de 21 a 25 anos de idade, entre ele os irmãos Hans e Sophie Scholl, Alexander Schmorell, Willi Graf e Christoph Probst.

Os panfletos, que começaram a ser distribuídos nas caixas de correio de intelectuais dos grandes centros na Baviera e na Áustria, condenavam a resistência passiva contra a guerra e a opressão intelectual pelos nazistas. Os textos revelavam o alto nível cultural de seus redatores e apelavam a valores religiosos.

Nos quatro primeiros panfletos, distribuídos entre 27 de junho e 12 de julho de 1942, foram usados em profusão trechos apocalípticos da Bíblia. Os dois últimos folhetos, entretanto, tiveram um estilo completamente adverso. Em linguagem direta, apresentavam planos concretos para a Alemanha pós-guerra, dirigindo-se a todas as camadas da população.

Primeira derrota chocou a população alemã

A morte de 300 mil alemães na batalha de Stalingrado, em fevereiro de 1943, representou uma reviravolta na Segunda Guerra Mundial. A primeira derrota alemã alimentou a resistência em todas as cidades européias ocupadas pelos nazistas e ao mesmo tempo chocou a população do país.

Willi Graf, Alexander Schmorell e Hans Scholl passaram a noite pichando Abaixo Hitler e Liberdade nas paredes da universidade e de prédios vizinhos. O grupo Rosa Branca aproveitou a ocasião, publicando um novo panfleto. A estratégia era redigir os textos em máquinas de escrever, copiá-los e enviá-los pelo correio a partir de várias cidades diferentes.

Descobertos enquanto depositavam suas mensagens nos corredores do prédio principal da Universidade de Munique, os irmãos Hans e Sophie Scholl foram presos pela Gestapo, a polícia política de Hitler.

Junto com Christoph Probst, foram julgados no dia 22 do mesmo mês. Em pouco mais de três horas de julgamento, foram condenados à morte e executados no mesmo dia. Os demais membros do grupo de resistência Rosa Branca de Munique foram executados após julgamentos sumários, entre abril e outubro de 1943.
Mais indignação que ideologia

O objetivo dos panfletos era abalar a confiança dos alemães no Führer, despertar ao menos um mínimo de dúvidas sobre a veracidade da propaganda feita pelo regime e alimentar eventuais células de resistência no próprio povo alemão. O movimento surgiu menos de uma ideologia política e mais da indignação com a forma como os alemães aceitavam o nazismo e a guerra feita em seu nome.

A coragem dos membros do Rosa Branca ficou conhecida em toda a Alemanha ainda no decorrer da Segunda Guerra. O escritor Thomas Mann reconheceu seus méritos publicamente, num pronunciamento transmitido pela BBC no dia 27 de junho de 1943. Reproduções do último panfleto da resistência estudantil, feitas na Inglaterra, foram jogadas pelos aviões britânicos sobre território alemão.

Durante o segundo semestre de 1943, a Gestapo descobriu em Hamburgo um grupo de resistência que divulgava os panfletos do movimento de Munique. Dos 50 participantes, oito universitários foram condenados à morte: Hans Konrad Leipelt, Greta Rothe, Reinhold Meyer, Frederick Gaussenheimer, Käte Leipelt, Elisabeth Lange, Curt Ledien e Margarete Mrosek. (rw)

Fonte: DW-World.de

27 de junho de 1973 - Instalada a ditadura no Uruguai

O Presidente do Uruguai Juan Maria Bordaberry, com o apoio das Forças Armadas, assumiu poderes absolutos no país, dissolveu o Parlamento, implantou a censura aos meios de comunicação e criou um Conselho de Estado, composto de 10 civis e 10 militares, sob a chefia do Vice-Presidente Jorge Sapelli, com o objetivo de reformar a Constituição.

Tropas foram aquarteladas no Palácio Legislativo, cercado por tanques e soldados armados de fuzis automáticos e de metralhadoras.

As emissoras de rádio particulares foram ocupadas por militares, e as escolas de nível primário e superior tiveram as férias antecipadas. A Convenção Nacional dos Trabalhadores, em represália, decretou greve geral por tempo indeterminado.

Em discurso, Bordaberry culpou o congresso pelo golpe, alegando sua recusa em atender os pedidos de suspensão das imunidades e de julgamento político do senador esquerdista Enrique Erro, acusado de manter ligações com os guerrilheiros tupamaros.

O declínio econômico do Uruguai combinado com o clima da Guerra Fria e do impacto da Revolução Cubana levou ao surgimento do grupos de guerrilha urbana mais ativos e violentos entre os que atuaram na America Latina durante as décadas de 60 e 70.

A importãncia dos partidos políticos

O país tornou-se independente em 1828. Em 1837 nasceram os dois grandes partidos políticos uruguaios que marcaram a história do país: Blancos e Colorados. Estes partidos se alternaram pacificamente no poder por muitas décadas, mas acabaram se hostilizando, enquanto em 1971 a esquerda se unificou, e surgiu a Frente Ampla. Toda esta tensão culminou com o golpe de Estado. Bordaberry foi afastado do governo em junho de 1976, e os militares continuaram no poder até 1985, quando foi restaurada a democracia depois de 12 anos de ditadura.

Fonte: JBlog

quinta-feira, 23 de junho de 2011

23 de junho de 1978 - O julgamento das Brigadas Vermelhas

23/06/2011 - 11:09 | Enviado por: Lucyanne Mano

A Corte de Turim condenou 29 terroristas das Brigadas Vermelhas, absolveu 16 e ordenou a inclusão de Fabrizio Pelli, suspeito de integrar o grupo, em um outro processo que tramita em Milão. O julgamento dos 46 acusados de participação direta ou cumplicidade com o grupo durou 100 horas e foi realizado a portas fechadas no tribunal montado no quartel de La Marmora. A leitura emocionada da sentença, feita pelo presidente do Tribunal, Guido Barbaro, durou 15 minutos.

A soma de todas as condenações chegou a 210 anos. As maiores penas foram aprovadas contra Renato Cursio e Pietro Bassi, cada um deles condenado a 15 anos. Prevaleceu a orientação de não permitir que o processo de Turim se transformasse em um processo político. Desde o início do julgamento 10 pessoas foram assassinadas por companheiros dos terroristas julgados em Turim.

O crime mais conhecido dos brigadistas foi o sequestro e morte do presidente do partido Democrata Cristão, Aldo Moro, em 1978.

Cinco guarda-costas de Moro foram mortos durante a ação. Os sequestradores exigiam a libertação de 14 integrantes do grupo, que estavam sendo julgados em Turim. O corpo de Moro foi encontrado com vários tiros na mala de um carro depois de 55 dias em cativeiro.

O líder democrata cristão era um negociador hábil e apoiava um governo de coalizão entre o seu partido e o Partido Comunista. O assassinato chocou o país e desencadeou uma caça aos terroristas, com a colaboração dos partidos políticos, dos sindicatos e da sociedade civil italiana. Mais de 50 mil homens das três forças policiais da Itália uniram-se para caçar os sequestradores.

Primeiros ataques foram contra fábricas

As Brigadas Vermelhas surgiram em Milão, em 1969, do encontro de ex-militantes do Partido Comunista Italiano, dirigentes sindicais e estudantis, alguns vindos de meios católicos. O grupo Brigadas apresentava-se como uma rede político-militar cujo objetivo era responder com violência à opressão exercida pelo governo sobre os operários.

Os primeiros ataques dos brigadistas foram contra empresas. Os brigadistas empregavam-se como operários das fábricas para sabotar a produção industrial. Essas iniciativas evoluíram para sequestros de altos dirigentes, como o diretor da Fiat, em Turim, e o juiz Maro Sossi.

Fonte: JBlog

Há 70 anos, a Alemanha nazista invadia a URSS

Planejada desde 1933, a invasão da União Soviética pelas tropas nazistas foi lançada em 22 de junho de 1941, dando início a um dos episódios mais brutais da era moderna.

Já desde 1933, a liderança nazista se preparava para a guerra contra a então União Soviética, mas a investida, denominada Operação Barbarossa, ocorreria oito anos mais tarde. Em 22 de junho de 1941, um exército de 3 milhões de soldados marchava rumo ao leste da Europa, dando início a uma das guerras mais brutais já vistas na era moderna, uma campanha militar justificada por uma propaganda enganosa.

Não foi um ataque preventivo do exército alemão, mas um ataque que ia contra o direito internacional e contra nações e pessoas completamente despreparadas. Foi o início de uma guerra de extermínio, com genocídio e uma ocupação brutal.

O pacto de não agressão entre alemães e soviéticos, fechado quase dois anos antes, ainda valia. Mesmo assim, neste 22 de junho de 1941 foram postos em marcha três milhões de soldados alemães com tudo o que a indústria de armamento nazista possuía: tanques, aviões, armas.

Na madrugada, começava para a então União Soviética uma luta pela sobrevivência. A lenda de que Hitler teria se antecipado a uma invasão do Exército Vermelho planejada por Stalin perdurou por muitos anos. Mas não há provas históricas disso, segundo o historiador Wolfram Wette.

Império do Atlântico aos Urais

"O objetivo era conquistar a União Soviética e dizimar a população para explorar o país e, num futuro distante, colonizá-lo com alemães, criando um grande império alemão do Atlântico até os Urais", afirma o especialista.

O genocídio dos judeus do Leste Europeu e a morte em massa de civis e prisioneiros de guerra foram planejados friamente. Da elite militar, não houve resistência. Apesar da onda de propaganda, a população alemã reagiu com consternação, temendo que ocorresse uma escalada desastrosa.

Mas ninguém ainda imaginava que milhões de mortes ocorreriam do lado alemão. Juntamente com o exército alemão marcharam, também, forças dos países aliados Itália, Finlândia e Romênia.

Início do fim

Os países bálticos Belarus e Ucrânia foram simplesmente atropelados. Hitler e seus generais contavam com uma marcha rápida até a capital soviética, previam uma "blitzkrieg" de algumas semanas. Mas se enganaram.

Poucos meses após a investida, o inverno pararia as unidades alemãs antes de chegarem a Moscou. Na perspectiva atual, aquele era o prelúdio da derrota de 1945. Três milhões de soldados alemães não retornariam à terra natal.

"Mas a própria Rússia perdeu dez vezes mais pessoas. Delas, cerca de 10 milhões eram soldados do Exército Vermelho. Mais de 3 milhões eram prisioneiros de guerra russos nos campos alemães. Também 3 milhões de judeus russos foram sistematicamente assassinados pelos alemães. Cerca de 6 milhões de civis soviéticos caíram, de alguma forma, vítimas da política alemã de extermínio", ressalta Wette.

Durante décadas, a responsabilidade alemã pela guerra de extermínio no leste não era tido como um tema abordado em debate público. Os alemães se recordavam, sobretudo, do próprio sofrimento.

Além disso, persistiu por muito tempo a lenda de que o exército alemão praticou uma "guerra limpa", e que a responsabilidade pelos crimes de então fora das organizações nazistas, como as SS. Jamais a população alemã manifestou piedade pelos imensos sofrimentos do lado soviético.

Somente pesquisas de historiadores críticos, e mais tarde exposições e debates despertaram um processo de mudança nessa mentalidade. "Apesar de tudo, as relações entre alemães e russos são hoje extremamente positivas", ressalta o historiador Wolfram Wette.
Autora: Cornelia Rabitz (md)
Revisão: Roselaine Wandscheer
Fonte: DW-World.de

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O terror e as suas várias acepções

Da Revolução Francesa, passando pelos carbonários, o século XX com as guerras, e o XXI, com Bin Laden: o terrorismo foi encarado de formas até antagônicas

Rodrigo Elias

Um grupo de oito soldados judeus americanos persegue oficiais nazistas na França ocupada em 1944. Entre outras coisas, arrancam os escalpos das vítimas – depois de uma sessão de tortura que inclui surra com um bastão de baseball – e gravam suásticas nas testas dos sobreviventes com a ponta da faca. O objetivo? Espalhar o pânico entre os alemães e facilitar a vitória dos aliados. Este é o enredo de “Bastardos inglórios” (2009), filme de Quentin Tarantino. A tática de amedrontar o inimigo – neste caso, os nazistas – nos soa absolutamente legítima. Afinal, se existe um partido a ser tomado nesta disputa, com certeza não é o de Hitler e dos seus comandados.]



Mas os pontos de vista sobre esta questão podem variar de acordo com o lugar do observador. De volta à Segunda Guerra Mundial e à ocupação da França, mas agora fora do grande écran, o uso político do medo (e a guerra é a expressão máxima de uma disputa política) pode ser percebido de outra forma, mesmo que nos pareça inesperada. Nem todos os franceses aceitaram ou toleraram a invasão alemã, e organizaram uma série de movimentos e células de defesa. Estes homens e mulheres que atuaram contra os nazistas e os colaboracionistas franceses ficaram conhecidos como partisans (partidários), e La Résistence teve entre os seus membros o célebre historiador Marc Bloch (1886-1944), torturado e morto pela Gestapo. O grupo se tornou um dos movimentos mais dignos de nota na história recente da França, atuando inicialmente no anonimato, em ações de guerrilha e de propaganda. A Resistência teve um papel importante para a derrocada nazista, além de ter servido como um fator de união entre grupos antagônicos da sociedade civil francesa. Como seus membros eram chamados pelos homens de Hitler? Terroristas.

É possível notar, portanto, que o terrorismo – o uso sistemático do medo como atuação política – é um tema bastante complexo, e que a reflexão sobre ele deveria considerar duas direções: 1) o papel que o medo pode ter desempenhado na organização da sociedade ocidental (bem como na teorização sobre o surgimento do seu status político) e 2) a importância da atribuição de valor aos agentes que se utilizam deste sentimento na arena política.

No século XVIII, em uma época de profundas transformações políticas e sociais, o medo foi utilizado deliberadamente como meio para manter uma ordem política e social. Levando às últimas consequências a autoridade dos líderes da Revolução Francesa, a Convenção declarou, no dia 5 de setembro de 1793, o “Terror”. A nova ordem instaurada pelos revolucionários no poder permitia o encarceramento dos suspeitos de oposição ao regime, medida inicial que acabou se convertendo na morte de cerca de 40 mil pessoas. Os “terroristas”, como ficaram conhecidos estes líderes entre 1793 e 1794, tentavam assegurar as conquistas da Revolução contra anseios dos reacionários, que queriam o retorno ao Antigo Regime. Homens como o líder Maximilien de Robespierre, “o incorruptível”, uma vez instalados no poder, trataram as disputas políticas em termos de uma luta entre o “bem” (eles) e o “mal” (os outros). Ao fim do período do Terror, Robespierre também foi parar na guilhotina.

Tragédia do ponto de vista da humanidade, o Terror foi fundamental para a formação da máquina militar francesa que teria grandes triunfos nos anos seguintes, inclusive no período da expansão bonapartista. Expansão que, além da guerra, também levou a outras paragens instituições revolucionárias, como o governo constitucional. A partir do século XIX, estas instituições herdeiras de 1789 se configuraram nos governos liberais que se espalharam pelo ocidente, garantindo certas liberdades e, principalmente, colocando grilhões na violência do Estado. A possibilidade de eliminação do indivíduo por conta de injunções políticas não desapareceu, mas estava regulada. Até que grupos políticos organizados fora do âmbito do Estado começaram a se utilizar sistematicamente da violência como estratégia para mudanças institucionais.

Nas primeiras décadas do século XIX, vários grupos revolucionários se reuniram clandestinamente na Europa. Resgatando a experiência revolucionária francesa, associando-a a princípios políticos de esquerda consolidados logo depois, como a defesa dos extratos sociais inferiores, os “carbonários” tinham como elemento de união o ódio aos ricos. Inspirados na maçonaria, estes grupos reuniam indivíduos interessados em instaurar regimes populares, mas não acreditavam que o próprio “povo” estivesse apto a lutar politicamente por esta nova ordem. Outras organizações, chamadas pelo historiador britânico Eric Hobsbawm de “terroristas”, como os Whiteboys (“Rapazes brancos”) e os Ribbonmen (“Homens das fitas”), estiveram ativos na Irlanda entre os séculos XVIII e XIX, atuando violentamente contra os grandes proprietários.

Ao longo do século XIX, estes grupos organizados fora das estruturas formais do Estado – e às vezes francamente contrários aos seus dirigentes – e que tentavam impor uma revolução social, um objetivo justo sob muitos pontos de vista, instrumentalizaram o medo como forma de ação política. Na década de 1880, os anarquistas formularam uma estratégia chamada “Propaganda pelo Ato”. Proposta pelo russo Mikhail Bakunin e pelo teuto-americano Johann Most, consistia no uso da violência dirigida a alvos políticos estruturais. A longo prazo, o objetivo seria angariar o apoio das massas para a derrubada do sistema capitalista burguês. Ultrapassando as palavras, os atos violentos seriam um meio mais eficiente de impor uma nova realidade político-social. Outros grupos passaram a se utilizar da estratégia ao longo do século XX – como os próprios carbonários, envolvidos no assassinato do rei D. Carlos I de Portugal e do seu filho e herdeiro, o príncipe D. Luís Filipe, em 1908.

Os atos de “terror”, ações violentas “cirúrgicas” com propósitos políticos – em geral, mas não sempre, contra o status quo –, passaram a integrar definitivamente o arsenal das mais diversas correntes ideológicas. Em 1914, o sérvio Gravilo Princip, membro da organização nacionalista terrorista Unificação ou Morte (também conhecida como Mão Negra), assassinou o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono da Áustria. Era o estopim para a Primeira Guerra Mundial, que inaugurava um século de conflitos e de extremismos políticos. Ao longo deste tempo, os terroristas assumiram as mais variadas colorações, aumentaram a escala da sua ação e foram vistos de forma negativa ou positiva dependendo do contexto no qual atuaram e, principalmente, de quem os qualificava. Assim, os guerrilheiros islâmicos em atuação no Afeganistão foram chamados de “insurgentes” pelos norte-americanos quando lutavam contra a dominação soviética durante a Guerra Fria, mas seus remanescentes se tornaram “terroristas” quando a União Soviética desapareceu e o seu alvo atravessou o Atlântico.

Agindo de forma isolada, como o norte-americano Theodore Kaczynski, mais conhecido como Unabomber, que realizou atentados a bomba nos Estados Unidos entre 1978 e 1995 em protesto contra a sociedade industrial e tecnológica, ou em organizações estruturadas, como o ETA, grupo basco de orientação nacionalista e separatista que atua na Espanha, os “terroristas” conquistaram definitivamente a atenção dos meios de comunicação. Se os seus fins mais explícitos não têm sido alcançados (a sociedade capitalista industrial não parece estar em vias de recuar, apesar das seguidas crises; países latino-americanos não parecem dispostos a adotar sistemas comunistas de orientação leninista, malgrado o constante ribombar dos artefatos das facções armadas; o estado de Israel na Palestina não dá sinais de que vai desaparecer, não obstante o sangue continue a correr nas ruas de Tel-Aviv), o meio de luta tem sido um sucesso.

Em maio deste ano, após a morte do terrorista árabe Osama bin Laden, o presidente norte-americano Barack Obama afirmou que a operação foi mais um passo na luta para tornar o mundo um lugar mais seguro – uma etapa do que foi chamado de Guerra ao Terror após os atentados sofridos pelos Estados Unidos em setembro de 2001. Dias depois, em Moscou, o presidente russo Dmitry Medvedev declarou que “a eliminação dos terroristas – até mesmo pessoas em pé de igualdade com Bin Laden – tem efeito direto na segurança dentro da Rússia”. A impressão que se teve a partir de comentários deste tipo, repercutidos pela imprensa de todo o mundo, é de que o nível de insegurança (ou medo) global diminuiu. A julgar pelo histórico da questão, esta não parece uma impressão muito acertada.

Rodrigo Elias é pesquisador da Revista de História da Biblioteca Nacional

Fonte: Revista de História

A História que está na moda: divulgação científica, ensino de História e internet

Keila Grinberg, professora de história da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), discute divulgação científica, ensino de história e internet em artigo exclusivo para o Café História

Por Keila Grinberg

O advento da internet trouxe novas questões para a produção do conhecimento. Já chamada de “o quadro negro do futuro”, antes do entretenimento online e do e-commerce, ao surgir a internet foi imediatamente atrelada a possibilidades de renovação de métodos de ensino (1), mesmo que o mundo dos negócios tenha avançado bem mais rápido no uso da rede do que o da educação. De qualquer forma, aliar os avanços tecnológicos e da comunicação a novas formas de educar já seduzia professores e universidades desde pelo menos a década de 1960, com a criação das primeiras Universidades Abertas na Europa, dedicadas ao ensino à distância, mais ou menos na mesma época que a linguagem da educação em massa começava a mudar, e a ênfase na palavra “aprendizado” ganhava espaço em relação à quase démodé “ensino”.

Mas o espaço que as chamadas novas tecnologias ganharam no campo da reflexão em Educação não encontrou correspondente similar na área de História. Para além da utilização do computador como ferramenta para construção de bancos de dados, principalmente por especialistas em história econômica, quantitativa ou demográfica – procedimento feito desde a década de 1960 – até recentemente foram poucos os historiadores que se dedicaram a refletir sobre as mudanças que a rede mundial de computadores traria à pesquisa, à produção e à divulgação do conhecimento em História (2).

Como bem notou Camila Dantas, os primeiros historiadores a chegarem na internet foram os amadores, seguidos por centros universitários e instituições de memória. Atualmente, projetos de divulgação científica em História na internet, a maioria localizada nos Estados Unidos, estão mesclados a reflexões mais amplas sobre os documentos produzidos em meio digital e as novas formas de realização de pesquisa acadêmica, como o projeto Digital History, desenvolvido por Daniel J. Cohen e Roy Rosenzweig na George Mason University (3).

Hoje, a maioria das atividades de historiadores na internet é relativa à digitalização de documentos e de acervos de instituições, tanto para preservá-los quanto para torná-los acessíveis a pesquisadores e interessados que dificilmente a eles teriam acesso. No Brasil, além de instituições como a Biblioteca Nacional e o Arquivo Nacional, fundamentais na discussão pública sobre a digitalização de acervos, são importantíssimas as iniciativas de grupos de pesquisa, que vêm elaborando projetos de digitalização e disponibilização online de documentos de outro modo praticamente inacessíveis ao pesquisador.

Estes avanços na disponibilização e tratamento com fontes históricas nos coloca diante de novas e complexas questões: por exemplo, a de como preservar os documentos já criados em formato digital. Este e outros desafios certamente acompanharão o trabalho dos historiadores do futuro.

Assim, creio estarmos diante de vários desafios relativos à História, à internet e à divulgação do conhecimento científico. O primeiro é o enunciado anteriormente, que mobiliza, além de historiadores, arquivistas e cientistas da informação: o desafio da preservação da documentação, produzida em vários suportes, inclusive a própria internet.

Uma história pública?

Outro desafio é a reflexão sobre a forma como o público em geral tem dialogado com os sites que disponibilizam documentos históricos, como processos criminais, registros de batismo, fotografias, relatórios oficiais etc. Hoje é muito mais fácil, para estudantes e interessados em geral, obter informações retiradas das próprias fontes históricas, coisa que anteriormente apenas os historiadores que sabiam localizá-los no mundo real o faziam.

Neste sentido, a maior facilidade em consultar documentos de épocas e locais variados significa uma maior divulgação do conhecimento histórico? Por conta da internet, estaríamos mais perto de uma História Pública, no sentido atribuído ao termo pelo National Council on Public History, qual seja, o de tornar a História, seus procedimentos metodológicos e suas referências, mais acessíveis ao grande público?

Acredito que não. Sendo um pouco pessimista, talvez um dos efeitos de tanta facilidade de acesso, neste caso principalmente a textos, possa até ter sido o contrário: apesar de não termos estatísticas ainda a respeito, é flagrante o aumento de plágios em trabalhos acadêmicos, e não há professor universitário que não tenha uma história triste para contar da ocasião em que se sentiu um policial, procurando crimes de autoria no Google (4).

Talvez aí esteja a maior dificuldade, e ao mesmo tempo o maior desafio, que une tanto o ensino de História quanto a divulgação científica na internet. Ao invés de apenas combater o plágio – que já existia mesmo antes de serem criados os mecanismos de busca, pasmem – trata-se de evidenciar, através da internet, o processo de produção do conhecimento, a começar pela própria noção de autoria, tão discutida no âmbito da criação artística. Afinal, a acessibilidade a textos e documentos proporcionada pela rede mundial de computadores, para ser bem usada, requer conhecimentos prévios sobre confiabilidade e relevância das informações a ser obtidas na internet. Sem elas, o leitor – ou o usuário do sistema – não consegue avançar na leitura e na produção de texto (de qualquer texto, de uma tese a um comentário em um blog).

Como fazer isso? Um caminho possível é criar mecanismos que permitam ao usuário – leitor, estudante, qualquer que seja seu login – conhecer as etapas do processo de produção do conhecimento em História. Assim, saber ler documentos de época, contextualizá-los, criticá-los, cotejar as informações obtidas com outros documentos e com outros textos, verificar a procedência de informações obtidas nestes textos são alguns dos procedimentos que ajudam as pessoas a observar, analisar e classificar informações de qualquer natureza. No caso das informações de natureza histórica, isto é fundamental, tanto para os estudantes de História, quanto para os interessados no assunto.

Refletir sobre o processo de produção do conhecimento histórico talvez não seja o objetivo inicial das pessoas interessadas em História – público potencial das ações de divulgação científica – que buscam a internet como forma de aprimorar seus conhecimentos. Mas talvez esta seja uma surpresa que os historiadores podem reservar a seus leitores: além de divulgar o conhecimento produzido nas universidades, divulgar também seu processo de produção. E a internet, para isso, é um meio extraordinário. Quem sabe se, agindo desta maneira, conseguiremos começar a superar o paradoxo de lidar com uma História ao mesmo tempo tão desestimulante na escola e tão interessante na mídia?


Keila Grinberg - nasceu no Rio de Janeiro em 1971. Graduou-se em história pela Universidade Federal Fluminense (UFF), na qual concluiu também o doutorado em 2000, após um período como estudante visitante na Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. Em 2002, tornou-se professora do Departamento de História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e, desde 2004, é pesquisadora do CNPq.

Hoje, 11 livros e vários artigos e capítulos depois, a colunista continua a estudar a escravidão no Brasil do século 19, mas se dedica também à divulgação científica na área de história e ao desenvolvimento de novas metodologias para incrementar o ensino dessa disciplina nas escolas e universidades. É colunista titular da coluna “Em tempo”, da revista Ciência Hoje Online. Envie críticas, comentários e sugestões para keila@pobox.com.


Notas

(1) A expressão é do Secretário de Educação de Bill Clinton, dita em 1996, por ocasião da implementação da ligação, por telefone fixo, das salas de aula da Califórnia com a Internet. Apud Briggs, Asa & Burke, Peter (2006). Uma História Social da Mídia: de Gutenberg à Internet. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, p. 303.

(2) Ver, a respeito, Figueiredo, Luciano (1997), “História e informática: o uso do computador”, in Cardoso, Ciro Flamarion e Ronaldo Vainfas (orgs.). Domínios da História. Rio de Janeiro, Campus. Para uma história da relação entre os historiadores e a internet, ver a excelente dissertação de mestrado de Camila Guimarães Dantas. Dantas, Camila Guimarães (2008), O passado em bits: memórias e histórias na internet. Dissertação de mestrado. Rio de Janeiro, Programa de Pós-Graduação em Memória Social/UNIRIO.

(3) Camila Guimarães Dantas, op. cit., p. 50. Ver o projeto Digital History: http://chnm.gmu.edu/digitalhistory/ acessado em 02 de setembro de 2010.

(4) Ver, a respeito, o artigo de Brent Staples, “Cutting and Pasting: a sênior thesis”, publicado no New York Times em 12 de julho de 2010. http://www.nytimes.com/2010/07/13/opinion/13tue4.html?_r=1&src=me&ref=opinion acessado em 08 de setembro de 2010.

Fonte: Café História

Os Miúdos do Reino

Terça-Feira, 21/06/2011 por Mário Maestri

A “política do segredo” foi velha prática estatal lusitana. Devassamento dos mares africanos, exploração das rotas índicas, furtivas expedições ao Novo Mundo foram algumas das ações da pequenina nação, apenas conhecidas pelo rei ou, quando muito, pelos seus mais próximos válidos. Jamais escritos, alguns segredos tidos como “a alma do negócio”, eram guardados exclusivamente pelo rei.

Após a passagem de Colombo por Lisboa, na volta da América, dom João II teria enviado, sob enorme reserva, uma ou mais expedições ao Atlântico Sul, para inquirir o sentido real daquele descobrimento ameaçador. Hoje, os historiadores penam em desvendar sucessos semelhantes, devido à perda de informação cercada de múltiplos cuidados e restrições.
A rica tradição portuguesa de documentação e arquivamento nasceu do ingente esforço de conquista e domínio, de vastas e exóticas regiões e povos do mundo, pela administração estatal do pequeno reino. Uma documentação sempre restringida à consulta dos membros da alta administração.

Em Portugal, por longos e pesados séculos, Estado, nação, cidadania foram conceitos e relações sequer enunciados em mundo onde os poderosos eram, viam-se e comportavam-se como os donos dos bens materiais e imateriais. Não havia sentido em propor que miúdos, vilões, peões, menesteriais, para não falar de judeus, pretos e mouros, acessassem informação sobre os negócios de reino no qual, no máximo, eram os degraus mais baixos, os assoalhos mais usados.
Essa situação habitual no mundo europeu entrou em crise com o fim do Antigo Regime e as lutas sociais sacralizadas em 1789, 1831, 1848, 1871, 1917, que engendraram a idéia de Estado ao serviço e sob controle da população nacional, com a conseqüente transparência e publicidade dos atos públicos. Através da Europa, os arquivos começaram a abrir-se, com algumas restrições, heranças de passado que se negava e se nega a morrer.

No Brasil, há enorme continuidade entre o Estado colonial, imperial e republicano. Entre nós, a chamada cidadania manteve-se – antes mais, hoje apenas menos –, como ser social administrável e jamais sujeito real de seus destinos. Os de baixo seguem sendo vistos e usados como objetos a serviços dos de cima e o Estado, domínio dos donos das riquezas e do poder.
Se assim não o fosse, como conceber o arbitramento somítico de salário mínimo, que mantém na miséria triste multidões de nacionais, ao lado da obesidade mórbida dos estipêndios e ganhos de parlamentares, empresários, proprietários, etc. Ou a situação de nossas prisões, cloacas habitadas por pobres e negros, levantadas à sombra das prebendas e palácios principescos dos dignitários da Justiça. Ou, até mesmo, os salários de universitários bem colocados, em comparação com os estipêndios miseráveis dos mestres do ensino básico!

O acolhimento das restrições ao projeto de liberdade de consulta dos documentos públicos registra mais do que a fragilidade da administração Dilma Rousseff às pressões conservadores, ao igual do ocorrido quanto aos direitos civis, à política internacional, ao código florestal, à remuneração do capital. O acolhimento das restrições exigidas sobretudo pelo Itamaraty e pelo alto comando militar, através de dois senadores vestais, José Sarney e Fernando Collor de Mello, demarca pedagogicamente o Estado brasileiro como ente autônomo aos direitos e à vontade da grande população. Nesse desvairado século 21, seguimos sendo os miúdos no eterno reino dos grandes e ricos morubixabas.

Fonte: O Nacional

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Um novo conceito para a Historiografia - entrevista com o historiador José D'Assunção Barros

José D'Assunção Barros é o primeiro historiador a ser entrevistado pela Rede Histórica. Autor que transita em diversos campos de estudo, destaca-se nas áreas de Teoria e Metodologia da Histórica. Professor da UFRRJ, lançou recentemente pela Editora Vozes quatro volumes de Teoria da História: princípios e conceitos fundamentais (volume I), os primeiros paradigmas: historicismo e positivismo (volume II), os paradigmas revolucionários (volume III) e acordes historiográficos: uma nova proposta para a teoria da história (volume IV). Confira a entrevista concedida via e-mail (ao final da leitura é possível fazer o download em PDF):

Rede Histórica: O primeiro volume procura apresentar os conceitos fundamentais da Teoria da História. Quais são esses conceitos? Que papel desempenham na formação de um historiador (a)?


José D’Assunção Barros: Para trazer mais consistência à resposta que darei a esta pergunta, gostaria de lembrar, antes de mais nada, que a Teoria da História não é apenas uma mera instância para ser instrumentalizada pelos historiadores nas suas diversas áreas de estudo e nas suas pesquisas. A Teoria da História, além de ser isto em um dos seus sentidos, é também uma área específica de pesquisa e reflexão dentro da História: uma área que estuda, analisa e problematiza o trabalho dos historiadores, suas maneiras de ver e fazer a história, os modos como eles escrevem as suas narrativas e desenvolvem as suas análises, os tipos de associações que os historiadores estabelecem entre si.

Compreendido este sentido mais amplo para a expressão "Teoria da História" (e esta expressão já é ela mesma um dos conceitos fundamentais para este campo), é preciso também ressaltar que a expressão "teoria da história" também pode ser utilizada para designar cada um dos diversos modos de conceber a história como modalidade específica de conhecimento, de maneira que se pode dizer que existem diversas "teorias da história" ou "paradigmas historiográficos".

As "teorias da história" neste sentido mais específico (de paradigmas) devem ser bem distinguidas das "filosofias da história", uma questão à qual me dedico em um dos capítulos deste primeiro volume. Também considerei muito importante esclarecer as implicações de a História ser concebida como uma disciplina científica, isto é, como um "campo disciplinar" (este é, aliás, um conceito importante com cuja discussão eu praticamente abro o livro). Além disto, o esclarecimento sobre a distinção entre “Teoria” e “Método” foi outro ponto fundamental desta primeira parte da obra.

Sobretudo, para fixar alguns conceitos operacionais com vistas à tarefa de analisar o trabalho dos historiadores da nossa época e das anteriores, concluí que era muito importante discorrer sobre os conceitos de "paradigma", "matriz disciplinar", "escola histórica", "campo histórico". A cada um destes conceitos eu dedico uma discussão importante no primeiro volume da minha coleção Teoria da História, uma vez que eles são necessários para a tarefa à qual me dedico nos demais volumes, a saber: a de abordar o desenvolvimento da historiografia e o trabalho dos inúmeros historiadores, com suas formas específicas de conceber e fazer a história.

Rede Histórica: Quais são as diferenças e semelhanças entre Teoria da História e Filosofia da História? Como distinguir Teoria de Método?

José D'Assunção Barros: Estas delimitações são ambas muito importantes para a compreensão desta área de estudos que é a Teoria da História. Começarei a falar da segunda, pois ela é de caráter mais geral.


No primeiro volume da minha coleção Teoria da História, eu procuro mostrar que uma Teoria – inclusive em vista da própria etimologia da palavra – relaciona-se a um certo modo de “ver” as coisas. “Ver”, aqui, deve ser entendido não apenas no sentido de olhar ou contemplar, mas sobretudo no sentido de “conceber” algo, de entender de determinado modo algum aspecto da natureza, da realidade ou relacionado aos diversos campos de saber. Por exemplo, quando me refiro a esta ou àquela teoria sobre o processo histórico de “descolonização” que ocorreu no século XX, ou quando enumero as diversas teorias que existem acerca do “Nazismo” ou sobre a eclosão de revoluções no período moderno, estou me referindo aos diferentes modos como estes fenômenos têm sido vistos pelos historiadores e cientistas políticos. Os físicos também têm inúmeras teorias sobre os diversos fenômenos pertinentes aos seus campos de estudos, assim como os químicos, os biólogos, os antropólogos e tantos outros praticantes de campos específicos do conhecimento. É importante também ressaltar que não existe apenas uma teoria para cada fenômeno ou assunto, mas inúmeras teorias sobre cada elemento a ser estudado em cada qual dos vários campos de conhecimento. Vale dizer, para cada aspecto da realidade, fenômeno ou processo histórico, existem diversas maneiras de concebê-los.

Agora vamos entender o que é a “Metodologia”. Se a “Teoria” relaciona-se ao verbo “ver”, a Metodologia relaciona-se ao verbo “fazer”. A Metodologia surge quando você tem uma tarefa específica a ser realizada. Particularmente, a metodologia surge quando entram em cena os procedimentos de pesquisa, a necessidade de lidar com informações de forma mais sistemática, e inúmeras outras operações. Para os historiadores, metodologia está muito ligada a fontes históricas, em vários níveis de ação. Para constituir minhas fontes de estudo – a partir das quais conseguirei enxergar uma sociedade ou processo histórico – preciso de metodologia. Para analisar este ou aquele tipo de fontes, preciso novamente de metodologia. Para comparar resultados possibilitados por diversos níveis de análise, preciso de mais metodologia. Há mesmo metodologias para expor resultados de uma pesquisa (por exemplo, gráficos que sintetizam informações e tendências). A Metodologia, enfim, liga-se ao “fazer”. Ver e fazer – ou “Teoria” e “Metodologia” – são dois gestos fundamentais para os praticantes de qualquer tipo de conhecimento: dois gestos que na verdade se interligam, que interagem um com o outro, mas que correspondem cada qual a um domínio específico, por assim dizer. Juntos, teoria e metodologia constituem os alicerces principais da constituição do conhecimento científico.

A distinção entre “filosofia da história” e “teoria da história” é mais sutil. Quando contraponho estas duas expressões – o que fiz no segundo capítulo do primeiro volume da coleção Teoria da História – estou entendendo “teoria da história” no sentido mais específico: ‘teoria da história’ como qualquer uma das diversas maneiras de conceber o conhecimento histórico, sua natureza, as funções do historiador. Soa grandes “teorias da história”, neste sentido, o Positivismo, o Historicismo, o Materialismo Histórico. A expressão, neste nível de sentido, também pode ser substituída por uma outra: o conceito de “paradigma”.

O que ocorre com as diversas “teorias da história” – ou com os diversos modos de conceber a História como um campo específico de conhecimento – é que elas são grandes espaços coletivos de pensamento construídos pelos historiadores e filósofos que pensam de uma mesma maneira em relação à história. Por exemplo, os historicistas concebem a História, como campo de conhecimento, de um determinado jeito, a partir de determinados princípios e pressupostos, assim como os materialistas históricos. As teorias da história começam a surgir no século XIX, precisamente quando a História começa a ser postulada como um saber cientificamente conduzido.

Já as “filosofias da história” eram realizações específicas de certos filósofos. Por exemplo, temos a filosofia da história de Kant, a filosofia da história de Hegel, e assim por diante. É interessante notar que as filosofias da história acabam sendo construções pessoais deste ou daquele filósofo, e não um universo comum a inúmeros pensadores que enxergam a História de maneira análoga, tal como ocorre com as teorias da história.

Um outro ponto de contraste entre ‘filosofias da história’ e ‘teorias da história’ é o fato de que as primeiras são essencialmente especulativas: tentam imaginar ou propõem a ideia de que o desenvolvimento da história vai conduzir a determinado ponto. Em uma palavra, são “teleológicas”. O sentido da história é o principal interesse de uma “filosofia da história”. Já uma “teoria da história” não está interessada, rigorosamente falando, em especular sobre o fim da história ou sobre os desígnios secretos que a movem. Uma “teoria da história” concentra-se na tarefa de fornecer aos historiadores instrumentos conceituais e teóricos para compreender as coisas que aconteceram ou que estão acontecendo. Por exemplo, o Materialismo Histórico, se o compreendermos como uma das muitas “teorias da história” disponíveis aos historiadores, disponibiliza aos que querem pesquisar e refletir sobre a história um certo conjunto de conceitos fundamentais, como o de “classe social”, “luta de classes”, “modo de produção”, e também determinados modos de ver a história, como por exemplo a ideia de que a história é principalmente feita não por indivíduos, mas por grandes grupos humanos que são as classes sociais. Também é importante ter em vista que uma “teoria da história”, depois que é fundada por um ou mais autores, passam a ser espaços coletivos de reflexão, para os quais todos podem colaborar com desenvolvimentos posteriores. Por exemplo, não posso alterar a “filosofia da história” de Kant, mas posso contribuir com aportes teóricos para o Historicismo ou para o Materialismo Histórico.

Rede Histórica: Que lugar Positivismo e Historicismo ocupam hoje na formação de um historiador (a)?

José D'Assunção Barros: Positivismo e Historicismo são os primeiros paradigmas clássicos, por assim dizer, da historiografia. Eles surgem precisamente como as duas alternativas que se colocam para os historiadores naquele momento, que se dá no trânsito do século XVIII para o XIX, no qual a História passa a postular um estatuto de cientificidade, um lugar nas cadeiras universitárias, e uma identidade profissional para este estudioso especializado que será o historiador. Algumas décadas depois, surgiria o terceiro paradigma clássico: o Materialismo Histórico.

Com relação ao Positivismo e Historicismo, e a quaisquer outros paradigmas, eles seguem adiante no tempo como possibilidades para os historiadores, inclusive de hoje, oferecendo-lhes possibilidades específicas de conceber a História como campo de conhecimento. É verdade que o Historicismo encontrou mais eco na historiografia contemporânea do que o Positivismo, que em contrapartida ainda sobrevive bem em algumas das demais ciências sociais. Isso se dá, em meu entender – tal como esclareço nos capítulos dois e três do Volume II da coleção Teoria da História – em vista dos modos divergentes como um e outro destes paradigmas encaram o problema da ‘Objetividade e Subjetividade’ na produção do conhecimento histórico.


O Historicismo foi tendendo a consolidar cada vez mais a noção de que o trabalho dos historiadores é interpenetrado em diversas instâncias pela subjetividade humana. As sociedades que o historiador analisa seriam, para o Historicismo, singulares, e as fontes históricas produzidas pelos homens do passado são atravessadas seja por subjetividades pertinentes a estas sociedades singulares, seja por subjetividades concernentes aos autores ou produtores destas fontes (por exemplo, um texto escrito em uma época remota foi escrito por alguém, atravessado por subjetividades várias, portador de interesses diversos, pertencente a determinada classe social ou instituição, envolto por certas circunstâncias). Ora, com o tempo, os historicistas passaram a dirigir este modo de enxergar o mundo humano – circunstanciado, relativizado, problematizado – para si mesmos, isto é, para entender que os historiadores também eles são atravessados por intersubjetividades. Enfim, um historiador é tão histórico quanto as suas fontes.

Essa é a pedra de toque que faz do Historicismo um paradigma mais atualizado para a historiografia atual do que o Positivismo. A consciência crescente sobre a historicidade de qualquer coisa, e sobre a relatividade de qualquer ponto de vista, permitiu que o Historicismo encontrasse seus próprios espaços de renovação no seio das sociedades contemporâneas, um pouco mais que o Positivismo – que, em contrapartida, ainda é um paradigma bem presente nas ciências sociais que lidam prioritariamente com métodos quantitativos e com a crença em leis gerais e universais que regeriam os desenvolvimentos humanos.

Posto isto, conhecer muito bem as proposições destes dois paradigmas antagônicos – o Historicismo e o Positivismo – é sempre muito importante para os historiadores em formação, sobretudo porque o confronto entre estes dois paradigmas permite enxergar com especial luminosidade o problema da ‘Objetividade e Subjetividade’ na produção do conhecimento histórico. Foi por isso que escolhi para tema transversal do ‘volume 2’ da coleção Teoria da História – que trata do Positivismo e do Historicismo – a reflexão sobre esta questão de fundo: o jogo entre objetividade e subjetividade no trabalho do historiador. No limite o reconhecimento do peso das intersubjetividades nas elaborações historiográfica pode levar ao relativismo extremado, que é discutido no terceiro capítulo deste mesmo volume.

Rede Histórica: No terceiro volume nos encontramos com Marx e Nietzsche. De que forma eles revolucionaram os estudos históricos? Ainda são vozes que ecoam na historiografia brasileira?

José D'Assunção Barros: Uma escolha de algum modo audaciosa, na organização da coleção Teoria da História, foi a de partilhar o mesmo ‘volume 3’ entre as reflexões sobre Marx e Nietzsche – ou, mais especificamente, sobre o Materialismo Histórico e sobre este outro paradigma que chamei de “Paradigma da Descontinuidade” – e de qualificar a ambos, por fim, como “paradigmas revolucionários” (este terminou, aliás, por se tornar o subtítulo do volume).

Disse que há certa audácia nesse gesto de aproximar os dois autores a partir do subtítulo de “paradigmas revolucionários” porque, frequentemente, os cultuadores de um e de outro destes grandes filósofos se estranham mutuamente. No entanto, tanto Marx como Nietzsche são revolucionários para a história por terem instituído dois paradigmas que questionam certos valores estabelecidos que não eram nem de longe colocados em cheque pelos historiadores e pensadores de sua época. Além disto, e é este ponto que considero revolucionário nos dois autores, eles começam a fazer uma nova pergunta, embora cada um a responda de uma maneira diferente. “Qual a utilidade da História para a vida?”. Esta é a pergunta que ressoa tanto em Marx como em Nietzsche, e que fundam de certo modo duas novas perspectivas.


A pergunta, em Marx, encontra como resposta a ideia de que o historiador deve contribuir para a transformação da sua realidade – e, no caso, de sua realidade social. Deste modo, a História encontraria uma utilidade muito específica para a Vida, contribuindo para redirecionar o destino da humanidade ao propor um novo modelo de sociedade que só poderia ser alcançado através do desenvolvimento da própria história. A contribuição de Marx, todavia, vai muito além desta proposta política que mais tarde ficaria conhecida como “marxismo”. Aliás, uma das primeiras preocupações do capítulo sobre o “Materialismo Histórico” é a de distinguir este do “marxismo”, e também do pensamento “marxiano” (o pensamento específico de Karl Marx). O Materialismo Histórico é um paradigma historiográfico, uma certa maneira de ver e de conceber a história. O marxismo é um programa de ação política. E, quando digo que há ainda uma terceira coisa que é o pensamento “marxiano”, refiro-me ao fato, ao qual retorno no último capítulo do ‘volume 4’, de que há elementos da identidade teórica de Marx que não podem ser confundidos como traços inerentes ao Materialismo Histórico (por exemplo, o ateísmo, que era importante para Marx, não é um traço obrigatório do paradigma do Materialismo Histórico, tal como discuto no ‘volume 4’, e nem mesmo do programa marxista de ação política, tal como o demonstra a Teologia da Libertação e outros movimentos que são ao mesmo tempo religiosos e de inspiração marxista).

De todo modo, Marx (e Engels) – ou, mais especificamente, o Materialismo Histórico – foram revolucionários porque trouxeram à História um novo olhar teórico-metodológico: o de que os verdadeiros agentes da história não são os indivíduos, mas sim as classes sociais. Além disto, Marx desloca o olhar dos meros acontecimentos políticos para as realidades econômico-sociais, revolucionando também as possibilidades de escolhas dos objetos historiográficos. Até hoje repercute nos historiadores esta lucidez que rompeu com o padrão historiográfico tradicional e permitiu perceber que a história não corresponde apenas aos acontecimentos políticos, mas também às instâncias sociais, econômicas, culturais, e todas as outras.

Neste ponto, acho importante lembrar que Nietzsche foi igualmente revolucionário para a historiografia. Ele chamou atenção para questões muito importantes, das quais os historiadores não costumavam se aperceber em sua época. Uma delas era a “ilusão do Progresso” – essa ideia de que a humanidade caminha necessariamente, de maneira linear e contínua, em direção ao melhor, e de que, no fim de tudo, um paraíso nos espera. A essa ilusão iluminista, nem mesmo Marx pôde resistir – já que também ele esperava encontrar, depois de muita luta, o seu paraíso no fim da história: no caso, um mundo socialista. Esta leitura iluminista da história, linear e progressiva, foi questionada severamente por Nietzsche, que chamou atenção para o fato de que a história é construída a cada segundo, implicando tomadas de decisão e escolhas que não levam a lugares pré-determinados, e que, portanto, trazem uma incontornável responsabilidade a todos os homens que estão inarredavelmente mergulhados na história.

Nietzsche percebeu que os historiadores de sua época, e de outros tempos, reforçavam esta ilusão e costumavam falsificar a história (por vezes de modo não-consciente) construindo uma narrativa que simulava linearidade e progresso, além de enfatizar a ideia de que “o que aconteceu, aconteceu assim porque não podia ser de outro jeito”. Ao construírem as suas narrativas fechadas e únicas, os historiadores selecionavam para a posteridade certos aspectos da história e deixavam que muitos outros se perdessem no vasto oceano histórico, além de embarcarem ingenuamente no cotejo triunfal dos vencedores. Walter Benjamin, um materialista histórico que também deixa ressoar em si o “Paradigma da Descontinuidade”, irá chamar a estes materiais e processos esquecidos de “centelhas perdidas” – as quais os historiadores despertos deveriam se dedicar a recuperar para pô-las a brilhar à luz de um novo presente, capaz de contribuir para lhes trazer uma nova luminosidade. Isto seria pôr a História ao serviço a Vida, uma vez que as centelhas recuperadas também poderiam, em contrapartida, contribuir para transformar o próprio Presente e mesmo mudar o Futuro.

Até hoje algumas das contribuições de Nietzsche estão em pauta na historiografia. A História precisa ser crítica (questionar os poderes estabelecidos e os automatismos vigentes). Deve ser pensada polifonicamente (não deve ser exibida como um canto gregoriano linear e monódico, mas sim como uma sinfonia extremamente complexa e exuberante, para cuja orquestração se conclama o papel de um “historiador-artista”, muito mais do que um “historiador-cientista”). Por fim, Nietzsche viu com especial clareza que tudo é histórico, e que não existem valores eternos, transcendentes, imutáveis. E, claro, Nietzsche chamou atenção para o fato de que a História precisava, acima de tudo, servir à Vida.

Marx e Nietzsche, de alguma maneira, são ‘filósofos do despertar’, que procuraram sacudir os homens de sua época do sono que os envolvia. Suas contribuições repercutem até hoje, também entre os historiadores brasileiros. Mas gostaria de lembrar que, embora eu tenha discorrido nesta resposta a respeito de Marx e Nietzsche, já que a pergunta os mencionou diretamente, o terceiro volume de Teoria da História não trata apenas destes dois autores, mas sim dos paradigmas historiográficos que eles fundaram ou ajudaram a fundar. Abordo mais o paradigma do Materialismo Histórico do que a contribuição específica de Marx (que, por seu turno, terá um lugar especial em um dos capítulos do ‘volume 4’). Conforme disse antes, os paradigmas, ou as “teorias da história”, são construções coletivas. Uma vez fundado ou sugerido um novo modo de ver as coisas, este passa a constituir um paradigma que, a partir daí, passa a ser elaborado e reelaborado a muitas mãos. O Materialismo Histórico foi beneficiado por inúmeras contribuições – como as de Gramsci, Thompson, Lukács, Walter Benjamin, e tantos outros – e o paradigma da ‘Descontinuidade’ foi se consolidando a partir de contribuições importantíssimas como a de Foucault e outros mais. Eu discorro sobre todos estes autores, e, sobretudo, acerca da contribuição de cada um deles para os paradigmas em questão.

Na historiografia brasileira, respondendo à segunda parte da pergunta, as vozes de todos estes autores são muito ressonantes. O historiador brasileiro é essencialmente acórdico – para já mencionar um conceito que será importante no ‘volume 4’ da coleção – e muito habitualmente agrega de forma criativa as mais diversas contribuições e influências. Considero a historiografia brasileira uma das mais ricas do planeta, apesar de não receber o mesmo apoio que os historiadores recebem em alguns países como os da Europa e como os Estados Unidos da América. Percebo um diálogo muito intenso, na historiografia brasileira, com autores como os da escola inglesa do materialismo histórico (Edward Thompson, Hobsbawm e outros), com a Escola de Frankfurt (Adorno, Marcuse e os demais), com a vasta contribuição de Foucault, e com os micro-historiadores italianos – isto sem falar, é claro, na ressonante influência de diversos historiadores ligados à Escola dos Annales e à Nova História. Mas percebo que estas influências são retomadas de formas muito criativas pelos nossos historiadores. Pretendo falar destas ressonâncias no ‘volume 5’ da coleção Teoria da História, ainda por escrever.



Rede Histórica: O que significa ser um “historiador acórdico”? Esse conceito sugere um relacionamento com a música aos moldes daqueles que os historiadores possuem, por exemplo, com a filosofia e a literatura?

José D'Assunção Barros: Utilizei esta expressão na resposta anterior apenas para expressar a minha opinião de que os historiadores brasileiros são muito ricos na assimilação de influências e contribuições diversificadas nos seus trabalhos, pondo-as a dialogar de maneira criativa e coerente, mas sem produzir gratuidades e inadequações. Trabalham com a mesma habilidade e desenvoltura que precisa ter um músico ao compor suas composições musicais.

Na verdade, eu sustento no ‘volume 4’ que a maioria dos pensadores – historiadores, filósofos, antropólogos, sociólogos, e tantos outros – constrói a sua identidade teórica de maneira acórdica. Isto é, cada pensamento autoral é complexo, tem a sua singularidade, beleza e eficiência próprias, como acontece com um belo acorde musical. É uma metáfora de trabalho que serviu de guia para todo o quarto volume da coleção Teoria da História. Criei com isso um novo conceito para análise da historiografia (isto é, do trabalho dos historiadores de nossa época e de todas as épocas). Esse conceito é o de “acorde teórico”: um recurso teórico-metodológico que esclareço logo na abertura do quarto volume da coleção.

O recurso do “acorde teórico”, conforme postulo, também poderia ser utilizado para analisar o pensamento autoral de filósofos, antropólogos, psicólogos ou outros pensadores. Mas eu os utilizo especificamente, neste livro, para analisar o pensamento autoral e a produção bibliográfica de historiadores e filósofos da história (filósofos ou outros pensadores que pensaram sobre a história em alguns momentos de sua trajetória intelectual). Examino autores como Walter Benjamin, Ranke, Droysen, Max Weber, Paul Ricoeur, Koselleck, e Marx, além de pequenos comentários com análises mais rápidas sobre inúmeros outros historiadores e filósofos. Este é o objeto do quarto volume da coleção Teoria da História.


Rede Histórica: Para finalizar, poderia nos dar mais detalhes sobre esse novo conceito?

José D'Assunção Barros: A ideia do “acorde teórico” – um recurso para apreender metaforicamente uma complexidade autoral – ocorreu-me em vista da necessidade de resolver um problema que surgiu com o paciente estudo e esforço de síntese aos quais me entreguei nos volumes anteriores.

Disse, em outro momento, que um dos principais conceitos utilizados para delinear a identidade teórica de um historiador é o conceito de “paradigma”. De fato, este é um conceito útil e interessante para a Teoria da História. Um “paradigma” é um certo modo de ver (conceber) e fazer a História. Apenas para mencionar três paradigmas bem conhecidos (mas que não são os únicos), posso citar o Positivismo, o Historicismo e o Materialismo Histórico. Examinei os dois primeiros no ‘volume 2’ da coleção Teoria da História, e o terceiro no ‘volume 2’.


Quando organizamos a vasta produção historiográfica em paradigmas e correntes teóricas, conseguimos aproximar os historiadores uns dos outros, verificar quais tem afinidades entre si, quais trabalham com conceitos análogos e sustentam concepções parecidas sobre a História. Os historiadores têm se reconhecido nos paradigmas, e outras vezes os classificamos no interior de um determinado paradigma, mesmo sem que este ou aquele autor tenha se autoidentificado com o paradigma em questão durante a sua vida. De todo modo, o conceito de paradigma é bastante útil. Por exemplo, inúmeros historiadores se apresentam como ligados ao paradigma do Materialismo Histórico, a outros podemos qualificar como historicistas, e assim por diante. Procurei nos volumes iniciais da coleção esclarecer os fundamentos de cada paradigma, ou repensar como cada um destes paradigmas responde a determinadas questões.

No quarto volume, eu pretendi realizar um exercício de historiografia – um mergulho em maior profundidade na obra de alguns autores específicos, de modo a apreender a singularidade de cada um. Foi aí que surgiu o problema.

Quando examinamos um autor específico, podemos tentar situá-lo no interior de um certo paradigma. Frequentemente isso dá certo em alguma medida. Por exemplo, ninguém negará que Edward Thompson ou Eric Hobsbawm são historiadores ligados ao paradigma do Materialismo Histórico, uma vez que eles trabalham com uma concepção de história que privilegia a combinação fundamental de “dialética”, “materialismo” (no sentido proposto por Marx) e “historicidade radical”. Além disso, examinam a história como “luta de classes” (um conceito importante para esse paradigma que é o Materialismo Histórico). Estes e outros aspectos trazem pontos comuns a inúmeros autores que podem ser qualificados como relacionados ao Materialismo Histórico. O educador brasileiro Paulo Freire, por exemplo, auto identificava-se com o Materialismo Histórico, e também o filósofo alemão Walter Benjamin.

Mas aqui surge o problema. Paulo Freire não era apenas materialista histórico: ele também era católico. Ser católico era um traço tão importante da sua identidade quanto ser materialista histórico. Walter Benjamin, por exemplo, que também se identificava com o paradigma do Materialismo Histórico, tinha como outro dos traços importantes de sua identidade teórica um “messianismo judaico”, e percebemos no seu estilo de escrita uma influência de Nietzsche – o que, aliás, também ocorre com outros autores que dele se aproximaram através da famosa Escola de Frankfurt, tais como Adorno ou Marcuse. Estes autores também incorporavam em sua identidade teórica uma influência importante de Freud. Estou dando alguns exemplos diversos de modo a trazer a nu o problema contra o qual eu me defrontava. Os pensadores dos vários campos de saber, inclusive os historiadores, são complexos. Quando buscamos ajustá-los aos inúmeros paradigmas teóricos pertinentes aos diversos campos de conhecimento, percebemos que, embora eles possam se sintonizar com um paradigma ou outro, não cabem inteiramente ali.

Há casos mesmo em que podemos perceber que determinado autor responde a certas perguntas conforme a tendência expressa por um paradigma, e outras perguntas conforme outro paradigma. Por exemplo, Max Weber geralmente responde como um “historicista” às questões sobre o reconhecimento das intersubjetividades humanas; mas, por outro lado, acreditava na possibilidade de atingir certa forma de neutralidade científica de uma maneira que se aproxima muito do modo como os “positivistas” se colocam diante desta questão. Por isso, alguns autores chegam a dizer que Max Weber é “meio” historicista e “meio” positivista, ou que este sociólogo-historiador se coloca a meio caminho entre estes dois paradigmas.

Poderia seguir enumerando muitos casos. Paul Ricoeur tem o Historicismo como um traço importante de sua identidade teórica, mas igualmente importante neste autor é a influência do Existencialismo, e outra influência fundamental é a da Fenomenologia, particularmente a partir de uma assimilação da contribuição de Husserl. Ao historiador Droysen, dificilmente podemos deixar de classificar como “historicista”; mas além disso, ele possui outra nota de influência importante que é a do “hegeleanismo”. Ranke, um historicista anterior, já não tinha esta nota, e percebe-se mesmo uma clara rejeição de Hegel em seu trabalho. O filósofo Fichte está presente como uma influência importante em Ranke; mas também aparece de alguma maneira como um dos autores que ajudaram Karl Marx – o primeiro materialista histórico – a compor a sua identidade teórica (além de Hegel, Feuerbach, e vários outros).

Com isto, eu estou querendo mostrar que os pensamentos autorais são complexos. Não basta classificar um autor no interior de um paradigma, como se este fosse um compartimento no interior do qual encontrará os seus pares. Como resolver o problema da necessidade da apreensão da complexidade autoral de um historiador ou de um filósofo, por exemplo?

Foi aí que me surgiu a ideia do “acorde”. Na Música, um acorde é um som composto de outros sons. Diversas notas, que existem isoladamente, podem ser incorporadas em um “acorde” e adquirir um novo sentido musical. Esse som complexo, que traz tanta beleza à Música, é o acorde, e é importante ainda lembrar que uma única nota musical também pode carregar dentro de si sonoridades secretas (não perceptíveis pelo ouvido humano, a não ser sob a forma de timbres), que são chamadas de “harmônicos”. De todo modo, qualquer bom ouvinte de música pode perceber claramente a combinação de várias notas para formar um acorde. Ademais, a música é composta por sucessões de acordes, o que também é uma ideia interessante para o objetivo que eu tinha de incorporar esta noção à análise historiográfica.

A noção de “acorde” também aparece, diga-se de passagem, em outros campos de práticas e saberes. A arte da “perfumaria” baseia-se na ideia de que um bom perfume deve ser composto de um acorde formado por vários cheiros. Na “enologia”, um bom vinho pode ser composto por um certo extrato de uvas, mas ao mesmo tempo “harmonizado” por outros elementos – e até mesmo o barril de carvalho que o acolhe irá contribuir para o resultado final que se expressará sob a forma de um certo sabor singular e complexo que terá cada vinho.

Comecei a trabalhar com a ideia de que os pensamentos autorais – ou as identidades teóricas de um historiador, filósofo ou sociólogo – poderiam ser igualmente representáveis pela ideia do “acorde”. Um autor é quase sempre complexo: sua identidade teórica comporta influências autorais várias, traços específicos que singularizam seu pensamento, tendências a examinar certas temáticas. Podemos pensar autores – historiadores ou filósofos da história, por exemplo – a partir da metáfora do “acorde teórico”. Este é o projeto do ‘volume 4’ da coleção Teoria da História. Chamei a este volume de “acordes historiográficos”.

Anteriormente, comentei que o “ateísmo” de Karl Marx era uma nota singular do pensamento deste autor, mas não necessariamente um componente do paradigma do Materialismo Histórico, que Marx fundou com Engels em meados do século XIX. À luz do conceito de “acorde teórico”, podemos formular a ideia de que a base do pensamento de Marx é a tríade que caracteriza o paradigma do Materialismo Histórico (dialética, materialismo, historicidade radical). Mas, seguindo adiante, veremos que Marx não é só isso, pois sua identidade teórica também é composta por outros traços – tais como o “ateísmo” ou o finalismo socialista, além dos inúmeros autores que nele ressoam de uma maneira ou de outra. Podemos pensar em um “acorde-Marx”, por exemplo, e também reconhecer mudanças acórdicas que distinguem o “jovem Marx” do Marx da segunda fase (afinal, como disse antes, a Música nos oferece também o exemplo dos acordes que se sucedem: uma imagem que também pode ser incorporada para apreender a dinamicidade de uma determinada trajetória autoral).

Ousei encerrar o ‘volume 4’ de Teoria da História com uma análise acórdica sobre o pensamento historiográfico de Karl Marx, depois de ter examinado nos capítulos anteriores Walter Benjamin, Ranke, Droysen, Max Weber, Paul Ricoeur e Koselleck, além de entretecer comentários mais breves sobre outros autores como Foucault, Kierkegaard, Benedetto Croce e outros mais.

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Fonte: Histórica