terça-feira, 31 de maio de 2011

31 de maio de 1962 - A execução de Adolf Eichmann

31/05/2011 - 00:00 | Enviado por: Lucyanne Mano

"Diz-se que etmologicamente o nome Eichmann significaria o mesmo que o Everyman do poema inglês: isto é, Cada Homem, ou melhor, Todos os Homens. Seja como for, a terrível verdade é que um pouco de Cada Homem foi enforcado com Adolf Eichmann. Como um pouco de Cada Homem suicidou-se com Adolf Hitler. Num caso e no outro, foi punido e puniu-se o que há de mais sinistro no ser humano. Mas, por outro lado, não um pouco, porém muito, de cada um de nós, do que temos de maior e melhor foi assassinado nos seis milhões de vítimas desses dois homens...". Jornal do Brasil

O alemão e ex-Coronel da Gestapo Adolf Eichmann foi enforcado na prisão de Ramleh, em Israel, como responsável pelo extermínio de seis milhões de judeus nos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Capturado pelas tropas americanas no final do conflito mundial, Eichmann conseguiu fugir da prisão um ano depois. Após circular por diversos países clandestinamente, chegou à Argentina no início da década de 50, onde viveu, sob identidade falsa até ser raptado pelo serviço secreto israelense em 1960, que o levou para ser julgado em Israel, onde foi sentenciado à pena de morte.

O carrasco alemão - sem remorso e proclamando-se inocente até o fim - teve seu pedido de clemência negado pelo Presidente de Israel, Itshak Ben-Zvi, e não conseguiu, como pretendia, obter a intervenção da ONU para a sua salvação. O enforcamento se fez pouco menos de uma hora depois de rejeitado seu pedido.

Além de crimes contra o povo judeu e a humanidade, foi responsabilizado por deportações, pilhagens e extorções.

O gesto extremo de Israel

Não se pode dizer que a execução de Eichmann tenha sido uma catarse do mais terrível drama da história da humanidade. Mas não há dúvidas que o processo de sua condenação e morte tenha causado forte impacto na consciência humana. A opinião pública mundial dividiu-se diante da postura de Israel, de cujo ato extremo não abdicou. Mas afinal, como julgar o ato de um povo mutilado de seus pais, irmãos, maridos, esposas, filhos e amigos, cruelmente silenciados, humilhados, violados, torturados e mortos sob o comando do mais frio e calculista exterminador que já surgiu na espécie humana?

Fonte: JBlog

Hoje na História: 1859 - Big Ben entra em funcionamento em Londres

31/05/2011 - 07:59 | Max Altman | São Paulo

O célebre relógio da Torre Santo Estevão da Parliament House, de 98 metros de altura, perto da Abadia de Westminster em Londres, entra em serviço no dia 31 de maio de 1859. Ele é composto de quatro mostradores de 7 metros de diâmetro e de um sino pesando 13,5 toneladas. O sino é chamado de Big Ben como uma espécie de homenagem a Benjamin Hall, o primeiro comissário de trabalhos públicos londrinos, de exagerada corpulência. Todo ano ele é regulado, pondo-se uma moeda de um penny sobre o mecanismo se o relógio avança ou a retirando se atrasa.

Após um incêndio que destruiu boa parte do Palácio de Westminster – sede do Parlamento britânico – em outubro de 1834, um aspecto relevante do projeto do novo palácio era um grande relógio no alto de uma torre. O astrônomo real, Sir George Airy, queria que o relógio tivesse uma precisão extrema, inclusive com conferência duas vezes ao dia com o Observatório Real de Greenwich. Enquanto muitos relojoeiros consideravam que essa meta era impossível, Airy contava com a ajuda de Edmund Beckett Denison, um conceituado advogado conhecido por sua expertise em relojoaria ou na ciência da medição do tempo.

O projeto de Denison, construído pela companhia E.J. Dent & Co., foi finalizado em 1854. Cinco anos mais tarde, a própria torre Santo Estevão foi concluída. Pesando mais de 13 toneladas, seu enorme sino foi carregado pelas ruas de Londres até o pé da torre por uma tropa de 16 cavalos, sob aclamação de espectadores que ali se postavam. Uma vez instalado, o Big Ben dobrou a primeira badalada em 31 de maio de 1859. Exatos dois meses depois, no entanto, o pesado badalo desenhado por Denison rachou o sino. Três anos mais se passaram antes que um badalo mais leve fosse acoplado e o relógio pudesse funcionar normalmente como previsto. O sino foi girado sobre seu próprio eixo de modo que o badalo batesse em outra área. A rachadura em si jamais foi reparada.

O nome "Big Ben" originalmente designava apenas o sino, porém mais tarde passou a se referir a todo o relógio. Existem duas histórias principais a respeito de como se adotou o nome de Big Ben. Muitos afirmam que a denominação de se deve ao loquaz Benjamin Hall, o popular comissário de obras públicas de Londres à época da construção. Outra história famosa conta que o nome do sino se devia ao famoso pugilista peso-pesado Benjamin Caunt, porque era o maior dos sinos daqueles tempos.

Mesmo depois que uma bomba incendiária destruiu o plenário da Câmara dos Comuns durante a Segunda Guerra Mundial, a torre de Santo Estevão resistiu e o Big Ben continuou a funcionar normalmente. Sua famosa precisão cronométrica é regulada por uma pilha de moedas colocadas no imenso pêndulo do relógio, garantindo um movimento constante e regular dos ponteiros do relógio o tempo todo.

À noite, as quatro faces do relógio, cada qual com 7 metros de diâmetro, são iluminadas. Para conhecimento público, uma luz sobre o Big Ben também permanece acesa quando o Parlamento está em sessão.

Fonte: Opera Mundi

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Exposição Manuscritos na História

O Núcleo de Ação Educativa do Arquivo Público do Estado de São Paulo torna pública a exposição “Manuscritos na História”, buscando trazer, aos olhos do público, um pouco da história e das mudanças, ao longo do tempo, de documentos produzidos sob a forma manuscrita.

Os documentos manuscritos fazem parte da História do Brasil e, por muito tempo, foram soberanos na esfera particular e da administração pública. Dentre uma seara de documentos, num universo de 7 mil metros linearesdisponíveis para consulta, não foi tarefa fácil a seleção daqueles que constituem essa exposição.

Dividida em dez ambientes, a exposição aborda diversas formas de documentos manuscritos, representativos do ponto de vista historiográfico e, também, do acervo do Arquivo Público do Estado de São Paulo, sendo que algumas salas tratam de tipologias específicas enquanto outras têm um perfil mais genérico.

Não obstante, com a preocupação de difundir o acervo e algumas possibilidades de uso de documentos de arquivo em sala de aula, disponibilizamos algumas propostas de atividades pedagógicas a serem desenvolvidas nos ensinos Fundamental e Médio.

No limiar do século XXI, em plena era tecnológica, o Núcleo de Ação Educativa objetiva apresentar um tipo de documentação que paulatinamente tem deixado de ser usada, em especial no âmbito da administração pública, mas que ainda hoje tem importância comprobatória e histórica para a sociedade.


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MHR Memórias: A Santinha do Povo

A Santinha do Povo
Sexta-Feira, 27/05/2011 por Arquivo Histórico Regional

Maria Elisabeth de Oliveira, nascida em 06 de fevereiro de 1951, ficou popularmente conhecida como a santinha de Passo Fundo. Era uma menina meiga e querida, segundo seus contemporâneos. Sua fama iniciou após um trágico incidente, ocorrido em 1965, que lhe tirou a vida e instigou uma devoção popular singular.

Em 28 de novembro de 1965 quando Maria Elisabeth estava com suas amigas reunidas em frente da casa, um trágico acidente lhe tirou a vida. Tal evento derivou do atropelamento da mesma por uma Kombi desgovernada que a atingirá fatalmente antes de completar 15 anos de vida. Todavia, a fama derivou de uma história relatada pelos seus amigos próximos. Logo após esse acidente, esses contavam que a menina já havia previsto que seria atropelada por um veículo e já tinha escolhido a veste que usaria no seu funeral e ate mesmo o caixão enquanto passeava no centro com suas amigas. Assim, segundo os relatos, tudo teria acontecido como Maria Elisabeth já havia previsto.

Depois de sua morte a população começou a venerar Maria Elisabeth. Passaram a invocá-la para obter graças, a fazer orações dedicadas a ela. Mesmo pessoas de outras de outras cidades da região vinham até o cemitério, para rezar e fazer seus pedidos a “santinha de Passo Fundo”. Ainda hoje é expressiva a movimentação de fiéis que lotam ônibus e vêem para Passo Fundo para render-lhe homenagens. Os seus devotos deixam bilhetes e cartas com pedidos e agradecimentos em seu túmulo. Também é comum encontrar sobre a lápide muitas rosas vermelhas, flor muito apreciada por Maria Elisabeth em vida.

Um dos pretensos primeiros milagres que teriam sido realizados por intercessão de Maria Elisabeth aconteceu em agosto 1969, quando Leonilda Jacob dos Santos, da cidade de Barracão (RS), encontrava-se no Hospital São Paulo de Lagoa Vermelha. Desenganada pelos médicos, teve colocado sobre seu travesseiro uma gravata de colegial da “santinha”. Tal relíquia teria auxiliado na recuperação de dona Leonilda que fora tida pelos seus médicos, Dr. Silveira Neto e Dr. Augustin Nieto Rey, como um milagre. Tal descrição instigou ainda mais a crença nos poderes de Maria Elisabeth, resultando na consolidação da crença nos poderes da menina.

A devoção a Maria Elizabeth foi contestada pela Igreja, que tentou dissuadir o povo a prestar-lhe homenagens logo após o falecimento, como vinha ocorrendo. Tal devoção ainda não foi autorizada pela instituição, embora pesquisas sobre a vida da menina e suas pretensas graças/milagres já estejam em andamento para em breve iniciar o processo de beatificação. A devoção à “santinha” de Passo Fundo, todavia, não necessita desta legitimação visto que já está consagrada pelo número de fiéis que vêm prestar-lhe homenagem ou reivindicar graças na capela do Cemitério da Vera Cruz, onde se encontra enterrada Maria Elisabeth.

Cristiane Cardona Manfroi
Acadêmica do Curso de História da UPF
Fonte: Acervo AHR

30 de maio de 1961 - O assassinato do Ditador Leônidas Trujillo

30/05/2011 - 10:30 | Enviado por: Lucyanne Mano

O assassinato do Ditador Leônidas Trujillo. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 1º de junho de 1961.
“Saberão que renunciei quando ouvirem dizer que eu morri”, afirmou Leônidas Trujillo em 1960 a um jornalista. Pouco mais de um ano depois da declaração, a profecia tornava-se realidade na ilha caribenha que a República Dominicana divide com o Haiti.

Na noite do dia 30 de maio, o ditador Leônidas Trujillo, com 70 anos, tombou assassinado. O fato, cujos primeiros sintomas de veracidade surgiram de uma declaração do presidente norte-americano, John Kennedy, na manhã do dia seguinte, só foi confirmado na noite do dia 31 pelo governo claudicante do país.

“Caiu vilmente assassinado o líder dos dominicanos, Generalíssimo Trujillo, benfeitor da Pátria Nova, a quem deve o país a maior era de progresso de sua história”, dizia a nota oficial. O ditador foi alvejado dentro de seu carro, enquanto seguia para a capital, Ciudad Trujillo.

Durante trinta e um anos Trujillo corrompeu e cobriu de sangue a primeira terra das Américas tocada por Cristóvão Colombo. Mais de vinte mil pessoas foram vítimas da ditadura de Trujillo, que se proclamou Pai da Pátria Nova, Benfeitor da Pátria e que também tentou exigir do clero que o concedesse o título de Benfeitor da Igreja.

Em 1960, Trujillo envolveu-se em um atentado contra a vida do presidente venezuelano, Rómulo Betancourt, fazendo com que a comunidade internacional se voltasse contra ele. A oposição contra as três décadas de ditadura, após o episódio, também aumentou. Boicotada política e economicamente, e isolada do continente pelo Atlântico e pelo Mas das Caraíbas, a ilha de Trujillo voltou a se afogar no sangue da ditadura sem escrúpulos do líder desgastado, que logo chegaria ao fim.

Com a morte de Trujillo, a República Dominicana viveu durante alguns anos rodando nas mãos de diversos governantes, até cair no poder de Joaquín Balaguer. Em 1966, com apoio dos Estados Unidos, Balaguer assumiu o controle do país, iniciando um governo semi-ditatorial, que só terminaria após 12 anos.

Fonte: JBlog

Hoje na História: 1416 - Jerônimo de Praga é morto na fogueira

30/05/2011 - 08:08 | Max Altman | São Paulo

Jerônimo de Praga foi um reformador religioso tcheco. Seguidor de John Huss e de John Wycliff, apoiou-os em seu movimento de reformas. Jerônimo, embora consciente do risco que corria, apresentou-se ao Concílio de Constança no ano de 1414 para defender seus princípios cristãos. Logo após haver confirmado suas idéias "heréticas", foi encarcerado numa masmorra e alimentado a pão e água. Doente, debilitado e abandonado por amigos, cedeu à pressão dos inquisidores e declarou que retomaria a fé católica. Ainda assim, retornou à prisão e lá permaneceu por trezentos e quarenta dias, até ser queimado vivo na fogueira em 30 de maio de 1416.



Jerônimo nasceu em Praga, em 1379, filho de família de posses. Depois de se formar na Universidade de Praga, em 1398, iniciou viagens pela Europa. Em 1402, visitou a Inglaterra onde estudou na Universidade de Oxford as obras Dialogus e Trialogus de John Wycliff. Ingressou na Universidade de Paris em 1405, obtendo grau de mestre. O mesmo ocorreu na Universidade de Colônia e, um pouco depois, em Heidelberg.

Em 1407, de volta a Praga, suas posições nacionalistas começavam a provocar perseguições por parte da Igreja. Em janeiro de 1410, fez pronunciamentos em favor da filosofia de Wycliff. Em março de 1410, foi editada uma bula papal pelo anti-papa João XXIII contra os escritos de Wycliff o que causou a prisão de Jerônimo em Viena e sua excomunhão da Igreja pelo Bispo de Cracóvia.

Conseguindo escapar, voltou a Praga, passando a defender publicamente as teses de reforma da Igreja pregadas por Jan Huss, que reforçavam muitas das teses de Wycliff. Em 1413, Jerônimo visitou as cortes da Polônia e da Lituânia, causando profunda impressão por seu diferenciado saber e eloquência.

Quando Jan Huss viaja para o Concílio de Constança, em outubro de 1414, Jerônimo lhe assegura que o seguiria para ajudá-lo. Promessa que logo lhe faria chegar a Constança, em 4 de abril de 1415. Ao contrário de Huss, que obtivera um salvo-conduto para se proteger, Jerônimo nada possuía. Em 20 de abril foi preso em Praga e levado a Constança em 23 de maio para ser processado pelo Concílio.

Condenação

Sua condenação, como a de Huss, já estava pré-determinada, tanto em consequência de seu apoio a muitas das idéias de Wycliff quanto por sua admiração por Huss. Não lhe foi dada oportunidade de se defender em julgamento justo. As condições de sua prisão eram tão severas que ficou seriamente doente. Foi induzido a retratar-se em duas reuniões públicas do Concílio (11 e 23 de setembro de 1415).

As palavras colocadas em sua boca o fizeram renunciar aos ensinos de Wycliff e Huss. Com a saúde abalada e pressionado, escreveu ao rei da Boêmia e à Universidade de Praga em que declarou estar convencido de que era justa a condenação de Huss à morte na fogueira por heresia, o que havia ocorrido em 6 de julho daquele ano. Nada disso o indultou ou comutou sua pena.

Em maio de 1416 Jerônimo de Praga foi novamente levado a julgamento. Diante do Concílio retratou-se veementemente de sua retratação. Condenado finalmente por heresia em 30 de maio, foi levado à fogueira no mesmo dia.


Fonte: Opera Mundi

1431: Joana D'Arc morre na fogueira

CALENDÁRIO HISTÓRICO


Joana D'Arc foi queimada numa fogueira em praça pública a 30 de maio de 1431 na cidade francesa de Rouen. A jovem filha de camponeses liderou a luta contra a ocupação inglesa em 1429, na Guerra dos Cem Anos.

Napoleão Bonaparte certa vez disse: "Um francês pode fazer milagres ao ver a independência do país ameaçada". Ainda hoje, Joana D'Arc é um símbolo nacional para os franceses. Vários livros com sua biografia e diversos filmes foram lançados sobre a ingênua, porém corajosa filha de lavradores do interior da França.

Joana D'Arc nasceu em Domrèmy-la-Pucelle na noite de Epifania de 1412. Já em vida, havia se tornado uma lenda, as pessoas queriam vê-la e tocá-la. Em 1429, entrou para a história da França ao escrever uma carta ao chefe da ocupação inglesa:

"Rei da Inglaterra, autointitulado regente do Império Francês, entregue à virgem enviada por Deus, imperador do céu, a chave de todas as cidades que Sua Alteza tomou dos franceses. Se não o fizer, Sua Alteza já o sabe, eu sou general. Em todo lugar na França que encontrar da sua gente, vou expulsá-la."

Teria sido ousadia ou ingenuidade a oferta feita por Joana, então com 16 anos, ao seu rei, Carlos 7º, de expulsar os invasores ingleses de Orleans e assim ajudá-lo a garantir-se no trono da França? Ao se apresentar como enviada divina, ajudou a projetar seu nome na história.

Oficialmente, ninguém contestava a necessidade de expulsar os britânicos. Mesmo assim, o rei e seus consultores preferiram mandar averiguar quem era aquela jovem. Doutores, religiosos, guerreiros, ninguém encontrou ressalvas à pura Joana, apenas o bem, a inocência, a humildade, a honestidade e a submissão.

Enviado por Deus

Joana apareceu para salvar os franceses justamente no momento em que eles acreditavam que apenas um milagre poderia ajudá-los. E a Joana vestida de guerreiro, um enviado de Deus, incorporou esta esperança. O povo via nela a concretização de um antiga profecia, segundo a qual a França seria salva por uma virgem. Uma propaganda ideal para a corte. Era a oportunidade para motivar suas tropas, que a esta altura estavam com a imagem um tanto desgastada.

Joana, a salvadora. Com o passar dos séculos, ela foi chamada de tudo: bruxa, prostituta, santa, feminista, nacionalista, heroína. Pelo ultraconservador Le Pen, na França atual, ela foi inclusive usada como símbolo contra os invasores modernos. E, na tela, é apresentada como um tipo de adolescente rebelde, altruísta, apegada aos ideais.

Mas, retrocedendo na história: depois que ela foi sabatinada por uma comissão da corte, recebeu o uniforme completo de cavaleiro e começou a lutar pela libertação. Orleans estava sitiada pelos ingleses há seis meses. Uma tropa de cinco mil homens pretendia forçar os 30 mil habitantes a se entregar. Apesar de não ser um integrante ativo nos planos dos militares franceses, o espírito de luta de Joana – e talvez apenas sua presença – trouxe a vitória aos franceses.

No dia 8 de maio de 1429, ela foi festejada pelos moradores de Orleans como enviada divina. E seguiram-se ainda muitas vitórias até a coroação de Carlos 7º em Reims. Os ingleses, derrotados, iniciaram uma conspiração contra Joana, que acusavam de bruxaria. Ela foi presa em 1430 e condenada pela Inquisição a morrrer na fogueira, depois de 20 meses de julgamento.

Jens Teschke (rw)
Fonte: DW-World.de

sexta-feira, 27 de maio de 2011

1959: Expira ultimato soviético para Berlim

Kruchev ao anunciaro ultimato em Moscou em novembro de 1958

No dia 27 de maio de 1959, terminou o prazo de seis meses concedido pela União Soviética para que os Aliados se retirassem de Berlim.

Em 1958, o vice-primeiro-ministro da Alemanha Oriental, Walter Ulbricht, deu os primeiros sinais inconfundíveis do início de uma prova de força. Ele disse que Berlim inteira situava-se em território da República Democrática Alemã (RDA) e, portanto, pertencia à área de soberania da Alemanha comunista.

Um discurso no mesmo tom foi feito pelo chefe de partido e de governo da União Soviética, Nikita Kruchev, no dia 10 de novembro de 1958, em Moscou. Ele afirmou que as potências ocidentais não tinham bases legais para continuar ocupando Berlim.

O que mais irritou no discurso de Kruchev não foi o anúncio de que os órgãos soviéticos entregariam à RDA tudo o que ainda controlavam em Berlim e, sim, a prepotência da declaração. O social-democrata Willy Brandt, então prefeito de Berlim Ocidental, percebeu exatamente as intenções dos soviéticos: "A meta é submeter Berlim inteira à influência soviética, como já foi tentado com a introdução do marco oriental", disse Brandt.

Ultimato e reveses

A situação, porém, complicou quando Nikita Kruchev apresentou um ultimato às três potências aliadas (Estados Unidos, Reino Unido e França), no dia 27 de novembro de 1958. Ele exigia a transformação de Berlim numa "unidade política autônoma" com o status de "cidade livre desmilitarizada".

No prazo de meio ano, as negociações sobre Berlim deveriam resultar numa solução. Do contrário, a União Soviética entraria em acordo com a RDA para que esta tomasse toda Berlim, cujo território estava encravado dentro da Alemanha comunista.

A Alemanha Ocidental reagiu preocupada, mas sem entrar em pânico. Os participantes da reunião do Conselho da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) rejeitaram, decididamente, a reivindicação soviética. Kruchev foi adiante e apresentou, em janeiro de 1959, uma proposta de acordo de paz, evidenciando seu plano de enxotar da Alemanha as potências ocidentais.

A partir daquele momento, tanto o governo e a oposição na Alemanha Ocidental quanto os Aliados tentaram forçar a União Soviética a negociar, através de várias iniciativas e conferências. No começo de maio de 1959, o ministro das Relações Exteriores da URSS, Andrei Gromyko, finalmente concordou em participar de uma conferência com seus colegas ocidentais de pasta.

O encontro em Genebra, entretanto, não trouxe resultados, porque o assunto principal das negociações — a questão de Berlim — continuou sem solução. Mas o êxito desses esforços foi que, a 27 de maio de 1959 — dia em que expirou o ultimato soviético —, as potências mundiais estavam sentadas à mesa de negociações e o conflito militar foi evitado. A visita de Kruchev aos Estados Unidos, no mesmo ano, melhorou as relações entre os dois blocos.

Otto Busch (gh)

Fonte: DW.World.deLink

Dívida e troféus

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Dia do Desafio movimenta Campus I da UPF

26/05/2011 - 10:24

Dia do Desafio movimenta Campus I da UPF

Prato especial e atividades físicas promovidas pela Faculdade de Educação Física e Fisioterapia integraram programação

Foto: Leonardo Andreolli/UPF
Acadêmicas da Educação Física conduziram atividades com os estudantes que se preparavam para acompanhar o V Ciclo de Cinema do curso de História UPF
Os acadêmicos da Faculdade de Educação Física e Fisioterapia (FEFF) movimentaram o Campus I da Universidade de Passo Fundo (UPF) durante o Dia do Desafio (DDD), nesta quarta-feira (25/05). Junto de uma equipe do Sesc, eles passaram por vários prédios da instituição convidando as pessoas a praticarem 15 minutos de atividade física. Além disso, mais de 170 pontos do comércio de Passo Fundo receberam a visita dos estudantes para a prática de exercícios.

Os estabelecimentos do Centro de Convivência da UPF também foram convidados pelo Sesc Passo Fundo a participar do DDD. Cada segmento colocou à disposição um prato com o menor valor calórico possível. Durante o horário de almoço, quatro acadêmicas da Nutrição da UPF entregaram um marca página contendo informações sobre a diferença entre alimentos light e diet e um rótulo nutricional para auxiliar no controle das calorias.

Segundo Franciele Dorneles, do terceiro nível do curso de Nutrição, a parceria com o Sesc possibilita aos alunos terem contato com as mais diversas realidades, conversando com as pessoas e passando orientações. Juntamente com ela, estiveram as alunas Graziele Prescendo, Angela Cenci e Aline Cláudia Chimeto.

A gerente da unidade do Sesc Passo Fundo, Lisângela Antonini, afirma que a parceria com a UPF possibilita a mobilização de um contingente maior de pessoas em vários pontos da cidade. “A participação dos alunos tem sido fundamental para chegar ao maior número possível de pessoas e também para garantir que as atividades físicas fossem conduzidas com qualidade”, avaliou ela, destacando que neste ano, mais uma vez, a UPF foi o diferencial para que o DDD obtivesse êxito.

15 minutos de atividade
Os estudantes do curso de Educação Física não ficaram parados. Durante o dia eles foram aos pontos de comércio que já haviam agendado previamente a participação no DDD. À noite, eles visitaram salas de aula e auditórios do Campus I da UPF para convidar as pessoas para um exercício relaxante: o alongamento. No início resistentes, as pessoas logo cediam e participavam do exercício conduzido de forma descontraída e sem perder o foco na qualidade.

Além das atividades físicas e do prato especial, o DDD também contou com um Desafio Social. Neste ano, as pessoas foram convidadas a fazer cadastro para doação de medula óssea.

DDD
O Dia do Desafio foi criado no Canadá e é difundido mundialmente pela The Association For International Sport for All (TAFISA), entidade de promoção do esporte para todos, sediada na Alemanha. É uma campanha de incentivo à prática regular de atividades físicas em benefício da saúde e acontece anualmente na última quarta-feira do mês de maio, por meio de ações comunitárias.

O Sesc SP coordena o evento no Continente Americano desde 2000. A participação de Passo Fundo no DDD iniciou em 1997. Em 2001 algumas cidades atendidas pelo SESC Passo Fundo começaram a participar do evento, que cresceu com o passar dos anos, e hoje alcança a participação das 38 cidades da região do SESC Passo Fundo, e de 460 cidades no Estado.

Segundo levantamento realizado pelo Sesc, neste ano em Passo Fundo 94. 227 mil pessoas aderiram ao Dia do Desafio, o que corresponde a 50,93% da população.


Hoje na História: 1896 - Nicolau II da Rússia é coroado

26/05/2011 - 08:24 | Max Altman | São Paulo

O czar Nicolau II e sua mulher Alexandra Fedorovna são coroados na catedral ortodoxa da Assunção, ao lado do Kremlin, em 26 de maio de 1896. Durante a longa cerimônia, Nicolau recebeu o cetro e o colar da Ordem de Santo André. O colar se desenganchou e cai ao chão. Os místicos da corte interpretaram esse incidente como um mau presságio. A Revolução de Fevereiro de 1917 obrigaria o czar a abdicar. A família imperial seria executada em julho de 1918.


Pintura de Valentin Serov sobre a coroação de Nicolau II e Alexandra em 1897

Nicolau não estava treinado nem tinha inclinação para governar, o que prejudicou a autocracia, que ele queria preservar, numa época em que se buscava mudanças, desesperadamente. Nascido em 1868, sucedeu ao pai, o czar Alexander III, morto em novembro de 1894. No mesmo mês, o herdeiro se casou com Alexandra, que viria a exercer grande influência sobre ele. Após um período de luto pelo falecimento do antecessor, Nicolau e Alexandra foram coroados.

Nicolau resistiu aos apelos de reformas e buscou manter o absolutismo czarista, embora não dispusesse de força de vontade necessária para tanto. O desastroso desfecho da Guerra Russo-Japonesa desembocou na Revolução Russa de 1905, que Nicolau somente conseguiu aplacar após a aprovação de uma assembléia de representantes – a Duma – e promessa de reformas constitucionais. O czar logo recuou dessas concessões e reiteradamente dissolvia a Duma, contribuindo para um crescente apoio popular aos bolcheviques e outros grupos revolucionários.

Em 1914, Nicolau conduziu seu país a outra guerra onerosa – a Primeira Guerra Mundial. O descontentamento cresce à medida que escasseiam os alimentos e derrotas devastadoras frente à Alemanha demonstram a total ineficiência da Rússia. Em 1915, o czar pessoalmente assume o comando do exército, deixando a czarina no controle da política doméstica. A corte, nesta altura, estava sob o domínio do místico Rasputin, que punha a dispunha dos ministros.

Renúncia ao trono

Em fevereiro de 1917, a guarnição de Petrogrado juntou-se aos operários em greve para exigir reformas socialistas. Nicolau, pressionado, abdica em favor de seu irmão Miguel, que recusa a coroa, o que põe fim à autocracia czarista. Nicolau, sua mulher e filhos foram detidos no palácio de Czarskoye Selo pelo governo provisório e em agosto levados a Tobolsk na Sibéria Ocidental por pressão do soviet de Petrogrado, a poderosa coalizão de conselhos de soldados e trabalhadores que dividia o poder com o governo provisório no primeiro estágio da Revolução Russa.

Em outubro de 1917, os bolcheviques liderados por Vladimir Lenin tomam o poder e estabelecem o primeiro estado operário da história. Em abril de 1918, Nicolau e sua família são transferidos para Yekaterinburg nos Urais, o que selou seu destino. Eclode a guerra civil em junho de 1918 e em julho o exército branco avança sobre Yekaterinburg durante uma campanha contra o recém-formado Exército Vermelho. Foram dadas ordens às autoridades locais para evitar o resgate dos Romanovs e após uma reunião secreta do soviet de Yekaterinburg, foi decretada a sentença de morte da família imperial.

Logo após a meia-noite de 17 de julho, ordenou-se a Nicolau, Alexandra, seus cinco filhos e outros quatro familiares que se vestissem rapidamente e descessem ao sótão. Ali, todos eles foram dispostos em duas fileiras para a tomada de fotografia, dizendo-lhes que era para acabar com os rumores de que haviam escapado. De repente, uma dezena de homens armados irrompe no local e abate a família imperial com rajadas de fuzil.

Os restos mortais de Nicolau, Alexandra e três de seus filhos foram exumados numa floresta perto de Yekaterinburg em 1991 e identificados. O príncipe Alexei e uma filha não foram encontrados, alimentando a lenda que Anastásia, a filha caçula dos Romanovs, havia sobrevivido à execução.

Fonte: Opera Mundi

Alô amigos e as relações cordiais EUA/Brasil



Ontem, durante as atividades do Ciclo de Cinema V, foi projetada a película Alô amigos, filme que introduz o personagem José Carioca (Zé Carioca) no mundo Disney. Parte de uma estratégia de aproximação com os países da América do Sul, o filme serviu como instrumento de propaganda nos anos 1940. O debate sobre sua produção, narrativa e contexto histórico foi abordada pelo prof. Eduardo Svartman.

Hoje teremos a projeção e discussão de Persépolis!


Persépolis
título original: (Persepolis)
lançamento: 2007 (França, EUA)
direção:Vincent Paronnaud, Marjane Satrapi
atores:Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve, Danielle Darrieux, Simon Abkarian.
duração: 95 min
gênero: Animação
Sinopse: Marjane Satrapi (Gabrielle Lopes) é uma garota iraniana de 8 anos, que sonha em se tornar uma profetisa para poder salvar o mundo. Querida pelos pais e adorada pela avó, Marjane acompanha os acontecimentos que levam à queda do xá em seu país, juntamente com seu regime brutal. Tem início a nova República Islâmica, que controla como as pessoas devem se vestir e agir. Isto faz com que Marjane seja obrigada a usar véu, o que a incentiva a se tornar uma revolucionária.

1942: Ofensiva dos Aliados em El Alamein

No dia 26 de maio de 1942, começou no Norte da África a grande ofensiva dos Aliados contra as tropas da aliança teuto-italiana.

El Alamein é uma estrada costeira que vai de Alexandria à Líbia. Foi nessa região que as divisões de tanques dos Aliados começaram um ataque decisivo às forças do eixo teuto-italiano em maio de 1942. Era o começo do fim da campanha alemã na África, iniciada em janeiro de 1941 na Líbia, após o fracasso italiano na região.

África estava fora dos planos de Hitler

Na primavera de 1941, Adolf Hitler preparava um ataque à União Soviética. A região do Mar Mediterrâneo e a África estavam completamente fora de seus planos políticos, militares ou estratégicos.

Com seu único aliado na Europa, a Itália de Benito Mussolini, ele havia acertado o seguinte: o território ao norte dos Alpes era área de influência dos alemães; os italianos eram responsáveis pelo sul da Europa. "Mas, vendo a Itália cada vez mais acuada no Norte da África, a Alemanha assumiu o controle das operações, a fim de ajudar Mussolini", explica o historiador Eberhard Jäckel.

Arrogante, a Itália de Mussolini entrou numa situação complicada por culpa própria. Primeiramente, atacou a Somália britânica a partir da Abissínia (hoje Etiópia). Das suas posições na Líbia, invadiu o Egito, onde os ingleses também tinham fortes interesses, e ainda atacou a Grécia. "Daí teve de pedir auxílio a Hitler", diz Jäckel.

Comando a cargo da "Raposa do Deserto"

Em consequência, o Norte da África tornou-se palco da guerra desencadeada pela Alemanha nazista. A campanha recebeu o nome de Girassol. Um oficial altamente condecorado na Primeira Guerra Mundial, Erwin Rommel, foi encarregado de manter a capital da Líbia, Trípoli, em poder dos italianos.

Seu filho, Manfred Rommel, lembra que o pai "queria vencer a guerra". "Inicialmente, ele tinha apenas a missão de defender Trípoli. Esse era também o objetivo do comando da Wehrmacht. Mais tarde, acreditou que, com um reforço das tropas alemãs na África, seria possível alcançar o Canal de Suez e controlar toda a região do Mediterrâneo", conta.

Seu plano consistia num eventual ataque ao Egito, seguido da conquista do Canal de Suez. Depois, o Afrikakorps avançaria rumo ao Oriente Médio e à Pérsia. Alimentada com o abundante petróleo dessa região, a máquina de guerra alemã avançaria e se juntaria às tropas na frente russa e, posteriormente, marcharia em direção à Índia, para encontrar-se com os japoneses e destruir assim de vez o Império Britânico.

Considerado um gênio da guerra blindada, Rommel apostou na astúcia para provocar os ingleses com as suas tropas modestas. No verão de 1941, as divisões alemãs e italianas chegaram ao Egito. Promovido a marechal de campo, Rommel queria transformar o conflito numa guerra pessoal. Apelidado de "Raposa do Deserto", era admirado tanto pelos seus soldados quanto pelos inimigos. Para os árabes, ele era o "libertador" que os salvaria do domínio inglês, instaurado na região a partir de 1917.

Falta de apoio ao Afrikakorps

Hitler, entretanto, mais preocupado com a guerra na Europa, não deu o apoio necessário ao Afrikakorps. O 8º Exército britânico, comandado por Sir Bernard Montgomery, estava muito mais bem equipado do que as tropas teuto-italianas. Enquanto Rommel e seu desfalcado exército preparavam-se para atacar Alexandria, os ingleses os surpreenderam em El Alamein, no Egito, numa batalha que se tornaria decisiva.

Ao receber do comando geral dos nazistas a ordem de resistir até o último homem, Rommel passou de crítico a adversário de Hitler. Negou-se a sacrificar o Afrikakorps e ordenou a retirada total da África do Norte. Sucedeu-se uma fuga caótica das tropas teuto-italianas rumo à Tunísia.

A operação consumou-se em maio de 1943, quando os norte-americanos desembarcaram na região e forçaram a rendição incondicional do Afrikakorps. Cerca de 250 mil soldados alemães e italianos foram aprisionados.

Erwin Rommel deixou o Norte da África derrotado, mas de cabeça erguida. A 14 de outubro de 1944, suicidou-se, ingerindo veneno. Ele não tinha outra escolha. Se não tivesse se suicidado, teria sido condenado à morte por alta traição pela Justiça nazista, em virtude da sua ligação com o grupo que executara um atentado a bomba contra o quartel-general de Hitler meses antes, a 20 de julho de 1944.

Doris Bulau (gh)

Fonte: DW-World.de

26 de maio de 1952 - A reintegração da Alemanha na Convenção de Bonn

26/05/2011 - 00:00 | Enviado por: Lucyanne Mano

"Este tratado garante a paz e a liberdade da Alemanha e conduzirá à unificação e à liberdade do país. Saudamos nossos irmãos do Leste e asseguramos que, com este tratado, demos um passo importante para a unidade dentro da liberdade. Começa uma nova era na história européia". Konrad Adenauer, Chanceler alemão

Após sete anos de ocupação, a República Federativa da Alemanha é integrada em base de igualdade com as demais nações européias num documento assinado com os Estados Unidos da América do Norte, o Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte, e a República da França.

Com objetivo de fortalecer uma comunidade européia de nações, pacífica e próspera, unida às outras nações livres do mundo pelo cumprimento aos princípios da Carta das Nações Unidas, mediante o apoio e a defesa conjunta da liberdade e da herança comuns, a proposta do tratado era incorporar a República Federal de Alemanha sobre bases de igualdade à comunidade européia, incluida por sua vez na comunidade do Atlântico.

Para a Alemanha, devastada e derrotada ao fim da Segunda Guerra (1939-1945), era a oportunidade de reerguer-se economicamente, resgatar sua importância sócio-cultural perante ao mundo e retomar relações diplomáticas com as principais potências, através de um modelo inteiramente livre e pacífico.

Konrad Adenauer, político alemão cristão-democrata, foi um dos principais articuladores do processo. Interessado em estabelecer a Alemanha Ocidental como uma proteção para conter a expansão dos soviéticos na Europa, aproximou relações com os Estados Unidos e se reconciliou com a França.

A Era Adenauer
Era um homem calmo e meticuloso, de sorriso discreto no rosto vagamente parecido com o de um índio pele-vermelha, o velho de 73 anos que se apresentava ao novo parlamento germânico como candidato a Chanceler no 15 de setembro de 1949. Um voto apenas - o dele mesmo - garantiu-lhe a vitória, repetindo o episódio de 1929, quando o seu próprio voto o reelegeu Primeiro Burgomestre de Colônia. Em 1949 eram outros tempos: a Alemanha começava com ele um novo caminho, traçado segundo as suas normas, ou apesar delas, mas que hoje guarda, de qualquer forma, a marca dos seus passos.

O Chanceler tomava posse num país arbitrariamente dividido, onde a religião política à qual a maioria dos alemães aderiria por desvario ou oportunismo lhes fora arrebatada totalmente e revelada como impostura corrupta e desprezível. Assumia afinal, um posto que raros invejavam. E nele durou mais que qualquer outro Chanceler, desde Bismark, que resistiu até os 89 anos de idade. Tantas vezes na crista das ondas e na baixa-mar, a Alemanha haeria de chegar ao seu melhor nível apoiada num homem fundamentalmente civil, paradoxo de paciência e paixão.

Fonte: JBlog

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Uso de animações é possibilidade para ensino de história


O Ciclo de Cinema do curso de História UPF debate o uso de desenhos animados como ferramentas de ensino

Foto: Leonardo Andreoli
Durante abertura do V Ciclo de Cinema, estudante do curso de História da UPF apresentou experiência com o uso de animações para ensinar a história da África
O cinema é capaz de emocionar, intrigar, assustar e de ensinar. O filme Tempos Modernos com Charles Chaplin, por exemplo, é um dos utilizados no ensino de história por ser uma crítica às formas de trabalho praticadas da década de 1930. Embora engraçado, a falta de cores e de falas o tornam pouco atrativo para os adolescentes. Inserir a sétima arte nas ferramentas de ensino desafia os professores a encontrarem novas formas de contextualização. Este é um dos focos de discussão do V Ciclo de Cinema – O Cinema Revisto pela História iniciado na noite de ontem (24/05). O evento é promovido pelo curso de História e pelo Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da Universidade de Passo Fundo (UPF) e se estende até sexta-feira, 27 de maio.

A palestra de abertura foi proferida pelo professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Alexandre Busko Valin, com o tema “Cinema, Desenhos Animados e História: Algumas Considerações Teórico-metodológicas”. Ele explicou que para poder trabalhar filmes em sala de aula o professor precisa realizar uma análise prévia e ter conhecimento básico sobre a linguagem. “Os cursos de história geralmente não estão preparados para oferecer esse tipo de formação e ele (o professor) precisa buscar por si só, saber como essas narrativas são montadas, como elas funcionam”, observou. Ele também ressaltou a importância do evento para discutir esse tipo de ferramenta e oportunizar aos estudantes essa experiência.

Desde 1910

Na década de 1910 o cineasta David Llewelyn Wark Griffith já dizia que o cinema tinha uma capacidade pedagógica espetacular. “Ele chegou a dizer que em pouco tempo os filmes iriam substituir todos os livros de história. Ele não foi o único a vislumbrar toda essa potencialidade que o cinema viria a demonstrar nas décadas seguintes, mas de fato o cinema tem uma capacidade de atração e sedução muito forte”, disse. Ele ainda acrescentou que as novas gerações são mais influenciadas pela imagem do que algumas gerações passadas. “O cinema pode ser hoje uma ferramenta fantástica para o profissional da educação seja ele historiador ou de qualquer outra área”, garantiu.

Experiência
Um grupo de animais que vive em um zoológico no Central Park de Nova Iorque é transferido de volta para a África e precisa se readaptar ao ambiente selvagem. A história engraçada e cheia de confusões do filme Madagascar é um exemplo de uma película não convencional que pode ser utilizada no ensino de história. O acadêmico do sétimo nível do curso de Licenciatura em História da UPF Nathan Ferrari Pastre expôs de forma resumida como ele utilizou a narrativa para ensinar a história da África a estudantes da sexta série. Utilizando partes específicas e representativas ele mostrou aos alunos o colonialismo vivido pelo continente, a exploração mineral, a Partilha da África além de poder falar sobre o povo africano.

Evento
A professora Gizele Zanotto explicou que o Ciclo de Cinema tem o objetivo de estimular os alunos do curso de História a utilizar novas ferramentas didáticas. “Ao invés de trabalhar com filmes históricos é possível utilizar desenhos animados, por exemplo, como base para o ensino”, justificou. Ela também destacou a participação dos estudantes nas conferências que mostram que essa utilização não é uma coisa distante. Entender o uso dessa linguagem permite aos professores contextualizarem a história de forma mais atrativa.

Programação

25 de maio
Filme: Alô Amigos!
Conferencista: Eduardo Svartman


26 de maio
Filme: Persépolis
Conferencistas: Gizele Zanotto e Camila Guidolin

27 de maio
Filme: Valsa com Bashir
Conferencista: Adelar Heisenfeld

Hoje na História: 1911 - Thomas Mann concebe o romance 'Morte em Veneza'

25/05/2011 - 08:23 | Max Altman | São Paulo

Em 25 de maio de 1911, Thomas Mann visita o Lido de Veneza, onde se inspira para escrever seu consagrado romance A morte em Veneza. Romancista alemão, contista, crítico social, ensaísta, filantropo e laureado em 1929 com o Prêmio Nobel de Literatura, Mann ficou conhecido por sua série de obras altamente simbólicas e irônicas e sua introspecção na psicologia do artista e do intelectual.

Sua análise da alma europeia e alemã utilizou histórias bíblicas e germânicas, assim como ideias de Goethe, Nietzsche e Schopenauer. Seu irmão mais velho era o escritor radical Heinrich Mann e três de seus seis filhos, Erika Mann, Klaus Mann e Golo Mann, também se tornaram importantes autores.

Thomas Mann, em fotografia de 20 de abril de 1937

Mann nasceu na Alemanha em 1875. O pai morreu quando ele tinha 15 anos e a mãe decidiu mudar a família para Munique. Lá, além de trabalhar estudou Jornalismo. Em 1898, publicou sua primeira coleção de contos, seguida de seu romance de estreia, Buddenbrooks (1901).

Em 1912, é publicada Morte em Veneza, a história de um admirado escritor que decide permanecer em Veneza assolada pela cólera para se fixar num belo jovem que jamais havia encontrado. O livro aborda o dilema da posição do artista na sociedade. Em 1924, lançou sua aclamada obra A montanha mágica, a história de um jovem que visita um sanatório para tuberculosos, onde se depara com um microcosmo da sociedade.

Visão política

Durante a Primeira Guerra Mundial apoiou o conservadorismo do kaiser Guilherme II e atacou o liberalismo. Já em 1923, Mann conclamou os intelectuais alemães a apoiar a nova República de Weimar. Dali em diante, sua visão política caminhou gradualmente em direção à esquerda liberal.

Em 1930, Mann pronunciou uma conferência em Berlim intitulada “Um Apelo à Razão”, além de numerosos ensaios e conferências, em que denunciou vigorosamente o nacional-socialismo, encorajando a classe operária a resistir. Ao mesmo tempo manifestou crescente simpatia pelas idéias socialistas. Em1936, o governo nazista revogou sua cidadania. Quando Hitler chegou ao poder em 1933, Mann fugiu para a Suíça. Em 1939, resolveu emigrar para os Estados Unidos de onde regressou à Suíça em 1952.

Nobel

O Prêmio Nobel de Literatura deveu-se principalmente ao reconhecimento popular de seu épico Buddenbrooks, baseado na própria família de Mann e relata o declínio da família de um rico comerciante de Lübeck ao longo de três gerações. No final da carreira, publicou outros romances, como Lotte em Weimar (1939), em que Mann retorna ao mundo de Goethe; Doutor Fausto (1947), a história do compositor Adrian Leverkühn e a degenerescência da cultura alemã nos anos anteriores e durante a guerra; e Confissões de Felix Krull (1954), inacabado quando da morte de Mann.

Os diários de Mann, inéditos até 1975, contam seus embates com a própria homossexualidade, que se encontra refletida em seus trabalhos. O livro de Gilbert Adair, O verdadeiro Tadzio (2001) descreve como, no verão de 1911, estando Mann hospedado no Grand Hotel des Bains no Lido de Veneza com sua mulher e irmão, ficou encantado com a angelical figura de Moes, um garoto polonês de 11 anos. Mann foi também amigo do violinista e pintor Paul Ehrenberg a quem manifestou sentimentos quando jovem. Suas obras apresentam também outros temas sexuais, como o incesto em O sangue dos Walsungs e O santo pecador.

Em 1955, morre de aterosclerose num hospital de Zurique. Está enterrado em Kilchberg.

Fonte: Opera Mundi
Link

25 de maio de 1963 - De novo, Brasil, o melhor basquete do mundo

Primeira página do Jornal do Brasil: 26 de maio de 1963

"Sob intensa emoção e vibração, o público que lotava o ginásio, calculado em mais de 20 mil pessoas, cantou o Hino Nacional, enquanto os jogadores, a maioria em lágrimas, se abraçavam na quadra". Jornal do Brasil

Jornal do Brasil: Domingo, 26 de maio de 1963


A seleção brasileira masculina de basquetebol, após mais uma excelente atuação no ginásio do Maracanãzinho, quando derrotou a seleção dos Estados Unidos por 85 a 81, sagrou-se bicampeã mundial, título meritório e indiscutível pela performance e superioridade dos atletas brasileiros na campanha invicta.

Integraram a equipe vitoriosa: Amauri, Vlamir, Bira, Mosquito, Paulista, Rosa Branca, Jatir, Menon, Sucar, Vitor, Valdemar e Fritz. Além de Brasil e Estados Unidos, o Mundial de Basquete contou a presença de equipes da Argentina, Canadá, França, Itália, Iugoslávia, Japão, México, Peru, Porto Rico, União Soviética e Uruguai. O brasileiro Amauri, foi o cestinha do campeonato, com 110 pontos, seguido pelo soviético Petrou, com 107. A equipe que mais marcou foi a dos Estados Unidos, com 498 pontos. Porto Rico, Itália, França, Iugoslávia, União Soviética e Estados Unidos. Um a um, foram derrotados pelo talento dos jovens, inspirados e incentivados pela entusiasmada torcida. A conquista brasileira foi a confirmação do título, ainda cheio de dúvidas, de Santiago do Chile em 1959, em virtude da saída da União Soviética da disputa, após a recusa em enfrentar a China.

Nos anos 60, vivia-se um época de ouro no esporte brasileiro. O país respirava as primeiras conquistas mundiais. E o basquete firmava-se à altura dessa projeção, orquestrado pelo visionário técnico Kanela. Era tempo de amadorismo, onde o amor e o respeito à camisa pulsavam junto ao coração.

A genialidade do treinador Kanela
Nascido Togo Renan Soares, o inovador Kanela deu novos rumos ao basquete nacional a partir do final da década de 40. Exímio disciplinador e estrategista de pulso, foi fundamental à formação da geração vencedora que levaria o Brasil à superioridade mundial quinze anos mais tarde. Temperamental assumido, ganhou fama também por protagonizar cenas antológicas à margem das quadras, como a que inspirou Nelson Rodrigues na crônica O tapa cívico, narrando uma bofetada desferida por Kanela em um árbitro ao duvidar de sua imparcialidade durante uma partida. Morreu em 1992.

Fonte: JBlog

Desenhos animados e História, uma profícua relação



Ontem iniciou o Ciclo de Cinema V - O cinema revisto pela História. Com o tema geral Linguagens e Representações, o evento pretende discutir as interações entre cinema e história a partir de outras formas de expressão fílmica, nesta edição, os desenhos animados.

A atividade iniciou com um relato de experiência do acadêmico Nathan Patre, do VII nível, que fez uso dos filmes Madagascar no seu estágio docente para analisar a História da África.

Na sequência foi proferida a conferência "Cinema, desenhos animados e História: algumas considerações teórico-metodológicas" pelo professor Alexandre Valim (UFSC), pesquisador da relação Cinema/História e autor da obra Imagens vigiadas: cinema e guerra fria no Brasil, 1945-1954, derivada de sua tese de doutorado, defendida da Universidade Federal Fluminense (UFF).

O Ciclo segue hoje com a projeção e discussão de Alô Amigos!


“Alô amigos”
título original: “Saludo amigos”.
ano: 1941/1942.
origem: Estados Unidos.
duração: 42 minutos.
Distribuição: Buena Vista Film Distribution Co.; Inc.
Sinopse: Sob o auxílio de um narrador, o filme mescla animação e documentário para expressar uma missão de reconhecimento pela América do Sul. A idéia é fazer com que os funcionários de Walt Disney – escritores, músicos, desenhistas etc. – pudessem entrar em contato com um mundo até então pouco conhecido que os vizinhos do Tio Sam representavam. Dessas experiências surgiriam temas para filmes incluindo a criação de novos personagens, e é exatamente nessa ocasião que “nasce” nosso Zé Carioca, o malandro de fala ligeira e que por sua vez guiará Donald em suas aventuras pela terra Brasil, inclusive em outras produções da Walt Disney. Como o filme segue literalmente um roteiro de viagem, está dividido em quadros cujas personagens da Disney se dividem em situações aparentemente sem qualquer relação umas com as outras. No entanto, seja na passagem de Donald pelos Andes, ou nas peripécias do aviãozinho Pedro no Chile; na vinda do Pateta aos pampas argentinos ou no encontro de Donald com nosso “Joe” Carioca no Rio de Janeiro, a tônica é a mesma: apreender o que há de exótico ao sul da linha do Equador, mas ressaltando seu caráter positivo. Sendo assim, com exceção do Rio de Janeiro, o roteiro priorizou as cidades do interior. Donald, por exemplo, faz uma llama dançar fox próximo ao lago Titicaca (Andes); Pedro voa por sobre o nevado monte Aconcágua; Pateta toma contato com um verdadeiro painel da cultura dos pampas e Donald, quase um chanceler para a política de boa vizinhança nos trópicos, desembarca no Rio enquanto os pincéis de Walt Disney não cansam de reverenciar nossa fauna e flora, sempre regado a muita música e diversão.

Ainda hoje é possível realizar inscrições via

1907: As primeiras deputadas num Parlamento europeu

>>Direitos iguais: voto para a mulher - cartaz alemão de 1907

Em 25 de maio de 1907, dezenove finlandesas foram as primeiras mulheres a assumir um mandato num parlamento na Europa.

Para os 181 homens do Parlamento finlandês, a manhã do dia 25 de maio de 1907 trouxe um fato inusitado. Pela primeira vez, as mulheres pisaram naquele "solo sagrado", quando as 19 deputadas eleitas ocuparam seus assentos na assembleia. O fato não era inédito apenas na Finlândia, mas em toda a Europa.

As mulheres finlandesas foram as primeiras a adquirirem o direito ativo e passivo de voto em nível nacional – para sua própria surpresa. Em sua autobiografia, uma das deputadas de então declarou-se surpresa com o fato de ter obtido, "como mulher sem civilização de um país sem civilização", um direito que ainda era negado a tantas mulheres nos países civilizados.

Certamente o grande número de mulheres finlandesas que exerciam uma profissão desempenhou um papel importante no processo de concessão do direito eleitoral ativo e passivo ao sexo feminino. Nesse país escandinavo pouco populoso, com somente 3 milhões de habitantes em 1907, cerca de 65% das mulheres com idade superior a 15 anos exerciam uma profissão.

Movimento feminista sob signo da educação

O movimento feminista finlandês já surgira na década de 80 do século 19. A iniciativa partiu das intelectuais burguesas, motivadas pelos dramas de Strindberg e de Ibsen, que abordavam a discriminação da mulher em suas peças. O movimento feminista foi inicialmente um movimento em prol da educação.

As primeiras reivindicações foram de melhor educação e formação profissional para as mulheres, livre escolha da profissão e acesso aos colégios e universidades. Logo, porém, surgiu a reivindicação de direitos políticos. Somente dessa maneira – através dos caminhos da política – é que as mulheres acreditavam poder impor os seus interesses.

Temores de "masculinização"

A discussão sobre o direito eleitoral das mulheres transcorreu na Finlândia da mesma maneira que em outros países europeus. Seus adversários alegavam o temor de uma masculinização das mulheres. Mulheres instruídas que exercessem uma profissão ou que participassem de decisões não seriam mais femininas, nem atraentes; mulheres verdadeiras não queriam votar, somente as "mulheres-machos" é que reivindicariam tais privilégios.

Tais "argumentos" não puderam se sustentar por muito tempo. Estava muito claro que não se poderia mais recusar às mulheres o direito de defender os próprios interesses sem violar de maneira grave o princípio da igualdade.

Em 1906, a Finlândia foi o primeiro país europeu a aprovar uma lei que garantia o direito eleitoral ativo e passivo a todos os cidadãos dos sexos masculino e feminino, com mais de 24 anos de idade. Em março de 1907, foram realizadas as primeiras eleições com participação feminina e, no dia 25 de maio de 1907, as primeiras 19 deputadas assumiram os seus mandatos no Parlamento finlandês, ao lado dos colegas do sexo masculino.

Em toda a Europa, ainda tardou muito até que outras nações seguissem o exemplo da Finlândia. Na maioria dos países, as mulheres só adquiriram o direito de voto a partir de 1918, depois do término da Primeira Guerra Mundial. Um dos últimos países a seguir esse passo foi a França: lá as mulheres só puderam votar depois de 1944. E o último país da Europa a introduzir o direito feminino ao voto foi a Suíça, no ano de 1971.

Rachel Gessat (am)

Fonte: DW-World.de

Peter Burke: Trajetória de um Historiador

Peter Burke (n. 1937) iniciou sua carreira acadêmica na Universidade de Sussex (Inglaterra), e logo se tornaria amplamente conhecido no Brasil não apenas em função da tradução de diversos de seus livros para o português, como também em virtude de sua breve estadia entre nós como professor-visitante na Universidade de São Paulo (1994-1995)[1]. Atualmente é professor na Universidade de Cambridge, na qual atua com disciplinas ligadas à História da Cultura – área historiográfica dentro da qual tem realizado boa parte de sua contribuição autoral, a par das igualmente significativas obras de reflexão historiográfica às quais também se dedicará com afinco.

Estamos aqui, arriscaríamos dizer, diante de um historiador com grande capacidade de síntese e clareza. Especializado nos estudos sobre a Europa Moderna, mas também na história contemporânea, talvez a sua maior contribuição à historiografia seja, por outro lado, a própria reflexão que tem desenvolvido sobre a Historiografia e a Teoria da História. Sua pequena mas extremamente lúcida síntese sobre a Escola dos Annales (1990), e seus panoramas historiográficos sobre a História Cultural – O que é História Cultural e Variedades de História Cultural – são alguns exemplos disto que se expressa em alguns dos melhores momentos de sua produção: a capacidade de refletir sintética e criticamente sobre a própria história da historiografia, percebendo com clareza os caminhos até então percorridos e assinalando as futuras tendências. De igual maneira, as obras sobre temáticas especificamente historiográficas, de Itália Renascentista (1972) a obras mais recentes como A Fabricação do Rei (1992) ou A Renascença Européia – centros e periferias (1998), revelam a acurada análise de um historiador cultural que estende sobre a modernidade européia seu principal campo de estudos, um olhar problematizador e atento à interdisciplinaridade.

Neste texto, em virtude da limitação de espaço, utilizar-nos-emos de algumas das obras de Peter Burke para a identificação das linhas mestras de sua historiografia, além de problematizar alguns aspectos de especial interesse que podem ser notados na obra de Peter Burke, tal como a assimilação interdisciplinar de alguns conceitos e aportes teórico-metodológicos oriundos da Sociologia, da Ciência Política e da Antropologia, além do hábil uso do método comparativo como um instrumento importante de pesquisa. Enfatizaremos a importância de Peter Burke como um historiador que, nos quadros de uma nova História Social que se reafirma nos anos 1970, tenderá cada vez mais a construir a sua identidade historiográfica no âmbito de uma História Cultural que se refundará nas décadas seguintes sob o signo de uma História Social da Cultura, ou mesmo de uma História Cultural do Social, tal como proporá Roger Chartier (CHARTIER, 2002, p.67). Para além disto, uma ênfase especial será dada à importância de Peter Burke como historiador da historiografia e como teórico e metodólogo atento à renovação constante dos rumos da historiografia ocidental.

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Fonte: Histórica

terça-feira, 24 de maio de 2011

Campanha 100.000 acessos


O blog do curso continua "bombando". De uma média de 450 acesso diários no mês passado, estamos aumentando para 650, o que significa que logo, logo atingiremos a marca de 100.000 acessos. Ajude a divulgar o blog, envie notícias, comente as postagens e participe da companha!

Terça-feira, 24 de maio de 2011, 13:15 hs
Total de acessos 96.329
Total do dia (até agora) 516

Seja mais um fiel seguidor da História UPF!
Vamos juntos - cada vez mais - fazer História!

Ciclo de Cinema V - O cinema Revisto pela História



Inicia hoje a quinta edição do Ciclo de Cinema promovido pelo Curso de História da UPF. Tendo como tema geral Linguagens e Representações, o ciclo contará com uma conferência de abertura, proferida pelo professor Alexandre B. Valim (UFSC), intitulada "Cinema, desenhos animados e História: algumas considerações teórico-metodológicas". Amanhã iniciam as projeções dos filmes com Alô Amigos, filme da Disney que explora a América do Sul e que lança Zé Carioca.

Participe do Ciclo! Vamos juntos fazer história!

Hoje na História: 1883 - Ponte do Brooklyn é inaugurada em Nova York

24/05/2011 - 08:13 | Max Altman | São Paulo

Depois de 14 anos e 27 mortes, a ponte pênsil do Brooklyn é aberta ao tráfego em 24 de maio de 1883. Ela ligava o bairro de Brooklyn a Manhattan passando pelo East River e dispunha de uma pista central de 1.834 metros. A passarela superior da ponte estava reservada aos pedestres e oferecia uma vista excepcional de Manhattan.

Milhares de residentes do Brooklyn e da ilha de Manhattan foram testemunhas da cerimônia de inauguração presidida pelo então presidente dos Estados Unidos, Chester Arthur. Projetada por John Roebling, a ponte de Brooklyn era a maior ponte suspensa jamais construída até aquela data.



Impressão da Currier and Ives (1883) da Ponte do Brooklyn

John Roebling, nascido na Alemanha em 1806, foi um importante pioneiro na construção de pontes suspensas de aço. Ele estudou engenharia industrial em Berlim e aos 25 anos imigrou para os Estados Unidos, onde tentou, sem sucesso, na Pensilvânia, ganhar a vida como agricultor. Então, Roebling mudou-se mais tarde para Harrisburg, onde encontrou trabalho como engenheiro civil. Lá, promoveu o uso de estais e montou uma próspera fábrica de cabos de aço.

Entrementes, Roebling ganhou reputação de projetista de pontes suspensas, que à época eram amplamente usadas, porém, caiam ante ventos fortes ou cargas pesadas. Atribui-se a Roebling um grande avanço na tecnologia de pontes suspensas: uma rede de estais acrescentadas em cada lado do leito carroçável da ponte estabilizava bastante a estrutura.

Valendo-se deste modelo construiu a ponte sobre a Garganta do Niágara nas Cataratas do Niágara e sobre o rio Ohio em Cincinnati, Ohio. Com base nessas realizações, o estado de Nova York aprovou o projeto de Roebling. No primeiro dia, um total de 1.800 veículos e 150.300 pessoas atravessaram toda a sua extensão de 1834 metros. Foi a primeira ponte suspensa estaiada do mundo.

Pouco antes da construção ter início em 1869, Roebling foi gravemente ferido enquanto tomava algumas medidas no leito do rio East. Um barco esmagou o hálux de seu pé esquerdo e três semanas depois morreu de tétano. Ele foi o primeiro de mais de 20 pessoas que morreriam durante a construção da ponte. Seu filho mais velho, Washington Roebling, de 32 anos, assumiu o posto de engenheiro-chefe. Washington trabalhara com seu pai em diversas pontes e ajudou-o a projetar a Ponte de Brooklyn.

Naquela época, as pessoas não confiavam na segurança da ponte. Coube a Phineas Taylor Barnum, proprietário do famoso circo Barnum, que não entendia nada de engenharia, mas era um excelente marqueteiro, provar a solidez da obra. Fez 21 elefantes de seu circo desfilarem pela Brooklyn Bridge, sob os olhares maravilhados da população.

A ponte, com sua inédita extensão e duas majestosas torres em estilo gótico, foi considerada a “oitava maravilha do mundo” Mudou o curso da cidade de Nova York para sempre.

Fonte: Opera Mundi

Chile faz exumação dos restos mortais de Allende para esclarecer morte do ex-presidente

A exumação dos restos mortais do presidente chileno Salvador Allende, nesta segunda-feira (23/05), marca a abertura de um dos capítulos mais controversos na história recente deste país sul-americano.

Na verdade, um capítulo que nunca foi superado. Embora a família Allende sustente até hoje que acredita na versão de que o ex-presidente chileno tenha se suicidado, os rumores e as diferentes interpretações ainda continuam.

Em abril passado, o juiz Mario Carroza, que investiga casos de presos desaparecidos durante a ditadura militar chilena, acolheu a petição da família e decidiu ordenar a exumação de Allende. A senadora Isabel Allende, filha do político, espera que a exumação sirva para desfazer as dúvidas e especulações sobre a morte do pai e que, através dela, seja possível encontrar a verdade histórica e jurídica sobre o caso.

A versão oficial

Em 11 de setembro de 1973, quando o palácio La Moneda, sede do governo chileno, era bombardeado e cercado por militares, Allende decidiu permanecer até o último minuto em seu lugar. Fez seus companheiros deixarem o prédio, mas alguns dos membros da guarda e da equipe médica decidiram ficar.

O chefe de governo socialista se refugiou em uma das salas, onde foi encontrado por seu médico pessoal, Patrício Guijón, pouco depois de ser morto por uma bala. Segundo o testemunho de Guijón, o presidente disparou um tiro na boca com um rifle que havia sido presenteado pelo líder cubano Fidel Castro.

O corpo foi levado para o Hospital Militar, onde uma autópsia rápida confirmou o depoimento da testemunha. Ele foi, então, enterrado no meio da noite em um cemitério na cidade litorânea de Viña del Mar, a cerca de 130 quilômetros de Santiago, na presença de alguns poucos familiares, que não foram autorizados a ver o corpo.

Independentemente da sua veracidade, há argumentos de que o suicídio teria servido os interesses do governo militar, enquanto a teoria de que o presidente foi assassinado contribuiria para fortalecer a oposição, que apresentou este crime como um poderoso argumento na luta contra a ditadura de Augusto Pinochet.

Questões em aberto

Pamela Pereira, advogada da família Allende, defendeu que não se pode confiar em uma autópsia realizada sem as necessárias condições médicas e científicas e na presença de oficiais militares. A grande questão é saber se hoje, 37 anos após a morte, é possível aos legistas fazer uma investigação que forneça resultados confiáveis.

Em 1990, o corpo de Allende foi exumado para ser transferido para o mausoléu da família, no cemitério de Santiago, e receber um funeral com honras de Estado para um ex-presidente. Nesta segunda-feira, uma equipe de chilenos e estrangeiros desenterrou os restos mortais para tentar descobrir a chamada verdade histórica e legal sobre a causa da morte.

O médico Marcel Verhoff, o Instituto de Medicina Legal da Universidade de Giessen, na Alemanha, especialista em análise em diferentes períodos post mortem, diz que é muito importante saber se foram tomadas medidas de conservação do corpo em 1973 e as condições em que os restos mortais foram depositados no mausoléu em 1990. Sabe-se que o corpo se apresentava em estado de esqueleto e que teve seu volume reduzido para a colocação no túmulo novo.


"Nem perdão, nem esquecimento", diz cartaz. Ditadura militar ainda é uma ferida aberta no Chile

Exames complementares

"Se os ossos do crânio ainda permanecem completos, mesmo depois de 37 anos as lesões correspondentes devem ser verificáveis, e as lesões ósseas resultantes de um tiro na boca também ainda podem ser bem visíveis no crânio ou no restante do esqueleto", explica o professor Verhoff. "Quanto mais partes do corpo estiverem disponíveis, mais conclusões podem ser tiradas. Em particular, neste caso, exames complementares, como uma tomografia computadorizada podem ajudar uma investigação mais aprofundada", acrescenta.

Não está claro quanto tempo esta investigação deve levar. O especialista avalia que os estudos macroscópicos podem ficar prontos dentro de alguns dias, embora outros possam vir a ser necessários, como tomografia computadorizada, histologia, microscopia eletrônica de varredura e testes de toxicologia.

Para assegurar os melhores resultados, Verhoff indica que "em qualquer caso, o ideal seria ter uma equipe multidisciplinar composta por peritos forenses, antropólogos, arqueólogos, radiologistas, toxicologistas e criminologistas". Além disso, "a investigação deve ser devidamente documentada, para que os resultados e as conclusões finais sejam confiáveis​​", recomenda o legista.

Olhar para o futuro

Para o professor Stefan Rinke, do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Livre de Berlim, a busca pela verdade é um processo indispensável. "É um passo necessário, tendo em conta as emoções dos membros da família, que querem saber o que aconteceu, e também de toda a sociedade chilena, que tem fortes sentimentos a respeito do presidente Allende", diz.

Stefan Rinke, da Universidade Livre de Berlim

Stefan Rinke, da Universidade Livre de Berlim

Rinke indica que dissipar as dúvidas neste caso é tão importante quanto em outros menos conhecidos, que nunca foram encerrados. "Acho que é algo absolutamente necessário, para obtermos a liberdade de viver o futuro", observa o professor Rinke. "Estou convencido que, pelo menos, tem que ser estabelecida a verdade histórica, especialmente em matérias tão discutidas como a morte de Allende, que gera tantos rumores. Para a paz interna de um país, isso é necessário".

A lembrança da morte de Allende traz à mente eventos que no Chile não foram completamente encerrados e ainda geram conflitos. Ela ocorreu em um contexto de extrema violência que marcou o início de um período de ditadura de 17 anos. Por isso, o professor Rinke lembra que é preciso tempo para a sociedadLinke chilena assumir esses fatos. "O período de 20 anos que decorreu desde o retorno à democracia no Chile ainda é curto. Pelo menos durante uma geração ainda vamos discutir esse caso", acrescenta.

Autora: Victoria Dannemann (md)
Revisão: Roselaine Wandscheer

Fonte: DW-World.de