sexta-feira, 29 de abril de 2011

A Copa é amanhã

Neste sábado o mundo futebolístico será abalado com a aguardada 1a. Copa Simón Bolívar de Futebol Libertador da América. A partir das 9 horas da manhã iniciará o sorteio dos confrontos na sede campestre da Associação dos Professores da UPF. Segundo fontes da organização, os times estão preparados e ansiosos pelo evento esportivo do ano! Fontes secundárias informam que um público vibrante, apaixonado e afeito ao etílico se fará presente para este momento nobre das pleias campais.
A lista dos principais times da região que amanhã dará seu sangue pela conquista deste nobre prêmio são:

Hoje na História: 1968 - Musical Hair estreia na Broadway


29/04/2011 - 08:20 | Max Altman | São Paulo

Em um ano marcado por uma grande agitação político-social e também cultural como 1968, era compreensível que a crítica do jornal norte-americano The New York Times de um musical polêmico que acabara de estrear em 29 de abril na Broadway fosse descrito em termos políticos.

"Você provavelmente não precisa ser um defensor de Eugene McCarthy – candidato democrata às eleições presidenciais daquele ano e um político bastante liberal – para gostar da peça," escreveu o crítico Clive Barnes. "Mas ela não terá muitas chances entre os adeptos da candidatura de Ronald Reagan."

O musical em questão era Hair, celebrado como o “musical das tribos dos amantes do rock”, que apresentou Aquarius, uma canção definidora de uma época, e que deu aos frequentadores de teatro de Nova York e, pouco depois, das principais capitais do planeta, um vislumbre direto e amplo da florescente estética da contra-cultura dos anos 1960
Com cenas de sexo e nudez, Hair estreou na Broadway e se tornou um sucesso de bilheteria

Hair não era um show completamente novo quando abriu suas cortinas na noite de 29 de abril de 1968. Anteriormente a peça foi apresentada a quarenta quarteirões ao sul no East Village, como a produção inaugural do Teatro Público Joseph Papp. A despeito das críticas pouco favoráveis, o musical Hair conseguiu manter-se e crescer com salas cheias e grande sucesso durante uma carreira de seis semanas no teatro Público e reunir verba suficiente a fim de se mudar para a Broadway. Embora este tipo de mudança viesse a se tornar mais comum, era extraordinariamente raro para um musical à época. E foi uma mudança particularmente audaz para um musical com uma partitura não tradicional. Além do mais, Hair foi a primeira produção musical de rock a fazer um enorme sucesso no Great White Way – nome de fantasia de uma parte da Broadway na zona central da cidade de Nova York, especificamente uma área que engloba o Distrito dos Teatros entre as ruas 42 e 53.

A manchete “Encontro no Great White Way" apareceu na edição de 3 de fevereiro de 1902 do The New York Evening Telegram. O apelido jornalístico foi inspirado pelos milhões de lâmpadas nas marquises dos teatros e nos cartazes de anúncio que iluminavam a área, especialmente em torno do Times Square, que mais tarde tornou-se o coração da indústria teatral.

Entretanto, a novidade do musical não se circunscrevia apenas a sua música ou referência a sexo e drogas. Hair exibiu pela primeira vez uma cena muito comentada, no final do primeiro ato, em que o elenco aparece completamente nu no palco defronte às luzes da ribalta. Pela primeira vez também a menção à Guerra do Vietnã é incluída no roteiro.

Mesmo assim, a ruptura, potencialmente chocante com a tradição da Broadway, não provocou qualquer repulsa dos frequentadores de teatro. Hair rapidamente tornou-se não apenas um espantoso êxito de bilheteria como um genuíno fenômeno cultural que permitiu, por exemplo, à banda Fifth Dimension vender milhões de discos com a trilha sonora do espetáculo. Hair foi adaptado e produzido em palcos das principais cidades do mundo com sucesso generalizado. Levado à tela dos cinemas igualmente estabeleceu recordes de venda de ingressos.

Quarenta anos depois da estreia, o crítico Charles Isherwood, escrevendo para o The New York Times, colocou Hair em seu exato contexto histórico.

"Para experiências sonoras mais simples, mais cheia de modulações ou melhor trabalhadas harmonicamente desses últimos tempos, pode-se apelar para The Doors ou Bob Dylan ou Joni Mitchell ou Jimi Hendrix ou Janis Joplin. Ou todos eles. Se desejar uma dose de distração mental e devaneios ao doce som da juventude, transbordante na esperança de que o mundo irá mudar amanhã, ouça o Hair e deixa a luz do sol entrar (na letra original de uma das canções: let the sunshine in)", disse a crítica.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Ciclo de Cinema V - Inscrições abertas!

AVISOS
Inscrição no site UPF - opção OUVINTES - clique aqui para realizar a sua
A participação é aberta a todos os interessados!
Os certificados só serão emitidos com a comprovação de participação em, no mínimo, 75% das atividades, conforme regulamentação das Atividades de Extensão.


FICHAS TÉCNICAS

“Alô amigos”
título original: “Saludo amigos”.
ano: 1941/1942.
origem: Estados Unidos.
duração: 42 minutos.
Distribuição: Buena Vista Film Distribution Co.; Inc.
Sinopse: Sob o auxílio de um narrador, o filme mescla animação e documentário para expressar uma missão de reconhecimento pela América do Sul. A idéia é fazer com que os funcionários de Walt Disney – escritores, músicos, desenhistas etc. – pudessem entrar em contato com um mundo até então pouco conhecido que os vizinhos do Tio Sam representavam. Dessas experiências surgiriam temas para filmes incluindo a criação de novos personagens, e é exatamente nessa ocasião que “nasce” nosso Zé Carioca, o malandro de fala ligeira e que por sua vez guiará Donald em suas aventuras pela terra Brasil, inclusive em outras produções da Walt Disney. Como o filme segue literalmente um roteiro de viagem, está dividido em quadros cujas personagens da Disney se dividem em situações aparentemente sem qualquer relação umas com as outras. No entanto, seja na passagem de Donald pelos Andes, ou nas peripécias do aviãozinho Pedro no Chile; na vinda do Pateta aos pampas argentinos ou no encontro de Donald com nosso “Joe” Carioca no Rio de Janeiro, a tônica é a mesma: apreender o que há de exótico ao sul da linha do Equador, mas ressaltando seu caráter positivo. Sendo assim, com exceção do Rio de Janeiro, o roteiro priorizou as cidades do interior. Donald, por exemplo, faz uma llama dançar fox próximo ao lago Titicaca (Andes); Pedro voa por sobre o nevado monte Aconcágua; Pateta toma contato com um verdadeiro painel da cultura dos pampas e Donald, quase um chanceler para a política de boa vizinhança nos trópicos, desembarca no Rio enquanto os pincéis de Walt Disney não cansam de reverenciar nossa fauna e flora, sempre regado a muita música e diversão.

Persépolis
título original: (Persepolis)
lançamento: 2007 (França, EUA)
direção:Vincent Paronnaud, Marjane Satrapi
atores:Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve, Danielle Darrieux, Simon Abkarian.
duração: 95 min
gênero: Animação
Sinopse: Marjane Satrapi (Gabrielle Lopes) é uma garota iraniana de 8 anos, que sonha em se tornar uma profetisa para poder salvar o mundo. Querida pelos pais e adorada pela avó, Marjane acompanha os acontecimentos que levam à queda do xá em seu país, juntamente com seu regime brutal. Tem início a nova República Islâmica, que controla como as pessoas devem se vestir e agir. Isto faz com que Marjane seja obrigada a usar véu, o que a incentiva a se tornar uma revolucionária.

Valsa com Bashir
título original: (Vals Im Bashir)
lançamento: 2008
direção:Ari Folman
atores: Ron Ben-Yishai, Ronny Dayag, Ari Folman, Dror Harazi.
duração: 90 min
gênero: Animação
Sinopse: Em um bar um amigo conta ao diretor Ari Folman sobre um sonho constante que tem, no qual é perseguido por 26 cães ferozes. Através da conversa eles concluem que a imagem tem ligação com sua missão na 1ª Guerra do Líbano, no início dos anos 80, quando defendia o exército de Israel. Como Ari nada se lembra sobre o evento, ele passa a buscar e entrevistar seus velhos companheiros da época.

Registro de Defesa


Parabéns ao Mestre Ubiratã Ferreira Freitas!!!

Hoje na História: 1945 - Mussolini é executado em Milão

28/04/2011 - 08:07 | Max Altman | São Paulo

Benito Mussolini, ditador fascista, companheiro de Hitler e parceiro do nazismo em suas agressões, encontrou seu fim em 28 de abril de 1945.

Ele e sua amante Clara Petacci tinham sido capturados pela Partigiana, a Resistência Italiana, um movimento armado de oposição ao fascismo. A prisão aconteceu em 26 de abril, dois dias antes da execução, quando eles tentavam fugir de Como, norte da Itália, para a Suíça.

Os corpos de Mussolini e Clara foram transportados para Milão e jogados na Piazza Loreto. No dia seguinte foram pendurados pelos pés numa viga, sendo retirados horas depois e largados na sarjeta. Ali permaneceram durante o resto da tarde de domingo. Enfurecida, apopulação pisoteou a face do ex-ditadoraté que se tornou irreconhecível. Os dentes foram brutalmente arrancadospor conta dos pontapés.

O rosto do italiano ficou desfigurado, como se a população quisesse pisotear também seu último desejo: morrer preservando aquelas feições que, por duas décadas, foram uma referência para a Itália. Antes de ser fusilado, as últimas palavras de Mussolini foram:" Atirem aqui. Não destruam meu perfil", pediu, apontando para o peito.

Finalmente, em 1º de maio, Mussolini foi enterrado ao lado de sua amante, em vala comum, no Cimitero Maggiore,de Milão. Foi nesse clímax macabro de degradação que Il Duce e o fascismo passaram para a história.

Mistério

Ricardo Lombardi, novo prefeito da Província de Milão, alegavaque o fuzilamento de Mussolini foi perfeitamente legal, vistoque o Comitê Nacional de Libertação havia proclamado que todos os fascistas armados se encontravam na ilegalidade.

As últimas horas de vida de Mussolini foram vasculhadas por um tribunal do júri de Pádua, em maio de 1957. O processo, porém, não esclareceu as circunstâncias da morte. Até hoje não se sabe, de fato, quem disparou os tiros mortais.

Michele Moretti, último sobrevivente do grupo antifascista que executou o ex-ditador, morreu em 1995, aos 86 anos, em Como. Moretti, que na época da guerrilha usava o codinome Pietro, levou para o túmulo o segredo sobre quem realmente disparou contra Mussolini e sua amante.

Na avaliação de alguns historiadores, foi o próprio Moretti matou os dois. Para outros, o autor dos disparos, feitos com a arma de Pietro, foi outro partigiano, chamado Walter Audisio. O que se pode assegurar, porém, é que a ação foi ordenada pela Resistência italiana.

Fonte: Opera Mundi

Seja um professor

'Um bom professor, um bom começo' é a nova campanha do movimento Todos Pela Educação

Campanha traz a valorização do bom professor como questão prioritária para a melhora da qualidade da Educação no país
'Um bom professor, um bom começo' é a nova campanha do movimento Todos Pela Educação

O movimento Todos Pela Educação lança hoje, 12 de abril, sua nova campanha de mobilização sob o slogan “Um bom professor, um bom começo”, produzida pela DM9DDB, agência do grupo ABC. A campanha tem como objetivo a valorização do bom professor, aquele que tem o foco no aprendizado de seus alunos e que, assim, contribui efetivamente para a melhoria da qualidade da Educação no Brasil.

“Um bom professor é aquele que sabe o conteúdo a ser ensinado e a maneira de ensiná-lo”, afirma Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos Pela Educação.“E esse profissional precisa ser valorizado, para que continue se desenvolvendo na carreira e que dê bons exemplos para seus colegas de trabalho”, completa Priscila.

As peças da campanha seguem o mesmo conceito: em todas as conquistas, sejam elas grandes ou rotineiras, existe um bom professor. “Para traduzir a importância do ensino de uma forma lúdica, criamos anúncios que conversam com todos os públicos, passando por alunos, pais e professores, mostrando como o bom professor é essencial para formar um bom aluno”, comenta André Pedroso, diretor de Criação da DM9DDB.

A campanha contempla peças para todas as mídias: uma animação produzida pela Vetor Zero, em stop motion para TV, anúncios para jornais e revistas, banners para internet e spots de rádio.


VEJA O VÍDEO ABAIXO

“A ideia desta campanha é que as pessoas pensem sobre a importância de um bom professor em suas vidas. Aquele que ajudou, de fato, em seu aprendizado, que possa ter ajudado na opção por esta ou aquela profissão, que tenha ensinado importantes valores. O objetivo é chamar a atenção para a importância da valorização dos bons profissionais do magistério que contribuem efetivamente para a concretização do direito de aprender de todas as crianças e jovens”, afirma Priscila.

Sobre o Todos Pela Educação
O Todos Pela Educação é um movimento que congrega sociedade civil, gestores públicos de Educação, iniciativa privada e especialistas com a missão de contribuir para a garantia do direito de todas as crianças e jovens a uma Educação de qualidade até 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil. Afinal, o País só será, de fato, independente, quando todas as suas crianças e jovens tiverem acesso à Educação de qualidade. Para isso, foram estabelecidas 5

Metas que o País precisa alcançar:

Meta 1 – Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola.
Meta 2 – Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos.
Meta 3 – Todo aluno com aprendizado adequado à sua série.
Meta 4 – Todo jovem com o Ensino Médio concluído até os 19 anos.
Meta 5 - Investimento em Educação ampliado e bem gerido

Fonte: Todos pela educação

1a. Reunião de Avaliação e Planejamento



Ontem foi realizada a 1a.Reunião de Avaliação e Planejamento do curso deste ano. A atividade, já implementada em 2010, terá ainda três encontros nos próximos bimestres antes do II Fórum do Curso, que acontecerá no final do ano letivo. A reunião foi realizada entre os professores e os representantes de turma, que representam seus colegas trazendo demandas, sugestões e críticas.

História UPF, pensando e repensando a
formação acadêmica continuamente!

Publicado edital de Seleção PPGH


EDITAL DE SELEÇÃO Nº 01/2011
(clique aqui para ver todos os documentos)

PROCESSO DE SELEÇÃO PARA INGRESSO
NO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM
HISTÓRIA DA UNIVERSIDADE DE PASSO
FUNDO - TURMA 2011/02

O Programa de Pós-Graduação em História (PPGH), da Universidade de Passo Fundo
(UPF), torna pública a abertura das inscrições para as provas de seleção ao curso de
Mestrado em História para a turma 2011/02.
O Mestrado em História, com área de concentração em História Regional, tem como
linhas de pesquisa:

1. Política e Cultura
Agrega as pesquisas sobre relações políticas e representações culturais, no âmbito
regional, nacional e internacional nas dimensões amplas que compreendem o fazer
histórico contemporâneo em termos de objetos, referenciais e metodologias.

2. Espaço, Economia e Sociedade
Agrega as pesquisas sobre os processos de ocupação do espaço e formas societárias;
relações e conflitos sociais, econômicos e simbólicos, nas dimensões regionais;
comunidades nativas, formação da sociedade luso-brasileira e ibero-americanas.

ESTRUTURA CURRICULAR
A estrutura curricular do Mestrado prevê um mínimo de 30 créditos, sendo 24
créditos de disciplinas e 6 créditos de orientação.

INSCRIÇÕES
PERÍODO: 02 de maio a 04 de julho de 2011
A inscrição deverá ser feita no endereço eletrônico:
http://www.upf.br/posgraduacao/inscricoes.php
Valor: R$ 70,00 (setenta reais)
A inscrição somente será homologada mediante o envio da documentação completa.

DOCUMENTOS PARA INSCRIÇÃO: * ANEXO 1
a) Currículo Lattes documentado;
b) 3 (três) cópias do projeto de pesquisa
c) 2 (duas) cópias do diploma de graduação;
d) 2 (duas) cópias do histórico escolar;
e) 2 (duas) cópias da certidão de casamento ou nascimento;
f) 2 (duas) cópias do RG;
g) 2 (duas) cópias do CPF;
h) 1 (uma) foto 3x4 recente;
i) Formulário de inscrição;
j) Quadro de pontuação do Currículo preenchido (ANEXO 2)
k) Cópia do comprovante de pagamento da inscrição
Homologação das inscrições: 08/07/2011

ENVIO DE DOCUMENTOS:
Pela Central de Atendimento ao Aluno e Secretaria do PPGH
Universidade de Passo Fundo – Centro Administrativo

Por SEDEX - Postado até 30/06/2011
Endereço:
Universidade de Passo Fundo
IFCH – Prédio B4
Programa de Pós-Graduação em História
Campus I – Bairro São José – KM 171 – BR 285
Cx. Postal 611
CEP 99001-970 – Passo Fundo/RS

SELEÇÃO
1) PROVA ESCRITA: prova dissertativa sobre o tema de pesquisa do candidato, na
qual deve constar, também, referências sobre o entendimento da área de concentração
do Programa, História Regional.
DATA: 11/07/2011 às 8h30min;

2) Análise do Currículo do candidato;

3) Análise do Pré-projeto de pesquisa;

4) ENTREVISTA: o candidato deverá discorrer sobre seu projeto de pesquisa ( tema,
fontes, estágio da pesquisa, outras informações relevantes) e currículo .
DATA: 11/07/2011 a partir das 14h e 12/07/2011 a partir das 9h.

RESULTADO FINAL: até 15/07/2011

NÚMERO DE VAGAS: até 10 (dez)

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
* Poderão candidatar-se os graduados com Licenciatura Plena e/ou Bacharelado em
História ou áreas afins.
* O PROJETO DE PESQUISA deverá conter: descrição do tema, fontes de pesquisa
e bibliografia.
Sugestão disponível no site http://www.ppgh.upf.br/ link INGRESSO (ANEXO 3 e
4).
* O Programa não se compromete a preencher todas as vagas.
* Não serão aceitos recursos quanto à homologação e quanto ao processo de seleção e
seu resultado.
* A documentação dos candidatos não classificados deverá ser retirada, na Secretaria
do PPGH, até o prazo máximo de 10/12/2011. Após esta data será encaminhada para
reciclagem.
* A Comissão de Seleção decidirá sobre as questões não previstas no presente Edital.
* INFORMAÇÕES: Fone: (54) 3316-8339, e-mail pghis@upf.br, site
http://www.ppgh.upf.br/

PRÉ-MATRÍCULAS : 18/07/2011 pelo e-mail: pghis@upf.br

Comissão de Seleção
PPGH/UPF
Passo Fundo, 26 de abril de 2011

711: Os árabes invadem a Espanha

>>Pescador prepara suas redes no lado espanhol do rochedo de Gibraltar

Em 28 de abril de 711, os árabes atravessam o Estreito de Gibraltar em direção à Espanha. Em quatro anos, conquistam quase todo o país, chegando até a França.

Tarik ibn Ziyad, o governador da cidade de Tânger, desembarcou na Baía de Algeciras com cerca de 8 mil soldados. Primeiro instalou-se à volta do penhasco de Calpe, onde construiu suas primeiras fortalezas. Mais tarde, esse penedo recebeu o nome Djabal Tarik – o monte de Tarik – atualmente conhecido como Gibraltar.

Algumas semanas mais tarde, aportaram outros milhares de soldados – berberes em sua maioria – e Tarik seguiu terra adentro. O primeiro choque sangrento entre os árabes e os visigodos que dominavam a Espanha data de 19 de julho de 711. Os dois exércitos enfrentaram-se por vários dias e somente a traição por parte das tropas do rei Roderico decidiu a batalha. O caminho para Córdoba e Sevilha estava aberto para os mouros.

O reino visigótico estava praticamente esfacelado, a resistência era quase nula. Pode-se dizer que houve um colapso interno total após o primeiro ataque dos agressores estrangeiros, bloqueando qualquer resistência por parte da população cristã.

Os visigodos haviam subestimado o perigo que representavam os árabes. Depois que Tarik começou sua marcha do Sul para o Norte, bastaram apenas sete anos até que os novos conquistadores se estabelecessem. A penetração da cultura muçulmana na Europa tem consequências até hoje.

UE reconectou Espanha ao continente

Para a Espanha, a invasão representou o desligamento quase total da Europa, o início de uma história quase hermética desde a Idade Média até a Moderna. Segundo o historiador Michael Borgholte, da Universidade Humboldt de Berlim, não é exagero afirmar que só com a sua filiação à União Europeia é que a Espanha voltou a conectar-se com o resto do continente.

Visto sob o pano de fundo da história europeia, a conquista muçulmana da Espanha foi o campo de experiências para o choque e a simbiose de três culturas, representadas pelas três grandes religiões: Cristianismo, Islamismo e Judaísmo.

O processo de fertilização cultural é especialmente intenso no século 11, sobretudo na cidade de Toledo. Os conhecimentos linguísticos de numerosos judeus eruditos ali residentes lhes permitiram traduzir para o latim os relatos históricos em árabe e grego. Por outro lado, a cidade logo atraiu estudiosos da Inglaterra, França e Alemanha para estudar esses documentos antigos.

Porém, desde o século 9º, as tensões cresciam. Partes da Espanha começaram a ser reconquistadas pelos cristãos. O resultado foram cruéis perseguições e pogroms, como, por exemplo, em 1066, quando 1.500 famílias judaicas foram assassinadas.

Início da Reconquista

A fase de poder ilimitado dos mouros acabou em 718, mas foi apenas no ano de 732 que os sucessores de Tarik sofreram a derrota definitiva. Eles haviam chegado longe, atravessado os Pireneus até Poitiers. Sob os golpes de Charles Martel, o avô de Carlos Magno, a Gália foi resgatada para a Europa. Após a vitória de Poitiers começou a Reconquista.

O processo foi difícil, já que os muçulmanos dilapidaram o país em sua retirada. A Espanha estava despovoada, cada investida dos cristãos, de 718 a 1493, implicou a recolonização uma a uma das regiões abandonadas. Antes de cada próximo passo, o vácuo deixado pelos mouros tinha que ser preenchido.

Em 1493 os mouros estavam vencidos. Seguiu-se uma catolização radical da Espanha, excluindo qualquer possibilidade de convivência pacífica entre as diferentes culturas e religiões. Um ano antes, começara o êxodo dos judeus para os países vizinhos, expulsos pelo casal real Fernando e Isabel.

Hoje, tanto por seu passado como pela situação geográfica, a Espanha é a ponte entre a União Europeia e a África.
Jens Teschke (rw)
Fonte: DW-World.de

quarta-feira, 27 de abril de 2011

STF rejeita ação de Estados e mantém período para professores prepararem aulas

RS é um dos Estados que questionou a validade da lei junto ao Supremo

Estados e municípios sofreram nesta quarta-feira uma nova derrota no Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte manteve uma regra que garante aos professores da educação básica o direito de ficar fora de sala de aula durante um terço da jornada de trabalho.

Os educadores devem usar esse período para desenvolver atividades de planejamento de aulas e aperfeiçoamento profissional. No início do mês, o STF já havia imposto uma derrota às administrações estaduais e municipais ao julgar a ação movida pelos governos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Ceará.

Na ocasião, os ministros tinham confirmado a validade da lei que fixou um piso salarial nacional para os professores. O piso atual é de R$ 1.187,97, valor que pode ser elevado com o pagamento de acréscimos e benefícios.

O julgamento foi concluído nesta quarta-feira, quando a votação terminou empatada em 5 a 5. Em caso de empate, há um entendimento do STF que a ação deve ser julgada improcedente.

O ministro José Antonio Dias Toffoli, que poderia desempatar o julgamento, não pode votar porque no passado atuou no processo como advogado-geral da União. Toffoli foi advogado-geral no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Apesar da decisão de hoje, o Judiciário poderá analisar novamente as regras que fixaram a divisão da jornada de trabalho dos professores. Isso porque não foi formada uma maioria na votação. Dessa forma, o resultado do julgamento não teve um efeito vinculante e o assunto poderá ser debatido de novo no futuro durante o julgamento de ações movidas por outros Estados ou municípios.

Impacto

Conforme estimativas recentes da Confederação Nacional de Municípios (CNM), com a confirmação do direito dos professores de gastarem parte da carga horária com atividades externas, as prefeituras terão de contratar mais 180 mil professores para assegurar aos alunos quatro horas diárias em sala de aula. Isso representará um impacto de R$ 3,1 bilhões nas contas dos municípios.

De acordo com estimativas da CNM, será de R$ 5,4 bilhões o impacto do piso nacional acrescido da necessidade de contratar mais 180 mil professores por causa da redução do período em sala de aula.

No início do mês, na sessão em que validou o piso nacional, o STF não tinha chegado a uma conclusão sobre a divisão da carga horária dos professores porque o presidente da Corte estava na Itália, participando de compromissos oficiais.

Fonte: Zero Hora

Portaria de Renovação do Reconhecimento do Curso

Hoje foi publicado no Diário Oficial a Portaria SESU 964 de 26 de abril de 2011 que confere a renovação do reconhecimento do curso de História da UPF!

Unesp lança 50 livros digitais gratuitos


A partir de hoje (27), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) disponibiliza gratuitamente 50 novos livros digitais.

Segundo as responsáveis pela iniciativa, a Editora Unesp e a Pró-Reitoria de Pós-Graduação, os títulos integram o selo Cultura Acadêmica (lançado em 1987, o segundo da Fundação Editora da Unesp) e dão continuidade à Coleção Propg Digital, que oferece obras inéditas para download.

A coleção teve sua primeira fase em 2010, quando foram lançadas 44 obras. Desde então, foram registrados mais de 50 mil downloads e cerca de 205 mil acessos. Segundo os organizadores, a meta do projeto é publicar mil títulos em 10 anos, permitindo maior acesso à produção acadêmica da Unesp.

Veja a lista de livros:

História

As tradições gaúchas e sua racionalização na modernidade tardia - Caroline Kraus Luvizotto

Palmas, a última capital projetada do século XX: Uma cidade em busca do tempo - Valeria Cristina Pereira da Silva

Monteiro Lobato nas páginas do jornal: Um estudo dos artigos publicados em O Estado de S. Paulo (1913-1923) - Thiago Alves Valente

Representações do senado romano na Ab Unbe Condita Libre de Tito Lívio: Livros 21-30 - Marco Antonio Collares

Sacrificium Laudis: A hermenêutica da continuidade de Bento XVI e o retorno do catolicismo tradicional (1969-2009) - Juliano Alves Dias

Letras/Linguística

O rio e a casa: Imagem do tempo na ficção de Mia Couto - Ana Cláudia da Silva

Rumores da escrita, vestígios do passado: Uma interpretação fonológica das vogais do português arcaico por meio da poesia medieval - Juliana Simões Fonte

Relações de complementação no português brasileiro: Uma perspectiva discursivo-funcional - Liliane Santana

A Literatura dos Outros e os Outros da Literatura - Maria Heloísa Martins Dias / Sônia Helena de Oliveira Raymundo Piteri

O léxico em foco: Múltiplos olhares - Lidia Almeida Barros / Aparecida Negri Isquerdo

Língua e sociedade nas páginas da imprensa negra paulista: Um olhar sobre as formas de tratamento - Sabrina Rodrigues Garcia Balsalore

Figurações contemporâneas do espaço na Literatura - Sérgio Vicente Motta / Susanna Busato

Leitura e escrita como espaços autobiográficos de formação - Maria Rosa Rodrigues Martins de Camargo

Geografias do drama humano: Leituras do espaço em São Bernardo, de Graciliano Ramos, e Pedro Páramo, de Juan Rulfo - Gracielle Marques

Educação

Necessidades formativas de professores de redes municipais: Contribuição para a formação de professores crítico-reflexivos - Cristiano Amaral Garboggini di Giorgi / Maria Raquel Miotto Morelatti / Mônica Fürkotter / Naiara Costa Gomes de Mendonça / Vanda Moreira Machado Lima / Yoshie Ussami Ferrari Leite

Política de Educação no campo: Para além da alfabetização (1952-1963) - Iraíde Marques de Freitas Barreiro

Pesquisa em educação escolar: Percursos e perspectivas - José Milton de Lima / Divino José da Silva / Paulo Cesar de Almeida Raboni

Educação infantil: Discurso, legislação e práticas institucionais - Lucimary Bernabé Pedrosa de Andrade

Jovens, violência e escola: Um desafio contemporâneo - Joyce Mary Adam de Paula e Silva / Leila Maria Ferreira Salles

Aprendizagem e comportamento humano - Tânia Gracy Martins do Valle / Ana Cláudia Bortolozzi Maia

Pesquisa em educação: Métodos e modos de fazer - Marilda da Silva e Vera Teresa Valdemarin

A vigilância punitiva: A postura dos educadores no processo de patologização e medicalização da infância - Fabiola Colombani Luengo

Formação de professores: Limites contemporâneos e alternativas necessárias - Lígia Márcia Martins / Newton Duarte

Psicologia

Saúde e desenvolvimento humano - Tânia Gracy Nartins do Valle e Lígia Ebner Melchiori

A depressão como "mal-estar" contemporâneo: Medicalização e (Ex)-Sistência do sujeito depressivo - Leandro Anselmo Todesqui Tavares

Natureza comportamental da mente: Behaviorismo radical e filosofia da mente - Diego Zílio

Comunicação

Televisão digital: Informação e conhecimento - Maria Cristina Gobbi / Maria Teresa Miceli Kerbauy

Gestão, mediação e uso da informação - Marta Valentim

Criação, proteção e uso legal da informação em ambientes da World Wide Web - Elizabeth Roxana Mass Araya / Silvana Aparecida Borsetti Gregório Vidotti

Música

Revisão crítica das canções para voz e piano de Heitor Villa-Lobos: Publicadas pela Editora Max Eschig - Nahim Marun

Abordagens do pós-moderno em Música: A incredulidade nas metanarrativas e o saber musical contemporâneo - João Paulo Costa do Nascimento

Geografia/Urbanismo

Brasília, metropolização e espaço vivido: Práticas espaciais e vida quotidiana na periferia goiana da metrópole - Igor Catalão

Paisagens de consumo: São Paulo, Lisboa, Dubai e Seul - Silvia Aparecida Guarnieri Ortigoza

História do pensamento geográfico e epistemologia em Geografia - Paulo R. Teixeira de Godoy

Teatro/Dramaturgia

Traços épico-brechtianos na dramaturgia portuguesa: O render dos heróis, de Cardoso Pires, e Felizmente há luar!, de Sttau Monteiro - Márcia Regina Rodrigues

Projeto Comédia Popular Brasileira da Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes (1993-2008): Trajetória do ver, ouvir e imaginar - Roberta Cristina Ninin

Política/Ciências Sociais

Mulheres em foco: Construções cinematográficas brasileiras da participação política feminina - Danielle Tega

Política e identidade cultural na América Latina - José Luis Bendicho Beired / Carlos Alberto Sampaio Barbosa

Cultura contemporânea, identidade e sociabilidades: Olhares sobre corpo, mídia e novas tecnologias - Ana Lúcia de Castro

Caleidoscópio Político: As representações do cenário internacional nas páginas do jornal O Estado de S. Paulo (1938-1945) - Alexandre Andrade da Costa

Profissão: Assistente Social - Edméia Côrrea Netto

Suicídio revolucionário: A luta armada e a herança da quiméria revolução em etapas - Claudinei Cássio Rezende

Economia

Inovações tecnológicas e a complexidade do sistema econômico - Carolina Marchiori Bezerra

O Estado como empregador de última instância: Uma abordagem a partir das finanças funcionais - Guilherme da Rocha Bezerra Costa

Arquitetura/Design

Revolução histórica da Ergonomia no mundo e seus pioneiros - José Carlos Plácido da Silva / Luis Carlos Paschoarelli

Design, empresa e sociedade - Paula da Cruz Landim

Filosofia

Consciência e matéria: O dualismo de Bérgson - Jonas Gonçalves Coelho

Ciências/Matemática

Ensino de Ciências e Matemática III: Contribuições da pesquisa acadêmica a partir de múltiplas perspectivas - Fernando Bastos

Ensino de Ciências e Matemática IV: Temas de investigação - Nelson Antonio Pirola

Artes

Mulheres recipientes: recortes poéticos do universo feminino nas artes visuais- Flávia Leme de Almeida


Fonte: UOL Educação

É hora de comemorar e agradecer


Hoje passamos de 80.000 mil acesso no Blog História UPF em 20 meses de sua existência. Esta consolidação do site só pôde acontecer com auxílio de todos os envolvidos no curso (professores, funcionários, alunos e egressos) e dos demais seguidores.

Agradecemos a todos e contamos sempre com suas visitas, comentários e informações para tornar o Blog um espaço de referência para a História e a Educação.

Vamos juntos fazer História, também blogando!!!

Neste momento temos 80.529 acessos assim distribuídos:
Brasil
- 71.929
Portugal - 3.380
Estados Unidos
- 2.560
Alemanha
- 224
França
- 158
Eslovênia
- 127
Angola
- 121
Canadá -
106
Espanha -
105
Moçambique
- 83



Tchernobil sedia cerimônia de 25 anos da catástrofe nuclear

Ucranianos lembram vítimas do acidente de Tchernobil

Líderes russo e ucraniano participaram de homenagem na antiga usina. Na comemoração dos 25 anos do acidente em Tchernobil, autoridades também falam sobre os custos da tragédia e pedem ajuda para superá-la.

Ao lado de outras manifestações por todo o mundo, o aniversário de 25 anos do pior acidente nuclear da história levou os presidentes da Ucrânia e da Rússia ao local da catástrofe, então território da União Soviética. Viktor Yanukovitch e Dimitri Medvedev visitaram nesta terça-feira (26/04) a antiga usina de Tchernobil, no norte da Ucrânia, e participaram de uma cerimônia no local.

Os chefes de Estado lançaram a pedra fundamental do futuro monumento aos que trabalharam no saneamento da usina, conhecidos como "liquidadores". Após a explosão do reator 4, em 26 de abril de 1986, cerca de 150 mil homens e mulheres se expuseram à radiação para controlar os efeitos do desastre.

"A humanidade sempre se lembrará do sacrifício de vocês", disse Yanukovitch durante a cerimônia, transmitida ao vivo para a Ucrânia e a Rússia. "Por muito tempo, infelizmente, a Ucrânia esteve sozinha neste desastre de Tchernobil. Hoje, não estamos mais sozinhos", comentou o presidente.

Visita tradicional

O presidente de Belarus, Alexander Lukachenko, não participou da cerimônia ao lado de Yanukovitch e Medvedev, optando por uma visita a povoados e fazendas afetados pela radiação.

O departamento presidencial de imprensa bielorusso esclareceu que "a visitação dos locais contaminados no país, no aniversário da tragédia de Tchernobil, tornou-se uma tradição". Consta que Lukachenko "passa vários dias por ano" no território da catástrofe.

A antiga república soviética Belarus teve mais 25% do território contaminado após o desastre e 460 povoados precisaram ser evacuados. Segundo cálculos do gabinete de Lukaschenko, os custos do acidente nuclear chegam a 160 bilhões de euros. Desde que se tornou independente, em 1991, o país já investiu mais de 19 bilhões de euros na descontaminação das áreas atingidas, incluindo as terras aráveis.

Na Alemanha

O ministro alemão do Meio Ambiente, Norbert Röttgen, também discursou publicamente sobre Tchernobil, nesta terça-feira. O ministério que encabeça foi criado em reação à tragédia na Ucrânia. Ele lembrou que, ao contrário das explosões recentes dos reatores de Fukushima, no Japão, o acidente de 1986 se deveu a falha humana.

O ministro assegurou que, no presente contexto da reavaliação da segurança atômica na Alemanha, o fator humano está sendo levado em consideração, da mesma forma que terremotos, enchentes ou quedas de aviões. O Ministério do Meio Ambiente é responsável pelas condições de segurança das usinas nucleares do país.

"As chocantes imagens das vítimas da radiação, dos refugiados e das áreas então habitadas que precisaram ser abandonadas, ficaram gravadas em nossa memória. Esse acidente nuclear provocou um sofrimento humano imenso. Crianças que ainda nem nasceram irão sofrer por causa dele", advertiu Röttgen.

Dinheiro para superar o desastre

Enquanto o presidente Viktor Yanukovitch participava da cerimônia oficial, na capital Kiev o primeiro-ministro da Ucrânia, Mykola Azarov, pedia mais apoio internacional para superar os efeitos de Tchernobil.

Segundo as autoridades ucranianas, o país acumula perdas econômicas da ordem de 180 bilhões de dólares em decorrência do acidente nuclear, e os gastos para superá-lo chegariam a 10% do Produto Interno Bruto do país.

"Apesar de todas as circunstâncias econômicas, nos últimos 20 anos a Ucrânia financiou sozinha os custos da superação do desastre. Temos certeza de que a solidariedade das nações e Estados, o humanismo da civilização moderna não deixarão a Ucrânia sem ajuda externa. Agradecemos a todos que nos ajudaram e, com antecedência, àqueles que nos ajudarão", disse Azarov.

Segundo o premiê, na Ucrânia 2,2 milhões pessoas têm status de vítimas de Tchernobil, e 255 mil delas são reconhecidas oficialmente como "liquidadores". Além de cobrir os altos custos da assistência médica, relocação e compensação das vítimas, o país também precisa financiar a construção de um novo sarcófago para o reator destruído: "Tchernobil deixou problemas sociais e econômicos que persistirão por anos", comentou Azarov.
NP/dpa/afp
Revisão: Augusto Valente
Fonte: DW-World.de

MEC já trabalha com metas do Plano Nacional de Educação

Terça-feira, 26 de abril de 2011 - 20:37

A grande ousadia do Plano Nacional de Educação, em tramitação no Congresso Nacional, é fixar metas de qualidade. A afirmação é do ministro Fernando Haddad, em seminário realizado na noite desta terça-feira (26) Brasília, promovido pela Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino – Andifes. “Em um país que nunca valorizou os processos educacionais, nós estamos dando um salto histórico”.

Com relação à fixação de um volume de investimento obrigatório em Educação, o ministro Fernando Haddad explicou que só uma emenda constitucional pode evitar um veto presidencial, como ocorreu no PNE anterior, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso praticamente inviabilizou as propostas apresentadas ao cortar os recursos necessários para implementá-las. “Desta forma, cabe ao Congresso Nacional fixar este percentual”.

Haddad reconheceu que todos os textos enviados pelo Ministério da Educação ao Congresso Nacional saíram de lá mais bem acabados do que chegaram. “Com uma única exceção, o do PL do Prouni, que piorou com a intervenção dos parlamentares”. O ministro disse não ver razão para que o PNE não seja aprovado ainda este ano na Câmara. “Talvez, tenha dificuldades no Senado. O único problema disso é a aprovação dos planos regionais. Da parte do MEC nós já estamos trabalhando com as metas propostas”, disse o ministro.
Nunzio Briguglio
Fonte: MEC

Quem quer ser professor?

por Tory Oliveira

Baixos salários, desvalorização e falta de plano de carreira afastam as novas gerações da profissão docente. Mas há quem não desiste. Por Tory Oliveira. Foto: Masao Goto Filho

Você é louca!” “É tão inteligente, sempre gostou de estudar, por que desperdiçar tudo com essa carreira?” Ligia Reis (foto a dir.), de 23 anos, ouviu essas e outras exclamações quando decidiu prestar vestibular para Letras, alimentada pela ideia de se tornar professora na Educação Básica. Nas conversas com colegas mais velhos de estágio, no curso de História, Isaías de Carvalho, de 29 anos, também era recebido com comentários jocosos. “Vai ser professor? Que coragem!” Estudante de um colégio de classe média alta em São Paulo, Ana Sordi (foto a esq.), de 18 anos, foi a única estudante de seu ano a prestar vestibular para Pedagogia. E também ouviu: “Você vai ser pobre, não vai ter dinheiro”. Apesar das críticas, conselhos e reclamações, Ligia, Isaías e Ana não desistiram. No quinto ano de Letras na USP, Ligia hoje trabalha como professora substituta em uma escola pública de São Paulo. Formado em História pela Unesp e no quarto ano de Pedagogia, Isaías é professor na rede estadual na cidade de São Paulo. No segundo ano de Pedagogia na USP, Ana acompanha duas vezes por semana os alunos do segundo ano na Escola Viva.

Quando os três falam da profissão, é com entusiasmo. Pelo que indicam as estatísticas, Ligia, Isaías e Ana fazem parte de uma minoria. Historicamente pressionados por salários baixos, condições adversas de trabalho e sem um plano de carreira efetivo, cursos de Pedagogia e Licenciatura – como Português ou Matemática – são cada vez menos procurados por jovens recém-saídos do Ensino Médio. Em sete anos, nos cursos de formação em Educação Básica, o núsmero de matriculados caiu 58%, ao passar de 101.276 para 42.441.

Atrair novas gerações para a carreira de professor está se firmando como um dos maiores desafios a ser enfrentado pela Educação no Brasil. Não por acaso, a valorização do educador é uma das principais metas do novo Plano Nacional de Educação. Uma olhadela na história da educação mostra que não é de hoje que a figura do professor é institucionalmente desvalorizada. “Há textos de governadores de província do século XIX que já falavam que ia ser professor aquele que não sabia ser outra coisa”, explica Bernardete Gatti, da Fundação Carlos Chagas, coordenadora da pesquisa Professores do Brasil: Impasses e desafios. No entanto, entre as décadas de 1930 e 1950, a figura do professor passou a ter um valor social maior. Tal perspectiva, porém, modificou-se novamente a partir da expansão do sistema de ensino no Brasil, que deixou de atender apenas a elite e passou a buscar uma universalização da educação. Desordenada, a expansão acabou aligeirando a formação do professor, recrutando muitos docentes leigos e achatando brutalmente os salários da categoria como um todo.

Raio X

Encomendada pela Unesco, a pesquisa Professores do Brasil: Impasses e desafios revelou que, em geral, o jovem que procura a carreira de professor hoje no Brasil é oriundo das classes mais baixas e fez sua formação na escolas públicas. Segundo dados do questionário socioeconômico do Enade de 2005, 68,4% dos estudantes de Pedagogia e de Licenciatura cursaram todo o Ensino Médio no setor público. “De um lado, você tem uma -implicação muito boa. São jovens que estão procurando ascensão social num projeto de vida e numa profissão que exige uma formação superior. Então, eles vêm com uma motivação muito grande.”

É o caso de Fernando Cardoso, de 26 anos. Professor auxiliar do quinto ano do Ensino Fundamental da Escola Viva, Fernando é a primeira pessoa de sua família a completar o Ensino Superior. Sua primeira graduação, em Educação Física, foi bastante comemorada pela família de Mogi-Guaçu, interior de São Paulo. O mesmo aconteceu quando ele resolveu cursar a segunda faculdade, de Pedagogia.

Entretanto, pondera Bernardete, grande parte desse contingente também chega ao Ensino Superior com certa “defasagem” em sua formação. A pesquisadora cita os exemplos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que revela resultados muito baixos, especialmente no que diz respeito ao domínio de Língua Portuguesa. “Então, estamos recebendo nas licenciaturas candidatos que podem ter dificuldades de linguagem e compreensão de leitura.”

Segundo Bernardete, esse é um efeito duradouro, uma vez que a universidade, de forma geral, não consegue suprir essas deficiências. Para Isaías Carvalho, esta é uma visão elitista. “Muitos professores capacitados ingressam nas escolas e estão mudando essa realidade. Esse discurso acaba jogando toda a culpa nos professores”, reclama.

Desde 2006, Isaías Carvalho trabalha como professor do Ensino Fundamental II e Ensino Médio em uma escola estadual em São Paulo. Oriundo de formação em escolas públicas, Isaías também é formado pelo Senai e chegou a trabalhar como técnico em refrigeração. Só conseguiu passar pelo “gargalo do vestibular” por causa do esforço de alguns professores da escola em que estudava na Vila Prudente, zona leste de São Paulo. Voluntariamente, os professores davam aulas de reforço pré-vestibular de graça para os alunos, nos fins de semana. “Os alunos se organizavam para comprar as apostilas”, lembra. Foi durante uma participação como assistente de um professor na escola de japonês em que estudava que Antônio Marcos Bueno, de 21 anos, resolveu tornar-se professor. “Um sentimento único me tocou”, exclama. Em busca do objetivo, saiu de Manaus, onde morava, e mudou-se para São Paulo. Depois de quase dois anos de cursinho pré-vestibular, Antônio Marcos está prestes a se mudar para a cidade de Assis, no interior do Estado, onde vai cursar Letras, com habilitação em japonês.

Entretanto, essa visão enraizada na cultura brasileira de que ser professor é uma missão ou vocação – e não uma profissão – acaba contribuindo para a desvalorização do profissional. “Socialmente, a representação do professor não é a de um profissional. É a de um cuidador, quase um sacerdote, que faz seu trabalho por amor. Claro que todo mundo tem de ter amor, mas é preciso aliar isso a uma competência específica para a função, ou seja, uma profissionalização”, resume Bernardete.

Contra a corrente

Ainda assim, o idealismo e a vontade de mudar o mundo ainda permanecem como fortes componentes na hora de optar pelo magistério. Anderson Mizael, de 32 anos, teve uma trajetória diferente da maioria dos seus colegas da PUC-SP. Criado na periferia de São Paulo, Anderson sempre estudou em escolas públicas. Adulto, trabalhou durante cinco anos como designer gráfico antes de resolver voltar a estudar. Bolsista do ProUni, que ajuda a financiar a mensalidade, Anderson é um dos poucos do curso de Letras que almejam a posição de professor de Literatura. “Eu tenho esse lado social da profissão. O ensino público está precisando de bons professores, de gente nova”, explica ele, que acaba de conseguir o primeiro estágio em sala de aula, em uma escola no Campo Limpo, zona sul da capital. Ana, que hoje trabalha em uma escola de elite, sonha em dar aula na rede pública. “São os que mais precisam.” “Eu sempre quis ser professora, desde criança”, arremata Ligia.

A empolgação é atenuada pela realidade da escola – com as já conhecidas salas lotadas, falta de material e muita burocracia. Ligia Reis reclama. “Cheguei, ganhei um apagador e só. Não existe nenhum roteiro, nenhum amparo”, conta. “Às vezes, você é um ótimo professor, tem várias ideias, mas a escola não ajuda em nada”, desabafa. Ligia também conta que, para grande parte de seus colegas de graduação, dar aula é a última opção. “A maioria quer ser tradutor ou trabalhar em editoras. É um quadro muito triste.”

Como constatou Ligia, de forma geral, jovens oriundos de classes mais favorecidas, teoricamente com uma formação mais sólida e maior bagagem cultural, acabam procurando outros mercados na hora de escolher uma profissão. “Eles procuram carreiras que oferecem perspectivas de progresso mais visíveis, mais palpáveis”, explica Bernardete. Um dos motivos que os jovens dizem ter para não escolher a profissão de professor é que eles não veem estímulo no magistério e os salários são muito baixos, em relação a outras carreiras possíveis. “Meu avô disse para eu prestar Farmácia, que estava na moda”, lembra Ana.

A busca pela valorização da carreira de professor passa também, mas não somente, por políticas de aumento salarial. Além de pagar mais, é preciso que o magistério tenha uma formação mais sólida e, principalmente, um plano de carreira efetivo. “Um plano em que o professor sinta que pode progredir salarialmente, a partir de alguns quesitos. Mas que ele, com essa dedicação, possa vir a ter uma recompensa salarial forte”, conclui a pesquisadora.

Anderson, Ligia, Ana, Isaías, Antônio e Fernando torcem para que essa perspectiva se torne realidade. “Eu acho que, felizmente, as pessoas estão começando a tomar consciência do papel do professor. É uma profissão que, no futuro, vai ser valorizada”, torce Anderson. “É uma profissão, pessoalmente, muito gratificante.” “Às vezes, eu chego à escola morta de cansaço, mas lá esqueço tudo. É muito gostoso”, conta Ana.

Fonte: Carta Capital


terça-feira, 26 de abril de 2011

O nome e a coisa por Carlos Fico

Marcha da Família, Recife (1964)
Rio de Janeiro - Por Carlos Fico


Comumente qualificado como “militar”, o golpe de Estado que, em 1964, derrubou o governo de João Goulart tem sido designado, ultimamente, como “civil-militar”. Com isso, a historiografia mais recente quer chamar a atenção para o fato de que o movimento contou com significativo apoio civil.

Consultados pela enquete do Brasil Recente, 68% dos leitores acham que o período 1964/1985 deve ser chamado de “ditadura civil-militar”, não apenas de “militar”, o que indica a correta percepção de que os civis também foram responsáveis não apenas pelo golpe de 1964, mas pelos 21 anos do regime.

De fato, o golpe contou com o apoio generalizado da imprensa, da Igreja Católica e de amplos setores da classe média, que se expressou nas famosas “Marchas da Família, com Deus, pela Liberdade” que aconteceram em dezenas de cidades brasileiras.

Depois do golpe, veio o saneamento financeiro do primeiro governo, que terminou bastante impopular, sobretudo por causa do arrocho e da carestia. O governo seguinte, de Costa e Silva (sempre lembrado como sendo um linha-dura), no início tentou passar a idéia de que “humanizaria” o combate à inflação, mas essa imagem benevolente não resistiu à repressão, que se intensificou no final de 1967 e prosseguiu pelo governo seguinte.

Entretanto, o governo de Médici foi beneficiado pelas medidas de contenção anteriores e o chamado “milagre econômico” criou essa situação contraditória: o governo mais repressivo do período contou com apoio popular. Diz-se, até, que Médici teria feito seu sucessor em eleições diretas, se quisesse.

Mas esse apoio foi passageiro. A partir de meados dos anos 1970, a oposição ao regime seria crescente. Para os que argumentam em favor da denominação “civil-militar”, essa mudança é importante: a memória sobre o período costuma enaltecer essa segunda fase, na qual todos pareciam estar contra o regime. De fato, quando lembramos da atuação crítica de entidades como a OAB, a ABI e a CNBB, não podemos esquecer da atitude inicial de apoio.

Pessoalmente, acho que o golpe de 64 foi indiscutivelmente civil e militar: a atuação do IPES, o papel desempenhado pelos governadores Carlos Lacerda e Magalhães Pinto, o “golpe parlamentar”, quando o senador Moura Andrade declarou a vacância da presidência ainda com Goulart no país, entre outras coisas, sublinham a importância da participação civil. Mas logo ficaria evidente a preponderância dos militares: nas primeiras horas do dia 3 de abril de 1964, em reunião para decidir quem assumiria a presidência da República, o general Costa e Silva – que controlava um “Comando Supremo da Revolução” criado por ele mesmo – tratou com brutalidade os líderes civis do golpe. A reunião foi suspensa já ao alvorecer e Carlos Lacerda chegou a redigir uma carta de renúncia, que nunca veio a público.

Assim, o regime foi conduzido por oficiais-generais: as decisões, as políticas, tudo dependia do “de acordo” dos militares. Aliás, não se deve esquecer que a grande diferença entre esses governos militares e as numeosas intervenções militares anteriores da história republicana brasileira foi, justamente, a decisão de assumir plenamente o governo, diferentemente dos episódios precedentes, quando eles controlavam as crises e devolviam o poder aos civis.

De modo que, se devemos falar de um “golpe civil-militar”, certamente podemos falar de um “regime (ou ditadura) militar”. Isso não significa, entretanto, que os civis tenham tido pouca importância. Enfim, escolher um bom nome é importante, mas o fundamental é discutir e conhecer a coisa em si.

Fonte: Brasil Recente

Encontro de Memórias de Religiosidade


MHR promove Encontro Memórias de Religiosidades


As lembranças religiosas de Passo Fundo estarão em exposição no Museu Histórico Regional (MHR). A “I Mostra de Memória Imaterial: religiosidades” acontece entre os dias 10 de maio e 21 de julho.

Entre as atividades, está programado o Encontro Memórias de Religiosidades. Representantes de diversas confissões e crenças religiosas apresentarão a trajetória histórica da instituição ou grupo no município. O encontro acontece no dia 02 de maio, às 19h30min no Teatro Municipal Múcio de Castro - Av. Brasil Oeste, 758. A atividade é gratuita e aberta ao público.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail mhr@upf.br ou telefones (54) 3316-8585 e 3316-8586.

Os interesses ocidentais e a revolta árabe

25/04/2011 - 15:09 | Francisco Carlos Teixeira | Rio de Janeiro

A passividade, e mesmo cordialidade, com que a diplomacia ocidental convivia com as ditaduras árabes evoluiu rapidamente para uma situação nova e altamente volátil, com impactos inesperados.

De um lado, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) envolveu-se em mais uma guerra contra um país árabe. As esperanças de um desenlace rápido e da ruína imediata de Kadafi não se concretizaram, obrigando as potências ocidentais a um envolvimento cada vez maior na crise. Por outro lado, o fluxo de refugiados abala as próprias estruturas da União Europeia, principalmente institutos como o “Espaço de Schengen”. Daí decorre a necessidade de analisar os atuais interesses ocidentais e as revoltas árabes.

As questões estratégicas e securitárias

A manutenção e controle do livre acesso entre o Mar Mediterrâneo e o Oceano Índico através do Canal de Suez – esta via básica do comércio e da segurança regional, reaberta ao tráfego internacional e operada pelo Egito desde os Acordos de Camp David (em 1978) – garante o fluxo de energia para a Europa, as operações de combate contra a ”nova pirataria” (Iêmen, Somália) e as operações de controle e segurança entre a frota americana nos dois mares da região, o Mediterrâneo e o Golfo Pérsico, através do Mar Vermelho.

Da mesma forma, o Egito, até fevereiro de 2011, contrariando a legislação internacional, impedia – para satisfação de Israel – o acesso de naus iranianas ao Mediterrâneo através do Canal. Tal quadro foi alterado, já nos primeiros dias do novo governo no Cairo, com a permissão de navios de guerra iranianos de livre acesso ao Mediterrâneo, aumentando as preocupações de Israel e subvertendo as bases da segurança regional, conforme fora estabelecido nos acordos de paz entre Israel e Egito.

A questão da migração

O controle de imigração para a Europa, em especial para a Itália (líbios, tunisianos), França e Bélgica (tunisianos) Grécia (egípcios e tunisianos) e Inglaterra (egípcios e líbios) é uma das preocupações maiores da União Europeia. Desde o início da crise, os ministros do interior interessados manifestaram-se fortemente apreensivos, em especial o governo italiano, considerando-se “abandonado” pelos demais parceiros comunitários.

A possibilidade de vagas de imigrantes pobres do Maghreb – bem ao contrário dos ricos membros da cleptocracia tunisiana e egípcia assíduos em Roma, Paris, Londres e nas praias espanholas – seria uma tragédia para a União Europeia, colocando em risco o chamado Espaço de Schengen, instituto que garantiria a livre circulação de pessoas no interior da UE. Cabe ressaltar que vários governos conservadores da UE, como Berlusconi na Itália e Sarkozy na França, trataram a migração árabe, desde o inicio de seus mandatos, como um problema securitário da comunidade, associando migrantes com desemprego e criminalidade (o que, neste último caso, não possui qualquer suporte ou comprovação estatística).

Caso as revoltas atinjam a Argélia – já, em fevereiro de 2011, palco de grande mobilização popular que avança em nossos dias, e, em especial, o Marrocos, países como a França e a Espanha seriam diretamente atingidos. O próprio ditador líbio, Muamar Kadafi, utilizou-se do pânico europeu frente aos imigrantes para ameaçar a UE. Em 7 de março de 2011, Kadafi, em entrevista à TV francesa, lembrou aos europeus que seu regime é o responsável pelo bloqueio de vagas de migrantes da paupérrima região do Sahel (Chade, Mali, Níger), que, na ausência de um regime “de ordem”, poderiam invadir a Europa, reforçando a tese de que seu regime é parte vital do sistema de segurança do Mediterrâneo.

Neste momento, em total impasse político e militar, já se contam em um milhão de refugiados líbios – de uma população total não superior a 6,5 milhões – acampados precariamente na Tunísia e Egito ou deslocados internamente. Da mesma forma, milhares de tunisianos, sem maiores expectativas, buscam oportunidades na antiga potência colonial, a França.

A ONU criou uma missão especial para analisar as necessidades e as medidas emergenciais de atendimento a estes refugiados. O papa manifestou-se, no domingo de Páscoa, contra a expulsão dos refugiados. Contudo, Sarkozy, que impeliu a solução militar da questão, mantém-se inarredável na repressão aos migrantes. Para este, trata-se de conquistar os votos da extrema-direita do Fronte Nacional, de Marine Le Pen.

A segurança de Israel

A preocupação com a segurança de Israel foi, no caso dos Estados Unidos, um foco inicial bastante relevante de posicionamento frente a Revolta Árabe, com os anseios populares árabes subordinados às questões securitárias ligadas à aliança Washington-Tel Aviv. A diplomacia israelense pressionou fortemente Washington para manter o apoio a Mubarak e afastar-se de um processo de democratização do Maghreb, chegando a gerar intenso debate entre o posicionamento de Hillary Clinton (e Susan Rice, embaixadora na ONU), do vice-presidente Joe Biden – que chegou a defender a permanência de Mubarak em plena revolta – e do próprio Obama, inclinado a apoiar, sem intervenção militar, a revolta popular.

Somente depois do inevitável desfecho é que Israel, através de seu presidente Shimon Peres – uma voz pregando no deserto! – fez um largo elogio ao movimento popular árabe. Aqui reside uma questão-chave: no atual momento e em face da estagnação do processo de paz na Palestina, qualquer governo democrático, sensível aos sentimentos populares, será crítico (em graus variados) ao Estado de Israel.

O caso da Turquia é um paradigma ainda insuperável: a ascensão ao poder em Ancara, em 2002, do AKP (Partido da Justiça e do Desenvolvimento), islamita conservador e democrático, resultou na quebra da colaboração turco-israelense e no surgimento, para Israel, de uma nova frente de críticas e de graves crises internacionais (culminando no ataque israelense contra a flotilha turca de ajuda aos palestinos em 2010).

Eleições livres e representativas no Egito e na Tunísia (assim como seria na Síria e Jordânia) devem forjar maiorias tão críticas a Israel quanto o AKP na Turquia do premiê Erdogan (vamos lembrar que o ataque de Israel à flotilha humanitária de bandeira turca com destino a Gaza causou um imenso dano a imagem internacional do Estado judeu). Da mesma forma, a cooperação militar entre Istambul e Tel Aviv cessou de imediato, dando muito maior liberdade de ação para os regimes de Damasco e de Teerã (que só não aproveitam melhor a situação em virtude de suas próprias oposições internas).

De qualquer forma, no médio prazo, as revoltas árabes são um grave risco para Israel. A propaganda política mais comum – “Israel, a única democracia do Oriente Médio” – e muito sensível na Europa e Estados Unidos, irá por água abaixo. Por outro lado, a insistência numa visão de Israel como um acampamento militar cercado por inimigos – o chamado “Espírito de Massada” – será duramente criticada, inclusive internamente. A existência de regimes representativos no Cairo, em Túnis, em Beirute e, quiçá, em Damasco e, num futuro, em Teerã terá um desfecho certo sobre os palestinos. Novas eleições gerais darão, sem dúvida, uma maioria às forças mais moderadas e que buscam uma solução negociada e definitiva. Assim, a direita nacionalista no poder em Tel Aviv ficará cada vez mais isolada e sem programas.

Mais uma vez, a história é irônica: é muito provável que o último alvo da democracia no Mundo Árabe seja a direita israelense.

A questão do petróleo

O Egito e a Tunísia não são, em verdade, grandes produtores de petróleo, sendo sua produção residual em relação aos vizinhos. Contudo, o impacto da revolta egípcia se faz claramente sobre o fluxo de comércio mundial – incluindo aí petróleo – através do Canal de Suez e, ao mesmo tempo, sobre o risco de fechamento da via por generalização de conflitos internos ou antipatia com o Estado de Israel. Estas possibilidades, mesmo remotas, já influíram visivelmente na cotação do barril no início da rebelião popular egípcia.

O efeito dominó do aumento dos preços do petróleo deverá incidir, por sua vez, fortemente sobre commodities agrícolas, impulsionando ainda mais a inflação mundial e gerando “bolhas” especulativas setoriais. Entretanto, o caso da Líbia é bastante diferente – as reservas (comprovadas) líbias de petróleo alcançam 47 bilhões de barris, enquanto as egípcias somam apenas 4,3 bilhões de barris. Sua produção é parte integrante da produção mundial do sistema de cotas da OPEP e a paralisação, mesmo parcial, incidiu já fortemente sobre a cotação do petróleo.

O aumento da produção da Arábia Saudita e, suplementarmente, do Catar e a Nigéria, para preencher o fornecimento líbio – na casa de 500 até 600 mil barris/dia – foi, desde 27 de fevereiro de 2011, uma medida emergencial para evitar maiores sobressaltos no mercado. Da mesma forma, a notícia de que os Estados Unidos estavam cogitando colocar no mercado suas reservas estratégicas dão conta, em conjunto, do impacto (mesmo psicológico) da crise num momento de fragilidade da economia norte-americana e europeia.

Contudo, o ministro do petróleo do Irã, esperadamente, reagiu irritado à medida saudita e lançou a OPEP numa situação de indecisão. Ao Irã, secundado pela Venezuela, interessa a manutenção dos níveis elevados da cotação. Para ambos – em forte crise econômica e em atrito constante com as potências ocidentais – não interessa aliviar os efeitos inflacionários da crise. Embora os Estados Unidos não sejam grandes compradores na região, suas empresas são grandes operadoras e estão diretamente envolvidas na crise.

O principal prejudicado no caso são as economias europeias, já duramente atingidas pela crise financeira comunitária, pela vaga de migrantes, e agora pelo preço da energia. Caso a crise perdure ou alastre-se para a Argélia – grande exportador de gás natural, com reservas de 59,67 bilhões de metros cúbicos, o que a faz o quarto exportador mundial, mormente para a França e Espanha – a segurança energética global será duramente afetada.

* Professor Convidado da Universidade Técnica de Berlim. Artigo publivado na Carta Maior.

Fonte: Opera Mundi

Confraternização III nível


1937: Guernica é bombardeada

Guernica em 1937

No dia 26 de abril de 1937 os bombardeiros da Legião Condor reduziram a cinzas a cidade basca de Guernica. O ataque aéreo, que durou apenas três horas, custou a vida de 1.645 pessoas.

26 de abril de 1937 foi uma segunda-feira. A cidade de Guernica, no norte da Espanha, estava cheia de vida: até então ela permanecera praticamente intocada pela Guerra Civil Espanhola, que grassava desde o ano anterior. Entretidos em seus afazeres, os 5 mil habitantes entravam e saíam de suas casas, feitas de estruturas e galerias em madeira e cobertas de telhas.

No fim da tarde, começaram os bombardeios aéreos isolados. Por volta das 6h30, veio o ataque principal dos aviões alemães, em ondas sucessivas. Segundo um diário de guerra da época, a esta altura a fumaça já era tanta que não se distinguiam mais os alvos – casas, pontes ou arrabaldes – e os pilotos dos 50 bombardeiros da Legião Condor atiravam sua carga mortal indistintamente.

Calcula-se que, ao todo, 22 toneladas de explosivos foram lançados sobre aquela cidade do País Basco, entre pequenas bombas incendiárias e bombas de 250 quilos. A rede de canalização d'água foi rapidamente destruída, e assim o fogo teve todo o tempo para alastrar-se e consumir Guernica. O diário de guerra conclui: "O tipo de construção das casas fez com que a destruição fosse total. Ainda se veem os buracos das bombas na rua. Simplesmente fantástico."

Estratégia de Göring

Trezentas pessoas morreram imediatamente, milhares ficaram feridas, até porque os aviões deram caça aos fugitivos. Três quartos dos prédios foram arrasados em menos de três horas. Com o fracasso da tomada da capital Madri, a cidadezinha entrara na mira dos fascistas liderados por Francisco Franco.

O futuro ditador contava com o apoio da Alemanha e da Itália. A política do nazista Hermann Göring era utilizar a Guerra Civil Espanhola como campo de testes para os pilotos e as máquinas de sua nova Luftwaffe (Força Aérea).

Logo os agressores divulgaram as mais estapafúrdias versões do bombardeio infernal em Guernica. Entre outras, que só pretendiam explodir uma ponte, para cortar o caminho das tropas inimigas. Mais tarde, Franco fez até mesmo espalhar o boato de que a própria cidade basca haveria se bombardeado.

Guernica transformou-se em símbolo. O ataque da Legião Condor foi o primeiro bombardeio aéreo maciço contra a população indefesa de toda uma cidade na história européia. A partir daí, o terror contra civis tornou-se um princípio, passando a integrar a moderna maquinaria de guerra.

O pintor espanhol Pablo Picasso captou esse horror em seu quadro antibélico Guernica, realizado logo após o massacre. Conta-se que um oficial da SS lhe perguntou, apontando para a pintura "Foi o senhor que fez isso?". Picasso respondeu: "Não, o senhor".

Potencial destrutivo do século 20

Detalhe de 'Guernica', de Pablo Picasso

O crítico de arte Robert Rosenblum analisa a obra: "Ela equivale a uma imagem do fim do mundo, sobretudo do mundo moderno, como o conhecemos. Um clarão ofuscante de chamas, em seguida a sensação do caos definitivo. Mulheres e crianças gritando, um touro, um cavalo, uma visão de choque e trauma que representa todo o nosso pavor à beira do abismo. Assim é o quadro Guernica: da forma mais impressionante e poderosa, ele anuncia a mensagem da guerra, do potencial destrutivo do século 20".

Sessenta anos mais tarde, o então presidente da Alemanha, Roman Herzog, pediu perdão aos habitantes da cidade: "Quero assumir a responsabilidade pelo passado e reconhecer expressamente o envolvimento culposo dos pilotos alemães. Eu pranteio com vocês os mortos e feridos. Aos que ainda carregam consigo as feridas do passado, estendo minha mão num pedido de reconciliação".

Dois anos mais tarde, o governo democrata-cristão de Helmut Kohl doaria 3 milhões de marcos à cidade que os soldados alemães tinham reduzido a cinzas. O dinheiro foi empregado na construção de um novo centro de esportes.
Gerda Gericke
Fonte: DW-World.de

Nova norma concede aos bolsistas maior prazo para concluir graduação

Segunda-feira, 25 de abril de 2011 - 14:18

A partir desta segunda-feira, 25, os bolsistas do Programa Universidade para Todos (ProUni) terão mais tempo para concluir o curso de graduação. Portaria publicada no Diário Oficial da União estende para duas vezes o do período do curso o prazo que anteriormente era de uma vez e meia.

Com a mudança, por exemplo, o bolsista de um curso de quatro anos, que antes teria seis para se formar, passa a ter oito para concluir a graduação. A medida dá ao estudante que eventualmente não consiga terminar o curso no tempo regular — por necessidade de trancamento ou outros motivos — o direito à bolsa até a conclusão dessa etapa dos estudos.

Para o estudante que obtém a bolsa em curso no qual já esteja matriculado, o período cursado antes da concessão do benefício será deduzido do prazo total que, pela nova regra, ele terá para concluir a graduação.

Criado em 2004, o ProUni oferece bolsas integrais e parciais (50% da mensalidade) a estudantes em instituições particulares de educação superior. Desde então, 863 mil estudantes foram contemplados com bolsas de estudos.

A Portaria Normativa nº 9, de 20 de abril de 2011, foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira, 25, seção 1, página 21.

Assessoria de Imprensa da Sesu

segunda-feira, 25 de abril de 2011

MHR sedia exposição fotográfica sobre a vida no campo

Imagens sobre a agricultura feitas por repórteres fotográficos do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai participaram do Prêmio New Holland de Fotojornalismo
Foto: Antonio Costa
Foto do vencedor brasileiro da categoria Campo, Antonio Costa, de Curitiba (PR)

A vida no campo do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai é tema de exposição fotográfica no Museu Histórico Regional (MHR). O material é resultante do 6º Prêmio New Holland de Fotojornalismo. As 40 melhores fotografias do concurso estão reunidas na mostra que fica na cidade até 08 de maio.

A sexta edição do prêmio bateu recorde de inscrições. Foram mais de 1,7 mil fotografias e 199 fotógrafos participantes. A mostra é composta pelas 11 imagens vencedoras e outras 29 fotografias selecionadas.

No Brasil, o vencedor da categoria Campo foi o fotógrafo Antonio Costa, de Curitiba (PR). O segundo lugar foi para Cristiano Borges, de Goiânia (GO). Na América Latina, o ganhador na categoria Campo foi o argentino Norberto Melone, de Buenos Aires. O primeiro prêmio da categoria Tecnologia foi para o brasileiro Alexandre Reisdorfer, do município de São Luis Gonzaga (RS). Em segundo lugar ficou Gerson Sobreira, de Londrina (PR).

Prêmio New Holland de Fotojornalismo

O Prêmio New Holland de Fotojornalismo é realizado no Brasil desde 2005, na Argentina desde 2007 e no Uruguai e Paraguai desde o ano passado, o prêmio é uma iniciativa da New Holland com o apoio da Lei de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura. Nestes seis anos o concurso já promoveu 125 exposições, que passaram por 80 cidades, com um público estimado de 75 mil pessoas. O objetivo do prêmio é valorizar o trabalho dos repórteres fotográficos que retratam o cotidiano rural e levar estas imagens ao público por meio de exposições que rodam os países participantes.

Serviço:

Local: Museu Histórico Regional (Av Brasil Oeste, 758)

Horário: Terça a sexta-feira, das 9h às 18h. Sábados e domingos, das 14h às 18h

Data: 19 de abril a 08 de maio

Contato: Tania Aimi (54 3316-8588)

Entrada franca.

Conversas entre soldados nazistas revelam lógica secreta da guerra

Conversas entre soldados alemães foram monitoradas por Aliados

Conversas gravadas secretamente entre soldados alemães prisioneiros revelam a mentalidade que movia combatentes da Segunda Guerra. Transcrições foram achadas por acaso.

Quando, em 2001, o historiador alemão Sönke Neitzel se deparou com uma pilha de documentos no Arquivo Nacional Britânico, mal pôde acreditar no que via. Ele acabara de encontrar transcrições de conversas entre soldados alemães mantidos como prisioneiros durante a Segunda Guerra, registradas secretamente. Eram diálogos íntimos entre camaradas, ignorando que um terceiro tudo escutava e anotava minuciosamente.

As forças britânicas e norte-americanas, que mantinham os prisioneiros alemães, tinham a esperança que as conversas pudessem fornecer informações militares importantes. Mas pouco se descobriu sobre arsenais secretos. O que as transcrições revelam, na maior parte, é o cotidiano dos homens na guerra, como eles lutavam, matavam e morriam.

"Para mim, jogar bombas se tornou uma necessidade", lê-se numa passagem. "Dá mesmo um arrepio na espinha, é uma sensação ótima. Tão gostoso fuzilar alguém."

Sönke Neitzel e o psicanalista Harald Welzer ficaram tão fascinados com as 150 mil páginas de transcrições que decidiram estudar esse estranho material. Os resultados de suas observações foram publicados no livro Soldaten – Protokolle vom Kämpfen, Töten und Sterben (Soldados: Atas de sobre lutar, matar e morrer).

"Tomamos o cuidado de evitar julgamentos. Não queríamos apenas mostrar as coisas terríveis que os soldados fizeram", comenta Neitzel. Em vez disso, eles queriam entender os pensamentos desses soldados, e como eles foram levados esses atos terríveis.

Matar por diversão

Ainda assim, os dois pesquisadores não deixaram de se emocionar com alguns dos relatos. Em algumas passagens, depararam-se com histórias sobre como os soldados discutiam entre si sobre o gosto pelo assassinato, ou sobre a quantidade de mulheres que haviam estuprado.

Raramente, algum dos participantes das conversas expressava qualquer objeção ou criticava esse ato de se vangloriar. "De certo modo, eram conversas mais ou menos normais entre dois colegas", diz Welzer. A única diferença é que seu trabalho era a guerra.

Quando Neitzel contou a Welzer sobre as transcrições, logo ficou-lhe claro quão raros e valiosos eram aqueles documentos. Embora historiadores tenham frequentemente a oportunidade de estudar memórias de guerra ou as cartas que os soldados enviavam à família, estas têm valor limitado, observa Welzer.

"Quando alguém escreve uma carta para a mamãe, certamente não comenta quantas mulheres estuprou." Essas transcrições, por sua vez, são uma sensação para o mundo acadêmico.

"Não temos material comparável nem mesmo de guerras contemporâneas, como a do Afeganistão. Por um lado, conversas desse tipo provavelmente não estão sendo registradas, por outro, mesmo que estivessem, não teríamos acesso a elas."

O livro lançado pelos estudiosos examina assuntos relacionados à mentalidade dos soldados envolvidos no combate diário e como eles viam a guerra. Um dos aspectos surpreendentes para os autores foi o fato de as atitudes dos soldados não variarem muito segundo a idade, histórico pessoal ou hierarquia militar.

Um ofício especializado

Soldados alemães invadem a Polônia, em 1939Bildunterschrift: Soldados alemães invadem a Polônia, em 1939

A dupla está convencida de que as conversas francas entre os combatentes alemães da Segunda Guerra também permitem penetrar na mentalidade de soldados envolvidos em outros conflitos. Uma constatação perturbadora é que a própria lógica da guerra é o que os transforma em seres humanos brutais.

"No primeiro dia, pareceu terrível. Mas aí eu disse para mim mesmo: 'Dane-se, ordem é ordem'. No segundo e terceiro dias, pensei 'tanto faz, de qualquer jeito'. No quarto, comecei a gostar", diz uma passagem dos arquivos.

Para Sönke Neitzel, "lutar numa guerra é como um ofício especializado, e quanto melhor os soldados dominarem essas aptidões, maiores são suas chances de sobrevivência e de sucesso. E eles se definem por esse sucesso".

Quanto a isso, observa Neitzel, não há muita variação de uma guerra para a outra. "No fim das contas, um franco-atirador da Wehrmacht na Segunda Guerra e um da Bundeswehr no Afeganistão estão fazendo o mesmo trabalho. A arma e uniforme são diferentes hoje, mas o trabalho é o mesmo, é atirar para matar, é exatamente a mesma coisa."

O historiador está convencido que, nessas situações, a ideologia não entra na cabeça dos soldados: os da Wehrmacht não ponderavam sobre a ideologia dos nazistas, os da Bundeswehr hoje provavelmente não refletem por um só momento sobre a Constituição alemã.

Uma guerra igual à outra

Segundo Neitzel e Welzer, sem dúvida havia nazistas convictos entre os soldados alemães da Segunda Guerra, e essas convicções lhes diziam que matar judeus era a coisa certa a fazerem. Esses, no entanto, constituíam uma minoria.

Os pesquisadores também argumentam que os atos de violência cometidos sob o regime nazista não foram mais brutais do que os cometidos em outras situações. Eles creem que uma ideologia como o nazismo não é o fator mais importante que leva a atrocidades, mas sim um sistema de valores militares que transforma homens em assassinos.

Harald Welzer considera fútil o clamor público em relação aos crimes de guerra, pois a lógica da guerra tende a gerar crimes. "Em qualquer guerra moderna, acontecem exatamente as mesmas coisas que esses soldados alemães da Segunda Guerra discutiam. A única maneira de se erradicar isso seria acabar com a guerra inteiramente e substituí-la por uma outra maneira de os países resolverem suas diferenças, sem recorrer ao assassinato", finaliza o psicanalista.Autora: Nadine Wojcik (np)
Revisão: Augusto Valente
Fonte: DW-World.de