quinta-feira, 31 de março de 2011

Seleção de Bolsistas


Seleção de Bolsistas para
Estágio Voluntário



GRUPOS DE TRABALHO

1. Elaboração de Recursos Didáticos e Assessoria didático-pedagógica às Escolas de Ensino Básico
Coord. Profa. Ironita Machado

2. Atividades Extensionistas (MHR, Divulgação do Curso, Oficinas e Programas televisivo e radiofônico)
Coord. Profa. Ironita Machado

3. Elaboração do Dossiê dos 40 anos da Graduação e 10 anos do Programa de Pós-Graduação em História/UPF
Coord. Prof. Adelar Heinsfeld

4. Organização e alimentação Web com produção histórica e metodológica da Graduação e Mestrado
Coord. Profa. Gizele Zanotto

5. Organização Semana Acadêmica e Congresso Internacional de História Regional
Coords. Profs. Eduardo Svartman e Adelar Heinsfeld

Inscrições na Coordenação do Curso de História
(com direito a certificado de Aluno Extensionista)

1991: Fim do Pacto de Varsóvia

>>Cartaz de propaganda da aliança militar

Em 31 de março de 1991, foi extinto o Pacto de Varsóvia, que havia sido fundado em 1955 pela União Soviética e seus satélites em contraposição à Otan e em resposta à inserção da Alemanha em alianças militares ocidentais.

As estruturas militares da aliança militar do Leste Europeu deixaram de existir no dia 31 de março de 1991. Sua dissolução foi decretada numa conferência dos ministros do Exterior e da Defesa dos países-membros, realizada em fins de fevereiro daquele ano em Budapeste. Justamente os representantes da União Soviética estavam ausentes.

Ou será que eles simplesmente quiseram fugir a uma situação desagradável? Afinal, 35 anos antes, os tanques soviéticos haviam acabado com uma revolução popular ali mesmo em Budapeste, a capital da Hungria. Além disso, a cerimônia que punha fim ao Pacto tinha lugar no salão de baile de um luxuoso hotel norte-americano.

Resposta do Leste à Otan

Fazia quase 36 anos que fora criada, a 14 de maio de 1955, na capital que lhe deu o nome, o Pacto de Varsóvia, com o qual os países do bloco comunista se contrapunham à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Mais ainda, reagiam ao fato de a Alemanha ter recuperado, por meio dos Tratados de Paris, a soberania perdida após a derrota na Segunda Guerra e ter sido aceita na Otan e na União da Europa Ocidental.

Haviam participado da fundação, ao lado da União Soviética: Albânia, Bulgária, Hungria, Polônia, Romênia e as então Alemanha Oriental e a então Tchecoslováquia (hoje dividida em República Tcheca e Eslováquia). Sob o aspecto formal, o Pacto de Varsóvia – que se reportava aos estatutos das Nações Unidas – era um acordo regional entre parceiros em igualdade de direitos, para a defesa coletiva em caso de agressão externa. Na verdade, era um instrumento tanto militar como político da União Soviética, com a meta de disciplinar seus membros.

Um ano após a fundação, os húngaros sentiram na pele o que isto significava, quando seu desejo de liberdade foi massacrado pelos tanques soviéticos. E o mais tardar em agosto de 1968 a organização deixou claro ao mundo o que ela era na realidade: um instrumento de poder em mãos de políticos soviéticos, capazes de tudo para impor a hegemonia de seu conglomerado de países. Desta vez o alvo foi a Tchecoslováquia, em cuja capital tinha lugar o movimento pela democracia que ficou conhecido como a Primavera de Praga.

Começo do fim

Foi justamente com a intervenção em Praga que começou o fim do Pacto de Varsóvia: os albaneses saíram da aliança em sinal de protesto e os romenos não participaram da invasão. Nos anos seguintes, multiplicaram-se as tentativas de reorganização da aliança: no fundo, apenas gestos, para dar a impressão de que seus membros tinham o que dizer. Na realidade, o Pacto continuou a ser o que era: um instrumento da política externa soviética na era de distensão dos anos 1970; um instrumento de propaganda, no início da década de 1980, contra as estratégias da Otan.

A política de abertura de Mikhail Gorbatchov acelerou o processo de desintegração, reforçado ainda pelas transformações políticas na RDA, na Bulgária e na Romênia, pela retirada das tropas soviéticas da Hungria e da Tchecoslováquia. Por fim, com a anuência de Gorbatchov para a reunificação da Alemanha e sua permanência na Otan, o Pacto de Varsóvia perdeu a razão de existir.

Três meses após a cerimônia em Budapeste, na qual se dissolveu sua estrutura militar, foi assinado em Praga o protocolo do término do "acordo de amizade, cooperação e assistência mútua", como era seu nome oficial.

Oito anos mais tarde, a República Tcheca, a Polônia e a Hungria passaram a integrar a Otan, à qual pertencem desde março de 2004 também a Bulgária, Romênia, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Letônia e Lituânia – ou seja, quase todos os antigos inimigos que participavam do então bloco comunista.
Christa Kokotowski (lk)
Fonte: DW-world.de

31 de março de 1980 - Morre Jesse Owens, o atleta que venceu a Teoria de Hitler

31/03/2011 - 00:00 | Enviado por: Lucyanne Mano

"Mais do que um grande atleta. morreu ontem com Jesse Owens uma verdadeira legenda do esporte internacional, uma glória da história dos estados Unidos. Um homem que, ao lado de um punhado de norte-americanos negros como ele, defendeu a dignidade e a bravura de sua raça, fazendo com que Adolf Hitler abandonasse o estádio no auge das Olimpíadas de Berlim, em 36, que haviam sido organizadas com todo cuidado para provar ao mundo apretensa superioridade da raça ariana.

Mas o traço marcante da personalidade de Owens foi, paradoxalmente, a humildade, que eledeve ter herdado de seus antepassados - uma família que trabalhava na colheita do algodão, no Alabama. Desde os tempos de infância, quando cantava na spirituais negros com os parentes, até mais tarde, já rico e famoso, sua maior preocupação foi não se deixar dominar pelo ódio ou pelo ressentimento". Jornal do Brasil

O grande atleta negro norte-americano Jesse Owens - que em 1936 destruiu a teoria da superioridade da raça ariana propalada por Adolf Hitler conquistando 4 medalhas de ouro nas Olimpíadas de Berlim - morreu na manhã de uma segunda-feira na clínica da Universidade de Tucson, EUA, vítima de câncer no pulmão, geralmente associado ao consumo excessivo de cigarros. Apesar da doença, manteve-se lúcido até o final. Tinha 66 anos.

Velocidade e leveza

James Cleveland Owens nasceu em Danville, Alabama, em 12 de setembro de 1913. Para fugir da miséria, seu pai levou a mulher e os nove filhos para Cleveland, Ohio, onde Owens entrou numa escola pela primeira vez. Numa das aulas iniciais, a professora perguntou-lhe o nome e ele respondeu apenas as iniciais: J. C. A professora entendeu "Jesse", e foi assim que passou a se chamar aquele que seria um dos mais importantes nomes do esporte mundial de todos os tempos.

Só no ginásio, porém, viriam a se revelar suas habilidades no atletismo numa técnica perfeita: a coordenação de movimentos de explosão da saída e do impacto da chegada; e a impulsão e a leveza nos saltos em distância. E começaria a colecionar conquistas.

Mas o momento maior ainda estava por chegar. O palco era a Berlim do atribulado período entre-guerras. Foi no cenário montado para ostentar os anseios de supremacia da raça ariana de Hitler que Owens desbancou todos os adversários com a conquista de 4 medalhas de ouro e subiu ao pódio coberto de glória. Esta façanha não foi assistida pelo Fuhrer que, indignado, retirou-se do estádio instantes antes da premiação.

Fonte: JBlog

quarta-feira, 30 de março de 2011

Inscrições às provas de Comprovação de Competência encerram neste dia 31/03

A Vice-Reitoria de Graduação, através das coordenações das áreas de Informática, Língua Portuguesa e Línguas Estrangeiras da Universidade de Passo Fundo (UPF), informa que encerram nesta quinta-feira, 31 de março, as inscrições para as provas de comprovação de competência na Leitura de Textos em Língua Portuguesa, Leitura de Textos em Língua Estrangeira e no Uso de Ferramentas Básicas de Informática.

As inscrições poderão ser feitas no site www.upf.br/competencia a partir do investimento de R$ 25. Para se inscrever o acadêmico deverá estar vinculado a curso cuja grade curricular tenha prevista a comprovação de competência em qualquer das áreas, a saber, Língua Portuguesa, Línguas Estrangeiras e Informática Básica.

As provas serão realizadas nos dias 12 de abril (comprovação de competência na Leitura de Textos em Língua Portuguesa); 13 de abril (comprovação de competência em Leitura de textos em Língua Estrangeira - inglês ou espanhol); e 14 de abril (comprovação de competência no Uso de Ferramentas Básicas de Informática).

No ato da inscrição, o acadêmico deverá selecionar, dentre as opções disponíveis, o campus e o turno onde deseja realizar a prova. Os resultados estarão na Intranet no Ambiente de Apoio ao Ensino (AAE), menu Acadêmico, Prova de Competência, após 15 dias da realização das provas.

Informações podem ser obtidas no edital que rege a seleção, cadastrado no site da UPF no link Editais, ou no site www.upf.br/competencia.

Assessoria de Imprensa UPF

1867: Estados Unidos compram o Alasca da Rússia

No dia 30 de março de 1867, o então presidente dos Estados Unidos, Andrew Johnson, apresentou ao Senado uma proposta de compra de 1,5 milhão de quilômetros quadrados do Alasca, então pertencente à Rússia.

Não foram poupadas críticas à compra do que alguns chamavam de "geladeira do Tio Sam" ou "jardim dos ursos do presidente". O negócio foi aprovado pelo Senado por apenas um voto.

Para entender o contexto histórico da transação, é preciso retroceder no tempo até 1853. Naquela época, a Rússia e a Turquia estavam em guerra. O Reino Unido e a França apoiavam os turcos no pequeno conflito que ameaçava tornar-se uma grande guerra. O distante território da Rússia além do Estreito de Bering, então chamado América Russa, estava indefeso a um ataque da Marinha britânica.

O grande território gelado possuía apenas alguns centros de revenda de peles e alguns fortes militares. Uma companhia russo-americana que controlava o comércio na região foi encarregada oficialmente, em 1854, de fazer a proposta de venda aos Estados Unidos. Na realidade, a Rússia precisava de dinheiro.

Planos adiados várias vezes

Quando Washington acenou com a disposição de negociar, o Reino Unido se comprometeu a respeitar na guerra o território em questão e o esboço do contrato de venda desapareceu misteriosamente. Mas a miséria russa continuou e as poucas vantagens econômicas do território fizeram a ideia da venda voltar à tona em 1857.

O grão-duque Constantin, irmão do czar Alexandre 2º, queria que a Rússia se concentrasse em sua política interna e achou que a América Russa era um luxo descabido à situação do país. Quando as negociações foram reiniciadas com Washington, começou a Guerra Civil Americana. Nos quatro anos seguintes, os planos foram novamente esquecidos.

Em 1866, as ações da companhia de comércio russo-americana caíram rapidamente e a empresa estava à beira da falência. A venda do território do hoje Alasca voltou a ser assunto, tanto na Rússia como nos Estados Unidos. O enviado do czar à América, Eduard von Stoeckl, encaminhou a transação e estava confiante. Afinal, escreveu, os Estados Unidos compraram Louisiana da França, a Flórida da Espanha e o Texas e a Califórnia do México.

Grande valor econômico

A decisão da venda foi tomada em São Petersburgo em 16 de dezembro de 1866. O então secretário de Estado William Seward era um expansionista convicto e viu na compra do Alasca a chance de restabelecimento da ordem no continente. As negociações duraram quatro dias. O preço final ficou em 7,2 milhões de dólares, ou seja, a pechincha de 4,74 dólares por metro quadrado.

Desde 3 de janeiro de 1959, o Alasca é oficialmente o 49º Estado norte-americano. (rw)

Fonte: DW-world.de

Hoje na História: 1842 - Éter é usado pela primeira vez em anestesia

30/03/2011 - 08:00 | Max Altman | São Paulo

Anestesia, perda de sensação, especialmente a da dor, induzida por drogas, em particular como meio de facilitar procedimentos cirúrgicos seguros. Em 30 de março de 1842, a primeira anestesia médica utilizando o éter foi feita com êxito.

Tratava-se de uma das descobertas mais importantes na medicina, que revoluciou a cirurgia - e também o bem estar dos pacientes.

Anteriormente, algumas tentativas de alívio eram feitas com pressão e gelo, bem como uso de hipnose. Os registros históricos dão conta que, habitualmente, os pacientes eram contido firmemente pelos assistentes enquanto mordia chumaço de pano para não gritar, até que o procedimento terminasse. Assim eram feitas inclusive as grande cirurgias, como amputações, por exemplo.

Diante das insuportáveis dores, havia a necessidade de buscar urgentemente algum analgésico. Para aliviar aquela terrível sensação, eram combinadas várias substâncias, parte delas extraída de plantas medicinais.

Em 1831, o clorofórmio já havia sido utilizado em procedimentos médicos. Mas foi o médico escocês James Simpson, de Edimburgo, foi o primeiro a usá-lo como anestésico em 1847, porém só foi largamente aceito na medicina por volta de 1853. Já o uso generalizado do éter como anestésico ocorreu após uma demonstração no Hospital Geral de Massachusetts pelo médico William Morton em 1846, apesar de a primeira experiência de sucesso ter sido registrada alguns anos antes.

A inalação dos vapores dessas substâncias colocava as pessoas para dormir e as deixava menos sensíveis à dor. Essa grande invenção na história da medicina não só beneficiou os pacientes, como também tornou mais fácil a vida dos cirurgiões, que não tinham mais que lidar com pacientes desesperados contorcendo-se de dor na mesa de cirurgia durante uma amputação, ou com uma fuga precipitada.

Desde aquele 30 de março de 1842, a medicina vem desenvolvendo técnicas que possibilitem tornar os procedimentos mais seguros e menos incômodos aos pacientes.

Atualmente, existem a anestisia geral e também a local - que afeta somente a região onde os medicamentos são aplicados - e é usada largamente na odontologia e em cirurgias menores. A raquianestesia e a peridural, que consistem na injeção de um agente anestésico na região da medula espinhal, são técnicas frequentemente empregadas em operações abaixo da cintura. Um exemplo comum é na obstetrícia, já que, quando as mulheres vão dar à luz, não devem estar inconscientes.

Fonte: Opera Mundi

terça-feira, 29 de março de 2011

29 de março de 1978 - Comitê Brasileiro da Anistia denuncia ditadura


O presidente norte-americano Jimmy Carter fez uma visita de três dias ao Brasil, quando ouviu relatos de violações dos direitos humanos no país. O Comitê Brasileiro pela Anistia criticou o apoio público que Carter deu ao regime militar, e entregou durante o encontro realizado em Brasília um dossiê com o histórico dos últimos 14 anos de ditadura, em que denunciava a existência de 10 mil brasileiros no exílio. Deste total, 122 haviam sido banidos por leis de exceção.

O documento citava também os relatórios da Anistia Internacional em que constam os nomes de milhares de brasileiros torturados pelos órgãos policiais, dos quais centenas foram assassinados, e de 600 pessoas que tiveram seus direitos políticos cassados.

Já os jornais norte-americanos Washington Post e The New York Times destacaram a forma fria com que Geisel recebeu Carter, devido às divergências entre ambos sobre a questão direitos humanos e a oposição norte-americana à proliferação nuclear.

A relação entre os dois países ficou tensa quando, um ano antes da visita, a primeira dama norte americana Rosalyn Carter contou que esteve em Recife e ouviu de dois missionário, que acabavam de sair da prisão, que estes haviam sido tratados como bichos.

Cinco acordos militares entre os dois países foram cancelados quando o Departamento de Estado norte-americano levou ao Congresso um relatório sobre as torturas a presos políticos no Brasil.

No seu discurso no Palácio da Alvorada, em Brasília, Carter disse que "o Brasil é um país que lhe traz boas recordações e grande adminiração". Depois de encontrar-se com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Thompson Flores, Carter embarcou para o Rio.

A luta de dom Evaristo Arns

O presidente Carter encontrou-se no Rio com personalidades não vinculadas ao governo, entre elas o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Raimundo Faoro, e os arcebispos do Rio e de São Paulo, respectivamente, dom Eugênio Sales e dom Paulo Evaristo Arns. Este último foi chamado pelo jornal Washington Post de "o cardeal do povo brasileiro" por ter denunciado sistematicamente durante oito anos a tortura a presos políticos, e por desempenhar um papel efetivo na demissão do comandante do 2º Exército, general Ednardo D'Ávila Melo, depois da morte de Wladimir Herzog.

Fonte: JBlog

1912: Expedição de Robert Falcon Scott ao Polo Sul termina em tragédia

Em 29 de março de 1912, o britânico Robert Falcon Scott escrevia as últimas palavras em seu diário: "O fim não deve demorar". Era o final trágico de uma expedição que deveria trazer glórias aos exploradores do Polo Sul.

"Desde o dia 21, há ininterruptamente uma tempestade de oeste-sudoeste e sudoeste. No dia 20 ainda tínhamos combustível para preparar duas xícaras de chá para cada um e alimentos secos para dois dias. Todos os dias estávamos dispostos a marchar os 20 quilômetros até nossa base, mas diante da nossa tenda não se reconhece nada a não ser um turbilhão infernal de neve. Não acredito que possamos aguardar melhoras no tempo. Mas vamos aguentar até o fim. Estamos cada vez mais fracos e a morte não deve demorar. É uma lástima, mas não creio que ainda possa continuar escrevendo."

Uma tragédia humana no continente gelado marcou o dia 29 de março de 1912. O autor desesperado dessas linhas, o britânico Robert Falcon Scott, morreu com dois companheiros de expedição numa pequena barraca, num deserto de gelo. Só uma frase ele ainda conseguiu rascunhar, com os dedos gelados, no diário que testemunhou seu destino:

"Pelo amor de Deus, cuidem de nossas famílias!"

Scott faleceu quando retornava à base de sua expedição, dois meses depois de atingir o Polo Sul. Outra pequena tragédia já havia acontecido no dia 16 de janeiro. Ao chegar ao ponto mais meridional do planeta, a equipe – então ainda com cinco homens – tinha perdido a corrida para o norueguês Roald Amundsen (que atingira o Polo Sul em 14 de dezembro de 1911). A decepção ficou registrada no diário de Scott, no dia 18 de janeiro:

"De repente, vimos uma mancha negra! Não podia ser nada natural. Seguimos e vimos tratar-se de uma bandeira preta presa a um esqui. Próximo, um acampamento abandonado, com pegadas de pessoas e cães por todos os lados. Estava claro: os noruegueses chegaram na nossa frente. Amundsen chegou primeiro ao Polo! Depois de tudo que passamos, frio, fome, estamos enfrentando o choque por termos chegado muito tarde. Agora, temos medo de voltar!"

O fato de a equipe não conseguir retornar teve várias causas. A nevasca a poucos quilômetros da base foi apenas uma delas. A psicologia abalada por não terem sido os primeiros foi outro motivo. Mas, apesar do planejamento detalhado da expedição, Scott cometeu um erro logo no começo.

Enquanto Amundsen apostou em cães para puxar os trenós, Scott resolveu levar trenós motorizados e pôneis. Desacostumados ao clima, os cavalos logo tiveram que ser executados. Já os trenós não funcionaram no frio antártico.

Triste consolo para o grupo de Scott seria saber que, por causa da tragédia, entrou para a história. Hoje, pelas circunstâncias da morte, os britânicos têm mais carisma que o próprio pioneiro Amundsen.
Jochen Kürten (rw)
Fonte: DW-world.de

segunda-feira, 28 de março de 2011

UPF inscreve para novas operações do Projeto Rondon

A Universidade de Passo Fundo (UPF) divulgou nesta quarta-feira, 23 de março, o edital de abertura das inscrições ao para mais duas operações do Projeto Rondon. Desta vez, a instituição teve aprovados dois projetos: um para a Operação Arara Azul, que acontecerá no Município de Ladário, Mato Grosso do Sul, e outro para a Operação Tuiuiú, no município de Porto Estrela, Mato Grosso.

Os acadêmicos interessados em participar das atividades devem se inscrever até 6 de abril, junto à Divisão de Extensão da UPF, Campus I, Bairro São José, nos seguintes horários: das 8h às 11h45min e das 13h30min às 17h30min, de segunda a sexta-feira. Para realizar a inscrição e concorrer a uma das vagas, o aluno deverá estar matriculado no semestre/ano letivo que corresponda a 50% do número total de créditos de seu curso e, além disso, ter disponibilidade para participar dos treinamentos preparatórios para o Projeto Rondon, a serem realizados de 1º a 10 de julho. A Operação Arara Azul acontece de 15 a 31 de julho e a Operação Tuiuiú de 16 de julho a 1º de agosto.

Ao todo estão disponíveis 16 vagas para acadêmicos dos diferentes cursos de graduação da UPF. Todos os detalhes referentes a estas operações do Projeto Rondon podem ser conferidos no site da UPF (www.upf.br), link Editais, ou no site do Projeto Rondon da UPF www.upf.br/projetorondon. Mais informações pelo telefone (54) 3316 8378.

O Rondon
Um projeto que oferece ao estudante a oportunidade de conhecer a realidade do Brasil mais carente e interagir com populações de diferentes culturas. O Projeto Rondon é uma iniciativa do Ministério da Defesa que conta com a parceria de instituições de ensino superior para se realizar. A UPF é antiga parceira do projeto e participa constantemente das operações.

Assessoria de Imprensa UPF

Biblioteca digital melhor que do Google

Somente uma instituição pública pode cuidar do acesso à herança cultural
28 de março de 2011 | 0h 00
Robert Darnton, do The New York Times - O Estado de S.Paulo

O juiz federal Denny Chin, de Manhattan, rejeitou na terça o acordo entre o Google, que pretende digitalizar todos os livros já publicados, e um grupo de autores e editores que processou a empresa por violações de copyright. Essa decisão representa uma vitória para o bem público, evitando que uma única corporação monopolize o acesso à nossa herança cultural comum.

Sebastien Pirlet/Reuters
Sebastien Pirlet/Reuters
A Solvay. Biblioteca criada em 1902: o Google mostrou como transformar
a riqueza intelectual que jaz inerte nas prateleiras

Independentemente disso, não devemos abandonar o sonho do Google de tornar todos os livros do mundo acessíveis para todos. Em vez disso, devemos construir uma biblioteca pública digital, oferecendo cópias digitais gratuitas aos leitores. É verdade que há muitos problemas - legais, financeiros, tecnológicos e políticos - pelo caminho. Mas todos eles podem ser resolvidos.

Consideremos as questões legais levantadas pelo acordo rejeitado. Iniciado em 2005, o projeto do Google para a digitalização dos livros permitiu que o conteúdo de milhares de títulos fosse incluído nos resultados das buscas na rede, levando o Author"s Guild e a Associação Americana de Editores a afirmar que os trechos mostrados aos usuários representavam uma violação dos direitos autorais. O Google poderia ter se defendido, alegando que fazia uso legítimo das obras, mas a empresa preferiu negociar um acordo.

O resultado foi um documento extenso e complicado conhecido como Acordo Emendado (Amended Settlement Agreement, em inglês) que simplesmente fatiava o bolo. O Google venderia o acesso aos seu banco de dados digitalizado, e os lucros seriam partilhados com os querelantes, que então se tornariam seus sócios. A empresa ficaria com 37% do total; os autores receberiam 63%. Essa solução equivalia a uma alteração das leis do direito autoral por meio de um processo individual, conferindo ao Google uma proteção legal que seria negada aos seus concorrentes. Foi esse o principal motivo da objeção do juiz.

Em audiências no tribunal realizadas em fevereiro de 2010, várias pessoas disseram que o Author"s Guild, composto por 8 mil membros, não as representava e nem aos muitos autores de publicaram livros nas últimas décadas. Algumas afirmaram preferir que suas obras fossem oferecidas sob condições diferentes; outras queriam até que seus livros fossem oferecidos gratuitamente. Mas o acordo definia os termos para todos os autores, a não ser que eles notificassem especificamente o Google de sua intenção de não participar dele.

Em outras palavras, o acordo não fez aquilo que se espera dos documentos desse tipo, como corrigir uma suposta violação dos direitos autorais ou proporcionar indenizações pelos incidentes anteriores; em vez disso, o acordo parecia determinar como seria o futuro da evolução do mundo digital dos livros.

O juiz Chin abordou esse ponto ao se concentrar na questão dos livros órfãos - ou seja, os protegidos pelo direito autoral cujos detentores dos direitos não tinham sido identificados. O acordo confere ao Google o direito exclusivo de digitalizar e comercializar o acesso a esses livros sem ser alvo de processos por violações de copyright. De acordo com o juiz, essa provisão conferiria ao Google "um monopólio de fato sobre obras de autoria indeterminada", levando a graves preocupações com a formação de um truste.

Chin convidou o Google e os querelantes a reescrever outra vez os termos do acordo, talvez alterando os dispositivos de inclusão e exclusão dos participantes. Mas o Google pode muito bem se recusar a alterar sua estratégia comercial básica. É por isso que o que realmente precisamos é uma biblioteca pública digital.

Uma coalizão de fundações arrecadaria o dinheiro necessário (as estimativas do custo da digitalização de uma página variam muito, de US$ 0,10 a US$ 10 ou mais), e uma coalizão de bibliotecas de pesquisa poderia fornecer os livros. A biblioteca digital respeitaria os direitos autorais, é claro, e provavelmente excluiria obras atualmente disponíveis nas livrarias a não ser que seus autores desejassem torná-las disponíveis. Os livros órfãos seriam incluídos, desde que o Congresso aprovasse uma lei que os tornassem gratuitos para o uso não comercial numa biblioteca genuinamente pública.

Diminuir a importância disso e considerar o episódio como meramente quixotesco equivaleria a ignorar os projetos digitais que se mostraram valiosos e práticos ao longo dos últimos 20 anos. Todas as grandes bibliotecas de pesquisa já digitalizaram partes de seus acervos. Iniciativas de larga escala como a Knowledge Commons e o Internet Archive já digitalizaram muitos milhões de livros por iniciativa própria.

Alguns países também se mostram determinados a bater o Google no seu próprio jogo ao digitalizar todo o conteúdo de suas bibliotecas nacionais. A França está gastando 750 milhões na digitalização de seus tesouros culturais; a Biblioteca Nacional da Holanda tenta digitalizar cada livro e jornal publicados no país desde 1470; Austrália, Finlândia e Noruega estão se dedicando a esforços semelhantes.

Talvez o próprio Google pudesse ser recrutado para a causa da biblioteca pública digital. A empresa já digitalizou cerca de 15 milhões de livros; desses, 2 milhões são de domínio público, podendo ser entregues à biblioteca como ponto de partida do seu acervo. A empresa não perderia nada com esse gesto de generosidade. Por meio da magia tecnológica e da própria audácia, o Google mostrou como podemos transformar a riqueza intelectual de nossas bibliotecas, grandes conjuntos de livros que jazem inertes nas prateleiras. Mas somente uma biblioteca pública digital dará aos leitores aquilo que eles necessitam para enfrentar os desafios do século 21 - um vasto acervo de conhecimento que possa ser consultado, gratuitamente, por qualquer um e a qualquer momento. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

ROBERT DARNTON É PROFESSOR E DIRETOR DA BIBLIOTECA DA UNIVERSIDADE HARVARD


Fonte: Estadão

1979: Acidente nuclear em Three Mile Island

No dia 28 de março de 1979, a usina norte-americana de Three Mile Island, na Pensilvânia, foi palco do pior acidente nuclear ocorrido até então.

Gases radioativos começaram a evaporar já bem cedo na manhã de 28 de março de 1979 num dos dois reatores da usina Three Mile Island, nas proximidades de Harrisburg, a capital do estado norte-americano da Pensilvânia. Um correspondente alemão narrou o incidente da seguinte maneira:

"Segundo as informações de que dispomos, houve uma pane na bomba de água do sistema de resfriamento, que fica fora do prédio da usina. Imediatamente, entrou em funcionamento um sistema de emergência, mas um técnico o desligou antes do tempo, não se sabe por quê. Isto desencadeou o processo, que poderia ter resultado na explosão do reator."

Um dia depois, um grupo de ecologistas mediu a radioatividade em volta da usina. Sua intensidade era oito vezes maior que a letal. Uma área de até 16 quilômetros em volta de Three Mile Island estava contaminada. Apesar de ter sido declarado estado de emergência, nenhum dos 15 mil habitantes que moravam numa área até dois quilômetros da área contaminada foi evacuado. O governador do estado da Pensilvânia, Dick Thornburgh, iniciou a retirada dos habitantes só dois dias depois, começando com gestantes e crianças.

O tema foi assunto constante da imprensa norte-americana, em todos os seus boletins de notícias. Mais de cem peritos foram reunidos para tentar resfriar os elementos combustíveis e assim controlar o reator até desligá-lo.

Falha humana
Uma bolha de gás altamente radioativo havia se instalado na parte de cima do reator, impedindo o acesso da água de refrigeração. Somente no dia 2 de abril, os técnicos conseguiram reduzir a bolha de gás em volta do reator de 50 metros cúbicos para cerca de um metro cúbico. Enquanto isso, aumentavam nos Estados Unidos as críticas às medidas de segurança.

Em contrapartida, a empresa que administrava a usina acusou as autoridades de exagero ao comentarem o incidente. Algum tempo depois, os elementos combustíveis resfriaram e o perigo de explosão estava afastado.

No dia 1º de novembro de 1979, uma comissão nomeada pelo então presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, chegou à conclusão de que o acidente fora causado por falha humana. A princípio, a direção da usina pretendia reparar o reator danificado. Os técnicos constataram, no entanto, que os danos haviam sido maiores do que se suspeitava. Setenta por cento do núcleo do reator fora destruído pelo calor.
Holger Hank (rw)
Fonte: DW-world.de

domingo, 27 de março de 2011

Entre a história e a literatura

Entrevista com Júlio Pimentel Pinto, Professor de História da Universidade de São Paulo (USP)

“Mesmo que o ficcionista tenha feito uma pesquisa profunda e rigorosa sobre um tema, na hora em que constrói o texto da ficção o compromisso dele é outro. Não é com a realidade”, afirma o historiador Júlio Pimentel Pinto, professor da Universidade de São Paulo (USP). Não por acaso, surgem as confusões. “O leitor precisa estar preparado para perceber o que é real e o que é ficção. Não pode tomar tudo como se fosse verdade única”, diz Pimentel.

Em entrevista à Gazeta do Povo, o historiador, que trabalha há 20 anos com a ficção, tenta apaziguar os ânimos. Mesmo porque, em suas aulas, Pimentel trabalha com romances policiais para mostrar aos estudantes que a ficção também pode ser uma fonte de estudo da historiografia, por ajudar a perceber como era a visão de mundo de um determinado tempo.

Reprodução / “O compromisso de um e de outro [historiador e ficcionista] é diferente. É o compromisso que Aristóteles já descreveu na Poética: o poeta é superior ao historiador, porque o historiador pensa o que foi e o poeta pensa o que poderia ter sido.”

“O compromisso de um e de outro [historiador e ficcionista] é diferente. É o compromisso que Aristóteles já descreveu na Poética: o poeta é superior ao historiador, porque o historiador pensa o que foi e o poeta pensa o que poderia ter sido.”

O senhor é favorável a que as pessoas conheçam a história por meio da ficção?

Lógico. A principal importância da leitura da ficção na história é dar uma percepção da experiência vivida em um tempo que a historiografia nem sempre oferece. Permite ampliar a capacidade de enxergarmos o que foi viver naquele momento de forma mais íntima.

O que fazer para não misturar realidade e ficção?

O problema não é ser ficção ou não, mas a disposição das pessoas em acreditar piamente no que leem. Você tem que ler com alguma criticidade, evitando generalizar ou supor que tudo o que está ali é verdade pura. Não existe verdade única. O papel do historiador é se aproximar dela e saber que nunca vai chegar totalmente lá. O passado muitas vezes é inacessível.

Que obras da ficção retratam com eficiência o que os historiadores não conseguiram mostrar?

Fazem cerca de 20 anos que a historiografia sobre o final do Império e o início da República começou a falar que a maioria da população brasileira dessa época não deu muita atenção ao acontecimento [Proclamação da República]. Isso foi comprovado pela historiografia recentemente, mas na época, no calor do momento, Machado de Assis já tratava disso, por exemplo, na obra Isaú e Jacó. Ele satirizou, bem antes dos historiadores, o desinteresse das pessoas pela Proclamação da República. Artur de Azevedo falou disso em um conto. Lima Barreto mostra essa questão em Bruzundangas. A historiografia demorou quase cem anos para discutir com profundidade o assunto e a ficção fez isso a quente, na época.

O livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, não é outro exemplo importante?

Sem dúvida. Mas é um caso muito peculiar porque, na primeira e na segunda parte do livro, Euclides se preocupa com estudos geológicos e questões étnicas. Ele era um ficcionista, mas antes de tudo um engenheiro. E a obra é híbrida: meio ficção, meio reportagem jornalística, afinal ele foi enviado para cobrir a Guerra de Canudos para o Estadão. A terceira parte, que é a narração da guerra, tem um certo painel fabuloso, mas também há muito rigor na descrição do que ocorreu em Belo Monte.

O senhor afirma que o leitor deve se aproveitar da ficção para en­­tender como era a visão de mundo de uma certa sociedade. Livros como A mulher de trinta anos, de Bal­­zac, e Madame Bovary, de Flau­bert, ajudam a pensarmos o que as mulheres dessas épocas sentiam?

É esse o sentido. Você não vai ler essas duas obras para tirar informações de um evento que se passou na época ou coisa que o valha. Mas vai encontrar ali essa espécie de diagnóstico de uma mulher que muda, de uma sociedade em movimento. Esses livros nos dão a percepção mais sensível da experiência histórica, que a própria história não pode oferecer.

Madame Bovary pode ser uma fonte para entendermos as mudanças que ocorriam em Paris?

Sim. A educação sentimental de Flaubert ocorreu em uma série de episódios que se passaram em 1848. Nessa época Paris estava conturbada, em meio a levantes. Várias das cenas são recriadas. Você vai confiar no que está ali? Não deve. Mas há algo perceptível na obra: a tensão que todos os personagens viviam. Essa é a sensibilidade histórica da ficção. Percebe-se com mais facilidade no romance do que em um livro de história que os parisienses viviam tensos. A cidade estava em polvorosa, cheia de barricadas e conflitos sociais. A ficção é capaz de expressar melhor, de forma mais sensível, o que foi a experiência histórica. A frieza da historiagrafia dificilmente conseguiria passar isso. Lendo o livro você analisa outro aspecto relevante: a importância dos romances baldios que circulavam na França naquele período e que eram a leitura base das moças burguesas. Uma vez li um comentário engraçado dizendo que Emma Bovary morreu de tanto ler romance ruim. É mais ou menos isso. Havia uma produção de romances baratos que circulavam em Paris. Por meio deles essas mulheres percebiam como suas vidas eram mesquinhas. Essa sensação de aprisionamento é o que vai corroendo Emma Bovary.

A história é a construção da narrativa, estamos sempre desenredando essa história. Se o narrador da ficção faz isso, o historiador, de certa forma, também o faz?

Essa é a grande semelhança entre história e ficção. Ambas são narrativas construídas a partir de outras narrativas, que também são uma representação. Quando usamos o documento histórico para escrever um livro, também construímos a narrativa em cima da narrativa. O ficcionista faz a mesma coisa, pega uma narrativa e a reinterpreta. Embora ambas sejam narrativas, historiador e ficcionista sejam intérpretes, o compromisso de um e de outro é diferente. É o compromisso que Arist­óteles já descreveu na Poética: o poeta é superior ao historiador, porque o historiador pensa o que foi e o poeta pensa o que poderia ter sido.

Qual sua opinião sobre outros profissionais, como jornalistas, que se propõem a escrever livros de história?

Não vejo nenhum problema. Há alguns casos, sobretudo nas biografias, a que os historiadores nunca se dedicaram, e os jornalistas acabaram fazendo trabalhos excelentes. Como alguns livros do Ruy Castro ou do Fernando Morais. O que os historiadores reclamam é que alguns livros não são tão rigorosos na pesquisa historiográfica. É verdade, mas é melhor termos um livro sem tanto rigor do que não existir livro algum sobre o assunto. Podem ser obras feitas por qualquer profissional. Historiador não é só aquele que tem curso superior de História, mas quem pesquisa e escreve sobre história. Os dois maiores historiadores brasileiros não são graduados na área, Sérgio Buarque de Holanda e Caio Prado Júnior.

Fonte: Gazeta do Povo

27 de março de 1972 - Morre M. C. Escher, o mágico da arte gráfica


27/03/2011 - 00:00 | Enviado por: Lucyanne Mano

Maurits Cornelis Escher morreu no Hospital Hilversum quando ainda não tinha completado 74 anos. Dono de uma saúde desde sempre inspiradora de cuidados, viveu os últimos anos na Holanda, terra natal para onde voltou, depois de percorrer o mundo, criando um legado artístico de tempos e espaços fantásticos, resultado de sua experiência visual.

"Deus não pode existir sem o mal, e desde que se aceite a ideia da existência de Deus, tem-se de aceitar, também, a do mal. É uma questão de equilíbrio. Esta dualidade é a minha vida". M. C. Escher

Com estas palavras, Escher parece ter definido bem o temperamento de homem e artista, explicando os contrastes que sempre caracterizaram seus trabalhos em xilogravuras, litografias, a predileção pelo preto e branco, a dualidade e até um certo antagonimo encontráveis nos títulos de algumas de suas obras, como Dia e Noite e Alto e Baixo.

São construções impossíveis, preenchimento regular do plano, explorações do infinito e metamorfoses - padrões geométricos entrecruzados que se transformam gradualmente para formas completamente diferentes. Uma das principais contribuições da obra deste artista está em sua capacidade de gerar imagens com impressionantes efeitos de ilusões de óptica.

Uma de suas técnicas mais fabulosas é a replicação de formas que se entrelaçam a outras repetidas vezes, formando belos padrões geométricos. A partir de uma malha de polígonos, regulares ou não, surgiram figuras de homens, peixes, aves, lagartos, todos envolvidos de tal forma que nenhum poderia mais se mexer. Tudo representado num plano bidimensional.

Destacam-se também os trabalhos do artista que exploram o espaço. Escher brincava com o fato de ter que representar o espaço, que é tridimensional, num plano bidimensional, como a folha de papel. Com isto ele criava figuras impossíveis, representações distorcidas, paradoxos.

Foi assim que a surpreendente obra de Escher conquistou e impressionou uma legião de admiradores, despertando a curiosidade e estimulando sua reflexão.

Fonte: JBlog


sábado, 26 de março de 2011

AHR Memórias: Embrapa Trigo

Sábado, 26/03/2011 por Arquivo Histórico Reginal

Durante a década de 1970, ocorreu um aumento da população urbana brasileira, quando moradores da zona rural migraram para as cidades em função da crise enfrentada nos campos. Com maior parcela consumidora e menor produção de alimentos, tornou-se necessário o aumento da produtividade de cereais. O governo federal, procurando atender esta demanda, empenhou-se em investir em pesquisas e desenvolvimento de novas tecnologias para aumentar e melhorar a produção de grãos, garantindo um preço mínimo ao produto, créditos e subsídios aos produtores. Com tais incentivos o Estado procurou auxiliar proprietários e arrendatários de terras a aplicação qualitativa do seu capital na produção agrícola.

Neste contexto foi fundada a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em 1973, com a intenção de criar novas variedades de sementes de cereais e melhorar as terras cultivadas, adaptando-as às diferentes condições climáticas e de solo de nosso país. A partir de 1974, são criados em todo o Brasil, pela empresa, diferentes centros de pesquisa. O Centro Nacional de Pesquisa de Trigo (CNPT – também nomeada Embrapa Trigo), fundado em 28 de outubro de 1974 na cidade de Passo Fundo foi a primeira unidade descentralizada da Embrapa, tendo como proposta principal aproximar a empresa do pólo produtivo de trigo, aumentar a produção e a qualidade do produto no noroeste do Rio Grande do Sul.

Segundo notícia publicada no jornal O Nacional da época, a comissão técnica da Embrapa, após ter percorrido as principais regiões do país à procura de um município que tivesse condições para sediar um centro com tamanha importância, escolheu Passo Fundo. O jornal segue relatando questões pertinentes ao tema dando um enfoque especial a inauguração. O periódico enfatiza ainda que se pode perceber a importância da Embrapa Trigo pela presença do presidente Ernesto Geisel em seu lançamento oficial, tendo manchetes exaltando sua vinda ainda mais do que sublinhando a importância da CNPT para o município e região.

Dentro deste contexto de exaltação a vinda do presidente Ernesto Geisel, não só o jornal, mas vários setores do município vangloriaram tal fato. A Associação Comercial de Passo Fundo publicou nota conclamando os funcionários do setor a fecharem as portas de seus estabelecimentos para saudar o presidente e prestar justas homenagens. A prefeitura tornou pública uma mensagem de satisfação podendo congratular a si e ao povo da cidade e do Estado pelas iniciativas do governo federal que visariam o desenvolvimento da agricultura nacional e, em particular, a do Rio Grande do Sul.

A Embrapa Trigo, prestes a completar 37 anos, continua desenvolvendo tecnologias e pesquisas, não só voltadas ao trigo, mas a todos cereais de inverno e verão, superando algumas dificuldades que inviabilizavam a produção dos cereais no país. Entretanto, a comercialização, a instabilidade referente à área cultivada e o preço são problemas que continuam assombrando a produção de alimentos e lesando seus produtores. É preciso a reformulação das políticas públicas, para o incentivo e o aumento da confiança dos investidores do setor, pois atingindo quase 180 milhões de habitantes e tendo campo produtivo qualificado, o nosso país poderá conseguir produzir o que consome, evitando a importação e a inconstância do preço interno.

Lisiane Paula Staggemeier
Acadêmica do Curso de História da UPF
Fonte: Acervo AHR
Fonte: O Nacional

Curso de Extensão





Iniciou hoje o curso de extensão semipresencial Pesquisa em História Regional na Escola que será trabalhado pelos professores Ironita Machado, Adelar Heinsfeld e Gizele Zanotto, com a colaboração de Benhur Jungbeck e da equipe do Arquivo Histórico Regional (AHR). A proposta agrega questões de conteúdo e novas metodologias de ensino/aprendizagem por realizar-se em encontros presenciais e atividades realizadas via Ambiente Virtual de Aprendizagem Moodle, ou seja, incorporando Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC´s) em sua metodologia. Neste primeiro encontro, além da apresentação da proposta, responsáveis, metodologia e demais informações, o curso foi iniciado com a realização das atividades previstas para o Módulo I - Docência, Pesquisa e Ensino, sob coordenação do prof. Adelar.

Desejamos a todos que o curso lhes seja proveitoso!
Até o próximo encontro!

26 de março de 1977 - 150 anos da morte de Beethoven


"Há 150 anos, no dia 26 de março de 1827, às 5 horas da tarde, Beethoven morria em Viena. Envelhecido precocemente em seus 56 anos de idade, sua robustez vencida pela ação conjugada da surdez, das dificuldades domésticas e financeiras e da enfermidade mal tratada dos últimos dias, as poucas testemunhas de seus momentos finais dificilmente terão reconhecido nessa última imagem do homem, o arauto da força, da alegria, da vida e da vitória, que sua música tantas vezes registrara, como projeções de seu temperamento forte e de seu espírito indomável.

Beethoven rompeu a barreira, promoveu o acesso do caldeirão fervilhante de seu temperamento tempestuoso ao plano da gestação musical. Pela primeira vez, a face interior do criador se via refletida no espelho sonoro da música não mais como um reflexo acidental e fortuito, mas como uma fatalidade irreversível, assumida como tal e exibida ostensivamente em toda a crueza de sua grandeza terrível. Alegria e tristeza, esperança e desespero, prazer e dor, amor e ódio, céu e inferno, o eu e o cosmos, integrados em suas contradições, como partes da expressão musical e de sua própria estrutura formal.

Os acentos trágicos, patéticos, sofridos, que se contrapo~em, em imagens temáticas, ao encaminhamentos contrastante do humor, da graça, da devoção, extrapolam de sua condição de conteúdo para influir sobre as dimensões da forma, ampliada em seus componentes de tempo e espaço para comportar o acirramento das contendas temáticas, das ideias em conflito, dos conflitos que finalmente se tornam mais importantes do que as próprias ideias que os geraram.

E cada ideia se individualiza, cada tema é um personagem, cada obra adquire uma identidade independente, uma fisionomia própria, esculpida nota a nota, num trabalho lento e penoso, de longa gestação e sucessivas revisões.

Com seu romantismo exacerbado, que rompia pela primeira vez todas as dimensões conhecidas da experiência musical, Beethoven estabelecia o início de uma nova era, que se estende até hoje, numa cadeia infinita de causa e efeito. Mais do que uma obra genial, maior do que seu próprio tempo, ele deixou um legado que é de toda a sua época, tão profundo quanto a Revolução Francesa: com sua morte, ele começava o futuro
". Jornal do Brasil

Fonte: JBlog

sexta-feira, 25 de março de 2011

Hoje na História: 1911 - Incêndio em fábrica de roupas femininas mata 145 trabalhadores

25/03/2011 - 08:00 | Max Altman | São Paulo

Num dos mais sombrios momentos da história trabalhista e industrial dos Estados Unidos, a fábrica de trajes femininos Triângulo, da cidade de Nova York, é tomada pelo fogo em 25 de março de 1911 e mata 145 trabalhadores, a imensa maioria mulheres. A tragédia pressionou pela aprovação de uma série de leis e normas para melhor proteger a segurança dos operários das fábricas.

Corpos das mulheres que se atiraram do prédio

A fábrica Triângulo, de propriedade de Max Blanck e Isaac Harris, estava localizada nos últimos três pisos de um prédio de dez andares no centro de Manhattan. Era uma fábrica que explorava ao máximo as trabalhadoras e, ao mesmo tempo, um local muito apertado em que se alinhavam máquinas de costura, repleto de pobres trabalhadoras imigrantes, a maioria adolescentes e que não falavam inglês.

No momento do incêndio, havia quatro elevadores com acesso aos andares da fábrica, mas apenas um funcionava plenamente e só podia transportar 12 pessoas por vez. Havia também duas saídas pelas escadas, mas uma delas estava fechada do lado de fora para prevenir furtos dos próprios trabalhadores, e outra, que só dava acesso para dentro. A escada de fuga, muito mal construída, estava em precárias condições e somente poderia suportar o peso de poucas mulheres por vez.

Em 25 de março, num sábado à tarde, havia 600 trabalhadores na fábrica, quando o fogo irrompeu numa caixa de retalhos no oitavo andar. O gerente acionou a mangueira, mas ela estava podre e sua válvula enferrujada impossível de abrir. Seguiu-se um pânico generalizado, as mulheres em busca de qualquer saída. O elevador parou de funcionar depois de quatro viagens e elas começaram a se atirar pelo poço do elevador ao encontro da morte.

Aquelas que conseguiram escapar pela escadaria errada ficaram presas dentro e queimadas vivas. Outras, presas no oitavo andar, passaram a se jogar pelas janelas, o que criou um problema para os bombeiros cujas mangueiras eram esmagadas pelos corpos que caiam. Por outro lado, as escadas dos bombeiros só atingiam até o sétimo andar e suas redes de segurança não eram suficientemente fortes para receber os corpos em queda, que se lançavam amiúde até três por vez.

Blanck e Harris estavam no último andar com alguns trabalhadores quando o fogo irrompeu. Conseguiram escapar, escalando o telhado e de lá saltando para o prédio adjacente.

O fogo foi controlado em menos de uma hora, mas não sem antes matar 49 operárias e outras cerca de 100 empilhadas no poço do elevador ou na calçada da rua. A União das Trabalhadoras organizou uma marcha em 5 de abril para protestar contra as condições de trabalho e de segurança. A manifestação foi acompanhada por perto de 80 mil pessoas.

Blanck e Harris já tinham um histórico suspeito de incêndios em fábricas. Duas vezes em 1902, a Triângulo havia sido chamuscada pelo fogo, enquanto sua outra confecção de roupas femininas Diamante também queimou duas vezes, uma em 1907 e outra em 1910. Parecia que Blanck e Harris deliberadamente punham fogo em suas fábricas, antes do horário de expediente, a fim de receber os valores da apólice de seguros que haviam contratado, uma prática pouco comum nos inícios do século 20. Embora essa não tenha sido a causa do incêndio de 1911, contribuiu para a tragédia visto que os donos se recusaram a instalar o sistema de sprinkler, chuveiros para extinção de incêndio, nem adotar outras medidas de segurança.

Além desses atos delitivos, Blanck e Harris tinham uma notória postura anti-operária. Seus empregados recebiam míseros 15 dólares por semana, a despeito de trabalharem 12 horas por dia, todos os dias da semana. Quando a União Internacional de Trabalhadoras na Indústria de Confecção liderou uma greve em 1909, exigindo melhores salários e menor carga horária, a companhia de Blanck e Harris foi uma das poucas manufaturas a resistir, chamando a polícia para reprimir, levar à prisão as mulheres em greve e subornando políticos para virarem o rosto para a causa.

Embora Blanck e Harris tivessem sido processados por homicídio pelo incêncio de 25 de março, conseguiram sair impunes. A tragédia de que foram responsáveis obrigaram a cidade a adotar leis de proteção.

Fonte: Opera Mundi

25 de março de 1986 - EUA voltam a bombardear alvos líbios


Aviões e navios da 6ª Frota americana atacaram mais três lanchas-patrulhas da Líbia e, pela segunda vez em dois dias, a base de lançamentos de mísseis na cidade de Sidra. Segundo o Governo americano, a investida foi uma represária ao disparo de seis mísseis Sam-5 contra caças f-14 da 6ª Frota no dia. A Líbia ordenou o estado de alerta em todo país e ameaçou transformar o Mediterrâneo "em um mar de sangue", para dar aos Estados Unidos uma lição pior do que a do Vietnam.

Infográfico Região Líbia.
O então secretário de defesa americano Caspar Weinberger advertiu sobre o prosseguimento das manobras aeronáuticas no Golfo de Sidra, uma vez que a 6ª Frota exercia direito de navegar em águas internacionais. Muamar Kadhafi, contudo, alegou o pertencimento do Golfo à área de águas territoriais líbias, inflamando ainda mais o conflito. A maior parte dos países da Europa deu apoio cauteloso aos Estados Unidos, sem defender de forma direta a ação americana, mas rechaçando a soberania sobre o Golfo de Sidra, reivindicada por Kadhafi. Contudo, o líder libiano também angariou forte defensores.

A queda de braço EUA x Líbia era travada em plena reverberação do debate sobre a questão da Nicarágua e a disputa entre sandinistas e contra-revolucionários. E o Governo Reagan optava por um confronto direto com Kadhafi, considerado o déspota do norte da África e um dos maiores padrinhos do terrorismo internacional. A opinião mundial, a respeito de Kadhafi, há muito estava formada, e não lhe era favorável. Mas a agressão americana foi como um caminhar para trás. A resposta americana abriu margem para novos argumentos para legitimar a iniciativa de Kadafi.

Se o terrorismo do governante líbio era um desafio à pacificação mundial, a atitude de Ronald Reagan não tinha menor proporção. O alcance do bombardeio de Trípoli sobre o futuro do terrorismo ainda era uma incógnita. Mas o poderio militar americano, lançando-se num combate ao desamparo das leis internacionais e dos próprios estatutos das alianças militares, já causava calafrios na comunidade internacional. A investida norte-americana na capital de um país acolhedor e patrocinador do terrorismo abria precedentes para que qualquer presidente, ao ver-se atingido por crimes de terror, se sentisse no direito ou obrigação de bombardear capitais pelo mundo afora.

No mês seguinte, a investida americana contra a Líbia teria índices ainda mais alarmantes. Mas esta história estaria longe do fim. E, pelo visto, ainda está.

1958: Armas nucleares para a Bundeswehr

No dia 25 de março de 1958, o governo alemão deliberou que as Forças Armadas receberiam armas nucleares. O tema foi motivo de muita polêmica em todo o país.

A decisão foi justificada por Konrad Adenauer, então chefe de governo alemão, com a política expansionista da União Soviética. A resolução havia sido apresentada pelos três partidos no governo: União Democrata Cristã, União Social Cristã e Partido Alemão.

Adenauer alegou que "enquanto o chefe de Estado e de Partido Nikita Kruchov tiver a intenção de destruir a unidade do Ocidente, é dever da Alemanha e seus aliados fazer de tudo para manter essa unidade política e militar".

O político alemão democrata-cristão ressaltou que, no dia 22 de janeiro de 1958, Kruchov havia admitido publicamente que seu país dispunha de tecnologia para atingir qualquer ponto do planeta através de mísseis armados com ogivas nucleares. "Quem quer garantir a paz, precisa equiparar-se ao poder militar soviético", argumentou Adenauer.

Ameaça soviética

O então ministro da Defesa, Franz Josef Strauss, ressaltou no plenário do Parlamento que os submarinos nucleares soviéticos pretendiam, com seu avançado sistema de armamentos, eliminar os aliados ocidentais e depois arriscar uma guerra com os Estados Unidos.

"Não tememos armas nucleares nas mãos dos norte-americanos, dos britânicos, nem de nenhum país democrático. Poderíamos prescindir deste tipo de armas para sempre, mas temos medo do potencial nuclear soviético, por causa de sua política agressiva", argumentou o ministro Strauss.

A oposição estava chocada. Depois de quatro dias de acalorados debates no Bundestag, o deputado Gustav Heinemann, do Partido Social Democrata (SPD), acusou o governo alemão de acoplar a questão armamentista nuclear à filiação à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). "Podemos continuar na Aliança, mesmo sem armas nucleares", afirmou o deputado Heinemann.

Resistência, também, da sociedade civil. A Igreja e os sindicatos protestaram contra as intenções do governo. No dia da votação, milhares de trabalhadores paralisaram suas atividades em forma de protesto.

Pura ignorância, criticou Strauss: "A população foi enganada com a informação de que assumiríamos armamentos americanos ou britânicos, mas na realidade estamos seguindo apenas uma determinação tomada em conjunto na Otan".

Segurança coletiva

A estratégia conjunta de defesa da organização previa tarefas a serem cumpridas por todos os membros, do Canadá à Turquia, para garantir a segurança coletiva. Com o propósito de evitar uma nova guerra, a conferência de cúpula da aliança militar ocidental, em dezembro de 1957, em Paris, havia decidido colocar armas nucleares à disposição das Forças Armadas nos países europeus. A guarda e seu uso, entretanto, seriam de responsabilidade dos EUA.

Na resolução aprovada pelo Parlamento, os deputados conclamaram o governo alemão a se engajar por um acordo internacional de controle de armamentos nucleares.

Petra Kohnen

Fonte: DW-world.de

quinta-feira, 24 de março de 2011

Defesas de Dissertação

"As relações de sociabilidade entre senhores e cativos em Rio Pardo (1780-1820)"
Mestrando: Ubiratã Ferreira Freitas
Banca: Profª. Dr. Ironita P. Machado - (Banca - UPF)
Profª. Dr. Adelar Heinsfeld - (Banca – UPF)
Profª. Dr. Gizele Zanotto - (Orientadora – UPF)
Data: 28 de abril de 2011
Local: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, prédio B4 – Auditório
Horário: 16h

“Brasileiros-poloneses Uma identidade construída nas comunidades de Casca e Santo Antonio do Palma-RS (1990-2010)”
Mestrando: Lúcia Barrili
Banca: Prof. Dr. José Carlos Radin - (Banca - UFFS)
Profª. Dr. Ana Luiza Setti Reckziegel - (Banca – UPF)
Prof. Dr. João Carlos Tedesco - (Orientador – UPF)
Data: 29 de abril de 2011
Local: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, prédio B4 – Auditório
Horário: 13h30min

"Dos Capitéis de Nossa Senhora Consoladora: tranformaçãoe históricas, ritualidades religiosas e a formação da Paróquia de Ibiaçá, anos 1952-1977"
Mestrando: Fabiana Salete Tolardo
Banca: Prof. Dr. José Carlos Radin - (Banca - UFFS)
Profª. Dr. Gizele Zanotto - (Banca – UPF)
Prof. Dr. João Carlos Tedesco - (Orientador – UPF)
Data: 29 de abril de 2011
Local: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, prédio B4 – Auditório
Horário: 16h


1999: Otan ataca a Iugoslávia

>>Bombardeio da Otan contra torre de telecomunicações em Uzice, a 200 km de Belgrado

Na noite de 24 de março de 1999, um míssil teleguiado da Otan atingiu Belgrado, iniciando uma nova guerra nos Bálcãs, a quarta em dez anos de governo de Slobodan Milosevic.


A explosão de um míssil teleguiado da Otan em Belgrado, em 24 de março de 1999, marcou a eclosão de uma nova guerra nos Bálcãs – a quarta em dez anos de governo de Slobodan Milosevic, mas a primeira que os sérvios sentiriam na pele.

Foi também o primeiro conflito iniciado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em toda a sua história. Os ataques ocorreram em nome de uma intervenção humanitária, sem mandato das Nações Unidas (transgredindo o direito internacional), com a participação alemã.

A TV estatal sérvia falou de um "ato de agressão" da Otan e só noticiou o bombardeio a instalações militares com uma hora de atraso. Gerhard Schröder, chanceler federal alemão na época, defendeu os ataques aéreos como último recurso. Fracassadas as negociações de paz de Rambouillet (França), as tentativas de intermediação do diplomata Richard Holbrooke (EUA) e diante da escalada da violência sérvia contra os kosovares sob o manto da "limpeza étnica", o então secretário-geral da Otan, Javier Solana, ordenou os ataques, no dia 23 de março, em Bruxelas.

À espera de um claro sinal de Milosevic

Num pronunciamento em rede nacional de televisão, na noite de 24 de março, Schröder disse que "a violência foi a última alternativa". Ele ressaltou a determinação da Otan em cessar o genocídio em Kosovo e exigiu a rendição de Belgrado. "O fim imediato dos ataques depende unicamente de um sinal claro de Milosevic", acrescentou o então ministro alemão da Defesa, Rudolf Scharping.

Os objetivos expressos da aliança militar ocidental eram conter a catástrofe humanitária em Kosovo e derrubar Milosevic, o que causou protestos do presidente russo Boris Ieltsin. O que aconteceu de 24 de março até o fim da guerra, a 9 de junho de 1999, permaneceu tão obscuro quanto a Guerra do Golfo, oito anos antes.

Jornalistas ocidentais e representantes de organizações internacionais foram expulsos do país. Meios de comunicação críticos, como a rádio B-52 de Belgrado, foram proibidos. Durante os bombardeios, a Sérvia e o Kosovo afundaram num poço de desinformação.

A Otan não conseguiu impedir nem conter a catástrofe humanitária. Pelo contrário, provocou gigantescos campos de refugiados. Centenas de milhares de kosovares de etnia albanesa que escaparam dos massacres sérvios fugiram para a Macedônia, Albânia e Montenegro, países sem condições de recebê-los.

Estacionamento da força de paz

Após 79 dias de conflitos e 37 mil ataques de aviões de caça, a 3 de junho de 1999, o presidente da Finlândia, Martti Ahtisaari, convenceu Milosevic a retirar as tropas sérvias e permitir o estacionamento de uma força internacional de paz em Kosovo.

O Acordo de Kumanovo significou o fim dos bombardeios e a capitulação de Milosevic. Se ele tivesse assinado o tratado de paz de Rambouillet, teria preservado a integridade territorial e 2500 soldados sérvios teriam permanecido em Kosovo. Assim, eles tiveram de dar lugar a 28 mil soldados da força de paz.

Segundo estimativas do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, a guerra em Kosovo causou a expulsão de 1,5 milhão de albaneses-kosovares e 150 mil ciganos. Calcula-se que 10 mil albaneses e sete mil sérvios tenham morrido no conflito. Metade das casas em Kosovo foi destruída. Cem mil dos 180 mil albaneses-kosovares fugiram da região.
Frank Gerstenberg (gh)
Fonte: DW-world.de

quarta-feira, 23 de março de 2011

Coleção Educadores

Coleções disponibilizadas para download pelo site Domínio Público.





Seminário A questão Indígena

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1964: Primeira conferência mundial sobre comércio

Acesso ao mercado mundial para produtos dos países pobres é objetivo da Unctad

No dia 23 de março de 1964, 119 países participam em Genebra da primeira conferência mundial sobre comércio, organizada pelas Nações Unidas.

Um dos principais objetivos dos representantes de 75 países em desenvolvimento que participaram da conferência era garantir bons preços às suas matérias-primas no mercado mundial. Essa meta, assim como a tentativa de vender aos países ricos sua produção industrial e garantir empregos, não foi aceita pelo Hemisfério Norte.

Os países desenvolvidos, por sua vez, resolveram "fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para criar melhores condições para uma nova ordem mundial".

O único resultado concreto desta Conferência da ONU de Comércio, Energia e Desenvolvimento, que, aliás, custou 25 milhões de francos suíços, foi a intenção de organizá-la regularmente e a iniciativa de formar a Organização das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad). Esta acabou sendo criada em dezembro do mesmo ano.

Instituição internacional para questões de desenvolvimento

A Unctad foi criada como entidade intergovernamental permanente para tratar das questões do desenvolvimento e outros assuntos sobre comércio, finanças, tecnologia e desenvolvimento sustentável.

Seu objetivo oficial: "Aumentar ao máximo as oportunidades de comércio, investimentos e progresso dos países em desenvolvimento, ajudando-os a fazer frente às consequências da globalização e da integração da economia mundial em condições equitativas. Atuar na expansão e diversificação das exportações, na abertura de mercados e ajuste de estruturas produtivas dos países em desenvolvimento."

Atualmente, a entidade funciona mais como um fórum para debater temas de interesse de seus membros. As negociações mundiais sobre acessos a mercados acontecem na Organização Mundial do Comércio (OMC), criada em 1995 para substituir o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), que vigorava desde 1948.
Gerda Gericke (rw)

Herdeira tenta evitar venda da Lista de Schindler na internet

>>A Lista de Schindler: judeus salvos de campos de concentração

O documento com o nome de 1200 judeus salvos do Holocausto com a ajuda de Oskar e Emilie Schindler está sendo negociado na internet. Erika Rosenberg, herdeira da família alemã, tenta evitar sua comercialização.

A Lista de Schindler, que deu nome ao filme dirigido por Steven Spielberg em 1993, é alvo de controvérsia. O documento com o nome de 1200 judeus salvos pelo casal Oskar e Emilie Schindler durante a Segunda Guerra foi colocado à venda na internet por um valor estimado em três milhões de dólares.

A relíquia está sendo comercializada pelo negociante norte-americano Gary J. Zimet por meio do site momentsintimes.com. Na página online é possível visualizar os nomes datilografados dos judeus que escaparam dos campos de concentração nazistas com a ajuda do alemão Oskar Schindler.

A versão à venda contém 14 páginas com 801 nomes masculinos – as cinco páginas os nomes de mulheres e crianças não estão incluídas. A Lista contém ainda a data de nascimento e a profissão dos judeus que conseguiram escapar do regime nazista com a ajuda da família alemã.

"Um documento histórico tão importante como esse tem que ir para um museu", considera Erika Rosenberg, herdeira de Emile Schindler, esposa do empresário Oskar Schindler. Rosenberg vive na Argentina e briga para impedir que a Lista seja comercializada.

Testemunho da História

Erika Rosenberg acionou a Justiça em Nova York para evitar a negociação do documento. O pedido, no entanto, foi negado por um tribunal em dezembro último, e a herdeira não pôde levar o caso adiante por falta de recursos financeiros.

"Não se pode vender a lista por milhões já que a família Schindler, depois da guerra, teve que viver em condições bastante humildes", lembra Rosenberg, filha de judeus que fugiram do Holocausto. A escritora e jornalista conheceu Emilie Schindler em 1990 em Buenos Aires, Argentina, onde o casal Schindler se exilou depois da Segunda Guerra.

Em 1997, Rosenberg escreveu a primeira biografia de Emilie Schindler, com outros dois livros sobre a família publicados em 2001. A alemã morreu aos 93 anos, em 2001, na capital argentina – Oskar Schindler, que havia retornado para a Alemanha em 1958 depois de seu fracasso econômico no país latino-americano, faleceu em 1974.

"Não se trata de uma questão de dinheiro. Eu exijo apenas que a vontade de Oskar, e também a de Emilie, seja levada em consideração, que a documentação sobre o salvamento dos judeus seja disponibilizada ao público em museus alemães", diz Erika Rosenberg.

Lista negociada

Segundo informações publicadas na página de internet gerenciada por Gary J. Zimet, o raro exemplar é o único dos originais da Lista de Schindler a ser negociado. O documento foi obtido por meio de Itzhak Stern, contador da família Schindler e braço direito de Oskar.

A procedência do material, de acordo com Zimet, é segura. Haveria ainda outras três listas: duas no museu e centro de documentação Yad Vashem, em Israel, e outra no Museu do Holocausto, nos Estados Unidos. Nenhuma das Listas originais está em exposição na Alemanha.

A versão à venda é a penúltima feita por Oskar Schindler, de 18 de abril de 1945 – acredita-se que ao todo tenham sido elaboradas sete listas. "Uma relíquia mais comovente e histórica da Segunda Guerra não pode ser imaginada. Está é uma grande oportunidade de se obter um item de magnitude inimaginável", diz a mensagem no momentsintimes.com.

O preço, entretanto, não aparece na página online. Os interessados na Lista de Schindler são convidados a entrar em contato com o negociante.

Autora: Nádia Pontes
Revisão: Roselaine Wandscheer

Fonte: DW-world.de

terça-feira, 22 de março de 2011

Paraguai: O Pecado Mortal do Imperador


Segunda-Feira, 21/03/2011 por Mário Maestri

No Brasil, afirma-se que não houve oposição à guerra contra o Paraguai [1864-70] entre as classes políticas e intelectuais, como o ocorrido nas repúblicas do Prata. Liberais e conservadores disputaram a direção e as glórias da guerra fratricida. A única oposição seria a das classes subalternizadas, que se escafederam para não serem arroladas, ou desertaram, maciçamente, quando o foram. Propõe-se também que, silenciadas as armas, por décadas, manteria-se o consenso quanto às boas razões da participação do Império na hecatombe. Apenas em 1978, J. J. Chiavenato publicaria sua célebre reportagem revisionista, O genocídio americano: a guerra do Paraguai.

Não procede a proposta de pleno consenso, após o conflito. Ela constitui mito construído através da deslegitimação e, a seguir, encobrimento, da crítica positivista responsabilizando o governo e as classes dominantes imperiais pela guerra, sistematizada, em 1892, por Raimundo Teixeira Mendes, em Benjamin Constant: esboço de uma apreciação sintética da vida e da obra do Fundador da República Brazileira. Conspiração de silêncio que se mantém fortemente ainda hoje.

O positivismo comtiano tinha boas razões para opor-se à guerra imperial. Na sua visão histórica, a monarquia era momento metafísico, em direção à república, organização da sociedade positiva e industrial definitiva. Para ele, se havia razão histórica na escravidão antiga, nada desculpava a escravidão moderna, “aberração moral”. A visão comtista de mundo previa a inevitável divisão das grandes nações em pequenos estados; pregava a fraternidade e a “Pátria Universal”, apoiadas na organização científica da sociedade industrial e no altruísmo do homem. O doutor José Gaspar de Francia, fundador do Paraguai moderno, era homenageado no Calendário Positivista, no 27º dia do 12º mês (Frederico), entre Bolívar e Cromwell, como paradigma de ditador republicano.

O comtismo era ciência pró-burguesa e anti-operária, nascida sob a influência de 1789 e do hegelianismo, quando a burguesia assumira caráter conservador, após revolucionar a ordem feudal. Em inícios dos anos 1880, ao organizar-se no Brasil, sob a direção de Miguel Lemos [1854-1917] e Raimundo Teixeira Mendes [1855-1927], o comtismo era visão de mundo superada na Europa, onde o proletariado propunha-se objetiva e subjetivamente como demiurgo social. No Brasil monárquico, clerical e escravista, o evolucionismo positivista mecanicista e conservador, era espécie de antecipação de sociedade industrial que sequer raiava no horizonte.

Na República Velha, mesmo com suas limitações, a aplicação do método positivista comtiano contribuiu à superação das aparências fenomênicas e a uma maior compreensão de questões centrais do passado e da sociedade nacional. Dentre as principais contribuições positivistas à leitura do passado e da sociedade brasileira, destaca-se a definição da escravidão e da guerra contra o Paraguai como os maiores pecados de dom Pedro, do Estado e das classes dominantes imperiais. Culpas que exigiam que fossem reconhecidas e, sobretudo, que se procedesse a “reparação” desses e de outros “erros cruéis dos nossos antepassados”, através da revolução dos troféus e do cancelamento da dívida de guerra.

Fonte: O Nacional

Mestre do PPGH aprovado em concurso público

É com satisfação que noticiamos a aprovação do Ericson Flores em concurso público para o Instituto Federal Farroupilha, em Panambi.

Titulado em outubro de 2009, Ericson defendeu a dissertação “Um posto de combate e uma tribuna de doutrina: o Partido Libertador e o jornal Estado do Rio Grande (1929-1932)”

Ao mestre egresso do nosso Programa, votos de uma carreira de sucesso!

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Próximo ao MASP e Metrô Trianon-MASP
TEL: (11) 2528-2564
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Estrutura e valores
  • 8 camas misto: R$ 35 ,00 diária
  • 6 camas misto ou feminino: R$ 40 ,00 diária
  • 4 camas misto: R$ 45,00 diária

Reservas
Para garantir as reservas é necessário fazer o pagamento de 50% do valor total das diárias.

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* * * Transporte Rodoviário * * *
www.rodoviariapassofundo.com.br

Valores da passagem
Entre R$ 130,00 a 135,00

Consulta realizada dia 22 de março de 2011.

1945: Fundada a Liga Árabe

No dia 22 de março de 1945, foi criada a Liga Árabe. Seus iniciadores foram o Egito, Síria, Líbano, Transjordânia, Iraque, Arábia Saudita e Iêmen.

Depois da Segunda Guerra Mundial, a Síria e o Líbano permaneceram sob influência da França, mas se tornaram oficialmente independentes. Também no Egito e na Palestina, a influência britânica começou a ser cada vez mais restrita. Os palestinos, no entanto, temiam a proclamação do Estado de Israel.

Na tentativa desesperada de evitar que se formasse uma nova base de influência não árabe na região, sete países independentes resolveram reunir-se em 1944, em Alexandria, e um ano depois, no Cairo, para discutir medidas a serem tomadas.

A 22 de março de 1945, então, os representantes da Síria, Egito, Líbano, Transjordânia, Iraque, Arábia Saudita e Iêmen anunciaram a criação de um "pacto de solidariedade". Outros países seriam convidados a integrar a aliança, assim que conquistassem sua independência.

O grupo, entretanto, enfrentou divergências internas. A Síria e o Iraque defendiam a formação de uma unidade política. A Síria, por sua vez, ainda não via no Líbano uma nação soberana, enquanto os libaneses brigavam entre si pela conquista do poder. Já a Arábia Saudita e o Iêmen tinham muitas afinidades, mas desenvolveram características próprias que os distanciaram entre si.

Embora a Palestina ainda não possuísse representação política oficial árabe, enviou um representante para a assinatura do pacto de criação da Liga Árabe. Seu objetivo era a cooperação pan-árabe nos setores comercial, cultural, educacional e da saúde. Apesar de criticar duramente a criação de Israel, a Liga não conseguiu evitá-la. Nem resolveu seus problemas internos.

O Egito, por exemplo, foi expulso da aliança em 1979, depois que assinou o acordo de paz com Israel em Camp David. A partir daí, a organização transferiu sua sede do Cairo para a Tunísia. Somente alguns anos mais tarde, com a reconciliação, retornaria à capital egípcia. A impotência da Liga ficou clara no conflito do Golfo Pérsico. Sem consultas prévias, Bagdá marchou sobre o Kuwait em 1990 e uma aliança liderada pelos Estados Unidos – e com o apoio de várias nações árabes – libertou o emirado.
Peter Philipp (rw)
Fonte: DW-world.de