segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

UPF volta às aulas nesta terça-feira, 1º de março

Cerca de 17 mil alunos de graduação retornam às atividades

As aulas da Universidade de Passo Fundo (UPF) recomeçam na próxima terça-feira, 1º de março, quando são esperados cerca de 17 mil alunos de graduação, entre calouros e veteranos. A data marca o retorno dos estudantes matriculados em 59 cursos de graduação em todos os campi da instituição, nas cidades de Passo Fundo, Carazinho, Casca, Lagoa Vermelha, Sarandi, Soledade e Palmeira das Missões.

A já tradicional Recepção Acalourada de boas-vindas aos novos universitários também tem início no dia 1º de março e apresentará programações diversas. Estão sendo organizadas atividades especiais, mesclando programação cultural e ações de apresentação dos serviços disponíveis pela Universidade para atendimento dos acadêmicos. A Reitoria também estará presente para recepcionar os novos estudantes, assim como diretores, coordenadores de curso e demais professores, todos auxiliando na integração dos calouros ao dia a dia da instituição.

Fonte: Imprensa UPF

28 de fevereiro de -1989 - Morre Aurélio Buarque de Holanda Ferreira

28/02/2011 - 00:00 | Enviado por: Lucyanne Mano
Morre Aurelio Buarque de Holanda. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 1º de março de 1989.
"Fazer dicionários é como caçar borboletas. As palavras voam, é preciso caçá-las no ar". Aurélio Buarque de Holanda

Vítima do mal de Parkinson que sofria desde 1981, morreu o dicionarista e acadêmico Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, 78 anos, autor de um dos maiores sucesso da história editorial do Brasil: o dicionário Aurélio.

Por obrigações do ofício, Aurélio nunca se dava por satisfeito com as acepções dos seus verbetes. Para explicar o que era um dicionarista, por exemplo, por escrito, ele era curto: "Autor de dicionário, lexicógrafo". Mas, no meio de uma conversa, podia se esbaldar à vontade: "O ideal de todo lexicógrafo é ser um ficcionista, afinal, o que é criar a acepção de uma palavra, senão desandar pelo domínio da ficção?"

Quem conheceu este Aurélio alegre, sempre com um bom papo, no entanto, sabe que ele talvez se definisse melhor com a expressão "pescador de pérolas". Como bom alagoano, mestre Aurélio era apaixonado pelo mar. A paixão vinha desde os oito meses de idade, quando a família pobre, de pai comerciante modesto, se mudou da interiorana Passo de Camaragibe, onde nasceu Aurélio, a 3 de maio de 1910, para Porto das Pedras, de frente para o Oceano Atlântico. E sempre que os repórteres batiam à sua porta, com a incontornável missão de repassar a sua vida, ele ria, paciente, e não esquecia de mencionar um evento importante: tinha aprendido a nadar com 12 anos. Parecia um detalhe insignificante. Mas ele era assim. Apegado ao detalhe minúsculo que podia fazer diferença na definição de um verbete. Para definir Aurélio Buarque de Holanda Fereira, a presença do mar fez diferença.

O verbete que faltava
Num de seus célebres acessos de modéstia, Aurélio censurou no seu famoso dicionário, um verbete de uso amplamente dissiminado na língua portuguesa: aurélio. O que constar neste verbete? Sinônimo de dicionário, graças ao uso coletivo e anônimo, em reconhecimento à excelência do trabalho do lexicógrafo alagoano Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, autor do Novo dicionário da língua portuguesa.

Fonte: JBlog

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Bom retorno!!


Na próxima semana retornamos das férias para mais um semestre na UPF.
Desejamos a todos um ótimo retorno e um produtivo ano letivo em 2011.
Façamos juntos um curso sempre melhor!!


INFORMES
1. O Calendário do Curso 2011 já está disponível (clique aqui para visualizar) - organize seus horários, participe das atividades do curso.
2. Além do Blog do Curso temos outros canais de interatividade no Orkut e Facebook - acesse e participe das comunidades
3. Estamos lançando a rede social História Pesquisa e Ensino neste semestre. Este espaço deve ser aproveitado para discussões em fóruns temáticos, divulgação de fotos e vídeos - Cadastre-se, publique suas produções, comente as postagens...

23 de fevereiro de 1942 - O suicídio de Stefan Zweig

23/02/2011 - 00:00 | Enviado por: Lucyanne Mano

"Antes de deixar a vida por minha própria vontade, quero cumprir o meu último dever, qual o de agradecer profundamente a este país magnífico, o Brasil, que me deu tão amável acolhida. Cada dia que aqui passei, mais amava este grande país e em nenhum outro, além dele, poderia ter a esperança de refazer a minha vida. Depois que eu vi o país da minha própria língua soçobrando e minha pátria espiritual - a Europa - destruindo-se a si própria, e quando alcanço 60 anos de idade, seriam necessários esforços imensos para reconstruir a minha vida, e a minha energia está esgotada pelos longos anos de peregrinação..." Stefan Zweig

O último capítulo da vida de Stefan Zweig chegou ao fim. O escritor foi encontrado morto em sua residência na cidade de Petrópolis, estado do Rio de Janeiro. Estava em companhia da sua esposa, que o acompanhou na felicidade, no exílio, e no suicídio por excesso de barbitúricos. Foram vencidos pela desesperança no futuro da humanidade, resultante da barbárie que envolvia o mundo no auge da Segunda Guerra Mundial.

O grande biógrafo e historiador austríaco, asilado da sua pátria desde a anexação da mesma pelo Reich, nasceu na cidade de Salzburg. De ascendência judáica, foi pacifista e crítico do nazi-fascismo. Chegou ao Brasil em 1941, onde encontrou uma realidade totalmente distinta da que vivenciara e da qual fugira na Europa. Desenvolveu uma profunda simpatia no país, como documentou em sua obra Brasil, país do futuro.

Aqui, concluiu seu último trabalho, um lançamento póstumo: O mundo que eu vi, memórias do escritor em capítulos que refletem os embates dos mais nobres sentimentos humanos com a realidade europeia ao longo da sua vida.

O homem, seu destino e a História
Zweig enriquecia suas biografias com documentos, dotando-as de feições históricas legítimas. Maria Antonieta, Napoleão Bonaparte e Joseph Fouché são obras que retratam o seu tema preferido.

Refletem com perplexidade sobre o valor do homem em confronto com o seu destino, e os caminhos tortuosos da História: o primeiro pela tragédia de ter sido a rainha sacrificada pela Revolução; o segundo pelas realizações guiadas pelo sonho de dominar o mundo; e o terceiro pela carreira improvável que lhe possibilitou permanecer no poder ao longo de toda a Revolução e a até o fim da Era de Napoleão.

Fonte: JBlog

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Informe FEMEH


FEDEREÇÃO DO MOVIMENTO ESTUDANTIL DE HISTÓRIA – FEMEH

Conselho Nacional de Entidades de História – Curitiba 2010
Projeto de Campanha Nacional Pela Abertura dos Arquivos da Ditadura

A Bandeira

Pensar na abertura dos arquivos da ditadura nos faz refletir sobre amplas questões da nossa organização social. Leva-nos a pensar sobre como o passado “nebuloso” da ditadura civil-militar brasileira ainda é, em boa parte, velado da discussão na sociedade brasileira. Nos faz pensar sobre como vários crimes atrozes estão impunes com a conivência do estado brasileiro. Nos leva a crer também que essa perseguição as lutadoras e lutadores no passado se faz refletir na forte criminalização dos movimentos sociais, da juventude e da pobreza, presente hoje na sociedade brasileira. Nos leva a conclusão de que não superamos completamente a ditadura militar e todos os seus horrores. Portanto, devemos refletir sobre qual papel o historiador está cumprindo hoje, na sociedade brasileira e qual postura devemos tomar perante as contradições provocadas pelo capitalismo nesta sociedade.

Justificativa

Já algum tempo dentro da FEMEH a pauta da abertura dos arquivos da ditadura vem tomando lugar protagonista na nossa formulação, para muitos é a pauta mais consensual e "ponta de lança" de nossa ação. Então, após alguns anos de um acúmulo progressivo sobre a pauta, que que contruiu boa parte da nossa identidade enquanto federação, faz-se necessário que a FEMEH “bote o bloco na rua” e construa uma ação mais organizada e coesa que consiga agitar a bandeira da abertura dos arquivos da ditadura a nível nacional, levando a FEMEH a alcançar escolas em locais do país onde hoje nossa ação e organização ainda não alcançam. Mas para isso é preciso ter clareza dos nossos objetivos e tirar um método de como alcançá-lo.

Objetivos

O primordial desta campanha é organizar a FEMEH no próximo período para uma ação nacional que agite a bandeira histórica da abertura dos arquivos da ditadura. Fazendo com que a questão saia dos círculos mais orgânicos da entidade e atinja o conjunto dos estudantes de história no Brasil, possibilitando uma inserção mais forte da FEMEH na base. Com isso queremos abrir espaço para uma intervenção ampla dos estudantes de história perante a sociedade, onde nós seremos os questionadores do processo de “democratização” sofrido na década de 80 e as influências que este processo tem nas relações sociais de hoje. Em síntese é colocar a principal bandeira da FEMEH para o debate amplo na universidade brasileira e fora dela, no intuito de contribuirmos para alteração da correlação de forças vigente na questão da anistia e da memória da ditadura militar.

Aliados

Para então construirmos uma campanha pela abertura dos arquivos da ditadura que consiga ter reflexos concretos dentro e fora da universidade é preciso nos juntarmos aqueles que também constróem no cotidiano a luta pela preservação dos direitos humanos, o direito a memória, a verdade e a justiça. Temos esses companheiros e companheiras, seja no movimento estudantil ou fora dele. Dentro do movimento estudantil podemos nos aliar as executivas e federações de curso que trabalham suas bandeiras na perspectiva dos direitos humanos, como a ENECOS – Executiva Nacional de Estudantes de Comunicação Social que aborda com força a questão da democratização da comunicação, a FENED – Federação Nacional de Estudantes de Direito que já se colocou a favor de construir lutas em favor da abertura dos arquivos da ditadura e da revogação da lei de anistia, a CONEP – Coordenação Nacional de Estudantes de Psicologia que tem como um dos seus principais debates a questão dos direitos humanos na luta anti-manicomial e contra a tortura, dentre outras várias entidades estudantes que se coloquem à favor da luta da abertura dos arquivos da ditadura e da defesa dos direitos humanos, sejam elas nacionais ou locais. Mas também é necessário construirmos junto com as forças de fora da universidade, daí temos um amplo leque de possibilidades, dentre eles se destacam: OAB - Ordem dos Advogados do Brasil, que entrou com um pedido de revogação da lei de anistia no ano de 2010 e que construiu uma campanha concreta pela abertura dos arquivos em algumas de suas regionais; Grupo Tortura Nunca Mais, que hoje se destaca no Brasil como um dos setores mais importantes na luta pela revogação da atual lei da anistia, na defesa dos direitos humanos e no debate da criminalização dos movimentos sociais e da pobreza como herança de um passado obscuro de perseguição aos que se movimentaram no Brasil; podemos contar com o MNDH – Movimento Nacional de Direitos Humanos; a rede Tribunal Popular, que articula dezenas de movimentos sociais no debate de direitos humanos, bem como os movimentos populares do campo e da cidade – MTST, MST, Via Campesina – que hoje travam uma forte luta contra a criminalização dos movimentos sociais. Sem esquecer também daquelas organizações locais que queiram construir conjuntamente conosco esta luta.

Metodologia e Atividades

Após termos definido nosso objetivo a alcançar e os aliados que procuraremos neste processo é preciso traçar atividades e uma metodologia que seja nosso caminho para construirmos nossa intervenção de luta deste período, dentre elas podemos elencar:

- Construção de intervenções da FEMEH nas escolas, a partir de passadas da CN e das CR’s, fomentando o debate nos centros acadêmicos, semanas de história e eventos dos cursos sobre a questão da ditadura, levando nosso acúmulo sobre a questão e dialogando sobre a necessidade de todos lutarmos para transformação do atual quadro em que se encontra os arquivos da ditadura.

- Construção de atividades conjuntas com os setores aliadas para acumularmos e agitarmos sobre a questão da abertura do arquivos, memória, tortura e direitos humanos.

- Realização de um dia nacional de luta pela abertura dos arquivos da ditadura que seja construído por todas as escolas da FEMEH através de atos, debates, intervenções artísticas ou qualquer outra atividade com problematize a questão da abertura colocando a necessidade de lutarmos pela bandeira (construir data apartir do diálogo com os parceiros);

- Construção de um Seminário sobre Memória e Direitos Humanos chamando os outros setores aliados para discutirmos e aprofundarmos a questão;

- Agitação do Material de Propaganda da Campanha nas escolas;

- Construção de um abaixo assinado a nível nacional para consultar a população sobre a questão da abertura arquivos da ditadura militar;

- Construção de comitês regionais nos estados para disseminar a campanha;

- Construção de atividades agitativas, apartir dos comitês regionais em conjunto com grupos e núcleos teatrais para, de forma criativa e comunicativa, denunciarmos a urgente necessidade da sociedade brasileira discutir a questão.

- Realização de espaço junto ao Ministério Público que coloque a necessidade da abertura dos arquivos da ditadura como preceito constitucional de respeito aos direitos humanos, que seja realizado durante ou próximo ao XXX ENEH como finalização desta fase da campanha, entregando a sistematização de todo acúmulo que obtivermos com a campanha ao Ministério Público e toda sociedade civil (construir junto a COENEH 2011).

Materiais

Para podermos divulgar a campanha bem como a bandeira é fundamental um material de agitação e acúmulo que dê suporte a isso, por isso precisamos produzir:

- Uma layout geral para a campanha que balize todo o nosso material de comunicação;

- Construção de material audiovisual;

- Construção de uma página dentro do sítio da FEMEH para centralizar as informações sobre a campanha: atividades, materiais, calendário, etc;

- Camisas sobre a abertura dos arquivos, abordando memória, criminalização, tortura, direitos humanos;

- Adesivos com a layout da campanha;

- Cartilha pela abertura dos arquivos da ditadura, aproveitando a edição de 2008;

- Cartazes e outros materiais impressos para distribuição nas escolas.

Financiamento

- Caixa atual da FEMEH;

- Venda de parte do Material de agitação e propaganda da campanha bem como outros materiais de financiamento da FEMEH;

- Busca de financiamento através de projeto para a comissão nacional de anistia.

Calendário

Dezembro – Fechamento do Projeto no CONEHI Curitiba 2010

Janeiro – Início da divulgação da campanha, contactar aliados, fechar orçamento geral e material de agitação e propaganda, Contato e Mapeamento das escolas para participarem da campanha;

Fevereiro – Dividir as passadas e fechamento dos eventos e atividades nas escolas; Produção do Material de Agitação e Propaganda;

Março – Intervenção nas escolas e atividades com os aliados;

Abril – Intervenção nas escolas e atividades com os aliados;

Maio – Intervenção nas escolas e atividades com os aliados;

Junho – Dia Nacional de Luta Pela Abertura dos Arquivos da Ditadura e Seminário Nacional de Memória e Direitos Humanos;

Julho – ENEH – UFSC 2011.

Visite o site da FEMEH, mantenha-se informado sobre as atividades
http://femehnacional.wordpress.com/

Hoje na História: 1967 - General Suharto assume o poder na Indonésia e provoca um banho de sangue

22/02/2011 - 08:00 | Max Altman | São Paulo

Em 22 de fevereiro de 1967, o presidente indonésio Ahmed Sukarno entrega a renúncia de todo o gabinete ministerial ao ditador militar general Haji Mohammad Suharto, permanecendo como presidente decorativo. O golpe militar levou a Indonésia a um banho de sangue. Suharto se convenceu de que era necessário liquidar toda a oposição do país, principalmente os grupos de esquerda.

Então, Suharto assinou vários acordos de cooperação militar e de segurança, principalmente com os Estados Unidos e com a Inglaterra. Foi deslocado para a Indonésia o maior contingente de agentes da CIA (Agência Central de Inteligência norte-americana) e instrutores para treinamento das forças armadas e da repressão policial de que se tem notícia. O país foi transformado no maior laboratório de repressão política da CIA no mundo.

Em 1965, Suharto havia salvado por pouco Sukarno de um golpe da esquerda. Em 1967, ele assumiu plenos poderes e, em 1968, foi eleito, em eleições contestadas, presidente na nação. Recebendo farta assistência dos Estados Unidos, Suharto conseguiu certa estabilidade e progresso econômico. Entretanto, foi duramente criticado por seu governo repressor e pela invasão do Timor Leste, em 1975, que deixou cerca de 100 mil timorenses morrerem de fome, doenças e guerra. Ele se manteve no cargo porque era reeleito a cada cinco anos, até que foi forçado a renunciar em 1998. Suharto morreu em 27 de janeiro de 2008 sem nunca ter sido julgado por um tribunal.

O crescimento esquerda e a repressão

Entre 1959 e 1965, mais de 15 milhões de pessoas se filiaram a partidos políticos ou organização de massa no país. Segundo o historiador australiano, Harold Crouch, o PKI, Partido Comunista da Indonésia, era o maior partido comunista do mundo fora da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e da China, com mais de três milhões de filiados. Crescia, aceleradamente e se popularizava com as grandes manifestações de massa. Aos olhos da CIA e de Suharto, o crescimento do PKI representava um perigo para a região. Afinal, no vizinho Vietnã a situação não era boa para os EUA.

Entre 1965 e 1966, de posse da lista de filiados e ativistas, Suharto, com a colaboração da CIA e do serviço secreto britânico, dividiu a Indonésia em regiões de maior concentração de ativistas e deu início à perseguição em uma "operação limpeza". Milhares e milhares de pessoas foram retiradas de suas casas e executadas em plena luz do dia. Os relatos das torturas e execuções são apavorantes, tal a brutalidade dos militares de Suharto. Pessoas eram sequestradas e decapitadas, as cabeças apareciam sobre os muros nas ruas das cidades. Na ilha de Bali foram executadas 80 mil pessoas, que eram dominadas, mãos atadas e eliminadas. Nas aldeias indonésias, jovens foram trucidados, os pênis arrancados e alinhados em fileiras para depois contar os mortos.

Agentes da CIA revelaram à época que os métodos utilizados nos interrogatórios e na repressão política foram pesquisados em relatos de livros do período da Inquisição, posto que o sistema do Santo Ofício era eficiente e estava sendo testado na "Operação Modelo" com muito sucesso.

Robert J. Martens, ex-adido político da embaixada norte-americana e Joseph Lazarsky, subchefe do escritório da CIA ambos em Jacarta, confirmaram à imprensa que passaram ao exército de Suharto uma lista de cinco mil pessoas, consideradas as mais importantes cabeças do PKI.

A CIA sugeriu a Washington investir em equipamentos. Uma rede completa de comunicação de última geração foi levada por aviões da força aérea americana baseada nas Filipinas. Naquela altura, a Indonésia foi beneficiada também por um empréstimo do governo britânico de 1 bilhão de libras esterlinas para compra de equipamentos militares e policiais.

Ataques especulativos contra os "tigres asiáticos" começaram a ocorrer em julho de 1997, tendo seu ápice em meados de 1998. No final de 1997, a quarta maior instituição financeira do Japão, a Yamaichi Securitis, decretou falência. As autoridades monetárias revelaram as instituições financeiras do país totalizavam mais de 580 bilhões de dólares em títulos podres. Para compensar as perdas da inadimplência, os bancos japoneses resolveram retirar dinheiro dos mercados do sudeste asiático.

Suharto não servia mais aos negócios do Ocidente. O país estava com uma dívida de 262 bilhões de dólares, valor correspondente a 170% de seu produto interno bruto. Uma onda de protestos, puxada pelos estudantes contra o governo, varre o país. Suharto não pôde resistir e caiu em junho de 1998, mas deixou em seu lugar Jusuf Habibie, um de seus delfins.

A Indonésia é hoje um dos países de maior desigualdade no mundo, com mais de 70 milhões de pessoas pobres, condenadas a pagar as dívidas contraídas pelo ditador. A agricultura familiar deu lugar ao agro-negócio, milhões de famílias foram expulsas das terras, numa verdadeira diáspora, e se amontoaram nas periferias das grandes cidades, em condições subumanas.

Fonte: Opera Mundi

Enciclopédia Britânica oferece conteúdo ao ensino fundamental

Segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011 - 17:01

Estudantes do ensino fundamental, matriculados em escolas públicas de todo o país, podem acessar o conteúdo da Britannica Escola Online, ferramenta desenvolvida pela Enciclopédia Britannica, empresa que criou a mais antiga enciclopédia ainda publicada. A ferramenta, que reúne verbetes da enciclopédia, dicionário e atividades de ensino, está disponível no Portal de Periódicos, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

O conteúdo pode ser acessado em computadores localizados nas dependências das escolas públicas. Mais de 27 milhões de alunos poderão utilizar os recursos do portal, conforme dados do Censo Escolar 2010, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Ao acessar a interface da Britannica Escola Online, alunos e professores poderão utilizar durante o processo de aprendizado ferramentas de ensino e recursos multimídia disponíveis no Portal, como artigos de enciclopédia, imagens e vídeos, um atlas do mundo que incorpora a tecnologia do Google Maps, biografias, notícias diárias voltadas para as crianças, recursos interativos de geografia, jogos interativos, entre outros.

Os professores podem criar planos de aula de forma eficiente e eficaz pela utilização da busca por assunto. Também terão acesso aos recursos do Portal do Professor. “Já os alunos deverão ser capazes de pesquisar de forma mais eficaz e aprimorar as habilidades adquiridas em sala de aula”, explica Adriana Rodrigues, gerente de desenvolvimento de negócios da Encyclopædia Britannica para o Brasil, Argentina, Uruguai e Colômbia.

Educação básica – Com a assinatura da Britannica Escola Online e a oferta do conteúdo a alunos da rede pública, o Portal de Periódicos passa a atuar também no processo de formação e qualificação de professores da educação básica. Essa missão foi assumida pela Capes em 2008. A fundação, que sempre atuou no fomento e avaliação da pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado), passou a atuar também no desenvolvimento de programas e ações voltados à educação presencial e a distância de professores do ensino fundamental e médio. (Assessoria de Comunicação da Capes)

Acesse a Britannica Escola Online

Acesse o Portal de Periódicos

Fonte: MEC

Seminário sobre o Movimento Estudantil

SEMINÁRIO SOBRE MOVIMENTO ESTUDANTIL NO PERÍODO DA REDEMOCRATIZAÇÃO - PONTO DE CULTURA “MEMÓRIAS EM MOVIMENTO: JUVENTUDE, CULTURA E POLÍTICA”

O Seminário é o momento inicial do Projeto “Memória do Movimento Estudantil Universitário Gaúcho no Período da Redemocratização – 1977/1985: Juventude, Cultura e Política”, aprovado como Ponto de Cultura do Ministério da Cultura em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande – FURG.
O referido Projeto tem como objetivo principal a construção de um banco de dados que resgate a memória do ME naquele período, através de pesquisa documental e de entrevistas com militantes do movimento, que será disponibilizado para estudiosos do tema e para a comunidade em geral.
Assim, este Seminário será o ponto de partida para a construção do projeto, pois tem como meta a discussão e sistematização dos principais temas que envolveram aquele período, procurando socializar as informações entre as pessoas que estarão envolvidas diretamente na execução do trabalho e construir uma rede de apoio ao referido projeto entre a sociedade organizada e as pessoas interessadas.
Desta forma, a atividade será organizada na forma de palestras e debates com painelistas convidados, além de um espaço para apresentação de trabalhos acadêmicos sobre o tema e de uma exposição de fotos e documentos relativos ao período.

Abaixo, a programação sugerida:

Dia 13/04
18 horas: Abertura da mostra fotográfica e coquetel de inauguração do Seminário
19 horas: Mesa 1 – A História de Lutas da Juventude Brasileira: Organização e Resistência

Dia 14/04
9 horas: Apresentação de trabalhos acadêmicos sobre o tema
17 horas: Mesa 2 – A Retomada do ME e Suas Diferentes Concepções
Painelistas: representantes das principais correntes da época
20 horas: Mesa 3 – A Reconstrução do ME no RS no Período da Redemocratização: As Lutas Estão de Volta

Dia 15/04
14 horas: Mesa 4 – A Cultura Como Resistência: O ME na Construção da Contra-Cultura
17 horas: Mesa 5 – Desafios e Perspectivas do ME Hoje
20 horas: Apresentação do documentário Cio da Terra e debate.
Após: Festa de Encerramento

Mais informações com o DAALL
FONE:(54)3316-8343 EMAIL: contato.daall@gmail.com

1946: O longo telegrama que incentivou a Guerra Fria

>>Destinatário do telegrama de George F. Kennan: presidente Harry Truman

Em 22 de fevereiro de 1946, diplomata norte-americano enviou telegrama de 8 mil palavras de Moscou a Washington. Com base neste posicionamento, a Casa Branca justificou sua posterior política anticomunista.

George Frost Kennan, diplomata em Moscou, estava irritado com a política de seu presidente, Franklin Roosevelt. Era fevereiro de 1946 e os Aliados estavam elaborando sua política do pós-guerra em Ialta. Kennan considerava ingênuas as concessões feitas pelos Estados Unidos a Stalin, pois não acreditava que a política de cooperação entre os dois sistemas perdurasse muito tempo depois da Segunda Guerra.

Oito mil palavras sobre a política soviética
Durante vários meses, Kennan tentou advertir as lideranças políticas de seu país contra Stalin. Mas ninguém lhe deu atenção. Seu papel de diplomata insignificante mudou de forma radical no dia em que a União Soviética rejeitou a filiação ao Banco Mundial. Sem entender nada, a Secretaria das Finanças buscou mais informações junto à sua embaixada em Moscou. Como o embaixador não estivesse, o próprio Kennan ditou o telegrama de resposta à secretária, no dia 22 de fevereiro de 1946.

O documento continha 8 mil palavras e fazia sérias advertências às intenções expansionistas de Stalin. Para evitar que o telegrama fosse visto por pessoas não autorizadas, dividiu-o em cinco partes. Na opinião de Kennan, Moscou tinha por objetivo expandir as fronteiras soviéticas e se aproveitaria de qualquer organização internacional que lhe desse oportunidade para ampliar seu poder, em detrimento do de outros. "Em suma, trata-se de uma motivação política fanaticamente atrelada à crença de que não é possível trabalhar a longo prazo com os norte-americanos", concluiu Kennan.

Reorientação da política norte-americana

Nessa época, a Casa Branca já era ocupada por Harry Truman. O novo presidente era bem mais cético que seu antecessor em relação à política soviética. E depois do "longo telegrama", então, a política norte-americana mudou completamente em relação a Moscou. Em vez de cooperação, Truman falava de contenção. Começava a Guerra Fria e, em 1950, Kennan ainda estava convencido de que a política de exterior em relação à União Soviética não podia ser cautelosa o suficiente.

Kennan também chegou a escrever um memorando em que enfocava as relações entre Estados Unidos e América Latina. Segundo o historiador alemão Knud Krakau, "foi sugerido aberta e explicitamente ao governo norte-americano o apoio a regimes autoritários e ditatoriais – que havia em profusão na América Latina – desde que se manifestassem anticomunistas".

Mais tarde crítica à corrida armamentista

A Guerra Fria e a ameaça nuclear despertaram dúvidas em Kennan. Ele passou a se sentir mal-entendido. Sua intenção com o longo telegrama havia sido política e não militar. Em outubro de 1982, recebeu o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão pelas suas críticas à corrida armamentista.

Ao receber o prêmio, indagou: "Pode ser realmente que se pretenda fazer perdurar estas condições por tempo ilimitado? E isto com o único argumento de que precisamos de armas nucleares para a intimidação? Não posso acreditar. O movimento antinuclear, apesar de primitivo intelectualmente e de suas tolices e ingenuidades, parece-me uma reação natural a esta situação!"

Ao contrário de seu "longo telegrama", Kennan também havia começado a criticar o governo norte-americano. Ele presenciou o fim da Guerra Fria em Princeton.
Ralf Geissler (rw)
Fonte: DW-world.de

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Hoje na História: 1965 - Malcolm X é assassinado no Harlem

21/02/2011 - 07:17 | Max Altman | São Paulo

Malcolm X, líder religioso e nacionalista afro-americano, foi assassinado em 21 de fevereiro de 1965, no bairro novaiorquinho do Harlem pela entidade rival Black Muslims (Muçulmanos Negros) quando discursava para sua organização, a Unidade Afro-americana.

Malcolm Little nasceu em Omaha, Nebraska, em 1925. Era filho de James Earl Little, um pregador batista que defendia os ideais nacionalistas dos negros de Marcus Garvey. Ameaças vindas da organização racista Ku Klux Klan obrigaram a família a se mudar para Lansing, Michigan, onde seu pai seguiu com seus sermões.

Em 1931, o pai de Malcolm foi brutalmente assassinado pela Legião Negra, uma entidade que defendia a supremacia branca. As autoridades de Michigan se recusaram a processar os responsáveis. Em 1937, Malcolm foi tirado da família por assistentes sociais. Nessa altura, com idade para começar a cursar o ensino médio, abandonou a escola e mudou-se para Boston, onde se envolveu cada vez mais com atividades delituosas.

Em 1946, aos 21 anos, Malcolm foi preso, acusado de roubo. Na prisão, se deparou com os ensinamentos de Elijah Muhammad, o líder da Nation of Islam (Nação do Islã), cujos membros eram conhecidos como Black Muslims. A Nação do Islã defendia o nacionalismo negro e o separatismo racial e condenava os norte-americanos descendentes de europeus como “demônios imorais”. As teses de Muhammad impressionaram vivamente Malcolm, que resolveu fazer um intenso programa como auto-didata. Trocou seu sobrenome por um simples “X” para simbolizar o roubo de sua identidade africana.

Seis anos depois, Malcolm foi libertado e se tornou ministro da Nação do Islã no Harlem. Ao contrário de líderes dos direitos civis, como Martin Luther King, Malcolm X defendia a autodefesa e a libertação dos afro-americanos “por todos os meios necessários”. Orador fogoso, Malcolm era admirado pela comunidade negra de Nova York e de todo o país.

Filosofia própria

No começo dos anos 1960, começou a elaborar uma filosofia mais franca que a de Muhammad, quem a seus olhos não defendia o bastante o movimento dos direitos civis. No final de 1963, Malcolm insinuou que o assassinato do presidente John Kennedy Jr. se resumiria em "quem semeia ventos colhe tempestade". Isto levou Muhammad a acreditar que Malcolm se tornara demasiado poderoso e julgou que sua declaração era a oportunidade conveniente de suspendê-lo da Nação do Islã.

Alguns meses mais tarde, Malcolm deixou formalmente a organização e empreendeu uma peregrinação muçulmana a Meca, onde ficou impactado com a ausência de discordância racial entre os muçulmanos ortodoxos. Voltou aos Estados Unidos como El-Hajj Malik El-Shabazz e em junho de 1964 fundou a Organização da Unidade Afro-americana, que defendia a identidade negra. Ele sustentou que o racismo e não a raça branca era o maior inimigo dos negros norte-americanos.

O novo movimento de Malcolm ganhou continuamente seguidores e sua filosofia mais moderada tornou-se cada vez mais influente no meio do movimento pelos direitos civis, especialmente entre os líderes do Comitê de Coordenação dos Estudantes Não-violentos.

Em 21 de fevereiro de 1965, uma semana após sua casa ter sido atingida por uma bomba incendiária, Malcolm X foi alvejado mortalmente por membros da Nação do Islã enquanto discursava.

Fonte: Opera Mundi

21 de fevereiro de 1972 – Nixon vai à China reatar laços diplomáticos

21/02/2011 - 06:00 | Enviado por: Lucyanne Mano
Jornal do Brasil, 22 de fevereiro de 1972

O presidente dos Estados Unidos Richard Nixon se reuniu com o presidente da China Mao Tsé Tung, na capital Pequim, para colocar fim aos 22 anos de hostilidades entre os dois países. Na manhã do dia 21, Nixon chegou à China a convite do governo chinês para iniciar as negociações desta reaproximação diplomática. A cerimônia de recepção a Nixon foi tão fria quanto a temperatura de um grau que fazia na cidade. Sem festividade, Nixon foi recebido pelo Premier Chou En-lai, que aceitou o aperto de mão oferecido pelo governante. Logo depois, Nixon se encaminhou para a casa de Mao Tsé Tung para uma reunião sigilosa e simples, que seria seguida de um banquete no Grande Salão do Povo de Pequim.

No banquete noturno em que se encontravam os presidentes e suas respectivas comitivas, além da imprensa, o Premier Chou En-lai manifestou o desejo de estabelecer com os Estados Unidos relações diplomáticas normais. Nixon, por sua vez, propôs aos chineses que construíssem junto aos americanos um “mundo novo e melhor”.

“Desejo estender, em nome do povo chinês, cordiais saudações ao povo do outro lado do grande oceano. A visita do Presidente Nixon a nosso país a convite do governo chinês, proporciona aos dirigentes de ambos os países a oportunidade de se reunirem para procurar a normalização das relações entre as duas nações, e trocar pontos de vista sobre questões que preocupam as duas partes”, declarou Chou En-lai ainda no banquete, que foi televisionado para os Estados Unidos.

Para retribuir as saudações, Nixon proferiu um belo discurso no qual reafirmou a vontade de restabelecer boas relações com a China: “O que dissermos não durará muito, mas o que fizermos poderá modificar o mundo. Se nossos povos forem inimigos, o futuro da humanidade será sombrio, mas se pudermos encontrar um terreno comum de entendimento, serão inúmeras as possibilidades de paz”.

Os encontros do dia 21 serviram como início de contatos. As conversações sobre os problemas internacionais (sobretudo a questão da Indochina) tiveram lugar nos cinco dias seguintes, tempo em que Nixon permaneceu no país. As relações diplomáticas com a China, rompidas décadas antes com a criação do pacto de aliança entre China e União Soviética (principal inimigo norte-americano no quadro da Guerra Fria), foram reestabelecidas com base em cinco princípios fundamentais: respeito à soberania e integridade territorial das nações, não agressão mútua, não interferência em assuntos internos, igualdade mútua e coexistência pacífica.

Fonte: JBlog

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Folha põe na internet 90 anos de história em 1,8 milhão de páginas

Fernando Rodrigues
De Brasília

No dia em que comemora seus 90 anos, a Folha coloca na internet a versão fac-similar das suas edições desde 1921. São cerca de 1,8 milhão de páginas, incluindo as edições da "Folha da Noite", da "Folha da Manhã" e da "Folha de S.Paulo".

A Folha é o primeiro dos grandes jornais brasileiros a digitalizar seu acervo integral e a colocá-lo à disposição dos leitores. Para acessar clique aqui - acesso gratuito para degustação.

O processo demorou cerca de um ano. Envolveu dezenas de pessoas do jornal e a contratação da empresa Digital Pages. O custo estimado foi da ordem de R$ 3 milhões, o que inclui a digitalização, o armazenamento e o espaço em servidores capazes de suprir a demanda que será criada na internet.
Nesta fase inicial, qualquer pessoa poderá ter acesso gratuito por meio do site acervo.folha.com.br.

"Após um período de degustação aberto a todos, o acesso gratuito será mantido só para assinantes do jornal. É uma ferramenta poderosa para pesquisas e uma vantagem a mais para o leitor fiel da Folha", afirma Antonio Manuel Teixeira Mendes, superintendente do jornal.

BUSCAS

"Todas as páginas receberam OCR, a tecnologia que permite o reconhecimento de caracteres nas imagens. Com isso, será possível fazer pesquisas simples ou sofisticadas sobre os textos do acervo de forma intuitiva. E, com enorme volume de páginas, a interface foi desenhada para que a busca traga resultados contextualizados visualmente em poucos cliques", diz Ana Busch, diretora-executiva da Folha.com.

O trabalho foi quase todo feito a partir de microfilmes do jornal. Em 1982, a Folha começou a microfilmar suas edições desde a década de 1920. "Embora existam as coleções em papel, o microfilme é importante para preservar o material. A vida estimada de um livro em papel de jornal é de cem anos. Em microfilme, dura cerca de 500 anos", afirma Carlos Kauffmann, gerente do Banco de Dados da Folha e um dos coordenadores do projeto.

Ainda hoje a Folha continua sendo microfilmada. Para efeitos legais, só cópias a partir desse meio são aceitas em processos na Justiça.

"O fato de o jornal na década de 1980 ter decidido microfilmar seus exemplares antigos facilitou bastante o processo. No ano passado, a digitalização começou a partir dos microfilmes. Mesmo os das edições mais velhas estão em boa qualidade", explica Kauffmann.
A partir de agosto de 2003, os arquivos em pdf (imagens digitais das páginas) do jornal foram usados para o atual projeto de colocar na internet todo o acervo.

O projeto de digitalização e apresentação das páginas na web privilegia o acesso amplo dos leitores. Ao fazer a busca de um texto, o interessado chegará à página correspondente e terá a possibilidade de folhear a edição do jornal daquele dia ou até de um período mais longo.

Nesse sistema, o trabalho de pesquisa se torna mais rico. Por exemplo, numa busca sobre a Segunda Guerra Mundial, ao chegar ao artigo específico, o interessado também poderá ler as reportagens publicadas na mesma página e em outras partes da edição naquela data.

Em breve, outros jornais do Grupo Folha também terão seus acervos digitalizados. Entre eles, o "Notícias Populares", que circulou de 15 de outubro de 1963 a 20 de janeiro de 2001, e a "Folha da Tarde", criada em 1949.

Fonte: Histórica - FSP

Vídeo: conheça a história por trás das 29.907 edições


Folha 90 anos - Documentário Toda a Folha

Documentos históricos deixados em sacos de lixo são restaurados em SP

19/02/2011 10h09 - Atualizado em 19/02/2011 10h09
Especialistas tentam recuperar parte do acervo do Museu Maçônico, do Rio.
Acervo conta a história da Ordem e também do Brasil Império.

Carolina Iskandarian Do G1 SP

Há um ano, quando pisou no Museu Maçônico do Palácio do Lavradio, no Centro do Rio, com a incumbência de recuperar o acervo, o restaurador Tércio Gaudêncio não tinha ideia de que seu trabalho seria muito maior. Até hoje, ele revira os sacos de lixo onde foram despejados livros e documentos históricos. A maioria traz informações sobre a Maçonaria e o Brasil Império. Gaudêncio conta que, se não tivesse passado pelo depósito do prédio, não teria esbarrado naquele “tesouro”, que agora passa por restauro em São Paulo.

“Estava tudo em 251 sacos pretos de lixo de cem litros. Sem saber o que tinha dentro, fomos abrindo documento por documento e começamos a descobrir coisas fantásticas”, diz o restaurador em sua oficina, na Zona Sul da capital paulista. Entre os documentos recolhidos, o especialista, dono de uma empresa de restauração, aponta raridades. Ele calcula que trouxe em três caminhões para São Paulo cerca de 17 mil documentos, sete mil livros, 30 gravuras e 13 quadros.

Uma das raridades é um decreto do rei português D. João VI, datado de junho de 1823, com, entre outras, a seguinte ordem contra os maçons: "todas as sociedades secretas ficam suprimidas (...) e nunca mais poderão ser instauradas". No acervo, há ainda atas de reuniões da Maçonaria no século 19 e documentos sobre a proclamação da independência do Brasil.

Agora bem guardada em uma caixa está uma Bíblia, que, segundo Gaudêncio, é de 1555 e foi escrita em aramaico, grego antigo e latim medieval. “D. Pedro I ganhou quando se casou. Só existem três edições desta no mundo”, afirma ele sobre a raridade. A publicação ficava exposta aos visitantes em uma vitrine, o que não impediu o estrago. “Jogaram a capa original fora e colocaram outra com uma cola muito ruim”, conta Ruth Sprung Tarasan, uma das coordenadoras do trabalho de restauro.

Irregularidades
Marcos José da Silva, o grão-mestre geral do Grande Oriente do Brasil (ao qual estão subordinadas muitas lojas maçônicas no país), admitiu ao G1 que o prédio onde fica o museu não está em boas condições e sofre com infiltrações, cupim e mofo, entre outros problemas. Ele disse não saber por que parte do acervo estava em sacos de lixo e atribuiu à “falta de uma pessoa habilitada” o fato de o material ter sido acondicionado daquela maneira.

“É desconhecimento, falta de uma pessoa habilitada. Durante muitos anos o acervo não teve a manutenção devida, verificamos em que estado ele estava e resolvemos enfrentar o desafio”, contou ele, sem revelar quem cuidava do museu e quanto custará o trabalho de restauro das peças e de reforma do prédio. A organização, que tem sede em Brasília, assumiu a direção do local em setembro de 2009.

Silva disse preferir acreditar que os livros e documentos históricos não iriam para o lixo. “Acredito que estavam ali para futura apreciação.” As obras começaram em março de 2010 e ele não deu previsão de término.

Da Maçonaria
Por ser maçom e ter muita experiência no ramo, Gaudêncio assumiu a restauração de parte do acervo do Museu Maçônico, o primeiro da categoria na América do Sul. Enquanto ele se debruça sobre livros e papéis destruídos por traças, cupins e mofo, o prédio do museu na capital fluminense passa por reformas.

Parte do material que está sendo recuperada estava nos sacos plásticos pretos. “Ia tudo para o lixo. Dá para imaginar quanta pesquisa a gente podia fazer com isso?”, questiona Ruth, que também é historiadora. “Sou obrigado a ler os documentos e começo a cair de costas porque a história dos livros não é a mesma. Aqui, tenho os originais dos grandes maçons da época. E só quem é da Maçonaria pode mexer nisso”, ressalta Gaudêncio, entusiasmado com o trabalho que teve início em 2010 e que pretende entregar no segundo semestre deste ano.

O processo de restauração inclui encadernar os livros, recuperar o papel destruído e retocar a tinta das palavras. Para garantir a perpetuação do material, Gaudêncio e sua equipe digitalizam o que conseguem salvar. “Já temos 14 mil documentos digitalizados”, diz ele. O G1 esteve no escritório de Gaudêncio e viu quando a restauradora Ana Maria do Prado tentava recuperar a cor original de dois quadros: o do general Osório e do visconde de Sapucaí.

“O desenho tem muito retoque. Muita gente mexeu; o verniz está oxidado”, revela Ana Maria, que põe na ponta do pincel uma tinta especial para restauradores. “Ela é reversível. Sai com qualquer solvente e não ataca a pintura original”, explica. “Hoje em dia, tudo tem que ser reversível. Não se sabe o que vamos achar daqui a 20 anos”, completa Ruth.

De acordo com Luiz Alberto Chaves, integrante do Grande Oriente do Brasil em Brasília, o prédio do museu na Rua do Lavradio foi comprado em 1840 e passou por dois anos de reformas. Foi sede da Maçonaria até 1978, quando houve a transferência para Brasília.

Maçonaria e a Independência
Apesar de o imperador D. Pedro I ser da Maçonaria, para a professora de história Miriam Dolhnikoff, da Universidade de São Paulo (USP), ele não foi tão influenciado pelos maçons quando declarou a independência do Brasil em 1822. “A Maçonaria não teve toda essa importância no processo de independência. Ela era um espaço de debate político entre outros espaços”, explica Miriam.

“Ele (D. Pedro I) foi maçom porque na época todos da elite eram”, completa a professora. Segundo ela, a Maçonaria defendia que o Brasil deixasse de ser colônia portuguesa, por isso, as críticas do rei D. João VI ao movimento.

Fonte: G1

sábado, 19 de fevereiro de 2011

AHR Memórias: Primeira Guerra

A Grande Guerra nas plagas passo-fundenses
Sábado, 19/02/2011 por Arquivo Histórico Reginal

Por Jacson Vilian Vicensi
Acadêmico do Curso de História/UPF
Fonte: Acervo AHR

Em agosto de 1914, eclode na Europa um conflito armado que viria ser conhecido como a Primeira Guerra Mundial. Em um contexto de desordens políticas entre as principais potências européias, decorrentes especialmente do ímpeto imperialista, a tensão política e econômica foi se agravando a ponto de declarar-se a guerra, que envolveu, de um lado, as forças aliadas da Tríplice Entente (Inglaterra, França e Rússia), e do outro a Tríplice Aliança (Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália).

No Brasil possivelmente a população ampla não tinha muitas informações sobre os motivos que levaram a Europa à guerra. Além da distância e da falta de divulgação de notícias, a posição do governo brasileiro, que mantinha relações comerciais com a Alemanha, foi de manter-se neutro quanto ao conflito. Esta posição foi mantida até 11 de abril de 1917, quando um navio brasileiro foi bombardeado, supostamente pelos alemães, acirrando as animosidades em relação à Tríplice Aliança e impelindo o governo do Brasil a declarar apoio à Tríplice Entente.

O apoio do governo brasileiro à Entente foi divulgado pela imprensa de todo país, que, a partir de então, passa a acompanhar com mais vigor o conflito que se desenrolava. Uma evidência desta publicização aparece em um artigo divulgado pelo jornal A Voz da Serra de Passo Fundo em 12 de dezembro de 1917, quando publicou um trabalho duro que desprezava, excluía e discriminava o povo alemão também residente no país. Um excerto nos apresenta a postura que então se defendia em relação aos germânicos que viviam em Passo Fundo: “não commerciarás com os súbditos, casas ou empresas allemães, porque o teu dinheiro, que o Allemão ganhar, se transformará em armas, explosivos e materiais incendiarias, que elle empregará contra as pessoas, os bens, os soldados, os marinheiros, a existência material de tua pátria”.

Embora o teor do texto publicado pelo jornal seja extremamente preconceituoso e generalizador, ao apontar para a consideração de qualquer alemão como belicista, evidencia um estado de espírito que então passa a se difundir visando, sobretudo, justificar a própria posição do estado brasileiro ante a Grande Guerra após 1917. Assim, percebemos que, mais do que a consideração da realidade dos alemães residentes no país – até então imigrantes preferenciais portadores da cultura européia que tanto se prezava por atrair –, o periódico se filia a postura política estatal ampla, preconizadora da atenção e vigilância em relação ao Outro que, a partir de então, se quer vencer e mesmo destruir. A mudança contextual explica e referenda a alteração na atenção legada à guerra e a própria transformação discursiva sobre os alemães nas plagas passo-fundenses.

Fonte: O Nacional

19 de fevereiro de 1972 – Primeira transmissão pública de TV a cores no Brasil

19/02/2011 - 06:00 | Enviado por: Lucyanne Mano
Jornal do Brasil, 20 de fevereiro de 1972

A Festa da Uva, evento popular do Rio Grande do Sul, foi a escolhida para estrear a transmissão pública de TV a cores no Brasil. O então Presidente Médici inaugurou o evento, cuja transmissão foi comandada pela TV Difusora de Porto Alegre, e difundida pela Embratel para todo o país. A visita do presidente Médici à Festa da Uva durou uma hora, o tempo de exibição do evento a cores. O desfile de carros alegóricos, cuja realização esteve ameaçada até o último momento, contou toda a história da colonização italiana no Rio Grande do Sul. Foram ao todo 42 carros.

No Rio de Janeiro, milhares de pessoas se reuniram em frente a lojas de eletrodomésticos nas quais televisores a cores estavam ligados, para assistir à Festa da Uva. No estado, havia apenas 200 televisores particulares capazes de receber o sinal colorido no dia da estréia, o que fez com que as lojas de eletrodomésticos aproveitassem a ocasião para fazer propaganda do novo produto e assim aumentar as vendas. O que mais surpreendeu quem nunca tinha visto o novo aparelho, foi que, em alguns modelos, as antenas captadoras de sinal tinham sumido. Alguns dos novos televisores já possuíam antena interna. Em outras cidades, o mesmo fenômeno aconteceu. Em certos municípios alguns prefeitos chegaram a comprar aparelhos e colocá-los em praça pública para que a população tivesse acesso à novidade.

Na Embratel, os técnicos tiveram que enfrentar uma delicada situação: explicar para dezenas de pessoas que telefonaram, que não era possível receber imagens a cores num aparelho convencional, que exibia as imagens em preto e branco. As ligações telefônicas ocorreram porque a empresa divulgou um número de telefone durante a festa para que telespectadores comentassem a qualidade do sinal recebido em suas casas, tendo informado que os comentários, nesse sentido, foram em sua maioria positivos.

A transmissão da Festa da Uva foi o marco inicial da TV a cores no Brasil. Depois disso, as emissoras de televisão correram para se ajustar ao novo padrão e, em março do mesmo ano, inauguraram oficialmente suas programações coloridas.

Fonte: JBlog

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Hoje na História: 1943 - Gestapo prende os líderes da organização de resistência alemã Rosa Branca

18/02/2011 - 08:18 | Max Altman | São Paulo

Por se oporem ao regime nazista, Hans Scholl e sua irmã Sophie, os líderes da organização juvenil alemã Weisse Rose (Rosa Branca), são presos em 18 de fevereiro de 1943 pela Gestapo, a polícia política.

>>Hans e Sophie, uma das poucas mulheres que se opuseram ativamente ao Terceiro Reich

A Rosa Branca era composta por estudantes universitários, principalmente alunos de medicina que denunciavam Adolf Hitler e seu regime. O fundador, Hans Scholl, era ex-membro da Juventude Hitlerista que cresceu desencantado com a ideologia nazista. Estudante na Universidade de Munique em 1940-41, encontrou-se com duas pessoas cultas que professavam a religião católica romana e que redirecionaram sua vida. Passando da medicina para a religião, filosofia e artes, Scholl reuniu em torno de si amigos com ideias próximas e que também odiavam os nazistas. Assim nasceu a Rosa Branca.

Durante o verão de 1942, Scholl e um amigo redigiram quatro panfletos que expunham e denunciavam as atrocidades nazistas e da organização paramilitar nazista SS, inclusive o extermínio dos judeus e da nobreza polonesa. Conclamando para a resistência ao regime, o texto era entremeado de citações de grandes escritores e pensadores, de Aristóteles a Goethe, e exigia o renascimento da universidade alemã. Esta era uma meta de uma elite culta dentro da Alemanha.

Os riscos envolvidos em tal iniciativa eram enormes. As vidas dos cidadãos comuns eram monitoradas e qualquer desvio de uma absoluta lealdade ao Estado, punido duramente. Até mesmo uma observação crítica informal a Hitler ou aos nazistas poderia resultar na prisão pela Gestapo. Já os estudantes da Rosa Branca – a origem do nome do grupo é incerta, possivelmente provem do desenho de uma flor em seus panfletos – arriscavam tudo, simplesmente motivados pelo idealismo, por uma moral elevada e princípios éticos, além de simpatia por seus vizinhos e amigos judeus. A despeito dos riscos, a irmã de Hans, Sophie, uma estudante de biologia da mesma universidade de seu irmão, pediu para participar das atividades da Rosa Branca. Foi então que descobriu a operação secreta de seu irmão.

Em 18 de fevereiro de 1943, Hans e Sophie deixam uma pasta cheia de cópias de outro panfleto no edifício principal da universidade. O folheto declarava, em parte: "O Dia do Juízo Final chegou, o juízo final da nossa juventude alemã com a mais abominável tirania que o nosso povo jamais suportou. Em nome de todo o povo germânico exigimos do Estado de Adolf Hitler o retorno à liberdade pessoal, o mais precioso tesouro dos alemães que ele astuciosamente nos roubou."

Os dois foram descobertos por um bedel e denunciados à Gestapo, que os prendeu. Levados à “Corte Popular” de Hitler, estavam condenados de antemão, o julgamento a que foram submetidos não passou de uma farsa e a sentença foi prolatada imediatamente. No interrogatório, Sophie negou tudo, desesperada por proteger o irmão e os demais companheiros. Mas quando descobre que o irmão confessou, deixa de mentir. Os Scholls, ao lado de outro membro da Rosa Branca, também capturado, foram sentenciados à pena de morte. Foram decapitados – uma punição reservada apenas a “traidores políticos” - em 23 de fevereiro, mas não sem antes Hans Scholl bradar “Viva a Liberdade!”

>>Monumento em homenagem à Rosa Branca, em frente à Universidade Ludwig Maximilian em Munique

A tragédia dos Scholl foi levada às telas com o filme alemão Sophie Scholl – Os Últimos Dias, que conquistou o Urso de Prata do Festival Internacional de Berlim de 2005 além de outras 14 premiações e nove indicações.

Os membros da Rosa Branca, principalmente Sophie Scholl, são ainda hoje respeitados e todas as cidades têm ruas com os seus nomes, em memória dos estudantes que tentaram de forma heróica pôr fim à crueldade e à enorme indiferença existente na Alemanha nazista.

Fonte: Opera Mundi

1911: Surge o correio aéreo

Em 18 de fevereiro de 1911, um malote postal era transportado de avião pela primeira vez. O piloto francês Henri Pecquet levava em seu biplano 6 mil cartas num voo de oito quilômetros entre Allahabad e Naini, na Índia.

A nova era na história dos correios internacionais começou na Índia, quando o francês Henri Pecquet resolveu transportar seis mil cartas e cartões-postais em seu biplano sobre o rio Ganges, entre as cidades indianas de Allahabad e Naini, separadas por uma distância de oito quilômetros.

Na Alemanha, o correio aéreo teve início em 1912, quando o aviador aposentado August Euler transportou 100 mil cartões-postais de sua cidade até Darmstadt, perfazendo 27 quilômetros em 14 minutos. Mas o desenvolvimento dos correios aéreos alemães foi freado pelas duras medidas impostas pelo Acordo de Versalhes ao país perdedor da Primeira Guerra Mundial.

O impulso viria em 1919, com a criação da Assembleia Nacional Constituinte em Weimar. Pelo tempo que durassem seus trabalhos, haveria uma ponte aérea postal entre Weimar e Berlim. Uma greve geral dos ferroviários em novembro daquele ano contribuiria ainda mais para o êxito da operação. Em 1924, começaram os voos noturnos para Estocolmo e Copenhague.

Quando as cartas aprenderam a voar

Em 1934, foi iniciado um serviço regular, a cada 14 dias, de transporte de correspondência para o Rio de Janeiro e Buenos Aires. Em 1938, os aviões da Lufthansa para a América do Sul já transportavam, em média, 410 quilos de cartas por voo (que, aliás, duravam cinco dias).

Durante a Segunda Guerra Mundial, o tráfego postal aéreo na Alemanha limitou-se à correspondência oficial e militar. Depois da capitulação em maio de 1945, somente em 29 de agosto de 1946 é que chegou pelos ares a Frankfurt o primeiro malote com cartas do exterior. A partir de 1955, a Lufthansa assumiu o transporte aéreo do serviço postal alemão, tanto dentro do país como para o exterior.

Hoje, a cada noite, os aviões levam em média 300 toneladas de correspondência, ou seja, cerca de 12 milhões de cartas. A Deutsche Post, empresa alemã de correios, garante que as cartas com destinatário no próprio país chegam no dia seguinte.

Uma eficiência só superada pelos meios mais modernos da telecomunicação: apenas fax e correio eletrônico são mais rápidos. Mas mesmo estes novos veículos não acabaram com a razão de ser dos correios, seja devido à necessidade de se enviar documentos originais, seja porque enviar cartas de próprio punho tem mais charme (especialmente as de amor), entre outras tantas razões. Sem falar que o correio aéreo despertou outra fascinação pelo mundo afora: colecionar selos de outros países.
Mirjam Gehrke (rw)
Fonte: DW-world.de

18 de fevereiro de 1986 - Samba chora a morte de Nelson Cavaquinho

18/02/2011 - 00:00 | Enviado por: Lucyanne Mano

Um dos mais importantes criadores de sua geração, cantor, compositor e instrumentista, Nelson Cavaquinho morreu uma semana depois de comemorar a vitória da Mangueira no carnaval.

Artista boêmio, Nelson foi uma espécie de menestrel moderno, conhecido de toda a cidade, que percorria de botequim em botequim, cantando seus sambas. Começou a tocar cavaquinho aos 17 anos de idade e trocou a profissão de policial para viver do samba. Em Mangueira, fez o seu primeiro samba, Entre a Cruz e a Espada, e trocou o cavaquinho pelo violão, mas não abandonou o modo de tocar com o polegar e o indicador que sempre impressionou músicos de renome. Nunca mais parou de compor.

O primeiro sucesso foi Rugas (1946), com Augusto Garcez e Ari Monteiro, mas a fama maior viria mesmo na Mangueira, na qual entrou em 1952.

Nelson compôs com Cartola e com uma infinidade de parceiros, na maioria fictícios (entraram apenas com o nome). Um, se transformaria em sua alma gêmea: o mecânico de máquinas de calcular Guilherme de Brito, boêmio e seresteiro, pintor primitivo e poeta da mesma escola Nelsoniana. Nelson e Guilherme se encontraram em 1946, num botequim do subúrbio de Ramos. Nelson vivia o auge da mais destemperada boêmia: dias inteiros, semanas até, de bar em bar, sem aparecer em casa. Foi um casamento musical à primeira vista, uma união artística de 40 anos responsável por muitos dos melhores sambas já feitos. Alguns exemplos são: A Flor e o Espinho, Luto, Pranto de Poeta, Folhas Secas, Depois da Vida, Quando eu me Chamar Saudade.

Guilherme, boêmio mais moderado, tentou levar Nelson pelos caminhos de uma carreira menos atípica. Em vão, apesar de algumas concessões de Nelson, que nos últimos anos concordou em aproximar-se timidamente do mercado.

Apesar da grande produção artística, Nelson Cavaquinho deixou apenas dois LPs e teve algumas composições gravadas por intérpretes como Elizete Cardoso. Era um rebelde a seu modo, um verdadeiro artista do povo em estado puro. Queria apenas ver a sua arte cantada. Queria, sobretudo cantá-la ele próprio.

Fonte: JBlog

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Encarte do professor


Em parceria com o MEC, são lançados mais 2 encartes sobre como utilizar a Revista de História em salas de aulas.

Através de uma parceria com o Ministério da Educação, a Revista de História da Biblioteca Nacional (RHBN) chegará a 54.370 escolas públicas, fazendo parte de seu material didático e tornando mais atraente o processo de ensino-aprendizagem nas salas de aula de todo o Brasil. Durante o ano de 2010, cada volume da Revista enviado às escolas contará com um Encarte do Professor, material elaborado com o objetivo de oferecer sugestões de trabalhos na sala de aula, com propostas de atividades que buscam despertar a curiosidade dos alunos não só pela História do nosso país, como também pela leitura de um modo geral.

No entanto, a distribuição dos encartes para as escolas não acompanharão sempre a respectiva edição da Revista que possui o conteúdo mencionado no material didático. Deste modo, é preciso que os diretores e professores fiquem atentos para encartar as folhas nos números anteriores.

Em 2009, contando com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, a Revista de História produziu 4 encartes, distribuídos localmente entre as escolas do Rio de Janeiro. Agora, receberão os encartes as escolas do ensino médio e dos últimos anos do ensino fundamental em todo país.

"Futebol e sociedade", "Fotografia e História", "Tiradentes e o Altar da Pátria" e "Os descaminhos do ouro" foram os títulos da série de encartes do ano passado. Somam-se a estes quatro títulos mais dois materias didáticos recém-lançados, que abordam as relações entre "História e Imagem" e "História e Leitura". Seus formatos foram revistos e agora mostram as propostas de atividades dividas por ano escolar.

Enquanto os outros 10 encartes que acompanharão as revistas enviadas às escolas são finalizados, confira abaixo a listagem completa dos materias didáticos já elaborados pela equipe da Revista de História e os artigos mencionados em cada um deles:

NOVA SÉRIE DE ENCARTES:

História e Leitura (baixe aqui o encarte)
Nem nobre, nem mecânico, de Márcia Moisés
Angola é aqui, de Mônica Lima e Souza
Divina transgressão, de William de Souza
A mistura que deu certo, de Adriana Rennó

História e Imagem (baixe aqui o encarte)
Máquina viajante, de Maria Inez Turazzi
Da prata ao pixel, de Lorenzo Aldé
Um continente no currículo, de Marina de Mello e Souza
Corpo fechado, de Leonardo Bertolossi
Bem na foto, de Mariana Muaze
Liberdade encenada, de Sandra Koutsoukos
O diabo do feitiço, de Mario Teixeira de Sá

ENCARTES ANTIGOS:

Futebol e sociedade (baixe aqui o encarte)
A diplomacia dos gramados, de João Daniel Lima e Maurício Santoro
Corações em ação, de Leonardo Affonso de Miranda
Quando a pátria calçou chuteiras, de Fábio Franzini
Silêncio no Maracanã, de Eduardo Galeano e Armando Nogueira

Fotografia e História (baixe aqui o encarte)
O valor da aparência, de Sandra Sofia Machado Koutsoukos
Álbum de família, de Mariana Muaze

Tiradentes e o Altar da Pátria (baixe aqui o encarte)
A outra face do alferes, de Paulo da Costa e Silva
Herói em pedaços, de Maraliz de Castro Vieira Christo
Inconfidência em círculos, de Anita Correia Lima de Almeida
Desonrados e banidos, de Adelto Gonçalves
O movimento de 1789 foi a primeira inconfidência em Minas?,
de Leandro Pena Catão
A Inconfidência foi estimulada somente por idéias iluministas?,
de Luiz Carlos Villalta
Tiradentes foi diretamente influenciado pelo Iluminismo?,
de Caio Boschi
Os inconfidentes conheciam a situação da capitania que pretendiam sublevar?,
de Junia Ferreira
Joaquim José da Silva Xavier era um simples alferes sem posses?,
de André Figueiredo
Os inconfidentes podem ser divididos em grupos bem definidos,
de João Pinto Furtado
Quem defendeu Tiradentes?, de Hariberto de Miranda Jordão Filho
Qual o papel do contratador João Rodrigues de Macedo na conjuração?,
de Angelo Alves Carrara
As Cartas chilenas têm um conteúdo político revolucionário?,
de Joaci Pereira Furtado
As ossadas que estão no Panteão são mesmo dos inconfidentes?,
de Carmem Silvia Lemos

Os descaminhos do ouro (baixe aqui o encarte)
A peso de ouro, de Angelo Alves Carrara
Primeira parada: Portugal, de Leonor Freire Costa,
Maria Manuela Rocha
e Rita Martins de Sousa
Eu quero é ouro!, de Paulo Cavalcante
Os falsificadores, de Paulo Cavalcante

Fonte: RHBN

O Museu da Memória

O maior museu sobre uma ditadura militar sul-americana, o "Museo de La Memoria y Los Derechos Huamanos", faz do Chile um pioneiro no enfrentamento de uma das memórias mais tristes da história recente do país. Confira.

Depois de um artigo bastante comentado sobre a “Escuela de Mecanica de La Armada” (ESMA), principal centro de detenção e tortura da ditadura argentina, e de uma videopalestra ao vivo e online com o historiador Carlos Fico, que falou sobre a “Operação Brother Sam”, no Brasil, o especial “Ditaduras Militares da América do Sul”, produzido pelo Café História, chega ao Chile, um dos países mais democráticos e desenvolvidos do continente, mas que, no passado, enfrentou uma das forças autoritárias mais devastadoras da região: a ditadura de Augusto Pinochet. Neste novo artigo, o CH busca mostrar como o Chile, com seus pouco mais de 17 milhões de habitantes, é um país que tenta compreender sua memória e seguir adiante, mesmo após tanta violência.

Um passado dramático

Em 11 de setembro de 1973, um grupo de militares chilenos, com expressivo apoio logístico, econômico e militar dos Estados Unidos, além de setores da própria sociedade civil chilena, empreendeu um golpe que culminou com a morte do então presidente do Chile, Salvador Allende, de tendência socialista, e instaurou uma violenta ditadura que duraria até 1990, quando Augusto Pinochet, principal ícone deste período, entregou seus poderes ao primeiro presidente eleito em muitos anos. Segundo informe da Comisión Nacional sobre Prisión y Tortura (CNPPT), publicado em 2004, 28.459 pessoas foram vítimas de prisões políticas e de tortura no país, sendo que mais de um terço nunca se envolveu com nenhum tipo de militância política.
Vinte anos após o fim da sangrenta ditadura – calcula-se mais de 3000 mortos – organizações que lutam pelos direitos humanos no país, em parceria com o Palácio de La Moneda, demonstram que o Chile está pronto para enfrentar de frente todos os crimes cometidos durante a ditadura militar. O grande símbolo desta empreitada é sem dúvida nenhuma o novíssimo “Museo de La Memoria y Los Derechos Humanos”, inaugurado em janeiro de 2010 na capital Santiago, e cuja missão é dar visibilidade às violações dos direitos humanos cometidas pelo Estado do Chile entre os anos de 1973 e 1990.

A história do “museu da memória”, como é mais conhecido, começou ainda em 2007, quando o Ministério de Obras Públicas do Chile abriu um concurso público destinado a selecionar o projeto de arquitetura para a construção do museu. Dos 57 projetos inscritos e avaliados, o vencedor foi o do escritório brasileiro “Estúdio Américo”, integrado pelos arquitetos Mario Figueroa, Lucas Fehr y Carlos Dias. Com o aval da então presidenta chilena, Michele Bachelet, as obras começaram rapidamente, ainda em 2008. E apenas dois anos depois, em 11 de janeiro de 2010, o museu abria suas portas ao público, recebendo mais de 2000 visitantes no primeiro dia. (Clique aqui para ver uma reportagem sobre a inauguração do museu)

A reportagem do Café História esteve em janeiro de 2011 em Santiago e pôde constatar a importância que o museu possui hoje, apenas um ano depois de sua inauguração. Trata-se em todos os sentidos de uma construção imponente. Primeiro do ponto de vista arquitetônico. A superfície construída do museu é de 5.500 metros quadrados. A estes se somam ainda 1.700 metros quadrados de espaços cobertos no exterior e outros 300 metros quadrados de auditório. Visto de fora, o prédio chama a atenção de quem passa pela rua. Sua fachada foi construída completamente por um revestimento de cobre, metal símbolo da prosperidade e da identidade chilena. Mas por trás de todo o cobre, estão muros de cristal. Abaixo do prédio principal, encontram-se centenas de degraus, que levam a entrada do museu, e também um longo espelho d'água. Uma estrutura e função que podem ser comparados em sua grandeza a outros museus, como o Yad Vashem, em Israel, dedicado a memória do Holocausto.

Dentro do prédio, o visitante encontra seis pavimentos: três de exposição permanente, o pavimento térreo de entrada e dois subsolos, onde acontecem outras exposições. Uma dessas exposições, que também é permanente, chama-se "La Geometria de la Conciencia", criada pelo artista contemporâneo Alfredo Jaar. O visitante entra em uma sala totalmente escura. Depois de alguns minutos de desorientação, as paredes da sala são ligadas com uma luz branca fortíssima, dando visibilidade a milhares de siluetas anônimas, ampliadas com o recurso de espelhos. A experiência é extremamente intensa e faz com que as pessoas reflitam sobre a infinidade dos crimes cometidos, sobre a angústia e o despreparo diante do incerto.

Já dentro do prédio principal, encontra-se o maior patrimônio material e imaterial do Chile a respeito da ditadura militar que governou o país. Tendo como base a memória, a museografia dá amplo destaque a todo tipo de testemunhos, relatos e impressões daqueles que viveram de perto o terror do autoritarismo. Essas memórias estão divididas entre muitas alas. Uma das principais, respeitando o tempo linear, conta como foi o golpe que depôs e matou Salvador Allende, o bombardeio ao Palácio de La Moneda e os assassinatos cometidos contra militares e aliados do governo derrubado, durante o triste episódio das execuções sumárias, no Estádio Nacional. Outra ala mostra recortes de jornais durante todo o período da ditadura e documentos trocados entre embaixadas, familiares e organismos internacionais. Mas duas alas merecem destaque especial. A primeira diz respeito aos relatos de militares que leais a Allende resistiram e pagaram um preço caro por isso.

Alguns foram mortos, outros perseguidos e muitos exonerados de suas funções. Trata-se de um tipo de resistência muito pouco conhecido por grande parte das pessoas. A segunda, com certeza a mais dura de todos, é dedicada ao olhar das crianças: são relatos e desenhos feitos em escolas ou no exílio e que ajudam a contar o clima que se instalou no Chile entre 1973 e 1990 do ponto de vista da inocência rompida.

Mesmo tendo tão pouco tempo de existência, o espaço já é uma referência para os chilenos, principalmente pesquisadores, uma vez que o museu oferece um Centro de Documentação e Biblioteca bastante organizado e produtivo. Qualquer historiador, no Chile, que estuda o período da ditadura certamente já fez do CEDOC do Museu da Memória a sua base avançada para estudos e pesquisas. Além disso, o museu vem se tornando um ponto obrigatório para turistas. É possível escutar muitas línguas dentro do museu, inclusive o português. (nos últimos anos, segundo dados oficiais, os brasileiros são os turistas número 1 do Chile). Com isso, o objetivo principal do museu começa a ser alcançado, ou seja, divulgar esta memória do terror para o maior número de pessoas e envidar espaços para que algo do gênero nunca mais possa ocorrer novamente. Na época da inauguração, a então presidente do Chile, Michelle Bachelet, ela própria detida e torturada durante a ditadura, considerou que o museu é "um símbolo poderoso do vigor do Chile unido (...) na promessa de não voltar a conhecer uma tragédia como esta". E adiantou: "Não podemos mudar o passado, mas sim aprender com o que foi vivido".

Um país dividido?

Embora a crença em um país unido – sentimento bastante trabalhado durante todo o ano de 2010, por conta das festas do bicentenário da independência – encontre muitos monolítico. Na população, ainda há muitos os que defendem o regime de Pinochet. Coisa que até mesmo os próprios críticos de Pinochet reconhecem. Miguel, responsável pela segurança do Museu da Memória, é um deles: “Aqui no Chile, somos 50%, 50%”.

Talvez não seja exatamente nesta proporção. Mas o fato é que os simpatizantes de Pinochet existem e são bastante ativos. Exemplo disso é a Fundação Pinochet, fundada em 1995 com o objetivo “difundir às novas gerações, a obra e o legado do Governo do Presidente Pinochet”. Recentemente, uma das principais ações da Fundação foi a abertura do “Museo Pinochet”, em Santiago, que reúne centenas de objetos e documentos que pertenceram a Pinochet, falecido em 2006. O Café História tentou visitar o Museu, mas não obteve sucesso. O Museu, que exige agendamento prévio, sequer deu alguma resposta à nossa equipe de reportagem, nem uma palavra, mesmo tendo sido efetuados todos os requisitos de visita, o que pode ser um sinal de que Pinochet, ao contrário do que se pensa, não goza assim de tanta simpatia entre tantos chilenos. O próprio site da instituição (http://www.fundacionpresidentepinochet.com/museo.htm) é discretíssimo, reservado, prioritariamente, aos “amigos e sócios” da Fundação Pinochet. Nas ruas, poucos conhecem a instituição.

De qualquer forma, não é fácil explicar como um regime que fez tantas vítimas, que empregou tantos meios violentos e repressivos na luta política, ainda goza de algum prestígio. Alguns alegam a estabilidade econômica vivida pelo Chile no auge do governo Pinochet. Outros, alegam que esta realidade reflete a organização partidária no país, onde a direita é muito bem articulada. Seja qual for a razão, a memória continua sendo um objeto em disputa no Chile, elemento chave para se compreender como uma das mais sangrentas ditaduras militares da América do Sul ainda está presente no dia a dia de milhões de pessoas, no museu pessoal que cada um possui dentro de si.

Visite o site do Museo da Memória: http://www.museodelamemoria.cl

Fonte: Café História

17 de fevereiro de 2008 - Kosovo declara independência da Sérvia

18 de fevereiro de 2008

Às 15:00 GMT do domingo (17/02), Kosovo anunciou a sua independência da Sérvia. O Primeiro Ministro Hashim Thaçi declarou que Kosovo se tornaria um país democrático e que respeitaria os direitos de todas suas comunidades. É esperado que vários países, incluindo o Reino Unido, os Estados Unidos da América e a maioria dos integrantes da União Europeia, reconheçam a sua independência na segunda-feira. A Sérvia e a Rússia são contra a independência de Kosovo. Aproximadamente 10% dos kosovares são de descendência sérvia, a maioria é albanesa.

A declaração de independência passou por unanimidade pelo parlamento de Kosovo, o qual em seguida ratificou-o. O primeiro ministro disse aos deputados: "nós esperamos por este dia por muito tempo" e "a independência de Kosovo marca o final da dissolução da antiga Iuguslávia". Ele também declarou que Kosovo trabalharia para seguir o plano sugerido pelo ex-Presidente da Finlândia, Martti Ahtisassri e pelas Nações Unidas. Os deputados também escolheram uma nova bandeira, que mostra o mapa do país dourado, num fundo azul, com seis estrelas brancas.

O Primeiro Ministro da Sérvia, Vojislav Kostunica disse que a declaração tornou Kosovo "um falso estado". O Ministro das Relações Exteriores sérvio Vuk Jeremić disse o seguinte: "Deixe-me ser bem claro. A República da Sérvia nunca aceitará qualquer violação da integridade do seu território. Nunca reconheceremos a independência de Kosovo. Não renunciaremos, não desistiremos, nem deixaremos este acto covarde passar em branco. Não agora. Não em um ano. Não numa década. Nunca."

Jeremić dissera em outra ocasião que se Kosovo declarasse independência, "tomaria todas as medidas diplomáticas, políticas e econômicas a fim de impedir e reverter um ataque direto e sem motivo" à soberania de seu país.

O gabinete britânico das Relações Exteriores emitiu a declaração de que "foi um acontecimento importante que cria um novo contexto para a situação de Kosovo". O Presidente dos EUA George W. Bush disse que "apoiou fortemente o plano de Ahtisaari" que resultou na declaração.

Javier Solana, o coordenador da União Europeia para a política internacional disse que "a estabilidade em Kosovo e também em toda Bálcãs é essencial", e que ele está "convencido que os líderes kosovares assumirão suas responsabilidades neste momento crucial". O Ministro das Relações Exteriores francês Bernard Kouchner disse que ele deseja boa sorte a Kosovo.

O Ministro das Relações Exteriores da Rússia disse que espera que as forças de paz das Nações Unidas e da OTAN façam sua obrigação e "tomem medidas administrativas" contra a declaração. O Presidente da Rússia Vladimir Putin criticou os estados europeus que apoiaram a declaração lembrando que outros grupos separatistas como os bascos na Espanha e a República Turca ao norte de Chipre não receberam apoio semelhante. Ele também disse que o apoio à declaração de Kosovo "não é moral, nem legal".

O Ministro das Relações Exteriores dos Países Baixos, Maxime Verhagen, disse que gostaria de estudar a constituição e a declaração de independência antes de apoiar a nova nação. O Ministro das Relações Exteriores da Bégica, Karel De Gucht, aconselhou Ahtisaari a garantir a segurança e a estabilidade na região.

Fonte: Wikinews

17 de fevereiro de 1997 – Morre Darcy Ribeiro

17/02/2010 - 00:02 | Enviado por: Alice Melo

“Morte é quando a pulsão de vida que está na carne se apaga, então a carne volta a ser o que ela é, volta à natureza cósmica. A grande coisa que há na vida é o nascimento da morte”, disse Darcy Ribeiro certa vez, ao ser perguntado sobre o medo da morte, já que lutou mais de 20 anos contra um câncer o qual o fez terminar de vez a sua jornada na Terra.

Darcy morreu em um hospital de Brasília, no qual estava internado havia três dias por conta de complicações em seu quadro clínico. O corpo do então senador, antropólogo e romancista foi velado no Salão Negro do Senado e sepultado, no dia seguinte, no mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, assim como desejava. Uma amiga do senador disse que Darcy morreu como queria, sem sofrimento e totalmente lúcido. Na véspera da morte, ele deu uma série de recomendações sobre o futuro de sua Fundação, mostrando vigor incomum e alimentava-se normalmente.

“Darcy lutou com bravura contra a própria moléstia e, até o seu falecimento, empurrou a morte para o mais longe possível. Estamos todos muito tristes”, falou o então presidente Fernando Henrique Cardoso, amigo de Darcy, decretando luto oficial de três dias. No Rio, o arquiteto Oscar Niemeyer, parceiro de Darcy em várias iniciativas como a construção da Universidade de Brasília, disse que falou com o amigo, por telefone dois dias antes dele morrer. “Ele estava preocupado e eu disse para ele resistir, para morrermos juntos daqui a 20 anos. Ele riu. Era um irmão. Ficou um vazio”, declarou com pesar.

Darcy, com físico de intelectual e alma de cruzado, costumava dizer que era alvo das atenções por dois motivos. Primeiro por causa do câncer: “O câncer tem um prestígio brutal”. Segundo por ser uma dos raríssimos intelectuais que tornara-se ministro, feito que compartilhava com FHC.

Intelectual com alma de cruzado


Darcy Ribeiro era um apaixonado pelo Brasil, pelos índios que defendeu como um cacique e pela política que tudo pode transformar. Como antropólogo, dedicou-se ao estudo dos índios no interior da Amazônia, ganhando prestígio como intelectual. Como escritor, publicou, além de livros acadêmicos traduzidos em mais de 20 países, romances e ensaios sobre educação e política. Como político engajado e intelectual cheio de idéias, ajudou a criar a UNB, tornando-se o primeiro reitor da instituição. Em 1992, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, após ter se dedicado a criar um novo padrão de ensino médio e ampliar a rede dos Centros Integrados de Educação Popular (Ciep) no Rio de Janeiro; logo depois, dedicou-se a erguer a Universidade Estadual do Norte Fluminense, em Campos.

O sentimento de urgência permeou seus últimos anos. Fugiu da UTI em 1995 para escrever O povo brasileiro e poucos meses antes de morrer correu para terminar de redigir suas memórias. “O câncer me alertou. Pude escrever meus romances, tão carnais, porque perdi essa bobagem que se chama respeito humano. Reinventei a vida”, declarou ele.

Fonte: JBlog

Trecho do documentário Darcy Ribeiro - O guerreiro sonhador