domingo, 30 de janeiro de 2011

Formatura História UPF 2010.02

Parabéns colegas!!!
Sua conquista nos enche de alegria!!


Gizele Zanotto (Homenageada), Adelar Heinsfeld (Paraninfo), Ironita
Machado (Amiga da Turma) e Patrícia Hoffmann (Funcionário homenageado)

Carreira de historiador tem diversas opções de atuação além do magistério


Jennifer Gonzales - O Estado de S. Paulo
A carreira de historiador expandiu-se muito nos últimos anos além da tradicional atividade de magistrado, informa a coordenadora do curso de graduação de história da Universidade de São Paulo (USP), Sylvia Bassetto.

“Hoje, esse profissional pode trabalhar em museus, editoras de publicações institucionais e emissoras de TV”, exemplifica. “Muitos historiadores fazem pesquisa para novelas de época e para produção de documentários”, acrescenta Sylvia.

No caso de grandes companhias e multinacionais, é cada vez mais comum possuírem centros de memória ou documentação, diz a coordenadora, a fim de preservarem sua trajetória empresarial. “Devido a essa ampliação de opções de trabalho para o historiador, procuramos instrumentalizar o aluno, ensiná-lo a gerenciar informações que devem ser registradas em arquivos documentais. Por isso, ele precisa adquirir uma sólida formação como pesquisador”, diz a coordenadora e professora de metodologia.

A aluna Jéssica Pereira Pinto, de 21 anos, vem constatando essas mudanças desde que entrou no curso (ela passou para o 4º ano em 2011). “Escolhi história pensando em dar aulas quando me formasse, mas descobri que há muitas outras alternativas”, diz Jéssica. “Posso trabalhar com pesquisa em arquivos de bibliotecas e estudar a obra de diferentes escritores.”

Opinião da especialista
“Com a ampliação do mercado de trabalho para o historiador, procuramos instrumentalizar o aluno, ensiná-lo a gerenciar informações que serão registradas em arquivos.”
Sylvia Bassetto, coordenadora do curso de História da USP

HISTÓRIA

- Salário inicial: variável
- Duração do curso: 8 semestres
- Disciplinas: Teoria da história, introdução à arquivologia, história do Brasil, história da América, história moderna, história contemporânea

Fonte: Estadão

30 de janeiro de 1948 - Gandhi é assassinado

Enviado por: Lucyanne Mano

"Nada tenho de novo para ensinar ao mundo. A verdade e a não-violência são tão antigas quanto as montanhas. Tudo o que tenho feito é tentar praticá-las na escala mais vasta que me é possível. Assim, errei algumas vezes e aprendi com meus erros". Gandhi

O chefe político Mohanda K. Gandhi, 78 anos, foi alvejado em Nova Deli, na Índia, por três tiros disparados por um jovem fanático hindu. Embora socorrido, não resistiu aos ferimentos e faleceu em sua residência.

Líder do nacionalismo hindu e profeta da não-violência, Gandhi foi um dos idealizadores e fundadores do moderno estado indiano, proclamado independente um anos antes de sua morte.

Defendendo o pacifismo e a desobediência civil como formas de resistência aos colonizadores ingleses, acabou preso várias vezes, mas nem mesmo as grades o impediam de agir. Sensibilizou a opinião pública com suas greves de fome, cujos boletins médicos atemorizavam a cúpula do governo britânico.

Recusou-se a tomar parte nas negociações finais pela independência do país, por não concordar com a sua divisão em dois - Índia e Paquistão - a partir da diferença religiosa entre hindus e muçulmanos. Acreditava que seguidores das duas religiões poderiam conviver em paz em um único país.

Exemplo de compaixão para o mundo
Milhares de pessoas, de todas as castas e crenças, acompanharam o funeral de Gandhi até as margens do Rio Jumma onde realizou-se o ritual de cremação. Em sua última aparição, o corpo de Gandhi estava enrolado no habitual manto branco de algodão, contornado por flores. O rosto, descoberto, transparecia serenidade. Suas cinzas foram jogadas no Rio Ganges.

A tragédia mergulhou o mundo em profundo pesar. Passados 60 anos, os ideais de Gandhi pelos direitos de inclusão social e pacifismo mantem-se essenciais para que a convivência pacífica da humanidade prevaleça.

Fonte: JBlog

sábado, 29 de janeiro de 2011

Há 125 anos Carl Benz solicitava a patente do primeiro automóvel

Carl Benz ao volante de seu triciclo motorizadoCarl Benz ao volante de seu triciclo motorizado


A Alemanha se considera o país do automóvel. Não só a grande paixão dos alemães por carros, como também a série de montadoras do país documentam isso. E tudo começou com um triciclo.

A história do automóvel moderno começou em 29 de janeiro de 1886. Nesse dia, o engenheiro alemão Carl Benz entrou com o pedido de patente de seu carro motorizado em Mannheim. Tratava-se de um veículo de três rodas, – um "triciclo", como especifica o texto da patente – equipado com um motor de combustão. A potência dessa máquina era de 0,8 hp (0,6 kw), o arranque era feito através de uma manivela e sua velocidade máxima, de 18 km/h.

Independentemente de Benz, o especialista em fabricação de armas Gottlieb Daimler construiu também pouco tempo depois um automóvel em Stuttgart. Com 16 km/h ele não era tão veloz, mas já tinha quatro rodas. Visualmente, parecia uma carruagem adaptada. Daimler trabalhava juntamente com o projetista de motores Wilhelm Maybach – até hoje uma parceria lendária.

Motores Otto e diesel

Nikolaus August Otto (1832-1891) patenteou motor com seu nome

O projetista alemão Nikolaus August Otto já havia patenteado, em 1876, o motor batizado com seu nome. Em 1892, Rudolf Diesel entrou com o pedido de patente em Berlim de sua versão de motor de combustão, que se diferenciava por um maior rendimento. Por ironia da história, no entanto, os primeiros recordes de velocidade foram estabelecidos por carros elétricos. Em 1901, um automóvel desse tipo atingiu, pela primeira vez, a marca dos 100 km/h.

Na virada do século, o motor a gasolina ainda não havia se afirmado, sofrendo a concorrência de diferentes formas de propulsão. Isso fica comprovado através de uma estatística de produção de automóveis nos EUA em 1900. No total, 75 fabricantes produziram 4.192 veículos, entre eles, 1.688 com propulsão a vapor, 1.575 elétricos, mas somente 929 com motor a gasolina.

Apenas na década de 1920 o motor a gasolina conseguiu se impor. As razões para isso foram a velocidade mais alta graças a motores cada vez melhores, combustível barato à base de petróleo, e autonomia significantemente maior do que os motores elétricos, com suas fracas baterias.

Ford inventa a linha de montagem

Nesse período, diversos pioneiros desenvolveram veículos motorizados. As primeiras fábricas de automóveis surgiram por volta de 1890 na Europa e nos Estados Unidos, onde um certo Henry Ford fez história.

Lendário Ford Modelo T, carro mais vendido de sua época>> Lendário Ford Modelo T, carro mais vendido de sua época

Enquanto, por muito tempo, os automóveis só eram acessíveis aos mais abastados, a empresa de Henry Ford em Detroit apostou em veículos que também podiam ser pagos por pessoas comuns.

Já em 1908, o popular modelo T chegava ao mercado. Pouco tempo depois, em 1913, Henry Ford introduzia a produção em massa de seu Ford T, através da linha de montagem. Com esse conceito, Ford iniciou uma nova era não somente na produção automotiva, mas também a produção industrial global.

Segundo a teoria de Ford, todo funcionário seu deveria poder comprar um carro. Assim, ele pagava salários bem melhores do que os de outros setores. E, devido ao enorme sucesso econômico, reduziu, ao mesmo tempo, a carga de trabalho. Os trabalhadores de Ford deveriam dispor de tempo livre suficiente para poder aproveitar a vida, e de dinheiro suficiente para comprar seus automóveis. Ford criava assim a base da sociedade moderna de consumo.

Até 1927, o modelo Ford T foi fabricado sem modificações em seu design. Ao todo, foram produzidos 15 milhões de unidades do mesmo veículo. Tal recorde só foi quebrado 45 anos mais tarde.

Fusão de Daimler e Benz

Mercedes Jellinek deu nome à celebre marca>> Mercedes Jellinek deu nome à celebre marca

Na Alemanha, em 1926, ocorreu a fusão das montadoras Daimler e Benz. Gottlieb Daimler já havia falecido em 1900 e Carl Benz, por sua vez, já havia há muito tempo se afastado de forma litigiosa de sua empresa original. Nesse contexto, é interessante observar que Daimler e Benz nunca se encontraram pessoalmente.

Todos os automóveis fabricados por Daimler-Benz passaram a levar o nome "Mercedes". Os direitos sobre esse nome já haviam sido adquiridos legalmente em 1902 pela Sociedade de Motores Daimler. Sua origem remonta ao negociante Emil Jellinek. A filha desse importante vendedor dos automóveis Daimler se chamava Mercedes, que acabou cedendo seu nome à célebre marca.

O emblema da Daimler-Benz engloba a estrela da marca Mercedes e a coroa de louros da firma Benz. Ainda hoje, os automóveis dessa montadora são caros. Antigamente eles só podiam ser comprados por uma clientela muito exclusiva – da mesma forma que os produtos dos cerca de 90 fabricantes de automóveis existentes na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial.

Porsche e Volkswagen

Ferdinand Porsche (1875-1951) >>Ferdinand Porsche (1875-1951)

O projetista austríaco Ferdinand Porsche pretendia mudar essa situação. O inventor já havia construído, como empregado de várias empresas, os primeiros automóveis do mundo com tração nas quatro rodas e até mesmo com sistema híbrido de propulsão. Por questão de custos, tais inovações não foram levadas adiante.

Antes de se tornar autônomo, Porsche foi, ao longo de sua movimentada carreira, entre outros, diretor técnico e diretor geral da Sociedade de Motores Daimler.

Logo após a fundação da Dr. Ing. h.c. F. Porsche Ltda., em Stuttgart, no ano de 1930, ele iniciou o planejamento de um automóvel acessível a uma grande camada da população. Em 1934, Porsche assinou com o governo em Berlim um contrato para a construção de um "Volkswagen" (automóvel popular).

Em 1937, o Volkswagen ganhou sua forma definitiva. Através da fusão de diversas comunidades no norte da Alemanha, foi fundada em 1938 a "Cidade do Carro KdF em Fallersleben". KdF era a sigla em alemão da "Força através da Alegria", organização nazista de atividades recreativas e uniformização da população alemã. Ali viviam os trabalhadores que iriam fabricar o Volkswagen numa nova fábrica.

No entanto, já em 1940 teve início a produção de armamentos devido à guerra. Apesar da destruição da maior parte das instalações industriais, a produção de automóveis foi retomada já algumas semanas após o fim da Segunda Guerra Mundial. Quatro anos mais tarde, o "novo" Volkswagen de número 50 mil era fabricado em Wolfsburg, nome que a cidade automotiva ganhou após o fim da guerra.

O Fusca

Último Fusca, fabricado em 2003, está no Museu da VW em Wolfsburg>>Último Fusca, fabricado em 2003, está no Museu da VW em Wolfsburg

Käfer (besouro) era o nome oficial do veículo compacto de pouco mais de quatro metros de comprimento, com carroceria marcante e motor boxer traseiro de quatro cilindros refrigerado a ar. No Brasil, ele foi chamado "Fusca". O veículo se tornou símbolo do milagre econômico alemão. Em 5 de agosto de 1955, era fabricada sua milionésima unidade.

Em 1972, a produção do Fusca superou a marca dos 15 milhões de unidades. Ele ultrapassava assim o Ford T como automóvel mais fabricado no mundo. Em 30 de julho de 2003, o último Fusca deixava a fábrica, no México, para onde a produção fora transferida mais de 30 anos antes.

O último dos 21.529.464 Fuscas fabricados até 2003 faz parte hoje do acervo do Museu da Volkswagen em Wolfsburg.

Globalização e convergência

Desde seus primórdios, a indústria automotiva "pensa" de forma global. Para empresários norte-americanos, a Alemanha é vista como mercado interessante. No fim dos anos 1920, sete montadoras dos EUA haviam se estabelecido na Alemanha. Já em 1925, a Ford fundou em Berlim uma subsidiária alemã com capital aberto. Em 1931, a Ford berlinense foi fechada, sua produção foi então transferida para a cidade de Colônia, onde funciona até hoje.

No final dos anos 1920, a empresa familiar Opel era a maior fabricante de automóveis da Alemanha. Sob o impacto da iminente crise econômica mundial, os herdeiros de Adam Opel transformaram sua firma em empresa de capital aberto. A General Motors comprou, inicialmente, uma grande parcela de ações e assumiu, em 1931, o controle definitivo da montadora alemã. Apesar disso, a empresa continuou a ser administrada por alemães, assim como ficaram garantidas a manutenção do nome Opel e uma política autônoma de modelos de carros.

As cinco grandes

Poucas montadoras alemãs resistiram ao pós-guerra >>Poucas montadoras alemãs resistiram ao pós-guerra

Ainda que, a rigor, elas não pertençam ao rol das montadoras alemãs, a Ford da Alemanha e a Opel, subsidiária da GM, estão entre os poucos fabricantes de automóveis que restaram no país.

Das dezenas de montadoras atuantes após as duas guerras mundiais, somente três subsistiram como empresas autônomas. Ou seja, a Volkswagen com a subsidiária Audi e, mais recentemente, também a Porsche, a Daimler com sua tradicional marca Mercedes, e a BMW.

Junto com a Toyota e a General Motors, a Volkswagen está entre os três maiores fabricantes de automóveis do mundo. Considerando o volume de vendas, Daimler e BMW conseguem estar no topo das 15 maiores empresas mundiais.

"A demanda mundial por automóveis não irá ultrapassar 1 milhão de unidades – já devido à falta de chauffeurs": esse prognóstico atribuído ao pioneiro do automóvel, Gottlieb Daimler, mostra como um inventor genial também pode se enganar.

Em 2010, foram vendidos 60 milhões de automóveis em todo o mundo. Para 2011, esperam-se cerca de 67 milhões de novos licenciamentos.

Autor: Klaus Ulrich (ca)
Revisão: Augusto Valente

Fonte: DW-world.de

Google publicou uma coleção de 3.000 jornais dos séculos XIX e XX

Google publicou uma coleção de 3.000 jornais dos séculos XIX e XX no news.google.com/newspapers, onde podemos encontrar títulos de diversas categorias em vários idiomas.

Ainda que predomine o conteúdo de México, EUA e Canadá, também aparece algum de Costa Rica, como exemplares de La Nación desde 1945.

Uma excelente coleção para todos os que estejam interessados em analisar nosso passado para entender melhor nosso presente.

Fonte: What´s new

29 de janeiro de 1905 - A morte de José do Patrocínio

29/01/2011 - 00:00 | Enviado por: Lucyanne Mano

"O jornalista que a morte acaba de roubar a uma vida, agora ingrata e difícil que na Imprensa brasileira ocupou a primeira fila entre os combatentes de mais vulto, de mais larga fama, tem na História Pátria lugar reservado para o seu nome que a vitória da causa abolicionista aureolou da mais justa glória". Jornal do Brasil

José do Patrocínio, 51 anos, morreu no Rio de Janeiro, vítima de tuberculose. Logo que a triste notícia percorreu pela Cidade, muitos amigos foram à sua casa, prestar-lhe uma última homenagem.

José Carlos do Patrocínio nasceu em 1853 na cidade de Campos, no interior fluminense, filho de uma escrava e um cônego. Embora criado livre numa fazenda, conviveu com as atrocidades impostas aos escravos da região. Na adolescência, transferiu-se para a capital, para dedicar-se aos estudos do curso de Farmácia. Mas, fortalecido pelas memórias de sua infância, logo seus ideais abolicionistas e republicanos projetariam a promissora trajetória no jornalismo. O passo inicial foi a publicação de um poema no jornal A República em 1871.

Tribuno ardoroso e inflamado, tinha talento, como poucos, para impressionar as multidões. Com célebre passagem pela redação renomados jornais dedicado sempre a artigos voltados às questões abolicionistas, fazia o povo vibrar ao calor de seus discursos na luta contra a escravidão. E sua causa não foi em vão. No dia 13 de maio de 1888, triunfava a Abolição da Escravatura.

A glória daquele dia precedia tempos difíceis. Por ironia do destino, em pouco tempo, quando o Brasil voltava suas atenções para a campanha republicana, Patrocínio passou a ser identificado pela opinião pública como defensor da monarquia em crise. Após a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, foi deportado para o Amazonas, acusado de participar de um golpe contra o Governo Marechal Floriano.

Com uma vida marcada por altos e baixo, nos últimos anos, Patrocínio dedicou-se ao moderno invento da aviação. Iniciou a construção de um dirigível de quarenta e cinco metros, o "Santa Cruz", com o sonho de voar. Projeto jamais concluído.

Fonte: JBlog

AHR Memórias: Djanira Langaro e a Cruz Vermelha

Djanira Langaro à frente da Cruz Vermelha
Sexta-Feira, 28/01/2011 por Arquivo Histórico Reginal

Cleidi Maria Ferreira
Acadêmica do Curso de História-UPF
Fonte: Acervo AHR

A Cruz Vermelha resultou da bondade e do espírito humanitário de Jean Henry Dunant, um homem de negócios de Genebra preocupado com as mazelas sociais. Em uma de suas viagens presenciou a batalha de Solferino, na atual Itália, ocorrida em 24 de junho de 1859, quando os franceses expulsaram os austríacos do norte da península. Milhares de mortos e feridos sem atendimento médico ou de enfermagem comoveram-no a começar a atender os feridos com os recursos de que dispunha. Logo as mulheres das cidades vizinhas começam a ajudá-lo e consolidaram a ideia de que são “tutti fratelli” (todos irmãos). Os feridos, dos seus exércitos e mesmo os adversários, eram recebidos em abrigos improvisados, recebem tratamento e, quando possível, foram curados.

Quando Dunant retornou para Genebra, horrorizado pela carnificina que presenciou, liderou um grupo de voluntários e apresentou seu projeto de ajuda na Convenção de Genebra, onde foram discutidos a criação e os princípios de uma organização voluntária e independente para a assistência de todos os envolvidos em combates. Em 22 de agosto de 1864 foi então criada a Cruz Vermelha.

No município de Passo Fundo a Cruz Vermelha foi fundada no dia 9 de maio 1942. Neste período, o mundo passava pelos horrores e incertezas da Segunda Guerra Mundial. Soldados brasileiros - inclusive passofundenses - foram para a Itália juntar-se aos Aliados para combater nos campos de guerra naquele país.

A Cruz Vermelha foi organizada no município para dar apoio à população e treinamento para socorristas, já que o Brasil se encontrava em estado de guerra. Djanira Langaro assumiu a presidência do núcleo da Cruz Vermelha de Passo Fundo, em 1943, foi uma mulher incansável, competente e altruísta. Pela sua atuação, Djanira várias vezes foi homenageada com medalhas e diplomas de honra ao mérito.

Sua atuação expressiva fora muitas vezes divulgada pelos jornais locais, evidenciando a importância de seu trabalho comunitário. Extremamente sensível, se emocionava ao receber as homenagens especialmente quando, em 1961, os soldados da legalidade passaram pela cidade. Ao deixarem o município, segundo as fontes consultadas, teriam cantado para Djanira a “Marcha da Cavalaria”. Poucos anos depois, em 1968, Djanira evidenciou que também outros temas lhe instigavam à ação em prol do município e região. Naquele ano, dirigiu-se aos deputados estaduais para que aprovassem o projeto que criava a Faculdade de Agronomia em Passo Fundo, recebendo todo o apoio da Assembléia Estadual.

Mulher incansável, cidadã responsável. Djanira Langaro foi exemplo de uma atuação consciente pelo bem comum. Sua condução da Cruz Vermelha, assim como seu empenho pelo desenvolvimento local e regional são exemplos de dedicação e altruísmo social de uma líder que ainda hoje inspira pela sua coragem, força e dedicação.

Fonte: O Nacional

Hoje na História: 1986 - Nave espacial Challenger explode no ar

28/01/2011 - 08:20 | Max Altman | São Paulo
Hoje na História: 1986 - Nave espacial Challenger explode no ar

Em 28 de janeiro de 1986, a nave espacial Challenger é lançada do Cabo Canaveral, Flórida. A bordo estava Christa McAuliffe, a primeira cidadã comum dos Estados Unidos a viajar pelo espaço sideral. McAuliffe, professora de Estudos Sociais de New Hampshire, 37 anos, havia ganho a chance por meio de uma competição.

O lançamento foi adiado repetidamente devido às condições climáticas e problemas técnicos. No entanto, em 28 de janeiro, exatamente 73 segundos depois da decolagem, centenas de pessoas ao redor do mundo e os familiares dos passageiros, entraram em choque ao ver a nave explodir, lançando uma coluna bifurcada de fumaça e fogo. Não houve sobreviventes.



No dia seguinte à explosão, o presidente Ronald Reagan nomeou uma comissão especial para determinar o que tinha dado errado e adotar futuras medidas corretivas. A comissão presidencial foi encabeçada pelo ex-Secretário de Estado William Rogers e incluía o ex-astronauta Neil Armstrong e o ex-piloto de teste Chuck Yeager.

A investigação determinou que a explosão foi causada pela falha de um anel de vedação em um dos dois foguetes de combustível sólido. O anel de vedação não correspondeu às expectativas devido à fria temperatura por ocasião do lançamento, o que desencadeou uma cadeia de ocorrências que resultou na grande explosão. Com isso, a NASA deixou de enviar astronautas ao espaço por mais de dois anos enquanto redesenhava inúmeras alterações nas espaçonaves.

Volta dos lançamentos

Em setembro de 1988, os voos espaciais foram retomados com o lançamento bem-sucedido do Discovery. Desde então, os engenhos espaciais levaram a efeito numerosas e importantes missões, como o reparo e manutenção do telescópio especial Hubble e a construção da estação espacial internacional.

Em 1º de fevereiro de 2003, um segundo desastre com espaçonave chocou os EUA quando a nave Columbia desintegrou-se ao reentrar na atmosfera terrestre. Todos os tripulantes morreram. A despeito dos temores de que os problemas que destruíram a Columbia não estivessem satisfatoriamente resolvidos, os voos espaciais foram outra vez retomados em 26 de julho de 2005, quando a Discovery foi novamente colocada em órbita.

Fonte: Opera Mundi

Patrimônio histórico do Egito corre risco

28/01/2011 - 19:04 | Thais Romanelli | Redação
Patrimônio histórico do Egito corre risco com crise política, diz egiptólogo brasileiro

O agravamento dos protestos no centro de Cairo, no Egito, pode ameaçar o patrimônio histórico do país, armazenado em museus da cidade. Nesta sexta-feira (28/01), pelo menos uma pessoa morreu e várias ficaram feridas em manifestações nas proximidades do Museu Nacional do Cairo, o mais importante do Egito.

Segundo a rede de televisão Al Jazeera, os conflitos começaram em uma praça próxima ao museu e à sede do NDP (Partido Nacional Democrático), atualmente está no poder. Uma hora depois, um incêndio nas proximidades do museu assustou os manifestantes, que fizeram uma corrente humana em volta do edifício, de acordo com a emissora.

"O Museu Nacional do Cairo é o maior e mais antigo museu egípcio, um eventual acidente como um incêndio seria extremamente prejudicial não apenas para a cultura do país, mas para todo o patrimônio da humanidade", disse o egiptólogo Antonio Brancaglion Jr ao Opera Mundi.

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O museu, que abriga 100 mil objetos em exposição, possui múmias dos mais importantes faraós, papiros e objetos considerados símbolos do país, como o tesouro de Tutancâmon, um dos faraós mais famosos da história egípcia.

"Costumamos dizer que ele tem a pior exposicão dos mais lindos tesouros do mundo e esse é seu principal problema: o próprio edifício", conta Brancaglion, em referência à estrutura do prédio. Para o egiptólogo, a idade do do museu e sua localização são extremamente prejudiciais no caso de um eventual incêndio como o desta tarde.

Central e próximo a sede do partido que ocupa o governo do país, o Museu Nacional do Cairo está em uma "área de risco" no que diz respeito aos riscos que as manifestações podem trazer. Já com relação a possíveis saques e contrabando de peças, Brancaglion não demonstra preocupação.

"Um incêndio próximo ao museu ou no próprio museu seria muito prejudicial não apenas pelo fato de ele abrigar um acervo inimaginável, mas também por não ter estrutura para amenizar os danos em um acidente deste tipo", afirmou.

O egiptólogo conta que há dez anos um atentado ocorreu na frente do Museu Nacional do Cairo, o que fez com que governantes reavaliassem as medidas de segurança. A partir daí, o prédio foi equipado com câmeras de segurança e outros recursos para evitar a entrada de pessoas não autorizadas e furtos.

"O edifício, porém, é muito antigo e sem dúvida não tem uma estrutura eficaz contra incêndio", explicou. "O risco que se corre é exclusivamente em relação a esse tipo de agressão pelo fato deste museu estar próximo à principal área de manifestações. Quanto a roubos e contrabando, não acho que nenhum museu egípcio corra este risco, já que a própria população tem consciência da importância destes lugares e muitos inclusive dependem da atividade turística para sobreviver", disse Brancaglion.

Para ele, o fato de os manifestantes terem feito uma corrente humana em volta do museu ilustra a relação dos egípicios com os tesouros do país. "Isso não acontece apenas com o Museu Nacional do Cairo, mas também com o Museu do Papiro, o complexo das Pirâmides de Gizé, a Esfinge, a Necrópole de Saqqara e etc. Todos sabem da importância destes patrimônios, principalmente no Cairo, onde a principal atividade econômica é o turismo", afirmou.

Medidas

A ameaça, porém, ainda não demanda a intervenção da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) ou de outras organizações, na opinião de Brancaglion.

"O máximo que pode ser feito, pelo menos por enquanto, são campanhas por parte da Unesco e da própria imprensa reiterando a importância dos museus do país e mensurando o tamanho da perda caso algum destes lugares seja danificado. Mesmo assim realmente acredito que a própria população tem consciência desta importância e irá zelar por isso, a não ser que futuros acidentes aconteçam durante os protestos, como foi o caso desta tarde", concluiu.

Fonte:Opera Mundi

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Quase lá!!!



"Não basta lutar. Não é bastante a presença do dever ser humano e humano." É preciso ampliar cada sinal que aponte para um novo e diferente vínculo onde o afeto e a conquista estejam presentes. Não basta que o trabalho seja fonte de bem-estar e distribuição de renda. É preciso que a dignidade seja a mediação ética referendada no caminhar humano". Valeu a pena? "Tudo vale a pena se a alma não é pequena." (Fernando Pessoa)

Parabéns aos formandos em História, turma 2010.02!

Os Arquivos do Presidente JFK

Biblioteca de JFK é o primeiro arquivo de um presidente americano a se tornar online

Historiadores e demais pesquisadores não precisam mais viajar a cidade de Boston, nos Estados Unidos, para consultar os arquivos da Biblioteca e Museu John F.Kennedy (JFK). A partir de agora, bastam apenas alguns cliques para consultar os milhares de documentos que ajudam a contar a vida do ex-presidente americano. Isso, porque o acervo da instituição, que até então só podia ser consultado pessoalmente, está sendo digitalizado e disponibilizado na internet, podendo ser livremente acessado por qualquer pessoa. Boa parte dos documentos já está online e muitos outros ainda estão sendo tratados por especialistas.

Segundo o jornal americano The New York Times, o acervo constitui a maior coleção presidencial dos Estados Unidos, reunindo mais de 250.000 documentos e 200 horas de áudio e vídeo. Segundo os administradores do Museu/Arquivo/Biblioteca, a idéia é preservar o legado de um dos antigos mandatários mais expressivo e querido da história americana. O projeto, que já está disponível na internet, http://www.jfklibrary.org/, cobre um longo período histórico, que vai desde os anos em que Kennedy passou na Universidade de Harvard até as suas chamadas mais críticas e importantes como presidente americano, passando por conversas pessoais com seus pais durante a Segunda Guerra Mundial. Entre os documentos, todos de grande valor para quem deseja conhecer melhor os bastidores do século XX, destaca-se aqueles que reproduzem conversas entre Kennedy e o ex-presidente Dwight D. Eisenhower a respeito da crise dos mísseis cubanos.

A primeira parte do processo digitalização consumiu aproximadamente US$ 10 milhões e significa, de certa forma, a realização de um antigo sonho de Kennedy, para quem os documentos presidenciais deveriam ser livremente disponibilizados. Segundo o diretor da biblioteca, Thomas J.Putman, o trabalho começou com os arquivos mais requisitados por pesquisadores. Putman reconhece ser impossível digitalizar todos os 48 milhões de páginas de documentos que compõem a biblioteca, mas acredita que é possível chegar ao número razoável de 8 milhões online. Para a próxima etapa do processo espera-se a publicação de registros que cobrem temas como segurança nacional, comunicação e direitos civis.

A iniciativa é louvável não só por facilitar a pesquisa histórica, mas também por representar uma possível tendência para outras bibliotecas de ex-presidentes americanos. Nos Estados Unidos, existem vários do gênero. Esses espaços, que são também verdadeiros arquivos, com seus fundos e coleções, ajudam a contar não apenas a história dos Estados Unidos, mas também a de outros países como o Brasil. Dentre os materiais digitalizados da Biblioteca Kennedy, por exemplo, é possível encontrar documentos pertencentes ao secretário de Kennedy, Evelyn Lincoln, sobre o então presidente brasileiro Jânio Quadros e também João Goulart, sobretudo durante o período que se aproximou de países socialistas, como Cuba e China (foto acima).

Para ler, escutar e assistir essas fabulosas fontes históricas, acesse o site agora mesmo e faça a sua pesquisa. Você vai se surpreender com a quantidade e a qualidade dos arquivos disponibilizados pela biblioteca. Que a iniciativa possa servir para as autoridades brasileiras, ainda tão carentes de uma boa política para seus arquivos presidenciais.

Fonte: Café História

UPF Virtual está com inscrições abertas para cursos a distancia


A UPF Virtual está com inscrições abertas para quatro cursos a distância, sendo dois com aulas também presenciais. As inscrições para os cursos de Linguagem e sua função social, Formação de tutores para EaD, Curso de capacitação em GeoGebra e Pesquisa em História Regional na escola estão abertas até o dia 10 de março. Para se inscrever basta acessar o site www.upf.br, no link Eventos e Cursos.

Confira abaixo os detalhes de cada curso e também os valores.

Linguagem e sua função social
Com 40 horas de duração, o curso é ofertado para professores e alunos da área de Letras, caracterizando-se como formação continuada. O curso pretende oportunizar a esses profissionais que se atualizem e incrementem a sua formação a fim de transmitir seu conhecimento aos seus alunos. Terá início em 14 de março, com término em 27 de abril. Será desenvolvido totalmente a distância. O valor é de R$ 100,00.

Formação de tutores para EaD
Com 40 horas de duração, o curso pode ser realizado para aquisição de conhecimentos na área de EaD e de tutoria. Destina-se a professores do ensino superior e/ou básico. O curso procura capacitar profissionais para atuarem com educação a distância que cresce a cada dia no Brasil e no mundo. Terá início em 14 de março, com término em 27 de abril. Será desenvolvido totalmente a distância. O valor é de R$ 180,00.

Curso de capacitação em GeoGebra
Com 40 horas de duração, objetiva capacitar os professores da área de Matemática para o uso do software gratuito GeoGebra no ensino médio. O software reúne recursos de geometria, álgebra, cálculo e funções. O curso terá início em 14 de março, com término em 27 de abril. Será desenvolvido na modalidade semipresencial. O valor é de R$ 100,00.

Pesquisa em História Regional na escola
Com 40 horas de duração, sendo 15 horas presenciais e 35 a distância via Ambiente Virtual, tem por objetivo propiciar aos alunos a experiência de praticar novas metodologias de ensino-aprendizagem e oportunizar um espaço de formação continuada aos professores de História de nível básico das redes pública e privada de Passo Fundo e região. O curso terá início em 19 de março, com término em 30 de julho. O valor é de R$ 20,00. Veja a data dos encontros clicando aqui.

Fonte: Imprensa UPF

28 de janeiro de 1942 - Brasil rompe com países do Eixo

Enviado por: Lucyanne Mano
Brasil rompe relações diplomática com Alemanha, Itália e Japão. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 29 de janeiro de 1942

"As conquistas desta Conferência não as poderão apreciar os contemporâneos. As grandes obras só podem ser bem compreendidas quando o tempo dá à inteligência a sua perspectiva divina e sua eterna luz. Desde já, porém, podemos afirmar que transformamos uma utopia em realidade, e que já espledem, realizados em sua plenitude, o anseio, o sonho e o ideal de nossos maiores.

A paz dos povos e a união das nações na Ásia, na África e na Europa são a história mesma de uma sucessão trágica de fracassos e de esforços vãos dos homens, em séculos de porfia, de desenganos e de conflitos.

Os povos americanos a realizaram e nós, seus Chanceleres, a confirmamos hoje, porque proscrevemos da comunhão continental a violência, o império, o predomínio, afim de dar lugar à confiança, à solidariedade e à justça, colunas sobre as quais repousam a igualdade das nações ameicanas, a independência de seus povos e a liberdade de todos nós, cidadãos da América". Osvaldo Aranha

Honrando a palavra empenhada e dando sentido à recomendação d defesa continental da 3ª Reunião de Chanceleres das Repúblicas Americanas para que, sob ameaça internacional, os países americanos se consultassem mutuamente e acordassem uma postura única, o Brasil rompeu as suas relações diplomáticas com os países do Eixo - Alemanha, Itália e Japão. A declaração oficial foi feita solenemente pelo Sr. Osvaldo Aranha durante o encerramento do evento, realizado durante 15 dias no Palácio Tiradentes, no Rio de Janeiro. Entre o público presente estavam líderes e demais representantes de 21 nações americanas que saudaram o chanceler brasileiro com entusiasmada salva de palmas.

Embora a simpatia de alguns setores do governo brasileiro com os nazi-fascistas chegasse a alimentar rumores de que o Brasil poderia aderir ao Eixo durante a Segunda Guerra (1939-1945), os Estados Unidos acenavam com ampla cooperação caso o Brasil se afastasse do bloco inimigo. Esta pressão norte-americana, que oferecia mais perspectivas ao Brasil principalmente na esfera econômica, foi decisiva.

Entre as conquistas brasileiras estavam o reequipamento das Forças Armadas e o apoio financeiro para a modernização do parque industrial nacional. Em contrapartida, a diplomacia americana reivindicou borracha e minérios, entre outros materiais estratégicos no esforço de guerra. E instalou bases militares no Nordeste para o controle do Atlântico Sul.

Essa aproximação projetou o Brasil como maior aliado dos EUA na América, deixando-o sob a mira de investidas do Eixo. No dia 22 de agosto daquele ano, navios brasileiros foram abatidos pelos torpedos dos submarinos alemães. O episódio atingiu também a estabilidade do governo Vargas. Foi o estopim para que o Brasil entrasse na Guerra.

Fonte: JBlog

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Vítimas do Holocausto ameaçadas por esquecimento em valas comuns do Leste Europeu

>>Vala localizada na Ucrânia

Milhares de judeus assassinados pelos nazistas estão enterrados em valas comuns na Ucrânia, Rússia, Polônia e Belarus. Organização Yahad in Unum luta para resgatá-los do esquecimento.

"O Holocausto não começou em Auschwitz. Começou já antes do funcionamento das câmaras de gás, com a invasão do Leste da Europa pela Wehrmacht", diz o rabino norte-americano Andrew Baker.

Soldados, comandos de morte e colaboradores atuaram como ajudantes ávidos. Eles fuzilaram os judeus, nos lugares mesmos onde moravam, e jogaram os corpos em valas comuns. Há milhares de sepulturas na Ucrânia, Polônia, Belarus e Rússia, em florestas afastadas, nos arredores de povoados e cidades. Negligenciados, ignorados, descuidados, os corpos são o testemunho silencioso de uma história quase totalmente reprimida.

Contra o esquecimento

Por muito tempo ninguém se interessou pela localização dessas valas comuns. Até que o francês Pater Patrick Desbois e seus colegas da organização Yahad in Unum começaram a buscar pistas e interrogar moradores e testemunhas sobreviventes. O trabalho possibilitou a identificação de milhares de sepulturas.

Num projeto-modelo de grande porte, uma iniciativa internacional quer agora proteger cinco desses locais, identificá-los com placas memoriais, protegendo-os do esquecimento no futuro.

Participam do projeto a Volksbund Deutscher Kriegsgräberfürsorge, uma comissão alemã que cuida dos túmulos de vítimas de guerra, o American Jewish Comittee (AJC), ao qual Andrew Baker é filiado, a conferência dos rabinos europeus, assim como organizações não-governamentais do Leste Europeu. O Ministério alemão de Relações Exteriores destinou 300 mil euros para o projeto.

Memória e formação

>>Kyslyn, Ucrânia

"Somos gratos por esse apoio que vem da Alemanha", disse Eduard Dolinsky, do Comitê Judaico da Ucrânia, país onde 500 mil judeus foram vítimas do nazismo. Os jovens não aprendem nada na escola sobre essa parte do passado. "Aqui, a tendência é esquecer."

Na época da União Soviética, o assassinato dos judeus foi ocultada, diz Anatoly Podolsky, do Centro para Estudos do Holocausto, em Kiev. Desde que o país ficou independente, os historiadores puderam, finalmente, pesquisar sobre o tema, "mas o governo tem pouco interesse no assunto".

Pesquisa, documentação e uma homenagem digna são tarefas gigantescas, diz Deidre Berger, diretora do AJC de Berlim. Porém tão importantes quanto elas é contar o que aconteceu às gerações mais novas. "Elas devem saber quantas vidas foram destruídas, quantas comunidades judaicas desapareceram", comenta.

Em dezembro de 2010, um grupo de trabalho esteve na Ucrânia para verificar a situação. O diretor do programa, Jan Fahlbusch, contou sobre descobertas terríveis feitas num terreno arenoso. "Depois da guerra voltou-se a retirar areia do local onde ocorreram muitos tiroteios. Nesse processo, os túmulos foram abertos; num certo ponto, os ossos estão quase na superfície. Aí população escavou o local à procura de objetos de valor." Esse fenômeno foi observado repetidamente na região.

Luta contra o relógio

>>Restos de um cemitérios de judeus, em Rava Ruska

A iniciativa conta com estreita colaboração das autoridades locais e de arquitetos. Eduard Dolinsky, do Comitê Judaico, fala sobre o design do memorial: "Essa é a condição principal: antes de qualquer outra instância, cabe aos judeus que vivem no local a última palavra sobre a aparência do memorial".

Quando os cinco projetos estivem implementados, eles não só serão exemplos para outros memoriais, como passarão à responsabilidade do governo local. Segundo Jan Fahlbusch, até agora valas comuns não eram reconhecidas legalmente como cemitérios. Consequentemente não eram protegidas contra novas construções e modificações. Tal proteção deve ser assegurada pelas instituições locais.

Nesse ínterim, continua a busca de vestígios e de testemunhas. E, naturalmente, o tempo não para. As testemunhas sobreviventes contam, atualmente, 80 ou mesmo 90 anos de idade, e as pesquisas são uma corrida contra o tempo, diz William Mengebier, da organização francesa Yahad in Unum.

Mesmo assim: "Em 2011, nossa equipe deve fazer 15 viagens de pesquisa e bater à portas, nas ruelas de povoados remotos da Ucrânia, Belarus, Rússia e Polônia, perguntando aos mais idosos: Você viveu aqui durante a guerra?".
Autora: Cornelia Rabitz (np)
Revisão: Augusto Valente

Calendário História UPF 2011



OUTUBRO

03 - Encontro c/ alunos que prestarão Prova ENADE
03 a 14 - Período de inscrições para atualização, ingresso, permanência no quadro de professor pesquisador para 2012
07 a 30 - Período para protocolar pedido de exames de aproveitamento de conhecimentos para alunos ingressantes 2010/2 e semestres anteriores
12 - Nossa Senhora Aparecida - feriado nacional
15 - Dia do Professor e do Trabalhador em Educação – feriado escolar
12 a 16 - Viagem de Estudo Nível 5: Missões Platinas
24 a 28 - Semana Acadêmica Curso de História - Auditório FEAC
25 - Oficinas de Educação Patrimonial p/ alunos de magistério, graduandos de licenciatura e professores das redes de ensino básico – Local MHR, 14h;
27 - Reunião Núcleo Docente Estruturante do Curso de História 14h


NOVEMBRO
02 - Finados - feriado nacional
07a a 09 - MUNDO UPF: Mostra das Profissões, Feira de Ciências e Mostra de Inovação Tecnológica
08 - Prova de Proficiência em Língua Inglesa e Espanhola - Stricto Sensu - 2011-2
15 - Proclamação da República - feriado nacional
21 - II Fórum do Curso de História 19h 20min Auditório IFCH (Prédio B3)
24 - Reunião Núcleo Docente Estruturante do Curso de História 14h


DEZEMBRO

07 - Início do período para protocolar pedidos de transferência, reingresso, reopção de curso, campi e turma, reabertura de matrícula, aproveitamento de estudos e disciplina isolada.
07 - Término das aulas para as disciplinas do diurno e noturno.
08 - Dia de Nossa Senhora da Conceição – feriado municipal em Passo Fundo.
09 - Início dos exames para as disciplinas do diurno e noturno
15 - Reunião Núcleo Docente Estruturante do Curso de História 14h IFCH Sala de Reuniões
30 - 26 - Reunião de Colegiado do Curso de História – 14h IFCH
Recesso
30 - Encerramento da Exposição Há cem Anos MHR


ATIVIDADES DE EXTENSÃO
  1. Pesquisa em História Regional nas Escolas: Curso de Formação continuada, modalidade Ead, de março a junho – conclusão em 06/08;
  2. Programa televisivo Momento Patrimônio: o programa vai ser exibido na primeira sexta-feira de cada mês e com reprise no domingo. O programa terá estreia no dia 05 de agosto (1° PROGRAMA: 05 de agosto; 2° PROGRAMA: 02 de setembro de 2011; 3° PROGRAMA: 07 de outubro de 2011; 4° PROGRAMA: 04 de novembro de 2011; 5° PROGRAMA: 02 de dezembro de 2011; 6° PROGRAMA: 06 de janeiro de 2012; 7° PROGRAMA: 03 de fevereiro de 2012; 8° PROGRAMA: 02 de março de 2012; Estréia: sexta, às 21h; Reapresentação: domingos, às 22h.
  3. Oficinas de Educação Patrimonial p/ alunos de magistério, graduando de licenciatura e professores das redes de ensino - 09/08 e 25/10 paralelamente às atividades do MHR e 06/10 Oficinas de Preparação para o ENEM.
  4. Reforma Curricular da Graduação Licenciatura em História – NDE.
ATIVIDADES E DIVULGAÇÃO NA WEB



GRUPOS DE TRABALHO DISCENTE VOLUNTÁRIO E/OU VINCULADO A DISCIPLINA CURRICULAR
  1. Elaboração de recursos didáticos e Assessoria didático-pedagógica às Escolas de Ensino Básico.- Coordenação Profª Ironita
  2. Atividades Extensionistas (MHR, Divulgação Curso, Oficinas e Programa televisivo e radiofônico); Coordenação Profª Ironita e Prof. Eduardo Knack
  3. Elaboração Dossiê dos 40 Anos de Graduação e 10 Anos de Pós-Graduação em História/UPF; Coordenação Prof. Adelar
  4. Organização e alimentação Web c/ produção Histórica e Metodológica da Graduação e Mestrado. Coordenação Profª Gizele
  5. Organização Semana Acadêmica e I Congresso Internacional de História Regional Coordenação Prof. Adelar, Profª Gizele, Profª Ironita;
  6. Coordenação e planejamento de Viagem de estudo Missões Platinas Prof. Luiz Carlos Golin e Aluno Ricardo

27 de janeiro de 1945 - A libertação de Auschwitz

A libertação de Auschwitz. Jornal do Brasil: Domingo, 28 de janeiro de 1945

"A rádio de Berlim anunciou que as forças do Marechal Zhukov invadiram o território alemão na frente central, atacando a cidade de Schneldemuhl, estratégio centro ferroviário e rodoviário a 8 quilômetros para o interior da Alemanha". (Jornal do Brasil, 28 de janeiro de 1945)

O Slogan da Marcha sobre Berlim tornou-se realidade, e os exércitos soviéticos começavam a primeira das possibilidades finais de derrota total ou rendição incondicional do Grande Reich de Hitler.

Durante a Segunda Guerra Mundial, cerca de 1,5 milhão de pessoas foram exterminadas no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, um conjunto de campos de concentração localizados no Sul da Polônia - hoje um símbolo do Holocausto perpetrado pelos nazistas. Os judeus eram transportados dos seus lugares de origem e iam para lá, amontoados em vagões de gado, até chegarem ao destino final.

O Exército soviético, em sua ofensiva contra a Alemanha, abriu as portas deste inferno e liberou cerca de 7 mil prisioneiros. Antes da chegada do Exército Vermelho, os nazistas destruíram parcialmente as instalações do campo, em uma tentativa de negar as atrocidades ali cometidas, explodindo as câmaras de gás e libertando a maioria dos prisioneiros.

O maior campo de concentração

Auschwitz foi o maior entre os 2 mil campos de concentração e trabalhos forçados construídos pelos nazistas. O número exato das vítimas provavelmente nunca será conhecido. Os prisioneiros eram tatuados com números e submetidos a trabalhos pesados, com castigos severos. O médico nazista Josef Mengele fazia experiências sádicas com gêmeos, mulheres grávidas, crianças e outros grupos classificados como de "interesse científico".

O campo de concentração de Auschwitz-Birkenau foi transformado em um museu em 1947.

1973: Termina a guerra do Vietnã

Em 27 de janeiro de 1973, representantes do Vietnã do Norte e do Sul, bem como dos Estados Unidos, assinaram em Paris um difícil acordo que pôs fim à guerra do Vietnã.

Nenhum outro acontecimento moveu tanto a opinião pública internacional nos anos 60 e 70 quanto a guerra do Vietnã. Pela primeira vez na história, as atrocidades dos campos de batalha foram exibidas no "horário nobre" das tevês: vietnamitas queimados por bombas de napalm, o fuzilamento de um rebelde pelo chefe da polícia de Saigon com um tiro na cabeça, o massacre de My Lai por soldados norte-americanos.

Mais de um milhão de vietnamitas e 55 mil combatentes dos EUA morreram no conflito. A assinatura do acordo de paz, em 27 de janeiro de 1973, alimentou grandes esperanças. O cessar-fogo firmado em Paris deveria significar o fim da guerra do Vietnã.

Com isso, o presidente norte-americano Richard Nixon queria terminar a intervenção militar dos EUA na Indochina: "Falo hoje à noite no rádio e na televisão para anunciar que fechamos um acordo que põe fim à guerra e deve trazer a paz para o Vietnã e o Sudeste Asiático.

Durante os próximos 60 dias, as tropas norte-americanas serão retiradas do Vietnã do Sul. Temos de reconhecer que o fim da guerra só pode ser um passo em direção à paz. Todas as partes envolvidas no conflito precisam compreender agora que esta é uma paz duradoura e benéfica".

Acordo previa um fim ordenado do conflito

O acordo de paz previa a retirada completa das tropas dos Estados Unidos. Em contrapartida, o Vietnã do Norte se comprometeu a soltar todos os prisioneiros de guerra norte-americanos. Além disso, Hanói reconheceu o direito à autodeterminação do Vietnã do Sul.

Foi criado também um conselho de reconciliação nacional, presidido pelo chefe de Estado Nguyen Van Thieu, encarregado de convocar eleições livres no Vietnã do Sul, com a participação dos comunistas do Vietcong e outros grupos de oposição.

Os principais arquitetos do acordo de Paris foram os chefes das delegações do Vietnã do Norte e dos EUA, respectivamente Le Duc Tho e Henry Kissinger, encarregado especial de Nixon. Pelos seus esforços, os dois diplomatas foram agraciados com o Prêmio Nobel da Paz de 1973.

Foi principalmente Kissinger quem forçou uma mudança de rumo na política externa dos Estados Unidos, depois que os protestos dos pacifistas criaram uma situação insustentável para Washington. "Não é o Vietnã comunista que põe em risco os interesses norte-americanos e, sim, o envolvimento dos EUA num conflito insolúvel", argumentava.

O então chanceler federal alemão Willy Brandt elogiou o acordo de Paris num pronunciamento oficial: "As condições para a paz mundial melhoraram. Sentimos o efeito libertador do acordo para milhões de atingidos. Infelizmente, as pessoas no Vietnã tiveram de sofrer duramente sob a guerra civil ao longo de uma geração".

A última ofensiva americana

Pouco antes do fim das negociações, Nixon ainda mandou bombardear o Vietnã do Norte. A chamada Campanha de Natal, iniciada no final de dezembro de 1972, foi um dos ataques aéreos mais pesados de toda a guerra. Com indiferença, o piloto de um dos bombardeiros B-52 descreveu assim a sua missão: "É apenas uma tarefa. Outras pessoas entregam leite, eu entrego bombas".

O acordo de cessar-fogo, no entanto, não foi implementado. Após a retirada das tropas dos EUA, as partes conflitantes tentaram ampliar pelas armas os territórios sob seu controle. O exército do Vietnã do Sul desintegrou-se rapidamente, depois que os EUA suspenderam a sua ajuda financeira.

Em 21 de abril de 1975, o presidente Nguyen Van Thieu renunciou. Nove dias depois, Saigon foi tomada pelas tropas do Vietnã do Norte e do Vietcong. A pseudotrégua de janeiro de 1973 era letra morta.

O papel dos meios de comunicação

Existe a lenda de que os meios de comunicação decidiram a guerra do Vietnã. Na prática, porém, não existiam imagens dos crimes cometidos pelas tropas norte-americanas nem das ondas de execuções dos comunistas nos territórios por eles conquistados.

Diversos estudos científicos demonstraram que as imagens das batalhas militares, dos feridos e dos mortos mutilados representaram apenas 5 a 7% do noticiário de TV sobre o Vietnã. Além disso, a maioria das cenas de guerra foram fictícias, porque as equipes de TV não chegavam com seus equipamentos até os últimos rincões das florestas vietnamitas.

É certo que os correspondentes tiveram mais liberdade do que em outras guerras para escrever críticas ao governo. Mas, nas tevês, a maioria das reportagens de três a quatro minutos mostravam um conflito sem nexo, de forma distanciada.

Michael Marek (gh)
Fonte: DW-world.de

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A Londres dos pobres e criminosos

Universidades britânicas lançam site com milhares de documentos que revelam a vida dos miseráveis ingleses nos séculos XVII e XVIII
por Graziella Beting

A história não é feita apenas de heróis e grandes personalidades. Por isso, o site London lives – crime, poverty and social policy in the metropolis se dedica aos personagens menos retratados pela história oficial para mostrar a verdadeira Londres do século XVIII. O site apresenta milhares de documentos relativos aos “plebeus” da cidade. São registros criminais, ocorrências policiais, arquivos de instituições de caridade e de assistência aos pobres, registros médicos etc., datados de 1690-1800.

A ideia dos pesquisadores envolvidos na criação do site, das universidades de Sheffield e de Hertfordshire, é mostrar como viviam as pessoas comuns e pobres na primeira cidade do mundo a atingir 1 milhão de habitantes. No total, são 240 mil manuscritos e impressos conservados em oito arquivos londrinos, além de informações vindas de 15 bancos de dados de outros projetos. São mais de 3,3 milhões de registros individuais que revelam o papel desempenhado por cidadãos que não faziam parte das elites na evolução das práticas sociais da metrópole moderna.


Fonte: História Viva

O golpe de 64 me impediu de ser professor

edição 88 - Fevereiro 2011
Boris Fausto, um dos mais respeitados pesquisadores da Revolução de 1930, explica por que não seguiu carreira acadêmica e fala sobre as vantagens e desvantagens de ser um historiador de domingo
por Bruno Fiuza

Memórias de um historiador de domingo. O título do segundo volume da autobiografia de Boris Fausto, lançado no fim de 2010, reflete bem a trajetória intelectual do autor. Um dos mais respeitados pesquisadores da Revolução de 1930 e do período republicano no Brasil, Fausto nunca esteve formalmente vinculado a nenhum departamento de história. Trabalhando sempre como advogado, aproveitou as brechas do cotidiano para se dedicar à sua verdadeira paixão: o estudo do passado. Foi assim que ele não só escreveu o maior clássico da historiografia brasileira sobre o movimento que levou Getúlio Vargas ao poder como sucedeu Sérgio Buarque de Holanda no posto de organizador da prestigiosa coleção História geral da civilização brasileira, cuidando dos volumes sobre o período republicano. Essa rica trajetória está registrada em seu mais novo livro, que começa com a entrada na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em 1948, passa pelos anos de militância trotskista e termina com a carreira tardia, porém brilhante, de historiador. Do alto de seus 80 anos, Boris Fausto fala sobre as vantagens e desvantagens de ser um “historiador de domingo”.

História Viva – Por que Memórias de um historiador de domingo?

Boris Fausto – Porque eu não tenho uma carreira de professor de história. Eu vivi quase toda a minha trajetória profissional como advogado. Sempre gostei do assunto, fiz curso de história e utilizei o meu tempo disponível para escrever. Só muito mais tarde, depois que eu me aposentei como advogado da USP, é que eu por dez anos dei aulas de história – aliás, no Departamento de Ciência Política. Então, é claro que eu não sou um historiador de domingo, porque se eu trabalhasse só nesse dia eu estaria muito aquém do que eu consegui realizar. Mas essa é uma fórmula que os franceses inventaram e aplicaram a gente muito mais importante do que eu.

HV – A opção por não ter ingressado em um departamento de história se deve a algum motivo em especial ou foi uma contingência da vida?

Fausto – Foi uma contingência da vida. Eu comecei como advogado em um tempo em que eu e minha família só conhecíamos três carreiras: direito, medicina e engenharia. Eu, por exclusão, fiz direito. Aí eu advoguei privadamente, depois fiz concurso público e me tornei consultor jurídico da USP. Mas sempre me interessei, do ponto de vista intelectual, muito mais pela história. Então, muito incentivado pela minha mulher, eu fiz o curso de história depois de ter advogado durante uns dez anos, e quando eu já era consultor jurídico da USP. Aí veio o golpe de 1964, que me impediu de optar pela carreira de professor, como naquela época eu pretendia. Curiosamente, no entanto, o golpe me fez um favor, porque como consultor jurídico eu fiquei melhor em termos materiais do que como professor. Daí eu só resolvi aceitar a condição de professor, de dar aulas, quando eu me aposentei do meu cargo. Eu nunca quis fazer as duas coisas juntas, mesmo depois da abertura, da democratização.

HV – No seu grande clássico, A Revolução de 30, a questão da história e da historiografia já aparece no próprio título. Como o senhor vê a historiografia brasileira hoje em comparação com a década de 1960, quando escreveu o livro?

Fausto – Eu vejo um avanço radical. Em 1960 havia poucos trabalhos de pesquisa. O que existia, com maior destaque, eram os grandes ensaístas e alguns poucos grandes historiadores. Sempre se fala do trio – que não é necessariamente só de historiadores – formado por Gilberto Freyre, Caio Prado Jr. e Sérgio Buarque de Holanda. Depois disso veio a pós-graduação e, com ela, o refinamento da pesquisa histórica. Hoje nós temos uma massa de trabalhos, alguns brilhantes, outros razoáveis, como é normal, mas o avanço é gigantesco.

HV – E, em termos de enfoque, o senhor vê uma mudança grande?

Fausto – Não é tanto uma mudança, mas uma novidade. No âmbito dessa grande massa de trabalhos que existe hoje, as ênfases temáticas foram em diferentes direções. Antes você não podia nem apontar claramente uma direção, a não ser o preconceito de que não se poderia fazer história contemporânea para valer. Quando eu fiz o curso de história da USP, no começo dos anos 1960, eu me lembro de mais de um professor que dizia “a gente pode fazer história só até o início da República, depois não é história, é política”. Nem se falava em ciência política porque acho que essa disciplina não existia.

HV – O senhor descreve no livro uma mudança importante na sua trajetória intelectual e ideológica, uma passagem da militância de esquerda nos anos 1950 para uma aproximação posterior ao que chama de princípios democráticos. O que o levou a essa transformação?

Fausto – Os fatos. Eles nos obrigam a retrabalhar, porque há muita gente que prefere ignorá-los e manter a sua ideologia. No caso, eu te diria que eu fui mudando gradativamente. Primeiro, eu me desencantei com o trotskismo. Para mim, a maior força desse grupo era o internacionalismo, além da ideologia e da figura de Trotsky, que eu considero um grande personagem. Quando surgiu uma cisão mais profunda do trotskismo no plano internacional e se criaram subgrupos do que já eram grupos, eu comecei a me desencantar e a perceber que talvez aquilo tivesse alguma qualidade do ponto de vista das ideias, mas que não tinha a menor possibilidade de implementação. Depois do início da ditadura, em 1964, o processo histórico, para usar uma expressão solene, foi pouco a pouco me demonstrando que o caminho da luta armada não era viável – isso só levava ao sacrifício – e que era necessário implantar a democracia. A partir daí se firmaram as minhas convicções plenamente democráticas. Isso foi há uns 40 anos. Já é um bom tempo, acho que agora eu não mudo mais.

HV – O fato de o senhor nunca ter sido ligado a um departamento de história gerou, em algum momento, críticas ou resistências ao seu trabalho?

Fausto – Se houve resistência, eu não cheguei a conhecer. O que houve foi uma certa “marginalidade” dos circuitos universitários: dos congressos, dessa coisa toda. Isso realmente existiu, mas não acho que seja por preconceito. Foi porque eu estava fora do circuito. Então, de certo modo, eu fiquei à margem. Eu diria que o fato de não ter sido professor toda a vida – eu fui por dez anos – tem vantagens e desvantagens. A vantagem é você não ter de assumir toda uma carga burocrática e não dar aulas como rotina, o que eu acho sempre penoso. A desvantagem é você ser uma figura estranha no mundo de um departamento jurídico, o que me impediu muitas vezes de fazer viagens mais longas, como eu gostaria de fazer. Os afastamentos de um professor são naturais, são da sua carreira. Os meus eram duramente conquistados, e por prazos curtos.

HV – Vendo a sua produção como historiador, percebe-se uma preocupação muito grande em escrever obras acessíveis ao público. Isso está ligado à desilusão com a incapacidade do trotskismo de se comunicar com círculos mais amplos?

Fausto – Não sei, porque fazer uma história mais acessível tem muito a ver com a linguagem que você emprega, e a maioria dos trotskistas, incluindo a figura principal na América Latina, o camarada [Juan] Posadas, escrevia muito mal. O que não quer dizer que eu não tenha sempre gostado de buscar a clareza. Vou dizer francamente: a não ser na História do Brasil, que era uma encomenda destinada ao grande público, eu nunca penso “eu estou escrevendo para elucidar tais e tais coisas para um grande número de leitores”. Eu vou escrevendo da minha maneira, e calha, muitas vezes, para minha satisfação, de as pessoas dizerem que está claro, está bom, está fluido etc.

Fonte: História Viva