terça-feira, 30 de novembro de 2010

1854: Concessão do Canal de Suez

Calendário Histórico
1854: Concessão do Canal de Suez

A licença para o Canal de Suez foi assinada a 30 de novembro de 1854 pelo rei egípcio Said Pascha e dava ao engenheiro francês e visconde Ferdinand Marie de Lesseps a permissão de explorá-lo durante 99 anos. As obras foram iniciadas cinco anos mais tarde.

A ideia de ligar o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho é tão antiga que já havia ocupado os faraós no Egito. Também os romanos, quando invadiram a região, construíram vários canais ligando o sul até o delta do Nilo. O próprio Napoleão sonhou com um enorme canal ao marchar sobre o Egito com seus soldados em 1798.

Equipe sugeriu eclusas a Napoleão

Foi justamente um francês que concretizou a ideia: Ferdinand de Lesseps (imagem ao lado). Antes dele, outros engenheiros e cientistas haviam se ocupado com o planejamento de uma ligação entre os dois mares, mas fracassaram devido a um erro de cálculo de uma equipe encarregada por Napoleão, em 1800, que erroneamente havia sugerido a construção de eclusas. Embora as medições tivessem sido contestadas já em 1830, os engenheiros continuavam inseguros.

Convencido de que os níveis dos mares eram os mesmos, o ex-cônsul francês Lesseps não teve dificuldade em conquistar a simpatia do rei Said Pascha, seu amigo de infância, para o projeto. Lesseps passou um mês na corte do recém-coroado rei egípcio para conseguir a permissão da obra do Canal de Suez, em 30 de novembro de 1854.

Demorou mais cinco anos para que as obras fossem iniciadas. Primeiro, foi criada a Companhia Geral do Canal de Suez, que recebeu a concessão para administrar o canal por 99 anos. A obra foi iniciada dia 25 de abril de 1859. Dez anos depois, a 17 de novembro de 1869, o caminho que aproximava a Europa da Ásia era aberto à navegação.

Más condições de trabalho

Superlativo da técnica, a obra foi o maior projeto da navegação marítima mundial. No total, o canal foi construído com 171 quilômetros de comprimento, larguras que variavam entre 160 e 200 metros e uma profundidade média de 16,2 metros. O preço foi alto, também do ponto de vista da mão-de-obra. As condições dos trabalhadores forçados egípcios eram comparáveis às dos escravos que ajudaram a erguer as pirâmides.

Não demorou para que o canal se tornasse um pomo de discódia. Construído pelo francês Lesseps, os direitos da Companhia Geral passaram para os ingleses em 1875, já que o caminho marítimo diminuía em 10 mil quilômetros a distância até as colônias na Ásia. França, Inglaterra e Egito haviam decidido a neutralidade da área, mas a criação de Israel, em 1948, levou o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser a proibir a passagem de navios israelenses.

Nas guerras que se seguiram na região, o canal por diversas vezes foi bombardeado, bloqueado e inclusive fechado, em 1967. Durante oito anos, os europeus foram obrigados a contornar o Cabo da Boa Esperança para chegarem à Ásia. Só em 1975, o presidente egípcio Anuar el Sadat mandou reabrir o chamado Caminho da Confraternização.

Fonte: DW-world.de

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Conheça o acervo do AHR


O Acervo do Arquivo Histórico Regional está subdividido em seções, de acordo com a proveniência dos conjuntos documentais. Você poderá pesquisá-los on-line nos catálogos relacionados abaixo:

Arquivos de Comunicação Social
Conjuntos de periódicos editados pela imprensa, por empresas e associações: jornais, revistas, informativos, almanaques. São também as publicações não periódicas editadas sob a responsabilidade de órgãos da imprensa: coletâneas de literatura, manuais de redação, obras impressas em fascículos. São, ainda, as publicações não periódicas editadas pela imprensa, por empresas e associações com o objetivo de informar sobre atualidades e de noticiar eventos: álbuns comemorativos, álbuns de sociedade, guias turísticos.

Arquivos Públicos
Conjuntos de documentos produzidos por órgãos governamentais no exercício de suas atividades. São discursos, portarias, acórdãos, livros de protocolo, correspondências. No Arquivo Histórico Regional (AHR), você pode encontrar documentos produzidos pelos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – nos três níveis de sua atuação – federal, estadual e municipal. No nível estadual e municipal, o AHR concentra seu acervo exclusivamente na documentação produzida pelos governos do Rio Grande do Sul e de Passo Fundo.

Arquivos Sociais
Documentos produzidos por entidades coletivas de funções representativas, benemerentes ou educacionais. É a documentação pertencente a sindicatos, a universidades, a sociedades, a fundações. No AHR, você pode encontrar documentos produzidos por entidades com sede em Passo Fundo, tais como a Fundação Universidade de Passo Fundo, a Cruz Vermelha Brasileira – Filial Passo Fundo, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários e o Sindicato dos Empregados no Comércio de Passo Fundo.

Prefeitura Municipal de Lagoa Vermelha
São partes dos conjuntos de documentos produzidos no município de lagoa Vermelha – RS por órgãos governamentais (executivo, legislativo e judiciário) no exercício de suas atividades, no período entre o final do século XIX e a década de 1960. São exemplos os discursos, os editais, as portarias, os requerimentos da Prefeitura Municipal; o notariado do Juizado do Termo de Lagoa Vermelha ou as correspondências da Delegacia de polícia.

Secretaria das Obras Públicas do Rio Grande do Sul
Esse é o catálogo auxiliar que contem Mapas de lotes rurais da Divisão de Terras Públicas do Rio Grande do Sul, de sua sede no norte do estado.

Biblioteca Auxiliar
Consiste em uma relação da bibliografia auxiliar disponível para pesquisa. Sua catalogação está em fase final, sendo posteriormente disponibilizada para consulta virtual.

Arquivos Judiciários
Justiça do Trabalho de Passo Fundo - RS - 4ª Região
São processos da Justiça do Trabalho da cidade de Passo Fundo com datas entre os anos de 1983 e 1994. Até o ano de 1991 funcionava apenas a Primera Vara e em 1992 foi instalada a Segunda.

Comarca de Passo Fundo Comarca de Soledade
São processos da Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, das Comarcas de Passo Fundo e Soledade, em fase de organização. A primeira tem documentos desde os anos de 1930, mas é a partir da década de 1940 que está a marioria das peças, chegando até o ano de 1998. Na Comarca de Soledade a documentação compreende o período entre os anos de 1860 e 1980. São processos cíveis e criminais nas Varas de Órfãos e Ausentes, Primeira e Segunda, no caso de Soledade e da Primeira a Quintas Varas na Comarca de Passo Fundo.Disponibilizamos até o momento um catálogo provisório da Vara de Órfãos e Ausentes e da Primeira Vara de Soledade.

Instituto Histórico de Passo Fundo
São documentos constituintes do acervo do Instituto Histórico de Passo Fundo em que podem ser encontradas informações como relações de nomes e sobrenomes de famílias passo-fundenses que residiram nesta cidade a partir da segunda metade do século XX com informações sobre as pessoas, suas famílias, suas profissões, além de acontecimentos ligados às mesmas. Há uma cronologia de fatos políticos, econômicos e sociais ocorridos na cidade desde a primeira metade do século XIX até a o ano de 1957. E, ainda, a relação de algumas localidades, atualmente municípios e que, à época, foram Distritos da cidade de Passo Fundo. Neste conjunto de fichas podem encontrar-se informações sobre os distritos, tais como: sua criação, suas subdivisões, suas seções e sua toponímia. E, de forma mais geral, podem ser encontrados no acervo do IHPF: manuscritos, atas, publicações, fragmentos de texto, decretos, correspondências, relatórios, originais de publicações, estatutos, periódicos, documentos esses que contemplam o período entre as décadas de 1830 a 1990.

Arquivos Pessoais Acervo Mário Menegaz
O conjunto documental do ex-prefeito municipal Mário Menegaz faz parte do acervo do Instituto Histórico de Passo Fundo e é composto de documentos que constituíram partes de sua vida particular e pública a frente da política municipal e estadual.

Acervo Alfredo Custódio
Esse acervo contém material de publicidade, fotografias, letras de músicas ou mesmo rascunhos de jornais e revistas. Documentos que demonstram extratos da vida pública do maestro Alfredo Custódio entre as décadas de 1940 e 1960.

Acervo Zeferino Demétrio Costi & Cia. Ltda.
Documentação referente à empresa Z. D. Costi & Cia. Ltda. contendo documentos como mapas, correspondências, diplomas, plantas e projetos com datas que vão do final da década de 1940 até a década de 1980.

Há ainda conjuntos documentais em fase de conservação e organização que, no momento, estão disponíveis apenas para pesquisa física, nas dependências do AHR. São estes:
• Arquivos Pessoais;
• Acervo fotográfico.

Horário de Atendimento
O setor de pesquisa funciona de segunda à sexta-feira das 8 h às 11h e 30 min
e das 13 h e 30 min às 17h e 30 min.

Endereço
Rua Paissandu, 1756 - Centro
Passo Fundo - RS CEP: 99010-120
Próximo à Praça Tamandaré
http://www.upf.br/ahr/

29 de novembro de 1975 – Quarenta anos sem Fernando Pessoa


29 de novembro de 1975 – Quarenta anos sem Fernando Pessoa
Enviado por: Alice Melo

Na véspera do quadragésimo aniversário de morte do poeta português Fernando Pessoa, um dos maiores escritores do século XX, o Jornal do Brasil fazia em suas páginas uma saudosa homenagem ao autor. Nos dias que se seguiriam, em várias partes do Brasil ocorreriam homenagens populares e acadêmicas ao poeta que conseguia captar e expressar os mistérios mais profundos do ser humano.

Na madrugada do dia 29 para o dia 30 de novembro de 1935, Fernando Pessoa era quase um anônimo quando uma crise hepática, em decorrência dos excessos de álcool, tirava-lhe a vida. Vivia do minguado salário de correspondente comercial e poucos conheciam seu nome e talento de artista. Sua vasta obra permanecia quase inteiramente inédita.

Curioso, Pessoa interessou-se pelas mais diversas manifestações do espírito humano. E para desafogar-se das pressões do seu espírito rico de facetas, teve de desdobrar-se em toda uma série de personalidades criadoras, cada uma com voz própria, embora no conjunto todos formem uma grande e poderosa unidade. A obra de Pessoa foi sendo publicada pouco a pouco depois de sua morte, despertando admiração e provocando uma quantidade crescente de estudos nas mais diversas línguas.

Foram mais de 72 heterônimos, tendo sido o primeiro criado quando o autor ainda era criança. Foram quatro, no entanto, que se tornaram mais célebres: Alberto Caeiro, conhecido como poeta-filósofo, apesar de pregar uma “não-filosofia”; Ricardo Reis, o poeta clássico, harmônico e bucólico; Álvaro Campos, o poeta de veia niilista e pessimista; e Fernando Pessoa Ele mesmo, o homem político, histórico, cuja principal obra se concentra em Mensagem.

Foram necessários quase 40 anos para que essas faces viessem à luz revelando toda a sua complexidade literária, já que a obra de Pessoa passou vários anos condenada pela ditadura de Salazar.

“Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus”

(Alberto Caeiro, 1913-1915)

Fonte: JBlog

sábado, 27 de novembro de 2010

27 de novembro de 1985 – Emenda abre caminho para a nova Constituição


27 de novembro de 1985 – Emenda abre caminho para a nova Constituição
Enviado por: Alice Melo

Por meio da 26ª emenda constitucional, foi convocada oficialmente a Assembléia Constituinte pelo então presidente Senado, José Fragelli, diante de um Plenário lotado. O objetivo desta Assembléia era elaborar a nova Carta democrática brasileira, a qual extinguiria a Constituição militar e autoritária de 1967, incluindo em seus artigos cobiçadas leis como a que diz respeito à liberdade de imprensa e opinião, ou a referente à eleição direta e secreta para Presidente da República e todos os outros cargos do Executivo.

“No Brasil, o século histórico não condiz ao século cronológico. Tanto que com isso [a promulgação] estamos antecipando política e socialmente o século 21”, declarou o presidente do Senado após ter sido entoado o Hino Nacional e ter sido declarada promulgada a emenda pelo mesmo.

A Câmara dos Deputados, nessa ocasião, contava com congressistas e convidados, entre os quais estavam os presidentes de Assembléias Legislativas, ministros e representantes do Corpo Diplomático, em celebração ao ato histórico, conseguido após árdua luta social e política no país. Autor da idéia de convidar diplomatas estrangeiros, o então presidente da Casa, deputado Ulysses Guimarães, disse que “queria dar conhecimento ao mundo do grande feito brasileiro”. Neste dia, o Brasil dava mais um grande passo rumo à total redemocratização, após mais de duas décadas de um repressor regime militar.

Ulysses, o orador mais aplaudido, fez um discurso curto para dizer que estava realizado seu “grande sonho de 21 anos”. Ele, junto com Tancredo Neves, foi peça fundamental nos esforços de implementar a redemocratização do Brasil, na promissora década de 1980.

A nova Constituição da República, conhecida como Cidadã, foi promulgada em 1988, abrindo espaço para a feliz conclusão do processo de redemocratização, que se deu na realização das eleições livres, diretas e secretas para a Presidência, em 1989.

Fonte: JBlog

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Vídeo de divulgação PPGH

video



I Fórum do Curso





Ontem foi realizado o I. Fórum do Curso de História da UPF. Este evento encerra a série de 3 Reuniões de Avaliação e Planejamento, empreendidas nos primeiros semestres de 2010, com a discussão e indicativos das questões apontadas anteriomente por professores e acadêmicos do curso.

O Fórum teve, como primeiro momento, uma análise d´O Perfil Acadêmico: realidade e desafios. Tal proposta esteve pautada na fala da Profª Dr. Maria Aparecida T. Estacia, do curso de Psicologia da Universidade.

Na sequência representantes de turmas trouxeram as considerações ponderadas em cada nível ali representado. As falas e propostas serão consideradas, sobretudo, para a análise e possível atualização do currículo 3510, em desenvolvimento, assim como para uma reflexão pormenorizada do Projeto Político-Pedagógico do Curso e o estabelecimento de diretrizes para o ano letivo de 2011.

Agradecemos a participação de professores e acadêmicos.
Coletivamente faremos um curso sempre melhor!

1942: "Casablanca" é exibido em pré-estreia


Calendário Histórico
1942: "Casablanca" é exibido em pré-estreia

Filme só estrearia na Alemanha 10 anos mais tarde
Exibido pela primeira vez em 26 de novembro de 1942, em Nova York, o filme em preto-e-branco "Casablanca" é considerado um dos maiores clássicos da história do cinema.

"Assisti a Casablanca mais uma vez recentemente, após longo tempo. Nos Estados Unidos, ele passa toda semana na televisão. Eu ainda acho o filme incrivelmente ágil; não há monotonia. O filme tem tudo: heroísmo, romantismo e muitos artistas fantásticos em papéis pequenos", comentou certa vez a atriz Ingrid Bergman, falecida em 1982.

Mas não foi apenas a comovente história de amor entre a beldade antifascista Ilsa Lund e o honesto dono de bar Rick Blaine (interpretado por Humphrey Bogart) que tornou o filme tão popular até hoje.

No business like war business

Passada a tão festejada noite de gala, dia 26 de novembro de 1942 em Manhattan, Nova York, a película ficou de início relativamente esquecida. Porém um bom motivo a trouxe de volta ao cartaz nos cinemas dos Estados Unidos, dois meses depois.

Com a entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial, ao lado dos Aliados, em dezembro de 1941, filmes que criticavam a Alemanha nazista haviam ganhado prioridade em Hollywood. Para melhor promover a produção, a Warner Brothers adiou propositalmente seu lançamento em circuito comercial para o dia de encerramento da Conferência de Casablanca, em 26 de janeiro de 1943.

Foi nesta que o primeiro-ministro britânico Winston Churchill e o presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt acertaram que a guerra só poderia terminar com a capitulação incondicional de Alemanha, Itália e Japão.

Prêmios e clichês

A estratégia de marketing deu certo. Casablanca foi um sucesso de público e conquistou três Oscars, entre eles o de Melhor Filme de 1943.

Em 1992, Lauren Bacall, o grande amor e última esposa de Humphrey Bogart, perguntava-se mais uma vez por que a história de 1942 tanto atraía a todos, mesmo com o passar dos anos. Seria o espírito do patriotismo em tempo de guerra, ou intrigas e perigos num local misterioso do deserto, ou o desespero dos apaixonados presos numa armadilha em Casablanca?

Os diálogos sob medida e várias insinuações sutis certamente impulsionaram a fama de Casablanca. Não há como negar que a película é repleta de clichês e absurdos, contudo isso não conseguiu até hoje manchar sua aura.

Por exemplo, os vistos no passaporte para a viagem a Lisboa trazem a assinatura de Charles de Gaulle, ou seja, exatamente do homem que liderava o movimento de resistência francesa contra o governo de Vichy, colaboracionista com os nazistas. E Victor Laszlo, que havia acabado de fugir de um campo de concentração, andava para lá e para cá sempre vestido com um bem passado terno tropical da alta costura parisiense.

Adulterado na Alemanha

Por ironia do destino, europeus que fugiram do continente devido à perseguição nazista interpretaram no filme tanto os papéis dos refugiados como também dos homens da SS alemã.

Para Humphrey Bogart, Casablanca foi o ponto máximo de sua carreira: o aventureiro desiludido tornado anti-herói, cinicamente calmo. Um homem de ação, como o comissário Louis Renault, da polícia francesa, atestava no seguinte diálogo na tela:

Rick Blaine: "Louis, como assim você acha que eu poderia me interessar em ajudar Laszlo a fugir?"

Louis Renault: "Porque eu, meu querido Rick, suspeito que por trás deste ar cínico bate um coração sentimental. Você pode rir à vontade, mas estou me orientando exatamente por seu passado. Deixe eu apenas destacar dois momentos: em 1935, você contrabandeava armas para a Etiópia; em 1936, lutou na Espanha contra os fascistas."

Casablanca só foi estrear nos cinemas alemães em 1952. No entanto, numa versão abreviada e adulterada de tal forma através da dublagem, que o filme ficou desfigurado. Todas as referências ao nazismo haviam sido eliminadas. E a figura de Laszlo, membro da resistência, fora transformada em físico nuclear norueguês. A Guerra Fria dos tempos de Adenauer se apoderara, a seu jeito, do passado.
Michael Marek (mw)
Fonte: DW-world.de

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

História e Futebol em debate no MHR



Nesta quinta-feira acadêmicos do curso de História participaram da conferência "A história social do futebol", proferida pelo prof. Gerson Wasen Fraga (UFFS-Erechim) e promovida pelo Museu Histórico Regional (MHR). A atividade integra a mostra Além das quatro linhas, que pode ser visitada até 30 de janeiro de 2011 no MHR.

1965: Mobutu dá golpe e se torna presidente do Congo


Calendário Histórico
1965: Mobutu dá golpe e se torna presidente do Congo
Eminência parda do governo, o chefe das Forças Armadas da República Democrática do Congo resolve assumir ele próprio, em 25 de novembro de 1965, o comando de um dos países mais ricos em recursos naturais da África.

No bar do Hotel Memling, na então Leopoldville, o ar estava úmido e sufocante, como sempre antes das chuvas. Alguns jornalistas estrangeiros tomavam uma cerveja gelada. Em 1960, havia muito o que noticiar a respeito da República Democrática do Congo.

Poucas semanas antes, no dia 30 de junho, o país conseguira sua independência da Bélgica. Desde então não havia sinais de paz. O governo estava nas mãos do jovem carismático Patrice Lumumba, um simpatizante da União Soviética, o que fazia com que ele fosse considerado "uma pedra no sapato" não só pelos americanos.

Um oficial entrou e anunciou aos jornalistas: "Meus senhores, nesta tarde vou prender o primeiro-ministro e nomear um novo governo". Os repórteres já conheciam esse homem. Tratava-se de um coronel de 29 anos, o comandante da Força Pública. Seu nome: Joseph Désiré Mobutu. A questão era, no entanto, quem estaria por detrás dele.

Carreira militar

Após passar algum tempo numa escola de missionários, o filho de cozinheiro e empregada doméstica, nascido em 1930, exerceu as mais diversas atividades – de contador a jornalista. Aos 19 anos, entrou para o Exército, tendo se tornado segundo sargento: a patente mais alta que a metrópole belga concedia a um negro. Além disso, Mobutu ganhou espaço no partido do futuro primeiro-ministro Lumumba.

Em 1960, quando a independência se aproximava, o balanço dos tempos coloniais mostrava resultado devastador. A Bélgica havia sugado o Congo como uma laranja. Milhões de congoleses morreram vítimas do domínio estrangeiro.

Em mais de 70 anos de poder sobre a colônia, os belgas sufocaram o surgimento de uma elite intelectual nacional. Nesse período, apenas dois cidadãos congoleses conseguiram se formar numa universidade europeia. Os negros eram vistos, na melhor das hipóteses, como vigilantes ou capatazes.

Nestas condições, a República Democrática do Congo defrontou-se com a independência sem o menor preparo. Rico em recursos naturais, o país tornou-se palco da Guerra Fria. Na visão das grandes empresas norte-americanas, Lumumba, o primeiro governante eleito diretamente, mantinha-se muito à esquerda. Na pessoa do inescrupuloso Mobutu, foi encontrado o defensor ideal dos interesses do Ocidente.

Eminência parda

O anúncio de Mobutu aos jornalistas do hotel, de que Lumuba seria derrubado no mesmo dia, foi realmente concretizado. O primeiro-ministro foi então substituído por um novo governante, manipulado como marionete por Mobutu. Ao tentar fugir para o leste do país, Lumumba seria algumas semanas mais tarde preso e assassinado.

O próprio Mobutu passou os anos seguintes na função de eminência parda do país, ocupando oficialmente a posição de chefe das Forças Armadas.

A situação continuou assim até 1965. Cinco anos após a independência, o país ainda não havia encontrado a paz. Tumultos, motins e movimentos separatistas, principalmente nas províncias Katanga e Kasai, ricas em cobre, enfraqueciam a economia e fragilizavam o país.

Washington, em especial, ansiava por maior estabilidade na região, pois, apesar de tudo, a República Democrática do Congo continuava a deter enormes reservas naturais de cobre e urânio.

Em 25 de novembro de 1965, Mobutu assumiu o poder oficialmente, através de um golpe de Estado, dissolvendo o Parlamento e anulando a Constituição. O novo chefe de governo, que chegava ao poder pela força, justificava sua ação de forma simples: "Uma aldeia não pode ter dois chefes. Duas ou três cabeças em um só corpo, para nós africanos, seria algo monstruoso".

Corrupção

Comunistas e nacionalistas passaram a não exercer nenhum papel a partir de então. A economia levou proveito de início, uma vez que greves indesejadas eram reprimidas de imediato. Mobutu governava como um senhor feudal – com um mínimo de violência e um máximo de corrupção.

Se comparado a ditadores como Idi Amin ou Bokassa, Mobutu pode ter provocado menos derramamento de sangue, mas o sistema de roubo e exploração instaurado por ele foi indiretamente responsável por um número de mortos milhares de vezes maior.

Outra característica de sua estratégia foi a conclamação à "africanização" do povo congolês. Tudo o que era ocidental passou a ser proibido. Nomes cristãos foram eliminados. O próprio Mobutu assumiu o novo nome de Sese Seko, que significa "aquele que pula de vitória em vitória". A República Democrática do Congo passou a se chamar Zaire e a capital do país, Kinshasa, em vez de Leopoldville.

Mobutu Sese Seko revelou-se um camaleão no cenário da política internacional, tendo deixado um sem-número de vezes de cumprir sua palavra perante o Banco Mundial e o FMI. Apesar disso, ainda foram concedidos a ele empréstimos em forma de assistência aos países em desenvolvimento, inclusive por parte da Alemanha. Mobutu desviava assiduamente parte do dinheiro para seu próprio bolso.

Sua fortuna foi avaliada em cerca de 8 bilhões de dólares, enquanto a população do país empobrecia cada vez mais. Em meados dos anos 90, aproximava-se no entanto seu fim.

Quando, em 1997, Mobutu foi destituído por Laurent Kabila, a economia do país encontrava-se como 40 anos antes. As estradas haviam sido praticamente destruídas e a maioria dos 46 milhões de congoleses não conhecia nem telefone nem água encanada. Mobutu exilou-se no Marrocos em 1997, onde morreu alguns meses depois, vítima de um câncer.

Oliver Ramme (sv)

Hoje na História: 1867 - Alfred Nobel registra a patente da dinamite

25/11/2010 - 07:30 | Max Altman | São Paulo Hoje na História: 1867 - Alfred Nobel registra a patente da dinamite

Quando a Europa proibiu a venda e a circulação da nitroglicerina, considerada muito instável, portanto perigosa, Alfred Nobel encontrou um meio de vendê-la de outra forma, depositando no organismo de patentes esta fórmula em 25 de novembro de 1867. Com efeito, descobriu que podia misturá-la a uma argila especial e adotar a forma de bastão. Nobel decidiu, pouco antes de sua morte, que a fortuna amealhada graças a esta invenção deveria servir para recompensar as pessoas que prestassem grande serviço à humanidade.

O industrial e químico sueco Alfred Nobel mandou redigir em 27 de novembro de 1895 seu testamento em Paris. Nesse documento, estipulou que a fortuna acumulada recompensaria anualmente benfeitores da humanidade em cinco domínios distintos: física, química, psicologia e medicina, literatura e paz. O texto está depositado nos cofres de um banco em Estocolmo. Nobel morreria um ano depois na Itália.

A criação dos Prêmios Nobel ocorreu por acaso. Quando faleceu o irmão caçula de Nobel, Emil, um jornal publicou um longo obituário de Alfred, por engano, acreditando que fora ele a falecer. Assim, Nobel teve uma oportunidade concedida a poucas pessoas: ler seu próprio obituário ainda em vida. Aquilo que leu o horrorizou. O jornal o descreveu como um homem que tornara possível matar mais pessoas, mais rapidamente, que qualquer outro na história da humanidade. Naquele momento, Nobel percebeu duas coisas: que ele seria lembrado daquela maneira, e que não era assim que ele desejava ser lembrado.

Alfred Bernhard Nobel fez seus primeiros estudos em Estocolmo e na cidade russa de São Petersburgo, onde o pai, engenheiro, instalou uma fábrica de nitroglicerina. Aos 16 anos, já era um químico competente. Depois de completar a especialização em química, na França, empregou-se nos Estados Unidos. De volta a São Petersburgo, trabalhou na fábrica do pai, onde tentou aperfeiçoar a nitroglicerina líquida, inventada em 1846 pelo italiano Ascanio Sobrero.

Após a falência do estabelecimento do pai, em 1859, Alfred Nobel voltou à Suécia e trabalhou na fabricação de explosivos à base de nitroglicerina líquida. A morte de seu irmão foi provocada por um acidente com a substância. Proibido pelo governo de reconstruir a fábrica e estigmatizado como "cientista louco", Nobel continuou a pesquisa de um modo de minimizar o perigo de manusear a nitroglicerina.

Desses estudos, resultaram a dinamite e o detonador, bem como o desenvolvimento de um explosivo mais poderoso, a nitroglicerina gelatinizada. Nobel tornou-se milionário com suas patentes e com a exploração de poços petrolíferos na Rússia.

A despeito de não ter completado a instrução formal secundária e terciária, Nobel, a par de sua especialização pragmática em química, ganhou fluência em seis idiomas: sueco, francês, russo, inglês, alemão e italiano. Desenvolveu também habilidades que o permitiram escrever poemas em inglês. Nobel foi eleito membro da Academia Real Sueca de Ciências em, a mesma instituição que mais tarde iria selecionar os laureados para dois dos Prêmios Nobel, tendo recebido, por outro lado, doutorado honor is causa da Universidade de Upsala em 1883.

Sem filhos e abalado com a utilização de seus inventos para fins bélicos, legou seus bens a uma fundação encarregada de premiar aqueles que se destacassem por sua contribuição para o bem de humanidade. Criava, assim, o mais importante prêmio do mundo, concedido anualmente, hoje em dia, a personalidades que tenham contribuído para o progresso da física, química, medicina, literatura e economia, ou para o desenvolvimento da paz no mundo.

Alfred Nobel está enterrado em Norra Begravningsplatsen em Estocolmo.

Fonte:Opera Mundi

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Missões jesuíticas do Paraguai: uma sociedade alternativa


Para o jornalista e historiador Tau Golin, a experiência missioneira representou uma alternativa no interior do mundo colonial aos indígenas
Por: Patricia Fachin

Segundo Tau Golin, as missões jesuíticas constituíram um bloqueio espanhol ao expansionismo lusitano, em uma aliança com o indígena. A partir das missões, criadas entre o projeto missional jesuítico e o interesse indígena, “formou-se uma sociedade alternativa ao colonialismo, apesar de sua determinação colonial. Essa sociedade de fronteira formou-se com base na ‘propriedade coletiva do povo’, mantendo igualmente os espaços de uso da família extensa e suas relações de parentesco”. De acordo com o historiador, “na guerra que pôs fim a experiência missioneira, os colonialismos ibéricos a justificaram como uma obra que criava espaços autônomos”. A entrevista foi concedida por e-mail à IHU On-Line.

Tau Golin participou do XII Simpósio Internacional IHU – A experiência missionieira: território, cultura e identidade, apresentando o minicurso A guerra guaranítica. Graduado em História, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Tau Golin é mestre em História do Brasil, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, e doutor em História, pela mesma instituição. É também mestre em navegação pela Marinha do Brasil e professor de vela pela International Sailing Federation (Federação Internacional de Vela). Atualmente, é professor na Universidade de Passo Fundo. É autor de, entre outros, A ideologia do gauchismo (4. ed. Porto Alegre: Tchê!, 1983), Por baixo do poncho: contribuição à crítica da cultura gauchesca (Porto Alegre: Tchê!, 1987) e O povo do pampa (Porto Alegre: Sulina; Passo Fundo: UPF Editora, 1999). É um dos autores do Manifesto contra o Tradicionalismo, reflexões sobre o movimento tradicionalista na sociedade gaúcha. O texto do manifesto pode ser consultado no sítio do IHU (http://bit.ly/XtDin), nas Notícias do Dia de 16-04-2007, no qual se encontra também uma entrevista sobre o tema com o jornalista Tau Golin.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Quais os principais aspectos históricos que marcaram a Província Jesuítica do Paraguai?
Tau Golin - O projeto missioneiro consubstanciou a projeção da sociedade europeia na América colonial. Uma extensão da cristandade. Todavia, no cotidiano da redução, inserida na territorialidade vivida do indígena, povos tradicionais anímicos, a religiosidade atingiu um hibridismo típico de uma expressão de fronteira involucrada, com diversos fenômenos nos mais distintos recintos – na liturgia oficial da igreja; nas capelas das famílias extensas; nas irmandades; nos postos das estâncias, ervais e lavouras, onde, no geral, os próprios índios se encarregavam do culto, misturando-o com práticas ancestrais, elaborando um catolicismo indígena, americano (e depois, caboclo), muitas vezes prosseguindo com celebrações xamanistas com os pajés das aldeias tradicionais, que permaneceram existindo paralelamente ao projeto jesuítico-indígena. Do ponto de vista geopolítico, as Missões constituíram um bloqueio espanhol ao expansionismo lusitano, em uma aliança com o indígena, no geral ameaçado pelo mesmo inimigo, o bandeirante, cujas bandeiras e entradas aumentavam os domínios de Portugal e escravizavam especialmente o guarani agricultor, mão de obra valorizada nas lavouras.
Sendo uma sociedade formada entre o projeto missional jesuítico e o interesse indígena, com o passar do tempo, formou-se uma sociedade alternativa ao colonialismo, apesar de sua determinação colonial. Essa sociedade de fronteira formou-se com base na “propriedade coletiva do povo”, mantendo igualmente os espaços de uso da família extensa e suas relações de parentesco. Na guerra que pôs fim à experiência missioneira, os colonialismos ibéricos a justificaram como uma obra que criava espaços autônomos.

IHU On-Line - Como se deu o processo jesuítico na Província do Paraguai? Em que consistia o projeto missioneiro?
Tau Golin - Aparentemente, consistiu num projeto catequético submetido ao interesse do rei e do papado. Entretanto, o catequizado pertencia às sociedades indígenas, com formas de poder e crenças, cujas funções estavam milenarmente constituídas. Para esses povos indígenas animistas, a existência não possuía uma divisão entre o natural e o sobrenatural do europeu. Eles também tinham seus especialistas da magia, na explicação dos fenômenos naturais, das causas e curas das doenças, da individuação da propriedade dos elementos da natureza; os intérpretes dos sonhos e dos mistérios, os guardiões da memória. Por isso, o primeiro embate dos jesuítas foi com os pajés. Entre eles havia o conflito pela representação do sagrado, da medicina e da memória. Os mártires jesuíticos surgiram justamente deste embate. Entretanto, a visão política dos morubixabas na aliança com os padres precisou afastar da estrutura da redução a figura oficial do pajé. A partir de então, as “unidades” missioneiras puderam ir surgindo, mas sempre mantendo suas multiplicidades, caracterizando-se como sociedades de fronteira: a “unidade” jesuítica, a associação de famílias extensas entre parcialidades de “etnias”, entre manutenção de relações de parentesco com famílias de outras reduções e com grupos que continuavam a tradição da aldeia; as legitimações sociais na emanação do complexo da igreja, oficinas e colégio; as formações das irmandades; a formação do cabildo, órgão de poder colonial para a administração, a justiça e a milícia, formado por um colegiado de “caciques”. Estas transversalidades fizeram das reduções sociedades de permanente negociação interna e externa.

IHU On-Line - Por que o senhor considera a Província Jesuítica do Paraguai a mais consistente alternativa social do período colonial?
Tau Golin - Na aliança entre projeto colonial da catequese de fronteira, com o fechamento à “contaminação” colonial pela presença do povoador no mundo missioneiro, e a preservação da estrutura social e de ocupação do espaço do indígena, se potencializou uma sociedade planejada mediada por dois “coletivos”, as propriedades da corporação da igreja e a da família extensa indígena tradicional. Elevadas à unidade da redução, atingiram uma socialização totalizante que podemos denominar como “propriedade coletiva do povo”. Por outro lado, o colonialismo possuía a “propriedade do Estado”, do rei, de onde advém a classificação de bens “reiunos” – cavalhadas, estâncias, terras, edifícios públicos, etc. – e a “propriedade particular”. Porém, as propriedades estatais e particulares constituem uma unidade de organização social complementar. A redução também integrou esta totalidade. Entretanto, com o passar do tempo passou a representar uma perigosa autonomia.

IHU On-Line - Que aspectos motivaram a deflagração da Guerra Guaranítica (1753-1756)? Quais as consequências para os indígenas e como esse acontecimento reflete a realidade das comunidades atualmente?
Tau Golin - A causa é geopolítica. Em 1750, as coroas ibéricas assinaram o Tratado de Madri com o objetivo de organizar as fronteiras entre seus domínios, causas de guerras que exauriam Portugal e Espanha. Na América do Sul, procuraram solucionar um foco de tensão, a Colônia do Santíssimo Sacramento, à margem do Rio da Prata (atual Colônia, no Uruguai). Este reduto era um enclave português instalado em 1680, plataforma de interesses internacionais para a prata e o ouro das minas espanholas, que desciam pelas vias dos rios Paraná e Paraguai, além de praticar o comércio de diversas formas. Desde sua fundação, ocorreram guerras de repercussões internacionais, com devoluções determinadas pelos tratados, etc. A solução acordada pelos reinos foi trocar a Colônia do Sacramento por sete cidades e terras missioneiras existentes a oriente do rio Uruguai (atual Rio Grande do Sul e norte do Uruguai), que faziam parte da Província Jesuítica do Paraguai, território colonial espanhol. Inicialmente, a Companhia de Jesus procurou revogar os artigos que determinavam a permuta. Entretanto, os reinos os mantiveram e as comissões demarcatórias foram constituídas para executar o Tratado. Em 1753, marchando desde Castillos Grandes (Uruguai), quando elas chegaram a Santa Tecla, terras da estância do povo de São Miguel, a milícia indígena não permitiu a sua passagem. Os demarcadores se retiraram para a Colônia do Sacramento (portugueses) e para Buenos Aires e Arraial de Veras (espanhóis). No ano seguinte, os governadores Gomes Freire de Andrada (Rio de Janeiro) e José de Andonaegui (Buenos Aires) se reuniram em uma ilha do Rio da Prata e decidiram realizar uma campanha militar aos Sete Povos para transladar/expulsar os índios para a margem ocidental do rio Uruguai. No lugar, Portugal projetara formar a Província das Missões, com povoadores açorianos, que já estavam nos portos de Viamão (Porto Alegre), de Rio Grande e de Santa Catarina, aguardando para ocuparem seus lotes, além de paulistas, que esperavam espalhados pelo caminho de Vacaria.

IHU On-Line - Quais são as principais causas da destruição do projeto missioneiro?
Tau Golin - A partir do levante indígena de seis povos (São Borja não participou) e o socorro posterior de outros da margem ocidental do rio Uruguai e parentes das famílias extensas rebeladas, a Guerra Guaranítica ocorreu através de duas campanhas militares, o primeiro plano de guerra executado parcialmente em 1754 e, o outro, vitorioso, em 1756. Os episódios militares são muitos, abrangendo todo o território, com combates e escaramuças em Rio Pardo, Rio Guaíba, Rio Jacuí, Rio Daymal, área do Vacacaí Mirim, Boca do Monte, Churiebi, etc. Entretanto, foi a Batalha de Caiboaté , de 10 de fevereiro de 1756, que derrotou completamente os sublevados. Com os missioneiros já derrotados, os oficiais das tropas regulares, com muito custo, inclusive com execuções, conseguiram conter a mortandade guarani. A causa principal se deveu as formações dos exércitos, em particular do espanhol, com uma maioria de “paisanos”, a soldo dos latifundiários de Santa Fé e Corrientes, e outros particulares, com base no contrato de saque feito com os generais ibéricos. A forte presença das companhias de gaudérios (gaúchos) sanguinários, formadores da bandidagem dos campos, consumou a barbárie de Caiboaté, cujas mortes em batalha e execuções depois da rendição deixaram mais de mil e quinhentos índios mortos, além de 154 prisioneiros. Poucos conseguiram fugir. Desde a origem das reduções os bandeirantes e, depois, os gaúchos foram os seus sistemáticos inimigos. Os gaúchos, grupo social que se formou e se identificou no processo de arreadas e roubos dos gados das estâncias missioneiras, sempre atacaram suas propriedades, roubaram e estupraram as mulheres indígenas. Patrocinados pelos latifundiários, na Guerra Guaranítica, a gauderiada culminou seu processo existencial de banditismo contra os missioneiros com a chacina de Caiboaté.

IHU On-Line - Por que considera a Guerra Guaranítica como o tema mais trágico da história missioneira?
Tau Golin - Derrotados os guarani rebeldes, o exército espanhol iniciou o processo de translado, ou seja a retirada dos missioneiros (entendidos como índios “cristianizados”) do território para entregá-lo a Portugal. As parcelas se dividiram. Enquanto algumas famílias concordavam, milhares seguiam escoltadas, mas, assim que podiam retornavam às suas cidades, às estâncias e chácaras, ou refugiavam-se no mato. Outros caciques culpavam os espanhóis e jesuítas. Em 1757, o general Gomes Freire desistiu de permanecer em Santo Ângelo para receber as Missões e se retirou para Rio Pardo. Secretamente acertara com centenas de famílias guarani a doação de terras para formar aldeias em território português. Dentre elas, a mais conhecida é a Aldeia dos Anjos, origem de Gravataí.
Por fim, o Tratado de Madri se mostrou inviável e foi revogado em 1761 pelo do Pardo. Um inquérito espanhol sobre a sublevação concluiu pela culpa dos jesuítas. Assim como ocorrera no Brasil em 1759, a Companhia de Jesus foi expulsa em 1767, com a retirada dos padres até 1769. Outras ordens religiosas foram mandadas para as Missões, as quais deveriam se encarregar somente da questão religiosa. A administração passou para o Estado, através de militares/funcionários públicos. Gradativamente, a corrupção, a venda das terras indígenas para particulares, a invasão de aventureiros e a formação de latifúndios pelos militares que se converteram em estancieiros foram transformando o espaço missioneiro num povoamento colonial, com a posse da terra transferida para particulares, além da propriedade do Estado das cidades, cujos prédios indígenas, mas tarde, foram arrendados e depois vendidos. As habilidades dos missioneiros em diversos ofícios – música, marcenaria, olaria, construção, agricultura, pecuária, soldados, navegação, etc. -, os integraram na sociedade colonial, ocorrendo, a partir de então, impressionante processo de guaranização, ou indianização, da população. Paralelamente, boa parcela continuou com o sistema de famílias aldeadas, ou em acampamentos, reintegrando-se ao sistema de aldeias tradicionais. Entretanto, no geral, eram grupos intermediários entre a aldeia tradicional e a sobrevivência ao mundo colonial, vivendo em suas proximidades e em contato com ele, para o qual, aos poucos, foram convergindo e formando seus extratos subalternos.

IHU On-Line - Em que sentido a experiência de organização social missioneira dos séculos XVII e XVIII marcou as gerações futuras?
Tau Golin - A experiência missioneira representou uma alternativa no interior do mundo colonial aos indígenas. Com a sua destruição organizacional, o indivíduo dessa sociedade indianizou o povoamento quanto ao modo de vida e a escolha posterior de acervos identitários. Quando alguém se define como missioneiro, contemporaneamente, está tomando duas heranças, em conjunto, ou de maneira separada: a da guaranização/indianização, sucedânea étnica e cultural mestiça; ou patrimonial, como ser de um espaço simbolizado pelo passado jesuítico-indígena. São aspectos do fronteirismo brasileiro, uruguaio, argentino e paraguaio.

Fonte: IHU On-line

Memórias do AHR: A Ferrovia

22 de novembro de 2010

A chegada dos trilhos em Passo Fundo

A introdução das ferrovias no Brasil movimentou capitais e estabeleceu formas de contratos em que as garantias de juros sobre o capital investido na construção, o direito de exploração da faixa de terras contíguas ao longo da linha férrea, o direito de exploração comercial e a subvenção quilométrica deram o significado e o sentido histórico de sua construção.

A estrada de ferro de Passo Fundo foi inaugurada em 1898. A chegada da ferrovia deu um novo impulso à região norte do Rio Grande do Sul, que estava ainda bastante isolada do restante do estado e que, com a linha de trem, se conecta com mais facilidade e agilidade também com o restante do país. Porém, nos primeiros tempos ela foi deficitária; ocorriam inúmeros acidentes e reparos constantes contribuíam para aumentar os prejuízos.

A ferrovia foi construída tendo vários objetivos, entre eles destacam-se a integração do Sul ao Centro do país, e a promoção da colonização do território da região Sul. No início o movimento na estação de Passo Fundo era tão pequeno, que entre os vagões que partiam uma vez por semana para Cruz Alta, só havia um para passageiros, e ainda assim este era dividido para abrigar a primeira e segunda classes. A partir de 1909 a viagem passa a ser diária.

Muitos fatos marcaram a história da ferrovia, como greves dos operários da Viação Férrea. Em 1917, onde houve confrontos com as forças militares, quando os trabalhadores reivindicavam seus direitos. Além da questão trabalhista, outros problemas foram enfrentados, como os altos preços das tarifas, a falta de trens e a diversidade de acionários da rede ferroviária.

A cidade de Passo Fundo e as localidades por onde passava o trem, cresciam e se expandiam, pois muitos colonos que viviam na Colônia Velha foram para outras cidades em busca de uma vida melhor. A ferrovia que ligava Passo Fundo a Marcelino Ramos, foi um elo entre vários estados como se fosse uma espinha dorsal de ligação, trazendo muitos benefícios para o norte do Rio Grande do Sul.

A estação férrea trouxe muitos benefícios para a população e para a cidade de Passo Fundo, mas trouxe também desencantos e controvérsias. Muitas pessoas enriqueceram com a linha férrea, mas outras só trabalharam e pouco ganharam. Houve muitas greves por parte dos ferroviários, reivindicando seus direitos, o que foi um dos motivos de sua decadência. A ferrovia, que ligou Passo Fundo ao restante do Brasil, entrou em decadência, deixando de transportar passageiros no início dos anos 80. O declínio da ferrovia está ligado ao processo mais amplo da opção por uma política rodoviarista no Brasil. As ferrovias tiveram grande impacto na vida das pessoas e da própria cidade, em especial, a decadência da linha férrea no município contribuiu para o agravamento de vários problemas, como desemprego, desestruturação familiar, violência, diminuição da qualidade de vida.

Em 1997 a ALL (América Latina Logística) assumiu a concessão da linha e atualmente a retomada da ferrovia passa pela proposta de criação de uma empresa pública a Ferrosul, pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, visando construir e gerenciar uma nova linha férrea, que pode novamente inserir Passo Fundo na rede logística que corta o sul do país.


Lucélia da Rosa e Fernanda Motta
Acadêmicas do Curso de História da UPF
Fonte: Acervo AHR

24 de novembro de 1991 – Morre Freddie Mercury


24 de novembro de 1991 – Morre Freddie Mercury: "Carmen Miranda do rock"
Enviado por: Alice Melo

Um dia depois de anunciar publicamente ser vítima da AIDS – o grande mal disseminado nos anos 1980 -, o vocalista e líder da banda inglesa Queen, Freddie Mercury, morreu de broncopneumonia, aos 45 anos, em sua casa na Inglaterra. A morte de Freddie engrossou a lista das vítimas célebres da doença e colocou fim à bem sucedida trajetória do Queen. Desde o início de sua carreira, em 1971, o grupo mantinha a mesma formação, com Mercury, Brian May (guitarra), Roger Taylor (bateria) e John Deacon (baixo). Freddie deixou de herança para sua amiga Mary Austin uma fortuna calculada em 50 milhões de dólares.

Mercury nasceu Frederick Bulsara, na costa da Tanzânia, África. Foi educado na Índia e logo cedo mudou-se para a Inglaterra com a família. Na terra da rainha ele estudava desenho quando, em 1971, junto com outros três universitários decidiram criar o Queen. Ao lado de Brian, Roger e John, Frederick se transformou em Freddie Mercury para conquistar o sucesso com uma das bandas mais longevas e bem sucedidas do rock internacional.

Já no primeiro LP, Queen, lançado em 1973, a banda sacudia o marasmo do mercado pop, um tanto anestesiado pela música progressiva, com um show onde luz e figurinos chamavam tanto a atenção do público quanto o repertório. A frase “não usamos sintetizadores” apareceu como um carimbo em todos os discos do grupo lançados até o fim da década. No lugar das tecnologias emergentes, o Queen trabalhava com arranjos ecléticos – da balada ao hard rock – os vocais operísticos de Freddie e a respeitada guitarra de Brian May. Em 1975, com o lançamento do terceiro disco, A night at the opera, o Queen ganhou status de rival do legendário Led Zepelin.

Encarando dezenas de turnês pelo mundo, o Queen logo virou um fenômeno. A banda performática que trazia no repertório músicas com arranjos inusitados de orquestra entrou na década de 1980 como mito. Em 1985, quando veio ao Brasil pela segunda vez se apresentar no Rock in Rio, Fred Mercury irritou os metaleiros presentes na primeira edição do festival ao cantar I want to break free, contrastando seu vasto bigode com uma peruca e um vestido de mulher. Os fãs do Iron Maiden, com quem o Queen dividiria o palco naquela noite, jogaram terra no palco, mas não conseguiram calar o irreverente protagonista.

Do meio para o fim da década de 1980, o Queen produziu discos que não se comparavam aos do início de carreira, mas que mantiveram bom índice nas paradas de sucesso mundiais. Deflagraram-se aí rumores que o grupo estaria se separando. Pouco antes de morrer, o soprano que já tinha se definido como a “Carmen Miranda do rock” não saía mais quase de casa para se divertir: a dor da perda de muitos amigos para a AIDS era enorme. Em uma de suas últimas entrevistas, Mercury declarou:

“Eu não penso sobre minha morte ou como os fãs vão lembrar de mim. Isso é com eles. Quem vai se importar com a minha morte? Eu não.”

Fonte: JBlog

Hoje na História: 1859 - Charles Darwin publica 'A Origem das Espécies'


24/11/2010 - 07:30 | Max Altman | São Paulo
Hoje na História: 1859 - Charles Darwin publica 'A Origem das Espécies'

O livro Sobre a A Origem das Espécies, obra científica seminal do naturalista britânico Charles Darwin, é publicado na Inglaterra em 24 de novembro de 1859. A teoria de Darwin defendia que organismos vivos evoluem através de um processo que chamou de “seleção natural”. Nela, organismos com variações genéticas que se adaptam ao seu meio ambiente tendem a propagar mais descendentes que organismos da mesma espécie aos quais faltam as variações, influenciando, por conseguinte a estrutura genética em geral das espécies.

Darwin, que foi influenciado pelo trabalho do naturalista francês Jean-Baptiste de Lamarck e do economista inglês Thomas Mathus, constatou grande parte das evidências em favor de sua teoria durante a longa expedição de pesquisas a bordo do HMS Beagle nos anos 1830, que durou perto de cinco anos. Visitando lugares diferentes como as Ilhas Galápagos e a Nova Zelândia, Darwin adquiriu um conhecimento muito próximo da flora, fauna e geologia de muitas terras. Seus estudos sobre variação e cruzamento após retornar à Inglaterra, mostram-se incompatíveis com as informações colhidas e com o desenvolvimento de sua teoria de evolução orgânica.

A ideia da evolução orgânica não era nova. Tinha sido aventada antes, entre outros, pelo avô de Darwin, Erasmus Darwin, um insigne cientista inglês e por Lamarck, que no começo do século 19 desenhou o primeiro diagrama evolucionário – uma cadeia que levava de organismo unicelulares ao homem. No entanto, só com Darwin que a ciência apresentou uma explicação prática do fenômeno da evolução.

Controvérsia

Darwin havia formulado sua teoria da seleção natural em 1844, contudo mostrou-se cauteloso em revelar suas teses ao grande público porque contradizia flagrantemente a versão bíblica da criação. Em 1858, com Darwin ainda permanecendo em silêncio acerca de suas descobertas, o naturalista britânico Alfred Russel Wallace publicou por sua conta um artigo que resumia a essência de sua teoria. Darwin e Wallace pronunciaram uma conferência conjunta diante da Sociedade Linnean de Londres em julho de 1858. Darwin resolveu então preparar sua obra para publicação.

Trazida à luz em 24 de novembro de 1859, a primeira edição de A Origem das Espécies se esgotou rapidamente. A maioria dos cientistas abraçou de imediato sua teoria, visto que resolvia inúmeros quebra-cabeças da ciência biológica. Contudo, os cristãos ortodoxos condenaram o trabalho como uma heresia. A controvérsia quanto as ideias de Darwin aprofundou-se com a publicação de uma série de livros sobre plantas e animais, em particular “A descendência do Homem e seleção em relação ao sexo” e “A expressão da emoção em homens e animais” nos quais expõe a evidência da evolução do homem a partir dos macacos.

À época da morte de Darwin em 1882, sua teoria da evolução já era universalmente aceita. Em homenagem ao conjunto de seu trabalho científico, foi enterrado na Abadia de Westminster ao lado de reis, rainhas e outras ilustres figuras da história britânica. Subsequentes desenvolvimentos na genética e na biologia molecular levaram a algumas mudanças no entendimento da teoria evolucionista, porém as idéias de Darwin permanecem até hoje como essenciais no campo da biologia.

Fonte: Opera Mundi

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Inscrições para seleção PPGH 2011.01


Estão abertas as inscrições para o processo seletivo do Programa de Pós-Graduação em História, turma 2011.01. O Mestrado em História está com 20 vagas (o PPGH não se compromente a preenchê-las) para a seleção que ora se realiza, cuja inscrição vai de 20 de novembro de 2010 a 05 de janeiro de 2011. A área de concentração é História Regional e as linhas de Pesquisa, com os respectivos professores a elas vinculados, são:

POLÍTICA E CULTURA
Adelar Heinsfeld
Ana Luiza Setti Reckziegel
Eduardo Munhoz Svartman
Gerson Luís Trombetta
Gizele Zanotto
Janaína Rigo Santin

ESPAÇO, ECONOMIA E SOCIEDADE
João Carlos Tedesco
Mário Maestri
Luiz Carlos Tau Golin

PRAZOS
Inscrições: 20 de novembro a 05 de janeiro de 2011
Homologação das inscrições: 07 de janeiro de 2011
Prova escrita: 11 de janeiro de 2011
Entrevista 13 de janeiro de 2011
Resultado final: 18 de janeiro de 2011

Mais informações no site do PPGH (Edital, Formulários, Bibliografia sugerida) - clique aqui para acessar.

23 de novembro de 1935 – Começa em Natal a Intentona Comunista


23 de novembro de 1935 – Começa em Natal a Intentona Comunista
Enviado por: Alice Melo
Intentona Comunista - JB, 26 de novembro de 1935

Ao cair da noite do dia 23 de novembro, insurgiu em Natal e em Recife uma Revolta Vermelha cujo principal objetivo era desestabilizar o governo autoritário de Getúlio Vargas. Planejado durante meses por Luís Carlos Prestes e membros da Aliança Nacional Libertadora, o levante, que ficou conhecido pelo nome pejorativo de Intentona Comunista, pretendia eclodir simultaneamente no Rio Grande do Norte, Pernambuco e Rio de Janeiro, e obter a adesão progressiva da população e de quartéis em outros estados. Após incitar a rebelião nacional, o movimento previa depor Getúlio Vargas e instaurar um governo revolucionário de cunho socialista. O tiro, no entanto, saiu pela culatra.

“Imediatamente o governo federal tomou as providências indicadas para combater o surto extremista do norte e restringiu-lhe o raio da ação. Adotaram-se medidas rápidas e severas no sentido de uma pronta repulsa aos sediciosos, que haviam conseguido levar a indisciplina às forças militares aquarteladas naquela zona”, informou o Jornal do Brasil, no dia 26 de novembro.

Como foi relatado no JB da época, os estados do Nordeste deflagraram o levante antes do resto do país, fazendo com que o governo conseguisse se prevenir bem da rebelião no Distrito Federal, essencial para a continuidade do plano revolucionário. Assim que a notícia da instauração de um governo provisório em Natal se propagou, Vargas decretou estado de sítio no Brasil, cortou as vias de comunicação do estado com o resto do mundo, enviou grande contingente militar para suprimir a “revolta no norte” e colocou o Exército nas ruas do Sul e Sudeste para evitar a propagação do movimento.

Quando a “Intentona” aflorou no cerne militar carioca, duras medidas foram tomadas para que dos quartéis não saíssem os rebeldes armados. Poucas manifestações incendiárias tomaram as vias públicas da capital do país e um sangrento massacre causou a morte de 29 militares fluminenses, além da prisão de centenas de ativistas comunistas.

O episódio, sufocado de vez no dia 28 do mesmo mês, serviu para fortalecer o governo Vargas, que emergia como único meio de garantir a segurança e a unidade nacional frente à ameaça comunista. Em 1937, assim, seria instaurado no Brasil o Estado Novo.

Fonte: JBlog

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Vestibular de Verão tem inscrições abertas até hoje (22/11)


22/11/2010 - 15:40
Vestibular de Verão tem inscrições abertas até hoje (22/11)
Instituição oferece 58 cursos em diversas áreas do conhecimento na estrutura multicampi

A Universidade de Passo Fundo (UPF) inscreve até hoje, 22 de novembro, para o Vestibular de Verão 2011/1. Neste processo seletivo estão sendo oferecidas 58 opções em cursos de graduação, abrangendo as mais diversas áreas de conhecimento. As inscrições devem ser feitas pelo site http://vestibular.upf.br, na Central de Atendimento ao Aluno, Campus I em Passo Fundo, ou nas secretarias dos campi Carazinho, Casca, Lagoa Vermelha, Soledade, Sarandi e Palmeira das Missões.

A prova será realizada no dia 27 de novembro, a partir das 14h. Como nos processos seletivos anteriores, os cursos são divididos. No Grupo 1, os candidatos fazem somente a prova de Redação e no Grupo 2, além da Redação, realizam as provas de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira, Língua Estrangeira, História, Geografia, Matemática, Física, Biologia e Química.

Facilidades financeiras
Diferentes possibilidades de bolsas de estudo e financiamento estudantil estão sendo oferecidas pela UPF para este Vestibular de Verão. Em parceria com o governo federal, a instituição oferece vagas pelo Prouni e, também, está credenciada a oferecer o FIES – recentemente remodelado, possibilitando ingresso contínuo durante todo o ano e juros de 3,4% ao ano. Além destes, os estudantes também podem ser beneficiados com a Bolsa FUPF (antiga Bolsa Social) que oferece gratuidade de 50% para estudantes de diversos cursos (conforme edital) e a Bolsa Auxílio 25%, que dá gratuidade de 25% para o curso de Enfermagem. Cada programa segue normas específicas. Detalhes pelo e-mail informacoes@upf.br ou do telefone (54) 3316-7000.

13 cursos de formação de professores
No intuito de fortalecer a formação de professores para atender às demandas regionais, a UPF está oferecendo neste Vestibular de Verão 13 cursos de licenciatura: Artes Visuais (Passo Fundo); Ciências Biológicas (Carazinho); Educação Física (Passo Fundo, Palmeira das Missões e Soledade); Filosofia (Passo Fundo); Física (Passo Fundo); Geografia (Passo Fundo); História (Passo Fundo); Letras – Habilitação em Língua Portuguesa e Língua Espanhola e Respectivas Literaturas (Passo Fundo e Lagoa Vermelha); Letras - Habilitação em Língua Portuguesa e Língua Inglesa e Respectivas Literaturas (Passo Fundo, Casca e Palmeira das Missões); Matemática (Passo Fundo, Carazinho e Soledade); Música (Passo Fundo); Pedagogia (Passo Fundo, Carazinho Lagoa Vermelha, Palmeira das Missões e Soledade) e Química (Passo Fundo).

Aproveitamento da nota do Enem
A UPF possibilita aos candidatos o aproveitamento da nota do Exame Nacional do ensino Médio (Enem) dos últimos três anos –2007, 2008 e 2009, devendo a opção ser indicada no momento da inscrição ao Vestibular. Os candidatos do Grupo 1 ficam isentos de realizar a prova de Redação, mas no dia da prova devem comparecer no local e horário indicado no comprovante de inscrição para assinatura da ata de presença. Os candidatos do Grupo 2 podem utilizar a média para, juntamente com a média do processo seletivo da UPF, compor a média final de classificação, com pesos 4 e 6, respectivamente.

Informações
A lista completa de cursos oferecidos e todos os detalhes do Vestibular de Verão 2011/01 da UPF podem ser conferidos no site http://vestibular.upf.br ou pelo Disque-Vestibular: 0800 701 8220.

Fonte: Imprensa UPF

Egressos têm novo encontro


Segundo encontro de egressos do Curso de História aconteceu sábado dia 20/11 no restaurante Master Grill - Passo Fundo.

Curso básico de Currículo Lattes


No dia 03 de dezembro estaremos realizando um curso básico de elaboração do Currículo Lattes, aberto a todos os acadêmicos de História que estiverem interessados. Não há necessidade de inscrições prévias. É interessante levar certificados, publicações e comprovantes acadêmicos para inserir os dados, além de uma foto digitalizada para o perfil (pendrive ou email) e demais documentos básicos, já que o cadastro se faz a partir do CPF.
O cadastro é realizado através da Plataforma Lattes, links Currículo Lattes (Cadastrar e/ou Atualizar).


Para conhecer a Plataforma Lattes clique aqui

O que: Curso básico de Currículo Lattes
Prof. Gizele Zanotto
Onde: Sala 07 LCI
Quando: 03 de dezembro, a partir das 19:20 horas

MHR debate a história do futebol

O Museu Histórico Regional convida para a palestra “A história do futebol”, ministrada pelo professor Gerson Wasen Fraga, que será realizada no dia 24/11/2010, às 19h e 30min nas dependências do Teatro Municipal Múcio de Castro. Salientamos que esta atividade integra a Exposição “Além das 4 linhas”.

Atenciosamente,

Tania Maria Aimi Oliveira
Encarregada Administrativa MHR/MAVRS


Passo Fundo, 22 de novembro de 2010.

22 de novembro de 1910 – Eclode a Revolta da Chibata


Revolta da Chibata - Jornal do Brasil, 24 de novembro de 1910
Enviado por: Alice Melo

Há exatos 100 anos, uma rajada de tiros cortou o silêncio das tranquilas águas da Guanabara: o encouraçado Minas Gerais tornava-se palco de uma revolta de marinheiros de baixa patente contra o sistema opressivo e violento da Marinha do Brasil. Os principais objetivos deste levante, que ficou conhecido como Revolta da Chibata, eram acabar com os castigos físicos aos quais os marinheiros eram constantemente submetidos, melhorar as condições de alimentação, e colocar em prática a lei de ajustes de horários, já aprovada pelo Congresso.

O estopim para a importante revolta foi a execução da punição de 250 chibatadas ao cabo Marcelino Rodrigues, condenado por ferir um marinheiro a bordo do Minas Gerais, a caminho da Guanabara. Programada para o dia 15 de novembro, a revolta eclodiu no dia 22, passada uma semana de chuva. Neste dia, um grupo liderado pelo cabo João Cândido tomou o controle do navio, matou o comandante e mais três resistentes ao movimento, causando pânico geral na cidade do Rio de Janeiro.

Como o levante estava sendo planejado pelos sindicalistas desde 1908, rapidamente o Minas Gerais conseguiu o apoio dos navios Bahia, São Paulo e Deodoro, forçando o Presidente a encontrar uma forma de negociar o não bombardeio da capital pelos potentes canhões da marinha de guerra apontados para ela pelos revoltosos. O que mais surpreendeu o governo foi a exímia habilidade dos marinheiros de operar os navios tomados, de modo que não precisassem dos oficiais superiores.

Fim Revolta da Chibata - 26 de novembro de 1910

No dia 26, Hermes da Fonseca, no poder desde o início daquele mês apenas, anuncia trégua. Promete aos marujos o fim dos castigos físicos e também a anistia desejada. Após entregues as armas, os membros do movimento foram traídos pelo governante, que logo passou a expulsar os marinheiros ex-revoltosos das Forças Armadas. Não tardou para que a traição deflagrasse outro levante, em dezembro daquele ano, na Ilha das Cobras.

Como a rebelião não obteve grande apoio da classe, o governo reprimiu com violência a tentativa de protesto, causando um massacre.

Vários rebeldes foram presos. Dois anos depois, os marinheiros que conseguiram sobreviver às torturas na cadeia foram absolvidos pelo governo, que também declarou o fim das punições físicas em alto mar, assim como aprovou melhorias para a classe trabalhadora. João Cândido, o grande idealizador do processo, conseguiu anistia e viveu até 1969, morrendo anônimo e pobre, como carregador de peixes no centro do Rio.

Neste ano, em comemoração ao centenário da revolta, a estátua de mais de dois metros de altura do Almirante Negro foi recuperada e instalada novamente na Praça XV, de frente para as águas mansas da Baía, onde tudo começou.

“Há muito tempo nas águas da Guanabara o dragão do mar reapareceu. Na figura de um bravo marinheiro a quem a história esqueceu. Conhecido como almirante negro tinha dignidade de um mestre-sala. E ao acenar pelo mar na alegria das regatas, foi saudado no Porto pelas mocinhas francesas, jovens polacas e por batalhões de mulatas! Rubras cascatas jorravam das costas dos negros entre cantos e chibatas, inundando o coração do pessoal do porão que a exemplo do marinheiro gritava! Glória aos piratas, às mulatas, às sereias! Glória à farofa, à cachaça, às baleias! Glória a todas as lutas inglórias que através de nossa história não esquecemos jamais! Salve o negro que tem por monumento as pedras pisadas do cais...” (“O Mestre-sala dos mares” – música de João Bosco e Aldir Blanc)


Vídeo do CPDoc JB, em homenagem ao centenário da Revolta da Chibata

Fonte: JBlog

domingo, 21 de novembro de 2010

Memórias do AHR: Boqueirão

Memórias do AHR: Boqueirão
18 de novembro de 2010

O “Gigante Do Boqueirão”

No inicio do século XX, Passo Fundo era uma cidade com pouco mais de 20.000 habitantes. O progresso chegara com a linha férrea ligando Passo Fundo a Porto Alegre e Santa Maria, porém havia pouco lazer futebolístico para seus habitantes. Até fins dos anos 1910 só havia um clube de futebol ativo na cidade, o Grêmio Sportivo, clube da elite passo-fundense. Porém, esta situação muda quando, em 12 de maio de 1918, é fundado o Sport Club Gaúcho, por Gil Loureiro, Alfredo Loureiro, Antônio Loureiro e mais alguns amigos. O novo clube de futebol reuniria a classe média da cidade e a colônia italiana de Passo Fundo, tornando o esporte menos elitista na cidade. O nome Gaúcho representa o orgulho pelo Rio Grande do Sul e as cores verde e branco, as cores do Partido Republicano Riograndense (PRR), partido ao qual estavam vinculados seus fundadores.

O primeiro titulo do Gaúcho foi conquistado em 1926, sendo então campeão Citadino Municipal e Campeão da Serra, titulo este conquistado com muita garra e bravura, segundo os cronistas da época. Em 1929 o Gaúcho paralisou sua atuação desportiva, muito em função da crise mundial daquele ano. O clube só reativou as atividades esportivas em 1937, sendo no ano seguinte campeão municipal e regional da Serra.

O profissionalismo só veio em 1954, quando o Sport Clube Gaúcho disputou a segunda divisão de profissionais do Campeonato Gaúcho de Futebol, porém, os gastos foram enormes e a crise novamente chegou ao clube, que só retornou ao Campeonato Gaúcho de Futebol em 1956.

Um dos momentos mais gloriosos para o Gaúcho foi a inauguração do Estágio Wolmar Salton em 1957, em uma partida contra o Grêmio Porto-alegrense. O estádio foi construído no mesmo local do seu antigo campo de jogo, a chamada Cancha do Gaúcho.

Em 1966 o time conquistou um dos maiores títulos de sua história quando foi Campeão Gaúcho da Segunda Divisão, garantindo vaga na elite do futebol rio-grandense na qual permanecera até 1980. Neste ano, o Gaúcho, mergulhou em outra crise econômica, e, sem possibilidade de investimentos, acabou sendo rebaixado da Primeira Divisão, só retornando a esta categoria em 1984.

Em 1985, como resultado de uma má campanha, é rebaixado à segunda divisão e funde-se com o arqui-rival, o Grêmio Esportivo e Recreativo 14 de Julho, surgindo então o Esporte Clube Passo Fundo. Esta fusão foi abandonada no ano seguinte, quando o Gaúcho voltou a jogar com seu nome original. Durante cinco anos o Sport Club atuou, mas em 1990 se licencia da Federação Gaúcha de Futebol, deixando o Campeonato Gaúcho de Profissionais.

Ao retornar ao futebol profissional em 2000 o Sport Club Gaúcho iniciou com um bom grupo de jogadores, mas, infelizmente, os resultados não foram favoráveis ao time. As derrotas consecutivas levaram o clube a ser eliminado do Campeonato Brasileiro da Série C.

No ano de 2007 a crise devastou o Clube e a esperança de trazer para a cidade de Passo Fundo a possibilidade de possuir um time na elite do futebol. Sabemos que as inúmeras tentativas de retornar à elite desportiva foram barradas por problemas financeiros. Porém, temos que lembrar que todas as dificuldades de sua história não foram consideradas como obstáculos para desmotivar alguns empresários da cidade a investir no time do Gaúcho. Dificuldades existem, especialmente há que se destacar a destruição das dependências do Clube e o abandono do Estádio Wolmar Salton - que se tornou um abrigo para moradores de rua e usuários de álcool e drogas, que circulam freqüentemente pelas dependências do clube em ruínas. Mesmo vislumbrando tal situação, pensamos na possível reabilitação do Clube e em novos dias gloriosos para o futebol citadino que tantos desafios já enfrentou nestes 92 anos de história - é sempre bom lembrar que “não ta morto quem peleia, tchê".

Guilherme Paravisi Machado e Miguel Eduardo dos Santos
Acadêmicos do Curso de História da UPF
Fonte: Acervo AHR

Memórias do AHR: Grupo Busatto

Memórias do AHR: Grupo Busatto
16 de novembro de 2010

O desenvolvimento de Passo Fundo e o Grupo Busatto

Passo Fundo hoje é considerada a maior cidade do norte do estado, com uma população aproximada de 195.000 habitantes, segundo os dados do IBGE, 2010. Conhecida nacionalmente como Capital do Planalto Médio e Capital Nacional da Literatura, tem sua formação iniciada a partir de 1827, com a fixação do Cabo Manuel José das Neves no território que originaria, anos depois, em 1857, o atual município.

A nova configuração político-administrativa e os acontecimentos desenrolados na região durante o século XIX (Revoluções Farroupilha e Federalista, especialmente) contribuíram, também, para o desenvolvimento local e regional. Em 1887 o município contava com 20.000 habitantes e a vila com 277 casas. Em decorrência do aumento progressivo de moradores foram sendo instalados, aos poucos, serviços comerciais, de correio, telégrafo, viação férrea, telefonia, energia elétrica, canalização da água e esgoto, asfaltamento, etc. Em 1980, Passo Fundo já contava com 850 estabelecimentos comerciais. Tais empreendimentos do setor terciário são bem desenvolvidos na cidade, o que acarreta diversidade de oferta para atender a uma expressiva demanda, visto que o público consumidor abrange cerca de cinquenta municípios da região. O estabelecimento comercial Busatto, Langaro e Cia faz parte desta história, foi um dos comércios pioneiros que contribuíram para o desenvolvimento desse setor no município.

A família Busatto migrou da Itália para o Brasil em 1885 estabelecendo-se, incialmente, na cidade de Antonio Prado no Rio Grande do Sul, onde se dedicaram à atividade da sapataria. Ainda em fins do século XIX abriram uma pequena loja na vila de nove casas, onde anexaram curtume à sapataria. Com o passar dos anos, os Busatto abriram crédito em uma empresa de Porto Alegre, adquirindo melhores condições para novos investimentos. Assim, passaram a explorar o ramo de “secos e molhados” em 1903. Em 1912 já evidenciavam sua marca de fortes comerciantes e empreendedores, tendo em São Luiz de Guaporé cinco casas comerciais e, em Passo Fundo, armazéns para depósito de produtos exportáveis.

Ainda derivada de tal crescimento contínuo dos empreendimentos, em 1924 constituiu-se a firma Busatto, Irmãos e Cia., em Passo Fundo. Desta constituição derivou o moinho produtor da farinha “Excelsa”. Além deste investimento, uma refinaria de banha produtora de cerca de 400 caixas diárias foi constituída. As novas produções evidenciam a diversidade de ramos nas quais a empresa mobilizava seu capital, assim como nos faz avaliar o desenvolvimento geral do município em função da abertura de comércios variados para atender a um público consumidor crescente e carente de produtos dos mais variados tipos.
Em 1º de julho de 1930, a família Busatto associa-se à família Langaro, iniciando assim a firma Busatto, Langaro e Cia., com 78 empregados e operários. Esta empresa já surge como um dos maiores complexos comerciais da época. A atuação da Busatto, Langaro e Cia. continuou até os anos 1950, quando ocorreu sua falência. Todavia os Busatto ainda mantêm-se no ramo comercial. Atualmente esse grupo reduziu-se a uma casa comercial situada na Avenida Presidente Vargas, onde oferta produtos diversos de utilidades e ferragens. O moinho, símbolo da empresa pujante de outrora, ainda se mantêm de pé, mas há algum tempo a construção abriga uma casa noturna.

Em toda a trajetória do grupo Busatto, destacou-se o senso comercial e empreendedor, assim como a luta para o desenvolvimento da empresa, coadunado à da própria cidade. O grupo Busatto marcou a história de Passo Fundo e da região e ainda constitui-se num marco referencial para a compreensão do desenvolvimento econômico do município, visto sua importância como pioneiro e empreendedor na região norte do Rio Grande do Sul de outrora.

Lindalva S. L. Miola e Alexandra Zimmermann
Acadêmicas do 3º nível do Curso de História UPF
Fonte: Acervo AHR

Reflexões sobre a questão da “Raça”

Em entrevista ao Café História, a historiadora Mônica Grin fala de seu recém-lançado livro sobre a questão “racial” no Brasil e fornece importantes chaves de entendimento sobre este importante tema contemporâneo

Neste mês de novembro, a seção de entrevistas do Café História, o "Conversa Cappuccino", conversou com a historiadora Mônica Grin, que acaba de lançar seu livro: "Raça" - Debate Público no Brasil, publicado pela Editora Mauad X e pela FAPERJ. Nesta entrevista, a autora falou sobre como surgiu a idéia do livro, deu sua opinião sobre as polêmicas ações afirmativas e comentou sobre o multiculturalismo. Não deixe de conferir e de deixar seu comentário. Suas idéias são valiosas para o desenvolvimento deste tão importante tema.

Mônica Grin é professora no Departamento de História e no Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Coordena o Núcleo Federal Interdisciplinar de Estudos Judaicos da UFRJ e é autora de artigos e livros na área de estudos judaicos contemporâneos e de relações raciais.

CAFÉ HISTÓRIA - Professora, antes de mais nada, muito obrigado por aceitar esta entrevista do Café História. Entrando já em nossa primeira pergunta, a senhora acaba de lançar o livro “Raças” – Debate Público no Brasil. Por que este tema e porque agora?

MÔNICA GRIN - Esse tema é resultado de uma década de reflexão, quando finalizei minha pesquisa de doutorado e constatava já em 2000 a emergência de uma nova modalidade de tratamento de emergência do tema racial no Brasil: a “raça” se insinuando não mais como categoria biológica, como no passado, mas como sujeito de direitos na república brasileira. Esse tema é recuperado agora, porque entre o fim da minha tese (em 2000) e hoje, pode-se depreender uma perspectiva histórica que reforça a minha hipótese, de dez anos atrás, de que estaríamos diante de um processo de racialização em curso no Brasil. O presente livro é uma evidência de como esse processo pode ser observado hoje em vários contextos: desde juízos formulados pela opinião pública, passando por políticas públicas (adoção de cotas raciais), até debates intelectuais.

CAFÉ HISTÓRIA - Em sua opinião, como a historiografia brasileira abordou até agora a questão da raça, no Brasil ? Trata-se de uma questão já bastante analisada ou que ainda necessita de novos olhares?

MÔNICA GRIN - “Raça”, da perspectiva da historiografia, é sempre tratada como uma categoria classificatória já presente no Brasil desde a escravidão. Depois ela foi objeto de criticas à república brasileira que, através do racismo e das raciologias, teria privilegiado o imigrante em detrimento do negro, transformando o negro em um sub-cidadão, ou “quase-cidadão”. Há também os registros nos quais a “raça” dilui-se sob o signo do mito da democracia racial, que ora é objeto de rigorosa critica, especialmente criticas dirigidas a Freyre e à sua versão “condescendente” do racismo no Brasil, ora é objeto de celebração, como expressão de uma cultura racial que se fundaria na miscigenação, na tolerância e na harmonia raciais. O maior problema são os excessos de um lado e de outro. Essa questão possui hoje um novo estatuto e devemos pensá-la como uma questão que se afirma politicamente, através da luta do movimento negro de inspiração norte-americana. Trata-se de compreender hoje a forma da luta antirracista como uma luta não de eliminação da “raça”, mas como uma luta de promoção da “raça”. Hoje debate-se leis que tendem a promover a “raça”, como a lei das cotas raciais e a lei do Estatuto da Igualdade Racial. Portanto, essa questão merece novos olhares, especialmente vinda da pesquisa histórica.

CAFÉ HISTÓRIA - Estamos chegando ao fim da Era Lula (2003-2010). Durante este período houve mudanças no debate público no Brasil sobre a questão racial? Como este debate se diferencia, por exemplo, daquele ocorrido nos Governos Fernando Henrique Cardoso (1995-2002)?

MÔNICA GRIN - No governo Lula o debate sobre “raça” em geral e sobre a “raça” como sujeito de direitos, ganhou principalmente uma versão institucional. Desde 2003 o governo Lula conta com uma Secretaria Especial de Promoção de Políticas de Igualdade Racial (SEPPIR) que promove sistematicamente políticas focais ou particularistas dirigidas especialmente aos negros. A institucionalização da questão racial é parte do processo de racialização que venho identificando no Brasil há uma década. O governo FHC iniciou, no entanto, as primeiras articulações de projetos de políticas públicas dirigidas especificamente para os negros. Foi no governo FHC que essa história teve inicio, como questão política da República, e que os compromissos com o movimento negro, sobretudo a partir de Durban, em 2001, iniciam-se.

CAFÉ HISTÓRIA - Há algum tempo, a comunidade científica desconstruiu a falsa idéia de que a humanidade é formada por diferentes raças. Como podemos explicar a sobrevivência desta idéia não apenas no senso comum, mas também dentro de movimentos sociais, setores intelectuais e até mesmo em espaços acadêmicos?

MÔNICA GRIN - É espantoso mesmo! O que se diz é que não se trata mais daquela raça biológica, já condenada pela ciência. Trata-se de transformar a “raça” em uma categoria política cuja eficácia na luta contra o racismo seria indiscutível. É como se a promoção da raça fosse o melhor antídoto para se combater o racismo. Combate-se o racismo através da sua prórpria criatura, a “Raça”. Os exemplos históricos que mostram os estragos que qualquer promoção racial promoveu na Europa com o nazismo, nos EUA com a segregação racial e na África do Sul com o Apartheid, parecem não sensibilizar os intelectuais que defendem políticas públicas racializadas.

CAFÉ HISTÓRIA - No meio intelectual e acadêmico, o debate recente sobre as cotas em universidades públicas gerou manifestos pró e contra a medida. Como você se posiciona diante desta questão?

MÔNICA GRIN - O inconveniente de se tratar essa questão quer de uma perspectiva histórica, quer de uma perspectiva sociológica, é que o tema convida a posicionamentos políticos. Não sou militante de causa alguma, mas posso manifestar o meu desconforto com todas as formas de promoção racial aqui ou em qualquer lugar. Achar que o problema da desigualdade no Brasil necessita de políticas especificas para pessoas de pele mais escura, ou como se prefere, da “raça” negra, é brincar com um tema que historicamente promoveu os maiores genocídios em nome da promoção racial, do orgulho racial e das diferenciações raciais. Se ser contra os genocídios que se promovem ainda hoje em nome do racismo e da intolerância exige ser contra cotas raciais (que é uma forma de promoção racial), então sou contra as cotas raciais.

CAFÉ HISTÓRIA - Em entrevista recente ao jornal OGLOBO, o professor da USP, Demétrio Magnoli, fez duras críticas ao multiculturalismo. Para Magnoli, este tipo de ideologia gera um mosaico de comunidades e reforça políticas discriminatórias e racistas, muitas das quais servem de base para políticas demarcatórias e excludentes, como aquela do governo de Nicolas Sarkozy, na França. Professora, a senhora concorda com esta visão sobre o multiculturalismo?

MÔNICA GRIN - Desde 2000, com a finalização da minha tese de doutorado (que foi sobre multiculturalismo), venho identificando problemas de introdução desse paradigma no Brasil. Tenho salientado que o multiculturalismo em nome do reconhecimento da diferença étnico-racial e em nome da redistribuição com base em reparações históricas por violências cometidas no passado, vêm introduzido no Brasil uma das mais nefastas ideologias raciais: a de que a sociedade brasileira seria dividida basicamente em duas “raças”: a branca e a negra, e que tal divisão é a melhor maneira de identificar qual “raça” deve ser sujeito de direitos no Brasil, com base em direitos de reparação histórica a que governo brasileiro deve aceder. Ademais, o multiculturalismo exibe sua força quando, uma vez disseminado em vários órgãos do governo brasileiro, ou instituições brasileiras, acaba por transformar temas caros à nossa cultura, em objeto de tribunal racial. Parte da obra de Monteiro Lobato (e quantos outros virão) é considerada pelos adeptos do multiculturalismo que hoje estão à serviço do Estado brasileiro, como politicamente incorreta, uma vez que se refere de forma “racista” a sua personagem negra, Tia Anastácia, por exemplo.

CAFÉ HISTÓRIA - África do Sul, Estados Unidos, França. Todos esses países são citados quando ao assunto é a questão racial. No que a discussão racial nestes países de se aproxima ou diferencia da discussão racial travada no Brasil?
MÔNICA GRIN - A experiência pós-apartheid da Africa do Sul e de Ações Afirmativas nos EUA do pós-segregação, são, em geral, associadas aos exemplos ativados por segmentos do movimento negro e da inteligentsia que apóiam a promoção racial no Brasil. No caso da França, aqueles que são adeptos das políticas republicanas universalistas, tendem a olhar para o caso Frances como um caso de resistência republicana aos apelos do multiculturalismo.

CAFÉ HISTÓRIA - Hoje, na internet, há muitos blogs e fóruns de discussão, inclusive em domínios brasileiros, que negam o holocausto nazista, que acusam os judeus de dominar a economia e os meios de comunicação. São discursos frágeis, mas que acabam convencendo muitas pessoas não-especialistas no tema. Como podemos classificar este tipo de discurso? Antissemita? Antisionista? Ambos? O que diferencia hoje essas duas classificações? Devemos nos preocupar com um recrudescimento do antissemitismo?

MÔNICA GRIN - Sou sempre muito crítica em relação aqueles que se apóiam em teses conspiratórias que vê o antissemtismo em todos os lugares e em todos os tempos de uma e da mesma maneira. Hoje o antissemtismo possui outros ingredientes que já não estão fundamentados nas dinâmicas antissemitas de contextos como da guerra e do período pre-guerra. O antissemitismo hoje está mais associado ao anti-sionismo, à crítica as formas como o Estado de Israel lida com os seus “outros” não judeus. Isso não significa negar que na Internet há manifestações racistas e que tal fato atrai os incautos. Sabemos que há no Brasil, no entanto, lei que pode perfeitamente penalizar essas manifestações.

CAFÉ HISTÓRIA - Professora, muito obrigado pela sua atenção. Para encerrar, que referências bibliográficas a senhora recomendaria para os leitores do Café História que desejam se aprofundar no assunto?

MÔNICA GRIN - FRY, P. e MAGGIE. Divisões Perigosas; FRY, P. A Persitência da Raça O Atlantico Negro; MAIO, M. e VENTURA, R. Raça: uma questão; entre outros.

Fonte: Café História