sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz 2011 a todos!!


Dia de comemorar!!
Um feliz ano novo a todos - que 2011 seja
tão produtivo e expressivo como o ano que se finda.

31 de dezembro de 1988 – Iate superlotado naufraga na Baía de Guanabara

31 de dezembro de 1988 – Iate superlotado naufraga na Baía de Guanabara
Enviado por: Alice Melo

Na noite do dia 31, a poucos minutos da virada do ano, o barco Bateau Mouche IV naufragou na Baia de Guanabara, a 700 metros da Praia Vermelha, matando 55 pessoas. Com excesso de peso e irregularidades que impediam o barco de fazer transporte de passageiros legalmente, o iate de empresários espanhóis, que anteriormente se chamava Boka Loka, dirigia-se à praia de Copacabana, a fim de levar um grupo de 150 pessoas ao show de fogos do réveillon.

Em ligação para a esposa minutos antes de zarpar, o capitão do navio revelou que a viagem contrariava sua vontade, já que o barco estava com excesso de peso e o mar, muito revolto. No caminho para Copacabana, o Bateau Mouche chegou a ser parado pela guarda costeira, que logo liberou a embarcação após firmar um acordo com o responsável por ela. Além do excesso de peso, o barco tinha problemas no casco e nas bombas; uma laje construída em cima da cabine principal ainda deslocara o centro de gravidade do iate, desestabilizando seu centro de gravidade.

Em depoimento à Capitania dos Portos e à Polícia, a maioria dos sobreviventes atestou que suspeitava que o barco iria afundar, pouco depois de zarpar. Segundo testemunhas, minutos antes da meia noite, a água do mar já entrava no convés pelas privadas e por perfurações no casco. O pânico se instaurou.

- Eu estava na parte de cima, onde não havia nenhum colete salva-vidas. Copos, pratos e garrafas começaram a cair. Tentei localizar minha esposa, que estava na parte de baixo, mas infelizmente não consegui. Do meu lado, uma senhora gritava por socorro. Tentei ajudá-la, mas, em poucos segundos, desapareceu na água – relatou um sobrevivente, que perdeu a esposa na tragédia, embora tenha conseguido salvar os filhos.

Além de ser um ícone da imprudência e irresponsabilidade, o naufrágio do Bateau Mouche é também um símbolo da fragilidade do judiciário brasileiro. Foram necessários treze anos para que o Ministério Público Federal julgasse e condenasse os donos da embarcação por crimes de sonegação fiscal, falsidade ideológica e falsificação de documentos, totalizando 18 anos de prisão e multa de R$ 4 milhões aos cofres públicos. Antes do fim do processo, a pena dos acusados foi prescrita, permanecendo que todos estejam impunes até hoje. Além disso, das 40 ações movidas contra os responsáveis pela tragédia, apenas uma chegou ao fim.
Fonte: JBlog

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

AHR: Memória - O Movimento Estudantil na UPF

O Movimento Estudantil na UPF
Por: Ana Cristina Cesar de Góis
Acadêmica do Curso de História-UPF
Fonte: Acervo AHR
Quinta-Feira, 23/12/2010 por Arquivo Histórico Reginal

O final do período militar no Brasil favoreceu o aparecimento de inúmeros movimentos e organizações que aceleraram o processo de redemocratização já em curso no país. Entre estes, o movimento estudantil (ME) se apresentou com destaque especial. No caso das universidades brasileiras aumentou o número de militantes estudantis relacionados a correntes políticas chamadas de esquerda muito em função da oposição ao regime autoritário então vigente. Não se pode desconsiderar que do lado oposto à esquerda encontravam-se grupos ou lideranças que abertamente mantinham um discurso de apoio ou adesão ao regime militar.

A partir de 1977 iniciou um período decisivo no processo de enfraquecimento do regime militar. Mesmo considerando as diferenças ideológicas das correntes de esquerda atuantes no país, sobretudo no próprio movimento estudantil, naquele momento havia um inimigo comum a derrotar e este fator lhes propiciava alguma unidade de ação.Essencialmente as bandeiras de luta se pautavam na redemocratização da política brasileira e na defesa da anistia ampla, geral e irrestrita. Com certa abertura iniciada no fim dos anos 70, houve um revigoramento das entidades de representação estudantil, até então atuando na clandestinidade. Com o fim da vigência do Decreto 477, e outros atos de repressão aos estudantes, em maio de 1979, foi possível a realização do 31° Congresso da UNE, em Salvador, com 10 mil participantes.

A Universidade de Passo Fundo, fundada em pleno período de ditadura militar, no ano de 1968, conheceu formas de organização estudantis predominantemente ajustadas às condições políticas que restringiam a liberdade de manifestação e de autonomia estudantis. Após 10 anos de fundação da Universidade, deu-se o início da reorganização da esquerda estudantil em Passo Fundo. A partir desse momento cresceu expressivamente a presença e a participação dos estudantes em espaços políticos dentro e fora da Universidade.

Pautando-se nesta conjuntura mais amena em relação à repressão, foi organizada a primeira eleição direta para o DCE da UPF, realizada no dia 18 de novembro de 1979. Observa-se que nesta eleição a força representativa da chapa de situação denominada “Renovação” tinha como base de sustentação um bloco de diretórios acadêmicos: Faculdade de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis, Faculdade de Engenharia, de Educação Física, Direito, Ciências Biológicas e Instituto de Artes. A chapa “Rever”, de oposição, foi constituída principalmente por acadêmicos dos cursos de Agronomia, de Medicina, de Psicologia, de Pedagogia e de Odontologia.

A chapa vitoriosa nessas eleições foi a “Renovação”, liderada por Olvir Favaretto, acadêmico da Faculdade de Direito. A apuração dos votos revelou o clima acirrado e de grande disputa: votaram 3297 estudantes, sendo que a “Renovação” obteve 1632 votos e a oposição 1574. Uma pequena diferença, de apenas 42 votos, definiu o pleito de 1979, fato que se repetiu nos anos seguintes. Mesmo que incipiente, o movimento estudantil da UPF passa a apresentar vitalidade crescente no contexto da abertura, quando as possibilidades de autonomia, debate e liberdade de organização foram consolidados no país pós-ditatorial.

Fonte: O Nacional

Cuba: sob o signo da restauraçao capitalista

Correio da Cidadania - Via Politica
MÁRIO MAESTRI
14-DEZ-2010
A notícia foi brutal. Raul Castro anunciou nada menos do que o licenciamento de quinhentos mil trabalhadores da área estatal. Mutatis mutandis, qualquer coisa como desempregar dez milhões de trabalhadores no Brasil! E tudo com vagas promessas de alguma ajuda e financiamento para os que pretenderem se estabelecer como trabalhadores independentes. Encerrando esse cenário dramático, as direções máximas da Central de Trabalhadores Cubanos bateram continência concordando com a agressão histórica ao mundo do trabalho cubano e latino-americano.

O paradoxal anúncio constitui a parte mais explícita da aceleração do processo de restauração capitalista que a direção máxima cubana pretende sancionar quando do VI Congresso do Partido Comunista de Cuba. Movimento de desmonte da ordem socialista, iniciado há quinze anos, que se prepara para conhecer salto de qualidade através do "Proyecto de Lineamentos de la Política Econômica y Social", de 1º de novembro, apresentado à militância comunista para ser aprovado no congresso do PCC de abril.

Cuba: avançar ou soçobrar

A única revolução socialista vitoriosa nas Américas deu-se em região singularmente desfavorável. A uns cento e quarenta quilômetros do coração do capitalismo, Cuba é região singularmente desfavorecida: é pobre em minérios; não possui fontes para produção de energia hidráulica; vê-se assolada periodicamente por tufões; possui população diminuta para a organização de produção em escala etc.

A inserção de Cuba na comunidade das nações de economia nacionalizada e planejada foi imprescindível ao avanço do socialismo cubano. Porém, significou-lhe também a adesão às práticas autoritárias e burocráticas de gestão da URSS e dos países do Leste que terminaram favorecendo suas destruições, em fins dos anos 1980. Autoritarismo que, matizado na versão cubana, coadunava-se com o monopólio da direção do Estado mantido pela direção restrita do MR 26 de Julho, em fase já gerontocrática.

Na nova divisão mundial, Cuba passara, sobretudo, a trocar vantajosamente, com a área socialista, a produção açucareira potenciada por petróleo, tecnologia e outros bens. Radicalização da monocultora que ensejou que uns 50% da proteína consumida fosse importada, acrescendo a dependência anterior à Revolução, em contexto de crescente consumo. Registro de administração burocrática jamais entregue à direção direta e criativa dos trabalhadores.

Em inícios de 1990, quando da vitória da contra-revolução neoliberal, o fim da URSS e a dissolução controlada ou não da economia socialista no leste europeu causaram choque medonho à economia cubana. Em poucos meses, dissolviam-se relações de trocas tecidas durante quarenta anos – nada menos do que 85% do comércio mundial cubano. Interrompia-se também o fornecimento de peças do maquinário adquirido em empresas em ex-países de economia nacionalizada agora privatizadas ou dissolvidas.

O Período Especial

Em 1991, a quase interrupção do aparato produtivo e a enorme crise econômica permitiram previsões sobre a rápida restauração do capitalismo, que o imperialismo norte-americano procurou acelerar com o bloqueio econômico e novas emendas e leis (Mack e Smith, de 1989; Toricelli, de 1991; Helms-Burton, de 1996). As expectativas agourentas não se realizaram, graças à maciça mobilização popular em defesa da revolução e suas conquistas. Então, era clara a consciência das novas e velhas gerações do que se perderia com a restauração capitalista.

A aprovação das medidas do Período Especial em Tempo de Paz, em fins de 1990, reorganizou a produção, o consumo e a vida civil em contexto em que a população teve que literalmente usar os pés para chegar aos locais de trabalho e ensino, devido à falta de gasolina, e a consumir o mínimo em calorias e proteínas necessárias à sobrevivência. O racionamento protegeu os velhos, doentes e crianças.

A vitória mundial neoliberal influenciou a reorganização da economia e da sociedade cubana, acompanhada por importantes decisões estruturais jamais deliberadas efetivamente pela população. Declinou entre os administradores a desconfiança na planificação, na propriedade estatal, no igualitarismo socialista, aumentando o prestígio do mercado, dos resultados individuais, da competição, dos privilégios de remuneração.
Nova Orientação

O abandono da monocultura do açúcar, a ênfase no turismo mundial, a reorientação das trocas com a União Européia etc. deram-se com a abertura crescente às inversões de capitais mundiais, sobretudo – mas não apenas – no turismo, inicialmente em associação com o Estado. No plano interno, pela primeira vez, permitiu-se a constituição de empresas mercantis simples, exploradas por trabalhadores por conta própria ("cuentapropismo"). Orientação que fortaleceu os segmentos sociais restauradores.

No novo contexto, criou-se dualidade de moedas, a nacional, para o pagamento da população ligada ao setor estatal-socialista, e a extraordinária, ligada ao dólar, inicialmente para os turistas adquirirem produtos e serviços em estabelecimentos especiais, a seguir abertos à população com meios para tal. Permitiu-se a posse de moeda convertível, a fim de incentivar remessas do exterior, sobretudo dos EUA, uma das grandes receitas da ilha.

Expressão da nova e surda luta de classes no interior da ilha, as duas esferas de produção-consumo, cada qual com sua moeda, estabeleceram luta à morte, em crescente favor da economia mercantil-capitalista, agora terrivelmente hegemônica no mundo exterior. O recuo dos produtos antes garantidos pela "libreta de abastecimiento" e subvenções públicas, determinado pelo governo, obrigou a população a procurar crescentemente na área dolarizada os bens imprescindíveis à sobrevivência.

O extraordinário se transforma em ordinário

Nesse mundo novo, qualquer parente que enviasse do exterior cem reais garantia aos familiares o obtido com o trabalho mensal em empresa pública! Ao lado disso, em uma corrida, um taxista autônomo ganhava e ganha o valor do salário mensal de um trabalhador, atualmente equivalente a uns sessenta reais. Emergiram nítidas diferenças de classes, com a crescente desmoralização dos segmentos sociais ligados, sem privilégio, à propriedade e economia estatal.

As exigências e necessidades do grande capital mundial e dos setores da economia mista e mercantil expressavam-se no governo através dos membros da alta administração e da oficialidade das forças armadas, em geral envolvidos na administração das empresas exportadoras e de capital misto. Eles criaram as condições para o ataque à Constituição de 1976, definida por Fidel, quando de sua promulgação, como garantia inarredável da propriedade e sociedade socialista.

Já em 1982, o decreto-lei nº 50 permitira o direito de usufruto e de arrendamento de instalações industriais e turísticas ou similares a capitais estrangeiros, em flexibilização dos preceitos constitucionais que não atingia ainda à propriedade em sentido estrito dos bens públicos de produção. Essa reforma não atraiu inversões significativas, em uma época em que se mantinham as trocas com a área socialista.

Fim do monopólio dos meios de produção

As concessões organizativas ao capital privado exigiam garantias de propriedade. Na continuidade da liberalização iniciada pelo Período Especial, foi realizada reforma constitucional, em 1992, liquidando o monopólio da exploração e propriedade pública dos meios de produção, através da legalização de novas formas mercantis de empresas: empresas mercantis mistas, de capitais privados ou privado e público; empresas mercantis; empresas mercantis cooperativas etc. A reforma constitucional aprovou também o fim do monopólio estatal do comércio exterior, já não mais "função exclusiva do Estado".

Finalmente, em setembro de 1995, a Lei 77, "de Inversões Estrangeiras", escancarou praticamente todos os setores da economia aos capitais privados, à exceção da saúde, da educação e das forças armadas, parcialmente. Os capitais privados conquistavam, igualmente, o direito de não serem expropriados, de adquirirem bens imóveis, de venda de seus haveres para outro investidor, de exportar e importar diretamente bens, de exportar os lucros obtidos com a exploração dos trabalhadores cubanos, sem a necessidade de pagar impostos de transferência e passar pelo Banco Central Cubano.

Entretanto, não se realizou o desembarque de capitais estrangeiros privados, conhecido pela China e, secundariamente, pelo Vietnã, previsto e organizado pela burocracia cubana. A atração de capitais foi e segue sendo tendencialmente entravada pela esfera de produção estatal e pelas conquistas gerais da revolução socialista, com destaque para o direito ao trabalho. Como visto na ex-URSS, Polônia, ex-Iugoslávia etc., não há restauração capitalista sem a reconstrução de exército de desempregados.

A reconstrução do Reino da Necessidade

Apesar da literal prostituição da capacidade de consumo dos trabalhadores da área pública estatal, o acesso à saúde, segurança, educação e moradia tem impedido a formação de exército de trabalhadores obrigados a venderem a preço vil a força de trabalho, sob o açoite da necessidade econômica. Para que a produção capitalista reorganize a ilha, é imprescindível a reconstrução do reino da necessidade. Daí a terrível proposta de lançar no desemprego quinhentos mil trabalhadores – verdadeiro "cercamento dos campos" tropical (Enclosures Land's)!

O "Proyecto de Lineamentos" apresentado à militância comunista comporta verdadeiro esvaziamento do conceito de socialismo e sua ressemantização em sentido social-liberal: "Na política econômica que se propõe está presente que o socialismo é igualdade de direitos" e "de oportunidade para todos os cidadãos" e, jamais, "igualitarismo". Indiscutível adesão ao ideário democrático-liberal de direitos de igualdade jurídica e de competição, em sociedade estruturalmente desigual devido à sua divisão antagônica em exploradores (detentores dos meios de produção) e explorados (meros detentores da força de trabalho).

Nos fatos, o documento abandona inapelavelmente o princípio essencial do socialismo, como erradicação da exploração, através da garantia da satisfação das necessidades mínimas dos cidadãos, no contexto de remuneração ligada à qualidade e quantidade do trabalho. Em paráfrase perneta da proposta clássica marxiana, propõe o abandono do "igualitarismo" pelo princípio de "cada qual segundo sua capacidade, a cada qual segundo seu trabalho". Liquida, portanto, a parte essencial daquela célebre formulação sintética, ou seja, a cada um "segundo suas necessidades"!

O fim da Planificação

O desfibramento do planejamento é parte fundamental da orientação ditada pelo "Proyecto de Lineamientos", a ser implementado através da concessão de ampla autonomia administrativa, financeira, de preços e de salários para as empresas mercantis e públicas. A planificação transforma-se em simples plano indicador geral que sequer privilegia a propriedade-produção estatal, desqualificada em relação às "empresas de capital misto" público-privado ou privado-privado, "empresas privadas" nacionais e internacionais; "cooperativas", "usufrutuários de terras", "arrendadores de estabelecimentos (públicos)", trabalhadores privados.

O "Proyecto de Lineamientos" indica impudicamente os caminhos para a canibalização da propriedade pública pela produção capitalista e mercantil. As empresas estatais deficitárias serão "submetidas a processo de liquidação", abrindo-se assim caminho à privatização das mesmas, a partir do direito de "arrendamento", de emprego "em usufruto permanente" e de compra, pelo capital privado ou por cooperativas de "proprietárias dos meios de produção". Caminho que permitiu na ex-URSS e em outros ex-países socialistas a compra e, melhor ainda, arrendamento de estabelecimentos falidos forçadamente por ex-administradores ligados à alta hierarquia do regime.

A transposição para a produção mercantil de serviços públicos como "comedores e transportes de operários", "barbearias", "táxis" etc., através do "arrendamento" dos bens estatais, já em desenvolvimento, constitui igualmente forma de privatização que procura construir base social para a reorganização privada geral da produção. Para não sabotar o projeto de privatização, nos "restaurantes operários" sob o controle do Estado está prevista a prática de refeições "a preços sem subsídios".

Redução drástica dos salários sociais

É forte entre importantes setores da população a ilusão de reorganização da sociedade em sentido mercantil que preserve o fornecimento público dos serviços relativos à saúde, educação, cultura, moradia, segurança, lazer. Ou seja, uma Suécia nos trópicos!

Para restauração capitalista, o baixo nível do desenvolvimento das forças produtivas materiais cubanas exige necessariamente elevado grau de exploração da força de trabalho, com inapelável diminuição substancial daqueles direitos para enorme parcela da população.

O "Proyecto de Lineamientos" é claro, nesse sentido, ao propor a literal supressão de "gratuidades indevidas (sic) e subsídios pessoais excessivos" (sic), em país em que a maior parte da população vive literalmente com o mínimo necessário à subsistência. Anuncia-se também a crescente responsabilização direta dos assalariados e de seus familiares pelos gastos com a assistência social.

No contexto do anúncio do avanço da diferenciação das remunerações, o "Proyecto de Lineamientos" define a necessidade de resgatar "o papel do trabalho" (salário) "como via fundamental para" a "satisfação das necessidades pessoais e familiares". No mesmo sentido, exige-se a transferência, para a responsabilidade do indivíduo singular, das "prestações (sociais) que possam ser assumidas pelas pessoas ou seus familiares". Uma indiscutível ruptura com a solidariedade social no relativo a prestações e serviços públicos, em favor de sua dependência aos recursos individuais.

Cada um por si

Não há piedade sequer com os direitos de educação do trabalhador, que deverá estudar, se quiser, no seu "tempo livre" e a "partir de seu esforço pessoal". Anuncia-se igualmente o fim da unidade previdenciária, com esfera pública e "regimes especiais de contribuição para o setor privado". No mesmo sentido, prevê-se diminuição dos serviços públicos na área dependente do orçamento estatal (pública), no relativo à "saúde e educação". Reduzidas ao "mínimo", as empresas desses setores que puderem "financiar seus gastos com seus ingressos" passarão a ser "auto-financiadas" ou se converterão "em empresas". Ou seja, poderão se transformar em cooperativas ou empresas privadas!

O golpe mais duro e imediato na população trabalhadora ativa e jubilada ligada ao setor público é o anunciado fim crescente da "libreta de abastecimiento", criada para "distribuição normatizada, igualitária e a preços subsidiados". Com a também proposta futura superação da dualidade monetária, a população será obrigada a procurar os bens mínimos para a subsistência no mercado livre, com moeda forte, de valor determinado pelo nível de trocas internacionais. Aos desempregados e mal empregados, logicamente, as cascas!

A privatização anunciada das terras é ainda mais ambiciosa, pois, devido aos desmandos da crescente privatização da economia, sob o comando de burocracia incompetente, atualmente mais de cinqüenta por cento das terras férteis encontram-se ociosas. Sem definição de limite, a entrega de terras a privados já em curso certamente abrirá espaço para o futuro ingresso de multinacionais do agronegócio, que saberão certamente valorizar, com o trabalho mal pago, os inúmeros engenhos açucareiros desmobilizados como improdutivos.

Mário Maestri, 62, rio-grandense, é historiador e professor do programa de pós-graduação em História da UPF.
E-mail: maestri@via-rs.net

Fonte: Café História

Hoje na História - 1911: Sun Yat-sen é eleito o primeiro presidente da República da China

30/12/2010 - 08:01 Max Altman São Paulo
Hoje na História - 1911: Sun Yat-sen é eleito o primeiro presidente da República da China

Sun Yat-sen (1866–1925), revolucionário chinês é eleito o primeiro presidente da República da China em 30 de dezembro de 1911. Nasceu perto de Guangzhou de uma família de fazendeiros. Aos 13 anos ingressou numa escola anglicana para meninos em Honolulu, onde foi influenciado pela cultura ocidental, em particular o cristianismo. Em 1892 formou-se em medicina numa faculdade de Hong Kong, exercitando a profissão nesta cidade. À parte dessas atividades, dedicou-se a derrotar a dinastia Ch'ing para em seu lugar estabelecer uma república chinesa estável.

Sun foge da China em 1895, após fracasso de uma revolta. Viaja pelo mundo diversas vezes para obter ajuda dos chineses que viviam no exterior para financiar suas atividades. Neste período leva a cabo um intensivo estudo da política ocidental e da teoria social e fica profundamente impressionado com os textos de Karl Marx e de Henry George, economista, político e escritor norte-americano, cuja obra mais famosa é Progress and Poverty (Progresso e Pobreza), escrita em 1879, um tratado sobre a desigualdade, a natureza cíclica das economias industriais e seus possíveis remédios.

Sun organizou em 1905 uma liga revolucionária, a T'ung Meng Hui (Aliança Revolucionária), no Japão e paulatinamente foi aperfeiçoando suas concepções políticas que finalmente foram baseadas em Três Princípios do Povo: nacionalismo, democracia e sustento do povo. A revolução irrompeu na China e Sun foi eleito presidente provisório da república chinesa em 30 de dezembro de 1911. Dois meses mais tarde, porém, renunciou em favor de Yuan Shih-kai. Quando Sung Chiao-jen transformou o T'ung Meng Hui num partido político nacional chamado Kuomintang (Partido Nacionalista do Povo), Sun passou a comandá-lo.

Entrementes, cresceu a oposição aos métodos ditatoriais aplicados por Yuan. Em 1913 Sun lidera uma fracassada revolta contra Yuan, tendo sido obrigado a buscar asilo no Japão, onde reorganizou o Kuomintang. Regressou à China em 1917 e em 1921 foi eleito presidente de um auto-proclamado governo nacional em Guangzhou no sul da China. Para desenvolver um poder militar necessário para uma expedição – Expedição Norte – contra os militaristas de Beijing, criou a Academia Militar de Whampoa – atualmente Academia Militar de Huangpu - tendo Chiang Kai-shek como seu comandante, e com a assessoria de líderes políticos como Wang Ching-wei e Hu Han-min na condição de instrutores políticos. Em 1924, para apressar a conquista de toda a China, deu início a uma política de ativa cooperação com os comunistas chineses, aceitando a ajuda da União Soviética na reorganização do Kuomintang.

Após a morte de Sun, quando em 1927 os comunistas e o Kuomintang romperam, cada lado proclamou-se como seu legítimo herdeiro. A veneração oficial à memória de Sun, especialmente da parte do Kuomintang, passou a ser na prática um culto religioso, centrado em torno de seu túmulo em Nanjing. Sua viúva, Soong Ch'ing-ling, com quem havia casado em 1914, ascendeu a posições na alta hierarquia do governo da China Popular após 1949.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Mensagem da Guerra Civil dos EUA é decifrada após 147 anos

Uma mensagem em uma garrafa entregue a um general secessionista durante a Guerra Civil americana foi finalmente decifrada, 147 anos após ter sido escrita.
Em código, a mensagem transmite ao general John Pemberton a informação de que não há reforços disponíveis para ajudá-lo a defender Vicksburg, no Estado do Mississippi.

“Não espere ajuda (vinda) do outro lado do rio”, diz a mensagem, decifrada por um ex-agente da CIA (agência de Inteligência americana).

O texto é datado de 4 de julho de 1863, dia em que as forças unionistas venceram a batalha em Vicksburg.

A pequena garrafa havia sido doada por um ex-combatente ao Museu da Confederação de Richmond, no Estado de Virgínia, em 1896.

No começo do ano, Catherine Wright, diretora do museu, decidiu investigar o que estava escrito no bilhete, por “curiosidade”, segundo relatou à Associated Press.

Quando descobriu que a mensagem estava cifrada, pediu ajuda a David Gaddy, um agente aposentado da CIA. Gaddy decifrou-a, e seu conteúdo foi em seguida confirmado por um criptologista da Marinha americana.

A queda de Vicksburg foi na época uma importante vitória para as forças da União, que acabaram derrotando os secessionistas na Guerra Civil (1861-1865).
Fonte: BBC Brasil

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Filme revela porões da tortura no país

Em documentário de 1971, ativistas nacionais mostram como era a repressão na ditadura
Evandro Éboli

Quarenta anos depois, contundentes imagens de como se dava a tortura aplicada pela ditadura e desconhecidas no Brasil chegam timidamente ao país. No documentário "Brazil, a report on torture" ("Brasil, o relato de uma tortura"), parte do grupo de 70 ativistas da luta armada que foram trocados pelo embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, em 1971, relata e encena práticas como pau de arara, choque elétrico, espancamento e afogamento.

O objetivo era denunciar no exterior o que ocorria nos porões da ditadura brasileira.
O filme foi realizado em 1971, em Santiago, no Chile, para onde os brasileiros foram banidos. O documentário foi uma iniciativa dos cineastas americanos Haskel Wexler e Saul Landau, que estavam no Chile para produzir material sobre o presidente Salvador Allende e souberam da presença dos brasileiros.

Quase todos os guerrilheiros que deram depoimentos não assistiram ao filme até hoje. Dois deles se suicidaram alguns anos depois: Frei Tito e Maria Auxiliadora Lara Barcelos, uma das mais próximas amigas da presidente eleita, Dilma Rousseff, no período da Var-Palmares, no início da década de 70.

Nas imagens, os ativistas simulam vários tipos de tortura, como uma pessoa tendo seu corpo esticado, com pés e mãos amarrados entre dois carros. Simulam a "mesa de operação": sem roupa, ou só de cueca, o torturado deita na mesa, tem os braços e pernas amarrados nas extremidades e sofre pressão na espinha. Uma barra de ferro, no alto, tem um barbante amarrado aos testículos. A pessoa era obrigada a ficar por duas ou três horas na posição, suportando o peso do corpo com as mãos e braços.

O GLOBO enviou cópia a alguns dos protagonistas, que somente agora tiveram acesso ao documentário e relembraram o depoimento.

Jean Marc Van der Weid, hoje diretor de uma ONG de agricultura alternativa, defendeu a luta armada no filme como única maneira de o povo chegar ao poder no Brasil ditatorial:
— Nunca tinha visto. Era um filme de denúncia contra a ditadura e produto de um momento inteiramente diferente de hoje. Não me lembrava nem do que falei. A ideia da luta armada era generalizada em quase todas as organizações de esquerda — disse Jean Marc, que era presidente da UNE quando foi preso e atuou na Ação Popular (AP).

OBS: Brazil, a Report on Torture é um documentário que foi produzido em 1971 com a colaboração do cineasta norte-americano Haskell Wexler, contando com depoimentos de brasileiros torturados e que se exilaram no Chile. O filme foi rodado com a colaboração de Saul Landau e Haskell Wexler.

(Trechos de "Brazil: a report on torture": http://www.youtube.com/watch?v=ukKtMCLkc7Y )

História Política

História Política - poder, micropoderes, discurso e imaginário político

Postado por José D'Assunção Barros

Política e Poder, é quase um truísmo dizer, são indissociáveis. Por outro lado, tanto a Política – campo de expressão por excelência do Poder nos seus âmbitos mais tradicionais – como o Poder em seu sentido mais amplo (o que inclui toda uma diversidade de setores da vida social e das atividades humanas nas quais tal noção se aplica de maneira imperiosa) são igualmente indissociáveis da História. A Política, em sentido mais restrito, e o Poder, em sentido mais amplo, são construídos, percebidos, exercidos, apropriados, imaginados e discursados de modos diferenciados ao longo da História. Nada mais natural que, diante do incessante fluxo da História no que tange às múltiplas perspectivas sobre o Poder que vão surgindo e se desenvolvendo, também tenha se afirmado no seio da historiografia um campo mais específicos de estudos, também em permanente transformação: a História Política.
.
É precisamente no âmbito deste campo mais específico de estudos historiográficos que, nas décadas recentes, tanto no Brasil como nos círculos historiográficos internacionais, tem crescido o interesse em se rediscutir o Poder, a Política e a própria História Política com relação aos seus paradigmas, questões conceituais e procedimentos metodológicos. O interesse facilmente se explica. Se a partir da terceira década do século XX se impuseram como campos preferenciais vitoriosos na historiografia ocidental alguns modos de pensar e realizar a História que pareciam relegar para segundo plano a História Política – na verdade uma velha História Política que fora tão típica do século XIX – já nas décadas recentes a historiografia ocidental se viu partilhada por uma diversidade muito maior de modalidades e abordagens históricas, algumas novas, outras renovadas.
.
Em um mundo contemporâneo no qual tem se tornado cada vez mais clara a multiplicidade de poderes de todos os tipos que envolvem a vida social e individual, da coerção ou planificação governamental mais direta às sutis formas de propaganda subliminares, a História Política viu-se sensivelmente renovada neste novo rearranjo de modalidades históricas. Trata-se, contudo, muito mais de um desenvolvimento lógico e estrutural da Historiografia e de sua inserção no contexto da história recente, conforme veremos oportunamente, do que de uma simples moda historiográfica que retorna para compensar seus anos de relativo eclipse.
.
Vejamos, antes de mais nada, como se situa a História Política no quadro das inúmeras modalidades em que hoje se encontra partilhado o Campo da História. Dentro do vasto campo de modalidades da História que hoje abrigam os enfoques e fazeres historiográficos – e que vão de categorias mais recentes como a Micro-História e a História do Imaginário até categorias já tradicionais como a História Econômica e a História Demográfica – existem algumas modalidades que se definem a partir de uma peculiaridade bem interessante. Elas são atravessadas por uma palavra apenas, que parece iluminar de maneira especial cada um dos seus diversos caminhos internos. Entre outras possíveis, podemos lembrar as noções de “Cultura”, “População”, “Poder”, a partir das quais teremos modalidades historiográficas muito específicas como a História Cultural, a História Demográfica, a História Política. Dentre essas modalidades historiográficas que são iluminadas em seu espectro de possibilidades internas por uma noção fundamental, a História Política ocupa um lugar bastante especial por razões que já discutiremos. Por trás da História Política – de qualquer história política, das antigas às novas possibilidades – está uma palavra apenas, ou um aspecto, que ocupa o papel de centro de gravidade de todos os fazeres e abordagens históricas que se abrigam sobre esta categoria. A palavra “poder” rege os caminhos internos da História Política da mesma maneira que a palavra “cultura” rege os caminhos internos da História Cultural, ou que a palavra “imagem” erige-se como horizonte fundamental para a História do Imaginário.
.
“Poder”, como “cultura”, é entretanto uma palavra complexa, polissêmica, que se abre como campo de disputas para múltiplos sentidos e como objeto para multidiversificadas apropriações. Temos aqui palavras que são verdadeiros espelhos de muitas faces, que se transfiguram conforme os seus usos ou as intenções que as animam, que se transformam, que se comprimem ou se alargam ao longo da sua história léxica. A palavra “poder” é como uma armadura que se tem oferecido para muitas batalhas historiográficas, verdadeira arena que estimula confrontos internos dos quais podem emergir vencedores, neste ou naquele momento, alguns sentidos mais específicos ou mais abrangentes.
.
Deveremos indicar, em primeiro lugar, a expansão de sentidos a que se permite o conceito de “Poder” na passagem de uma história política mais tradicional, como a que se fazia no século XIX, para as novas possibilidades que surgem com a historiografia do século XX, culminando com um novo âmbito que, nas últimas décadas do século XX, já passa a ser referido em termos de uma “nova história política”. “Poder”, de acordo com estas expansões de sentido, não seria apenas aquele que, na ótica dos historiadores e pensadores políticos do século XIX, emanava sempre do Estado ou das grandes Instituições – ou que a estes podia se confrontar através de revoluções capazes de destronar um rei e impor uma nova ordem igualmente centralizada – e nem seria apenas aquele poder que de resto mostrava-se exercido fundamentalmente pelos personagens que ocupavam lugar de destaque nos quadros governamentais, institucionais e militares da várias nações-estados. “Poder” – de acordo com uma nova ótica que foi se impondo gradualmente – é aquilo que exercemos também na nossa vida cotidiana, uns sobre os outros, como membros de uma família, de uma vizinhança ou de uma comunidade falante. “Poder” é o que exercemos através das palavras ou imagens, através dos modos de comportamento, dos preconceitos.
.
O “Poder” apresenta-se a todo instante neste imenso teatro social no qual todos ocupamos simultaneamente a função de atores e de espectadores – daí que se possa falar hoje em um “teatro do poder” quando examinamos a política nas várias épocas históricas. Poder, no decurso de uma série de novas lutas políticas e sociais que redefiniu radicalmente a sociedade em que vivemos, é aquilo os homens aprenderam a reconhecer nas mulheres, que as maiorias aprenderam a reconhecer nas minorias, que o mundo da ordem aprendeu a reconhecer na marginalidade, que os adultos que aprenderam a reconhecer nos mais jovens. Essa compreensão mais abrangente da noção de “poder” redefine, obviamente, os sentidos para o que se deve entender por História Política.
.
Redefinida desta maneira, os objetos da História Política são todos aqueles que se mostram atravessados pela noção de “poder” em todas as direções e sentidos, e não mais exclusivamente de uma perspectiva da centralidade estatal ou da imposição dos grupos dominantes de uma sociedade. Neste sentido, teremos de um lado aqueles antigos enfoques da História Política tradicional que, apesar de terem sido rejeitados pela historiografia mais moderna de a partir dos anos 1930 (Escola dos Annales e novos marxismos), com as últimas décadas do século XX começaram a retornar dotados de um novo sentido. A Guerra, a Diplomacia, as Instituições, ou até mesmo a trajetória política dos indivíduos que ocuparam lugares privilegiados na organização do poder – tudo isto começa a retornar a partir do final do último século com um novo interesse.
.
De outro lado, além destes objetos já tradicionais que se referem às relações entre as grandes unidades políticas e aos modos de organização destas macro-unidades políticas que são os Estados e as Instituições, adquirem especial destaque, por exemplo, as relações políticas entre grupos sociais de diversos tipos. A rigor, as ‘ideologias’ e os movimentos sociais e políticos (por exemplo, as Revoluções) sempre constituíram pontos de especial interesse por parte da nova historiografia que se inicia com o século XX, mesmo porque estes eram campos de interesses muito caros à nova História Social que estava então se formando. Mas por outro lado, tal como já ressaltamos, hoje despertam um interesse análogo as relações interindividuais (micropoderes, relações de poder no interior da família, relacionamentos intergrupais), bem como o campo das representações políticas, dos símbolos, dos mitos políticos, do teatro do poder, ou do discurso


(BARROS, José D'1Assunção. “História Política – o estudo historiográfico do poder, dos micropoderes, do discurso e do imaginário político”. Educere et Educare – Revista de Educação. n°4, n°1. 1° semestre de. 2009).

O artigo baseia-se no capítulo "História Política" do livro O Campo da História (Petrópolis: Editora Vozes, 2009, 7a edição)

Fonte: Histórica

1895: Primeira sessão pública de cinema

Calendário Histórico
1895: Primeira sessão pública de cinema

>>Na imagem: Auguste e Louis Lumière

O dia 28 de dezembro de 1895 é tido como o nascimento do cinema comercial. Com um programa fílmico de 40 minutos, os irmãos franceses Lumière perseguiam a meta que norteia a 7ª arte até nossos dias: maravilhar o público.

A entrada do salão indiano do Grand Café de Paris não estava exatamente apinhada naquele 28 de dezembro de 1895. Não mais de três dúzias de visitantes vieram presenciar o momento histórico da primeira sessão cinematográfica comercial do mundo.


O ingresso custava um franco, o programa previa dez filmes de três a quatro minutos de duração. Os organizadores da apresentação eram os irmãos Auguste e Louis Jean Lumière, filhos do famoso fotógrafo Antoine Lumière, de Lyon.


Hoje, eles são considerados os inventores do cinema, embora antes deles os alemães irmãos Skladanovski, por exemplo, tivessem apresentado um programa no Varieté Wintergarten de Berlim em novembro do mesmo ano.


"Venha ver algo que o deixará maravilhado"


Ao lado dos Lumière, o igualmente francês Georges Méliès conta entre os pioneiros da sétima arte. Mas, enquanto os irmãos rodavam o que hoje se chamaria de documentários, Méliès trouxe a fantasia ao meio. Não é de espantar: ele ganhava a vida como mágico.


Também ele esteve presente àquela legendária projeção em dezembro de 1895. Anos mais tarde, relataria assim seu encontro com Antoine Lumière:


"'Monsieur Méliès, o senhor tem o hábito de maravilhar seu público. Gostaria de vê-lo esta noite no Grand Café.' Por quê?, perguntei. 'O senhor verá algo que o deixará maravilhado.' Primeiro, ele projetou imagens imóveis com seu aparelho, como também fazíamos em nossos números. Eu disse: Nós fazemos isso há 20 anos! Ele deixara as imagens paradas durante um tempo, de propósito. Subitamente, notei que as pessoas se moviam na tela em nossa direção. Ficamos todos completamente perplexos!"


De volta às origens


O novo salto quântico da história do filme ocorreria 30 anos mais tarde, com a introdução da película sonora. A voz do cantor norte-americano Al Jolson foi a primeira a se fazer ouvir no cinema.


Em nossos dias, o cinema atravessou um desenvolvimento meteórico, ultrapassando, em seu efeito sobre o público, o teatro, as artes plásticas e a literatura. Em termos de sugestão de massas e popularidade, apenas os heróis da música popular podem competir com ele.


O que compõe o núcleo aglutinador do cinema, de onde vem o fascínio da sétima arte? O diretor norte-americano Sam Fuller deu uma das mais belas definições do filme em 1965, na película O demônio das 11 horas (Pierrot le fou), de Jean Luc Godard.


Jochen Kürten (av)


Fonte: DW-World.de

28 de dezembro de 1993 – Israel e Vaticano reatam relações diplomáticas

28 de dezembro de 1993 – Israel e Vaticano reatam relações diplomáticas
28/12/2010 - 00:01 Enviado por: Alice Melo

Em 1993 Israel e o Vaticano aprovaram um histórico “acordo fundamental” que incluiu o reconhecimento diplomático mútuo assim que este fosse assinado por ambas as partes, no dia seguinte, em Jerusalém. O acordo foi comemorado por diplomatas como o passo mais importantes nas relações entre a Santa Sé e Israel desde a fundação do Estado judeu, em 1948, e uma mudança de rumo em 2000 mil anos de um freqüentemente tenso relacionamento entre católicos romanos e judeus.

A importância do acordo político, elaborado durante 17 meses por uma comissão diplomática mista, não foi superestimada pelo Papa João Paulo II. Na audiência concedida ao rabino chefe de São Paulo e coordenador das relações inter-religiosas da Confederação Hebraica da América Latina, o papa enfatizou o fato de a questão de Jerusalém continuar um grande problema, de solução muito difícil, uma vez que, para os católicos, continua inaceitável a proclamação de Jerusalém como capital indivisível de Israel.

João Paulo II falou sobre o significado deste primeiro passo para o diálogo entre católicos e judeus, a contribuição que pode dar ao tratado de paz firmado a 13 de setembro do mesmo ano pelo Premier israelense, Yitzhak Rabin, e o Líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat.

O acordo reconheceu “as características singulares e o significado universal da Terra Santa”; estabeleceu que os dois Estados trocassem representantes especiais a serem substituídos por embaixadores quando o acordo entrasse em vigor, após a ratificação pelo parlamento israelense; instituiu que Israel respeitasse as outras religiões e seus fiéis, assim como a garantia de liberdade religiosa aos católicos apostólicos romanos; fez garantir que as duas partes lutassem contra o anti-semitismo, racismo e intolerância religiosa; e, por último, fez com que ambos prometessem respeitar e proteger lugares santos católicos e promover peregrinações de católicos à Terra Santa, na esperança de melhorar a compreensão entre as religiões.

Como alertara o Papa, apesar do acordo ter sido um grande avanço para a tolerância religiosa entre ambos os povos após dois mil anos de disputas e rivalidades, a partilha de Jerusalém permanece inacabada.

Fonte: JBlog

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Hoje na História: 1942 - Alemães recrutam prisioneiros de guerra soviéticos

27/12/2010 - 08:00 Max Altman São Paulo
Hoje na História: 1942 - Alemães recrutam prisioneiros de guerra soviéticos

>>Na imagem: Vlasov (de óculos, ao centro) e o general Shilenkov em encontro com Joseph Goebbels, em fevereiro de 1945

Em 27 de dezembro de 1942, o exército alemão começou a recrutar os prisioneiros de guerra soviéticos para lutarem contra a sua própria pátria. O general Andrei Vlasov, considerado um herói de guerra, capturado pelos nazistas, tornou-se um feroz anticomunista, passando a comandar as tropas soviéticas renegadas.

O absurdo da história é que no final do verão de 1941, durante dois meses, Vlasov tinha defendido corajosamente a cidade de Kiev; depois, como comandante do XX Exército Soviético, tinha rechaçado as forças alemãs que avançavam sobre Moscou. Tinha sido recompensado com condecorações, felicitações e o comando do Grupo de Exércitos do Volkhov.

Vlasov era um militar desde 1919, quando, aos 19 anos, foi recrutado para servir no Exército Vermelho para combater na Guerra Civil Russa. Após filiar-se ao Partido Comunista em 1930, tornou-se adido militar na China de Chiang Kai-shek. Retornando à União Soviética em 1939, Vlasov foi designado para comandar o 4º Corpo Blindado. Distinguiu-se na defesa de Kiev e Moscou contra os invasores alemães, recebendo pelas suas ações a Ordem de Lenin em 1941 e mais tarde a Ordem da Bandeira Vermelha como comandante geral do 20º Exército.

Mudança de lado

Depois veio a defesa de Leningrado em 1942. Os alemães suplantavam as forças soviéticas no front e Stalin não permitiu que Vlasov se retirasse para uma posição mais favorável. Seu exército foi batido e ele tomado prisioneiro junto com a maioria dos seus homens, durante mais de dois anos. No campo de concentração de Vinnitga pôs-se do lado dos germânicos.

Mas só no outono de 1944, quando Himmler autoriza o uso de tropas orientais, é que ele pôde colaborar. Já se tinha fundado então o KONR - Comitê de Libertação dos Povos da Rússia - e é criada uma força militar formada por duas divisões sob comando de Vlasov.

Vlasov alegava ter-se indisposto com Stalin e com a ideologia comunista, afirmando que era uma ameaça mais sinistra para o mundo que o nazismo. Começou a difundir a propaganda anti-soviética, tendo formado então – com a permissão da hierarquia nazista – o Comitê pela Libertação dos Povos da Rússia. Seu objetivo: derrubar Stalin e o comunismo.

O “Comitê Smolensk” germânico tratou de persuadir mais e mais soldados russos, ucranianos, cossacos e outras nacionalidades a se juntar no esforço de guerra alemão. Chegou finalmente a formar um contingente de soldados soviéticos agora pró-alemães de cerca de 50 mil homens, a Divisão Russa de Libertação, que lutou até o fim da guerra.

Problemas

Vlasov assumiu oficialmente o comando de seu "exército", e em fevereiro de 1945, o Alto Comando da Wehrmacht mobiliza várias companhias anticarro da 1ª Divisão de Vlasov para a frente ocidental do Oder, o que provoca os primeiros problemas. Buniachenko, segundo-comandante de Vlasov, resiste: "Os soldados não querem lutar contra os seus antigos camaradas, mas sim contra os norte-americanos".

Milhares desses soldados acabaram se virando contra os alemães, rendendo-se finalmente aos norte-americanos, em vez dos soviéticos que avançavam rapidamente pelo leste. Washington, cumprindo os termos secretos do Acordo de Yalta firmado em fevereiro, repatriou todos os soldados soviéticos capturados, contra a vontade. Vlasov estava entre aqueles que retornaram à União Soviética. Foi enforcado por alta traição, bem como os oficiais que com ele estiveram.


domingo, 26 de dezembro de 2010

1194: Nasce Frederico 2º, "stupor mundi"

Calendário Histórico
1194: Nasce Frederico 2º, "stupor mundi"

A 26 de dezembro de 1194, nasceu Frederico 2º. Coroado imperador do Sacro Império Romano-Germânico em 1220, ele ficaria na história como um dos monarcas mais esclarecidos.
Jesi, localidade próxima de Ancona, Itália: no dia 26 de dezembro de 1194, nascia o rei Frederico 2º, da casa dos Staufer. Após seu pai, o imperador Henrique 6º, deixa a família nessa cidadezinha das montanhas da Apúlia para prosseguir a campanha de conquista da Sicília.

Frederico 2º era o menino mais poderoso de seu tempo: aos três anos deveria subir ao trono na Alemanha. A cerimônia de coroação, na catedral imperial de Frankfurt, já estava marcada. Contudo a morte de seu pai, em setembro de 1197, aos 31 anos de idade, deu margem a rebeliões contra o domínio alemão na Itália e Sicília, e a entronização teve que ser adiada.

Sua mãe, a imperatriz Constança, também rainha da Sicília, levou Frederico para Palermo, onde em 1198, aos três anos de idade, ele foi coroado rei da Sicília. A mãe morreu poucos meses depois, deixando-o completamente órfão.

Viúva e enfraquecida pela perda do marido, Constança havia designado o papa Inocêncio 3º para ser o tutor da criança.

Um imperador intelectual

Em Palermo, fronteira entre o Ocidente e Oriente, o jovem imperador aprendeu a conhecer a vida, as artes, religiões, filosofias e os segredos do mundo e do poder.

Dominava a arte da escrita como nenhum de seus antecessores. Certa vez, realizou experiências para descobrir qual era a língua falada por uma criança à qual nunca se ensinara um idioma. O método – cruel – consistia em privar as cobaias de qualquer tipo de intercâmbio verbal.

O monge franciscano Salimbene de Parma, adverso a Frederico, descreveu assim esse episódio: "Ele queria saber se as crianças falavam o hebraico, como idioma mais antigo, ou grego, latim ou árabe, ou ainda a língua dos pais. Mas ele se esforçava em vão, poise todas as crianças acabavam morrendo".

Platão como guia

Frederico 2º estava enraizado no Cristianismo e no Islamismo. Além de estadista, político e funcionário público número um, foi poeta, mestre de obras e falcoeiro. Seus escritos contam entre os tesouros da Idade Média.

Na Sicília, o monarca criou uma estrutura enxuta de funcionalismo público, concentrada no sucesso, orientada para a eficiência e sem instâncias feudais.

Suas Constituições de Melfi, de 1231, constituíram a primeira tentativa de estruturar uma comunidade humana de acordo com o pensamento platônico – conceito que previa a figura de um imperador. Nelas, o pensador real estabelecia:

"Ordenamos a todos os habitantes do Império que preservem a paz, indispensável à justiça. Ninguém deve, no exercício do poder absoluto, vingar crimes e agressões ocorridos no passado ou tramados para mais tarde, impor regras de opressão ou vingança, nem iniciar um conflito dentro do reino. Em vez disso, os fatos devem apurados judicialmente pelas autoridades responsáveis pela jurisdição em que ocorreu o litígio."

Conflitos com o Papa

Frederico 2º freqüentemente entrou em conflito com o papa Gregório 9º, chegando a ser banido. Encarregado de organizar uma cruzada, hesitou, e resolveu fazer o que ninguém considerava possível. Como mediador entre Ocidente e Oriente, negociou um acordo de paz com o sultão Al-Kamil, do Egito.

Os dois monarcas mais modernos do século estavam conscientes de que, se não negociassem com sabedoria, ocorreria uma guerra. Assinaram um tratado pelo qual Frederico 2º praticamente ganhou de presente a cidade santa de Jerusalém por um período de dez anos.

Monarca progressista

Por mais genial que tenha sido esse acordo, Frederico 2º – o mais piedoso estadista no trono imperial, apelidado stupor mundi (o espanto do mundo) – estava condenado ao fracasso. Fracassou diante do Papa, dos alemães e de si próprio, possivelmente por estar muito além de seu tempo.

Morreu em 13 de dezembro de 1250, de uma infecção intestinal, pouco antes de completar 56 anos de idade, quando ainda sonhava tornar-se senhor do mundo. Sobretudo pelos escritos que deixou para a posteridade, tornou-se imortal, como seu avô, Frederico 1º, o Barba Ruiva.


Claus-Dieter Gersch (gh)
Fonte: DW-World.de

26 de dezembro de 1977- Aprovada a Lei do Divórcio

26 de dezembro de 1977- Aprovada a Lei do Divórcio
Enviado por: Alice Melo
O presidente Ernesto Geisel sancionou sem vetos a Lei 6.515, que regulamentou o divórcio no Brasil. De acordo com o porta-voz da presidência, Geisel teria cogitado vetar o polêmico Artigo 38, que limita a uma única vez o pedido de divórcio, mas concluiu que o veto "alargaria demasiadamente o projeto, contrariando o que os legisladores decidiram". O presidente preferiu então deixar o próprio Congresso retirar a restrição.

O Artigo 38, incluído pelos deputados e senadores antidivorcistas, colidia com a Emenda Constitucional de número 9, que institui a lei. Os juristas alertavam que o dispositivo impedia o acesso ao direito constitucional do divórcio à pessoa que, sendo solteira, tivesse casado com uma pessoa divorciada. Se esta pretendesse o divórcio, não poderia obtê-lo, porque o seu cônjuge já havia se separado uma vez. Assim, o segundo casamento se tornaria indissolúvel.

O senador Nelson Carneiro (MDB-RJ) autor da Lei do Divórcio, preparou naquele mesmo ano a emenda que iria acabar com a obrigatoriedade do divórcio único, que, na realidade só foi abolida em 1988, quando ficou permitido ao cidadão casar e divorciar-se quantas vezes lhe conviesse.

Os primeiros a apresentarem a petição do divórcio foram os mais idosos, com idades entre 62 e 75 anos. Casais que não viviam mais juntos desde 1951 puderam finalmente legalizar sua condição e principalmente a situação de seus filhos do segundo casamento.

Em 2007, a Lei 11.441 permitiu a realização de separações e divórcios consensuais, além de inventários em cartório sem a presença de um juiz. Para obter o benefício, o casal não poderá ter filhos menores de 18 anos ou incapazes, e deve estar casado há mais de um ano. A lei reduziu a burocracia, o tempo e os custos dos processos. O que antes demorava em média seis meses, passou a ser feito em poucos dias.

Fonte: JBlog

sábado, 25 de dezembro de 2010

1865 - É fundada a comunidade racista Ku Klux Klan

24/12/2010 - 08:19 Max Altman São Paulo
Hoje na História: 1865 - É fundada a comunidade racista Ku Klux Klan

Cruz sendo queimada, atividade introduzida por William J. Simmons, o fundador da segunda Klan em 1915

Em 24 de dezembro de 1895, em Pulaski, Tennessee, acontece a primeira reunião da Ku Klux Klan, nome dado a um grupo de militares veteranos da Guerra de Secessão - guerra civil norte-americana - que lutou nas tropas confederadas do Sul dos Estados Unidos.

A KKK cresceu rapidamente e logo se transformou de uma entidade secreta de fraternidade social para uma força paramilitar dedicada a reverter as ações progressistas do governo federal no sul do país, em um plano conhecido como Era da Reconstrução, em especial o enfrentamento das políticas que objetivavam os direitos da população afro-americana.

O nome de Ku Klux Klan é derivado da palavra grega ‘kyklos’, que significa ‘círculo’ e da palavra gaélico-escocesa ‘clan’ que provavelmente foi escolhida para repetir fonemas idênticos ou parecidos no início das palavras, visando efeitos propagandísticos, ou seja, em favor da aliteração.
Os membros da KKK usavam um capuz e um roupão branco para não serem reconhecidos quando tinham de aterrorizar, agredir e linchar os negros. Ou então colocar fogo em uma cruz no meio do milharal.

O ex-general confederado Nathan Bedford Forrest foi o primeiro "Grande Feiticeiro", titulo conferido ao chefe da organização KKK. Em 1869, tentou sem sucesso dissolvê-la quando passou a criticá-la por sua excessiva violência.

Em alguns estados sulistas, partidários do Partido Republicano organizaram unidades de milícia para desbaratar a KKK. Em 1871, a Lei KKK foi aprovada no Congresso, autorizando o presidente Ulysses Grant a usar força militar para reprimir a KKK. A lei acabou pôs nove condados da Carolina do Sul sob lei marcial, o que resultou em centenas de prisões. Em 1882, a Suprema Corte declarou lei inconstitucional, porém, o KKK se enfraquecia paulatinamente.

Século XX

O século XX assistiu a dois ressurgimentos da KKK: um em resposta aos fluxos imigratórios dos anos 1910 e 1920 e outro em resposta ao movimento dos direitos civis dos afro-americanos nos anos 1950 e 1960.

Após a Segunda Guerra Mundial, Samuel Green, da Georgia, liderou uma tentativa conjunta de ressucitar o KKK, mas fracassou totalmente quando a organização se cindiu e estado após estado expressamente proibiram o agrupamento.

Contudo, as ações públicas do movimento pelos direitos civis da população negra durante os anos 1960 deram à KKK um novo ímpeto, levando ao ressurgimento de organizações. A mais notória foram "Os cavaleiros Brancos" do Mississippi, comandada por Robert Shelton.

Os renascidos grupos foram responsáveis por violentos ataques contra negros e militantes dos direitos civis em cidades de todo o Sul, como Jacksonville e St. Augustine, Florida., Birmingham e Montgomery, Alabama e Meridian, Mississippi.

Apesar do apoio de setores da elite branca, a nova KKK não demonstrava ser forte e já no final da década seu poderio e militância baixaram praticamente a zero. Embora um renascimento de apoio à KKK tenha sido manifestado pela surpreendente popularidade no começo dos anos 1990 de David Duke, na Louisiana, a filiação às organizações se restringe atualmente em poucos milhares de membros.

Fonte: Opera Mundi

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Regulamentação da Profissão

O Projeto de Lei do Senado 368/2009, de autoria do Senador Paulo Paim (PT-RS), encontra-se nas mãos do Senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), relator do projeto na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, para onde foi remetido por requerimento dele próprio, desde o dia 25 de maio de 2010. O Senador não parece disposto a emitir qualquer parecer sobre a matéria até o final da legislatura, que ocorrerá agora no mês de dezembro, isto ocorrendo o projeto será arquivado por não ter sido analisado. Solicitaremos através de carta ao Senador Paulo Paim, reeleito para a próxima legislatura, que como autor da matéria, peça o desarquivamento do projeto logo no início do próximo ano, para que o mesmo volte a tramitar na Casa, iniciando novamente pela Comissão de Assuntos Sociais, em caráter terminativo, onde esperamos que a nova bancada do Senado volte a aprová-lo.

O Projeto de Lei da Câmara Federal 3759/2004, de autoria do deputado Wilson Santos, com projeto anexo do deputado Jovair Arantes (7321/2006) continua parado na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público. Houve uma proposta por parte do relator Deputado Fernando Nascimento (PT-PE) e do Deputado Iran Barbosa (PT-SE) de realização de uma audiência pública na Comissão para tentar sensibilizar os deputados em relação à matéria.

Infelizmente esta proposta foi atropelada pelo esvaziamento do Congresso devido ao período eleitoral e a dificuldade que tivemos em conseguir os nomes para comparecerem a esta audiência. Dado o resultado das últimas eleições podemos dizer que, neste momento, esta proposta está completamente órfã já que nem o Deputado Fernando Nascimento, nem o Deputado Iran Barbosa se reelegeram para a próxima legislatura. O projeto deve ser novamente arquivado ao final da atual legislatura no mês de dezembro. No entanto, assim como ocorreu no inicio de 2007, é possível que consigamos o desarquivamento do projeto através de requerimento do Deputado Jovair Arantes (PTB-GO), reeleito para a próxima legislatura, que por ser autor do projeto em anexo da proposta poderá requerê-lo.

Fonte: Informe ANPUH

Novo Código de Processo Civil – CPC

A ANPUH nacional vem participando ativamente da discussão relativa ao novo Código de Processo Civil – CPC, que tramita no Congresso Nacional. O artigo 967 do projeto previa a eliminação/destruição de processos judiciais após decorridos cinco anos do seu arquivamento, o que implica a eliminação de fontes fundamentais para a construção do conhecimento histórico. Sobre isso, basta lembrar que boa parte da renovação experimentada pela historiografia brasileira a partir da década de 1980 teve como base documental os processos judiciais.

A proposta gerou severas críticas de parte de diversas entidades e instituições voltadas à pesquisa histórica, em especial da ANPUH. Pesquisadores também manifestaram-se contrários a essa possibilidade de eliminação e destruição de fontes de pesquisa, a exemplo da historiadora Silvia Lara, da UNICAMP, que, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo de 25.8.2010, afirmou que a proposta “[...] atropela a obrigação do Estado de preservar documentos históricos, viola regras arquivísticas básicas e reforça a moda burocrática de limpar o passado destruindo fontes importantes para a memória do país”.

Em função dessas reações, o Senador Eduardo Suplicy (PT-SP) propôs a modificação do art. 967 no sentido de que os processos judiciais e demais documentos produzidos pelo Poder Judiciário fossem preservados. Essa Emenda [ver], sob aplausos das entidades de pesquisa e da sociedade em geral, foi acolhida por unanimidade na reunião da Comissão Temporária realizada no dia 11.8.2010.

Surpreendentemente, o texto do parecer final do Relator trouxe redação diversa da que havia sido apresentado pelo Senador Suplicy, retomando a eliminação dos autos findos aos cinco e transformando o direito à preservação em uma obrigação individual das partes. Os opositores da preservação alegaram que a Emenda, se aprovada, provocaria despesas inviáveis aos Tribunais. No momento da votação, em 15.12.2010, dada a tensão colocada e a dificuldade política real de ser aprovada a Emenda Suplicy, a solução encontrada foi a de retirar o artigo originalmente proposto, ou seja, retirar a possibilidade da eliminação e, para que a questão seja melhor debatida na sociedade civil e na Câmara dos Deputados. Portanto, precisamos ficar atentos. A possibilidade de destruição desses documentos é real!!

Esta é uma luta dos historiadores! Acompanhe o debate sobre o novo CPC. Participe das audiências públicas! Pressione os deputados de seu estado para que aprovem legislação que possibilite a preservação dos documentos judiciais.

Benito Bisso Schmidt
2º Tesoureiro da ANPUH, Professor da UFRGS e Diretor do Memorial da Justiça do Trabalho no Rio Grande do Sul.

Fonte: Informa ANPUH

Em apenas um ano, Argentina condenou 89 repressores da ditadura militar

23/12/2010 - 08:08 Luciana Taddeo Enviada especial a Córdoba
Em apenas um ano, Argentina condenou 89 repressores da ditadura militar

Um total de 13 julgamentos realizados neste ano culminou na condenação de 89 repressores que atuaram na ditadura cívico-militar argentina, cuja violência resultou em um saldo estimado de 30 mil desaparecidos, entre os anos de 1976 e 1983. Do total de acusados, 47 foram condenados à prisão perpétua e apenas nove foram absolvidos.

Segundo um informe divulgado pela organização H.I.J.O.S. (Filhos pela Identidade e Justiça, contra o esquecimento e o silêncio) da cidade de La Plata, 51 repressores tinham sido condenados até esta segunda-feira (20/12), e um absolvido. Segundo o levantamento, a quantidade de cadeias perpétuas chegava a 19.

O número aumentou significativamente nos últimos dois dias: na tarde desta terça-feira, um tribunal de Buenos Aires condenou 16 torturadores que atuavam em centros clandestinos de prisão da capital argentina, acusados de 181 crimes, entre os quais torturas, sequestros, estupros e assassinatos. Um dos réus foi absolvido. Entre as sentenças, 12 foram de prisão perpétua.

Já na tarde de ontem, o Tribunal Oral Federal no. 1 de Córdoba decretou penas para 23 responsáveis por assassinatos e torturas, entre abril e outubro de 1976, em um presídio desta província, localizada no noroeste argentino. Dos 30 acusados, sete foram absolvidos e 16 condenados à prisão perpétua, entre eles Jorge Rafael Videla, primeiro presidente da ditadura militar no país.

Luciano Benjamín Menéndez, então chefe do Terceiro Corpo do Exército, que comandava as atividades militares de dez províncias do noroeste argentino, foi condenado duas vezes à perpétua em 2010, acumulando cinco penas similares.

Ainda segundo o comunicado emitido pela organização, desde 2003, com a derrogação das leis de impunidade (que limitavam o tempo dos julgamentos e a patente dos militares que poderiam ser acusados), até 2009, foram realizados 20 julgamentos, com 67 repressores condenados e sete absolvidos.

Para o juiz federal argentino, Rafael Rafecas, o grande número de condenados “se trata de um cenário completamente previsível”, afirmou ao Opera Mundi. Rafecas decretou a prisão preventiva de Videla em 2008, após uma indagação vinculada a 570 casos de sequestros, 270 práticas de torturam, 29 homicídios, além de roubo de bebês.

“Isso é só o começo”, garantiu o juiz, ao que completou: “Nada impedirá que o processo de condenações continue e vai durar por muitos anos.” Para Rafecas, os processos judiciais “de memória e justiça” são uma contribuição importante, “ainda que não a única”, aclarou, “para nos distanciarmos definitivamente do modelo cultural autoritário que regeu a Argentina por muitos anos”.

Morosidade

O informe elaborado pela organização de La Plata, no entanto, expressa insatisfação com a morosidade da justiça. Entitulado de “A tartaruga judicial continua seu caminho”, o documento explicita: “de milhares de genocidas, apenas alguns poucos estão sendo julgados pelos processos propostos pelo kirchnerismo”.

No entanto, para Diego Castaño, funcionário de um ex-centro clandestino de prisão e integrante dos H.I.J.O.S. de Córdoba, os julgamentos são uma vitória do atual governo. “Acredito que muitas coisas deveriam ser corrigidas, mas votar em qualquer outro candidato à presidência nas próximas eleições seria dar um passo para trás. Prova disso são os indultos promulgados pelo ex-presidente Carlos Menem, anistiando aos repressores”, afirmou.

Para Rosário Rodríguez, cujo marido foi fuzilado durante o período militar, e que se tornou uma das querelantes do processo que levou Videla à prisão perpétua, os governos anteriores aos do ex-presidente Néstor Kirchner e de sua esposa, Cristina, “nunca fizeram nada para por os militares no lugar em que deveriam estar: na cadeia”.

Segundo ela, que integra a Associação de Familiares de Desaparecidos e Presos por Razões Políticas de Córdoba, os Kirchner “foram os únicos presidentes que nos abriram as portas e posicionaram os direitos humanos como política de governo”, conclui.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Catálogo de jornais agora pode ser consultado pela internet

Já está disponível em nosso site o catálogo de jornais do Arquivo Público do Estado, que possui uma das maiores hemerotecas de São Paulo. Este novo instrumento de pesquisa facilita o acesso ao acervo de jornais, pois permite que os pesquisadores conheçam, pela internet, todos os títulos disponíveis para consulta. Até então, os consulentes utilizavam apenas o catálogo impresso no salão de atendimento da instituição.

Ao todo, 1.368 títulos foram catalogados pelo Núcleo de Hemeroteca e Biblioteca do Arquivo Público. A busca pode ser feita por título, região de SP (capital, bairros ou interior), Cidade, Estado ou País. Uma das novidades deste catálogo é a "consulta detalhada", que informa quais datas do jornal desejado podem ser consultadas e quais não constam no acervo. Este recurso já está disponível para quase todos os títulos catalogados. Outra facilidade é que o pesquisador
pode consultar os títulos já digitalizados diretamente do próprio catálogo.

A consulta aos jornais no original ou em microfilme é feita no próprio Arquivo Público, localizado na Av. Cruzeiro do Sul, 1.777 - Próximo a Estação Tietê do Metrô, São Paulo/SP. O atendimento ao público acontece de terça a sábado, das 9h às 17h, sendo 16h o horário-limite para solicitação de materiais.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Governo libera verba milionária à UNE

Governo libera verba milionária à UNE
Agência Estado

No apagar das luzes, o governo Luiz Inácio Lula da Silva liberou a primeira parcela de R$ 30 milhões de um total de R$ 44,6 milhões de indenização à União Nacional dos Estudantes (UNE) como reparação pelos danos causados à entidade durante a ditadura militar (1964-1985).

O dinheiro caiu na conta da entidade na sexta-feira, depositada pela Comissão da Anistia, escalada para saldar a conta. Os R$ 14,6 milhões restantes entrarão no Orçamento de 2011.

O dinheiro, segundo compromisso da direção da UNE, será integralmente aplicado na construção da nova sede, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Com 13 andares, o prédio será erguido no mesmo terreno, na praia do Flamengo, onde o antigo foi metralhado e incendiado em 31 de março de 1964, dia do golpe militar. Doado pelo ex-presidente Getúlio Vargas em 1942, o local é hoje um dos endereços mais caros do País.

A pedra fundamental da obra será simbolicamente lançada em alto estilo na segunda-feira, às 17 horas, com a presença de autoridades, artistas e intelectuais de todo o País. Com dinheiro em caixa, a construção será iniciada no primeiro semestre de 2011 e a inauguração está prevista para 2013. Essa é primeira indenização coletiva paga pelo governo brasileiro por danos da ditadura.

A lei da anistia (1979) só ampara reparações de caráter pessoal a familiares e vítimas da repressão política. A reparação decorre de lei (número 12.260) proposta pelo Executivo e aprovada pelo Congresso em junho. Responsável pelo presente natalino, o presidente de Lula é o convidado de honra e deverá estar presente. Segundo a UNE, todos os ex-presidentes da entidade foram convidados, entre os quais o ex-governador José Serra, que não teria confirmado presença.

A medida abre um precedente para indenização institucional a outras entidades civis, religiosas e políticas que sofreram perseguições nos anos de chumbo. Mas elas terão de se articular e seguir o mesmo caminho da UNE para aprovação de lei no Congresso. "É justo do ponto de vista político e histórico e totalmente defensável do ponto de vista jurídico", afirmou o secretário nacional da juventude, ligado à Secretaria-Geral da Presidência, Beto Cury, que coordenou a tramitação do processo na comissão que fixou o valor.

Enquanto isso, a reparação coletiva devida a centenas de camponeses atingidos pela guerrilha do Araguaia, apanhados no fogo cruzado entre guerrilheiros e as forças da repressão, ainda não aconteceu. Até agora, apenas 44 agricultores tiveram reconhecido o direito a uma modesta pensão mensal de três salários mínimos (R$ 1.545), além de uma indenização retroativa de menos de R$ 100 mil para recomposição patrimonial.

A Rede Histórica desencadeou a discussão sobre a pertinência ou não de tal indenização. Para participar clique na questão a seguir: Você concorda com a indenização de R$ 44 milhões que a UNE recebeu em função dos danos causados à entidade durante a ditadura militar?

Fonte: Agência Estado via Histórica

Hoje na História - 1964: Cinzas de líder da Resistência Francesa vão para o Panteão

19/12/2010 - 07:07 | Max Altman | São Paulo
Hoje na História - 1964: Cinzas de líder da Resistência Francesa vão para o Panteão

Em 19 de dezembro de 1964, por iniciativa do general Charles de Gaulle e do ministro da Cultura, André Malraux, as cinzas de Jean Moulin são transferidas para o Panteão da França na presença de inúmeros antigos resistentes. Malraux, em memorável discurso, prestou homenagem ao ex-comandante do CNR (Conselho Nacional da Resistência) bem como a todos os que lutaram contra a ocupação alemã.

Nascido em Béziers em 20 de junho de 1899, tornou-se figura emblemática da Resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial. Moulin fez prova de uma coragem e determinação sem limites. Deve-se a ele a organização e a unificação dos resistentes no seio da CNR, naturalmente convencido de que esse era o seu dever de patriota.

Em 1917 ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Montpellier. Em plena guerra mundial é mobilizado e obrigado a interromper seus estudos. Porém o armistício é assinado antes de entrar em combate, o que lhe permitiu retomar seu curso, diplomando-se em 1921.

Muito jovem, Jean Moulin, influenciado pelo pai, um socialista militante, demonstra profunda paixão pela política. Torna-se em 1925 o mais jovem sub-prefeito da França, em Albertville e depois em Châteaulin.

Em 1936, é designado chefe de gabinete do Ministério do Ar da Frente Popular (Front Populaire). No curso da Guerra Civil na Espanha não hesita em dar seu apoio aos republicanos. Suas qualidades e sua dedicação lhe valem ser nomeado em julho de 1939 prefeito de Chartres, pouco antes da invasão de seu país pelos alemães.

A França é invadida em 10 de maio de 1940. Jean Moulin, então prefeito de Eure-et-Loir, recebe uma declaração dos ocupantes nazistas de que um grupo de atiradores senegaleses pertencentes ao exército francês tinha cometido crimes graves. Consciente da inocência dos acusados, Moulin recusou-se a assinar o documento.

Convencido de seu dever de lutar contra o ocupante, vai a Londres para se encontrar com De Gaulle em 1941. Não tardam em estabelecer confiança mútua e a Moulin é atribuída a pesada tarefa de unificar a Resistência no sul da França.

Regressa ao país na noite de 1º a 2 de janeiro de 1942. Assume diferentes identidades, de agricultor a diretor de uma galeria de artes. Com grande esforço, tenta reunir os distintos movimentos de resistência sob a autoridade de De Gaulle. Contato seus chefes e depois de criar o Exército Secreto (AS – Armée Secrete) põe em ação os diversos serviços: informação, imprensa, paraquedismo, transmissões, comitê geral de estudos, infiltração nas administrações públicas...

Consegue reunir os 3 grandes movimentos de resistência: Combate, de Henri Frenay, Franco-atirador, de Jean-Pierre Levy e Libertação-Sul de Emmanuel d’Astier. Junta-os no Movimentos Unidos de Resistência (MUR). Todavia, as divergências entre os chefes resistentes não lhe facilitam a tarefa.

Após um breve retorno a Londres no começo de 1943, é encarregado de organizar o CNR. Tratava-se de reunir todas as organizações, movimentos, partidos políticos, sindicatos sob uma única entidade política. Jean Moulin assume a presidência.

A primeira reunião do CNR ocorre em 27 de maio de 1943, em Paris. No entanto, os conflitos no seio da Resistência não se atenuam. Alguns queriam até derrubar Jean Moulin da chefia. Quando o comandante do AS, general Delestraint, é preso pelos nazistas, Moulin organiza em caráter de urgência uma reunião dos responsáveis militares em Caluire.

Em 21 de junho de 1943, a Gestapo invade o local da reunião e prende todos os participantes. A traição ou delação parece evidente. Jean Moulin é levado preso a Lyon e torturado durante vários dias. Apesar dos sofrimentos inomináveis, jamais forneceu qualquer informação sobre o movimento. Morreu quando de sua transferência para a Alemanha em 8 de julho de 1943, aos 44 anos.

Fonte: Opera Mundi

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O sul de todos os tempos: nossa história em 500 páginas

O sul de todos os tempos: nossa história em 500 páginas
Publicado em 13/12/2010

Escrito pelo professor e colunista de ON Mário Maestri, Breve História do Rio Grande do Sul faz uma viagem pelo passado do estado desde a pré-história até os dias atuais. Mais vendida do estande da UPF Editora na Feira do Livro de Porto Alegre, a obra apresenta várias surpresas ao longo de suas quase 500 páginas

Segundo ON

A história do sul vai muito além de conflitos entre chimangos e maragatos. Apesar de sempre lembrada e tornada sinônimo primeiro da nossa história, a Revolução Farroupilha é apenas um curto episódio dentro de uma incrível jornada de longos séculos e muitos povos, batalhas, explorações, conquistas e revoluções que preencheram as quase quinhentas páginas escritas por Mário Maestri na ambiciosa tentativa de recontar a história do estado em um só volume. E que volume. Intitulado Breve história do Rio Grande do Sul: da pré-história aos dias atuais, o livro apresenta uma visão geral do estado desde o seu princípio até o fim do governo Yeda Crusius. Professor de História da Universidade de Passo Fundo e colunista de O Nacional, o porto-alegrense teve sua obra entre as mais vendidas do estande da UPF Editora durante a Feira do Livro de Porto Alegre deste ano. Em entrevista ao Segundo, falou das dificuldades e surpresas ao mergulhar no sul de todos os tempos.

Segundo – Em primeiro lugar, não há uma contradição entre o título do seu livro, uma Breve história do Rio Grande do Sul, e o volume de quase quinhentas páginas?!
Mário Maestri - Um amigo baiano, o historiador J.J. Reis, me assinalou o paradoxo do título em um livro de mais de 460 páginas de texto. E isso que não foi colocada uma cronologia final e ilustrações, como previsto inicialmente! (risos) Trata-se, porém, em todos os sentidos, de uma leitura muito sintética do nosso passado. Em um sentido lato, o Rio Grande do Sul já tem uns 380 anos de história política, se tomarmos como ponto referencial a fundação das Missões do Tape, deixando de lado a sua pré-história e a história das suas comunidades nativas americanas, abordadas rapidamente no texto. Trata-se, em definitivo, de uma enorme massa de fatos – e conhecimentos à nossa disposição – que, para um enfoque mais sistemático, mesmo sintético, exigiria não um, mas vários volumes. Em verdade, há diversas dimensões da história do passado sulino que não abordamos, por opção, nem minimamente, como a história da cultura, com destaque para a literatura, a música, a arquitetura, temas que nos encantam e sobre os quais contamos já trabalhos gerais e particulares excelentes, mas que fomos, infelizmente, obrigados a não incluir, para não extrapolar os objetivos e as razões particulares da produção desse livro.

Segundo – Qual os objetivos e as razões de escrever a Breve história do Rio Grande do Sul: da pré-história aos dias atuais?
MM - Há razão particular e geral. Venho escrevendo este livro há quase quatorze anos, desde que ingressei na UPF, a convite do professor Fernando Camargo, que não se encontra mais em Passo Fundo, para lecionar no Curso de Graduação em História e ajudar a organização o Programa de Pós-Graduação em História, o primeiro do interior do Rio Grande. Prestei concurso para as cadeiras referentes à História do Rio Grande do Sul. Portanto, desde 1996, me predispus a preparar para meus alunos uma interpretação sintética sobre a história sulina, que abarcasse todo o período da disciplina. Algo que correspondesse aos dois semestres de estudo. Um trabalho sintético, sem ser telegráfico e simplista. Um projeto relativamente ambicioso pois, como proposto, o largo arco cronológico de nosso passado exige que os historiadores que se voltem sobre ele, especializem-se em algumas áreas e períodos.

Segundo - Qual foi o período nesse estudo geral do passado rio-grandense que lhe deu mais trabalho e lhe despertou maior paixão? Foram necessárias investigações profundas e demoradas?
MM - Breve história do Rio Grande do Sul: da Pré-História aos dias atuais é trabalho de síntese, como proposto. Há períodos do passado sulino, como o período colonial, a sociedade escravista, o mundo colonial-camponês, que investiguei direta e sistematicamente. Porém, havia períodos que, antes, jamais abordara em forma detida, como a República Velha, o Estado Novo, o período pós-1964, ainda que, este último, já fazia parte de minha vida, como adolescente, jovem e adulto. Minhas aulas no curso de graduação e, devido a elas, a preparação do livro, forçaram-me à farta leitura de documentação e bibliografia especializadas desses períodos. No texto, procurei assinalar alguns autores nos quais me apoiei substancialmente, já que, devido aos objetivos do trabalho, optei, ao iniciá-lo, pelo não uso de notas de rodapé. O que, confesso, creio não ter sido a opção mais pertinente. Nas quarenta páginas finais, encontram-se os trabalhos nos quais apoiei substancialmente minha leitura e interpretação. Se há originalidade, nessa minha leitura, é a interpretação geral referente à totalidade do processo.

Segundo - Essa sua viagem pelo passado sul rio-grandense reservou-lhe surpresas?
MM - Certamente, diversas e, algumas, bastante grandes! Por exemplo, deparei-me com a enorme desigualdade da abordagem pela historiográfica regional dos diversos períodos de nosso passado. A historiografia sobre a República Velha é muito rica e precisa, o mesmo não se podendo dizer sobre o Império, sobretudo no referente à história política, que apenas agora começa a ser desbravada com qualidade. Paradoxalmente, a história do RS dos anos 1937 a 1980 não é igualmente territórios visitado amiúde. Impressiona não termos uma história digna do nome do governo de Flores da Cunha, de Leonel Brizola, da Legalidade, dos governos regionais no período ditatorial. E esses são apenas alguns buracos negros de nossa historiografia, que, com o grande número de programas de pós-graduação em história tem produzindo uma enorme quantidade de excelentes trabalhos, sobre os mais diversos temas, alguns deles, porém, verdadeiramente anódinos!

Fonte: O Nacional

17 de dezembro de 1989 – Brasil vota e elege Collor Presidente

17 de dezembro de 1989 – Brasil vota e elege Collor Presidente
Enviado por: Alice Melo

“Ganhamos”, bradava antecipadamente o deputado Renan Calheiros no dia do pleito que elegeu o amigo Fernando Collor de Mello como Presidente do Brasil, no segundo turno das primeiras eleições federais após a ditadura militar. As pesquisas “boca de urna”, na noite do dia 17, já indicavam a vitória do candidato do PRN para alegria dos aliados e frustração da oposição petista, que ainda aguardava o anúncio oficial do TRE, o qual sairia apenas na noite do dia seguinte.

“Eleição, a gente só pode falar sobre ela, depois de apurados os resultados”, disse Collor sorridente enquanto as pessoas em sua zona eleitoral, em Maceió, cantavam o hino do vitorioso: “é verde e amarelo, sem foice e sem martelo”.

Distante dali, em São Bernardo, no interior de São Paulo, Lula beijava a cédula antes de inseri-la na urna. Estava tranqüilo, acompanhado da mulher, Marisa. “Se eu tivesse um dia melhor do que esse, eu morreria de infarto”, disse ele, enquanto se dirigia ao carro que o levaria para sua residência, de onde acompanharia a apuração.

Collor ou Lula? Pela primeira vez em 29 anos, chegara o dia em que 80 milhões de brasileiros tinham nas mãos o poder de mudar o futuro do país, resumido em dois curtos nomes assinalados em milhões de cédulas e depositados em urnas de toda a nação.

O país se dividiu naquele domingo histórico e acreditou que gritar alto o nome de seu candidato poderia garantir mais um voto para ele. Houve prefeito que fez campanha para Collor no contracheque do pagamento do 13º salário, houve garimpeiro em Rondônia que pagou uma pepita de ouro para conseguir chegar a sua seção eleitoral, houve cabo eleitoral que fez boca de urna com propaganda para Collor, mas garantiu que seu voto era de Lula. Houve festa nas ruas do país, bandeiras coloridas ao vento, gente dançando, entoando hinos a favor ou contra seu candidato.

No fim, quatro milhões de pessoas decidiram o pleito. Com essa vantagem, Fernando Collor de Mello foi eleito chefe da nação. Em breve, o chamado Caçador de Marajás subiria a rampa do Planalto, trajando a cobiçada faixa presidencial.

Fonte: JBlog

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Para além dos números

Por Alex Sander Alcântara

É comum ouvir que haveria uma menor produtividade na pesquisa em ciências humanas em relação a outras áreas do conhecimento. Ou que a pesquisa feita em humanidades no Brasil não teria a penetração internacional das demais áreas.

Para debater pontos como esses, pesquisadores se reuniram no 1º Fórum de Ciências Humanas, promovido pela Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) no fim de novembro. Os participantes analisaram eventuais entraves da pesquisa em humanas, como a falta de uma metodologia apropriada para medir a produção e a necessidade de projetos mais ousados na área.

Segundo os cientistas presentes, não se pode dizer que a produtividade nas humanidades seja menor do que as das demais áreas a partir de critérios meramente quantitativos.

Para o professor Luiz Henrique Lopes dos Santos, do Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), essa discussão tem se pautado na maior parte das vezes em análises superficiais de números.

“O mito da baixa produtividade está ancorado em uma leitura simplista dos dados, que ignora as especificidades de cada área. A questão é saber o que significa cada número em cada área e, por vezes, em cada linha de pesquisa”, disse à Agência FAPESP.

Segundo o pesquisador, que apresentou dados sobre a produção de artigos científicos nos últimos anos, em muitas áreas a pesquisa é realizada em grupo e resulta em trabalhos de coautoria, o que não ocorre com frequência nas humanidades.

“A publicação de livros nas humanidades, por exemplo, é superior à de muitas áreas. Em um cálculo grosseiro, podemos dizer que um livro equivaleria a seis artigos. O problema é que um livro ou um artigo tem o mesmo peso de cálculo se forem citados em outras publicações”, disse Lopes dos Santos, que integra o quadro de Coordenadores Adjuntos da FAPESP.

Mariana Broens, professora de Filosofia da Unesp de Marília, também destacou a importância de se desenvolver pesquisas em conjunto em ciências humanas e questionou a forma como a pesquisa costuma ser feita. “Será que o modelo de produção solitária, individual e contemplativa pode responder aos desafios da contemporaneidade?”, indagou.

Internacionalização da pesquisa

Outro ponto considerado delicado pelos participantes do fórum, para a maioria das áreas em humanidades, foi a questão da internacionalização da pesquisa. “Em muitas áreas, a agenda interessante de pesquisa para o Brasil pode não coincidir com a pauta internacional dominante, mas pode coincidir com as agendas regionais”, disse Lopes dos Santos.

O pesquisador também destacou especificidades da produção em ciências humanas. Escrever em português, e não em inglês, por exemplo, pode ser visto como um entrave. Mas a forma do discurso nas humanidades não seria apenas um meio de transmitir um conteúdo, e sim um elemento constituinte da própria área.

“Em certas áreas, tem-se um discurso enxuto, recheado de termos técnicos. Nas humanidades, a qualidade do texto é inseparável do conteúdo. É muito difícil que alguém que não tenha o inglês como sua primeira língua escreva com a desenvoltura ideal para usar todos os recursos expressivos da filosofia e da literatura, por exemplo”, disse.

Lopes dos Santos buscou também desmistificar a ideia de que as humanidades são preteridas pelas agências de fomento à pesquisa. Citou dados dos Estados Unidos, onde o setor recebe 9% de todo o investimento anual em pesquisa. Na FAPESP, o percentual para esse segmento é de cerca de 11%. “E em geral os projetos em humanidades têm custo menor, porque não demandam aquisições de equipamentos caros”, ressaltou.

Entretanto, tem havido poucas solicitações de financiamento para projetos de pesquisa de médio e grande porte para as humanas. “Há espaço para projetos mais arrojados, principalmente em pesquisa aplicada em políticas públicas. Mas noto uma certa timidez dos pesquisadores em propor pesquisas mais ambiciosas”, disse.

“Ousadia é a palavra que a área de humanas precisa perseguir com mais afinco”, corroborou Maria José Giannini, pró-reitora de Pesquisa da Unesp. Segundo ela, é necessário reunir competências de diferentes unidades e instituições de pesquisa.

“Um caminho para isso seria divulgar mais os projetos, buscar contatos e parcerias e utilizar melhor as ferramentas de apoio que cada instituição oferece”, disse a também conselheira da FAPESP.

Fonte: Agência FAPESP